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Revista AMAzônica, LAPESAM/GMPEPPE/UFAM/CNPq/EDUA

ISSN 1983-3415 (versão impressa) - ISSN 2318-8774 (versão digital)


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Ano 6, Vol XI, número 2, 2013, Jul-Dez, pág. 485- 494.

ACERCA DO PROBLEMA DA ATENÇÃO
1

Pietr Y. Galperin, Universidade de Moscou.
Resumo

O artigo registra resultado de estudo teórico sobre a atenção como atividade psíquica essencial
para o processo cognitivo, a aprendizagem e desenvolvimento intelectual. Conclui que a
atenção como atividade de controle psíquico, remete à compreensão de que todos os atos
concretos da atenção sejam a voluntária ou involuntária são resultados da formação de novas
ações mentais e lança o desafio para a pesquisa experimental.

Palavras-chave: O problema da atenção; Ações mentais; Galperin.


Desde que a psicologia se converteu em um campo particular do conhecimento,
os psicólogos dos mais diversos ramos negam de forma unanime a atenção
como uma forma independente de atividade psíquica. É verdade que com
diferentes argumentos. Alguns porque negam em geral a atividade do sujeito e
reduzem todas as formas de atividade psíquica a diferentes manifestações de
um ou outro mecanismo geral ( das associações, da formação de estruturas).
Outros porque identificam a atenção com diferentes funções psíquicas ou com
qualquer de seus aspectos; toda função, combinação de funções ou fenômeno
psíquico (da “tendência” à ” mudança de organização” da ação psíquica, da
sensação sinestésica “obscura” e os mecanismos motores à consciência em
conjunto) se identificava com a atenção.
Quando a atenção é negada conjuntamente com outras funções psíquicas, isto
não a afeta em particular. Quando a ela se identificam com outros fenômenos
psíquicos, então já aqui aparecem as dificuldades reais do problema da atenção,
a impossibilidade de separá-la. A análise dessas dificuldades, nos leva à
conclusão de que os mais diversos pontos de vista acerca da natureza da
atenção têm como base os fatos cardinais:
1) Em nenhum lugar a atenção aparece como um processo independente.
Tanto para a observação externa, como para si, a atenção se revela
como uma tendência, orientação e concretização de uma atividade

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Tradução: Suely Aparecida do Nascimento Mascarenhas- Universidade Federal do Amazonas-Brasil.

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psíquica qualquer, por conseguinte, somente aparece como um aspecto
ou propriedade desta atividade.
2) A atenção não tem seu produto independente ou específico. Seu
resultado é o melhoramento de qualquer atividade à qual ela se
incorpora. Entretanto, precisamente a existência de um produto
característico serve como demonstração principal da presença da função
correspondente ( inclusive ali onde o processo quase não se conhece ou
não se conhece em absoluto). Na atenção não há tal produto e isto fala
melhor que qualquer outro argumento contra os que avaliam a atenção
como uma forma independente de atividade psíquica.

Não se pode negar a importância destes fatos e a legitimidade da conclusão –
tão desalentadora que se retira deles. Embora sempre nos fique uma certa
inconformidade interna a respeito desta conclusão, e em favor desta
inconformidade se poderia citar uma série de considerações acerca da estranha
e pesada tese na qual se planeja uma concepção tal da atenção, sem dúvida,
embora a estas considerações se contraponham os fatos, e a psicologia não
conte com outras fontes de fatos, à parte da observação (do externo, pelas
manifestações corporais da atenção, e do interno, pelas vivências da mesma),
os fatos já assinalados conservarão sua significação absoluta e a negação da
atenção como forma independente da atividade psíquica continuará parecendo
inevitável e justificada.
As investigações das ações mentais permitem abordar esta questão a partir do
seguinte ângulo distinto:
Como resultado destas investigações foi estabelecido que a formação das ações
mentais conduzisse ao final, à formação da ideia, a própria ideia representa em
si uma formação dupla: o conteúdo objetal imaginado e a ideia propriamente
dita acerca dele, como ação psíquica dirigida a este conteúdo. A análise
mostrou depois (1) que a segunda parte desta díade não é outra que a atenção e
que esta atenção interna se forma do controle do conteúdo objetal da ação; (2i)
então, naturalmente, surge a pergunta: não se pode entender, em geral a
atenção como função de controle psíquico? A exposição seguinte tem como
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finalidade mostrar que a compreensão da psique como atividade de orientação
e o conhecimento das mudanças que sofre a ação ao converter-se em mental
revelam, em realidade, essa possibilidade e permitem ver de um modo distinto
e de forma mais otimista o problema da atenção.
A compreensão da psique como uma atividade de orientação significa um
enfoque da mesma no a partir do ângulo dos “fenômenos da consciência”, mas
a partir do ângulo de seu papel objetivo na conduta; (3) A diferença de
qualquer outra, a orientação psíquica pressupõe uma imagem ( do meio da ação
e da própria ação), uma imagem sobre a qual também tem lugar o maneja da
ação. O manejo da ação sobre a base da imagem exige a confrontação da tarefa
com sua execução. Por conseguinte, o controle constitui uma parte essencial e
imprescindível desse manejo; (4) As formas de controle podem ser diferentes,
o grau de desenvolvimento das mesmas também, porém sem o controle do
transcurso da ação, o manejo da mesma ( está é uma tarefa fundamental da
atividade de orientação) não resultaria, em geral, possível. Em uma ou outra
forma, com diferentes graus de isolamento ou desenvolvimento, o controle
constitui um elemento integrante no psiquismo como atividade de orientação.
Não obstante, a diferença de outras ações que todas têm um produto
determinado, a atividade de controle não tem um produto independente. Ela
sempre vai dirigida àquele que, embora seja parcialmente, já foi criado por
outros processos, que dizer, para controlar é necessário ter o que controlar.
Suponhamos que a atenção seja precisamente esta função de controle
(realmente isto se acerca diretamente em certo aspecto a sua interpretação
comum) e então desaparecerá de golpe já mais grave de todas as objeções que
se fazem contra a atenção como forma independente de atividade psíquica: a
falta de um produto característico independente; (5) o conhecimento das
mudanças que se derivam durante a formação das ações mentais elimina a
segunda objeção: a impossibilidade de assinalar o conteúdo do processo de
atenção. Agora, nós sabemos que, ao converter-se em mental, a ação
inevitavelmente se abrevia, aproximando-se da ação pela fórmula. O seletor da
abreviação tem lugar a transição associativa e direta entre os escalões
conservados ( no caso da ação pela formula dos dados iniciais ao resultado).
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Para a observação esta transição está privada de conteúdo concreto, porém de
acordo a como se realize a própria abreviação, vá acompanhada ou não de: 1) a
compreensão do conteúdo concreto e 2) a vivencia de sua atividade. Se a
abreviação se destacava e se assimilava regularmente, tal compreensão e
vivencia se formam e se conservam. Não obstante, se a abreviação da ação
teria lugar espontaneamente, então o conteúdo abreviado se esquece e com este
a sensação de sua atividade ao realizar a ação abreviada. Precisamente este
segundo caso – responde mais que nenhum à ordem comum de formação das
funções psíquicas. Se depois, a função espontaneamente formada não tem,
ademais, seu produto independente e sempre transcorre somente relacionada a
outra atividade qualquer, então para a observação (tanto externa, como interna)
isso se apresenta somente como um aspecto da referida atividade ( não como
atenção, mas como capacidade de atenção durante sua realização).
A atividade de controle espontaneamente formada, ao converter-se em mental e
abreviada deve apresentar-se como uma necessidade natural, provada de
conteúdo e, por sua vez de independência, ou seja, como um aspecto ou
propriedade de outra atividade qualquer (que ela controla). Isto precisamente
responde ao quadro observado da atenção: daqui se deduz claramente que os
dois fatos assinalados anteriormente, que jogam um papel tão negativo no
estudo da atenção, em realidade têm uma importância muito limitada: eles
expressam um critério com o qual a atenção se apresenta na observação interna
e externa, e por sua vez expressam o grau de limitação da consciência aos
marcos das observações dadas. Não obstante, é necessário assinalar que a
atenção, o ato independente, concreto, da atenção, se forma quando a ação de
controle se converte não somente em mental, mas também em abreviada. O
processo de controle realizado como atividade externa, objetal, material, é
somente aquele que o é, e de nenhuma maneira é atenção. Pelo contrário, este
processo por si exige os atos da atenção que se formaram para o efeito; porém,
quando a nova ação de controle se converte em mental e abreviada, então –e
somente então – ela se converte em atenção, no novo processo concreto da
atenção. Nem todo controle é atenção, porém, toda atenção, denota controle
(6).
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Exporemos ainda outra consideração. O controle avalia a atividade ou seus
resultados, embora a atenção os melhore. Como é que a atenção, se ela é um
controle psíquico, não somente avalia, mas que melhora a atividade? Isto se
produz graças a que o controle se realiza com a ajuda do critério, a medida, a
amostra, e faz tempo que se sabe na psicologia que a presença de uma amostra
( imagem de antecipação), ao criar a positividade de uma comparação e
diferenciação, precisa, conduz a um reconhecimento muito melhor dos
fenômenos ) e daqui a outras mudanças positivas, tão características da
atenção). Exemplos desta natureza são conhecidos por todos: se se dá ouvir
previamente um diapasão, então o som correspondente se distingue facilmente
de um acorde complexo, o modo maior se distingue bem do tom complexo. Se
a peça é conhecida, sua letra se distingue inclusive em uma má transmissão; se
se conhece do que trata, então a letra pode ser reconhecida muito mais
facilmente, inclusive um texto ilegível, etc. estes fatos, em seu tempo se
explicavam pelo processo de apreensão. A explicação era má, imaginária,
porém os fatos eram indubitáveis, amplos e significativos. A importância disto
se reduz à que a presença da imagem de antecipação aumenta a faculdade de
distinção com respeito ao seu objeto e a diminui com respeito a todos os
demais. (7). Um emprego tal da imagem explica as duas propriedades
fundamentais da atenção: sua seletividade (que, por conseguinte, nem sempre
manifesta interesse) e a influencia positiva sobre todas atividade com que se
relaciona. E esta é a primeira comprovação da hipótese da atenção como
atividade de controle psíquico. A segunda consiste em que, conhecendo o
conteúdo concreto dessa atividade de atenção, devemos responder a difícil
pergunta acerca da atenção voluntária. Até o presente se consideram como
características instintivas da atenção a presença do fim (estar atento) e dos
esforços para conservar a atenção no objeto que por si não a provoca. Não
obstante, há muito tempo se sabe que ambas características são inconscientes.
Se temos suficiente experiência em um objeto, então independentemente do
interesse para com ele, a atenção se faz voluntária, sem o fim e os esforços para
estar atento. Não obstante, falando em termos gerais, o fim e os esforços
atestam somente aquilo que queremos, porém não o que conseguimos; se os
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próprios esforços (para estar atentos) continuam sendo infrutíferos, então a
atenção também continua sendo involuntária. Há muito tempo foi dito que nos
fins se expressam nossas necessidades, nossa dependência a respeito das
circunstâncias, nossa falta de liberdade. Os esforços em certo sentido são
inversamente proporcionais às possibilidades reais: quanto mais completa
esteja a atividade, tanto menos esforços ela requer.
L. S. Vigotsky teve muita razão quando tenteou aplicar à psicologia, em
particular à atenção, a tese geral do marxismo acerca dos meios da atividade
como condição decisiva e critério de voluntariedade. Porém, como entender
estes meios na psicologia? Vigotsky os considerava signos, baseando-se nos
quais o homem e faz o que não pode fazer sem eles. Não obstante, a forma de
utilizar o signo ainda devia ser entendida e , naturalmente, pouco tempo depois
Vigotsky descobriu que o signo realizava o papel de instrumento psicológico
somente a causa de que o mesmo obtém significado. Ao ligar o significado do
signo ao conceito, Vigotsky argumentava sobre o desenvolvimento da
voluntariedade das funções psíquicas em dependência do desenvolvimento dos
conceitos, quer dizer em dependência da compreensão de como se deve atuar
em um caso dado. Esta concepção racional da voluntariedade denota um
estreitamento ilegítimo do problema: naturalmente, a voluntariedade exige a
compreensão das circunstâncias, não obstante, não qualquer compreensão de
las, inclusive sendo correta, equivale à voluntariedade, a questão acerca dos
meios da atividade psíquica do homem não se reduz à compreensão, e à
solução que lhe dá Vigotisky não pode, contudo ser definitiva.
Deste ponto de vista, a atenção como atividade de controle psíquico, a questão
se resolve da seguinte forma: a atenção voluntária é atenção planejada. Este é
um controle da ação realizado sobre as bases de um plano previamente
elaborado. A existência deste plano e critério permite realizar o controle e ao
mesmo tempo, dirigir também a atenção para aquilo que nós queremos – dirigi-
la, e não para aquilo que “salta à vista”. Naturalmente, est ação planejada é
social por sua origem e natureza e pressupõe a participação da linguagem em
sua organização; ela só é possível ao homem. Como toda ação adquirida por
uma amostra social, ao princípio parece que se assimila na forma externa
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(quando ela, como já foi dito, todavia, não é atenção) e somente depois em um
reflexo especialmente verbal, se converte em ação mental que, ao abreviar-se
se converte e atenção voluntária). Graças a sua organização objetivo-social e
assimilação por etapas, esta ação não depende nem das qualidades diretamente
atraentes do objeto, nem das influencias perturbadoras das situações
passageiras do homem, quer dizer, é voluntária em um sentido próprio e mais
amplo que a palavra.
O objeto do qual dependemos por completo em ambos sentidos, e por isso são
involuntários, não obstante, neste caso o conteúdo das atividades da atenção
constitui precisamente um controle, ou seja um controle do que estabelecem a
percepção e o pensamento, a memória e o sentido (8)
Naturalmente, a interpretação da atenção como forma independente de
atividade psíquica segue sendo até agora uma hipótese. Não obstante, além de
eliminar as dificuldades teóricas, sua vantagem consiste em que abre a
possibilidade da investigação e comprovação experimental, a possibilidade de
formação planejada da atenção. Ao conhecer seu conteúdo como atividade as
vias para a formação desta ultima como atividade mental, devemos ensinar a
atenção de um modo semelhante à qualquer outra atividade psíquica; ou seja,
para formar o novo procedimento da atenção voluntária, devemos dar, junto
com a atividade básica, a tarefa para comprová-la e assinalar para isso, o
critério e os métodos, a via comum e a sequencia. Ao princípio é necessário dar
todo isto exteriormente, em forma de material ou materializá-la (9), quer dizer,
não se deve começar a partir da atenção, mas partindo da organização do
controle da ação externa definida ( que somente depois se transformará no
novo ato da atenção). Mais tarde esta ação de controle é levada por meio do
processamento por etapas; (10), à forma mental, generalizada, abreviada e
automatizadas, que é quando ela, em realidade, se converte no ato da atenção
que responde pela nova tarefa.
A atenção involuntária da criança também se pode educar tal como nós
queremos vê-la. Neste caso, nós não planejamos à criança uma tarefa especial
de controle, mas lhe ensinamos a realizar a atividade fundamental de
determinada forma: seguindo cuidadosamente seus distintos fatores,
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comparando-os e diferenciando-os, assim como seus enlaces e relações. Desta
maneira, ao não destacar o controle em uma tarefa em especial, nós o
incluímos na atividade fundamental como forma de realização. Então, junto
com a atividade fundamental, tem lugar também a formação da atenção
involuntária.
A partir do ponto de vista da concepção da atenção como atividade de controle
psíquico, todos os atos concretos da atenção ( a voluntária e a involuntária) são
o resultado da formação de novas ações mentais. Tanto a atenção voluntária
como a involuntária devem ser criadas, educadas de novo- no homem sempre
por amostras socialmente dadas. Durante a educação planejada da atenção estas
amostras devem ser escolhidas da antemão entre as mais exitosas e de maior
perspectiva, para cada esfera de atividade da atenção e a ordem da educação
das ações mentais cabais se conhecem em geral, a tarefa da formação planejada
de atos da atenção cada vez mais novos não constituirá já uma dificuldade de
princípio. Agora tem a ultima palavra a investigação experimental.


(1) P. Ya. Galperin- A ação mental como base da formação da ideia e da
imagem. “Vaprosy psijologui”, 1957, nº6.
(2) Isto não significa que a ideia seja a atenção ou que a atenção seja a
ideia, se não somente o seguinte: em cada ação humana há uma parte de
orientação, de execução e de controle. Quando a ação se converte em
mental e depois varia de maneira que a parte de orientação se converte
em “compreensão”, a execução em um processo associativo do
conteúdo objetivo da ação no campo da consciência como ato se
fundem em uma só vivencia, que na introspecção se apresenta como
algo simples e depois indivisível, como o descreviam os antigos
autores.
(3) A atividade de orientação não está limitada pelos processos
cognoscitivos. Todas as formas de atividade psíquica são diferentes
formas de orientação, condicionadas pela diferenciação dos problemas
e dos meios de solução destes.
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(4) Por meio da ação se realiza também, depois, o controle da imagem.
(5) A esta concepção da atenção nos acerca o reconhecimento da função
reguladora da mesma (veja-se em particular, a parte “atenção” do
manual ucrânio “Psicologia” para centros pedagógicos superiores,
Kiev, 1955, pág. 434). Sem dúvida, a regulação é um conceito mais
amplo e se revela como seletividade, tendência e centralidade, então
desaparecem a aproximação ao controle.
(6) Nós devemos recordar com gratidão à Mettrie, que pela primeira vez,
segundo meus conhecimentos, assinalou claramente a atenção como
atividade de controle, à qual concedeu uma importância especial na
vida espiritual. Não obstante, a Mettrie não desenvolveu
sistematicamente esta concepção da atenção e como dita concepção
expressava um ponto de vista funcional, porém não “empírico” dos
fenômenos psíquicos, foi esquecida posteriormente pela psicologia
empírica e fisiológica.
(7) A atenção involuntária também é um controle. É um controle que vai
seguindo aquilo que no objeto ou no ambiente “ salta à vista”; Neste
caso se utiliza como critério uma parte do objeto para a outra parte. Um
segmento inicial da relação para a confrontação com seu
prolongamento. Tanto o itinerário como os meios de controle não
seguem neste caso um plano previamente traçado, mas que se ditam
pela conjuntura dada. Como explicar então a atenção a um objeto antes
da introspecção precisa? Isto se explica assim: se esta atenção é
involuntária, ela utiliza as primeiras impressões como medida para as
posteriores; se está atenção é voluntária, ela usa os esquemas formados
na experiência passada.
(8) Até o presente se explicava somente o reflexo de orientação (
orientação para o novo estímulo) como atenção involuntária e não
aquela criatividade investigadora com respeito ao novo objeto cuja
parte de controle constitui propriamente a atenção.
(9) Merece que se assinale que na exposição da parte dedicada à atenção
(Manual “Psijologuia”, 1956), o professor A. A. Smornov sublinhava a
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importância da forma material da ação nas primeiras etapas da
formação da atenção e durante suas dificuldades.
(10) Não me detenho no conteúdo do procedimento da formação das
ações mentais por etapas, como tão pouco no conceito da ação
materializada. Estas questões aparecem em várias informações
(Experiência do estudo da formação das ações mentais, M. 1954; “
acerca da formação das ações mentais e dos conceitos” Viestnik da
Universidade de Moscou, 1957, nº 4; “ A ação mental como base da
formação da ideia e da imagem” Problemas de Psicologia, 1957, Nº6.

Referência
GALPERIN, Y. P. Acerca do problema da atenção, Universidade de
Havana, Faculdade de Psicologia, In: Teoria da formação de etapas das
ações mentais, seis conferências de P. Y. Galperin, compiladora
CAMPOS, G. M. Havana, tradução LUNA, Ernesto, ( cópia
mimeografada, 1977).
Recebido: 30/6/2013. Aceito 30/10/2013.
Contato: Suely Mascarenhas-UFAM – E-mail:suelyanm@ufam.edu.br