UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE – PB

DEPARTAMENTO DE SISTEMAS E COMPUTAÇÃO – DSC
INFORMATICA E SOCIEDADE – Aula 2
WANDSON ALLYS SILVA DANTAS – 112210672

Vários acontecimentos de importância histórica têm transformado o
cenário social da humanidade no fim do segundo milênio da Era Cristã. Uma
revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação está
remodelando a base material da sociedade em ritmo acelerado. Uma nova
forma de relação entre a economia, o Estado e a sociedade vem sendo
adotada em busca de uma interdependência global cada vez maior. O
capitalismo passa por um processo de profunda reestruturação caracterizado
por maior flexibilidade de gerenciamento; descentralização das empresas e sua
organização em redes tanto internamente quanto em suas relações com outras
empresas; considerável fortalecimento do papel do capital vis-à-vis o trabalho,
com declínio concomitante da influência dos movimentos de trabalhadores;
individualização e diversificação cada vez maior das relações de trabalho;
incorporação maciça das mulheres na força de trabalho remunerada,
geralmente em condições discriminatórias; intervenção estatal para desregular
os mercados de forma seletiva e desfazer o estado do bem-estar social com
diferentes intensidades e orientações, dependendo da natureza das forças e
instituições políticas de cada sociedade; aumento da concorrência econômica
global em um contexto de progressiva diferenciação dos cenários geográficos e
culturais para a acumulação e a gestão de capital.
Ao mesmo tempo em que se observa todo esse processo, as atividades
criminosas e organizações ao estilo da máfia de todo o mundo também se
tornaram globais e informacionais, favorecendo os meios para o encorajamento
de hiperatividade mental e desejo proibido, juntamente com toda e qualquer
forma de negócio ilícito procurado por nossas sociedades, de armas
sofisticadas à carne humana. Além disso, um novo sistema de comunicação
que fala cada vez mais uma língua universal digital tanto está promovendo a
integração global da produção e distribuição de palavras, sons e imagens da
nossa cultura como os personalizando ao gosto das identidades e humores dos
indivíduos.
As redes interativas de computadores estão crescendo
exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação, moldando
a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela. As mudanças ocorridas no
âmbito social são tão drásticas quanto os processos de transformação
tecnológica e econômica. Como um bom exemplo tem-se o processo de
transformação da condição feminina, que apesar de todas as dificuldades
atacou o patriarcalismo e o enfraqueceu em várias sociedades. Dessa forma,
os relacionamentos entre os sexos tornaram-se, na maior parte do mundo, um
domínio de disputas, em vez de uma esfera de reprodução cultural. A
consciência ambiental permeou as instituições da sociedade, e seus valores
ganharam apelo político a preço de serem refutados e manipulados na prática
diária das empresas e burocracias. Os sistemas políticos estão mergulhados
em uma crise estrutural de legitimidade. Os movimentos sociais não cumprem
mais os seus verdadeiros papéis, encolhem-se em seus mundos interiores ou
“brilham” apenas por um instante em um símbolo da mídia, são fragmentados,
locais.
É nesse contexto, de mudanças confusas e incontroladas que as
pessoas tendem a agrupar-se em torno das denominadas identidades
primárias: religiosas, étnicas, territoriais, nacionais. O fundamentalismo
religioso provavelmente é a maior força de segurança pessoal e mobilização
coletiva nestes anos de conturbações. Em um mundo de fluxos de riqueza,
poder e imagens, a busca pela identidade, seja esta coletiva ou individual,
atribuída ou construída, torna-se fonte básica de significado social. Contudo,
essa tendência não representa algo novo, uma vez que a identidade, sobretudo
a religiosa e a étnica tem sido a base do significado desde os primórdios da
sociedade humana. No entanto, a identidade está se tornando a principal e, às
vezes, a única fonte de significado em um período histórico caracterizado pela
ampla desestruturação das organizações, deslegitimação das instituições,
enfraquecimento de importantes movimentos sociais e expressões culturais
efêmeras. Cada vez mais, as pessoas organizam seu significado não em torno
do que fazem, mas com base no que elas são ou acreditam que são. Enquanto
isso, as redes globais de intercâmbios instrumentais conectam e desconectam
indivíduos, grupos, regiões e até países, de acordo com sua pertinência na
realização dos objetivos processados na rede, em um fluxo contínuo de
decisões estratégicas. Segue-se então uma divisão fundamental entre o
instrumentalismo universal abstrato e as identidades particularistas
historicamente enraizadas. As sociedades estão cada vez mais estruturadas
em uma posição bipolar entre a Rede e o Ser.
