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SINTAXE

1. Aposto
2. Colocação Pronominal
3. Concordância Nominal
4. Crase
5. Período Composto
6. Pontuação
7. Regência Verbal
8. Sintaxe
9. Termos da Oração
10. Verbos
11. Vícios de Linguagem


APOSTO
É o termo que explica, desenvolve, identifica ou resume um outro termo da oração, independente da
função sintática que este exerça. Há quatro tipos de aposto:
APOSTO EXPLICATIVO
O aposto explicativo identifica ou explica o termo anterior; é separado do termo que identifica por vírgulas,
dois pontos, parênteses ou travessões.
Ex.
 Terra Vermelha, romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA EXPLICATIVA
É a oração que funciona como aposto explicativo. É sempre iniciada por um pronome relativo e, da
mesma maneira que o aposto explicativo, é separada por vírgulas, dois pontos, parênteses ou travessões.
Ex.
 Terra Vermelha, que é um romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA APOSITIVA
Oração Subordinada Substantiva Apositiva é outra oração que funciona como aposto. A função dela é
complementar o sentido de uma frase anterior que esteja completa sintaticamente. Por exemplo, quando
se diz Ela só quer uma coisa a frase está completa sintaticamente, pois tem sujeito-verbo-objeto,
porém incompleta quanto ao sentido. Portanto deveremos colocar algo que complete o sentido dessa
frase. Por exemplo Ela só quer uma coisa: que sua presença seja notada. Eis aí a Oração
Subordinada Substantiva Apositiva. Não confunda com a Oração Subordinada Adjetiva Explicativa, que
também funciona como aposto, mas que tem como função complementar o sentido de um substantivo
anterior, e não uma frase. Por exemplo: A vaca, que para os hindus é um animal sagrado, para nós é
sinônimo de churrasco. Eis aí a Oração Subordinada Adjetiva Explicativa.
Aposto Especificador
O aposto especificador Individualiza ou especifica um substantivo de sentido genérico, sem pausa.
Geralmente é um substantivo próprio que individualiza um substantivo comum.
Ex.
 O professor José mora na rua Santarém, na cidade de Londrina.
APOSTO ENUMERADOR
O aposto enumerador é uma seqüência de elementos usada para desenvolver uma idéia anterior.
Ex.
 O pai sempre lhe dava três conselhos: nunca empreste dinheiro a ninguém, nunca peça dinheiro
emprestado a ninguém e nunca fique devendo dinheiro a ninguém.
 O Escoteiro deve carregar consigo seu material: mochila, saco de dormir e barraca.
APOSTO RESUMIDOR
O aposto resumidor é usado para resumir termos anteriores. É representado, geralmente, por um
pronome indefinido.
Ex.
Alunos, professores, funcionários, ninguém deixou de lhe dar os parabéns.
VOCATIVO
O vocativo é um termo independente que serve para chamar por alguém, para interpelar ou para invocar
um ouvinte real ou imaginário.
Ex.
Teté, dê-me um beijo!

COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Dá-se o nome de colocação pronominal ao emprego adequado dos pronomes oblíquos átonos.
O emprego desses pronomes é sempre observado em relação ao verbo. Dessa forma, os pronomes
oblíquos átonos podem estar nas seguintes posições:
- Ênclise
- Próclise
- Mesóclise
Em geral, a posição mais adequada desses pronomes é a enclítica. Porém, as formas do particípio não
admitem ênclise, ou seja, não é possível termos um pronome oblíquo átono após um particípio. Use,
neste caso, a próclise.
Exemplo:
Ele tinha dado-me um presente. [Inadequado] Ele tinha me dado um presente. [Adequado]
Fonte: www.nilc.icmc.usp.br
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
É a parte da gramática que trata da correta colocação dos pronomes oblíquos átonos na frase. Embora na
linguagem falada a colocação dos pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas normas devem
ser observadas sobretudo na linguagem escrita.
Existe uma ordem de prioridade na colocação pronominal: 1º tente fazer próclise, depois mesóclise e e
em último caso ênclise.
Próclise
É a colocação pronominal antes do verbo. A próclise é usada:
1) Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
a) Palavra de sentido negativo: não, nunca, ninguém, jamais, etc. Ex.: Não se esqueça de mim.
b) Advérbios. Ex.: Agora se negam a depor.
c) Conjunções subordinativas Ex.: Soube que me negariam.
d) Pronomes relativos. Ex.: Identificaram duas pessoas que se encontravam desaparecidas.
e) Pronomes indefinidos Ex.: Poucos te deram a oportunidade.
f) Pronomes demonstrativos Ex.: Disso me acusaram, mas sem provas.
2) Orações iniciadas por palavras interrogativas. Ex.: Quem te fez a encomenda?
3) Orações iniciadas pr palavras exclamativas. Ex.: Quanto se ofendem por nada!
4) Orações que exprimem desejo (orações optativas). Ex.: Que Deus o ajude.
Mesóclise
É a colocação pronominal no meio do verbo.A mesóclise é usada:
1) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, contanto que esses verbos não
estejam precedidos de palavras que exijam a próclise. Ex.: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande
evento em prol da paz no mundo. Não fosse os meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.
Ênclise
É a colocação pronominal depois do verbo.A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não forem
possíveis: 1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo. Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos.
2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal. Ex.: Não era minha intenção machucar-te. 3) Quando o
verbo iniciar a oração. Ex.: Vou-me embora agora mesmo. 4) Quando houver pausa antes do verbo. Ex.:
Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo. 5) Quando o verbo estiver no gerúndio. Ex.: Recusou a
proposta fazendo-se de desentendida
O pronome poderá vir proclítico quando o infinitivo estiver precedido de preposição ou palavra atrativa.
Ex.: É preciso encontrar um meio de não o magoar./ É preciso encontrar um meio de não magoá-lo.
Colocação pronominal nas locuções verbais
1) Quando o verbo principal for constituído por um particípio
a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar. Ex.: Haviam-me convidado para a festa.
b) Se, antes do locução verbal, houver palavra atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do verbo auxiliar.
Ex.: Não me haviam convidado para a festa.
Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde
que não haja antes dele palavra atrativa. Ex.: Haver-me-iam convidado para a festa.
2) Quando o verbo principal for constituído por um infinitivo ou um gerúndio:
a) Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou depois do verbo
principal. Ex.: Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe esclarecer o ocorrido. Estavam chamando-me
pelo alto-falante./ Estavam-me chamando pelo alto-falante.
b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do verbo auxiliar ou depois do verbo
principal. Ex.: Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe posso esclarecer o ocorrido. Não estavam
chamando-me./ Não me estavam chamando.
Observações importantes
Emprego de o, a, os, as
1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral os pronomes o,a,os,as não se alteram. Ex.: Chame-o
agora. Deixei-a mais tranqüila.
2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las. Ex.:
(Encontrar)Encontrá-lo é o meu maior sonho. (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe, õe,), os pronomes o, a, os, as alteram-se
para no, na, nos, nas. Ex.: Chamem-no agora. Põe-na sobre a mesa.
4) As formas combinadas dos pronomes oblíquos mo, to, lho, no-lo, vo-lo, formas em desuso, podem
ocorrer em próclise, ênclise ou mesóclise. Ex.: Ele mo deu. (Ele me deu o livro)
Fonte: www.portugues.com.br
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
EMPREGO DE "EU e TU" / "TI e MIM".
Os pronomes "eu" e "tu" só podem figurar como sujeito de uma oração. Assim, não podem vir precedidos
de preposição funcionando como complemento. Para exercer esta função, deve-se empregar as formas
"mim" e "ti".
Exemplos:
Nunca houve brigas entre eu e ela. (errado) Nunca houve brigas entre mim e ela. (certo)
Todas as dívidas entre eu e tu foram sanadas. (errado) Todas as dívidas entre mim e ti foram sanadas.
(certo)
Sem você e eu, aquela obra não acaba. (errado) Sem você e mim, aquela obra não acaba. (certo)
A festa não será a mesma sem tu e elas. (errado) A festa não será a mesma sem ti e elas. (certo)
Perante eu e vós, aquelas criaturas são bem mais infelizes. (errado) Perante mim e vós, aquelas criaturas
são bem mais infelizes. (certo)
Levantaram calúnias contra os alunos e eu. (errado) Levantaram calúnias contra os alunos e mim. (certo)
Observação: Os pronomes "eu" e "tu", no entanto, podem aparecer como sujeito de um verbo no infinitivo,
embora precedidos de preposição.
Exemplos:
Não vais sem eu mandar. Dei o dinheiro para tu comprares o carro. Esta regra é para eu não esquecer.
COLOCAÇÃO DOS PRONOMES OBLÍQUOS ÁTONOS
REGRAS PRÁTICAS PARA A COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS:
Os pronomes átonos são geralmente empregados depois do verbo (ÊNCLISE), muitas vezes
antes(PRÓCLISE) e, mais raramente, no meio (MESÓCLISE).
ÊNCLISE
As formas verbais do infinitivo impessoal (precedido ou não da preposição "a"), do gerúndio e do
imperativo afirmativo pedem a ênclise pronominal.
Exemplos:
Urge obedecer-se às leis. Obrigou-me a dizer-lhe tudo. Bete pediu licença, afastando-se do grupo.
Aqueles livros raros? Compra-os imediatamente!
Observação: Se o gerúndio vier precedido da preposição "em", deve-se empregar a próclise.
Exemplo: "Nesta terra, em se plantando, tudo da."
Não se inicia um período pelo pronome átono nem a oração principal precedida de pausa, assim como as
orações coordenadas assindéticas, isto é, sem conjunções.
Exemplos:
Me contaram sua aventura em Salvador. (errado) Contaram-me sua aventura em Salvador. (certo)
Permanecendo aqui, se corre o risco de ser assaltado. (errado) Permanecendo aqui, corre-se o risco de
ser assaltado. (certo)
Segui-o pela rua, o chamei, lhe pedi que parasse. (errado) Segui-o pela rua, chamei-o, pedi-lhe que
parasse. (certo)
Observação: A ênclise não pode ser empregada com verbos no futuro e no particípio passado.
PRÓCLISE
Deve-se colocar o pronome átono antes do verbo, quando antes dele houver uma palavra pertencente a
um dos seguintes grupos:
A) palavras ou expressões negativas;
Exemplos:
Não me deixe sozinho esta noite! Nunca se recuse ajudar a quem precise. Nem nos conte porque você
fez isso. Nenhum deles me prestou a informação correta. Ninguém lhe deve nada. De modo algum (Em
hipótese alguma) nos esqueceremos disso.
B) pronomes relativos;
Exemplos:
O livro que me emprestaste é muito bom. Este é o senhor de quem lhe contei a vida. Esta é a casa da
qual vos falei. O ministro, cujo filho lhe causou tantos problemas, está aqui. Aquela rua, onde me
assaltaram, foi melhor iluminada. Pagarei hoje tudo quanto lhe devo.
C) pronomes indefinidos;
Exemplos:
Alguém me disse que você vai viajar. Quem lhe disse essas bobagens? Dos vários candidatos
entrevistados, alguns (diversos) nos pareceram bastante inteligentes. Entre os dez pares de sapato,
qualquer um me serve para ir a festa no sábado. Quem quer que me traga uma flor, conquistará meu
coração.
D) conjunções subordinativas;
Exemplos:
Deixarei você sair, quando me disser a verdade. Posso ajudar-te na obra, se me levares contigo. Faça
todo esse trabalho, como lhe ensinei. Entramos no palácio, porque nos deram permissão. Fiquem em
nossa casa, enquanto vos pareça agradável. Continuo a gostar de ti, embora me magoasse muito. Confiei
neles, logo que os conheci.
E) advérbios;
Exemplos:
Talvez nos seja fácil fazer esta tarefa. Ontem os vi no cinema. Aqui me agrada estar todos os dias. Agora
vos contarei um conto de fadas. Pouco a pouco te revelarei o mistério. De vez em quando me pego
falando sozinho. De súbito nos assustamos com os tiros.
Observação: O pronome átono pode ser colocado antes ou depois do infinitivo impessoal, se
antecedendo o infinitivo vier uma das palavras ou expressões mencionadas acima.
Exemplos:
"Tudo faço para não a perturbar naqueles dias difíceis"; ou "Tudo faço para não perturbá-la..."
MESÓCLISE
Emprega-se o pronome átono no meio da forma verbal, quando esta estiver no futuro simples do presente
ou no futuro simples do pretérito do indicativo.
Exemplos:
Chamar-te-ei, quando ele chegar. Se houver tempo, contar-vos-emos nossa aventura. Dar-te-ia essas
informações, se soubesse.
Observação: Se antes dessas formas verbais houver uma palavra ou expressão que provocam a próclise,
não se empregará, conseqüentemente, o pronome átono na posição mesoclítica.
Exemplos:
Nada lhe direi sobre este assunto. Livrar-te-ei dessas tarefas, porque te daria muito trabalho.
EMPREGO DO PRONOME ÁTONO EM LOCUÇÕES VERBAIS PERFEITAS
E EM TEMPOS COMPOSTOS
São locuções verbais perfeitas aquelas formadas de um verbo auxiliar modal (QUERER, DEVER, SABER,
PODER, ou TER DE, HAVER DE), seguido de um verbo principal no infinitivo impessoal. Neste caso, o
pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo, ou ainda depois do infinitivo.
Exemplos:
Nós lhe devemos dizer a verdade. Nós devemos lhe dizer a verdade. Nós devemos dizer-lhe a verdade.
Observação: No entanto, se no caso acima mencionado as locuções verbais vierem precedidas de
palavra ou expressão que exija a próclise, só duas posições serão possíveis para empregar-se o pronome
átono: antes do auxiliar ou depois do infinitivo.
Exemplos:
Não lhe devemos dizer a verdade. Não devemos dizer-lhe a verdade.
TEMPOS COMPOSTOS
Nos tempos compostos, formados de um verbo auxiliar (TER ou HAVER) mais um verbo principal no
particípio, o pronome átono se liga ao verbo auxiliar, nunca ao particípio.
Exemplos:
Tinha-me envolvido sem querer com aquela garota. Nós nos havíamos assustado com o trovão. O
advogado não lhe tinha dito a verdade.
Observação: Quando houver qualquer fator de próclise, esta será a única posição possível do pronome
átono na frase, ou seja, antes do verbo auxiliar.
EMPREGO DOS PRONOMES ESTE/ESSE/AQUELE
Os pronomes "este, esta, isto" devem ser empregados referindo-se ao âmbito da pessoa que fala (1ª
pessoa do singular e do plural - eu e nós), e quando se quer indicar o que se vai dizer logo em seguida
(referência ao "tempo presente). Relacionam-se com o advérbio "aqui" e com os pronomes possessivos
"meu, minha, nosso, nossa".
Exemplos:
Este meu carro só me dá problemas. Esta casa é nossa há dez anos. Isto aqui são as minhas
encomendas. Ainda me soam aos ouvidos estas palavras do Divino Mestre: "Amai ao próximo como a vós
mesmos." Espero que por estas linhas... (no começo de uma carta, por exemplo) Neste momento, está
chovendo no Rio de Janeiro. (= agora) Ele deve entregar a proposta nesta semana. (= na semana em que
estamos) Não haverá futebol neste domingo. (= hoje) O pagamento deverá ser feito neste mês. (= mês
em que estamos)
Empregam-se os pronomes "esse, essa, isso", com relação ao âmbito da pessoa com quem se fala (2ª do
singular e do plural - tu e vós; e também com "você, vocês); e quando se quer indicar o que se acabou
imediatamente de dizer (referência ao "tempo passado"). Relacionam-se com o advérbio "aí" e com os
pronomes possessivos "teu, tua, vosso, vossa, seu, sua (igual a "de você").
Exemplos:
Essa sua blusa não lhe fica bem. Quem jogou esse lixo aí na tua calçada? Isso aí que você está fazendo
tem futuro? Esses vossos planos não darão certo. Esses exemplos devem ser bem fixados. Despeço-me,
desejando que essas palavras... (no final de uma carta) Tudo ia bem com Rubinho até a 57ª volta; nesse
momento, acabou o combustível. Ele pouco se dedicava ao trabalho, por isso foi dispensado.
Os pronomes "aquele, aquela, aquilo" devem ser empregados com referência ao que está no âmbito da
pessoa ou da coisa de quem ou de que se fala (3ª pessoa do singular e do plural - ele, ela, eles, elas).
Relacionam-se com o advérbio "lá" e com os possessivos "seu, sua ( igual a "dele, dela").
Exemplos:
Aquele carro, lá no estacionamento, é do professor Paulo. Aquela garota bonita é da sua turma? Eu disse
ao diretor aquilo que me mandaste dizer.
Observação: Numa enumeração, empregamos os pronomes "este, esta, isto" para nos referir ao elemento
mais próximo, e "aquele, aquela, aquilo" para os anteriores.
Exemplo: Em 96, adquiri duas coisas muito importantes para mim: uma casa e um computador. Este no
início do ano e aquela no fim.
Guarde duas dicas ao se referir à situação dos pronomes "esse" e "este" em um texto:
- "esse" indica "passado", e ambas as palavras se escrevem com dois ss.
- "este" indica "futuro"; em ambos os termos temos a presença do t.
DICAS
COM A GENTE / CONOSCO / COM NÓS
A expressão "com a gente" é típica da linguagem coloquial brasileira. Só pode ser usada em textos
informais.
Exemplos:
A outra turma vai se reunir com a gente às 10h. A sua irmã vai com a gente ao clube hoje.
Em textos formais, que exijam uma linguagem mais cuidada, devemos usar a forma "conosco".
Exemplos:
Os pais dos alunos querem uma reunião conosco. Os diretores irão conosco ver o prefeito.
Devemos usar "com nós" antes de algumas palavras:
_ Antes de "todos, mesmos, dois" - "O presidente deixou
Fonte: intervox.nce.ufrj.br
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
A língua portuguesa culta, falada no Brasil, por certa teimosia, continua aderindo a normas de colocação
do pronome oblíquo átono junto a verbos, conforme os ditames de Portugal. Daí a grande disparidade
entre os processos do uso erudito e do uso cotidiano. Muitos escritores modernos e contemporâneos de
peso em nossas letras já aboliram a prática dessa norma; mas ela existe!
São pronomes oblíquos átonos aqueles que, postos depois de um verbo, ou intercalado nele, usam o
hífen. Chama-se próclise à anteposição do pronome oblíquo ao verbo. Não há hífen e segue algumas
regras. Exemplo: Nunca me procuraram para esclarecimentos. A ênclise consiste na posição do pronome
oblíquo átono após a forma verbal. É a posição normal, não atraída do pronome. A mesóclise ocorre com
a intercalação do oblíquo na forma verbal. Aparece entre hifens.
Mesóclise
Só ocorre com verbos flexionados no futuro do indicativo, quando iniciando período ou depois de sinal de
pontuação. Exemplos: Dar-me-ás boas notícias? Ainda hoje, entregar-me-ás os documentos.
Nota:
A própria expressão formal, em nossos dias, tem abandonado essa colocação que dá um ar esnobe,
antipático à expressão.
Próclise
Ocorre quando há palavras eufonicamente atrativas, a saber:
a) Sentido negativo sem pausa (advérbios, pronomes indefinidos): Nunca me deste apoio. Ninguém te
abandonou. b) Pronomes demonstrativos: Isto me causa angústia. c) Palavras que e quem: Espero que
me ouças. Não sei quem me procurou hoje. d) Verbo no gerúndio precedido de “em”: Em me procurando,
atenderei. e) Orações optativas com sujeito anteposto ao verbo: Bons ventos te tragam até aqui! f)
Orações exclamativas, iniciadas com palavras exclamativas: Quanto me aborreces! g) Orações
interrogativas, iniciadas por palavras interrogativas: Como te enganaste assim?
Colocação do pronome átono no tempo composto e na locução verbal
No tempo composto basta seguir as mesmas regras do tempo simples (dadas acima), lembrando que
nunca se prende o pronome oblíquo átono a um particípio. Assim, é incorreto dizer-se: Haviam falado-me.
O correto será: Haviam-me falado.
No caso das locuções verbais (verbo auxiliar + infinitivo ou gerúndio) vejam-se os exemplos:
a) verbo auxiliar + infinitivo: Posso dizer-lhe/ Posso-lhe dizer. Não posso dizer-lhe/Não lhe posso dizer. b)
verbo auxiliar + preposição + infinitivo: Estou a esperá-lo/Não estou a esperá-lo. c) Verbo auxiliar +
gerúndio: Estava observando-o/ Não o estava observando/Não estava observando-o .
Nota:
Apesar das normas de colocação dos pronomes oblíquos átonos, devem sempre prevalecer o bom senso
e os ditames do estilo.
Fonte: www.vestibular1.com.br
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Este é o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes)
em relação ao verbo. Eles podem ser colocados de três maneiras diferentes: antes do verbo (Próclise), no
meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (Ênclise).
Próclise
Próclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos antes do verbo. Usa-se a próclise,
obrigatoriamente, quando houver palavras atrativas. São elas:
Palavras de sentido negativo. Ela nem se incomodou com meus problemas.
Advérbios. Aqui se tem sossego, para trabalhar.
Pronomes Indefinidos. Alguém me telefonou?
Pronomes Interrogativos. Que me acontecerá agora?
Pronomes Relativos A pessoa que me telefonou não se identificou.
Pronomes Demonstrativos Neutros. Isso me comoveu deveras.
Conjunções Subordinativas. Escrevia os nomes, conforme me lembrava deles.
Obs.: Não ocorre próclise em início de frase. Ex.: O certo é Traga-me essa caneta que aí está. e não Me
traga essa caneta.
Outros usos da próclise
01) Em frases exclamativas e/ou optativas (que exprimem desejo): Ex. Quantas injúrias se cometeram
naquele caso! Deus te abençoe, meu amigo!
02) Em frases com preposição em + verbo no gerúndio: Ex. Em se tratando de gastronomia, a Itália é
ótima. Em se estudando Literatura, não se esqueça de Carlos Drummond de Andrade.
03) Em frases com preposição + infinitivo flexionado: Ex. Ao nos posicionarmos a favor dela, ganhamos
alguns inimigos. Ao se referirem a mim, fizeram-no com respeito.
04) Havendo duas palavras atrativas, tanto o pronome poderá ficar após as duas palavras, quanto entre
elas. Ex. Se me não ama mais, diga-me. Se não me ama mais, diga-me.
Obs: Se o verbo não estiver no início da frase, pode ocorrer próclise também, mesmo não havendo
palavra atrativa. Ex.: Ele se arrependeu do que fizera.
MESÓCLISE
Mesóclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos no meio do verbo. Usa-se a mesóclise, quando
houver verbo no Futuro do Presente ou no Futuro do Pretérito, sem que haja palavra atrativa alguma,
apesar de, mesmo sem palavra atrativa, a próclise ser aceitável. O pronome oblíquo átono será colocado
entre o infinitivo e as terminações ei, ás, á, emos, eis, ão, para o Futuro do Presente, e as terminações ia,
ias, ia, íamos, íeis, iam, para o Futuro do Pretérito. Por exemplo, o verbo queixar-se ficará conjugado da
seguinte maneira:
Futuro do Presente Futuro do Pretérito
queixar-me-ei queixar-me-ia
queixar-te-ás queixar-te-ias
queixar-se-á queixar-se-ia
queixar-nosnos-emos queixar-nos-íamos
queixar-vos-eis queixar-vos-íeis
queixar-se-ão queixar-se-iam
Para se conjugar qualquer outro verbo pronominal, basta-lhe trocar o infinitivo. Por exemplo, retira-se
queixar e coloca-se zangar, arrepender, suicidar, mantendo os mesmos pronomes e desinências: zangar-
me-ei, zangar-te-ás...
ÊNCLISE
Ênclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos depois do verbo. Usa-se a ênclise, principalmente
nos seguintes casos:
01) Quando o verbo iniciar a oração.
Ex. Trouxe-me as propostas já assinadas.
Arrependi-me do que fiz a ela.
02) Com o verbo no imperativo afirmativo.
Ex. Por favor, traga-me as propostas já assinadas.
Arrependa-se, pecador!!
Obs.: Se o verbo não estiver no início da frase e não estiver conjugado no Futuro do Presente ou no
Futuro do Pretérito, no Brasil, tanto poderemos usar Próclise, quanto Ênclise. Por exemplo: Eu me queixei
de você ou Eu queixei-me de você. Os alunos se esforçaram ou Os alunos esforçaram-se.

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Regra geral
O adjetivo e as palavras adjetivas (artigo, numeral e pronome) concordam em gênero e número com o
substantivo a que se refere.
Ex: Revistas novas. (Feminino - Feminino, Plural - Plural).
Um só adjetivo qualificando mais de um substantivo.
- Adjetivo posposto aos substantivos.
1º. CASO
Quando o adjetivo é posposto a vários substantivos do mesmo gênero, ele vai para o plural ou concorda
com o substantivo mais próximo.
Ex: Tamarindo e limão azedos (azedo).
2º. CASO

Se os substantivos forem de gêneros diferentes, o adjetivo pode ir para o plural masculino ou pode
concordar com o substantivo mais próximo.
Ex: Tamarindo e laranja azedos (azeda).
3º. CASO

Quando o adjetivo posposto funciona como predicativo, vai obrigatoriamente para o plural.
Ex.: O tamarindo e a laranja são azedos.
Adjetivo anteposto aos substantivos
1º. CASO

Quando o adjetivo vem anteposto aos substantivos, concorda com o mais próximo.
Ex.: Ele era dotado de extraordinária coragem e talento.
2º. CASO
Quando o adjetivo anteposto funciona como predicativo, pode concordar com o substantivo mais próximo
ou pode ir para o plural.
Ex: Estavam desertos a casa e o barraco. Estava deserta a casa e o barraco.
Um só substantivo e mais de um adjetivo
1º. CASO
Ex.: O produto conquistou o mercado europeu e o americano.
O substantivo fica no singular e repete-se o artigo.
2º. CASO
Ex.: O produto conquistou os mercados europeu e americano.
O substantivo vai para o plural e não se repete o artigo
Outros casos de concordância nominal
1º. CASO
Bastante:
- Função adjetiva: Variável - refere-se a substantivo.
Função adverbial: Invariável - refere-se a verbo, adjetivo e a advérbio.
Ex.: Ele tem bastantes amigos (substantivo).
Eles trabalham (verbo) bastante.
Elas são bastante simpáticas (adjetivo).
Obs.:
- Nessa regra, podemos incluir ainda as seguintes palavras: meio, muito, pouco, caro, barato, longe. Só
variam se acompanhar o substantivo.
2º. CASO
Palavras como: quite, obrigado, anexo, mesmo, próprio, leso e incluso são adjetivos. Devem, portanto,
concordar com o nome a que se referem.
Ex.: Nós estamos quites com o serviço militar. Ela mesma fez o café.
Obs.: A expressão "em anexo" é invariável.
Ex.: As cartas seguem em anexo.
3º. CASO

Se nas expressões: "é proibido", "é bom", "é preciso" e "é necessário", o sujeito não vier antecipado de
artigo, tanto o verbo de ligação quanto o predicativo ficam invariáveis. Ex.: É proibido entrada.
Se o sujeito dessas expressões vier determinado por artigo ou pronome, tanto o verbo de ligação quanto
o predicativo variam para concordar com o sujeito.
Ex.: É proibida a entrada.
4º. CASO

As palavras: alerta, menos e pseudo são invariáveis.
Ex.: Os vestibulandos estão alerta.
Nesta sala há menos carteiras.
ALGUMAS OBSERVAÇÕES
Nas expressões "o mais ... possível" e "os mais ... possíveis" , o adjetivo "possível"concorda com o artigo
que inicia a expressão.
Ex.: Carro o mais veloz possível.
Carros os mais velozes possíveis.
Carros o mais velozes possível.

a) Quando tem o significado de sozinho(s) ou sozinha(s) essa palavra vai para o plural.
Exemplo:
 Joana ficou só em casa. (sozinha)
 Lúcia e Lívia ficaram sós. (sozinhas)
b) Ela é invariável quando significa apenas/somente.
Exemplo:
 Depois da guerra só restaram cinzas. (apenas)
 Eles queriam ficar só na sala. (apenas)
Observação
A locução adverbial a sós é invariável.
Adriana Cristina Mercuri Pinto Graduada em Letras Especialização em Lingüística Aplicada
Concordância Nominal
1. Substantivo + Substantivo... + Adjetivo
Quando o adjetivo posposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o último ou vai
facultativamente:
 para o plural, no masculino, se pelo menos um deles for masculino;
 para o plural, no feminino, se todos eles estiverem no feminino.
Exemplos:
Ternura e amor humano. Amor e ternura humana. Ternura e amor humanos. Carne ou peixe cru. Peixe ou
carne crua. Carne ou peixe crus.
2. Adjetivo + Substantivo + Substantivo + ...
Quando o adjetivo anteposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o mais próximo.
Exemplos:
Mau lugar e hora. Má hora e lugar.
3. Substantivo + Adjetivo + Adjetivo + ...
Quando dois ou mais adjetivos se referem a um substantivo, este vai para o singular ou plural.
Exemplos:
Estudo as línguas inglesa e portuguesa. Estudo a língua inglesa e (a) portuguesa. Os poderes temporal e
espiritual. O poder temporal e (o) espiritual.
4. Ordinal + Ordinal + ... + Substantivo
Quando dois ou mais ordinais vêm antes de um substantivo, determinando-o, este concorda com o mais
próximo ou vai para o plural.
Exemplos:
A primeira e segunda lição. A primeira e segunda lições.
5. Substantivo + Ordinal + Ordinal + ...
Quando dois ou mais ordinais vêm depois de um substantivo, determinando-o, este vai para o plural.
Exemplo:
As cláusulas terceira, quarta e quinta.
6. Um e outro / Nem um nem outro + Substantivo
Quando as expressões "um e outro", "nem um nem outro" são seguidas de um substantivo, este
permanece no singular.
Exemplos:
Um e outro aspecto. Nem um nem outro argumento. De um e outro lado.
7. Um e outro + Substantivo + Adjetivo
Quando um substantivo e um adjetivo vêm depois da expressão "um e outro", o substantivo vai para o
singular e o adjetivo para o plural.
Exemplos:
Um e outro aspecto obscuros. Uma e outra causa juntas.
8. "O (a) mais ... possível" - "Os (as) mais ... possíveis" - "O (a) pior ...
possível" - "Os (as) piores ..." - "O (a) melhor ... possível" - "Os (as)
melhores ... possíveis"
O adjetivo "possível", nas expressões "o mais ...", "o pior ...", "o melhor ..." permanece no singular.
Com as expressões "os mais ...", "os piores ...", "os melhores ...", vai para o plural.
Exemplos:
Os dois autores defendem a melhor doutrina possível. Estas frutas são as mais saborosas possíveis. Eles
foram os mais insolentes possíveis. Comprei poucos livros, mas são os melhores possíveis.
9. Particípio + Substantivo
O particípio concorda com o substantivo a que se refere.
Exemplos:
Feitas as contas ... Vistas as condições ... Restabelecidas as amizades ... Postas as cartas na mesa ...
Salvas as crianças ...
Observação:
"Salvo", "posto" e "visto" assumem também papel de conectivos, sendo, por isso, invariáveis: Salvo
honrosas exceções. Posto ser tarde, irei. Visto ser longe, não irei.
10. Anexo / bastante / incluso / leso / mesmo / próprio + Substantivo
Essas palavras concordam com o substantivo a que se referem.
Exemplos:
Vão anexas as cópias. Recebi bastantes flores. Vão inclusos os documentos. Cometeu um crime de lesa-
pátria. Cometeu um crime de leso-patriotismo. Ele mesmo falou aquilo. Ela mesma falou aquilo. Elas
próprias falaram aquilo.
11. Meio (= metade) + Substantivo
O adjetivo "meio" concorda com o substantivo a que se refere.
Exemplos:
Meias medidas. Meio litro. Meia garrafa.
12. Meio (= um tanto) + Adjetivo
O advérbio "meio", que se refere a um adjetivo, permanece invariável.
Exemplos:
Ela parecia meio encabulada. Janela meio aberta.
Observações:
1. Na fala, observam-se exemplos do advérbio "meio" flexionado. Tal fato pode ser explicado pelo
fenômeno da "concordância atrativa", ou por influência do adjetivo a que se refere: "Ela está meia
cansada".
Dessa concordância existem exemplos entre os clássicos: "Uns caem meios mortos". (Camões)
2. Em "meio-dia e meia", "meia" concorda com a palavra "hora", oculta na expressão "meio-dia e meia
(hora)". Essa é a construção recomendada pela maioria dos manuais de cultura idiomática.
A construção "meio-dia e meio" também ocorre na fala; a forma "meio" permanece no masculino, por
atração ou influência da forma masculina "meio-dia".
3. A palavra "meio" funciona como elemento de justaposição em "meias-luas", "meios-termos", "meios-
tons", "meia-idade", etc.
13. Verbo transobjetivo + predicativo do objeto + objeto + objeto ... Verbo
transobjetivo + objeto + objeto ... + predicativo do objeto
Verbo transobjetivo é o verbo que pede, além de um complemento-objeto, uma qualificação para esse
complemento (= predicativo do objeto).
Nesse caso, o predicativo concorda com o(s) objetos.
Verbo transobjetivo + predicativo do objeto + objeto + objeto ...
Julgou Considerei
Achei
inocentes oportunas
simpáticos
o pai e o filho a decisão e a sugestão a
irmã e o irmão

Verbo transobjetivo + objeto + objeto ... + predicativo
Julgou Considerei
Achei
o pai e o filho a decisão e a sugestão
a irmã e o irmão
inocentes oportunas
simpáticos

14. Casa, página (+ número) + numeral
Na enumeração de casas e páginas, o numeral concorda com a palavra oculta "número".
Exemplos: Casa dois. Página dois.
15. Substantivo + é bom / é preciso / é proibido
Em construções desse tipo, quando o substantivo não está determindado, as expressões "é bom", "é
preciso", "é proibido" permanecem no singular.
Exemplos:
Maçã é bom para a saúde. É preciso cautela. É proibido entrada.
Observação:
Quando há determinação do sujeito, a concordância efetua-se normalmente: É proibida a entrada de
meninas.
16. Pronome de tratamento (referindo-se a uma pessoa de sexo masculino) + verbo de ligação + adjetivo
masculino
Quando um adjetivo modifica um pronome de tratamento que se refere a pessoa do sexo masculino, vai
para o masculino.
Exemplos:
Sua Santidade está esperançoso. Referindo-se ao Governador, disse que Sua Excelência era generoso.
17. Nós / Vós + verbo + adjetivo
Quando um adjetivo modifica os pronomes "nós / vós", empregados no lugar de "eu / tu", vai para
singular.
Exemplos:
Vós (= tu) estais enganado. Nós (= eu) fomos acolhido muito bem. Sejamos (nós = eu) breve.
Fonte: www.pucrs.br
Concordância Nominal
Regra geral: o artigo, o numeral, o adjetivo e o pronome adjetivo concordam com o substantivo a que se
referem em gênero e número. Ex.: Dois pequenos goles de vinho e um calçado certo deixam
qualquer mulher irresistivelmente alta. Concordâncias especiais: Ocorrem quando algumas palavras
variam sua classe gramatical, ora se comportando como um adjetivo (variável) ora como um advérbio
(invariável).
Mais de um vocábulo determinado
1-Pode ser feita a concordância gramatical ou a atrativa. Ex.: Comprei um sapato e um vestido pretos.
(gramatical, o adjetivo concorda com os dois substantivos) Comprei um sapato e um vestido preto.
(atrativa, apesar do adjetivo se referir aos dois substantivos ele concordará apenas com o núcleo mais
próximo) Um só vocábulo determinado 1-Um substantivo acompanhado (determinado) por mais de um
adjetivo: os adjetivos concordam com o substantivo Ex.: Seus lábios eram doces e macios.
2-Bastante- bastantes Quando adjetivo, será variável e quando advérbio, será invariável Ex.:
Há bastantes motivos para sua ausência. (bastantes será adjetivo de motivos) Os alunos falam bastante.
( bastante será advérbio de intensidade referindo-se ao verbo)
3-Anexo, incluso, obrigado, mesmo, próprio São adjetivos que devem concordar com o substantivo a
que se referem. Ex.: A fotografiavai anexa ao curriculum. Os documentos irão anexos ao relatório.
Dicas
Quando precedido da preposição em, fica invariável. Ex.: A fotografia vai em anexo.
Envio-lhes, inclusas, as certidões./ Incluso segue o documento. A professora disse: muito obrigada./
O professor disse: muitoobrigado. Ele mesmo fará o trabalho./ Ela mesma fará o trabalho.
Dicas
Mesmo pode ser advérbio quando significa realmente, de fato. Será portanto invariável. Ex.: Maria
viajará mesmo para os EUA. Elepróprio fará o pedido ao diretor./ Ela própria fará o pedido ao diretor.
4-Muito, pouco, caro, barato, longe, meio, sério, alto São palavras que variam seu comportamento
funcionando ora como advérbios (sendo assim invariáveis) ora como adjetivos (variáveis).
Ex.: Os homens eram altos./ Os homens falavam alto. Poucas pessoas acreditavam nele./
Eu ganho pouco pelo meu trabalho. Os sapatos custam caro./ Os sapatos estão caros.
A água é barata./ A água custa barato. Viajaram por longes terras./ Eles vivem longe. Eles
são homens sérios./ Eles falavam sério. Muitos homens morreram na guerra./ João fala muito. Ele não
usa meias palavras./ Estou meio gorda. 5 - É bom, é necessário, é proibido Só variam se o sujeito vier
precedido de artigo ou outro determinante. Ex.: É proibido entrada de estranhos./ É proibida entrada de
estranhos. É necessário chegar cedo./ É necessária sua chegada. 6 -Menos, alerta, pseudo São sempre
invariáveis. Ex.: Havia menos professores na reunião./Havia menos professoras na reunião. O aluno
ficoualerta./ Os alunos ficaram alerta. Era um pseudomédico./ Era uma pseudomédica. 7 -Só,
sós Quando adjetivos, serão variáveis, quando advérbios serão invariáveis. Ex.: A criança ficou só./
As crianças ficaram sós. (adjetivo) Depois da briga, só restaram copos e garrafas quebrados. (advérbio)
Dicas
A locução adverbial a sós é invariável. Ex.: Preciso falar a sós com ele.
8-Concordância dos particípios Os particípios concordarão com o substantivo a que se referem. Ex.:
Os livros foram comprados a prazo./ As mercadorias foram compradas a prazo.
Dicas
Se o particípio pertencer a um tempo composto será invariável. Ex.: O juiz tinha iniciado o jogo de vôlei./
A juíza tinha iniciado o jogo de vôlei.
Fonte: www.portugues.com.br
Concordância Nominal
Regra geral
Os termos que dependem do nome (substantivo) com ele concordam em gênero e número.
Os nossos médicos descobriram a cura da doença.
Passamos bons momentos juntos.
Casos especiais
a) Adjetivo: adjunto adnominal em relação a dois ou mais substantivos:
 de mesmo gênero: adjetivo no singular ou plural.
A vontade e a inteligência humana(s).
As conquistas e as descobertas portuguesas.
b) de gênero diferentes: adjetivo concorda com o mais próximo ou fica no masculino plural.
O carro e a bicicleta envenenada(os).
O trabalho e as realizações conseguidas(os).
Observação:
Adjetivo anteposto concorda com o mais próximo.
Observaram-se boa disciplina, estudo e trabalho.
c) Um substantivo com dois ou mais adjetivos: três possibilidades.
 Estudamos a civilização grega e romana.
 Estudamos a civilização grega e a romana.
 Estudamos as civilizações grega e romana.
d) Mesmo, próprio, só, anexo, incluso, junto, bastante, nenhum, leso, meio e particípios verbais:
concordam em gênero e número com o termo a que se referem.
Enviamos anexas as informações solicitadas.
Compraram duas meias entradas para o espetáculo.
Enfrentamos bastantes problemas difíceis.
Mulheres nenhumas o agradavam.
Observação:
Meio e bastante, como advérbios, ficam invariáveis.
Ela estava meio embriagada pelo sucesso.
Suas idéias eram bastante interessantes.
e) Um e outro - nem um nem outro + substantivo no singular -- adjetivo no plural.
Houve um e outro homem escolhidos para o cargo.
Nem um nem outro crime praticados foram apurados.
f) O(S) - A(S) mais
menos
melhor(es).....possível(eis)
pior(es)
maior(es)
menor(es)
Conheci mulheres o mais encantadoras possível.
Havia mestres os mais inteligentes possíveis.
g) Adjetivo = predicativo do sujeito
 sujeito composto posposto: adjetivo concorda com o mais próximo ou fica no masculino plural.
Estava morto o amor e a compreensão humana.
Estavam mortos o amor e a compreensão humanos.
 sujeito não-determinado: adjetivo fica invariável.
É proibido entrada de estranhos.
Cerveja é bom para os rins.
 sujeito determinado: adjetivo concorda em gênero e número.
É proibida a entrada de estranhos.
Esta cerveja é boa para os rins.
h) Adjetivo = predicativo do objeto:
 objeto simples: adjetivo concorda em gênero e número.
Encontrei tristonha a mulher abandonada.
 objeto composto: adjetivo fica no plural.
 gêneros diferentes: prevalece o masculino.
Encontrei tristonhos a mulher e o jovem abandonados.
i) Dois ou mais numerais - substantivo no singular ou plural.
A primeira, a segunda e a última aula(s).
Fonte: www.coladaweb.com
Concordância nominal
Na concordância nominal, os determinantes do substantivo (adjetivos, numerais, pronomes adjetivos e
artigos) alteram sua terminação (gên. e nº) para se adequarem a ele, ou a pronome substantivo ou
numeral substantivo, a que se referem na frase.
O problema da concordância nominal ocorre quando o adjetivo se relaciona a mais de um substantivo, e
surgem palavras ou expressões que deixam em dúvida.
Observe estas frases:
1. Aquele beijo foi dado num inoportuno lugar e hora.
2. Aquele beijo foi dado num lugar e hora inoportuna.
3. Aquele beijo foi dado num lugar e hora inoportunos. (aqui fica mais claro que o adj. refere-se aos dois
subst.)
 regra geral - a partir desses exemplos, pode-se formular o princípio de que o adjetivo anteposto concorda
com o substantivo mais próximo. Mas, se o adjetivo estiver depois do substantivo, além da possibilidade
de concordar com o mais próximo, ele pode concordar com os dois termos, ficando no plural, indo para o
masculino se um dos substantivos for masculino.
Observação
 um adjetivo anteposto em referência a nomes de pessoas deve estar sempre no plural (As simpáticas
Joana e Marta agradaram a todos)
 quando o adj. tiver função de predicativo, concorda com todos os núcleos a que se relaciona. (São
calamitosos a pobreza e o desamparo / Julguei insensatas sua atitude e suas palavras)
 quando um substantivo determinado por artigo é modificado por dois ou mais adjetivos, podem ser
usadas as seguintes construções:
Exs.: estudo a cultura brasileira e a portuguesa / estudo as culturas brasileira e portuguesa / os dedos
indocador e médio estavam feridos / o dedo indicador e o médio estavam feridos
Observação
 a construção: Estudo a cultura brasileira e portuguesa, embora provoque incerteza, é aceita por alguns
gramáticos.
 no caso de numerais ordinais que se referem a um único subst. composto, podem ser usadas as
seguintes construções: Falei com os moradores do primeiro e segundo andar / (...) do primeiro e segundo
andares.
 adjetivos regidos pela preposção de, que se referem a pron. indefinidos, ficam normalmente no masculino
singular, podendo surgir concordância atrativa
Exs.: sua vida não tem nada de sedutor / os edifícios da cidade nada têm de elegantes
 anexo, incluso, obrigado, mesmo, próprio - são adjetivos ou pronomes adjetivos, devendo concordar com
o substantivo a que se referem
Exs.: O livro segue anexo / A fotografia vai inclusa / As duplicatas seguem anexas / Elas mesmas
resolveram a questão
Observação
 mesmo = até, inclusive é invariável (mesmo eles ficaram chateados) / expressão "em anexo" é invariável.
 meio, bastante, menos - meio e bastante, quando se referem a um substantivo, devem concordar com
esse substantivo. Quando funcionarem como advérbios, permanecerão invariáveis. "Menos" é sempre
invariável.
Exs.: Tomou meia garrafa de vinho / Ela estava meio aborrecida / Bastantes alunos foram à reunião / Eles
falaram bastante / Eram alunas bastante simpáticas / Havia menos pessoas vindo de casa
 muito, pouco, longe, caro, barato - podem ser palavras adjetivas ou advérbios, mantendo concordância se
fizerem referência a substantivos
Exs.: Compraram livros caros / Os livros custaram caro / Poucas pessoas tinham muitos livros / Leram
pouco as moças muito vivas / Andavam por longes terras / Eles moram longe da cidade / Eram
mercadorias baratas / Pagaram barato aqueles livros
 é bom, é proibido, é necessário - expressões formadas do verbo ser + adjetivo Não variam se o sujeito
não vier determinado, caso contrário a concordância será obrigatória.
Exs.: Água é bom / A água é boa / Bebida é proibido para menores / As bebidas são priobidas para
menores / Chuva é necessário / Aquela chuva foi necessária
 só = sozinho (adjetivo - var.) / só = somente, apenas (não flexiona)
Exs.: Só elas não vieram / Vieram só os rapazes.
Observação
forma a expressão "a sós" (sozinhos)
 locução adverbial "a olhos vistos" (= visivelmente) - invariável (ela crescia a olhos vistos)
 conforme = conformado (adj. - var.) / conforme = como (não flexiona)
Exs.: Eles ficaram conformes com a decisão / Dançam conforme a música
o (a) mais possível (invar.) / as, os mais possíveis (é uma moça a mais bela possível / são moças as mais
belas possíveis)
 particípios - concordam como adjetivos.
Exs.: A refém foi resgatada do bote / Os materiais foram comprados a prazo / As juízas tinham iniciado a
apuração
 haja vista - não se flexiona, exceto por concordância atrativa antes de substantivo no plural sem
preposição
Exs.: Haja vista (hajam vistas) os comentários feitos / Haja vista dos recados do chefe
 pseudo, salvo (=exceto) e alerta não se flexionam
Exs.: Eles eram uns pseudo-sábios / Salvo nós dois, todos fugiram / Eles ficaram alerta.
 adjetivos adverbializados são invariáveis (vamos falar sério / ele e a esposa raro vão ao cinema)
 silepse com expressões de tratamento - usa-se adjetivo masculino em concordância ideológica com um
homem ao qual se relaciona a forma de tratamento que é feminina
Exs.: Vossa Majestade, o rei, mostrou-se generoso / Vossa Excelência é injusto

CRASE
A crase e os pronomes relativos
A crase não deve ser empregada junto aos pronomes relativos QUE, QUEM e CUJO(A).
Nas orações em que aparece um termo regido pela preposição "a" acompanhado dos pronomes relativos
acima apontados, não se verifica a contração da preposição e o artigo, portanto o acento grave indicativo
da crase não é admitido.
Exemplos
Havia qualquer problema com a tomada à que ligaram o aparelho. [Inadequado]
Havia qualquer problema com a tomada a que ligaram o aparelho. [Adequado]
[termo regente: ligar a]
[termo regido: (a) tomada]
Era geniosa a funcionária à quem se reportava. [Inadequado]
Era geniosa a funcionária a quem se reportava. [Adequado]
[termo regente: reportar-se a]
[termo regido: (a) funcionária]
A mulher, à cuja filiação se unira, esgotava-se em lágrimas. [Inadequado]
A mulher, a cuja filiação se unira, esgotava-se em lágrimas. [Adequado]
...[termo regente: unir-se a]
...[termo regido: (a) filiação]
A crase e os nomes no plural
A crase não deve ser empregada junto a nomes apresentados na forma plural.
Nas orações em que aparecem um termo regido pela preposição "a" acompanhado de nomes no plural,
não se verifica a contração da preposição e o artigo, portanto o acento grave indicativo da crase não é
admitido.
Exemplos
Sempre que lembrava, dava contribuições à piadas grosseiras. [Inadequado]
Sempre que lembrava, dava contribuições a piadas grosseiras. [Adequado]
.[termo regente: dar (contribuições) a]
.[termo regido: piadas]
Quem ganhasse concorria à revistas em quadrinhos. [Inadequado]
Quem ganhasse concorria a revistas em quadrinhos. [Adequado]
[termo regente: concorrer a]
.[termo regido: revistas]
Observe que esses nomes no plural não são determinados, porque a idéia indicada é de uma expressão
genérica. Ao contrário, se os nomes no plural regidos pela preposição "a" são determinados (ou seja:
especificados), o acento grave indicativo da crase deve ser empregado.
Exemplos
A freqüência dos alunos as aulas é facultativa. [Inadequado]
A freqüência dos alunos às aulas é facultativa. [Adequado]
[termo regente: freqüência a]
[termo regido: as aulas]
A crase e palavras repetidas
A crase não deve ser empregada entre palavras repetidas.
Nas orações em que aparecem palavras repetidas ligadas pelo "a", não se verifica a contração da
preposição e o artigo, portanto o acento grave indicativo da crase não é admitido. Isso se dá porque esse
"a" presente entre as palavras repetidas é uma preposição somente, e não uma fusão de preposição e
artigo (crase).
Exemplos
O manual explica passo à passo os procedimentos com a ferramenta. [Inadequado]
O manual explica passo a passo os procedimentos com a ferramenta. [Adequado]
Finalmente encontrávamos frente à frente na votação. [Inadequado]
Finalmente encontrávamos frente a frente na votação. [Adequado]
São exemplos de expressões ligadas pela preposição "a":
passo a passo...
frente a frente...
gota a gota...
ponto a ponto...
de mais a mais...
A crase e as locuções conjuncionais
A crase deve ser empregada junto a algumas locuções conjuncionais.
Nas orações em que aparecem um termo regido pela preposição "a" acompanhado de locuções
conjuncionais, o acento grave indicativo da crase é obrigatório. Isso, porém, só se dá se a palavra
seguinte à locução for feminina e puder vir acompanhada por determinantes (artigo, por exemplo).
Na Língua Portuguesa somente duas locuções conjuncionais se enquadram nesse emprego da crase.
São elas: à medida que e à proporção que.
Exemplos
A dose do remédio diminuirá a medida que o problema seja reduzido . [Inadequado]
A dose do remédio diminuirá à medida que o problema seja reduzido. [Adequado]
O medo aumentava a proporção que a noite caía. [Inadequado]
O medo aumentava à proporção que a noite caía. [Adequado]
Observe que as palavras femininas que podem ser determinadas participam da locução conjuncional; ou
seja, são as palavras "(a) medida" e "(a) proporção".
A crase e as preposições
A crase não deve ser emprega da junto a algumas preposições.
Dois casos, no entanto, devem ser observados quanto ao emprego da crase. Trata-se das preposições
"a" e "até" empregadas antes de palavra feminina. Essas únicas exceções se devem ao fato de ambas
indicarem, além de outras, a noção de movimento. Por isso, com relação à preposição "a" torna-se
obrigatório o emprego da crase, já que haverá a fusão entre a preposição "a" e o artigo "a" (ou a simples
possibilidade de emprego desse artigo). Já a preposição "até" admitirá a crase somente se a idéia
expressa apontar para movimento.
Exemplos
A entrada será permitida mediante à entrega da passagem. [Inadequado]
A entrada será permitida mediante a entrega da passagem. [Adequado]
Desde à assembléia os operários clamavam por greve. [Inadequado]
Desde a assembléia os operários clamavam por greve. [Adequado]
Os médicos eram chamados a sala de cirurgia. [Inadequado]
Os médicos eram chamados à sala de cirurgia. [Adequado]
...[termo regente: chamar a / "a" = preposição indicativa de movimento]
...[termo regido: (a) sala / "a" = artigo]
...[sala: palavra feminina]
Os escravos eram levados vagarosamente até a senzala.
Os escravos eram levados vagarosamente até à senzala.
...[termo regente: levar a / "a" = preposição indicativa de movimento]
...[termo regido: (a) senzala / "a" = artigo]
...[senzala: palavra feminina]
Observe que não foi apontado no exemplo (4) o uso inadequado e adequado das ocorrências de crase.
Isso se dá porque atualmente no Brasil o emprego da crase diante da preposição "até" é facultativo.
A crase e os artigos
A crase não deve ser empregada junto a artigos, exceto junto ao artigo "a".
Os artigos (o, a, um, uma e suas flexões) são palavras que determinam um nome; por isso serem
chamados de determinantes. Eles podem ser apresentados na forma de contração, sendo a crase uma
dessas formas. Isto é, a crase é a contração, numa única palavra, entre o artigo definido feminino "a" e a
preposição "a".
Antecedendo um artigo indefinido (um, uma, uns, umas) a crase não é admitida, uma vez que a palavra
seguinte à preposição, mesmo que feminina, já está acompanhada de um determinante.
Exemplos
A homenagem está sendo entregue a a pesquisadora neste momento. [Inadequado]
A homenagem está sendo entregue à pesquisadora neste momento. [Adequado]
Você pode se dirigir à uma sala ao teu lado esquerdo. [Inadequado]
Você pode se dirigir a uma sala ao teu lado esquerdo. [Adequado]
Quando o termo "uma" é associada à palavra hora, ele funciona como um numeral e, nesse caso, deve-se
empregar a crase.
Exemplos
Os ingressos esgotaram-se a uma hora do espetáculo. [Inadequado]
Os ingresso esgotaram-se à uma hora do espetáculo. [Adequado]
A crase e os verbos
A crase não deve ser empregada junto a verbos.
O fenômeno da crase existe quando há uma fusão (ou contração) entre a preposição "a" e o artigo
definido feminino "a". Logo, se a palavra seguinte à preposição "a" for um verbo, o acento grave indicativo
da crase não é admitido.
Os verbos são palavras que não admitem determinantes (artigo, por exemplo). Como a condição básica
da existência da crase é a referência (mesmo que implícita) do artigo definido feminino, diante de verbos
a crase se torna absurda.
Exemplos
Aquilo dava à entender que realmente havia conflitos em família. [Inadequado]
Aquilo dava a entender que realmente havia conflitos em família. [Adequado]
O prefeito se propôs à estudar melhor o assunto. [Inadequado]
O prefeito se propôs a estudar melhor o assunto. [Adequado]
A crase e os pronomes de tratamento
A crase não deve ser empregada junto a pronomes de tratamento, exceto em alguns casos, como
"senhora(s)".
Nas orações em que aparece um termo regido pela preposição "a" acompanhado de pronomes de
tratamento, o acento grave indicativo da crase não é admitido.
Exemplos
Eu só empresto meu livro à você se for realmente necessário. [Inadequado]
Eu só empresto meu livro a você se for realmente necessário. [Adequado]
...[termo regente: emprestar (o livro) a]
...[termo regido: você]
Essas homenagens são afetuosamente dedicadas à Vossa Excelência. [Inadequado]
Essas homenagens são afetuosamente dedicadas a Vossa Excelência. [Adequado]
...[termo regente: dedicar a]
...[termo regido: Vossa Excelência]
Os pronomes de tratamento em geral não admitem determinantes (artigo, por exemplo). Dessa forma,
não é apresentada na oração a contração entre artigo e preposição, mas tão somente a preposição.
Porém, alguns pronomes de tratamento, admitindo o determinante, exigem o acento grave indicativo da
crase quando o termo regente pede a preposição "a". São esses pronomes: senhora(s), senhorita(s),
dona(s), madame(s)
Exemplos
A correspondência é endereçada a madame. [Inadequado]
A correspondência é endereçada à madame. [Adequado]
...[termo regente: endereçar a]
...[termo regido: (a) madame]
Alguém explicou a senhora o funcionamento do programa? [Inadequado]
Alguém explicou à senhora o funcionamento do programa? [Adequado]
...[termo regente: explicar (o funcionamento...) a]
...[termo regido: (a) senhora]
A crase e os pronomes indefinidos
A crase não deve ser empregada junto a alguns pronomes indefinidos.
Os pronomes indefinidos são aqueles que apresentam, de um modo vago, os seres em terceira pessoa.
(ex.: alguém falou; qualquer lugar; certas questões...). Tais quais os artigos, os pronomes indefinidos
funcionam como determinantes, ou seja, apresentam, mesmo que indeterminadamente, um nome. Desta
forma, eles não admitem um artigo antecedendo a palavra a qual acompanham (ex.: a alguém falou; um
alguém falou).
Nas orações em que aparece o termo regido pela preposição "a" introduzindo um termo determinado por
pronome indefinido, o acento grave indicativo da crase é dispensado.
Exemplos
Preocupado com as crianças, dirigia-se agora à toda escola que conhecia. [Inadequado]
Preocupado com as crianças, dirigia-se agora a toda escola que conhecia. [Adequado]
...[termo regente: dirigir-se a]
...[toda: pronome indefinido]
Sempre perguntava à outra enfermeira sobre qual o leito que lhe pertencia... [Inadequado]
Sempre perguntava a outra enfermeira sobre qual o leito que lhe pertencia. [Adequado]
...[termo regente: perguntar a]
...[outra: pronome indefinido]
A crase e a conjunção "caso"
O fenômeno da crase existe quando há uma fusão (ou contração) entre a preposição "a" e o artigo
definido feminino "a".
A crase não deve ser aplicada ao "a" que segue qualquer conjunção. Apesar disso, freqüentemente se
observa o emprego da crase depois da conjunção caso. Provavelmente, isso se dá por analogia a outros
termos da língua, como as expressões "devido à"..., "relativo à" que admitem a crase.
Exemplos
Muitos ingressos irão faltar, caso à estréia seja adiada. [Inadequado]
Muitos ingressos irão faltar, caso a estréia seja adiada. [Adequado]
Caso às promessas sejam falsas, outras revoltas acontecerão. [Inadequado]
Caso as promessas sejam falsas, outras revoltas acontecerão. [Adequado]
É interessante notar, porém, que em casos de inversão dos termos de uma oração que contenha a
conjunção caso, pode-se verificar o "a" craseado após a conjunção. Mesmo nesse caso, não se trata de a
conjunção caso reger a preposição "a", mas sim de inversão dos termos, em que um objeto indireto, por
exemplo, é antecipado na oração.
Exemplo
Caso as ordens eu não me refira, lembrem-me, por favor. [Inadequado]
Caso às ordens eu não me refira, lembrem-me, por favor. [Adequado]
...[ordem linear: "Caso eu não me refira às ordens"]
...[às ordens: objeto indireto de "referir-se"]
A conjunção caso pode ser substituída pela conjunção "se", pois ambas têm valor condicional. Por essa
operação de substituição é possível ter clara a função da palavra caso e, conseqüentemente, confirmar o
emprego inadequado da crase junto a essa palavra.
A crase e as palavras no plural
A crase no singular não deve ser empregada junto a palavras no plural.
O fenômeno da crase existe quando há uma fusão (ou contração) entre a preposição "a" e o artigo
definido feminino "a". Logo, se a palavra seguinte à preposição "a" for feminina, mas plural, o acento
grave indicativo da crase é dispensado.
Outra opção de corretude da construção com a crase é apresentar a contração entre a preposição "a" e o
artigo definido feminino plural "as" diante de palavras femininas no plural, resultando na forma "às".
Exemplos
As mudanças propostas são pertinentes às caderneta de poupança. [Inadequado]
As mudanças propostas são pertinentes a caderneta de poupança. [Adequado]
Na verdade, as histórias de bruxas pertenciam a fantasias infantis. [Inadequado]
Na verdade, as histórias de bruxas pertenciam às fantasias infantis. [Adequado]
Fonte: www.nilc.icmc.usp.br
crase
Um outro assunto que preocupa são as falhas no uso da crase. Mais uma vez recorremos a O Estado de
S. Paulo, que tem ótimo capítulo sobre o assunto.
Vamos a ele:
A crase indica a fusão da preposição a com artigo a: João voltou à (a preposição + a artigo) cidade natal. /
Os documentos foram apresentados às (a prep. + as art.) autoridades. Dessa forma, não existe crase
antes de palavra masculina: Vou a pé. / Andou a cavalo.
Existe uma única exceção, explicada mais adiante.
Regras práticas
Primeira
Substitua a palavra antes da qual aparece o a ou as por um termo masculino. Se o a ou as se transformar
em ao ou aos, existe crase; do contrário, não. Nos exemplos já citados: João voltou ao país natal. / Os
documentos foram apresentados aos juizes. Outros exemplos: Atentas às modificações, as moças...
(Atentos aos processos, os moços...) / Junto à parede (junto ao muro). No caso de nome geográfico ou de
lugar, substitua o a ou as por para. Se o certo for para a, use a crase: Foi à França (foi para a França). /
Irão à Colômbia (irão para a Colômbia). / Voltou a Curitiba (voltou para Curitiba), sem crase). Pode-se
igualmente usar a forma voltar de: se o de se transformar em da, há crase, inexistente se o de não se
alterar: Retornou à Argentina (voltou da Argentina). Foi a Roma (voltou de Roma).
Segunda
A combinação de outras preposições com a (para a, na, da, pela e com a, principalmente) indica se o a ou
as deve levar crase. Não é necessário que a frase alternativa tenha o mesmo sentido da original nem que
a regência seja correta. Exemplos: Emprestou o livro à amiga (para a amiga). / Chegou à Espanha (da
Espanha). / As visitas virão às 6 horas (pelas 6 horas). / Estava às portas da morte (nas portas). / À saída
(na saída). / À falta de (na falta de, com a falta de). Usa-se a crase ainda:
1 - Nas formas àquela, àquele, àquelas, àqueles, àquilo, àqueloutro (e derivados): Cheguei àquele (a +
aquele) lugar. / Vou àquelas cidades. / Referiu-se àqueles livros. / Não deu importância àquilo.
2 - Nas indicações de horas, desde que determinadas: Chegou às 8 horas, às 10 horas, à 1 hora. Zero e
meia incluem-se na regra: O aumento entra em vigor à zero hora. / Veio à meia-noite em ponto. A
indeterminação afasta a crase: Irá a uma hora qualquer.
3 - Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas como às pressas, às vezes, à risca, à noite, à
direita, à esquerda, à frente, à maneira de, à moda de, à procura de, à mercê de, à custa de, à medida
que, à proporção que, à força de, à espera de: Saiu às pressas. / Vive à custa do pai. / Estava à espera
do irmão. / Sua tristeza aumentava à medida que os amigos partiam. / Serviu o filé à moda da casa.
4 - Nas locuções que indicam meio ou instrumento e em outras nas quais a tradição lingüística o exija,
como à bala, à faca, à máquina, à chave, à vista, à venda, à toa, à tinta, à mão, à navalha, à espada, à
baioneta calada, à queima-roupa, à fome (matar à fome): Morto à bala, à faca, à navalha. / Escrito à tinta,
à mão, à máquina. / Pagamento à vista. / Produto à venda. / Andava à toa. Observação: Neste caso não
se pode usar a regra prática de substituir a por ao.
5 - Antes dos relativos que, qual e quais, quando o a ou as puderem ser substituídos por ao ou aos: Eis a
moça à qual você se referiu (equivalente: eis o rapaz ao qual você se referiu). / Fez alusão às pesquisas
às quais nos dedicamos (fez alusão aos trabalhos aos quais...). / É uma situação semelhante à que
enfrentamos ontem (é um problema semelhante ao que...).
Não se usa a crase antes de:
1 - Palavra masculina: andar a pé, pagamento a prazo, caminhadas a esmo, cheirar a suor, viajar a
cavalo, vestir-se a caráter. Exceção. Existe a crase quando se pode subentender uma palavra feminina,
especialmente moda e maneira, ou qualquer outra que determine um nome de empresa ou coisa: Salto à
Luís XV (à moda de Luís XV). / Estilo à Machado de Assis (à maneira de). / Referiu-se à Apollo (à nave
Apollo). / Dirigiu-se à (fragata) Gustavo Barroso. / Vou à (editora) Melhoramentos. / Fez alusão à (revista)
Projeto.
2 - Nome de cidade: Chegou a Brasília. / Irão a Roma este ano. Exceção. Há crase quando se atribui
uma qualidade à cidade: Iremos à Roma dos Césares. / Referiu-se à bela Lisboa, à Brasília das
mordomias, à Londres do século 19.
3 - Verbo: Passou a ver. / Começou a fazer. / Pôs-se a falar.
4 - Substantivos repetidos: Cara a cara, frente a frente, gota a gota, de ponta a ponta.
5 - Ela, esta e essa: Pediram a ela que saísse. / Cheguei a esta conclusão. / Dedicou o livro a essa
moça.
6 - Outros pronomes que não admitem artigo, como ninguém, alguém, toda, cada, tudo, você, alguma,
qual, etc.
7 - Formas de tratamento: Escreverei a Vossa Excelência. / Recomendamos a Vossa Senhoria... /
Pediram a Vossa Majestade...
8 - Uma: Foi a uma festa. Exceções. Na locução à uma (ao mesmo tempo) e no caso em que uma
designa hora (Sairá à uma hora).
9 - Palavra feminina tomada em sentido genérico: Não damos ouvidos a reclamações. / Em respeito a
morte em família, faltou ao serviço. Repare: Em respeito a falecimento, e não ao falecimento. / Não me
refiro a mulheres, mas a meninas.
Alguns casos são fáceis de identificar: se couber o indefinido uma antes da palavra feminina, não
existirá crase. Assim: A pena pode ir de (uma) advertência a (uma) multa. / Igreja reage a (uma) ofensa de
candidato em Guarulhos. / As reportagens não estão necessariamente ligadas a (uma) agenda. / Fraude
leva a (uma) sonegação recorde. / Empresa atribui goteira a (uma) falha no sistema de refrigeração. /
Partido se rende a (uma) política de alianças.
Havendo determinação, porém, a crase é indispensável: Morte de bebês leva à punição (ao castigo) de
médico. / Superintendente admite ter cedido à pressão (ao desejo) dos superiores.
10 - Substantivos no plural que fazem parte de locuções de modo: Pegaram-se a dentadas. /
Agrediram-se a bofetadas. / Progrediram a duras penas.
11 - Nomes de mulheres célebres: Ele a comparou a Ana Néri. / Preferia Ingrid Bergman a Greta Garbo.
12 - Dona e madame: Deu o dinheiro a dona Maria . / Já se acostumou a madame Angélica. Exceção: Há
crase se o dona ou o madame estiverem particularizados: Referia-se à Dona Flor dos dois maridos.
13 - Numerais considerados de forma indeterminada: O número de mortos chegou a dez. / Nasceu a 8
de janeiro. / Fez uma visita a cinco empresas.
14 - Distância, desde que não determinada: A polícia ficou a distância. / O navio estava a distância.
Quando se define a distância, existe crase: O navio estava à distância de 500 metros do cais. / A polícia
ficou à distância de seis metros dos manifestantes.
15 - Terra, quando a palavra significa terra firme: O navio estava chegando a terra. / O marinheiro foi a
terra. (Não há artigo com outras preposições: Viajou por terra. / Esteve em terra.) Nos demais significados
da palavra, usa-se a crase: Voltou à terra natal. / Os astronautas regressaram à Terra.
16 - Casa, considerada como o lugar onde se mora: Voltou a casa. / Chegou cedo a casa. (Veio de
casa, voltou para casa, sem artigo.) Se a palavra estiver determinada, existe crase: Voltou à casa dos
pais. / Iremos à Casa da Moeda. / Fez uma visita à Casa Branca.
Uso facultativo
1 - Antes do possessivo: Levou a encomenda a sua (ou à sua) tia. / Não fez menção a nossa empresa
(ou à nossa empresa). Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a este tipo de oração.
2 - Antes de nomes de mulheres: Declarou-se a Joana (ou à Joana). Em geral, se a pessoa for íntima
de quem fala, usa-se a crase; caso contrário, não.
3 - Com até: Foi até a porta (ou até à). / Até a volta (ou até à). No Estado, porém, escreva até a, sem
crase.
DISTÂNCIA
Desde que não se determine qual é, não tem crase: "A polícia ficou a distância", "O navio estava a
distância". Quando se define a distância, entra a crase: "O navio estava à distância de 500 metros do
cais."
TERRA
Quando a palavra significa terra firme não há crase: "O navio estava chegando a terra firme", "O
marinheiro foi a terra". Nos demais casos, usa-se à crase: "Ele estava chegando à terra natal".
CASA
Quando é considerada como lugar onde se mora, não tem crase: "Voltou a casa", "Chegou cedo a casa".
Nos demais casos, há crase: "Ele voltou à casa dos pais", "Kennedy fez uma visita à Casa
Que é Crase
Observe o que acontece quando pronunciamos as palavras "casa amarela": o "a" final de "casa" e o "a"
inicial de "amarela" contraem-se, e as duas palavras soam como uma só / casaamarela/.
Essa contração denomina-se de "crase".
O mesmo acontece com:
 este estudo: /estestudo/ ou /estistudo/
 guri impossível: /gurimpossível/
 todo ondulado: /todondulado/ ou /todundulado/
Crase é, pois, a contração de duas vogais idênticas
Observe agora as frases
1. Dirijo-me a a sala.
2. Dirijo-me a aquela sala.
3. Aquela é a sala a a qual me dirijo.
4. Esta sala é idêntica a a do prédio 7.
 em 1., 2. e 3., o verbo "dirigir" requer a preposição "a": quem se dirige se dirige a algum lugar;
 em 1., a palavra "sala" aceita o artigo "a": A sala é ampla;
 em 2., a palavra "aquela" inicia com "a";
 em 3., o pronome relativo é "a qual", "as quais", sempre acompanhado pela partícula "a".
 em 4., o adjetivo "idêntico" requer a preposição "a": uma coisa é idêntica a outra. O segundo "a" é o
pronome demonstrativo "a", equivalente a "aquela".
Nesses casos, também ocorre a contração de duas vogais: a + a. A contração é sinalizada pelo acento
grave (`).
Por isso as frases devem ser reescritas assim:
1. Dirijo-me à sala.
2. Dirijo-me àquela sala.
3. Aquela é a sala à qual me dirijo.
4. Esta sala é idêntica à do prédio 7.
Os casos de crase assinalada na escrita com acento grave são, pois, os seguintes:
 preposição "a" + artigo feminino "a(s)": "à(s)";
 preposição "a" + "a" do pronome demonstrativo
"àquele(s), "àquela(s)" e "àquilo";
"aquele(s)", "aquela(s)" e "aquilo":
 Preposição "a" + o "a(s)" de "a qual", "as quais": "à qual", "às quais";
 preposição "a" + "a(s)" (= pronome demonstrativo = "aquela(s)"): "às".
Vamos analisar cada uma dessas quatro situações.
Crase: contração da preposição "a" + artigo feminino "a(s)".
Correta utilização do acento indicativo de crase é uma questão de análise do enunciado. Trata-se de
averiguar se ocorre a preposição "a" e o artigo feminino "a(s)", antes, evidentemente, de uma palavra
feminina.
2.1 A ocorrência da preposição "a"
Todo falante da língua reconhece, normalmente, a ocorrência (ou não) da preposição "a" nos enunciados,
exigida por certos substantivos, adjetivos, advérbios e verbos.
2.1.1 A preposição "a" exigida por substantivos e adjetivos
Substantivos e
Adjetivos
Pergunta que o falante pode
fazer
Exemplo
Atento Quem é atento é atento a ... Atento à aula.
Contrário
Quem é contrário é
contrário a ...
Contrário à guerra.
Devoção
Quem tem devoção tem
devoção a ...
Devoção à santa.
Anterior Algo é anterior a ...
Anterior à invenção da
escrita.
Desfavorável
Quem é desfavorável é
desfavorável a ...
Desfavorável à doação.
Grato Quem é grato é grato a ... Grato à comunidade.
Indêntico
Quem é idêntico é idêntico a
...
Idêntico à irmã.
Nocivo Algo é nocivo a ... Nocivo à saúde.
Próximo Algo é próximo a ... Próximo à sala.
Horror
Quem tem horror tem
horror a ...
Horror à guerra do
Iraque.
Indiferente
Quem é indiferente é
indiferente a ...
Indiferente à guerra do
Iraque.
Obediente
Quem é obediente é
obediente a ...
Obediente à lei.
Necessário Algo é necessário a ... Necessário à escola.
Posterior Algo é posterior a ...
Posterior à invenção da
escrita.
2.1.2 A preposição "a" exigida por verbos
Verbos
Pergunta que o falante
pode se fazer
Exemplo
Aspirar (=desejar; regência
tradicional)
Quem aspira aspira a ... Aspirar à meta.
Assistir (=presenciar;
regência tradicional)
Quem assiste assiste a ... Assistir à cena.
Perdoar
Quem perdoa perdoa
alguma coisa a alguém ...
Perdoar a falta à
criança.
Obedecer (regência
tradicional)
Quem obedece obedece a
...
Obedecer à lei.
Visar (= ter em mente;
regência tradicional)
Quem visa visa a ... Visar à meta.
Além de analisar a ocorrência ou não da preposição "a", deve-se observar se a palavra é feminina e se
admite o artigo "a".
2.2 Ocorrência do artigo feminino "a(s)"
Todo falante tem competência para saber se a palavra feminina aceita ou não o artigo "a(s)". Faça seu
teste, colocando ou não o artigo antes das palavras:
1. ____ Maria Santíssima
2. ____ Atenas
3. ____ Curitiba
4. ____ Roma
5. ____ Copacabana
6. ____ Bahia
7. ____ Roma Imperial
8. ____ Atenas de Péricles
9. ____ Vossa Senhoria
10. ____ Vossa Excelência
11. ____ Ela
Você constata facilmente que apenas os itens 6., 7. e 8. admitem artigo: basta elaborar uma frase com os
referidos itens:
6. A Bahia é um estado próspero.
7. A Roma Imperial foi ...
8. A Atenas de Péricles foi ...
2.3 Conclusão
Como dissemos há pouco, o correto emprego do acento indicativo de crase depende da análise do
enunciado: trata-se de observar
1. se ocorre a preposição "a";
2. se a palavra é feminina;
3. se a palavra feminina aceita o artigo "a(s)".
Dada, por exemplo, a frase:
"Vou a Brasíla."
Trata-se de analisar se
 ocorre a preposição. Para tanto, faça o seguinte raciocínio: quem vai vai a algum lugar, assim você
observa a presença da preposição "a";
 a palavra é feminina;
 a palavra admite artigo "a'. Faça uma outra frase e comprove: "Brasília é muito linda" e não "A Brasília é
muito linda". Assim você conclui que a palavra feminina não admite artigo.
Conclusão
Não ocorrem dois "ás" no enunciado, mas apenas um, que é a preposição "a". Portanto,sem acento
indicativo de crase.
A não-ocorrência de um dos "ás" pode ser sinalizada mediante a seguinte visualização:
Vou a Ø Brasília
Em que o símbolo Ø indica a inexistência do artigo "a".
Siga o mesmo raciocínio para os exemplos a seguir:
Verbo
Ocorre
preposição?
Ocorre
artigo?
Palavra
feminina
Resultado
Irei a a Bahia Irei à Bahia.
Irei a Ø Belém
Irei a
Belém.
Vou Brasília
Vou Fortaleza
Dirijo-
me
Santa Catarina
Dirijo-
me
Florianópolis
Vou São Paulo
Vou Santos
Fui Itu
Vou Maceó
Vou China
Irei Alemanha
Irei Portugal
Irei Roma
Você deve ter concluído que ocorre a crase antes de "Bahia", "China" e "Alemanha"
Se você analisar o enunciado e raciocinar, a maioria das regras torna-se dispensável; ou você mesmo
pode formulá-los.
Observe o conjunto de exemplos abaixo:
 Cláudia ficou a ver navios: Cláudia ficoi a Ø ver navios.
 Continuamos a respirar ar impuro: Continuamos a Ø respirar ar impuro.
 Estamos dispostos a resolver seu problema: Estamos dispostos a Ø resolver seu problema.
Como você pode constatar, não há acento indicativo de crase, porque ocorre apenas um "a", que é a
preposição, uma vez que os verbos não admitem artigo, fato assinalado pelo símbolo Ø.
Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de verbos, pois não admitem artigo
 Refiro-me a ti: Refiro-me a Ø ti.
 Dirigi-me a ela: Dirigi-me a Ø ela.
 Apresento-o a você: Apresento-o a Ø você.
 Venha a nós o Vosso Reino: Venha a Ø nós o Vosso Reino.
 Respondo a Vossa Senhoria: Respondo a Ø Vossa Senhoria.
 Não me referi a esta carta: Não me referi a Ø esta carta.
 Direi a qualquer pessoa: Direi a Ø qualquer pessoa.
 Refiro-me a uma pessoa educada: Refiro-me a Ø uma pessoa educada.
Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de pronomes pessoais, demontrativos, indefinidos, e
expressões de tratamento, pois não admitem artigo. O "a", nos exemplos acima, é meramente preposição,
exigida pelos verbos, conforme sinalização. <>
 Não assisto a cenas de guerra: Não assisto a Ø cenas de guerra.
 Entregou-se a férteis cogitações: Entregou-se a Ø férteis cogitações.
 Não prestaram atenção a verdades preciosas: Não prestaram atenção a Ø verdades preciosas.
Regra: Não ocorre acento indicativo de crase quando o "a" estiver no singular e a palavra feminina
seguinte estiver no plural: o "a" é apenas preposição, exigida pelas palavras que vêm antes, conforme
sinalização.
Diferente seria a situação seguinte:
 Não assito às cenas de guerra: Não assisto a + as cenas de guerra.
 Entregou-se às férteis cogitações: Entregou-se a + as férteis cogitações.
 Não prestaram atenção às verdades preciosas: Não prestaram atenção a + as verdades preciosas.
Em que temos a preposição "a" + o artigo "as", conforme indicação:
 Andar a cavalo: Andar a Ø cavalo.
 Vir a pé: Vir a Ø pé.
 Vender a prazo: Vender a Ø prazo.
Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de palavras masculinas, pois não admitem artigo "a".
O "a" dos exemplos é meramente uma preposição.
Observe
 Cláudia é estudiosa.
A Cláudia é estudiosa.
 Débora é aplicada.
A Débora é aplicada.
 Júlia é assídua.
A Júlia é assídua.
Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo antes de nomes próprios femininos.
Então, podemos escrever as frases abaixo da seguinte forma:
 Refiro-me à Cláudia.
 Respondo à Débora.
 Dirijo-me à Júlia.
ou
 Refiro-me a Cláudia.
 Respondo a Débora.
 Dirijo-me a Júlia.
que têm os seguintes desdobramentos:
Para o primeiro conjunto:
 Refiro-me a a Cláudia.
 Respondo a a Débora.
 Dirijo-me a a Júlia.
Para o primeiro conjunto:
 Refiro-me a Ø Cláudia.
 Respondo a Ø Débora.
 Dirijo-me a Ø Júlia.
Regra: É facultativo o emprego do acento indicativo de crase antes de nomes próprios femininos, porque
é facultativo o uso do artigo.
Observe:
 Minha tia é generosa.
A minha tia é generosa.
 Nossa prima é rica.
A nossa prima é rica.
 Tua mãe é bondosa
A tua mãe é bondosa.
Como podemos constatar, é facultativo o uso de artigo antes de pronomes possessivos no singular.
Por isso podemos escrever assim:
 Apresentei-o a minha tia.
Apresentei-o à minha tia.
 Dirigi a palavra à nossa prima.
Dirigi a palavra a nossa prima.
 Refiro-me à tua mãe.
Refiro-me a tua mãe.
Regra: É facultativo o emprego do acento indicativo de crase antes de pronomes possessivos no feminino
singular, porque é facultativo o uso do artigo.
Voltamos a insistir na importância de se analisar o enunciado, observando
 se ocorre a preposição "a";
 se a palavra é feminina;
 se a palavra feminina aceita o artigo "a(s)".
Assim, dada a frase:
 Levei uma rosa a professora.
Observe que
 ocorre a preposição: quem leva leva algo a alguém
 "professora" é palavra feminina
 "professora" aceita o artigo "a"; basta fazer outra frase para observar: Aprofessora é delicada
Portanto, a frase acima deve ter acento:
 Levei uma rosa à professora.
Faça agora seu teste: analise os enunciados, raciocine e coloque acento indicativo de
crase se for o caso:
1. Fez um pedido a mãe.
2. Emprestou um livro a colega.
3. Entregou o trabalho a professoara.
4. Enviou uma reclamação a companhia.
5. Dedicou-se a literatura infantil.
6. Estava disposto a colaborar.
7. Refiro-me a uma pessoa educada.
8. Refiro-me a esta carta.
9. Refiro-me a certa pessoa.
10. Nada revelou a elas.
11. Mostrou-se submisso a decisões equivocadas.
12. Mostrou-se submisso as decisões equivocadas.
13. Nunca ia a festas, nem a reuniões.
14. Nas próximas férias ireia a Lisboa.
15. Todos deverão comparecer a reunião.
3. Crase: contração da preposição "a" + o primeiro "a" de "aquele(s)", "aqulela(s)" e
"aquilo".
Dada uma frase com esses pronomes, trata-se de analisar se também ocorre a preposição "a"
Observe:
Refiro-me aquilo
 Quem se refere se refere "a": portanto, ocorre a preposição "a", que vai se contrair com o "a" de "aquilo".
Logo, marcam os a contração com acento indicativo de crase:
Refiro-me àquilo
Dada outra frase:
Resolvi aquele problema
Observa-se que o verbo "resolver" não exige preposição: quem resolve resolve algo. Logo, não há
acento na frase:
Resolvi aquele problema
Faça um teste: analise os enunciados, raciocine e colque acento indicativo de crase
quando necessário.
1. Quero agradecer aquela moça a atenção dispensada.
2. Fale aquela professora.
3. Refiro-me aquele senhor.
4. Telegrafei aquela senhora.
5. Refiro-me aquilo.
6. Não dei importância aquilo.
7. Foi ele quem escreveu aquela carta.
8. Dedicava aquela família grande afeição.
9. A rua é paralela aquela que leva a praia.
Crase: contração da preposição "a" + o "a(s)" de "a qual", "as quais".
Na frase
A cena à qual aludiste foi desagradável
Ocorre acento indicativo de crase, pois:
 ocorre a preposição "a", exigida, nesse tipo de estrutura, por uma palavra que vem depois, no caso
aludiste: quem alude alude "a";
 o pronome é "a qual", com a partícula "a" integrando o pronome.
Veja melhor:
A cena a* a** qual aludiste foi desagradável.
* Preposição exigida por "aludiste".
** Pronome relativo com a partícula "a" integrando o pronome.
Portanto, contraem-se os dois "ás", contração sinalizada pelo acento grave:
A cena à qual aludiste foi desagradável.
Observe mais os seguintes exemplos:
 São normas a as quais todos devem obedecer.
São normas às quais todos devem obedecer.
 Esta foi a conclusão a a qual chegamos.
Esta foi a conclusão à qual chegamos.
 Esta é a carreira a a qual aspiro.
Esta é a carreira à qual aspiro.
 As sessões a as quais assisti estavam lotadas.
As sessões às quais assisti estavam lotadas.
Observação:
Só o pronome relativo "a qual" tem a partícula "a" integrando-o. Os pronomes "que" e "quem" não se
fazem acompanhar por essa partícula.
Atente, pois, para a grafia nas frases:
 Esta é a peça à qual assisti.
Esta é a peça a que assisti.
 Esta é a empresa à qual me dedico.
Esta é a empresa a que me dedico.
 Esta é a conclusão à qual cheguei.
Esta é a conclusão a que cheguei.
 Esta é a cena à qual aludi.
Esta é a cena a que aludi.
 Esta é a ordem à qual obedeço.
Esta é a ordem a que obedeço.
 Esta é a mulher à qual me referi.
Esta é a mulher a quem me referi.
Esta é a mulher a que me referi.
5. Crase: contração da preposição "a" + o pronome demontrativo "a(s)", que equivale a
"aquela(s)"
Na frase a seguir:
Minha sorte é ligada à do meu país.
o "a" deve ser sinalizado com acento grave, porque é resultante da contração da preposição "a" (uma
coisa é ligada "a" outra) + o pronome demonstrativo "a", equivalente a "aquela". Veja a demonstração:
Minha sorte é ligada à do meu país.
equivale à frase
Minha sorte é ligada a (preposição) aquela (pronome demonstrativo) do meu país.
que corresponde à frase
Minha sorte é ligada a (preposição) a (pronome demonstrativo "a") do meu país.
em que deve ocorrer a contração dos dois "ás", sinalizada pelo acento grave.
Siga o modelo e compare.
Modelo:
 As frase são semelhantes a as de antes.
 As frases são semelhantes a aquelas de antes.
 As frases são semelhantes às de antes.
1. A rua é tranversal a a que vai dar no colégio.
2. Suas lutas se comparam a as de Bolívar.
3. Suas respostas são superiores a as dele.
Saiba Mais
1. De ... a
De ... à
Quando se fizer referência a dois elementos (substantivos ou numerais) ligados por "de ... a", não
ocorrerá acento grave antes do segundo elemento:
De segunda a sábado .....
De hoje a domingo ....
De 1 a 5 ......
De 1ª a 4ª série .....
No entanto, quando se define o primeiro elemento mediante o emprego de "do" / "da", o segundo inicia
com "à" (ou "ao"). É uma questão de paralelismo.
Exemplos:
As turmas da 1ª à quarta série foram convidadas.
Estivemos fora do ar da meia-noite às duas da manhã.
A sala ficará aberta desta terça à sexta-feira.
2. Substantivo feminino de uso indeterminado.
Não se emprega acento indicativo de crase diante de substantivo feminino usado em sentido geral,
indeterminado, porque, nesse caso, não ocorre o artigo definido "a(s)".
Exemplos:
Ele tem aversão a mulher (...a mulher em geral)
Crédito sujeito a aprovação.
Paciente submetido a intervenção cirúrgica.
Presidente responde a denúncia hoje.
Denúncia pode levar o presidente a condenação.
As frases podem ser reescritas assim:
Ele tem aversão a (uma) mulher (qualquer).
Crédito sujeito a (uma) aprovação (qualquer).
Paciente submetido a (uma) intervenção cirúrgica (qualquer).
Presidente responde a (uma) denúncia (qualquer) hoje.
Denúncia pode levar o presidente a (uma) condenação (qualquer).
Se, no entanto, a expressão vier determinada, ocorrerá acento indicativo de crase.
Observe:
Ele tem aversão a mulher.
(Ele tem aversão a (uma) mulher (qualquer).
Ele tem aversão à mulher de João.
(É uma mulher determinada, definida).
Tráfico em frente a escola.
(Tráfico em frente a (uma) escola (qualquer).
Tráfico em frente à escola Clementina.
(É uma escola determinada, definida).
3. A palavra "terra"
3.1 "Terra", significando planeta, é substantivo próprio e admite artigo. Conseqüentemente, quando
houver também a preposição, ocorrerá o fenômeno da crase:
Os astronautas voltaram à Terra.
3.2 Diante de "terra", significando "chão firme", "solo", sem especificação, não ocorre acento grave:
Os marinheiros voltaram a terra.
3.3 Diante de "terra", significando "chão firme", "solo", com especificação, ocorre acento;
Irei à terra de meus pais.
4.Expressões adverbiais
4.1 Masculinas
Não se emprega acento grave com expressões adverbiais masculinas.
Exemplos:
Matou a sangue-frio.
Navio a vapor.
Ando a pé.
Ando a cavalo.
Carro a gás.
Escrever a lápis.
Vendas a prazo.
4.2 Femininas
É de tradição acentuar-se a "a" nas locuções femininas.
Exemplos:
Bater à máquina.
Escrever à mão.
Trancar à chave.
Colocar à venda.
Venda à vista.
Cortar à espada.
Justifica-se o acento indicativo da crase por motivo de clareza. Compare:
Cortei a espada (A espada foi cortada).
Cortei à espada (Cortei com a espada).
Pagou a prestação (A prestação foi paga).
Pagou à prestação (Pagou em prestação).
5. A palavra "distância"
Se a palavra "distância" estiver determinada, especificada, o "a" deve ser acentuado.
Observe:
A cidade fica à distância de 70 km daqui (determinada).
A cidade fica a grande distância daqui (não-determinada).
A rigor, não se usa acento grave nestas locuções adverbiais:
Estudar a distância.
Ensino a distância.
Escrever a distância.
Curar a distância.
Fotografar a distância.
Por motivo de clareza, no entanto, pode-se usar acento. Por isso;
Estudar à distância.
Ensino à distância.
Fonte: www.pucrs.br
crase
Abreviaturas: Como abreviar palavras?
A crase. S.f. 1. Gram. Contração ou fusão de duas vogais em uma só: à (aa); ler (leer); dor (door). 2.
Restr. A contração de dois aa. V. contração (4). 3. Designação vulgar do acento indicativo de certos casos
de crase: Em vou à praia, o a deve ter crase. (...) Novo dicionário básico da língua portuguesa -
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira
De forma genérica, podemos dizer que a crase se caracteriza pela junção da preposição (a) com o artigo
(a) ou um pronome demonstrativo (a, aquele, aquela). Simples, não? Talvez nem tanto... Esta página se
propõe a mostrar como as aulas no ginásio acabam sendo soterradas pelos vícios que adquirimos no dia-
a-dia. Uma delas é chamar o acento grave de crase, sendo que a crase é a contração e o acento grave é
o sinal que evidencia a existência da crase (notem que até o Aurélio erra...). Mas um erro que está se
tornando epidemia é o uso de acento grave em situações que não o justificam.
Abaixo são listadas algumas frases encontradas no cotidiano em que usou-se o acento grave.
Você saberia dizer quantas frases estão corretas?
 Entregamos à domicílio.
 Vendas à prazo com planos especiais.
 15 sabores à escolher.
 Prestações à perder de vista.
 Trajes à rigor.
 Preços à vista com 10% de desconto.
 Atendemos de segunda à sexta.
 Ótima localização, à 10 minutos do metrô.
 Lindos bordados feitos à mão.
 Diariamente até às 18:00.
 Conjuntos infantis à partir de R$ 15,00.
Fácil? Então, quantas das frases acima estão corretas?
Entregamos à domicílio
É fácil ver que Domicílio, enquanto substantivo masculino, não pode ter um artigo feminino a, e portanto
não leva acento grave. Quero aqui ressaltar um outro erro: o verbo entregar significa levar alguma coisa a
alguém em algum lugar. Nesse contexto, domicílio não é o objeto indireto (a alguém) e sim o adjunto
adverbial de lugar. Portando não entregamos a Domicílio, e sim no domicílio.
Vendas à prazo
É fácil ver que prazo, enquanto substantivo masculino, não pode ter um artigo feminino a, e portanto não
leva acento grave. Para formação de crase com um substantivo masculino, só com o uso do pronome
aquele, mas no caso de artigo, como pede o artigo o, ficaria vendas ao prazo.
à escolher
Escolher é um verbo e como tal não pede artigo, a não ser que esteja na sua forma substantivada. Mas
nesse caso, um verbo substantivado sempre vai para o masculino, e portanto pediria artigo o. O escolher
é uma árdua tarefa.
à perder de vista
Perder é um verbo e como tal não pede artigo, a não ser que esteja na sua forma substantivada. Mas
nesse caso, um verbo substantivado sempre vai para o masculino, e portanto pediria artigo o.
Trajes à rigor.
Rigor é um substantivo masculino e, portanto, não pode ter uma artigo feminino.
à vista
Este é de longe o erro mais comum e mais cometido no uso do acento grave. Soa bastante natural o
acento em vendas à vista. Porém é simples perceber que seu uso é incorreto. Basta fazer a substituição
da palavra vista por um substantivo masculino, que no caso o mais prático é a palavra prazo, por ter um
uso bastante similar. Como não dizemos vendas ao prazo, também não diremos vendas à vista, certo?
Há porém que se notar um caso em que utiliza-se o acento grave: quando vista é usado no sentido de
ver, enxergar, como em terra à vista.
de segunda à sexta.
Podemos nesse caso notar que segunda está sem artigo (de -> da) e portando Sexta também deve estar
sem artigo por uma questão de coerência. Podemos também fazer o teste substituindo por um
substantivo masculino: ... de segunda a sábado.. Como não falamos ao sábado, não colocamos crase em
a sexta. Fácil, não?
à 10 minutos
Numerais, em geral, não levam artigos definidos. Podemos, ao invés disso, apor um artigo indefinido: a
uns 10 minutos, que nos provará que 10 minutos é masculino. Por outro lado, o acento grave poderia
estar ligado a um substantivo feminino oculto (distância, por exemplo). Porém minuto não é medida de
distância, e sim de tempo, portanto não faz sentido falar-se em à distância de 10 minutos.
à mão
Temos aqui um substantivo feminino e, portanto, vamos tentar substituí-lo por um masculino. Podemos
traçar uma equivalência de feito a mão com ir a pé. Como não falamos ir ao pé, não diremos feito à mão.
até às 18:00
Aqui já temos uma preposição (até), cuja função é limitar a continuidade da ação. Portanto não cabe aqui
o uso de mais uma preposição (a) e com isso não haverá formação da crase.
à partir de
Partir é um verbo e como tal não pede artigo, a não ser que esteja na sua forma substantivada. Mas
nesse caso, um verbo substantivado sempre vai para o masculino, e portanto pediria artigo o.
Grave - acento
1) "Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu à ela, uma por uma, cada coisa de sua
cesta." Onde está o erro?
Resposta: o erro está em "à ela" com acento grave. Antes de pronome, a letra "a" é apenas preposição,
nela não há artigo. Apenas substantivos admitem artigo. Se o pronome estivesse no masculino "a ele",
não aconteceria "ao ele", portanto em "a ela" não há dois ás.
2) A previsão é de arrecadação igual ou superior a deste ano." (Frase de jornal.)
Resposta: faltou acento grave em "a deste ano", pois o substantivo feminino "arrecadação" foi omitido: (A
previsão é de arrecadação igual ou superior à arrecadação deste ano.) Substituamos "arrecadação" por
"lucro": A previsão é de lucro igual ou superior ao (lucro) deste ano. Se ocorrer "ao" em palavra
masculino, o acento grave é obrigatório no feminino "à".
MAIS UMA SOBRE CRASE
As regras sobre a crase são várias e devemos aprendê-las aos poucos. Uma delas é que não ocorre
crase em locuções formadas por duas palavras repetidas, mesmo estando no feminino: face a face, cara
a cara, frente a frente, terra a terra, porta a porta e outras locuções.
A HORA E A VEZ DA CRASE
A crase é um tema difícil mas algumas regras imutáveis ajudam-nos a não errar mais. Uma delas: antes
de numeral que indica hora sempre se usa crase. Os exemplos são pontuais: vou chegar às duas da
tarde, ou à uma da madrugada, ou às oito da noite, ou às 23 horas, ou à meia-noite, ou à zero hora,
mesmo sendo zero uma palavra masculina.
A CRASE E A CRISE
A crase está sempre em crise. Às vezes não craseamos o a e deveríamos fazê-lo. Mas às vezes
craseamos... e não deveríamos fazê-lo. Três exemplos de não-uso da crase: Creusa gosta de andar a
cavalo; Creusa comprou um carro a prazo; Creusa ficou a pé. Nos três casos o a não é craseado. Porque
antes de palavra masculina (carro, cavalo e pé) o a é apenas preposição, e o à é a contração, a união
entre a preposição e o artigo feminino.
Pé atrás
"Clinton pede perdão a formiga.". A frase saiu nas Dicas da semana passada . Os leitores ficaram com o
pé atrás. "Cadê a crase ?" , perguntaram . Não há crase. Dúvida? Recorra ao macete. Substitua a palavra
feminina por uma masculina. Mosquito, por exemplo: Clinton pede perdão a mosquito. Na troca, aparece
só a . É que formiga e mosquito estão usados de forma genérica. Não se trata de uma formiga
determinada. Nem de um mosquito definido. Por isso, nada de artigo. Compare: Clinton pediu perdão à
formiga da fábula. Aí, não é qualquer formiga. Mas a formiga conhecida. Daí a crase. Fazendo o troca-
troca por um machinho, teremos ao : Clinton pediu perdão ao mosquito de Walt Disney. É isso. Se na
substituição der ao, sinal de crase. Caso contrário, nada feito.
Crase é a fusão de duas vogais idênticas. Representa-se graficamente a crase pelo acento grave.
Fomos à piscina
à artigo e preposição
Ocorrerá a crase sempre que houver um termo que exija a preposição a e outro termo que aceite o
artigo a.
Para termos certeza de que o "a" aparece repetido, basta utilizarmos alguns artifícios:
I. Substituir a palavra feminina por uma masculina correspondente. Se aparecer ao ou aos diante
de palavras masculinas, é porque ocorre a crase.
Exemplos:
Temos amor à arte.
(Temos amor ao estudo)
Respondi às perguntas.
(Respondi aos questionário)
II. Substituir o "a" por para ou para a. Se aparecer para a, ocorre a crase:
Exemplos:
Contarei uma estória a você.
(Contarei uma estória para você.)
Fui à Holanda
(Fui para a Holanda)
3. Substituir o verbo "ir" pelo verbo pelo verbo "voltar". Se aparecer a expressão voltar da, é
porque ocorre a crase.
Exemplos:
Iremos a Curitiba.
(Voltaremos de Curitiba)
Iremos à Bahia
(Voltaremos da Bahia)
Não ocorre a Crase
a) antes de verbo
Voltamos a contemplar a lua.
b) antes de palavras masculinas
Gosto muito de andar a pé.
Passeamos a cavalo.
c) antes de pronomes de tratamento, exceção feita a senhora, senhorita e dona:
Dirigiu-se a V.Sa. com aspereza
Dirigiu-se à Sra. com aspereza.
d) antes de pronomes em geral:
Não vou a qualquer parte.
Fiz alusão a esta aluna.
e) em expressões formadas por palavras repetidas:
Estamos frente a frente
Estamos cara a cara.
f) quando o "a" vem antes de uma palavra no plural:
Não falo a pessoas estranhas.
Restrição ao crédito causa o temor a empresários.
Crase facultativa
1. Antes de nome próprio feminino:
Refiro-me à (a) Julinana.
2. Antes de pronome possessivo feminino:
Dirija-se à (a) sua fazenda.
3. Depois da preposição até:
Dirija-se até à (a) porta.
Casos particulares
1. Casa
Quando a palavra casa é empregada no sentido de lar e não vem determinada por nenhum adjunto
adnominal, não ocorre a crase.
Exemplos:
Regressaram a casa para almoçar
Regressaram à casa de seus pais
2. Terra
Quando a palavra terra for utilizada para designar chão firme, não ocorre crase.
Exemplos:
Regressaram a terra depois de muitos dias.
Regressaram à terra natal.
3. Pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aqueles, aquilo.
Se o tempo que antecede um desse pronomes demonstrativos reger a preposição a, vai ocorrer a crase.
Exemplos:
Está é a nação que me refiro.
(Este é o país a que me refiro.)
Esta é a nação à qual me refiro.
(Este é o país ao qual me refiro.)
Estas são as finalidades às quais se destina o projeto.
(Estes são os objetivos aos quais se destino o projeto.)
Houve um sugestão anterior à que você deu.
(Houve um palpite anterior ao que você me deu.)
Ocorre também a crase
a) Na indicação do número de horas:
Chegamos às nove horas.
b) Na expressão à moda de, mesmo que a palavra moda venha oculta:
Usam sapatos à (moda de) Luís XV.
c) Nas expressões adverbiais femininas, exceto às de instrumento:
Chegou à tarde (tempo).
Falou à vontade (modo).
d) Nas locuções conjuntivas e prepositivas; à medida que, à força de...
OBSERVAÇÕES: Lembre-se que:
Há - indica tempo passado.
Moramos aqui há seis anos

A - indica tempo futuro e distância.
Daqui a dois meses, irei à fazenda.
Moro a três quarteirões da escola.
Fonte: www.algosobre.com.br
Crase
EMPREGO DA CRASE

Crase é a fusão (ou contração) de duas vogais idênticas numa só. Em linguagem escrita, a crase é
representada pelo acento grave.
Exemplo
Vamos à cidade logo depois do almoço.
a
|
prep.
+ a
|
art.

Observe que o verbo ir requer a preposição a e o substantivo cidade pede o artigo a.

Não é somente a contração da preposição a com o artigo feminino a ou com o pronome a e o a inicial dos
pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo que passa pelo processo da crase. Outras vogais idênticas são
também contraídas, visto ser a crase um processo fonológico.
Exemplos
leer - ler
door - dor

Ocorrência da crase
1. Preposição a + artigos a, as:
Fui à feira ontem.
Paulo dedica-se às artes marciais.

OBSERVAÇÕES
a) Quando o nome não admitir artigo, não poderá haver crase:
Vou a Campinas amanhã.
Estamos viajando em direção a Roma.

No entanto, se houver um modificador do nome, haverá crase:
Vou à Campinas das andorinhas.
Estamos viajando em direção à Roma das Sete Colinas.

b) Ocorre a crase somente se os nomes femininos puderem ser substituídos por nomes
masculinos, que admitam ao antes deles:
Vou à praia.
Vou ao campo.

As crianças foram à praça.
As crianças foram ao largo.

Portanto, não haverá crase em:
Ela escreveu a redação a tinta.
(Ela escreveu a redação a lápis.)

Compramos a TV a vista.
(Compramos a TV a prazo.)

2. Preposição a + pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
Maria referiu-se àquele cavalheiro de terno cinza.
Depois nos dirigimos àquelas mulheres da Associação.
Nunca me reportei àquilo que você disse.

3. Na indicação de horas:
João se levanta às sete horas.
Devemos atrasar o relógio à zero hora.
Eles chegaram à meia-noite.

4. Antes de nomes que apresentam a palavra moda (ou maneira) implícita:
Adoro bife à milanesa.
Eles querem vitela à parmigiana.
Ele vestiu-se à Fidel Castro.
Ele cortou o cabelo à Nero.

5. Em locuções adverbiais constituídas de substantivo feminino plural:
Pedrinho costuma ir ao cinema às escondidas.
Às vezes preferimos viajar de carro.
Eles partiram às pressas e não deixaram o novo endereço.

6. Em locuções prepositivas e conjuntivas constituídas de substantivo feminino:
Eles vivem à custa do Estado.
Estamos todos à mercê dos bandidos.
Fica sempre mais frio à proporção que nos aproximamos do Sul.
Sentimos medo à medida que crescia o movimento de soldados na praça.
Principais casos em que não ocorre a crase
1. diante de substantivo masculino:
Compramos a TV a prazo.
Ele leva tudo a ferro e fogo.
Por favor, façam o exercício a lápis.

2. diante de verbo no infinitivo:
A pobre criança ficou a chorar o dia todo.
Quando os convidados começaram a chegar, tudo já estava pronto.

3. diante de nome de cidade:
Vou a Curitiba visitar uma amiga.
Eles chegaram a Londres ontem.

4. diante de pronome que não admite artigo (pessoal, de tratamento, demonstrativo,
indefinido e relativo):
Ele se dirigiu a ela com rudeza.
Direi a Vossa Majestade quais são os nossos planos.
Onde você pensa que vai a esta hora da noite?
Devolva o livro a qualquer pessoa da biblioteca.
Todos os dias agradeço a Deus, a quem tudo devo.

5. diante do artigo indefinido uma:
O policial dirigiu-se a uma senhora vestida de vermelho.
O garoto entregou o envelope a uma funcionária da recepção.

6. em expressões que apresentam substantivos repetidos:
Ela ficou cara a cara com o assassino.
Eles examinaram tudo de ponta a ponta.

7. diante de palavras no plural, precedidas apenas de preposição:
Nunca me junto a pessoas que falam demais.
Eles costumam ir a reuniões do Partido Verde.

8. diante de numerais cardinais:
Após as enchentes, o número de vítimas chega a trezentos.
Daqui a duas semanas estarei em férias.

9. diante de nomes célebres e nomes de santos:
O artigo reporta-se a Carlota Joaquina de maneira bastante desrespeitosa.
Ela fez uma promessa a Santa Cecília.

10. diante da palavra casa, quando esta não apresenta adjunto adnominal:
Estava frio. Fernando havia voltado a casa para apanhar um agasalho.
Antes de chegar a casa, o malandro limpou a mancha de batom do rosto.
NOTA
Quando a palavra casa apresentar modificador, haverá crase:
Vou à casa de Pedro.
11. diante da palavra Dona:
O mensageiro entregou a encomenda a Dona Sebastiana.
Foi só um susto. O macaco nada fez a Dona Maria Helena.

12. diante da palavra terra, como sinônimo de terra firme:
O capitão informou que estamos quase chegando a terra.
Depois de dois meses de mar aberto, regressamos finalmente a terra.
Ocorrência facultativa da crase
1. antes de nome próprio feminino:
Entreguei o cheque à Paula. OU Entreguei o cheque a Paula.
Paulo dedicou uma canção à Teresinha. OU Paulo dedicou uma canção a Teresinha.
NOTA
A crase não ocorre quando o falante não usa artigo antes do nome próprio feminino.
2. antes do pronome possessivo feminino:
Ele fez uma crítica séria à sua mãe. OU Ele fez uma crítica séria a sua mãe.
Convidei-o a vir à minha casa. OU Convidei-o a vir a minha casa.
NOTA
A crase não ocorre quando o falante não usa artigo antes do pronome possessivo.
3. depois da preposição até:
Vou caminhar até à praia. OU Vou caminhar até a praia.
Eles trabalharam até às três horas. OU Eles trabalharam até as três horas.
Eu vou acompanhá-la até à porta do elevador. OU Eu vou acompanhá-la até a porta do elevador.
NOTA
A preposição até pode vir ou não seguida da preposição a. Quando o autor dispensar a preposição a, não
haverá crase.
Fonte: www2.uol.com.br
Crase
A CRASE INTRODUÇÃO
 A crase consiste na "fusão" de dois fonemas vocálicos iguais (a + a).
 Por crase entende-se a fusão de duas vogais idênticas.
 A crase é representada pelo acento grave = (à) = que se coloca sobre o "a". (= à).
 Só se usa crase antes de nome feminino determinado, e regido da preposição "-a".
 Só pode ser feminino determinado.
A CRASE SE DÁ EM:
a) Contração da preposição a com o artigo feminino "a".
b) Contração da preposição a com o pronome demonstrativo "a".
c) Contração da preposição a com o "a" que inicia os demonstrativos aqueles, aquela, aquilo, aquelas.
Exemplo:
 Irei à escola-Irei àquela escola
 Irei a a escola-Irei a + aquela escola
O verbo ir pede a preposição "a" e o substantivo "escola" pede o artigo feminino "a".
 A + a = à
 Irei à escola
Exemplo:
 Falei à de saia branca =( à = a + aquela )
 Falei a (= aquela) de saia branca.
 Dei um livro àquele rapaz =
 Deu um livro a aquele rapaz.
 Levamos conforto àquela menina =
 Levamos conforto a aquela menina.
 Refiro-me àquilo que... =
 Refiro-me a aquilo que...
Para que haja crase é necessário que se observe o seguinte:
a) A palavra seja feminina acompanhada de artigo feminino definido "a".
b) O verbo exige a preposição e o substantivo, o artigo.
c) Que a palavra que antecede o substantivo exija a preposição "a" por força de sua regência.
Ocorre crase nos seguintes casos:
a) Diante de palavra feminina, clara ou oculta, que não repele o artigo.
Como sabermos se a palavra feminina repele ou não, o artigo ?
Basta construi-lo em orações em que apareça regidos das preposições: "de", "em" e "por". Se tivermos
meras preposições, o nome dispensa artigo.
Exemplo:
 Vou a Copacabana
 Vou a Vitória
 Substituo o verbo ir (= vou) por: venho, passo, moro
 Venho de Vitória.
 Passo por Vitória.
 Moro em Vitória.
Então:
 Vou a Copacabana.
 Vou a Vitória.
O "a" é mera preposição e as palavras Copacabana e Vitória repelem o artigo, por isso não se usa crase.
Porém, se houver necessidade de usar, respectivamente: da (= de + a); na (= em + a); pela (= por + a), a
palavra feminina tem o artigo feminino definido "a", então haverá crase:
Exemplo
 Vou à Bahia
 Venho da Bahia
 Moro na Bahia
 Passa pela Bahia.
Houve contração da preposição de + a = da, em + a = na, por + a = pela por isso "a" da Bahia é craseado.
 Vou à Bahia.
Outra regra prática para sabermos se o substantivo exige ou não, o artigo feminino definido "a".
Emprega-se a crase sempre que, substituindo-se o vocábulo feminino por um masculino, aparece a
contração da preposição "a" com o artigo "o" = ao antes do nome masculino.
Eu vou a cidade
Posso dizer:
 Eu vou ao Município
Logo na oração:
 Eu vou a cidade,
 O "a" da cidade deve ser craseado.
 Se o nome feminino repelir o artigo, pode exigi-lo quando determinado por um adjunto.
Exemplo:
 Eu vou a Roma
 A palavra Roma repele o artigo feminino, porém se eu disser:
 Eu vou a Roma dos Césares
 A palavra Roma, agora, está determinada, então, craseia-se o "a" de Roma.
 Eu vou à Roma dos Césares
Outro exemplo:
 Eu vou a Copacabana.
 Eu vou à Copacabana de minha infância
 Ele foi a Minas
 Ele foi à Minas de Tiradentes.
Podemos usar o seguinte meio mnemônico para o uso da crase:
 Se vou a
 E venho dá
 Eu craseio o à
Exemplo:
 Vou a festa
 Venho da festa
 Então eu craseio o "a" da festa.
 Vou à festa
 Se eu vou a
 E venho dê
 Crasear o a
 Para quê ?
Exemplo:
 Vou a são Paulo.
 Venho de São Paulo.
A palavra São Paulo repele o artigo, então o "a" antes da palavra São Paulo é mera preposição, logo: Não
se usa crase.
OBSERVAÇÃO:
 Se venho-"da"-é "a" (com crase).
 Se venho-"de"-é "a" (sem crase).
 Vou à Grécia-Venho da Grécia
 Vou a Santa Catarina-Venho de Santa Catarina
A palavra crase provém do grego (krâsis) e significa mistura. Na língua portuguesa, crase é a fusão de
duas vogais idênticas, mas essa denominação visa a especificar principalmente a contração ou fusão
da preposição a com os artigos definidos femininos (a, as) ou com os pronomes demonstrativos a,
as, aquele, aquela, aquilo, aquiloutro, aqueloutro .
Para saber se ocorre ou não a crase, basta seguir três regras básicas:

01) Só ocorre crase diante de palavras femininas, portanto nunca use o acento grave indicativo de crase
diante de palavras que não sejam femininas.

Ex. O sol estava a pino. Sem crase, pois pino não é palavra feminina.
Ela recorreu a mim. Sem crase, pois mim não é palavra feminina.
Estou disposto a ajudar você. Sem crase, pois ajudar não é palavra feminina.

02) Se a preposição a vier de um verbo que indica destino (ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-
se...), troque este verbo por outro que indique procedência (vir, voltar, chegar...); se, diante do que indicar
procedência, surgir da, diante do que indicar destino, ocorrerá crase; caso contrário, não ocorrerá crase.

Ex. Vou a Porto Alegre. Sem crase, pois Venho de Porto Alegre.
Vou à Bahia. Com crase, pois Venho da Bahia.

Obs.: Não se esqueça do que foi estudado em Artigo.

03) Se não houver verbo indicando movimento, troca-se a palavra feminina por outra masculina; se,
diante da masculina, surgir ao, diante da feminina, ocorrerá crase; caso contrário, não ocorrerá crase.

Ex. Assisti à peça. Com crase, pois Assisti ao filme.
Paguei à cabeleireira. Com crase, pois Paguei ao cabeleireiro.
Respeito as regras. Sem crase, pois Respeito os regulamentos.
Casos especiais
01) Diante das palavras moda e maneira, das expressões adverbiais à moda de e à maneira de, mesmo
que as palavras moda e maneira fiquem subentendidas, ocorre crase.

Ex. Fizemos um churrasco à gaúcha.
Comemos bife à milanesa, frango à passarinho e espaguete à bolonhesa.
Joãozinho usa cabelos à Príncipe Valente.
02) Nos adjuntos adverbiais de modo, de lugar e de tempo femininos, ocorre crase.

Ex. à tarde, à noite, às pressas, às escondidas, às escuras, às tontas, à direita, à esquerda, à vontade, à
revelia ...
03) Nas locuções prepositivas e conjuntivas femininas ocorre crase.

Ex. à maneira de, à moda de, às custas de, à procura de, à espera de, à medida que, à proporção que...
04) Diante da palavra distância, só ocorrerá crase, se houver a formação de locução prepositiva, ou seja,
se não houver a preposição de, não ocorrerá crase.

Ex. Reconheci-o a distância.
Reconheci-o à distância de duzentos metros.
05) Diante do pronome relativo que ou da preposição de, quando for fusão da preposição a com o
pronome demonstrativo a, as (= aquela, aquelas).

Ex. Essa roupa é igual à que comprei ontem.
Sua voz é igual à de um primo meu.
06) Diante dos pronomes relativos a qual, as quais, quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir
a preposição a, ocorre crase.

Ex. A cena à qual assisti foi chocante. (quem assiste assiste a algo)
07) Quando o a estiver no singular, diante de uma palavra no plural, não ocorre crase.

Ex. Referi-me a todas as alunas, sem exceção.
Não gosto de ir a festas desacompanhado.
08) Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, a não ser que cause ambigüidade.

Ex. Preencheu o formulário a caneta.
Paguei a vista minhas compras.

Nota: Modernamente, alguns gramáticos estão admitindo crase diante de adjuntos adverbias de meio,
mesmo não ocorrendo ambigüidade.
09) Diante de pronomes possessivos femininos, é facultativo o uso do artigo, então, quando houver a
preposição a, será facultativa a ocorrência de crase.

Ex. Referi-me a sua professora.
Referi-me à sua professora.
10) Após a preposição até, é facultativo o uso da preposição a, quando esta for necessária ao elemento
anterior ao até, portanto, caso haja substantivo feminino à frente, a ocorrência de crase será facultativa.

Ex. Fui até a secretaria ou Fui até à secretaria, pois quem vai, vai a algum lugar.
11) A palavra CASA:
A palavra casa só terá artigo, se estiver especificada, portanto só ocorrerá crase diante da palavra casa
nesse caso.

Ex. Cheguei a casa antes de todos.
Cheguei à casa de Ronaldo antes de todos.
12) A palavra TERRA:
Significando planeta, é substantivo próprio e tem artigo, conseqüentemente, quando houver a preposição
a, ocorrerá a crase; significando chão firme, solo, só tem artigo, quando estiver especificada, portanto só
nesse caso poderá ocorrer a crase.

Ex. Os astronautas voltaram à Terra.
Os marinheiros voltaram a terra.
Irei à terra de meus avós.
Fonte: www.gramaticaonline.com.br
Crase
A palavra crase (do grego Krásis = mistura, fusão) designa: Em gramática histórica, a contração de duas
vogais iguais. Por exemplo: door(de dolore)=dor; pee(de pede)=pé; maa(de mala)=má. Neste sentido, a
crase foi um fenômeno constante na evolução do português arcaico para o moderno. Em gramática
normativa, a contração da preposição A com: o artigo A ou AS = Fomos à cidade assistir às festas. o
pronome A ou AS = Irei à loja do centro. o A inicial dos pronomes AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO =
Referiu-se àquele fato.
USO OBRIGATÓRIO
Com relação à fusão de A + A, observaremos preliminarmente:
 que o primeiro A é sempre preposição
 que o segundo A será um artigo ou um pronome demonstrativo
 que a razão da crase é a de evitar-se um hiato
 que o acento assinalador da contração é grave (`)
Condições para o uso da crase. Você usará o acento grave em A e AS, se forem satisfeitas as três
condições seguintes:
 Deve tratar-se de substantivo feminino, mesmo oculto.
 Deve depender de outra palavra que exija a preposição A.
 A palavra regida deve admitir o artigo A.
A crase é obrigatória nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas formadas de palavras femininas
= às pressas, à custa de, à medida que.
A crase é obrigatória, também, quando preceder adjetivos que funcionam como substantivos = Todos
levaram conforto às pobres. Nota = em muitos casos, o substantivo estará subentendido e o adjetivo
concordar com ele. Por exemplo: Vieram as alunas e o diretor fez louvores às (alunas) obedientes.
USO PROIBIDO DA CRASE
Não se usa acento grave diante de:
palavras masculinas = Pintou o quadro a óleo. Falaram a respeito de você. Nota = escreve-se: sapatos
à Luís XV, estilo à Coelho Neto, porque nessa expressões se subentendem as palavras moda ou
maneira, que são femininas.
palavras femininas não-determinadas, isto é, não precedidas de artigo = Isto cheira a tolice. Nota = neste
caso, tais palavras são tomadas em se00000ntido geral, indeterminado.
verbos = Estou disposto a colaborar. Levou-os a passear.
esta e essa = Cheguei a essa conclusão.
pronomes indefinidos = Escreveu a toda pressa. Não deu valor a nada.
pronomes pessoais e de tratamento = Escrevi a você. Falei a ela. Nota = quando o vocábulo dona é
substantivado ocorre crase. Por exemplo: Falei à dona de meu apartamento.
pronomes interrogativos = A quem haverei de recorrer?
artigos indefinidos = Fomos a uma aldeia.
nomes próprios que repelem o artigo = Fui a Lisboa(Vim de Lisboa). Rezo a Nossa Senhora. Nota =
haverá crase toda vez que o substantivo for determinado pelo artigo. Por exemplo: Fui à Bahia(Vim da
Bahia).
locuções de palavras femininas repetidas = Gota a gota. Frente a frente.
PARTICULARIDADES IMPORTANTES
A crase e os numerais:
Ocorrerá crase com os numerais que acompanharem palavras femininas, por imposição da regência =
Tens direito à quarta parte do lucro.
Quanto ao cardinal UMA, só vem precedido de crase quando acompanha a palavra HORA = Daqui a uma
hora irei ao mercado.
Usa-se crase com a locução adverbial À UMA = Todos responderam à uma (juntamente).
A crase e a palavra ‘casa’:
Não haverá crase quando a palavra casa significar residência da pessoa = Voltei a casa cedo.
Haverá crase quando a palavra casa estiver modificada por um adjunto e também quando significar
estabelecimento comercial, pois nestes casos antepomos o artigo = Fiz uma visita à velha casa. Fui à
Casa Dias.
A crase e a palavra ‘distância’:
Não haverá crase quando a palavra distância estiver indeterminada = O livro foi atirado a distância.
Haverá crase quando a palavra distância estiver determinada em metros = Estava à distância de cem
metros.
A crase e os possessivos:
uso da crase diante dos pronomes possessivos é facultativo = Obedeço a minha mãe. Obedeço à minha
mãe.
A crase e a palavra ‘até’:
Após a palavra até o uso da crase é facultativo = Fui com ela até a(à) porta.
A crase e os relativos:
Haverá crase antes dos pronomes relativos que e qual, sempre que se referirem a nomes femininos que
os antecedem = Ali está a mestra de meus filhos, à qual devo agradecimentos.
Fonte: www.micropic.com.br
Crase
Uso da crase
Crase com nomes de mulheres
O uso do acento indicativo de crase diante de nomes próprios de mulheres é tido como "facultativo",
embora não seja exatamente optativo. Usa-se o acento grave [à] diante de alguns nomes femininos, mas
não diante de outros – isso é verdade. O que de fato demarca nossa opção é a possibilidade de ser o
nome determinado por um artigo. No Brasil, o uso do artigo diante de nomes de pessoas tem um caráter
regionalista, e não só de familiaridade. Em suma: se você costuma empregar o artigo definido diante de
um nome de mulher, pode usar o "a craseado" quando a situação pedir (ou seja, quando a expressão ou
verbo diante do nome exige a preposição
a). Assim, vejamos primeiramente o caso de pessoas a quem chamamos pelo primeiro nome:
 Gosto de Beatriz
 Penso em Rita
 Contei a Beatriz o que falei a Rita
 Gosto da Beatriz.
 Penso na Rita.
 Contei à Beatriz o que disse à Rita
Já quando se faz referência a nome e sobrenome, tão-somente a familiaridade é que vai determinar
o uso do acento indicativo de crase:
1) a crase não ocorrerá se o nome da pessoa for mencionado formalmente ou se tratar de personalidade
pública, pois nessas circunstâncias o nome da pessoa, seja homem ou mulher, nunca é precedido de
artigo definido:
Referiu-se a Rachel de Queiroz. [cp. Gosta de Rachel de Queiroz]
Fizemos uma homenagem a Euclides da Cunha. [nunca "ao Euclides da Cunha", pois gostamos de
Euclides da Cunha]
Muitos fizeram elogios de última hora a FHC e a Ruth Cardoso.
2) a crase ocorrerá se, apesar do nome completo, a pessoa for referida com amizade, numa atmosfera
afetiva. É muito comum este tipo de uso nos agradecimentos que se fazem em livros, teses e
dissertações, situação que pela sua formalidade e tipo de divulgação comporta o nome completo das
pessoas homenageadas, embora possam ser da intimidade do autor. É importante que se mantenha a
coerência: se o nome do homem é articulado [o / ao], também o da mulher deverá ser precedido de artigo
[a / à].
Vejamos um exemplo real:
"Desejo externar os meus agradecimentos
ao Dr. Alceu Lima, por sua contribuição nesta pesquisa
ao Prof. Nilo Lima, pela dedicada orientação
à Profa. Maria Lima e Silva, por sua amizade
ao Renato Cruz e Sousa, pelo companheirismo
à Rejane Silva e Silva, pela revisão."
Há igualmente a situação de nomes próprios (verdadeiros ou artísticos) de homens e mulheres famosos
com os quais também se usa o artigo definido porque a fama implica uma pretensa familiaridade com a
pessoa. No Sul, por exemplo, dizemos "Gosto da Gal Costa. Comprei um disco da Gal (Costa)".
Portanto:
 Refiro-me à Gal Costa.
Entretanto, quem diz "Gosto de Gal Costa. Comprei um disco de Gal", deve escrever:
 Refiro-me a Gal Costa.
Crase com pronomes demonstrativos
A crase também ocorre com os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo. Isso acontece
quando a expressão anterior é acompanhada da preposição a, que se aglutina ao a inicial desses
pronomes. Pronuncia-se um a só.
Na escrita, também fica um a só, mas com acento grave:
 Refiro-me a aquele homem
 Refiro-me àquele homem
 Refiro-me a aquela mulher
 Refiro-me àquela mulher
 Não me refiro a aquilo
 Não me refiro àquilo
Analisemos a mesma frase com o uso dos outros pronomes demonstrativos. Veremos que com eles a
crase é impossível, pois não começam pela vogal a:
Não me refiro a isso, refiro-me a esta/essa questão, não me refiro a esse/este tema.
Muitas pessoas estranham o acento numa palavra masculina como "aquele". Vale lembrar que a crase
implica duas vogais idênticas, portanto o que conta é a fusão do a preposição com a letra a que dá início
ao pronome. Vejamos alguns exemplos:
Comprei um vaso semelhante àquele que recebi de presente o ano passado. ? semelhante a + aquele
Todas as minhas porcelanas são iguais àquelas que vovó tinha. ? iguais a + aquelas
Cumpre seu papel com respeito absoluto àquilo que de melhor lhe foi transmitido por seus pais. ? respeito
a + aquilo
Ganhei uma toalha idêntica àquela que me deste no Natal.
Todos os diretores devem ficar cientes. Comunique o fato primeiro àquele que você considera mais
importante.
O plano é um desafio àquelas convenções estabelecidas no acordo.
Dirigiu-se àquela moça que vimos ontem no Jornal do Meio-Dia.
Agradeço a meus pais e àqueles que sempre confiaram em mim.
Sabes a quem vou escrever? Àquele amigo de infância que se mudou para Olinda quando estávamos na
6ª série.
Os recursos serão destinados somente àqueles empresários em dia com o IR.
Prefiro esta proposta àquela.
O auxílio-acidente será devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença, quando este
benefício anteceder àquele (Lei 8.213/91).
"A crase está relacionada a um substantivo feminino, como você já falou. Mas vi um à craseado na frente
de um „que‟. Está correto? A frase era assim: Espero que você compre uma peça idêntica à que você
quebrou."
Trata-se de caso raro; é uso correto. Na verdade, a crase aí ocorre não pelo pronome relativo QUE mas
por causa de um substantivo feminino subentendido, que está oculto justamente porque se pretende
evitar sua repetição:
Espero que você compre uma peça idêntica à (peça) que você quebrou.
Ganhou uma moto igual à que havia comprado um mês antes. [igual à (moto) que]
Disse que tinha amor à vida, "à que tinha antes do acidente", frisou com pessimismo.
Maria Tereza de Queiroz Piacentini é catarinense, professora de Inglês e Português, revisora de textos e
redatora de correspondência oficial há mais de vinte anos. Em 1989 foi responsável pela revisão
gramatical da Constituição do Estado de Santa Catarina e no ano seguinte publicou artigos sobre
questões vernáculas em diversos jornais. Retoma agora a publicação de colunas semanais com temas
atualizados, em vista da experiência adquirida e das inúmeras consultas que lhe têm feito pessoas de
todo o País depois que lançou o livro Só Vírgula Método fácil em 20 lições (UFSCar, 1996, 164p.).
Também teve publicados, em 1986, dez módulos da Instituição Técnica Programada ITP, Português para
Redação, edição esgotada.
Fonte: kplus.cosmo.com.br
Crase
Em sentido amplo, crase é a pronúncia contraída de dois fonemas iguais e adjacentes. Por exemplo: no
enunciado seus sapatos temos dois fonemas /s/ adjacentes. A tendência do falante é realizar uma
pronúncia contraída desses fonemas que, em muitos casos, chega aos ouvidos do receptor como um
único fonema. O fenômeno da crase é muito comum na fala. Basta que dois fonemas iguais ocorram
adjacentes. Isso se dá com freqüência nas fronteiras de palavras, quando o fonema final da primeira se
repete no início da seguinte.
Percebemos a crase em enunciados como:
 as sete espadas /ásétêspádás/
 os céticos sábios /ôsétikôsábiôs/
 o ouro ornava a aba /ôurôrnávábá/
Um dos princípios básicos de nossa ortografia é a segmentação do texto palavra a palavra, que parte da
suposição que a realização oral do discurso se dá com pausas entre as palavras. Sabemos que isso não
ocorre na fala cotidiana, mas há um princípio de produtividade aceitável em favor da prática da
segmentação palavra a palavra na escrita. Escrevemos supondo que a palavra é pronunciada
isoladamente. Com isso, ganhamos uma maior uniformidade na escrita, evitando que a mesma palavra
possa ser representada de formas diferentes dependendo do contexto em que é proferida. A
conseqüência dessa convenção é que nossa escrita ignora o fenômeno da crase. No entanto, há um caso
particular em que representamos a crase na escrita. Para isso, fazemos uso do acento grave.
Acento grave
Representamos a crase somente na contração da preposição a com o fonema /á/, se este formar o artigo
feminino definido (a, as), ou o demonstrativo aquele e suas flexões (aqueles, aquela, aquelas, aquilo).
Veja alguns exemplos:
Dirija-se a a recepção.
Dirija-se à recepção.
Refiro-me a aquele livro.
Refiro-me àquele livro.
Obediência a as leis.
Obediência às leis.
Viagem a a Bahia.
Viagem à Bahia.
A crase de dois fonemas /á/ é representada substituindo a+a por à, ou seja, pelo a com acento grave, ou
craseado. Observe que a representação da crase não se estende a outros casos de contração de dois
fonemas /á/ contíguos.
Não é válido usar crase em situações como no exemplo a seguir:
Viagem Àtenas.
Viagem a Atenas.
As dificuldades no uso do acento grave
O uso do acento grave costuma confundir até os redatores experientes. Isso acontece porque, devido às
sutilezas de nossa estrutura gramatical, nem sempre é fácil identificar corretamente a contração a+a.
Vamos analisar as frases a seguir:
Viagem a Brasília.
Viagem à Bahia.
As frases parecem similares, mas em uma temos contração e em outra, não. A palavra Brasília não é
precedida por artigo em frases como a do exemplo. Já, a palavra Bahia ocorre precedida por artigo.
Podemos perceber melhor a presença ou a ausência do artigo criando frases alternativas. Vamos fazer
isso permutando a preposição a por até.
Viagem até Brasília.
Viagem até a Bahia.
Soa estranho dizer:
Viagem até a Brasília.
* Viagem até Bahia.
Essa aparente similaridade confunde os redatores. A dúvida aqui está em saber se o artigo está presente
ou não e se temos contração. Em situações assim, o melhor é tentar gerar frases similares que nos dêem
uma idéia mais clara sobre a estrutura sintática da frase. Outra situação que costuma gerar dúvidas está
exemplificada nas frases a seguir.
Respondo a pergunta.
Respondo à diretoria.
Aqui, a dúvida que pode surgir é quanto à presença da preposição a na estrutura das frases. Para tirar a
dúvida, precisamos analisar a estrutura sintática. Fazendo isso, vamos perceber que na primeira frase, a
palavra pergunta é objeto direto da frase (o que respondi), logo não temos preposição. Na segunda frase,
a palavra diretoria forma o objeto indireto (a quem respondo), logo temos preposição.
O médico assistiu a paciente.
O médico assistiu à peça teatral.
Nesse exemplo, temos que observar em que sentido o verbo está sendo empregado. Assistir no sentido
de cuidar, zelar, atender não é seguido de preposição, mas no sentido de acompanhar como espectador,
será seguido de preposição.
Em muitos casos, a presença do artigo ou da preposição é opcional. O redator, nessas circunstâncias,
fica livre para usar o acento grave ou não. Exemplo:
Refiro-me à sua prima.
Refiro-me a sua prima.
Artifícios para testar o uso da crase
Podemos usar vários artifícios para analisar a estrutura da frase e assim determinar se usaremos crase
ou não. Um deles é permutar o substantivo feminino que sucede a provável contração por um similar
masculino. Com isso verificamos a presença do artigo feminino.
Fui à praia.
Fui ao campo.
Respondo à diretoria.
Respondo ao conselho de administração.
Respondo a pergunta.
Respondo o teste.
Se fazendo a permuta, tivermos que usar ao, então ocorre crase, pois temos preposição + artigo.
Outro artifício para verificar a presença do artigo feminino consiste em substituir a preposição a por outra
de mesmo efeito.
Vire à esquerda.
Vire para a esquerda.
Como se vê, a dificuldade não está precisamente no uso do a craseado, mas sim, em saber quando se
usa a preposição a e o artigo definido feminino. Infelizmente, só o convívio com o idioma nos traz a
fluência no uso de ambos e, conseqüentemente, do acento grave.
Fonte: www.radames.manosso.nom.br
crase
Uso da crase
O emprego da crase está sujeito a duas condições:
 O termo regente deve exigir a preposição a
 O termo regido deve ser:
 palavra feminina que admita o artigo a(s)
 pronome demonstrativo a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo
Exemplos
 Vou à escola.
 Esta bolsa é igual à que você usava.
 Nunca mais fui àquele cinema.
Nunca se usa crase antes de: Exemplos:
masculino bife a cavalo, entrega a domicílio.
verbo disposto a reagir.
pronomes (que não aceitem o artigo a(s))
Falei a cada prima. Dirigiu-se a ela.
Referia-me a esta moça. Parabéns a
você.
expressões formadas por palavras repetidas gota a gota, face a face.
nomes de cidades sem determinação
(exceção: haverá crase, se o nome da cidade vier
determinado)
Vou a Santos.
Vou à poluída Santos.
palavras no plural precedidas de a (no singular) Assisti a demonstração de carinho.

Sempre ocorre crase: Exemplos:
na indicação do número de horas à uma e meia, às nove.
quando há ou se pode subentender a palavra
moda
chapéu à gaúcha (à moda gaúcha),
sopa à calabresa (à moda calabresa).
nas locuções adverbiais, prepositivas e
conjuntivas
Às vezes choro. Acabou devido à falta de
luz.
Saímos à medida que recebíamos.

Definição Crase
A palavra crase designa a contração de duas vogais idênticas .
À gramática normativa interessa , sobretudo , a fusão da preposição a com:
1- o artigo feminino definido a ( ou as ) :
O direito a a vida é inquestionável - O direito à vida é inquestionável .
2- o pronome demonstrativo a ( ou as ) :
Referi-me a a ( = aquela ) que chegou mais cedo .
Referi-me à que chegou mais cedo .
3- os pronomes demonstrativos aquele(s) , aquela(s) , aquilo:
Visavas a aquele cargo ? - Visavas àquele cargo ?
4- o a dos pronomes relativos a qual e as quais:
Era ruim a peça a a qual fizeste referência .
Era ruim a peça à qual fizeste referência .
Nesses casos , a ocorrência do fenômeno da fusão dessas vogais é indicado
sempre pelo acento grave ( ) . Seu emprego depende , pois , da verificação
da ocorrência dessas vogais ( preposição + artigo , preposição + pronome )
no contexto sintático . Como obrigatoriamente o primeiro a é preposição ,
exigida quase sempre por um verbo ou um nome , a crase é um fato gramatical
estreitamente relacionado à regência verbal e nominal.
REGRAS PRÁTICAS
1- Primeira regra prática:
Ocorre a crase sempre que , ao se substituir a palavra feminina por uma
masculina , aparece a combinação ao:
Exemplo = Amanhã iremos ao colégio - Amanhã iremos à escola .
2- Segunda regra prática:
Para verificar a ocorrência do artigo a , transforma-se a palavra
( a respeito da qual haja dúvida ) em sujeito de uma oração qualquer:
Exemplo = Iremos todos a Brasília ( ? ) ou Iremos todos à Brasília ( ? )
A palavra Brasília como sujeito : o Brasília foi concebida por Lúcio Costa
e Niemeyer. = Brasília foi concebida por Lúcio Costa e Niemeyer .
Logo : Iremos todos o Brasília .
Observe que nomes de cidade não admitem , em geral , qualquer artigo .
Porém modificados por adjunto adnominal , passam a admiti-lo .
Exemplo = Retornarei a Curitiba no próximo ano .
Retornarei à Curitiba de Dalton Trevisan .
3- Terceira regra prática:
Decorrente da regra geral é a fórmula mnemônica abaixo:
" Se vou A e volto DA , crase há ." Exemplo = SE vou à biblioteca e volta da biblioteca .
" Se vou A e volto DE , crase pra quê ?" Exemplo = Se vou a Goiânia e volto de Goiânia .
4- Quarta regra prática:
Usa-se o acento grave sobre o a quando ele equivale a para a , na , pela , com a:
Exemplo = Ofereci ajuda à coordenadora = Ofereci ajuda para a coordenadora .
Mas: Ofereci ajuda a ela = Oferecei ajuda para ela .
Dica: Obviamente tais práticas nunca devem ser usadas como argumentos que justifiquem a ocorrência
ou a não-ocorrência da crase . Em questões analítico-expositivas (discursivas) recorra sempre à regra
geral . Além disso , procure sempre proceder à análise da palavra a em todas as sua ocorrências : artigo
definido , preposição , pronome oblíquo átono , pronome demonstrativo etc .
Crase Proibida
a - antes de palavras masculinas:
Exemplo = Irei a pé e você irá a cavalo .
b - antes de palavras femininas que , empregadas num sentido genérico , não admitam artigo:
Exemplo = Não vou a festa , nem a recepção .
c - entre palavras repetidas femininas ou masculinas:
Exemplo = Encontrou-se face a face com o inimigo .
Ela sangrava gota a gota .
d - antes de verbos , já que não admitem artigo:
Exemplo = Começaremos a estudar hoje à tarde .
e - antes de pronomes , visto que em geral não admitem artigo:
Exemplo = Referiram-se a você , a ela e a mim .
f - antes da palavra CASA na acepção de domicílio próprio , a próprio casa de quem é mencionado
na frase:
Exemplo = Depois do trabalho , foi a casa antes de ir à escola .
Mas : Depois do trabalho , foi à casa da namorada antes de ir à escola .
g - antes da palavra TERRA no sentido de chão firme ( em oposição à expressão a bordo de ):
Exemplo = Encantados , os turistas desceram a terra .
Mas = Os astronautas regressaram à Terra .
h - antes da palavra DISTÂNCIA desde que não-especificada na locução a distância:
Exemplo = Sempre permaneci a distância .
Mas: Mantenha-se à distância de cinco metros.
i - se o a estiver no singular e a palavra seguinte for feminina ou masculina no plural , ele é
preposição e não é , pois , acentuado:
Exemplo = Chegamos a terríveis conclusões .
Mas : Chegamos às terríveis conclusões .
CRASE FACULTATIVA
O uso do acento é optativo basicamente em três casos:
a) após a preposição até:
Exemplo = Fomos até a escola .- Fomos até à escola .
b) antes de pronomes possessivos femininos . = Como é facultativo o uso do artigo antes desses
pronomes , a ocorrência da crase também é facultativa .
Exemplo = Retornaremos a minha casa . - Retornaremos à minha casa .
c) antes de nomes próprios femininos . Neste caso , é o artigo definido que pode ou não ser anteposto
a tais substantivos .
Exemplo = Entregarei tudo a ( para ) Juliana . = Entregarei tudo à ( para a ) Juliana .
Contudo , não se deve usar artigo ( e portanto acento grave ) antes do nome de pessoas célebres e de
santos:
Exemplo = Entregarei tudo a Nossa Senhora . -
Era uma referência a Mary Stuart .
Crase Obrigatória
( Regra Geral e Casos Particulares )
a) preposição a e artigo a (as) :
Exemplo = Resistiremos à tentação .
b) preposição a e pronome demonstrativo a(s) = aquela(s) :
Exemplo = Minha sugestão é semelhante ( = àquela ) que você deu .
c) preposição a e pronomes demonstrativos aquele(s) , aquela(s) , aquilo :
Exemplo = Renderemos homenagem àquele que nos guiou até aqui .
d) preposição a e pronomes relativos a qual , as quais :
Exemplo = Chegaram as mulheres às quais você deve agradar . ( agradar a ) .
e) quando implícitas as expressões à moda de , à maneira de , mesmo antes de palavras
masculinas :
Exemplo = Usava cabelos à Djavan . ( Usava cabelos à moda de Djavan ) .
f) nas expressões com indicação de hora especificada .
Exemplo = Chegaremos à uma hora , não às duas .
Mas = Sairemos daqui a uma hora ( = falta uma hora para a saída ) .
g) nas locuções adverbiais , conjuntivas e prepositivas cujo núcleo seja palavra feminina :
Exemplo = À tarde e à noite aquela casa ficava às moscas .
Tudo ocorreu às avessas .
Mas = Estou a fim de ficar com ela .
Tudo convergia a favor dele .
Fonte: www.profabeatriz.hpg.ig.com.br
crase
EMPREGO DA CRASE
Crase é a fusão (ou contração) de duas vogais idênticas numa só. Em linguagem escrita, a crase é
representada pelo acento grave.
Exemplo: Vamos à (a prep. + a art.) cidade logo depois do almoço.
Observe que o verbo ir requer a preposição a e o substantivo cidade pede o artigo a.
Não é somente a contração da preposição a com o artigo feminino a ou com o pronome a e o a inicial dos
pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo que passa pelo processo da crase. Outras vogais idênticas são
também contraídas, visto ser a crase um processo fonológico.
Exemplos: leer - ler / door - dor
I. Ocorrência da crase
1. Preposição a + artigos a, as:
Fui à feira ontem.
Paulo dedica-se às artes marciais.
OBSERVAÇÕES:
a) Quando o nome não admitir artigo, não poderá haver crase:
Vou a Campinas amanhã.
Estamos viajando em direção a Roma.
No entanto, se houver um modificador do nome, haverá crase:
Vou à Campinas das andorinhas.
Estamos viajando em direção à Roma das Sete Colinas.
b) Ocorre a crase somente se os nomes femininos puderem ser substituídos por nomes
masculinos, que admitam ao antes deles:
Vou à praia.
Vou ao campo.
As crianças foram à praça.
As crianças foram ao largo.
Portanto, não haverá crase em:
Ela escreveu a redação a tinta. (Ela escreveu a redação a lápis.)
Compramos a TV a vista. (Compramos a TV a prazo.)
2. Preposição a + pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
Maria referiu-se àquele cavalheiro de terno cinza.
Depois nos dirigimos àquelas mulheres da Associação.
Nunca me reportei àquilo que você disse.
3. Na indicação de horas:
João se levanta às sete horas.
Devemos atrasar o relógio à zero hora.
Eles chegaram à meia-noite.
4. Antes de nomes que apresentam a palavra moda (ou maneira) implícita:
Adoro bife à milanesa.
Eles querem vitela à parmigiana.
Ele vestiu-se à Fidel Castro.
Ele cortou o cabelo à Nero.
5. Em locuções adverbiais constituídas de substantivo feminino plural:
Pedrinho costuma ir ao cinema às escondidas.
Às vezes preferimos viajar de carro.
Eles partiram às pressas e não deixaram o novo endereço.
6. Em locuções prepositivas e conjuntivas constituídas de substantivo feminino:
Eles vivem à custa do Estado.
Estamos todos à mercê dos bandidos.
Fica sempre mais frio à proporção que nos aproximamos do Sul.
Sentimos medo à medida que crescia o movimento de soldados na praça.
II. Principais casos em que não ocorre a crase
1. Diante de substantivo masculino:
Compramos a TV a prazo.
Ele leva tudo a ferro e fogo.
Por favor, façam o exercício a lápis.
2. Diante de verbo no infinitivo:
A pobre criança ficou a chorar o dia todo.
Quando os convidados começaram a chegar, tudo já estava pronto.
3. Diante de nome de cidade:
Vou a Curitiba visitar uma amiga.
Eles chegaram a Londres ontem.
4. Diante de pronome que não admite artigo (pessoal, de tratamento, demonstrativo, indefinido e
relativo):
Ele se dirigiu a ela com rudeza.
Direi a Vossa Majestade quais são os nossos planos.
Onde você pensa que vai a esta hora da noite?
Devolva o livro a qualquer pessoa da biblioteca.
Todos os dias agradeço a Deus, a quem tudo devo.
5. Diante do artigo indefinido uma:
O policial dirigiu-se a uma senhora vestida de vermelho.
O garoto entregou o envelope a uma funcionária da recepção.
6. Em expressões que apresentam substantivos repetidos:
Ela ficou cara a cara com o assassino.
Eles examinaram tudo de ponta a ponta.
7. Diante de palavras no plural, precedidas apenas de preposição:
Nunca me junto a pessoas que falam demais.
Eles costumam ir a reuniões do Partido Verde.
8. Diante de numerais cardinais:
Após as enchentes, o número de vítimas chega a trezentos.
Daqui a duas semanas estarei em férias.
9. Diante de nomes célebres e nomes de santos:
O artigo reporta-se a Carlota Joaquina de maneira bastante desrespeitosa.
Ela fez uma promessa a Santa Cecília.
10. Diante da palavra casa, quando esta não apresenta adjunto adnominal:
Estava frio. Fernando havia voltado a casa para apanhar um agasalho.
Antes de chegar a casa, o malandro limpou a mancha de batom do rosto.
NOTA: Quando a palavra casa apresentar modificador, haverá crase: Vou à casa de Pedro.
11. Diante da palavra Dona:
O mensageiro entregou a encomenda a Dona Sebastiana.
Foi só um susto. O macaco nada fez a Dona Maria Helena.
12. Diante da palavra terra, como sinônimo de terra firme:
O capitão informou que estamos quase chegando a terra.
Depois de dois meses de mar aberto, regressamos finalmente a terra.
III. Ocorrência facultativa da crase
1. antes de nome próprio feminino:
Entreguei o cheque à Paula. OU Entreguei o cheque a Paula.
Paulo dedicou uma canção à Teresinha. OU Paulo dedicou uma canção a Teresinha.
NOTA A crase não ocorre quando o falante não usa artigo antes do nome próprio feminino.
2. antes do pronome possessivo feminino:
Ele fez uma crítica séria à sua mãe. OU Ele fez uma crítica séria a sua mãe.
Convidei-o a vir à minha casa. OU Convidei-o a vir a minha casa.
NOTA A crase não ocorre quando o falante não usa artigo antes do pronome possessivo.
3. depois da preposição até:
Vou caminhar até à praia. OU Vou caminhar até a praia.
Eles trabalharam até às três horas. OU Eles trabalharam até as três horas.
Eu vou acompanhá-la até à porta do elevador. OU Eu vou acompanhá-la até a porta do elevador.
NOTA: A preposição até pode vir ou não seguida da preposição a. Quando o autor dispensar a
preposição a, não haverá crase.
Fonte: www.rainhadapaz.g12.br
crase
A crase consiste na "fusão" de dois fonemas vocálicos iguais (a + a). Por crase entende-se a fusão de
duas vogais idênticas.
A crase é representada pelo acento grave = (à) = que se coloca sobre o "a".
( = à). Só se usa crase antes de nome feminino determinado, e regido da preposição "-a". Só pode ser
feminino determinado.
A CRASE SE DÁ EM
 Contração da preposição a com o artigo feminino "a".
 Contração da preposição a com o pronome demonstrativo "a".
 Contração da preposição a com o "a" que inicia os demonstrativos aqueles, aquela, aquilo, aquelas.
Exemplo:
1) Irei à escola-Irei àquela escola
2) Irei a a escola-Irei a + aquela escola
O verbo ir pede a preposição "a" e o substantivo "escola" pede o artigo feminino "a". A + a = à Irei à
escola
Exemplo:
1) Falei à de saia branca =
1.1) Falei a ( = aquela) de saia branca.
2) Dei um livro àquele rapaz =
2.2) Deu um livro a aquele rapaz.
3) Levamos conforto àquela menina =
3.3) Levamos conforto a aquela menina.
4) Refiro-me àquilo que... =
4.4) Refiro-me a aquilo que...
Para que haja crase é necessário que se observe o seguinte:
A palavra seja feminina acompanhada de artigo feminino definido "a". - O verbo exige a preposição e o
substantivo, o artigo.
- Que a palavra que antecede o substantivo exija a preposição "a" por força de sua regência.
Ocorre crase nos seguintes casos:
Diante de palavra feminina, clara ou oculta, que não repele o artigo. Como sabermos se a palavra
feminina repele ou não, o artigo ? Basta construi-lo em orações em que apareça regidos das preposições:
"de", "em" e "por". Se tivermos meras preposições, o nome dispensa artigo.
Exemplo
1) Vou a Copacabana
2) Vou a Vitória Substituo o verbo ir ( = vou) por: venho, passo, moro
3) Venho de Vitória.
4) Passo por Vitória.
5) Moro em Vitória.
Então:
1) Vou a Copacabana.
2) Vou a Vitória. O "a" é mera preposição e as palavras Copacabana e Vitória repelem o artigo, por isso
não se usa crase.
Porém, se houver necessidade de usar, respectivamente: da ( = de + a); na ( = em + a); pela ( = por + a),
a palavra feminina tem o artigo feminino definido "a", então haverá crase: Exemplo :
1) Vou à Bahia
2) Venho da Bahia
3) Moro na Bahia
4) Passa pela Bahia. Houve contração da preposição de + a = da, em + a = na, por + a = pela por isso "a"
da Bahia é craseado.
Vou à Bahia.
Outra regra prática para sabermos se o substantivo exige ou não, o artigo feminino definido "a".
Emprega-se a crase sempre que, substituindo-se o vocábulo feminino por um masculino, aparece a
contração da preposição "a" com o artigo "o" = ao antes do nome masculino.
Eu vou a cidade Posso dizer: Eu vou ao Município Logo na oração: Eu vou a cidade, O "a" da cidade deve
ser craseado.
Se o nome feminino repelir o artigo, pode exigi-lo quando determinado por um adjunto.
Exemplos
1) Eu vou a Roma
2) A palavra Roma repele o artigo feminino, porém se eu disser:
3) Eu vou a Roma dos Césares A palavra Roma, agora, está determinada, então, craseia-se o "a" de
Roma. Eu vou à Roma dos Césares
Outro exemplo:
1) Eu vou a Copacabana.
2) Eu vou à Copacabana de minha infância
3) Ele foi a Minas
4) Ele foi à Minas de Tiradentes. Podemos usar o seguinte meio mnemônico para o uso da crase: Se vou
a E venho dá
Eu craseio o à
Exemplos
1) Vou a festa
2) Venho da festa Então eu craseio o "a" da festa. Vou à festa
Se eu vou a
E venho dê
Crasear o a Para quê ?
Exemplos
1) Vou a são Paulo.
2) Venho de São Paulo. A palavra São Paulo repele o artigo, então o "a" antes da palavra São Paulo é
mera preposição, logo: Não se usa crase.
OBSERVAÇÃO
 Se venho-"da"-é "a" (com crase).
 Se venho-"de"-é "a" (sem crase).
 Vou à Grécia-Venho da Grécia
 Vou a Santa Catarina-Venho de Santa Catarina
USA-SE A CRASE
 Nos objetos indiretos
 Nos adjuntos adverbiais
(NOTA - Não se usa crase com palavra que funciona como Sujeito).
Exemplo: “A menina saiu”
 Objeto direto
 Adjunto adnominal
 Para evitar ambigüidade
 Diante de locuções constituídas de feminino plural.
 Diante de locuções constituídas do substantivo feminino singular
 A conjunção subordinada adv. proporcional
Fonte: www.enaol.com
Crase

A crase é um acento gráfico?
Não. A crase não é um acento gráfico. Palavra que em grego significa fusão, ou união, de duas vogais
iguais e contíguas. Ao falarmos, é normal acontecerem crases:
Estava aberto o caminho.
Em casos como o do exemplo acima não se registra o sinal gráfico da crase. É que na Língua Portuguesa
só se assinalam as crases da preposição a com o artigo a/as; com os pronomes demonstrativos a/as e
com a vogal inicial dos pronomes demonstrativos – aquele, aquela, aquilo.
O sinal gráfico que marca a crase (`) chama-se acento grave.
1. Crase de preposição a +artigo a/as
A regra geral determina que ocorrerá crase:
Se o termo regente exigir a preposição a: chegar a, contrário a.
Se o termo regido aceitar o artigo a/as: a escola, a idéia.
Cheguei à escola.
Sou contrário à idéia de trabalhar em casa.
Mas, se ocorrerem essas duas condições, não haverá crase:
Conheço a escola.
No exemplo acima não ocorre a crase porque falta a primeira condição: o termo regente não exige
preposição.
Cheguei a Curitiba.
No caso acima, não ocorre a crase porque falta a segunda condição, ou seja, o termo regido não aceita
artigo.
2. Dicas
Há duas dicas simples que ajudam a saber quando ocorre crase:
Substituir a palavra feminina por outra masculina. Se ocorrer a forma ao é sinal de que a crase:
Fui a sala (?). Fui ao salão
Portanto, o correto é: Fui à sala.
Estavam frente a frente (?). Estavam lado a lado.
Portanto, o correto é: Estavam frente a frente.
Substituir a preposição a por outras, tais como para, de, em. Se o artigo aparecer é sinal de que
ocorreu crase:
Fui a Itália (?). Fui para a Itália.
Portanto, o correto é: Fui à Itália.
Fui a Cuba (?). Fui para Cuba.
No exemplo acima o artigo não aparece. Portanto, o correto é: Fui a Cuba.
3. Casos facultativos
Pode ou não ocorrer crase:
Antes de nomes próprios femininos:
Referiu-se à Luísa ou Referiu-se a Luísa
Antes de pronomes possessivos femininos:
Referiu-se a tua mãe ou Referiu-se à tua mãe
Atenção: nesses e em outros casos semelhantes, as dúvidas também podem ser resolvidas pelas
mesmas dicas explicadas no item 2.
4. Crase antes de pronomes
Antes dos pronomes a que, a qual
Ocorre crase se o masculino correspondente for ao que, ao qual
Esta cerveja é superior à que você comprou.
Este vinho é superior ao que você comprou.
Esta é a decisão à qual chegamos.
Este é o ponto ao qual chegamos.
Antes dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo.
Ocorre crase sempre que o termo regente exigir preposição a:
Fui àquele comício.
Sou avesso àquela idéia.
5. Expressões adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas
Sempre ocorre crase nestas expressões: às duas horas; à tarde; à direita; à esquerda; às vezes; às
pressas; à frente de; à medida que...
Atenção: além dos casos acima, algumas expressões recebem o acento grave, mesmo que não haja a
união de duas vogais, ou não ocorra a crase. Este é um recurso normalmente usado para tornar a frase
mais clara:
Cortar à faca / vender à vista / bordar à mão

