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RIZZOLI, Maria Cristina.

Leitura com letras e sem letras na educação infantil
do norte da Itália. IN: FARIA, Ana Lcia !oulart e M"LLO, #uel$ Amaral
%or&s.'. Linguagens infantis: outras formas de leitura. Cam(inas:
Autores Associados, )**+, (.+,)).
-á&ina *+
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L"I01RA COM L"0RA# " #"M L"0RA# NA ".1CA23O INFAN0IL .O NOR0"
.A I04LIA
Maria Cristina Ri55oli %6 coordenadora (eda&7&ica na rede (8lica de
educação infantil da cidade de /olon9a, no norte da Itália. 6 res(onsá:el,
entre outros, (elo (ro&rama de leitura nas crec9es da #ecretaria de
"ducação ;ue en:ol:e :árias dimens<es art=sticas. Nesta confer>ncia, ela fala
da e?(eri>ncia ;ue tem com li:ros e crianças (e;ueninin9as. A (resença do
li:ro dentro das escolas da inf@ncia, na formação das (rofessoras e na mão
das crianças A muito forte na educação infantil italiana'.
Nos ltimos anos, na educação infantil italiana ;ue c9amamos de (rimeira e
se&unda inf@ncia, ou seBa, na educação das crianças de O a C anos, temos
nos em(en9ado 8astante em relação D leitura e aos li:ros Enota: FG.
-or ;ue escol9emos o li:ro como o8Beto (ara a criança nessa fai?a etáriaH
Na sociedade atual, as crianças (assam muitas 9oras na frente da
tele:isão. Mesmo na (rA,escola, a m=dia está
Nota F I -á&ina *+. "sse em(en9o em relação D leitura, na :erdade, não
acontece em toda a Itália, mas no norte, em al&umas re&i<es do centro,
norte onde, ao contrário do /rasil, se concentra a re&ião mais desen:ol:ida
do (a=s.
-á&ina *C
muito (resente. Na (rA,escola italiana, Bá e?iste um com(utador onde as
crianças (odem criar o (r7(rio te?to. Não sei se isso A certo ou errado, mas
o fato A ;ue as crianças t>m, muito cedo na :ida, contato com um
com(utador. Os com(utadores, assim como os videogames, não (odem
e?aurir todas as (ossi8ilidades ;ue uma criança tem, es(ecialmente (or;ue
eles não criam relacionamentos.
N7s, na (refeitura de /olon9a, acreditamos ;ue o fato mais im(ortante ;ue
acontece, ;uando se conta uma 9ist7ria, A o relacionamento ;ue se cria.
Acreditamos ;ue contar 9ist7rias A uma caracter=stica de todo ser 9umano.
Contar 9ist7rias A uma arte muito anti&a e ela res(onde D necessidade
9umana mais (rofunda de manter esse relacionamento de em(atia entre os
indi:=duos, tornando (oss=:el e?(erimentar o ;ue o outro e?(erimenta e,
assim, dar forma D (r7(ria e?(eri>ncia.
Mesmo num (assado remoto, ;uando as (ala:ras ainda não e?istiam, as
9ist7rias eram contadas (or meio dos ol9ares, da m=mica, dos &estos, dos
sons. Com eles se conta:a o medo, as sur(resas, o deseBo, o desconforto, a
cora&em, a con;uista. -ortanto, esse im(ulso ;ue temos de dar forma de
9ist7ria Ds nossas e?(eri>ncias :i:idas Bá si&nifica:a anti&amente e si&nifica,
ainda 9oBe, a necessidade de ordenar, dar si&nificado Ds coisas ;ue
acontecem e tam8Am de conser:ar na mem7ria essas e?(eri>ncias e criar
um sentido de (ertencimento ao &ru(o.
-ortanto, os sons, as (ala:ras, os &estos e os ol9ares são todos
instrumentos utili5ados (ara criar um lu&ar de encontro, a;uela Jterra do
meioJ, ;ue A feita de cone?<es, de relacionamentos entre ;uem conta e
;uem ou:e a 9ist7ria. #ituaç<es em ;ue o ;ue im(orta A a (resença e a
:ontade de uma comunicação aut>ntica e
-á&ina *K
Acess=:el, em &rau ca(a5 de suscitar um sentimento comum: a;uela maneira
es(ec=fica, a;uela forma de con9ecimento ;ue torna (oss=:el (ro:ar ;ue o
;ue um sente tam8Am o outro (ode sentir, e sa8er ;ue a sua :i:>ncia A
(arecida com a :i:>ncia do outro.
"ssa relação A esta8elecida entre a ca(acidade de contar e a ca(acidade de
ou:ir. "ssa comunicação destr7i ;ual;uer ti(o de 8arreira e su(era todas as
contradiç<es ;ue (odemos ter, (or;ue n7s, nesse momento, nos sentimos
unidos, nos sentimos diferenciados e (odemos con9ecer a e?(eri>ncia
9umana nesse relacionamento.
