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CURSO DE HISTÓRIA





FRANCISCO JOSÉ ROCHA





A INTENTONA COMUNISTA DE 1935:
os desdobramentos do levante comunista em Natal/RN







NATAL/RN
2014
UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP
PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA DO BRASIL
ESCOLA DE EDUCAÇÃO
2

FRANCISCO JOSÉ ROCHA






A INTENTONA COMUNISTA DE 1935:
os desdobramentos do levante comunista em Natal/RN




Artigo apresentado à Universidade Potiguar –
UnP, como requisito obrigatório para
conclusão do Curso de Especialização em
História do Brasil, oferecido pela
Universidade Potiguar – UNP.
ORIENTADOR: Profº. Me. José
Evangilmárison Lopes Leite.



NATAL/RN
2014.

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SUMÁRIO

I NTRODUÇÃO 0 3
I - CONSIDERAÇÕES ACERCA DO PENSAMENTO COMUNISTA 04
II - CONJUNTURA POLÍTICA INTERNACIONAL E BRASILEIRA DOS ANOS DE 1920-
1930 05

II. 1 - FORMAÇÃO DA ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA (ANL) 06
II.2 – GETÚLIO VARGAS E A DOUTRINA ITALIANA DIREITISTA 07
III – A INTENTONA COMUNISTA DE 1935 NO BRASIL 08
IV – A INTENTONA COMUNISTA DE 1935 EM NATAL: CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS 10
IV.1 – CONJUNTURA POLÍTICA DO RIO GRANDE DO NORTE EM 1935 10
IV.2 – ECLOSÃO DA INTENTONA COMUNISTA DE 1935 EM NATAL 11
IV.3–UMA REFLEXÃO ACERCA DO LEVANTE COMUNISTA DE NATAL EM 1935 14
V – CONSIDERAÇÕES FINAIS 16
REFERÊNCIAS 17
ANEXOS




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INTRODUÇÃO

Na contemporaneidade, discute-se em demasia, ainda, acerca do fenômeno da
intentona comunista de 1935 em seus múltiplos aspectos. Isso porque tal conjuntura histórica
e institucional favoreceu a emergência de diversos movimentos políticos e sociais, consoante
Costa (1995) e Fausto (1999).
E tendo como referência a ciência histórica, o historiador pode reconstruir de maneira
crítica os fenômenos ocorridos no passado, para compreensão das conjunturas pretéritas,
atuais e vindouras.
Na conjuntura econômico-institucional das primeiras décadas do século XX, havia
uma tensão entre duas forças antagônicas entre si, o comunismo e o fascismo. E, portanto, os
ideais de Estado forte se disseminavam pelo mundo, bem como a concepção de
burocratização da máquina administrativa por meio de um escalonamento rígido de
hierarquia.
Com efeito, na tentativa de despir o Estado da hegemonia nazifascista, a intentona
comunista de 1935, tentou implantar o regime comunista nos mesmos moldes do que havia
sido implantado em Moscou na Rússia, conforme se observa na bibliografia referente à
temática.
Esse movimento teve como pilar intelectual Luís Carlos Prestes, o qual era filiado ao
Partido Comunista Brasileiro e, sobretudo, ligado à perspectiva da formação da Aliança
Nacional Libertadora.
Em contrapartida, o anticomunismo se consolidou, sobretudo, após o fracasso da
intentona de 1935 quando a opinião conservadora passou a desconsiderar toda e qualquer
espécie de comunismo ou ideais do leste-europeu.
Para se compreender o processo de formação da intentona comunista, mister é fazer
uma apanhado histórico acerca da conjuntura anterior, a qual foi a mola propulsora, que
demonstrou lidimamente a insatisfação popular e o terreno fértil para a disseminação dos
ideais norte-europeus no Brasil e a eclosão de pensamentos antagônicos.
Ao considerarmos o contexto histórico do final do século XIX e início do século XX
no Brasil, observamos que no período da nossa história denominado de República Velha
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(1889-1930), materializou-se uma perspectiva de insurgência social, pois as classes menos
abastadas iam de encontro ao poder estabelecido para angariar seus anseios singulares.
Essa tomada de consciência, por meio das camadas populares no Brasil, foi um
processo gradual e violento, citando-se, por exemplo, Guerra de Canudos em 1897, Guerra do
Contestado e a Revolta da Vacina em 1904, nos quais há provas claras de uma insatisfação
popular contra o poder vigente.
Essa ordem vigente era oriunda do poder colonial, vinculado a uma perspectiva
autocrática e exclusivista, que se traduzia no paradigma dos coronéis.
Em contrapartida, o operariado urbano, no Brasil, que era inexpressivo na República
Velha foi paulatinamente se politizando sob as promessas dos ideais anarco-sindicalistas,
trazidos pelos imigrantes italianos. Citamos, por exemplo, os movimentos militares (revoltas
tenentistas) ocorridos nos idos de 1920. Destacou-se, nesse processo de luta no cenário urbano
Carlos Prestes, tentando transformar a ordem pré-estabelecida, principalmente o Estado de
São Paulo em 1924.
Com efeito, em referência a intentona comunista em novembro de 1935, sua origem
remonta a ilegalidade posta ao Partido Comunista pelo governo de Getúlio Vargas. Os
comunistas se uniram e formaram a Aliança Nacional Libertadora (ANL), liderada por
Prestes, com o intuito de derrubar o Governo Vargas e, por conseguinte, implementar
profundas transformações políticas, sociais e econômicas no país, por meio de um ideal
comunista.
Nessa perspectiva, a Aliança Nacional Libertadora (ANL) organiza a revolta, a qual
teria que ocorrer simultaneamente em todos os quartéis militares do Brasil. Todavia, apenas
ocorre em três, quais sejam: Natal/RN, Recife/PE e Rio de Janeiro/RJ.
Por conseguinte, Getúlio Vargas, por meio de seu poderio militar, derruba rapidamente
a rebelião, que não conta com adesão popular e militar e que logo cerceia a liberdade de
Prestes.
Portanto, o presente artigo tem o objetivo geral de empreender uma investigação
acerca da intentona comunista de 1935, sobretudo os seus desdobramentos na capital potiguar,
Natal/RN, a partir do que fora divulgado sobre aquele movimento no Jornal “A Ordem”.

