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Balanço de Massa no Reator em Batelada Alimentada

A batelada alimentada é um tipo especial de processo em batelada em que o substrato
é alimentado constantemente durante o processo fermentativo, de forma a manter essa
concentração constante, ou aproximadamente constante, resultando num sistema com
volume variável. A batelada é um processo de muito sucesso, pois elimina a inibição
pelo substrato, resultando em altas produtividades, geralmente muito maiores que as
obtidas na batelada simples. Os balanços são muito similares à batelada simples, exceto
pelo fato de que existe uma alimentação e, portanto, o volume do reator é variável.
A forma matemática geral de balanço de massa para reatores em batelada alimentada
pode ser feita a partir da Equação 1. Assim temos:
Fluxo de ent.– fluxo de saída+ velocidade de reação cons. ou cresc.= acúmulo (1)
dt
CV d
V R FC FC
C S a
) (
= ÷ ÷ (2)
Sabe-se que na batelada alimentada o termo de saída é igual a zero; logo:
a C
FC VR
dt
CV d
+ =
) (
(3)
Para o balanço de massa de células não haverá os termos de entrada e saída, há,
portanto, somente crescimento e acúmulo; logo:
V R
dt
XV d
X
=
) (
(4)
Em que:
V= volume do reator num tempo t
R
X
= velocidade de crescimento do microrganismo
Sabendo que:
X
dt
dX
R
X
µ = = (5)
Substituindo a equação 5 na equação 4, obtemos:
XV
dt
XV d
µ =
) (
(6)
Integrando a equação 6 em função do tempo, em que XV no tempo zero é igual a (XV)
0