Luer se trate de 9ist7rias en&raçadas, di:ertidas, le:es, insensatas,
(oAticas ou intensas, o im(ortante A o sentimento de (ertencer, de estar
Bunto.
"ssa :olta ao (ra5er de ou:ir e de contar uma 9ist7ria nasce do deseBo de
encontrar a;uele lu&ar anti&o, onde o es(aço f=sico (ode tocar :oc>. 6 um
lu&ar de encontro (rofundo e secreto, onde esses sentimentos de (ra5er
tocam os (ontos mais =ntimos do nosso coração.
A nossa fome (or 9ist7rias (ode ser satisfeita (ela m=dia, (or meio da
tele:isão, do com(utador, enfim, (or todos esses meios modernos.
Mas, atra:As deles, não sentimos o mesmo ;ue e?(erimentamos ;uando
uma 9ist7ria A contada oralmente: a (resença, o com(ortamento ;ue
en:ol:e o estar Bunto com uma outra (essoa e e?ercitar a ca(acidade de
ou:ir.
Ou:ir 9ist7rias tem uma im(ort@ncia muito &rande (ara a criança: fa5 com
;ue ela se sinta im(ortante, sinta ;ue al&uma coisa está sendo feita
es(ecialmente (ara ela. As 9ist7rias tam8Am t>m um :alor tera(>utico e, (or
isso, são narradas (ara as crianças como forma de tera(ia. 1m educador
italiano relata sua e?(eri>ncia de contar 9ist7rias em
-á&ina *M
institutos de reeducação (ara menores com (ro8lemas. .e acordo com sua
e?(eri>ncia, as 9ist7rias curam. "las não curam a (arte f=sica doente das
crianças, mas res&atam o ;ue as crianças t>m de 8om e fa5em com ;ue elas
(ossam retomar a :ida, alimentar,se de idAias e crescer. "sse educador
conta emocionado o relato de um Bo:em ;ue, a(7s ter ou:ido uma 9ist7ria, o
(rocurou (ara di5er ;ue era a (rimeira :e5 ;ue al&uAm l9e conta:a uma
9ist7ria.
"sse as(ecto do contar e ou:ir 9ist7rias entra no @m8ito (eda&7&ico.
Nin&uAm (ode ne&ar ;ue esse :alor catártico fa5 o suBeito ;ue ou:e 9ist7rias
li8erar as an&stias ;ue &uarda no su8consciente. A criança, ainda mais
facilmente, (arece li8erar essas an&stias com as 9ist7rias ;ue l9e são
contadas. A idade infantil A muito contur8ada, (or;ue a criança tem ;ue
fa5er &randes con;uistas e, (ara isso, muitos esforços l9e são e?i&idos nos
(rimeiros anos de :ida. "la tem ;ue a(render a ficar em (osição ereta,
a(render a andar, ela tem ;ue controlar os esf=ncteres, tem ;ue ter
autonomia na :ida cotidiana, tem ;ue a(render a comer so5in9a, a se :estir,
a se des(ir, enfim, tem ;ue a(render a fa5er todos esse atos ;ue são, (ara
ela, :erdadeiras con;uistas ;ue re;uerem muitos esforços re(etiti:os. Nesse
momento, o fato de ela (oder ser um 9er7i, o fato de tornar,se um 9er7i ou
um animal fero5 ;ue enfrenta os (eri&os e o8stáculos constitui uma
e?(eri>ncia (ositi:a. "sse esforço desse nosso (e;ueno 9er7i , ;ue tem lu&ar
;uando a criança (ode :i:er um (ersona&em de uma 9ist7ria ;ue A contada
, se tradu5 como uma 8oa sensação. Nesse momento e nesse (a(el, ela se
sente muito 8em. 0ornar,se um 9er7i ou um animal (ermite a ela :i:enciar
as e?(eri>ncias ;ue o 9er7i está :i:enciando, e todas as con;uistas ;ue ele
fa5 se tornam (arte da (r7(ria :ida da criança.
-á&ina *N
As 9ist7rias de:em ser contadas (ara ;ue as crianças (er&untem (or ;u>.
"las estão sem(re ;uerendo sa8er o (or;u> das coisas, o ;ue A uma
curiosidade t=(ica de toda a criança. Muitas :e5es, o adulto dá e?(licaç<es
racionais, (ensadas e (ouco ima&inadas. "ssas são res(ostas muito
cali8radas, muito (recisas e a criança não está realmente ;uerendo esse ti(o
de res(osta. 1ma 9ist7ria ;ue A contada entra muito mais no uni:erso da
criança e dará res(ostas muito mais satisfatCrias (ara ela do ;ue uma
res(osta racional de um adulto.
#e&undo Na8oOo:, a narrati:a re(resenta um (onto delicado de encontro
entre a ima&inação e o con9ecimento. "la (ode, assim, re(resentar um
terreno fArtil onde se (ode fa5er 8rotar a ima&inação e a8rir camin9os
criati:os, en;uanto situaç<es mais r=&idas e mais definidas (odem ini8ir o
desen:ol:imento dessa criati:idade e dessa ima&inação da criança.
As 9ist7rias são feitas em &rande (arte de ima&ens e essas ima&ens
atin&em a (arte mais (rofunda do nosso ser de maneira :elo5 e direta. #e,
anos mais tarde, essas ima&ens forem no:amente (ro(ostas (or meio de
no:as narrati:as, desco8riremos ;ue as ima&ens iniciais da narrati:a
entraram no nosso ser e não (ermaneceram a= somente na idade infantil,
mas se encontram (resentes.
As 9ist7rias realmente 8onitas sem(re ensinam al&uma coisa e nos fa5em
sentir mel9or. 0am8Am fa5em crescer dentro de n7s um sentido moral e nos
dão um sentimento de em(atia, de satisfação. -or isso, as 9ist7rias fa5em
sur&ir o alfa8eto dos sentimentos, o alfa8eto das emoç<es ;ue n7s :amos
reconstruir, aceitar e adotar como com(ortamentos conscientes.
AlAm disso, ;uando ou:e uma 9ist7ria, a criança
-á&ina F*
desen:ol:e a ca(acidade de ou:ir. "ssa ca(acidade, atualmente, tem muitas
:e5es sua im(ort@ncia desconsiderada. No entanto, A fator essencial de
;ual;uer a(rendi5a&em. Na :erdade, mais ;ue desen:ol:er na criança a
ca(acidade de ou:ir, a 9ist7ria contada ensina uma maneira de ou:ir ;ue fala
do si&nificado da :ida.
A 9ist7ria contada define, ainda, uma se;P>ncia de idAias e tam8Am
recon9ece sinais :er8ais ;ue o narrador transmite. Ao a(ro:eitar esses
sinais, a 9ist7ria contada (ossi8ilita ;ue a criança aumente o seu tem(o de
atenção. .essa forma, ela conse&ue concentrar,se muito mais ou:indo uma
9ist7ria do ;ue (or meio de outras ati:idades.
Ou:ir 9ist7rias desen:ol:e, tam8Am, uma ca(acidade de &rande
ima&inação. -er&untado so8re ;ual seria a mel9or maneira de culti:ar nas
crianças o interesse (ela ci>ncia. "instein su&eriu ;ue se contassem muitos e
muitos contos de fadas (ara as crianças. #e&undo ele, somente ;uando a
criança tem uma &rande dose de curiosidade A ;ue ela :ai se sentir
interessada a enfrentar situaç<es es(ec=ficas e seus desdo8ramentos. #e a
criança desen:ol:er a ima&inação, se ela ti:er a curiosidade desen:ol:ida,
ela (oderá res(onder Ds :árias situaç<es ;ue sur&irão durante a :ida e
solucionar (ro8lemas futuros.
A criação de um sentido de comunidade, de um &osto (or estar Bunto com
outras (essoas, A muito im(ortante no momento em ;ue se conta uma
9ist7ria. .e fato, o ;ue n7s lem8ramos, de(ois de muitos anos, não A a
9ist7ria es(ec=fica ;ue nos foi contada, mas a;uele sentimento de estar
(r7?imo do outro, o sentimento de autenticidade, o sentimento de (artil9ar
al&uma coisa com a (essoa na;uele momento em ;ue a 9ist7ria foi contada.
"ssa comunicação , essa consci>ncia da co,
-á&ina FF
municação , A muito im(ortante (or;ue ela A de(ositada dentro do nosso
ser, e (oderá ser retomada em ;ual;uer momento da nossa comunicação
futura.
A li&ação com a leitura A i&ualmente muito im(ortante, (ois (or meio da
(rática de ou:ir 9ist7rias 8em contadas , 9ist7rias ;ue são 8em escol9idas
(ara as crianças , a criança começa a sentir a leitura como al&o familiar. Aos
(oucos, a lin&ua&em, o ritmo em ;ue a 9ist7ria A a(resentada, os sons ;ue
são transmitidos, tudo isso entra no uni:erso da criança como 8ele5a e como
e?(eri>ncia a&radá:el de sonoridade.
Contar e ou:ir uma 9ist7ria A, tam8Am, um modo de inter(retar a;uilo ;ue
acontece conosco, de encontrar um si&nificado (ara a;uilo ;ue n7s fa5emos
e de dar sentido não a(enas a um e:ento isolado, mas a uma sArie deles , a
:árias cate&orias de e:entos. 6, (or isso, um (rinc=(io de estruturação dos
(rocessos e das e?(eri>ncias de :ida.
