BRUNO LATOUR - CIÊNCIA EM AÇÃO

um texto de acompanhamento de leitura e sugestões de monografias
Vittorio Pastelli
Edição utilizada:
Ciência em ação — como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora
Tradução de Ivone C !enedetti
Editora "nesp# $ão %aulo# &'''
Palavras-chaves: Latour, T.S. Kuhn, Paul Feyerabend, sociologia da ciência, filosofia da ciência, ciência, tecnologia,
experimento, transla!es, regras metodol"gicas, sociologia, laborat"rios
Introduço! A"rindo a #ai$a %reta de Pandora
"sando uma esp(cie de din)mica cinematogr*fica# +atour analisa três momentos na hist,ria
recente da ciência e da tecnologia:
-./0: 1ohn 2hitta3er# no Instituto %asteur# em %aris# analisa se4uências de 567 e# com os
dados# monta imagens tridimensionais da dupla h(lice# com um computador Eclipse
89:/'''
-.0-: 1ames 2atson e ;rancis Cric3 procuram 4ual seria a estrutura da mol(cula de 567#
tentando v*rias hip,teses
-./': Tom 2est# na empresa 5ata <eneral# nos E"7# tenta p=r para funcionar um
prot,tipo da m*4uina 4ue viria a ser a Eclipse 89:/'''
>s exemplos são# ?em de acordo com o su?t@tulo do livro# tirados tanto de contextos
cient@ficos como de tecnol,gicos 7 distinção ciência:tecnologia ou ciência pura:ciência
aplicada não interessa ao autor Ele encontrar* em todas essas atividades# doravante
chamadas tecnocient#ficas# similaridades 4ue impedem 4ual4uer distinção clara e Atil
> 4ue mais importa ( o conceito de caixa preta Em -./0# tanto o car*ter de dupla h(lice
do 567 como o funcionamento do Eclipse são caixas pretas >u seBa# ca?e seguir adiante e
-
não rea?rir tais caixas e examinar seu conteAdo Em -.0-# a estrutura do 567 era uma
caixa a?erta# 4ue s, o tra?alho de 2atson e Cric3 Cevidentemente# depois de a comunidade
cient@fica estar devidamente convencidaD viria a fechar > mesmo vale para o tra?alho de
Tom 2est# em -./'
E nessa introdução 4ue +atour tam?(m apresenta a dupla face de 1ano# o 1ano cient@fico 7
face direita representa a ciência em construção e a es4uerda# a ciência pronta 7 face
es4uerda sempre dir*# so?re as atividades tecnocient@ficas# sentenças 4ue apelam para
noções de FverdadeF# FrealidadeF# Fprinc@piosF# FrigorF etc 7 face direita# 4ue representa a
ciência em construção# sempre falar* de FconvencimentoF# FdecisãoF# Festrat(giaF etc E
4ue o apelo G verdade ou G realidade s, pode ser feito# para +atour# depois 4ue a realidade
foi esta?elecida e# portanto# falar dela passa a ser falar a verdade 8as# antes disso# ou o
mundo não existe Cuma posição filos,fica demais para o autor# 4ue sempre evita o lamaçal
dessas discussõesD ou não temos meios de conhecêHlo e# assim# devemos tomar decisões no
escuro 5epois de tomada a decisão Ce# especialmente# se a decisão foi frut@feraD# diremos
4ue tomamos o caminho da verdade 8as isso# enfatizemos# ( sempre dito a posteriori
ITextos em azul são sugestões para discussão entre os alunos# diferente dos textos em preto#
4ue têm car*ter apenas informativoJ
FKuem ( esse 1anoLF ( uma 4uestiAncula interessante E o cientista# o tecn,logo ou o
estudioso da ciênciaL 5ificilmente seria o tecn,logo# pouco preocupado com esse tipo de
coisa +atour afirma 4ue ( Fa ciênciaF >M %ois# em?ora estude CNT# reconhece 4ue os
tecn,logos não fazem esse discurso e 4ue nem todo estudioso de ciência o segue 7ssim#
esse Fa ciênciaF seria melhor entendido Fos cientistasF
7 noção de caixa preta ( importante para diferenciar contexto e conteAdo Em -./0# tanto a
estrutura do 567 como o desempenho e confia?ilidade do Eclipse são parte do contexto >
conteAdo mesmo da pes4uisa não passa por ali# da mesma forma 4ue# na seção de materiais
e m(todos de um paper so?re clonagem# o cientista não analisar* a estrutura do 567#
discutir* 4ue prote@nas são feitas a partir de amino*cidos etc Isso B* ( parte do contexto ou
seBa# saiu do foco de atenção e foi para o cen*rio# cedendo lugar para 4ue outras 4uestões
desempenhem o papel principal 8as# em algum outro ponto da hist,ria# essas peças de
contexto não eram ainda caixas pretas estudar como essas caixas se fecham# como são
usadas 4uando fechadas e como podem ser eventualmente rea?ertas ( o prop,sito do livro
+atour nota 4ue tanto 2est como 2atson e Cric3# no momento da desco?erta Cno momento
em 4ue a caixa preta est* a?ertaD referemHse a seu o?Beto de estudo e Gs decisões 4ue têm de
tomar para seguir adiante em termos 4ue pouco têm a ver com o discurso da ciência
fechada Cda hist,ria da ciência 4ue ( reescrita 4uando a caixa preta est* fechadaD:
2est: organograma, gosto, protocolar, burocr$tico, minimi%ar riscos. $ão as expressões
4ue usa 4uando analisa um chip fa?ricado por um concorrente Cp -/D
2atson e Cric3: suspense, tom, &ogada, pra%o de publica'o $ão o 4ue eles dizem 4uando
Bulgam um paper de +inus %auling# 4ue descreve erradamente a estrutura do 567 Cp &'D
6essa altura# a tese de +atour ( ?em forte: não existe Fa coisaF e Fo Bulgamento so?re a
coisaF $e existisse Co 4ue ( a tese mais senso comum so?re a atividade cient@ficaD# então
dir@amos 4ue 2est faz uma an*lise t(cnica e# depois# faz algumas considerações so?re a
empresa 4ue criou o chip concorrente 8as o fato ( 4ue# no momento de decisão# o
Bulgamento tem de ser feito on the fly# sem 4ue Fa coisaF seBa ?em conhecida %ortanto#
segue a tese de +atour: separar esse discurso em dois ( um parti(pris ideol,gico sem muita
sustentação $e# ao contr*rio# consoante com o m(todo antropol,gico do autor# parteHse da
o?servação pura e simples do discurso dos envolvidos# fica inevit*vel ver um discurso s,#
4ue ( entendido por todos os atores# 4ue não param para separ*Hlo em partes Essa
separação ( uma ferramenta de estudo usada por 4uem toma um partido realista e
cumulativo da ciência e não algo 4ue esteBa na atividade do cientista
2atson teve de tomar uma decisão ?aseada numa dica de um colega de tra?alho# 4ue ia de
encontro a tudo o 4ue estava escrito nos livros de 4u@mica de at( então Como se decidiuL
7nalisando o curr@culo# dados pessoais# avaliando a psicologia leiga do colega Isso (
m(todoL $, numa acepção muito ampla da palavra Cp &OD
O
Esse exemplo ilustra a
%rimeira m*xima de 1ano:
face es4uerda: F7ceite os fatos sem discutirF
face direita: F5escarte os fatos inAteisF
2est precisava decidir# 4uando todos o pressionavam# se devia seguir em frente Gs cegas ou
construir um debugger para o Eclipse > 4ue seria mais eficienteL
Isso leva G
$egunda m*xima de 1ano:
face es4uerda: F;i4ue sempre com a m*4uina mais eficienteF
face direita: F5ecida o 4ue ( eficiênciaF
2est precisa terminar de de?ugar seu chip 7t( 4ue isso aconteça# a m*4uina# por definição#
não funciona 5epois 4ue isso acontece Cou# pelo menos# depois 4ue# na pr*tica# ela passa
por alguns testes considerados cruciais pelos envolvidosD# ela começa a funcionar 8as# diz
o autor Cp &PD: F6enhuma das razões pelas 4uais ela funcionar* depois de aca?ada aBuda os
engenheiros en4uanto eles a estão construindoF
Isso exemplifica a
Terceira m*xima de 1ano:
face es4uerda: FKuando a m*4uina funcionar# todos se convencerãoF
face direita: F7 m*4uina vai funcionar 4uando as pessoas interessadas estiverem
convencidasF
2atson e Cric3# B* dizendo conhecer a estrutura# ainda sentiam necessidade de sustent*Hla
para seus pares E esse sustentar 4uer dizer at( construir com metal um modelo mais ?onito
de ver 7pesar da controv(rsia ainda a?erta# o fato ( 4ue o modelo 4ue eles propõem
concorda com outros fatos ?em conhecidos Isso aBuda no fechamento da caixa %or 4uêL
Kuarta m*xima de 1ano:
face es4uerda: F> 4ue ( verdade sempre se sustentaF
face direita: FKuando as coisas se sustentam# elas começam a se transformar em verdadeF
> su?cap@tulo no 4ual essas m*ximas são expostas ( intitulado FKuando o suficiente nunca
( suficienteF E 4ue# na hora da controv(rsia# o 4ue parece# depois# suficiente para atestar a
correção de uma teoria ou descrição# não ( 7 passagem de insuficiente para suficiente não
se d* por mera acumulação de resultados e# muito menos# pelo respeito a algum m(todo 7
an*lise dessa passagem ( o prop,sito desse livro
Todas essas m*ximas da face direita de 1ano ?aseiamHse no princ@pio de su?determinação
de 5uhemHKuine Cnenhum fator isolado por fechar uma controv(rsia# p O-D
6essa altura# +atour propõe sua
%QI8EIQ7 QE<Q7 8ET>5>+R<IC7
Estudamos a ciência em ação e não a ciência ou a tecnologia prontasS para isso# ou
chegamos antes de 4ue os fatos e m*4uinas se tenham transformado em caixasHpretas# ou
acompanhamos as controv(rsias 4ue as rea?rem
7s regras metodol,gicas são um pacote em relação ao 4ual ( Ftudo ou nadaF Cp OTD +atour
as escolhe em detrimento de outras devido a sua crença de 4ue elas são mais eficientes para
acompanhar melhor# por mais tempo e mais independentemente o tra?alho dos cientistas e
tecn,logos Essa (# assim# uma FmetarregraF latouriana# 4ue define como as regras são
escolhidas
"ma coisa ?em importante a4ui ( o papel passivo do estudioso Ele FchegaF e
FacompanhaF Ele nunca interv(m $e o fizer# forçar* cientistas e tecn,logos a responderem
a uma situação nãoHstandard# 4ual seBa# explicar ao forasteiro o 4ue estão fazendo# o 4ue
dever* muito provavelmente# resultar em um discurso ideol,gico
U p*gina OO# ele fala do tra?alho do estudioso da ciência# 4ue ( ?asicamente o?servar o
processo 4ue ele chamou em F9ida de la?orat,rioF# Fsu?trair modalidadesF
Parte &! 'a ret(ri#a )ais *ra#a + )ais *orte
0
Ca%,tulo &! Literatura
Parte A! Contro-.rsias
6este cap@tulo# +atour vai falar de modalidades positiva e negativa
%ositiva 4uando uma sentença# inserida em outra# ( tomada mais como fato
6egativa 4uando essa mesma sentença pende para a ficção
7ntes# no entanto# dessas definições# +atour situa seu m(todo como uma Fperspectiva
relativista e cr@ticaF Cp O.D
E cr@tica por não ter um ponto de partida# por FseguirF e não FguiarF E relativista por isso e
por tam?(m não assumir algum padrão como Fa verdadeF# contra o 4ual regras# m(todos e
resultados praticados ou o?tidos pelos cientistas deverão ser Bulgados
> autor começa com o exemplo de uma sentença 4ue diz 4ue o sistema de m@sseis norteH
americano est* em perigo devido G precisão de uns novos m@sseis sovi(ticos 7 sentença (
verdadeira ou falsaL $e verdadeira# deveHse seguir um curso de ação# criando novos
sistemas de defesa $e falsa# deveHse seguir outro curso# verificando como p=de a agência
de espionagem o?ter informação imprecisa 7ssumir uma perspectiva leva a ação posterior
7ssumir outra leva Gs condições de origem da enunciação $eBa como for# a sentença s,
entra para discussão 4uando est* inserida em outras Em si# não ( nada# não gera decisões#
