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Seminário: ÉTICA, TEMPORALIDADE E FILOSOFIA POLÍTICA
PUCRS/PPGFILOSOFIA – 26.06.2014


VIOLÊNCIA NO CÁRCERE E BANALIDADE DO MAL


Lourdes Pasa Albrecht
1





RESUMO

O presente trabalho tem por intuito realizar breve análise sobre a violência nos cárceres
do Brasil, o recrudescimento da fúria e a banalização do mal. Dá ênfase à superlotação
dos presídios e violação de Direitos Humanos, abordando, neste aspecto, a decisão da
Comissão Interamericana de Direitos Humanos pedindo providências ao governo
brasileiro para garantir o fim da superpopulação do Presídio Central de Porto Alegre. A
reflexão sobre essa temática será feita sob a ótica do pensamento da filósofa Hannah
Arendt, na obra “Eichmann em Jerusalém”, e à luz de “Vigiar e Punir” de Michel de
Focault.
Palavras-chave: Violência. Superpopulação carcerária. Banalidade do mal. Direitos
Humanos.



1
Mestranda da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul (PUCRS). E-mail: lourdes.pasa@gmail.com.
2


1 VIOLÊNCIA E BANALIDADE DO MAL

O tema violência tem suscitado muitas discussões em diversas disciplinas como
Direito, Criminologia, Psiquiatria, Psicologia, Sociologia e Filosofia. Está no noticiário
que traz diariamente um misto indigesto de atos de pura selvageria em linchamentos
espalhados pelo país, típicos da Idade Média. Está presente no cotidiano como um dos
fenômenos mais inquietantes do mundo atual. No Brasil a violência tem ganhado
dimensões oceânicas, onde mais de 50 mil pessoas são assassinadas por ano
2
e que só
comovem quando viram imagem. Um país violento, habitado por brasileiros amargos
que não distinguem o Bem do Mal e que estão se tornando brutais. “Parece haver no ar
uma certa eletricidade capaz de produzir faíscas a partir de qualquer situação banal”
3
.
Seria então essa “faísca” condutora de fúria contida pronta a explodir, surto de
incivilidade, déficit de reflexão e relativização do mal?
A resposta busca suporte na expressão “banalidade do mal” cunhada por
Hannah Arendt e utilizada pela primeira vez na sua obra “Eichmann em Jerusalém – um
relato sobre a banalidade do mal”, escrita após cobertura que fez como repórter da
revista The New Yorker do julgamento de Adolf Eichmann – o carrasco nazista -,
acusado de práticas contra a humanidade. Capturado num subúrbio de Buenos Aires em
1960, Eichmann foi levado a julgamento na Corte Distrital de Jerusalém em 1961, sob a
acusação que cometera crimes, entre outros, contra o povo judeu, crimes contra a
humanidade e crimes de guerra, durante todo o período do regime nazista,
principalmente durante o período da Segunda Guerra Mundial.
Conforme expõe H. Arendt, a Lei de 1950 de (Punição) dos Nazistas e
Colaboradores dos Nazistas previa que “uma pessoa que cometeu um desses (...) crimes
está sujeita à pena de morte”. Arendt narra que “a cada uma das acusações, Eichmann

2
Conforme Mapa da Violência 2014 (dados até 2012), o Brasil registrou em 2012 o maior número
absoluto de assassinatos e a taxa mais alta de homicídios desde 1980, onde nada menos que 56.337
pessoas foram mortas naquele ano. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/pais/mapa-da-violencia-
2014-taxa-de-homicidios-a-maior-desde-1980-12613765>. Acesso em 27 maio. 2014.
3
EDITORIAL: Cresce a violência nascida da intolerância. O GLOBO, Rio de Janeiro, 7 maio. 2014.
Disponível em: <http://oglobo.globo.com/opiniao/>. Acesso em: 7 maio. 2014.
3

