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Silva, J. L. C., Vieira, F., Moreira, M. A. & Almeida, M. J. (orgs.) (2014).

Pedagogia para a autonomia – Imaginar
e fazer a mudança em tempos difíceis. Atas do 6º Encontro do GT-PA. Braga: CIEd. ISBN: 978-989-8525-28-4


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Escola, Ddemocracia e Aautonomia: Uuma Aanálise das Ppolíticas e Ppráticas
Ddemocráticas, Pparticipativas e Aautônomas de uma Eescola Eestadual da
Região Amazônica
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Fabiane Maia Garcia
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Universidade do Minho; Universidade Federal do Amazonas
fgarcia@ufam.edu.br


Resumo - O trabalho corresponde a uma síntese de alguns elementos de umo projeto de pesquisa
de doutoramento em educação na especialidade de política educativa.. Representa também as
inquietações presentes na fase inicial do estudo, pois atualmente a pesquisa se encontra em
processo de organização e categorização deas entrevistas e da observação direta feitas em um
período de aproximadamente noventa dias em uma escola do Estado do Amazonas no Brasil. O
texto objetiva descrever as finalidades da pesquisa, questionamentos, motivações e principais
aspectos do percurso teórico e metodológico adotados, tendo como interesse central a análise da
questão da autonomia diretamente associada à democracia e as lutas políticas que engendram a
formulação das políticas educacionais e o cotidiano escolar. Ao pinçar as ideias e enquadramentos
que sustentam o projeto inicial do estudo espera-se suscitar discussões com pesquisadores que
experimentam outras práticas e discursos de autonomia em diferentes realidades, em especial a
portuguesa. Assim, a partir de um breve contexto histórico, político e educacional do Brasil,
questionam-se a lógica que constitui a organização das políticas públicas em educação e os
mecanismos legalmente instituídos no sentido de legitimar ações que comumente nascem fora da
escola. No estudo, as questões práticas e perceptíveis no espaço escolar devem ser confrontadas
em um embate teórico capaz de sustentar a dinâmica e complexidade que se estabelece na busca
da autonomia. De fato, o que desejamos é pensar o cotidiano da escola comprometendo-se com o
que de mais legitimo há em educação, percorrer assim um caminho nebuloso, no qual as luzes
atualmente existentes mais encandeiam do que mostram direção. Por outro lado, a análise
evidencia o desejo de identificar como os diferentes cotidianos escolares criam, reforçam, negam
ou negligenciam as práticas democráticas.

Palavras-chave – Democracia, educação, e autonomia.


1. 1. Ponto de partida da pesquisa

O estudo possui seus aspectos introdutórios ancorados na formulação de um problema,
indicação de um conjunto de hipóteses, na organização dos objetivos do estudo, na justificativa para
a escolha do tema e nos caminhos traçados e percorridos para o alcance dos objetivos propostos. O
percurso da pesquisa propriamente dito iniciou com a estruturação do problema e, nele se evidencia
a educação brasileira a partir de inúmeros desafios no contexto da chamada modernidade. Assim, é
parte do exercício de verificação das políticas públicas instituídas, nas quais se percebe que as
mesmas são conjeturadas a despeito dos interesses do espaço escolar, onde posteriormente serão
apenas executadas. A realidade exposta demanda a identificação de quais as práticas cotidianas no
interior da escola refletem a relação democrática como aspecto essencial da autonomia.? Por outro
lado, importa questionar se tais práticas podem contribuir para um processo de inversão da lógica
centralista até então predominante.?
O conjunto de hipóteses está estruturado pela evidência de que as políticas públicas se
instituem na escola sem a participação direta de seus agentes. Elas partem da tradição histórica e
epistemológica da divisão entre os que pensam e os que fazem e alcançam provavelmente o
exercício da democracia. As duas questões, didaticamente dispostas, estão entrelaçadas na prática
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perpassa a reprodução das políticas, a prática dos sujeitos escolares passiva e convergente e a
legitimação normativa das políticas públicas em educação.
A pesquisa também se estrutura a partir de um conjunto de objetivos que pretendem analisar
as políticas e práticas de autonomia, democracia e participação no cotidiano escolar, inseridas em um
processo de consolidação democrática e busca da autonomia. Nesse processo será necessário
investigar a lógica que constitui a organização das políticas públicas em seus mecanismos
legalmente instituídos e a maneira como órgãos e instituições existentes, por exemplo, os conselhos
de educação, têm vivenciado historicamente o processo de construção democrática e de autonomia
na escola.
O campo das justificações para a pesquisa reside no entendimento da relação entre
democracia, autonomia e escola no contexto atual e demanda a análise de alguns momentos
históricos do sistema educacional brasileiro. O estudo da autonomia no projeto se vincula ao
processo de redemocratização em 1985, o advento da constituição de 1988, a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional - LDBEN 9394/96, os movimentos de educadores e as exigências no
campo econômico internacional que consolidaram os fundamentos legais da educação básica como
um direito público subjetivo.
Os elementos e questões dispostos vinculam-se a procedimentos metodológicos imersos em
uma pesquisa qualitativa. Com essa opção o conhecimento não corresponde necessariamente a um
conjunto de dados isolados, mas numa conexão de uma teoria que ultrapasse os aspectos
normativos da autonomia e capte a essência política da democracia. Assim, o objeto não é um dado
inerte e neutro, ele é composto de significados e relações que o pesquisador cria e estabelece em
suas percepções.
O campo de pesquisa foi efetivamente a escola, e nele foi possível verificar como a execução
das políticas públicas e práticas no cotidiano escolar se entrelaçam e, consolidam ou não o processo
democrático e da autonomia. Como expressão dosNos três meses de contato com umaa escola,
forami realizadaso cerca de vinte entrevistas envolvendo professores, estudantes, membros da
equipe diretiva da escola e dois integrantes do Conselho Estadual de Educação no Estado do
Amazonas-BR. O locus de estudo foi uma escola estadual, situada o Município de Itacoatiara a 280
km da cidade de Manaus - capital do Estado do Amazonas. Essa opção, que configura a pesquisa
como um estudo de caso, fundamenta-se na história construída pela escola, uma trajetória de
propostas e práticas diferenciadas. Nas últimas décadas, a escola assumiu sua identidade voltada
para a oferta exclusiva do Ensino Médio, ampliação de jornada escolar e adoção de livro didático
diferenciado das demais instituições de ensino.