não as exige F"ma sentença pode ser tornada mais fato ou mais ficção# dependendo da
maneira como est* inserida em outras %or si mesma# uma sentença não ( fato nem ficçãoS
tornaHse uma ou outra# mais tarde# graças a outras sentençasF Cp V0D
74ui fica ?em claro o relativismo Existe uma partiHpris de 4ue não tem sentido examinar
verdade de sentenças at=micas Ccom o perdão do positivismo impl@citoD > m*ximo 4ue se
pode pretender ( coerência com conBuntos de outras sentenças# estas tam?(m dependentes
de outras# num holismo 4ue lem?ra Kuine e sua Fm*xima da mutilação m@nimaF
"ma vez 4ue a ciência trata de enunciados e dado 4ue sua verdade não pode ser Bulgada
caso a caso# mas apenas 4uando estes estão ligados a outros# enunciados por outras pessoas#
vem 4ue a construção da verdade ( um fato coletivo Co 4ue +atour define como seu
Pri)eiro Prin#,%ioD e 4ue existe uma Ftransformação retrospectiva do valor de verdadeF
de sentenças# conforme as modalidades em 4ue venham a ser inseridas mais tarde
"ma vez 4ue +atour não diferencia disciplinas# estamos a4ui autorizados a incluir mesmo a
matem*tica C?em na linha de Qeu?en e Wersh# X7 experiência matem*ticaY# traduzido no
!rasil pela ;rancisco 7lves# em -./0D
Parte B! /uando as #ontro-.rsias se in*la)a) e a literatura se torna )ais t.#ni#a
7t( a4ui# vimos como um enunciado não tem valor de verdade desligado de outros e 4ue as
controv(rsias podem ser expressas como alterações de modalidade 7 4uestão ( 4ue# em
ciência# essas controv(rsias es4uentam e ( para resistir a essa temperatura 4ue a ciência
produz seu resultado t@pico: o tra?alho cient@fico CEm todo caso# dizer 4ue esse ve@culo
ret,rico ( um dos menos estudados me parece ret,ricoD
+atour começa com uma conversa entre leigos em 4ue um diz ao outro 4ue o Bornal noticia
uma novidade cient@fica > outro duvida e o primeiro lança mão da 4ualidade do Bornal
7inda sem cr(dito# lança mão das credenciais do articulista# depois das credenciais de 4uem
o articulista se refere# at( 4ue o oponente desiste 6o fim de contas# a novidade ( aceita não
pelo rigor# pela razão# mas por puro apelo G autoridade
7 face es4uerda de 1ano# da ciência pronta# diz 4ue F7 ciência não se do?ra a um monte de
opiniõesF 8as a face direita# da ciência em construção# diz FComo ser mais forte 4ue um
monte de opiniõesLF 7 face es4uerda nega o poder da ret,rica 7 face direita o reconhece e
o emprega# para ganhar discussões
74ui# como em outras ocasiões# friso para os alunos 4ue o livro não ( um
FdesmascaramentoF da atividade cient@fica# mas# antes# de uma pes4uisa emp@rica sem#
supostamente# pr(HBu@zos ;riso 4ue a ciência . assim e 4ue sua imagem pA?lica não (
cinicamente estudada mas# antes# perfeitamente compat@vel com esse fazer 7l(m disso#
friso 4ue o impressionante ( 4ue isso Fd* certoF %ortanto# ( preciso encontrar os motivos
desse dar certo e não ver nesse processo de pes4uisa uma degradação da atividade
cient@fica# 4ue a colocaria a par de outras menos prestigiosas Kuero# na verdade# evitar
P
a4uela leitura de 4ue Muhn foi v@tima# de 4ue# dado 4ue a ciência Cem especial# no caso de
Muhn# a f@sicaD não parece seguir m(todo# então tanto faz e tudo ( ciência 6ão# a ciência (
uma grande con4uista e d* certo > 4ue ( preciso ( desco?rir por 4uê# e isso s, pode ser
feito se a?andonarmos o pr(HBu@zo de 4ue existe um m(todo aHhist,rico
+atour passa agora a uma an*lise da ?i?liografia de um artigo 7 controv(rsia ( so?re a
estrutura do fator de li?eração do horm=nio do crescimento 7 9 $challZ afirma 4ue ele
existe e tem dada estrutura $eus cr@ticos C4ue se mostrariam certosD afirmam 4ue a
estrutura dada por $challZ ( a mesma de uma porção de hemoglo?ina# um contaminante
comum em extratos de enc(falo +atour analisa um artigo de -.P- 7 ?i?liografia tem O&
artigos >s mais antigos# aos 4uais o autor se reporta# dãoHlhe inserção na disciplina >
grosso ( formado por artigos recentes# 4ue lhe dão atualidade 5estes# s, um 4ue discorda
do autor ( reportado 8as ele não poderia deixar de o fazer# so? pena de estar escondendo
suBeira de?aixo do tapete CitaHo# então# mas diz 4ue seus resultados são e4u@vocos >
diagrama de citações 4ue +atour usa Cde onde ter* vindo essa forma de mostrar
?i?liografiaLD est* na p*gina T' > f@sico e fil,sofo 1eanH8arc +(vZH+e?lond afirma 4ue a
ciência se desconhece para mais de -' ou -& anos %elo diagrama# d* para ver 4ue ( mais
ou menos isso mesmo > grosso das citações tem no m*ximo cinco anos de idade e a mais
antiga fora pu?licada &O anos antes do artigo
> 4ue $challZ faz com a ?i?liografiaL $egundo +atour Cp TTD# segue algumas regras:
 enfra4ueça os inimigos
 paralise os 4ue não puder enfra4uecer
 aBude os aliados se eles forem atacados
 garanta comunicações seguras com a4ueles 4ue o a?astecem de dados in4uestion*veis
 o?rigue os inimigos a ?rigarem uns com os outros
 se não tiver certeza de 4ue vai ganhar# seBa humilde e faça citações atenuadas
5e fato# diz +atour: Fsão regras simples: são as regras dos velhos pol@ticosF
Todas essas t*ticas visam a uma s, coisa: isolar o leitor Kuer discordar do artigoL 8as#
pense ?emS olha 4uem est* do meu lado[ 7ssim# o artigo cient@fico ( apresentado como
em?lema de transparência# como algo 4ue intima o leitor a entrar 8as exige 4ue ele entre
direito# seguindo as regras impostas pelo autor $e sair da linha# a ?i?liografia Ce a discussão
a 4ue ela ( su?metida# pois nenhuma sentena tem )alor em si, mas apenas *uando
inserida no discurso de outrosD o far* desistir E uma calculada peça ret,rica# 4ue visa a
ganhar o argumento pela autoridade 6a superf@cie# as citações seriam um resumo do
arca?ouço l,gico do texto 8as 4uem o perscrutariaL 6ingu(m# nem ele est* ali para isso
E claro 4ue# numa situação ideal# você poder* discordar ponto a ponto 8as se não pu?licar#
ou se pu?licar e ningu(m o ler e citar# então a discord)ncia# por mais a?alizada 4ue seBa#
ter* sido nula E como a construção de fatos ( coletiva# vale o 4ue ( corrente# não o 4ue (
?em argumentado
> t,pico seguinte ( dedicado Bustamente Gs 4uestões de citação > sonho de um autor ( ser
lido 5epois# citado 8elhor ainda# ?em citado 8elhor ainda# deixar de ser citado# 4uando
seu nome deixar de figurar nos enunciados e a sentença inicial# perdendo modalidades
negativas C4ue a levam para as condições de enunciaçãoD e ganhando positivas# deixa de
vez a especulação para se tornar fato 7 desco?erta original se transformar* em
Fconhecimento t*citoF Cp POD e passar* ao contexto
U p*gina P0# existe um diagrama da hist,ria de um enunciado:
afirmação original C7 ( !D
modalidades negativas 8HC7 ( !D
modalidades positivas e negativas 8H\C7 ( !D
algo Cmostrou 4ue C7 ( !DD
ausência total de modalidade C7 ( !D
conhecimento t*cito CsilêncioD
incorporação CinstrumentosD
5a@ temos uma conclusão interessante:
a ideia corrente ( de 4ue# por um texto ser t(cnico# então aliBa o leitor
mas a verdade ( 4ue por um texto aliBar o leitor# então o chamamos t(cnico
.
Parte C! Es#re-endo te$tos 0ue resiste) aos ata0ues de u) a)"iente 1ostil
Em primeiro lugar# ( preciso ver 4ue os textos se fortalecem# conforme vão lançando mão
de mais referências e# principalmente# 4uando trazem figuras e ta?elas Estas são Fo
mundoF dentro do texto 6o caso de referências ?i?liogr*ficas# o referente estava sempre
fora do texto 8as as figuras dizem outra coisa: F9ocê duvidaL Então veBa a4ui mesmoF
U p*gina /O# o autor comenta 4ue# no texto cient@fico# conforme o leitor se em?renha# não
vai da autoridade Cdo autor e de suas referênciasD para a 6atureza# mas de autoridade para
mais autoridade
6em poderia ser diferente# dado o partido do autor F7 6aturezaF ( algo 4ue# hoBe# (
FcontextoF# mas 4ue B* foi o?Beto de controv(rsia Enfim# ( uma caixa preta fechada 8as o
fechamento dessa caixa ( garantido por apelo a autoridades $empre 4ue um autor tratar do
contexto# ter* duas atitudes >u o incorpora inteiramente C4uando se sente seguro de 4ue
não haver* o 4ue arguirD ou o refere a autoridades C4uando sente 4ue o contexto# em vista
do o?Beto em foco na discussão# poderia ser 4uestionado e rea?ertoD 6ão existe um fundo
para esse poço >u o fundo ( trivial: nossas sensações indiscutidas# o senso comum atual
Kue# no fundo# tam?(m B* foram o?Beto de controv(rsia $, 4ue# como essas controv(rsias
não têm data de a?ertura nem de fechamento# perdemos de vista inteiramente o car*ter
prec*rio do senso comum
E tam?(m nessa altura 4ue +atour define Ftexto cient@ficoF Cp /&D: F7 transformação da
prosa linear numa# digamos# formação entrelaçada de linhas de defesa ( o sinal mais seguro
de 4ue o texto se tornou cient@ficoF
5epois de mostrar como os textos supostamente trazem o mundo para dentro deles# +atour
discute três estrat(gias de estratificação de textos# 4ue tornam os artigos cient@ficos mais
4ue descrições localizadas e lhes dão ar de falar de muito mais do 4ue falam na realidade
Enfim# +atour vai ?uscar na ret,rica os mecanismos da induço
T$tica +: ,mpilhamento
$uponha um texto 4ue discuta mecanismos renais em mam@feros 5e fato# o pes4uisador
estudou:
O pedaços de carne 4ue foram considerados
O rins de hamster 4ue foram extrapolados para
rins de hamster 4ue# dado 4ue hamsters são roedores# viraram
rins de roedores e como roedores são mam@feros# temos
rins de mam@feros 4ue ( o t@tulo do artigo em 4uestão
7gora# tudo vai depender do cr(dito do pes4uisador 5a mesma forma 4ue falamos em
modalidades positiva e negativa# falamos em indução $e o pes4uisador perde cr(dito# suas
asserções vão sendo inseridas em modalidades negativas# 4ue as levam para montante# para
as condições iniciais de enunciação Enfim# pensando em termos de indução# levamHno de
mam@feros para hamsters e# da@# para três fatias de carne
Como lem?ra o autor Cp /TD# Fum texto ( como um ?anco: empresta mais dinheiro do 4ue
tem em seus cofresF
Isso vale para praticamente 4ual4uer texto# mesmo os filos,ficos mais puros Conforme o
cr(dito 4ue dermos a 5escartes# as meditações dizem respeito G razão ou a um homem
sozinho 4ue pensa um tanto estranhamente 7 se4uência seria homem sozinho ]] todo
homem ]] a razão 6um limite# estaremos falando em filosofia 6o outro# em ?iografia
Esse empilhamento segue três regrinhas: C-D nunca p=r camadas exatamente uma so?re a
outra# senão não h* ganho# e você 4uer formar um arco# não uma torreS C&D nunca pular
camadas# a menos 4ue você esteBa a?solutamente seguro de 4ue não h* ningu(m na plateia
para 4uestion*HloS COD sempre usar o material exato: provar um ponto usando exatamente o
