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3.2.

Uma Solução Integral para a Equação de Poisson

O problema de determinação de campos em meios lineares, homogêneos e
isotrópicos, pode ser formulado com base na geometria da Fig.3.1, que ilustra um
volume V de um meio de permissividade ε
0
, limitado por uma superfície fechada Σ, e
contendo em seu interior uma distribuição de cargas, descrita pela função ρ. Uma vez obtida
a função potencial Φ em V, o campo elétrico pode ser determinado. Na situação presente,
não se está interessado no comportamento dessa função no exterior de V, mas para isso
torna-se necessário ter alguma informação a respeito dessa função na superfície Σ. Nesta
seção será obtida uma expressão integral para a função Φ0 que evidencia o tipo de
informação necessária à solução do problema. Na seção seguinte, serão estabelecidas as
condições a serem satisfeitas para que a solução obtida seja única.

É importante lembrar que uma expressão para a função Φ, que satisfaz a equação de
Poisson i.e., a Eq.(2.32) reproduzida a seguir,

, (2.32)

já foi obtida no Capítulo 2 para o caso de uma distribuição de cargas, localizada em uma
região ilimitada. Essa solução, dada pela Eq.(2.20), foi obtida utilizando-se o princípio da
superposição.

Ao considerar-se problemas governados pela equação de Poisson, surge uma
importante questão relacionada ao tratamento de cargas puntiformes:

Que tipo de função densidade deveria ser utilizado na Eq. (2.32), para representar uma carga
puntiforme?

A resposta a essa questão é de fundamental importância para a determinação de uma
expressão integral para a função \em uma região limitada, como mostrado a seguir.

Considere-se que a carga esteja localizada no ponto , e imersa em um meio de
permissividade ε. O potencial associado a essa carga no ponto é dado por,







Fig.3.1 Geometria para determinação da função potencial em uma região limitada por uma
superfície ©.



Para representar matematicamente a densidade de carga associada à carga puntiforme,
considere-se a definição

(3.1)
onde a função , ainda a ser especificada, deve ser medida em unidades de L
-3
para
o correto dimensionamento da função . Devido a alta concentração de carga associada a
carga discreta, a função δ deve ser extremamente acentuada na posição da carga, devendo
anular-se em qualquer ponto satisfazendo a condição . Isso implica nas seguintes
relações, que devem ser obedecidas pela função ,



o que resulta nas seguintes propriedades para a função δ:

(3.2)

Como a função δ se anula para , para qualquer função , pode-se escrever,

(3.3)
Definida a função densidade associada a carga discreta, podemos utilizar a equação de
Poisson, e escrever,




que resulta na seguinte relação,

(3.4)


Em resumo, a função δ, usada para representar a função densidade associada a uma
carga discreta, satisfaz a Eq.(3.4), e exibe as propriedades representadas pelas Eqs.(3.2) e
(3.3). Obtidas essas propriedades a determinação da função potencial para a geometria da
Fig.3.1 pode ser feita de forma simples e direta. Para isso considere-se a identidade de Green
derivada no Capítulo 1, dada pela Eq.(1.52), reproduzida a seguir,




Nessa expressão, é importante observar que as variáveis de integração são aquelas que
definem o vetor , que no primeiro membro localiza o elemento diferencial de volume e no
segundo, o elemento diferencial de área sobre a superfície Σ. Utilizando-se as funções



na identidade de Green, tem-se



Das Eqs. (2.32) e (3.4),





resultando em



Utilizando-se a Eq.(3.3) no primeiro membro da equação anterior, e notando-se que o vetor
posição é interior ao volume de integração, tem-se



Representando-se o vetor área diferencial na forma , com o vetor unitário normal à
cada ponto da superfície Σ e dirigido para fora da região de interesse, obtém-se finalmente,

(3.5)

onde é o comprimento diferencial medido ao longo da direção normal à superfície que
limita a região de interesse.
A Eq.(3.5) evidencia o tipo de informação necessária a obtenção da função potencial
no volume V. O primeiro termo representa a contribuição das cargas livres existentes no
interior do volume V, que é a mesma obtida para uma distribuição de carga em uma região
ilimitada. A integral de superfície contém os elementos adicionais que devem ser
especificados para obtenção da solução, ou seja, o valor e a derivada normal da função
potencial na superfície Σ. Entretanto, para obtenção de uma solução única para a função Φ, a
especificação simultânea desses dois parâmetros não pode ser feita arbitrariamente, como
examinado a seguir.
3.3 Teorema da Unicidade

Conforme discutido na seção anterior, dada uma distribuição de cargas no interior de
uma região limitada por uma superfície sobre a qual são dadas especificações para o
potencial, é possível obter-se uma solução integral para a equação de Poisson, que depende
da distribuição de carga e das condições impostas na fronteira da região. Como expresso
pela Eq.(3.5) as condições de fronteira correspondem a especificação do potencial e de sua
derivada normal sobre a superfície. No entanto, essas especificações não podem ser feitas
arbitrariamente. O Teorema da Unicidade, demonstrado a seguir, implica que uma solução
única para a equação de Poisson só pode ser obtida em uma das seguintes situações:

i) Apenas o potencial é especificado sobre Σ,
ii) Apenas a derivada normal do potencial é especificada sobre Σ,
iii) O potencial e a derivada normal do potencial são ambos especificados, mas em
porções complementares da superfície Σ.


As condições i) e ii) correspondem aos problemas de valores de fronteira de Dirichlet e
Neumann para a equação de Poisson, respectivamente. A condição iii) corresponde ao
problema de condições mistas na fronteira. A Fig.3.2 ilustra qualitativamente as geometrias
associadas às três situações.

Considere-se a existência de duas soluções, Φ1 e Φ2, satisfazendo a equação de
Poisson na mesma região, i.e.,



e um dos tipos de especificação na superfície Σ:




Para demonstração do teorema da unicidade, basta verificar que as duas soluções são
idênticas, a menos de uma constante. Será mostrado que essa constante é não nula apenas no
caso b). O valor dessa constante não é de importância, uma vez que não influencia o valor
obtido para o campo eletrostático em cada ponto da região. Para isso, seja a função
, que satisfaz a equação de Laplace,



e uma das condições de fronteira,






PFV de Dirichlet


PVF de Neumann



PVF misto

Fig.3.2 Geometrias associadas aos problemas de valores de fronteira de
Dirichlet, de Neumann e misto.


Utilizando-se a identidade de Green, dada pela Eq.(1.53), com , vem





Para os casos a) ou b), o integrando no segundo membro da última expressão é nulo, o que
fornece




Como o integrando dessa última expressão é positivo definido, a integral de volume só será
nula se a função ψ satisfizer a condição,



que tem como solução



onde K é uma constante. O valor de K pode ser obtido a partir das condições de fronteira na
superfície Σ, ou seja:

i) Para o problema de Dirichlet, , o que implica K = 0, e a solução é única.

ii) Para o problema de Neumann, , satisfaz a condição , e as
soluções exibem a mesma distribuição espacial, diferindo apenas por uma
constante. O campo eletrostático, no entanto, é o mesmo nos dois casos.

iii) Para condições mistas K = 0 o que assegura que as condições de fronteira nas porções
complementares da superfície sejam simultaneamente satisfeitas, e a solução é única.