declarou-se: „Inocente, no sentido da acusação‟”
4
. Em que sentido então ele se
considerava culpado, questiona Arendt, uma vez que nem a defesa, nem a acusação e
nenhum dos três juízes durante a longa inquirição do acusado lhe fizeram essa óbvia
pergunta.
Para Arendt, a atitude de Eichmann era diferente. A acusação de assassinato
estava errada. O réu declarou: “Com o assassinato de judeus não tive nada a ver. Nunca
matei um judeu, nem um não-judeu-nunca matei nenhum ser humano. Nunca dei uma
ordem para matar fosse um judeu fosse um não judeu; simplesmente não fiz isso”. Mas
Eichmann confirmaria depois: “Acontece (...) que nenhuma vez eu fiz isso”. Aqui,
observa Arendt, “não deixou nenhuma dúvida de que teria matado o próprio pai se
tivesse recebido ordem nesse sentido”
5
. Dito de outro modo, Eichmann acreditava que
não fizera nada errado, apenas cumprira ordens. “O que ele fizera era crime só
retrospectivamente, e ele sempre fora um cidadão respeitador das leis, porque as ordens
de Hitler, que sem dúvida executou o melhor que pôde, possuíam “força de lei” no
Terceiro Reich”
6
.
A expressão “banalidade do mal” por ela desenvolvida nesse trabalho, está
ligada, portanto, a incapacidade de pensar e à execução automática de tarefas de
burocrata, demonstrando que Eichmann não poderia escapar ao discernimento dos
alemães, tornando-o mero cumpridor de deveres. Segundo Arendt, no lugar do monstro
que todos esperavam, no banco dos réus estava um funcionário incapaz de refletir sobre
seus atos ou de fugir aos clichês burocráticos. Ou seja, houve a mitigação do senso
crítico do homem diante dos acontecimentos e essa banalidade nada mais é do que o ato
mal praticado por homens incapazes de pensar. E é neste ponto que a autora descobre o
“coração das trevas” à ameaça maior às sociedades democráticas – a confluência de
capacidade destrutiva e burocratização da vida pública, expressa no conceito
“banalidade do mal”.
Com efeito, o perigo imanente em não facultar aos seres humanos a capacidade
de ação e julgamento, como no caso Eichmann, é se convencer que o mal que fazemos
ao outro não nos diz respeito. Esse aspecto fez com que Arendt questionasse sobre a

4
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém. Tradução de José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia
das Letras, 2001, p. 32.
5
Ibid., p. 33.
6
Ibid., p. 35.
4

ausência de reflexão resultante das experiências banais de aniquilamento da condição
humana.
Importa ressaltar, que essa mesma alegação de cumprimento de deveres,
conforme observa Caetano Lagastra, “perpassou todos os julgamentos e consciências
dos assassinos nazistas, fascistas e stalinistas, (...) – que também se escudaram no
cumprimento de ordens e na absoluta falta de interesse de povos sobre atrocidades
cometidas sob suas vistas”
7
.
Nessa dimensão, seguindo o cumprimento de ordens e deveres, em que há
mitigação do senso crítico do homem diante dos acontecimentos, aquieta-se a
consciência coletiva e finge-se ignorar a deterioração dos presídios no Brasil e a
violência ali perpetrada, um retrato das maiores atrocidades de todos os tempos em
nosso país e flagrante desrespeito à dignidade da pessoa humana.

2 ENCARCERAMENTO, PODER, VIOLÊNCIA E DIGNIDADE HUMANA

O Brasil conta com mais de meio milhão de presos, mais precisamente 549.577
detentos até junho de 2012, acomodados em um total de pouco mais de 310 mil vagas,
conforme dados divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) e
levantados e analisados pelo Instituto Avante Brasil
8
, atrás apenas dos Estados Unidos,
China e Rússia
9
. O mais significativo, contudo, ainda segundo dados do DEPEN, é que
desse total, 58% são condenados definitivos e 42% (234.244 presos) provisórios, ou
seja, estes não condenados definitivamente.

7
LAGRASTA, Caetano. A banalidade do mal: a questão dos cárceres no Brasil. Disponível em:
<http://www.caetanolagrasta.com/>. Acesso em: 19 abr. 2014.
Caetano Lagrasta é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo.
8
INSTITUTO Avante Brasil. Disponível em: < http://atualidadesdodireito.com.br/iab/files/sistema-
penitenciario-jun-2012.pdf>. Acesso em: 16 maio. 2014.
9
Apesar de o Brasil ocupar a quarta posição em números absolutos de encarcerados entre presos
condenados e provisórios, importa ressaltar que o Brasil é o quinto país mais populosos do mundo e
considerado o número de presos por habitantes, o país ocupa a 44ª posição. Para efeitos de
comparação, os EUA possuem 707 presos por grupo de 100 mil habitantes, Cuba 510, Rússia 470,
Uruguai 289. O Brasil possui 274 presos por grupo de 100 mil habitantes (Fonte: ICPS – International
Centre from Prison Studies).
5

