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ÍNDICE

I.  INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 5 
1.1.  Propósitos da Educação Fiscal .......................................................................... 7 
1.2.  Metodologia para a Implementação da Educação Fiscal ............................... 8

II.  NOÇÕES BÁSICAS SOBRE O IMPOSTO ........................................................... 9 
2.1.  Breve historial sobre o surgimento dos impostos ............................................ 9 
2.1.1.  Origem dos Impostos .................................................................................... 9 
2.1.2.  Surgimento dos Impostos em Moçambique ................................................. 10 
2.1.3.  O caso do “Mussoco” e do “Imposto de Palhota” .................................... 11 
2.2.  Conceito e classificação dos tributos ............................................................... 12 
2.2.1.  Conceito de tributo ..................................................................................... 12 
2.2.2.  Classificação dos tributos ........................................................................... 12 
2.3.  Conceito e Classificação dos Imposto ............................................................. 12 
2.3.1.  Conceito de Imposto ................................................................................... 12 
2.3.2.  Classificação dos Impostos ......................................................................... 13 
2.4.  Conceito de taxa ............................................................................................... 13 
2.5.  Diferença entre Imposto e Taxa ...................................................................... 14

III.  IMPORTÂNCIA ECONÓMICA E SOCIAL DO IMPOSTO ............................ 15 
3.1.  O Estado e a Importância Económica e Social do Imposto .......................... 15 
3.2.  Funções do Estado ............................................................................................ 16 
3.3.  Cidadania Fiscal ............................................................................................... 18 
3.3.1.  Direitos e Deveres do Cidadão ................................................................... 18

IV.  SISTEMA TRIBUTÁRIO MOÇAMBICANO ..................................................... 19 
4.1.  Constituição da República de Moçambique .................................................. 19 
4.2.  Lei de Bases do Sistema Tributário ................................................................ 20 
4.3.  Lei que cria a Autoridade Tributária ............................................................. 21

V.  PROGRAMA DE EDUCACAO FISCAL E ADUANEIRA EM
MOCAMBIQUE ............................................................................................................. 22 
5.1.  Objectivos da Educação Fiscal e Aduaneira .................................................. 23 
5.2.  Filosofia da Educação Fiscal e Aduaneira ..................................................... 23

VI.  NUMERO ÚNICO DE IDENTIFICAÇÃO TRIBUTÁRIA-NUIT .................... 24 
6.1.  O que é o NUIT? ............................................................................................... 24 
6.2.  Quem deve usar o NUIT? ................................................................................ 25 
6.3.  Quem atribui o NUIT? ..................................................................................... 25 
6.4.  Como obter o NUIT? ........................................................................................ 25 
6.5.  Quando é obrigatório a menção do NUIT? .................................................... 25 


6.6.  O que deve ser tratado em primeiro lugar, o NUIT ou o licenciamento de
actividade económica? ................................................................................................ 26 
6.7.  Será obrigatório o NUIT de uma sociedade comercial quando os sócios já o
possuam? ...................................................................................................................... 26

VII. FACTURA, FACTURA-RECIBO E VENDA A DINHEIRO (VD) ................... 26 
7.1.  O que é factura? Quem deve emitir? .............................................................. 26 
7.2.  O que é documento equivalente a factura? Quem deve emitir? .................. 26 
7.3.  Quais são os documentos equivalentes á factura? ......................................... 26 
7.4.  Em que momento deve ser emitida a factura ou documento equivalente? . 27 
7.5.  Quais são os requisitos e elementos da factura ou documento equivalente?
27 
7.6.  Exemplo da Factura ......................................................................................... 28 
7.7.  Exemplo de Venda a Dinheiro ......................................................................... 29 
7.8.  Em que casos é dispensada a factura .............................................................. 29 
7.9.  Regras a observar na emissão de talões de venda ......................................... 30 
7.10.  Exemplo de Talão de Venda ............................................................................ 30

VIII.  PRINCIPAIS IMPOSTOS NACIONAIS ABRANGIDOS PELO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FISCAL E POPULARIZAÇÃO DOS IMPOSTOS
31 
8.1.  Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes – ISPC ....................... 31 
8.1.1.  Definição ..................................................................................................... 31 
8.1.2.  Legislação aplicável ................................................................................... 31 
8.1.3.  Incidência .................................................................................................... 31 
8.1.4.  Isenção ........................................................................................................ 32 
8.1.5.  Taxas ........................................................................................................... 32 
8.1.6.  Local e Período de Pagamento ................................................................... 32 
8.1.7.  Modelos do ISPC ........................................................................................ 32 
8.2.  Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) ................................................... 33 
8.2.1.  Legislação aplicável ................................................................................... 33 
8.2.2.  Incidência .................................................................................................... 33 
8.2.3.  Taxa do Imposto .......................................................................................... 33 
8.3.  Imposto sobre Consumos Específicos – ICE .................................................. 34 
8.3.1.  Legislação aplicável ................................................................................... 34 
8.3.2.  Incidência .................................................................................................... 34 
8.3.3.  Taxa do Imposto .......................................................................................... 34 
8.4.  IRPS- Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares ....................... 34 
8.4.1.  Legislação aplicável ................................................................................... 34 
8.4.2.  Incidência .................................................................................................... 35 
8.4.3.  Taxa ............................................................................................................. 35 
8.5.  IRPC- Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas ....................... 35 
8.5.1.  Legislação aplicável ................................................................................... 35 


8.5.2.  Incidência .................................................................................................... 35 
8.5.3.  Taxa ............................................................................................................. 35 
8.5.4.  Regras de pagamento .................................................................................. 36 
8.6.  Direitos Aduaneiros .......................................................................................... 36 
8.6.1.  Legislação aplicável ................................................................................... 36 
8.6.2.  Incidência .................................................................................................... 36 
8.6.3.  Taxa ............................................................................................................. 36

IX.  PRINCIPAIS IMPOSTOS AUTÁRQUICOS ABRANGIDOS PELO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FISCAL E POPULARIZAÇÃO DOS IMPOSTOS
………………………………………………………………………………………36 
9.1.  Imposto Pessoal Autárquico ............................................................................ 37 
9.2.  Imposto Predial Autárquico ............................................................................ 37 
9.3.  Imposto Autárquico da Sisa ............................................................................ 39 
9.4.  Imposto Autárquico de Veículos ..................................................................... 40 
9.5.  Contribuição de Melhoria ............................................................................... 41 
9.6.  Taxas por licenças concedidas e por actividade económica ......................... 43 
9.7.  Tarifas e taxas pela prestação de serviços ...................................................... 44

X.  PROCEDIMENTOS PARA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO ..................... 44 
10.1.  Importação ........................................................................................................ 44 
10.1.1.  O que é importação? ................................................................................... 44 
10.1.2.  Onde se obtém o registo e quando é necessário? ....................................... 44 
10.1.3.  O que é Declaração de Importação? .......................................................... 45 
10.1.4.  Onde deve ser apresentada a Declaração de Importação? ........................ 45 
10.1.5.  Quando é que deve ser apresentada a Declaração de Importação? .......... 45 
10.1.6.  Prazos relevantes ligados com o processo de importação ......................... 46 
10.1.7.  Prazo de processamento da declaração ..................................................... 46 
10.1.8.  Documentos de apoio/suporte ao DU ......................................................... 46 
10.1.9.  Franquias concedidas ................................................................................. 47 
10.2.  Exportação ........................................................................................................ 47 
10.2.1.  O que é Exportação? .................................................................................. 47 
10.2.2.  Onde se obtém o registo e quando é necessário? ....................................... 47 
10.2.3.  O que é Declaração de Exportação? .......................................................... 48 
10.2.4.  Onde deve ser apresentada a Declaração de Exportação? ........................ 48 
10.2.5.  Momento da apresentação .......................................................................... 48 
10.2.6.  Documentos de apoio/suporte ao DU ......................................................... 48 
10.3.  Regras de Origem ............................................................................................. 48 
10.3.1.  Tratamento Preferencial e Acordos ee Comércio Preferencial ................. 49 
10.3.2.  Objectivos dos Acordos de Comércio Preferencial .................................... 50 
10.3.3.  Vantagens dos Acordos de Comércio Preferencial .................................... 50

XI.  COMO COMBATER A SONEGAÇÃO DOS TRIBUTOS ................................ 51



XII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTAIS ............................... 54

XIII.  ANEXOS ........................................................................................................... 57 
13.1.  Anexo 1 – Resumo do Sistema Tributário Nacional ..................................... 57 
13.2.  Anexo 2 – Modelos em USO na AUTORIDADE TRIBUTÁRIA ................ 68







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MANUAL DE
EDUCAÇÃO FISCAL
E ADUANEIRA E
POPULARIZAÇÃO DE
IMPOSTO

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I. INTRODUÇÃO

Qualquer Estado deve dispor de recursos para a realização das obras e prestação de
serviços públicos necessários e indispensáveis ao bem-estar social provenientes dos
tributos.

Os tributos são a principal fonte de recursos do Estado e em alguns deles (como o caso de
Moçambique), onde os tributos não são ainda suficientes para cobrir o seu orçamento,
recorre-se à ajuda externa como fonte alternativa.

Encontramos como exemplos de obras públicas, as estradas, pontes, escolas, hospitais,
represas, sistemas de abastecimento de água, entre outras grandes e pequenas obras que
facilitam a realização de actividades pelos cidadãos e empresas.

Como exemplo de serviços prestados pelo Estado com base em fundos provenientes dos
tributos, podemos citar o ensino, a assistência médica prestada nos hospitais e postos
médicos públicos por enfermeiros e médicos, a segurança pública a partir da polícia, a
defesa e segurança do Estado, a protecção do meio ambiente, os extensionistas agrários,
entre outras actividades fundamentais para a convivência em sociedade bem como para o
crescimento e desenvolvimento económico do país.

Nesse contexto, e porque a Educação Fiscal torna-se um instrumento fundamental para
que todos, conscientes dos seus direitos e deveres, possam exercer plenamente a
cidadania fiscal, contribuindo para a consolidação de uma sociedade justa, solidária,
participativa e digna, foi elaborado o presente manual.

Se cada um de nós se dispuser a propagar os conhecimentos apreendidos e os objectivos
propostos neste manual, estará a colaborar para a consciencialização dos cidadãos para
uma gestão fiscal mais responsável.

O Programa de Educação Fiscal em Moçambique que foi lançado no dia 12 de Abril de
2010, tem o compromisso de estabelecer o início de novos desafios para estreitar as
relações entre o Estado e o Cidadão, sensibilizando-o para a importância social e
económica do imposto. O que se pretende é uma verdadeira mudança de comportamento
para o bem comum.

A Educação Fiscal só terá sucesso se todos entendermos e respeitarmos os seus
princípios.



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1.1. Propósitos da Educação Fiscal

A Educação Fiscal em Moçambique visa fundamentalmente:

• Promover o ideal de alargamento da base tributária;
• Engajar em todos os moçambicanos o sentimento de Cidadania Fiscal;
• Desenvolver o conhecimento do imposto, sua importância económica, social e
ambiental e o Sistema Tributário Moçambicano.
• Fazer respeitar o bem comum e a certeza de que o bem estar social é alcançável
por via da consciencialização, solidariedade e a participação de todos
(Moçambicanos e Estrangeiros).

É importante referir que a Educação Fiscal é uma forma de aproximar mais o Estado ao
Cidadão, mediante a passagem de informação relevante sobre o imposto, sua importância,
forma de pagamento e os benefícios advenientes de uma correcta utilização dos recursos
arrecadados resultantes da contribuição de cada cidadão.

Quando o Estado cria ou arrecada impostos não é apenas um acto isolado para ter mais
dinheiro, mas sim para materializar a satisfação das necessidades públicas tais como:
educação, saúde, habitação, saneamento, transportes, segurança e uma infinidade de
outras aspirações sociais.

A Educação Fiscal é um processo que visa a construção de uma consciência voltada ao
exercício da cidadania. O objectivo é propiciar a participação do cidadão no
funcionamento e aperfeiçoamento dos instrumentos de arrecadação e maior controlo dos
gastos públicos do Estado.

Assim, o Imposto é um instrumento que deve ser utilizado para promover mudanças e
reduzir as desigualdades sociais. O cidadão, consciente da função social do imposto como
forma de redistribuição da riqueza, é motivado a participar no processo de arrecadação,
aplicação e fiscalização do dinheiro público.

Porquê formar Disseminadores de Educação Fiscal?

O objectivo principal de formação de Disseminadores em Matéria de Educação Fiscal é a
popularização do imposto e o alargamento da base tributária, com vista a elevar a
consciência e a aceitação social do imposto.




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1.2. Metodologia para a Implementação da Educação Fiscal

Para que se atinjam estes objectivos, o método de trabalho passa, em primeiro lugar, pela
formação de Disseminadores de Educação Fiscal à escala nacional, de modo a que se crie
uma harmonia na abordagem sobre as mensagens em torno da relação entre o Estado, o
Fisco e o potencial Contribuinte, com base numa perspectiva virada para o despertar da
consciência sobre direitos e deveres dos Cidadãos e engajamento de todos os
moçambicanos no sentimento de Cidadania Fiscal.

Em segundo lugar, capacitar em todo o País, Administradores e Secretários Permanentes
Distritais, Chefes de Postos Administrativos e Localidades, Funcionários das
Administrações distritais e locais, Líderes Tradicionais, Agentes Económicos, Secretários
de Bairros, Chefes de Quarteirões, representantes de Associações Económicas e Sociais,
Associações do Sector Informal, Escolas, Universidades, ONGs, dentre outros,
envolvendo um projecto amplo, abrangente
e massificador, sem qualquer discriminação, permitirá que todos os cidadãos possam
entender melhor a função social do imposto e tenham uma vida mais participativa na
orientação da despesa pública e na promoção da transparência na gestão dos recursos do
Estado.

A Educação Fiscal irá igualmente recorrer a:

• Campanhas televisivas e com recurso aos mais variados meios de Comunicação
Social;
• Encontros com as comunidades locais;
• Palestras em aglomerados populacionais nas Autarquias, Distritos, Postos
Administrativos, Localidades e Bairros;
• Palestras em instituições do Estado e privadas, associações do sector formal e
informal da economia, universidades, escolas e outras instituições de ensino.

No final da formação de Disseminadores de Educação Fiscal à escala nacional, espera-se
que:

Estes continuem a ser a principal fonte de inspiração e disseminação da
importância económica e social do imposto;

Compreendam e possam fazer compreender os direitos e deveres do cidadão,
destacando o dever de contribuir com o pagamento de tributos e o direito de
usufruir dos benefícios sociais advindos da correcta aplicação desses recursos,
para poderem formar outros cidadãos das suas administrações, localidades,
municípios entre outros;


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Reconheçam a importância do exercício do controle social sobre a gestão dos
recursos públicos;

Reflictam sobre a história dos tributos, percebendo suas diferentes finalidades no
tempo e no espaço em que ocorreram;

Reconheçam os principais tipos de Impostos Nacionais e Autárquicos, suas
características e importância para o Estado;
 
Reconheçam o NUIT como um imperativo para qualquer cidadão, pessoa singular
ou colectiva equiparada;

Consciencializem-se da necessidade da exigência de factura nas suas transacções,
como mecanismo de controlo para efeitos de pagamento dos Impostos.

II. NOÇÕES BÁSICAS SOBRE O IMPOSTO

2.1. Breve historial sobre o surgimento dos impostos

2.1.1. Origem dos Impostos1

As contribuições tributárias datam dos tempos remotos da transição da Idade Antiga
(Pedra Polida, no pico da maturação das transacções em espécie da comunidade
primitiva), à Idade Média, com a alastração da propriedade fundiária, onde a terra e as
espécies raras (oriundas do solo, subsolo e da fauna bravia), serviam de meio de
pagamento, moeda de troca, ou tributo, quer à coroa medieval, quer ao clero (a Igreja),
cuja supremacia (do poder espiritual sobre o temporal), lhe permitia extrair dízimos dos
contribuintes, em proporção, de longe, superior às remessas à corte política e à nobreza.
O declínio do poder espiritual, na transição para a Idade Moderna e o espectro da
revolução industrial dos séculos XVII e XVIII, em pleno advento da Idade

1
Subcapítulo elaborado essencialmente com base na comunicação do Presidente da Autoridade
Tributária de Moçambique, Dr. Rosário Fernandes, no Acto de Lançamento da Campanha de
Educação Fiscal, Aduaneira e Popularização do Imposto a 12 de Abril de 2010, na cidade do
Maputo.


