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Curso Emergencista Pré-hospitalar – Módulo 4

SENASP/MJ - Última atualização em18/10/2007
www.fabricadecursos.com.br

Módulo 4 - Outras emergências

Este módulo tem como objetivo apresentar as características, os conceitos associados
e os procedimentos adequados relacionados aos casos de queimaduras, intoxicações,
envenenamentos, emergências clínicas e parto.

Para isso, foram relacionadas 4 aulas:
 Queimaduras
 Intoxicações
 Emergências clínicas
 Parto

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Aula 1 – Queimaduras

Os objetivos desta aula são:
 Classificar as queimaduras de acordo com sua profundidade e extensão;
 Explicar a regra dos nove para determinar a porcentagem da superfície
corporal queimada; e
 Descrever o tratamento pré-hospitalar para uma vítima com queimadura
térmica, química ou elétrica.

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Queimaduras

Queimadura é uma lesão produzida nos tecidos de revestimento do organismo e
causada por agentes térmicos, produtos químicos, eletricidade, radiação, etc.

As queimaduras podem lesar a pele, os músculos, os vasos sangüíneos, os nervos e os
ossos.

As causas das queimaduras são:

Térmicas – Por calor (fogo, vapores quentes, objetos quentes) e por frio (objetos
congelados, gelo);

Químicas – Inclui vários cáusticos, tais como substâncias ácidas e álcalis;

Elétricas – Materiais energizados e descargas atmosféricas;

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Substâncias radioativas – Materiais radioativos e raios ultravioletas (incluindo a luz
solar) etc.

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Queimaduras

Classificação, sinais e sintomas

De acordo com sua profundidade, as queimaduras classificam-se em graus, de
primeiro a terceiro.

Queimadura de 1º Grau – Atinge somente a epiderme (camada mais superficial da
pele). Caracteriza-se por dor local e vermelhidão da área atingida.

Queimadura de 2º Grau – Atinge a epiderme e a derme. Caracteriza-se por muita dor,
vermelhidão e formação de bolhas.

Queimadura de 3º Grau – Atinge todas as camadas (tecidos) de revestimento do
corpo, incluindo o tecido gorduroso, os músculos, vasos e nervos, podendo chegar até
os ossos. É a mais grave quanto à profundidade da lesão. Caracteriza-se por pouca dor,
devido à destruição das terminações nervosas da sensibilidade, pele seca, dura e
escurecida ou esbranquiçada.

Em uma queimadura de 3º grau a vítima, geralmente, queixa-se de dor nas bordas da
lesão, onde a queimadura é de 2º ou 1º grau.

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Queimaduras

Classificação, sinais e sintomas

De acordo com a extensão da queimadura, usamos percentagens através da regra dos
nove que permitem estimar a superfície corporal total queimada - SCTQ. Neste caso,
analisamos somente o percentual da área corpórea atingida pela lesão, sem considerar
sua profundidade (seus graus).

A regra dos nove divide o corpo humano em doze regiões. Onze delas equivalem a 9%
cada uma, e a região genital equivale a 1%, conforme segue:
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Queimaduras

Gravidade das queimaduras

A gravidade de uma queimadura deve sempre considerar os seguintes aspectos:
 Grau da queimadura;
 Percentagem da SCTQ;
 Localização da queimadura;
 Complicações que a acompanham;
 Idade da vítima;
 Enfermidades anteriores da vítima.

Queimaduras Menores
São aquelas de 1º e 2º graus que afetam uma pequena área do corpo, sem
comprometimento de áreas críticas como. o sistema respiratório, a face, as mãos e pés,
os genitais e as nádegas.

Queimaduras Maiores
Qualquer queimadura que envolva toda a área corporal ou áreas críticas.

Queimaduras complicadas por lesões no sistema respiratório ou por outras lesões do
tipo fraturas.

Queimaduras de 2º ou 3º graus na face, mãos, pés, genitais ou nádegas.

Queimaduras que atinjam todo o corpo.

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Queimaduras

Tratamento Pré-Hospitalar

De acordo com a gravidade e a causa das queimaduras, os procedimentos a serem
adotados são:

Queimaduras Menores - por causas térmicas ou radiação
 Exponha o local da lesão e resfrie a área queimada com água fria ou use água
corrente por vários minutos para resfriar o local. O melhor é submergir a área
queimada;
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 Cubra o ferimento com um curativo úmido solto (estéril);
 Retire anéis, braceletes, cintos de couro, sapatos etc; e
 Conduza a vítima e transmita calma.

Queimaduras Maiores - por causas térmicas ou irradiação
 Inicialmente detenha o processo da lesão (se for fogo na roupa, use a técnica
do PARE, DEITE e ROLE);
 Avalie a vítima e mantenha as VA permeáveis, observando a freqüência e
qualidade da respiração;
 Não retire os tecidos aderidos à pele, apenas recorte as partes soltas sobre as
áreas queimadas;
 Cubra toda a área queimada;
 Use curativo estéril;
 Não obstrua a boca e o nariz;
 Não aplique nenhum creme ou pomada;
 Providencie cuidados especiais para queimaduras nos olhos, cobrindo-os com
curativo estéril úmido;
 Tenha cuidado para não juntar dedos queimados sem separá-los com curativos
estéreis;
 Previna o choque e transporte a vítima.

Queimaduras Químicas
 Limpe e remova substâncias químicas da pele do paciente e das roupas antes
de iniciar a lavação;
 Lave o local queimado com água limpa corrente por no mínimo 15 minutos.
 Use EPIs apropriados;
 Cubra com curativo estéril toda a área de lesão;
 Previna o choque e transporte a vítima;
 Se possível, conduza amostra da substância em invólucro plástico;
 Se a lesão for nos olhos, lave-os bem, no mínimo por 15 minutos, com água
corrente e depois cubra com curativo úmido estéril. Volte a umedecer o
curativo a cada 5 minutos.