I - CONSIDERAÇÕES ACERCA DO PENSAMENTO COMUNISTA

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Para pesquisar acerca da insurreição comunista de 1935, especialmente com sede em
Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, faremos inicialmente algumas reflexões acerca das
bases referentes ao pensamento comunista.
Nessa perspectiva, o pensamento comunista tem sua origem em uma espécie de
folheto intitulado “Manifesto do Partido Comunista” de autoria de Karl Marx e Friedrich
Engels, no qual instrumentalizou a compreensão do mundo burguês e trouxe à tona uma
interpretação e explicação da política daquela época adequada à situação dos proletários.
Igualmente, aqueles autores trataram de estabelecer que o comunismo não é um estado de
coisas que deve ser estabelecido. É um movimento dialético que supera o atual estado de
coisas.
De acordo com Marx e Engels (1999) o comunismo é uma ideologia política e
econômica que tem o intuito de promover uma sociedade com classes sociais em igualdade,
especialmente, na propriedade comum, bem como a apropriação dos meios de produção, em
contraposição a ideologia de mercado.
Dessa forma, Marx e Engels (1999) justificavam que as causas das mazelas sociais
estavam na propriedade privada e sua acumulação. Por conseguinte, para ensejar a instalação
de um terreno propício ao comunismo, a propriedade deveria ser estatizada, sendo o Estado
administrado por um partido político que disseminaria as riquezas em igualdade a todos. Por
fim, o Estado seria abolido e logo depois entregue ao povo.