O teorema da unicidade é de extrema importância na solução de problemas em
eletrostática, pois garante que independentemente do método utilizado para resolver-se a
Eq. de Poisson, uma vez obtida uma função potencial satisfazendo as condições impostas
na fronteira, esta terá que corresponder à solução almejada.

A partir do teorema da unicidade, nota-se que a relação integral dada pela Eq. (3.5)
não é a forma mais conveniente de expressar-se a função potencial, uma vez que o potencial
e sua derivada normal são ambos especificados na fronteira da região. Vale observar que a
Eq.(3.5) foi obtida utilizando-se a função auxiliar na identidade de Green. No
entanto, qualquer função do tipo,



pode satisfazer a equação,


(3.6)


contanto que a função satisfaça a Eq. de Laplace, i.e.,




Portanto, para obter-se uma expressão integral mais apropriada para a função
potencial, pode-se utilizar a função auxiliar em lugar da função

na identidade de Green [Eq.(1.53)], o que, em vista da Eq.(3.6), equivale a realizar a mesma
substituição na Eq.(3.5), ou seja,

(3.7)
Para o problema de valores de fronteira de Dirichlet, determina-se uma função
auxiliar G = G
D
, tal que,



e satisfazendo a condição de fronteira,




Com essas duas propriedades impostas à função G
D
, obtém-se a seguinte expressão
integral para a função potencial:

(3.8)


A Eq. (3.8) mostra que uma vez determinada G
D
, a função potencial pode ser obtida,
especificando-se o seu valor na superfície Σ e a densidade de carga ρ.

Para o problema de valores de fronteira de Neumann, a especificação de uma
derivada normal nula na superfície Σ não pode ser feita em vista da Eq.(3.6). Isso torna-se
evidente integrando-se a Eq.(3.6) no volume limitado pela superfície Σ, o que fornece,



Aplicando-se o teorema de Gauss nessa última relação, tem-se,



o que resulta em

(3.9)

e portanto um valor nulo para a derivada normal da função G não pode ser imposto na
fronteira ∑. A condição mais simples que pode ser imposta nessa superfície é aquela na qual
a derivada normal assume o mesmo valor em todos os pontos da superfície, ou seja,



A constante K pode ser obtida da Eq.(3.9), que fornece



onde S é a área da superfície Σ.

Em resumo, para o problema de valores de fronteira de Neumann, determina-se
inicialmente a função satisfazendo a,



Utilizando-se essas expressões na Eq.(3.7) tem-se


Definindo-se o valor médio da função potencial na superfície Σ pela relação,


obtém-se finalmente,

(3.10)

A Eq.(3.10) mostra que para o problema de Neumann, dada a densidade de carga e a
derivada normal do potencial na superfície , a função potencial no interior da região é
determinada a menos da constante .

A determinação da função potencial, para o caso de um volume contendo dois meios
materiais distintos nas geometrias das Figs.3.3a e b, consiste da obtenção de
soluções válidas em cada sub-região satisfazendo a condições de fronteira de Dirichlet
ou Neumann, nas superfícies e , respectivamente. Como nesse caso, o potencial não é a
priori conhecido na superfície fechada que envolve cada sub-região, as soluções são
expressas em termos de constantes a serem determinadas. Essas constantes são obtidas
impondo-se condições de contorno na interface comum aos dois meios materiais. Essas
condições de contorno surgem daquelas para os vetores e , dadas pelas Eqs(2.56) e
(2.57). No lugar da Eq.(2.57), por exemplo, pode se utilizar a condição de continuidade da
função potencial na interface comum aos dois meios, i.e.,

(3.11)

Se os meios são lineares, a Eq.(2.56) leva a seguinte relação,

(3.12)

onde é a variável que mede comprimento ao longo da direção normal à superfície no
sentido do vetor mostrado na Fig.3.3. Ou seja, cada interface comum a dois meios gera um
par de condições de contorno na forma das Eqs.(3.11) e (3.12), e essa este resultado pode ser
facilmente generalizado para um número arbitrário de meios materiais distintos compondo a
região de existência dos campos.



(a) (b)

Fig.3.3. Geometrias de regiões com meios materiais distintos. Em (b), a superfície Σ1 se
reduz a um ponto, geralmente escolhido como a origem de um sistema de eixos.


3.4. Problemas em Eletrostática Governados pela Equação de Laplace

Nesta seção consideram-se problemas caracterizados pela ausência de distribuições
volumétricas de carga na região de campo. Essa situação é encontrada por exemplo, na
geração de campos eletrostáticos por materiais condutores carregados. Cargas injetadas no
interior de um condutor isolado, repelem-se devido ao campo elétrico inicialmente causado
por essas cargas. Esse campo inicialmente estabelecido causa um movimento de cargas para
a superfície do condutor. Na ausência de uma fonte supridora de cargas, esse movimento não
pode manter-se indefinidamente e o campo elétrico no interior do condutor decai
rapidamente até um valor nulo no regime permanente. Assim, a densidade volumétrica de
cargas no condutor tende a zero, restando apenas uma distribuição de cargas na superfície do
material. Nessas condições, todo o volume do material condutor fica submetido a um
potencial constante, e é de interesse a determinação dos campos na região exterior ao
condutor.

Admitindo-se na região de campos, a Eq.(2.32), reduz-se à Eq. de Laplace,

(3.13)

Nas seções seguintes, serão investigados alguns métodos de solução dessa equação.
Inicialmente será investigado o conceito de capacitância, um parâmetro de importância no
estudo de sistemas elétricos e eletrônicos e cuja determinação pode ser feita a partir
da solução da Eq. de Laplace.

3.4.1 O conceito de capacitância

Um par de condutores carregados imersos em um meio de permissividade ε,
conforme ilustrado na Fig.3.4, constitui um capacitor. Conectando-se uma fonte ou bateria
entre os condutores, pode-se transferir carga de um condutor para o outro. É de interesse
determinar-se a capacidade de transferência de carga para uma dada diferença de potencial
aplicada entre os condutores e assim inferir-se tipos de configurações com maior ou menor
capacidade de armazenamento de carga. Um parâmetro útil nessa determinação é a
capacitância, definida pela relação,

(3.14)

onde Q é a carga total armazenada no condutor positivamente carregado, e V é a diferença
de potencial entre os condutores positivo e negativo. Capacitância de acordo com a definição
dada pela Eq.(3.14) é medida em Coulombs/Volt, que define a unidade de
capacitância, Farad (F), i.e., 1F ≡ 1C/V.

Se o meio de imersão dos condutores é linear, a diferença de potencial é diretamente
proporcional a carga Q, e conseqüentemente, a capacitância depende apenas da geometria
associada ao par de condutores e da permissividade elétrica do meio de imersão. É
importante observar que a relação entre carga e diferença de potencial, pode ser
convenientemente obtida resolvendo-se a Eq. de Laplace para a função potencial na região
exterior aos condutores, como demonstram os exemplos a seguir.



