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Para Durkheim as leis são um bom exemplo de fatos sociais.

Pois em toda e
qualquer sociedade existem leis que visam organizar a vida no meio social. Dessa
forma o individuo isolado não cria regras nem pode individualmente modificá-las.
As leis vistas como Fatos Sócias são transmitidas para as gerações seguintes, na
forma de Normas Culturais, Códigos, decretos Constituições etc. Os indivíduos
quando fazendo parte de uma sociedade deve aceitar suas regras, sob a pena de
sofrer o castigo por violá-las.

Emile Durkheim e o fato social

Os Fatos Sócias no meio social possuem algumas características básicas que
permitiu sua identificação na realidade:

1- Fatos Sociais são Exteriores porque consistem em ideias, normas ou regras de
conduta social que não são criadas isoladamente pelos indivíduos quando eles
nascem, ou seja, essas normas surgem na sociedade.

2- Fatos Sociais são Coercitivos: Porque essas normas e regras devem ser seguidas
pelos membros da sociedade. Normalmente as pessoas não percebem que estão
sendo coagidas, pressionadas pela sociedade. Se alguém não obedece às
normas, é punido de alguma maneira, pelo grupo social.
Os Fatos Sociais podem condicionar a ação humana de variadas formas,
que vão do castigo puro e simples (no caso de um crime, por exemplo) a um
simples mal-entendido (no caso do uso incorreto da linguagem). É social todo o
fato que é geral, que se repete na maioria dos indivíduos.

3- Fato Social Generalidade: o fato social “é geral no conjunto de uma dada
sociedade, tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das
manifestações individuais”. Como se vê, o fato social deve ser comum a todos os
membros do grupo e, sendo coletivos, só atua quando assimilado pelos indivíduos
como modos de convívio, idéias e sentimentos tidos indiscutivelmente como
normais.
A maioria das pessoas se conforma com as normas do grupo, adaptando-se bem
aos limites da conduta social permitida. Agem de acordo com as regras sócias,
uma vez que exercem papéis correspondentes e compatíveis. Têm noções claras
de valores e das normas a elas relacionadas, temem a punição e precisam da
aceitação e estima social; preferem não sofrer culpa ou vergonha de romper com
condutas previstas normas. (Carmo, 2007)
Diferentemente de Marx, que vê a contradição e o conflito como elementos
essenciais da sociedade, Durkheim coloca a ênfase na coesão, integração e
manutenção da sociedade. Para ele, o conflito existe basicamente pela anomia,
isto é, pela ausência ou insuficiência da normatização das relações sociais, ou por
falta de instituições que regulamentem essas relações. Ele considera o processo
de socialização um fato social amplo, que dissemina as normas e valores gerais da
sociedade – fundamentais para a socialização das crianças – e assegura a difusão
de ideias que formam um conjunto homogêneo, fazendo com que a comunidade
permaneça integrada e se perpetue no tempo.

Os fatos sociais são objeto de estudo da sociologia, segundo Durkheim. Os fenômenos que
o autor denomina fatos sociais são: “toda maneira de agir ou pensar fixo ou não, capaz de
exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior, apresentado uma existência própria
independente das manifestações individuais que possa ter”. (Durkheim, 1991:1).
Essa maneira de agir e pensar são, além de externas, capazes, pelo seu poder
coercitivo, de obrigar um indivíduo a adotar um comportamento qualquer. A coerção pode
se manifestar direta ou indiretamente.
É direta, por exemplo, quando o professor estabelece seus critérios de avaliação,
aos quais o aluno é coagido a se adaptar para se sair bem na prova. Mas é indireta quando
um empresário passa a utilizar computadores para administrar os seus negócios, pois ele faz
isso pressionado pela concorrência, embora não exista nenhuma lei que o obrigue
explicitamente.
A coerção pode também ser formal ou informal. É formal, como o próprio nome já diz,
quando a obrigação e a punição pela transgressão estão estabelecidas formalmente. O
Código Penal, por exemplo, apresenta um grande número coerções formais para diversos
atos predefinidos.
É informal quando é exercida espontaneamente pelas pessoas no seu dia a dia.
Quando, por exemplo, uma pessoa chama a atenção de outra por “furar” uma fila.
Finalmente, a coerção pode estar oculta. A pessoa que cumpre de bom grado e com
satisfação as suas obrigações sociais não sente o peso da coerção sobre o seu
comportamento. Uma pessoa que gosta de sua profissão, por exemplo, geralmente cumpre
seus deveres com prazer, sem a necessidade de imposições. Mas a coerção nunca deixa de
existir. Está sempre à espreita.
Fatos sociais podem ser denominados fixos ou não-fixos, quando se diz que são
fatos sociais fixos ou não-fixos significa que podem se apresentar de suas maneiras
diferentes: como maneira de agir ou como maneira de ser.
As maneiras de agir são formas de agir e pensar coletivas, que determinam o
comportamento dos indivíduos, que os obrigam a agir de uma determinada forma, mas não
têm uma longa duração no tempo, ou seja, são efêmeras e instáveis.
Um linchamento seria um bom exemplo desse tipo de fenômeno, se
considerarmos que, na maioria das vezes, os participantes, individualmente, não seriam
capazes de praticar tal ato. É o grupo, a coletividade, pela sua capacidade de coerção, que os
leva a agir de uma determinada maneira em um dado momento.
As maneiras de ser também são fenômenos de ordem coletiva que determinam o
comportamento dos indivíduos, mas nesse caso há uma durabilidade no tempo, uma
permanência ou estabilidade. Um sistema religioso ou econômico estabelecido pode ser um
bom exemplo desse tipo de fato social. Os dogmas de uma religião, que não foram criados
por nenhum dos fiéis, se impõem de maneira estável e contínua no tempo, coagindo as
pessoas a os aceitarem.
Há uma relação importante entre esse dois tipos de fenômenos. Muitas vezes um
movimento social se inicia como maneira de agir e pode vir a se fixar e estabelecer (se
institucionalizar) e daí se tornar uma maneira de ser.
Por exemplo, um movimento religioso de caráter momentâneo (um grupo de
pessoa que se reúne para ouvir um líder carismático, por exemplo) pode ver a se estabelecer
como uma nova religião organizada, estável e permanente.
Durkheim aponta que uma das principais funções da religião é a sua dimensão
coletiva. No culto religioso, a função manifesta (intencional) do fiel é dar graças a Deus; já
a função latente é reforçar os laços entre os fiéis, ou seja, estreitar as relações sociais entre
os indiví