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INTRODUÇÃO

- Ainda é a obra mais relevante sobre o período colonial.
“O início do século XIX não se assinala para nós unicamente por estes acontecimentos
relevantes que são a transferência da sede da monarquia portuuesa para o !rasil e os atos
preparatórios da emancipa"ão política do país. #le marca uma etapa decisiva em nossa
evolu"ão e inicia em todos os terrenos$ social$ político e econ%mico$ uma &A'# (O)A* p. +.
- ,onstitui-se num balan"o final de três séculos de coloni-a"ão.
“,onstitui uma c.ave$ e c.ave preciosa e insubstituível para se acompan.ar e interpretar o
processo .istórico posterior e a resultante dele que é o !rasil de .o/e* p. +.
“Alcan"a-se aí o instante em que os elementos constitutivos da nossa nacionalidade 012 entra-
se então na fase propriamente do !rasil ,ontempor3neo* p. +.
- (ão era o reime de subordina"ão colonial que estava em /oo$ mas sim o “con/unto das
institui"4es$ o sistema colonial na totalidade de seus caracteres econ%micos e sociais* p. +.
“A obra coloni-adora dos portuueses$ na base em que assentava$ e que em con/unto forma
aquele sistema$ esotar suas possibilidades* p. +.
“O !rasil contempor3neo se define assim5 o passado colonial que se balanceia e encerra com o
século X)III$ mais as transforma"4es que se sucederam no decorrer do centen6rio anterior a
este e no atual. (aquele passado se constituíram os &7(8A9#(:O' da nacionalidade5
povoou-se um território semi-deserto$ orani-ou-se nele uma vida .umana que divere tanto
daquela que .avia aqui$ dos indíenas e suas na"4es$ como também$ embora em menor
escala$ da dos portuueses que empreenderam a ocupa"ão do território* p. ;<.
“,riou-se no plano das reali-a"4es .umanas alo de novo 012 uma orani-a"ão social definida
por rela"4es específicas= finalmente$ até uma consciência$ mais precisamente certa A:I:78#
9#(:A> coletiva particular* p. ;<.
“Os sintomas de cada um dos caracteres vão aparecendo no curso de toda nossa evolu"ão
colonial= mas é no termo dela que se completam e$ sobretudo$ se definem nitidamente ao
observador* p. ;<.
“#ntremos então em (O)A &A'#* p. ;<.
- A coloni-a"ão deu fruto a um “oranismo social completo e distinto* p. ;<.
“? por isso$ que para compreender o !rasil contempor3neo$ precisamos ir tão lone* p. ;<.
“O passado$ aquele passado colonial que referi acima$ aí ainda est6$ e bem saliente= em parte
modificado$ é certo$ mas presente em tra"os que não se dei@am iludir. Observando-se o !rasil
de .o/e$ o que salta A vista é um oranismo em franca e ativa transforma"ão e que não se
sedimentou ainda em lin.as definidas= que não tomou forma* p. ;<-;;.
“0...2 sente-se a presen"a de uma realidade /6 muito antia que até nos admira de aí ac.ar e
que não é senão aquele passado colonial* p. ;;.
“(o terreno econ%mico$ por e@emplo$ pode-se di-er que o trabal.o livre não se orani-ou ainda
inteiramente em todo país 012 O mesmo poderíamos di-er do car6ter fundamental da nossa
economia$ isto é$ da produ"ão e@tensiva para o mercado do e@terior$ e da correlata falta de um
laro mercado interno solidamente alicer"ado e orani-ado. 8onde a subordina"ão da
economia brasileira a outras estran.as a ela 012 Numa palavra, não completamos ainda
hoje a nossa evolução da economia colonial para a nacional* p. ;;.
- #m rela"ão ao terreno social$ as rela"4es coloniais prevaleceram.
“Os problemas brasileiros de .o/e$ os fundamentais$ pode-se di-er que /6 estavam definidos e
postos em equa"ão .6 ;B< anos atr6s* p. ;C.
“&a"o primeiro um balan"o eral da col%nia em princípios do século passado$ ou antes$
naquele período que cavala os dois séculos que precedem imediatamente o atual= teremos
então uma síntese do !rasil que saía$ /6 formado e constituído$ dos três séculos de evolu"ão
colonial= e tal ser6 o ob/eto deste primeiro volume. As transforma"4es seuintes$ que nos
trou@eram até o estado atual virão depois* p. ;D.
SNTIDO D! "O#ONI$!ÇÃO
“:odo povo tem na sua evolu"ão$ vista a uma certa dist3ncia$ um sentido. Isso se percebe no
con/unto dos fatos e acontecimentos essenciais que constituem num laro período de tempo* p.
;+.
“Euem observa aquele con/unto 012 não dei@ar6 de perceber que ele se forma de uma lin.a
mestra e ininterrupta de acontecimentos que se sucedem em ordem riorosa e diriida sempre
numa determinada orienta"ão. Isso é que se deve procurar quando se aborda a an6lise da
.istória de um povo 012 porque todos os momentos e aspectos não são senão partes$ por si só
incompletas$ de um todo que deve ser sempre o ob/etivo Fltimo do .istoriador* p. ;+.
“Govo$ país$ na"ão$ sociedade 012 aquela unidade que l.e permite destacar uma tal parcela
.umana para estud6-la A parte* p. ;+.
“O sentido da evolu"ão de um povo pode variar* p. ;+.
“)isto de um 3nulo eral e amplo$ a evolu"ão de um povo se torna e@plic6vel* p. C<.
“Os pormenores e incidentes que constituem a trama de sua .istória amea"am nublar o que
)#H8A8#IHA9#(:# forma a >I(IA 9#':HA que a define* p. ;+.
- 'e dei@ar de lado esses por menores$ só então “nos é dado alcan"ar o sentido daquela
evolu"ão$ compreendê-la$ e@plic6-la* p$ ;+.
- O autor di- não precisar de toda .istória do !rasil e que por isso parte do “final do período de
col%nia 012 um elo da mesma cadeia que nos tra- desde o nosso mais remoto passado* p. C<.