4ue ( necess*rio e suficiente $e você usar mais 4ue o suficiente# a prolixidade poder* ser
interpretada como insegurança $e você usar menos# seu discurso ser* interpretado como
--
carente de argumento
T$tica -: .enografia e en*uadramento
6este ponto# +atour entra com o 4ue define como Fpersonagens semi,ticosF 7 melhor
forma de ganhar o leitor ( coloc*Hlo no texto 5a mesma forma 4ue# num filme ou livro
eficiente# esperaHse 4ue o leitor se identifi4ue com um dado personagem Isso facilita o
fluxo do texto e# apesar de manter autonomia para o leitor# tolheHo de perguntar muito
7final# B* existe no texto algu(m 4ue levanta as o?Beções E elas são tão ?oas e o autor as
responde tão ?em[ $e tudo der certo# o leitor aceitar* inteiramente a argumentação#
Bustamente por4ue seu personagem semi,tico a aceitou E isso o 4ue o autor espera
>s autores tam?(m se colocam no texto dessa forma ;ora dele# são um grupo de homens e
mulheres Cseis# no caso de um artigo 4ue +atour estudaD 8as# no texto# são entidades
vagas# definidas na primeira pessoa do plural Isso garante anonimato# o 4ue sugere 4ue a
6atureza se oferece a 4ual4uer um 6ão ( 4ue F1oão viu ^F# ( 4ue FvêHse ^F 6ão ( 4ue
F%edro e %aulo notaram 4ue xF# mas Fnotamos 4ue xF E assim por diante Existem autores
dentro do texto 4ue apresentam o mundo no texto a um leitor no texto $e o leitor se
identifica com toda essa cenografia Cstaging foi traduzido a4ui por FencenaçãoF# 4ue não (
a melhor solução# pois a palavra tem uma resson)ncia de _enganação` e esse a?solutamente
não ( o casoS ningu(m est* conscientemente enganando ningu(mD# então o argumento est*
certo > artigo cient@fico ( Bustamente a peça liter*ria em 4ue ocorre esse tipo de em?ate
T$tica /: .apta'o
5as três t*ticas apresentadas# ( a mais fugidia 5igamos apenas 4ue se trata de exercer
algum controle so?re o fluxo de texto > leitor deve se sentir livre para discordar Cpara não
se sentir acuado por um pseudoargumentoD# mas não livre o suficiente para fugir do texto
%ara 4ue isso aconteça# ( preciso 4ue o autor cer4ue todas as sa@das 7ssim# o leitor ter*
alguma li?erdade# mas dentro de um espaço muito ?em delimitado Isso reforça a convicção
4ue a leitura pode suscitar $e o controle se der muito perto do leitor Cse a pista por onde ele
corre for muito estreitaD e pode sair convencido# mas com a sensação de 4ue foi forçado G
conclusão $e a pista for larga# sair* convencido e com a sensação de 4ue# apesar das
muitas alternativas# a4uela a 4ue chegou ( mesmo a melhor
6esse ponto Cp ./D# +atour defende um holismo forte:
FKuando esse resultado Io leitor deslizar do in@cio ao fim do texto sem dAvidasJ ( atingido
—o 4ue ( rar@ssimo— dizHse 4ue o texto ( l,gico 7ssim como os adBetivos cient@fico e
t(cnico# parece 4ue o adBetivo l,gico muitas vezes indica um tipo de literatura diferente da
il,gica# escrita por pessoas de mentalidade diferente# 4ue seguem m(todos diferentes ou
padrões mais rigorosos 8as não h* nenhuma distinção a?soluta entre textos l,gicos e
il,gicosS h* toda uma gama de matizes 4ue depende tanto do leitor como do autorF
6este ponto# citei para os alunos Kuine e sua Fm*xima da mutilação m@nimaF 9eBo um
dragão na Banela Concluo 4ue minha vista est* ruim# ou 4ue existem dragões# ou 4ue ( uma
piada de algu(m 4ue est* armando contra mim# ou 4ue existem outras dimensões 4ue
interferem com esta e por alguma passagem vêm dragõesL 5a resposta depender* o 4uanto
vou mexer na rede epistêmica %osso apenas p=r em dAvida uma afirmação perif(rica ou
posso ir indo mais para o centro: posso passar a duvidar da ?iologia# da f@sica e# no limite#
da l,gica Tudo depende de o 4uanto estou disposto a sacrificar E essa m*xima 4uineana
4ue garante a posição privilegiada da l,gica Ela ( in4uestion*vel Cou 4uaseD por4ue
4uestion*Hla teria um custo muito elevado para toda a rede
6essa altura# +atour chega G sua
$E<"657 QE<Q7 8ET>5>+R<IC7 Cp ..D:
F6ão devemos procurar as 4ualidades intr@nsecas de 4ual4uer afirmação# mas sim todas as
transformações por 4ue ela passa mais tarde em mãos alheiasF
6a conclusão do cap@tulo# o autor fala das três alternativas poss@veis diante de um texto
cient@fico: desistência# adesão ou averiguação
6a primeira# o texto ser* a?andonado
6a segunda# paradoxalmente# tam?(m# pois o conhecimento 4ue aporta ser* incorporado
em instrumentos# no contexto
6a terceira# ser* necess*rio enfrentar o autor em outro campo: na ?renha de referências ou
no la?orat,rio E isso o 4ue enseBa a continuação deste livro
-O
7ntes de finalizar# +atour comenta a respeito da ret,rica cient@fica 4ue ela difere da antiga
Cou# da4uela 4ue com menos dificuldade chamamos Fret,ricaF# B* 4ue o termo normalmente
não ( usado no contexto cient@fico# salvo peBorativamenteD por usar ainda mais aliados
externos# por mo?ilizar em um s, ponto muito mais recursos 4ue outras ret,ricas o fazem
Cp -'&D
5ado o gosto do autor por causar cho4ues# afirma# no fim deste cap@tulo# 4ue a literatura
cient@fica ( diferente do comum não por ser mais intelectual e# portanto# menos social 8as
por ser paroxisticamente social 6enhuma outra ( tão enredada# nenhuma mo?iliza tantos
atores Csemi,ticos ou aparentemente não# como Fa 6aturezaFD F7 distinção entre a
literatura t(cnica e o restante não ( o?ra de fronteiras naturaisS trataHse de fronteiras criadas
pela desproporcional 4uantidade de elos# recursos e aliados dispon@veis E tão dif@cil ler e
analisar essa literatura não por4ue ela escape a todos os elos sociais normais# mas por4ue
ela ( mais social do 4ue os v@nculos sociais considerados normaisF Cp -'VD
Ca%,tulo 2! La"orat(rios
Parte A! 'os te$tos +s #oisas! )ostrando as #artas
$e o discordante continuar duvidando do cientista# o Beito ( ir ao la?orat,rio deste e checar
os resultados +atour monta o caso fict@cio de um discordante 4ue vai ao la?orat,rio em 4ue
são feitas experiências 4ue visam G purificação de uma endorfina
%ara testar a presença dessa droga produzida pelo c(re?ro# os cientistas# primeiro# fazem
extratos de enc(falo de camundongos 5epois# separam esses extratos em colunas de
sephadex Cada fração ( guardada em um frasco e testada em um aparelho
> tal aparelho consiste em uma cu?a com uma tira de @leo de co?aia presa a dois eletrodos
Como esse mAsculo tem um padrão de contração muito regular# ( f*cil medir o efeito de
4ual4uer coisa so?re ele# ?astando o?servar como a agulha do fisi,grafo mostra as
variações a partir da oscilação normal
7 4uestão agora (: o discordante não passou do texto G natureza C4uando foi apresentado#
ainda no texto# ao gr*ficoD e# com a visita ao la?orat,rio# da representação direta da
natureza Co gr*ficoD G natureza mesmo Ele s, passou de uma malha de citações e figuras a
uma outra malha de e4uipamentos 4ue produzem inscrições 4ue precisam ser interpretadas
F> gr*fico# 4ue era o elemento mais concreto e visual do texto# agora ( o elemento mais
a?strato e textual num atordoante arsenal de e4uipamentosF Cp --'D
> caso em 4uestão traz para consideração muitos t,picos:
 experimento ( sempre um complexo
 cada elo desse complexo ( uma caixa preta
 ?om funcionamento do complexo ( em parte aferido pelo pr,prio resultado
 tudo o 4ue ( produzido ( uma inscrição
 essa inscrição precisa falar por um portaHvoz
 esse portaHvoz ( o cientista
> exemplo enseBa a +atour definir os pontos essenciais do cap@tulo: instrumentos e portaH
vozes
0nstrumento ( um complexo cuBas partes não mais estão em discussão e 4ue produz
inscrições 7ssim# no exemplo# o fisi,grafo não est* em discussão Cdir@amos 4ue# da mesma
forma como acontece com os papers cient@ficos esta?ilizados# passou para o contextoD# mas
o e4uipamento todo C4ue o incluiD est*
Porta()o% ( 4uem fala por 4uem não pode falar
5iante da natureza# supostamente presente no la?orat,rio# restam ao discordante duas
alternativas:
 desmontar o instrumento
 enfra4uecer a relação entre o portaHvoz e a inscrição
+atour exemplifica o comportamento e a din)mica do portaHvoz com o exemplo de um
representante sindical 4ue vai G direção de uma f*?rica com um pedido de aumento > dono
tentar* averiguar 4ual o grau em 4ue esse portaHvoz realmente fala pelos oper*rios# fazendo
v*rias provas de força > mesmo ( feito entre o discordante e o cientista# o 4ue leva +atour
-0
a falar 4ue não existe# na pr*tica# muita diferença entre pessoas e coisas: sempre são
necess*rios representantes para os 4ue não podem falar# seBam eles o?Betos# animais# tiras
de @leo ou seres humanos
7ssim# o portaHvoz não diferencia pessoas de coisas e isso ( o 4ue leva +atour# mais para
frente# em falar da necessidade de fazer alianças com tudo# tudo mesmo# para garantir o
sucesso de uma empreitada cient@fica E preciso# por translação de interesses# trazer pessoas
para seu lado 8as ( preciso tam?(m trazer instrumentos# fazer com 4ue eles pareçam ser
representados por você# mesmo 4ue não seBam
6esta altura# aproveitei para mostrar a experiência de QaZmond 5avis com neutrinos
solares# G 4ual +atour apenas alude na p*gina --V Ela ( interessante por4ue mostra um
caso em 4ue o sucesso do instrumento est* atrelado diretamente ao resultado# numa
circularidade dif@cil de escapar 7l(m disso# mostra 4ue os cientistas adaptam teorias a
instrumentos# a fim de o?ter resultados ditos# depois# corretos 7 experiência ( explorada no
cap@tulo P de _The <olem` traduzido no !rasil pela editora "nesp como X<olem# o 4ue
você deveria sa?er so?re ciência# &''OD >utra coisa importante da experiência ( como os
cientistas mudam de expectativa conforme a fase da pes4uisa Collins e %inch mostram um
gr*fico no 4ual# conforme os cientistas iam arranBando financiamento# a expectativa d
encontrar neutrinos ia diminuindo $, 4ue# se eles dessem tais expectativas menores no
in@cio# não teriam financiamento para começar a tra?alhar 8* f(L 6ão E apenas um
padrão 4ue# ali*s# mais uma vez coloca a atividade cient@fica no mesmo patamar de
4ual4uer outra atividade humana
F5ependendo das provas de força# os portaHvozes se convertem em indiv@duos sub&eti)os ou
em representantes ob&eti)osF Cp -&.D Essa passagem enseBa mais um exemplo de como
modalidades apostas ao discurso dos portaHvozes determinam o conteAdo dos experimentos
>?Betividade e su?Betividade Cdois estados 4ue diferenciar@amos essencialmenteD são apenas
resultado de uma disputa resolvida em termos puramente extensionais
6este cap@tulo# aparecem t,picos tradicionais de filosofia da ciência como# por exemplo#
Fexperimento crucialF 8as +atour evita o nome e prefere uma a?ordagem mais hist,rica
> motivo ( o m(todo latouriano# exposto em suas regras metodol,gicas Ele (