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Contemporânea, reconfiguraram o sistema e mecanismos da tributação, cuja principal
característica passou a centrar-se na tributação indirecta, em especial o imposto sobre o
consumo e os direitos alfandegários, a par dos impostos sobre a propriedade e o
rendimento.
Em pleno séc XVIII, mais propriamente no ano de 1776, o célebre economista Adam
Smith, na sua obra “O Inquérito Sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”,
sentenciava na sua Máxima I que “Os súbditos de todos os Estados devem contribuir (...)
tanto quanto possível em proporção das respectivas capacidades”, e na sua Máxima III
que “Todo o imposto deve ser lançado ao tempo ou modo mais provável de ser
conveniente para o contribuinte o pagar”. Subsumem-se, desde logo, aqui, premissas e
valores de equidade, justiça tributária, e da promoção do princípio do pagamento
voluntário do imposto, sem prejuízo da legalidade tributária, na acepção de que “A lei é
dura, mas aceito”. Este é o conceito do pagamento voluntário do imposto.
No antigo Egipto, o agricultor cultivava as terras e era obrigado a entregar de dez a vinte
por cento da colheita aos colectores de taxas do faraó, além de trabalhar na construção de
templos, palácios e estradas.
Na Grécia surge o que hoje chamamos de imposto, com uma finalidade social.
Em Roma cobrava-se imposto pela importação de mercadorias e pelo consumo, além dos
tributos pagos pelas províncias conquistadas. Foi o que permitiu o desenvolvimento do
Império Romano.
Na Antiguidade, em muitos países, os Impostos eram pagos em mercadorias. Assim quem
plantava trigo deveria pagar uma percentagem da colheita aos senhores feudais, como
uma forma de pagamento do imposto.
2.1.2. Surgimento dos Impostos em Moçambique
2

A colonização, com os prazos da coroa em Moçambique, a partilha da África e as guerras
mundiais que se lhe seguiram, caracterizaram a erosão do sistema de justiça tributária,
proposto por Adam Smith no Sec. XVIII, agravando os pressupostos da doutrina do
direito financeiro e tributário, e remetendo a discricionariedade dos então novos impérios,
à fixação arbitrária, e acriteriosa, dos regimes e formas de tributação.
Os chamados impostos de captação (pagáveis por cada individuo, independentemente da
sua capacidade contributiva), de palhota (que incidia sobre a propriedade predial rústica,
fosse qual fosse a arquitectura de construção civil e acabamentos), ou o mero regime de
taxa fixa do imposto (fixada em montante igual para todos os sujeitos passivos, a revelia

2
Regulamento sobre o Imposto de Palhota, Paço em 2 de J ulho de 1892

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da matéria colectável), configuravam claros e flagrantes exemplos da erosão da
fiscalidade.
Constituíam, esses regimes fiscais, pretextos da revolução dos sistemas tributários, nos
anos seguintes ao fim da II Guerra Mundial em 1945, e, mais propriamente, na transição
do sec XX para o sec XXI (destacam-se, por exemplo a introdução da tributação ad-
valorem, ou de taxas especificas para determinados produtos importados e
desembaraçados, muitas vezes ao largo, no alto mar, antes da atracagem dos navios).
2.1.3. O caso do “Mussoco” e do “Imposto de Palhota”
Como já foi referido, uma das primeiras e principais formas de Imposto em Moçambique
surgiu com os prazos, mais especificamente os da Zambézia, em que se utilizou o tributo,
de modo mais ou menos elaborado.
Dentro de cada chefia, todos os habitantes eram obrigados ao pagamento de um imposto
anual, denominado “Mussoco” como forma de afirmar o poder do “mambo” sobre a terra.
O conteúdo exacto do “mussoco” variava de prazo para prazo, de região para região, bem
como o respectivo montante atribuído a cada família.
Em 1832 e 1841 foram publicados decretos em Portugal determinando a cessação dos
prazos em Moçambique. Em 1878, Portugal decide fazer a concessão de grandes parcelas
do território de Moçambique a companhias privadas que passaram a explorar a colónia,
as companhias majestáticas, assim chamadas, porque tinham direitos quase soberanos
sobre essas parcelas de território e seus habitantes. As principais foram a Companhia do
Niassa e a Companhia de Moçambique.
Como Portugal tinha sido obrigado a ilegalizar o comércio de escravos em 1842, apesar
de fechar os olhos ao comércio clandestino, e porque não tinha condições para
administrar todo o território, deu a estas companhias poderes para instituir e cobrar
impostos. Foi nessa altura que foi introduzido o “imposto de palhota”, ou seja, a
obrigatoriedade de cada família pagar um imposto em dinheiro.
Como a população nativa não estava habituada à trocas por dinheiro (para além de
produzir para a própria sobrevivência), eram obrigados a trabalhar sob prisão – o trabalho
forçado, chamado “chibalo”. Mais tarde, as famílias nativas foram obrigadas a cultivar
produtos de rendimento, como o algodão ou o tabaco, que eram comercializados por
aquelas companhias.




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2.2. Conceito e classificação dos tributos

2.2.1. Conceito de tributo
Antes do conceito de Imposto, apresenta-se primeiro o do Tributo, género a que pertence
o Imposto.

Considera-se Tributo “uma prestação patrimonial definitiva, publicada por lei, em
sentido lato, a favor de uma entidade pública para satisfação de necessidades públicas
sem carácter de sanção e independente de vínculos anteriores” (Waty, Teodoro: 2002).

Tributo é toda a contribuição que o Estado exige dos cidadãos, em dinheiro ou
equivalente instituído por lei, compreendendo, designadamente, os impostos, as taxas e
licenças e não deve ser confundido com multa, que é uma sanção por acto ilícito.

2.2.2. Classificação dos tributos

Os tributos classificam-se em:

a) Impostos nacionais e autárquicos;
b) Taxas, nacionais e autárquicas;
c) Contribuições especiais, nacionais e autárquicas; e
d) Demais contribuições financeiras estabelecidas por lei a favor de entidades
públicas, desde que a gestão das mesmas seja da competência da administração
tributária.

2.3. Conceito e Classificação dos Imposto
2.3.1. Conceito de Imposto

O Imposto pode ser definido como uma prestação coactiva, patrimonial, positiva,
definitiva, sem carácter de sanção, estabelecida por lei, a favor de uma entidade pública
ou com funções públicas, para a satisfação de necessidades públicas e redistribuição da
riqueza.

Pode igualmente citar-se a Lei de Geral Tributária que define o Imposto como sendo
“prestações obrigatórias, avaliáveis em dinheiro, exigidas por uma entidade pública, para
a prossecução de fins públicos, sem contraprestação individualizada, e cujo facto
tributário assenta em manifestações de capacidade contributiva, devendo estar previstos
na lei.”

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2.3.2. Classificação dos Impostos
O Sistema Tributário Moçambicano, de acordo com o artigo 56 da Lei n.º 15/2002, de 26
de J unho, integra os impostos nacionais e autárquicos.

Os impostos nacionais encontram-se definidos na lei acima referida, actuando ao nível da
tributação dos rendimentos (impostos directos ou sobre o rendimento) e da despesa
(impostos indirectos ou sobre o consumo).

São impostos directos, o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS), o
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC) e o Imposto Simplificado
para Pequenos Contribuintes (ISPC).

Os Impostos indirectos integram o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), o Imposto
sobre o Consumos Específicos (ICE) e os Direitos Aduaneiros e outros impostos como o
Imposto do Selo, o Imposto sobre Sucessões e Doações, a Sisa, o Imposto Especial sobre
o J ogo, o Imposto de Reconstrução Nacional (IRN), o Imposto sobre Veículos (ISV),
para além de outros impostos e taxas específicas, (vide detalhes no Anexo 1, do presente
manual).

O Sistema Tributário Autárquico, por seu turno, abarca o Imposto Pessoal Autárquico
(IPA), o Imposto Predial Autárquico (IPRA), o Imposto Autárquico da Sisa, o Imposto
Autárquico de Veículos, Contribuição de Melhorias, Taxas por licenças concedidase por
Actividade Económica e Tarifas pela Prestação de Serviços.

2.4. Conceito de taxa
Taxas são prestações avaliáveis em dinheiro, exigidas por uma entidade pública, como
contrapartida individualizada pela utilização de um bem do domínio público, ou de um
serviço público, ou pela remoção de um limite jurídico à actividade dos particulares,
desde que previstas na lei.

Para a materialização dos fins de que o Estado se propõe, e que se traduzem na realização
de despesas orientadas fundamentalmente à satisfação de necessidades públicas
(necessidades colectivas da sociedade organizada politicamente), o Estado necessita de
obter receitas. Tais receitas provêm prioritariamente da cobrança de tributos (prestações
compulsivas, pecuniárias ou em espécie, unilateral e definitiva, sem carácter de sanção)
que podem revestir a natureza de impostos ou de taxas, ou da venda e exploração de
bens do património público (receitas patrimoniais).




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É pois importante reter que:


Impostos são as prestações obrigatórias, avaliáveis em dinheiro, exigidas por uma
entidade pública, para a prossecução de fins públicos, sem contraprestação
individualizada, e cujo facto tributário assenta em manifestações de capacidade
contributiva, devendo estar previstos na lei.

Por palavras mais simples, o imposto é a quantia em dinheiro, legalmente exigida
pelo poder público, que deverá ser paga pela pessoa singular ou colectiva a fim de
atender às despesas públicas feitas em virtude do interesse comum, sem levar em
conta vantagens de ordem pessoal ou particular.

Donde podemos depreender que as Escolas, os Hospitais, as Estradas, as Pontes, bem
como os pagamentos dos salários efectuado aos professores, enfermeiros, polícias e
outros funcionários ou agentes públicos, dependem do pagamento que os cidadãos
efectuam ao Estado.


Taxas são prestações avaliáveis em dinheiro, exigidas por uma entidade pública,
como contrapartida individualizada pela utilização de um bem do domínio
público, ou de um serviço público, ou pela remoção de um limite jurídico à
actividade dos particulares, desde que previstas na lei.

Exemplo de algumas taxas:

• Abastecimento de água e energia eléctrica;
• Recolha, depósito e tratamento de lixo, bem como a ligação, conservação e
tratamento de esgotos;
• Transportes urbanos colectivos de pessoas e mercadorias
• Utilização de matadouros;
• Manutenção de jardins e mercados; e
• Manutenção de vias.


2.5. Diferença entre Imposto e Taxa

• As taxas são pagas pela utilização individual de serviços públicos ou de bens de
domínio público, de que todos necessitamos abstractamente, mas que só alguns
procuram activamente, (propinas dos estabelecimentos de ensino público,

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“imposto” de justiça, taxas hospitalares, portagens, taxas camarárias por ocupação
da via pública ou estacionamento).

• Naturalmente, as taxas, como preços de serviços públicos fixados
autoritariamente, não correspondem a preços de mercado, devendo ser inferiores
ao custo dos serviços.

Assim, a diferença fundamental entre o imposto e a taxa reside no facto de aquele ser uma
prestação unilateral e a taxa ser uma prestação bilateral, isto é, com uma contraprestação
específica, individual, imediata e directa (serviço prestado).

Contribuições especiais são as prestações efectuadas como contrapartida de
benefícios ou aumento do valor dos bens do sujeito passivo, que resultem de obras
públicas ou da criação ou ampliação de serviços públicos, ou devidas em razão do
especial desgaste de bens públicos ocasionados pelo exercício de uma actividade,
desde que previstas na lei.
As contribuições para a segurança social (INSS) participam da natureza dos impostos.



III. IMPORTÂNCIA ECONÓMICA E SOCIAL DO IMPOSTO

3.1. O Estado e a Importância Económica e Social do Imposto

O Estado é uma organização político jurídica de uma colectividade, objectivando o bem
comum.

Segundo, Freitas do Amaral, são elementos do Estado:

a) O Poder político que se expressa no conjunto de leis e normas que disciplinam
juridicamente a vida do povo e se estende sobre a sociedade como um todo;

b) O Povo (conjunto de cidadãos) organizado em sociedade, tendo os mesmos direitos
perante a lei, e subordinado ao poder soberano;

c) O Território (país), constituído pelo espaço terrestre, aquático e aéreo, no qual o
Estado exerce a sua autoridade, tendo o poder soberano de legislar (competência
legislativa), administrar (competência administrativa), julgar e aplicar a lei (competência
jurídica);

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d) O Governo, pessoas que dirigem o Estado, de acordo com a nossa Constituição da
República é o Conselho de Ministros que é composto pelo Presidente da República,
Primeiro Ministro e pelos Ministros. Encarregando-se da Administração do país (da
gestão pública), garante a integridade territorial, vela pela ordem pública e pela segurança
e estabilidade dos cidadãos.

Nas democracias, o governo é transitório porque seus ocupantes são substituídos
periodicamente (eleições), de acordo com a preferência da sociedade. Portanto, enquanto
o governo é transitório, o Estado é permanente.

3.2.  Funções do Estado 

São funções do Estado:

Manter a ordem, através da aplicação da justiça, da imposição de sanções e da
resolução de conflitos, através de regras estabelecidas;
Estabelecer e arrecadar tributos dos que vivem em seu território e administrar
correctamente os recursos arrecadados;
Criar as condições necessárias ao bem-estar da sociedade: renda mínima,
alimentação, saúde, educação, moradia, transporte, saneamento básico,
segurança.

A promoção do bem-estar social é, sem dúvida, uma das funções mais importantes do
Estado. No entanto, a realidade moçambicana mostra que o Estado não tem sido eficiente
no desempenho da sua função social.

Descontentes com os representantes do poder (governantes e políticos), os cidadãos
criticam o Estado, culpando-o pelos problemas que enfrentam, sem oferecer, em
contrapartida, alguma ajuda para melhorar a situação.

O reconhecimento das causas que têm contribuído para dificultar a relação entre o Estado
e a sociedade poderá ajudar a melhorar essa relação.

Vejamos, então, algumas dessas causas:

Os cidadãos, em sua grande maioria, não sabem como o Estado actua e nem possuem as
informações necessárias para conhecê-lo melhor. Indiferentes aos interesses públicos, não
participam das decisões, limitam-se a criticar os governantes, acusando-os de
desonestidade e de não administrarem os recursos públicos em favor da população.
Responsabilizam os governantes pelos problemas sociais, e se negam a contribuir com os

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impostos cobrados sobre suas actividades para que o Estado funcione e possa actuar no
desempenho de suas funções sociais fundamentais.

A melhoria das relações Estado/Sociedade exige uma revisão do papel das duas partes,
sintetizada numa maior conscientização da cidadania.

O que se propõe hoje é o estado demonstrar sua disposição de mudar (o que já vem
acontecendo) a forma de actuar e de tratar o cidadão, oferecendo a este a oportunidade de
criar uma maior consciência sobre as coisas públicas, a função social do tributo, a
destinação dos recursos, os gastos governamentais e, assim, adquirir condições de exercer
plenamente a cidadania.

Essa mudança será possível através de acções educativas permanentes e sistemáticas.

Pensando assim, a Autoridade Tributária, decidiu implantar um Programa de Educação
Fiscal e aduaneira para a sociedade de modo geral.

Não só o estado mas também todo o cidadão deve promover o bem-estar social. Para
qualquer inserção económica que o Estado faça, necessita de rendas, fundos suficientes
para a realização de obras sociais para benefício das sociedades, provenientes dos
impostos e taxas. Como exemplo, as obras a seguir mencionadas:

1. Construção de Estradas;
2. Construção de Pontes;
3. Construção de Hospitais;
4. Abertura de poços;
5. Construção de escolas;

Se o cidadão ou a população cumpre com os seus deveres fiscais, o Estado pode realizar o
bem estar social através do oferecimento e da melhoria dos serviços de Educação, Saúde,
Segurança, Esgoto, Água e Energia Eléctrica para todos, recolha regular do lixo,
Construção de Estradas, de Hospitais, abertura de poços, empréstimos aos agricultores e
avicultores para o desenvolvimento das comunidades e geração de empregos,
manifestações culturais através de festivais de música, teatro, artes, literatura, entre
outros.





