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NORMAS EM

CONTROLE DE
INFECÇÕES
HOSPITALARES
Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar - CCIH
Parnamirim
2011
INTRODUÇÃO

O exercício do controle de infecções hospitalares é uma manifestação da excelência de
um serviço, sendo esta diretamente proporcional ao nível de qualidade do citado controle.
Conseqüentemente, uma instituição que zela pelo controle das infecções hospitalares oferece
um serviço de melhor padrão aos seus usuários.
Este manual é o resultado de uma iniciativa do Hospital Regional Deoclécio Marques
de Lucena de Parnamirim RN. O manual intitula-se Normas em Controle de Infecções
Hospitalares e resume o que os componentes da Comissão de Controle de Infecções
Hospitalares puderam compilar tendo como referências livros, portarias, guias, manuais e
demais publicações sobre o assunto. Houve o cuidado, como pode ser percebido nas
bibliografias consultadas, em consultar-se material científico publicado por instituições de
grande credibilidade e em utilizar-se das publicações mais atuais possíveis.
O controle das infecções hospitalares é, em primeira instância, realizado no dia-a-dia
de trabalho de cada profissional, cabendo à CCIH o trabalho de educar de forma continuada e
estruturar de forma organizacional este controle. A CCIH tem como objetivo, com esta
compilação, oferecer aos profissionais de saúde um guia prático, confiável e de consulta
rápida, possibilitando-os à implantação de normas mundialmente recomendadas em seus
serviços.
ÍNDICE
INFECÇÃO HOSPITALAR__________________________________________________________1
HIGIENIZAÇÃO HOSPITALAR______________________________________________________4
LIXO HOSPITALAR________________________________________________________________7
ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO________________________________________________13
LAVANDERIA HOSPITALAR_______________________________________________________22
NORMAS DE HIGIENE ALIMENTAR PARA O SETOR DE NUTRIÇÃO E DIETÉTICA____27
ACIDENTES OCUPACIONAIS COM FLUIDOS ORGÂNICOS___________________________34
PREVENÇÃO DE PNEUMONIA NOSOCOMIAL______________________________________40
PREVENÇÃO DE INFECÇÕES DO TRATO URINÁRIO________________________________43
PREVENÇÃO DA INFECÇÃO DA FERIDA CIRÚRGICA_______________________________47
PREVENÇÃO DAS INFECÇÕES ASSOCIADAS A CATETERES INTRAVASCULARES____53
PREVENÇÃO DE INFECÇÕES HOSPITALARES NEONATAIS_________________________57
PRECAUÇÕES PARA O CONTROLE DE INFECÇÕES NO SERVIÇO DE ODONTOLOGIA_60
PRECAUÇÕES E ISOLAMENTO DE PACIENTES COM DOENÇAS INFECTO-
CONTAGIOSAS___________________________________________________________________64
PADRONIZAÇÃO DE SOLUÇÕES ANTISSÉPTICAS__________________________________68
NORMAS PARA REALIZAÇÃO DE CURATIVOS_____________________________________70
NORMAS PARA COLETA DE MATERIAIS PARA CULTURA__________________________73
HIGIENIZAÇÃO DA CAIXA D’ÁGUA________________________________________________77
ANEXOS_________________________________________________________________________78
FICHA DE NOTIFICAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DE ACIDENTES OCUPACIONAIS _____79
FICHA DE NOTIFICAÇÃO DE USO DE ANTIBIÓTICOS________________________________81
NOTIFICAÇÃO DE INFECÇÕES COMUNITÁRIAS E HOSPITALARES____________________81
NOTIFICAÇÃO DE INFECÇÕES DE SÍTIO CIRÚRGICO ________________________________83
NOTIFICAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE RISCO_____________________________________84
ROTEIRO DE INSPEÇÃO DE ARQUITETURA HOSPITALAR____________________________85
ROTEIRO DE INSPEÇÃO DO SETOR DE LIMPEZA HOSPITALAR_______________________89
ROTEIRO DE INSPEÇÃO DO SETOR DE LAVANDERIA HOSPITALAR___________________92
ROTEIRO DE INSPEÇÃO DA CENTRAL DE MATERIAL ESTERILIZADO_________________94
ROTEIRO DE INSPEÇÃO DO SETOR DE NUTRIÇÃO E DIETÉTICA______________________96
ROTEIRO DE INSPEÇÃO DO SETOR DE NEONATOLOGIA_____________________________99
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA___________________________________________________101
Normas em Controle de Infecções Hospitalares – CCIH/FMS 1
INFECÇÃOHOSPITALAR
DEFINIÇÃO