a?solutamente extensional 6ão vem ao caso se os cientistas usam ou não um m(todo# não
vem ao caso se um instrumento ( um complexo ou algo mais simples $e os resultados são
aceitos# então isso resolve a 4uestão 6ão existe nada nos resultados ou no m(todo de
o?tenção 4ue force a aceitação
>utra coisa importante: isso *un#iona# ou seBa# a ciência natural acerta Cpelo menos no
sentido de aumentar a longo prazo sua capacidade preditivaD# o 4ue exige 4ue se procure
uma definição de FrazãoF 4ue não faça menção a l,gica# regras etc
Isso tam?(m ( ?em interessante e dif@cil: essa 4uestão do Flongo prazoF 7 longo prazo# a
capacidade preditiva aumenta 8as isso se d* por acr(scimo de lances de curto prazo nos
4uais essa capacidade# muitas vezes# diminui !om t,pico de pes4uisa
Parte B! Construindo #ontrala"orat(rios
6o in@cio desta parte# +atour resume seu percurso at( a4ui:
- o 4ue est* por tr*s das alegaçõesL Textos
& por tr*s dos textosL 8ais textos
O por tr*s dos artigos 4ue suportam os textosL 8ais artigos e gr*ficos
V por tr*s das inscrições produzidas mostradas nos gr*ficosL Instrumentos e seus portaH
vozes
0 por tr*s dos portaHvozesL %rovas de força 4ue avaliam a resistência do elo entre
representados e representante
6essa altura# 4uase todos os discordantes B* desistiram 8as# se o exemplo fict@cio 4uiser ir
adiante# o pr,ximo passo para o discordante seria a montagem de um contrala?orat,rio
%or(m# este deve fazer mais 4ue seu concorrente# pois deve poder não s, mostrar 4ue este
est* errado# como mostrar uma sa@da
> contrala?orat,rio ( o Altimo ponto do 4ue poder@amos chamar FdAvida metodol,gica
latourianaF E totalmente fict@cia# pois não reflete nenhum caso hist,rico e existe apenas
para mostrar o 4ue se posta atr*s dos textos apresentados pelos cientistas $em ela# ou
-P
ter@amos parado muito antes com nossas in4uirições Ccomo o fazem os cientistas
praticantesD ou estar@amos ?uscando o fazer cient@fico em alguma caracter@stica essencial 7
dAvida serve para nos levar at( o contrala?orat,rio e# então# p*ra Terminada essa parte#
podemos dizer 4ue +atour fecha a parte cr@tica de FCiência em 7çãoF e começa sua parte
su?stantiva# em FTranslaçõesF
6este cap@tulo# +atour tem de fato pouco a dizer 5* muitos exemplos# sempre de casos
hist,ricos em 4ue houve disputa C<uillemin contra $challZ# ;reeman contra 8ead# %asteur
contra %ouchetD e mostra 4ue a t*tica do cientista discordante segue um padrão:
cr@tica ao competidor
desmontagem do argumento do competidor
montagem do contrala?orat,rio
novos resultados 4ue cumprem duas funções CafirmamHse e desacreditam o competidorD
6essa empreitada# o cientista aliciar* instrumentos# t(cnicos outros cientistas e mesmo a
natureza 6essa altura# +atour fala em Ffato novoF# como sendo algo 4ue resiste a provas#
4ue não tem nome e cuBo nome deriva dessas provas +a?orat,rios são como gin*sios
ol@mpicos# em 4ue testes são criados e 4uem os supera ( admitido $, 4ue a via de
conhecimento das coisas ( o pr,prio teste Cdiferentemente de um atleta# 4ue conheço
independentemente de seu performanceD 5a@ 4ue as coisas# no in@cio de sua existência#
rece?em o nome dos testes por 4ue passaram 5epois# essa lista de testes ganha um nome
sint(tico Como os testes podem ser replicados# fica mais f*cil dar um nome s, para a coisa
nova e como nomes pressupõem a existência de coisas# elas passam a existir 7ssim# não (
4ue a natureza o?rigue o cientista a fechar controv(rsias 7 natureza ( o Altimo est*gio da
controv(rsia# ( seu resultado
7s duas faces de 1ano dirão# então# coisas diferentes 6o final da controv(rsia# teremos:
;ace -: 7 natureza ( a causa 4ue permitiu a resolução das controv(rsias
;ace &: 7 natureza ser* a conse4uência da resolução
5essa digressão# +atour tira sua terceira regra metodol,gica: uma vez 4ue a resolução de
uma controv(rsia ( a causa da representação da natureza# nunca poderemos usar o resultado
—a natureza— para explicar como e por 4ue uma controv(rsia foi resolvida Cp -TVD
6o Altimo par*grafo# +atour comenta so?re a clivagem entre relativismo e realismo Como
ele ( a?solutamente extensional e segue# por regra# os cientistas# age como eles: ( realista
no 4ue diz respeito Gs partes assentadas e relativista com respeito Gs controversas $er
relativista com respeito a tudo seria ?o?o e ser realista com respeito ao controverso#
imposs@vel E por 4ue ele não poderia ser relativista# mantendo a dAvida acerca das ?ases da
ciência e da tecnologiaL %or4ue o custo ( alto demais para o discordante $e ( alto demais
para os cientistas# 4ue dir* para os soci,logos e antrop,logos +ogo# se eles pararam de
discordar# n,s tam?(m
E nessas pe4uenas coisas 4ue est* a precisão de +atour Ele ( rigorosamente extensional#
não se apoia em 4uase nada# evita 4ual4uer recurso a 4ualidades essenciais das coisas# G
natureza# ao m(todo Kuando diz 4ue a discussão cessa# não diz 4ue isso acontece por4ue
algum princ@pio est* sendo seguido# por4ue algo especial aconteceu Cessa por4ue os custos
são elevados e por4ue os atores B* pararam e# assim# não ca?e continuar o espet*culo Isso o
deixa G vontade com o relativismo: ele o ser* s, se seus informantes o forem E nem assim:
ele s, anotar* seus passos
PARTE 2! 'O3 PONTO3 4RACO3 AO3 4ORTE3
Ca%,tulo 5! M60uinas
As in#erte7as do #onstrutor de *atos
Parte A! Translaço de interesses
6ão est* ainda muito claro a esta altura por 4ue o cap@tulo se chama F8*4uinasF
Como dito antes# começa a4ui a parte su?stantiva de +atour Em?ora ele Fsiga cientistas e
engenheiros sociedade aforaF# o fato ( 4ue# at( a4ui# seguiu apenas cientistas e engenheiros
fict@cios# idealizados# seres cuBa existência foi conBurada apenas para fins did*ticos
-.
6ingu(m duvida de toda a ?i?liografia de um artigo ou perscruta todos os pontos da rede de
citações ou constr,i um contrala?orat,rio 7s pessoas agem criando alianças E a an*lise
dessas alianças e de seus resultados 4ue começa agora
7 4uestão para +atour a4ui ( explicar como os cientistas Ce tecn,logosD agem de fato
7t( agora# examinamos a caminhada implicada pela dAvida metodol,gica $e o suBeito
discorda de um artigo#
ou o 4uestiona rapidamente e concorda
ou continua discordando e parte para o exame de toda a sua ?i?liografia
ou continua e monta um contrala?orat,rio
> pro?lema ( 4ue ciência e t(cnica 6"6C7 são assim >s recursos são escassos e os
cientistas devem usar os meios G disposição %ortanto# precisam aliciar outros cientistas#
outros grupos e outros instrumentos# 4ue B* estão na comunidade# fazendoHos funcionar para
seu fim
$, 4ue esse aliciamento leva o cientista a duas demandas 4ue se chocam:
- deve alistar outras pessoas para 4ue elas participem da construção do fatoS
& deve controlar o comportamento delas# de forma a tornar previs@veis suas ações
%ara cumprir esse duplo programa# os cientistas lançam mão de t*ticas de aliciamento# 4ue
+atour chama coletivamente de translação de interesses
5efinição: FChamarei de translação a interpretação dada pelos construtores de fatos aos
seus interesses e aos das pessoas 4ue eles alistamF
E importante frisar 4ue tais translações não precisam ser conscientes# pois os atores não
agem cinicamente Cpelo menos não na maior parte das vezesD
TQ76$+7abE$
- eu 4uero o 4ue você 4uer
& eu 4uero# por 4ue você tam?(m não 4uerL
O se você se desviasse um pou4uinho
V remaneBando interesses e o?Betivos
a deslocar o?Betivos
? inventar novos o?Betivos
c inventar novos grupos
d tornar invis@vel o desvio
e vencer as provas de atri?uição
0 tornarHse indispens*vel
C-D ( o 4ue ele chama Festrat(gia da caronaF CpegaHse carona em 4uem tem mais poder e
deixamos 4ue ele transforme nossas afirmações# na esperança de darHlhes mais
visi?ilidadeD > pro?lema ( 4ue nossas afirmações podem virar algo completamente
diferente do pensado no in@cio +ogo# ( uma t*tica insegura para 4uem tem pouco poder
C&D ( o contr*rio de C-D: as pessoas pegam carona conosco 8as elas s, fazem isso se
perce?erem 4ue seu caminho est* completamente ?lo4ueado
COD para essa t*tica funcionar# ( preciso 4ue:
o caminho principal esteBa claramente ?lo4ueadoS
o novo desvio esteBa ?em sinalizado
o desvio pareça pe4ueno
> pro?lema dessa estrat(gia ( 4ue se um grupo puder avaliar ?em a extensão do desvio#
então por 4ue seguiria vocêL Eles fariam tudo sozinhos 7l(m disso# como tudo estava na
mesa# fica dif@cil# no final# dizer 4uem foi o respons*vel pelo desvio: você ou eles mesmosL
%ortanto# uma t*tica mais poderosa deve ser posta em pr*tica
CVD supera as desvantagens de COD:
a a extensão do desvio deve ser de avaliação imposs@vel
? deve ser poss@vel alistar outros mesmo 4ue o caminho destes não esteBa ?lo4ueado
Cafinal# se você s, puder alistar 4uem chegou a um impasse# o nAmero de alici*veis se torna
&-
muito pe4uenoD
c deveHse tomar cuidado para evitar definir claramente 4uem ( alistado e 4uem alista
Cmotivação# independência das e4uipes# possi?ilidade de m(ritos individuaisD
d no fim de contas# os construtores devem aparecer como a Anica força propulsora
6o fim de contas# não se trata ?em de cinco translações %odeHse dizer 4ue uma translação
?emHsucedida ( uma mistura de todas 9ocê toma carona Ctranslação -D# mas# em dado
momento# ou em dado setor da pes4uisa# mostraHse indispens*vel Ctranslação 0D
Assi)8 . l,#ito di7er 0ue tudo o 0ue 0uere)os . 9:;# 4ue nos garante proeminência#
li?erdade e prioridade e usamos as t*ticas de CVD para conseguiHla C-D# C&D e COD são s,
distinções anal@ticas
Parte B! Mantendo na lin1a os <ru%os interessados
Essa parte ( fortemente calcada em exemplos hist,ricos# especialmente o caso 5iesel x
876 7 4uestão colocada pelo autor (: como manter as pessoas fazendo o 4ue você 4uerL
Criando alianças e fazendo compromissos > motor de 5iesel deveria funcionar com
4ual4uer com?ust@vel 6ão d*L Então funciona com um com?ust@vel em particular Enfim#
o proBeto vai sendo reformado# de forma a atender a todos 6isso# novas alianças são feitas
+atour não diferencia aliciar pessoas e aliciar coisas > 4ue ( razo*vel# dentro do modelo
$e a realidade ( forBada no la?orat,rio# se as FcoisasF são listas de provas# então as coisas
são a4uilo para o 4ue criamos provas 7 coisa x faz issoL Talvez faça# mas como nunca
pensamos no assunto# 4ue diferença fazL 7ssim# aliciar coisas ( definiHlas e a definição (
sempre parcial# pois depende das provas a 4ue as su?metemos
>utra coisa importante# seguindo a premissa de 4ue alegações s, tomam sentido nas mãos
de terceiros# ( 4ue as caixas pretas tam?(m s, tomam sentido nas mãos de terceiros# B* 4ue
são feixes de alegações cristalizados em o?Betos $e a caixa puder ser a?erta# se puder ser
modificada# então nossas alegações Ce nossa prioridade# nossos prêmios# nossas patentesD
correm perigo %ortanto# ( fundamental desenvolver o 4ue +atour chama Fm*4uinasF:
caixas pretas 4ue# sem serem tocadas# incorporamHse ao am?iente 8as# para 4ue isso
aconteça# ( preciso desenvolver# ao lado das caixas# redes Eastman# para tornar a Moda3
uma caixa preta# precisou desenvolver redes de loBas de suporte 7 876# para tornar o
motor 5iesel algo confi*vel e us*vel por 4ual4uer um# precisou desenvolver redes de
suporte %or isso# 4uanto mais preta a caixa# maior a rede 4ue a sustenta > 4ue leva G ideia
de 4ue todos os usu*rios estão implicados na manutenção da caixa Cda alegação# da teoria
etcD Esse ( o modelo 4ue +atour chama de Fmodelo de translaçãoF
$egundo o autor# o 4ue ( mantido para a sociedade ( o Fmodelo de difusãoF "mas poucas
pessoas desco?rem# umas poucas desenvolvem# todos usam passivamente Kuando uma
ideia não se difunde# culpaHse a sociedade Kuando se difunde# glorificaHse o desco?ridor
$, 4ue o estudo meticuloso da hist,ria mostra 4ue a caixa preta raramente ( o 4ue o
desco?ridor tinha em mente no in@cio# sendo na verdade resultado de n processos de
translação Então# o modelo de difusão exige 4ue se atri?ua ao desco?ridor praticamente
toda a o?ra Como isso não ( poss@vel# afirmaHse 4ue tudo estava dado Fem germeF 7l(m
disso# o modelo ( assim(trico# pois a tal sociedade s, ( chamada ao cen*rio para explicar
falhas no progresso de uma caixa preta Cou de candidato a caixa pretaD
+atour defende a ideia de 4ue a sociedade tal como dada no modelo de difusão# um meio
perme*vel G inovação# não existe E resultado do modelo > 4ue existe ( uma sociedade 4ue
se transforma e usa Cou nãoD certas m*4uinas "samos autom,veis não por4ue eles são uma
grande ideia e 4ue# portanto# foi aceita "samoHlos por4ue os fizemos# todos Cclaro 4ue em
graus diferentesD 7 sociedade 4ue usa carros ( resultado de um processo de translações >
o?Beto t(cnico fica est*vel exatamente 4uando seu pA?lico fica est*vel >s o?Betos podem
ser estudados via desenvolvimentos t(cnicos CtecnogramaD e as pessoas via um diagrama de
associações CsociogramaD Eles são sim(tricos e chegam G esta?ilidade ao mesmo tempo 7
sociedade 4ue FaceitaF o o?Beto t(cnico ( outra# diferente da4uela 4ue o desconhecia E por
isso 4ue ele se difunde# por4ue não foi FaceitoF# mas por4ue foi moldado Bunto com a
sociedade
%ergunta: ser* 4ue o 4ue chamamos FmassaF Cas massas silenciosas de !audrillardD pode
ser inclu@do nesse racioc@nioL Creio 4ue não Talvez possamos dizer 4ue a sociedade
latouriana ( apenas a 4ue ainda est* implicada no processo produtivo
Essas considerações levam o autor G sua Kuarta Qegra 8etodol,gica# 4ue ( apenas a
terceira com FsociedadeF no lugar de FnaturezaF 7 sociedade e resultado do fim de uma
controv(rsia e# assim# não pode ser usada para explicar por 4ue uma determinada
&O
controv(rsia chegou ao fim e a natureza Ce a sociedadeD se esta?ilizou
Ca%,tulo =! /uando os de dentro sae) 9Insiders out;
Parte A! 'es%ertar o interesse dos outros %elos la"orat(rios
%rimeiro# assinalo o 4ue acredito ser uma ?rincadeira em?utida no t@tulo do cap@tulo Este
começa com duas descrições de casos em 4ue a atividade não existe# seBa por4ue não
começou# seBa por4ue est* em decadência 5epois# evolui para o estudo de um caso de
atividade a pleno vapor 7ssim# Finsiders outF poderia ser interpretado como Fsem insidersF#
4uando a atividade ainda não existe# e como F4uando os de dentro saemF# 4uando a
atividade est* a toda e s, est* assim por4ue a4ueles 4ue considerar@amos Fde dentroF saem#
gastam ?oa parte de suas energias na criação de alianças 7 tradução para o português não
salva esse aspecto do t@tulo
> cap@tulo apresenta três casos# dois fict@cios# mas em?lem*ticos# isto (# costuras de v*rios
casos reais# e um caso real mesmo 7 ideia ( mostrar 4ue# coerente com o 4ue vem sendo
dito at( a4ui# o nAmero de implicados no processo de desenvolvimento tecnocient@fico (
muito maior 4ue a4uele 4ue o modelo de difusão nos leva a acreditar
6esse modelo# uns poucos têm todas as grandes ideias# 4ue são posteriormente difundidas
na sociedade $e esta as aceita# ( por4ue eram ?oas na origem $e não# ( por4ue a sociedade
( conservadora 7 tese de +atour ( 4ue# com as translações# as ideias iniciais são o 4ue são#
apenas pontos de partida# e o resultado ( tanto um o?Beto Cou uma teoriaD e a sociedade 4ue
o aceita
8as essa din)mica s, ( ?emHsucedida se os cientistas dedicarem parte do tempo G atividade
de ?ancada e parte do tempo Gs atividades de translação# implicando mais pessoas e coisas
na produção de ?ens ou de fatos
> FdifusionistasF C+atour não usa esse termo# mas tudo ?em us*Hlo a4uiD explicam essa
din)mica na linha do Fexistem cientistas de verdade e administradores do processo# 4ue
suBam as mãos com os financiadoresS não existe ciência sem esse financiamento# mas as
inst)ncias não se confundemF
+atour examina no cap@tulo a hist,ria da fundação da geologia# com Charles +Zell C-P.PH
-/P0D# a hist,ria de um cientista:tecn,logo ?rasileiro# 1oão da $ilva e o caso do FchefeF# um
cientista ?emHsucedido
6o caso de +Zell# a geologia não existe como disciplina 7ssim# ele tem de gastar muita
energia fora de seu la?orat,rio C4ue nem existeD# em tarefas tais como:
 atrair financiadores
 atrair acadêmicos
 atrair leigos# 4ue colecionam esp(cimes
e, ao mesmo tempo
 enxotar financiadores# para 4ue não interfiram demais no tra?alho
 enxotar acadêmicos# para 4ue a nascente especialidade possa se diferenciar do 4ue B*
existe
 enxotar leigos# para 4ue não façam nada al(m de coletar material para estudos mais
profissionais
Complicado 7ssim# 4uando a disciplina não existe# est*Hse 4uase todo tempo 4ORA do
la?orat,rio
> caso de 1oão da Cruz# de $ão %aulo# ( diferente Ele foi para o exterior# estudou#
interessou# 4uando de sua volta# governo e militares na construção de um computador
?rasileiro# conseguiu financiamento para comprar material etc 8as# depois# a pol@tica
mudou e 1oão foi sendo a?andonado Kuanto ao mercado# todos preferem# com o
relaxamento de pol@ticas de restrição# comprar fora do pa@s chips mais eficientes e ?aratos
7ssim# ningu(m de fora passa por seu la?orat,rio e ele não tem de ir a lugar algum para
negociar# pois sa?e 4ue nada conseguir*
Kuanto G vida universit*ria# sua falta de perspectiva de acordos com forças produtivas leva
a uma defasagem do la?orat,rio Ele continua a fazer pes4uisa CFacadêmicaF# no pior
sentido da palavraD# mas B* não consegue pu?licar nas revistas de ponta
&0
Em ?reve# passa a dar aulas em escolas sem expressão cient@fica# passa a escrever para
Bornais e revistas# em seções dedicadas G divulgação de ciência e tem de optar entre
desaparecer do mundo tecnocient@fico ou migrar para um centro maior# para integrar grupos
de outros
>u seBa# na decadência# o cientista est* o tempo todo 'ENTRO do la?orat,rio
> caso do FchefeF ( exposto na forma de um di*rio: o antrop,logo da ciência e da
tecnologia segue um chefe de la?orat,rio e o encontra em todas as situações: com
representantes de governos# com industriais# com t(cnicos# com grupos de pressão# com
Bornalistas# com editores# com conselheiros de agências e# muito eventualmente# com os
cientistas da ?ancada
Kuem faz ciênciaL > cientista preso G ?ancada ou o chefeL Essa ( uma 4uestão importante
4uando se resolve 4ue o neg,cio ( Fseguir cientistas e engenheiros sociedade aforaF $e
seguirmos os cientistas de ?ancada# teremos uma visão de ciência muito diferente da 4ue
o?ter@amos se segu@ssemos os chefes Temos de seguir am?os
8as então poderiam vir cr@ticos e dizer 4ue o da ?ancada faz ciência e o chefe apenas
garante condições materiais para tanto# al(m de fornecer alguma distante orientação formal
8as isso não ( verdade do ponto de vista do modelo de translação# em 4ue o nAmero de
implicados na construção de fatos se amplia Como o cientista de ?ancada faz ciênciaL Com
a aBuda de candidatos a %h5# com a pu?licação de resultados# com a interlocução densa
com seus pares 6ão tem sentido dizer 4ue# num ponto# produzHse ciência e 4ue outra
atividade ( a interlocução# a pu?licação# o tra?alho ?raçal dividido em e4uipes extensas#
com chefes# su?chefes e aspirantes Tudo Bunto . ciência $em pu?licação# por exemplo# um
tra?alho ( nada# ( apenas reflexão pessoal 7ssim# o cientista da ?ancada faz ciência por4ue
o chefe est* no conselho de revistas# garantindo a pu?licação de resultados# est* nas
agências# criando espaço para sua especialidade# est* nas indAstrias# garantindo 4ue os
instrumentos cheguem mais adaptados ao la?orat,rio etc etc etc
E claro 4ue esse aumento no nAmero de implicados no processo pode levar G paralisia da
an*lise $e todos estão implicados# então todos têm de ser seguidos Como escapar dissoL
Como fazer para seguir o chefe# mas não o Bornalista a 4uem o chefe d* uma entrevista# e
4ue ter* sem dAvida um papel Cpe4ueno ou grande# pouco importaD no processo de
manutenção do la?orat,rioL 7 sa@da de +atour ( Cp*gina &T&D:
FTenho sugerido implicitamente a4uilo 4ue seria o es4ueleto de uma anatomia diferente da
tecnociência# e agora direi como ( ele: nele# a divisão interior:exterior ( resultado
provis,rio de uma relação inversa entre recrutamento cexternoc de interesses —o
sociograma— e o recrutamento cinternoc de novos aliados —o tecnograma 7 cada passo do
caminho# alteraHse a constituição da4uilo 4ue ( cinternoc e da4uilo 4ue ( cexternocF
Enfim# existe# finalmente# para +atour# o FdentroF e o FforaF $em isso# B* dava para ver# não
daria para tra?alhar 7final# se ele pretende seguir as pessoas e ver como elas agem# tem de
levar em conta o 4ue elas veem E elas veem FdentroF e FforaF 5e nada adiantaria dizer
algo na linha Fn,s# os antrop,logos da ciência# vemos o certo# e essa divisão ( fict@ciaF
6ão# pois não pode ser descartado como ficção a4uilo 4ue você efetivamente encontra na
sociedade > 4ue ( encontrado tem de ser explicado C7final# se pud(ssemos descartar
a4uilo 4ue# segundo nossa teoria# ( ficção# por 4ue então ter@amos nos dado o tra?alho de
seguir as pessoasLD Enfim# usamos um crit(rio frouxo# ?aseado no ?om senso > chefe sa?e
o 4ue o cientista da ?ancada faz e compartilha com ele alguns o?Betivos Então# ( cientista e
deve ser seguido Ele se encontra com o industrial# 4ue d* recursos a troco de algumas
alterações de proBeto 7ceitas as alterações# vemos 4uem as implemente E o chefe e sua
e4uipe Então# continuamos a seguiHlos E o industrialL 6ão ser* seguido# pois não (