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3.3. Cidadania Fiscal
É a consciência de cada cidadão de que é preciso contribuir para o desenvolvimento
do país, pagando impostos. É o orgulho de cada cidadão por estar a contribuir para o
desenvolvimento do seu país.

A cidadania fiscal visa o despertar de uma consciência ética no governo, nos empresários
e no cidadão comum direccionada aos aspectos tributários.

Somos parte de um mesmo organismo, queiramos ou não compreender essa verdade.
Todas as vezes que auxiliamos ou colaboramos com a sonegação fiscal enfraquecemos a
máquina estatal estimulando, via de consequência, o aumento da carga tributária para
compensar as perdas. Todas as vezes que a mídia noticia, em relação ao Estado, a prática
de actos de corrupção, desvios de recursos, dentre outras mazelas, gera no cidadão
comum desestímulo, impactando o caminhar rumo à cidadania fiscal.
Por isso é muito importante que, desde cedo, o cidadão tenha a consciência da cidadania
fiscal.

3.3.1. Direitos e Deveres do Cidadão

Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos
aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de
nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou
opção política.

Deveres do cidadão para com os seus semelhantes
Todo o cidadão tem o dever de respeitar e considerar os seus semelhantes, sem
discriminação de qualquer espécie e de manter com eles relações que permitam
promover, salvaguardar e reforçar o respeito, a tolerância recíproca e a solidariedade.

Deveres do cidadão para com a comunidade
Todo o cidadão tem o dever de:
a) servir a comunidade nacional, pondo ao seu serviço as suas capacidades físicas e
intelectuais;
b) trabalhar na medida das suas possibilidades e capacidades;
c) pagar as contribuições e impostos;
d) zelar, nas suas relações com a comunidade pela preservação dos valores culturais,
pelo espírito de tolerância, de diálogo e, de uma maneira geral, contribuir para a
promoção e educação cívicas;
e) defender e promover a saúde pública;
f) defender e conservar o ambiente;
g) defender e conservar o bem público e comunitário.



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Deveres do Cidadão para com o Estado
a) Respeitar a ordem constitucional
b) Obedecer às Leis;
c) Pagar as contribuições e impostos;
d) Defender e conservar o ambiente;
e) Defender e conservar o bem público e comunitário;
f) Conservar do meio ambiente;
g) Conservar o património histórico-cultural.

a) Direitos do cidadão:
Vida e integridade física e moral;
Segurança e liberdade;
Assistência médica e medicamentosa;
Educação;
Liberdade de criação científica, técnica, literária e artística;
Assistência em caso de incapacidade ou velhice;
Não acatar ordens ilegais ou que ofendam os seus direitos, liberdades e
garantias;
Apresentar petições, queixas e reclamações perante autoridade competente
para exigir o restabelecimento dos seus direitos violados ou em defesa do
interesse geral;
Impugnar os actos que violam os seus direitos estabelecidos na Constituição e
nas demais leis;
A todos é reconhecido o direito de exigir, nos termos da lei, indemnização
pelos prejuízos que forem causados pela violação dos seus direitos
fundamentais.



IV. SISTEMA TRIBUTÁRIO MOÇAMBICANO

4.1. Constituição da República de Moçambique 

O Sistema Tributário Moçambicano segue o preceituado na Constituição da República,
observando o princípio da legalidade no qual se prevê que “os impostos são criados ou
alterados por lei, que os fixa segundo critérios de justiça social.

O sistema fiscal é estruturado com vista a satisfazer as necessidades financeiras do Estado
e das demais entidades públicas, realizar os objectivos da política económica do Estado e
garantir uma justa repartição dos rendimentos e da riqueza.


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Na área tributária, o nº 2 do artigo 127, da Constituição, em vigor desde J aneiro de 2005,
estabelece o sistema fiscal onde se prevê que a lei cria os impostos e a mesma lei também
deve determinar a incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes
e, por outro lado, a liquidação e cobrança dos impostos faz-se através da lei, conforme o
nº 3 do mesmo artigo.

A Constituição atribui à Assembleia da República competência para definir as bases da
política de impostos e o sistema fiscal. (Cfr. alínea o), artigo 179).

Contudo, atribui-se competência ao Conselho de Ministros para regulamentar as lei em
outros aspectos que não sejam da exclusiva competência da Assembleia da República,
como é o caso da matéria relativa ao pagamento do imposto, nomeadamente, o prazo, a
forma e o local de pagamento.


4.2. Lei de Bases do Sistema Tributário

Em 26 de J unho de 2002, a Assembleia da República aprovou a Lei n.
o
15/2002, de 26 de
J unho que Estabelece os Princípios de Organização do Sistema Tributário da República
de Moçambique - Lei de Bases do Sistema Tributário;

O Sistema Tributário em Moçambique assenta em critérios de justiça social e o regime
jurídico-fiscal segue os princípios de legalidade tributária, de equidade, da eficiência e da
simplicidade do sistema tributário.

Com esta Lei se estabelecem as bases para a implementação do novo sistema de
tributação do rendimento.

A tributação visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e de outras
entidades públicas e promove a justiça social, a igualdade de oportunidades e a necessária
redistribuição da riqueza e do rendimento.

Esta lei foi aprovada tendo em conta os seguintes objectivos:

• Alargamento da base tributária;
• Redução da carga fiscal no conjunto da tributação directa;
• Aumento no nível de receitas fiscais;
• Simplificação de procedimentos;
• Modernização do sistema de impostos;
• Racionalização do sistema de benefícios fiscais.

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4.3. Lei que cria a Autoridade Tributária

A criação da Autoridade Tributária de Moçambique, por Lei nº 1/2006, de 22 de Março,
visa:

A melhoria continua da eficiência da administração tributária, fiscal e aduaneira;
A melhoria da capacidade de arrecadação das receitas publicas, fiscais e
aduaneiras, nos limites fixados anualmente por Lei Orçamental da Assembleia da
Republica.

Seguindo-se à sua criação e entrada em funcionamento, o Conselho Superior Tributário,
definiu, dentre outros, cinco pilares estratégicos, plasmados nos planos estratégico,
táctico e operacional da instituição, a saber

Formação e Capacitação Institucional, viradas ao desenvolvimento estratégico dos
recursos humanos (destaca-se aqui, a criação e operacionalização, em fase
experimental adiantada, do Instituto de Finanças Publicas e Formação Tributaria);
Sustentabilidade da carteira da arrecadação fiscal (destaca-se, aqui, o sobre
cumprimento contínuo das metas anuais da Lei Orçamental, desde a entrada em
funcionamento da instituição em 2006, bem como da media acumulada do
primeiro trimestre de 2010, com base nas projecções da Tabela de Receitas);
Prosseguimento e aceleração das acções de Reforma do Sistema Tributário,
visando a uma cada vez maior simplificação, a promoção do pagamento
voluntário, e a prevenção dos crimes fiscais e aduaneiros;
Modernização do Sistema Tributário, através do desenvolvimento de tecnologias
de informação e comunicação (destacam-se os estágios de desenvolvimento dos
projectos de e-tributação, bancarização do imposto, janela única electrónica,
instalação e expansão de dispositivos de inspecção não-intrusiva de bens e
mercadorias, e fronteira única – caso Ressano Garcia/Lebombo), e,
Melhoria de infra-estruturas sociais de trabalho e residência dos funcionários, com
destaque para os locais mais recônditos, de carácter estratégico. A expansão das
áreas fiscais, postos de cobrança e estâncias aduaneiras, em curso, a par do
projecto da bancarização da economia gerido pelo Banco Central, exercem um
papel promotor da actividade económica local, fundamento primário da
fiscalidade.



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V. PROGRAMA DE EDUCACAO FISCAL E ADUANEIRA EM
MOCAMBIQUE

A Educação Fiscal, no sentido restrito, deve ser compreendida como a abordagem
didático-pedagógica capaz de interpretar as vertentes financeiras a arrecadação e dos
gastos públicos de modo a estimular o contribuinte a garantir a arrecadação e o
acompanhamento de aplicação dos recursos arrecadados em benefício da sociedade, com
justiça, transparência, honestidade e eficiência, minimizando o conflito de relação entre o
cidadão contribuinte e o Estado arrecadador.

No sentido amplo, a Educação Fiscal deve tratar da compreensão do que é o Estado, suas
origens, seus propósitos com o controle da sociedade sobre o gasto público, uma vez que
a participação social só ocorre no ambiente democrático.

As primeiras acções educativas sobre o tema Educação Fiscal surgiram em 2007 com a
realização de palestras, assinatura de memorandos, desenho e implementação de vários
projectos. Os funcionários da Autoridade Tributária tinham a missão de ensinar à
população que o pagamento dos tributos é uma necessidade para a realização de obras e
serviços públicos, tais como: educação, saúde, moradia, estradas, saneamento básico,
energia eléctrica.

A história dos tributos, desde a sua origem aos dias actuais, é uma história de luta e
resistência. Enquanto o Estado pretende que o cidadão contribuinte cumpra o seu dever
de pagar tributos, a população resiste à função do Estado de arrecadar tributos, criticando-
o por seu papel arrecadador e por sua ineficiência social.

É imprescindível que toda a sociedade (funcionários públicos, servidores do fisco,
políticos, governantes, estudantes, professores, empresários, profissionais liberais,
trabalhadores em geral, entidades de classe, associações) saiba o conceito de tributo, sua
função e sua destinação correcta. Estes conhecimentos, certamente, ajudarão os cidadãos
a convencer-se de que, sem os tributos dificilmente haverá desenvolvimento económico e
social no País.

É preciso que os representantes do Estado não esqueçam, também, que a população
necessita de informações sobre as contas e os actos dos seus governantes, as prioridades
do Governo, os trabalhos sociais que desenvolvem, enfim, é preciso mais transparência
fiscal para que todos saibam como estão sendo arrecadados os tributos e se estão sendo
aplicados em benefício da colectividade.


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O conhecimento do papel social do tributo e a importância do exercício do controle social
sobre a gestão dos recursos públicos, é, sem dúvida, o objectivo primordial de um
programa de Educação Fiscal e Aduaneira.

A Educação Fiscal e Aduaneira deve caminhar neste sentido: informar, para que todos
conheçam; educar para que todos pratiquem. O Estado deve exercer, além do papel de
fornecedor de condições básicas, o de provedor de informações e valores, na missão de
promover o exercício da cidadania por cada membro da sociedade.


5.1. Objectivos da Educação Fiscal e Aduaneira

Objectivo Geral
Promover e institucionalizar a Educação Fiscal, para o pleno exercício da
cidadania.

Objectivos Específicos:
Promover o ideal de alargamento da base tributária;
Engajar em todos os moçambicanos o sentimento de Cidadania Fiscal;
Desenvolver o conhecimento do imposto, sua importânçia económica, social e
ambiental e o Sistema Tributário Moçambicano.
Fazer respeitar o bem comum e a certeza de que o bem estar social é alcançável
por via da consciencialização, solidariedade e a participação de todos
(Moçambicanos e Estrangeiros).


5.2. Filosofia da Educação Fiscal e Aduaneira

A filosofia da Educação Fiscal e Aduaneira tem base nas seguintes ideias:

é requisito da cidadania a participação individual na definição da política fiscal e
na elaboração das leis para sua execução;
os serviços públicos somente poderão ser oferecidos à população se o governo
arrecadar tributos;
os recursos públicos são geridos pelos representantes do povo, cabendo ao
cidadão votar responsavelmente, acompanhar as acções de seus representantes e
cobrar resultados;
a sociedade tem limitada capacidade de pagar tributos, portanto, os recursos
públicos devem ser aplicados segundo prioridades estabelecidas em orçamento e
com controle de gastos;

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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o pagamento voluntário de tributos faz parte do exercício da cidadania.

Com vista a evidenciar que a Educação Fiscal contribui para a construção da cidadania,
consciencializando o indivíduo de que o pagamento dos impostos é um dever do cidadão
e de que a aplicação eficiente desses impostos em benefício da sociedade é um dever do
Estado, a Autoridade Tributária desenhou um projecto de formação de disseminadores de
Educação Fiscal e Aduaneira.

O projecto de formação de disseminadores inclui a capacitação, em todo o Pais, de
Administradores e Secretários Permanentes Distritais, Chefes de Posto Administrativos e
Localidades, Funcionários das Administrações distritais e locais, Lideres Tradicionais,
Agentes Económicos, Secretários de Bairros, Chefes de Quarteirões, representantes de
Associações Económicas e Sociais, Associações do Sector Informal, Escolas,
Universidades, ONGs, dentre outros, envolvendo um projecto amplo, abrangente, e
massificador, sem qualquer discriminação.

Este pilar - de formação e capacitação - dada a sua natural transversalidade, merece lugar
de destaque no êxito do Programa Nacional de Educação Fiscal e Popularização do
Imposto. As escolas, Autarquias, universidades, associações, e outras agremiações,
constituem veículos privilegiados de disseminação e interpretação da vasta gama do saber
e conhecimentos recolhidos, codificados e transmitidos, na senda da arquitectura do
acervo documental da fiscalidade.

Para garantir maior divulgação, conhecimento e domínio da matéria fiscal básica, pela
população escolar, em coordenação com o Ministério da Educação, a mesma foi
introduzida, como matéria transversal para as 11 e 12 classes, no âmbito da disciplina do
empreendedorismo.

No mesmo âmbito, são operacionalizados os memorandos de entendimento rubricados
com diversas instituições como forma de gerar sinergias e garantir maior abrangência da
Campanha de Educação Fiscal, Aduaneira e Popularizarão do Imposto.


VI. NUMERO ÚNICO DE IDENTIFICAÇÃO TRIBUTÁRIA-NUIT

6.1. O que é o NUIT?
É o número composto por 9 dígitos, repartido em 3 partes, sendo a 1ª o dígito indicativo
do tipo de entidade, a 2ª parte (do 8º ao 2º dígito) indica o número sequencial e a última
parte (último dígito) indica a exactidão do Número Único de Identificação Tributária.


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6.2. Quem deve usar o NUIT?
O NUIT deve ser usado por todas as pessoas singulares ou colectivas e entidades
equiparadas, mesmo que aufiram rendimentos isentos de impostos e deve ser usado em
todos os tributos, incluindo os aduaneiros.
6.3. Quem atribui o NUIT?
É atribuído pela Autoridade Tributária de Moçambique.

6.4. Como obter o NUIT?
Para obter o NUIT, os potenciais contribuintes devem dirigir-se á Direcção de Área
Fiscal mais próxima do respectivo domicílio ou nos Serviços de Informação ao
Contribuinte, para efeitos de preenchimento do respectivo modelo e competente cadastro
e recepção do comprovativo, o qual deverá ser exibido sempre que solicitado.

A Obtenção do NUIT é gratuita, bastando para tal preencher:

1. Modelo 05, no caso de pessoa singular (trabalhadores por conta de outrem,
empresários em nome individual, accionistas, sócios, locadores, avençados
desportistas, pensionistas, toda a pessoa singular que aufere qualquer rendimento,
etc.);

2. Modelo 06, quando se tratar de pessoas colectivas (sociedades comerciais,
cooperativas, empresas públicas, etc.) com fins lucrativas.

3. Modelo 07, no caso de entidade não empresarial (associações, fundações, ONGs,
Representações diplomáticas entre outros) sem fins lucrativos.

 
6.5. Quando é obrigatório a menção do NUIT?
O NUIT é obrigatório nas seguintes circunstâncias:
No licenciamento de actividades económicas;
Nas operações praticadas em instituições de crédito, seguradoras e demais
entidades financeiras;
Na importação e exportação de bens;
Nas facturas, recibos e outros documentos equivalentes emitidos pelos
sujeitos passivos;
Em todos os requerimentos, petições, exposições, reclamações,
impugnações, recursos, declarações, participações, participações, guias de

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entregas, relações, notas e em quaisquer outros documentos que sejam
apresentados aos serviços de administração tributaria;
Em outras situações que vierem a ser definidas como obrigatória a sua
exigência.
 