II - CONJUNTURA POLÍTICA INTERNACIONAL E BRASILEIRA DOS ANOS DE
1920-1930

Esse tópico tem como objeto de análise a conjuntura política internacional e brasileira,
relativamente aos anos de 1920 e 1930, porquanto se caracteriza como fio condutor de uma
perspectiva de formação ideológica, política e econômica que faz eclodir, especialmente, no
Brasil, diversos movimentos que passaram a ser denominados subversivos.
No plano internacional, segundo Fausto (1999) com o fim da Primeira Guerra Mundial
o contexto do pós-guerra foi decisivo para a construção de um plano ideológico que poderia
ser dimensionado em “ultra-direitismo” e “esquerdismo”. Os primeiros concernentes à Itália
facista e Alemanha nazista e o segundo com a Rússia comunista. Isso porque diversos países
ficaram devastados economicamente com a Guerra e, portanto, tais ideias disseminaram-se
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pelo mundo, ganhando uma aceitação popular das massas, na pretensão de que poderia
reestruturar os países devastados.
A quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929, contribuiu para agravar a crise
econômica mundial, assolando demasiadamente as economias dos países emergentes e
desenvolvidos, consoante explica Fausto (1999).
Nesse contexto, surge com o movimento operário a fundação do Partido Comunista
Brasileiro, em 1922, o qual organizou os trabalhadores frente à opressão capitalista, imbuindo
um sentimento de resistência e solidariedade por mais liberdade e direitos.
Surge também no cenário político, o movimento tenentista, que materializou a
presença de militares que não se conformaram com os rumos políticos do país nas mãos das
elites oligárquicas, e buscavam resgatar a moralidade e a ética pública, consoante o
pensamento de Fausto (1999). Desse modo, o tenentismo buscava alternativas políticas reais,
por meio da resolução dos problemas nacionais que estavam enraizados nas estruturas
econômicas, ideológicas e políticas do Brasil. E, como exemplos de movimentos tenentistas,
citamos: a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana em 1922; a Revolução de 1924 a Comuna
de Manaus de 1924 e a Coluna Prestes. Esta última teve como expoente Luiz Carlos Prestes,
“O Cavaleiro da Esperança”.
Do ponto de vista ideológico, em 1932 materializa-se, ainda, o integralismo, uma
doutrina/movimento integrante das elites urbanas e da juventude da época, a qual se vincula
com a doutrina fascista, haja vista o endeusamento de um Estado forte e centralizado, tendo
como vanguardista Plínio Salgado.
II. 1 - FORMAÇÃO DA ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA (ANL)
Nos anos de 1930-1935, afirma Fausto (1999) que os acontecimentos econômicos,
políticos e sociais proporcionaram a conjuntura histórica que projetou o governo Getúlio
Vargas. Nessa perspectiva, no primeiro ano do seu mandato, Vargas empreendeu varias
mudanças nas esferas institucionais da República Velha, instrumentalizando um novo modelo
de gestão estatal. Isto é, centralizou o poder e criou a figura do intervencionismo político,
econômico e social.
O mencionado historiador aponta que a oligarquia de São Paulo estava descontente
com o governo de Getúlio Vargas, e desejava o retorno a uma república constitucionalista,
culminando na luta pela Constituição e na “Revolução de 1932”.
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Em 1934 foi promulgada a Constituição Federal, sendo Getúlio Vargas eleito como
presidente do Brasil “democraticamente”. Nesse passo, os tenentes não logrando êxito em sua
política de transformações sociais romperam com suas aspirações e, portanto, divergiram em
seus interesses. Isto é, o movimento cindiu e os tenentes procuraram cada um, se alocar em
um movimento ideológico subjetivamente adequado em si.
É nessa perspectiva que emerge Aliança Nacional Libertadora (ANL), uma
organização de cunho político que tinha como alvo lutar em desfavor do imperialismo,
fascismo e latifúndio. Os tenentes de esquerda adentraram à ANL enquanto os de direita
entraram na AIB – Ação Integralista Brasileira. Dessa maneira, a ANL constitui-se de uma
organização de cunho nacionalista que lutava contra o imperialismo capitalista e buscava as
liberdades civis e, sobretudo, da classe trabalhadora, tendo em vista as precárias condições de
labor. Nesse sentido,
A criação da ANL representou a culminância desse processo de aglutinação
de grupos, setores, organizações e personalidades decepcionadas com o
rumo tomado pela Revolução de 1930, desiludidos de Vargas e do seu
Governo. Ao mesmo tempo, para que essa unidade fosse alcançada, o nome,
o prestígio, a liderança de Luiz Carlos Prestes mostraram-se essenciais. Sem
o Cavaleiro da Esperança e tudo o que ele representava no Brasil, naquele
momento, a ANL dificilmente teria existido. Naquele ano de 1935, a figura
de Prestes viria a desempenhar um papel histórico determinado e necessário
– congregar em torno da ANL grande parte dos setores da nação insatisfeitos
de uma maneira geral com o Governo Vargas e o processo como haviam
sido conduzidos os trabalhos da Constituinte e a eleição do presidente da
República, mas também com a dominação imperialista do país e a força do
latifundiário, com o avanço do integralismo e as medidas antidemocráticas
adotadas pelo Governo, como a Lei de Segurança Nacional (LEOCÁDIA
PRESTES, 2005, p. 05-07).

Portanto não há dúvidas que a Aliança Nacional Libertadora (ANL) influenciou
determinados segmentos sociais, a saber: estudantes, operários, militares e intelectuais, com o
propósito de garantir apoio dessas camadas, pois seu programa reformista, não tinha caráter
revolucionário, mas constituía uma frente contra o Integralismo fascista de Plínio Salgado.
II.2 - GETÚLIO VARGAS E A DOUTRINA ITALIANA DIREITISTA

Consideramos pertinentes as discussões acerca das perspectivas ideológicas do
período do governo do ex-presidente Getúlio Vargas que se relacionam com a temática
proposta nesse trabalho, sobretudo no que concerne aos seus aspectos aproximativos à política
fascista italiana. Dessa forma, podemos afirmar que nos anos 1930, Getúlio Vargas
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passou a atuar como único chefe da nação e, em nome de um projeto que
julgava ser o melhor para o país, fechou o congresso, reprimiu as liberdades
públicas, isolou os descontentes, perseguiu inimigos, cooptou possíveis
opositores, impôs-se como chefe de Estado e projetou-se como líder popular,
como populista e como estadista (D’ARAUJO, 1997, p. 10).