%Não so&remos nenhuma descontinuidade no correr da hist'ria da col(nia )*+ a,uele
momento se apresenta como um termo &inal e a resultante de toda nossa evolução
anterior- p. /0.
“precisamos reconstituir o con/unto de nossa forma"ão colocando-a no amplo quadro$ destes
três séculos de atividade coloni-adora que caracteri-am a .istória dos países europeus do
século X)= atividade que interou um novo continente na sua órbita* p. C<.
“9undo moderno$ em que a #uropa$ ou mel.or$ sua civili-a"ão$ se estenderia dominadora por
toda parte 012 a ocupa"ão e povoamento do !rasil não é senão um episódio$ um pequeno
destaque daquele quadro imenso* p. C<.
“A coloni-a"ão portuuesa na América 012 é apenas a parte de um todo$ incompleto sem a
visão deste todo* p. C<.
- A coloni-a"ão aparece como um acontecimento natural após o descobrimento.
- #':H#I:O 8# JI>!HA>:AH5 “0...2 se revelar6 profunda e revolucion6ria todo o equilíbrio
europeu$ foi deslocar a prima-ia comercial dos territórios centrais do continente 012 para
aqueles que formam a sua fac.ada oce3nica5 Iolanda$ Inlaterra$ (ormandia$ !retan.a e
Genínsula Ibérica* p. C;.
“#m suma e no essencial$ todos os randes acontecimentos desta era$ que se convencionou
com ra-ão c.amar de “descobrimentos*$ articulam-se num con/unto que não é senão um
capítulo da .istória do comércio #uropeu* p. CC.
“? sempre como traficantes que os v6rios povos da #uropa abordarão cada uma daquelas
empresas que l.es proporcionarão sua iniciativa$ seus esfor"os$ o acaso e as circunst3ncias do
momento em que se ac.avam* p. CD.
“:udo isto lan"a muita lu- sobre o espírito com que os povos da #uropa abordam a América. A
idéia de povoar não ocorre inicialmente a nen.um. ? o comércio que os interessa$ e daí o
relativo despre-o por este território primitivo e 1!$IO que é a América* p. CD.
“Ocupar com povoamento efetivo$ isto só suriu como continência$ necessidade imposta por
circunst3ncias novas e imprevistas 0...2 nen.um povo da #uropa estava em condi"4es naquele
momento de suportar sanrias na sua popula"ão Kpor conta da peste nera* p. CL.
“&ala-se em coloni-a"ão$ mas o que o termo envolve não é mais que o estabelecimento de
feitorias comerciais* p. CL.
“(a América a situa"ão se apresenta de forma inteiramente diversa5 um território primitivo
.abitado por rala população ind23ena incapa- de fornecer qualquer coisa de realmente
aproveit6vel* p. CL.
“Gara os fins mercantis que se tin.am em vista$ a ocupa"ão não se podia fa-er como nas
simples feitorais$ com um redu-ido pessoal incumbido apenas do neócio$ sua administra"ão e
defesa armada= era preciso ampliar estas bases$ criar um povoamento capa- de abastecer e
manter as feitorias 0...2 A idéia de povoar sure daí$ e só daí* p. CL.
“Os problemas de novo sistema de coloni-a"ão$ envolvendo a ocupa"ão de :#HHI:MHIO'
E7A'# 8#'#H:O' # GHI9I:I)O'* p. CB.
“8urante mais de dois séculos despe/ar-se-6 na América todo resíduo das lutas político-
reliiosas da #uropa* p. CN.
“O tabaco$ oriin6rio da América e por isso inorado antes do descobrimento$ não teria$ depois
de con.ecido$ menor import3ncia* p. CO.
“O colono europeu ficar6 então aí na Fnica posi"ão que l.e competia5 de diriente e rande
propriet6rio rural* p. D<.
- (o !rasil$ “não se c.eou nem a ensaiar o trabal.o branco 0...2 em Gortual$ a que pertencia A
maioria delas$ .avia$ não .avia como na Inlaterra$ bra"os disponíveis$ e dispostos a emirar a
qualquer pre"o. #m Gortual$ a popula"ão era tão insuficiente que a maior parte do seu
território se ainda$ em meados do século X)I$ inculto e abandonado* p. D<.
“As col%nias tropicais tomaram um rumo inteiramente diverso do de suas irmãs da -ona
temperada 0...2 uma sociedade A semel.an"a do seu modelo e oriem europeus= nos trópicos$
pelo contr6rio$ surir6 um tipo de sociedade inteiramente oriinal* p. D<.
“A coloni-a"ão dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa comercial$ mais completa
que a antia feitoria$ mas sempre com o mesmo car6ter que ela$ destinada a e@plorar$ os
recursos naturais de um território virem em proveito do comércio europeu* p. D;.
“'e vamos A essência da nossa forma"ão$ veremos que na realidade nos constituímos para
fornecer a"Fcar$ tabaco$ aluns outros êneros$ mais tarde ouro e diamante= depois$ alodão$ e
em seuida$ café$ para o comércio europeu* p. DC.
,ap. ; P Govoamento Kp. DBQ.
4O1O!5NTO
“As estatísticas demor6ficas que possuímos da col%nia são e@tremamente escassas. (ão
.avia coleta reular e sistem6tica de dados$ e fa-iam-se levantamentos apenas para dois fins
especiais e restritos5 um eclesi6stico$ outro militar 0...2 só pelos Fltimos anos do século X)III$ a
metrópole coitou da orani-a"ão de estatísticas erais e sistem6ticas* p. DB.
“0...2 L.L<<.<<<$ incluindo os índios não domesticados que se avaliavam$ sem rande base em
O<<.<<<. 'ão estes$ em suma$ os dados mais seuros que possuímos* p. DN.
“A sua distribui"ão pelo território da col%nia é randemente irreular* p. DN.
“0...2 forma o Territ'rio do !cre$ e que não fa-ia ainda parte do !rasil$ nem se ac.ava
ocupada* p. DN.