6.6. O que deve ser tratado em primeiro lugar, o NUIT ou o licenciamento
de actividade económica?
Primeiro, é necessário tratar o NUIT e depois o pedido de licenciamento, de modo a
permitir que no acto de solicitação de licença para exercer a actividade económica, possa
fazer menção ao NUIT.
6.7. Será obrigatório o NUIT de uma sociedade comercial quando os sócios
já o possuam?
Sim é obrigatório o NUIT quando constituída uma sociedade comercial, porque o NUIT
identifica cada sujeito passivo. Ao constituir-se uma sociedade, qualquer que seja a sua
natureza, está a formar-se uma nova pessoa jurídica com direitos e obrigações.


VII. FACTURA, FACTURA-RECIBO E VENDA A DINHEIRO (VD)
7.1. O que é factura? Quem deve emitir?
A factura é um documento emitido pelo vendedor ou prestador de serviços, nas
transmissões de bens ou prestações de serviços quando efectuadas a crédito ou a prazo,
do qual constam as condições gerais da transacção e o apuramento do valor a pagar pelo
comprador.

7.2. O que é documento equivalente a factura? Quem deve emitir?
O documento equivalente à factura, é todo aquele que não sendo factura, é usualmente
utilizado nas transmissões de bens e/ou prestações de serviço, desde que tenha todos os
elementos e requisitos da factura, independentemente de a venda ser a pronto ou a prazo.

7.3. Quais são os documentos equivalentes á factura?
Os documentos equivalentes a factura são:
• Factura-Recibo;
• Vendas a Dinheiro (VD);
• Notas de Débito e de Crédito (documentos correctivos);

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• Bilhete de Despacho (D.U), etc.


7.4. Em que momento deve ser emitida a factura ou documento
equivalente?
• Nas transmissões de bens, no momento em que os bens são postos a disposição do
adquirente;
• Nas prestações de serviços, no momento da sua realização ou no momento em
que, antecedendo esta, seja total ou parcialmente cobrado ou debitado o preço,
caso em que se considera realizadas pelo montante respectivo. Nas importações,
no momento em que for numerado o bilhete do despacho (D.U) ou se realize a
arrematação ou venda;
• A factura ou documento equivalente deve ser emitida o mais tardar até o quinto
dia útil seguinte, ao do momento em que o imposto é devido. (Cfr. nº1, do artigo
21º do Regulamento do CIVA conjugado com oe artigo 7 do CIVA).

7.5. Quais são os requisitos e elementos da factura ou documento
equivalente?
A factura é o instrumento principal para conferir direito a dedução do IVA suportado nas
aquisições de bens ou nas prestações de serviços para as empresas. Por outro lado, serve
de prova de que o cidadão adquiriu o bem ou serviço de forma lícita.
Para o efeito, a factura deve conter todos os elementos previstos no Artigo 27 do CIVA,
nomeadamente:
• Deve ser emitida em língua portuguesa e em Meticais, (nº5, art.106 da Lei
nº2/2006, de 22 de Março);
• Data, (nº 5, art. 27 do CIVA);
• Numeração sequencial imprensa em tipografia autorizada pelo MF, (nº 5 e 7, art.
27 CIVA) ou por computador;
• Indicação dos elementos identificativos da tipografia, nomeadamente a
designação social, sede e NUIT, bem como a autorização prevista no nº 7, art. 27
do CIVA;
• Identificação completa (Nome, NUIT e domicílio do adquirente), (al. a) n˚5, art.
27 do CIVA);
• Quantidade e denominação usual dos bens/serviços, (al. b) n˚5, art. 27 do CIVA);
• Indicação separada das embalagens não transaccionadas, (al. b) n˚5, art. 27 do
CIVA);
• Preço líquido de imposto e outros elementos incluídos no valor tributável, (al. c)
n˚5 art. 27 do CIVA);

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• Taxa e montante do imposto devido, (al. d) n˚5, art.27 do CIVA); e
• Motivo justificativo da não aplicação do Imposto, (al. e) n˚5, art. 27 do CIVA).

7.6. Exemplo da Factura
MAPUTO
Quant Designação Pr. Unit Total
550 Mascote de Ouro 25T 3 350.00 1 842 500.00
705 Chaveiros de prata 52T 2 500.00 1 762 500.00
356 BRONZE 500T 3 426.00 1 219 656.00
25 Relógios de pulso 1 950.00 48 750.00
15 Relógios de Parede 2 600.00 39 000.00
10 Estojos de óculos 250.00 2 500.00
Motivo justificativo da não aplicação do imposto Sub - total 4 914 906.00
IVA 17% 835 534.02
Total 5 750 440.02
Tipografia Levira, lda. Sede: Av. 24 de J ulho nº50 MAPUTO NUIT:400120001 LICENÇA Nº046/MPF-TIP/08
28 de Julho de 2010



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7.7. Exemplo de Venda a Dinheiro
Av. 24 de J ulho nº 250 R/c CP 9050
Maputo - Moçambique
Tel: 21 422135/6 Fax: 21 423335/7
email: dacia comercial@gmail.com Exmo (s) Sr(s)
Mozbrit Comercial
Av. Marginal, nº 256 1º andar
Maputo - Moçambique
NUIT: 400 022 511
MAPUTO
Quant Designação Pr. Unit Total
550 Resmas de papel 210,00 115.500,00
150 Caixas de tonner HP 2015 2.980,00 447.000,00
50 Impressora HP 2015 3.426,00 171.300,00
35 Maquina de calcular 1.950,00 68.250,00
15 Mause HP 2.600,00 39.000,00
10 Porta cartões 250,00 2.500,00
Motivo justificativo da não aplicação do imposto Sub - total 843.550,00
IVA 17% 143.403,50
Total 986.953,50
Tipografia Levira, lda. Sede: Av. 24 de Julho nº50 MAPUTO NUIT:400120001 LICENÇA Nº046/MPF-TIP/08
Venda a Dinheiro Nº201/2010
Dácia Comercial, Lda
NUIT: 400 206 010
28 de Julho de 2010


7.8. Em que casos é dispensada a factura
Há dispensa de emissão de facturas, sempre que o cliente seja um particular que não
destine os bens ou serviços adquiridos ao exercício de uma actividade comercial ou
industrial e a transacção seja efectuada a dinheiro:
Transmissões de bens efectuadas por retalhistas, vendedores ambulantes;
Transmissões de bens feitas através de aparelhos de distribuição automática;
Prestação de serviço em que seja habitual a emissão de talão, bilhete de
ingresso/transporte, senha ou outro documento impresso comprovativo de
pagamento;
Outras prestações de serviços cujo valor seja inferior a 100,00MT.



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A dispensa de facturação não afasta, porém, a obrigação da emissão de talões de
venda ou de serviço prestado, os quais devem ser impressos e numerados em
tipografias autorizadas ou carimbados pelas Direcções de Áreas Fiscais, (Cfr. nº2,
do artigo 31 do CIVA)

7.9. Regras a observar na emissão de talões de venda
Emissão por cada transmissão de bem/prestação de serviço, no momento da
realização da operação;
Processamento em duplicado dos talões emitidos por tipografias autorizadas;
Os talões de venda podem, por opção, serem emitidos por maquinas
registadoras, (Cfr. artigo 1 do Decreto nº 28/2000 de 10 de Outubro).
No caso das máquinas registadoras terem como suporte o rolo interno que
permite globalizar as vendas diárias discriminando a taxa e o montante do
imposto liquidado (artigo 3 do Decreto nº 28/2000, de 10 de Outubro
conjugado com o artigo 25 do Regulamento do CIVA).

7.10. Exemplo de Talão de Venda
MAPUTO 28 de Julho de 2010
Quant Designação Valor
550 Resmas de papel 115 500.00
150 Caixas de ton HP 2015 447 000.00
50 Impressora HP 2015 171 300.00
35 Máquina de calcular 68 250.00
15 Mouse HP 39 000.00
10 Porta cartões 2 500.00
Total 843 550.00
IVA incluído a taxa de 17%
Tel: 21 422135/6 Fax: 21 423335/7
email: dacia comercial@gmail.com
NUIT: 400 206 010
Talão de Venda
Nº205
Dácia Comercial, Lda
Av. 24 de J ulho nº 250 R/c CP 9050
Maputo - Moçambique



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VIII. PRINCIPAIS IMPOSTOS NACIONAIS ABRANGIDOS PELO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FISCAL E POPULARIZAÇÃO DOS
IMPOSTOS

Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes – ISPC;
Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA);
Imposto sobre Consumos Específicos – ICE;
IRPS- Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares;
IRPC- Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas;
Direitos Aduaneiros.


8.1. Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes – ISPC

8.1.1. Definição
É um imposto directo, que se aplica às pessoas singulares ou colectivas que exercem no
território nacional actividades agrícolas, industriais ou comerciais de pequena dimensão,
incluindo a prestação de serviços;

É um imposto simples e de fácil aplicação, criado para pequenos negócios e de carácter
optativo.

8.1.2. Legislação aplicável

O Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes foi criado pela Lei nº 5/2009 de 12
de J aneiro, regulamentado pelo Decreto n.
o
14/2009, de 14 de Abril e tendo sido
posteriormente aprovado o Despacho de 29 de Abril de 2009 que estabelece os
mecanismos de implementação do Regulamento do ISPC e altera a Declaração de
cessação de actividades (M/4).

8.1.3. Incidência

O ISPC é devido pelas pessoas singulares ou colectivas que:
• Praticam actividades de pequena dimensão cujo volume de negócios anual seja
igual ou inferior a 2.500.000,00MT;
• Desenvolvam actividades agrícolas, industriais, comerciais, tais como a
comercialização agrícola, o comércio ambulante, o comércio geral por grosso, a

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retalho e misto e o comércio rural, incluindo em bancas barracas, quiosques,
cantinas, lojas e tendas, bem como a indústria transformadora e a prestação de
serviços;
• Importam e exportam bens e serviços;

8.1.4. Isenção

Ficam isentos do ISPC os sujeitos passivos com um volume de negócios equivalente a 36
salários mínimos do salário mínimo mais elevado em 31 de Dezembro do ano anterior ao
que respeitam os negócios.

8.1.5. Taxas

A taxa anual do ISPC é de 75.000,00Mt.
Alternativamente, é aplicável a taxa de 3% sobre o volume de negócios desse ano.
Os sujeitos passivos que iniciem a actividade e optem pela primeira vez pelo ISPC
beneficiam da redução da taxa do imposto em 50%, no primeiro ano do exercício
da actividade.

8.1.6. Local e Período de Pagamento

O ISPC deve ser pago nas Direcções de Áreas Fiscais e Postos de Cobrança,
trimestralmente pela ordem, nos meses de Abril, J ulho, Outubro e J aneiro do ano
seguinte.

Se o pagamento não for efectuado nos prazos mencionados, começam a correr juros
compensatórios, que são contados até à data do pagamento, nos termos da Lei Geral
Tributária.

8.1.7. Modelos do ISPC
Declaração de inicio de actividades/alterações - M/01-ISPC;
Guia de pagamento - M/30;
Declaração de compras e vendas para Sujeitos Passivos isentos - M/31;
Declaração de cessação de actividade - M/04;
Livro de registo de operações;
Livro de Vendas a Dinheiro (VD´s) – ISPC;
Todos os documentos são de distribuição gratuita


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8.2. Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)

8.2.1. Legislação aplicável

O IVA foi aprovado pela Lei n.
o
32/2007, de 31 de Dezembro, e regulamentado pelo
Decreto n.
o
7/2008 de 16 de Abril.

8.2.2. Incidência

O imposto sobre o Valor Acrescentado incide sobre o valor das transmissões de bens e
prestações de serviços realizadas no território nacional, a título oneroso, por um sujeito
passivo agindo como tal, bem como sobre as importações de bens.

São, em particular, havidas como transacções tributáveis:

• As prestações de serviços gratuitas efectuadas pela própria empresa com vista às
necessidades particulares do seu titular, do pessoal ou, em geral, para fins
alheios à mesma;
• A utilização de bens da empresa para uso próprio do seu titular, do pessoal ou, em
geral, para fins alheios à mesma e ainda em sectores de actividade isentos
quando, relativamente a esses bens ou aos elementos que os constituem tenha
havido dedução total ou parcial do imposto;
• Salvo prova em contrário, são também considerados como tendo sido objecto de
transmissão pelo sujeito passivo os bens adquiridos, importados ou produzidos
que não se encontrarem nas existências dos estabelecimentos do sujeito passivo
e bem assim os que tenham sido consumidos em quantidades que, tendo em
conta o volume de produção, devem considerar-se excessivas.

8.2.3. Taxa do Imposto

A taxa do IVA em vigor é de 17%.





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8.3.  Imposto sobre Consumos Específicos – ICE 

8.3.1. Legislação aplicável
Foi aprovado pela Lei n.
º
17/2009, de 10 de Setembro e Regulamentado pelo Decreto nº
69/2009, de 11 de Dezembro.

8.3.2. Incidência

O Imposto sobre Consumos Específicos incide sobre determinados bens, produzidos no
território nacional ou importados, constantes da tabela anexa ao próprio Código.

A tributação dos bens constantes da tabela é feita por aplicação do regime previsto nos
respectivos capítulos e disposições comuns do Código.

O Imposto sobre Consumos Específicos tributa de forma selectiva o consumo de
determinados bens considerados de luxo, supérfluos ou nocivos a saúde, tais como álcool,
tabaco e viaturas.

8.3.3. Taxa do Imposto

A taxa do ICE varia de 15 a 75%, conforme a tabela anexa á Lei que aprova este imposto.
Para o caso de cigarros contendo tabaco, o imposto varia em função da categoria e do
preço de venda ao público e são aplicáveis as seguintes taxas:
PVP Taxa
(Mts/Maço) Específica
A Maço Duro 300,00MT/mil cigarros
B > = 41,00 260,00MT/mil cigarros
C < 41,00 120,00MT/mil cigarros
Categoria
Maço Leve
PVP – Preço de Venda ao Público


8.4. IRPS- Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares

8.4.1. Legislação aplicável
Código do IRPS – Aprovado pelo Lei nº 33/2007, de 31 de Dezembroe regulamentado
pelo Decreto nº 8/2008, de 16 de Abril.


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8.4.2. Incidência
O IRPS incide sobre os rendimentos globais e anuais obtidos (mesmo quando
provenientes de actos ilícitos) por pessoas singulares, residentes e não residentes em
Moçambique.

Residentes – Tributação com base na renda Mundial (Global);
Não Residentes – Tributação com base nos rendimentos auferidos em Moçambique
(renda local).

Os rendimentos deste imposto agrupam-se em 5 categorias a saber:
Primeira categoria: rendimentos do trabalho dependente
Segunda Categoria: rendimentos empresariais e profissionais
Terceira categoria: rendimentos de capitais e das mais-valias
Quarta categoria: rendimentos prediais
Quinta categoria: Outros rendimentos

8.4.3. Taxa
A taxa do IRPS em vigor em Moçambique é a constante da tabela de retenção na Fonte,
para o caso de rendimentos da 1ª Categoria (Rendimentos provenientes de trabalho
dependente).
Para o caso de outros rendimentos (De 2ª a 4ª Categoria) a taxa aplicável é de 20 %,

8.5. IRPC- Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas

8.5.1. Legislação aplicável
Código do IRPC – Aprovado pela Lei nº 34/2007, de 31 de Dezembro e regulamentado
pelo Decreto nº 9/2008, de 16 de Abril;

8.5.2. Incidência

Incide sobre os rendimentos obtidos em território moçambicano, ainda que provenientes
de actos ilícitos, no período da tributação, pelas sociedades comerciais ou civis sob forma
comercial, as cooperativas, as empresas públicas e as demais pessoas colectivas de direito
público ou privado.
8.5.3. Taxa
A taxa geral do IRPC em vigor em Moçambique é de 32%.
Taxa reduzida para actividade agrícola e pecuária de 10% até 31/12/2010.

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Taxas de retenção na fonte: 20 % para rendimentos previstos no artigo 62 do CIRPC.
8.5.4. Regras de pagamento
a) pagamentos por conta:
b) pagamento especial por conta: Junho, Agosto e Outubro;
c) pagamento a final


8.6. Direitos Aduaneiros
8.6.1. Legislação aplicável
Lei nº 6/2009, de 10 de Março – Aprova o texto da Pauta Aduaneira e respectivas
instruções preliminares.
Decreto nº 34/2009, de 06 de J ulho – Regras Gerais de Desembaraço Aduaneiro.

8.6.2. Incidência
Incide sobre o valor aduaneiro de mercadoria quando importadas para o território
aduaneiro moçambicano.


8.6.3. Taxa
As taxas dos Direitos Aduaneiros vigentes em Moçambique são as constantes da Pauta
Aduaneira.

IX. PRINCIPAIS IMPOSTOS AUTÁRQUICOS ABRANGIDOS PELO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FISCAL E POPULARIZAÇÃO DOS
IMPOSTOS

Caracterização

O sistema tributário autárquico compreende os seguintes impostos e taxas:
Imposto Pessoal Autárquico
Imposto Predial Autárquico
Imposto Autárquico de Veículos;
Imposto Autárquico de Sisa
Contribuição de Melhoria;
Taxas por Licenças Concedidas e por Actividade Económica;
Tarifas e Taxas pela Prestação de Serviços.

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9.1. Imposto Pessoal Autárquico  

O Imposto Pessoal Autárquico substitui, nas autarquias, o Imposto de Reconstrução
Nacional e incide sobre todas as pessoas nacionais ou estrangeiras, residentes na
respectiva autarquia, quando tenham entre 18 a 60 anos de idade e para elas se verifiquem
as circunstâncias de ocupação, aptidão para o trabalho.

Podem gozar de isenção do Imposto Pessoal Autárquico, entre outros:
• Os estudantes moçambicanos no estrangeiro,
• Os indivíduos que, devido à calamidades naturais ou outras circunstâncias
excepcionais não se encontrem em condições de o satisfazer.

A taxa do Imposto Pessoal Autárquico, a vigorar anualmente, é determinado através da
aplicação das taxas seguintes, conforme a classificação das autarquias locais, sobre o
salário mínimo nacional mais elevado em vigor em 30 de J unho do ano anterior:
• 4% para a classe A;
• 3% para a classe B;
• 2% para a classe C;
• 1% para a classe D.

Exemplo
O Sr. J oão tem 37 anos de idade e reside no município da cidade de Nampula. Qual o
IPA devido por este Sr., sabendo que preenche todos os requisitos para ser tributado em
sede deste imposto?

O município da cidade de Nampula é de nível B, pelo que a taxa de IPA neste caso será
de 3% a incidir sobre o salário mínimo mais elevado (2.915,00MT).
IPA =2.915,00MT x 3%
IPA =87,45MT

9.2. Imposto Predial Autárquico  

O Imposto Predial Autárquico incide sobre o valor patrimonial dos prédios urbanos
3

situados no território da respectiva autarquia.


3 Prédio urbano é qualquer edifício incorporado no solo, com os terrenos que lhe sirvam de
logradouro.

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Valor patrimonial dos prédios urbanos é o que consta nas matrizes prediais e, na falta
deste, o valor declarado pelo proprietário, a não ser que este se afaste do preço normal do
mercado.

O imposto incide sobre os titulares do direito de propriedade a 31 de Dezembro do ano
anterior a que o mesmo respeita, presumindo-se como tais as pessoas em nome de quem
os mesmos se encontrem inscritos na matriz predial ou que deles tenham posse a qualquer
título naquela data.

Ficam isentos do Imposto Predial Autárquico:
• O Estado;
• As associações humanitárias e outras entidades que, sem intuito lucrativo,
prossigam no território da autarquia, actividades de relevante interesse público,
relativamente aos prédios urbanos afectos a associações humanitárias;
• Os estados estrangeiros, prédios urbanos destinados a missão diplomática ou
consular;
• A própria autarquia e qualquer dos seus serviços, ainda que personalizados,
relativamente aos prédios que integrem o respectivo património.

As taxas do Imposto Predial Autárquico são as seguintes:
• Prédios destinados à habitação – 0.4%;
• Prédios destinados à actividade de natureza comercial, industrial ou para exercício
de actividades profissionais independentes, bem como os destinados a outros fins
– 0.7%.


Exemplo
O Senhor André é proprietário de um prédio com o valor patrimonial de 900.000,00MT.
Qual o valor do IPRA a pagar?

Tratando-se de um imóvel destinado à habitação aplica-se a taxa de 0.4%
IPRA =900.000,00MT x 0.4%
IPRA =3.600,00MT

Se o imóvel se destinar à actividade de natureza comercial, industrial ou para exercício
de actividades profissionais independentes, bem como os destinados a outros fins,
aplica-se a taxa de 0.7%.
IPRA =900.000,00MT x 0.7%
IPRA =6.300,00MT



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9.3. Imposto Autárquico da Sisa  

O Imposto Autárquico da Sisa incide sobre as transmissões, à título oneroso, do direito de
propriedade ou de figuras parcelares desse direito, sobre bens imóveis localizados na
respectiva autarquia.

Compreende-se aqui qualquer acto pelo qual se transmita a título oneroso o direito de
propriedade sobre prédios urbanos.

Este imposto e devido pelas pessoas singulares ou colectivas, a quem se transmitem os
direitos de propriedade.

O Imposto Autárquico da Sisa é devido pelas pessoas singulares ou colectivas, a quem se
transmitem os direitos de propriedade.

Estão isentos deste imposto, entre outros:
• O Estado;
• As autarquias locais;
• As associações ou federações de municípios quanto aos prédios urbanos
destinados, directa ou indirecta e imediatamente, à realização dos seus fins;
• Estados estrangeiros pela aquisição de prédios urbanos para sede da missão
diplomática, consular ou residência do chefe;
• Prédios urbanos para habitação social construídos pelo Fundo do Fomento de
habitação.

O Imposto Autárquico da Sisa incide sobre o montante declarado da transmissão ou o
valor patrimonial do prédio urbano, consoante o valor mais elevado, a não ser que este se
afaste do preço normal de mercado.

A taxa do Imposto Autárquico da Sisa é de 2% e incide sobre o valor declarado da
transmissão, valor patrimonial do prédio urbano ou o preço normal de mercado.

Exemplo
A Senhora Luísa pretende comprar à Senhora Adalgiza um prédio urbano localizado no
Município da Cidade da Beira. O prédio está inscrito na matriz predial com o valor de
10.000,00MT e o preço acordado entre ambas é de 750.000,00MT. Qual o Imposto
Autárquico de Sisa a pagar? E por quem?

Neste caso, o valor tributável é o maior entre o valor patrimonial tributário (o constante
da matriz) e o valor declarado, a não ser que o maior dos dois se afastasse do preço

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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normal do mercado.

Por força do Diploma Legislativo 854 de 3 de J ulho de 1943, o valor patrimonial
tributário é igual ao produto do valor inscrito na matriz pelo factor 14, ou seja,
10,000,00MT x 14 =140.000,00MT.

Admitindo que o valor declarado (750.000,00MT) não se afasta do preço normal de
mercado, nem é inferior ao valor patrimonial, aquele (750.000,00MT) servirá de base à
liquidação.

Assim:
Imposto Autárquico da Sisa =750.000,00MT x 2%
Imposto Autárquico da Sisa =15.000,00MT

O Imposto Autárquico da Sisa é devido pela pessoa para quem se transmite o prédio
urbano, isto é, pela Senhora Luísa.


9.4. Imposto Autárquico de Veículos  

O Imposto Autárquico de veículos substitui o Imposto sobre Veículos na autarquia onde
se situa o domicílio fiscal do proprietário do veículo sujeito a imposto.

Este Imposto incide sobre a fruição, dos veículos a seguir mencionados, matriculados ou
registados nos serviços competentes no território Moçambicano ou, independentemente
de registo ou matrícula, logo que, decorridos cento e oitenta dias a contar da sua entrada
no mesmo território, venham a circular ou a ser usados em condições normais da sua
utilização:
• Automóveis ligeiros e automóveis pesados de antiguidade menor ou igual a
vinte e cinco anos;
• Motociclos de passageiros com ou sem carro de antiguidade menor ou igual a
quinze anos;
• Aeronaves com motor de uso particular;
• Barcos de recreio com motor de uso particular.

São sujeitos passivos deste imposto os proprietários, quer sejam pessoas singulares ou
colectivas, de direito público ou privado, com domicílio fiscal na respectiva autarquia, ou
presumindo-se como tais, até prova em contrário, as pessoas em nome dos quais os
mesmos se encontrem matriculados ou registados.


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Estão isentos do Imposto Autárquico de Veículos:
• O Estado e qualquer dos seus serviços, estabelecimentos e organismos, ainda
que personalizados;
• As autarquias locais e suas associações ou federações de municípios;
• Estados estrangeiros, quando haja reciprocidade de tratamento;
• O pessoal das missões diplomáticas e consulares nos termos das respectivas
convenções;
• As organizações estrangeiras ou internacionais, nos termos de acordos
celebrados pelo Estado moçambicano.

O Senhor J oão Carlos, proprietário de um automóvel ligeiro de marca Honda Civic, com
a matrícula MLK-12-34, cuja cilindrada é 1.493, movido a Gasolina e fabricado em
1994.

De acordo com a tabela para automóveis ligeiros constantes do artigo 68 da Lei, o
Senhor J oão Carlos tem a pagar 150,00MT por se enquadrar no Grupo C, 3
o
Escalão.

9.5. Contribuição de Melhoria  

A Contribuição de Melhoria é uma contribuição especial devida pela execução de obras
públicas que resulte de valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa
realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada
imóvel beneficiado.

A Contribuição de Melhoria é cobrada pela autarquia sempre que o imóvel, situado na
zona de influência da obra, for beneficiado por quaisquer das seguintes obras públicas,
realizadas pela Autarquia por administração directa ou indirecta:
• Abertura, alargamento, iluminação, arborização de praças e vias públicas;
• Construção e ampliação de parques e jardins;
• Obras de embelezamento em geral.

Para efeitos de incidência da Contribuição de Melhoria não estão abrangidas a
pavimentação de vias e logradouros públicos executadas pela autarquia e que
directamente valorizem os imóveis em causa ou adjacentes, bem como a simples
reparação e recapeamento de pavimento, de alteração de traçado geométrico de vias e
logradouros públicos e colocação de guias e sarjetas.

O sujeito passivo da Contribuição de melhoria é o proprietário ou o possuidor a qualquer
título do imóvel beneficiado pela obra.


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Estão isentos da Contribuição de Melhorias
• O Estado;
• A própria Autarquia e as associações ou federações de municípios ou povoações;
• As associações humanitárias;
• Estados estrangeiros.

As obras públicas a beneficiar da Contribuição de Melhoria podem ser determinadas por
iniciativa da autarquia local ou por iniciativa de pelo menos 2/3 (dois terços) dos
proprietários ou possuidores a qualquer título do imóvel situado na zona de influência da
obra a realizar.

Nos casos em que a obra seja da iniciativa da autarquia, o plano das obras deve ter o
acordo prévio de pelo menos 2/3 dos proprietários ou possuidores, à qualquer título, do
imóvel a ser beneficiado pela obra.

Aprovado o plano de obras pela Assembleia Municipal ou de Povoação, e antes do
lançamento do tributo, a autarquia deverá publicar um edital com os seguintes elementos:

• Descrição da finalidade da obra;
• Memorial descritivo do projecto;
• Orçamento do custo da obra;
• Delimitação da área beneficiada erelação dos imóveis nela compreendidos; e
• Critério de cálculo da Contribuição de Melhoria.

A contribuição de melhoria deve ser calculadas tendo em conta a despesa realizada com a
obra, que será repartida entre os imóveis beneficiados.

Os interessados podem, querendo, no prazo de 30 dias a contar da data da fixação do
edital, se este não estiver em conformidade com o acordado, impugnar, cabendo a estes o
ónus de prova.

Tendo em conta o valor deverá estipular-se a possibilidade de pagamento em prestações,
sendo máximo de doze prestações.

Ocorrendo atraso no pagamento de três prestações, todo o débito é considerado vencido e
o crédito tributário é cobrado de forma coerciva.

O contribuinte que pagar a Contribuição de Melhoria de uma só vez gozará de um
desconto de 15%.sobre o valor total da quota-parte devida.



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Exemplo
O Município de Maputo realiza uma obra no valor total de 800.000,00MT, tendo
beneficiados por essa obra os imóveis pertencentes aos senhores António, Bernardo,
Carlos e Daniel, nos montantes de 300,00MT, 200,00MT, 50,00MT e 100,00MT,
respectivamente. O imóvel do senhor Ernesto não foi beneficiado pela referida obra.

Pretendendo a autarquia lançar uma contribuição de melhoria sobre os imóveis dos
proprietários beneficiados pela obra, esta não poderá ultrapassar o limite total da
despesa realizada, isto é, 800,00MT, e cada um dos proprietários ou possuidores, a
qualquer título do imóvel, não poderá pagar montante superior ao limite individual da
obra beneficiada no seu imóvel.

9.6. Taxas por licenças concedidas e por actividade económica 

As autarquias locais podem cobrar taxas por:
a) Realização de infra-estruturas e equipamentos simples;
b) Concessão de licenças de loteamento, de execução de obras particulares, de
ocupação da via pública por motivo de obras e de utilização de edifícios;
c) Uso e aproveitamento do solo da autarquia;
d) Ocupação e aproveitamento do domínio público sob administração da autarquia e
aproveitamento dos bens de utilização pública;
e) Prestação de serviços ao público;
f) Ocupação e utilização de locais reservados nos mercados e feiras;
g) Autorização da venda ambulante nas vias e recintos públicos;
h) Aferição e conferição de pesos, medidas e aparelhos de medição;
i) Estacionamento de veículos em parques ou outros locais a esse fim destinados;
j) Autorização para o emprego de meios de publicidade destinados a propaganda
social;
k) Utilização de quaisquer instalações destinadas ao conforto, comodidade ou recreio
público;
l) Realização de enterros, concessão de terrenos e uso de jazigos, ossários e de
outras instalações em cemitérios mantidos pela autarquia;
m) Licenciamento sanitário de instalações;
n) Qualquer outra licença da competência das autarquias cuja tramitação não esteja
isenta por lei;
o) Registos determinados por lei;
p) Comércio por vendedores ambulantes nas ruas ou outros lugares públicos;
q) Comércio em feiras e mercados sem lugar marcado;

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r) Quaisquer outras actividades de natureza artesanal ou de prestação de serviços
quando exercidos sem estabelecimento ou em regime de indústria doméstica;
s) Taxa por actividade económica incluindo o exercício de actividades turísticas.

Compete à assembleia autárquica fixar, mediante proposta do conselho autárquico, os
valores das taxas acima referidas.

9.7. Tarifas e taxas pela prestação de serviços 

Aplicam-se tarifas ou taxas de prestação de serviços nos casos em que as autarquias
tenham sob sua administração directa a prestação de determinado serviço público, e
nomeadamente, nos seguintes casos;
a) Abastecimento de água e energia eléctrica;
b) Recolha, depósito e tratamento de lixo, bem como a ligação, conservação e
tratamento de esgotos;
c) Transportes urbanos colectivos de pessoas e mercadorias;
d) Utilização de matadouros;
e) Manutenção de jardins e mercados;
f) Manutenção de vias.

Cabe à assembleia autárquica a fixação das tarifas a que se refere o número anterior e,
sempre que possível, na base da recuperação de custos.


X. PROCEDIMENTOS PARA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO
10.1.  Importação 
10.1.1. O que é importação?
Considera-se importação ao processo de introdução de mercadorias no território
aduaneiro que coincide com o espaço geográfico da república de Moçambique.

10.1.2. Onde se obtém o registo e quando é necessário?

Os importadores são registados junto do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) que
emite um cartão de identificação atestando a autorização para operador de importação.
São isentos da necessidade de possuir uma autorização emitida pelo MIC:
− os importadores que importem mercadorias com valor inferior a 500 USD;

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45

− as pessoas privadas que importem bens pessoais (bagagem) e separados de
bagagem com valor inferior a 1,500 USD, desde que cumpram os
condicionalismos previstos no manual do sistema simplificado de importações;
− missões e funcionários diplomáticos quando importem bens destinados às
representações ou para uso pessoal;
− funcionários estrangeiros de organizações internacionais para uso pessoal, ao abrigo
da convenção das as Nações Unidas;
− agências das Nações Unidas quando importem bens para seu próprio uso;
− missões e funcionários consulares quando importem bens destinados às
representações ou para uso pessoal;
− entidades que importem amostras sem valor comercial; e
− outras entidades especificamente autorizadas pelo MICTUR para realizar operações
de importação.

10.1.3. O que é Declaração de Importação?

É uma declaração escrita e assinada pelo importador/despachante feita sobre o Documento
Único, contendo todas as informações exigidas por Lei sobre as mercadorias a serem
importadas. A mesma deverá ser acompanhada pelos documentos de apoio necessários, tais
como, o DU certificado, facturas, listas de embalagens e licenças.

10.1.4. Onde deve ser apresentada a Declaração de Importação?

O DU e os documentos que o acompanham serão tramitados para desembaraço nas
estâncias aduaneiras onde os bens e as mercadorias se encontrem depositados.
Os Du’s relativos a bens e de mercadorias depositadas em armazéns de regime aduaneiro
serão entregues e tramitados na estância aduaneira da respectiva jurisdição.
Para pequenas encomendas comerciais usando o DUA e para o sistema simplificado
usando o DS, a declaração será entregue nas estâncias aduaneiras designadas pelo
Director Geral das Alfândegas.

10.1.5. Quando é que deve ser apresentada a Declaração de Importação?

As Declarações de Importação podem ser apresentadas assim que o importador estiver na
posse dos documentos de transporte (Bill of entry, Bill of Lading, Air way Bill – conforme o
meio de transporte usado) da mercadoria e tendo já disponível o DU certificado, nos casos
em que for feita a Inspecção Pré-embarque.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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10.1.6. Prazos relevantes ligados com o processo de importação

O declarante tem:
• 10 dias úteis para efectuar o pagamento dos Direitos e demais imposições
devidas no DU, sobre a data em que é emitida a respectivo aviso de pagamento
• 60 dias para levantar o Documento Único certificado emitido pela empresa de
inspecção pré-embarque. Este prazo é contado a partir da data de emissão do DU
certificado;
• após a chegada da mercadoria ao país, o importador tem 25 dias para levantar a
mercadoria, findos os quais esta é considerada abandonada e inicia-se o processo
de perdimento a favor do Estado por abandono e proceder-se-á à remoção das
mesmas para o armazém de leilão.
10.1.7. Prazo de processamento da declaração

As declarações que cumprem todos os requisitos previstos na lei devem ser processadas e
permitir o desalfandegamento da mercadoria no prazo de 48 horas. Os sábados, domingos
e feriados não são contados para este propósito.

10.1.8. Documentos de apoio/suporte ao DU

Dependendo do regime a aplicar e do meio de transporte utilizado, o DU deverá ser
acompanhado por:
• prova da autorização de importador do MICTUR;
• Documento de trânsito ( se necessário );
• Facturas originais;
• DU certificado nos casos em que for feita a inspecção pré-embarque;
• Se não for apresentado o DU certificado assinado pelo declarante, deve estar
anexadoum novo DU completo assinado pelo declarante, nas estâncias com
sistema manual.
• Título de propriedade, conhecimento de embarque, carta de porte aéreo, aviso de
chegada, etc.;
• Certificado de origem (se foraplicável);
• Outros documentos tais como, autorização de isenções, certificado fitossanitário,
licença dos serviços de veterinária, etc;
• Guia de emolumentos, nos casos de ser requerida a verificação fora das horas

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
47

normais de expediente.


10.1.9. Franquias concedidas

São mensalmente concedidas franquias individuais aos bens importados pelos viajantes
destinados:

Produtos de Tabaco *200 cigarros ou 100 cigarrilhas ou 50 charutos ou
250 gramas de tabaco para fumar
Bebidas Alcoólicas *1 litro de bebidas espirituosas 2.25 litros de vinho
Perfumes 50 ml de perfume ou 250 ml de agua de tocador
Especialidades Farmacêuticas Quantidades razoáveis para consumo próprio
Outros Artigos Até ao valor de 5.000,00 MT
*Os viajantes menores de 18 anos não beneficiam da franquia relativamente as
mercadorias assinaladas.

10.2. Exportação 
10.2.1. O que é Exportação?
Considera-se exportação ao processo de retirada de mercadorias no território aduaneiro.

10.2.2. Onde se obtém o registo e quando é necessário?
Os exportadores são registados junto do Ministério da Indústria e Comércio (MIC), que
emite um cartão de identificação atestando a autorização para operador de exportação.
São isentos da necessidade de possuir uma autorização emitida pelo MIC:
• As pessoas privadas que exportam bens pessoais (bagagem);
• Missões e funcionários diplomáticos;
• Missões consulares e religiosas;
• Entidades que exportem amostras sem valor comercial; e
• Outras entidades especificamente autorizadas pelo MIC para realizar
operações de exportação

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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10.2.3. O que é Declaração de Exportação?
É uma declaração escrita e assinada pelo exportador feita sobre o Documento Único,
contendo todas as informações exigidas por Lei sobre as mercadorias a serem exportadas.
10.2.4. Onde deve ser apresentada a Declaração de Exportação?
As Declarações de Exportação devem ser apresentadas nas Estâncias Aduaneiras onde a
mercadoria será desembaraçada.
Quando as mercadorias saírem do território de Moçambique num lugar que não for o de
apresentação, os procedimentos de trânsito deverão ser seguidos e as mercadorias
poderão ser reinspeccionadas no lugar de embarque final, de modo a emitir uma
confirmação oficial de que as mercadorias foram exportadas.
10.2.5. Momento da apresentação
As Declarações de Exportação devem ser apresentadas antes das mercadorias serem
exportadas.
10.2.6. Documentos de apoio/suporte ao DU
Uma Declaração de Exportação deverá ser acompanhada por:
• prova de registo de exportador do MIC;
• facturas comerciais;
• lista de embalagens ou de carga a granel;
• documento comprovativo da propriedade da mercadoria;
• certificado de origem ou EUR 1 se for exigido pelo país de destino;
• qualquer licença necessária para as mercadorias;
• autorização especial nos casos em que a mercadoria a exportar consta do
quadro IV anexo ao Decreto nº 30/02
• DU de importação se as mercadorias estiverem a ser reexportadas;
• DU de armazém se for necessário;
• Pedido de assistência na embalagem de mercadorias para exportação, se for
necessário

10.3. Regras de Origem 

Falar de Regras de Origem é falar de um conjunto de leis, regulamentos e determinações
administrativas de aplicação geral usadas por qualquer Estado na especificação dos
critérios para qualificar as mercadorias como originárias de um país.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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As Regras de Origem são o requisito primordial para se aferir se dada mercadoria é ou
não originária de um determinado país e, deste modo, permitir a quem as importa ou as
exporta, beneficiar de tratamento preferencial, isto é, obter a redução das tarifas
aduaneiras ou beneficiar-se da tarifa zero de direitos aduaneiros.
No entanto, para que as mercadorias beneficiem de redução de tarifa ou estejam à taxa
zero, elas devem cumprir certos requisitos, desde logo:

1. Existir um Acordo entre os países que pretendem ver as suas mercadorias a
beneficiarem de tratamento preferencial;
2. O Acordo prever as condições em que as mercadorias poderão beneficiar das
vantagens nele preconizadas (Regras de Origem a serem cumpridas pelos países);
3. Preverem-se mecanismos de controlo comummente aceites de modo que o país
exportador possa certificar as mercadorias dele originárias e o país importador
esteja em condições de, de forma célere confirmar a originalidade destes produtos
(Certificado de Origem).
Antes de desenvolvermos estes 3 aspectos, começaremos por algumas definições
relevantes para a compreensão do tema:

10.3.1. Tratamento Preferencial e Acordos ee Comércio Preferencial
Tratamento Preferencial é o benefício que se dá a uma determinada mercadoria
que, quando acompanhada de um Certificado de Origem, goza de redução ou
eliminação de direitos aduaneiros.
Acordos de Comércio Preferencial são compromissos que os países aceitam e
ratificam para que as mercadorias gozem de tratamento preferencial na
importação ou exportação.
Certificado de Origem É o documento que comprova a origem da mercadoria
para fins de obtenção de tratamento preferencial. Para cada Acordo existe um
Certificado de Origem específico.
As mercadorias que podem beneficiar de tratamento preferencial em Moçambique são as
provenientes ou as que se dirigem aos países ou grupos de países com os quais
Moçambique tem Acordos de Comércio preferencial, a saber:
• A África Austral, regulada pelo Protocolo sobre Trocas Comerciais da África
Austral (PC – SADC);
• Zimbabwe e Malawi regulados pelos Acordos Bilaterais Moçambique -
Zimbabwe e Moçambique – Malawi;

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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• União Europeia regulado nos Acordos de Parceria Económicas (APE´s).
Existem ainda aqueles países que concederam a Moçambique a oportunidade de colocar
os seus produtos no seu mercado interno com benefício de tratamento preferencial, ainda
que Moçambique não tenha feito o mesmo em relação aos seus produtos, sendo de
destacar a República Popular da China, a Índia e a Coreia.

10.3.2. Objectivos dos Acordos de Comércio Preferencial
• Fomentar a Liberalização do Comércio;
• Garantir uma produção eficaz dentro dos países assinantes dos Acordos;
• Contribuir para a melhoria do ambiente favorável ao investimento Nacional,
transfronteiriço e estrangeiro;
• Incrementar o desenvolvimento económico, diversificação e industrialização dos
países; e
• Estabelecer uma Zona de Comércio Livre.
10.3.3. Vantagens dos Acordos de Comércio Preferencial
As mercadorias tramitadas neste âmbito gozam de benefícios pautais.
Redução dos preços das mercadorias com o seu natural impacto nos custos de
produção.
Abertura de mais mercados e permite colocar os nossos produtos no mercado
internacional a preços mais competitivos.
Estimula toda a economia e consequentemente as receitas dos países exportadores
e proporciona aos consumidores dos países importadores, uma escolha mais vasta
de bens e serviços a preços mais baixos.
NA EXPORTAÇÃO
• O exportador/produtor deve estar inscrito no Ministério da Indústria e Comércio –
Direcção Nacional de Indústria;
• Cumprir as Regras de Origem previstas no Acordo;
• Dirigir-se às Alfândegas para obter o formulário - Certificado de Origem;
• Submeter às Alfândegas o DU de exportação e demais documentos de apoio,
incluindo o Certificado de Origem devidamente preenchido.


Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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NA IMPORTAÇÃO
• Adquirir as mercadorias em fornecedores autorizados a exportar no âmbito do
Comércio Preferencial dado que estes são que os cumprem com as Regras de
Origem acordadas entre os países.
• Submeter às Alfândegas o Documento Único (DU) de importação e demais
documentos de apoio, incluindo o Certificado de Origem devidamente
preenchido.
• P.S: O Certificado de Origem deve ser obtido do fornecedor no local de origem
das mercadorias.


XI. COMO COMBATER A SONEGAÇÃO DOS TRIBUTOS

Uma das principais finalidades do Estado é auxiliar o povo na realização dos seus ideais
de justiça e de bem-estar social. Esta finalidade, no entanto, tem sido bastante dificultada
por uma série de problemas, entre eles a sonegação de impostos.

Diferente da elisão e da evasão fiscal, a sonegação é sempre um acto ilícito. É sonegador
todo aquele que não paga o imposto devido, ou paga menos imposto do que o previsto
por lei. É sonegador, também quem vende mercadorias de modo ilegal, sem pagar
imposto.

Quem pactua com o sonegador também está cometendo um crime. Os dois estão a lesar o
Estado. O sonegador se apropriando do dinheiro público e o que pactua com o sonegador,
ajudando-o a fazer uma apropriação indébita. Várias causas podem ser apontadas para
que a sonegação aconteça:

• Causas psicológicas - a pessoa sente-se “roubada” por ter que retirar,
obrigatoriamente, uma parte do dinheiro que ganha para pagar ao Poder Público e
cria uma série de justificativas convenientes para fugir dessa obrigação.
• Causas histórico-políticas - por uma série de razões históricas e políticas, o
contribuinte sonega os tributos devidos com a desculpa de que os governantes não
administram bem os recursos arrecadados.
• Causas económico-sociais - as crises económicas, a inflação, a recessão e outros
problemas tendem a aumentar a sonegação. O contribuinte prefere usar seu
dinheiro para fins individuais, justificando: se a situação está ruim é porque o
governo foi ineficiente e, por isso, que arque com as consequências.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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• Causas jurídico-legislativas - o Sistema Tributário Nacional é constituído por
muitos impostos e há divergências de interpretação dos textos legais, gerando uma
série de situações adversas e de impunidade dos que não cumprem com suas
obrigações legais.
• Causas administrativas - devido às causas jurídico-legislativas, o Poder Público
fica desacreditado, e a situação piora quando faltam recursos humanos e materiais
para manter uma máquina administrativa eficiente, motivo para os sonegadores
“justificarem” seus actos.

O sonegador esquece que o não pagamento das obrigações tributárias contribui para a
falta de recursos necessários a uma boa administração pública e, o que é pior, para
aumentar as injustiças e desigualdades sociais. A consciência dessas situações comprova
a importância e a necessidade da Educação Fiscal, que é um processo de inserção de
valores fundamentais no exercício de uma cidadania consciente, à medida que contribui
para:

• Despertar a consciência crítica da sociedade;
• Aumentar a participação popular na busca de soluções para os problemas sociais;
• Estimular os cidadãos a compartilhar o conhecimento sobre a gestão pública,
interagindo com os governantes, através do controlo social;
• Aumentar a responsabilidade fiscal, possibilitando a diminuição das desigualdades
e assegurando o desejado bem-estar social;
• Ajudar a melhorar o perfil do homem público, através da conscientização da
importância do voto na escolha dos representantes políticos.

A Educação Fiscal contribui, portanto, para o desenvolvimento da cidadania e para a
formação da consciência tributária do cidadão, constituindo um valioso mecanismo de
ajuda no combate à sonegação fiscal.

É preciso lembrar, no entanto, que o combate à sonegação é feito não só por acções
preventivas, como a educação, mas também por acções repressivas que se caracterizam
pela actuação fiscal de encarregados de realizar nas empresas.

Evasão fiscal é o não pagamento do tributo devido, nem sempre decorrente de Fraude,
ardil ou malícia do contribuinte. “Em Moçambique, só recentemente começou-se a
discutir seriamente o problema da evasão fiscal. Durante muito tempo, face às
características do nosso sistema tributário, calcado nos tributos indirectos, prevaleceu a
ideia de que o sonegador, ao deixar de recolher ao Erário o valor devido, estaria apenas
enganando ao Governo. Não se trata de uma luta fácil, pois os valores envolvidos são
astronómicos e o sonegador já se habituou a embolsar o valor subtraído da sociedade
como se fosse seu.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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A Educação Fiscal e Aduaneira contribuem, portanto, para o desenvolvimento da
cidadania e para a formação da consciência tributária do cidadão, constituindo um
valioso mecanismo de ajuda no combate à sonegação fiscal.

É preciso lembrar, no entanto, que o combate à sonegação é feito não só por acções
preventivas, como a educação, mas também por acções repressivas que se caracterizam
pela actuação fiscal dos responsáveis pela realização de auditorias (exames das operações
contabilísticas), nas empresas, mesmo que não estejam inscritas no Cadastro de
Contribuintes tanto do Estado como dos Municípios.































Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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XII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTAIS

1. Constituição da República de Moçambique, aprova pela Assembleia da República,
aos 16 de Novembro de 2004.
2. Rosário, Fernandes, in “comunicação proferida no lançamento da Campanha de
Educação Fiscal, Aduaneira e Popularização do Imposto” (12/4/2010)
3. Wate, Teodoro, Introdução ao direito fiscal, 2002
4. Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro (BR n.
o
. 3, 1
a
Série) – Define o regime financeiro,
orçamental e patrimonial das autarquias locais e o Sistema Tributário Autárquico;
5. Decreto n.
o
63/2008 de 30 de Dezembro (BR n.
o
. 52, 13º Suplemento) – aprova o
Código Tributário Autárquico;
6. Lei n.
o
15/2002, de 26 de J unho (BR n
o
. 26, 1
a
Série, Suplemento) Estabelece os
Princípios de Organização do Sistema Tributário da República de Moçambique) -
Lei de Bases do Sistema Tributário;
7. Lei n.
o
2/2006, de 22 de Março (BR n. 12, 1
a
Série), Estabelece os Princípios e
Normas Gerais do Ordenamento J urídico Tributário Moçambicano e aplicáveis a
todos os tributos nacionais e autárquicos - Lei Geral Tributária;
8. Lei n.
o
33/2007, de 31 de Dezembro (BR n
o
. 52, 1
a
Série, 3
o
Suplemento), Aprova
o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares;
9. Lei n.
o
34/2007, de 31 de Dezembro (BR n
o
. 52, 1
a
Série, 4
o
Suplemento), Aprova
o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas;
10. Decreto n.
o
8/2008 de 16 de Abril (BR n.
o
16, 1
a
Série) – Aprova o Regulamento
do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares;
11. Decreto n.
o
9/2008 de 16 de Abril (BR n.
o
16, 1
a
Série) – Aprova o Regulamento
do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas;
12. Lei n.
o
5/2009 de 12 de J aneiro (BR n.
o
. 1, 1
a
Série, 3
o
Suplemento) – Cria o
Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes, abreviadamente designado
ISPC;
13. Decreto n.
o
14/2009, de 14 de Abril (BR n.
o
14, 1
a
Série, 4º) Aprova o
Regulamento do Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes.
14. Lei n.
o
20/2009, de 10 de Setembro, (BR n.
o
36, I Série, Suplemento) – Altera os
artigos 18, 20, 21,22, 23, 26, 28, 36 e 40; elimina a alínea h) do artigo 68 e

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
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introduz os artigos 36-A e 41-A, no CIRPC aprovado pela Lei n.
o
34/2007, de 31
de Dezembro;
15. Decreto nº 68/2009, de 11 de Dezembro (BR n.
o
49, I Série, 2º Suplemento) –
Altera o artigo 5 do Regulamento do Código do IRPC, aprovado pelo Decreto nº
9/2008, de 16 de Abril..
16. Lei n.
o
32/2007, de 31 de Dezembro (BR n
o
. 52, 1
a
Série, 3
o
Suplemento), Aprova
o Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado);
17. Decreto n.
o
7/2008 de 16 de Abril (BR n.
o
16, 1
a
Série) – Aprova o Regulamento
do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado;
18. Lei n.
o
17/2009, de 10 de Setembro (BR n.
o
36, I Série, Suplemento) – Aprova o
Código do Imposto sobre Consumos Específicos;
19. Decreto nº 69/2009, de 11 de Dezembro (BR n.
o
49, I Série, 2º Suplemento) –
Aprova o Regulamento do Código do Imposto sobre Consumos Específicos;
20. Lei n.
o
6/2009, de 10 de Março, (BR n.
o
9, I Série, Suplemento) – Aprova o texto
da Pauta Aduaneira e as respectivas Instruções Preliminares.
21. Decreto n.
o
4/87, de 30 de J aneiro – Aprova o Imposto sobre Reconstrução
Nacional;
22. Lei n.
o
8/94, de 14 de Setembro – Aprova o Imposto Especial sobre o J ogo;
23. Decreto n.
o
19/2002 de 30 de J ulho (BR n.
o
. 30, 1
a
Série, 3
o
Suplemento) –
Aprova o Regulamento do Imposto sobre Veículos;
24. Decreto n.
o
6/2004, de 1 de Abril (BR n. 13, 1
a
Série, 3
o
Suplemento) – Aprova o
Código do Imposto de Selo e respectiva Tabela;
25. Decreto n.
o
38/2005, de 29 de Agosto (BR n.
o
.34, 2
a
Série 5
o
Suplemento) –
Introduz alterações ao Código do Imposto de Selo e respectiva Tabela;
26. Decreto n.
o
46/2004, de 27 de Outubro (BR n. 43, 1
a
Série) – Aprova o código da
SISA);
27. Lei n.
o
28/2007, de 4 de Dezembro (BR n.
o
48, 1
a
Série, 4
o
Suplemento), Aprova
o Código do Imposto sobre Sucessões e Doações;
28. Decreto n.
o
21/2008, de 27 de J unho (BR n.
o
26, 1
a
Série, 2
o
Suplemento), Aprova
o Regulamento do Código do Imposto sobre Sucessões e Doações, aprovado pela
Lei n.
o
28/2007, de 4 de Dezembro;

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 |
56

29. Decreto n.
o
52/2003, de 24 de Dezembro (BR n.
o
52, 1
a
Série) - Aprova o
Regulamento do Número Único de Identificação Tributaria;
30. Decreto n.
o
19/2005, de 22 de J unho (BR n.
o
. 25, 1
a
Série Suplemento) – Aprova
o Regulamento do Procedimento de Fiscalização Tributária;
31. Lei n.
o
1/2006, de 22 de Março (BR n. 12, 1
a
Série) – Cria a Autoridade Tributária
de Moçambique;
32. Despacho de 22 de Maio de 2009 (BR nº 20, I série, 8º Suplemento) – estabelece
os mecanismos de implementação do Regulamento do Imposto Simplificado para
Pequenos Contribuintes (ISPC), aprovado pelo Decreto nº 14/2009, de 14 de Abril
e altera a Declaração de cessação de actividades (M/4)
33. Decreto nº34/2009, de 06 de J ulho (BR nº26, I série, 3º Suplemento) – aprova as
Regras Gerais do Desembaraço Aduaneiro;
34. Despacho de 5 de Agosto de 2009 (BR nº31, I série) Altera as declarações de
comunicação de rendimentos e retenções (M/20H) Anexo a Declaração Anual de
Informação Contabilística e Fiscal, de Rendimentos M/10 e Anexos 10V, 10V1, o
Modelo 11 – Declaração à entidade patronal e aprova o anexo G e o Modelo 10 –
Declaração de Rendimentos do Deputado da Assembleia da República e o Modelo
das Relações das Guias Modelos 19 pagas.
35. Lei n.
o
19/2009, de 10 de Setembro, (BR n.
o
36, I Série, Suplemento) – Altera os
artigos 4, 6, 7, 8, 11 e 16 da Lei n.
o
1/2006, de 22 de Março que cria a Autoridade
Tributária de Moçambique.


Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 57


XIII. ANEXOS

13.1. Anexo 1 – Resumo do Sistema Tributário Nacional 

Os quadros que se seguem, referem-se aos impostos nacionais e autárquicos que integram o Sistema Tributário Nacional, visualizando-se
neles, o instrumento legal de sua aprovação, a incidência e as taxas aplicáveis, bem como o peso (em %), calculado sobre a receita total
arrecadada no período de 2006 a 2009, sendo 27.396,02 milhões de MT, em 2006; 34.473,63 milhões de MT, em 2007; 39.190,07 milhões
de MT, em 2008; e 47.401,46 milhões de MT, em 2009, que corresponde a uma realização de 102,9%, 103,6%, 101,0% e 102,6%,
respectivamente, em relação à meta estabelecida, e ao PIB de 15,7%; 16,6%; 16,4% e 17,8%, respectivamente.





















Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 58

A. IMPOSTOS NACIONAIS

IMPOSTO INSTRUMENTO LEGAL INCIDÊNCIA TAXAS
PESO NA RECEITA TOTAL (em
%)
TRIBUTAÇÃO DIRECTA 2006 2007 2008 2009
1
I
R
P
S

-

I
m
p
o
s
t
o

s
o
b
r
e

o

R
e
n
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i
m
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o

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a
s

P
e
s
s
o
a
s

S
i
n
g
u
l
a
r
e
s

Lei n.
o
33/2007, de 31 de
Dezembro, (BR n.
o
52, I Série, 3
o

Suplemento).

Decreto n.
o
8/2008 de 16 de Abril
(BR n.
o
16, 1
a
Série) –
Regulamento do Código do Imposto
sobre o Rendimento das Pessoas
Singulares.

Diploma Ministerial n.
o
109/2008,
de 27 de Novembro (BR n.
o
.48, 1
a

Série 2º Suplemento) – Regime de
Retenção na fonte do Imposto
sobre o Rendimento das Pessoas
Singulares, incidente sobre os
rendimentos do trabalho
dependente.
Incide sobre o valor global anual
dos rendimentos, mesmo
quando proveniente de actos
ilícitos e o seu regime tem em
conta as necessidades e os
rendimentos do agregado
familiar.
As taxas são as seguintes:

Até 42 000MT - 10%
Até 168 000MT - 15%
Até 504 000MT - 20%
Até 1.512 000MT - 25%
Além de 1.512.000MT - 32%
13,61 14,09 15,20

13,37


Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 59

2
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-

Lei n.
o
34/2007, de 31 de
Dezembro, (BR n.
o
52, I Série, 4
o

Suplemento).

Decreto n.º 9/2008, de 16 de Abril
(BR nº 16, 1ªSérie) – Aprova o
Regulamento do Código do Imposto
sobre o Rendimento das Pessoas
Colectivas.

Lei n.
o
20/2009, de 10 de
Setembro, (BR n.
o
36, 1ª Série,
Suplemento) – Altera os artigos 18,
20, 21,22, 23, 26, 28, 36 e 40;
elimina a alínea h) do artigo 68 e
introduz os artigos 36-A e 41-A, no
CIRPC.
Incide sobre os rendimentos
obtidos em território
moçambicano, ainda que
provenientes de actos ilícitos, no
período da tributação, pelas
sociedades comerciais ou civis
sob forma comercial, as
cooperativas, as empresas
públicas e as demais pessoas
colectivas de direito público ou
privado.
A taxa geral é de 32%.

Actividade agrícola e
pecuária, até 2010, a taxa é
de 10%.

Encargos não devidamente
documentados e as
despesas de carácter
confidencial ou ilícito, são
tributados à taxa é de 35%.

9,12

12,66 14,60 15,47

3
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Lei n.
o
5/2009, de 12 de J aneiro
(BR n.
o
1, 1
a
Série, 3º Suplemento).

Decreto n.
o
14/2009, de 14 de Abril
(BR n.
o
14, 1
a
Série, 4º) -
Regulamento do Imposto
Simplificado para Pequenos
Contribuintes.

Despacho de 22 de Maio de 2009
(BR nº 20, 1ª série, 8º Suplemento)
– Estabelece os mecanismos de
implementação do Regulamento do
ISPC e altera a Declaração de
Cessação de Actividades (M/4).
É devido pelas pessoas
singulares ou colectivas que
desenvolvam actividades
agrícolas, industriais ou
comerciais, tais como a
comercialização agrícola, o
comércio ambulante, o comércio
geral por grosso, a retalho e
misto, e o comércio rural,
incluindo em bancas, barracas,
quiosques, cantinas, lojas e
tendas, bem como a indústria
transformadora e a prestação de
serviços.

Ficam, ainda, abrangidos pela
incidência do ISPC os
exportadores e os importadores
A taxa anual é de
75.000,00MT.

Alternativamente, é aplicável
a taxa de 3% sobre o
volume de negócios.
- - -

0,0





Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 60

IMPOSTO INSTRUMENTO LEGAL INCIDÊNCIA TAXAS
PESO NA RECEITA TOTAL (em
%)
TRIBUTAÇÃO INDIRECTA 2006 2007 2008 2009
4
IVA –
Imposto
sobre o Valor
Acrescentado
Lei n.
o
32/2007, de 31 de
Dezembro, (BR n.
o
52, 1ª Série, 3
o

Suplemento).

Decreto n.
o
7/2008 de 16 de Abril
(BR n.
o
16, 1
a
Série) –
Regulamento do Código do Imposto
sobre o Valor Acrescentado.
Incide sobre o valor das
transmissões de bens e
prestações de serviços
realizadas no território nacional,
a título oneroso, por um sujeito
passivo agindo como tal, bem
como sobre as importações de
bens.
A taxa é de 17%. 33,76 32,82 33,09

35,60

5
ICE –
Imposto
sobre
Consumos
Específicos
Lei n.
o
17/2009, de 10 de
Setembro, (BR n.
o
36, 1ª Série,
Suplemento).

Decreto nº 69/2009, de 11 de
Dezembro (BR nº 49, I Série, 2º
Suplemento) – Aprova o
Regulamento do Código do Imposto
sobre Consumos Específicos;

Tributa, de forma selectiva, o
consumo de determinados bens
de consumo considerados de
luxo, supérfluos, nocivos à
saúde ou perigosos para o
consumo humano ou para o
meio ambiente, como é o caso
dos veículos automóveis, das
bebidas alcoólicas, das cervejas
e dos tabacos.
As taxas deste imposto são
ad valorem, estando,
igualmente, fixadas taxas
específicas para
determinados bens.

As taxas ad valorem
constam da tabela anexa ao
Código e variam de 15% a
75%.

As taxas específicas variam
de 50Mt/L a 120Mt/L
(bebidas alcoólicas) e
300Mt/Mil (cigarros).
Prod.
Nac.

4,03

Prod.
Import.

2,50
Prod.
Nac.

3,89

Prod.
Import.

2,13
Prod.
Nac.

4,17

Prod.
Import.

2,55
Prod.
Nac.

3,74

Prod.
Import.

2,04
6
Direitos
Aduaneiros
Lei n.
o
6/2009, de 10 de Março,
(BR n.
o
9, 1ª Série, Suplemento).
Os direitos aduaneiros incidem
sobre o valor das mercadorias a
importar ou a exportar e cuja
cobrança esteja a cargo das
Alfândegas.
Aplicam-se taxas ad valorem
que variam de 0 a 20%.
11,73 11,03 9,18 8,59
7

Sobretaxas

Decreto n.º 34/2009, de 6 de J ulho
(BR nº 26, 1ª Série, 3º
Suplemento).
Incidem sobre o valor aduaneiro
da mercadoria que a ela estiver
sujeita.
4

Variável de acordo com o
estipulado para cada tipo de
mercadoria.
5

0,09 0,09 0,08 0,01
8
Taxa sobre
Serviços
Lei n.
o
6/2009, de 10 de Março,
(BR n.
o
9, 1ª Série, Suplemento).
Incide sobre cada operação de
importação com isenção de
Aplica-se a taxa de
2.500,00MT.
0,03 0,02 0,02 0,03

4
Neste momento existe a sobretaxa do cimento de construção, chapas de zinco e tubos de ferro ou aço.
5
As sobretaxas incidem sobre as mercadorias no geral, sendo que podem ser retiradas ou incorporadas a qualquer uma, dependendo do critério de quem dever decidir
a incorporação ou retirada das mesmas. A título de exemplo, está a suspensão da sobretaxa do Cimento de construção encontra-se suspensa até Dezembro de 2010.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 61

Aduaneiros
(TSA)
direitos.

IMPOSTO INSTRUMENTO LEGAL INCIDÊNCIA TAXAS
PESO NA RECEITA TOTAL (em
%)
OUTROS IMPOSTOS
9
Taxa de
Radiodifusão

Diploma Ministerial n.º 82/87, de 8
de J ulho

Diploma Ministerial n.º 195/98, de
8 de J ulho
Incide sobre o preço CIF dos
aparelhos rádio receptores
importados.
59,00Mt para receptores de
radiodifusão cujo valor não
ultrapasse 280,00MT.

121,00MT para receptores
de radiodifusão com valor
superior a 280,00Mt e
inferior a 1.400,00MT.

297,00Mt para receptores de
radiodifusão com valor igual.
0,09 0,09 0,12 -
6

10
Taxa de
Sobrevaloriza
ção
Decreto n.º 34/2009, de 6 de J ulho
(BR nº 26, 1ª Série, 3º Suplemento) Incide sobre o valor aduaneiro
da mercadoria.
7

Variável de acordo com o
estipulado para cada tipo de
mercadoria que estiver em
causa.
0,12 0,12 0,22 0,05
11
Direitos Anti-
Dumping
Lei n.
o
6/2009, de 10 de Março,
(BR n.
o
9, 1ª Série, Suplemento).