Fig.3.4 Par de condutores de forma arbitrária formando um capacitor


Exemplo 3.1: Capacitor de placas paralelas.: Considere-se o capacitor de placas
condutoras paralelas ilustrado na Fig. 3.5, preenchido por um meio de permissividade ε. A
capacitância dessa estrutura pode ser obtida de forma aproximada, no regime em que as
dimensões lineares de cada placa sejam grandes comparadas com a distância de
separação d. Essa aproximação equivale a admitir-se que o vazamento de energia para o
exterior do meio dielétrico, que tende a ocorrer nas bordas da estrutura, mesmo existindo,
seja pequeno quando comparado com a energia armazenada no interior do dielétrico.



Fig.3.5 Capacitor de placas paralelas

Com base nessa aproximação, admitindo-se uma diferença de potencial V > 0 aplicada entre
as placas e o sistema de coordenadas ilustrado na Fig.3.4, com o condutor inferior servindo
como referência de potencial, tem-se as condições de contorno . Da
Eq. de Laplace com o operador expresso na forma



resulta,



A aproximação adotada no presente exemplo equivale a considerar-se planos
infinitamente extensos para as superfícies internas de cada placa. Nessa condição o problema
apresenta simetria de translação nas direções y e z. Portanto a função potencial só depende
da variável x, e a Eq. de Laplace reduz-se a



Essa equação diferencial tem como solução a função linear



As constantes A e B são obtidas das condições de contorno que fornecem





e a distribuição de potencial no interior do capacitor é dada por,



Essa expressão mostra que as superfícies equipotenciais são os planos x=cte.

A partir da função potencial, o campo eletrostático entre as placas é obtido de,



que é uniforme e dirigido da placa superior para a placa inferior.

A densidade superficial de carga na placa positiva é obtida da componente normal do
vetor densidade de fluxo elétrico, utilizando-se a condição de contorno dada pela Eq.(2.52),
com , , o que fornece,


donde,



Se cada placa do capacitor tem área S, a carga total da placa positiva é , e a
capacitância é dada por,



Para ter-se uma estimativa de valores típicos de capacitância, considere-se que cada placa
seja um quadrado de 2 cm de lado, e que o espaçamento seja de 1 mm, sem preenchimento
dielétrico, i.e., . Para esses parâmetros, . Ou seja,
para esse capacitor a aplicação de uma diferença de potencial de 1 Volt, produz uma
transferência de cargas de 3.54 pC entre os condutores.

Pode-se aumentar a capacitância de uma estrutura fixa de dois condutores utilizando-
se preenchimento dielétrico. Como mostra a expressão anterior, se o capacitor é preenchido
com um dielétrico de permissividade ε, a capacidade de armazenamento de carga aumenta
de um fator ε/ε0.


Exemplo 3.2: Capacitor esférico: Considere-se o problema de determinação da
capacitância associada ao par de cascas esféricas condutoras de raios a e b, com o espaço
entre elas preenchido por um material de permissividade ε, conforme ilustrado na Fig.3.6.
Utilizando-se o sistema de coordenadas esféricas, e uma diferença de potencial V entre
superfícies, com a superfície de raio a servindo como referência de potencial, tem-se as
seguintes condições de fronteira,






Utilizando-se a Eq.(1.36), a equação de Laplace adquire a forma





Como o potencial é constante em cada superfície condutora, o problema apresenta
simetria de rotação nas variáveis angulares θ e ϕ, e o potencial só depende da
variável R,. Assim, a equação de Laplace reduz-se a forma






Fig.3.6. Geometria e sistema de coordenadas para o capacitor esférico.

A função potencial é obtida por integração da equação diferencial. Dado que

,
obtém-se



onde


Aplicando-se as condições de fronteira,

,

,

e resolvendo-se o par de equações lineares, obtém-se,





Obtidos os parâmetros A e B, a função potencial na região pode ser expressa na forma



A carga total na superfície de raio b, requer o conhecimento da densidade superficial de
carga, que por sua vez é obtida da componente normal do vetor em R=b. Este é obtido de,



Em R=b,



Da Eq.(2.56), com e , resulta em,




Como a densidade superficial de carga é constante sobre a superfície R=b, a carga total
nessa superfície é dada por


donde



É interessante notar que no limite em que a ≈ b, e , com , obtém-se,



que corresponde ao valor aproximado da capacitância de um sistema de placas paralelas,
com cada placa tendo área S.

3.4.2 Energia armazenada no capacitor

O capacitor armazena energia elétrica, e esta pode ser diretamente expressa em termos da
capacitância da estrutura. Para isso considere-se a geometria da Fig.3.3, e a Eq.(2.27), que
expressa a energia no ponto de vista das fontes do campo,


Como só existe carga nas superfícies condutoras, a integração de volume reduz-se a
integrações de superfície sobre os condutores, ou seja,



onde e representam as superfícies condutoras positiva e negativa,
respectivamente. Como sobre cada superfície o potencial é constante, i.e.,




tem-se


Sendo Q e ÷Q as cargas em cada condutor, essa última expressão adquire a forma



Dado que , obtém-se


Alternativamente essa equação pode ser expressa em termos da capacitância do par de
condutores, nas formas,

(3.15)

(3.16)





3.4.3 Solução da Equação de Laplace pelo método da separação de variáveis

O método da separação de variáveis é utilizado na solução de uma determinada
classe de problemas, nos quais as superfícies que delimitam a região de existência de
campos coincidem com as superfícies coordenadas. A técnica consiste em pesquisar
soluções para a função potencial da forma


,

onde u, v e w são as variáveis associadas ao sistema de coordenadas. Para uma
determinada geometria, se for possível obter uma solução nessa forma separável, então o
teorema da unicidade garante que esta será a solução procurada.

Separação de Variáveis em Coordenadas Cartesianas

Para o sistema de coordenadas cartesianas a solução separável da Eq. de Laplace assume a
forma,




Inserindo-se essa expressão na Eq. (3.13) vem,



donde


Multiplicando-se a última relação pelo fator vem,

,
ou equivalentemente


Como o primeiro membro da última relação depende apenas da variável x, e o segundo,
das variáveis y e z, a igualdade só ocorrerá se ambos os membros forem iguais a uma
constante. Pode-se escrever por tanto,

(3.17)

(3.18)
onde α é a constante de separação. Os sinais atribuídos aos segundos membros das
Eqs.(3.17) e (3.18) são arbitrários em princípio, com a especificação precisa desses sinais e
do valor da constante de separação dependendo do tipo de condições de fronteira impostas
na superfície delimitando a região de interesse. Da Eq.(3.18), pode-se ainda escrever,

(3.19)

Com essa escolha das constantes de separação α e β, obtêm-se as seguintes equações
diferenciais:

, (3.20)
, (3.21)

, (3.22)

com . Para α e β reais, as Eq.(3.20) e (3.21) geram como soluções, funções
senoidais (ou combinações de exponenciais complexas), e a Eq.(3.22), funções hiperbólicas
(ou combinações de exponenciais reais). As soluções gerais são das formas,

(3.23a)
ou
, (3.23b)

(3.23c)

ou
, (3.23d)

(3.23e)
ou
(3.23f)

Note-se que existem apenas duas possibilidades de combinação de soluções, que
dependem do sinal escolhido no processo de separação das equações, a saber:

- Duas funções senoidais e uma função hiperbólica
- Duas funções hiperbólicas e uma senoidal