“,oncorrem em seuida$ para a e@pansão interior$ dois fatores essenciais5 o bandeirismo
prendedor de índios e prospector de metais e pedras preciosas* p. DR.
“0...2 N<S da popula"ão colonial$ ou se/am$ quase C.<<<.<<< de .abitantes$ concentram-se
numa fai@a litor3nea que não ultrapassa para o interior 0...2 #ste desequilíbrio entre o litoral e o
interior e@prime muito bem o car6ter predominante da coloni-a"ão5 AJHT,O>OA P donde a
preferência pelas férteis$ Fmidas e quentes bai@adas da marin.a= e ,O9#H,IA>9#(:#
voltada para o interior$ onde estão os mercados para seus produtos* p. D+.
“#@cluo as !A(8#IHA'$ que andaram por toda parte$ mas que e@ploram apenas e não fi@am
povoadores 0...2 A dispersão pelo interior$ intensa e r6pida$ é da primeira metade do século
X)III$ quando o outro$ descoberto sucessivamente em 9inas Jerais$ ,uiab6 e Joi6s
desencadeia o movimento* p. D+.
“A decadência franca é do terceiro quartel do século. ,essa então a corrente de povoamento
para o interior= e até em muitos casos ela se inverte. Henasce o litoral e a aricultura recupera
a prima-ia* p. L<.
“#m con/unto$ nosso litoral se apresenta pouco favor6vel ao estabelecimento do .omem 0...2 os
raros pontos favor6veis foram$ por isso$ avidamente aproveitados* p. L<.
4O1O!5NTO INTRIOR
“U6 me referi aos fatores principais que determinaram a penetra"ão do povoamento pelo vasto
interior da col%nia 0...2 &oram tais fatores a minera"ão e a dispersão das fa-endas de ado* p.
BB.
“(o e@tremo-norte$ na Ama-%nia$ atuam circunst3ncias locais e próprias* p.BB.
“#ntre a minera"ão e o avan"o dos reban.os ocorre$ no que di- respeito ao povoamento$ uma
primeira diferen"a 0...2 a primeira impele o .omem num arranco brusco$ do litoral para o cora"ão
do continente= não .6 contiVidade na e@pansão5 os nFcleos mineradores vão surir muito
lone dos pontos de partida das correntes miratórias 2...2 coisa muito diversa se passa com a
penetra"ão levada pelas fa-endas de ado 0...2 as fa-endas$ e com elas o povoamento$ vão-se
espraiando paulatinamente para o interior* p. BN.
“0...2 ao contr6rio do povoamento provocado pela minera"ão$ não se constitui de nFcleos que
surem isolados do interior e laramente aastados uns dos outros$ bem como de seus centros
de oriem no litoral* p. BN.
“As rei4es mineradoras não eram favor6veis nem A aricultura nem A pecu6ria* p. BR.
- O seundo rande nFcleo de povoamento derivado da minera"ão foi a capitania de 9ato
Jrosso. G. BO.
- O terceiro rande nFcleo foi JOIW'.
“A comarca do norte de Joi6s so&ria duramente da hostilidade dos 2ndios* p. N<.
“U6 afirmei acima que A pecu6ria se deve a ocupa"ão de boa parte do território da col%nia$ e
calculado em 6rea efetivamente coloni-ada$ ela ultrapassa a minera"ão* p. N;.
- 'obre o nordeste5 p. N;.
- A coloni-a"ão iniciou-se a partir de dois focos principais5 !a.ia e Gernambuco.
“? na marem dos poucos rios perenes que se condensa a vida .umana* p. ND.
“7m fundo escasso de popula"ão pastoril$ concentrada nas bacias de aluns rios perenes 0...2
'obre este fundo pastoril condensam-se em certos pontos nFcleos de popula"ão mais
concentrada e de nível econ%mico mais elevado e diferenciado 0...2 (uma síntese$ é esta a
estrutura do povoamento nordestino* p. NL-NB.
“)olvamos aora para o outro e@tremo da col%nia$ que também se povoou com fa-endas de
ado5 o sul* p. NB.
“X pecu6ria /untou-se aí um pouco de aricultura* p. NB.
- O caso de 'ão Gaulo Kp. NN-NOQ.
“As randes fontes da vida paulista serão o comércio de escravos indíenas$ preados no alto
sertão e vendidos nos centros arícolas do litoral* p. NR.
- A reião norte “#le se fe- e se manteve isolado do resto do país 0...2 a Ama-%nia ficar6 A
marem deste sistema que constitui o resto da col%nia 0...2 &orma-se e evoluir6 por conta
própria* p. NO.
“'e apesar de tudo isto a bacia ama-%nica entrou na órbita da coloni-a"ão luso-brasileira e
fuiu A domina"ão espan.ola$ a que pertencia na maior parte do seu território pelo direito
inconteste de :ordesil.as$ é que na face portuuesa do continente sul-americano se abre sua
Fnica via de acesso c%modo e f6cil* p. N+.
“0...2 o castel.ano$ vindo em sentido contr6rio$ e que teve de fa-er camin.o através das 6speras
quebradas dos Andes$ em três mil quil%metros para o interior* p. N+.
“# a Ama-%nia se tornou brasileira* p. N+.
“Gara efeitos da coloni-a"ão$ o rande rio e seus afluentes se apresentaram como um
verdadeiro prolonamento do litoral* p. N+.
“O povoamento se disseminou por isso linearmente$ em pequenos nFcleos ribeirin.os ao lono
das artérias fluviais. Além deste povoamento fi@o$ .6 outra forma de ocupa"ão .umana nesta
reião de col.eita dos frutos espont3neos da floresta5 é a intermitente das e@pedi"4es que vão
anualmente A esta"ão própria$ percorrer o alto curso dos rios A cata de produtos* p. N+.
“#sta reião Krio neroQ ser6 assim a mais povoada do alto Ama-onas$ até que a borrac.a$
quase um século depois$ fa"a surir do 8#'#H:O os estabelecimentos do Alto Gurus e Uuru6*
p. R<.