PERÍODO COMPOSTO
Períodos compostos por coordenação são os períodos que, possuindo duas ou mais orações,
apresentam orações coordenadas entre si. Cada oração coordenada possui autonomia de sentido em
relação às outras, e nenhuma delas funciona como termo da outra. As orações coordenadas, apesar de
sua autonomia em relação às outras, complementam mutuamente seus sentidos. A conexão entre as
orações coordenadas podem ou não ser realizadas através de conjunções coordenativas. Sendo
vinculadas por conectivos ou conjunções coordenativas, as orações são coordenadas sindéticas. Não
apresentando conjunções coordenativas, as orações são chamadas orações coordenadas assindéticas.
Orações Coordenadas Assindéticas
São as orações não iniciadas por conjunção coordenativa.
Ex. Chegamos a casa, tiramos a roupa, banhamo-nos, fomos deitar.
Orações Coordenadas Sindéticas
São cinco as orações coordenadas, que são iniciadas por uma conjunção coordenativa.
A) Aditiva: Exprime uma relação de soma, de adição.
Conjunções: e, nem, mas também, mas ainda.
Ex. Não só reclamava da escola, mas também atenazava os colegas.
B) Adversativa: exprime uma idéia contrária à da outra oração, uma oposição.
Conjunções: mas, porém, todavia, no entanto, entretanto, contudo.
Ex. Sempre foi muito estudioso, no entanto não se adaptava à nova escola.
C) Alternativa: Exprime idéia de opção, de escolha, de alternância.
Conjunções: ou, ou...ou, ora... ora, quer... quer.
Estude, ou não sairá nesse sábado.
D) Conclusiva: Exprime uma conclusão da idéia contida na outra oração.
Conjunções: logo, portanto, por isso, por conseguinte, pois - após o verbo ou entre vírgulas.
Ex. Estudou como nunca fizera antes, por isso conseguiu a aprovação.
E) Explicativa: Exprime uma explicação.
Conjunções: porque, que, pois - antes do verbo.
Ex. Conseguiu a aprovação, pois estudou como nunca fizera antes
Fonte: www.brasilescola.com
PERÍODO COMPOSTO
Período é a unidade lingüística composta por uma ou mais orações. Tem como características básicas:
a apresentação de um sentido ou significado completo encerrar-se por meio de certos símbolos de
pontuação.
Uma das propriedades da língua é expressar enunciados articulados. Essa articulação é evidenciada
internamente pela verificação de uma qualidade comunicativa das informações contidas no período. Isto
é, um período é bem articulado quando revela informações de sentido completo, uma idéia acabada. Esse
atributo pode ser exibido em termos de um período constituído por uma única oração - período simples –
ou constituído por mais de uma oração – período composto.
Exemplos:
Sabrina tinha medo do brinquedo. [período simples]
Sabrina tinha medo do brinquedo, apesar de levá-lo consigo todo o tempo. [período composto]
Não há uma forma definida para a constituição de períodos, pois se trata de uma liberdade do falante de
elaborar seu discurso da maneira como quiser ou como julgar ser compreendido na situação discursiva.
Porém a língua falada, mais freqüentemente, organiza-se em períodos simples, ao passo que a língua
escrita costuma apresentar maior elaboração sintática, o que faz notarmos a presença maior de períodos
compostos. Um dos aspectos mais notáveis dessa complexidade sintática nos períodos compostos é o
uso dos vários recursos de coesão. Isso pode ser visualizado no exercício de transformação de alguns
períodos simples em período composto fazendo uso dos chamados conectivos (elementos lingüísticos
que marcam a coesão textual).
Exemplo:
Eu tenho um gatinho muito preguiçoso. Todo dia ele procura a minha cama para dormir. Minha mãe não
gosta do meu gatinho. Então, eu o escondo para a minha mãe não ver que ele está dormindo comigo.
Eu tenho um gatinho muito preguiçoso, que todo dia procura a minha cama para dormir. Como a minha
mãe não gosta dele, eu o escondo e, assim, ela não vê que o gatinho está dormindo comigo. Notem que
no exemplo (1) temos um parágrafo formado por quatro períodos. Já no exemplo (2) o parágrafo está
organizado em apenas dois períodos. Isso é possível articulando as informações por meio de alguns
conectivos (que, como, assim) e eliminando os elementos redundantes (o gatinho, minha mãe = ele, ela).
Finalmente, os períodos são definidos materialmente no registro escrito por meio de uma marca da
pontuação, das quais se excluem a vírgula e o ponto-e-vírgula. O recurso da pontuação é uma forma de
reproduzir na escrita uma longa pausa percebida na língua falada.
Fonte: www.nilc.icmc.usp.br
PERÍODO COMPOSTO
O período pode ser composto por coordenação , subordinação e ainda por coordenação e subordinação.
Período composto por coordenação
"Uma multidão se aglomera nas ruas do centro e o comércio interrompe suas atividades."
Primeira oração: "Uma multidão se aglomera nas ruas do centro" Segunda oração: "e o comércio
interrompe suas atividades."
Nesse período, cada uma das orações é sintaticamente independente, isto é, não exerce nenhuma
função sintática com relação à outra.
A primeira oração (Uma multidão se aglomera nas ruas do centro) tem existência idependente da
segunda oração (E o comércio interrompe suas atividades).
Cada oração vale por si, embora a expressão completa do pensamento do autor dependa da
coordenação ("ordenada lado a lado") das duas orações. A essas orações independentes dá-se o nome
de coordenada e o período por esse tipo de oração chama-se período composto por coordenação .
Período composto por subordinação
"Na São Paulo de 1901, o pioneiro Henrique Santos-Dumont solicitou ao prefeito Antônio Prado que o
isentasse do pagamento da recém-instituída taxa sobre automóveis."
Primeira oração: "Na São Paulo de 1901, o pioneiro Henrique Santos-Dumont solicitou ao prefeito Antônio
Prado" Segunda oração: "que o isentasse do pagamento da recém-instituída taxa sobre automóveis."
Nesse período a oração "que o isentasse do pagamento da recém-instituída taxa sobre automóveis" é
dependente sintaticamente da oração "Na São Paulo de 1901, o pioneiro Henrique Santo-Dumont
solicitou ao prefeito Antônio Prado", pois exerce a função de objeto direto do verbo solicitar.
A primeira oração não exerce nenhuma função sintática com relação à outra e tem uma oração que dela
depende. Essa oração é chamada de principal. A outra oração que depende sintaticamente da principal é
a oração subordinada.
Período composto por coordenação e subordinação
"Ocorrem conflitos burocráticos, e a Prefeitura, que se irritou com as reclamações do Dr. Henrique, cassa-
lhe a licença."
Neste período, há duas orações coordenadas e uma subordinada.
Coordenadas: "Ocorrem conflitos burocráticos, e a Prefeitura (...) cassa-lhe a licença." Subordinada:
"...que se irritou com as reclamações do Dr.Henrique..."
Esse tipo de período é chamado de período composto por coordenação e subordinação ou período misto.
No exemplo dado para período misto, a oração "e a Prefeitura cassa-lhe a licença" é coordenada em
relação à primeria e principal em relação à outra: "que se irritou com as reclamações do Dr. Henrique".
Uma oração coordenada ou subordinada poderá ser principal desde que exista outra que dependa dela.
"Quero que você vá ao supremercado e passe na casa da Aninha."
As orações "que você vá ao supermercado e "e passe na casa da Aninha" são subordinadas que exercem
a mesma função: objeto direto do verbo querer. Essas duas orações, no entando, estão coordenadas
entre si.
Duas ou mais orações podem estar coordenadas entre si desde que exerçam a mesma função.
Orações intercaladas ou interferentes
São orações que funcionam no período como observação, ressalva ou opinião etc.
"Nas costas do retrato, bem no cantinho - O PAI NÃO ENTENDEU - estava escrito: Uff!"
" Não sei - NUNCA SOUBE - se ele era João, Joaquim ou Robélio."
"Minha senhora - FICO MURMURANDO BAIXINHO - não é assim que se convence uma crença."
Assindéticas
Quando estão simplesmente colocadas uma ao lado da outra, sem qualquer conjunção entre elas (a =
"não"; síndeto = palavra de origem grega que significa "conjunção" ou "conectivo").
"Subo por uma velha escada de madeira mal iluminada, chego a uma espécie de salão." (M. Scliar)
"Grita, sacode a cabeleira negra, agita os braços, pára, olha, ri." (E. Veríssimo)
Sindéticas
Quando vêm introduzidas por conjunção.
"A luz aumentou E espalhou-se na campina." (G. Ramos)
"Sou feio, MAS sou carinhoso." (Frase de pára-choque)
Aditivas
Expressam uma adição, uma seqüência de informações:
"Nós desmanchamos o teto do barco E FIZEMOS UMA JANGADA PEQUENA." (Jornal da Tarde)
"Não olha para trás, não sente saudades, não deixa NEM CARREGA CONSIGO AMOR NENHUM."
(Mário Palmério)
Principais conjunções aditivas: e, nem, (não só)... mas também.
Adversativas
Expressam a idéia de oposição, contraste:
"Amor é igual fumaça: sufoca MAS PASSA." (Frase de pára-choque)
"Repele-a com um gesto manso, PORÉM A CABRA NÃO SE MOVE." (C. D. Andrade)
Principais conjunções adversativas: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto etc.
Alternativas
Expressam alternância de idéias:
"Cale-se OU EXPULSO A SENHORA DA SALA." (C. Lispector)
"ORA DORMIAM, ORA JOGAVAM CARTAS."
"OU VAI OU RACHA."
Principais conjunções alternativas: ou ... ou, ora ... ora, já ... já, quer ... quer etc.
Conclusivas
Expressam idéia de conclusão, conseqüência:
"São seres humanos; MERECEM, POIS, TODO NOSSO RESPEITO."
"Penso, LOGO HESITO."
Principais conjunções conclusivas: logo, portanto, por conseguinte, pois (posposto ao verbo) etc.
Explicativas
Indicam uma justificativa ou uma explicação ao fato expresso na primeira oração:
"Acendi o fogo, POIS ACORDARA FAMINTO e cozinhei o caldo." (D. S. Queiroz)
Principais conjunções explicativas: porque, que, pois (anteposto ao verbo) etc.
Particularidades
Com relação às orações coordenadas ainda se deve levar em conta que:
1) As orações coordenadas sindéticas aditivas podem estar correlacionadas através das expressões: (não
só)... mas também, (não somente)... mas ainda, (não só)... como também. Exemplo:
"Não só se dedica aos esportes COMO TAMBÉM À MÚSICA."
2) A conjunção que pode ter valor:
a) Aditivo:
"Varre QUE varre." (Varre e Varre.)
"Fala QUE fala." (Fala e fala.)
b) Adversativo:
"Todos poderão fazer isso QUE não vós."
3) A conjunção e pode assumir valor adversativo:
"Vi um vulto estranho e não senti medo."
4) O processo de coordenação pode ocorrer entre períodos de um texto:
"Não era briga. MAS a sua presença me transmitia um indizível desconforto." (O. Lessa)
"Os meninos choramingavam, pedindo de comer. E Chico Bento pensava." (R. Queiroz)
"Tudo seco em redor. E o patrão era seco também." (G. Ramos)
"As várzeas cobriam-se de grama, de mata-pasto, os altos cresciam em capoeira. Seu Lula, PORÉM, não
devia, não tomava dinheiro emprestado." (J. L. Rego)
Fonte: periodo.composto.vilabol.uol.com.br
PERÍODO COMPOSTO
ORAÇÕES SUBORDINADAS
Você já deve saber que período é uma frase organizada em orações. Já deve saber também que no
período simples existe apenas uma oração, chamada "absoluta", e que no período composto existem
duas ou mais orações. Essas orações podem se relacionar por meio de dois processos sintáticos
diferentes: a subordinação e a coordenação . Na subordinação, um termo atua como determinante de um
outro termo. Essa relação se verifica, por exemplo, entre um verbo e seus complementos: os
complementos são determinantes do verbo, integrando sua significação. Conseqüentemente, o objeto
direto e o objeto indireto são termos subordinados ao verbo, que é o termo subordinante. Outros termos
subordinados da oração são os adjuntos adnominais (subordinados ao nome que caracterizam) e os
adjuntos adverbiais (subordinados geralmente a um verbo). No período composto, considera-se
subordinada a oração que desempenha função de termo de outra oração, o que equivale a dizer que
existem orações que atuam como determinantes de outras orações. Observe o seguinte exemplo:
Percebeu que os homens se aproximavam.
Esse período composto é formado por duas orações: a primeira estruturada em torno da forma verbal
"percebeu"; a segunda, em torno da forma verbal "aproximavam". A análise da primeira oração permite
constatar de imediato que seu verbo é transitivo direto (perceber algo). O complemento desse verbo é, no
caso, a oração "que os homens se aproximavam" . Nesse período, a segunda oração funciona como
objeto direto do verbo da primeira. Na verdade, o objeto direto de percebeu é "que os homens se
aproximavam".
A oração que cumpre papel de um termo sintático de outra é subordinada; a oração que tem um de seus
termos na forma de oração subordinada é a principal. No caso do exemplo dado, a oração "Percebeu" é
principal; "que os homens se aproximavam" é oração subordinada. Diz-se, então, que esse período é
composto por subordinação.
Ocorre coordenação quando termos de mesma função sintática são relacionados entre si. Nesse caso,
não se estabelece uma hierarquia entre esses termos, pois eles são sintaticamente equivalentes.
Observe:
Brasileiros e portugueses devem agir como irmãos.
Nessa oração, o sujeito composto "brasileiros e portugueses", adjetivos substantivados, apresenta dois
núcleos coordenados entre si: os dois substantivos desempenham um mesmo papel sintático na oração.
No período composto, a coordenação ocorre quando orações sintaticamente equivalentes se relacionam.
Observe:
Comprei o livro, li os poemas e fiz o trabalho.
Nesse período, há três orações, organizadas a partir das formas verbais "comprei", "li" e "fiz". A análise
dessas orações permite perceber que cada uma delas é sintaticamente independente das demais: na
primeira, ocorre um verbo transitivo direto (comprar) acompanhado de seu respectivo objeto direto ("o
livro"); na segunda, o verbo ler, também transitivo direto, com o objeto direto "os poemas"; na terceira,
outro verbo transitivo direto, fazer, com o objeto direto "o trabalho". Nenhuma das três orações
desempenha papel de termo de outra. São orações sintaticamente independentes entre si e, por isso,
coordenadas. Nesse caso, o período é composto por coordenação. Note que a ordem das orações é
fixada por uma questão semântica e não sintática (os fatos indicados pelas orações obedecem à ordem
cronológica). Existem períodos compostos em que se verificam esses dois processos de organização
sintática, ou seja, a subordinação e a coordenação. Observe:
Percebi que os homens se aproximavam e saí em desabalada carreira.
Nesse período, há três orações, organizadas respectivamente a partir das formas verbais "percebi",
"aproximavam" e "saí". A oração organizada em torno de percebi tem como objeto direto a oração "que os
homens se aproximavam" (perceber algo); "que os homens se aproximavam", portanto, é oração
subordinada a percebi. Entre as orações organizadas em torno de percebi e saí, a relação é de
coordenação, já que uma não desempenha papel de termo da outra. O período é composto por
coordenação e subordinação.
As orações subordinadas se dividem em três grupos, de acordo com a função sintática que
desempenham e a classe de palavras a que equivalem. Podem ser substantivas, adjetivas ou adverbiais.
Mais uma vez, valem os conceitos morfossintáticos, que, como você já deve saber, combinam a
morfologia e a sintaxe. Para notar as diferenças que existem entre esses três tipos de orações, tome
como base a análise de um período simples:
Só depois disso percebi a profundidade das palavras dele.
Nessa oração, o sujeito é "eu", implícito na terminação verbal. "A profundidade das palavras dele" é objeto
direto da forma verbal percebi. O núcleo do objeto direto é profundidade. Subordinam-se ao núcleo desse
objeto os adjuntos adnominais "a" e "das palavras dele". No adjunto adnominal "das palavras dele", o
núcleo é o substantivo palavras, ao qual se prendem os adjuntos adnominais "as" e "dele". "Só depois
disso" é adjunto adverbial de tempo.
É possível transformar a expressão "a profundidade das palavras dele", objeto direto, em oração.
Observe:
Só depois disso percebi que as palavras dele eram profundas.
Nesse período composto, o complemento da forma verbal percebi é a oração "que as palavras dele eram
profundas". Ocorre aqui um período composto por subordinação, em que uma oração desempenha a
função de objeto direto do verbo da outra. O objeto direto é uma função substantiva da oração, ou seja, é
função desempenhada por substantivos e palavras de valor substantivo. É natural, portanto, que a oração
subordinada que desempenha esse papel seja chamada de oração subordinada substantiva.
Pode-se também modificar o período simples original transformando em oração o adjunto adnominal do
núcleo do objeto direto, profundidade. Observe:
Só depois disso percebi a profundidade que as palavras dele continham.
Nesse período, o adjunto adnominal de profundidade passa a ser a oração "que as palavras dele
continham". Você já sabe que o adjunto adnominal é uma função adjetiva da oração, ou seja, é função
exercida por adjetivos, locuções adjetivas e outras palavras de valor adjetivo. É por isso que são
chamadas de subordinadas adjetivas as orações que, nos períodos compostos por subordinação, atuam
como adjuntos adnominais de termos das orações principais.
Outra modificação que podemos fazer no período simples original é a transformação do adjunto adverbial
de tempo em uma oração. Observe:
Só quando cai em mim, percebi a profundidade das palavras dele.
Nesse período composto, "só quando caí em mim" é uma oração que atua como adjunto adverbial de
tempo do verbo da outra oração. O adjunto adverbial é uma função adverbial da oração, ou seja, é função
exercida por advérbios e locuções adverbiais. Portanto, são chamadas de subordinadas adverbiais as
orações que, num período composto por subordinação, atuam como adjuntos adverbiais do verbo da
oração principal.
É fácil perceber, assim, que a classificação das orações subordinadas decorre da combinação da função
sintática que exercem com a classe de palavras que representam, ou seja, é a morfossintaxe que
determina a classificação de cada oração subordinada. São subordinadas substantivas as que exercem
funções substantivas (sujeito, objeto direto e indireto, complemento nominal, aposto, predicativo). São
subordinadas adjetivas as que exercem funções adjetivas (atuam como adjuntos adnominais). São
subordinadas adverbiais as que exercem funções adverbiais (atuam como adjuntos adverbiais,
expressando as mais variadas circunstâncias).
Quanto à forma, as orações subordinadas podem ser desenvolvidas ou reduzidas. Observe:
1. Suponho que seja ela a mulher ideal.
2. Suponho ser ela a mulher ideal.
Nesses dois períodos compostos há orações subordinadas substantivas que atuam como objeto direto da
forma verbal suponho. No primeiro período, a oração é "que seja ela a mulher ideal". Essa oração é
introduzida por uma conjunção subordinativa (que) e apresenta uma forma verbal do presente do
subjuntivo (seja). Trata-se de uma oração subordinada desenvolvida. Assim são chamadas as orações
subordinadas que se organizam a partir de uma forma verbal do modo indicativo ou do subjuntivo e que
são introduzidas, na maior parte dos casos, por conjunção subordinativa ou pronome relativo.
No segundo período, a oração subordinada "ser ela a mulher ideal" apresenta o verbo numa de suas
formas nominais (no caso, infinitivo) e não é introduzida por conjunção subordinativa ou pronome relativo.
Justamente por apresentar uma peça a menos em sua estrutura, essa oração é chamada de reduzida. As
orações reduzidas apresentam o verbo numa de suas formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e
não apresentam conjunção ou pronome relativo (em alguns casos, são encabeçadas por preposições).
Como você já viu, as orações subordinadas substantivas desempenham funções que no período simples
normalmente são desempenhadas por substantivos. As orações substantivas podem atuar como sujeito,
objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto. Por isso são chamadas,
respectivamente, de subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas e
apositivas. Essas orações podem ser desenvolvidas ou reduzidas. As desenvolvidas normalmente se
ligam à oração principal por meio das conjunções subordinativas integrantes "que" e "se". As reduzidas
apresentam verbo no infinitivo e podem ou não ser encabeçadas por preposição.
TIPOS DE ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
Subjetivas
As orações subordinadas substantivas subjetivas atuam como sujeito do verbo da oração principal.
Exemplos:
1. É fundamental o seu comparecimento à reunião.
2. É fundamental que você compareça à reunião.
3. É fundamental você comparecer à reunião.
O primeiro período é simples. Nele, "o seu comparecimento à reunião" é sujeito da forma verbal é. Na
ordem direta é mais fácil constatar isso: "O seu comparecimento à reunião é fundamental".
Nos outros dois períodos, que são compostos, a expressão "o seu comparecimento a reunião" foi
transformada em oração ("que você compareça a reunião" e "você comparecer à reunião"). Nesses
períodos, as orações destacadas são subjetivas, já que desempenham a função de sujeito da forma
verbal "é". A oração "você comparecer à reunião", que não é introduzida por conjunção e tem o verbo no
infinitivo, é reduzida.
Quando ocorre oração subordinada substantiva subjetiva, o verbo da oração principal sempre fica na
terceira pessoa do singular. As estruturas típicas da oração principal nesse caso são:
a) verbo de ligação + predicativo - é bom..., é conveniente..., é melhor..., é claro..., está comprovado...,
parece certo..., fica evidente..., etc.
Observe os exemplos:
É preciso que se adotem providências eficazes.
Parece estar provado que soluções mágicas não funcionam.
b) verbo na voz passiva sintética ou analítica - sabe-se..., soube-se..., comenta-se..., dir-se-ia..., foi
anunciado..., foi dito..., etc.
Exemplos:
Sabe-se que o país carece de sistema de saúde digno.
Foi dito que tudo seria resolvido por ele.
c) verbos como convir, cumprir, acontecer, importar, ocorrer, suceder, parecer, constar, urgir, conjugados
na terceira pessoa do singular.
Exemplos:
Convém que você fique.
Consta que ninguém se interessou pelo cargo.
Parece ser ela a pessoa indicada.
Muitos autores consideram que o relativo "quem" deve ser desdobrado em "aquele que". Tem-se, assim,
um relativo (que), que introduz oração adjetiva. Outros autores preferem entender que "Quem usa drogas"
é o efetivo sujeito de experimenta. Esta nos parece a melhor solução.
Objetivas diretas
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas atuam como objeto direto do verbo da oração
principal.
Exemplos:
Todos querem que você compareça.
Suponho ser o Brasil o país de pior distribuição de renda no mundo.
Nas frases interrogativas indiretas, as orações subordinadas substantivas objetivas diretas podem ser
introduzidas pela conjunção subordinativa integrante "se" e por pronomes ou advérbios interrogativos.
Exemplos:
Ninguém sabe / se ela aceitará a proposta. / como a máquina funciona. / onde fica o teatro. / quanto custa
o remédio. / quando entra em vigor a nova lei. / qual é o assunto da palestra.
Com os verbos "deixar, mandar, fazer" (chamados auxiliares causativos) e "ver, sentir, ouvir, perceber"
(chamados auxiliares sensitivos) ocorre um tipo interessante de oração subordinada substantiva objetiva
direta reduzida de infinitivo.
Exemplos:
Deixe-ME REPOUSAR.
Mandei-OS SAIR.
Ouvi-O GRITAR.
Nesses casos, as orações destacadas são todas objetivas diretas reduzidas de infinitivo. E, o que é mais
interessante, os pronomes oblíquos atuam todos como sujeitos dos infinitivos verbais. Essa é a única
situação da língua portuguesa em que um pronome oblíquo pode atuar como sujeito. Para perceber
melhor o que ocorre, convém transformar as orações reduzidas em orações desenvolvidas:
Deixe que eu repouse.
Mandei que eles saíssem.
Ouvi que ele gritava.
Nas orações desenvolvidas, os pronomes oblíquos foram substituídos pelas formas retas
correspondentes. É fácil perceber agora que se trata, efetivamente, dos sujeitos das formas verbais das
orações subordinadas.
Objetivas indiretas
As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas atuam como objeto indireto do verbo da oração
principal.
Exemplos:
Duvido de que esse prefeito dê prioridade às questões sociais.
Lembre-se de comprar todos os remédios.
Completivas nominais
As orações subordinadas substantivas completivas nominais atuam como complemento de um nome da
oração principal.
Exemplos:
Levo a leve impressão de que já vou tarde.
Tenho a impressão de estar sempre no mesmo lugar.
Observe que as objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto as completivas nominais
integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário levar em conta o termo
complementado. Essa é, aliás, a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal: o primeiro
complementa um verbo; o segundo, um nome. Nos exemplos dados acima, as orações subordinadas
complementam o nome impressão.
Predicativas
As orações subordinadas substantivas predicativas atuam como predicativo do sujeito da oração principal.
Exemplos:
A verdade é que ele não passava de um impostor.
Nosso desejo era encontrares o teu caminho.
Apositivas
As orações subordinadas substantivas apositivas atuam como aposto de um termo da oração principal.
Exemplos:
De você espero apenas uma coisa: que me deixe em paz.
Só resta uma alternativa: encontrar o remédio.
PONTUAÇÃO DAS SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
A pontuação dos períodos compostos em que surgem orações subordinadas substantivas segue os
mesmos princípios que se adotam no período simples para as funções sintáticas a que essas orações
equivalem:
- A vírgula não deve separar da oração principal as orações subjetivas, objetivas diretas, objetivas
indiretas, completivas nominais e predicativas - afinal, sujeitos, complementos verbais e nominais não são
separados por vírgula dos termos a que se ligam. O mesmo critério se aplica para o predicativo nos
predicados nominais.
- A oração subordinada substantiva apositiva deve ser separada da oração principal por vírgula ou dois-
pontos, exatamente como ocorre com o aposto:
O boato, de que o presidente renunciaria, espalhou-se rapidamente.
Imponho-lhe apenas uma tarefa: que administre bem o dinheiro público.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Uma oração adjetiva nada mais é do que um adjetivo em forma de oração. Assim como é possível dizer
"redação bem-sucedida", em que o substantivo redação é caracterizado pelo adjetivo bem-sucedida, é
possível dizer também "redação que fez sucesso", em que a oração "que fez sucesso" exerce exatamente
o mesmo papel do adjetivo bem-sucedida, ou seja, caracteriza o substantivo redação.
Em termos sintáticos, essas orações exercem a função que normalmente cabe a um adjetivo, a de
adjunto adnominal.
Exemplos:
Pessoa que mente é pessoa mentirosa. A classe gramatical da palavra "mentirosa" é a dos adjetivos.
Qualifica o substantivo "pessoa".
Em vez de se dizer "pessoa mentirosa", é perfeitamente possível se dizer "pessoa que mente". Agora,
quem é que qualifica "pessoa"? A oração "que mente", que tem valor de adjetivo e, por isso, é oração
subordinada adjetiva.
Esse "que" que introduz a oração adjetiva "que mente" pode ser substituído por "a qual" (pessoa que
mente = pessoa a qual mente). E, por fim, esse "que" se chama pronome relativo.
Agora, vamos relacionar tudo isso com o emprego da vírgula. Leia a seguinte passagem: "Não gosto de
pessoas mentirosas". Você poria vírgula entre "pessoas" e "mentirosas"? Certamente não. E por quê?
Porque o papel da palavra "mentirosas" é limitar o universo de pessoas. Afinal, não é de qualquer pessoa
que eu não gosto. Só não gosto das pessoas mentirosas, ou seja, só não gosto das pessoas que
mentem.
A oração "que mentem" exerce o mesmo papel do adjetivo "mentirosas", isto é, limita, restringe o universo
de pessoas. Essa oração é chamada de "adjetiva restritiva" e, como você deve ter notado, também não é
separada da anterior por vírgula.
Agora veja este outro caso: "Os cariocas, que adoram o mar, sempre estão de bem com a vida". A que
cariocas se faz referência na frase? Será que a idéia é dividir os cariocas em dois blocos (os que adoram
o mar e os que não adoram) e dizer que só os que adoram o mar estão sempre de bem com a vida? É
claro que não. O que se quer é fazer uma afirmação de caráter genérico: os cariocas adoram o mar e
sempre estão de bem com a vida.
O "que" dessa frase é pronome relativo ("Os cariocas, os quais adoram o mar...") e, por isso mesmo,
como você já sabe, introduz oração subordinada adjetiva, que, no caso, não é restritiva. Não restringe,
não limita. Generaliza. É chamada de explicativa.
A oração restritiva não é separada da anterior por vírgula, mas a explicativa é.
Agora preste muita atenção. Leia estas duas frases:
1) Ele telefonou para a irmã que mora na Itália;
2) Ele telefonou para a irmã, que mora na Itália.
Elas parecem iguais, mas não são. A vírgula faz a diferença. Em ambos os casos, o "que" pode ser
substituído por "a qual". Em ambos os casos, o "que" é pronome relativo e, por isso, introduz oração
adjetiva.
A diferença está na extensão do termo que vem antes do "que" ("irmã"). Sem a vírgula ("irmã que mora na
Itália"), cria-se um limite. Certamente, ele tem mais de uma irmã. Pelo menos duas, uma das quais mora
na Itália. Não fosse assim, não faria sentido a restrição imposta pela oração "que mora na Itália".
Com a vírgula, a oração "que mora na Itália" não restringe. Deixa de ser restritiva e passa a ser
explicativa. Nosso amigo só tem uma irmã, e ela mora na Itália.
Veja outro caso: "A empresa tem cem funcionários que moram em Campinas". O que acontece quando se
coloca vírgula depois de "funcionários"? Muda tudo. Sem a vírgula, a empresa tem mais de cem
funcionários, dos quais cem moram em Campinas.
Com a vírgula depois de "funcionários", a empresa passa a ter exatamente cem funcionários, e todos
moram em Campinas.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Uma oração subordinada adverbial exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração principal.
Exemplos:
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de minha vida.
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de minha vida.
No primeiro período, "naquele momento" é um adjunto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal
senti. No segundo período, esse papel é exercido pela oração "Quando vi o mar", que é, portanto, uma
oração subordinada adverbial temporal. Essa oração é desenvolvida, já que é introduzida por uma
conjunção subordinativa (quando) e apresenta uma forma verbal do modo indicativo (vi, do pretérito
perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, obtendo algo como: Ao ver o mar, senti uma das maiores
emoções de minha vida. "Ao ver o mar" é uma oração reduzida porque apresenta uma das formas
nominais do verbo (ver é infinitivo) e não é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma
preposição (a, combinada com o artigo o).
Se você já estudou os adjuntos adverbiais, você viu que sua classificação é feita com base nas
circunstâncias que exprimem. Com as orações subordinadas adverbiais ocorre a mesma coisa. A
diferença fica por conta da quantidade: há apenas nove tipos de orações subordinadas adverbiais,
enquanto os adjuntos adverbiais são pelo menos quinze. As orações adverbiais adquirem grande
importância para a articulação adequada de idéias e fatos e por isso são fundamentais num texto
dissertativo. Você terá agora um estudo pormenorizado das circunstâncias expressas pelas orações
subordinadas adverbiais. É importante compreender bem essas circunstâncias e observar atentamente as
conjunções e locuções conjuntivas utilizadas em cada caso.
TIPOS DE ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Causa
A idéia de causa está diretamente ligada àquilo que provoca um determinado fato. As orações
subordinadas adverbiais que exprimem causa são chamadas causais. A conjunção subordinativa mais
utilizada para a expressão dessa circunstância é "porque". Outras conjunções e locuções conjuntivas
muito utilizadas são "como" (sempre introduzindo oração adverbial causal anteposta à principal), "pois",
"já que", "uma vez que", "visto que".
Exemplos:
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve outra alternativa a não ser cancelá-lo.
Já que você não vai, eu não vou.
Por ter muito conhecimento (= Porque/Como tem muito conhecimento), é sempre consultado. (reduzida
de infinitivo)
Conseqüência
A idéia de conseqüência está ligada àquilo que é provocado por um determinado fato. As orações
subordinadas adverbiais consecutivas exprimem o efeito, a conseqüência daquilo que se declara na
oração principal. Essa circunstância é normalmente introduzida pela conjunção "que", quase sempre
precedida, na oração principal, de termos intensivos, como "tão, tal, tanto, tamanho".
Exemplos:
A chuva foi tão forte que em poucos minutos as ruas ficaram alagadas.
Tal era sua indignação que imediatamente se uniu aos manifestantes.
Sua fome era tanta que comeu com casca e tudo.
Condição
Condição é aquilo que se impõe como necessário para a realização ou não de um fato. As orações
subordinadas adverbiais condicionais exprimem o que deve ou não ocorrer para que se realize ou deixe
de se realizar o fato expresso na oração principal. A conjunção mais utilizada para introduzir essas
orações é "se"; além dela, podem-se utilizar "caso, contanto que, desde que, salvo se, exceto se, a
menos que, sem que, uma vez que" (seguida do verbo no subjuntivo).
Exemplos:
Uma vez que você aceite a proposta, assinaremos o contrato.
Caso você se case, convide-me para a festa.
Não saia sem que eu permita.
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, certamente o melhor time será o campeão.
Conhecendo os alunos ( = Se conhecesse os alunos), o professor não os teria punido. (oração reduzida
de gerúndio)
Concessão
A idéia de concessão está diretamente ligada à idéia de contraste, de quebra de expectativa. De fato,
quando se faz uma concessão, não se faz o que é esperado, o que é normal. As orações adverbiais que
exprimem concessão são chamadas concessivas. A conjunção mais empregada para expressar essa
relação é "embora"; além dela, podem ser usadas a conjunção "conquanto" e as locuções "ainda que,
ainda quando, mesmo que, se bem que, apesar de que".
Exemplos:
Embora fizesse calor; levei agasalho.
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade da população continua à margem do mercado
de consumo.
Foi aprovado sem estudar ( = sem que estudasse / embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
Comparação
As orações subordinadas adverbiais comparativas contêm fato ou ser comparado a fato ou ser
mencionado na oração principal. A conjunção mais empregada para expressar comparação é "como";
além dela, utilizam-se com muita freqüência as estruturas que formam o grau comparativo dos adjetivos e
dos advérbios: "tão... como" (quanto), "mais (do) que", "menos (do) que".
Exemplos:
Ele dorme como um urso (dorme).
Sua sensibilidade é tão afinada quanto sua inteligência (é).
Como se pode perceber nos exemplos acima, é comum a omissão do verbo nas orações subordinadas
adverbiais comparativas. Isso só não ocorre quando se comparam ações diferentes ("Ela fala mais do que
faz." - nesse caso, compara-se o falar e o fazer).
Conformidade
As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam idéia de conformidade, ou seja, exprimem
uma regra, um caminho, um modelo adotado para a execução do que se declara na oração principal. A
conjunção típica para exprimir essa circunstância é "conforme"; além dela, utilizam-se "como, consoante e
segundo" (todas com o mesmo valor de conforme).
Exemplos:
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos iguais.
Segundo atesta recente relatório do Banco Mundial, o Brasil é o campeão mundial de má distribuição de
renda.
Finalidade
As orações subordinadas adverbiais finais exprimem a intenção, a finalidade do que se declara na oração
principal. Essa circunstância é normalmente expressa pela locução conjuntiva "a fim de que"; além dela,
utilizam-se a locução "para que" e, mais raramente, as conjunções "que" e "porque" ( = para que).
Exemplos:
Vim aqui a fim de que você me explicasse as questões.
Fez tudo porque eu não obtivesse bons resultados. (- para que eu não obtivesse...)
Suportou todo tipo de humilhação para obter o visto americano. (= para que obtivesse...) (reduzida de
infinitivo)
Proporção
As orações subordinadas adverbiais proporcionais estabelecem relação de proporção ou
proporcionalidade entre o processo verbal nelas expresso e aquele declarado na oração principal. Essa
circunstância normalmente é indicada pela locução conjuntiva "à proporção que"; além dela, utilizam-se "à
medida que" e expressões como "quanto mais", "quanto menos", "tanto mais", "tanto menos".
Exemplos:
Quanto mais se aproxima o fim do mês, mais os bolsos ficam vazios.
Quanto mais te vejo, mais te desejo.
À medida que se aproxima o fim do campeonato, aumenta o interesse da torcida pela competição.
À proporção que se acumulam as dívidas, diminuem as possibilidades de que a empresa sobreviva.
Tempo
As orações subordinadas adverbiais temporais indicam basicamente idéia de tempo. Exprimem fatos
simultâneos, anteriores ou posteriores ao fato expresso na oração principal, marcando o tempo em que se
realizam. As conjunções e locuções conjuntivas mais utilizadas são "quando, enquanto, assim que, logo
que, mal, sempre que, antes que, depois que, desde que".
Exemplos:
"Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver." (Milton Nascimento & Fernando Brant)
"Enquanto os homens exercem seus podres poderes, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos e
perdem os verdes: somos uns boçais (Caetano Veloso)
Mal você saiu, ela chegou.
Terminada a festa, todos se retiraram. ( Quando terminou a festa) (reduzida de particípio)
Observação: Mais importante do que aprender a classificar as orações subordinadas adverbiais é
interpretá-las adequadamente e utilizar as conjunções e locuções conjuntivas de maneira eficiente. Por
isso, é desaconselhável que você faça o que muita gente costuma indicar como forma de "aprender as
orações subordinadas adverbiais": "descabelar-se" para decorar listas de conjunções e, com isso,
conseguir dar um rótulo as orações. Essa prática, além de fazer com que você se preocupe mais com
nomenclaturas do que com o uso efetivo das estruturas lingüísticas, é inútil quando se consideram casos
mais sutis de construção de frases. Observe, nas frases seguintes, o emprego da conjunção como em
diversos contextos: em cada um deles, ocorre uma oração subordinada adverbial diferente. Como seria
possível reconhecê-las se se partisse de uma lista de conjunções "decoradas"? É melhor procurar
compreender o que efetivamente está sendo declarado.
Como dizia o poeta, "a vida é a arte do encontro". (valor de conformidade)
Como não tenho dinheiro, não poderei participar da viagem. (valor de causa)
"E cai como uma lágrima de amor." (Antônio Carlos Jobim & Vinicius de Moraes) (valor de comparação)
Há até casos em que a classificação depende do contexto: "Como o jornal noticiou, o teatro ficou lotado".
A oração subordinada adverbial pode ser causal ou conformativa, dependendo do contexto.
AS ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS E A PONTUAÇÃO
A pontuação dos períodos em que há orações subordinadas adverbiais obedece aos mesmos princípios
observados em relação aos adjuntos adverbiais. Isso significa que a oração subordinada adverbial
sempre pode ser separada por vírgulas da oração principal. Essa separação é optativa quando a oração
subordinada está posposta à principal e é obrigatória quando a oração subordinada está intercalada ou
anteposta.
Exemplos:
Tudo continuará como está se você não intervier; ou Tudo continuará como está, se você não intervier.
Disse que, quando chegar, tomará todas as providências. Quando chegar, tomará todas as providências.

REGÊNCIA VERBAL

Regência é a relação necessária que se estabelece entre duas palavras, uma das quais servindo de
complemento a outra (dependência gramatical).
TERMO REGENTE = palavra principal a que outra se subordina.
TERMO REGIDO = palavra dependente que serve de complemento e que se subordina ao TERMO
REGENTE.
Assim, a relação entre o verbo (termo regente) e o seu complemento (termo regido) chama-se
REGÊNCIA VERBAL, orientada pela transitividade dos verbos, que podem se apresentar diretos ou
indiretos, ou seja, exigindo um complemento na forma de objeto direto ou indireto.
Lembrando que o OBJETO DIRETO é o complemento do verbo que não possui preposição e que também
pode ser representado pelos pronomes oblíquos "o", "a", "os", "as". Já o OBJETO INDIRETO vem
acrescido de preposição e igualmente pode ser representado pelos pronomes "lhe", "lhes". Cuidado,
porém, com alguns verbos, como "assistir" e "aspirar", que não admitem o emprego desses pronomes.
Os pronomes "me", "te", "se", "nos" e "vos" podem, entretanto, funcionar como objetos diretos ou
indiretos.
ATENÇÃO: Muitas vezes alguns verbos podem apresentar diferentes regências sem que seus sentidos
sejam alterados ou, ao contrário, acarretando diferentes significados e acepções.
REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS - ABRAÇAR.
Pede objeto direto.
Exemplos:
Abracei Michele carinhosamente em seu aniversário. Pelo meu elogio, Pedro abraçou-me agradecido.
Observação: Este verbo pode aparecer com outras regências que não acarretam mudança no sentido,
mas que introduzem matizes especiais de significação.
Exemplos:
Meio tonto, Lucas abraçou-se ao poste. Para caminhar com mais apoio, Ana abraçou-se em mim.
Comemorando a vitória, Luís abraçava-se com o pai.
ACONSELHAR.
Pede objeto direto e indireto no sentido de "dar e tomar conselhos, entrar em acordo".
Exemplos:
Aconselho você a não sair de casa hoje por causa da chuva. Aconselhei à Isabel um bom caminho para ir
à praia. Aconselhamos João sobre os malefícios do fumo. Aconselhei-me com o juiz sobre o meu
processo. Depois nos aconselharemos no que mais nos convieR. Aconselharam-se para me trair.
AGRADAR
Pede objeto direto no sentido de "acariciar, fazer agrados".
Exemplos:
O pai agradava o filho antes de sair para o trabalho. Sempre agradei minhas namoradas com meus
elogios. (agradá-las) Pede objeto indireto no sentido de "ser agradável, contentar, satisfazer".
Exemplos:
A resposta não agradou ao professoR. Tenho certeza de que este livro não lhe agradará. A piada não
agradou à platéia.
AGRADECER
Pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
(AGRADECER ALGUMA COISA A ALGUÉM)
Agradeci A Deus a cura de minha mãe. Agradeceu-me comovido o presente. Observação: Agradecer a
alguém "por alguma coisa" é incorrer em italianismo, forma perfeitamente dispensável.
AJUDAR.
Pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
Ajudo meu irmão em seu escritório. Ajudei-o a resolver aqueles problemas.
APOIAR-SE
Pede objeto indireto.
Exemplos:
Para não cair, Carlos apoiou-se ao muro. Ela apóia-se à mesa para escreveR. Apoiamo-nos em
documentos para provar o que dissemos. Apoiei-me sobre a perna direita ao descer do ônibus.
ANTIPATIZAR / SIMPATIZAR
Pedem objeto indireto, iniciado pela preposição "com".
Exemplos:
Antipatizei com aquela secretária. Simpatizo com as idéias daquele partido. Observação: Esses verbos
não são pronominais. Assim, não se deve dizer: "antipatizei-me com ela" ou "simpatizei-me com ela".
ASPIRAR.
Pede objeto direto quando significa "respirar, sorver, absorver".
Exemplos:
Aspirei muita poeira, limpando aqueles livros velhos. Ao abrir a janela, aspirei o ar puro da manhã. Pede
objeto indireto no sentido de "ambicionar, pretender, desejar".
Exemplos:
Ele sempre aspirou ao cargo de presidente da República. Todos aspiram a uma vida melhoR.
Observação: Neste caso, não se admite o pronome átono "lhe" que deve ser substituído pelas formas "a
ele, a ela", etc. Exemplo: Aquele aumento de salário?! Aspiro a ele desde o ano passado.
ASSISTIR.
Pede objeto direto no sentido de "prestar assistência, ajudar, servir, acompanhar".
Exemplos:
O médico assiste a evolução daquele paciente todos os dias. A Prefeitura assistiu os moradores daquela
favela depois dos desabamentos. Pede objeto indireto quando significa "prestar atenção, estar presente,
presenciar".
Exemplos:
Assistimos ao jogo ontem à noite.
Aquele casal assistiu à queda do avião com indiferença.
Observação: Neste caso, também é exigida a forma "a ele/a ela", quando da substituição do complemento
por uma forma pronominal.
Exemplo: Quanto ao julgamento, assistimos a ele preocupados.
Também pede objeto indireto no sentido de "pertencer, caber direito ou razão".
Exemplo: Não lhe assiste o direito de reclamar neste momento.
Observação: Nesta acepção, é aceito como objeto indireto o pronome oblíquo "lhe".
ATENDER
Pede objeto direto com o significado de "servir, escutar e responder".
Exemplos:
O garçom atendia o freguês com simpatia.
Renato atendeu o telefone logo que ele tocou.
Observação: Com o sentido de "escutar e responder", a regência deste verbo pode apresentar a oposição
luso-brasileira "atender algo / atender a algo".
Exemplos:
Renato atendeu o telefone / Renato atendeu ao telefone
Pede objeto indireto no sentido de "deferir, cuidar de".
Exemplos:
O juiz atendeu ao requerimento do advogado.
Horácio e Vera atendiam às crianças de sua creche com muito carinho e dedicação.
Todo domingo, um grupo de jovens atendia aos mais necessitados de seu bairro com alimentos e roupas
doados.
Pede objeto direto ou indireto, indiferentemente, quando significa "dar ou prestar atenção a, dar audiência
a".
Exemplos:
O soldado não atendeu as (às) ordens do sargento. Janete sempre atendia os (aos) conselhos de sua
mãe. O reitor atenderá a (à) comissão de alunos amanhã.
ATINGIR
Pede objeto direto.
Exemplos:
A despesa atingiu 50 reais. Atualmente a informática atinge um progresso espantoso.
ATIRAR
Pede objeto direto quando significa "arremessar, lançar, arrojar".
Exemplos:
"aQUELE QUE ESTIVER SEM PECADO QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA!" Mário gosta de atirar pedras
no telhado do vizinho. Observação: Não se deve confundir objeto indireto com adjunto adverbial. Pede
objeto indireto no sentido de "disparar arma de fogo".
Exemplos:
O alvo a que os soldados atiravam ficava a 300 metros. Atirem nos inimigos quando eu mandar!
AUMENTAR
Pede objeto indireto com a preposição "em". Exemplo: A dívida externa brasileira aumentou em tamanho.
AVISAR (assim como CERTIFICAR, INFORMAR, NOTIFICAR, PREVENIR)
Pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
(AVISAR ALGUÉM DE ALGUMA COISA - FORMA MAIS ACEITÁVEL) Eu avisarei Pedro da sua chegada.
Eu o avisarei... (AVISAR ALGUMA COISA A ALGUÉM) Eu avisarei sua chegada a Pedro. Eu lhe
avisarei...
BATER
Pede objeto direto, significando "bater alguma coisa".
Exemplos:
o sair, Marco bateu a porta com violência. Ela machucou seu dedo, batendo pregos na parede. Sílvio
bateu o carro no poste violentamente. Pede objeto indireto com o sentido de "bater a, na, pelas portas,
bater em alguém, bater sobre".
Exemplos:
lguém bateu à porta quando eu assistia à televisão. Alguém bateu na porta da sala com uma bengala. O
mendigo batia pelas portas de várias casas a pedir só um prato de comida. João foi preso ontem por bater
em sua mulheR.
Revoltado, o diretor bateu sobre a mesa a mão fechada com extrema raiva.
CARECER
Pede objeto indireto.
Exemplos: (Com o sentido de "precisar, necessitar") Careço de dinheiro para pagar minhas contas.
Careço do carinho de meus avós que já morreram.
CARREGAR
Pede objeto direto ou indireto.
Exemplos:
Carreguei o menino no colo o dia todo. Carreguei com o menino deste lugar perigoso.
CERTIFICAR (Mesma regência de AVISAR)
CHAMAR
Pede objeto direto ou indireto - com a preposição "por" como posvérbio - quando significa "fazer vir
alguém, convocar, invocar, pedir auxílio".
Exemplos:
O presidente chamou os ministros para uma reunião urgente. (Chamou-os)
Em suas preces, Alzira chamou por todos os santos. O rapaz chamava pelos colegas para empurrarem o
carro. Quando viu os ladrões, Noeli chamou pela polícia. De longe, notei que alguém chamava por mim.
Ainda com este sentido, o verbo CHAMAR pode tornar-se intransitivo.
Exemplos:
- Chamou? Perguntou o policial.
Chamei! Respondeu a moça. Com o significado de "denominar, apelidar", pede objeto direto ou indireto e
predicativo, com ou sem preposição.
Exemplos:
Chamavam Jânio, maluco. / Chamavam Jânio de maluco. Chamavam a Jânio de maluco. / Chamavam a
Jânio, maluco.
CHEGAR
Pede o emprego da preposição "a"; contudo, já é bastante usual na linguagem coloquial brasileira o
emprego da preposição "em".
Exemplos:
Ele chegou ao (no) colégio atrasado. Bete chegou a (em) casa de madrugada. Observação: Em "Cheguei
na hora exata", a preposição "em" está empregada corretamente, porque indica tempo, e não lugar.
CERTIFICAR (ver AVISAR)
COMUNGAR
Pede objeto direto com o sentido de "dar comunhão. Exemplo: O padre comungou meus pais hoje.
(Comungou-os) Com o significado de "estar de acordo, participar", pode vir com preposição, como
posvérbio.
Exemplos:
Eles comungavam às (das/nas/com as) mesmas idéias. Gabeira voltou ao Brasil para comungar das (com
as/nas) liberdades e dos direitos e deveres democráticos.
CONFRATERNIZAR
Pede objeto indireto. Exemplo: Os jogadores confraternizaram com a torcida após a conquista do
campeonato. Observação: O verbo confraternizar já indica reciprocidade. Portanto, o pronome "se" é
perfeitamente dispensável.
CONHECER
Pede objeto direto.
Exemplos:
Eu conheço aquela menina de algum lugar. (Eu a conheço)
CONSTITUIR (-SE)
O verbo constituir é transitivo direto. Exemplo: Esses capítulos constituem o núcleo do romance. O verbo
constituir-se rege a preposição "em": Esses capítulos constituem-se no núcleo do romance.
CONTENTAR
Pede objeto direto quando significa "agradar, satisfazer".
Exemplos:
Fiz o possível para contentar meus filhos neste Natal. Não consegui contentá-la com meu presente. Com
o sentido de "ficar contente", o verbo é pronominal, apresentando-se com as preposições "com, de, em".
Exemplos:
Contento-me com poucas coisas. Contentou-se em/de viajar amanhã para a Europa.
CONTRIBUIR
Quando se usar o verbo "contribuir", a preposição "com" deverá introduzir o meio utilizado para a
contribuição (dinheiro, mão-de-obra, mantimentos, roupas, etc.); já a preposição "para" introduzirá o
beneficiário da contribuição, ou seja, a quem será destinado o elemento material da contribuição. Deve-se
dizer, pois, que alguém contribui com algo para alguém.
Exemplos:
Ele contribuiu com dinheiro para as vítimas das enchentes. Pedro contribuirá com sua experiência de
pedreiro para a reforma da escola.
CONVIDAR
Pede objeto direto.
Exemplos:
Convidarei Bruna para sairmos hoje. Cláudia não o convidou para a festa.
CUSTAR
Pede objeto direto quando significa "valer, ter um preço".
Exemplos:
Este carro esporte custa cem mil dólares. Quanto custou esse livro? Quando significa "ser difícil", pede
objeto indireto e vem sempre na terceira pessoa, tendo como sujeito uma oração, geralmente reduzida de
infinitivo.
Exemplos:
Custa-me ir trabalhar de trem todos os dias. Custam aos alunos esses exercícios de geometria (Custam-
lhes) Se o verbo vem seguido de um infinitivo, este pode vir ou não precedido da preposição "a".
Exemplos:
Custou-me (a) resolver esses problemas. Ele há de custar (a) dar o primeiro passo. Observação: Para
valorizar a pessoa a quem um fato apresenta-se difícil, ou ainda tendo o sentido de "tardio, demorado", a
linguagem coloquial põe-na como sujeito da oração.
Exemplos:
Custei (a) resolver esses problemas. Custamos (a) acreditar que aquilo era verdade.
DEPARAR
Pede objeto direto quando significa "fazer aparecer". Exemplo: Qual é o santo que depara as coisas
perdidas? Pede objeto indireto no sentido de "encontrar com alguém de repente". Exemplo: Ana deparou
com seu pai na rua. É pronominal, significando "vir, chegar, surgir inesperadamente". Exemplo: Deparou-
se-lhe uma ótima chance de emprego.
DESCULPAR
Pede objeto direto e indireto, possuindo os sentidos de "pedir desculpas, perdoar e justificar".
Exemplos:
(PERDOAR ALGUÉM DE OU POR ALGUMA COISA) Desculpe-me de (por) ter gritado com você. Ao
chegar, Antônio desculpou-se da (pela=por+a) demora. Desculpei meu irmão de (por) me ter ofendido.
(Desculpei-o)
Toda mãe sempre desculpa os erros de seus filhos.
DIGNAR-SE (pronominal, que no padrão culto rege a preposição "de")
Exemplos:
Ele não se dignou de dizer a verdade.
O deputado nem se dignou de nos respondeR.
Observações: É comum, em textos formais, encontrar esse verbo com a preposição "de" elíptica. Ex.: O
Presidente se dignou ouvir nossas reivindicações.
Normalmente, esse verbo, na linguagem corrente, é usado com as preposições "em" ou "a", sendo esse
uso inadequado, já que não é aprovado por gramáticos e dicionaristas.
- ENCONTRAR Pede objeto direto quando significa "achar, avistar".
Exemplo: Só hoje encontrei o livro que tanto procurava.
Pede objeto indireto no sentido de "deparar com alguém, ter ou marcar um encontro".
Exemplo: Encontramos com João no cinema. É pronominal quando significar "estar, achar-se em".
Exemplo: A secretária disse que seu chefe encontrava-se em reunião.
ENSINAR
Pede objeto direto e indireto. Exemplo: Ensinei português aos alunos a tarde toda.
ENTRAR
Pede objeto indireto.
Exemplos:
Entrei na sala de aula. Entrei de cantor no conjunto do colégio. Entrei para o coro do teatro.
ESPERAR
Pede objeto direto. Exemplo: Na festa, todos esperavam Pelé. Observação: Pode-se empregar a
preposição "por" como posvérbio, marcando interesse: "Todos esperavam por Pelé."
ESQUECER
Dependendo do matiz de significação que se queira dar ao verbo, este poderá se apresentar transitivo
direto ou indireto e pronominal, acompanhado dos pronomes me, te, se, etc.
Exemplos:
Esqueci o livro sobre a mesa.
Esqueci-me do livro...
Não esqueça as suas tarefas.
Não se esqueça das suas tarefas.
Já esqueci totalmente o latim.
Já me esqueci totalmente do latim.
Na língua do Brasil, no entanto, surgiu uma fusão dessas duas possibilidades: esquecer de algo ou de
alguém. Essa forma é usadíssima na fala e encontra registro na escrita, sobretudo quando o
complemento de "esquecer" é um infinitivo: "Ia esquecendo de fazer uma confidência importante" (Érico
Veríssimo); "Ele esqueceu de ir ao banco"; "Não esqueço de você"; "Não esquecia da saúva" (Mário de
Andrade).
Atenção: Se participar de um concurso público, de um vestibular, de uma prova tradicional, você deve
considerar erradas as construções do parágrafo anterior, apesar de serem comuns na fala e na escrita
brasileiras.
Há ainda a possibilidade de o sujeito do verbo "esquecer" não ser uma pessoa, um ser humano. O sujeito
é uma coisa, um fato. Mas coisa No caso, "esquecer" passa a significar "cair no esquecimento". Em
"Açores: Férias que nunca esquecem" (frase de um anúncio divulgado em Portugal), o sujeito do verbo
"esquecer" é "férias". Elas, as férias, nunca caem no esquecimento.
Em Machado de Assis, encontram-se vários casos desse emprego de "esquecer": "Esqueceu-me
apresentar-lhe minha mulher", onde o sujeito de "esqueceu-me" é a oração "apresentar-lhe minha
mulher", ou seja, esse fato - o ato de apresentar-lhe minha mulher - caiu no meu esquecimento.
Essa mesma regência vale para "lembrar", isto é, há na língua o registro de frases como "Não me
lembrou esperá-la", em que "lembrar" significa "vir à lembrança". O sujeito de "lembrou" é "esperá-la", ou
seja, esse fato - o ato de esperá-la - não me veio à lembrança.
ESTIMAR
Pede objeto direto quando significar "ter afeição ou amizade a, apreciar, avaliar, congratular-se por, ser de
opinião, achar".
Exemplos:
Estimo meus sobrinhos como filhos. Estimava bastante os filmes de Chaplin. Estimo esse anel em mil
dólares. Estimamos suas melhoras. Estimei o fim da obra para daqui a dez dias. Com o sentido de
"prezar-se", apresenta-se também como pronominal. Exemplo: Normalmente, estima-se todos aqueles
que fazem o bem.
FELICITAR
Pede objeto direto e indireto. Exemplo: Felicito-o por (de) ter passado no concurso.
FUGIR (ESCAPAR)
Pede objeto indireto.
Exemplos:
Fugiu-lhe as forças. Fugiram ao cerco da polícia. Ele foge de qualquer briga.
GOSTAR
Quando sinônimo de "apreciar", pede objeto indireto. Exemplo: Ele gostou do almoço que lhe servimos.
Quando significa "degustar, provar, experimentar, saborear",pede objeto direto. Exemplo: Ele gostou o
vinho.
IMPLICAR
Pede objeto direto quando significa "acarretar, produzir como conseqüência alguma coisa, pressupor".
Exemplos:
Tua atitude implica prejuízos ao colégio. Acho que esses novos cálculos implicarão mudanças gerais nas
obras. Com o sentido de "envolver, comprometer", pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
(IMPLICAR ALGUÉM EM ALGUMA COISA) P. C. Farias implicou muita gente em suas falcatruas. Com o
sentido de "ter antipatia, irritação em relação a alguém ou a alguma coisa", pede objeto indireto.
Exemplos:
Dona Maria implicava com todas as crianças do bairro.
Paulo implica com sua irmã caçula o dia todo.
IMPORTAR
Pede objeto direto com o significado de "fazer vir de país estrangeiro, acarretar".
Exemplos:
O Brasil importa muitos automóveis da Europa. As guerras importam grandes calamidades. Pede objeto
indireto quando significa:
1. ATINGIR O TOTAL DE
Exemplo: As despesas importaram em vinte mil dólares.
2. REPRESENTAR
Exemplo: Só eliminei os erros do texto quando eles importavam em erros gramaticais.
3. DIZER RESPEITO, INTERESSAR
Exemplo: Estas regras importam a todos que desejam escrever bem.
4. PREOCUPAR-SE, INCOMODAR-SE COM OU DE (pronominal);
Exemplos:
Toda mãe importa-se quando seus filhos saem à noite sozinhos. Você se importa de ficar aqui hoje?
INDAGAR
Pede objeto direto e indireto. Exemplo: Os alunos indagaram as suas notas baixas do professoR.
INFORMAR (ver AVISAR)
INTERESSAR
Pede objeto direto e indireto quando significa "prender a atenção, despertar a curiosidade". Exemplo: Por
meio desse novo método, consegui interessá-lo em matemática. Pede objeto indireto e é pronominal com
o sentido de "ser proveitoso, útil, empenhar-se".
Exemplos:
Em função do meu trabalho, interessava-me em residir fora do Rio de Janeiro.
Ele não se interessa nas aulas de física.
IR
Pede objeto indireto ou complemento circunstancial de lugaR.
Exemplos:
Vou a São Paulo. Fui para a França.
LEMBRAR
Significando "fazer vir à memória por analogia, sugerir", pede objeto direto. Exemplo: Depois da chuva, a
estrada lembrava um rio. Pede objeto direto e indireto quando significa "recomendar, advertir".
Exemplos:
este retrato é para lembrá-la a você. Lembre seu pai de tomar os remédios na hora certa. Com o sentido
de "recordar, vir à memória, trazer à lembrança", é possível duas formas.
Exemplos:
Lembrei o acidente. Lembrei-me do acidente. Observação: Quando o objeto indireto vem expresso por
uma oração desenvolvida, o uso da preposição "de" é facultativo. Exemplo: Lembrei-me (de) que devo
estudar para a prova hoje.
MEDITAR
Pede objeto indireto. No entanto,Possui duas regências sem mudança em seu significado.
Exemplos:
(MEDITAR SOBRE OU EM ALGUMA COISA) À noite, sempre medito sobre (em) minha vida.
- MORAR (RESIDIR)
Em dicionários de regência, como os de Celso Luft e de Francisco Fernandes, vemos que o uso da
preposição "a" com os verbos morar e residir é mais comum na linguagem burocrática, apesar de também
aparecer em textos literários. Mas só há registros disso antes de rua, praça, avenida (palavras femininas).
Não há registro, por exemplo, de "Mora ao Largo da Carioca", "Reside ao Beco do Mota", etc.
Já a preposição "em" é inquestionavelmente correta em qualquer desses casos: "Mora na Rua Prudente
de Morais", "Reside no Largo do Machado", etc.
NAMORAR
Pede objeto direto em qualquer das acepções em que ele possa ser tomado.
Exemplos:
Marco namorou Denize por cinco anos. Ele namorava os doces da vitrine. Observação: É incorreto
empregar a preposição "com" no sentido de "namorar com alguém".
- NOTIFICAR (ver AVISAR)
- OBEDECER (DESOBEDECER) Pede objeto indireto.
Exemplos:
Os alunos obedecem ao professor e às leis do Colégio. Ela sempre lhe obedece. Muitos brasileiros ainda
desobedecem aos sinais de trânsito. Apesar de transitivos indiretos, estes verbos admitem a voz passiva
analítica.
Exemplos:
Leis devem ser obedecidas.
Regras básicas de civilidade não podem ser desobedecidas.
Observação: Para substituir uma pessoa que apareça como complemento desses verbos, pode-se usar
"lhe" ou "a ele / a ela": "Obedeço (desobedeço) ao mestre / Obedeço-lhe (desobedeço-lhe);
Obedeço a ele (desobedeço a ele)". Para substituir o que não for pessoa, só se pode usar "a ele / a ela":
"Obedeço (desobedeço) ao código / Obedeço (desobedeço) a ele".
PAGAR
Pede objeto direto e indireto, que podem vir implícitos na frase.
Exemplos:
(PAGAR ALGUMA COISA A ALGUÉM) Paulo pagou suas dívidas ao Banco. João não paga aos seus
fornecedores há dois meses. Ele já pagou todo o material da obra.
- PERDOAR
Pede objeto direto de coisa perdoada - que pode estar implícita na frase - e indireto de pessoa a quem se
perdoa.
Exemplos:
Perdoei-lhe a falta de educação. "Perdoai-lhes (as ofensas), Pai! Eles não sabem o que fazem." Deus
perdoa aos pecadores.
PERSUADIR
Quando significa "levar a crer, induzir a acreditar", pede objeto direto e indireto. EXemplo: É preciso
persuadir João dessas verdades. Também com o sentido de "instigar", pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
Com esta mentira, persuadiu Lúcia a fugiR. Persuadi-os a deixar de fumaR.
PRESIDIR
Pede objeto indireto. Exemplo: O juiz presidiu ao tribunal com mão firme.
PREFERIR
Pede objeto direto - para aquilo de que se gosta mais - e indireto - para aquilo de que menos se gosta.
Junto ao seu objeto indireto, pede a preposição "a".
Exemplos:
(PREFERIR ALGUMA COISA A OUTRA COISA)
Prefiro feijoada a macarronada.
(Compare: "Prefiro a feijoada à macarronada." A presença do artigo "a" antes de feijoada exige que
também se empregue outro artigo antes de macarronada, acarretando desse modo o surgimento do
fenômeno da crase.)
Prefiro o cinema ao teatro.
Preferimos estudar a não fazer nada.
Observação: O uso da expressão "do que" no lugar da preposição "a" é incorreto. TAMBÉM NÃO SE
DEVE EMPREGAR ESTE VERBO COM OS ADVÉRBIOS "mais" e "antes". Assim, é errado dizer: "Eu
prefiro jogar bola do que estudar"; "Eu prefiro mais esta camisa que aquela"; "Eu prefiro antes tomar
banho e depois jantar".
PREVENIR (ver AVISAR)
PROCEDER
Significando "iniciar, executar alguma coisa", pede objeto indireto com a preposição "a".
Exemplos:
O juiz procedeu ao julgamento.
Eles procederam à entrega dos prêmios.
Com o sentido de "vir, ter uma procedência", é intransitivo; geralmente acompanhado de um adjunto
adverbial de lugaR.
Exemplo: Aquele avião procedia de São Paulo.
Significando "ter um determinado procedimento", também é intransitivo e, normalmente, pode vir
acompanhado de um adjunto adverbial de modo.
Exemplo: Naquele caso, o advogado procedeu corretamente.
Com o significado de "ter fundamento", é intransitivo.
Exemplo: Esta sua denúncia não procede.
PROPOR
Pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
Eu proponho a vocês formarmos um grupo de debates permanente. Nós lhe propomos um acordo
irrecusável.
QUERER
Pede objeto direto quando significa "ter intenção de, desejar, ordenar, fazer o favor de".
Exemplos:
Queremos fazer uma homenagem ao nosso professoR. Quero um livro que fale sobre esoterismo. O
sargento queria todos os soldados a postos. Com o sentido de "ter afeição a alguém ou a alguma coisa",
pede objeto indireto.
Exemplos:
Queremos muito a nosso país. A mãe queria especialmente ao filho caçula. Eu lhe quero muito bem.
REPARAR
No sentido de observar, pede objeto indireto (reparar em). Exemplo: Fernando reparava nas roupas de
Carolina sempre que ela entrava na sala de aula. Quando o verbo reparar for usado no sentido de
"consertar", é TRANSITIVO DIRETO, e seu complemento (objeto direto) não precisa de preposição.
Exemplo: Carlos reparou o carro para ir a Teresópolis.
RESIGNAR
Com o significado de "renunciar, desistir", pede objeto direto. Exemplo: Jorge resignou o cargo de diretor.
Significando "conformar-se", é pronominal.
Exemplos:
Por acreditar na Justiça Divina, resigno-me com minhas dores. Resignou-se às tarefas que lhe foram
dadas.
RESPONDER
Pede objeto indireto de pessoa ou coisa a que se responde, e objeto direto do que se responde.
Exemplos:
Isabel respondeu sim ao pedido de casamento de Luiz. Vou responder-lhe todas as cartas. O acusado
responderá a inquérito. Observações: 1. Com o significado de "ser submetido a", o emprego do artigo
definido é facultativo.
Exemplos:
Ele responderá a inquérito (a inquéritos) Ele responderá ao inquérito (aos inquéritos) 2. Este verbo
também admite voz passiva analítica, desde que o sujeito seja aquilo, e não aquele a que se responde.
Ex.: "Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
SATISFAZER
Pede objeto indireto.
Exemplos:
Satisfaremos ao seu pedido. Eu lhe satisfaço. É pronominal no sentido de "contentar-se". Exemplo:
Satisfez-se com os resultados das provas.
SOCORRER
Significando "prestar socorro a alguém", pede objeto direto.
Exemplos:
Todos correram para socorrer o pedestre atropelado. Todos correram para socorrê-lo. No sentido de
"valer-se de alguém, tirar proveito de alguma coisa", pede objeto indireto, iniciado pelas preposições "a"
ou "de".
Exemplos:
Socorro-me dos amigos nas dificuldades. Socorreu-se ao (do) empréstimo para comprar o carro.
SUCEDER
Pede objeto indireto quando significar "substituir, ser o sucessor de".
Exemplos:
D. Pedro I sucedeu a D. João VI. Eu lhe sucedi na presidência do grêmio estudantil. É também
pronominal no sentido de "acontecer depois, seguir-se". Exemplo: O que se sucedeu ao acidente,
ninguém sabe. Observação: Neste último sentido, o verbo apresenta-se defectivo, sendo conjugado
apenas na terceira pessoa do singular e do plural.
VISAR
Significando "mirar, fazer pontaria, pôr visto em, assinar", pede objeto direto.
Exemplos:
Ele visa o alvo.
Ana não visou o cheque ao fazer aquela compra.
O presidente visaria o documento somente depois que o lesse.
Pede objeto indireto quando significa "pretender, almejar".
Exemplo: Aquele funcionário visava ao cargo de chefia.
Observação: Aqui também não é aceito o pronome "lhe" como complemento, empregando-se assim as
formas "a ele" e "a ela".
SENTIDOS ESPECIAIS DE FRASES COM FORMAÇÕES DIFERENTES.
1. Ele esteve fora dois meses.
Ele esteve fora por dois meses. (idéia reforçada de ininterrupção)
2. Esperar alguém.
Esperar por alguém (idéia de ansiedade)
3. Olhar alguém.
Olhar por alguém. (idéia de zelar, interessar-se)
4. Não faças bobagens.
Não me faças bobagens. (Reforço de interesse)
Fonte: intervox.nce.ufrj.br
REGÊNCIA Verbal
Dá-se quando o termo regente é um verbo e este se liga a seu complemento por uma preposição ou não.
Aqui é fundamental o conhecimento da transitividade verbal.
A preposição, quando exigida, nem sempre aparece depois do verbo. Às vezes, ela pode ser empregada
antes do verbo, bastando para isso inverter a ordem dos elementos da frase (Na rua dos Bobos, residia
um grande poeta). Outras vezes, ela deve ser empregada antes do verbo, o que acontece nas orações
iniciadas pelos pronomes relativos (O ideal a que aspira é nobre).
Alguns verbos e seu comportamento:
ACONSELHAR (TD e I)
Ex.: Aconselho-o a tomar o ônibus cedo / Aconselho-lhe tomar o ônibus cedo
AGRADAR
No sentido de acariciar ou contentar (pede objeto direto - não tem preposição).
Ex.: Agrado minhas filhas o dia inteiro / Para agradar o pai, ficou em casa naquele dia.
No sentido de ser agradável, satisfazer (pede objeto indireto - tem preposição "a").
Ex.: As medidas econômicas do Presidente nunca agradam ao povo.
AGRADECER
TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.
Ex.: Agradecer-lhe-ei os presentes / Agradeceu o presente ao seu namorado
AGUARDAR (TD OU TI)
Ex.: Eles aguardavam o espetáculo / Eles aguardavam pelo espetáculo.
ASPIRAR
No sentido sorver, absorver (pede objeto direto - não tem preposição)
Ex.: Aspiro o ar fresco de Rio de Contas.
No sentido de almejar, objetivar (pede objeto indireto - tem preposição "a")
Ex.: Ele aspira à carreira de jogador de futebol
Observação
não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-se a ele, a ela, a eles, a elas. Também
observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando for TI seguido de substantivo feminino (que exija o
artigo)
ASSISTIR
No sentido de ver ou ter direito (TI - prep. A).
Ex.: Assistimos a um bom filme / Assiste ao trabalhador o descanso semretal remunerado.
No sentido de prestar auxílio, ajudar (TD ou TI - com a prep. A)
Ex.: Minha família sempre assistiu o Lar dos Velhinhos. / Minha família sempre assistiu ao Lar dos
Velhinhos.
No sentido de morar é intransitivo, mas exige preposição EM.
Ex.: Aspirando a um cargo público, ele vai assistir em Brasília..
Observação
não admite a utilização do complemento lhe, quando significa ver. No lugar, coloca-se a ele, a ela, a eles,
a elas. Também observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando for TI seguido de substantivo
feminino (que exija o artigo)
ATENDER
Atender pode ser TD ou TI, com a prep. a.
Ex.: Atenderam o meu pedido prontamente. / Atenderam ao meu pedido prontamente.
No sentido de deferir ou receber (em algum lugar) pede objeto direto
No sentido de tomar em consideração, prestar atenção pede objeto indireto com a preposição a
Observação
se o complemento for um pronomes pessoal referente a pessoa, só se emprega a forma objetiva direta (O
diretor atendeu os interessados ou aos interessados / O diretor atendeu-os)
CERTIFICAR (TD E I)
Admite duas construções: Quem certifica, certifica algo a alguém ou Quem certifica, certifica alguém de
algo.
Observação
observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando o OI for um substantivo feminino (que exija o
artigo)
Certifico-o de sua posse / Certifico-lhe que seria empossado / Certificamo-nos de seu êxito no concurso /
Certificou o escrivão do desaparecimento dos autos
CHAMAR
TD, quando significar convocar.
Ex.: Chamei todos os sócios, para participarem da reunião.
TI, com a prep. POR, quando significar invocar.
Ex.: Chamei por você insistentemente, mas não me ouviu.
TD e I, com a prep. A, quando significar repreender.
Ex.: Chamei o menino à atenção, pois estava conversando durante a aula / Chamei-o à atenção.
Observação
A expressão "chamar a atenção de alguém" não significa repreender, e sim fazer se notado (O cartaz
chamava a atenção de todos que por ali passavam)
Pode ser TD ou TI, com a prep. A, quando significar dar qualidade. A qualidade (predicativo do objeto)
pode vir precedida da prep. DE, ou não.
Ex.: Chamaram-no irresponsável / Chamaram-no de irresponsável / Chamaram-lhe irresponsável /
Chamaram-lhe de irresponsável.
CHEGAR, IR (INTRANS.)
Aparentemente eles têm complemento, pois quem vai, vai a algum lugar e quem chega, chega de. Porém
a indicação de lugar é circunstância (adjunto adverbial de lugar), e não complementação.
Esses verbos exigem a prep. A, na indicação de destino, e DE, na indicação de procedência.
Observação
quando houver a necessidade da prep. A, seguida de um substantivo feminino (que exija o artigo a),
ocorrerá crase (Vou à Bahia)
no emprego mais freqüente, usam a preposição A e não EM
Ex.: Cheguei tarde à escola. / Foi ao escritório de mau humor.
se houver idéia de permanência, o verbo ir segue-se da preposição PARA.
Ex.: Se for eleito, ele irá para Brasília.
quando indicam meio de transporte no qual se chega ou se vai, então exigem EM.
Ex.: Cheguei no ônibus da empresa. / A delegação irá no vôo 300.
COGITAR
Pode ser TD ou TI, com a prep. EM, ou com a prep. DE.
Ex.: Começou a cogitar uma viagem pelo litoral / Hei de cogitar no caso / O diretor cogitou de demitir-se.
COMPARECER (INTRANS.)
Ex.: Compareceram na sessão de cinema. / Compareceram à sessão de cinema.
COMUNICAR (TD E I)
Admite duas construções alternando algo e alguém entre OD e OI.
Ex.: Comunico-lhe meu sucesso / Comunico meu sucesso a todos.
CUSTAR
No sentido de ser difícil será TI, com a prep. A. Nesse caso, terá como sujeito aquilo que é difícil, nunca a
pessoa, que será objeto indireto.
Ex.: Custou-me acreditar em Hipocárpio. / Custa a algumas pessoas permanecer em silêncio.
No sentido de causar transtorno, dar trabalho será TD e I, com a prep. A.
Ex.: Sua irresponsabilidade custou sofrimento a toda a família
No sentido de ter preço será intransitivo
Ex.: Estes sapatos custaram R$50,00.
DESFRUTAR E USUFRUIR (TD)
Ex.: Desfrutei os bens de meu pai / Pagam o preço do progresso aqueles que menos o desfrutam
ENSINAR - TD E I
Ex.: Ensinei-o a falar português / Ensinei-lhe o idioma inglês
ESQUECER, LEMBRAR
quando acompanhados de pronomes, são TI e constroem-se com DE.
Ex.: Ela se lembrou do namorado distante. Você se esqueceu da caneta no bolso do paletó
constroem-se sem preposição (TD), se desacompanhados de pronome
Ex.: Você esqueceu a caneta no bolso do paletó. Ela lembrou o namorado distante
FALTAR, RESTAR E BASTAR
Podem ser intransitivos ou TI, com a prep. A.
Ex.: Muitos alunos faltaram hoje / Três homens faltaram ao trabalho hoje / Resta aos vestibulandos
estudar bastante.
IMPLICAR
TD e I com a prep. EM, quando significar envolver alguém.
Ex.: Implicaram o advogado em negócios ilícitos.
TD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como conseqüência, acarretar.
Ex.: Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade / Suas palavras implicam denúncia contra
o deputado.
TI com a prep. COM, quando significar antipatizar.
Ex.: Não sei por que o professor implica comigo.
Observação
Emprega-se preferentemente sem a preposição EM (Magistério implica sacrifícios)
INFORMAR (TD E I)
Admite duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa alguém de
algo.
Ex.: Informei-o de que suas férias terminou / Informei-lhe que suas férias terminou
MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE (INTRANS.)
Seguidos da preposição EM e não com a preposição A, como muitas vezes acontece.
Ex.: Moro em Londrina / Resido no Jardim Petrópolis / Minha casa situa-se na rua Cassiano.
NAMORAR (TD)
Ex.: Ela namorava o filho do delegado / O mendigo namorava a torta que estava sobre a mesa.
OBEDECER, DESOBEDECER (TI)
Ex.: Devemos obedecer às normas. / Por que não obedeces aos teus pais?
Observação
verbos TI que admitem formação de voz passiva
PAGAR, PERDOAR
São TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.
Ex.: Paguei a conta ao Banco / Perdôo os erros ao amigo
Observação
as construções de voz passiva com esses verbos são comuns na fala, mas agramaticais
PEDIR (TD E I)
Quem pede, pede algo a alguém. Portanto é errado dizer Pedir para que alguém faça algo.
Ex.: Pediram-lhe perdão / Pediu perdão a Deus.
PRECISAR
No sentido de tornar preciso (pede objeto direto).
Ex.: O mecânico precisou o motor do carro.
No sentido de ter necessidade (pede a preposição de).
Ex.: Preciso de bom digitador.
PREFERIR (TD E I)
Não se deve usar mais, muito mais, antes, mil vezes, nem que ou do que.
Ex.: Preferia um bom vinho a uma cerveja.
PROCEDER
TI, com a prep. A, quando significar dar início ou realizar.
Ex.: Os fiscais procederam à prova com atraso. / Procedemos à feitura das provas.
TI, com a prep. DE, quando significar derivar-se, originar-se ou provir.
Ex.: O mau-humor de Pedro procede da educação que recebeu. / Esta madeira procede do Paraná.
Intransitivo, quando significar conduzir-se ou ter fundamento.
Ex.: Suas palavras não procedem! / Aquele funcionário procedeu honestamente.
QUERER
No sentido de desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar (TD)
Ex.: Quero meu livro de volta / Sempre quis seu bem
No sentido de querer bem, estimar (TI - prep. A).
Ex.: Maria quer demais a seu namorado. / Queria-lhe mais do que à própria vida.
RENUNCIAR
Pode ser TD ou TI, com a prep. A.
Ex.: Ele renunciou o encargo / Ele renunciou ao encargo
RESPONDER
TI, com a prep. A, quando possuir apenas um complemento.
Ex.: Respondi ao bilhete imediatamente / Respondeu ao professor com desdém.
OBSERVAÇÃO
nesse caso, não aceita construção de voz passiva.
TD com OD para expressar a resposta (respondeu o quê?)
Ex.: Ele apenas respondeu isso e saiu.
REVIDAR (TI)
Ex.: Ele revidou ao ataque instintivamente.
SIMPATIZAR E ANTIPATIZAR (TI)
Com a prep. COM. Não são pronominais, portanto não existe simpatizar-se, nem antipatizar-se.
Ex.: Sempre simpatizei com Eleodora, mas antipatizo com o irmão dela.
SOBRESSAIR (TI)
Com a prep. EM. Não é pronominal, portanto não existe sobressair-se.
Ex.: Quando estava no colegial, sobressaía em todas as matérias.
VISAR
No sentido de ter em vista, objetivar (TI - prep. A)
Ex.: Não visamos a qualquer lucro. / A educação visa ao progresso do povo.
No sentido de apontar arma ou dar visto (TD)
Ex.: Ele visava a cabeça da cobra com cuidado / Ele visava os contratos um a um.
OBSERVAÇÃO
se TI não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-se a ele (a/s)
SINOPSE
São estes os principais verbos que, quando TI, não aceitam LHE/LHES como complemento, estando em
seu lugar a ele (a/s) - aspirar, visar, assistir (ver), aludir, referir-se, anuir.
Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, lembrar, noticiar, notificar, prevenir são TD e I,
admitindo duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa alguém de
algo.
Os verbos transitivos indiretos na 3ª pessoa do singular, acompanhados do pronome se, não admitem
plural. É que, neste caso, o se indica sujeito indeterminado, obrigando o verbo a ficar na terceira pessoa
do singular. (Precisa-se de novas esperanças / Aqui, obedece-se às leis de ecologia)
Verbos que podem ser usados como TD ou TI, sem alteração de sentido: abdicar (de), acreditar (em),
almejar (por), ansiar (por), anteceder (a), atender (a), atentar (em, para), cogitar (de, em), consentir (em),
deparar (com), desdenhar (de), gozar (de), necessitar (de), preceder (a), precisar (de), presidir (a),
renunciar (a), satisfazer (a), versar (sobre) - lista de Pasquale e Ulisses.
REGÊNCIA EM SENTIDO AMPLO
Dentro da estrutura frasal, as palavras são interdependentes, isto é, umas dependem de outras. Podemos
assim dizer que a frase é uma seqüência de termos subordinantes e subordinados (termos que
completam, modificam, estão na dependência de subordinantes).
 o predicado é subordinado em relação ao sujeito, que é subordinante:

 os complementos verbais são subordinados ao verbo, que é subordinante:

 os complementos nominais são subordinados em relação ao nome, que é subordinante:

os adjuntos são subordinados ao nome ou ao verbo:

Regência, em sentido amplo, é sinônimo de subordinação.
REGÊNCIA EM SENTIDO ESTRITO
Trata das relações de dependência entre:
 O verbo e seus complementos. Neste caso, diz-se que a regência é verbal. Exemplo:

Nos dois primeiros exemplos, a relação de dependência entre os verbos e os complementos é feita
diretamente, isto é, sem auxílio de preposições. Nos dois outros exemplos, com o auxílio de preposições.
 O nome e seus complementos. Neste caso, diz-se que a regência é nominal.

As preposições desempenham papel relevante no capítulo da regência. O uso correto das preposições é
um indicador seguro do conhecimento da língua.
CASOS DE REGÊNCIA
São apresentados a seguir casos de regência em que se verifica divergência entre o que preceitua o
ensino tradicional e a realidade lingüística atual.
A abordagem que se faz desses casos diverge consideravelmente da realizada pela maioria dos manuais
de cultura idiomática, que privilegiam apenas as regências primárias, originárias, não registrando, por
isso, as fortes tendências evolutivas nesta área. Dá-se atenção, nesta apresentação, às inovações
sintáticas observadas na realidade lingüística atual, tendo como base as pesquisas de Luiz Carlos Lessa
e Raimundo Barbadinho Neto, amplamente aproveitadas por Celso Pedro Luft em seu "Dicionário Prático
de Regência Verbal".
Na apresentação dos aspectos normativos da língua, como em qualquer apreciação de fatos lingüísticos,
há que se observar o que é preferível, o que é tolerável, o que é admissível, o que é aceitável, o que é
grosseiro, o que é inadmissível, deixando de lado a dicotomia elementar, o primitivismo lingüístico que
observa a língua sob o prisma estreito de "certo" x "errado".
AGRADAR (DESAGRADAR)
Sentido: Causar agrado; ser agradável. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo: O professor agradou aos alunos. De acordo com a realidade
lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto.Exemplo: O filho agradou a
mãe. Observação: - Este uso já era encontrado entre os clássicos. - Esta regência explica-se por
analogia com "contentar", transitivo direto.
ASPIRAR
Sentido: Desejar; anelar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo: Aspirar ao cargo.Observação: Esta é a sintaxe originária. De acordo
com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto. Exemplo: Aspiro
o cargo. Observação: - É uma inovação regencial sob a pressão semântica de "desejar", "querer",
"pretender" - todos verbos transitivos diretos. - Em nível culto formal, Luft recomenda a sintaxe originária.
Assistir
Sentido: Ajudar; auxiliar. De acordo com o ensino tradicional Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo: O médico assiste ao doente. Observação: Esta é a regência
primitiva. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo
direto. Exemplo: O médico assiste o doente.
OBSERVAÇÃO:
É uma evolução regencial sob a pressão de "ajudar", "auxiliar" - verbos transitivos diretos.
Assistir
Sentido: Presenciar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo: Assisti ao filme.Observação: Esta é a regência primária, original. De
acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo
direto. Exemplo: Assisti o filme.
Observações:
- É uma evolução regencial sob a pressão de semântica de "ver" - verbo transitivo direto. - A forma
passiva "o filme foi assistido" comprova a transitivação do verbo. - De acordo com luft, o mais que se pode
é aconselhar a sintaxe original, tradicional.
Chegar
Sentido: Atingir o término do movimento de ida ou vinda. De acordo com o ensino
tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: aExemplo: Chegou cedo à escola. De acordo com a
realidade lingüística atual: Verbo: Transitivo indireto Preposição: em Exemplo:Chegou cedo na
escola. Observações:
- A preposição "em" é exclusiva diante da palavra "casa". Exemplo: Chegou em casa. - No Brasil, usa-se
muito a construção com a preposição "em". É, portanto, um brasileirismo. Exemplo: Quando ele chegou
na porta da cozinha. - "Já se tolera o "chegou em" na linguagem escrita". (Sílvio Elia). - Luiz Carlos Lessa
e R. Barbadinho Neto confirmam amplamente essa regência entre os modernistas. - Mesmo assim, Luft
entende que, em texto escrito culto formal, melhor se ajusta o "Chegar a".
Ir
Sentido: Deslocar-se de um lugar para outro. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: para, aExemplos: - Para: Quando há intenção de permanecer, de fixar residência.
"Ir para Porto Alegre". - A: Quando há intenção de não se demorar, de não fixar residência. "Ir a Porto
Alegre". De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Transitivo
indiretoPreposição: em Exemplo: Ir no colégio. Observações:
- A regência"ir em" é típica da fala brasileira, podendo até ser sobrevivência da língua arcaica. - "Os
portugueses dizem ir à cidade. Os brasileiros, na cidade. Eu sou brasileiro". (Mário de Andrade). - Na fala
brasileira, prevalece o emprego de "para", sobre o "a". Apesar disso, Luft recomenda o "ir a" / "ir para" na
linguagem culta formal, sobretudo escrita.
Morar
Sentido: Ter habitação ou residência; habitar. De acordo com o ensino tradicional: Preposição: "em",
em todos os contextosExemplos: - Moro em Porto Alegre. - Moro na Rua da Saudade. De acordo com a
realidade lingüística atual: Preposição: Emprega-se também com a preposição "a" com o substantivo
"rua", e menos freqüentemente, com outros femininos, como "avenida", "praça", "travessa", na linguagem
escrita de jornal, tabelionato, etc.
Namorar
Sentido: Cortejar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo direto Exemplos: - Namorar
alguém. - Namorá-lo.Observação: Esta é a regência primitiva. De acordo com a realidade lingüística
atual: Verbo: Transitivo indireto Preposição: comExemplo: Namorar com alguém.
Obedecer (desobedecer)
Sentido: Submeter-se à vontade de alguém. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo:Obedeço aos pais. De acordo com a realidade lingüística
atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto. Exemplo:Obedeço os pais.
Observações:
- Entre os clássicos antigos, aparece como transitivo direto. - Os modernistas também empregam esta
construção. - A passiva é vista como normal. - Luft recomenda na linguagem culta formal a construção
com objeto indireto. - A mesma descrição vale para o verbo "desobedecer".
Pagar
Sentido: Satisfazer dívida, encargo, etc. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo direto e
indireto; objeto direto do que se paga e objeto indireto de pessoa (a quem se paga) Exemplos: - Paguei a
consulta. - Paguei ao médico. - Paguei a consulta ao médico. Observação: Esta é a sintaxe originária. De
acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como objeto direto de
pessoa. Preposição: com Exemplo: Paguei o médico. Observação: - Os puristas condenam esta
construção. - Segundo Luft, quando muito, pode-se dizer que, na língua escrita formal, a sintaxe "pagar a
alguém", "pagar-lhe" é preferível a "pagar alguém".
Pisar
Sentido: Pôr os pés sobre. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
direto Exemplo: Não pise a grama. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: em Exemplo: - Não pise na grama. - Pisar em ovos. - Pisar nos calos.
Preferir
Sentido: Dar primazia a. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo direto e
indireto Preposição: a Exemplo: Prefiro o azul ao vermelho. Observação: Esta é a sintaxe primária. De
acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Também ocorrem as construções "preferir antes ou
mais ((do) que)". Exemplos: - Prefiro mais a música do que a pintura. - Prefiro antes a música que a
pintura.
Observações: - Há abonações literárias dessa regência. - Segunto Nascentes, "não há erro nenhum nas
expressões "preferir antes ou preferir do que"". - De acordo com Luft, "Mesmo assim, em lingua culta
formal, cabe a sintaxe primária".
Querer
Sentido: Ter afeto; amar; estimar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo: - Quer a alguém. - Querer-lhe. De acordo com a realidade lingüística
atual: Verbo: Emprega-se também como verbo transitivo direto.Exemplo: - Quer alguém. - Querê-lo.
Observação: - É inovação regencial por influência de "amar" - verbo transitivo direto. - Para Luft, pode-se
recomendar a variante com objeto indireto (querer a alguém), na modalidade culta formal, sem, no
entanto, condenar a outra (querê-la).
Sentar
Sentido: Tomar assento. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo: Sentar-se à mesa.Observação: Esta é a sintaxe originária. De acordo
com a realidade lingüística atual: Verbo: Verbo transitivo indireto Preposição:Emprega-se também
com a preposição "em" Exemplo: Sentar-se na mesa.
Observação: - "Sentar em" é um brasileirismo. - De acordo com Luft, "Em linguagem culta formal,
mantenha-se a sintaxe primitiva".
Visar
Sentido: Ter em mira; ter em vista; objetivar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo
indireto Preposição: a Exemplo: Eles visam a fins nobres. Observação: Esta é a regência primária,
originária. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo:Emprega-se também como verbo
transitivo direto. Exemplo: Eles visam fins nobres.
Observação: - É uma inovação regencial sob a pressão semântica de "pretender", "buscar" - verbos
transitivos diretos. - Vários gramáticos e dicionaristas registram esta sintaxe.
De + o/a + substantivo + infinitivo
ou De + pronome + infinitivo
De acordo com o ensino tradicional: - Não se contrai a preposição e o artigo neste tipo de construção.
Exemplos: - Há possibilidade de o chefe se atrasar. - Está na hora de o trem partir. - Apesar de ele se
mostrar indiferente, é muito solidário. - Isso se deve ao fato de o português ser assim. De acordo com a
realidade lingüística atual: - É natural a contração da preposição com o artigo ou com o pronome.
Exemplo: Está na hora do trem partir.
Entregar a domicílio/Em domicílio
DE ACORDO COM O ENSINO TRADICIONAL (REGRA PURISTA):
 A Domicílio: Com verbos que indicam movimento.
- Exemplo: Ir a domicílio. Enviar encomendas a domicílio.
 Em Domicílio: Com verbos que não indicam movimento.
- Exemplo: Dar aulas em domicílio. Fazer as unhas em domicílio.
De acordo com a realidade lingüística atual:
- Usa-se "a domicílio" em ambos os casos. Exemplo: Entrega a domicílio.
COMPLEMENTO COMUM A VERBOS DE REGÊNCIA DIFERENTE
De acordo com o ensino tradicional (regra purista):
 Verbos com regência diferente não podem reger um mesmo complemento. Estariam, pois, erradas as
frases:
- Entraram e saíram da sala (entrar em/sair de). - Compreendeu e participou da alegria do marido
(Compreender algo/participar de algo). - Fui e voltei a Porto Alegre (ir a/voltar de).
 O correto seria:
- Entraram na sala e saíram dela. - Compreendeu a alegria do marido e participou dela. - Fui a Porto
Alegre e voltei (de Porto Alegre).
DE ACORDO COM A REALIDADE LINGÜÍSTICA ATUAL:
- Prefere-se a construção simplificada. Exemplo: Entraram e saíram da sala.
Fonte: www.pucrs.br
REGÊNCIA VERBAL
A regência e o verbo "assistir"
O verbo "assistir" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-
se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "assistir", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de presenciar, ver, observar; rege a preposição "a" e não
admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)";
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de caber (direito a alguém), pertencer; rege a preposição
"a" e admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe(s)";
verbo transitivo direto: aponta para o sentido de socorrer, prestar assistência e não rege qualquer
preposição. A é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando
o verbo "assistir" for empregado para indicar os sentidos apontados em (1) e (2), é obrigatória a presença
da preposição regida.
Exemplos:
Os mais velhos insistiam em querer assistir o jogo em pé. [Inadequado] Os mais velhos insistiam em
querer assistir ao jogo em pé. [Adequado]
Os mais velhos insistiam em querer assisti-lo em pé. [Adequado]
...[termo regente: assistir a = ver, observar]
Assiste o médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Inadequado] Assiste ao médico o
direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
Assiste-lhe o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
...[termo regente: assistir a = caber, pertencer]
Tua equipe assistiu aos processos de forma brilhante e participativa. [Inadequado] Tua equipe assistiu os
processos de forma brilhante e participativa. [Adequado]
Tua equipe os assistiu de forma brilhante e participativa. [Adequado]
...[termo regente: assistir = prestar assistência, socorrer]
A regência e o verbo "preferir"
O verbo "preferir" é um verbo transitivo direto e indireto, portanto rege a preposição "a".
A regência verbal é determinante na construção correta de expressões formadas com o verbo "preferir".
Embora na língua coloquial empregue-se o termo "do que" em lugar da preposição "a", quando há relação
de comparação, a regência adequada da língua culta ainda exige a presença do "a" preposicional.
Exemplos:
Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro. [Inadequado] Meus alunos preferem o brinquedo ao
livro. [Adequado]
...[objeto direto: o brinquedo]
...[objeto indireto: ao livro]
O pequeno infante preferiu marchar do que esperar pelos ataques. [Inadequado] O pequeno infante
preferiu marchar a esperar pelos ataques. [Adequado]
...[objeto direto: marchar]
...[objeto indireto: a esperar]
A razão do emprego inadequado do termo "do que" nesse tipo de construção se deve ao processo de
assimilação de expressões comparativas do tipo:
Prefiro mais ler do que escrever! A palavra "mais", nesse caso, caiu em desuso, porém o segundo termo
da comparação ("do que") ainda permanece, gerando a confusão quanto à regência: o verbo preferir rege
tão só a preposição "a" e não o termo "do que".
A regência e o verbo "visar"
O verbo "visar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se
da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "visar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de pretender, ter por objetivo, ter em vista; rege a
preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e
"a(s)"; verbo transitivo direto: aponta para o sentido de mirar, apontar (arma de fogo) e não rege qualquer
preposição. A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima.
Assim, quando o verbo "visar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1), é obrigatória a
presença da preposição regida.
Exemplos:
Os estudantes visam uma melhor colocação profissional. [Inadequado] Os estudantes visam a uma
melhor colocação profissional. [Adequado]
Os estudantes visam-na. [Adequado]
...[termo regente: visar a = ter por objetivo]
Os combatentes visavam aos territórios ocupados recentemente. [Inadequado] Os combatentes visavam
os territórios ocupados recentemente. [Adequado]
Os combatentes visavam-nos. [Adequado]
...[termo regente: visar = mirar]
A regência e o verbo "aspirar"
O verbo "aspirar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-
se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "aspirar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de almejar, desejar; rege a preposição "a" e não admite a
substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)"; verbo transitivo direto:
aponta para o sentido de respirar, cheirar, inalar e não rege qualquer preposição. A regência verbal é
determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "aspirar"
for empregado para indicar o sentido apontado em (1) é obrigatória a presença da preposição regida.
Exemplos:
Os quase mil candidatos aspiravam a única vaga disponível. [Inadequado] Os quase mil candidatos
aspiravam à única vaga disponível. [Adequado]
Os quase mil candidatos aspiravam-na. [Adequado]
...[termo regente: aspirar a = desejar]
E eu era obrigado a aspirar ao mau cheiro dos canaviais... [Inadequado] E eu era obrigado a aspirar o
mau cheiro dos canaviais... [Adequado]
E eu era obrigado a aspirá-lo. [Adequado]
...[termo regente: aspirar = inalar]
A regência e os verbos pronominais
Os verbos pronominais são termos que, em geral, regem complementos preposicionados.
São considerados verbos pronominais aqueles que se apresentam sempre com um pronome oblíquo
átono como parte integrante do verbo (ex.: queixar-se, suicidar-se). Alguns verbos pronominais, porém,
podem requerer um complemento preposicionado. É o caso, por exemplo, do verbo "queixar-se" (queixar-
se de) e não do verbo "suicidar-se".
Quando os verbos pronominais exigirem complemento, esse deve sempre vir acompanhado de
preposição.
Exemplos:
Naquele momento os fiéis arrependeram-se os seus pecados. [Inadequado] Naquele momento os fiéis
arrependeram-se dos seus pecados. [Adequado]
...[dos: de + os = dos / de = preposição]
...[dos seus pecados: objeto indireto]
Os biólogos do zoológico local dedicam-se as experiências genéticas. [Inadequado] Os biólogos do
zoológico local dedicam-se às experiências genéticas. [Adequado]
...[às: a (preposição) + as (artigo) = às]
...[às experiências genéticas: objeto indireto]
Note que, no exemplo (2), o verbo "dedicar-se" não é essencialmente pronominal, mas sim
acidentalmente pronominal. Isto é, esse verbo pode se apresentar sem o pronome oblíquo e, nesse caso,
deixa de ser pronominal (ex.: Ele dedicou sua vida ao pobres). Casos como esse, porém, demonstram
que, em princípio, qualquer verbo pode se tornar pronominal e, portanto, possuir um complemento
preposicionado.
A regência e as orações subordinadas
Um período composto é aquele que apresenta uma oração principal e uma ou mais orações dependentes
desta principal. As orações subordinadas são dependentes e, em geral, ligam-se à oração principal por
meio de conectivos (pronomes, conjunções e etc.).
As orações subordinadas adjetivas e as orações subordinadas adverbiais, quando introduzidas por um
pronome relativo (que, qual, quem e etc.), devem conservar a regência dos seus verbos.
Exemplo:
A vaga para o emprego o qual/que eu lhe falei continua aberta. [Inadequado] A vaga para o emprego do
qual/de que eu lhe falei continua aberta. [Adequado]
...[A vaga para o emprego continua aberta: oração principal]
...[do qual eu lhe falei: oração subordinada]
...[falei de emprego a você = de que/do qual OU falei sobre o emprego a você = sobre o qual]
Notem que a preposição regida pelo verbo da oração subordinada vem antes do pronome relativo. Deve-
se compreender, no entanto, que essa regência verbal é relativa ao verbo da oração subordinada (falei
de/ falei sobre) e não ao verbo da oração principal (continua). Vejamos outro exemplo:
A pessoa que me casei é muito especial. [Inadequado] A pessoa com quem me casei é muito especial.
[Adequado]
...[A pessoa é muito especial: oração principal]
...[com quem me casei: oração subordinada]
...[casei-me com a pessoa = com quem]
REGÊNCIA NOMINAL
Os substantivos, adjetivos e advérbios geralmente exigem que seus complementos venham precedidos
por uma determinada preposição específica, prevista nos dicionários de regência. A utilização de outra
preposição, não prevista, constitui erro de regência, e deve ser evitada.
À esquerda apresentamos alguns casos inadequados de regência nominal; à direita seguem as
construções recomendadas:
"TV a cores" "TV em cores" "bacharel de direito" "bacharel em direito" "igual eu" "igual a mim" "alienado
com" "alienado de" "curioso com" "curioso de/por"
Fonte: www.nilc.icmc.usp.br
REGÊNCIA Verbal
1-
Chegar/ ir - deve ser introduzido pela preposição a e não pela preposição em. Ex.: Vou ao
dentista./ Cheguei a Belo Horizonte.
2- Morar/ residir - normalmente vêm introduzidos pela
preposição em. Ex.: Ele mora em São Paulo./ Maria reside em Santa Catarina.
3- Namorar - não se usa com preposição.
Ex.: Joana namora Antônio.
4- Obedecer/desobedecer - exigem a preposição a.
Ex.: As crianças obedecem aos pais./ O aluno desobedeceu ao professor.
5-Simpatizar/ antipatizar - exigem a preposição com.
Ex.: Simpatizo com Lúcio./ Antipatizo com meu professor de História.
Estes verbos não são pronominais, portanto, são considerados construções erradas quando aparecem
acompanhados de pronome oblíquo: Simpatizo-me com Lúcio./ Antipatizo-me com meu professor de
História.
6- Preferir - este verbo exige dois complementos sendo que um usa-se sem preposição e o outro com a
preposição a.
Ex.: Prefiro dançar a fazer ginástica.
Segundo a linguagem formal, é errado usar este verbo reforçado pelas expressões ou palavras: antes,
mais, muito mais, mil vezes mais, etc. Ex.: Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica.
VERBOS QUE APRESENTAM MAIS DE UMA REGÊNCIA
1 - Aspirar
a- no sentido de cheirar, sorver: usa-se sem preposição.
Ex.: Aspirou o ar puro da manhã. b- no sentido de almejar, pretender: exige a preposição a. Ex.: Esta era
a vida a que aspirava.
2 - Assistir
a) no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer:
usa-se sem preposição. Ex.: O técnico assistia os jogadores novatos. b) no sentido de ver, presenciar:
exige a preposição a. Ex.: Nãoassistimos ao show. c) no sentido de caber, pertencer: exige a preposição
a. Ex.: Assiste ao homem tal direito. d) no sentido de morar, residir: é intransitivo e exige a preposição
em. Ex.: Assistiu em Maceió por muito tempo.
3 - Esquecer/lembrar
a- Quando não forem pronominais: são usados sem preposição.
Ex.: Esqueci o nome dela.
b- Quando forem pronominais: são regidos pela preposição de.
Ex.: Lembrei-me do nome de todos.
4 - Visar
a) no sentido de mirar: usa-se sem preposição. Ex.:
Disparou o tiro visando o alvo. b) no sentido de dar visto: usa-se sem preposição. Ex.: Visaram os
documentos. c) no sentido de ter em vista, objetivar: é regido pela preposição a. Ex.: Viso a uma situação
melhor.
5 - Querer
a)
no sentido de desejar: usa-se sem preposição. Ex.: Quero viajar hoje. b) no sentido de estimar, ter afeto:
usa-se com a preposição a. Ex.: Quero muito aos meus amigos.
6 - Proceder
a) no sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.
Ex.: Suas queixas não procedem. b) no sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a preposição de.
Ex.: Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo. c) no sentido de dar início,
executar: usa-se a preposição a. Ex.: Os detetivesprocederam a uma investigação criteriosa.
7 - Pagar/ perdoar
a) se tem por complemento palavra que denote coisa: não
exigem preposição. Ex.: Ela pagou a conta do restaurante. b) se tem por complemento palavra que
denote pessoa: são regidos pela preposição a. Ex.: Perdoou a todos,
8 - Informar
a) no sentido de comunicar, avisar, dar informação: admite duas construções:
1) objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido
pelas preposições de ou sobre). Ex.: Informou todos do ocorrido. 2) objeto indireto de pessoa ( regido
pela preposição a) e direto de coisa. Ex.: Informou a todos o ocorrido.
9 - Implicar
a) no sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.
Ex.: Esta decisão implicará sérias conseqüências.
b) no sentido de envolver, comprometer: usa-se com dois complementos, um direto e um
indireto com a preposição em.
Ex.: Implicou o negociante no crime.
c) no sentido de antipatizar: é regido pela preposição com.
Ex.: Implica com ela todo o tempo.
10- Custar
a) no sentido de ser custoso, ser difícil: é regido pela preposição
a. Ex.: Custou ao aluno entender o problema. b) no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se
sem preposição. Ex.: O carrocustou-me todas as economias. c) no sentido de ter valor de, ter o preço:
usa-se sem preposição. Ex.: Imóveis custam caro.
A regência e o uso de preposições
Na construção de uma unidade significativa, algumas palavras exigem o acompanhamento de outros
elementos da língua. Essa relação de dependência com vistas à formação de um significado é chamada
regência.
A regência pode ser direta, quando a relação de dependência é imediata, ou indireta, quando ela é
intermediada por outros elementos da língua, como as preposições.