O tipo de combinação de funções depende da especificação do potencial na fronteira
da região de interesse, como será examinado em mais detalhe nos exemplos a seguir. Antes
de analizar-se o problema tridimensional, é conveniente considerar-se a situação mais
simples de problemas em que o potencial dependa apenas de duas variáveis. Esse é o caso,
por exemplo, de uma estrutura de seção reta uniforme ao longo de uma dada direção,
definida na presente análise, como sendo a direção z. Para essa situação, a função potencial
assume a forma,



que após inserida na Eq. de Laplace e separação dos termos, gera as seguintes equações
diferenciais:


ou


Portanto em duas dimensões pode-se expressar as soluções nas formas,



ou




Exemplo 3.3: Cuba com variação senoidal do potencial em um segmento da fronteira

Considere-se o problema de determinação da função potencial no interior da região
ilustrada na Fig.3.6, onde assume-se que a estrutura seja infinitamente longa da direção
z. Note-se que as superfícies compondo o limite da região de interesse coincidem com os
planos coordenados, x = constante e y = constante , e portanto, a forma separável para o
potencial deve ser apropriada para o problema. Escolhendo-se inicialmente a solução





Fig.3.6 Cuba com potenciais especificados na superfície.

Com as condições de fronteira mostradas na Fig.3.6 obtém-se as seguintes relações:

,
o que fornece A
2
=0,


,

Dessa última expressão, se a condição A
1
=0 for escolhida, a função potencial irá anular-se
em toda região de interesse, não podendo satisfazer a condição imposta na
fronteira y = b. Para evitar essa situação deve-se impor B
2
= 0 e A
1
= 0.

Aplicando-se a condição de fronteira em x = a,



o que fornece A
1
B
1
=0. Portanto, para satisfazer as três condições de fronteira com essa
combinação de funções, gera-se como resultado a função trivial Φ =0 que não satisfaz a
condição de fronteira em y = b. Assim, essa escolha de funções não é apropriada para o
problema em questão.

Utilizando-se a segunda opção para a função Φ,




as condições de fronteira em x= 0 e y = 0, reduzem essa função à forma,

,
com A=A
1
B
1
. Em x=a,

.

Para obter-se A ≠ 0 , deve-se impor a condição,



o que fornece,

(n=1,2,3,...)


Gera-se assim a família de soluções

,
satisfazendo as condições de fronteira em x=0, y=0 e x=a. Aplicando-se finalmente a
condição em y=b,


obtém-se n = 1 e

Assim, a função potencial que satisfaz todas as condições de fronteira é dada por,



A Fig.3.7 ilustra a representação gráfica da função potencial associada ao problema da
Fig.3.6. Nessa figura a distribuição de alturas dos pontos da superfície corresponde aos
valores do potencial sobre o domínio xy da região limitada pela fronteira. Note-se que a
figura se assemelha a uma "rede" esticada por sobre um arco de forma senoidal, com as três
outras extremidades da "rede", que definem o restante da fronteira da região (0≤ x ≤a ,
0 ≤ y ≤ b) , fixadas no plano Φ = 0.













Exemplo 3.4: Cuba com potencial arbitrário em um segmento da fronteira

Considere-se agora, que o potencial na superfície y = b da Fig.3.6, seja dado por uma
função arbitrária , com as superfícies restantes permanecendo aterradas. Para
essa situação, um único membro da família , não pode ser utilizado como solução pois não
satisfaz a condição , para f arbitrário. Pode-se no entanto tentar uma
combinação da família de funções da forma,



A função dada acima, satisfaz as três condições de fronteira em x=0 , y=0 e x=a.
Para que a condição emy=b seja satisfeita, deve-se impor


ou equivalentemente
(3.24)
com

(3.25)

Ou seja, quer-se determinar os coeficientes C
n
de forma que f(x) possa ser decomposta em
funções senoidais de periodicidade 2a/n. O problema é semelhante a decomposição de um
vetor em uma base de vetores ortogonais ,ou seja,



Utilizando-se a propriedade de ortogonalidade, , a projeção C
m
é prontamente
obtida na forma,



A família de funções senoidais , forma uma base de funções ortogonais no
intervalo 0 ≤ x ≤ a. A ortogonalidade dessas funções é obtida com base na relação integral,

(3.26)


Assim, no contexto do espaço de funções, definidas no domínio 0o x ≤ a, pode-se
definir simbolicamente o produto escalar pela relação
(3.27)
Com essa definição simbólica, o produto escalar entre funções de base, obtido da Eq.(3.26)
fornece a propriedade de ortogonalidade,
(3.28)

Assim, em analogia com a decomposição de um vetor em uma base de vetores ortogonais,
pode-se também decompor uma função em uma base de funções ortogonais, uma vez
definindo-se essa operação, como aquela correspondente a Eq.(3.27) no espaço de funções.

Considere-se portanto a Eq.(3.24) na forma



Realizando-se o produto escalar, com uma das funções de base u
m
, em ambos os membros
da expressão anterior, i.e,


tem-se

.
Com base na Eq.(3.27) essa última expressão pode ser escrita na forma



donde

(3.29)

A partir desse método formal de cálculo do coeficiente C
m
e das Eqs (3.27) e (3.28)
obtém-se

(3.30)
A decomposição dada pela Eq.(3.24) é uma forma particular da expansão em série de
Fourier de uma função. A convergência da série é geralmente assegurada para funções de
quadrado integrável, onde recaem a maioria das funções fisicamente realizáveis, e a
aproximação em série será tanto melhor quanto maior for o número de termos no segundo
membro da Eq.(3.24).

Considere-se por exemplo que a superfície y=b seja condutora, mantida a um potencial V,
i.e., f(x)=V. Nesse caso, a Eq.(3.30) fornece


donde:


e a expressão para a função potencial reduz-se a

(3.31)

A Fig.3.8 ilustra a dependência com o número de termos da aproximação em série de
Fourier para V=10 V, nos casos em que a série é truncada em 4 e 40 termos. Como
pode ser aí observado, o aumento do número de termos melhora o grau de
aproximação.



Fig.3.8 Dependência com o número de termos da aproximação em série de Fourier para o
potencial na superfície y=b, para o caso V = 10 V.

A Fig.3.9 ilustra a distribuição de potencial sobre o domínio xy que define a região de
interesse, para o caso em que a série é truncada em 40 termos.




Fig.3.9 Distribuição de potencial obtida com a inclusão de 40 termos na expansão em série
de Fourier.(checar número de termos – parece 8 termos apenas)


Para resolver problemas de valores de fronteira em que as quatro superfícies são mantidas
em potenciais arbitrários, utiliza-se o princípio da superposição de acordo com o diagrama
ilustrado na Fig.3.10. Nessas condições, a solução para o potencial corresponderá à soma de
soluções de problemas com três superfícies aterradas, ou seja,



É fácil verificar que a função Φ é a solução do problema de valores de fronteira da
Fig.3.10, pois satisfaz as condições












Fig.3.10 Esquema para solução da equação de Laplace em coordenadas cartesianas, em duas
dimensões, para condições de contorno arbitrárias.

Exemplo 3.5: Função potencial no interior do paralelepípedo

Considere-se o paralelepípedo ilustrado na Fig.3.11 tendo uma face mantida a um
potencial arbitrário definido pela condição,



com as faces restantes aterradas. Um exame das Eqs.(3.23) indica que as componentes da
solução produto devem ser periódicas nas variáveis , com a terceira
função h(z) assumindo a forma hiperbólica. Seguindo-se a mesma linha de argumentação
descrita no Exemplo 3.3, a função que satisfaz a condição Φ = 0 nas faces localizadas sobre
os planos z= 0, x = 0, x = a, y = 0 e y = b deve ser da forma,



com








Fig.3.11 Geometria utilizada para a determinação da função potencial no interior do
paralelepípedo com potenciais especificados na superfície.

Para satisfazer a condição de fronteira na face localizada em z = c utiliza-se a expansão,


.

Impondo-se a última condição de fronteira, resulta em



com


Novamente o problema reduz-se a decomposição de uma função ( de duas variáveis ) na
base de funções,

.

As relações de ortogonalidade das funções de base no caso presente podem ser obtidas com
base nas relações unidimensionais representadas pela Eq.(3.18), resultando em,

,
onde os parâmetros δ são definidos pela Eq.(3.21). Semelhantemente ao que foi
desenvolvido no Exemplo 3.4, os coeficientes Cnm são obtidos da operação produto escalar,



e o coeficiente Anm é obtido a partir da relação,

.


Separação de Variáveis em Coordenadas Cilíndricas

Com base na Eq.(1.35), a equação de Laplace em coordenadas cilíndricas assume a forma




Soluções dessa equação para problemas de interesse prático são discutidas a seguir.



Caso 1: Potencial independente de ϕ e z

Quando o potencial é independente das coordenadas e z, a equação de Laplace
reduz-se a



que pode ser resolvida por integrações sucessivas, ou seja,


o que fornece

(3.32)

Exemplo 3.6: Capacitância por unidade de comprimento do cabo coaxial
Um exemplo típico associado ao Caso 1, é a determinação da capacitância por
unidade de comprimento do cabo coaxial ilustrado na Fig.3.12. Assume-se que o cabo é
longo o suficiente na direção longitudinal, de forma a permitir a hipótese de comprimento
infinito para a estrutura. Nessas condições, o problema apresenta, além da simetria de
rotação na variável ϕ, simetria de translação ao longo da direção z, e conseqüentemente, a
expressão geral para a função potencial é aquela dada pela Eq.(3.32).


Fig.3.9. Trecho de um cabo coaxial infinitamente longo.
Admitindo-se uma diferença de potencial V > 0 entre os condutores cilíndricos, com o
condutor interno aterrado, as condições de contorno em r = a e r = b fornecem:




e a função potencial na região entre condutores é dada por,

O campo elétrico na região a ≤ r ≤ b é obtido de


a partir do qual a densidade superficial de carga em r=b é obtida, i.e.,


A carga total em um comprimento l dessa superfície é simplesmente,

o que permite obter a capacitância por unidade de comprimento da estrutura,



Caso 2: Potencial independente de z

Se o potencial depende de r e , seja a solução produto,



que inserida na equação de Laplace, fornece,

,

ou equivalentemente,

.
Multiplicando-se ambos os membros da expressão anterior pelo fator , obtém-se

,
onde α é a constante de separação, escolhida real no presente exemplo. Se α = 0, as
equações diferenciais para f e g se reduzem as respectivas formas,

,
gerando como soluções,




Vale salientar que a solução linear obtida para a função g(ϕ) ( C ≠ 0 ), só será permitida se a
geometria do problema não envolver o intervalo completo 0 ≤ ϕ ≤ 2π. Para problemas cuja
geometria envolve todo esse intervalo, a unicidade da função potencial em cada ponto do
espaço requer que a condição C=0 seja satisfeita.

Se α ≠ 0, obtêm-se as relações

, (3.33)

. (3.34)

A solução geral da Eq.(3.34) é da forma


. (3.35)

A solução da Eq.(3.33) pode ser obtida com base no método de Frobenius, largamente
utilizado na solução de equações diferenciais, e que utiliza uma série de potências da
variável independente como representação da solução. Para o caso particular da Eq.(3.33)
apenas um termo da série é suficiente, como verificado a seguir. Assumindo-se portanto f da
forma, f(r)=rk, com k representando um parâmetro a ser determinado, a Eq.(3.33) fornece


donde,



Uma vez que a variável r pode assumir qualquer valor não nulo para problemas de
geometria arbitrária, essa última relação só poderá ser satisfeita na condição

,
ou seja, para k = ± α. Obtêm-se portanto duas soluções independentes para a equação
diferencial. A solução geral para a função f pode assim ser expressa como combinação
linear dessas soluções, na forma

(3.36)


Em resumo, se a geometria do problema de valores de fronteira for tal que 0 ≤ ϕ < β , com
β < 2π, então a função potencial pode ser obtida a partir da combinação de produtos das
formas,

(3.37)


. (3.38)

Em geral o parâmetro ( pode assumir uma infinidade de valores discretos,
determinados a partir da especificidade do problema de valores de fronteira em
questão. Dessa forma, uma solução geral para o potencial pode ser escrita como

, (3.39)

onde admite-se α ≠ 0 no somatório da Eq.(3.39).


Exemplo 3.7: Seja a determinação da função potencial para o conjunto de superfícies
submetidas aos potenciais especificados na Fig.3.10. Como a faixa de variação da variável
azimutal está compreendida no intervalo 0 ≤ ϕ ≤ β < 2π, o tipo de solução produto utilizado é
aquele representado pela Eq.(3.39).


Como o potencial deve ser finito na região r ≤ a, as funções e devem ser excluídas
pois divergem na origem, resultando em . A função assume portanto a
forma,



Aplicando-se a condição de fronteira no trecho da superfície ϕ=0, resulta

e para essa equação se verificar , deve-se impor
o que fornece


Aplicando-se a condição de fronteira no trecho da superfície ϕ=β, resulta



e para que a última igualdade se verifique , é necessário que

e

.
A última condição fornece valor não nulo para a amplitude se o parâmetro ( for da forma

Foi obtida por tanto a solução geral




Fig.3.10 Geometria de definição do problema de valores de fronteira do Exemplo 3.7.


com




A condição de fronteira em r = a implica em

,
com



As funções de base,


são ortogonais no intervalo, , e satisfazem a relação de ortogonalidade


e conseqüentemente os coeficientes da expansão são obtidos da relação,


Considerando-se o caso em que a faixa de variação da coordenada azimutal seja definida
pela condição 0 ≤ ϕ ≤ 2π , duas questões devem ser consideradas,
- O termo linear em ϕ na Eq. (3.39) deve ser nulo pois o potencial é único em cada
ponto do plano xy,
- Pela mesma razão, as funções senoidais na Eq.(3.39) devem se reproduzir para uma
rotação azimutal de 2π. Portanto a constante de separação deve α ser um número
inteiro.
Nessas condições, a solução geral da Eq. de Laplace, com Φ independente de z, assume a
forma

. (3.40)


Os seguintes detalhes devem ser observados quanto ao uso das Eqs. (3.39) e Eq.(3.40):
Se a região de interesse inclui o ponto r=0, as funções devem ser excluídas
da expressão para a função potencial.

Se a região de interesse incluir r → ∞ e na ausência de campos distantes, as
funções também devem ser excluídas da expressão para a função potencial.


