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FSA – FACULDADE SANTO ANTÔNIO

ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO
Prof. Leonardo Maia

PREVISÃO DE DEMANDA
(ESTUDO PRÁTICO APLICADO)

A empresa, fictícia, “PREVAQUI - Preço e Variedades Aqui!“ vende produtos de


utilidades por um preço único de R$ 5,00, cada produto. Apesar do baixo preço, a
empresa preza pela qualidade de seus produtos e pela inovação, adquirindo-os de
distribuidores/importadores. A linha de produtos diversifica-se em produtos para o lar
(utensílios de cozinha, vasilhames plástico, conjunto de talheres, pratos, cumbucas,
enfeites, etc.), pequenas ferramentas (chaves allens, de fenda, estojos para chaves,
martelo, pregos, buchas), brinquedos, santinhos de cerâmica, pequenos presentes e
utilidades (lupas, cortador de unha, chaveiros, etc). A empresa foi fundada em junho
de 2008, por dois amigos recém saídos do curso de Administração de Empresas da
Faculdade Santo Antônio, contratou 4 funcionários desde a sua fundação que ganham
1 (hum) salário mínimo mais comissão de 3% sobre as vendas, e atingiu um
faturamento máximo de R$40.000,00 no mês de dezembro do ano de 2008. Compra
diretamente do distribuidor cada produto por um preço médio de R$2,00 e revende
por R$5,00, pagando R$0,71 de imposto direto sobre a venda de cada produto.
Atualmente o custo fixo gira em R$3.600,00 (funcionários, água, luz, IPTU, etc). O
ponto comercial é próprio.

A “PREVAQUI“ possui um desafio de estabelecer, pela primeira vez, logo no inicio do


mês de setembro/2009 uma previsão de maneira profissional, uma vez está cada vez
mais ganhando mercado, ou seja, aumentando a demanda. Precisam compor uma
Previsão de Demanda para o primeiro semestre de 2010, para que não faltem
produtos e desestimule a clientela. Há uma intenção de investimento por parte dos
sócios em R$40.000,00 em uma nova linha de produtos (cada sócio investirá do
próprio bolso R$20.000,00). Embora não haja previsão, a empresa possui o registro
da quantidade dos produtos vendidos desde o mês de sua fundação. Como bons
administradores o controle estava sendo feito de maneira profissional, pois os sócios
sabiam que registrar informações sobre a própria empresa facilitaria a tomada futura
de decisões.

Quantidade de produtos vendidos:

Ano jun/08 jul/08 ago/08 set/08 out/08 nov/08 dez/08


2008 1984 2154 2343 2786 3452 4097 6056

Ano Jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 mai/09 jun/09 jul/09 Ago/09 set/09 out/09 nov/09 dez/09
2009 5098 4254 4189 4198 4325 5103 4087 4125 ? ? ? ?

TAREFA:
O desafio desta equipe é fazer a Previsão de Demanda da “PREVAQUI“ com base no
Modelo de Decomposição de Séries Temporais (Método Quantitativo):
utilizando-se da média móvel simples e média móvel ponderada dos três últimos
meses “normais, ou seja, típicos” de 2009 (sem tendência nem sazonalidade).
Coloquem no papel os critérios utilizados e o nome dos participantes da equipe.
MODELOS DE DECOMPOSIÇÃO DE SÉRIES TEMPORAIS