Infecção comunitária. É a infecção constatada ou em incubação no ato de admissão do
paciente, desde que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital.
São também comunitárias:
1. As infecções associadas a complicações ou extensão da infecção já presente na
admissão, a menos que haja troca de microrganismo ou sinais ou sintomas fortemente
sugestivo da aquisição de nova infecção.
2. Infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi
comprovada e que tornou-se evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes
simples, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS). Adicionalmente, são
também consideradas comunitárias todas as infecções de recém-nascidos associadas
com bolsa rota superior a 24 horas.



Infecção Hospitalar. É qualquer infecção adquirida após a internação do paciente e que se
manifesta durante a internação ou mesmo após a alta, quando puder ser relacionada com a
internação ou procedimentos hospitalares. Usa-se como critérios gerais:
1. Quando na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária for
isolado um germe diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do
paciente, o caso deverá ser considerado como hospitalar.
2. Quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver
evidência clínica e/ou dado laboratorial de infecção no momento da admissão,
considera-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de infecção que se
apresentar 72 horas após a admissão. Também são consideradas hospitalares
aquelas infecções manifestadas antes de se completar 72 horas da internação,
quando associadas a procedimentos invasivos diagnósticos e/ou terapêuticos,
realizados previamente.
3. As infecções no recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de
forma transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24 horas.

 Nem todas as infecções diagnosticadas após a admissão são hospitalares. As doenças
podem ainda estar no seu período de incubação no momento da internação. Para se
classificar uma infecção adquirida após a admissão, deve-se correlacionar o tempo de
hospitalização com o de incubação. É considerada hospitalar se o tempo de hospitalização
do paciente superar a duração mínima do período de incubação. Exemplo:
• O período de incubação da varicela varia entre 15 a 21 dias; assim, se identificarmos uma
varicela no 16
o
dia de internação de um paciente, ela será considerada hospitalar.
 Entretanto, após a alta do paciente, considera-se infecção hospitalar se a infecção for
detectada até o valor máximo do período de incubação. Exemplo:
• Uma varicela detectada 21 dias após a alta hospitalar é considerada como infecção
hospitalar, pois a mesma poderia ter sido contraída no hospital e ainda estar em
incubação até o momento do diagnóstico.
• As infecções que se manifestam até 72 horas após a alta do paciente são consideradas
hospitalares quando seu período de incubação não for conhecido.
 Estas convenções foram estabelecidas para aumentar ao máximo a sensibilidade da
detecção das infecções hospitalares. Para as infecções que não têm período de incubação
conhecido, como as infecções urinárias e pneumonias, considera-se, como expresso
acima, como infecção hospitalar, aquela diagnosticada 72 horas após a internação do
paciente.
 Os critérios para o diagnóstico das infecções hospitalares no paciente submetido a um
procedimento invasivo no hospital, na mesma topografia da infecção, são os seguintes
• infecção urinária que se desenvolve após cateterismo vesical pode ser classificada como
hospitalar antes de decorridos 72 horas da internação;
• infecção urinária que se manifesta até 7 dias após a retirada de sonda vesical;
• infecção de sítio cirúrgico que se manifesta até 30 dias após o procedimento e até 1 ano
após o mesmo quando há implante de prótese;
• para os demais procedimentos, incluindo a ventilação mecânica e os cateteres
vasculares, o prazo é de 72 horas após a retirada do procedimento.
 Nas transferências entre unidades diferentes do mesmo hospital, utiliza-se o período de 72
horas para definir a unidade a qual será atribuída a infecção. Ou seja, a infecção será
atribuída à nova unidade para a qual o paciente foi transferido somente se o diagnóstico for
efetuado após 72 horas de transferência, caso contrário a infecção será creditada à
unidade anterior.
 Se o paciente é submetido a procedimento invasivo, exceto cirurgia, e depois transferido
para outra unidade do hospital, os critérios são:
• quando é transferido sem o procedimento, considera-se o intervalo de 7 dias após a
retirada da sonda vesical para o diagnóstico de infecção urinária para atribuí-la à
unidade que realizou o procedimento;
• após 7 dias de retirada da sonda vesical, a infecção não será correlacionada ao
procedimento e será atribuída à nova unidade;
• no caso de ventilação mecânica e cateteres intravasculares, o prazo é mantido em 72
horas;
• quando o paciente é transferido ainda com o procedimento, a infecção é creditada à
unidade em que for identificada, pois a continuidade da instrumentação torna sem valor
a incubação de 72 horas.