Decreto n.º 34/2009, de 6 de J ulho
(BR nº 26, I Série, 3º Suplemento)
Incide sobre a diferença entre o
valor praticado com dumping
declarado e o valor real da
mercadoria.
Não existe
12
Imposições e
tarifas dos
serviços
prestados
Decreto n.
o
10/2002, de 30 de
J aneiro.
Incide sobre as operações de
trânsito aduaneiro nacional e
internacional de mercadorias.
A título de serviço prestado
pela Alfândegas, o Ministro
que superintende a área das
Finanças poderá determinar
que as operações de
trânsito sejam sujeitas a
uma taxa de serviço não
superior ao contravalor em
meticais até 10 (dez) dólares


6
No OE de 2009, esta taxa não foi prevista. A receitação e alocação, ao beneficiário, foram feitas por Operações de Tesouraria.
7
A castanha de cajú em bruto paga na exportação taxa de sobrevalorização. Neste momento é o único produto que paga este imposto. J á foi aprovado para a madeira
mas ainda não foi publicado.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 62

americanos por declaração
de trânsito.
13
Imposto de
Farolagem
Diploma Legislati vo n.º 627, de 8
de Fevereiro de 1939.
Incide sobre a tonelagem líquida
dos navios comerciais que
fundeiam ou atracam nos portos.
Tonelagem líquida x
0,007MT.
0,00 0,00 0,00 0,00
14
Imposto de
Tonelagem
Diploma Legislati vo n.º 627, de 8
de Fevereiro de 1939.
Incide sobre a tonelagem líquida
dos navios comerciais que
fundeiam ou atracam nos portos.
Imposto de Farolagem x 2
(ou seja, o dobro do Imposto
de farolagem).
0,00 0,00 0,00 0,00
MPOSTO INSTRUMENTO LEGAL INCIDÊNCIA TAXAS
PESO NA RECEITA TOTAL (em
%)
OUTROS IMPOSTOS (CONTINUAÇÃO)
15
Imposto de
Comércio
Marítimo
8

Diploma Legislativo n.º 627, de 8
de Fevereiro de 1939.
Incide sobre a mercadoria
carregada e descarregada e,
quando os navios atraquem a
cais acostáveis, sobre os
passageiros embarcados e
desembarcados.
Sobre mercadorias
20MT/Tonelada.
0,00 0,00 0,00 0,00
16
Imposto de
Selo
Decreto n.
o
6/2004, de 1 de Abril
(BR n. 13, 1
a
Série, 3
o

Suplemento).

Decreto n.
o
38/2005, de 29 de
Agosto (BR n.
o
.34, 1
a
Série 5
o

Suplemento) – Introduz alterações
ao Código do Imposto de Selo e
respectiva Tabela.
Incide sobre todos os
documentos, livros, papéis e
actos designados em tabela
própria.
Aplicam-se as taxas
constantes da tabela anexa
ao Código.
As taxas ad valorem, variam
de 0,1% a 10%.

As taxas específicas variam
de 50 Centavos a 2.400MT
0,77 0,93 0,82 0,92
17
Imposto sobre
Sucessões e
Doações
Lei n.
o
28/2007, de 4 de Dezembro
(BR n.
o
48, 1
a
Série, 4
o

Suplemento).

Decreto n.
o
21/2008, de 27 de
J unho (BR n.
o
26, 1
a
Série, 2
o

Suplemento) - Regulamento do
Código do Imposto sobre
Sucessões e Doações.
Incide sobre as transmissões, a
título gratuito de bens
mobiliários e imobiliários.
Descendentes, cônjuges e
ascendentes, 2%.

Irmãos e colaterais até 3º
grau, 5%

Entre quaisquer pessoas,
10%
0,01 0,02 0,01 0,01
18 Sisa Decreto n.
o
46/2004, de 27 de A Sisa incide sobre as A taxa da Sisa é de 2%. 0,14 0,15 0,18 0,18

8
Os valores cobrados pelos Impostos de Farolagem, Tonelagem e Comércio Marítimo foram ajustados a nível das Alfândegas se, no entanto, seguir-se
um critério legal.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 63

Outubro (BR n. 43, 1
a
Série). transmissões, a título oneroso,
do direito de propriedade ou de
figuras parcelares desse direito,
sobre bens imóveis.

Nos casos em que o
adquirente ou os sócios do
adquirente tenham a
residência em território
sujeito a um regime fiscal
claramente mais favorável,
taxa é sempre de 10%, não
se aplicando qualquer
isenção ou redução

19
Imposto
Especial
sobre o J ogo
Lei n.
o
8/94, de 14 de Setembro.
Incide sobre as receitas brutas
resultantes da exploração dos
jogos.
A taxa varia de 500.000Mt a
3.000.000,00Mt 0,11 0,13 0,11 0,10
20
Imposto de
Reconstrução
Nacional
Decreto n.
o
4/87, de 30 de
J aneiro.
Representa a contribuição
mínima de cada cidadão para
gastos públicos e incide,
segundo taxas específicas,
sobre todas as pessoas
residentes no território nacional,
ainda que estrangeiros, quando
para elas se verifiquem as
circunstâncias de idade,
ocupação, aptidão para o
trabalho.
As taxas, a vigorar no ano
imediato em cada província,
são anualmente fixadas por
Diploma do Ministro das
Finanças.
0,02 0,02 0,02 0,01
21
Imposto sobre
Veículos
Decreto n.
o
19/2002 de 30 de
J ulho (BR n.
o
. 30, 1
a
Série, 3
o

Suplemento).

Decreto n.º 61/2003, de 24 de
Dezembro (BR n.º 52, 1a Série, 2o
Suplemento) – Introduz alterações
ao Regulamento do Imposto sobre
Veículos
Incide sobre o uso ou fruição
dos veículos, matriculados ou
registados nos serviços
competentes no território da
República de Moçambique, ou,
independentemente de registo
ou matrícula, logo que,
decorridos cento e oitenta dias a
contar da sua entrada em
condições normais da sua
utilização.
Automóveis ligeiros variam
de 50,00Mt a 4.400,00

Automóveis pesados de
carga e pesados de
passageiros variam de
60,00Mt a 2.160,00Mt

Motociclos variam de
37,50Mt a 500,00Mt

Aeronaves variam de
800,00Mt a 160.000Mt

0,14 0,12 0,12 0,11

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 64

Barcos de recreio variam de
80,00MT a 561,60MT
22
Taxa sobre
Combustíveis
Decreto n.
o
56/2003, de 24 de
Dezembro (BR n.
o
52, 1
a
Série,
Suplemento)
É sujeito a taxa sobre
combustíveis todo o combustível
produzido ou importado e
comercializado no território
nacional.
Taxas em meticais por
unidade:

LPG (kg) – 511,89

AVGÁS (lt) – 3600,82

Gasolina RON 93 (lt) –
5962,00

Gasolina S/Chumbo (lt) –
3577,23

J ET (lt) – 775,39

Gasóleo (lt) – 3289,36

Fuel Oil (lt) – 591,82
6,57 6,55 6,40 6,90
23
Imposto sobre
a Produção
Mineira
Lei nº 11/2007 de 27 de J unho,
(BR n.
o
. 26, 1
a
Série)

Decreto nº 5/2008, de 9 de Abril
(BR no. 15, 1a Série) –
Regulamento dos Impostos
Específicos da Actividade Mineira
O Imposto sobre a Produção
Mineira incide sobre o valor da
quantidade do produto mineiro
extraído da terra, em resultado
da actividade mineira exercida
no território nacional ao abrigo
ou não de título mineiro,
independentemente da venda,
exportação ou outra forma de
disposição do produto mineiro.
10% para diamantes, metais
preciosos e pedras
preciosas;

6% para pedras
semipreciosas;

5% para minerais básicos;

3% para carvão e os
restantes produtos mineiros
0,34 0,32 0,27 0,04
24
Imposto sobre
a Superfície
Lei nº 11/2007 de 27 de J unho,
(BR n.
o
. 26, 1
a
Série)
O Imposto sobre a Superfície é
devido anualmente e incide
sobre a área sujeita a licença de
reconhecimento, licença de
prospecção e pesquisa,
concessão mineira ou certificado
mineiro, medida em quilómetros
quadrados ou em hectares e, no
caso da água mineral, incide
sobre cada título mineiro.
Licenças de
reconhecimento:

Diamantes - 10,00Mt/Km
2

Demais minerais -
25,00Mt/Km
2

Licença de prospecção e
pesquisa para todos os
0,14 0,19 0,15 0,09

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 65

minerais, variam de
250,00MT/Km
2
a 3.000,00/
Km
2
.

Concessão mineira:

Água mineral – 70.000MT
cada título.

Para os demais recursos
minerais variam de
2.500,00MT a 5.000,00MT.

Certificado mineiro, variam
de 10.000,00MT a
50.000,00MT.
25
Imposto sobre
a Produção
do Petróleo
Lei nº 12/2007 de 27 de J unho,
(BR n.
o
. 26, 1
a
Série).

Decreto nº 4/2008, de 9 de Abril
(BR no. 15, 1a Série) –
Regulamento do Imposto sobre a
Produção do Petróleo
O Imposto sobre a Produção do
Petróleo incide sobre o petróleo
produzido no território
moçambicano, a partir da área
de desenvolvimento e produção.
10% para petróleo bruto

6% para gás natural
0,00 0,00 0,04 0,18

B. IMPOSTOS AUTÁRQUICOS

IMPOSTO INSTRUMENTO LEGAL INCIDÊNCIA TAXAS
26
IPA - Imposto
Pessoal
Autárquico.

Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro,
(BR n.
o
3, 1
a
Série).

Decreto n.
o
63/2008 de 30 de
Dezembro (BR n.
o
. 52, 13º
Suplemento) – Código Tributário
Autárquico.
Substitui, nas Autarquias, o Imposto de Reconstrução
Nacional e incide sobre todas as pessoas nacionais ou
estrangeiras, residentes na respectiva autarquia, quando
tenham entre 18 a 60 anos de idade e para elas se
verifiquem as circunstâncias de ocupação, aptidão para
o trabalho.
A taxa aplica-se, conforme a
classificação das autarquias locais,
sobre o salário mínimo nacional mais
elevado em vigor em 30 de J unho do
ano anterior

4% - para a classe A;

3% - para a classe B;

2% - para a classe C;


Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 66

1% - para a classe D.
27
IPRA - Imposto
Predial
Autárquico
Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro,
(BR n.
o
3, 1
a
Série).

Decreto n.
o
63/2008 de 30 de
Dezembro (BR n.
o
. 52, 13º
Suplemento) – Código Tributário
Autárquico.
Incide sobre o valor patrimonial dos prédios urbanos
situados no território da respectiva autarquia. O imposto
incide sobre os titulares do direito de propriedade a 31
de Dezembro do ano anterior a que o mesmo respeita,
presumindo-se como tais as pessoas em nome de quem
os mesmos se encontrem inscritos na matriz predial ou
que deles tenham posse a qualquer título naquela data.
0.4% - para prédios destinados a
habitação:

0.7% - para prédios destinados à
actividades de natureza comercial,
industrial ou para exercício de
actividades profissionais
independentes, bem como os
destinados a outros fins
28
Imposto
Autárquico da
Sisa
Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro,
(BR n.
o
3, 1
a
Série).
Substitui o Imposto sobre a Sisa, e Incide sobre as
transmissões, a título oneroso, do direito de propriedade
ou de figuras parcelares desse direito, sobre bens
imóveis localizados na respectiva autarquia.
A taxa do Imposto Autárquico da Sisa é
de 2%
29
Imposto
Autárquico de
Veículos
Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro,
(BR n.
o
3, 1
a
Série).

Decreto n.
o
63/2008 de 30 de
Dezembro (BR n.
o
. 52, 1ª Série,
13º Suplemento) – Código
Tributário Autárquico.
Substitui o Imposto sobre Veículos na autarquia onde se
situa o domicílio fiscal do proprietário do veículo sujeito a
imposto. Este Imposto incide sobre a fruição, dos
veículos, matriculados ou registados nos serviços
competentes no território Moçambicano ou,
independentemente de registo ou matrícula, logo que,
decorridos cento e oitenta dias a contar da sua entrada
no mesmo território, venham a circular ou a ser usados
em condições normais da sua utilização.
Automóveis ligeiros variam de 50,00MT
a 4.400,00MT.

Automóveis pesados de carga e
pesados de passageiros variam de
60,00Tt a 2.160,00MT.

Motociclos variam de 37,50MT a
500,00MT.

Aeronaves variam de 800,00MT a
160.000MT.
Barcos de recreio variam de 80,00MT a
561,60MT.

IMPOSTO INSTRUMENTO LEGAL INCIDÊNCIA TAXAS
30
Contribuição de
Melhorias
Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro,
(BR n.
o
3, 1
a
Série).

Decreto n.
o
63/2008 de 30 de
Dezembro (BR n.
o
. 52, 13º
Suplemento) – Código Tributário
Autárquico.
É uma contribuição especial devida pela execução
de obras públicas que resulte de valorização
imobiliária, tendo como limite total a despesa
realizada e como limite individual o acréscimo de
valor que da obra resultar para cada imóvel
beneficiado. É cobrada pela autarquia sempre que o
imóvel, situado na zona de influência da obra, for
beneficiado por quaisquer das seguintes obras
públicas, realizadas pela Autarquia por
administração directa ou indirecta.
A Contribuição de Melhoria deve ser
calculada tendo em conta a despesa
realizada com a obra, que será
repartida entre os imóveis beneficiados.

Manual de Educação Fiscal e Aduaneira e Popularização de Imposto – 1ª Edição – AT ©2010 | 67

31
Taxas por
licenças
concedidas e
por actividade
económica
Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro,
(BR n.
o
3, 1
a
Série).

Decreto n.
o
63/2008 de 30 de
Dezembro (BR n.
o
. 52, 13º
Suplemento) – Código Tributário
Autárquico.
As autarquias locais podem cobrar, entre outras,
taxas por:
t) Realização de infra-estruturas e
equipamentos simples;
u) Concessão de licenças de loteamento, de
execução de obras particulares, de
ocupação da via pública por motivo de obras
e de utilização de edifícios;
v) Uso e aproveitamento do solo da autarquia;
w) Ocupação e aproveitamento do domínio
público sob administração da autarquia e
aproveitamento dos bens de utilização
pública;
x) Prestação de serviços ao público;
y) Taxa por actividade económica incluindo o
exercício de actividades turísticas.
O valor das taxas por licenças
concedidas é fixado pela assembleia
autárquica, mediante proposta do
Presidente do Conselho Municipal ou
de Povoação.
32
Tarifas e taxas
pela prestação
de serviços
Lei n.
o
1/2008, de 16 de J aneiro,
(BR n.
o
3, 1
a
Série).

Decreto n.
o
63/2008 de 30 de
Dezembro (BR n.
o
52, 1
a
Série, 13º
Suplemento) – Código Tributário
Autárquico.
Aplicam-se nos casos em que as autarquias tenham
sob sua administração directa a prestação de
determinado serviço públicos, e nomeadamente, nos
seguintes casos;
g) Abastecimento de água e energia eléctrica;
h) Recolha, depósito e tratamento de lixo, bem
como a ligação, conservação e tratamento
de esgotos;
i) Transportes urbanos colectivos de pessoas
e mercadorias;
j) Utilização de matadouros;
k) Manutenção de jardins e mercados;
l) Manutenção de vias.
As tarifas e taxas pela prestação de
serviços são fixadas pela assembleia,
sempre que possível, na base da
recuperação de custos.









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13.2. Anexo 2 – Modelos em USO na AUTORIDADE TRIBUTÁRIA 

Modelo 5 – Para atribuição de NUIT à Pessoa Singular



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Modelo 11 – Para Declaração à Identidade Patronal





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Modelo 10 – Para Declaração de Rendimento de Pessoas Singulares (IRPS)



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