A regência do substantivo sobre o adjetivo (como em "a menina bonita"), ou do verbo transitivo direto
sobre seu complemento (ex.: "Maria ama Pedro") se dá de forma direta, enquanto a regência do
substantivo sobre outro substantivo (como em "a filha de Maria") ou de um verbo transitivo indireto sobre
seu complemento (ex.: "Maria gosta de Pedro") se faz necessariamente por meio de uma preposição.
Nos casos de regência indireta, é preciso observar que nem todas as preposições podem desempenhar o
papel de ligar o regente ao regido. Além disso, o uso de uma ou outra preposição pode provocar
alterações de significado bastante consideráveis (ex.: "ir para casa", "ir de casa", "ir na casa", etc.). Por
isso, é preciso estar atento para o conjunto de preposições exigidas pelo regente, e para as implicações
do seu uso.
A seguir alguns verbos da língua portuguesa que envolvem problemas freqüentes quanto à regência:
CONSTRUÇÃO INADEQUADA CONSTRUÇÃO ADEQUADA
estar de (greve) estar em (greve)
namorar com namorar
arrasar com arrasar
repetir de (ano) repetir o (ano)
Exemplos:
Suzana continuava a dizer que namorava com Mário. [Inadequado]
Suzana continuava a dizer que namorava Mário. [Adequado]
Meus pais não suportariam se eu repetisse de ano! [Inadequado]
Meus pais não suportariam se eu repetisse o ano! [Adequado]
Preposição
Preposição é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é
do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado,
separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os
elementos que a preposição vincula.
Exemplos:
Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir.
...[amigos de João / modo de vestir: elementos ligados por preposição]
...[de: preposição]
Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio.
...[esperou com entusiasmo: elementos ligados por preposição]
...[com: preposição]
Esse tipo de relação é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar
elementos. A preposição é um desses conectivos e se presta a ligar palavras entre si num processo de
subordinação denominado regência.
Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento –
chamado antecedente - é o termo que rege, que impõe um regime; o segundo elemento, por sua vez –
chamado conseqüente – é o temo regido, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.
Exemplos:
A hora das refeições é sagrada.
...[hora das refeições: elementos ligados por preposição]
...[de + as = das: preposição]
...[hora: termo antecedente = rege a construção "das refeições"]
...[refeições: termo conseqüente = é regido pela construção "hora da"]
Alguém passou por aqui.
...[passou por aqui: elementos ligados por preposição]
...[por: preposição]
...[passou: termo antecedente = rege a construção "por aqui"]
...[aqui: termo conseqüente = é regido pela construção "passou por"]
As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau
como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto em
diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua (fenômeno da contração) e,
assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se
liga. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual
ela se funde (ex.: de + o = do; por + a = pela; em + um = num, etc.)
Preposições
Palavras invariáveis que exprimem relações entre duas partes de uma oração que dependem uma da
outra.
a
ante
após
até
com
conforme
contra
consoante
de
desde
durante
em
exceto
entre
mediante
para
perante
por
salvo
sem
segundo
sob
sobre
trás
Obs.: Dados os numerosos significados e utilizações que podem ser assumidos pelas diversas
preposições, aconselha-se a consulta de uma gramática
Preposições acidentais
São aquelas que podem ligar termos de uma oração ou ter outras funções:
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, menos, salvo, segundo
Contração das preposições com artigos
Artigos definidos Artigos indefinidos
o a os as um uma uns umas
a ao à aos às xxxx xxx xxxx xxxx
de do da dos das dum duma duns dumas
em no na nos nas num numa nuns numas
por pelo pela pelos pelas xxxx xxxx xxxx xxxx
CONTRAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES COM PRONOMES
PRONOMES (1)
este esta estes estas
a - - - -
de deste desta destes destas
em neste nesta nestes nestas
por - - - -
(1) Dá-se a contração de preposições em outros pronomes: esse(s), essa(s), aquele(s), aquela(s), isto,
aquilo, ele(s), ela(s).
DESEMPENHAM FUNÇÃO IDÊNTICA À DAS PREPOSIÇÕES
abaixo de
acerca de
acima de
a despeito de
adiante de
a fim de
além de
antes de
ao lado de
ao redor de
a par de
apesar de
a respeito de
atrás de
através de
de acordo com
debaixo de
de cima de
defronte de
dentro de
depois de
diante de
em baixo de
em cima de
em frente a
em frente de
em lugar de
em redor de
em torno de
em vez de
graças a
junto a
perto de
para baixo de
para cima de
para com
perto de
por baixo de
por causa de
por cima de
por detrás de
por diante de
por entre
por trás de
LOCUÇÕES
Uso das locuções prepositivas
Certas construções da língua portuguesa constituem casos em que determinados termos se combinam de
tal forma que não é permitida a variação seja qual for o contexto em que estão inseridas. Normalmente,
trata-se de locuções (conjunto de palavras que formam uma unidade expressiva).
As locuções prepositivas são elementos que não variam em gênero (feminino ou masculino) e número
(singular ou plural). São, por isso, expressões fixas na língua portuguesa. A forma fixa dessas locuções,
porém, não se resume à variação de gênero e número.
No decorrer da história da língua portuguesa, determinadas formas se consagraram. Muitos gramáticos
postulam a adequação de uma forma e não outra para a língua escrita. Por isso, o emprego inadequado
dessas construções configura-se um problema de linguagem.
Vejamos alguns exemplos freqüentes de uso inadequado de locuções prepositivas:
Exemplos:
A nível de experiência, tudo é válido. [Inadequado]
Em nível de experiência, tudo é válido. [Adequado]
Eles estavam em vias de cometer uma loucura. [Inadequado]
Eles estavam em via de cometer uma loucura. [Adequado]
A seguir, alguns exemplos de locuções em uso inadequado:
EMPREGO INADEQUADO EMPREGO ADEQUADO
a nível de em nível de
à medida em que na medida em que
ao mesmo tempo que ao mesmo tempo em que
apesar que apesar de que
de modo a de modo que
a longo prazo em longo prazo
em vias de em via de
ao ponto de a ponto de
de vez que uma vez que / portanto
Note que o uso corrente das inadequações promove substituição ou supressão das preposições que
compõem a expressão.
Além disso, é importante ressaltar que, embora estejamos nos referindo apenas às locuções prepositivas,
o mesmo princípio pode ser aplicado às locuções conjuncionais ou locuções adverbiais. Vejamos, por
exemplo, um caso em que a inadequação recai sobre uma locução adverbial:
Os amigos, na surdina, combinavam sobre tua festa. [Inadequado]
Os amigos, à surdina, combinavam sobre tua festa. [Adequado]
A crase e as preposições
A crase não deve ser empregada junto a algumas preposições.
Dois casos, no entanto, devem ser observados quanto ao emprego da crase. Trata-se das preposições
"a" e "até" empregadas antes de palavra feminina. Essas únicas exceções se devem ao fato de ambas
indicarem, além de outras, a noção de movimento. Por isso, com relação à preposição "a" torna-se
obrigatório o emprego da crase, já que haverá a fusão entre a preposição "a" e o artigo "a" (ou a simples
possibilidade de emprego desse artigo). Já a preposição "até" admitirá a crase somente se a idéia
expressa apontar para movimento.
Exemplos:
A entrada será permitida mediante à entrega da passagem. [Inadequado]
A entrada será permitida mediante a entrega da passagem. [Adequado]
Desde à assembléia os operários clamavam por greve. [Inadequado]
Desde a assembléia os operários clamavam por greve. [Adequado]
Os médicos eram chamados a sala de cirurgia. [Inadequado]
Os médicos eram chamados à sala de cirurgia. [Adequado]

...[termo regente: chamar a / "a" = preposição indicativa de movimento]
...[termo regido: (a) sala / "a" = artigo]
...[sala: palavra feminina]
Os escravos eram levados vagarosamente até a senzala.
Os escravos eram levados vagarosamente até à senzala.
...[termo regente: levar a / "a" = preposição indicativa de movimento]
...[termo regido: (a) senzala / "a" = artigo]
...[senzala: palavra feminina]
Observe que não foi apontado no exemplo (4) o uso inadequado e adequado das ocorrências de crase.
Isso se dá porque atualmente no Brasil o emprego da crase diante da preposição "até" é facultativo.
A REGÊNCIA E OS VERBOS PRONOMINAIS
Os verbos pronominais são termos que, em geral, regem complementos preposicionados.
São considerados verbos pronominais aqueles que se apresentam sempre com um pronome obíquo
átono como parte integrante do verbo (ex.: queixar-se, suicidar-se). Alguns verbos pronominais, porém,
podem requerer um complemento preposicionado. É o caso, por exemplo, do verbo "queixar-se" (queixar-
se de) e não do verbo "suicidar-se".
Quando os verbos pronominais exigirem complemento, esse deve sempre vir acompanhado de
preposição.
Exemplos:
Naquele momento os fiéis arrependeram-se os seus pecados. [Inadequado]
Naquele momento os fiéis arrependeram-se dos seus pecados. [Adequado]
...[dos: de + os = dos / de = preposição]
...[dos seus pecados: objeto indireto]
Os biólogos do zoológico local dedicam-se as experiências genéticas. [Inadequado]
Os biólogos do zoológico local dedicam-se às experiências genéticas. [Adequado]
...[às: a (preposição) + as (artigo) = às]
...[às experiências genéticas: objeto indireto]
Note que, no exemplo (2), o verbo "dedicar-se" não é essencialmente pronominal, mas sim
acidentalmente pronominal.
Isto é, esse verbo pode se apresentar sem o pronome oblíquo e, nesse caso, deixa de ser pronominal
(ex.: Ele dedicou sua vida ao pobres).
Casos como esse, porém, demonstram que, em princípio, qualquer verbo pode se tornar pronominal e,
portanto, possuir um complemento preposicionado.
VERBO ARRASAR
Observe a letra da canção "Política voz", gravada pelo Barão Vermelho:
"Eu não sou um mudo balbuciando querendo falar
Eu sou a voz, a voz do outro, que há dentro de mim
Guardada, falante, querendo arrasar
com o teu castelo de areia
Que é só soprar, soprar
Soprar, soprar e ver tudo voar..."
Você notou alguma coisa diferente na letra? Nós vemos, a certa altura:
"Arrasar com o teu castelo de areia"
Existe aí um fenômeno lingüístico chamado contaminação. Em tese, o verbo arrasar é transitivo direto:
uma coisa arrasa outra.
"O furacão arrasou a cidade."
Muitas vezes encontramos o verbo acabar sendo usado com o mesmo sentido:
"O furacão acabou com a cidade."
Assim, o que acontece é a transferência da regência do verbo acabar - com esse sentido de destruir, que
requer a preposição "com" - para o verbo arrasar. Os sinônimos de certas palavras acabam recebendo a
companhia da preposição que na verdade não exigem. O verbo arrasar é um deles. No padrão formal da
língua, deve ser usado sem a preposição "com".
Os lingüistas podem argumentar que essa variante deve ser aceita, mas em nosso programa temos
sempre a preocupação de ensinar o padrão formal e mostrar o que acontece nas variantes. No texto
formal, quando você for escrever uma dissertação, utilize o verbo arrasar sem a preposição.
A REGÊNCIA E O VERBO "ASPIRAR"
O verbo "aspirar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-
se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "aspirar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de almejar, desejar; rege a preposição "a" e não admite a
substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)";
verbo transitivo direto: aponta para o sentido de respirar, cheirar, inalar e não rege qualquer preposição.
A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim,
quando o verbo "aspirar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1) é obrigatória a presença
da preposição regida.
Exemplos:
Os quase mil candidatos aspiravam a única vaga disponível. [Inadequado]
Os quase mil candidatos aspiravam à única vaga disponível. [Adequado]
Os quase mil candidatos aspiravam a ela. [Adequado]
...[termo regente: aspirar a = desejar]
E eu era obrigado a aspirar ao mau cheiro dos canaviais... [Inadequado]
E eu era obrigado a aspirar o mau cheiro dos canaviais... [Adequado]
E eu era obrigado a aspirá-lo. [Adequado]
...[termo regente: aspirar = inalar]
A REGÊNCIA E O VERBO "ASSISTIR"
O verbo "assistir" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-
se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "assistir", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de presenciar, ver, observar; rege a preposição "a" e não
admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "a ele(s)" e "a ela(s)";
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de caber (direito a alguém), pertencer; rege a preposição
"a" e admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe(s)";
verbo transitivo direto: aponta para o sentido de socorrer, prestar assistência e não rege qualquer
preposição.
A é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo
"assistir" for empregado para indicar os sentidos apontados em (1) e (2), é obrigatória a presença da
preposição regida.
Exemplos:
Os mais velhos insistiam em querer assistir o jogo em pé. [Inadequado]
Os mais velhos insistiam em querer assistir ao jogo em pé. [Adequado]
Os mais velhos insistiam em querer assisti a ele em pé. [Adequado]
...[termo regente: assistir a = ver, observar]

Assiste o médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Inadequado]
Assiste ao médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
Assiste-lhe o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
...[termo regente: assistir a = caber, pertencer]
Tua equipe assistiu aos processos de forma brilhante e participativa. [Inadequado]
Tua equipe assistiu os processos de forma brilhante e participativa. [Adequado]
Tua equipe os assistiu de forma brilhante e participativa. [Adequado]
...[termo regente: assistir = prestar assistência, socorrer]
VERBO CUSTAR
No sentido de ser custoso, ser difícil, pede objeto indireto pede objeto indireto com a preposição
"a"seguido de oração infinitiva.
Exemplo: custou ao aluno aceitar o fato.
Assim, na linguagem culta são consideradas erradas construções como:
O aluno custou para aceitar o fato.
Custo a crer que ela ainda volte.
ERRADO CERTO ACEITÁVEL
Eu custo a crer Custa-me crer Custa-me a crer
Tu custas a crer Custa-te crer Custa-te a crer
Ele custa a crer Custa-lhe crer Custa-lhe a crer
Nós custamos a crer Custa-nos crer Custa-nos a crer
Vós custais a crer Custa-vos crer Custa-vos a crer
Outros Verbos
ESQUECER-SE E LEMBRAR-SE.
Não se esqueça de que, se esses verbos não contiverem o pronome (se), serão transitivos diretos, ou
seja, serão usados sem a preposição.
Ex.1: Esqueci-me do nome de sua namorada. / Esqueci o nome de sua namorada.
Ex.2: Lembrei-me de que você me ofendera. / Lembrei que você me ofendera.
Obs.: Há um uso erudito desses verbos, que exige a "coisa" como sujeito e a "pessoa" como objeto
indireto com a prep. "a": lembrar, no sentido de "vir à lembrança" e esquecer, no sentido de "cair no
esquecimento".
Devem-se formar assim as orações: Lembraram-me os dias da infância = Os dias da infância vieram-me à
lembrança. Esqueceram-me os passos daquela dança = Os passos daquela dança caíram no
esquecimento.
MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE
morar
residir
em uma casa, rua, praça, cidade, país
morador
em
residente
em
sito em estabelecido em
SINTAXE DO VERBO HAVER
CONSTRUÇÃO FUNÇÃO SENTIDO
1 Há pensado, havia dito auxiliar ter
2 Como você houve tanto
dinheiro?
principal conseguir
3 Como você se houve na festa. principal comportar-
se
4 Você vai haver-se com ela principal ajustar
contas
5 Hei admiração por você.
(arcaico)
principal ter
6 Ele havia por correta aquela
fala.
principal considerar
7 Ele houve por bem concordar locução dignar-se
A REGÊNCIA E O VERBO "PREFERIR"
O verbo "preferir" é um verbo transitivo direto e indireto, portanto rege a preposição "a".
A regência verbal é determinante na construção correta de expressões formadas com o verbo "preferir".
Embora na língua coloquial empregue-se o termo "do que" em lugar da preposição "a", quando há relação
de comparação, a regência adequada da língua culta ainda exige a presença do "a" preposicional.
Exemplos:
Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro. [Inadequado]
Meus alunos preferem o brinquedo ao livro. [Adequado]
...[objeto direto: o brinquedo]
...[objeto indireto: ao livro]
O pequeno infante preferiu marchar do que esperar pelos ataques. [Inadequado]
O pequeno infante preferiu marchar a esperar pelos ataques. [Adequado]
...[objeto direto: marchar]
...[objeto indireto: a esperar]
A razão do emprego inadequado do termo "do que" nesse tipo de construção se deve ao processo de
assimilação de expressões comparativas como:
PREFIRO MAIS LER DO QUE ESCREVER!
A palavra "mais", nesse caso, caiu em desuso, porém o segundo termo da comparação ("do que") ainda
permanece, gerando a confusão quanto à regência: o verbo preferir rege tão só a preposição "a" e não o
termo "do que".
A REGÊNCIA E O VERBO "PROCEDER"
O verbo "proceder" é um verbo transitivo indireto, e rege a preposição "a".
Freqüentemente se observa na linguagem coloquial o emprego do verbo proceder sem a preposição.
Essa é uma licença da língua falada que, por assimilar o sentido do verbo proceder ao sentido de outros
verbos sinônimos como realizar, efetuar, etc., transfere para proceder a transitividade direta, ou seja, o
não uso de preposição. No entanto, isso não deve ser aplicado na linguagem culta, que exige a presença
da preposição "a" (ou a sua contração) junto ao verbo.
EXEMPLOS
Os apuradores procederam a contagem dos votos das escolas de samba. [Inadequado]
Os apuradores procederam à contagem dos votos das escolas de samba. [Adequado]
...[objeto indireto: à contagem]
...[à: contração = a (artigo) + a (preposição) =crase]
O interrogatório que se procedeu foi decisivo. [Inadequado]
O interrogatório a que se procedeu foi decisivo. [Adequado]
...[a que se procedeu: oração subordinada adjetiva]
No exemplo (2) temos a preposição regida pelo verbo proceder iniciando uma oração adjetiva, ou seja,
uma oração que se relaciona a um termo da oração principal, indicando-lhe uma nova informação.
Para ficar clara a regência do verbo, vamos inverter a ordem das orações:
"Procedeu-se ao interrogatório que foi decisivo."
...[ao interrogatório: objeto indireto]
...[ao: contração = a (preposição) + o (artigo)]
O verbo proceder também pode ser empregado na sua concepção de verbo intransitivo. Nesse caso ele
tem sentido de comportar-se, agir. Como um verbo intransitivo, não há complemento ligado ao verbo,
portanto, não há também o uso de preposição.
Exemplos:
De que maneira os turistas procederam?
Espantei-me com aquela mulher que procedeu com firmeza diante da acusação.
...[procedeu: verbo intransitivo = não exige complemento]
...[com firmeza: adjunto adverbial de modo]
...[diante da acusação: adjunto adverbial de tempo]
A REGÊNCIA E O VERBO "VISAR"
O verbo "visar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se
da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "visar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de pretender, ter por objetivo, ter em vista; rege a
preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "a ele(s)"
e "a ela(s)";
verbo transitivo direto: aponta para o sentido de mirar, apontar (arma de fogo) e não rege qualquer
preposição.
A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim,
quando o verbo "visar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1), é obrigatória a presença da
preposição regida.
Exemplos
Os estudantes visam uma melhor colocação profissional. [Inadequado]
Os estudantes visam a uma melhor colocação profissional. [Adequado]
Os estudantes visam a ela. [Adequado]
...[termo regente: visar a = ter por objetivo]
Os combatentes visavam aos territórios ocupados recentemente. [Inadequado]
Os combatentes visavam os territórios ocupados recentemente. [Adequado]
Os combatentes visavam-nos. [Adequado]
...[termo regente: visar = mirar]
OUTROS VERBOS
CHAMAR
No sentido de convocar, mandar, vir, exige complemento sem preposição.
O técnico chamou os jogadores.
Chame os trabalhadores.
Nesse caso, admite-se também a construção preposiciponada.
O técnico chamou pelos jogadores
Chamou pelos seus protetores.
No sentido de cognominar, dar, nome, exige indiferentemente complemento com ou sem a preposição
"a"e predicativo com ou sem a preposição "de". Daí admitir quatro construções diferentes:
Chamei Pedro de tolo./ Chamei-o de tolo.
Chamei a Pedro de tolo./ Chamei-lhe de tolo.
Chamei Pedro tolo./ Chamei-o tolo.
Chamei a Pedro tolo./ Chamei-lhe tolo.
CHEGAR
Exige a preposição"a"e não a preposição "em".
Chegamos finalmente a Birigüi.
Chegamos ao colégio.
INFORMAR
Pede dois complementos, um sem e outro com preposição. Admite duas construções:
Informei a nota ao aluno
Informei o aluno da (ou sobre a) nota.
IR
Segue a mesma regência de chegar.
Iremos a Araçatuba.
Vou ao banheiro.
IMPLICAR
No sentido de acarretar, exige complemento sem preposição.
Sua atitude implicará demissão.
Tal procedimento implicará anulação da prova.
NAMORAR
Exige complemento sem preposição.
João namora Maria.
Ela namora uma aluna do segundo ano.
OBEDECER
Exige complemento com a preposição "a".
O filho obedece ao pai.
Ele obedecia a leis antigas.
Embora transitivo indireto, o verbo obedecer admite voz passiva.
O pai é obedecido pelo filho.
As leis antigas eram obedecidas por ele.
PAGAR – PERDOAR
Tem por complemento uma palavra que denote coisa, não exigem preposição. Quanto têm por
complmento uma palavra que denote pessoa, exige a preposição "a".
Paguei o livro (coisa).
Paguei ao livreiro. (pessoa)
Paguei o livro ao livreiro.
Perdoei o pecado (coisa).
Perdoei ao pecador (pessoa).
Perdoei o pecado ao pecador.
QUERER
No sentido de desejar, exige complemento sem preposição.
Eu quero uma casa no campo.
Quero um refúgio que seja seguro.
No sentido de estimar, ter afeto, exige complemento com a preposição "a"
Quero a meus pais.
Quero a meus colegas.
SER
a construção verbo SER + PREPOSIÇÃO EM é incorreta. Não se diz:
Somos trinta nesta classe.
Éramos seis em casa.
SIMPATIZAR, ANTIPATIZAR E IMPLICAR
No sentido de antipatizar. Perceba que esses verbos não são pronominais, ou seja, não existe o verbo
"simpatizar-se" nem "antipatizar-se". Não se deve, portanto, dizer "eu me simpatizei com ela"; o certo é
"eu simpatizei com ela".
Ex.1: Todos nós simpatizamos com o professor.
Ex.2: O pai dele implica comigo demasiadamente.
Ex.: Sua cultura consiste na memorização de sentenças latinas.
SOBRESSAIR
Perceba que esse verbo não é pronominal, ou seja, não existe o verbo "sobressair-se". Não se deve,
portanto, dizer "ele se sobressaiu no campeonato"; o certo é "ele sobressaiu no campeonato".
Ex.: Os jogadores que mais sobressaíram no time conseguiram contratos no exterior.
Observação
Não se usa um mesmo complemento para verbos que têm regências diferentes.
ERRADO
Precisava e encontrei o material de acampamento.
Assisti, mas não gostei do filme.
CERTO
Precisava do material de acampamento e encontrei-
Assisti ao filme, mas não gostei dele.
Fonte: mundovestibular.com.br
REGÊNCIA Verbal
Qual seria a impropriedade em dizer: "Afinal, comprei o colchão que eu sempre sonhei" e "Comprei o
adoçante que você confia."?
O verbo sonhar exige a preposição com. Ex.: Sonhei com você. Sonho com um futuro melhor para o
Brasil.
O verbo confiar exige a preposição em. Ex.: Confio em seus projetos. Confiamos em suas promessas.
Quando você constrói uma frase em que apareça o pronome relativo, você precisa respeitar a regência do
verbo. Então:
Afinal, comprei o colchão com que (com o qual) sempre sonhei.
Comprei o adoçante em que (no qual) você confia.
Veja outros exemplos em que a preposição em é exigida:
Verbo crer
Creio em pessoas calmas. As pessoas em que (nas quais) creio são calmas.
Verbo acreditar
Acreditávamos em suas palavras. As palavras em que acreditávamos eram falsas.
Verbo esperar (ter esperança)
Esperava nesse candidato. O candidato em que esperava não concorrerá às eleições.
Verbo morar
Moro num país tropical. O país em que moro é tropical. Cuidado: nada de morar à Rua das Orquídeas.
More na Rua das Orquídeas. Você mora em São Paulo, na Bahia, no Espírito Santo, então, na rua.
Verbo residir
Resido numa casa aconchegante. A casa em que resido é aconchegante.
Verbo reparar (observar)
Reparei em seus modos estabanados. O rosto em que reparei não me era estranho.
Vamos mostrar alguns verbos que exigem preposição de: gostar, duvidar, desconfiar, precisar, necessitar,
prevenir, avisar, informar.
Gosto de você. Você é a pessoa de quem gosto.
Duvido de suas intenções. Aquelas são as intenções de que (das quais) duvido.
Desconfiamos de suas atitudes. As atitudes de que (das quais) desconfiamos foram dignas de
investigação.
Preciso de tempo. O tempo de que preciso é exíguo.
Necessito de mais informações. As informações de que necessito estão à disposição.
É preciso preveni-lo de que a vacinação será feita sábado próximo.
Aviso-o de que estamos à espera do comprovante de recebimento do produto.
Informamo-lo de que as aulas deverão iniciar-se na próxima semana.
Os verbos precisar e necessitar podem também vir sem preposição. Ex.: Preciso o livro. A indústria
precisa técnicos. Precisam-se técnicos. Necessito recibo da operação financeira. Necessita-se secretária.
Atualmente, é preferível usar a preposição.
O verbo prevenir exige complemento de pessoa (ou instituição) sem preposição e do fato com preposição.
Você já viu alguns verbos que exigem complemento com preposição. Vamos agora ver os verbos avisar,
cientificar, aconselhar, informar e notificar que têm a mesma regência. Exigem objeto direto e indireto. É
indiferente que o objeto direto seja pessoa ou fato. Se a pessoa for objeto direto, o fato será objeto
indireto e vice-versa.
O objeto direto é o complemento que não tem preposição exigida. O objeto indireto é ligado ao verbo com
preposição exigida. Nós já vimos verbos que exigem a preposição de: gostar de, desconfiar de, duvidar
de, depender de. Vimos também verbos que exigem a preposição em: confiar em, acreditar em, crer em,
esperar em (com o sentido de ter esperança). Veja como se usa o verbo avisar:
Avisei os interessados do novo horário de atendimento.
O diretor avisou os pais (sem preposição) de que haverá provas mensais (com preposição de).
O diretor avisou-os de que haverá provas mensais.
O mesmo ocorre com informar:
Informamos a jovem da nova data do concurso.
Gostaríamos de informá-lo de que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas horas.
O repórter informou os ouvintes de que a vacinação seria feita no dia seguinte.
Usamos a pessoa como objeto direto (sem preposição) e o fato como objeto indireto. Vamos agora ver o
fato como objeto direto e a pessoa como objeto indireto.
Avisei o novo horário de atendimento aos interessados.
O diretor avisou aos pais que haverá provas mensais.
O diretor avisou-lhes que haverá provas mensais.
Informamos a nova data do concurso à jovem.
Gostaríamos de informar-lhe que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas horas. O
repórter informou aos ouvintes que a vacinação seria feita no dia seguinte.
Com esses verbos, note bem, se você disser informá-lo, avisá-lo, o que vem precedido da preposição de:
avisá-lo de que; informá-lo de que.
Se você usar informar-lhe, avisar-lhe, o que não vem precedido de preposição: avisar-lhe que, informar-
lhe que.
Se o verbo aparecer na voz passiva, a preposição deverá ser usada para iniciar o outro
complemento (a, de que). Veja:
Os alunos foram avisados de que as aulas seriam suspensas devido à falta de água.
O fato foi avisado aos interessados no leilão.
A população foi informada de que nada mais havia no circo.
O desastre foi informado aos presentes.
É bom você lembrar-se de que o verbo prevenir não entra nessa lista. O verbo prevenir exige sempre
objeto direto (sem preposição) de pessoa e indireto do fato.
A relação de concordância, quando se dá entre o sujeito e o verbo principal de uma oração, é chamada
de concordância verbal.
Os verbos flexionam-se em pessoa (primeira, segunda e terceira), em número (singular e plural), em
tempo (presente, passado e futuro) e em modo (indicativo, subjuntivo e imperativo). Em geral, as
características de número e pessoa são as que um termo determinante ou dependente (verbo) deve
manter em harmonia com as do termo determinado ou principal (substantivo e etc.).
Em língua portuguesa, as relações de concordância são obrigatórias nos casos supra-citados. Por isso, é
importante saber de que forma os verbos e sintagmas nominais se relacionam para, assim, promover a
concordância adequada.
A concordância e o sujeito simples
Dentre os casos de concordância verbal, o que trata do sujeito e o verbo é o mais básico e geral da língua
portuguesa.
Sintaticamente, o sujeito é o termo que se mantém em harmonia com o verbo. Esse sujeito ora pode estar
expresso na oração através de um nome (substantivo, pronome e etc.) ou uma oração subordinada
substantiva, ora pode estar implícito na oração, ou ainda, pode ser inexistente na oração. Mesmo que o
sujeito seja um elemento não declarado na oração, a concordância de número e pessoa entre ele e o
verbo é obrigatória (salvo a exceção da concordância ideológica).
Exemplos:
Nós quer falar assim! [Inadequado] Nós queremos falar assim! [Adequado]
As compras chegou ontem. [Inadequado] As compras chegaram ontem. [Adequado]
Quando o sujeito não está expresso na oração é preciso recuperá-lo no contexto e, então, promover a
concordância .
Exemplo:
Elas disseram que vai ao jantar.
...Elas disseram que vão ao jantar
...[sujeito de "vão" = "que" retomando o nome "elas"]
...Elas disseram que ele vai ao jantar.
...[sujeito de "vão" = "ele"]
Há casos em que um sujeito simples representa não um único elemento, mas toda uma coletividade.
Mesmo transmitindo essa idéia de pluralidade, a concordância deve respeitar o número e a pessoa
representada pela palavra-sujeito.
Exemplos:
A gente não fizemos a lição. [Inadequado] A gente não fez a lição. [Adequado]
As gentes do Brasil espelha as várias raças. [Inadequado] As gentes do Brasil espelham as várias raças.
[Adequado]
A concordância e as desinências
As desinências (-s, -mos, -va e etc.) são elementos essenciais para se determinar a flexão das palavras
em Língua Portuguesa. Por esse motivo são, inclusive, denominadas morfemas flexionais.
Por indicarem, na morfologia, a flexão nominal (gênero, número) e a flexão verbal (pessoa, número,
tempo, modo, aspecto e voz ), é obrigatória a presença das desinências nas palavras. Esse fator é
fundamental à construção adequada da concordância nominal e da concordância verbal
Freqüentemente se observa a ausência da desinência -s indicativa da segunda pessoa do singular. Esse
comportamento, verificado particularmente na língua falada, acarreta problemas de concordância verbal,
já que a forma vazia (sem o -s . Ex.: ama) é a forma representativa da terceira pessoa do singular.
Exemplos:
Tu fala por experiência própria! [Inadequado] Tu falas por experiência própria! [Adequado]
A concordância e o termo determinado
A concordância verbal, obrigatória em Língua Portuguesa, ocorre preferencialmente entre o verbo e o
sujeito da oração.
Nas orações formadas por um predicado nominal (verbo de ligação + predicativo do sujeito) o verbo deve
concordar não com o sujeito, mas sim com o predicativo do sujeito. Essa possibilidade de concordância
ocorre, dentre outros casos, se:
sujeito for um nome no plural; predicativo do sujeito estiver determinado, isto é, se ele for formado por um
nome + determinante (artigo, numeral e etc.).
Exemplos:
Carros roubados são uma coisa normal nesta rua. [Inadequado] Carros roubados é uma coisa normal
nesta rua. [Adequado]
Falsas promessas foram a minha desgraça! [Inadequado] Falsas promessas foi a minha desgraça!
[Adequado]
A concordância e os pronomes indefinido e demonstrativo como sujeito
A concordância verbal, obrigatória em Língua Portuguesa, ocorre preferencialmente entre o verbo e o
sujeito da oração.
Nas orações formadas por um predicado nominal (verbo de ligação + predicativo do sujeito) o verbo deve
concordar não com o sujeito, mas sim com o predicativo do sujeito. Essa possibilidade de concordância
ocorre, dentre outros casos, se o sujeito da oração for:
um pronome indefinido (todo, tudo, nada e etc.); um pronome demonstrativo neutro (isto, isso e aquilo).
Exemplos:
Nada é obstáculos para um bom vendedor. [Inadequado] Nada são obstáculos para um bom vendedor.
[Adequado]
Tudo é flores! [Inadequado] Tudo são flores! [Adequado]
Para mim isso é histórias mal contadas. [Inadequado] Para mim isso são histórias mal contadas.
[Adequado]
Aquilo é manobras sociais. [Inadequado] Aquilo são manobras sociais. [Adequado]
A concordância e o pronome interrogativo como sujeito
A concordância verbal, obrigatória em Língua Portuguesa, ocorre preferencialmente entre o verbo e o
sujeito da oração.
Nas orações formadas por um predicado nominal (verbo de ligação + predicativo do sujeito) o verbo deve
concordar não com o sujeito, mas sim com o predicativo do sujeito. Essa possibilidade de concordância
ocorre, dentre outros casos, se o sujeito for um pronome interrogativo (qual, quem, que, quando e etc.).
Exemplos:
Quem é eles? [Inadequado] Quem são eles? [Adequado]
Quando será as provas? [Inadequado] Quando serão as provas? [Adequado]
A concordância e o pronome reto como predicativo do sujeito
A concordância verbal, obrigatória em Língua Portuguesa, ocorre preferencialmente entre o verbo e o
sujeito da oração.
Nas orações formadas por um predicado nominal (verbo de ligação + predicativo do sujeito) o verbo deve
concordar não com o sujeito, mas sim com o predicativo do sujeito. Essa possibilidade de concordância
ocorre, dentre outros casos, se o predicativo do sujeito for um pronome reto (eu, tu, ele e etc.).
Exemplos:
O encarregado da obra é eu. [Inadequado] O encarregado da obra sou eu. [Adequado]
Neste caso continua nós... [Inadequado] Neste caso continuamos nós... [Adequado]
A concordância e as orações adjetivas
As orações subordinadas adjetivas são aquelas que têm valor de adjetivo, ou seja, que qualificam ou
determinam um nome que pertence à oração principal. Como elas estão ligadas a um termo da oração
principal através de um pronome relativo, é obrigatório que entre o verbo da oração subordinada e o
pronome haja concordância de pessoa e número.
Em geral as orações adjetivas são introduzidas por um pronome relativo (que, qual e etc.) que,
substituindo o nome ao qual o verbo da oração subordinada está ligado, comanda a concordância verbal.
Exemplos:
Os homens que mata os animais selvagens devem ser denunciados. [Inadequado] Os homens que
matam os animais selvagens devem ser denunciados. [Adequado]
...[Os homens devem ser denunciados: oração principal]
...[que matam os animais selvagens: oração subordinada adjetiva]
...[que: pronome relativo a "os homens"]
As questões que era mais importante foram esquecidas. [Inadequado] As questões que eram mais
importantes foram esquecidas. [Adequado]
...[As questões foram esquecidas: oração principal]
...[que eram mais importantes: oração subordinada adjetiva]
...[que: pronome relativo a "as questões"]
Observe que no exemplo (2) não só o verbo, mas também o adjetivo da oração subordinada (eram,
importantes) devem se manter em harmonia com o nome ao qual estão ligados.
Uma regra prática para identificar a oração subordinada adjetiva e, assim, promover a concordância
verbal adequada, é substituir toda a oração subordinada pelo adjetivo a ela correspondente.
Os homens matadores de animais selvagens devem ser denunciados.
As questões mais importantes foram esquecidas.
A concordância e o pronome relativo em orações adjetivas
As orações subordinadas adjetivas, por qualificarem um termo da oração principal, possuem as
características de um adjetivo; ou seja: estão ligadas a um nome , em geral um substantivo, ao qual
conferem um atributo.
Dentre as características das orações subordinadas adjetivas destacamos o fato de serem introduzidas
pelo pronome relativo que.
Nas orações adjetivas o que faz referência a algum termo da oração principal (sujeito, objeto,
complemento nominal). Desse modo, o que carrega consigo todas as marcas de flexão (número, gênero,
pessoa) do termo ao qual se refere. Assim, é obrigatória a concordância em número e pessoa entre o
verbo da oração subordinada adjetiva e o substantivo a que se refere representado pela palavra que.
Exemplos:
Os trabalhadores que fez greve serão convocados para a reunião. [Inadequado] Os trabalhadores que
fizeram greve serão convocados para a reunião. [Adequado]
Os lustres da sala que foram inaugurados destacava-se em delicadeza. [Inadequado] Os lustres da sala
que foi inaugurada destacavam-se em delicadeza. [Adequado]
A concordância e os pronomes reflexivos
Os pronomes reflexivos (me, te, se, nos e etc.) possuem uma forma especial para cada pessoa verbal.
Para indicar que o objeto da ação é a mesma pessoa que o sujeito que a pratica, é obrigatória a
concordância em pessoa entre o pronome reflexivo e a pessoa a qual se refere.
É importante lembrar, ainda, que a terceira pessoa possui uma única forma tanto para o singular quanto
para o plural: se, si e consigo.
Exemplos:
Eu se machuquei. [Inadequado] Eu me machuquei. [Adequado]
Ela foi embora e levou minha juventude contigo. [Inadequado] Ela foi embora e levou minha juventude
consigo. [Adequado]
Observe que a concordância própria aos pronomes reflexivos respeitam apenas a pessoa verbal e não o
gênero da pessoa a qual se refere, senão vejamos os exemplos de sentenças corretas:
Ela está fora de si. / Ele está fora de si.
Além disso, é comum acrescentar algumas expressões reforçativas junto aos pronomes reflexivos. Dessa
forma, destaca-se a idéia de igualdade entre as pessoas que estão sujeitas à ação.
Exemplos:
Eu me machuquei. Eu mesma me machuquei.
Eles se julgavam. Eles julgavam-se a si mesmos.
A concordância e o pronome "que"
Os pronomes relativos são aqueles que estabelecem a ligação entre a oração principal e a oração
subordinada, ao substituir, na oração subordinada, um termo presente na oração principal (termo
antecedente). Dentre os pronomes relativos, o que é o mais comum, sendo empregado em construções
diversas. Diferentemente de outros relativos (qual, cujo, por exemplo), o que não se flexiona em gênero e
número. Por isso, muitas vezes é difícil saber a qual elemento o que se refere. Porém, como se trata de
um relativo, o pronome que sempre retoma um nome anteriormente apontado e dele herda as
características de flexão.
Em geral, o que introduz uma oração subordinada. A concordância de número e pessoa entre o verbo da
oração subordinada e o elemento ao qual o que está ligado é obrigatória. É o que ocorre quando o termo
antecedente for um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele e etc.)
Exemplos:
Não fui eu que lhe vendeu fiado. [Inadequado] Não fui eu que lhe vendi fiado. [Adequado]
São eles que promete e não cumpre. [Inadequado] São eles que prometem e não cumprem. [Adequado]
É importante lembrar que, em análise sintática, o pronome reto que antecede o que é sujeito da oração
principal. Já o sujeito da oração subordinada é o próprio que, por isso a necessidade de manter em
harmonia os elementos da oração subordinada.
Fomos nós que antecipamos o resultado da pesquisa eleitoral. ...[fomos nós: oração principal]
...[que antecipamos o resultado da pesquisa eleitoral: oração subordinada]
...[nós: sujeito da oração principal]
...[que: sujeito da oração subordinada = pronome relativo a "nós"]
A concordância e o pronome "quem"
O pronome relativo substitui um nome que pertence à oração principal. Para evitar a repetição desse
nome, utiliza-se um pronome que se torna "relativo" àquele nome o qual substitui.
Exemplo:
Esses são os anéis que eu dei a você? ...[oração principal: esses são os anéis]
...[oração dependente: que eu dei a você]
...[anéis: predicativo do sujeito da oração principal]
...[que: pronome relativo a anéis / objeto direto da oração dependente]
O pronome relativo quem, quando introduz uma oração dependente, se torna sujeito dessa oração. Logo
é obrigatória a concordância em pessoa e número entre o verbo e o sujeito ao qual está ligado. Uma das
possibilidades de concordância entre o quem e o verbo da oração dependente é manter este verbo na
terceira pessoa do singular.
Exemplos:
Fui eu quem paguei a conta. [Inadequado] Fui eu quem pagou a conta. [Adequado]
São eles quem nos obrigaram a marchar. [Inadequado] São eles quem nos obrigou a marchar.
[Adequado]
A concordância e os pronomes "o que"
Há, em língua portuguesa, um tipo de construção que reúne dois pronomes - demonstrativo e relativo -
formando as expressões "o(s) que" e "a(s) que". Quando o termo que dessa expressão introduzir uma
oração subordinada, o verbo dessa oração deve concordar em número e pessoa com o termo o(s)/a(s)
que o antecede.
Exemplos:
Não ouvi os que falava. [Inadequado] Não ouvi os que falavam. [Adequado]
São dois os que contribui para o time da empresa. [Inadequado] São dois os que contribuem para o time
da empresa.[Adequado]
O pronome demonstrativo pode ser representado pelas palavras o(s), a(s), geralmente empregadas como
artigos. Trata-se de uma forma especial de pronome neutro que pode ser substituída por "aquele(s)",
"aquela(s)". Já o pronome relativo que retoma um elemento anterior (termo antecedente). A análise
sintática da expressão o que, portanto, deve ser compreendida da seguinte forma:
Cartas? Só lia as que chegavam em meu escritório. ...[Só lia as: oração principal]
...[que chegavam em meu escritório: oração subordinada]
...[as: objeto direto da oração principal = substitui "cartas"]
...[que: sujeito da oração subordinada = substitui "as"]

TERMOS DA ORAÇÃO

ORAÇÃO
Oração é um segmento lingüístico caracterizado basicamente:
1. pela presença obrigatória do verbo (ou locução verbal), e
2. pela propriedade de se tornar, ela mesma, um objeto de análise sintática
A maioria dos gramáticos da língua portuguesa costuma atribuir à oração uma qualidade discursiva
bastante particular que é a de expressar um conteúdo informativo na forma de uma construção dotada de
verbo. Independentemente de essa construção expressar um sentido acabado no discurso oral ou escrito,
o verbo torna-se fundamental para caracterizar a oração; por isso, a determinação de que o verbo é o
núcleo de uma oração. Vejamos alguns exemplos:
Gabriel toca sanfona maravilhosamente.
...[toca: verbo]
...[enunciado em forma de oração com sentido acabado]
portanto, traz felicidade.
...[traz: verbo]
...[enunciado em forma de oração sem sentido acabado]
Nesses dois exemplos observamos ora a expressão de um conteúdo comunicativo completo ora a
ausência desse enunciado significativo. No entanto, em nenhum dos casos podemos notar a falta do
verbo.
As orações são, além disso, construções que, por contarem com um esquema discursivo definido, podem
ser analisadas sintaticamente. Isto é, existindo oração pressupõe-se também a existência de uma
organização interna entre os seus elementos constituintes – os termos da oração – que se reúnem em
torno do verbo. A esse tipo de exercício chamamos análise sintática, da qual a gramática da língua
costuma abstrair as diversas classificações das orações.