Conforme pode-se dessumir dos compêndios de História, à época do retromencionado
presidente havia duas forças ideológicas, bem delineadas que entravam em choque, quais
sejam: o integralismo e o comunismo.
A historiografia brasileira aponta que Getúlio Vargas aproximou-se da ideologia
nacionalista e fascista, fruto de influência italiana de Benito Mussolini. Dessa forma, Getúlio
Vargas se identificou com esse projeto para se aproximar do povo, por meio do populismo e,
por outro lado, ser centralizador.
Por conseguinte, essa aproximação da política varguista baseada na política direitista
fascista que conduziam a Europa a um nacionalismo extremo, culmina, no Brasil, na
instituição do período de governo de Getúlio Vargas denominado Estado Novo (1937-1945).
A raiz do pensamento autoritário de Getúlio no Brasil está encravada na retórica
mística do nacionalismo, seduzidos pela propaganda e rituais do fascismo, uma vez que
Getúlio busca como forma de ascensão o apoio de massas.

III – A INTENTONA COMUNISTA DE 1935 NO BRASIL

De início, cumpre esclarecer que nesse tópico tratar-se-á acerca da Intentona
Comunista em linhas gerais e nos subtópicos especificaremos o tema até a sede potiguar, até
atingir o objetivo pretendido nesse trabalho.
Com efeito, a Intentona, a Revolta Vermelha de 1935, segundo Fausto (1999),
corresponde a uma insurgência militar ou tentativa de golpe contra o governo do então
presidente Getúlio Vargas, a qual foi orquestrada em 1935, nos idos de novembro, idealizada
pela Aliança Nacional Libertadora e pelo Partido Comunista Brasileiro.
Essa sublevação tem natureza político-militar, consoante a perspectiva do mencionado
historiador, uma vez que estava inserida no esquadro remanescente do tenentismo, cunhado
no Brasil na década de 1920.
Logo, as reivindicações eram pautadas à luz do comunismo, consoante a ideia de
ruptura com o modelo de oligarquias, imperialismo e autoritarismo, uma vez que sua pauta
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estava consubstanciada na libertação nacional dos grilhões do capitalismo selvagem, por meio
da reforma agrária, abolição da dívida externa e expropriação da propriedade burguesa
(PEREIRA, 2005). Nessa perspectiva, quem encabeçou o movimento foi o líder tenentista
Luís Carlos Prestes, capitão do Exército do Brasil junto com a articulação da Internacional
Comunista.
Nesse sentido, Prestes busca uma articulação com a Aliança Nacional Libertadora a
fim de permitir o apoio das massas e classe operária contra a burguesia, imperialismo e
fascismo. Logo,

No início de 1935, o Partido Comunista discute a formação de uma ampla
aliança pela libertação (nacional, incluindo operários, camponeses, a
pequena burguesia e setores da burguesia nacional que estivessem dispostas
a apoiar a luta antiimperialista). É uma modificação importante, na medida
em que até então o partido se caracterizava pelo sectarismo e,
consequentemente, pelo isolamento. [...] A formação, o crescimento e a
ilegalidade da ANL em julho de l935 são aspectos importantes para
compreender a insurreição de 1935. Em primeiro lugar se é possível afirmar
que ela surge sob influência do Partido Comunista, não se pode reduzir a ele
(COSTA, 1995, p.26).

Nesse sentido, a Intentona Comunista eclode em pontos díspares no Brasil, quais
sejam: em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Quanto à primeira cidade, ficará a cargo dos
próximos tópicos, todavia urge pincelar acerca do Recife e da cidade do Rio de Janeiro.
Quanto à cidade do Recife, o Comitê do Partido Comunista, se reuniu no final do dia
23 de novembro de 1935, sendo todos pegos de surpresa, devido a orquestração antecipada de
Natal.
Isso porque, o levante estava previsto, conforme Costa (1995), para fevereiro ou
março de 1936. Por conseguinte, deliberam a insurreição imediata no âmbito do quartel na
cidade, uma vez que no 21º Batalhão de Caçadores havia já sido deflagrada a intentona
(PEREIRA, 2005).
Nesse contexto, em 24 de novembro de 1935, dever-se-ia tomar a vila militar Floriano
Peixoto, no município de Jaboatão dos Guararapes, sendo certo que o Sargento Gregório
Bezerra deveria insurgir-se no quartel da 7ª Brigada Militar.
Por conseguinte, olvidaram-se de cortar as instalações telefônicas, de modo que
permitiu aos reacionários contatos com os militares dos Estados vizinhos e logo suprimiram a
sublevação, com a chegada das tropas da Paraíba e Alagoas.
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Em outro giro, quanto à cidade do Rio de Janeiro, também foi pego de surpresa pela
insurreição em Natal, bem como no Recife. Dessa forma, delibera com o Partido Comunista
para iniciar o movimento em 26 de novembro (PEREIRA, 2005).
No entanto, Prestes não contava com o fato de que Getúlio Vargas já havia tomado
ciência de todos os acontecimentos insurrecionais e tinha se acautelado no Rio de Janeiro,
conforme demonstra Café Filho:

