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Quantidade de movimento em referenciais inerciais

Quantidade de movimento em sistema de uma partícula:
Define-se quantidade de movimento ou momento linear como o produto da massa da p
artícula pela velocidade vetorial que ela possui em dado instante "t". Assim, é o mo
mento linear uma grandeza vetorial que é utilizada na definição da segunda lei de Newt
on:
A força total resultante que age em uma partícula é a variação do momento linear com relação a
o tempo.
Assim, supondo-se que a massa da partícula é constante, é possível retirar o termo "mass
a" da variação e obter a clássica versão da segunda lei. É importante enfatizar a que força
a lei se refere, de maneira que somente para a força total resultante é possível aplic
ar tal expressão.
Em sistemas de uma partícula, a quantidade de movimento não se mostra como ferrament
a muito ampla devido à ausência de muitos problemas que requerem seu exclusivo uso.
A fundamentação teórica dessa situação, no entanto, é necessária para estabelecer o caso de um
sistema com mais de uma partícula.
Quantidade de movimento em sistemas com duas ou mais partículas:
Supor um sistema com N partículas. Cada uma dessas terá momento linear dado por:
Dada a natureza vetorial da grandeza momento linear, é possível estabelecer o somatóri
o de todas as quantidades de movimento das partículas do sistema como o valor no s
istema como se esse fosse apenas uma partícula.
Introduz-se o vetor "centro de massa" para simplificar a forma da equação.
Assim, a quantidade de movimento de um sistema seria igual à situação de uma só partícula
cuja massa é a soma de todas as componentes do sistema e cuja posição está localizada no
centro de massa do sistema.
Com base na lógica da segunda lei de Newton, a força total resultante em um sistema
seria a variação do momento linear do sistema com relação ao tempo. Mas que força total re
sultante seria essa? Essa se dá pela soma das forças resultantes EXTERNAS em cada pa
rtícula, que se juntam para formar a força resultante externa e pelas interações entre p
artículas do próprio sistema, as chamadas forças INTERNAS.
Suponha agora duas partículas "i" e "j" e as forças Fij e Fji, em que Fij é a força exer
cida pela partícula "i" em "j". Se as interações entre tais partículas obedecerem a terc
eira lei de Newton "fraca", que diz:
"Na interação entre dois corpos, haverá forças que atuam de forma recíproca em sentidos op
ostos, com módulos idênticos, uma para cada corpo."
O uso da expressão "fraca" se refere à menor quantidade de considerações para tornar a l
ei verdadeira. Em sua forma "forte", estabelece-se que além do descrito acima, as
forças precisam estar na MESMA linha de atuação. As forças do eletromagnetismo não seguem
a terceira lei de Newton em sua integridade. As forças eletrostáticas de Coulomb seg
uem a versão "forte" (e consequentemente a "fraca" também). As forças da lei de Biot-S
avart não seguem nenhum dos dois casos.
Assim, se a versão "fraca" for satisfeita, Fij = -Fji, e consequentemente todas as
forças de interação se cancelarão. Portanto, é possível afirmar que a variação da quantidade
movimento de um sistema depende exclusivamente da atuação de forças externas ao siste
ma. E o que seriam tais forças externas? É necessário antes de considerar quais são inte
rnas e externas saber quais as fronteiras do sistema.
Neste exemplo, temos duas partículas em atração gravitacional. Num primeiro momento, c
onsideremos nosso sistema apenas a partícula da esquerda. Nesse caso, a interação grav
itacional é uma força interna ou externa? Externa. Pois quem gera a força (a partícula d
a direita gera a força na da esquerda e vice versa) está fora do sistema.
Consideremos agora as duas partículas e observemos que as forças de interação gravitacio
nal no sistema todo se cancelam. LEMBRETE: as forças gravitacionais não se cancelam
apropriadamente pois atuam em corpos DIFERENTES. Mas em termos de variação da quanti
dade de movimento do sistema é possível afirmar que se cancelam no sistema todo.
Suponha o caso agora de um bloco em cima de um carrinho em movimento. Claramente
ambos com mesma velocidade "v". O que acontece com o centro de massa desse sist
ema? Ele se move com mesma velocidade "v". Se um indivíduo agora retirasse o bloco
de cima do carrinho, sem gerar nenhum atrito durante a retirada, o que acontece
ria com a velocidade do carrinho?
É normal crer que a velocidade do carrinho aumenta, pois supostamente a quantidade
de movimento se conserva e a massa do sistema se tornar menor, implica numa vel
ocidade maior. No entanto, observe que houve a ação da força externa do indivíduo. Ele t
eve que usar de uma força para fazer com que o bloco em sua mão parasse. Assim, a qu
antidade de movimento do sistema não se conserva. Como achar a velocidade do carri
nho, então? Voltando à dedução da quantidade de movimento em um sistema, houve o somatório
do momento linear de todas as partículas. No caso do sistema (bloco + carrinho),
houve a soma das quantidades de movimento de todas as partículas do bloco e todas
do carrinho. Mas conforme vimos no exemplo das duas partículas, a fronteira de um
sistema é maleável. Assim, é possível separar o sistema (bloco + carrinho) em dois siste
mas (bloco) e (carrinho). Observe que a força da mão agiu somente no bloco e que não h
ouve interação com o carrinho porque foi dito: "sem gerar nenhum atrito durante a re
tirada", assim o sistema (carrinho) não foi alterado e sua velocidade continua a m
esma.
Constância do centro de massa:
O título desse texto é "Quantidade de movimento em referenciais inerciais". Mas o qu
e é um referencial inercial? Pode-se dar duas definições mútuas e em diferentes perspect
ivas. A primeira é que o referencial inercial é o sistema de coordenadas em que as 2
primeiras leis de Newton possuem validade. A segunda lei já foi definida apropria
damente. A definição da primeira pode ser dada como:
"Em um referencial inercial, na ausência de forças EXTERNAS, a tendência de um sistema
é manter sua quantidade de movimento."
Antes de seguir com o outro conceito de referencial inercial, deve-se analisar o
enunciado dessa lei e observar seu campo de aplicação. Um sistema (foguete+combustíve
l) - longe da interação gravitacional -parece desobedecer a primeira lei. Afinal, o
foguete acelera, alterando sua quantidade de movimento. De fato, é verdade que o f
oguete acelera. Mas o enunciado da primeira lei trata de "sistemas" e "forças exte
rnas". O sistema (foguete) possui forças externas, pois quando o produtos da combu
stão são ejetados, é gerada uma força de reação de módulo igual e sentido oposto (3ª lei em fo
a "forte") e consequentemente o foguete acelera. No entanto, o sistema (foguete+
combustível) mantém sua quantidade de movimento constante, pois o gás da combustão também é
acelerado e consequentemente não há força externa. Assim, o sistema (foguete+combustível
) se trata de deslocar massa (combustível) para variar velocidade (foguete).
Prosseguindo com o outro conceito de referencial inercial, pode-se dizer que é sis
tema de coordenadas que não apresenta aceleração em relação a qualquer outro referencial i
nercial. Tal definição pode parecer circular, mas em termos da mecânica newtoniana, é po
ssível estabelecer um referencial "absoluto" e completamente parado e derivar todo
outro referencial inercial por comparação com esse. Frisa-se que essa segunda defin
ição deixa de ser válida na teoria da relatividade restrita, devido à inexistência de refe
renciais inerciais absolutos. Nesse caso, é necessário usar da primeira definição e dout
ros conceitos estabelecidos pela teoria.
Assim, esclarecido o conceito de referencial inercial, é possível analisar os casos
de centro de massa com velocidade constante (nula ou não) enquanto que os casos em
que esse acelera serão deixados para um tratamento de referenciais não inerciais. V
isto poder estabelecer um referencial acoplado ao centro de massa, o primeiro pa
sso para estudar problemas como esses, é considerar o centro de massa como com vel
ocidade nula.
Com base nisso, é possível afirmar que o vetor "centro de massa" estará sempre no mesm
o lugar e que:
Será constante para quaisquer valores de ri.
Assim, veja o exemplo da questão:
Só há a força gravitacional agindo interna ao sistema, portanto a quantidade de movime
nto se conserva e o centro de massa possui velocidade constante. Já que inicialmen
te ambos os corpos estão parados, pode-se dizer automaticamente que é nula a velocid
ade do centro de massa.
Assim, estabelece-se um sistema de coordenadas qualquer e encontra-se a coordena
da do centro de massa. Visto ser a velocidade nula, a posição é constante, portanto:
Assim, quando as esferas se tocarem, a distância entre seus centros será:
Resolvendo o sistema, encontra-se a resposta 7,5R.
Deixo agora algumas questões que utilizam exclusivamente os conceitos aqui descrit
os. As questões que envolvem deslocamento apenas possuem um desenvolvimento teórico
interessante baseado na direção vetorial do movimento dos corpos e da constância do ce
ntro de massa. Sugiro desenvolver a "teoria" que mais lhe agradar, seja com os s
omatórios dos deslocamentos ou com a manutenção da posição do centro de massa.