Estes modelos são amplamente utilizados e se baseiam no estudo da demanda


acontecida no passado para projetar a demanda futura. Naturalmente, são
válidos apenas para produtos já existentes e cujo histórico de vendas forneça
dados suficientes para a realização da projeção. Estes modelos são mais
adequados quando já se atingiu um padrão estável de demanda e o produto se
encontra na fase de maturidade do seu ciclo de vida em que o padrão de
consumo não sofre variações significativas de um período para outro. Por
questões de sazonalidade, costuma-se adotar períodos de um ano, neste tipo
de análise.
Apesar de não ser perfeito (lembre-se que nenhum método de previsão é
infalível), o uso de séries temporais é considerado um bom ponto de partida
para auxílio nas estimativas de demanda futura. Mas como o futuro é cada vez
mais incerto e mutável, métodos que se apóiam demais no desempenho
passado devem ser utilizados em conjunto com outros modelos de previsão.
Afinal, não estão de todo errados aqueles que criticam previsões baseadas
unicamente no passado, afirmando que é como dirigir um carro olhando
apenas para o retrovisor, conforme se falou no início do capítulo.
Uma série temporal de demandas passadas geralmente pode apresentar
quatro componentes ou características:
Nível: o nível da demanda traduz um patamar do volume de vendas da série
temporal das demandas passadas, desconsiderando variações de sazonalidade
e variações aleatórias. O componente de nível pode se apresentar estacionado
ou estar sofrendo alteração ao longo da série temporal que está sendo
interpretada.
Tendência: os dados históricos, representados pela demanda ocorrida em
cada período, podem apresentar uma tendência crescente, estabilizada ou
decrescente. A tendência pode apresentar forma linear ou não linear. É
importante entender bem a distinção entre o nível e a tendência da demanda,
para se poder realizar previsões.
Sazonalidade: a sazonalidade de uma demanda representa um padrão de
variação que se repete com o passar do tempo, podendo ser interpretado e
previsto. Não são variações aleatórias e sim um padrão repetitivo. A demanda
de determinados produtos pode apresentar pouca, ou nenhuma, sazonalidade.
Produtos como arroz, feijão, farinha e artigos de higiene, por exemplo,
apresentam demanda pouco influenciada pela época do ano. Brinquedos,
cobertores, agasalhos etc., são exemplos de produtos muito mais suscetíveis
às influências de determinados períodos. Alguns autores se referem a
sazonalidade com a denominação de “ciclicidade”, preferimos adotar outro
significado para o termo conforme será visto mais adiante.
Aleatoriedade: devido a numerosos fatores, a demanda apresenta
componentes aleatórios, que não podem ser previstos pelos modelos de
previsão.
Porém, é possível comparar o erro que existe entre o modelo de previsão
construído e a demanda passada realmente ocorrida. Por meio da avaliação
deste erro, é estatisticamente possível prever o erro esperado da aplicação do
modelo quando é feita uma projeção para o futuro. Um bom método de
previsão de demanda vai apresentar um erro estatístico comparável à
característica de aleatoriedade da demanda, permitindo que se tenha uma
noção da dimensão desta variabilidade.
Em resumo, tem-se que toda série temporal pode ser analisada e decomposta
em uma parte sistemática, composta por nível, tendência e sazonalidade, e
outra parte não sistemática composta pela aleatoriedade.

MODELO DA MÉDIA MÓVEL SIMPLES


A média móvel simples é facilmente calculada. Ela consiste na média
aritmética dos n últimos períodos da demanda observada. É importante
observar que, quanto maior o tempo previsto, maior será a influência das
demandas mais antigas sobre a previsão. Por isso, na prática, muitas vezes se
realiza o cálculo da média móvel simples incluindo apenas os 3 últimos
períodos.

O modelo de previsão de demanda da média móvel simples é o mais elementar


dentre os modelos de previsão quantitativos e deve ser aplicado apenas para
demandas que não apresentem tendência ou sazonalidade, em outras
palavras, em situações em que a demanda observada no passado apresente
pouca variação em seu comportamento, não havendo crescimento ou
diminuição ao longo do tempo, tampouco flutuações periódicas. Este tipo de
demanda ocorre para produtos em sua fase de maturidade, do gênero de
alimentação básica, como arroz, feijão, macarrão, sal etc., ou produtos de
higiene básica como sabão, sabonetes, dentifrícios etc. Cabe lembrar que tais
exemplos não constituem regra. A demanda pode ser afetada por fatores
externos como promoções de vendas, ações da concorrência, panorama
econômico, além de outros, que não devem ser desconsiderados e precisam
ser incluídos na análise para a previsão.

O Quadro 41, apresenta, como exemplo, a demanda de dois produtos ao longo


dos últimos doze meses. Apesar da média das vendas dos últimos doze meses
dos dois produtos serem iguais, o produto “A” apresenta maior variação na
demanda que o produto “B”, como se pode perceber analisando-se o valor dos
desvios padrão e os respectivos gráficos da Figura 72 e da Figura 73.
MODELO DA MÉDIA MÓVEL PONDERADA

O modelo de previsão de demanda pela média móvel ponderada é uma


variação da média móvel simples, que também deve ser aplicado apenas para
demandas que não apresentem nem tendência nem sazonalidade. A diferença
entre este modelo e o da média móvel simples é que agora se considera um
peso maior para o último período de demanda, um peso ligeiramente menor
para o penúltimo período e assim por diante até o último período que se vá
utilizar para a estimativa. Em outras palavras, os valores da demanda dos
períodos mais próximos, são considerados mais importantes, na definição da
estimativa que os períodos mais distantes. Normalmente se utiliza a soma dos
pesos igual a um, para que não seja necessário dividir o resultado pela soma
dos pesos.

A fórmula 7.8 demonstra o cálculo da média móvel ponderada.

Quanto maiores os pesos atribuídos aos últimos períodos, maior será sua
influência na previsão da demanda. Considerando uma média móvel ponderada
para os últimos três períodos com pesos 0,6; 0,3 e 0,1, o cálculo da previsão
de demanda dos produtos A e B para o período 13 no exemplo do Quadro 41 é
o seguinte: