O CICLO DA VIDEIRA

Como todas as plantas, a videira possui um ciclo anual de vida, divido em três períodos, a saber:
1. PERÍODO DE REPOUSO
Estende-se, em geral, de abril a julho e nessa fase ocorre "hibernação" da planta que perde as folhas e entra e latência. Durante essa
época, é feito o plantio e a enxertia das plantas novas e/ou a adubação e a poda seca das plantas velhas.
2. PERÍODO DE CRESCIMENTO
Vai, aproximadamente, de agosto a dezembro. Durante esse período faz-se a capina e a poda verde e nela ocorrem o brotamento das
folhas, a floração e a produçãoe a circulação de seiva (observada quando se corta um galho: ela escorre e é chamada o choro da
videira ou Lacrima Vitis).
3. PERÍODO DE ELABORAÇÃO
Estende-se por volta de dezembro a março e nela há a formação e o amadurecimento dos frutos e queda das folhas. Ao final desse
período temos a fase da colheita, sendo a das uvas brancas mais precoce (dezembro a janeiro) e a das tintas mais tardia (fevereiro a
março)
Nos países europeus, situados no hemisfério norte, esses períodos ocorrem em épocas diferentes (repouso: dezembro a março;
crescimento: abril a julho; elaboração: agosto a novembro).
CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DA UVA
Historicamente, há indícios de que a origem da uva tenha sido no Egito, nas redondezas do rio Nilo, mas há também
alguns relatos sobre o vinho em passagens bíblicas nas qual Noé trazia em sua arca sementes de uva e que havia
plantado-as assim que chegou em terra firme. Fato é que a uva traz uma série de benefícios, sendo uma fruta
importante para quem não abre mão de uma alimentação saudável e equilibrada.
Quais são os benefícios da uva para organismo?
A uva é fonte de carboidratos, importantes para o fornecimento de energia para o corpo. Também contém vitamina
C, vitaminas do complexo B e sais minerais como ferro, cálcio e potássio. A uva, principalmente as escuras, possui
ação antioxidante, ou seja, combate os radicais livres e também é anticancerígena. A casca da uva rosada possui
uma substância cardioprotetora chamada resveratrol, que ajuda no controle do colesterol, na diminuição da
formação de coágulos sanguíneos e na prevenção da trombose. Por este motivo, o vinho e o suco de uva são
considerados alimentos funcionais, pois estudos científicos demonstram suas propriedades nutricionais no controle
de doenças cardiovasculares.
Qual a recomendação diária?
Dez unidades de uva ou um copo de 200ml de suco da fruta por dia é suficiente para obtenção dos benefícios
nutricionais.
Há alguma restrição no consumo?
Há restrições no consumo apenas para o suco de uva integral, pelo seu alto valor calórico e para os vinhos devido ao
seu teor alcoólico. Ambos são saudáveis se consumidos com moderação. Caso haja algum tipo de intolerância a
fruta, pode-se trocar a mesma por suco de frutas vermelhas como morango, melancia, amora, framboesa, etc. Pois
elas contêm propriedades antioxidantes semelhantes a da uva.

A Região
Situada a nordeste do Rio Grande do Sul, a região da Serra Gaúcha é a grande estrela da vitivinicultura
brasileira, destacando-se pelo volume e pela qualidade dos vinhos que produz. Para qualquer enófilo indo ao Rio
Grande do Sul, é obrigatório visitar a Serra Gaúcha, especialmente Bento Gonçalves.
Características Geo-climáticas
A região da Serra Gaúcha está situada em latitude próxima das condições geo-climáticas ideais para o
melhor desenvolvimento de vinhedos, mas as chuvas costumam ser excessivas exatamente na época que antecede a
colheita, período crucial à maturação das uvas.
Quando as chuvas são reduzidas, surgem ótimas safras, como nos anos 1999, 2002, 2004, 2005 e 2006.
A partir de 2007, com o aquecimento global, o clima da Serra Gaúcha se transformou, surgindo verões mais
quentes e secos, com resultados ótimos para a vinicultura, mas terríveis para a agricultura.
Desde 2005 o nível de qualidade dos vinhos tintos vem subindo continuamente, graças a esta mudança e também do
salto de tecnologia de vinhedos implantado a partir do ano 2000.
Informações sobre a Região da Serra Gaúcha
Latitude: 29º Sul
Altitude: 400 a 700 m acima do nível do mar
Topografia: Serrana
Clima: Temperado úmido
Chuvas: Média anual de 1.800 mm / ano
Temperaturas: Média entre 16º e 18ºC
Solos: Areno-argilosos ácidos
O Vale dos Vinhedos
O Vale dos Vinhedos fica situado na Serra Gaúcha, junto à cidade de Bento Gonçalves, caracterizando-se pela
presença de descendentes de imigrantes italianos, pioneiros da vinicultura brasileira. Nessa região as temperaturas
médias criam condições para uma vinicultura fina voltada para a qualidade.
A evolução tecnológica das últimas décadas aplicada ao processo vitivinícola possibilitou a conquista de mercados
mais exigentes e o reconhecimento dos vinhos do Vale dos Vinhedos. Assim, a evolução da vitivinicultura da região
passou a ser a mais importante meta dos produtores do Vale.
O Vale dos Vinhedos é a primeira região vinícola do Brasil a obter Indicação de Procedência de seus
produtos, exibindo o Selo de Controle em vinhos e espumantes elaborados pelas vinícolas associadas. Criada em
1995, a partir da união de seis vinícolas, a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos
(Aprovale), já surgiu com o propósito de alcançar uma Denominação de Origem. No entanto, era necessário seguir
os passos da experiência, passando primeiro por uma Indicação de Procedência.
O pedido de reconhecimento geográfico encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI)
em 1998 foi alcançado somente em 2001. Neste período, foi necessário firmar convênios operacionais para auxiliar
no desenvolvimento de atividades que serviram como pré-requisitos para a conquista da Indicação de Procedência
Vale dos Vinhedos (I.P.V.V.). O trabalho resultou no levantamento histórico, mapa geográfico e estudo da
potencialidade do setor vitivinícola da região.
Atualmente está em curso a implantação de uma DOC na região.
História
O Vale dos Vinhedos foi a primeira região entregue aos imigrantes italianos, a partir de 1875. Inicialmente
desenvolveu-se ali uma agricultura de subsistência e produção de itens de consumo para o Rio Grande do Sul.
Devido à tradição da região de origem das famílias imigrantes, o Veneto, logo se iniciaram plantios de uvas para
produção de vinho para consumo local.
Até a década de 80 do século XX, os produtores de uvas do Vale dos Vinhedos vendiam sua produção para
grandes vinícolas da região. A pouca quantidade de vinho que produziam destinava-se ao consumo familiar.
Esta realidade mudou quando a comercialização de vinho entrou em queda e, conseqüentemente, o preço da uva
desvalorizou. Os viticultores passaram então a utilizar sua produção para fazer seu vinho e comercializá-lo
diretamente, tendo assim possibilidade de aumento nos lucros.
Para alcançar este objetivo e atender às exigências legais da Indicação Geográfica, seis vinícolas se associaram,
criando, em 1995, a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale).
Atualmente, a Aprovale conta com 24 vinícolas associadas e 19 associados não produtores de vinho, entre
hotéis, pousadas, restaurantes, fabricantes de produtos artesanais, queijarias, entre outros. As vinícolas do Vale
dos Vinhedos produziram, em 2004 9,3 milhões de litros de vinhos finos e processaram 14,3 milhões de kg de uvas
viníferas.
AS PRIMEIRAS MUDAS
O imigrante italiano, afeiçoado à viticultura por tradição e por vocação, obrigatoriamente viria a cultivar a videira em
sua terra, como já o haviam feito os imigrantes que se estabeleceram em outras regiões da América e da Ásia. O colono
italiano, recém chegado em 1875, ainda não tinha as mudas de videiras para iniciar o cultivo nas terras que foi desbravando, em
substituição às florestas que foram derrubadas. Foi somente ao descer a serra para São Sebastião do Caí e Montenegro para levar
seus produtos e buscar suprimentos que tomou contato com as videiras (variedade Isabel) que os agricultores alemães
cultivavam há algum tempo para seu próprio consumo.