2. 2. Aspectos teóricos que fundamentam o estudo

O estudo da realidade cotidiana da escola em seu processo de autonomia pressupõe a
discussão de conceitos fundamentais relacionados ao tema. De início precisamos compreender as
múltiplas relações que a escola socialmente estabelece; ela é uma instituição que não deve ser
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Line spacing: single tomada apenas como aparelho ideológico do estado, na perspectiva de Althusser, mas envolvida com
questões complexas que ultrapassam a simplificação de fazeres e práticas de seu dia a dia. Segundo
Rodrigues (2001, p. 59), “... Constitui o sistema escolar uma rede de exigências burocráticas,
administrativas, legais e de relações com Estado que tendem a tornar o aparelho escolar um dos
mais complexos das modernas sociedades”.
Em outro plano, é possível afirmar, que o conceito de escola moderna tenha vínculo com o de
democracia. Os dois estiveram lado a lado, como marca das lutas e conquistas nestes campos.
Henry Giroux (1997), um dos autores mais expressivos da teoria crítica educacional, tem tratado de
questões importantes no campo teórico, político e pedagógico envolvendo o papel da educação
escolar. Para ele, as escolas são esferas controversas que incorporam e expressam disputas que
envolvem as formas de autoridade, tipos de conhecimento, formas de regulação moral e versões do
passado e futuro que devem ser legitimados e transmitidos aos estudantes. Se, a escola ainda pode
ser tomada como espaço de consolidação dos interesses dos grupos que ocupam o poder de
decisão, mesmo nas chamadas democracias, também é igualmente verdade que ela serviu para
difundir as perspectivas e exigências democráticas hoje instituídas. Neste sentido Giroux, em
entrevista publicada na Language and Intercultural Communication (vo. , 6, nº (2), afirma que:

... estes são tempos muito difíceis, mas o que está em jogo é muito importante e, se
damos valor à democracia e temos qualquer esperança que seja no futuro, devemos
continuar a lutar para entrelaçar educação e democracia, aprendizagem e transformação
social, excelência e equidade. A única alternativa é a descrença ou a cumplicidade e
nenhum educador merece isso. Também penso que é importante reconhecer que estas
lutas se travam em todo o mundo e que, portanto, não estamos sozinhos, nem o
deveríamos estar, a travar estas lutas cruciais que vão determinar o destino da
democracia global no século XXI. (Giroux, 2010, p. 01)