Exemplo 3.8: Considere-se o problema de valores de fronteira ilustrado na Fig.3.11, onde
tem-se uma estrutura infinitamente longa de secção reta constante. Note-se que para essa
situação, a solução desenvolvida no Exemplo 3.7 não pode ser utilizada, uma vez que a
condição de potencial nulo nas superfícies r = a e r = b só pode ser satisfeita
se , o que corresponde a solução trivial para a função potencial. Para
determinar-se uma solução para o presente problema, considere-se a modificação α
2
→ - α
2

nas Eqs.(3.33) e (3.34). Com essa substituição, a solução da Eq.(3.34) pode ser expressa na
forma

. (3.41)

A solução da Eq.(3.33) pode ser obtida diretamente da Eq.(3.36) a partir da
substituição α → jα , o que fornece

(3.42)
A Eq.(3.42) é uma forma possível da parte radial associada à função potencial, mas não é
muito conveniente, uma vez que envolve a manipulação de números complexos e a função
potencial é uma função real. Para determinar-se uma forma real alternativa para f , seja a
definição


ou equivalentemente



o que fornece

,
com
.




Com essa definição duas combinações envolvendo as funções r
±j(
podem ser obtidas, ou
seja,


, (3.43)
. (3.44)

Assim, as funções e formam um par de funções reais e independentes
que permitem expressar a função radial na forma

(3.45)

Uma forma equivalente à Eq.(3.45) pode ser escrita como

(3.46)

que satisfaz a condição f(r
0
)=0.
Com essa escolha para a constante (, uma solução possível para a Eq. de Laplace é uma
combinação de produtos de funções dadas pelas Eqs.(3.41) e (3.46), ou seja,
(3.47)
Aplicando-se a condição de fronteira no trecho da superfície ϕ=0, resulta



e para essa equação se verificar , deve-se impor



o que fornece


Aplicando-se a condição de fronteira no trecho da superfície r =a, resulta




e para que a última igualdade se verifique é necessário que



e a função potencial assume a forma

Aplicando-se a condição de fronteira no trecho da superfície r =b, resulta


e para que a última igualdade se verifique é necessário que



e para evitar a obtenção da solução trivial, deve-se escolher



Foi obtida portanto a solução geral

. (3.48)

Aplicando-se a condição de fronteira na superfície ϕ = β resulta

, (3.48a)
com
(3.48b)
As funções

. (3.49)


têm propriedades semelhantes àquelas das funções u
n
(ϕ) do Exemplo 3.7. A Fig.3.12
mostra gráficos de w
n
para n =1, 2, 3. Note-se que todas essas funções têm nós
em r =a, b. Essas funções também obedecem a relações de ortogonalidade no
intervalo a ≤ r ≤ b . Para isso define-se o produto escalar nesse intervalo de acordo com a
relação

Fig.3.12 Representação gráfica da função w
n
para n = 1, 2, 3.

. (3.50)
Com essa definição do produto escalar, tem-se

Fazendo-se a mudança de variáveis


tem=se




ou equivalentemente

(3.51)
Realizando-se o produto escalar da Eq.(3.48a) com a função w
m
e com base na relação de
ortogonalidade dada pela Eq.(3.51), tem-se

,
ou equivalentemente

.

Inserindo-se essa última relação na Eq.(3.48b) obtém-se

(3.52)


3.5 Solução da Equação de Poisson - Método das Imagens

3.5.1 O Método das Imagens

Nas secções anteriores foram discutidas técnicas de solução de problemas de valores
de fronteira governados pela equação de Laplace, ou seja, problemas caracterizados pela
ausência de cargas discretas ou distribuições contínuas de carga na região de
interesse. Quando cargas estão presentes na região de interesse, e considerando-se que o
meio de imersão das cargas seja linear, homogêneo e isotrópico, a função potencial satisfaz à
equação de Poisson, reproduzida a seguir

(2.32)
Uma solução formal dessa equação já foi obtida através do método das funções de Green,
como por exemplo na Eq.(3.8), aplicável para problemas de valores de fronteira de
Dirichlet. O método das imagens é uma técnica simples a partir da qual pode-se obter
conceitualmente uma solução da equação de Poisson. O método pode ser generalizado para
uma distribuição qualquer de cargas, a partir de sua aplicação para o caso de um conjunto de
cargas discretas. Na discussão que se segue a aplicação do método das imagens será restrita
à situações em que a fronteira da região de interesse seja formada por uma superfície ou
casca condutora e, quando for o caso, por uma superfície imaginária no infinito.

Dois problemas envolvendo uma fronteira condutora ∑ estão ilustrados na Fig.3.13.
No problema interior a superfície ou casca condutora envolve a região de interesse. Por
outro lado, no problema exterior, a região de interesse é ilimitada, e tem uma fronteira
condutora, geralmente, de dimensão finita e que em alguns pode ser infinitamente
extensa. Em ambas as situações o potencial na superfície ∑ é dado por
0
. A região de
interesse tem permissividade c e contém N cargas discretas. A j-ésima carga é q
j
(j = 0, 1, 2,
..., N) e está localizada no ponto definido por . Sem a imposição do potencial em © e
admitindo que a região condutora fosse substituída por uma região de permissividade ¿, a
solução para o potencial seria da forma

(3.53)
O método das imagens consiste em determinar-se os parâmetros Q
k
e , representando,
respectivamente, o valor e o vetor posição da k-ésima carga imagem pertencente a um
conjunto de M cargas discretas, todas localizadas no exterior da região de interesse, de tal
forma que o potencial eletrostático do conjunto de N+M cargas discretas se reduza ao
valor \
0
na superfície Σ, conforme ilustrado na Fig.3.14. Uma vez determinados os
parâmetros Q
k
e (k = 1, 2, 3, ..., M), a solução para o potencial na região de interesse é da
forma
,
ou equivalentemente, com o emprego da Eq.(3.53),
(3.54)









Fig.3.14 Problema equivalente ao problema interior mostrado na Fig.3.13 em que um
conjunto adicional de cargas imagem é utilizado para impor o valor
0
para o potencial
eletrostático na superfície ∑.

Assim, pelo teorema da unicidade, se a função potencial obtida com a adição das cargas
imagem satisfaz a condição de contorno imposta na superfície ∑ , então essa é de fato a
solução do problema. Algumas observações podem ser feitas quanto ao método das imagens:

- As cargas imagem estarão sempre localizadas na região exterior à região de interesse. Se
isso não ocorresse, surgiriam singularidades adicionais no laplaciano da função potencial
na região de interesse, o que violaria a especificação original da distribuição de carga
nessa região.
- O meio de imersão das cargas imagem tem a mesma permissividade elétrica da região de
interesse.
- A solução para a função potencial não é válida no exterior da região de interesse.