Nessa vertente, segundo Luiz Flavio Gomes e Natália Macedo
10
, o sistema
carcerário brasileiro e, dentro dele, a prisão provisória (também chamada cautelar ou
preventiva) “é um dos problemas e dos entraves mais chocantes da nossa evolução
civilizatória. Não existe prisão no nosso país que atenda as exigência internacionais,
constitucionais e legais”. Isso porque, segundo eles, o plano do dever ser (normativo) é
bem diferente do ser (realidade), uma vez que as normas jurídicas dizem como deveria
ser um presídio, mas a “triste e horrível realidade não corresponde em quase
absolutamente nada essa teoria”. Disso exsurge, ainda segundo os autores, a única
explicação para o nosso estado de guerra civil permanente de todos contra todos.
“Guerra dos criminosos contra suas vítimas, guerra das vítimas contra aqueles
(linchamentos, vingança), guerra do aparato estatal contra os criminosos, guerra destes
contra os agentes do estado e assim por diante”.
Cabe salientar que a Lei de Execução Penal (LEP), no artigo 88, estabelece que
o cumprimento da pena se dê em cela individual, com área mínima de seis metros
quadrados e, no artigo 85, prevê que deve haver compatibilidade entre estrutura física
do presídio e a sua capacidade de lotação. Desse modo, a superlotação tem como efeito
imediato a violação a normas e princípios constitucionais, trazendo ao apenado uma
espécie de pena adicional.
Nesse contexto, em sua obra Vigiar e Punir, Focault argumenta que “quer em
nome dos efeitos da prisão que já pune os que ainda não estão condenados, que
comunica e generaliza o mal que deveria prevenir e que vai contra o princípio da
individualização da pena, sancionando toda uma família; diz-se que a prisão é uma
pena
11
.
Não obstante, Foucault reconhece que mesmo cientes de todos os inconvenientes
da prisão e que sabendo-se que é perigosa quando não inútil, “não „vemos‟ o que pôr em
seu lugar. Ela é a detestável solução, de que não se pode abrir mão”
12
. Isso porque a
pena seria o preço que a sociedade cobra pelo cometimento de uma ofensa criminal.

10
GOMES, Luiz Flávio; MACEDO, Natália. Instituto Avante Brasil - IAB. Disponível em:
<http://www.ipcluizflaviogomes.com.br/>. Acesso em: 16 maio. 2014.
11
FOCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 29. ed.
Petrópolis: Editora Vozes, 2004, p. 98.
12
Ibid., p. 195.
6

Importa frisar que o poder de punir moldado outrora no suplício, no limiar do
século XIX, instituiu nova teoria da lei e do crime: abolição dos suplícios
13
. Some o
corpo como alvo principal da repressão penal. O que deve desviar o homem do crime é
a certeza da punição “e não mais o abominável teatro; a mecânica exemplar da punição
muda as engrenagens. Por essa razão, a justiça não mais assume publicamente a parte da
violência que está ligada a seu exercício”
14
. Enfim, substituídos são o corpo e o sangue,
e novo personagem incorpora a cena punitiva, como precisamente destaca Focault:
“Terminada uma tragédia, começa a comédia, com sombria silhueta, vozes sem rosto,
entidades impalpáveis. O aparato da justiça punitiva tem que ater-se, agora, a esta nova
realidade, realidade incorpórea”
15
. Ou seja, a mudança operou-se na forma técnica, pois
como sustenta Foucault ao referir-se à ilegalidade e delinquência,
No que se refere à lei, a detenção pode ser privação de liberdade. O
encarceramento que a realiza sempre comportou um projeto técnico. A
passagem dos suplícios, com seus rituais de sustentação, com sua arte
misturada à cerimônia do sofrimento, a penas de prisões enterradas em
arquiteturas maciças e guardadas pelo segredo das repartições, não é
passagem a uma penalidade indiferenciada, abstrata e confusa; é a passagem
de uma arte de punir a outra, não menos científica que ela. Mutação técnica.
16