Além da complexidade de suas práticas e conceitos, o sistema escolar tem sido publicamente
tomado como um espaço de ações repetitivas e ineficientes, noa qual a finalidade básica de educar
não tem sido alcançada. Porém segundo Estêvão (2004, p. 64), “Esta compreensão da escola e das
acções escolares não pode deixar de ter implicações não apenas na definição da escola como
organização, como também na compreensão do modo como, no seu interior, se vivenciam
determinadas noções como as de bem comum e de justiça, por exemplo”.
No Brasil, só na década de oitenta a garantia de acesso ao Ensino Fundamental se tornou um
direito. Os esforços, contudo, não asseguraram, pela massificação da rede oficial de ensino, o
aspecto democrático e participativo necessário, a tal processo. Ressalta-se, que a ampliação e oferta
do processo sistemático de ensino contaram com a pressão de movimentos de educadores, desde o
início da redemocratização brasileira em 1973, mas os esforços sociais e políticos pela educação
básica se consolidaram pelas pressões econômicas do país. Com isso, a chegada de muitos, que até
então não tomavam parte da oferta formal de escolarização, revitalizou os discursos de eficiência e
qualidade nas escolas.
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Line spacing: single Atualmente, vivemos no Brasil um processo de busca dos chamados padrões mínimos de
qualidade e proteção aos direitos e garantias do cidadão, igualmente constante nos vários níveis do
sistema educacional das chamadas democracias modernas. O sistema ainda convive com realidades
contraditórias para a educação pública e privada. Para a primeira é reservada a função de
democratizar o acesso aos ensinos fundamental e médio, enquanto que a rede privada assegura um
ensino de qualidade, para os que dela podem financeiramente usufruir. Sendo assim, a realidade que
temos não se configura como ideal, embora se apresente como uma perspectiva inovadora, naà
medida que se dispõe a democratizar o saber com muitos que dela estiveram historicamente
excluídos. Logo, a autonomia, justiça e democracia prescindem de vinculação com esse contexto,
pois o processo democrático é o viés das questões de permanência, qualidade e eficiência
educacional, tanto que:

“Cidadania e autonomia são hoje duas categorias estratégicas de construção de uma
sociedade melhor em torno das quais há frequentemente consenso. Essas categorias se
constituem na base da nossa identidade nacional tão desejada e ainda tão longínqua,
em função do arraigado individualismo tanto das nossas elites, quanto das fortes
corporações emergentes, ambas dependentes do Estado paternalista”. (Gadotti &
Romão, 2004, p. 39).

Nessa perspectiva, é necessário estabelecer como a presença ou ausência das políticas
públicas se entrelaçam com a questão da autonomia na escola e se relacionam com as demandas
simples e objetivas do seu cotidiano. Para os autores supracitados, o discurso da autonomia,
cidadania e participação no espaço escolar ganhou força. Estes têm sido temas marcantes do debate
educacional brasileiro de hoje. Essa preocupação tem-se traduzido na reivindicação de um projeto
político-pedagógico próprio de cada escola.
Os discursos e as práticas no Brasil costumam mudar com facilidade, ocorrendo mediante a
alternância democrática do poder, e nessa perspectiva o que temos é um eterno recomeço com
pouca valorização do que até então foi feito. Sem processos sistemáticos, as ações ficam na
expectativa da boa vontade dos administradores, que em sua maioria eles personificam os sistemas
com marcas pessoais que os identifiquem e, portanto, os favoreçam em futuros processos eleitorais.
Em entrevista a agência do Estado de São Paulo, a professora Branca Jurema Ponce (2010, p. A11),
do programa de pós-graduação em Educação da PUC-SP, afirma que “Políticas educacionais devem
deixar de ser de governo para ser de estado. Educação não pode ser objeto de disputa, de eleição.
Isso é criminoso”.
Neste cenário, o que vemos são políticas esfaceladas que chegam à escola sem assegurar
condições materiais de efetivação. Assim,

“... A paisagem educacional é poluída pelos resíduos de reformas escolares fracassadas,
muitas das quais não deram certo por causa das condições sociais em ntorno das
escolas. Somente as reformas que reconhecem essas condições e as combatem
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Line spacing: single ativamente têm possibilidade de êxito duradouro na vida das crianças, educadores e
comunidades servidas pelas escolas” (Apple & Beane, 2001, p. 23).

Parece evidente que uma escola com algum resquício de autonomia se distingue das demais,
sendo logo percebida pela comunidade. Na maioria dos casos, os órgãos centrais tendem a tornar
um processo particular e localizado, em uma ação protocolar, homogênea e extensiva a todo sistema
de ensino. Tal realidade se aproxima da experiência de autonomia ocorrida em Portugal, narrada por
Licínio Lima, em seu artigo A democratização do governo das escolas públicas em Portugal. Para ele,
depois do processo de 25 de abril de 1974,.

“A democratização do governo das escolas básicas e secundárias, a autonomia e a
participação cidadã da comunidade socioeducativa permanecerão, em boa parte, com o
estatuto de promessas adiadas, quando não de discurso retórico circunscrito a
programas dos governos e a preâmbulos de diplomas legais, mas sem outras
conseqüências de maior” (Lima, 2009, p. 235).