"ORRNTS D 4O1O!5NTOS
- :rês fases do povoamento do !rasil5 “A primeira$ que se inauura com a coloni-a"ão e vai até
fins do século X)II 0...2 o século X)III abre-se com a revolu"ão demor6fica que provoca a
descoberta do ouro no centro do continente 0...2 sem esta an6lise$ ter-se-ia uma p6lida idéia
apenas do povoamento brasileiro nas vésperas de nossa emancipa"ão política* p. RC.
“O que interessa aqui é notar que a coloni-a"ão não se orienta no sentido de constituir uma
base econ%mica sólida e or3nica$ isto é$ a e@plora"ão racional e coerente dos recursos do
território para a satisfa"ão das necessidades materiais da popula"ão que nela .abita* p. RD.
“A 'eca Jrande de ;R+D-D foi o Fltimo e quase mortal olpe sofrido$ no século X)III$ pelos
sert4es do nordeste. U6 referi que é esta a causa principal por que a reião perdeu seus
mercados nos randes centros arícolas do litoral norte* p. RL.
“Analise acima a evolu"ão do povoamento de 'ão Gaulo e a decadência que atine a capitania
no correr do século X)III* p. O;.
“#m fins do século a minera"ão /6 se ac.ava inteiramente abandonada e substituída pela
aricultura* p. OL.
“#m suma$ o que se deve reter desta an6lise dos movimentos demor6ficos no centro-sul da
col%nia$ no período que ora nos ocupa$ é a sua e@trema comple@idade. )emos as correntes
povoadoras se cru-arem e entrecru-arem 0...2 territórios virens são devassados e ocupados
0...2 o ei6o econ(mico do 7rasil se desloca de&initivamente para este setor. ! mineração o
levara do norte açucareiro para o centro do territ'rio da col(nia. le se &i6ar8 a3ora
neste setor ,ue compreende as capitanias do Rio de 9aneiro e São 4aulo* p. OL.
“8as três ra"as que entraram na constitui"ão do !rasil$ duas pelo menos$ os indíenas e
africanos$ tra-em A baila problemas étnicos muito comple@os. 'e para os brancos ainda .6
uma certa .omoeneidade$ que no terreno puramente .istórica pode ser dada como completa$
o mesmo não ocorre com os demais* p. OB.
“(o caso dos índios$ o avan"o da coloni-a"ão$ a ocupa"ão do território$ a maior ou menor
facilidade com que prestam seu concurso ao colono branco$ com ele coabitam e se
amalamam$ contribuindo assim para as características étnicas do país* p. OL.
R!Ç!S
“0...2 estudo da composi"ão étnica do !rasil$ em tomar as três ra"as como elementos
irredutíveis$ considerar cada qual unicamente na sua totalidade* p. ON.
“O branco$ que até princípios do século XIX$ entra na composi"ão da popula"ão brasileira$ é
quase só de oriem portuuesa* p. ON.
“? praticamente nula a participa"ão não lusitana no !rasil dos primeiros anos do século XIX* p.
OR.
“O recrutamento dos colonos deste tipo se fe-$ sobretudo$ nos A"%res$ que sempre constituíram
um viveiro demor6fico a bra"os com e@cessos de popula"ão que o redu-ido território das il.as
não comportava 0...2 ao Gar6 c.earam os primeiros a"orianos em ;NRD*. G. O+.
“(o sul$ esta forma de coloni-a"ão por a"orianos é mais importante$ e é ela que constituir6 o
fundo principal do povoamento de 'anta ,atarina* e do Hio Jrande do 'ul* p. +<.
“Aquelas rela"4es entre colonos e índios nunca foram além de uma simples alian"a de iual
para iual* p. +;.
“Aqui no !rasil tratou-se desde o início de aproveitar o índio$ não apenas para obten"ão dele$
pelo tr6fico mercantil$ de produtos nativos$ ou simplesmente como aliados$ mas sim como
elementos participantes da coloni-a"ão. Os colonos viam nele um tra:alho aproveit8vel-p.
+;.
“O que Gortual podia pretender$ e de fato pretendeu como na"ão coloni-adora de um território
imenso para o que não l.e sobrava popula"ão suficiente$ era utili-ar todos os elementos
disponíveis= e o índio não podia ser despre-ado na consecu"ão de tal fim* p.+C.
“X escravidão sum6ria e e@plora"ão brutal do índio pelo colono o /esuíta op%s o sereamento$
o isolamento dele*.
“:ese /esuíta da liberdade dos índios$ da necessidade de educa-los e os preparar para a vida
civili-ada* p. +D.
“A leisla"ão pombalina 0...2 reulari-ou definitivamente o problema indíena 0...2 desaparece
com ela a escravi-a"ão do índio* p. +B.
“O incremento do tr6fico africano$ que é fomentado depois das leis pombalinas$ particularmente
para as capitanias cu/a mão-de-obra fora até então constituída quase e@clusivamente de
índios* p. +B.
- Tndios na Ama-%nia. G. +N.
“Os índios$ o que quer di-er a quase totalidade da popula"ão$ viviam sereados dos colonos e
sob a /urisdi"ão e@clusiva das miss4es* p. +R.
“A verdadeira línua era o tupi$ universal e e@clusivamente utili-ada* p. +O.
“? a isto que a leisla"ão pombalina obviou. Gor efeito dela e do contato mais íntimo que
estabelece entre a massa indíena e o elemento branco$ aquela massa vai aos poucos$
embora através de crises dolorosas$ interando-se na popula"ão eral$ e confundindo-se com
ela* p. +O.
“A mesti"aem$ que é o sino sob o qual se forma a na"ão brasileira$ e que constitui sem
dFvida o seu tra"o característico mais profundo e not6vel$ foi A verdadeira solu"ão encontrada
pela coloni-a"ão portuuesa para o problema indíena* p. +O.