3.5.2 Distribuição de carga na vizinhança de um plano condutor

Para ilustrar a utilidade do método das imagens, considere-se inicialmente o
problema ilustrado na Fig.3.15, de determinação da função potencial no semi-espaço ,
para o caso de uma carga q posicionada a uma distância d de um plano condutor
aterrado. Na ausência da superfície condutora, a solução para a função potencial seria
aquela de uma carga puntiforme. Essa solução, no entanto, não satisfaz a condição de
potencial nulo no plano xy indicado na Fig.3.15. Intuição e experiência na determinação do
potencial de cargas discretas permite antecipar que apenas uma carga imagem ÷q,
posicionada sobre o eixo z no ponto de coordenadas (0,0,÷d) seja suficiente para produzir a
função potencial que se anule no plano z = 0. Pode-se generalizar um pouco mais a
especificação da magnitude e da localização da carga imagem, e esse procedimento será útil
em outras geometrias, admitindo-se a adição de uma carga imagem q’ no ponto de
coordenadas (0,0,÷d´), conforme ilustrado na Fig.3.16. Nessas condições, a função potencial
na região z > 0 é dada por








Os parâmetros q’ e d’ são obtidos impondo-se a condição de potencial nulo na
superfície z =0. Da expressão anterior essa condição fornece

Essa última expressão mostra que a carga q’ tem de ter sinal oposto ao da carga q, ou
equivalentemente

Para determinar a distância d´, eleva-se ao quadrado a expressão anterior e após algumas
manipulações obtém-se


Para que a última expressão seja válida para um valor arbitrário de , deve-se impor
,
,
que é o resultado já antecipado anteriormente. Obtidos esses parâmetros, a função potencial
na região é dada por
(3.55)

Uma questão importante no presente problema é a determinação da distribuição de carga
induzida no plano condutor. Essa distribuição pode ser obtida da condição de contorno
em z = 0, i.e.,
,
e da Eq.(3.55) obtém-se
(3.56)

A Fig.3.17 ilustra a dependência radial da densidade de carga induzida no plano
condutor. Note-se que a densidade máxima prevista pela Eq.(3.56) varia com o inverso do
quadrado da distância da carga q ao plano condutor, e isso é observado na Fig.2.17. A
medida que a carga se aproxima do plano, a densidade máxima aumenta e a distribuição de
carga se concentra na região próxima ao eixo z. Se a carga q é afastada do plano, a carga
induzida se distribui em uma região mais extensa do plano condutor. A carga total induzida
pode ser calculada diretamente da definição

A última expressão foi obtida a partir da mudança de variáveis u = r/d. Como pode ser aí
observado a integral não depende da distância d, e o cálculo da integral leva ao resultado

O método das imagens permite também calcular, de forma simples, a força de interação
entre a carga q e a superfície condutora. Essa é exatamente a força entre a carga e a carga
imagem. Dessa forma, a magnitude da força de atração entre a carga q e o plano condutor da
Fig.3.15 é simplesmente



Fig.3.17 Dependência radial da distribuição de carga induzida no plano
condutor do problema da Fig.3.15.
Conforme discutido no início desta secção, uma vez obtida uma solução para o caso de
uma carga discreta, pode-se generalizar o resultado para uma distribuição arbitrária de
cargas, conforme ilustrado na Fig.3.18a. Para o problema de uma distribuição próxima ao
plano condutor, pode-se subdividir a distribuição em volumes elementares, cada um com
carga , associado a uma carga elementar imagem de mesma magnitude e sinal oposto
para equilibrar o potencial na superfície z = 0. Assim, conforme ilustrado na Fig.3.18b, a
distribuição imagem é de fato a reflexão da distribuição original, com cada elemento da
distribuição imagem satisfazendo as condições
(3.57a)
(3.57b)
(3.57c)
A função potencial na região exibe a forma geral
,
onde V é o volume da distribuição de carga e V
imagem
é o volume da distribuição de carga
imagem. . Utilizando-se as Eqs.(3.57a) a (3.57c) resulta
(3.58)


(a) (b)
Fig.3.18 (a) Geometria do problema de valores de fronteira envolvendo uma distribuição de
carga de forma arbitrária na vizinhança de uma superfície condutora aterrada. (b) Problema
equivalente resultante do método das imagens.
Assim, em essência a solução integral dada pela Eq.(3.58) nada mais é do que a
solução da equação de Poisson para o problema de valores de fronteira de Dirichlet, em que
o potencial é especificado em z =0.
O método das imagens permite também obter imagens de dipolos elétricos ou de
materiais polarizados nas proximidades de uma superfície condutora. Para o caso de um
dipolo próximo a um plano condutor aterrado, conforme ilustrado na Fig.3.19 a, pode-se
facilmente construir o dipolo imagem decompondo-se o dipolo original como um par de
cargas de mesma magnitude e de sinais opostos. Assim, o dipolo imagem obtido é aquele
mostrado na Fig.3.19 b. Para o caso de um material polarizado próximo a uma superfície
condutora, decompõe-se a região polarizada em dipolos elementares e constrói-se a
distribuição imagem com base no conceito ilustrado na Fig.3.19.

(a) (b)
Fig.3.19 (a) Dipolo elétrico próximo a um plano aterrado. (b) Problema equivalente pelo
método das imagens.
3.5.3 Distribuição de carga na vizinhança de uma casca esférica condutora

Esfera Condutora Aterrada

Considere-se o problema ilustrado na Fig.3.20(a), de determinação da função
potencial no exterior da esfera aterrada de raio a, para o caso de uma carga q posicionada a
uma distância b da origem. Utilizando-se o princípio discutido na secção anterior, seja a
adição de uma carga imagem q’ no interior da região esférica a uma distância c da origem,
conforme ilustrado na Fig.3.20 (b). O problema agora consiste em determinar-se a
magnitude e localização dessa carga imagem da condição de potencial nulo em R = a. A
função potencial no exterior da região esférica é dada por





(a) (b)
Fig.3.20 (a) Carga puntiforme na vizinhança de um esfera condutora aterrada. (b) Problema
equivalente com a inclusão de uma carga imagem no interior da esfera.
A condição de potencial nulo na superfície esférica fornece

e como antes, essa última expressão mostra que a carga q’ tem de ter sinal oposto ao da
carga q, ou equivalentemente . Para determinar-se a distância c, eleva-se ao quadrado
a expressão anterior, obtendo-se


o que fornece após algumas manipulações


Utilizando-se , a condição a ser satisfeita é da forma

Para que a última expressão seja válida para um valor arbitrário do ângulo polar \ no
intervalo , deve-se impor
(i)
(ii)
Inserindo-se a equação (ii) na equação (i) tem-se

¬
o que fornece
(3.59)
Essa última relação inserida na equação (ii) fornece ( com a restrição de sinal da carga q´)
(3.60)
Das Eqs.(3.59) e (3.60) podem-se extrair as seguintes observações
- O raio da esfera é a média geométrica das respectivas distâncias à origem da carga e de
sua imagem.
- A carga imagem tem magnitude inferior a da carga q.
- A medida que a carga q se aproxima da superfície esférica o mesmo ocorre com a carga
imagem e vice-versa
- Ainda nessa condição a magnitude da carga imagem torna-se próxima àquela da
carga q. Nesse contexto a solução é próxima àquela do plano aterrado infinitamente
extenso tratado na secção anterior.
Com as soluções dadas pelas Eqs.(3.59) e (3.60) a função potencial assume a forma
(3.61)
A densidade superficial de carga na superfície R = a é obtida da condição de contorno para
o vetor densidade de fluxo elétrico nessa superfície, ou equivalentemente,


e com base na Eq.(3.61) obtém-se
(3.62)
A Fig.3.21 ilustra a dependência angular da densidade de carga induzida na superfície
esférica condutora. Como pode ser aí observado essa função torna-se mais concentrada e
acentuada em torno do eixo z a medida que a razão b/a diminui. A carga total induzida pode
ser obtida por integração de Eq.(3.62) ou de forma bem mais simples, utilizando-se a lei de
Gauss. Pela construção do método das imagens, todas as linhas de campo originadas na
carga q que terminam na superfície condutora, se prolongadas para o interior da esfera, vão
terminar na carga imagem q´, conforme ilustrado na Fig.3.22. Dessa forma, o fluxo elétrico
para fora de qualquer superfície fechada que contenha a superfície esférica é exatamente
igual a q´, ou seja,
, e portanto,
. (3.63)


Fig.3.21Dependência angular da densidade de carga induzida na esfera aterrada.