ORIGEM DA UVA NO RIO GRANDE DO SUL
O Rio Grande do Sul faz parte do complexo histórico da vitivinicultura hispano-americana por ter raízes históricas
situadas ora do lado espanhol, ora do lado português. Por volta de 1626 teria sido o padre jesuíta Roque Gonzáles de Santa Cruz
o precursor e pioneiro da vitivinicultura rio-grandense. Ele, ao fundar a Redução Cristã de San Nicolao na margem esquerda do
rio Uruguai (Região dos Sete Povos das Missões), trouxe cepas de origem espanhola. Pode-se constatar, nesta época, a trajetória
do desenvolvimento da vitivinicultura paralela ou sobreposta aos caminhos da marcha da Igreja Católica. Em 1737 ocorreu a
imigração dos açorianos ao litoral gaúcho. Lá eles fundaram Porto Alegre e disseminaram as vinhas portuguesas, originadas da
Ilha dos Açores e Madeira. Esse cultivo, apesar de feito através de fixação dos colonos para o povoanento na zona litorânea, não
foi de grande expressão. Essas foram as duas regiões bem distintas e as duas origens da Vitis Vinífera na história da
vitivinicultura gaúcha até o ano de 1800.
AS PRIMEIRAS VARIEDADES DE UVA DA SERRA GAÚCHA
A viticultura tornou-se expressiva com a introdução de uvas americanas, particularmente a Isabel. Por onde se
expandia, por exuberância, resistência e produtividade, a Isabel ia desestimulando e substituindo os poucos vinhedos de
viníferas européias que ainda existiam. Foi entre os anos de 1839 e 1842 que a uva americana - principalmente a Isabel - foi
introduzida no Rio Grande do Sul. Teria sido o cidadão gaúcho Marques Lisboa a remeter os bacelos dessa variedade, de
Washington, ao comerciante Thomas Messiter, que com eles plantou os primeiros vinhedos na Ilha dos Marinheiros, tornando-se
assim o iniciador do cultivo da uva Isabel no Estado.
COM OS ITALIANOS, O DESENVOLVIMENTO DA VITIVINICULTURA
O cultivo da videira Isabel tomou expressão acentuada após a chegada dos imigrantes italianos aos altos da Serra, a
partir de 1875. No início, cultivavam apenas para o consumo da família. Por volta de 1890 o êxito dessa variedade era tão
surpreendente que os colonos iniciaram a comercialização do vinho Isabel para a capital do Estado e outras cidades. O
transporte era feito em lombo de burro, alojado em dois barris de 40 litros cada, colocados um de cada lado do animal. As filas
de 10 ou 12 animais percorriam a distância entre a propriedade rural até os pequenos núcleos ou povoados onde havia uma casa
de comércio ou armazém colonial. O colono negociava seus produtos por troca. Trocava o vinho (além dos demais produtos
rurais como: queijo, porcos, feijão, trigo, etc.) por café, açúcar, tecidos, querosene e ferramentas agrícolas. Quando chegava à
casa do negociante, o vinho era transferido do barril em que vinha sendo transportado no lombo do burro para uma pipa. O
barril em que era transportado tinha formato próprio e adequado à viagem e deveria retornar ao produtor. Não raro o vinho
encontrava-se em condições sanitárias deficientes devido à precariedade de condições de produção e transporte.
Do negociante até os centros de consumo locais – Porto Alegre, São Sebastião do Caí, Montenegro, São Leopoldo – o
vinho era transportado, às vezes, em carretões puxados por mulas, que enfrentavam os precários caminhos e intempéries por
dias a fio para chegar ao destino. Daí surge a figura épica do carreteiro que conduzia as duplas de animais puxando enormes e
pesadas carretas percorrendo a íngreme serra gaúcha, que tão bem identifica a origem da colonização de Bento Gonçalves e
cidades vizinhas. Outras vezes o vinho era transportado em lombo de burros, formando longas filas de animais até o destino.
Para Porto Alegre, tem-se notícias de que os primeiros embarques ocorreram em 1884.