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Redução de Custos - EAV - Engenharia e Análise do Valor

Diante do aumento da concorrência, as empresas
têm procurado racionalizar os seus processos
produtivos, visando maximizar a produtividade
através da redução dos custos de produção de bens
e serviços, para atendimento às exigências dos
consumidores e como forma de se manterem
competitivas no mercado.

A análise do valor se constitui numa ferramenta capaz de reduzir custos da
produção de bens e serviços da ordem de 60%, possibilitando o aumento do valor
de aquisição do produto para o usuário.

O interesse pela Análise do Valor aumentou na década de cinqüenta nos EUA,
quando foram feitas tentativas de aplicá-la nos processos de manufatura, serviços
e trabalhos administrativos. Os resultados positivos do seu emprego foram obtidos
ao longo do tempo com o uso dos conhecimentos da psicologia e outras técnicas
desenvolvidas conforme a necessidade, como as da abordagem funcional.

As aplicações da análise do valor foram surgindo em diversos países, como:
Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Hungria, Inglaterra,
Irlanda, Itália, Índia, Japão, China, bem como o Brasil. Essas aplicações
receberam nomes diferentes, para finalidades específicas e em profissões
diversas, de acordo com determinadas orientações denominadas plano de
trabalho.

CONCEITOS
As técnicas da Análise do Valor foram criadas durante a Segunda Guerra Mundial,
diante da necessidade de se pesquisar novos materiais de custo mais baixo e
grande disponibilidade, que pudessem substituir outros mais raros e de custo mais
elevados. Posteriormente, entre 1947 e 1952, estas técnicas foram consolidadas
nos Estados Unidos.

De acordo com MILES (1962), a Análise do Valor “é um sistema para solucionar
problemas através do uso de um conjunto específico de técnicas, um corpo de
conhecimentos e um grupo de pessoas especializadas. É um enfoque criativo e
organizado que tem como propósito a identificação e remoção de custos
desnecessários”.

Sua metodologia se aplica muito bem ao novo conceito da qualidade, buscando
superar as expectativas do consumidor a um preço que o este deseja pagar pelo
produto.

As empresas, dentro de um ambiente competitivo, devem adequar-se ao
imperativo de satisfazer o consumidor, uma vez que ele é quem determina o preço
e o valor para o produto. Esse valor é igual ao conjunto dos benefícios dividido
pelo esforço despendido.

A Análise do Valor (AV) é um conjunto sistematizado de esforços e métodos
destinados a aumentar o valor econômico total de um produto, processo ou
serviço, enquanto que a Engenharia do Valor (EV) refere-se a produtos, processos
ou serviços novos ainda na fase de concepção. Apesar das diferentes utilizações,
os termos Análise do Valor (AV) e Engenharia do Valor (EV) passaram a ser
usados indistintamente.

A metodologia da AV/EV identifica a função de um produto ou serviço, estabelece
um valor para aquela função e objetiva prover tal função ao menor custo total, sem
degradação.

A COMPETITIVIDADE E A ANÁLISE DO VALOR
Aristóteles descreveu, há cerca de 2.000 anos, sete tipos de valores: o econômico,
o político, o moral, o estético, o social, o jurídico e o religioso.
Sob o enfoque econômico, o valor pode ser dividido em:
 Valor de Custo: representa a soma de custos de mão-de-obra, matéria
prima, despesas gerais e outros esforços para a fabricação do produto;
 Valor de Uso: representado pela utilidade de um bem ou serviço para o
uso esperado;
 Valor de Estima: representado pelos aspectos que visam dotar um
produto de beleza, aparência, status, etc.;
 Valor de Troca: como sendo a quantidade de dinheiro que eqüivale a troca
do produto no mercado.
O valor econômico pode ser representado pela seguinte relação:
Valor = (Valor de uso + Valor de Estima + Valor de Troca) / Valor de Custo
O valor econômico é uma imagem mental, feita por comparação no
momento da compra. No caso, o produto é influenciado pelos valores do
consumidor.
A AV/EV identifica o valor mínimo a ser gasto para adquirir ou produzir um
produto com uso, estima e a qualidade requerida.
No sistema produtivo de bens e serviços deve haver um certo equilíbrio
entre a oferta e a procura, o que possibilitará uma satisfação simultânea do
produtor e do consumidor. Quando isso não acontece, a empresa pode atingir um
patamar de insustentabilidade provocada pela concorrência. Com o tempo a
empresa pode perder posições de destaque, importantes na corrida pela
competitividade.

AS FUNÇÕES DE USO E ESTIMA DOS PRODUTOS
Os valores de uso, estima e troca são obtidos por meio de funções
desempenhadas pelo produto, sendo uma função definida como toda e qualquer
atividade que um produto desempenha. Estas funções podem serbásicas, as
quais justificam a existência de um produto no mercado, sendo a tradução de uma
necessidade expressa pelos consumidores e podem ser do tipo secundárias, que
atuam como auxiliares no cumprimento da função básica.

A função de uso está diretamente relacionada com o valor de uso do produto e
envolve atividades que exprimem o desempenho técnico de utilização. A função
de estima está diretamente relacionada com o valor de prestígio do produto,
envolvendo atividades que auxiliam as vendas do produto, dotando-o de beleza,
status, moda, etc.

Toda função deve ser descrita através da soma do verbo mais o substantivo. As
funções de uso e estima empregam diferentes tipos de verbos e substantivos,
evitando o emprego dos verbos ser, estar, ter e haver porque eles não indicam
função e sim propriedades. Por exemplo, função de uso: suportar peso, transmitir
força, transformar energia e como função de estima: melhorar aparência,
apresentar forma, possibilitar estética, satisfazer o cliente.

Para uma perfeita definição de funções com vistas à criatividade, é importante ter
em mente algumas questões:
· O que se está realmente tentando fazer quando se desempenha a ação?
· Por que é necessário fazer isso?
· Por que é necessário o componente?
É também necessário observar se a função está sendo desempenhada de maneira
muito realista.

PLANO DE TRABALHO DA ANÁLISE DO VALOR
O plano de trabalho é um instrumento sistematizado de desenvolvimento e
aplicações da Metodologia do Valor, a qual apresenta uma abordagem
basicamente composta das seguintes etapas:
 Fase de Preparação: corresponde às medidas preparatórias para escolher e
determinar o objeto, compor o grupo de trabalho e planejar as atividades. Nessa
fase, há uma situação nebulosa, e ela deve ser estudada para verificar que tipo de
problema pode estar ocorrendo, como a escolha de um produto entre muitos, um
sistema entre outros, um processo entre outros, etc.
 Fase da Informação: permite conhecer a situação atual, através da obtenção
de informações, dos custos, descrição e classificação das funções. Nessa fase
novas abordagens devem ser visualizadas a medida que informações aparecem
podendo ser necessário redefinir o problema, repetindo todo o processo, e chegar-
se finalmente à função a ser estudada, seu custo e sua meta;
 Fase de Análise: possibilita o exame da situação atual, avaliando as funções
por comparação;
 Fase da Criatividade: permite obter alternativas, através das idéias que são
agrupadas e selecionadas;
 Fase de Julgamento: analisa as alternativas, formula, desenvolve e decide
após a constatação da viabilidade técnica e econômica;
 Fase de Planejamento: apresenta e implanta a solução adequada e
acompanha a implantação.

Diferentes técnicas são usadas em diversas fases do plano de trabalho. No
entanto, os processos complementares são empregados numa situação de
problema aberto, cabendo ao analista estabelecer como separá-los e ainda
permitir uma interação vantajosa entre eles.

Essas técnicas reestruturantes acarretarão um melhor entendimento daquilo que o
problema envolve, assim como uma nova maneira de abordá-lo. É a fase mais
importante do processo, pois seu produto vai determinar a natureza e a qualidade
de qualquer solução. É difícil especificar a seqüência na qual essas técnicas
devem ser utilizadas.

ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS
Ambientes ameaçados pela concorrência exigem que as empresas adotem
estratégias competitivas que serão de fundamental importância para se manterem
numa posição de destaque dentro de um grupo, atendendo aos interesses da
própria empresa e a satisfação dos clientes internos e externos. Essas estratégias
competitivas podem ser, segundo PORTER (1997), de três tipos:
n A liderança no custo total, através da apresentação de preços sempre
inferiores aos dos concorrentes, usando componentes padronizados, com
ampliação do uso de produtos modulares, selecionando fornecedores, comprando
materiais em grandes volumes e otimizando os projetos;
n A diferenciação, com uma política de inovações permanentes de produtos e
serviços, promovendo a imagem da marca, caracterizando o produto como
tecnologicamente avançado, otimizando os serviços pós venda e adotando
serviços sob encomenda;
n Criando uma posição defensável contra a pressão de grandes fornecedores,
dos grandes compradores, produtos substitutos concorrentes e novos entrantes.

O PLANO DE TRABALHO CONSIDERANDO AS ESTRATÉGIAS
COMPETITIVAS
O plano de trabalho para aplicação da metodologia do valor poderá ser constituído
das seis fases anteriormente definidas, considerando as estratégias competitivas
de liderança nos custos e diferenciação. O quadro a seguir apresenta uma
simulação do plano de trabalho, relacionados as etapas, os processos à serem
estabelecidos e suas respectivas estratégias competitivas.

Quadro 1 – Simulação do Plano de Trabalho
Etapas
Passos Liderança no custo total Diferenciação
1. Fase de
Preparação

Escolher o objeto;
Determinar o objeto;
Compor a equipe;
Planejar atividades.


Sentimento de redução de
custo;
Objetivos somente
quantitativos;
Mudanças com
base
nos clientes;
Atender aos
anseios
dos clientes;
Enfoque na redução dos
custos.
Caraterização dos
Clientes.
2. Fase de
Informação
Obter informações;
Obter os custos;
Descrever e detalhar
as funções.
Relacionadas as funções
(versáteis);
Relacionada a custo, processo
e
Estoque, etc. (rígidos).
Relacionadas as
funções;
Relacionada a
custo,
processo e estoque.
3. Fase de
Análise
Avaliar as funções
por comparação;
Examinar as funções.
Critérios rígidos;
Necessidades atendidas de
maneira global.
Critérios flexíveis;
Necessidades
específicas
atendidas.
4. Fase da
Criatividade
Obter idéias;
Selecionar e agrupar
idéias.
Critérios baseados em reduzir
custos;
Critério e o custo.
Critérios baseados
e diferenciados;
Critérios diferentes.
5. Fase de
J ulgamento
Formular/desenvolver
alternativas;
Viabilizar técnica e
economicamente.


Limites mais amplos.

Habilidade criativa e
pesquisa.
6. Fase de
Planejamento
Apresentar a
proposta;
Planejar e
acompanhar
a implantação.

Dependente da solução.

Dependem da
solução
Fonte: POSSAMAI, 1998.