.e acordo com o (ensamento de /runer, a(render A conse&uir entender,
entender A construir si&nificados. A narração fa:orece, estimula e facilita a
construção dos si&nificados. Luando ou:e uma 9ist7ria so8re outras (essoas
(or meio da lin&ua&em sim87lica , da metáfora ,, a criança (ode retomar a
sua (r7(ria e?(eri>ncia: ela ou:e a e?(eri>ncia do outro e reela8ora a
e?(eri>ncia :i:ida. Nesse (rocesso, ela (erce8e um si&nificado e dá uma
forma, um sentido, um sentimento le&=timo ao ;ue e?(erimenta.
A ri;ue5a dos detal9es e das nuanças das 9ist7rias coloca a criança em
contato com o uni:erso do (oss=:el, onde ela (ode fa5er uma inter(retação
tam8Am de coisas ;ue se contra(<em, ;ue se contrastam. Assim, (ode
(erce8er ;ue e?istem (ontos de :ista diferentes ;ue se encontram, ;ue se
desencontram, ;ue (odem
-á&ina F)
ser i&uais ou diferentes. O im(ortante A sa8er e con9ecer os di:ersos (ontos
de :ista e (erce8er ;ue eles (odem ser diferentes. Não A tão im(ortante
sa8er se al&o A 8om ou se A ruim, mas ;ue a criança a(renda a res(ei tar e a
se fa5er res(eitar. -ara isso, A essencial ;ue ela se faça contaminar dos
si&nificados das e?(eri>ncias dos outros e atri8ua sentido a sua (r7(ria
e?(eri>ncia. "ssa e?(eri>ncia assume :árias facetas, o ;ue fa5 com ;ue a
criança a(renda a aceitar dentro de si mesma a con:i:>ncia de sentimentos
o(ostos , das am8i:al>ncias , no (ercurso do seu crescimento e da sua :ida.
Os (eda&o&os e educadores de /olon9a assumiram a im(ort@ncia do li:ro
(ara a criança, e essa atitude fe5 com ;ue o munic=(io de /olon9a iniciasse
um tra8al9o e?(lorando as :árias (ossi8ilidades ;ue o li:ro oferece. Al&uns
(rinc=(ios t>m orientado esse tra8al9o. "m (rimeiro lu&ar, a com(reensão de
;ue o li:ro A um instrumento de con9ecimento, mas tam8Am A um :e=culo
(ara fomentar o relacionamento.
"m se&undo lu&ar, a (erce(ção de ;ue o li:ro A um o8Beto a ser e?(lorado
e ;ue aBuda a criança a in:entar e construir outras 9ist7rias. A 9ist7ria não A
s7 narrada, mas (ode, tam8Am, ser desen:ol:ida em la8orat7rios com a
criação de cenários, de desen9os, de atuação, de construção de no:os li:ros.
", finalmente, a com(reensão de ;ue o li:ro tam8Am A uma ocasião (ara a
criança :i:er a:enturas emocionantes ;ue constituem a c9a:e de acesso ao
mundo da ima&inação.
-ortanto, os li:ros ser:em (ara ser tocados, ol9ados, lidos, fol9eados,
le:ados (ara casa, tra5idos (ara a escola, e (odem ser discutidos, criticados,
constru=dos.
-á&ina FQ
O li:ro fa5 a criança estar na (resença de outras (essoas. Mas ela (ode
i&ualmente estar so5in9a com o li:ro. "le (ode aumentar o relacionamento
entre as (essoas, fa:orecer os encontros, e (ode, tam8Am, dar asas D
ima&inação.
A fi&ura do adulto A e?tremamente im(ortante nesse (rocesso, (or;ue ele
(ro(<e cenários (ara as 9ist7rias, fa5 as escol9as dos lu&ares onde contar as
9ist7rias, escol9e os temas. Ao mesmo tem(o, A o adulto ;uem am(ara a
criança no momento em ;ue ela escol9e um (ersona&em (ara re(resentar.
"la (ode escol9er ser uma ima&em de um animal fero5 e (recisará enfrentar
esse (ersona&em. #e ela tem um adulto (erto dela ;ue :ai confortá,la e
aBudá,la, não está so5in9a, não :ai se assustar com a situação ou com a
ima&em ;ue criou. Assim, a (resença do adulto A muito im(ortante nesse
relacionamento com a criança (or;ue :ai am(ará,la, :ai dar se&urança (ara
sa8er ;ue ela :oltará ao (a(el normal dela de criança. O im(ortante A
oferecer um am8iente a&radá:el (ara a criança, onde ela (ossa formar um
si&nificado (ara sua 9ist7ria , ;ue não A o si&nificado dado (elos adultos, A o
sentimento ;ue a criança :ai le:ar consi&o dessa 9ist7ria.