Nessa linha, a pergunta que emerge é se essa transformação técnica seria então
uma forma de “humanização” da repressão penal?
Resposta afirmativa a esta questão não encontra eco frente aos deploráveis e
empestados cárceres brasileiros, onde a superlotação gera a degradação desses
indivíduos. A violência que os levou à prisão multiplica-se lá dentro gerando o caos do
sistema penal e, dessa maneira, elevando ainda mais a violência, explodem os motins,
confluindo com a citação acima de Foucault, para quem a passagem dos suplícios
medievais às prisões foi apenas alteração técnica.
Com efeito, a maior mazela do sistema prisional, atualmente, talvez, seja a perda
do controle interno do Estado pelas facções criminais que atenta para uma disputa de
poder vitimizadora das maiores violações de direitos. Nesse sentido, o médico Dráuzio
Varella relata que
As torturas mais bestiais de que tive notícia não foram praticadas por
carcereiros, mas pelos próprios presos contra os que caíram em desgraça, na

13
O desaparecimento dos suplícios deu-se no período compreendido entre 1830 a 1848.
14
FOCAULT, op. cit., p. 12.
15
FOCAULT, op. Cit., p. 18.
16
FOCAULT, op. Cit., p. 215.
7

maioria das vezes por motivos fúteis, vingança ou mera disputa de poder. A
perversidade no mundo do crime não conhece limites
17
.
Nessa linha, mesmo diagnóstico foi feito por Roy King, professor e pesquisador
da Universidade de Cambridge e um dos maiores especialistas do mundo em sistema
carcerário, para quem as prisões brasileiras se assemelham às russas, onde, em ambos os
casos, as prisões não são controladas pelo Estado, mas pelos próprios criminosos, que
preencheram os vácuos de poder deixados pela omissão das autoridades
18
.
A contaminação do ambiente prisional pelo vírus da violência reflete a falência
do sistema carcerário brasileiro. O déficit carcerário é assombroso. A máquina
penitenciária é destituída de ferramentas que assegurem a ressocialização do preso,
finalidade principal da pena privativa de liberdade. Seu sucateamento reflete-se, entre
outras mazelas, na ausência de saúde pública, na superpopulação, na ociosidade do
detento e no crescimento das facções dentro das unidades prisionais. Há ausência,
enfim, de uma estrutura digna que possa comportar o alojamento de pessoas ainda que
se encontrem a cumprir pena, violando frontalmente os direitos humanos.

2.1 DE OLHO NO CÁRCERE: REPRESENTAÇÃO À OEA POR VIOLAÇÃO DE
DIREITOS HUMANOS NO PRESÍDIO CENTRAL DE PORTO ALEGRE

A superlotação dos presídios representa uma verdadeira afronta à dignidade da
pessoa humana, valor fundamental da ordem jurídica de um Estado Democrático de
Direito. A dignidade da pessoa humana figura como um dos princípios basilares na
Constituição de l988 (art. 1º, inciso III), e como preceito ético e fundamento
constitucional exige do Estado não só o respeito e proteção, mas garantia de efetivação
dos direitos dela decorrentes.
Não obstante, o Sistema Carcerário brasileiro como um todo e, em especial, o
Presídio Central de Porto Alegre (PCPA) é o exemplo mais gritante de desrespeito a

17
SISTEMA semiaberto praticamente não existe no Brasil. Migalhas. Informativo n. 3.336. Disponível
em: <http://www.migalhas.com.br>. Acesso em: 14 maio. 2014.
Dráuzio Varella foi voluntário na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) por 13 nos. É autor dos
livros “Estação Carandiru” e “Carcereiros”.
18
MONTENEGRO, Raul. As prisões brasileiras se parecem com as russas. Revista Isto É Entrevista, ed. n.
2313, 21 mar. 2014. Disponível em: <http://prisional.blogspot.com.br/2014_03_01_archive.html>.
Acesso em: 20 jun. 2014.
8

esse valor fundante insculpido em nossa Carta Magna e, por isso, é alvo de diversas
denúncias de violação de direitos humanos.
A par disso, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão
vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), determinou uma série de
medidas cautelares ao Governo brasileiro para garantir o fim da superlotação do PCPA.
A decisão, assinada no dia 30 de dezembro de 2013, leva em conta os requisitos de
gravidade, urgência e irreparabilidade do caso
19
.
A decisão foi motivada por um pedido de providências das entidades que
compõem o Fórum da Questão Penitenciária
20
, protocolado em maio de 2013, em razão
das violações dos direitos humanos e as péssimas condições do presídio como
superlotação, insalubridade, falta de assistência médica e maus tratos. Segundo as
entidades, 4.591 detentos ocupam espaço destinado a 1.984 pessoas
21
.
Após analisar as alegações de fato e de direito apresentadas pelas partes, a
Comissão considera que as informações prestadas demonstram “que as pessoas privadas
de liberdade no PCPA se encontrariam em uma situação de gravidade e urgência, dado
que suas vidas e integridade pessoal estariam em grave risco”. Em consequência disso,
o tribunal pede providências como: garantir a vida e a integridade pessoal dos detentos;
assegurar as condições de higiene e tratamentos médicos adequados; implementar
medidas para recuperar o controle de segurança, atualmente entregue a facções