e, considerando S constante e que µ será constante temos:
t
e XV XV
µ
0
) ( = (7)
Para o balanço de massa de substrato haverá os termos entrada, consumo de substrato
e acúmulo; logo:
V R FS
dt
SV d
S a
÷ =
) (
(8)
Em que:
S
a
– concentração do substrato na alimentação
R
S –
velocidade de consumo de substrato
Sabe-se que:
S X
X
S
Y
R
R
/
= (9)
Se existir formação de produto, a forma mais simples de se calcular sua concentração
final é através do balanço de massa total, tanto de substrato quanto de produto, e o
coeficiente de conversão de substrato em produto é dado por:
conv
ba
S P
S
P P
Y
0
/
÷
= (10)
Em que:
P
0
– massa inicial de produto
P
ba
– massa fina de produto da batelada alimentada
S
conv
– massa de substrato convertida
Y
P/S
– fator de conversão de substrato em produto
Sendo,
res add conv
S S S S ÷ + = ) (
0
(11)
Em que:
S
add
– massa de substrato adicionado
S
0
– massa de substrato inicial
S
res
– massa de substrato residual
É importante salientar que quanto trabalhamos com batelada alimentada, alimentamos o
reator com um concentração conhecida de substrato até atingir o volume total do
fermentador; nesse momento a alimentação é cortada e a fermentação torna-se batelada
simples, até que o substrato seja esgotado.
Reator tipo CSTR
O reator CSTR (Continuous Stirred-Tank Reactor ou Reator Contínuo Tipo Tanque
com Agitação), é muito usado em processos industriais. Se este reator tem agitação
eficiente, assume-se que não existem variações espaciais de concentração, temperatura e
taxa da reação em seu interior, sendo considerado, assim, um reator ideal. Uma vez que
a temperatura e as concentrações dos vários componentes são idênticas em qualquer
ponto dentro do reator, elas também serão as mesmas no fluxo de saída, isto é, a
composição do efluente é igual àquela do conteúdo remanescente no tanque.
Os reatores contínuos de mistura ideal são chamados usualmente de quimiostatos. O
nome “quimiostato” deriva das propriedades químicas do ambiente que são constantes
quando o sistema funciona em regime permanente. No quimiostato o volume de
suspensão celular será constante se mantidos iguais e constantes as vazões de entrada e
saída, o tempo de residência médio será constante e atinge-se o estado estacionário por
autoajuste da densidade celular.
O reator CSTR é alimentado continuamente e, ao mesmo tempo, um volume igual do
conteúdo é descarregado para mantes um volume constante em seu interior.
O balanço de massa de um componente de um sistema contínuo, com alimentação e
descarga, pode ser descrito como:
entrada– saída± geração ou consumo = acúmulo ou variação
Para um reator CSTR, o balanço de massa pode ser feita a partir da equação 1. Assim
temos para o balanço de células:
dt
dX
V VR FX X F
X
= + ÷
0 0
(12)
De acordo com a equação 12, r
x
=dX/dt, quando F=0, o que ocorre no reator operando
em batelada, ou seja, sem fluxos de entrada e de saída.
Sabemos que R
X
=µX, que V é constante, portanto:
X X
V
F
X
V
F
dt
dX
µ + ÷ =
0
(13)
Usualmente a alimentação é feita com meio estéril, portanto X
0
= 0, o que nos dá:
V
F
dt
dX
X
÷ = µ
1
(14)
Em regime permanente, o acúmulo é zero, portanto: 0 =
dt
dX
, logo:
V
F
= µ (15)
Chamando F/V de taxa de diluição D, que é o inverso do tempo de residência τ, temos:
t
µ
1
= = D (16)
Portanto, em regime estacionário, a taxa específica de crescimento será igual à taxa de
diluição D.
O tempo de residência, τ, é a razão entre o volume do reator e o fluxo, V/F. O recíproco
do tempo de residência, 1/τ =F/V, é definido como taxa de diluição do reator, D. A taxa
de diluição, D=F/V, é um parâmetro muito utilizado principalmente em reatores
biológicos.
Para o balanço de massa de substrato, temos:
dt
dS
V V R FS FS
S
= ÷ ÷
0
(17)
Em que:
S
0
= concentração de substrato inicial
Sabemos que
S X
X
S
Y
R
R
/
= , que V é constante e que o reator opera em regime
estacionário , 0 =
dt
dS
logo:
0
1
/
0
= ÷ ÷ X
Y
S
V
F
S
V
F
S X
µ (18)
Substituindo F/V pela taxa de diluição D:
S X
Y
X
S S D
/
0
) (
µ
= ÷ (19)
Como µ=D em regime estacionário, ou seja, a taxa específica de crescimento (µ) é igual
a taxa de diluição (D), logo:
) (
0 /
S S Y X
S X
÷ = (20)
É importante considerar que:
Y
X/S
independe de µ e D ( o que nem sempre é verdadeiro)
X independe de todos os nutrientes, exceto o limitante
Y
X/S
é afetado somente pelo tipo de substrato
Caso exista formação de produto, a concentração de produto final é dada pela equação:
) (
0 / 0
S S Y P P
S P
÷ + = (21)
O reator CSTR é muito usado em processos químicos e bioquímicos industriais. A
operação contínua pode aumentar de forma significativa a produtividade do reator
CSTR, devido à eliminação dos tempos de carga e de descarga. Além disso, a
possibilidade de automação do processo reduz custos de mão-de-obra. Outra vantagem
do reator tipo CSTR é o controle relativamente fácil da temperatura.
Desvantagens do processo contínuo: maior investimento inicial na planta; possibilidade
de ocorrência de mutações genéticas espontâneas predominantes; maior possibilidade de
ocorrência de contaminações; dificuldade de operação do estado estacionário.
Reator tipo PFR
O reator PFR (Plug Flow Reactor ou Reator de Fluxo Tubular) é aquele no qual os
elementos da mistura de reação se movem através de um tubo paralelamente ao seu eixo
axial.
Em um reator PFR o reagente (ou substrato) entra por uma extremidade de um tubo
cilíndrico e o produto formado deixa o reator pela outra extremidade, ou seja, há fluxos
contínuos de alimentação e de descarga, como no reator CSTR.
No reator PFR, a reação acontece principalmente na direção longitudinal do tubo. Este
reator é considerado ideal quando se assume que não existe variação nas concentrações
dos componentes no sentido radial e que não existe mistura no sentido longitudinal.
Durante o início da operação, caracterizado como regime transiente, as concentrações
dos componentes do sistema mudam como tempo e com a posição longitudinal do
reator. Após algum tempo de operação, o sistema atinge o regime permanente, quando
as concentrações dos componentes serão constantes em relação à posição do reator e ao
tempo de operação.
Como a composição do fluido varia de ponto a ponto ao longo do reator PFR, o balanço
de massa para um componente da reação deve ser feito utilizando-se um elemento
diferencial de volume, dV. Então, para o regente A, este balanço é:
( ) | |
dt
dA
V dV r dA A F A F
A
= + + ÷ ) ( (22)
em que F é o fluxo, V é o volume do conteúdo do reator, r
A
é a taxa de consumo do
reagente A, dA é a variação de A no volume de controle, dV, e dA/dt é a variação da
concentração de reagente no reator.
Rearranjando a equação 22:
dt
dA
V dV r FdA A F A F
A
= + ÷ ÷ ) ( ) ( (23)
dt
dA
V dV r FdA
A
= + ÷ (24)
Quando o reator atinge o regime permanente não existirá variação na concentração de A
na descarga, isto é: dA/dt=0. Então a equação 18 torna-se:
0 = + ÷ dV r FdA
A
(25)
} }
÷
÷ =
A
A A
V
r
dA
F
dV
0
0
(26)
}
÷
÷ = =
A
A A
r
dA
F
V
0
t (27)
em que τ é o tempo de residência, que para um reator PFR também pode ser calculado a
partir de um gráfico de -1/r
A
versus (A).
O reator PFR é relativamente fácil de manipular, pois não existem partes móveis, e
normalmente tem a mais alta conversão por unidade de volume, comparado a qualquer
reator de fluxo contínuo. A desvantagem deste reator é a dificuldade de controlar a
temperatura em seu interior, podendo surgir pontos mais aquecidos na mistura reagente
quando a reação é exotérmica.
Reatores CSTR em série