-ortanto, a curiosidade tem ;ue ser desen:ol:ida, mas i&ualmente
im(ortante A o desen:ol:imento do (ra5er. A criança tem ;ue sentir (ra5er
em estar (r7?ima ao adulto , em ter a sensação de (roteção do adulto , (ara
ter a li8erdade de ima&inar um (a(el, uma situação, uma sensação.
Outro as(ecto,c9a:e, alAm da curiosidade, do (ra5er e da com(reensão, A
a fantasia. Luando lemos um li:ro (ara a criança, ela desco8re se&redos,
ima&ina coisas diferentes. A 9ist7ria tem um si&nificado es(ecial (ara
-á&ina FR
ela. A criança enri;uece a 9ist7ria ou:ida e se enri;uece com todas as
fantasias ;ue a 9ist7ria defla&ra. Isso A muito im(ortante (or;ue A s7 com o
adulto, s7 com o relacionamento com uma outra (essoa, ;ue ela (ode
desen:ol:er essas fantasias. A atitude do adulto A e?tremamente im(ortante
(ara ;ue a criança (ossa se introdu5ir na 9ist7ria de um li:ro.
"ssa com(reensão do (a(el da 9ist7ria na formação e no desen:ol:imento
da (ersonalidade infantil le:ou os educadores de /olon9a a criar cantos de
leitura em crec9es e (rA,escolas. AlAm desses es(aços, a (refeitura de
/olon9a colocou D dis(osição das crianças no:e 8i8liotecas , no:e (ontos de
leitura.
A8rir uma 8i8lioteca (ara uma criança si&nifica criar um am8iente onde ela
tem a (ossi8ilidade de desen:ol:er um con9ecimento, uma (ro?imidade com
o li:ro, como um o8Beto ;ue tem suas (r7(rias caracter=sticas. O contato
com o li:ro (ermite ;ue a criança se relacione de uma maneira f=sica com
ele. Nesse caso, o li:ro não A s7 um te?to, mas um o8Beto... O li:ro torna,se
uma a8orda&em (ara adentrar um uni:erso de mara:il9as. O canto da leitura
torna,se o lu&ar onde o contedo A fascinante. O fato de ;ue a criança (ode
fantasiar fa5 de ;ual;uer lu&ar um lu&ar fantástico. Nessas 8i8liotecas, a
criança tem acesso aos li:ros ;ue são colocados em (rateleiras 8ai?as, na
altura das crianças, (ara ;ue esse contato direto aconteça. A (artir disso,
outras ati:idades (odem ocorrer nos la8orat7rios de criati:idade, em ;ue a
criança (ode a(rofundar o as(ecto fantástico da leitura.
O o8Beti:o de tudo isso A fa5er com ;ue a criança a(renda a amar os li:ros,
(ara ;ue desen:ol:a a curio,
-á&ina F+
sidade em desco8rir os li:ros e (ara ;ue se crie nela, tam8Am, uma
moti:ação (ara ;uerer a(render a ler, (ara con9ecer: (ara ;ue, no futuro,
ten9a a ca(acidade de se introdu5ir nesse (rocesso de leitura, ;ue ten9a o
deseBo de entrar em contato com esse mundo escrito e ;ue ten9a tam8Am a
criati:idade necessária (ara entrar em contato com as informaç<es. Isto,
(ara n7s, A a c9a:e do sucesso na :ida.
"ste (roBeto nasceu da constatação , 9á mais ou menos de5 anos , de um
em(o8recimento da lin&ua&em, uma diminuição na ca(acidade lin&P=stica de
crianças e Bo:ens entre FF e FM anos. -erce8emos, ainda, uma falta de amor
(ela leitura e uma dificuldade muito &rande na a(rendi5a&em e no ensino em
&eral com as crianças e Bo:ens desta fai?a etária. "ntão, retomamos nossa
e?(eri>ncia de (es;uisas e fi5emos um le:antamento so8re o ;ue :in9a
acontecendo. #a8emos ;ue a causa disso não A s7 o tem(o de tele:isão, em
;ue a criança (assa s7 :endo as coisas, mas tam8Am a aus>ncia de um
adulto ;ue (ro:o;ue nas crianças a ri;ue5a lin&P=stica. Acreditamos ;ue
adultos com(etentes e (re(arados, como são as (rofessoras de crec9e e de
(rA,escola, (odem criar essa ri;ue5a, (ro:ocar esse con:=:io com a leitura e
criar nas crianças o amor D leitura e a afeição ao li:ro. Como enfrentar,
então, esse (ro8lemaH
-erce8emos ;ue o interessante seria começar a a8ordar esse (ro8lema da
leitura com crianças 8em (e;uenas. Nesse caso, falo de JleituraJ ,
(ro(ositalmente entre as(as , (or;ue crianças (e;uenas não l>em.