Fig.3.22 Linhas de campo e superfícies gaussianas envolvendo a carga imagem.

Esfera Condutora Submetida a um Potencial V


Considere-se uma ligeira modificação do problema anterior, com a esfera submetida a
um potencial V, conforme ilustrado na Fig.3.22a. O problema pode ser resolvido utilizando-
se o princípio da superposição, a partir das soluções \
1
e \
2
ilustradas nas Figs.3.22b e c,
respectivamente. A solução \
1
já foi obtida anteriormente. Na Fig.3.22b, a solução \
2
é
simplesmente



e a solução do problema da Fig.3.22a é da forma

(3.64)



(a) (b) (c)
Fig.3.22(a) Carga puntiforme na vizinhança de uma esfera condutora submetida a um
potencial V. O problema pode ser decomposto como a superposição dos problemas
envolvendo: (a) a carga puntiforme na vizinhança da esfera aterrada e (b) esfera submetida a
potencial V imersa em uma região livre de cargas.

Esfera Condutora Isolada e Carregada com carga total Q

Considere-se que a esfera de raio a esteja isolada e carregada com carga Q, conforme
ilustrado na Fig.3.23. Se a carga Q for exatamente igual a carga q´, então, com base no
resultado obtido para o problema da esfera aterrada, o potencial da esfera deve ser nulo, e a
solução para o potencial no exterior da esfera é aquela dada pela Eq.(.3.61). Se então a
esfera não está aterrada, mas submetida a um potencial V. Com base no problema da
Fig.3.22 a solução é dada pela Eq.(.3.64), ou seja,

Os dois primeiros termos da expressão anterior fornecem uma carga total na esfera. Isso
implica que o terceiro termo da expressão anterior deve estar associado a uma carga total



distribuída uniformemente na superfície da esfera. A distribuição dessa carga tem que ser
uniforme pois só esse tipo de distribuição fornece o tipo de função potencial dado pelo
terceiro termo do segundo membro da Eq.(3.61). Com essas considerações, a solução para o
caso da esfera carregada com carga Q é da forma

(3.65)


Fig.3.23 Carga puntiforme na vizinhança de uma esfera condutora carregada com carga Q. O
problema pode ser decomposto como a superposição dos problemas envolvendo a esfera
aterrrada de carga q´ e a esfera carregada uniformemente com cargaQ÷q´.

É interessante analisar a interação entre a carga q e a esfera carregada. A esfera de
carga Q, na vizinhança da carga qé equivalente a uma carga imagem a uma distância c da
origem e uma carga posicionada na origem. Conseqüentemente a força da esfera
sobre a carga q é dada por



o que pode ser escrito, após algumas manipulações na forma,
, (3.66)
com
, (3.67a)

, (3.67b)

. (3.67c)

A Fig.3.24 mostra a dependência da força sobre q com o parâmetro ¹. Note-se que
para Q/q o 0 a força é sempre atrativa. Por outro lado para Q/q > 0 a força pode tornar-se
atrativa se a carga q aproximar-se da esfera a partir de uma distância limite. Ou seja, apesar
de as cargas serem de mesmo sinal, há a possibilidade de ocorrer atração entre a carga e a
esfera. Isso ocorre devido ao fato de a carga q, ao se posicionar a uma distância inferior a
essa distância limite, induzir uma distribuição de carga de sinal contrário na esfera,
acentuada o suficiente para produzir um efeito líquido de atração elétrica.



Fig.3.24 Dependência com a distância relativa da força de interação
entre uma carga puntiforme e uma esfera condutora.




Problemas

3.1 Considere o capacitor de placas paralelas parcialmente preenchido com um material de
permissividadec, conforme ilustrado na figura P3.1. Os potenciais nas placas superior e
inferior são +V e -V, respectivamente. Admitindo que a placa tenha área A, e que as
dimensões lineares das placas sejam grandes comparadas com o espaçamento d, obtenha
a função potencial e vetor campo elétrico dentro e fora do dielétrico e a capacitância da
estrutura.



P3.1



3.2.Considere uma esfera condutora maciça de raio a, envolvida por uma casca condutora
esférica de raio c, ambas aterradas. Na superfície esférica de raio b, com a < b < c, existe
uma densidade superficial de carga constante µ
s
. Determine:

a) a função potencial na região limitada pela casca de raio c.
b) o vetor campo elétrico na região limitada pela casca de raio c.
c) as cargas induzidas na superfície do cilindro de raio a e na superfície interna da casca de
raio c

3.3.Para os problemas de valores de fronteira ilustrados na figura P3.3, determine a função
potencial e o vetor campo elétrico no espaço limitado pela fronteira.

3.4.Uma lâmina de cargas de espessura desprezível, e infinitamente extensa está localizada
no plano z=0. Admitindo que sobre esta lâmina, a densidade superficial de cargas seja da
forma,



com )
0
(C/m
2
) e ((m
-1
) sendo parâmetros constantes, determine o vetor campo elétrico em
todo o espaço.









P3.3

3.5.Determine a capacitância por unidade de comprimento para a estrutura infinitamente
longa tendo a seção reta mostrada na figura P3.5.
















3.6.Determine a solução para o potencial e vetor campo elétrico para os problemas de
valores de fronteira ilustrados na figuraP3.6.




P3.6

3.7.Um cilindro dielétrico infinitamente longo é imerso em uma região de campo uniforme. Uma vista frontal
desta situação está mostrada na figura P3.7. Determine o campo elétrico no interior e no exterior do
dielétrico.



P3.7


3.8.Um cilindro isolante infinitamente longo é polarizado permanentemente com vetor
polarização constante. A seção reta do cilindro está ilustrada na figura P3.8. Determine o
vetor campo elétrico dentro e fora do cilindro













3.9. Repita o problema 3.8, admitindo que o cilindro seja um condutor aterrado e que esteja
imerso em uma região previamente submetida a um campo elétrico uniforme.

3.10. Para os problemas ilustrados nas figuras P3.10a, P3.10b, P3.10c e P3.10d determine
o potencial eletrostático, o vetor campo elétrico e as densidades superficiais de carga,
induzidas nas superfícies condutoras correspondentes.



P3.10a



P3.10b




P3.10c P3.10d




3.11. Para a placa polarizada posicionada na vizinhança da superfície condutora aterrada
mostrada na figura P3.11, determine o potencial e o vetor campo elétrico no eixo z aí
indicado.