- A >eisla"ão Gombalina foi abolida em ;R+O. “#quiparam-se então os índios$ a todos os
respeitos$ aos demais sFditos da coroa$ suprimindo a tutela dos diretores 0...2 imp4e-se aos
índios a obria"ão de trabal.adores$ mediante remunera"ão* p. +O.
“#m certos pontos da col%nia orani-a-se mesmo o tr6fico de índios escravi-ados de uma para
outra capitania* p. ;<<.
“#m troca de mercadoria européia$ os índios forneciam os produtos naturais col.idos nas suas
matas* p. ;<;.
- “índios b6rbaros*$ “índios selvaens*.
“A terceira rande 6rea contínua de território povoado de índios selvaens ocupa a bacia do rio
Garan6* p. ;<L.
“? isto$ em suma$ o que sobrava de índios selvaens no !rasil em princípios do século
passado. 7ma outra parte da popula"ão indíena é a dos mandos* p. ;<L.
“A auardente se revelara o mel.or estímulo para levar o índio para o trabal.o* p. ;<B.
“A popula"ão indíena$ em contanto com os brancos$ vai sendo proressivamente eliminada e
repetindo mais uma ve- um fato que sempre ocorreu em todos os luares e em todos os
tempos em que se verificou a presen"a$ de rapa- de níveis culturais muito apartados5 a inferior
e dominada desaparece. # não fosse o cru-amento$ praticado em lara escala entre nós e que
permitiu a perpetua"ão do sanue indíena$ este estaria fatalmente condenado A e@tin"ão total*
p. ;<N.
- Início do século XIX Y N mil.4es de neros.
“A not6vel participa"ão do elemento nero na popula"ão brasileira se e@prime por nFmeros
elevados5 só os escravos constituíam um ter"o da popula"ão total$ seundo os dados mais
prov6veis para os primeiros anos do século* p. ;<R.
“? este ali6s o car6ter mais saliente da forma"ão étnica do !rasil5 a mesti"aem profunda das
três ra"as 0...2 numa or3ia de se6ualismo desen&reado que faria da popula"ão brasileira um
dos mais varieados con/untos étnicos que a .umanidade /amais con.eceu* p. ;<R.
“Os brancos pela imira"ão= os pretos pelo tr6fico= os índios pela incorpora"ão contínua de
indivíduos* p. ;<R.
“A 9#':IZAJ#9$ sino sob o qual se formou a etnia brasileira$ resulta da e@cepcional
capacidade do portuuês em se cru-ar com outras ra"as* p. ;<R.
- O imirante vem só. O colono imira individualmente.
“A falta de mul.eres brancas sempre foi um problema de toda coloni-a"ão européia em
territórios ultramarinos* p. ;<O.
“A mesti"aem brasileira é antes de tudo uma resultante do problema se@ual da ra"a
dominante$ e por centro do colono branco*.
“:udo que acabamos de ver di- respeito ao !rasil tomado #9 ,O(U7(:O. Godemos reuni-las
Kas variantes reionaisQ em tra"os essenciais* p. ;;C.
“O preto e seus derivados dominam nas rei4es de rande atividade econ%mica* p. ;;C.
- (orte5 o índio prevalece. “:rata-se de reião de nível econ%mico bai@o* p. ;;D.






"ap. / ; 1ida 5aterial <p. ==>?
"ONO5I!
“(o primeiro capítulo$ em que procurei destacar o sentido da coloni-a"ão brasileira$ /6 se
encontra o essencial do que precisamos para compreender e e@plicar a economia da col%nia*
p. ;;+.
“Aquele sentido é o de uma col%nia destinada a fornecer ao comércio europeu aluns êneros
tropicais ou minerais de randes import3ncias5 a"Fcar$ alodão$ outro$ etc* p. ;;+.
“A nossa economia se subordina inteiramente a este fim$ isto é$ se orani-ar6 e funcionar6 para
produ-ir e e@portar aqueles êneros. :udo mais que nele e@iste$ e que é$ ali6s$ de pouca
monta$ ser6 subsidi6rio e destinado unicamente a amparar e tornar possível a reali-a"ão
daquele fim essencial* p. ;;+.
“(a aricultura$ depois falarei dos demais setores$ o elemento fundamental ser6 a rande
propriedade monocultural trabal.ada por escravos* p. ;;+.
“A rande e@plora"ão ar6ria P o enen.o$ a fa-enda P é consequência natural e necess6ria de
tal con/unto. Hesulta de todas aquelas circunst3ncias que concorrem para a ocupa"ão e
aproveitamento deste território que .avia de ser o !rasil* p. ;;+.
“U6 vimos no primeiro capítulo o tipo de colono europeu que procura os trópicos e nele
permanece. (ão é o trabal.ador$ o simples povoador= mas o e@plorador$ o empres6rio de um
rande neócio* p. ;C<.
“0...2 construir na col%nia um reime ar6rio de randes propriedades* p. ;C<.
“A rande propriedade lavrada por trabal.adores dependentes$ se/am escravos ou
assalariados$ ou bem formas intermedi6rias de trabal.o$ representa o sistema de orani-a"ão
ar6ria que sempre acaba dominando nos trópicos$ mesmo quando outros são inicialmente
tentados* p. ;C<.
“A monocultura acompan.a necessariamente a rande propriedade tropical 0...2 a aricultura
tropical tem por ob/etivo Fnico a produ"ão de certos êneros de rande valor comercial e$ por
isso$ altamente lucrativos* p. ;C;.
“O sistema da rande propriedade trabal.ada por mão-de-obra inferior$ como é a rera nos
trópicos$ não pode ser empreada numa e@plora"ão diversificada e de alto nível técnico* p.
;CC.
“"om a 3rande propriedade monocultural instala@se no 7rasil o tra:alho escravo- p. =//.
%A escravidão torna-se assim necessidade5 o problema e a solu"ão foram idênticos em todas
as col%nias tropicais e mesmo subtropicais da América* p. ;CC.
“(o fim da era colonial$ cerca de um ter"o da popula"ão colonial era composta de escravos
neros* p. ;CC.