TIPOS DE INFECÇÃO HOSPITALAR. As infecções hospitalares mais comuns são:
• Infecção urinária
• Infecção da ferida operatória
• Pneumonia hospitalar
• Infecção de pele e partes moles



MEDIDAS GERAIS DE CONTROLE DAS INFECÇÕES HOSPITALARES
• Lavar sempre as mãos
 Após qualquer trabalho de limpeza
 Ao verificar sujeira visível nas mãos
 Antes e após utilizar o banheiro
 Após tossir, espirrar ou assoar o nariz
 Antes e após atender o paciente
 Antes e após o término do dia de trabalho
• Não sentar no leito do paciente (pode-se carregar germes para casa ou deixar germes no leito
do doente)
• Manter os cabelos compridos presos durante o manuseio do doente (em áreas críticas usar
gorros)
• Manter o avental sempre abotoado
• Evitar o uso de jóias ao realizar procedimentos; elas são possíveis fontes de germes
• Seguir corretamente as normas técnicas na realização de qualquer procedimento
• Ter boa higiene pessoal
Normas em Controle de Infecções Hospitalares – CCIH/FMS 3
TRANSMISSÃO DE INFECÇÕES
♦ As principais formas de transmissão das infecções no hospital são:
 Através das mãos: caso não lavarmos com freqüência as mãos, os germes aderem-se às
nossas mãos à medida em que tocamos nas diversas superfícies do hospital; nas nossas
mãos os germes pegam uma “carona” e podem ser levados diretamente ao paciente ou
para suas roupas e objetos pessoais e daí para o paciente.
 Através das secreções orgânicas: o sangue, a urina, as fezes, os vômitos e todas as
secreções dos pacientes podem conter germes e acidentes com estas secreções ou com
equipamentos contaminados com estas podem transmitir doenças.


PREVENÇÃO DE EXPOSIÇÃO ACIDENTAL A SANGUE E OUTROS FLUIDOS

 Durante seu trabalho, o profissional de saúde pode se contaminar acidentalmente com
germes do paciente devido a exposição a sangue e outros fluidos orgânicos do mesmo.
 As ocorrências mais comuns são as perfurações com objetos pontiagudos contaminados
(agulhas, bisturis, etc.) ou contaminação da pele ou de mucosas com estes fluidos
orgânicos
 Dentre os germes, os que oferecem maior perigo são os vírus da hepatite B, vírus da
hepatite C e vírus da imunodeficiência humana (HIV)


NÃO ADIANTA TER CUIDADO APENAS COM PACIENTES QUE SABIDAMENTE TÊM
ESTAS DOENÇAS. A MAIORIA DOS PACIENTES INFECTADOS COM ESTES VÍRUS NÃO
APRESENTAM SINTOMAS INICIALMENTE E PODEM TRANSMITIR ESTAS INFECÇÕES

PRECAUÇÕES UNIVERSAIS:

1 - Lavagem das mãos sempre que houver contato da pele com sangue e secreções de
qualquer paciente
2 - Usar luvas ao manipular sangue e/ou secreções e sempre que houver possibilidade de
contato com matéria orgânica
3 - Lavar as mãos após retirar as luvas (mesmo luvas de primeiro uso podem apresentar
microfuros que permitem a passagem dos germes)
4 - Usar avental ou Bata no ambiente de trabalho (para não levar germes do hospital para casa
nas suas roupas); se estiver sendo manipulada grande quantidade de sangue ou outros
líquidos corporais, deve-se usar avental impermeável
5 - Não reencapar, dobrar ou quebrar agulhas utilizadas
6 - Desprezar agulhas, lâminas e outros materiais perfurocortantes em depósito de paredes
rígidas adequados; preencher estes recipientes somente até à linha demarcatória para que
permitam seu fechamento adequado, sem riscos de acidentes
7 - Usar máscara quando houver risco de contaminação da mucosa oral e nasal com respingos
de sangue ou outras secreções
8 - Realizar a limpeza, desinfecção e esterilização adequada de materiais e do ambiente

HIGIENIZAÇÃO HOSPITALAR

ÁREAS HOSPITALARES

O hospital é dividido em três áreas, cada uma com características distintas e com um tipo de
limpeza e material adequado a cada uma.