!ostaria de discutir um (ouco so8re a min9a e?(eri>ncia e so8re o ;ue está
acontecendo nesse momento no munic=(io de /olon9a em relação D leitura.
0endo dis,
-á&ina FC
cutido mais teoricamente a im(ort@ncia do tra8al9o sistemático com li:ros,
;uero a(resentar o (roBeto ;ue reali5amos com as crianças entre O e C anos.
AlAm do ser:iço de crec9es e (rA,escolas Enota: )G, em /olon9a temos
tam8Am o ;ue c9amamos rede educati:a territorial ;ue a (refeitura oferece
(ara as crianças ;ue não fre;Pentam as crec9es e (rA,escolas. Assim, nela
se encontram tanto as crianças das crec9es e das (rA,escolas , com suas
(rofessoras , como as crianças ;ue ali :ão com suas fam=lias. #ão ;uatro os
ti(os de (roBetos oferecidos Enota: QG: o es(aço de (sicomotricidade, o
es(aço de educação am8iental, o es(aço,Bo&o e o es(aço de leitura. .este
ltimo A ;ue tratarei a;ui.
Nota ) I -á&ina FC. "m /olon9a, mais de Q*S das crianças de O a Q anos
estão nas RK crec9es (8licas, munici(ais e em al&umas (ri:adas. "sse
=ndice de atendimento das crianças de O a Q A maior do ;ue a mAdia
nacional. O atendimento Ds crianças de Q a C anos A de F**S em /olon9a,
sendo ;ue a mAdia nacional A de NN,+S.
Nota Q I -á&ina FC. Tárias cidades do norte da Itália t>m esse (roBeto com
nomes diferentes. #ão ser:iços de a(oio a fam=lias ;ue o(taram (ela não,
fre;P>ncia diária das crianças Ds crec9es e aos ;uais as crianças
com(arecem com a mãe, com o (ai, com os a:7s ou mesmo com a 8a8á.
"sses (roBetos de a(oio Ds fam=lias nasceram na Itália (ara (ro(orcionar
momentos de encontro em ;ue os (ais (ossam a(render a ser (ais. A
tradição italiana era a da fam=lia am(liada com a (resença dos tios, tias, a:Us
e a:7s. Na;uela situação, muitas crianças eram educadas (elos (arentes,
fica:am em casa com a a:7. VoBe, com a fam=lia isolada, os (ais tra8al9ando
fora e os a:7s morando lon&e, esses (roBetos de a(oio D fam=lia tornaram,se
im(ortantes. Tale lem8rar ;ue a Itália tem a ta?a de natalidade mais 8ai?a
da "uro(a: uma mAdia de menos de uma criança (or casal. AlAm disso,
e?istem 9oBe as mães,a:7s. #ão mães entre R* e R+ anos, em situação em
;ue o casal tra8al9a. Com esses (roBetos oferecidos (elas (refeituras, nos
momentos em ;ue as crianças ficam Buntas, (ais e mães t>m sua
o(ortunidade de con:ersar, rece8er da secretaria de educação um a(oio D
(aternidade e D maternidade.
-á&ina FK
Luando falo de leitura a;ui, falo de uma (ro(osta (ara crianças de C meses
a C anos, ou mesmo de * a C anos, falo da leitura sem letras, com li:ros ;ue
as crianças (odem tocar. 6 o ;ue c9amamos o8Beto,li:ro. O contato ;ue um
8e8> tem com o li:ro A oral e o li:ro de:e ser (re(arado considerando isso.
Assim, classificamos os li:ros dentro das crec9es em li:ros de (e&ar, de
escutar e de ol9ar. -ara as crianças de C meses, são de (lástico, de tecido,
li:ros ;ue a criança (ode atA masti&ar. #ão &ostosos, macios, ada(tados
(ara crianças 8em (e;uenas ;ue &ostam de le:ar coisas D 8oca, amassar,
mol9ar. #ão li:ros (re(arados (ara ;ue todo o cor(o da criança (ossa se
a(ro:eitar deles.
"sse canto (re(arado (ara a leitura tem ;ue ser muito confortá:el, (or;ue
as crianças não ficam sentadas nessa idade. "las en&atin9am, sentam,se no
c9ão, deitam e rolam (elo (iso. -or isso, um lu&ar macio, 8em
aconc9e&ante, com (aredes macias, re:estidas de almofadas ou colc9onetes
forma o es(aço ade;uado. As crianças tocam todo o es(aço, então 9á :árias
te?turas es(erando o to;ue da mão nesse canto em ;ue tudo de:e ser
(ro:ocador da leitura. C9amamos esse es(aço de canto macio. A= temos
li:ros enormes so8re os ;uais as crianças se deitam (ara mel9or a(reciá,los,
li:ros em ;ue se (ode entrar, ;ue se a(reciam a(oiados no c9ão e ;ue se
a8rem como uma sanfona.
O (rimeiro contato da criança com o li:ro A sem(re um contato f=sico da
criança com o li:ro,o8Beto. -or isso,

-á&ina FM
;uando falo de leitura, A dessa a8orda&em ;ue falo, da relação ;ue a criança
tem com o li:ro,o8Beto. "ssa A a (ro(osta es(ec=fica de ati:idade com li:ro
nessa fai?a etária.
As e?(eri>ncias ;ue as crianças mais :el9as , F a ) anos , t>m com os
li:ros são marcadas (or muita curiosidade. Nesse caso, os li:ros são de
(a(elão, li:ros ;ue t>m (erfuraç<es e ;ue as crianças &ostam de tocar,
colocar os dedos. Conforme elas :ão crescendo, :ão tendo outros elementos
no es(aço: Ds almofadas se Buntam (e;uenas (oltronas, cadeirin9as, uma
estante 8ai?a com rodin9as. Os li:ros estão sem(re na altura das crianças, D
dis(osição e ao alcance de suas mãos. Outro ti(o de canto (ode ter
(rateleiras ;ue as crianças alcançam.
-ara as crianças maiores, alAm das almofadas e das (oltronas, (ode 9a:er,
tam8Am, mesas 8ai?as (ara leitura em &ru(o ou indi:idual, uma escadin9a
(ara a(renderem a su8ir (ara 8uscar os li:ros ;ue a&ora não (recisam estar
a(enas ao alcance da mão da criança, mas (odem estar, tam8Am, no alto.
Com a;uelas 9ist7rias ;ue as crianças (edem (ara as (rofessoras contarem
re(etidas :e5es al&umas (rofessoras montam (ainAis na (arede. Assim,
al&umas 9ist7rias :ão ficando D dis(osição das crianças estam(adas nas
(aredes o tem(o todo.
As (rofessoras de cada crec9e or&ani5am o es(aço sem(re dentro dessa
(ers(ecti:a de (ro:ocar as crianças (ara a leitura e, ao mesmo tem(o,
sem(re o8ser:ando o ;ue elas &ostam e o ;ue ;uerem. -or isso as coisas
são feitas dessa forma. Não A um curr=culo escolar, não A um modelo (ara
ser co(iado, mas A a forma como estamos fa5endo a (artir do ;ue :amos
tam,
-á&ina FN
8Am a(rendendo com as crianças. 1m dos o8Beti:os A ;ue as crianças
;ueiram a(render a ler, ;ue seBam le:adas a ter :ontade de ler. 0ais
e?(eri>ncias reali5adas (elas crianças com o li:ro , mesmo ;ue elas não
leiam as letras, mesmo ;ue o li:ro não conten9a letras ,, esse fasc=nio e essa
má&ica constituem um con:ite (ara a criança (e&ar o li:ro (ara ler. "m
(oucas (ala:ras, o o8Beti:o A ensinar e a(render a &ostar dos li:ros.
Cada (rofessora de educação infantil tem uma ;uantidade de 9oras
semanais ;ue são utili5adas (ara reunião de (ais, com formação continuada,
com atuali5ação, com formação. Assim, fa5 (arte das 9oras de tra8al9o das
(rofessoras um tem(o (ara criarem esses es(aços. Ao o8ser:ar ;ue as
crianças &ostam de se sentir (rote&idas, de estar dentro dos lu&ares, as
(rofessoras criaram, num canto da sala, um es(aço ;ue lem8ra uma
ca:erna, uma toca onde as crianças (odem entrar (ara ler os li:ros. A
ca:erna não foi uma in:enção das (rofessoras, mas resultado da o8ser:ação
do mo:imento das crianças ;ue, a(7s a escol9a de um li:ro nas (rateleiras,
sa=am em 8usca de lu&ares onde (udessem estar isoladas (ara :er o li:ro. A
constatação de ;ue as crianças &ostam de se sentir assim mo:eu a atitude
das (rofessoras. -or isso, nem todas as crec9es t>m uma toca (ara leitura
das crianças (e;uenas. Al&umas t>m um castelin9o, outras, uma casin9a de
madeira ou uma ca8ana de (ano. O im(ortante A ;ue, nesse canto da
leitura, a criança entra em contato com os li:ros em lu&ares onde ela se
sente D :ontade e (ode se instalar com conforto. "sse (rimeiro contato da
criança A muito im(ortante. -or isso, os li:ros são escol9idos a dedo (elas
orientadoras, ;ue :ão de(ois retomar esses m>s,
-á&ina )*
mos temas mais tarde na idade (rA,escolar. #ão (ro(ostas ;ue se iniciam
nessa idade e de(ois são retomadas.