Quando se consideram as estratégias competitivas com enfoque nos custos e na
diferenciação, as diversas fases do plano de trabalho têm as seguintes
particularidades:
 A Fase de Preparação permite a decisão da escolha do objeto, levando em
consideração alguns aspectos gerais, quais sejam: custo por propriedade e/ou
função, probabilidade de sucesso, suporte gerencial, resultados, questões
levantadas na revisão do projeto, custo de material, vida do produto, reclamações
dos consumidores, componentes de elevado custo, custo de implementação, custo
x função, ferramentas e equipamentos complexos, problemas de aquisição, teste
do valor, estimativa de redução de custos, tempo gasto no projeto, avaliação de
produtos com acabamento fino, capacidade limitada de produção, informações
necessárias para uma análise e projetos artísticos.
No caso do objeto da estratégia ser a redução de custos, a equipe deve ser
composta de 8 a 10 pessoas que, fazendo reuniões semanais, empreguem a
seguinte metodologia de trabalho:
 Análise das idéias através da metodologia de AV/EV;
 Utilização das técnicas do CQ para soluções;
 Utilização da estrutura da fábrica para solução e implementação de
projetos/idéias através dos pontos focais das funções;
 Utilização do “cost meeting” como sistema gerencial;
 Divulgação de resultados/reconhecimento;
 Incentivo a participação nos programas existentes na companhia:
programas de sugestões, efetividade de custo, círculos de qualidade,
desburocratização e outros.
 A Fase de Informação permite se chegar à definição do problema. Nos aspectos
gerais, o teste de valor representa o menor esforço para se obter uma função e,
com base nisto, pode-se questionar o problema ante os seguintes quesitos:
 O componente contribui para o uso da peça ?
 Pode ser eliminada a função ou o componente ?
 O custo é proporcional à sua aplicação ?
 O componente pode ser simplificado ?
 Existe um material mais barato ?
 Existe um componente padronizado ?
 A peça é fabricada com métodos apropriados ?
 É rentável o processo de fabricação ?
 Existe alguém fabricando a peça de forma mais econômica ?
 Se o dinheiro fosse seu, você o gastaria dessa forma ?
 A Fase de Análise tem como objetivo específico a caracterização de problemas
complexos, a natureza do trabalho em grupo, a fase de avaliação de funções,
prover os participantes de condições mínimas para aplicar os métodos,
apresentação dos métodos através de suas características e exemplos a serem
desenvolvidos conjuntamente.

Existem várias técnicas de análise que podem ser utilizadas não somente para
produtos, processos ou sistemas, como também para o seu projeto quando
apenas as funções foram definidas. Um dos métodos mais utilizados é o de
MUDGE, que consiste na comparação paritária entre as funções, realizada por
meio de uma tabela que proporciona uma ponderação adequada entre elas,
estabelecendo uma ordem de importância.

 A Fase da Criatividade enfoca a habilidade que as pessoas possuem em
adquirir novas e úteis idéias a respeito de certos objetos. Existem várias técnicas
de criação de idéias. O Brainstorming pode ser usado dentro das regras de ser
proibido criticar, a fantasia é ilimitada, quantidade precede a qualidade, não há
direitos de autoria, todos devem anotar idéias e devem existir um coordenador e
um secretário.

 A Fase de Julgamento compreende a etapa de resumo das alternativas
formuladas e da decisão a respeito de sua aplicabilidade no que refere a custos e
facilidades. Esse julgamento poderá ser efetuado através da verificação de tabelas
formuladas com os dados do valor, das dificuldades para implementação, da
economia estimada e impedimentos.

A técnica de seleção poderá ser em função do investimento, dos resultados e da
sua exequibilidade.

 A Fase de Planejamento corresponde à realização do plano de implementação
da solução escolhida, considerando o que deve ser feito, quem deve fazer, quando
e onde fazer.

O planejamento deverá ser seguido e comparado com a realidade até o término do
processo, para detecção de eventuais desvios e implementação das correções
necessárias. Caso o desvio ainda persista, retorna-se a fase de informação e
recomeça o processo.

A MIGRAÇÃO DO VALOR
O valor migra de concepções obsoletas para novas concepções de negócios, com
maior capacidade de satisfazer às prioridade mais importantes dos clientes. Uma
concepção de negócios é a totalidade de como uma empresa seleciona seus
clientes, define e diferencia suas ofertas, define as tarefas que realizará e as que
terceirizará, configura seus recursos, entra no mercado, cria utilidades para os
clientes e captura lucros.

