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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE SAÚDE E TECNOLOGIA RURAL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
MESTRADO EM CIÊNCIAS FLORESTAIS

METODOLOGIA DA PESQUISA
PROF.ª NAELZA WANDERLEY




RESENHA CRÍTICA DA OBRA:
UM DISCURSO SOBRE AS CIÊNCIAS


ROBSON VICTOR TAVARES










PATOS-PB
2014
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 5. ed. São Paulo:
Cortez, 2008.

Boaventura de Sousa Santos é um cientista social com formação em direito,
doutorado pela Universidade de Yale e professor da Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra. Desenvolve importantes trabalhos na área de
epistemologia e sociologia do direito, inclusive no Brasil.

A primeira reflexão a se fazer consiste na relação entre a ciência e a virtude,
já que se vive uma transição e a complexidade do conhecimento traduz-se em
ambiguidade, a velocidade com que o saber evolui exige essa reflexão. O
delineamento das pesquisas em ciência segue o mesmo esboço desde a revolução
científica do século XVI. Dada à importância dos grandes pensadores da época, os
grandes responsáveis pela expansão do conhecimento, as regras ditadas na idade
média e regidas pelo positivismo norteiam o desenvolvimento do pensamento
científico desde então. Nesse sentido induz uma ruptura entre as ciências naturais e
as ciências sociais ao supervalorizar a quantificação dos fatores em detrimento das
especificidades dos objetos, que sob esse ponto de vista não detêm nenhum valor.
A racionalidade inerente ao método científico o torna totalitário já que renega
as formas de conhecimento que não seguem suas regras, não por vaidade, mas por
tratarem de temais impossíveis de quantificar. Ideias pautadas na observação e
experimentação fazem da matemática um instrumento que ocupa lugar central na
ciência moderna com sua lógica de investigação faz de todo conhecimento algo
quantificável e descarta as características de cada ser. Partindo do pressuposto da
complexidade do mundo não pode ser totalmente compreendida exige-se uma
compartimentalização e estabelecimento de relações para sua melhor compreensão.
A ciência moderna desenvolve pesquisas com o intuito de conhecer o
funcionamento dos sistemas e não de sua finalidade, privilegiada pelo fato de o
primeiro ser quantificável a ponto de ser entendido e o último transcender a lógica
matemática. Essa tentativa de reduzir a complexidade peca com as ciências sociais
pelo simples fato da não aplicabilidade dos conceitos de ciência moderna. Daí surge
uma crise até existencial do modelo científico, já que o mecanicismo intrínseco não é
suficiente para a compreensão das sociedades, por exemplo, e volta os olhares para
suas próprias fragilidades. Em detrimento do paradigma dominante, e permeado por
muitos questionamentos, surge a necessidade de um conhecimento científico capaz
de responder perguntas simples, que nem sempre tem respostas fáceis, e
conduzem a vida por um caminho decente.
A partir de então se desfaz a ruptura entre as ciências naturais e as sociais já
que o homem é, ao mesmo tempo, autor e sujeito do mundo, desse modo o
conhecimento está interligado e é interdependente. A excessiva parcelização do
conhecimento tende à imbecilização científica do ponto de vista da posição do
homem no mundo, já que reduz seu campo de atuação. Mesmo assim o
conhecimento que se produz a partir de questões básicas do cotidiano podem
extrapolar esses limites e ganhar aplicabilidade em sistemas universais, globalizar-
se. Isso permite ao homem estudar a si mesmo, por exemplo, e com isso encontrar
soluções para o que parecia elementar, mas até então carecia de resposta. E se
essas perguntas nunca forem feitas serão eternamente desconhecidas e cada uma
delas será uma informação a menos sobre a natureza humana.
O texto apresenta uma profunda discussão filosófica sobre as ciências. A
relevância dos grandes pensadores e suas obras fundamentam o debate e
apresentam diversos questionamentos. O fato de se discutir virtude em ciência volta
os olhares para a relação do homem com o conhecimento e as transformações
realizadas a partir de então, é necessário, porém dificílimo, conceber a ideia de
desenvolvimento científico e sua significância, seu real valor.
As ciências não podem se distanciar, pelo contrário precisam se aproximar,
pois todo conhecimento fornece subsídios, em maior ou menor grau, para o
desenvolvimento de outro. Foi Francis Bacon quem disse que “o homem pode tanto
quanto sabe” e desse ponto de vista não há motivos para querer se distanciar do
conhecimento ou mesmo ao se especializar esquecer a dimensão das coisas.
Assim a produção científica não pode ser pretexto para a omissão. O método
é engessado, porém as ideias não podem, nem devem seguir esse raciocínio. Assim
quanto mais se produz conhecimento mais se descobre sobre si mesmo.