%"ompletam@se assim os trAs elementos constitutivos da or3aniBação a3r8ria do 7rasilC
a? a 3rande propriedadeD :? monoculturaD c? tra:alho escravo. #stes três elementos se
con/uam num sistema típico$ a Jrande #@plora"ão Hural$ isto é$ a reunião numa mesma
unidade produtora de rande numero de indivíduos= é isto que constitui a célula fundamental da
economia ar6ria brasileira. ,omo constituir6 também a base principal em que assenta toda a
estrutura do país$ econ%mica e social- p. =//@=/E.
“O terceiro setor das randes atividades fundamentais da economia brasileira é o e@trativismo.
#la própria$ quase e@clusivamente do bale do Ama-onas. Orani-ar-se-6 de forma diferente$
porque não ter6 por base a propriedade territorial* p. ;CD.
“Além disso$ a e@tra"ão não é uma atividade permanente$ e se orani-a de cada ve-$ para se
dissolver loo depois da esta"ão apropriada em que se efetua* p. ;CD.
- A pecu6ria e outras atividades não estão relacionadas com o comércio e@terior$ portanto$ não
caracteri-a a economia colonial brasileira.
“O que procuro é apenas destacar os elementos fundamentais e característicos da orani-a"ão
econ%mica da col%nia* p. ;CL.
“#las são a Jrande 7nidade Grodutora$ se/a arícola$ mineradora ou e@trativista* p. CL.
- A economia colonial é caracteri-a pela concentra"ão e@trema da rique-a.
“#m suma essas são as características fundamentais da economia colonial brasileira5 de um
lado$ esta orani-a"ão da produ"ão e do trabal.o$ e a concentra"ão da rique-a que dela
resulta= do outro$ a sua orienta"ão$ voltada para o e@terior e simples fornecedora do comércio
internacional 0...2 não .6 na realidade modifica"4es substanciais do sistema colonial nos três
primeiros séculos de nossa .istória* p. ;CB.
“#m subst3ncia$ nas suas lin.as erais e caracteres fundamentais de sua orani-a"ão
econ%mica$ o !rasil continuava$ três séculos depois do início da coloni-a"ão$ aquela mesma
col%nia visceralmente liada$ A economia da #uropa= simples fornecedora de mercadorias para
o seu comércio. #mpresa de colonos brancos acionada pelo bra"o de ra"as estran.as$
dominadas$ mas ainda não fundidas na sociedade colonial* p. ;CB.
“As col%nias e@istem e são estabelecidas em benefício e@clusivo da metrópole* p. ;CN.
“O !rasil e@istia para fornecer-l.e ouro e diamante$ a"Fcar$ tabaco e alodão* p. ;CN.
“O resultado desta política$ redu-ido o !rasil A simples situa"ão de produtor de aluns êneros
destinados ao comércio internacional$ acabou por se identificar a tal ponto com a sua vida$ que
/6 não se apoiava unicamente em nossa subordina"ão de col%nia$ /6 não derivava apenas da
administra"ão do reino* p. ;CN.
“(ão podíamos ser outra coisa mais que o que f%ramos até então5 uma feitoria da #uropa$ um
simples fornecedor de produtos tropicais para seu comércio* p. ;CR.
- Iistória econ%mica brasileira foi por ciclos.
“? assim que se formou e sempre funcionou a economia brasileira5 a repeti"ão no tempo e no
espa"o de pequenas e curas empresas de maior ou menor sucesso* p. ;CO.
“0...2 característica fundamental é5 de um lado$ na sua estrutura$ um oranismo meramente
produtor$ e constituído só para isto5 um pequeno nFmero de empres6rios e dirientes que
sen.oreiam tudo$ e a rande massa da popula"ão que l.e serve de mão-de-obra 0...2 um
fornecedor do comércio internacional dos êneros que este reclama e de que ela disp4e 0...2 a
e@plora"ão e@tensiva e simplesmente especuladora$ inst6vel no tempo e no espa"o$ dos
recursos naturais do país* p. ;C+.
FR!ND #!1OUR!
“A aricultura é o nervo econ%mico da civili-a"ão. ,om ela se inicia P se e@cluirmos o
insinificante ciclo e@trativo do pau-brasil P e a ela deve a mel.or por"ão de sua rique-a. (uma
palavra$ é propriamente na aricultura que assentou a ocupa"ão e e@plora"ão da maior e
mel.or parte do território brasileiro. A minera"ão não é mais que um parêntese= de curta
dura"ão ali6s* p. ;D<.
“Os depósitos auríferos$ ricos apenas na superfície do solo$ se tin.a esotado$ e não paavam
mais a sua e@plora"ão* p. ;D<.
- A revolu"ão industrial tem refle@os no mundo colonial P “seus mercados se alaram$ seus
produtos se valori-am* p. ;D<.
“:odos os conflitos europeus$ desde a uerra de sucessão da #span.a$ e inclusive as uerras
napole%nicas$ têm sempre$ como Fltima causa$ o problema colonial* p. ;D<.
“Ali6s$ estas uerras$ cu/o teatro principal é quase sempre nas randes rotas marítimas$ vão
contribuir para a valori-a"ão dos produtos do ultramar$ embara"ando e tornando escasso o seu
fornecimento* p. ;D<.
“Os proressos técnicos do século X)III permitirão o aproveitamento do alodão em medidas
quase ilimitadas$ e ele se tornar6 a principal matéria-prima do momento 0...2 O !rasil ter6 sua
parte neste surto sem paralelo no passado do comércio alodoeiro* p. ;D;.
“Grodu-indo e@clusivamente para o e@terior$ as atividades econ%micas da col%nia se fi@am
naturalmente pró@ima aos portos de embarque e e@porta"ão* p. ;DD.
“A desvantaem das capitanias do interior$ neste terreno$ é manifesta. (uma economia
essencialmente e@portadora como a da col%nia$ sua posi"ão é e@cêntrica. 'ó com a aricultura$
a coloni-a"ão não teria penetrado o interior= e por isso que até o século X)II os portuueses
continuavam a arran.ar o litoral como caranue/os. São a mineração e a pecu8ria ,ue
tornaram poss2veis e provocaram o avançoC a primeira por motivos ':vios, o valor
consider8vel do outro e dos diamantes e do ouroD a se3unda, para empre3ar a pitoresca
&'rmula do mesmo autor ,ue aca:ei de citar acima, os gados não necessitam de quem
os carregue- p. ;DD.
“? no planalto Kreião produtora de a"FcarQ e não no litoral que 'ão Gaulo come"a sua
restaura"ão e proresso* p. ;DL.
“8e modo eral$ é assim a fai@a de território mais pró@ima do mar que é atinida pelo
renascimento arícola da col%nia* p. ;DL.
“Gara a instala"ão de novas culturas$ nada de novo se reali-ara que o processo brutal$ copiado
dos indíenas$ da E7#I9A8A para o problema do esotamento do solo 0...2 a mata 0...2
desaparecia rapidamente devorada pelo foo* p. ;DB.
“A devasta"ão da mata em lara escala ia semeando desertos estéreis atr6s do coloni-ador* p.
;DN.
“O v6cuo de matas que se ia formando em torno dos enen.os criava outros problemas
iualmente sérios 0...2 a falta de len.a é uma das causas comuns do abandono de enen.os* p.
;DN.
- (ada fa-iam para mel.orar o aproveitamento$ a restaura"ão ou a conserva"ão das
propriedades naturais do solo.
- O processo de lavrar o solo era primitivo$ o instrumento arícola era e en@ada.
“O sistema eral da coloni-a"ão fundada no trabal.o ineficiente e quase sempre semib6rbaro
do escravo africano* p. ;D+.
“A coloni-a"ão européia nos trópicos inauurou ali um novo tipo de aricultura comercial
e@tensiva e em lara escala* p. ;L<.
“A bai@a produtividade da aricultura brasileira$ e que acabar6 numa esterili-a"ão quase
completa da 6rea e@tensa Ke@ce"ão o caféQ* p. ;L;.
“O que nos cabe concluir é que o bai@o nível técnico das nossas atividades ar6rias$ e as
consequências que teria não se devem atribuir unicamente A incapacidade do colono* p. ;L;.
- AJHI,7>:7HA ,O>I(IA>5 aQ Jrande >avoura= bQ Aricultura de 'ubsistência.
“A rande lavoura representa o (#H)O da aricultura colonial= a produ"ão dos êneros de
consumo interno P a mandioca$ o mil.o$ o fei/ão P foi um apêndice dela$ de e@pressão
puramente subsidi6ria* p. ;LD.
“Outro aspecto que distinue a aricultura de subsistência da rande lavoura é a orani-a"ão
da produ"ão* p. ;LD.
“O tra"o essencial das randes lavouras é$ como /6 afirmei$ a e@plora"ão em lara escala* p.
;LD.
“O !rasil é um dom do a"Fcar. # ainda no termo da .istória col%nia$ representa seu principal
esteio econ%mico* p. ;LL.
“O enen.o é uma orani-a"ão comple@a e dispendiosa* p. ;LN.
“O enen.o compreende numerosas instala"4es5 moenda$ caldeira$ casa de purar$ etc. além
da casa-rande que é a .abita"ão do sen.or 0...2 a sen-ala dos escravos e instala"4es
acessórias e suntu6rias= oficinas$ estrebarias$ etc.* p. ;LN.
“O enen.o é um verdadeiro mundo em miniatura$ em que se concentra e resume a vida toda
de uma pequena parcela da .umanidade* p. ;LR.
“O trabal.o é todo escravo* p. ;LR.
- ,ada enen.o tem$ no mínimo$ O< escravos. Os maiores têm na média L<< escravos.
“Até o terceiro quartel do século X)III$ quando come"a a ser e@portado$ o alodão nada mais
representa que uma insinificante cultura de e@pressão local e de valor econ%mico mínimo* p.
;LO.
- A fun"ão e@portadora da economia brasileira “é ela o fator Fnico determinante de qualquer
atividade econ%mica de vulto* p. ;L+.
“A primeira remessa de alodão brasileiro para a e@terior data$ ao que parece$ de ;RN<* p. ;L+.
“O proresso da lavoura alodoeira foi facilitado pela relativa simplicidade da produ"ão* p. ;BC.
“A terceira rande lavoura da col%nia é a do tabaco 0...2 boa parte da e@porta"ão destina-se A
Wfrica$ servindo no escambo de escravos* p. ;BD.
!FRI"U#TUR! D SU7SISTGN"I!
- ,acau era a principal atividade arícola do Gar6 e Hio (ero.
- A auardente era outro produto utili-ado no escambo de escravos.
- O papel secund6rio da aricultura de subsistência oriinou um sério problema “A do
abastecimento dos nFcleos de povoamento mais denso$ onde a insuficiência alimentar se
tornou quase a rera* p. ;ND.
5INR!ÇÃO
“(o alvorecer do século XIX$ a indFstria mineradora do !rasil$ que se iniciara sob tão bril.ante
auspícios e absorvera durante cem anos o mel.or das aten"4es e atividades do país$ /6 tocava
sua ruína final*. G. ;N+.
“As causas da decadência que se seue não são difíceis de precisar*.
“A indFstria mineradora no !rasil nunca foi além$ na verdade$ desta aventura passaeira* p.
;R;.
“As descobertas de /a-idas eram obriatoriamente manifestadas As autoridades competentes*
p. ;RL.
“'ubordinava-se A intendência a ,asa de &undi"ão$ onde se recol.ia obriatoriamente todo
ouro e@traído$ e onde$ depois de fundido$ ensaiado$ quintado$ e redu-ido a barras cun.adas$
era devolvido ao portador acompan.ado de um certificado de oriem que deviam circular as
barras 0...2 A intendência não e@erceram efetivamente e de forma normal senão a fun"ão de
cobrar o quinto e fiscali-ar os descamin.os do ouro 0...2 'eus funcion6rios$ bac.aréis e
burocratas inteiramente al.eios a assuntos de minera"ão$ não deram nunca um passo no
sentido de promover mel.orias$ tentar o aperfei"oamento dos processos empreados na
e@tra"ão do outro* p. ;RN.