O sucesso de uma concepção do negócio na criação do valor independe do porte
da empresa. Muitas vezes, empresas novas e de pequeno porte introduzem a
maior parte do crescimento do valor do setor. Na década de 80, a margem
operacional da minisiderúrgica Nucor, foi o dobro da margem das grandes
siderúrgicas integradas. A empresa U.S. Steel, especializada na produção de aço
laminado plano, teve uma receita de 6,1 bilhões de dólares com um valor de
mercado de 4,1 bilhões de dólares e com isto uma rentabilidade de 0,7, enquanto
a empresa Nucor teve uma receita de 3,0 bilhões de dólares com um valor de
mercado de 5,0 bilhões de dólares, obtendo, portanto, uma rentabilidade de 1,7.

A estratégia competitiva da Nucor para obter maior lucratividade foi a liderança nos
custos. O principal foco da Nucor é a produção de aço laminado não-plano para
construção. Seus clientes exigem um nível de qualidade mínimo aceitável e
preocupam-se com um outro único fator que é o preço. A empresa desenvolve
todo o seu negócio em torno dessa realidade central das prioridades de seus
clientes.

Desde a segunda década deste século a migração dos negócios tem acontecido
de acordo com a seguinte seqüência:
 A partir de 1920, os produtos de único modelo e preço passaram para
modelos e preços variados. A cadeia de armazém passou para o sistema de
supermercado;
 Entre 1970 e 1980, o jogo do negócio se assemelhava ao futebol, com
certas explosões de intensas atividades de jogadas. A participação no mercado
garantia a lucratividade;
 Entre 1980 e 1987, o jogo do negócio se assemelhava ao do basquete. Era
preciso ser rápido e grande. A pouca proteção do mercado exigia velocidade das
jogadas. Empresas de bens eletrônicos de consumo e programas de computador
muitas vezes eram citadas com o exemplos eficazes de organizações que
lançavam novos produtos o mais rápido possível;
 Entre 1987 e 1993, as regras do jogo que determinavam o sucesso e os
lucros mudaram de forma radical e assustadora. Novos jogadores como a
Microsoft e a TeleCommunications, Inc., conseguiram empregar novas habilidades
que não se baseavam somente no cliente, mas na identificação das propriedades
de pontos de controle estratégico em seu setor. Mas só a participação no mercado
não mais oferecia a lucratividade e a proteção do valor de antes.
Desse modo, os líderes começaram a tropeçar. Do setor de siderurgia ao setor de
varejo, passando pelo setor de transporte aéreo e informática, novatos muitos
menores, com concepções de negócio inovador, capturaram a maior parte do
aumento do valor de seu setor.

De 1984 a 1994, as grandes empresas como IBM e DEC perderam US$55 bilhões
em valor de mercado, enquanto que a Microsft, a Intel, a EDS e a Novel ganharam
US$ 80 bilhões. A migração de valores na informática passou do negócio em torno
de sistemas próprios de computadores de grande porte e microcomputadores,
para as concepções em torno de sistemas de estações de trabalho de
funcionalidade de computação mais valorizados pelo cliente, como chips
processadores, sistemas operacionais, distribuição de baixo custo, programas de
comunicações e integração de sistemas.

A execução e velocidade continuam sendo importantes, mas como parte de um
todo. Os gerentes precisam aprender as regras do novo jogo, que se assemelha
ao de xadrez. É preciso fazer novas perguntas: Velocidade rumo a que? Onde
poderei gerar lucros? Onde estará o valor no setor? De que novas competências
essenciais eu necessito? Em que preciso ser bom? Que atitude preciso tomar para
capturar o próximo ciclo de crescimento de valor?

A compreensão das prioridades dos clientes exige que se compreenda mais do
que simplesmente as necessidades do cliente. Necessidades referem-se aos
benefícios e às características dos produtos que os clientes gostariam de comprar.
Grande parte das pesquisas de mercado concentram-se nas necessidades dos
clientes. Na realidade, a compreensão do sistema de tomada de decisão e das
prioridades resultantes constitui uma compreensão estratégica do cliente. As
forças externas tais como custos, tecnologia, concorrência, regulamentação e
infra-estrutura têm impacto sobre as necessidades do cliente, a economia e os
processos decisórios. E o que surge são as novas prioridades dos clientes.

