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O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares em contexto de

Escola/Agrupamento

Tarefa 2

Preâmbulo

“The school that knows and understands itself is well on its way to solving any
problems it has… self evaluation is the key to improvement.” (Ofsted, 1991)

Numa época em que o processo de auto-avaliação se apresenta como um


factor crucial de sucesso, é fundamental que também a Biblioteca Escolar repense as
suas práticas, de modo a integrar-se nesse processo de mudança. É, pois, necessário
perceber que o sucesso da BE está directamente relacionado com a forma como a
mesma orienta as suas práticas e com a capacidade de as ligar aos objectivos
curriculares e programáticos. Neste sentido, deve haver uma relação directa com a
missão da escola, nomeadamente no que se refere aos objectivos apresentados no
Projecto Educativo, e também um trabalho contínuo com professores e alunos.

Ora, para que se possa aferir os resultados da acção da BE na escola, é preciso,


antes de mais, reconhecer as diferentes fases do processo de auto-avaliação:

- identificação do problema

- identificação de prioridades

- definição das questões mais importantes

- recolha de dados

- análise dos dados

- relatório e comunicação (nomeadamente através da dinâmica de grupos)

- plano de acção (que passos a dar, por quem, quando, como)

- cooperação (entre os diferentes parceiros educativos)

- feedback e auto-avaliação.
Assim, a prática auto-reflexiva leva-nos à procura de evidências, que possam
alicerçar a nossa auto-avaliação. Esta deve incidir sobre diferentes aspectos como: o
papel do Professor Bibliotecário, o Plano de Acção da BE, a Colecção, o espaço…

Em suma, o objectivo final será o de medir o impacto da BE, ao nível de:

- motivação (entusiasmo, continuidade, atitudes…)

- progresso (competências de leitura, comunicação, conhecimento, uso das TIC…)

- independência (confiança, auto-estima, iniciativa…)

- interacção (discussão, cooperação, comportamento…).

1. A minha escola

“Sometimes I sense that we work very, very hard to climb one mountain only to
find the rest of the school on a completely different peak.” (Doug Johnson,
2002)

A minha escola, situada na periferia e única secundária do concelho, há


muito que percebeu o papel importante que a BE desempenha no seio da
comunidade. No entanto, e apesar da frequência elevada dos alunos, apresenta
ainda demasiados obstáculos: por um lado, o espaço é ainda um pouco
inadequado (facto que será superado pelas obras de requalificação escolar).
Por outro, a deficiente formação dos utilizadores e a fraca cooperação por
parte dos professores, resultam num processo que é difícil de gerir.
Assim sendo, implementar um modelo de auto-avaliação na BE, não é
tarefa fácil. Se, por um lado, há um clima de abertura por parte da Direcção
Executiva, por outro, há também um certo alheamento aos factos: o Professor
Bibliotecário fica um pouco sozinho, no centro de um processo de difícil gestão,
que tem de coordenar, muitas vezes sem a colaboração de ninguém. Então,
apesar de um acordo e aceitação tácitos, a verdade é que, nesta escola, há
vários factores que podemos considerar inibidores do processo de auto-
avaliação da BE:
- a falta de cooperação das estruturas educativas (Direcção Executiva,
professores). A BE ainda é vista como um espaço à parte, que deve funcionar
de modo autónomo, sem “incomodar” ninguém.
- a falta de recolha sistemática de evidências. Há recolhas pontuais, que servem
de base, mas não há trabalho contínuo neste sentido.
- a falta de integração da BE nas actividades da escola, nomeadamente aquelas
que se referem ao apoio curricular. A BE é mais requisitada para actividades
lúdicas e de comemoração de efemérides, do que para intervenção directa no
currículo.
- as estruturas tecnológicas da BE são manifestamente inferiores às
necessidades, quer em termos de quantidade, quer em termos de qualidade e
actualização.
Concluindo, a capacidade actual de resposta à implementação do MABE
é ainda reduzida. Contudo, e porque há uma aposta neste sentido por parte,
quer do Professor Bibliotecário, quer de toda a equipa, quer da própria
Direcção Executiva, começa a delinear-se uma mudança de atitudes. Assim
sendo, a implementação do modelo será, de facto, uma realidade, não
obstante os constrangimentos. É necessário uma forte liderança do Professor
Bibliotecário e o apoio das diferentes estruturas educativas para que assim
seja.

2. Plano de Acção

“Measuring success is not an end itself; it is a tool for improvement.” (Elspeth


Scott, 2002)

Implementar o MABE implica, desde já, uma mudança de atitudes face


ao lugar e importância de uma biblioteca na escola. O primeiro passo deve ser
colocar algumas questões:
- como estamos a fazer?
- como sabemos?
- o que vamos fazer agora?

Assim, devemos, antes de mais, procurar os pontos fortes (e apostar


neles), os pontos fracos (a eliminar), as oportunidades (a aproveitar) e as
ameaças (a superar). Depois, devemos pensar, então, nas metas a atingir. Desta
forma, temos o nosso Plano de Acção elaborado.
Como exemplo de medidas necessárias à implementação do MABE,
podemos considerar:
- promover a formação de utilizadores, nomeadamente através de sessões de
esclarecimento, visitas guiadas ou organização de grupos de trabalho.
- apresentar, junto das estruturas educativas, o modelo de auto-avaliação,
reforçando a sua importância.
- proceder a uma recolha sistemática de evidências, fazendo o tratamento
estatístico dos dados.
- participar em grupos de trabalho de planificações de actividades lectivas e
extracurriculares das diferentes disciplinas.
-realizar projectos de desenvolvimento curricular em colaboração com todos os
Departamentos.
-produzir materiais didácticos que possam ser utilizados em contexto de sala de
aula.

É evidente que o trabalho não se esgota num ano e que os


constrangimentos, sempre difíceis de ultrapassar, surgem a todo o momento. A
própria mudança do corpo docente e, muitas vezes, da equipa e do Professor
Bibliotecário, leva a que uma tarefa iniciada nem sempre chegue ao fim.
Importa, então, lutar pela continuidade, além da formação sistemática de
docentes e alunos. Além disso, é necessária uma atitude constante de
cooperação e uma abertura à inovação e à mudança, que nem sempre é fácil
de conseguir.
Se é verdade que o sucesso só se consegue com muito trabalho,
também é verdade que ele depende de todos. Enfrentar desafios e
implementar mudanças, é um caminho longo a percorrer.
Neste momento, temos de nos munir das ferramentas necessárias à
consecução do nosso projecto. Daí à acção, vai um passo. Medir o sucesso é
fundamental, mas, mais importante do que isso, é perceber o que podemos
fazer para melhorar. E, se já somos bons, temos ainda de nos tornar melhores –
a melhoria da melhoria é a única meta.

A formanda: Maria Madalena Santos Azevedo