A 26 de novembro de 1935, em sintonia com o levante de Natal, estourou a
luta armada no Recife, sob o comando de Silo Meireles. Nesse dia, à noite,
encontrei-me na Cinelândia com Mário Câmara, que estivera no Catete e me
disse:
-O governo espera para a madrugada uma revolução no Rio (CAFÉ FILHO,
1966, p. 81).

Dessa maneira, pode-se verificar que no dia 27 de novembro de 1935 os insurgentes
foram derrotados, tendo em vista que não conseguiram sair do quartel do 3º Regimento de
Infantaria, não obstante sua posse provisória.
Figura 01: Jornal “A Ordem” noticiando as prisões no Rio de Janeiro e Pernambuco

Fonte: Fotografia própria – Jornal “A Ordem”
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IV - A INTENTONA COMUNISTA DE 1935 EM NATAL: CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS
IV. 1 - CONJUNTURA POLÍTICA DO RIO GRANDE DO NORTE EM 1935
A política do Estado do Rio Grande do Norte, consoante os anos de 1935, estava
entremeada à intranquilidade das campanhas eleitorais do ano pretérito. Isso porque, houve
conflitos violentos envolvendo o interventor Mário Câmara, oficiais do 21º BC, políticos do
Partido Popular e seus correligionários.
De acordo com Suassuna e Mariz (2005), o governador à época foi Rafael Fernandes
Gurjão, após morosa batalha judicial que reconheceu sua eleição, tendo tomado posse em
outubro de 1935.
Consoante se depreende da literatura dos mencionados autores, havia uma tensão entre
a oposição partidária de Café Filho e Mário Câmara, inconformados com a vitória do Partido
Popular, por meio de provimento jurisdicional, no qual alçou Rafael Fernandes ao poder.
Com efeito, ao assumir o governo, Rafael Fernandes tratou de fortalecer o Partido
Popular e incendiou a política regional com a exoneração de funcionários ligados ao ex-
interventor, extinguindo a Guarda Civil composta por cafeístas, paralisação de obras ligadas à
antiga administração.
Dessa forma, no Estado do Rio Grande do Norte, não diferente do esquadro nacional,
havia duas frentes ideológicas formadas pelo Integralismo, nos quais se destacavam como
expoentes o folclorista Câmara Cascudo, o jurista Seabra Fagundes, o advogado Hélio
Galvão, o professor Otto de Brito Guerra e, pelo lado da Aliança Nacional Libertadora havia
pouco mais de 27 membros, contando com soldados de baixa patente e oficiais subalternos.
Dessa forma, esses militares viviam em uma conjuntura existencial precária, com
poucas condições de dignidade laboral e transferidos abruptamente. Portanto, estavam
indignados com a situação no âmbito do quartel e com as atividades políticas de seus
superiores (SUASSUNA, MARIZ, 2005).
Concomitante a isso, o clima de insatisfação gerado pela extinção da Guarda Civil
gerando o desemprego involuntário de 300 homens por perseguição política, pode, segundo a
historiografia local, ter gerado a insurgência comunista do mesmo ano no 21º BC.
Por conseguinte, a conjuntura política no Estado do Rio Grande do Norte em 1935 era
demasiado tensa, uma vez que se utilizou à época, o bloco de Café Filho, de uma violência
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generalizada para conter a extinção da Guarda Civil e, sobretudo, muitos chegaram a acreditar
que o levante comunista de 1935 foi apoiado por Mário Câmara, denotando o caráter de forte
oposição política que havia.