19
Comissão Interamericana de Direitos Humanos – Resolução 14/2013, Medida Cautelar n. 8-13.
Disponível em: <http://www.ajuris.org.br/sitenovo/wp-content/uploads/2014/01/>.
20
Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul – AJURIS, Associação do Ministério Público do Rio Grande
do Sul – AMPRGS, Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul – ADPERGS,
Instituto Brasileiro Audições e Perícias de Engenharia – IBAPE, Themis Assessoria Jurídica e Estudos de
Gênero, Clínica de Direitos Humanos UniRitter e Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção RS –
OAB/RS.
21
Até dezembro de 2014, a meta do Estado é reduzir pela metade os presos que tem hoje -
capacidade original do PPCA. Mas, para quem lida com a realidade da pior penitenciária do Rio
Grande do Sul, isso é praticamente impossível. Isso porque, conforme a Susepe, entre outros
fatores, é a dificuldade de transferência de presos para penitenciárias de outros municípios,
motivada, principalmente, pela burocracia de procedimentos. Disponível em:
<http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/06/meta-do-governo-e-reduzir-a-ocupacao-
do-central-pela-metade-4527662.html>. Acesso em: 16 jun. 2014.
Na contramão da pretensão do Estado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no dia 17 de
junho de 2014, aprovou relatório que recomenda a desocupação completa do PCPA no prazo
de seis meses. O documento relata em detalhes mazelas como o caos sanitário e o controle de
cinco facções criminosas sobre a massa carcerária. Disponível em:
<http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/06/juiz-sugere-desocupacao-do-central-em-
seis-meses-e-implosao-4529687.html>. Acesso em: 18 jun. 2014.
9

criminosas; implementação de plano de prevenção de incêndios e tomada de ações
imediatas para reduzir a superlotação no presídio
22
.
Assim, como o Estado se encontra em uma posição especial de garantidor em
relação às pessoas privadas de liberdade em razão de que as autoridades exercem um
controle sobre estas, urge corrigir as negligências do sistema prisional para proteger a
vida e a integridade pessoal dos presos, trazendo-o ao patamar civilizatório e cumpra
sua finalidade institucional, ajustando as condições das unidades prisionais às normas
internacionais de proteção dos direitos humanos.

REFERÊNCIAS

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém. Tradução de José Rubens Siqueira. São
Paulo: Companhia das Letras, 2001.
EDITORIAL: Crescea violência nascida da intolerância. O GLOBO, Rio de Janeiro, 7
maio. 2014. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/opiniao/>. Acesso em: 7 maio.
2014.
FOCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Nascimento da Prisão. Tradução de Raquel
Ramalhete, 29. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.
GOMES, Luiz Flávio; MACEDO, Natália. Instituto Avante Brasil. Disponível em:
<http://www.ipcluizflaviogomes.com.br/>. Acesso em: 16 maio. 2014.
LAGASTRA, Caetano. A banalidade do mal: a questão dos cárceres no Brasil.
Disponível em: <http://www.caetanolagrasta.com/>. Acesso em: 19 abr. 2014.
MONTENEGRO, Raul. As prisões brasileiras se parecem com as russas. Revista Isto É
Entrevista, ed. n. 2313, 21 mar. 2014. Disponível em:
<http://prisional.blogspot.com.br/2014_03_01_archive.html>. Acesso em: 20 jun. 2014.
OEA determina providências em presídio de Porto Alegre. Disponível em:
<http://www.oab.org.br/noticia/26526/>. Acesso em: 16 maio. 2014.
SISTEMA semiaberto praticamente não existe no Brasil. Migalhas. Informativo n.
3.336. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br>. Acesso em: 14 maio. 2014.




22
Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Resolução 14/2013, Medida Cautelar n. 8-13.
Disponível em: <http://www.ajuris.org.br/sitenovo/wp-content/uploads/2014/01/>.
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