A realidade acima descrita indica que mesmo as situações diferenciadas podem ser usadas
como forma de desqualificar as práticas pedagógicas existentes nas escolas. Apesar dessa
possibilidade, é importante verificar como a autonomia de algumas escolas tem incomodado os
sistemas centralizados e conseguido realizar serviços relevantes, mesmo em realidades tão
controversas. É importante mencionar que tais realidades não devem corresponder ao simples
processo de descentralização, sobre pena de comprometer a análise da construção da autonomia.
Sobre isso, Estêvão alerta que:

“... aquilo que tende a ser maiias normal em muitos países é assistir-se, não à
descentralização, mas a dinâmicas de desconcentração (que é uma outra modalidade de
centralização) de algum poder para agentes do Estado mais próximos do local e que
realizam na prática o modelo das decisões do centro, transformando, assim, as escolas
em verdadeiros „clones dos modelos regulados burocraticamente”. (Estêvão, 2004, p.
110).

As experiências democráticas no âmbito escolar são perceptíveis em práticas e decisões que
envolvem a coletividade, nas quais os sujeitos interagem nos aspectos administrativos e pedagógicos
manifestos no dia a dia. Cada membro da comunidade ou da escola já percebe que seus interesses,
por vezes não coletivos, interferem na efetivação das políticas públicas., Eentretanto, é na
participação democrática, portanto coletiva, que alcançamos os maiores resultados. Um exemplo,
desta participação coletiva e individual, pode ser visto na política pública de assistência ao aluno, da
merenda e transporte escolar no Amazonas. No caso da merenda escolar, pais e pequenos
produtores fizeram movimentos políticos organizados para que a merenda pudesse ter produtos
regionais, ou seja, menos enlatados e mais produtos naturais como frutas e verduras no cardápio das
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Line spacing: single crianças, assim melhorandorou a qualidade da merenda e a qualidade de vida da comunidade que
passou a ter um espaço para escoar a pequena produção familiar. Logo,

“... a existência de escolas democráticas depende em parte da intervenção seletiva do
Estado, principalmente onde o processo e o teor do processo de tomada de decisões
local serve para privar dos direitos legais e oprimir grupos específicos de pessoas.
Embora essas intervenções geralmente sejam impopulares entre os que procuraram
dispor de um poder exclusivo, servem para lembrar que o amplo exercício dos direitos e
outros valores democráticos pretendem ser mais do que princípios postos no papel”.
(Apple & Beane, 2001, p. 21).

É importante mencionar que a legislação educacional brasileira fala em gestão democrática,
mas se omite em oferecer diretrizes práticas para os sistemas educacionais. A maneira pela qual a
escola se posiciona, em relação a suas demandas e tomadas de decisão, ocorre a partir de pelo
menos duas vertentes. Na primeira desconsidera ou rechaça as disposições oficiais, na segunda atua
como instrumento de execução das políticas públicas, mesmo sem as condições materiais
necessárias. Nas duas situações a realidade legal, estrutural e pedagógica instituída reforça o modelo
centralizador. A prática democrática, ao contrário, prescinde da participação dos sujeitos escolares,
não mais como legitimadores de decisões já tomadas, mas como formuladores coletivos de respostas
aos anseios vividos diuturnamente nas escolas.

3. 3. Considerações finais

O estudo se encontra em fase de análise das entrevistas para elaboração do construto
resultante do embate teórico com a realidade dimensionada na escola. Nessa trilha sinuosa, de
retratar a questão da democracia e da autonomia na escola, não se desconsidera a intencionalidade
política do sujeito, dos múltiplos interesses das forças que movimentam o cotidiano escolar, e por fim,
da formulação e efetivação das políticas públicas no interior da escola.
Atualmente a pesquisa se encontra com os capítulos teóricos devidamente revisados e
aprovados no processo de orientação. Dito isso, é evidente que a próxima fase corresponde à
reordenação da grelha de análise que é parte da análise de conteúdo e que em muito deverá
considerar a capacidade de ouvinte do pesquisador. Espera-se que esse processo traga para o
campo das análises as teorias disponíveis e já sistematizadas acerca da democracia e da autonomia
constituídaos no seio da escola. Esse esforço representa a necessidade de superarmos o risco de
estudar o cotidiano e de reduzi-lo a mera descrição do observado ou de ver a realidade reduzida ao
que já está dito.

Notas
1. 1. Pesquisa orientada pelo Doutorr. Carlos Estêvão e Doutorara. Maria José Casa Nova da
Universidade do Minho.
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