IV.2 - ECLOSÃO DA INTENTONA COMUNISTA DE 1935 EM NATAL

A década de 1930, especialmente nos idos de 1935 marca no processo histórico
brasileiro a sublevação comunista, por meio da luta armada, frente à ordem reacionária,
conforme aduz Suassuna e Mariz (2005, p. 209): “entusiasmados pela existência de uma falsa
conjuntura revolucionária e apoiados no prestigio e popularidade da organização denominada
Aliança Nacional Libertadora”. Isso ensejou uma semente para a materialização da ditadura
Vargas.
O fechamento da ANL estimulou a radicalização do movimento comunista diante do
governo mencionado, de modo que o partido ficou na ilegalidade. Assim, apregoou a ideia de
disseminar no âmbito dos quartéis as ideias comunistas em todo Brasil.
Logo, no Rio Grande do Norte, essa concepção instrumentalizou-se na unidade militar
do 21º BC, uma vez que, não obstante ínfimo e incipiente, a célula comunista era forte e
militante, responsável pelo levante.
Depreende-se da literatura de Suassuna e Mariz (2005) que em 1935 esse comando
militar recebeu uma visita de líderes comunistas, com o fito de enfileirar ideias, instrumentos
e estratégias para o levante, uma vez que fora indicado por Luis Carlos Prestes.
Nesse processo, fundou-se os Sindicato dos Estivadores em Natal e Salineiros em
Mossoró com empresa do Partido Comunista Brasileiro.
Essa articulação político-ideológica ensejou um pano de fundo propício para a
deflagração da insurgência comunista, uma vez que foi posto em andamento através da rede
nacional ANL-PCB e o comitê regional do Partido Comunista do Rio de Janeiro fazendo o
controle do movimento.
De acordo com Costa (1995), a apoteose ideológica do movimento baseava-se nos
princípios do manifesto de Prestes, de 5 de Julho, quais sejam: o governo popular,
democracia, antifascismo, liberdade civil, igualdade racial e religiosa, legislação social e
abrangente, salário igual para o trabalho igual, salário mínimo e seguro desemprego,
eliminação do poder feudal dos donos das terras.
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Dessa feita, o que teria motivado a Intentona Comunista, desse recorte histórico, foi a
determinação do General Manoel Rabelo, o qual administrava o 7º Comando Militar, de
desligar diversos militares do 21º BC imputados de insubordinação.
Aduz Costa (1995) que, uma semana antes já haviam sido desligados 28 militares e
temerosos de novas demissões, os mencionados funcionários (cabos, soldados e sargentos),
que faziam parte do Partido Comunista, resolveram começar a intentona imediatamente.
O mencionado autor sustenta que, o movimento era articulado para ocorrer em
sintonia em todo território nacional. Todavia, Natal precipitou-se, pegando o resto do país de
inopino, uma vez que contribuiu para seu fracasso.
Na literatura, há quem sustente que, o que realmente contribuiu para o fracasso da
Intentona Comunista fora a infiltração policial no desencontro das informações quanto à data
de eclosão do movimento dos militares insurretos.
De acordo com Costa (1995), a polícia estava infiltrada e já sabia que iria ocorrer o
levante, nos idos de fevereiro ou maio de 1936, sendo seu início determinado por telegrama
cifrado e remetido aos dirigentes de cada estado.
Acredita o autor que, um policial com características comunistas estava infiltrado e
teve contato com uma pessoa de nome “Santana” ou “Santa” que era um dos membros do
PCB que sabia a senha do telegrama.
Com efeito, aduz o historiador citado que, a polícia envia um falso telegrama, datado
do Rio de Janeiro, dando inicio ao movimento, que é feito com ausência de condições.
Portanto, diante dessas versões, a historiografia esbarra em uma série de discursos em que, até
Getúlio Vargas já sabia do movimento e teria precipitado para sua ascensão ditatorial ao
poder. Há outros discursos, porém, que afirmam:

Mas a revolução de 35 não foi feita em nome do comunismo ou do
socialismo [...] em Natal, todo o efetivo militar do 21º estava ligado a ANL,
aliado aos cafeístas, que estavam debaixo politicamente. A demissão de 300
guardas-civis pelo governador Rafael Fernandes foi o estopim da revolução.
É claro que o pessoal militar queria fazer a revolução, a exceções dos
oficiais. Por isso, eu sempre digo que a revolução de 35 foi uma revolução
de cabos (CORTEZ, 2005, p. 41).
1


Outrossim,


1
Disponível em: http://www.dhnet.org.br/memoria/1935/a_pdf/pereira_insurreicao_1935_rn.pdf
15

De fato os comunistas eram elementos mais esclarecidos. Possivelmente eles
apareceram para assumir a responsabilidade e darem uma direção ao
movimento que tinha cafeístas, maristas e outras tendências. Os cafeístas,
por exemplo, no governo de Rafael Fernandes, sofriam uma carga muito
pesada. Os elementos da Guarda Civil, criada por Café Filho, tinham sido
demitidos. Descontentes, esses elementos estavam nas ruas, passando
necessidades, e participaram do movimento. Coincidentemente, alguns
soldados do 21º BC foram desmobilizados, em virtude de ter terminado o
seu tempo de serviço. Esses soldados pretendiam continuar na caserna, mas
foram desempregados e ingressaram no movimento, apesar de não ter ideias
comunistas (CORTEZ, 2005, p.98).