“(ada interessava$ senão o quinto* p. ;RR.
“Euando a indFstria mineradora da col%nia 6 era uma ruína$ e sob seus escombros emia uma
popula"ão empobrecida ,u/a miséria flarante não podia mais iludir ninuém$ nem a miopia da
administra"ão$ nem a inconsciência do anancioso fisco$ veio A reforma* p. ;RR.
- 8ois métodos de orani-a"ão da e@plora"ão das /a-idas5 aQ lavras5 estabelecimentos fi@os
“A faisca"ão sempre e@istiu na indFstria aurífera da col%nia*.
- 8e ;RC+ a ;RL<5 período 6ureo da e@tra"ão de diamantes. G. ;O;.
4"UHRI!
“A carne tem importante papel na alimenta"ão da col%nia*. G. ;ON.
- A pecu6ria foi importante para a conquista do território.
- :rês randes -onas5 aQ sertão do norte= bQ parte meridional de 9inas Jerais= cQ Garan6.
- O trabal.ador aí é o escravo.
4RODUÇIS JTR!TI1!S
“O primeiro a"ouue paraense só foi aberto em ;RCN* p. C;<.
“Aa maior import3ncia da indFstria e@trativa não é o seu valor como rique-a entre as demais da
col%nia 0...2 mas doutro lado$ avulta como base quase e@clusiva da vida .umana em uma reião
que é a maior do país 0...2 o vale do ama-onas$ cu/a coloni-a"ão não se compreende sem esta
an6lise da atividade principal e quase Fnica que nela se pratica5 a col.eita natural dos frutos da
floresta e dos rios* p. C;;.
“'em as fontes de rique-as$ teria sido impossível ocupar o rande vale* p. C;;.
“(o vale ama-%nico$ as formas de atividade se redu-em praticamente a duas5 penetrar a
floresta ou os rios para col.er os produtos ou capturar o pei@e= e condu-ir as embarca"4es que
fa-em todo o transporte e constituem o Fnico meio da locomo"ão* p. C;C.
“(esta remodela"ão fisior6fica ininterrupta de um território lone ainda de qualquer forma de
equilíbrio$ o .omem se amesquin.a$ se anula* p. C;O.
“&altava-l.e o elemento essencial5 ente. Os poucos brancos$ a multidão relativa de indíenas$
pouco eficiente para o servi"o que deles se e@iia$ não podiam dar conta da tarefa* p. C;C.
- A sinularidade fa- da reião um “outro !rasil* p. C;R.
“#mpreado assim em tarefas que l.e são familiares 0...2 o índio se amoldou com muito mais
facilidade A coloni-a"ão e domínio do branco* p. C;O.
“8o tipo do povoamento$ /6 disse aluma coisa5 ele também se amolda As continências da
col.eita florestal* p. C;O.
“0...2 cu/a popula"ão$ que em princípio do século passado não alcan"ava uma centena de mil
.abitantes* p. C;O.
- Gor que a preferência das marens dos rios[ Hesp. C;O p.
- A ,arta Héia de ;C de maio de ;R+O leitimou a e@plora"ão indíena.
- O pei@e é o alimento b6sico.
- Grodu"ão e@trativa importante5 madeira$ pesca$ sal$ erva-mate.
!RTS INDKSTRI!S
“(o final desta revisão dos setores da produ"ão colonial .6 que reservar um canto$ modesto$
embora$ e proporcional a sua insinific3ncia$ As artes e A indFstria* p. CC<.
“Gequena indFstria doméstica$ entreue a escravos mais .6beis$ tem papel na vida da col%nia*
p. CC<.
- :ecelaem$ cer3mica$ olarias$ curtumes$ metaluria$ etc.
“A metaluria foi$ entretanto mais feli- que a manufatura de tecidos* p. CCN.
“#m suma$ ac.ava-se ainda a indFstria brasileira$ em princípios do século XIX$ em seus
primeiros e mais modestos passos* p. CCR.
“:omadas as devidas propor"4es$ a nossa minFscula indFstria colonial não representaria para
sua época mais que estes simulacros de atividades manufatureiras que tivemos no século XIX*
p. CCR.
"O5LR"IO
“A an6lise da estrutura comercial de um país revela sempre$ mel.or que a de qualquer um dos
setores particulares da produ"ão$ o car6ter de uma economia$ sua nature-a e
orani-a"ão.ncontramos a2 uma s2ntese ,ue a resume e e6plica* p. CCO.
“Godemos prever desde loo o tra"o fundamental daquele comércio5 ele deriva imediatamente
do próprio car6ter da coloni-a"ão$ orani-ada como ela est6 na base da produ"ão de êneros
tropicais e metais preciosos para o fornecimento do mercado internacional* p. CCO.
“O comércio e@terior brasileiro é todo ele marítimo* p. CCO.
“:odo este comércio e@tremo por via terrestre é em sua de pouca monta$ despre-ível mesmo*
p. CC+.
“9onopoli-ado lealmente pelos portuueses$ contrabandeado pelos inleses$ tais são os
caracteres erais do comércio e@terno da col%nia nas vésperas da abertura dos portos* p. CD;.
“O ramo mais importante do comércio de importa"ão é o tr6fico de escravos* p. CD;.
“Os êneros que esta ente não produ- e precisa ir buscar no comércio não são senão os
importados do e@terior5 ferro$ sal$ manufaturas* p. CDD.
- 'obre o comércio interno não se tem fontes seuras.
- Jrandes correntes de circula"ão5 marin.a$ sertão e minas.
“,onsidera"4es erais*$ “nature-a da economia colonial P inteiramente voltada para o comércio
internacional*.
- O comércio condicionou a própria e@istência da col%nia. G. CDB.