incorporado ao processo# nesse momento 8as o proBeto deve# nalguma altura# ser
apresentado ao industrial Então# devemos seguiHlo > industrial o aprovaL $, depois de
test*Hlo Bunto a potenciais consumidores Então# seguimos o industrial e esses
consumidoresHpilotos Estes aprovam a coisa e orientam o industrialL $e sim# deixamos de
seguiHlos# pois B* cumpriram sua parte 7penas registramos 4ue# em alguma altura# entraram
no sociograma 8as cada um desses consumidores s, foi convocado por4ue tinha tais e tais
caracter@sticas e relações 7lgumas dizem respeito ao proBeto Cformação# conhecimento etcD
e outras# não Claços familiares# gostos em outras *reas etcD Então# não precisamos seguir#
digamos# a namorada do consumidorHpiloto 4ue fez parte do grupo 4ue orientou o industrial
4ue exigiu do chefe# 4ue ordenou ao da ?ancada > pro?lema ( como podemos sa?er de
&P
antemão 4uem devemos seguir e 4uem não $, com ?ase em um conhecimento de o 4ue ( e
de o 4ue não ( importante para um proBeto 8as se sa?emos isso de antemão# sa?emos mais
do 4ue a4uilo 4ue nossa pes4uisa simples Cde apenas seguirD sugere E o 4ue ( esse Fisso a
maisFL Temos# então# de nos ?asear em algu(m > da ?ancada ou o chefe têm uma ideia de
4uem deve ser aliciado $eguimos as pessoas dessa lista $e o chefe as descarta# fazemos o
mesmo 8as# como temos de ter um ponto de partida# precisamos eleger algu(m E se
elegêssemos a namorada do consumidorHpiloto nAmero &OL 7 tese CforteD de +atour ( 4ue
chegar@amos ao mesmo resultado 7ca?ar@amos achando a rede e revelando alguns pontos
de passagem o?rigat,rios# 4ue se concentram fisicamente no chefe ,ssa tese me parece
emp#rica e de)eria ser testada. Enfim# a tese (: podemos começar de 4ual4uer ponto e usar
como orientação um pro?lema %or exemplo: eficiência dos motores 5iesel %odemos
começar por 5iesel ou pelas faxineiras de uma oficina mec)nica no !rasil Chegaremos aos
mesmos pontos# 4ue são os pontos de passagem das translações 8as ( ?om frisar 4ue esses
pontos e essas translações são provis,rios $e perdermos isso de vista# teremos de dizer# de
sa@da# 4ue existe 6atureza est*vel e pro?lemas comuns 4ue essa 6atureza propõe a todos
$e fizermos a Bornada em um momento# acharemos um ponto nodal $e fizermos noutro
momento# acharemos Cpoderemos acharD outro
+atour# em seguida# es?oça um ciclo 4ue mostra o caminho do cientista de dentro para fora
Esse ciclo tem cinco etapas:
dinheiro
força de tra?alho
instrumentos
o?Betos
argumentos
inovação
> cientista passa por ele v*rias vezes# cada vez em n@vel mais elevado:
din1eiro *orça de
tra"al1o
instru)entos o">etos ar<u)entos ino-aço
eta%a & rece?e
fundos
faz
pessoalmente
usa prot,tipos poucos
aliados
poucos restrita ao
la?orat,rio
eta%a 2 enca?eça
comitês
tem auxiliares
candidatos a
%h5
usa
instrumentos
aliados
inespera
dos
escreve
artigos
uso difundido
eta%a 5 ( parte do
governo
cria pol@ticas
educacionais
pauta indAstrias muitos
novos
o?Betos
cria revistas controla a difusão
+atour conclui 4ue seria imposs@vel traçar um limite do 4uadro# no 4ual estariam do lado de
fora o contexto e do lado de dentro o conteAdo t(cnico Essas fronteiras são m,veis e se
retroalimentam
Isso leva ao 4ue 1ohn diman definia como o Fefeito 8ateusF: mais ( dado a 4uem mais tem
Parte B! Contando aliados e re#ursos
Esta parte do livro ( a mais dif@cil +atour B* mostrou de forma convincente 4ue s, uma
visão distorcida das atividades tecnocient@ficas leva ao modelo de difusão# no 4ual poucos
fazem para muitos Isso ficou# senão provado# ?em documentado# 4ue 4uando muitos
FaceitamF a d*diva dos poucos ( por4ue os muitos participaram e não estão tão assim Fde
foraF como o modelo de difusão 4uer 4ue pareçam estar 7t( a@# tudo ?em
8as a@ vem +atour com uma s(rie de nAmeros $e fossem apenas ilustração# sem
pro?lemas 8as não# o autor os usa para provar 4ue ( imposs@vel atri?uir a poucos
cientistas os e4uipamentos e teorias 4ue são compartilhados por muitos E por 4ue issoL
%or4ue os poucos são Fmuito poucosF %arece 4ue falta algo ao argumento %ois# se são
muito poucos os cientistas para 4ue se lhes impute o poder de criar teorias 4ue todos
aceitam# 4uanto seria o nAmero aceit*velL +atour não sa?e ;rases como F5ois milhões e
meio de cientistas e engenheiros não conseguem fazer P'' milhões de pessoas acreditarem
&.
em todos os fatos da tecnociência e aceit*HlosF Cp &P'D ou F> nAmero de grandes nomes da
ciência agraciados pelo prest@gio# simplesmente ( pe4ueno demais para explicar os
gigantescos efeitos 4ue lhes são imputadosF Cp &P&D parecem pouco convincentes 6o
cap@tulo seguinte# +atour mostrar* 4ue o grosso da humanidade est* fora da rede de
cientistas e engenheiros e 4ue são por eles acusados de irracionais >ra# se o grosso da
humanidade ( irracional Cmais uma conse4uência do modelo de difusãoD# então não (
verdade 4ue poucos tenham poder so?re muitos Eles têm poder so?re os poucos 4ue
contam# o 4ue ( outra coisa >s muitos são deixados de fora e# na maior parte das atividades
4ue constituem suas vidas# deixam os engenheiros e cientistas de fora tam?(m 7@ parece
4ue existe mais uma contradição
"ma o?servação:
U p*gina O-O# o autor fala da controv(rsia entre 5escartes e 6eeton# com o primeiro
afirmando 4ue ação a dist)ncia ( e4uivalente a ?ruxaria Talvez# +atour seBa um cartesiano
Estamos vendo# 4uando olhamos para o pe4ueno nAmero de cientistas e de engenheiros 4ue
controla uma grande sociedade# algum tipo de força# de ação a dist)ncia# 4ue +atour 4uer
descartar 6ão existem para o autor centros de sa?er 4ue difundem conhecimento# o 4ue
seria um paralelo social da força da gravidade Tem de existir outra coisa Essa outra coisa
vir* mais adiante# 4uando +atour falar em FredesF
Kuando +atour a?andona os nAmeros# volta para suas regras metodol,gicas e# então para os
eixos
"ma vez 4ue fica mostrado pelos nAmeros 4ue o grosso do orçamento de pes4uisa e
desenvolvimento no %rimeiro 8undo ( destinado a pes4uisa militar# ficamos sa?endo 4ue
os cientistas 4ue alistam são na verdade empregados alistados pelo aparato militar# ainda
4ue muito indiretamente
7 atividade de alistamento Cmecanismo prim*rioD permanece invis@vel# mas a atri?uição de
responsa?ilidade Cmecanismo secund*rio# e talvez mais tardioD ( mais vis@vel e ( esse
mecanismo 4ue gera a Fciência e tecnologiaF e# com ela# seus protagonistas# os poucos 4ue
moveram os muitos
7 dupla face de 1ano aparece novamente# com duas falas:
;7CE E$K"EQ57 CCIf6CI7 7C7!757D: 7 ciência e tecnologia ( causa da execução
de proBetos
;7CE 5IQEIT7 CCIf6CI7 E8 7ag>D: Executados os proBetos# ciência e tecnologia
aparecem como força propulsora por tr*s deles
+atour a4ui d* sua definição de TEC6>CIf6CI7: são todos os elementos amarrados ao
conteAdo cient@fico# por mais suBos# ins,litos ou estranhos 4ue pareçam e CIf6CI7 E
TEC6>+><I7 ( o 4ue so?ra da tecnociência depois 4ue foram resolvidos todos os
Bulgamentos de responsa?ilidade >u seBa# primeiro# tudo ( tecnociência Kuando a hist,ria
( recontada# deixamos de lado tudo o 4ue nas redes foi alistado e 4ue não conta para
atri?uição de prest@gio > 4ue so?ra ( ciência e tecnologia e ( nessa esfera 4ue acontecem
as atri?uições
+atour chama a atenção para o perigo de# não Bulgando a ciência como algo feito pelos
cientistas# então estaremos BulgandoHa como algo feito por militares# ?an4ueiros etcL >u
seBa# a?rimos o flanco para os Festudos sociais da ciênciaF 6ão# B* 4ue desconfiamos
simetricamente de todas as atri?uições $eguimos a
K"I6T7 QE<Q7 8ET>5>+R<IC7: seremos tão indefinidos 4uanto os atores 4ue
seguimos 4uanto a de 4ue ( feita a tecnociência
PARTE 5! 'A3 PE/UENA3 ?3 @RAN'E3 RE'E3
Ca%,tulo :! Tri"unais da ra7o
Parte A! Os >ul<a)entos de ra#ionalidade
$, uma o?servação antes de começar esta parte: Gs vezes ( dif@cil entender a posição
relativista 7 simetria 4ue +atour propõe Cnão 4ue eu ache 4ue seus argumentos# nesse
ponto# seBam l* muito cogentesD ( dif@cil de pegar E não s, pelos alunos
$aiu no 1ornal de Qesenhas da ;$% um texto so?re FCiência em 7çãoF > interessante do
texto de Qenan ;reitas ( 4ue ele não gosta do +atour com ?ase em 4ue este teria perdido o
ponto essencial da atividade cient@fica 7o dedicar muito tempo a discutir como os
cientistas selam controv(rsias Cpara +atour# aumentando o valor da aposta# ou seBa#
O-
tornando a vida do discordante cada vez mais dif@cil e caraD# +atour teria# para ;reitas# se
es4uecido de dizer o 4ue as pessoas aprendem das controv(rsias# 4ue seria o assunto
realmente importante# o motor da evolução da ciência $, 4ue o resenhista perde de vista
4ue +atour não pode# por princ@pio# separar a atividade do cientista e da sociedade da 4ual
faz parte da controv(rsia em 4uestão 5izer 4ue ( importante estudar o 4ue as pessoas
aprendem de um controv(rsia ( separar cientistas de um lado e controv(rsia do outro ou#
mais grave ainda# ( separar a comunidade 4ue de?ate da natureza# 4ue ( o assunto em
pauta $, 4ue isso não pode ser separado e# ainda assim# ser mantida uma e4uidist)ncia
relativista 7 sociedade em 4ue a controv(rsia deixa de existir ( outra# diferente da4uela em
4ue a controv(rsia existia 6ão se Faprende com elaF# por4ue não existe FelaF# de um lado#
e F4uem aprendeF# do outro Existe uma sucessão de situações e de comunidades e s,
podemos ver isso se estudarmos esses pontos nodais 4ue são as controv(rsias Elas são
raras# diz ainda o resenhista E verdade > grosso da ciência ( o 4ue Muhn chamaria de
FnormalF 6em por isso devemos ver a ciência normal C4ue ( a ciência fora da controv(rsia
mais agudaD como o assunto determinante em estudos so?re o fazer cient@fico $, para
completar# a resenha ( a?erta com a afirmação de 4ue +atour est* na mesma linha de
;eZera?end# para 4uem a ciência deve se guiar CsicD pelo princ@pio do Fvale tudoF CComo
um relativista poderia dizer o 4ue deve e o 4ue não deveLD 8as isso não ( verdade
;eZera?end provoca e afirma 4ue# ao estudar a hist,ria da ciência# mesmo pegando casos
sem controv(rsia 4uanto G relev)ncia do autor Cele dedica seu FContra o 8(todoF a
<alileuD# constatamos 4ue não parecem existir regras estritas# aHhist,ricas# usadas por todos
%arece 4ue tudo vale 8as s, parece %ara ;eZera?end# como para +atour# a ciência# e isso (
o mais surpreendente# d* certo E claro 4ue não vale tudo 8as não sa?emos dizer o 4ue
vale > 4ue nos causa tanta perplexidade ( ver 4ue algo vale# algo 4ue desconhecemos
Existe uma razão pr*tica cuBos princ@pios nos escapam e o estudo da atividade cient@fica nos
deixa# infelizmente# com pouco nas mãos $a@mos do estudo da ciência com duas
convicções: Fparece não haver nenhuma regra geralF e Fa coisa funcionaF $, 4ue a