Por conseguinte, a consequência da Intentona Comunista foi o fortalecimento do
regime ditatorial do Governo Vargas, uma vez que com isso, decretou o Estado de Sítio, a Lei
de Segurança Nacional, tendo em vista a oxigenação dos poderes do presidente, sobretudo
com o controle sobre os militares.
No mesmo sentido, suprimiram-se os movimentos de esquerda e seus líderes foram
encarcerados, inclusive o “Cavaleiro da Esperança”. Ademais, o Congresso Nacional,
malgrado composto pela burguesia, alinhou-se com Getúlio Vargas, diante da “ameaça
comunista”, de modo que cedeu espaço à centralização e concentração de poder para o
mencionado presidente.
Figura 02: Jornal “A Ordem” - o discurso de Getúlio Vargas

Fonte: Fotografia própria - Jornal “A Ordem”
Nesse sentido, Getúlio Vargas utiliza-se dessa perspectiva para incutir nas massas um
protecionismo social, com sua defesa da sociedade e das instituições democráticas.
16

Figura 03: Jornal “A Ordem” – referências sobre a rebelião comunista

Fonte: Fotografia própria - Jornal “A Ordem”
IV.3 - UMA REFLEXÃO ACERCA DO LEVANTE COMUNISTA DE NATAL EM 1935

O levante em Natal em 1935 teve sim uma participação de articulação política do
Partido Comunista em nível nacional. Todavia, urge esclarecer que substancialmente o que
desencadeou foi a situação local.
Isso porque, os motivos para a sucumbência e a vitória, mesmo que rápida, devem ser
levados a efeito por meio de uma perspectiva de conjugação da situação política do estado
naquele ínterim, com a acentuação das contradições no interior do poder, uma vez que a
ascensão do movimento operário e popular no estado foi expressa na organização sindical,
bem como consubstanciando no âmbito do 21º Batalhão de Caçadores.
Esse último elemento culminou na eclosão, tendo em vista o braço armado e,
sobretudo a insatisfação material e formal com as paupérrimas condições existenciais e
laborais de vida. Nesse batalhão há uma trajetória histórica de insubordinação e
desmobilização.
Essa concepção é corroborada, pois os batalhões da Paraíba e Recife eram munidos de
melhores condições de trabalho, enquanto que em Natal, não havia sequer munição e alvo
para os praças atirarem, o que favorecia o clima de insubordinação.
17

Em Natal, o 21º Batalhão de Caçadores, mormente na regência do governador Mário
Câmara, começam a participar da política ativamente, haja vista a assunção de uma posição
antagônica a dos adversários do interventor, adstrito ao partido popular.
Por conseguinte, o histórico de insubordinação do 21º BC era de indisciplina se
verificado todo o esquadro de experiência vivida nas documentações congêneres ao batalhão.
Mas, destaca-se, segundo Costa (1995) a figura de Otacílio Alves, o famigerado “Tenente
Histórico”, uma vez que tinha articulações políticas e ideológicas com Luís Carlos Prestes e
aquele veio a Natal diversas vezes com intento não sabido.
Em outro ângulo, destaque-se para a emergência de um documento enviado pelo
comandante da 7º Região Militar, Manuel Rabello, no qual chega ao 21º BC no dia 23 de
novembro de 1935. Esse documento consistia na baixa, demissão e exoneração de militares
que haviam sido envolvidos em episódios de assaltos em bondes, malgrado não identificado,
autorizava essa baixa. O que gerou inúmeras insatisfações.
Além disso, pode-se verificar que, a Intentona Comunista pode ser compreendida em
um plano mais global, visto por meio de uma perspectiva semiótica em nível nacional.
Isso porque, o fracasso do movimento pode ser imputado ao Partido Comunista em
Natal e do 21º BC e sua precipitação surpreendeu tanto o comitê regional como o central.
Ademais, outro aspecto que é imperioso destacar que um aspecto de grande relevância
que se desencadeou foi à repressão e opressão contra a “ameaça comunista”. A violência
generalizada se disseminou pelo Estado e, por conseguinte, com a supressão de direitos
fundamentais, a saber, o contraditório e a ampla defesa, o que consectariamente formou o
Estado Novo.
Destaque-se que, de acordo com Costa (1995), o levante do 21º Batalhão de Caçadores
foi montado e orquestrado pelo Partido Comunista e não pela Aliança Nacional Libertadora e,
porquanto seu êxito fugaz é reflexo da conjuntura política do Estado naquele ínterim. Isso
porque, o Rio Grande do Norte nos idos de 1930 a 1933 estava atrelado a uma política de
interventores, tendo em vista a nomeação por Getúlio Vargas com o golpe de 1930.
Com efeito, rompe-se com a quebra política das antigas oligarquias que detinham o
poder. Portando, com a aproximação das eleições e o acirramento entre os antagonismos
políticos, sobretudo, do Partido Popular, enseja um terreno fértil para a eclosão da insurgência
de 1935.