Queimaduras Elétricas
 Os problemas mais graves produzidos por uma descarga elétrica são: parada
respiratória ou cárdio-respiratória, dano no SNC e lesões em órgãos internos.
 Reconheça a cena e acione, se necessário, a companhia energética local;
 Realize a avaliação inicial e , se necessário, inicia manobras de reanimação;
 Identifique o local das queimaduras (no mínimo dois pontos: um de entrada e
um de saída da fonte de energia);
 Aplique curativo estéril sobre as áreas queimadas; e
 Previna o choque e conduza o paciente, com monitoramento constante, ao
hospital.
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Aula 2 – Intoxicações

Os objetivos desta aula são:
 Enumerar os principais sinais e sintomas das intoxicações por ingestão,
inalação ou por contato e descrever seu tratamento pré-hospitalar;
 Descrever o tratamento pré-hospitalar das intoxicações devido a picadas de
serpentes; e
 Enumerar os sinais e os sintomas e descrever o tratamento pré-hospitalar das
intoxicações agudas por abuso de drogas.

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Intoxicação e envenenamento

Definimos intoxicação ou envenenamento como uma emergência médica causada
pela absorção de agentes, que por suas características e quantidade, produzem danos
ao organismo ou risco de vida às pessoas.

Um grande número de substâncias pode ser considerado veneno ou tóxico.

Qualquer substância química dependendo de sua dose poderá ser um tóxico.

Em uma intoxicação ou envenenamento existem sinais e sintomas que indicam que a
pessoa está enfrentando uma emergência clínica.

Algumas pessoas têm a capacidade de tolerar bem um veneno, já outras, a mesma
quantidade de veneno pode ser fatal. As crianças são as que freqüentemente
apresentam intoxicações ou envenenamentos.

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Intoxicação e envenenamento

Uma substância tóxica pode entrar no organismo por quatro diferentes formas:
 Ingestão;
 Inalação;
 Absorção através da pele; e
 Injeção.

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O Emergencista deve levar sempre consigo o telefone do Centro de Informações
Toxicológicas: 08007802000 – CIATOX.

Os sistemas de emergência médica podem ter diferentes protocolos específicos para
diferentes casos de intoxicações. Os protocolos, mesmo quando diferentes, devem ser
seguidos com prioridade.

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Intoxicações por ingestão

Nos casos onde é possível a ingestão de venenos, o Emergencista deve tentar obter o
máximo de informações e o mais rápido possível. Logo após a avaliação inicial, deve-
se verificar se no local existem recipientes, líquidos derramados, cápsulas,
comprimidos, substâncias venenosas ou qualquer indício que permita identificar a
substância ingerida.

Sinais e Sintomas
 Queimaduras ou manchas ao redor da boca;
 Odor inusitado no ambiente, no corpo ou nas vestes do paciente;
 Respiração anormal;
 Pulso anormal;
 Sudorese;
 Alteração do diâmetro das pupilas;
 Formação excessiva de saliva ou espuma na boca;
 Dor abdominal;
 Náuseas;
 Vômito;
 Diarréia;
 Convulsões;
 Alteração do estado de consciência, incluindo a inconsciência.

Casos específicos:

Abuso de álcool
O álcool é uma droga, socialmente aceita quando ingerida com moderação, mas
ainda assim uma droga. O abuso de álcool como qualquer outra droga, pode conduzir
a enfermidades, envenenar o corpo, determinar comportamento anti-social e morte. O
paciente pode ter um problema clínico ou um trauma que requerem cuidados, pode
estar ferido ou pode ferir outras pessoas enquanto estiver alcoolizado.

Como Emergencista tente oferecer cuidados ao paciente sob influência de álcool,
como você faria a qualquer outro paciente. Determine se o problema foi causado pelo
álcool e que este abuso é o único problema. Lembre-se que diabetes, epilepsia,
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ferimentos na cabeça, febres altas e outros problemas clínicos podem fazer o paciente
parecer alcoolizado. Se o paciente permitir, faça a entrevista. Em alguns casos, você
terá que depender das pessoas presentes no local para obter uma informação
significativa.

Crises suicidas
Sempre que cuidar de um paciente que tentou suicídio ou esteja a ponto de tentá-lo, a
primeira preocupação do Emergencista será com a sua segurança. Tenha certeza de
que o local esteja seguro e de que o paciente não tenha uma arma. Informe o
problema à polícia. Se estiver seguro estabeleça contato visual e verbal com o
paciente.

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Abuso de Álcool

Sinais de abuso de álcool em um paciente intoxicado
 Odor de álcool no hálito do paciente ou em suas vestimentas. Isto é bastante
significativo. Certifique-se de que não é hálito cetônico, apresentado pelo
diabético;
 Falta de equilíbrio e com movimentos instáveis, sem coordenação;
 Fala desarticulada e com inabilidade para manter a conversação. Não pense
que a situação é séria apenas pelas piadas feitas pelo paciente e presentes no
local;
 Rubor, suor e queixa de calor;
 Vômito ou desejo de vomitar.

Os efeitos do álcool podem mascarar os sinais típicos e sintomas, esteja alerta para
outros sinais, como sinais vitais alterados devido ao álcool e drogas. Nunca pergunte
se o paciente tomou qualquer droga, pois ele pode pensar que você está reunindo
evidências de um crime. Evite a palavra “droga”. Pergunte se algum medicamento foi
ingerido enquanto bebia.

Cuidados básicos

Obtenha a história e faça o exame físico para descobrir qualquer emergência clínica ou
outras lesões. Lembre-se de que o álcool pode mascarar a dor;

Procure cuidadosamente sinais de traumas e de enfermidade;

Monitore os sinais vitais, ficando alerta para problemas respiratórios;

Peça ao paciente que faça um esforço para manter-se acordado;

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Ajude-o quando estiver vomitando para impedir que aspire o vômito;

Alerte a polícia, conforme julgue necessário;

Transporte-o ao hospital referência.

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Abuso de Álcool

Crises e Problemas de Abstinência

Um alcoolista que subitamente é impedido de ingerir álcool poderá sofrer sérios
problemas de abstinência e, como resultado, poderemos ter um paciente em
síndrome de abstinência.

Sinais e Sintomas
 Inquietação e confusão;
 Conduta atípica (loucura);
 Alucinações (visão de bichos e animais);
 Tremor nas mãos.

Tratamento Pré-Hospitalar

Proteja o paciente de si mesmo, pois poderá auto lesar-se.

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Crises suicidas

Apesar de não haver regras rígidas para o tratamento bem sucedido do suicida,
existem vários princípios gerais que devem ser conhecidos:
 Chegue no local da ocorrência de forma discreta, com sirenes desligadas e sem
criar tumultos;
 Estude inicialmente o local, verificando riscos potenciais para a equipe de
resgate e para o paciente, neutralizando-os ou minimizando-os;
 Isole o local impedindo aproximação de curiosos;
 Verifique a necessidade de apoio material e/ou pessoal e comunique ao CIAD;
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 O contato com o paciente deve ser efetuado por apenas um integrante da
equipe, a fim de estabelecer uma relação de confiança. Os outros permanecem
à distância sem interferir no diálogo;
 Mantenha imediatamente diálogo com o paciente, mostrando-se calmo e
seguro, procurando conquistar sua confiança;
 Não faça nenhuma ameaça e nem restrição física;
 Não discuta ou critique o paciente;
 Nunca brinque sobre a situação;
 Pergunte se você pode ajudar;
 Converse com o paciente de forma pausada, firme, clara, e num tom de voz
adequado à situação;
 Jamais assuma qualquer atitude hostil para com o paciente;
 Descubra se o paciente está ferido;
 Mantenha observação constante do paciente e não deixe-o sozinho por
nenhum instante até o término do atendimento;
 Escute o paciente e deixe-o saber que você está prestando atenção;
 Procure descobrir qual o principal motivo de sua atitude;
 Procure obter informações sobre seus antecedentes;
 Após ter conquistado sua confiança, inicie o trabalho no sentido de dissuadi-lo,
sempre oferecendo segurança e proteção;
 Não fique em locais onde possa se expor ao perigo;
 Se o paciente der qualquer indicação de que pode machucar os outros, tenha
certeza de sua própria segurança; e
 Após ter conseguido dominar o paciente, continue tratando-o com respeito e
consideração conduzindo-o ao hospital.

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Crises suicidas

Algumas pessoas cometem gestos suicidas, onde a intenção não era acabar com a
vida, mas sim chamar a atenção. Mas, mesmo assim, não se deve tratá-las com
menosprezo, pois é um distúrbio de comportamento.

Durante todas as fases de intervenção, devem-se tomar todas as medidas de
precaução contra uma nova tentativa de suicídio. Armas de fogo, medicamentos, além
de outros objetos potencialmente letais, devem ser retirados de perto do paciente. Ele
não deve ser deixado sozinho em qualquer lugar, mesmo por alguns instantes, seja em
casa ou na viatura.

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Intoxicações por ingestão
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Tratamento Pré-Hospitalar

1. Mantenha as VA permeáveis;

2. Peça orientação do Centro de Informações Toxicológicas, se existir;

3. Caso tenha disponível, ofereça carvão ativado;

4. Induza vômito (contra indicado em intoxicações por ingestão de substâncias
corrosivas ou irritantes, derivados de petróleo, pacientes inconscientes ou em
convulsão);

5. Guarde em saco plástico toda a substância eliminada através de vômito pelo
paciente; e

6. Transporte com monitoramento constante.


Frente aos venenos, em geral, o Emergencista fica muito limitado e necessita de
antídotos específicos, portanto o transporte deve ser rápido.

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Intoxicações por inalação

São aquelas provocadas por gases ou vapores tóxicos (Ex: gases produzidos por
motores a gasolina, solventes, gases industriais, aerosóis, etc.).

Auxilie o paciente somente após certificar-se que a cena está segura. Acione socorro
especializado e utilize os EPIs necessários.

Uma ação importante a tomar é obter informações do próprio paciente e de
testemunhas, tentando identificar o tipo de gás venenoso inalado.

Tratamento Pré-Hospitalar

1. Remova o paciente para um local seguro. Se necessário, remova as roupas do
paciente;

2. Mantenha as VA permeáveis;

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3. Avalie e, se necessário, realize manobras de reanimação (não faça boca a boca,
utilize o reanimador manual ou máscara de proteção); e

4. Administre oxigênio suplementar.

Sinais e Sintomas
 Respirações superficiais e rápidas;
 Pulso rápido ou lento;
 Dificuldade visual;
 Tosse;
 Secreção nas VA.

A absorção da substância tóxica por inalação pode também produzir os sinais e
sintomas descritos nas intoxicações por ingestão.

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Intoxicações por contato

São causadas por substâncias tóxicas que penetram através da pele e das mucosas,
por meio de absorção. Algumas vezes estas intoxicações provocam lesões importantes
na superfície da pele, outras, o veneno é absorvido sem dano algum.

A maioria dos tóxicos absorvidos são substâncias químicas de uso comum e plantas.

É de grande importância, qualquer informação que se possa obter do paciente e/ou
testemunhas.

Tratamento Pré-Hospitalar

Para atender estes pacientes, o Emergencista deve usar, além dos EPI´s básicos,
proteção para a sua roupa.

1. Remova o paciente para local seguro. Se houver condições de segurança para tal;

2. Remova as roupas e os calçados contaminados e lave a área de contato com muita
água corrente (mínimo de 15 minutos);

3. Guarde os materiais e roupas em sacos plásticos próprios; e

4. Transporte com monitoramento constante.

Sinais e Sintomas
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 Reações na pele, que podem variar de irritação leve até o enrijecimento e
queimaduras químicas;
 Inflamação;
 Coceiras (pruridos) e ardência na pele;
 Aumento da temperatura da pele.

A absorção dos tóxicos por contato, pode produzir os sinais e sintomas descritos
anteriormente na intoxicação por ingestão.

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Intoxicações por injeções

As picadas de aranhas, de serpentes e por ferrões de insetos são as maneiras como o
veneno de origem animal é injetado em nosso corpo. Outras formas: agulhas
hipodérmicas com medicamentos, drogas contaminadas com substâncias tóxicas ou
overdose de drogas.

Tratamento Pré-Hospitalar

1. Prevena o choque;

2. Nas picadas de inseto (com ferrão preso na pele), raspe no sentido
contrário para evitar a injeção do mesmo no corpo;

3. Monitore constantemente o paciente e esteja preparado para uma parada
respiratória e/ou cardíaca; e

4. Transporte imediato para o hospital.

Sinais e Sintomas
 Picadas ou mordidas visíveis na pele.
 Podem apresentar dor e inflamação no local;
 Ardor na pele e prurido (coceira);
 Choque alérgico;
 Hemorragias;
 Parada respiratória e/ou cardíaca.

A absorção dos tóxicos por injeção pode também produzir os sinais e sintomas
descritos anteriormente na intoxicação por ingestão.

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Intoxicações por injeções

Acidentes ofídicos
Ocorrência bastante comum, principalmente na zona rural, tem sinais e sintomas que
variam bastante de acordo com o gênero do animal (serpente).

Sinais e Sintomas
 Marca dos dentes na pele;
 Dor local e inflamação;
 Pulso acelerado e respiração dificultosa;
 Debilidade física;
 Problemas de visão;
 Náuseas e vômito;
 Hemorragias.

Tratamento Pré-Hospitalar

1. Mantenha o paciente calmo e deitado, removendo-o do local do acidente;

2. Lave com água e sabão o local da picada;

3. Retire anéis, braceletes e outros materiais que restrinjam a circulação na
extremidade afetada;

4. Mantenha o membro afetado elevado ou no mesmo nível do coração;

5. Previna o choque;

6. Transporte com monitoramento constante, e caso necessário, realize manobras de
reanimação.

Somente o soro cura intoxicação provocada por picada de cobra, quando aplicada de
acordo com as seguintes normas:
 Soro específico;
 Dentro do menor tempo possível;
 Em quantidade suficiente.

O Emergencista deve considerar todas as picadas como venenosas até que se prove o
contrário.

Se for treinado para tal e houver tempo e condições, conduza o espécime que
provocou a lesão para avaliação e identificação da espécie.

Restrições
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- Não faça curativo ou qualquer tratamento caseiro;
- Não corte nem fure o local da picada;
- Não ofereça bebidas alcoólicas; e
- Não faça torniquete.

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Intoxicações por injeções

Abuso de Drogas
Um Emergencista deve reconhecer os sinais e sintomas característicos para poder
identificar um possível caso de abuso ou overdose de drogas.

As drogas de uso mais freqüentes são de cinco diferentes tipos:

1.Estimulantes – Estimulam o SNC, excitando quem as usa. Incluem as anfetaminas, a
cafeína, a cocaína, drogas antiasmáticas, drogas vasoconstrictoras etc;

2.Depressores – Deprimem o SNC. Incluem os sedativos (diazepam, lorax,
fenobarbital), os barbitúricos e os anticonvulsionantes. Diminuem o pulso e a
respiração, provocam sonolência e reflexos lentos;

3.Analgésicos Narcóticos (derivados do ópio) – O abuso dessas drogas produz intenso
estado de relaxamento. Pertencem ao grupo morfina, heroína, demerol. Podem
diminuir a temperatura, o pulso e a respiração, relaxar músculos, provocar miose,
adormecimento etc;

4.Alucinógenos – Alteram a personalidade e causam distorção da percepção. Incluem
o LSD. A maconha também tem algumas propriedades alucinógenas. As vítimas
imaginam ouvir sons e ver cores;

5.Químicos Voláteis – Os vapores de certas substâncias causam excitação, euforia e
sensação de estar voando. Em geral são solventes, substâncias de limpeza, colas de
sapateiro e gasolina. Seus efeitos são a perda do tempo e da realidade, perda do
olfato, pulso e respiração acelerados e podem chegar ao coma.

Tratamento Pré-Hospitalar:

1. Tenha muito cuidado e tato para lidar com estes pacientes;

2. Se necessário, realize manobras de reanimação;

3. Induza o vômito se a droga foi ministrada por via oral e nos últimos 30 minutos;

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4. Proteja os pacientes hiperativos;

5. Converse para ganhar a confiança do paciente e mantê-lo consciente;

6. Transporte com monitoramento constante; e

7. Previna o choque.

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Aula 3 – Emergências clínicas

Os objetivos desta aula são:


 Definir emergência clínica;
 Conceituar convulsão e descrever o atendimento e o tratamento pré-hospitalar
de um paciente convulsivo;
 Descrever o atendimento pré-hospitalar durante uma crise de epilepsia;
 Definir diabetes;
 Enumerar os sinais e os sintomas e descrever o tratamento pré-hospitalar em
pacientes com hiperglicemia e com choque insulínico; e
 Enumerar os sinais e os sintomas e descrever o tratamento pré-hospitalar do
abdome agudo.

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Emergência clínica

Estado crítico provocado por uma ampla variedade de doenças cuja causa não inclui
violência sobre a vítima.

Se uma vítima sente-se mal ou apresenta sinais vitais atípicos, assuma que esta tem
uma emergência clínica.

Um trauma poderá produzir uma emergência clínica.

O estresse de um acidente automobilístico poderá produzir um IAM ou AVC.
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Uma freqüência de pulso superior a 120 bpm ou menor que 60 bpm indica uma
possível emergência clínica em uma vítima adulta.

Uma freqüência respiratória maior que 24 vpm ou menor que 08 vpm indica uma
possível emergência clínica em uma vítima adulta.

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Convulsão

São movimentos musculares involuntários que podem ser acompanhados por
contrações tônicas – clônicas generalizadas ou focais.

Em algumas crises é comum o paciente morder a língua, e apresentar dificuldade
respiratória, chegando, algumas vezes, a cianose.

Após a crise, o paciente apresenta-se confuso durante 1 minuto ou mais, ficando
muito fatigado e adormecido horas depois.

Manifestações
Tônica – São prolongadas e imobilizam os membros atingidos.
Clônica – Resultam de uma série de contrações rápidas e rítmicas.
Tônico-clônica – A imobilização da parte atingida é interrompida por contrações
clônicas.

CAUSAS:
 Intoxicações;
 Doenças neurológicas;
 Traumatismo Crânio-encefálico;
 Febre;
 Doenças infecciosas (meningite, tétano).

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Epilepsia

É uma condição neurológica que de tempo em tempo produz breves distúrbios nas
funções elétricas cerebrais normais. A função cerebral normal é garantida por milhões
de pequenas cargas elétricas passando entre células nervosas no cérebro e em todas
as partes do corpo. Quando alguém tem epilepsia, este padrão normal pode ser
interrompido por surtos intermitentes de energia elétrica muito mais intensa do que o
habitual. Isto pode afetar a consciência da pessoa e provocar movimentos corporais
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ou sensações por curtos períodos de tempo. Estas mudanças fisiológicas são
chamadas de crises epilépticas.

Por isso a epilepsia é por vezes chamada de desordem convulsiva. Os surtos não
habituais de energia podem ocorrer em apenas uma área do cérebro (crises parciais),
ou podem afetar células nervosas através de todo cérebro (crises generalizadas). A
função cerebral normal não pode retornar até que o surto elétrico desapareça.

Condições cerebrais que produzem estes episódios podem estar presentes desde o
nascimento ou podem se desenvolver mais tarde devido a traumatismos, infecções,
anormalidades estruturais, exposição a agentes tóxicos ou, até mesmo, por razões que
ainda não são bem entendidas. Algumas doenças ou traumatismos severos podem
afetar o cérebro ao ponto de produzir uma crise isolada. Quando as crises continuam
a ocorrer por razões desconhecidas ou por um problema subjacente que não pode ser
resolvido a condição é denominada epilepsia. A epilepsia afeta pessoas de todas as
idades, todas nacionalidades e todas as raças, podendo também ocorrer em animais,
incluindo cães, gatos, coelhos e camundongos.

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Epilepsia

Tipos de crise

As crises epilépticas ocorrem com grande variedade e sua freqüência e forma variam
bastante, de pessoa para pessoa. Mesmo assim, com os modernos métodos de
tratamento a maioria dos casos pode ser completamente controlada.

Em virtude da existência de tantas nuances na epilepsia e de tão diferentes tipos de
crises, um sistema especifico de classificação foi promovido pela Liga Internacional
Contra a Epilepsia (ILAE). A classificação internacional de crises epilépticas foi adotada
pela comunidade médica e está gradualmente substituindo termos ultrapassados
como “grande mal” e “pequeno mal”. A nova classificação descreve dois grupos
principais de crises: “parciais” e “generalizadas”. Ela divide cada uma destas categorias
em subcategorias, incluindo crises: parcial simples, parcial complexa, ausência, tônico-
clônica e outros tipos.

Crises Parciais e Generalizadas

A distinção entre crises parciais e crises generalizadas é o elemento mais importante
da nova classificação. Se a descarga elétrica excessiva no cérebro está limitada a uma
área, a crise é parcial. Se todo o cérebro está envolvido, a crise é generalizada. Ao todo
existem mais de 30 diferentes tipos de crises.
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Saiba mais sobre:
 As crises parciais
 A crise tônico-clônica
 Crises generalizadas de ausência

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Epilepsia

É muito importante uma boa entrevista para averiguar antecedentes de traumas na
cabeça ou quedas.

O que o paciente sente ao ter uma crise

Epilepsia é uma classificação geral para uma grande variedade de crises. Assim,
diferentes epilepsias têm crises bastante diferentes. Sensações comuns associadas
com crises incluem insegurança, medo, exaustão física e mental, confusão e perda da
memória. Alguns tipos de crises podem produzir fenômenos auditivos ou visuais
enquanto outros podem envolver uma sensação de vazio. Se o paciente fica
inconsciente durante a crise pode não haver sensação alguma. Muitas pessoas
experimentam uma aura antes da crise propriamente dita.

Duração das crises

As crises podem durar de poucos segundos a alguns minutos. Em casos raros podem
durar algumas horas. Exemplificando, uma crise tônico-clônica típica dura de 1 a 7
minutos. Crises de ausência podem durar apenas poucos segundos e crises parciais
complexas duram de 30 segundos até 2 ou 3 minutos. Estado de mal epiléptico refere-
se a crises prolongadas que podem durar algumas horas e isto é uma condição médica
séria. Contudo, na maioria das epilepsias as crises são muito curtas e, apenas
pequenos cuidados primários, são necessários.

Causas e fatores desencadeantes

Não existe uma causa única para a epilepsia. Muitos fatores podem lesar células
nervosas no cérebro ou suas vias de comunicação. Em aproximadamente 65% de
todos casos não existe causa conhecida. As causas mais freqüentes identificadas são:
 Intoxicações (substâncias tóxicas em doses altas);
 Doenças neurológicas (aneurisma, tumores);
 Traumatismo crânio encefálico;
 Febre alta;
 Doenças infecciosas (meningite, tétano);
 Problemas cardiovasculares (AVC).
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Epilepsia

Sinais e Sintomas de uma Crise Convulsiva

1) Perda da consciência. A vítima poderá cair e machucar-se;

2) Rigidez do corpo, especialmente do pescoço e extremidades.;
Outras vezes, desenvolve um quadro de tremores de diversas amplitudes;

3) Pode ocorrer cianose ou até parada respiratória;
Em algumas ocasiões, há perda do controle dos esfíncteres urinário e anal;

4) Depois das convulsões, o paciente recupera seu estado de consciência lentamente;
Ele pode ficar confuso por um certo tempo e ter amnésia do episódio.

Tratamento Pré-Hospitalar das convulsões

1) Posicione o paciente no piso ou em uma maca. Evite que se machuque com golpes
em objetos dispostos ao seu redor;

2) Afrouxe bem as roupas apertadas;

3) Proteja a cabeça do paciente;

4) Monitore a respiração e administre oxigênio suplementar;

5) Depois da crise, proteja a privacidade do paciente e explique-o que deve receber
auxílio médico;

6) Coloque na posição lateral de segurança (paciente inconsciente) e/ou de lado
(paciente consciente) caso venha a vomitar; e

7) Transporte o paciente para o hospital.

Não introduza nada na boca do paciente.

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Diabetes

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A Diabetes é uma doença crônica degenerativa que surge como uma disfunção
metabólica originada pelo comprometimento na produção e/ou utilização da insulina
que tem como principal função a regulação do metabolismo da glicose em todos os
tecidos, com exceção do cérebro.

Efeitos da deficiência ou excesso de insulina:

Quando a produção de insulina é insuficiente
Acumula-se no sangue um excesso de glicose, que pode gradualmente ocasionar o
coma diabético (hiperglicemia).

Quando a quantidade de insulina é excessiva
Rapidamente esgota-se a glicose do sangue, ocorrendo o comprometimento do
sistema nervoso central, que utiliza como fonte de energia, quase que,
exclusivamente, a glicose, podendo conduzir ao choque insulínico (hipoglicemia).

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Diabetes

Sinais e Sintomas da hiperglicemia
 Sede;
 Dificuldade respiratória;
 Pulso rápido e fraco;
 Hálito cetônico;
 Pele quente e seca (desidratada);
 Astenia;
 Alteração do nível de consciência. (pode levar ao coma não pela elevação no
nível de glicose no sangue, mas pela acidez).

O Emergencista deve fazer uma boa entrevista, para averiguar se o paciente é
diabético, se está em tratamento, se recebeu insulina ou se alimentou.

Tratamento Pré-Hospitalar

1. Mantenha o paciente repouso; e

2. Transporte o paciente.

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Diabetes

Sinais e Sintomas da hipoglicemia
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 Respiração normal ou superficial;
 Pele pálida e úmida, freqüentemente sudorese fria;
 Pulso rápido e forte;
 Hálito sem odor característico;
 Cefaléia e náuseas;
 Desmaio, convulsões, desorientação ou coma.


Tratamento Pré-Hospitalar

1. Mantenha o paciente em repouso;

2. Mantenha as vias aéreas abertas e fique prevenido para ocorrências de vômito;

3. Se o paciente estiver consciente, dê açúcar ou líquido açucarado, mas se não estiver
totalmente consciente, não dê nada por via oral;

4. Previna o choque; e

5. Transporte o paciente.

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Abdome agudo

Causas
 Apendicite;
 Úlceras;
 Doença hepática;
 Obstrução intestinal;
 Inflamação da vesícula;
 Problemas ginecológicos.

Sinais e sintomas do abdome agudo
 Dor abdominal;
 Dor retro-abdominal (nas costas);
 Náuseas e vômitos;
 Ansiedade;
 Pulso rápido.

Dor abdominal súbita e intensa, desconforto abdominal relacionado a várias
condições clínicas ou problemas específicos do abdome.

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Tratamento Pré-Hospitalar

1. Não dê nada por via oral;

2. Mantenha as vias aéreas abertas e previna-se para ocorrência de vômito;

3. Previna o estado de choque;

4. Mantenha o paciente em repouso na posição em que melhor se adapte;

5. Promova suporte emocional; e

6. Transporte o paciente.

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Aula 4 – Parto

Os objetivos desta aula são:
 Descrever o atendimento pré-hospitalar da mãe e do bebê, durante o parto; e
 Descrever 3 complicações típicas durante o parto e o tratamento pré-hospitalar
de cada uma delas.

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Anatomia da mulher grávida

Antes de descrever um parto, serão mostrados termos, conceitos e definições
relacionados à anatomia de uma mulher grávida e ao parto.

Feto
Ser vivo que está se desenvolvendo e crescendo dentro do útero, após a 8ª semana de
gestação.

Útero
Órgão muscular que se contrai durante o trabalho de parto, expulsando o feto.

Colo uterino
Extremidade inferior do útero, que se dilata permitindo que o feto entre na vagina.

Vagina
Canal por onde o feto é conduzido para o nascimento.

Saco amniótico
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Membrana que se forma no interior do útero e envolve o feto e o líquido amniótico.

Líquido amniótico
Líquido presente no saco amniótico, com a função de manter a temperatura do feto e
protegê-lo de impactos. Sua cor normal é clara, quando está ocorrendo o sofrimento
fetal este líquido torna-se esverdeado, pela presença do mecônio, que é a primeira
matéria fecal do bebê.


Placenta
Órgão formado durante a gravidez constituída por tecido materno e do concepto,
permitindo a troca de nutrientes entre a mãe e o feto.
Normalmente expelida ao final do trabalho de parto. Pesa aproximadamente 500g, na
gravidez a termo.

Cordão umbilical
Estrutura constituída por vasos sangüíneos através da qual o feto se une à placenta;
seu comprimento é em média 55cm.

Parto
Expulsão do feto viável através das vias genitais ou a extração do feto por meios
cirúrgicos

Aborto
Feto com menos de 500g ou com menos
de 20 semanas de gestação

Pré-maturo
Bebê com menos de 37 semanas
completas de gestação ou pesando menos
de 2.500g, independentemente da idade
gestacional.

A termo
De 37 semanas completas de gestação até
menos de 42 semanas completas de
gestação.

Pós-maturo
A partir de 42 semanas completas de
gestação.

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Fases do trabalho de parto

Primeira Fase - Dilatação
A dilatação do colo uterino tem início com as contrações e termina no momento em
que o feto entra no canal de parto.

Segunda Fase - Expulsão
A partir do momento em que o feto está no canal de parto até o nascimento do bebê.

Terceira Fase - Dequitação
Após o nascimento do bebê até a completa expulsão da placenta (10 a 20 minutos).

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Sinais e sintomas indicativos de expulsão próxima

1. Sangramento ou presença de secreções pelo rompimento do saco amniótico;

2. Freqüência das contrações, abaixo de 5 minutos com duração de 30 segundos a 50
segundos;

3. Abaulamento da vulva;

4. Apresentação da cabeça do feto;

5. Necessidade freqüente de urinar e/ou defecar.

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Evolução do trabalho de parto

ENTREVISTA:
 Pergunte o nome e idade da mãe;
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 Pergunte se realizou o exame pré-natal;
 Pergunte se é o primeiro filho (se for primípara, o trabalho de parto demorará
cerca de 16 horas. O tempo de trabalho de parto será mais curto a cada parto
subseqüente);
 Pergunte se há indicação de parto gemelar (múltiplo);
 Pergunte a que horas iniciaram-se as contrações (checar e anotar);
 Pergunte se já houve a ruptura do saco amniótico;
 Pergunte se sente vontade de defecar e/ou urinar.

Antes de efetuar qualquer procedimento, o Emergencista deve realizar uma entrevista
com a parturiente, extraindo o maior número de dados possíveis.

Se após a entrevista o Emergencista avaliar que o parto não é iminente, deve proceder
o transporte da parturiente e controle de hemorragias. Cubra com curativos estéreis
os traumas abertos, monitore os sinais vitais e esteja preparado para o choque.

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Condutas do emergencista para o parto de emergência

1. Assegure a privacidade da parturiente, escolha um local apropriado;

2. Explique à mãe o que fará e como irá fazê-lo. Procure tranqüilizá-la informando que
o que está acontecendo é normal. Peça para que após cada contração relaxe, pois isto
facilitará o nascimento;

3. Posicione a parturiente para o parto
emergencial, peça-lhe para que retire a
roupa íntima, deite-a em posição
ginecológica (joelhos flexionados e
bem separados, e os pés apoiados
sobre a superfície que está deitada);

4. Coloque uma almofada debaixo da
cabeça da mãe para observar os seus
movimentos respiratórios;

5. Prepare o kit obstétrico e seu EPI, mantenha todo material necessário à mão;

6. Disponha adequadamente os campos, lençóis ou toalhas limpas abaixo das
nádegas, abaixo da abertura vaginal, sobre ambos os joelhos e sobre o abdômen;

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Condutas do emergencista para o parto de emergência (continuação)

7. Sinta as contrações colocando a palma da mão sobre o abdome da paciente, acima
do umbigo;

8. Posicione-se de forma a poder observar o canal vaginal constantemente. Oriente a
parturiente a relaxar entre as contrações, respirando profunda e lentamente e a fazer
força durante as mesmas;

9. Tente visualizar a parte superior da cabeça do bebê (coroamento). Se o saco
amniótico não estiver rompido, corte-o com técnica e material apropriado;

10. Comprima a região do períneo, com uma das mãos, posicionada sob campo que se
encontra abaixo da abertura vaginal, a fim de evitar lacerações nesta região;

11. Apóie a cabeça do bebê, colocando a mão logo abaixo da mesma com os dedos
bem separados. Apenas sustente o segmento cefálico, ajudando com a outra mão, não
tente puxá-lo;

12. Verifique se há circular de cordão, caso tenha, desfaça com cuidado no sentido
face-crânio do bebê;

13. Geralmente a cabeça do
bebê apresenta-se com a face
voltada para baixo e logo gira
para a direita ou esquerda.

Guie, cuidadosamente, a
cabeça para baixo e para cima,
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sem forçá-la, facilitando assim a liberação dos ombros e posteriormente de todo o
corpo;


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Condutas do emergencista para o parto de emergência

14. Deslize a mão que está sobre a face no sentido crânio-caudal, segurando
firmemente os tornozelos do bebê;

15. Apóie o bebê lateralmente com a cabeça ligeiramente baixa. Isto se faz para
permitir que o sangue, o líquido amniótico e o muco que estão na boca e nariz
possam escorrer para o exterior;

16. Peça para o auxiliar anotar a data, hora, lugar do nascimento, nome da mãe e sexo
do bebê;

17. Observe se o bebê chorou. Retire o campo
que se encontra abaixo da abertura da vagina,
coloque-o deitado lateralmente no mesmo
nível do canal de parto.

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Atendimento pré-hospitalar do
recém-nascido

1. Limpe as vias aéreas usando gaze e aspirador
de secreções;


2. Avalie a respiração do bebê (VOS), estimule
se necessário, massageando com movimentos
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circulares a região das costas e/ou estimulando a planta dos pés;

3. Aqueça o recém-nascido envolvendo-o em toalha, lençol ou similar;

4. Avalie a presença de pulso no cordão umbilical, se ausente, pince-o utilizando
pinças, fita umbilical ou similar;

5. O primeiro ponto a ser pinçado deve estar a, aproximadamente, 25 cm (um palmo) a
partir do abdome do bebê;

6. O segundo ponto a ser pinçado deve estar a cerca de 5 a 8 cm (quatro dedos) do
primeiro em direção ao bebê; e

7. Seccione o cordão umbilical com bisturi ou tesoura de ponta romba, este corte deve
ser realizado entre os dois pontos pinçados.

O cordão umbilical não deve ser pinçado imediatamente após o desprendimento fetal.
Aguardam-se de 40 a 60 segundos, a não ser na parturiente Rh negativo, quando se
fará o pinçamento e secção de imediato, pois quando a parturiente tem fator Rh
negativo e o pai por ventura tenha o Rh positivo, ocorrerá a chamada doença
hemolítica do recém nascido ou eritroblastose fetal, ou seja, se a criança for Rh
positivo, o organismo da mãe vai identificar o fator Rh do bebê como sendo nocivo,
despreendendo anticorpos para eliminar este agente estranho através da circulação
feto-placentária, o que ocasiona a morte das hemácias do recém nascido. Esta situação
é comum a partir do segundo parto, embora, hoje já exista uma vacina para ser
aplicada na gestante com a finalidade de prevenir tal situação, chamada de
“GAMAGLOBULINA ANTI-Rh”. Portanto, todas as vezes que a parturiente for fator
Rh negativo, o corte deve ser feito de imediato.
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Atendimento pré-hospitalar da mãe

Inclui os cuidados com a expulsão da placenta,
controle do sangramento vaginal e a tentativa
de fazer a mãe se sentir o mais confortável
possível.

1. Normalmente entre 10 e 20 minutos há a
expulsão da placenta. Guarde-a em um saco
plástico apropriado e identifique-a para
posterior avaliação médica. O cordão desce
progressiva e espontaneamente. Não o
tracione;

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2. Após a expulsão da placenta, observe presença de sangramento vaginal, se houver,
controle-o:
 Com gaze ou material similar, retire os excessos de sangue ou secreções;
 Use um absorvente higiênico ou material similar estéril;
 Coloque-o sobre a vagina. Não introduza nada na vagina;
 Oriente para que a parturiente
una e estenda as pernas,
mantendo-as juntas sem
apertá-las;

Apalpe o abdome da mãe, no intuito
de localizar o útero. Faça movimentos
circulares com o objetivo de
estimular a involução uterina e,
conseqüentemente, a diminuição da
hemorragia;

3. Tranqüilize a mãe fazendo-a sentir-se o melhor possível e registre todos os dados da
ocorrência. Transporte a mãe, o bebê e a placenta para o hospital.

Durante todos os procedimentos, monitore constantemente a mãe e o bebê.

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Complicações no parto e seu tratamento

Tratamento Pré-hospitalar

1. Espere que as nádegas e o tronco do feto sejam expulsos espontaneamente;

2. Segure os membros inferiores e o tronco à medida que são expulsos;

3. A cabeça então é geralmente liberada por si
própria, entretanto, algumas vezes ela poderá
não sair de imediato. Nos casos em que a
criança não nascer em até 3 minutos após a
saída da cintura e tronco, não a puxe, apenas
crie uma via aérea;

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4. Informe a mãe sobre o procedimento que será realizado e introduza os dedos
indicador e médio em forma de “V” entre a face do feto e a parede da vagina, criando
assim um espaço para que ele possa vir a respirar. Se você não conseguir realizar este
processo, então tente colocar uma extremidade digital sobre a boca do bebê e com
outro dedo empurre a parede vaginal;

5. Criada uma via aérea para o feto, deve-se mantê-la. Permita que o nascimento
prossiga mantendo a sustentação do corpo do bebê; e

6. O transporte deverá ser realizado imediatamente. Mantenha as VAs permeáveis
durante todo o transporte.

Apresentação Pélvica
Quando as nádegas ou os pés do feto são os primeiros a se apresentar.

Se durante o trabalho de parto,
apresentar apenas uma mão ou
um pé, não é considerado parto
pélvico, esta é uma apresentação
de membro, que requer cuidados.

1. Não puxe a extremidade, nem
tente introduzí-la novamente na
vagina.;

2. Deixe-na posição ginecológica
ou a coloque na posição genopeitoral, o que ajuda a reduzir a pressão no feto e no
cordão umbilical;

3. Oriente para que respire profunda e lentamente;

4. Se necessário oferte oxigênio; e

5. Transporte a parturiente.

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Complicações no parto e seu tratamento

Prolapso de Cordão Umbilical

Ocorre quando durante o trabalho de parto, o cordão umbilical é o primeiro a se
apresentar.

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Tratamento Pré-hospitalar

1. Retire a parturiente da posição ginecológica, colocando-a em posição genopeitoral;

2. Não tente empurrar o cordão para dentro;

3. Não coloque a mão dentro da vagina;

4. Envolva o cordão umbilical com gaze estéril úmida e embrulhe-o com compressas
cirúrgicas estéreis, para aquecê-lo;

5. Administre o oxigênio; e

6. Monitore e transporte a parturiente para o hospital. Ela deve ser instruída para que
respire profunda e lentamente.

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Complicações no parto e seu tratamento

Parto Múltiplo
Em caso de nascimentos múltiplos, as contrações uterinas reiniciam após o primeiro
nascimento.

O procedimento será o mesmo utilizado para com parto simples.

É recomendado que o Emergencista amarre o cordão umbilical da primeira criança
antes do nascimento da próxima.



Parto Pré-Maturo
Considera-se parto pré-maturo, qualquer nascimento em que o bebê tenha menos de
37 semanas completas de gestação, ou que pese menos de 2500g,
independentemente da idade gestacional, e requer os seguintes cuidados:

Somados os cuidados dispensados a um parto a termo, o Emergencista deve dar uma
atenção maior ao aquecimento do recém-nascido. Embrulhe-o em mantas, lençóis
toalhas ou papel aluminizado, mantenha a face do bebê descoberta.

As crianças pré-maturas, freqüentemente, requerem reanimação pulmonar, proceda
de acordo com as condutas para o caso.

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Complicações no parto e seu tratamento

Hemorragia Excessiva
Se durante a gravidez, a parturiente começar a ter um sangramento excessivo pela
vagina, é muito provável que terá um aborto. Porém, se a hemorragia ocorrer durante
o trabalho de parto ou na etapa final da gravidez, provavelmente estará ocorrendo um
problema relacionado à placenta.

Tratamento Pré-hospitalar

1. Posicione a parturiente em decúbito lateral esquerdo;

2. Coloque absorvente higiênico, campos ou lençóis limpos na abertura da vagina;

3. Não introduza nada na vagina;

4. Troque os tampões quando estiverem embebidos;

5. Guarde e conduza ao hospital todos os tampões ensangüentados, bem como todo e
qualquer material expulso;

6. Previna o estado de choque; e

7. Monitore os sinais vitais.

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