precariedade dessa constatação ( muito sofisticada %ara a m(dia# se regras são postas em
xe4ue# outras têm de ser postas em seu lugar $e algo funciona de forma regular# deve haver
regras simples 4ue todos usam 6ão pode haver atividade sem regras E assim por diante
;reitas# como a maioria dos cr@ticos do relativismo# simplesmente não entende o
argumento > argumento antirrelativista seria C-D moral: o relativismo não instaura# s,
destr,iS C&D interno: mesmo nada instaurando# o relativista partilha# no m@nimo# de um
interesse comum no tema# o 4ue B* indica uma filiação C;eZera?end resolveu discutir f@sica
e não fa?ricação de conha4ue# por 4uêLD 8as essas duas linhas de ata4ue# ?oas ou ruins
4ue seBam# implicam 4ue o de?atedor entenda o assunto em pauta 8as isso raramente ( o
caso ;reitas# como tantos outros cr@ticos de Muhn ou ;eZera?end ou +atour# vê as coisas
estan4ues: existe o mundo de um lado e seus estudiosos# de outro > positivista vê a relação
assim e o relativista# assado ;echadas as posições# os CmausD cr@ticos começam $, 4ue o
relativista não aceita a tal separação clara inicial
+atour examina agora a 4uestão de 4ue a maioria das pessoas est* fora da rede
tecnocient@fica e# portanto# fora desses tipos de mecanismos de convencimento e de
translações complicadas 8esmo assim# viramHse Como# Fse não h* cientistas e
engenheiros por pertoLF 5ir* um cientista: usando regras pr*ticas# ?aseandoHse em crenças
em lugar de se ?asear em conhecimento > interessante# ressalta +atour# ( 4ue o grosso da
humanidade faz isso 6ão seria portanto um pouco arrogante dizer 4ue todos são irracionais
e os poucos tecnocientistas# racionaisL
8as# a@# entra tradicionalmente a sociologia# a4uela sociologia 4ue sempre ( chamada para
executar o serviço inferior da filosofia da ciência Kuando tudo corre ?em# regras estão
sendo aplicadas# um m(todo claro e distinto est* sendo seguido Kuando as coisas correm
menos ?em# ( preciso chamar o soci,logo ou antrop,logo ou politic,logo ou historiador ou
economista para 4ue expli4uem o desvio com relação G linha reta da racionalidade
> 4uadro tradicional ( portanto# dizer 4ue existe uma linha reta da razão e uma linha 4ue se
desvia desta# 4ue precisa# portanto# ser explicada Tais explicações aludem a# por exemplo:
preconceitos# diferenças culturais# diferenças sexuais# diferenças raciais# ?urrice# outras
explicações sociol,gicas ou psicol,gicas etc Esses fatores aparecem s, 4uando cientistas
tentam dar conta de por 4ue existem tantos nãoHcientistas
Us vezes ouveHse o coment*rio: Fse eles tivessem mais educação# chegariam l*F 8as isso
não viola um princ@pio de simetriaL
OO
> interessante ( 4ue# dado o modelo de difusão# ( evidente 4ue o grosso da humanidade
est* em?arcada nessa linha torta 6ão seria# portanto# para ser sim(trico# 4ue a linha reta
merecesse explicaçãoL 6ão# diria um enfo4ue mais tradicional 7 linha reta se autoexplica
8as um relativista sim(trico exigir*# da mesma forma# explicações para as linhas reta e
desviante FKuais as condições sociais para 4ue essa linha reta seBa traçadaLF Tal pergunta
não teria ca?imento dentro de um enfo4ue tradicional# mas# a4ui# a simetria a exige 7l(m
do mais# dado 4ue se trata de uma linha 4ue ( seguida Cse ( 4ueD por uma minoria# ( o
comportamento minorit*rio 4ue precisa ser explicado# muito mais 4ue o maBorit*rio
Em seguida# +atour apresenta três FBulgamentos de racionalidadeF# envolvendo as cr@ticas
de Evans %ritchard aos azande# as dificuldades do sistema de cultivo e posse de terras nas
ilhas Tro?riand e o caso de Elisha <raZ# 4ue não acreditava no telefone e investiu tudo no
tel(grafo $eriam os azande irracionaisL $eriam os tro?riandeses il,gicosL ;oi <raZ um
maluco# por não enxergar as potencialidades do telefoneL 6ão# não e não %ritchard não
perce?eu 4ue os mesmos crit(rios 4ue os azande usam para definir ?ruxos 4uentes e frios
são usados nas sociedades ocidentais para definir a aceita?ilidade do assassinato C4ue ( e
não ( crime# dependendo da ocasiãoD >s tro?riandeses têm uma linguagem dif@cil 4ue# se
não for compreendida# os faz parecer# G primeira vista# il,gicos <raZ não viu as
potencialidades do telefone mas# assim 4ue as viu# tornou a coisa rent*vel e construiu um
imp(rio# diferentemente de !ell# 4ue mal sou?e aproveitar sua invenção <raZ preferiu
apostar no tel(grafo# 4ue era uma tecnologia segura# e não no telefone# inventado por um
homem cuBa profissão era tratar de surdos %ode parecer ter sido uma m* ideia# de a hist,ria
não for ?em contada# isto (# contandoHse as razões dele e o desenvolvimento posterior da
coisa +evando isso em consideração# desaparece 4ual4uer imputação de irracionalidade
>u seBa# imputações de irracionalidade são muito mais raras do 4ue se costuma afirmar e s,
aparecem 4uando os fatos não são examinados a uma dist)ncia maior e com mais
flexi?ilidade
Com isso# +atour chega a uma sócio-lógica 7 l,gica Cou a afirmação 4ue uma alegação (
Fl,gicaFD depende de em 4uantos pontos ela est* ?em amarrada
8as ( preciso ter cuidado# pois
1...2a perspecti)a sim3trica o *ue se ignora de todo 3 exatamente a existência da rede
cient#fica, de seus recursos, de sua capacidade de, 4s )e%es, fa%er propender para um dos
lados o e*uil#brio de foras1 Cp O&'D
>u seBa# não ( por4ue um ?om advogado livra seu cliente 4ue podemos ficar tran4uilos de
4ue não houve crime > relativismo não pode perder de vista 4ue# mesmo ganhando os
Bulgamentos de racionalidade# resta a 4uestão de 4ue um dos lados# de facto# det(m o 4ue se
chama de racionalidade E isso deve ser explicado E nesse ponto 4ue se deve examinar a
s,cioHl,gica
+atour coloca# a essa altura# seu 4uinto princ@pio: os fatos duros são exceçãoS e sua sexta
regra: diante de uma acusação de irracionalidade# deveHse deixar de lado a perspectiva 4ue
procura logo de sa@da 4ue regra teria sido infringida Cpp OVO# OV/D
+atour parece terminar em uma esp(cie de indutivismo ingênuo
Kuando conta a hist,ria de +ap(rouse# +atour implica 4ue os racionais o são por4ue têm
condições de reunir mais dados e de vêHlos em conBunto 7 expedição desse francês chega
Gs ilhas $acalinas e l* fica s, um pouco $ai de l*# dados os instrumentos 4ue carrega# mais
informado das costas e ?aixios do 4ue os chineses 4ue l* moram h* s(culos Bamais puderam
estar Essas informações são transformadas em unidades m,veis# est*veis e com?in*veis
Cmapas# ta?elas# gr*ficos# enfim# em inscriçõesD e tudo isso ( mandado para uma central de
c*lculo +*# diz +atour# os cientistas veem as coisas em conBunto e# da@# vem sua ciência
Existe o 4ue se pode chamar de um Fgrande divisorF entre racionais e irracionaisL $im# mas
não devido G suposta fra4ueza mental ou falta de condições de educação dos irracionais#
mas simplesmente por4ue os racionais saem de suas centrais# coletam# voltam# saem de
novo# coletam de novo# em espiral Isso# para +atour# ( o 4ue gera ciência
5e um lado# esse racioc@nio faz lem?rar F7 mensuração da realidadeF# de 7lfred Cros?Z#
4uando este vê no sucesso ocidental em produzir ciência a criação de t(cnicas de
visualização derivadas da atu*ria Cas ta?elas de dupla entradaD# da mAsica Ca notação para
polifoniasD e da perspectiva Ca c,pia fiel da natureza tal como perce?ida pela retinaD 7s
O0
centrais de c*lculo latourianas produzem e processam informação por4ue veem melhor os
dados# por4ue desenvolveram t(cnicas de visão de conBunto 5e 4ual4uer forma# ( preciso
ver 4ue essas t(cnicas:
- determinam em parte 4ue o?Betos podem ser coletados e processados
& essa determinação precede a coleta
>u seBa# permanece a 4uestão de 4ue +ap(rouse não foi l* e recolheu 4ual4uer coisa
Qecolheu o 4ue lhe interessava E esse interesse era uma tomada de posição pr(via#
decidida 76TE$ do contato com os o?Betos E claro 4ue isso pode mudar e se adaptar 8as#
em todo caso# decisões têm de ser tomadas 76TE$ dos fatos aparecerem Cse (# tam?(m#
%7Q7 os fatos aparecerem ( outra 4uestãoD
Kuando +atour examina as controv(rsias e tenta p=r em um 4uadro a?rangente o contexto
em 4ue nascem e são resolvidas# fica sempre a sensação de 4ue as decisões acontecem a
re?o4ue dos fatos ;ulano vê algo diferente e deve tomar uma decisão 7 face es4uerda de
1ano dir* 4ue a decisão foi tomada por4ue era racional 7 face direita# da ciência em ação#
dir* 4ue a decisão ( racional por4ue foi tomada 6o momento# não existe muito como
decidir e os cientistas# apesar disso# se viram 8as não ( ?em Fno momentoF 8uito das
decisões se d* 76TE$ do momento E essas decisões são pautadas em teorias# em palpites#
se se preferir mas# de 4ual4uer forma# não respondem a fatos# mas a prefigurações de
resultados poss@veis E isso tem de ser explicado e não pode sêHlo dentro desse indutivismo
ultraingênuo de +atour >s cientistas adaptam suas teorias# sim Qespondem aos fatos# sim
8as não derivam suas teorias totalmente dos fatos
5izer# como +atour faz# 4ue a divisão se d* tãoHsomente pelo acAmulo de fatos ( muito
inade4uado E# se pensarmos 4ue isso vem no final de um livro 4ue começa tentando
desmontar uma visão tradicional da ciência como modelo de racionalidade# tanto mais
decepcionante a coisa fica $a@mos de um positivismo ela?orado para cairmos em um
indutivismo aparentemente muito ingênuo
7 partir desse ponto# +atour fica algo esot(rico:
- os zo,logos veem coisas novas# pois essa ( a primeira vez 4ue tantas criaturas são postas
diante dos olhos de algu(m Cp OT0D
& devemos nos preocupar não com diferenças cognitivas# mas com essa mo?ilização geral
do mundo 4ue dota alguns cientistas de casaca de Mee <ardens com a capacidade de
dominar visualmente todas as plantas da Terra Cp OT0:TD
O !rahe ( o primeiro 4ue# num relance# considera o c(u de verão# mais as o?servações de
seus cola?oradores# mais Cp OT/D
9ale a4ui nesta passagem uma incr@vel primazia da visão 4ue nem o mais ingênuo
indutivista aceitaria 7s teorias vêm de FrelancesF# de p=r ?ichos diante de zo,logos ou
plantas diante de ?ot)nicos ;açaHse isso com esp(cimes ou com inscrições e pronto: eis
teoria
7 ideia su?Bacente parece ser a de 4ue todos temos uma faculdade misteriosa 4ue funciona
toda vez 4ue colocamos um grande nAmero de 4ual4uer coisa diante de n,s > pro?lema
4ue +atour não a?orda ( 4ue um grande nAmero de alguma coisa depende de Bulgarmos o
4ue seBa essa alguma coisa Womens diferem em tudo Caltura# cor# peso# inteligência etcD
7ssim# o 4ue ( p=r muitos homens diante de algu(mL E decidir 76TE$ o 4ue eles seBam
$em essa decisão# são muitos# mas não da mesma coisa 5e novo a 4uestão das decisões