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V - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme observamos, a década de 1930 foi uma época marcada por intensos
movimentos insurgentes e ideológicos, os quais marcaram sua perspectiva histórica na
história do Brasil.
Com efeito, veja-se que, houve um entrechoque substancial entre forças políticas
ontologicamente diferentes, e isso dividiu a sociedade.
Dessa forma, as ideologias que disseminaram na Europa incidiram diretamente no
Brasil, de modo que ensejou uma articulação política entre o integralismo e o comunismo
liderado por Prestes.
Por conseguinte, refletindo acerca das causas e consequências da insurgência
comunista de 1935 em Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, percebe-se que foi
um encadeamento e confluência concomitante de causas políticas e ideológicas que
culminaram na sublevação.
No entanto, há quem sustente que a extinção da Guarda Civil não teria contribuído
significativamente para a eclosão da insurgência, segundo o Tribunal de Segurança Nacional,
tendo em vista que apenas onze foram presos e processados.
Urge colocar em relevo que Natal desarticulou todo o movimento, porquanto estava
previsto para fevereiro ou março de 1936 e, por conseguinte, se antecipou pegando todos de
surpresa colocando o plano insurreto em declínio.
Não obstante, a participação do Partido Comunista em nível nacional de sublevação, a
insurreição em Natal consubstanciou no aspecto político local, uma vez que conjugou fatores
conexos.
O 21º Batalhão de Caçadores com sua experiência de indisciplina, bem como seu
histórico de sublevação, aliado a insatisfação laboral dos militares em trabalhar e viver nas
condições de miserabilidade favoreceu o intento de desencadear esse movimento, que faz
parte da nossa história política.

REFERÊNCIAS


COSTA, Homero de Oliveira. A insurreição Comunista de 1935: Natal o primeiro ato da
tragédia. São Paulo: Ensaio; Rio Grande do Norte: Cooperativa Cultural Universitária do
RN, 1995.
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CORTEZ, Luiz Gonzaga. Pequena história do integralismo no RN. Natal, Fundação José
Augusto, 1986.

D’ARAÚJO, Maria Celina. A era Vargas. São Paulo: Moderna, 1997.

FAUSTO, Boris. História da Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, vol. 10.
1999.

JORNAL A ORDEM – Edições de dezembro de 1935.
MARIZ, Marlene da Silva; SUASSUNA, Luis Eduardo. História do Rio Grande do Norte.
Natal: Sebo Vermelho. 2005

MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes,
1999.

PANDOLFI, Dulce Chaves. Os anos de 1930: as incertezas do regime. In: FERREIRA, Jorge;
DELGADO, Lucilia de Almeida N. (Orgs). O Brasil republicano 2: o tempo no nacional-
estatismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

VIANNA, Marly G. de A. Revolucionários de 1935: sonho e realidade. São Paulo: Cia das
Letras, 1992.

























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RESUMO

Na contemporaneidade, discute-se em demasia, ainda, acerca do fenômeno da Intentona
Comunista de 1935 em seus múltiplos aspectos. Isso porque tal conjuntura histórica e
institucional favoreceu a emergência de diversos movimentos políticos e sociais. Nessa
perspectiva, o presente artigo abordará a Intentona Comunista de 1935 na cidade de Natal, no
Estado do Rio Grande do Norte, a qual foi impulsionada pelo movimento militar organizado
por Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”. O referido movimento, porém, naquela
conjuntura política, foi logo abafado pela ordem pré-estabelecida. Portanto, o presente artigo
tem o objetivo de empreender uma investigação acerca da Intentona Comunista de 1935,
sobretudo os seus desdobramentos na capital potiguar, Natal/RN, a partir do que fora
divulgado sobre aquele movimento no Jornal “A Ordem” sobre aquele movimento que faz
parte da história política do Rio Grande do Norte da primeira metade do século XX .


Palavras-chaves: Intentona. Comunismo. Natal.
















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ABSTRACT


this article will be lecturing about-communist uprising in 1935 in the city of Natal in Rio
Grande do Norte, which was driven by military coup organized by Luiz Carlos Prestes the
"Knight of Hope", a movement which was sprightly and consectariamente, was soon drowned
out by pre-established order. Therefore, this study carries out an understanding of this
historical phenomenon for the city Christmas considering that for three days the city
"became" communist military, moreover, states like Christmas triggered the disorganization
of the movement, as it acted precipitously in the uprising. Addresses also broadly about the
communist thinking, the approach of Getúlio Vargas to fascism and the Brazilian and North
Rio Grande environment in 1930 and 1935.
Keywords: Insurrection; communism; Natal city













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ANEXOS














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