Muitas vezes reatores são conectados em série, de forma que o fluxo de saída de um é o
fluxo de alimentação do outro. Vários reatores ideais do tipo CSTR podem ser operados
em série. Os reatores em série apresentam vantagens em relação aos reatores unitários
por possibilitarem maiores conversões e produtividade, principalmente quando há
produção de compostos tóxicos, como etanol, por exemplo.
O tempo de residência total,
total
t , é a soma de τ para cada reator, o qual pode ser
calculado a partir da equação 15:
| |
1
1 0
1
) ( ) (
A
r
A A
÷
÷
= t (28)

| |
2
2 1
2
) ( ) (
A
r
A A
÷
÷
= t (29)
| |
3
3 2
3
) ( ) (
A
r
A A
÷
÷
= t (30)
Sendo r
A1
, r
A2
, e r
A3
as taxas da reação correspondentes às concentrações (A
1
), (A
2
) e
(A
3
), respectivamente.
Se os volumes dos reatores são iguais, então os tempos de residência serão também
iguais. Considerando que a reação de degradação de (A) é de primeira ordem,
) (A k r
A
÷ = , é possível concluir que:
n
n
k
A
A
) 1 (
) (
) (
0
t +
= (31)
em que n é o número de reatores de volumes iguais ligados em série.
Balanço de massa no primeiro reator
O balanço de massa (tanto o balanço de células como o balanço de substratos e o de
produto) no primeiro reator será exatamente igual ao de um quimiostato, se a
alimentação for estéril, ou seja, X
0
=0. Se todos os volumes forem iguais, temos que D
1
=
D
2
=...= D
n
=D.
Balanço de massa no segundo reator
No balanço de células do segundo reator temos:
dt
dX
V V R FX FX
X
= + ÷
2 1
(32)
Em que: F- vazão de alimentação; X
1
- concentração celular inicial do segundo reator;
X
2
- concentração celular final do segundo reator.
Sabemos que
2 2
X R
X
µ = , e que V é constante, portanto:
2 2 1
X X
V
F
X
V
F
dt
dX
µ + ÷ = (33)
Substituindo F/V pela taxa de diluição D e considerando estado estacionário dX/dt=0 e
isolando µ
2
temos:
2
1 2
2
X
X X
D
÷
= µ (34)
Generalizando as equações podemos escrever:
Para a concentração celular:
n
n n
n
X
X X
D
1 ÷
÷
= µ (35)
Em que n é o número de reatores totais.
Para a concentração do substrato:
n n
S X
n n
X
Y D
S S µ
/
1
1 1
÷ =
÷
(36)
Para a concentração do produto:
) (
1 / 1 n n S P n n
S S Y P P ÷ + =
÷ ÷
(37)
Balanço de massa no reator contínuo com reciclo de células
Sistemas com reciclo de células são muito comuns na indústria de fermentação. A
principal função do reciclo de células é aumentar a concentração celular no interior do
fermentador, tendo como consequência o aumento da velocidade de conversão do
substrato. O tratamento matemático leva em consideração, inicialmente, um balanço de
massa na junção do fluxo de alimentação com o do reciclo, para se obter os valores de
fluxo e concentrações na entrada do reator. Deve-se ter em conta também a eficiência da
centrífuga e o valor da taxa de reciclo.
Balanço de Massa na Junção
' ' µ µ µ F F F
r r a
= + (38)
Em que: F – vazão de alimentação; F
r
– vazão de reciclo; F’ – vazão após a junção;
ρ
a
– densidade do fluido de alimentação; ρ
r
– densidade do fluido de reciclo;
ρ’ – densidade do fluido depois da junção
Para simplificar, consideramos as densidades dos diferentes fluxos iguais, de forma que
teremos:
' F F F
r
= + (39)
Levando em consideração que a taxa de reciclo (α) é dada pela equação 40:
F
F
r
= o (40)
Logo:
) 1 ( ' o + = F F (41)

Balanço de Células na Junção
'
0 0
' X F FX X F
r r
= + (42)
Em que:
X
r
– concentração celular no reciclo; X
0
– concentração celular na alimentação;
'
0
X - concentração celular após a junção
Se a alimentação for estéril (X
0
=0) então:
r
X X
o
o
+
=
1
'
0
(43)
Balanço de Substrato na Junção
'
0 0
' S F FS S F
r r
= + (44)
Em que:
S
0
– concentração de substrato na alimentação; S
r
– concentração de substrato no
reciclo;
'
0
S - concentração de substrato após a junção
Substituindo a equação 40 na equação 44 e isolando a concentração de substrato após a
junção temos:
) 1 (
0 '
0
o
o
+
+
=
F
FS FS
S
r
(45)
Simplificando:
) 1 (
0 '
0
o
o
+
+
=
S S
S (46)
Se a conversão do substrato é total temos S~0, então:
) 1 (
0 '
0
o
o
+
+
=
S
S (47)
Balanço de Produto na Junção:
'
0 0
' P F FP P F
r r
= + (48)
Em que:
P
0
– concentração de produto na alimentação; P
r
– concentração de produto no reciclo;
'
0
P - concentração de produto após a junção
Considerando P
0
=0 e P
r
~P e por analogia ao balanço de substrato, temos:
P P
o
o
+
=
1
'
0
(49)