1. Área Crítica
São aquelas que apresentam maior risco de transmissão de infecções devido à realização de
procedimentos invasivos, pela presença de pacientes com falhas em seus mecanismos de
defesa imunológica ou devido à facilidade para transmissão de infecções.
 UTI
 Centro cirúrgico
 Sala de parto
 Berçário de alto risco
 Unidade de queimados
 Hemodiálise
 Isolamentos
 Laboratórios de patologia
 Cozinhas
 Lactários
 Lavanderia
 Central de Material Esterilizado


2. Área Semicrítica
São aquelas onde se encontram pacientes, mas o risco de adquirir infecções é menor.
 Enfermarias
 Ambulatórios
 Banheiros de pacientes


3. Área Não-Crítica
São todos os setores do hospital onde não há pacientes e, portanto, não há risco de
transmissão de infecções.
 Almoxarifado
 Escritórios
 Secretaria
 Serviços administrativos
 Farmácia
 Refeitórios
 Auditórios


DEFINIÇÕES DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO
LIMPEZA
 É a remoção de toda sujeira local.

DESINFECÇÃO
 É a remoção de agentes infecciosos de uma superfície e deve ser realizada sempre que
ocorrer a contaminação por matéria orgânica (sangue, urina, pus, fezes, vômitos, etc.).

LIMPEZA CONCORRENTE
 É aquela realizada, de forma geral, diariamente, e inclui a limpeza de pisos, instalações
sanitárias, superfícies de equipamentos e mobiliários, esvaziamento e troca de recipientes
de lixo, de roupas e arrumação em geral.

LIMPEZA IMEDIATA  Trata-se da limpeza que é realizada quando ocorre sujidade após a
limpeza concorrente em áreas críticas e semicríticas, em qualquer período do dia, quando
observada através de vistoria contínua ou de solicitação.
 Tal sujidade refere-se, principalmente, àquela de origem orgânica, com risco de
contaminação de pacientes ou funcionários.
 Essa limpeza limita-se à remoção imediata dessa sujidade do local onde ela ocorreu e sua
adequada dispensação; a técnica utilizada dependerá do tipo de sujidade e de seu risco de
contaminação.

LIMPEZA DE MANUTENÇÃO
 Limita-se principalmente ao piso, banheiros e esvaziamento de lixo, em locais de grande
fluxo de pessoal e de procedimentos, sendo realizada nos três períodos do dia (manhã,
tarde e noite), conforme a necessidade, através de rotina e de vistoria contínua.
 Exemplos onde esse tipo de limpeza ocorre com freqüência são o pronto-socorro e o
ambulatório, devido à alta rotatividade de atendimento.



LIMPEZA TERMINAL
 Trata-se de uma limpeza mais completa, abrangendo pisos, paredes, equipamentos,
mobiliários, inclusive camas, macas e colchões, janelas, vidros, portas, peitoris, varandas,
grades do ar-condicionado, luminárias, teto, etc.
 A limpeza terminal da unidade de um paciente internado deverá ser realizada logo após a
alta, transferência ou óbito do paciente.
 A limpeza terminal do centro cirúrgico é realizada diariamente, após a programação de
cirurgias do dia.

PRODUTOS UTILIZADOS NA
LIMPEZA/DESINFECÇÃO
AMBIENTAL Produto
Indicação Como
Solução de detergente líquido
neutro
Limpeza para remoção de
sujidades
Varredura úmida
Hipoclorito de sódio a 1% Desinfecção de superfícies não-
metálicas contaminadas com
matéria orgânica
Deixar atuar por 10 minutos.
Retirar o excesso com pano
úmido.
Álcool a 70% Desinfecção de superfícies
metálicas
Fricção e secagem espontânea
por três vezes consecutivas.