pr(vias# 4ue +atour não resolve Ce# at( a@# tudo ?emD# mas se4uer reconhece Ce# a@# tudo
muito malD
Parte B
Centrais de C6l#ulo
Talvez seBa poss@vel FsalvarF +atour da impressão de indutivismo ingênuo
$uponha o antrop,logo da ciência perdido em uma grande cidade Ele entra em 4ual4uer
loBa# em 4ual4uer =ni?us# fala com 4ual4uer um# não importa $e seu prop,sito for
encontrar pessoas 4ue se envolvem em controv(rsias por profissão e as levam a um n@vel
elevad@ssimo# em ?reve chegar* G tecnociência %assar*# certamente# pelo direito 8as
desco?rir* 4ue existe um grupo para 4uem as controv(rsias 4ue acontecem nas cortes são
?rincadeira %essoas 4ue# para resolver controv(rsias# constroem instrumentos car@ssimos#
citam ?i?liografias incompreens@veis e extensas# constroem redes amplas e heterogêneas
Ter*# então# chegado aos tecnocientistas >u seBa# não importa onde se comece e 4ue
OP
suposição se faça# se o fio condutor da pes4uisa for F?uscar a mais alta concentração de
controv(rsiaF# o resultado ser* ciência e tecnologia
Chegando a esse grupo# o antrop,logo começa a examin*Hlo 5esco?re# então# 4ue se trata
de um grupo muito heterogêneo Existem pessoas presas diretamente Gs ?ancadas Existem
outras cuBo tra?alho influencia diretamente as primeiras# mas 4ue 4uase nunca entram no
la?orat,rio Existem todos os graus intermedi*rios e# ainda# essa rede vai se tornando mais
di*fana G medida 4ue nos distanciamos dos centros de controv(rsia
Examinando esses centros# vemos 4ue o tra?alho ( sempre de coleta de inscrições e 4ue
mesmo os 4ue tra?alham em ciências ditas formalizadas não tra?alham com Fo l* foraF#
mas com inscrições 4ue se adaptam G linguagem da teoria E por 4ue se adaptamL
%or4ue# responde o autor# as teorias nascem sempre da coleta de dados 8as isso não (
indutivismo ingênuoL 5epois de desmontar a ideologia da ciência C4ue defende Bustamente
esse indutivismoD e parecer tender a um enfo4ue mais relativista# não estaria +atour nos
decepcionandoL Talvez 8as# talvez# haBa outra explicação
Citando o autor:
... todos os dom#nios ingressam no 1seguro caminho da ciência1 *uando seus porta()o%es
têm tanto aliados a seu lado1. Cp OP/D
Essa frase talvez salve +atour do indutivismo ingênuo Ele seria# podemos dizer# um
Findutivista hist,ricoF 7ssim como 4ual4uer ponto de partida# desde 4ue o fio condutor da
pes4uisa seBa a densidade de controv(rsias# nos leva G tecnociência# 4ual4uer dom@nio# se
iniciar um processo de coleta# sistematização# produção de inscrições e produção de
inscrições de en(sima ordem# ser* tam?(m ciência E não importa o 4uê 7 fisiognomia# por
exemplo# era ciência >3# não ( mais 8as isso dizemos n,s hoBe Cerca de um s(culo e
meio atr*s# não ter@amos como fazer esse Bulgamento# pois a coisa era# efetivamente#
ciência: recolhiamHse amostras# inscrições eram produzidas# tais inscrições eram ta?eladas#
depois# eram sintetizadas em novas inscrições etc etc etc
>u seBa# 4ual4uer campo 4ue se tome 3 ciência desde 4ue haBa coleta e Fcorrida pro?at,riaF
7final# não pode haver tal corrida sem dados %ortanto# coleta ( essencial
7gora# poder@amos dizer# essa coleta ( orientada por um ponto de vista pr(vio 5e acordo
8as podemos dizer# igualmente# 4ue esse ponto de vista pr(vio ( resultado de mais coleta
W* a@ uma regressão irresolv@vel %odemos# agora# resolvêHla de duas maneiras:
C-D postulando uma capacidade especial de teorizar a partir do nada e
C&D imaginando 4ue as teorias de hoBe são resultado de coleta e servem de guia Gs teorias de
amanhã
7 4uestão seguinte 4ue se coloca ( de como as teorias surgem dos dados +atour responde
4ue os cientistas têm# nos centros de c*lculo# condições de ver Fnum relanceF muitos dados
+ogo# desde 4ue se desenvolvam t(cnicas de visualização# as teorias C4ue podem ser
entendidas como regras de comparação muito a?rangentesD aparecem
E como se desenvolvem as t(cnicas de visualização de inscriçõesL 5e modestas coleções de
fatos $e ningu(m 4uestionar essa coleção# ela fica como est* $e for 4uestionada# dever*
responder $, poder* fazêHlo com mais dados 8as mais dados afogam o coletor de dados
+ogo# ele deve desenvolver t(cnicas de visualização 4ue lhe permitam manusear esses
novos dados E de onde ele tira essas t(cnicasL 5os dadosL 6ão Elas são caixas pretas#
modos de ver Cou inscrever# ou visualizarD 4ue# no passado foram controvertidos e# agora#
são apenas contexto > cientista não precisa reinventar as ta?elas de dupla entrada# ou a
an*lise de dispersão# pois isso ( contexto E 4uando não eraL Então# era o caso de se terem
muitos dados e se notar# por exemplo# 4ue m(dias não refletiam corretamente a situação
reais com muitos indiv@duos desiguais 9endo o pro?lema# criouHse uma controv(rsia: Fseus
dados não valem nadaFS Fvalem sim# pois têm ?aixa dispersãoFS ?aixa o 4uêLFS Fdispersão#
4ue defino comoF E assim por diante +evando em conta um senso comum ?em
aceit*vel# 4ue nos diz 4ue criamos soluções a partir de pro?lemas# ( fato 4ue os pro?lemas
são sempre controv(rsias 4ue versam so?re dados
8as e a f@sica te,rica e a matem*ticaL 9ersam so?re dados tam?(m# mas são inscrições de
en(sima ordem# tão amplamente aplic*veis Cpor4ue Bustamente tão distantes do conteAdo do
pro?lema 4ue lhes deu origemD 4ue parecem vindas de outro mundo 8as não são $ão
deste
$e isso vale# resolveHse outra 4uestão intrigante: Fpor 4ue a matem*tica d* tão certo na
naturezaLF Qesposta: devido a sua hist,ria E d* mesmo certo na naturezaL %rovavelmente#
O.
não 5* certo em uma natureza codificada 5* certo 4uando pessoas# *rvores# votos viraram
ta?elas e gr*ficos Então# o estrato matem*tico deitaHse so?re o estrato Cigualmente
matem*ticoD dos gr*ficos ;ora# no mundo# a coisa não funciona E 4uando não funciona (
4ue surgem os Bulgamentos de racionalidade
%or isso# +atour fala em usar o termo Fa?straçãoF s, como su?stantivo# mas nunca usar o
adBetivo Fa?stratoF# pois não existem teorias a?stratas > 4ue existe ( inscrições de en(sima
ordem Cp O.OD
.omo n'o h$ limite para a cascata de reescritura e re(representa'o, podem(se obter
formas de en3sima ordem *ue se combinam com formas de en3sima ordem pro)enientes de
regi!es completamente diferentes. S'o esses no)os nexos inesperados *ue explicam por
*ue as formas importam tanto e por *ue os obser)adores da ciência )ibram tanto com elas.
5p. /678
7s formas são explicadas com 4uatro caracter@sticas e +atour se propõe a ficar com o Fgrão
de verdadeF 4ue existe em cada uma:
transcendentalismo conferem um suplemento inesperado e portanto parecem ter
vindo de outro mundo
empirismo são resultado de tra?alho concreto de depuração# estando
então relacionadas com coisas pr*ticas
determinismo social são ainda mais sociais 4ue a sociedade pois concentram
muitas associações
convencionalismo esta?elecem conexões entre muito mais elementos# o 4ue
levaria as pessoas a supor 4ue elas seBam mais reais Cou#
talvez# menos convencionaisD 4ue outros tipos de ferramentas
>u seBa# todas essas caracter@sticas expressam algo de o 4ue são teorias cient@ficas# mas
todas podem ser explicadas a partir do tra?alho de coleta# inscrição e representações de n
ordens
7 esta altura# +atour aponta a carência de um estudo antropol,gico do formalismo e atri?ui
a isso a alternativa f*cil de considerar o formalismo resultado de capacidades cognitivas
superiores Então# propõe sua
$ETI87 QE<Q7 8ET>5>+R<IC7:
uma morat,ria para explicações cognitivas para a ciência e a tecnologia
Essa regra ( diferente das anteriores# pois deixa a?erta a possi?ilidade de 4ue todo o estudo
mostrado em FCiência em 7çãoF esteBa errado TrataHse de um desafio e de um programa
+atour d* tam?(m exemplos em 4ue esse Fl* foraF ( s, aparente 7lan $hepard repetiu seu
voo dezenas de vezes em terra antes de su?ir E por isso 4ue tudo deu certo l* fora# no
espaço E 4ue o l* fora havia sido trazido para o la?orat,rio e as t(cnicas foram adaptadas a
esse Fl* foraF trazido ;eito isso# ( claro 4ue as coisas devem dar certo E# 4uando dão
errado# dão errado em detalhe
92esse ponto, tal)e% )alesse uma digress'o sobre o caso da .hallenger, exposto em 1The
:olem at Large1. ; na)e caiu, mas n'o por*ue ti)esse ha)ido negligência ou por*ue o 1l$
fora1 era desconhecido. .aiu por*ue hou)e, de fato, um acidente impre)is#)el. ;s
especifica!es da na)e esta)am corretas e a temperatura do dia do lanamento esta)a
dentro de limites aceit$)eis para a resistência do anel *ue acabou se rompendo e deixando
)a%ar combust#)el. 2esse exemplo, como em tantos outros, o 1l$ fora1 foi inteiramente
codificado, o *ue n'o *uer di%er *ue n'o possa ha)er acidentes.<
>utro exemplo de Fl* foraF 4ue não ( tão fora assim ( dado por um experimento levado a
ca?o por %asteur em uma fazenda %asteur afirma 4ue# depois de alguns dias de
administrada uma vacina# o grupo de animais vacinado resistir* e o grupo não vacinado
morrer* 8as ele sa?e 4ue isso não vai funcionar em uma fazenda suBa# na 4ual muitos
outros fatores estragariam os resultados > 4ue fazL Transforma a fazenda em um
la?orat,rio# mandando para l* assistentes# antes do experimento Fno campoF# para alterar
tudo o 4ue pudesse atrapalhar os dados# mas tomando cuidado de manter as aparências# a
V-
fim de 4ue o experimento fosse convincente
5isso# conclui +atour 4ue as teorias são fr*geis e 4ue# apesar disso# co?rem o mundo 8as
como cupins# 4ue vivem em cupinzeiros muito extensos: não importa a extensão# desde 4ue
o cupim trafegue dentro de uma galeria 7 ciência alcança tudo nesta sociedade# mas isso
apenas por4ue as galerias avançam por todos os lados 7 sociedade em 4ue essa ciência
atua B* não ( Fl* foraF Kuando isso Ca ciência fora da rede# o cupim fora da galeria 4ue
construiuD acontece# tudo falha
9em então uma excelente analogia 5e 4ue serve um mapa se estamos em um descampadoL
6ão podemos# por melhor 4ue seBa o mapa# confront*Hlo com a natureza Fl* foraF
Confrontamos o mapa com um mundo devidamente sinalizado Cplacas# marcos# far,is etcD
Confrontado com a natureza Cda 4ual# supostamente# falaD o mapa ( inAtil
hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Al<uns te)as %ara )ono<ra*ias!
C-D > 4ue ( a filosofia da ciência para +atourL
C&D +atour descreve ou tece uma teoria so?re a ciênciaL
COD 7 teoria Cse forD de +atour ( emp@ricaL > 4ue# então# a refutariaL
CVD Kual o estatuto dos exemplos em FCiência em 7çãoFL Eles são essenciais para a
compreensão do ponto ou o livro poderia se resumir Gs listas de regras e de princ@pios
C0D 7t( 4ue ponto +atour pode seguir os cientistas# sem pr(HBu@zos# sendo# ele mesmo#
cientistaL

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