A análise das necessidades descreve que produtos os clientes desejam. A análise
das prioridades determina que concepção do negócio cria a maior utilidade para os
clientes e lucros para os provedores.

CONCLUSÃO
O crescimento da produção de bens e serviços sustentado pelas inovações
tecnológicas tem se defrontado com a escassez de recursos dos consumidores.
Muitas empresas têm procurado se adaptar a essa nova realidade, empregando
estratégias competitivas com enfoque no custo e na diferenciação.

A aplicação da Análise de Valor propicia às empresas maior confiabilidade no
momento da tomada de decisão, isto é, devido ao grau de conhecimento que se
adquire em relação aos produtos fabricados. A Análise de Valor pode ser aplicada
a qualquer produto ou serviço.

Nota-se que a Metodologia da Análise do Valor representa uma ferramenta
importante para se chegar a uma conciliação entre o crescimento da produção e a
escassez de recursos, argumentando que ela trata do valor como sendo o mínimo
a ser gasto para adquirir ou produzir um produto com uso, estima e a qualidade
requerida pelo produtor e consumidor.

Para uma empresa poder obter vantagens competitivas com enfoques simultâneos
na liderança dos custos e na diferenciação, é preciso que a ela faça um plano de
trabalho baseado numa Análise do Valor que contemple diferentes cenários para o
futuro e o poder das forças competitivas, com uma nova concepção de negócios
que contemple de forma eficaz às prioridades dos clientes e gere enorme valor
para a empresa. Do contrário, a empresa poderá ficar numa posição insustentável
de meio termo, sem conseguir liderança de custos e de diferenciação.

Pode-se observar que, apesar de a AV ter surgido na década de 50, essa foi a
primeira metodologia a abordar o conceito de função e o ponto de vista do
fornecedor e do cliente, mostrando a diferença de enfoques entre ambos. Verifica-
se que a Análise do Valor é recomendada para ser utilizada como ferramenta em
fases para implantação de um sistema de qualidade e certificação, conforme as
normas da família ISO 9000, nobenchmarking, em etapas do trabalho de
reengenharia, entre outros.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ABRAMCZUCK, André A. Para que serve a análise de valor? Para que poderia servir?. In:
VALOR EM PERSPECTIVA, 1, 1991, Florianópolis. Resumo dos trabalhos
apresentados...Florianópolis: ABREAV,1991. p.15-20.
ABREU, Romeu Carlos Lopes de. Análise de valor; um caminho criativo para a otimização
dos custos e do uso dos recursos. São Paulo: Qualitymark, 1995.
CSILLAG, João Mario. Análise de Valor: Metodologia de Valor. São Paulo: Atlas,1995.
MILES, Laurence D. Análise de valor em Engenharia. Trad. K. Weil. 5ed. Califórnia, 1962.
PORTER, Michael E. Estratégia competitiva; técnicas para análise de indústrias e da
concorrência. 7.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
POSSAMAI, Osmar. Análise de Valor. Florianópolis: UFSC, 1998.(Apostila).

Sugestão de Leitura:
Engenharia e Análise do Valor para
Cientistas, Empresários e Cia.

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Abramczuk tem a intenção de despertar o interesse das pessoas que trabalham nas mais
diversas áreas de atividades para a utilização de uma concepção de gestão inteligente de
recursos denominada Engenharia e Análise do Valor, ou EAV. A principal contribuição
prática da EAV é levar as pessoas a fazer as coisas com economia e qualidade em casa e no
trabalho.
A finalidade deste livro é apresentar uma concepção de gestão inteligente de recursos
denominada Engenharia e Análise do Valor, ou EAV. Por meio de técnicas adequadas para
refinar e disciplinar a capacidade criadora das pessoas, a principal contribuição prática
dessa concepção é levar empresas e organizações a eliminar e prevenir perdas e
desperdícios dos recursos de que dispõem, tais como materiais, dinheiro, energia,
competências das pessoas etc.