"sses es(aços de leitura (ara crianças na fai?a etária de * a C anos em
crec9es e (rA,escolas, em /olon9a, t>m sido muito utili5ados e 9oBe temos
no:e 8i8liotecas (ara crianças de * a F* anos de idade. #ão es(aços
realmente muito interessantes, 8onitos e má&icos ;ue (odem assumir, como
:imos, formas diferentes como a de um castelo ou a de uma toca.
"sse (ro&rama munici(al de 8i8liotecas (ara crianças, muitas :e5es, :ai
(ara crec9es ;ue não t>m 8i8lioteca. Assim, as crec9es ;ue não t>m esse
(ro&rama (odem a&endar idas Ds 8i8liotecas ou solicitar ;ue a 8i8lioteca :á
atA a unidade. 1ma mala com rodin9a, ;ue, ao se a8rir, se torna uma
estante, se (resta a esse ser:iço de le:ar as 9ist7rias (ara lá e (ara cá. Vá
atA um acordo desse (ro&rama com ala (ediátrica de um 9os(ital (r7?imo, e
uma 8i8lioteca (ara crianças de * a FR anos :ai atA a (ediatria do 9os(ital.
Assim, alAm da leitura na crec9e, 9á um es(aço de leitura (ara crianças nas
no:e 8i8liotecas criadas (elo munic=(io (ara atender tam8Am crianças
(e;uenas.
#eBa no es(aço (ara leitura, seBa nas crec9es e nas (rA,escolas, a finalidade
do tra8al9o A sem(re moti:ar as crianças D leitura 8uscando o (ra5er da
escuta e da narração, a curiosidade do sa8er, a autonomia do (ensamento. O
li:ro A (ro(osto, então, como c9a:e de acesso ao mundo da ima&inação e
(ode tornar,se um o8Beto (ara ser e?(lorado, (ara in:entar,se e (ara
construir. As 8i8liotecas fa5em,se tam8Am la8orat7rios de construção e de
e?(loração de li:ros, onde alAm de ou:ir
-á&ina )F
9ist7rias e de em(restar li:ros, as crianças , das crec9es, das (rA,escolas e
do ensino fundamental e tam8Am as ;ue :>m com suas fam=lias , (artici(am
de leituras animadas , com a construção de cenários e de fantoc9es , e de
la8orat7rios em ;ue as 9ist7rias (odem ser encenadas, desen9adas e li:ros
(odem ser constru=dos. "ssa construção (ode ser o momento final da leitura:
a 9ist7ria A lida umas tantas :e5es de acordo com a solicitação das criançasW
elas con9ecem a 9ist7ria, e da= fa5em um no:o li:ro a, (artir do ;ue
ou:iram, a&ora com (á&inas &randes e duras ;ue (oderão utili5ar (ara
contar a 9ist7ria e (ara e?(lorá,la de no:as formas. 6 uma coisa sim(les,
mas re:ela a (ai?ão, a atenção e o cuidado ;ue a (rofessora tem ;uando se
ocu(a da ;uestão da leitura.
#eBa com o li:ro de (lástico, de (ano ou de (a(elão, o ;ue muda em cada
idade A a forma de utili5ação e interação da criança com o li:ro, ;ue :ai da
e?(loração f=sica aos desdo8ramentos da 9ist7ria com a animação ou as
construç<es em la8orat7rio. .e al&um modo, o cor(o entra no li:ro
literalmente, ou, então, estão todos ol9ando um mesmo li:ro de (á&inas
&randes, as crianças entrando na 9ist7ria. "m ;ual;uer idade, as (rofessoras
dedicam muito tem(o D escol9a dos li:ros, D or&ani5ação do es(aço e das
estantes, (ois sa8em ;ue a 9ist7ria en:ol:e e a(ro?ima as crianças, inclusi:e
fisicamente. A 9ist7ria aBuda a se recon9ecer, a ima&inar e a intera&ir.
Com as crianças (e;ueninin9as, a a(ro(riação da cultura (resente nos
li:ros e sua confrontação com a e?(eri>ncia :i:ida (or elas demonstram ;ue
a criança (e;ueninin9a (ensa, ao contrário do ;ue defendem al,
-á&ina ))
&umas teorias (ara as ;uais a criança s7 começa a (ensar aos N anos de
idade.
-or tudo isso, reali5amos nosso tra8al9o de leitura com e sem letras,
(or;ue acreditamos ;ue na 9ist7ria nos en:ol:emos e nos a(ro?imamosW ela
nos aBuda a nos recon9ecer, ima&inar, intera&ir com os outros, o8ser:ar,
confrontar o ou:ido e o :isto com o :i:ido, com(reender a realidade e
re(resentá,la, associar a realidade e a re(resentação.
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