A teoria e a cultura pós-moderna celebram o fim da história e, de certa forma, o
fim da razão, renunciando a nossa capacidade de entender e encontrar sentido
até no que não tem sentido. Para melhor direcionar essa investigação deve-se,
primeiramente, levar a tecnologia a sério, utilizando-a como ponto de partida;
localizar esse processo de transformação tecnológica revolucionária no
contexto social em que ele ocorre e pelo qual está sendo moldado; e se
lembrar que a busca pela identidade é tão poderosa quanto a transformação
econômica e tecnológica no registro da nova história.
1) A Revolução da Tecnologia da Informação
Que revolução?
No final do século XX estamos vivendo um intervalo cuja característica é
a transformação de nossa "cultura material" pelos mecanismos de um novo
paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação.
O processo atual de transformação tecnológica expande-se exponencialmente
em razão de sua capacidade de criar uma interface entre campos tecnológicos
mediante uma linguagem digital comum na qual a informação é gerada,
armazenada, recuperada, processada e transmitida. Vivemos em um mundo
que se tornou digital. Esse é um evento histórico da mesma importância da
revolução industrial do século XVIII, induzindo um padrão de descontinuidade
nas bases materiais da economia, sociedade e cultura. Diferentemente de
qualquer outra revolução, o cerne da transformação que estamos vivendo na
revolução atual refere-se às tecnologias da informação, processamento e
comunicação.
O que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade de
conhecimentos e informação, mas a aplicação desses conhecimentos e dessa
informação para geração de conhecimentos e de dispositivos e de
processamento/comunicação da informação, em um ciclo de realimentação
cumulativo entre a inovação e seu uso. Os usos das novas tecnologias de
telecomunicações nas duas últimas décadas passaram por três estágios
distintos: a automação de tarefas, as experiências de usos e a reconfiguração
das aplicações.
Nos dois primeiros estágios, o progresso da inovação tecnológica
baseou-se em aprender usando. No terceiro estágio, os usuários aprenderam a
tecnologia fazendo, o que acabou resultando na reconfiguração das redes e na
descoberta de novas aplicações. O ciclo de realimentação entre a introdução
de uma nova tecnologia, seus usos e seus desenvolvimentos em novos
domínios torna-se muito mais rápido ao novo paradigma tecnológico.
Consequentemente, a difusão da tecnologia amplifica seu poder de forma
infinita, "à medida que os usuários apropriam-se dela e a redefinem". Dessa
forma, os usuários podem assumir o controle da tecnologia como no caso da
Internet.
Pela primeira vez na história, a mente humana é uma força direta de
produção, não apenas um elemento decisivo no sistema produtivo. As novas
tecnologias da informação difundiram-se pelo globo com a velocidade da luz
em menos de duas décadas, entre meados dos anos 70 e 90, por meio de uma
lógica que é a característica dessa revolução tecnológica: a aplicação imediata
no próprio desenvolvimento da tecnologia gerada, conectando o mundo através
da tecnologia da informação. Na verdade, há grandes áreas do mundo e
consideráveis segmentos da população que estão desconectados do novo
sistema tecnológico. As áreas desconectadas são cultural e espacialmente
descontínuas.