ANÁLISE SINTÁTICA
Análise sintática é uma técnica empregada no estudo da estrutura sintática de uma língua. Ela é útil
quando se pretende:
descrever as estruturas sintáticas possíveis ou aceitáveis da língua; ou
decompor o texto em unidades sintáticas a fim de compreender a maneira pela qual os elementos
sintáticos são organizados na sentença.
A compreensão dos vários mecanismos inerentes em uma língua é facilitada pelo procedimento analítico,
através do qual buscam-se nas unidades menores (por exemplo, a sentença) as razões para certos
fenômenos detectados nas unidades maiores (por exemplo, o texto). Dessa forma, a Gramática
Normativa (aquela que prescreve as normas da língua culta) sempre se ocupou em decompor algumas
unidades estruturais da língua para tornar didática a compreensão de certos fenômenos. No âmbito da
fonologia, tem-se a análise fonológica, em que a estrutura sonora das palavras é decomposta em
unidades mínimas do som (os fonemas); em morfologia, tem-se a análise morfológica, da qual se
depreendem das palavras as suas unidades mínimas dotadas de significado (os morfemas).
A análise sintática ocupa um lugar de destaque em muitas gramáticas da língua portuguesa, porque
grande parte das normas do bem dizer e do bem escrever recaem sobre a estrutura sintática, isto é, sobre
a organização das palavras na sentença. Para compreender o uso dos pronomes relativos, a colocação
pronominal, as várias relações de concordância, por exemplo, é importante, antes, promover uma análise
adequada da sintaxe apresentada pela sentença em questão. Nenhuma regra de conduta da língua culta
tem sentido sem uma análise sintática da sentença que se estuda. Por isso, antes que se aplique
qualquer norma gramatical é preciso compreender de que forma os elementos sintáticos estão dispostos
naquela sentença especial. Isso se dá porque os elementos sintáticos também não são fixos na língua.
Por exemplo: uma palavra pode funcionar como sujeito em uma sentença e, em outra, funcionar como
agente da passiva. Somente a análise sintática poderá determinar esse comportamento específico das
palavras no contexto da sentença.
Sendo a análise sintática uma aplicação estritamente voltada para a sentença, parte-se dessa unidade
maior para alcançar os seus constituintes - os sintagmas – que, por sua vez, são rotulados através das
categorias sintáticas. Como se vê, é um exercício de decomposição da sentença. Vejamos um exemplo
de análise sintática:
Teu pai quer que você estuda antes de brincar.
...[há três orações]
...[1ª oração: teu pai quer = oração principal]
...[na 1ª oração: sintagma nominal = teu pai; sintagma verbal = quer]
...[sintagma verbal da 1ª oração: formado por um verbo modal]
...[2ª oração: que você estuda = oração subordinada objetiva direta]
...[na 2ª oração: sintagma nominal = você; sintagma verbal = estuda]
...[2ª oração: introduzida pelo pronome relativo que]
...[3ª oração: antes de brincar = oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo]
...[sintagma adverbial: locução adverbial de tempo: antes de]
...[sintagma verbal: brincar]
Através da análise que desenvolvemos pudemos depreender as várias unidades menores do período, isto
é, as três orações (ou sentenças), e, além disso, identificamos as funções dos elementos sintáticos
presentes em cada oração (tipo de verbo, qualidade do pronome, tipos de sintagmas, tipo de advérbio). A
partir desses resultados é possível verificar um problema de concordância verbal existente na segunda
oração. Trata-se da norma gramatical que nos informa o seguinte: "se houver uma oração subordinada
objetiva direta introduzida pelo pronome que e, se essa oração complementa um verbo modal, então o
verbo dessa oração subordinada deve estar no modo subjuntivo". Pela análise sintática vemos que esse é
o caso do nosso período. Assim, conseguimos compreender a necessidade de alteração da forma verbal,
derivando a sentença abaixo.
Teu pai quer que você estude antes de brincar.
TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO

SUJEITO

PREDICADO
SUJEITO
Sujeito é um dos temos essenciais da oração. Tem por características básicas:
· estabelecer concordância com o núcleo do sintagma verbal
· apresentar-se como elemento determinante em relação ao predicado
· constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo ou, ainda, qualquer palavra substantivada
O sujeito só é considerado no âmbito da análise sintática, isto é, somente na organização da sentença é
que uma palavra (ou um conjunto de palavras) pode constituir aquilo que chamamos sujeito. Nesse
sentido, é equivocado dizer que o sujeito é aquele que pratica uma ação ou é aquele (ou aquilo) do qual
se diz alguma coisa. Ao fazer tal afirmação estamos considerando o aspecto semântico do sujeito (agente
de uma ação) ou o seu aspecto estilístico (o tópico da sentença). Já que o sujeito é depreendido de uma
análise sintática, vamos restringir a definição apenas ao seu papel sintático na sentença: aquele que
estabelece concordância com o núcleo do predicado. Quando se trata de predicado verbal, o núcleo é
sempre um verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um nome.
Exemplos:
A padaria está fechada hoje.
...[está fechada hoje: predicado nominal]
...[fechada: nome adjetivo = núcleo do predicado]
...[fechada: nome feminino singular]
...[a padaria: sujeito]
...[núcleo do sujeito: nome feminino singular]
Nós mentimos sobre nossa idade para você.
...[mentimos sobre nossa idade para você: predicado verbal]
...[mentimos: verbo = núcleo do predicado]
...[mentimos: primeira pessoa do plural]
...[nós: sujeito]
...[sujeito: primeira pessoa do plural]
A relação de concordância é, por excelência, uma relação de dependência, na qual dois (ou mais)
elementos se harmonizam. Um desses elementos é chamado determinado (ou principal) e o outro,
determinante (subordinado). No interior de uma sentença, o sujeito é o termo determinante, ao passo que
o predicado é o termo determinado. Essa posição de determinante do sujeito em relação ao predicado
adquire sentido com o fato de ser possível, na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, mas nunca
uma sentença sem predicado.
Exemplos:
As formigas invadiram minha casa.
...[as formigas: sujeito = termo determinante]
...[invadiram minha casa: predicado = termo determinado]
Há formigas na minha casa.
...[há formigas na minha casa: predicado = termo determinado]
...[sujeito: inexistente]
O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma nominal , isto é, seu núcleo é sempre um nome.
Quando esse nome se refere a objetos das primeira e segunda pessoas, o sujeito é representado por um
pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, etc.). Se o sujeito se refere a um objeto da terceira pessoa, sua
representação pode ser feita através de um substantivo, de um pronome substantivo ou de qualquer
conjunto de palavras, cujo núcleo funcione, na sentença, como um substantivo.
Exemplos:
Eu acompanho você até o guichê.
...[eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa]
Vocês disseram alguma coisa?
...[vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa]
Marcos tem um fã-clube no seu bairro.
...[Marcos: sujeito = substantivo próprio]
Ninguém entra na sala agora.
...[ninguém: sujeito = pronome substantivo]
O andar deve ser uma atividade diária.
...[o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa oração]
Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir de uma oração inteira. Nesse caso, a oração
recebe o nome de oração substantiva subjetiva:
É difícil optar por esse ou aquele doce...
...[É difícil: oração principal]
...[optar por esse ou aquele doce: oração subjetiva = sujeito oracional]

PREDICADO
Predicado é um dos termos essenciais da oração. Tem por características básicas:
· apresentar-se como elemento determinado em relação ao sujeito
· apontar um atributo ou acrescentar nova informação ao sujeito
Assim como o sujeito, o predicado é um segmento extraído da estrutura interna das orações ou das
frases, sendo, por isso, fruto de uma análise sintática. Isso implica dizer que a noção de predicado só é
importante para a caracterização das palavras em termos sintáticos. Nesse sentido, o predicado é
sintaticamente o segmento lingüístico que estabelece concordância com outro termo essencial da oração
– o sujeito -, sendo este o termo determinante (ou subordinado) e o predicado o termo determinado (ou
principal). Não se trata, portanto, de definir o predicado como "aquilo que se diz do sujeito" como fazem
certas gramáticas da língua portuguesa, mas sim estabelecer a importância do fenômeno da
concordância entre esses dois termos essenciais da oração.
Exemplos:
Carolina conhece os índios da Amazônia.
...[sujeito: Carolina = termo determinante]
...[predicado: conhece os índios da Amazônia = termo determinado]
...[Carolina: 3ª pessoa do singular = conhece: 3ª pessoa do singular]
Todos nós fazemos parte da quadrilha de São João.
...[sujeito: todos nós = termo determinante]
...[predicado: fazemos parte da quadrilha de São João = termo determinado]
...[Todos nós: 1ª pessoa do plural = fazemos parte: 1ª pessoa do plural]
Nesses exemplos podemos observar que a concordância é estabelecida entre algumas poucas palavras
dos dois termos essenciais. Na frase (1), entre "Carolina" e "conhece"; na frase (2), entre "nós" e
"fazemos". Isso se dá porque a concordância é centrada nas palavras que são núcleos, isto é, que são
responsáveis pela principal informação naquele segmento. No predicado o núcleo pode ser de dois tipos:
um nome, quase sempre um atributo que se refere ao sujeito da oração, ou um verbo (ou locução verbal).
No primeiro caso, temos um predicado nominal e no segundo um predicado verbal. Quando, num mesmo
segmento o nome e o verbo são de igual importância, ambos constituem o núcleo do predicado e
resultam no tipo de predicado verbo-nominal.
Exemplos:
Minha empregada é desastrada.
...[predicado: é desastrada]
...[núcleo do predicado: desastrada = atributo do sujeito]
...[tipo de predicado: nominal]
A empreiteira demoliu nosso antigo prédio.
...[predicado: demoliu nosso antigo prédio]
...[núcleo do predicado: demoliu = nova informação sobre o sujeito]
...[tipo de predicado: verbal]
Os manifestantes desciam a rua desesperados.
...[predicado: desciam a rua desesperados]
...[núcleos do predicado: 1. desciam = nova informação sobre o sujeito; 2. desesperados = atributo do
sujeito]
...[tipo de predicado: verbo-nominal]
Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é responsável também por definir os tipos de elementos
que aparecerão no segmento. Em alguns casos o verbo sozinho basta para compor o predicado (verbo
intransitivo). Em outros casos é necessário um complemento que, juntamente com o verbo, constituem a
nova informação sobre o sujeito. De qualquer forma, esses complementos do verbo não interferem na
tipologia do predicado. São elementos que constituem os chamados termos integrantes da oração.
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO

COMPLEMENTO NOMINAL

OBJETO DIRETO

OBJETO INDIRETO

PREDICATIVO DO OBJETO

AGENTE DA PASSIVA

COMPLEMENTO NOMINAL
Dá-se o nome de complemento nominal ao termo que complementa o sentido de um nome ou um
advérbio, conferindo-lhe uma significação completa ou, ao menos, mais específica.
Como o complemento nominal vem integrar-se ao nome em busca de uma significação extensa para
nome ao qual se liga, ele compõe os chamados termos integrantes da oração.
São duas as principais características do complemento nominal:
- sempre seguem um nome, em geral abstrato;
- ligam-se ao nome por meio de preposição, sempre obrigatória.
Os complementos nominais podem ser formados por substantivo, pronome, numeral ou oração
subordinada completiva nominal.
Exemplos:
Meus filhos têm loucura por futebol.
...[substantivo]
O sonho dele era saltar de pára-quedas.
...[pronome]
A vitória de um é a conquista de todos.
...[numeral]
O medo de que lhe furtassem as jóias a mantinha afastada daqui.
...[oração subordinada completiva nominal]
Em geral os nomes que exigem complementos nominais possuem formas correspondentes a verbos
transitivos, pois ambos completam o sentido de outro termo. São exemplos dessa correlação:
- obedecer aos pais Þ obediência aos pais
- chegar em casa Þ chegada em casa
- entregar a revista à amiga Þ entrega da revista à amiga
- protestar contra a opressão Þ protesto contra a opressão

OBJETO

DIRETO
Do ponto de vista da sintaxe, objeto direto é o termo que completa o sentido de um verbo transitivo direto,
por isso, é complemento verbal, na grande maioria dos casos, não preposicionado. Do ponto de vista da
semântica, o objeto direto é:
- o resultado da ação verbal, ou
- o ser ao qual se dirige a ação verbal, ou
- o conteúdo da ação verbal.
O objeto direto pode ser formado por um substantivo, pronome substantivo, ou mesmo qualquer palavra
substantivada. Além disso, o objeto direto pode ser constituído por uma oração inteira que complemente o
verbo transitivo direto da oração dita principal. Nesse caso, a oração recebe o nome de oração
subordinada substantiva objetiva direta.
Exemplos:
O amor de Mariana transformava a minha vida.
...[transformava: verbo transitivo direto]
...[a minha vida: objeto direto]
...[núcleo: vida = substantivo]
Conserve isto na tua memória: vou partir em breve.
...[conserve: verbo transitivo direto]
...[isso: objeto direto = pronome substantivo]
Não prometa mais do que possa cumprir depois.
...[prometa: verbo transitivo direto]
...[mais do que possa cumprir depois: oração subordinada substantiva objetiva direta]
Os objetos diretos são constituídos por nomes como núcleos do segmento. A noção de núcleo torna-se
importante porque, num processo de substituição de um nome por um pronome deve-se procurar por um
pronome de igual função gramatical do núcleo. No exemplo (1) acima verificamos um conjunto de
palavras formando o objeto direto (a minha vida), dentre as quais apenas uma é núcleo (vida =
substantivo). Podemos transformar esse núcleo substantivo em objeto direto formado por pronome
oblíquo, que é um tipo de pronome substantivo. Além disso, nesse processo de substituição, devemos ter
claro que o pronome ocupará o lugar de todo o objeto direto e não só do núcleo do objeto. Vejamos um
exemplo dessa representação:
O amor de Mariana transformava a minha vida.
O amor de Mariana a transformava.
Os pronomes oblíquos átonos (me, te, o, a, se, etc.) funcionam sintaticamente como objetos diretos. Isso
implica dizer que somente podem figurar nessa função de objeto e não na função de sujeito, por exemplo
. Porém algumas vezes os pronomes pessoais retos (eu, tu, ele, etc.) ou pronome oblíquo tônico (mim, ti,
ele, etc.) são chamados a constituir o núcleo dos objetos diretos. Nesse caso, o uso da preposição se
torna obrigatório e, por conseqüência, tem-se um objeto direto especial: objeto direto preposicionado.
Exemplos:
Ame ele que é teu irmão. [Inadequado]
Ame-o que é teu irmão. [Adequado]
Você chamou eu ao teu encontro? [Inadequado]
Você me chamou ao teu encontro? [Adequado]
...[me: pronome oblíquo átono = sem preposição]
Você chamou a mim ao teu encontro? [Adequado]
...[a mim: pronome oblíquo tônico = com preposição]

INDIRETO
Do ponto de vista da sintaxe, objeto indireto é o termo que completa o sentido de um verbo transitivo
indireto e vem sempre acompanhado de preposição. Do ponto de vista da semântica, o objeto indireto é o
ser ao qual se destina a ação verbal.
O objeto indireto pode ser formado por substantivo, ou pronome substantivo, ou numeral, ou ainda, uma
oração substantiva objetiva indireta. Em qualquer um desses casos, o traço mais importante e
característico do objeto indireto é a presença da preposição.
Exemplo:
A cigana pedia dinheiro a moça. [Inadequado]
A cigana pedia dinheiro à moça. [Adequado]
...[pedia = verbo transitivo direto e indireto]
...[dinheiro = objeto direto]
...[à moça = destinatário da ação verbal = objeto indireto]
O objeto indireto pode ser representado por um pronome. Como o núcleo do objeto é sempre um nome, é
possível substituí-lo por um pronome. Nesse caso, um pronome oblíquo, já que se trata de uma posição
de complemento verbal e não de sujeito da oração. O único pronome que representa o objeto indireto é o
pronome oblíquo átono lhe(s) – pronome de terceira pessoa. Os pronomes indicativos das demais
pessoas verbais são sempre acompanhados de preposição.
Exemplos:
Ela contava a seu pai como fora o seu dia na escola.
Ela lhe contava como fora o seu dia na escola.
Todos dariam ao padre a palavra final.
Todos dar-lhe-iam a palavra final.
Responderam a Fátima com delicadeza.
Responderam a mim com delicadeza.
Não é difícil confundir objeto indireto e adjunto adverbial, pois ambos os termos são construídos com
preposição. Uma regra prática para se determinar o objeto indireto e até mesmo o identificar na oração é
indagar ao verbo se ele necessita de algum complemento preposicionado. Esse complemento será:
1) Adjunto adverbial, se estiver expressando um significado adicional, como lugar, tempo, companhia,
modo e etc.
2) Objeto indireto, se estiver apenas completando o sentido do verbo, sem acrescentar outra idéia à
oração.
Exemplos:
Ele sabia a lição de cor. [Adjunto adverbial "de modo"]
Ele se encarregou do formulário. [Objeto indireto]

PREDICATIVO DO OBJETO
É o termo ou expressão que complementa o objeto direto ou o objeto indireto, conferindo-lhe um atributo.
O predicativo do objeto apresenta duas características básicas:
acompanha o verbo de ligação implícito;
pertence ao predicado verbo-nominal.
A formação do predicativo do objeto é feita através de um substantivo ou um adjetivo.
Exemplos:
O vilarejo finalmente elegeu Otaviano prefeito.
...[objeto: Otaviano]
...[predicativo: substantivo]
Os policiais pediam calma absoluta.
...[objeto: calma]
...[predicativo: adjetivo]
Todos julgavam-no culpado.
...[objeto: no]
...[predicativo: adjetivo]
Alguns gramáticos admitem o predicativo do objeto em orações com verbos transitivos indiretos tais como
crer, estimar, julgar, nomear, eleger. Em geral, porém, a ocorrência do predicativo do objeto em objetos
indiretos se dá somente com o verbo chamar, com sentido de "atribuir um nome a".
Exemplo:
Chamavam-lhe falsário, sem notar-lhe suas verdades.


AGENTE DA PASSIVA
É o termo da oração que complementa o sentido de um verbo na voz passiva, indicando-lhe o ser que
praticou a ação verbal.
A característica fundamental do agente da passiva é, pois, o fato de somente existir se a oração estiver
na voz passiva. Há três vozes verbais na nossa língua: a voz ativa, na qual a ênfase recai na ação verbal
praticada pelo sujeito; a voz passiva, cuja ênfase é a ação verbal sofrida pelo sujeito; e a voz reflexiva, em
que a ação verbal é praticada e sofrida pelo sujeito. Nota-se, com isso, que o papel do sujeito em relação
à ação verbal está em evidência.
Na voz ativa o sujeito exerce a função de agente da ação e o agente da passiva não existe. Para
completar o sentido do verbo na voz ativa, este verbo conta com outro elemento – o objeto (direto). Na
voz passiva, o sujeito exerce a função de receptor de uma ação praticada pelo agente da passiva. Por
conseqüência, é este mesmo agente da passiva que complementa o sentido do verbo neste tipo de
oração, substituindo o objeto (direto).
Exemplo:
O barulho acordou toda a vizinhança. [oração na voz ativa]
...[o barulho: sujeito]
...[acordou: verbo transitivo direto = pede um complemento verbal]
...[toda a vizinhança: ser para o qual se dirigiu a ação verbal = objeto direto]
Toda a vizinhança foi acordada pelo barulho. [oração na voz passiva]
...[toda a vizinhança: sujeito]
...[foi: verbo auxiliar / acordada: verbo principal no particípio]
...[pelo barulho: ser que praticou a ação = agente da passiva]
O agente da passiva é um complemento exigido somente por verbos transitivos diretos (aqueles que
pedem um complemento sem preposição). Esse tipo de verbo, em geral, indica uma ação (em oposição
aos verbos que exprimem estado ou processo) que, do ponto de vista do significado, é complementada
pelo auxílio de outro termo que é o seu objeto (em oposição aos verbos que não pedem complemento: os
verbos intransitivos). Como vimos, na voz passiva o complemento do verbo transitivo direto é o agente da
passiva; já na voz ativa esse complemento é o objeto direto. Nas orações com verbos intransitivos, então,
não existe agente da passiva, porque não há como construir sentenças na voz passiva com verbos
intransitivos.
Observe:
Karina socorreu os feridos.
...[verbo transitivo direto na voz ativa]
Os feridos foram socorridos por Karina
...[verbo transitivo direto na voz passiva]
Karina gritou.
...[verbo intransitivo na voz ativa]
Karina foi gritada. (sentença inaceitável na língua)
...[verbo intransitivo na voz passiva]
*Os feridos: objeto direto em (1) e sujeito em (2)
Karina: sujeito em (1) e agente da passiva em (2)
A oração na voz passiva pode ser formada através do recurso de um verbo auxiliar (ser, estar). Nas
construções com verbo auxiliar, costuma-se explicitar o agente da passiva, apesar de ser este um termo
de presença facultativa na oração. Em orações cujo verbo está na terceira pessoa do plural, é muito
comum ocultar-se o agente da passiva. Isso se justifica pelo fato de que, nessas situações, o sujeito pode
ser indeterminado na voz ativa. Porém mesmo nesses casos, a ausência do agente é fruto da liberdade
do falante.
Exemplos:
Os visitantes do zoológico foram atacados pelos bichos.
...[foram: verbo auxiliar / passado do verbo "ser"]
...[pelos bichos: agente da passiva]
Nossas reivindicações são simplesmente ignoradas.
...[são: verbo auxiliar / presente do verbo "ser"]
...[agente da passiva: ausente]
Cercaram a cidade. [voz ativa com sujeito indeterminado]
A cidade está cercada.
...[está: verbo auxiliar / presente do verbo "estar"]
...[agente da passiva: ausente]
A cidade está cercada pelos inimigos.
...[pelos inimigos: agente da passiva]
O agente da passiva é mais comumente introduzido pela preposição por (e suas variantes: pelo, pela,
pelos, pelas). É possível, no entanto, encontrar construções em que o agente da passiva é introduzido
pelas preposições de ou a.
Exemplos:
O hino será executado pela orquestra sinfônica.
...[pela orquestra sinfônica: agente da passiva]
O jantar foi regado a champanhe.
...[a champanhe: agente da passiva]
A sala está cheia de gente.
...[de gente: agente da passiva]

TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO

ADJUNTO ADNOMINAL

ADJUNTO ADVERBIAL

APOSTO

VOCATIVO

APOSTO E VOCATIVO
ADJUNTO ADNOMINAL
É a palavra ou expressão que acompanha um ou mais nomes conferindo-lhe um atributo. Trata-se,
portanto, de um termo de valor adjetivo que modificará o nome a que se refere.
Os adjuntos adnominais não determinam ou especificam o nome, tal qual os determinantes. Ao invés
disso, eles conferem uma nova informação ao nome e por isso são chamados de modificadores.
Além disso, os adjuntos adnominais não interferem na compreensão do enunciado. Por esse motivo, eles
pertencem aos chamados termos acessórios da oração.
Os adjuntos adnominais podem ser formados por artigo, adjetivo, locução adjetiva, pronome adjetivo,
numeral e oração adjetiva.
Exemplos:
Nosso velho mestre sempre nos voltava à mente.
...[nosso: pronome adjetivo]
...[velho: adjetivo]
Todos querem saber a música que cantarei na apresentação.
...[a: artigo]
...[que cantarei na apresentação: oração adjetiva]


ADJUNTO ADVERBIAL
É a palavra ou expressão que acompanha um verbo, um adjetivo ou um advérbio modificando a natureza
das informações que esses elementos transmitem. Por esse seu caráter, o adjunto adverbial é tido como
um modificador. Pelo fato de não ser um elemento essencial ao enunciado, insere-se no rol dos termos
acessórios da oração.
A modificação que os adjuntos adverbiais conferem aos elementos aos quais se liga na sentença é de
duas naturezas: a primeira, de modificação circunstancial, e a segunda, de intensidade.
Exemplos:
Os candidatos foram selecionados aleatoriamente.
...[aleatoriamente: modifica o segmento verbal "foram selecionados"]
...[natureza do adjunto adverbial: modificador]
Os preços dos remédios aumentaram demais.
...[demais: intensifica o segmento verbal "aumentaram"]
...[natureza do adjunto adverbial: intensificador]
Os adjuntos adverbiais podem ser representados por meio de um advérbio, uma locução adverbial ou
uma oração inteira denominada oração subordinada adverbial.
Exemplos:
Os ingressos para o espetáculo de dança esgotaram-se hoje.
...[hoje: advérbio = adjunto adverbial]
Acompanharemos de perto todos os teus passos!
...[de perto: locução adverbial = adjunto adverbial]
Eles sabiam que me magoavam com aquela maneira de falar.
...[com aquela maneira de falar: oração subordinada adverbial]
Freqüentemente observa-se certa confusão estabelecida entre o adjunto adverbial expressado por uma
locução adverbial e o objeto indireto. Isso se dá porque ambas as construções são introduzidas por uma
preposição. Deve-se ter claro, no entanto, que o objeto indireto é essencial para complementar o sentido
de um verbo transitivo indireto, ao passo que o adjunto adverbial é elemento dispensável para a
compreensão do sentido tanto de um verbo como de qualquer outro elemento ao qual se liga. Além disso,
o objeto indireto é complemento verbal; já o adjunto adverbial pode ou não estar associado a verbos.
Exemplos:
Essa minha nota equivale a um emprego.
...[a um emprego: complementa o sentido do verbo transitivo indireto"equivaler"]
...[a um emprego: objeto indireto]
Estávamos todos reunidos à mesa.
...[à mesa: modifica a informação verbal "estávamos reunidos"]
...[à mesa: adjunto adverbial (de lugar)]


APOSTO

É o termo da oração que se associa a outro termo para especificá-lo ou explicá-lo. O aposto tem caráter
nominal, ou seja, é representado por nomes e não por verbos ou advérbios. Seu emprego é tido como
acessório na oração porque o enunciado sobrevive sem a informação veiculada através do aposto.
Exemplos:
Meu nome estava definitivamente fora da lista dos aprovados.
...[oração sem aposto]
Meu nome, Espedito, estava definitivamente fora da lista dos aprovados.
...[Espedito: aposto / substantivo próprio = nome]
...[idéia expressada pelo aposto: especificação (do sujeito)]
Nas festas de Santo Antônio as pessoas faziam promessas.
...[oração sem aposto]
Nas festas de Santo Antônio, santo casamenteiro, as pessoas faziam promessas.
...[santo casamenteiro: aposto / núcleo: substantivo = nome]
...[idéia expressada pelo aposto: explicação (do adjunto adnominal)]
Na língua portuguesa o aposto costuma vir acompanhado de uma pausa expressada através da vírgula
ou do sinal de dois pontos. No entanto, o uso da pontuação para marcar a posição do aposto na sentença
não é obrigatório. Trata-se de uma elegância textual, para a qual a utilização, especialmente das vírgulas,
torna o aposto mais destacado.
Exemplos:
Aquela rodovia de São Paulo a Campinas foi ampliada recentemente.
...[aposto não separado por vírgulas]
Tua cunhada, solteira e de muitas posses, ainda quer se casar?
...[aposto separado por vírgulas]
Ninguém sabia informar sobre a prova: data, horário e local.
...[aposto introduzido pelos dois pontos]
É comum notarmos certa confusão entre aposto e adjunto adnominal, já que o aposto pode ser
introduzido por meio da preposição de. Deve-se ter claro, no entanto, que o aposto tem sempre o
substantivo como seu núcleo, ao passo que o adjunto adnominal pode ser representado por um adjetivo.
Uma maneira prática de identificar um ou outro termo da oração é transformar o segmento num adjetivo.
Se a operação tiver sucesso, tratar-se-á de um adjunto adnominal.
Exemplos:
As paredes de fora estão sendo pintadas agora.
...[de fora > externo = adjunto adnominal]
As paredes externas estão sendo pintadas agora.
A praça da República foi invadida pelos turistas.
...[da República: aposto]
Uma oração inteira também pode exercer a função de aposto. Nesse caso ela recebe o nome de oração
subordinada substantiva apositiva:
Normalmente optamos pelo futebol, o que é típico de brasileiro.
...[aposto associado ao núcleo do objeto indireto "futebol"]


VOCATIVO
É a palavra ou conjunto de palavras, de caráter nominal, que empregamos para expressar uma invocação
ou chamado.
O vocativo é um elemento que, embora colocado pelos gramáticos dentre os termos da oração, isola-se
dela. Isto é, o vocativo não se integra sintaticamente aos termos essenciais da oração (sujeito e
predicado) e pode, sozinho, constituir-se uma frase. Essa propriedade advém do fato de que o vocativo
insere, na oração, o interlocutor discursivo, ou seja, aquele a quem o falante se dirige na situação
comunicativa.
Exemplos:
Por Deus, Amélia, vamos encerrar essa discussão!
Posso me retirar agora, senhor?
Meninos!
...[vocativo constituindo uma frase]
A entonação melódica da língua falada costuma acentuar os vocativos. Essa forma de expressão é
reproduzida, na língua escrita, por meio de sinais de pontuação. Assim, o vocativo é obrigatoriamente
acompanhado de uma pausa: curta, através do recurso da vírgula; longa, através do recurso da
exclamação ou das reticências. Não há posição definida para o vocativo na sentença, porém, quando se
apresenta no interior da oração, deve ser colocado entre vírgulas.
Além disso, é bastante comum encontrarmos o vocativo associado a alguma forma de ênfase. Se não
através da pontuação, o recurso mais popular é vê-lo associado a uma interjeição.
Exemplos:
Ah, mãe! Deixe-me ir ao jogo hoje!
Ó, céus, para quê tanto espetáculo em dias tão desastrosos?
Há de atentarmos para uma distinção entre o vocativo e frases constituídas por um único substantivo.
Nestas não se verifica qualquer invocação ao interlocutor do discurso, mas, antes, se dirigem a alguém
expressando um aviso, um pedido ou um conselho. No vocativo, porém, o interlocutor é chamado a
integrar o discurso do falante.
Exemplos:
Perigo!
...[frase constituída por um substantivo]
Rebeca!
...[vocativo]


APOSTO E VOCATIVO
Termo ou expressão de caráter individualizador ou de esclarecimento, que acompanha um elemento da
oração, qualquer que seja a função deste.
Conforme o sentido que empresta a seu referente, pode ser analisado como:
explicativo - Mariovaldo, meu primo, esteve aqui.
enumerativo - Eis os três rapazes: José, Ruan e Sérgio
recapitulativo ou resumitivo - Os pais, os netos e as primas, todos estavam radiantes
distributivo - Matemática e Biologia são ciências, aquela exata e esta humana
aposto de oração - A resposta foi ríspida, sinal de ignorância / Foi rápido nos exercícios, fato que me
surpreendeu
especificativo - O poeta Olavo Bilac / O estado de Tocantins / A serra de Teresópolis
OBSERVAÇÃO
o aposto especificativo não se confunde com adj. adnominal pois, no caso do aposto, ambos os termos
designam o mesmo ser. Ex.: A cidade de Londres ¹ A neblina de Londres
Caso faça referência a OI, CN ou adj. adverbial, pode aparecer precedido de preposição.
De maneira geral, o aposto explicativo é destacado por pausas, podendo ser representadas por vírgulas,
dois pontos ou travessões. Pode vir precedido de expressões explicativas do tipo: a saber, isto é, quer
dizer etc.
OBSERVAÇÃO
aposto especificativo não se separa de seu referente por nenhum sinal de pontuação. Neste caso, pode o
aposto vir precedido de preposição.
Cabe observar o aposto nestas proposições: Ele salvou-se do naufrágio, porém jóias, roupas,
documentos, o mais naufragou com o navio / (...) porém, o mais - jóias, roupas, documentos - naufragou
com o navio.
Fonte: www.graudez.com.br
Aposto
APOSTO
É o termo que explica, desenvolve, identifica ou resume um outro termo da oração, independente da
função sintática que este exerça. Há quatro tipos de aposto:
APOSTO EXPLICATIVO
O aposto explicativo identifica ou explica o termo anterior; é separado do termo que identifica por vírgulas,
dois pontos, parênteses ou travessões.
Ex.
 Terra Vermelha, romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA EXPLICATIVA
É a oração que funciona como aposto explicativo. É sempre iniciada por um pronome relativo e, da
mesma maneira que o aposto explicativo, é separada por vírgulas, dois pontos, parênteses ou travessões.
Ex.
 Terra Vermelha, que é um romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA APOSITIVA
Oração Subordinada Substantiva Apositiva é outra oração que funciona como aposto. A função dela é
complementar o sentido de uma frase anterior que esteja completa sintaticamente. Por exemplo, quando
se diz Ela só quer uma coisa a frase está completa sintaticamente, pois tem sujeito-verbo-objeto,
porém incompleta quanto ao sentido. Portanto deveremos colocar algo que complete o sentido dessa
frase. Por exemplo Ela só quer uma coisa: que sua presença seja notada. Eis aí a Oração
Subordinada Substantiva Apositiva. Não confunda com a Oração Subordinada Adjetiva Explicativa, que
também funciona como aposto, mas que tem como função complementar o sentido de um substantivo
anterior, e não uma frase. Por exemplo: A vaca, que para os hindus é um animal sagrado, para nós é
sinônimo de churrasco. Eis aí a Oração Subordinada Adjetiva Explicativa.
Aposto Especificador
O aposto especificador Individualiza ou especifica um substantivo de sentido genérico, sem pausa.
Geralmente é um substantivo próprio que individualiza um substantivo comum.
Ex.
 O professor José mora na rua Santarém, na cidade de Londrina.
APOSTO ENUMERADOR
O aposto enumerador é uma seqüência de elementos usada para desenvolver uma idéia anterior.
Ex.
 O pai sempre lhe dava três conselhos: nunca empreste dinheiro a ninguém, nunca peça dinheiro
emprestado a ninguém e nunca fique devendo dinheiro a ninguém.
 O Escoteiro deve carregar consigo seu material: mochila, saco de dormir e barraca.
APOSTO RESUMIDOR
O aposto resumidor é usado para resumir termos anteriores. É representado, geralmente, por um
pronome indefinido.
Ex.
Alunos, professores, funcionários, ninguém deixou de lhe dar os parabéns.
VOCATIVO
O vocativo é um termo independente que serve para chamar por alguém, para interpelar ou para invocar
um ouvinte real ou imaginário.
Ex.
Teté, dê-me um beijo!

VERBO
Conceito
Palavra variável (pessoa, tempo, número e modo) que exprime uma ação, um estado, um fenômeno.
a) O policial prendeu o assassino. b) Maria foi atropelada pelo veículo. c) O assassino estava
doente. d) No Nordeste quase não chove.
a) O policial praticou uma ação; b) Maria sofreu uma ação; c) O assassino encontrava-se num certo
estado; d) Quase não ocorre um dado fenômeno da natureza no Nordeste.
Conjugações
Os verbos da língua portuguesa se agrupam em três conjugações, de conformidade
com a terminação do infinitivo:
Infinitivo em AR - verbos de primeira conjugação (cantar, amar, procurar, etc.) Infinitivo em ER - verbos
de segunda conjugação (correr, bater, ceder, etc.) Infinitivo em IR - verbos de terceira conjugação (ir,
possuir, agir, etc.)
Estrutura do verbo (radical + terminação)
O verbo possui uma base comum de significação que é chamada de RADICAL.
A esse radical se junta, em cada forma verbal, uma TERMINAÇÃO, da qual participa pelo menos
um dos seguintes elementos:
Vogal temática ( -a- , -e-, -i- , respectivamente para verbos de 1ª, 2ª e 3ª conjugação)
Exemplos
 cant-a
 beb-era
 sorr-ira
Desinência temporal (ou modo temporal) - indica o tempo e o modo:
canta (ausência de sufixo), cant-a-va, cant-a-ra
Desinência número-pessoal - identifica a pessoa e o número:
canta (ausência de desinência), cant-a-va-s (2ª pessoa singular), cant-á-ra- mos (1ª pessoa plural)
Todo o mecanismo da formação dos tempos simples repousa na combinação harmônica desses
elementos flexivos com um determinado radical verbal. Muitas vezes, falta um deles, como, por exemplo:
VOGAL TEMÁTICA, no presente do subjuntivo e, em decorrência, nas formas do imperativo dele
derivadas:
Exemplos
 ante
 cantes
 cante
 etc
DESINÊNCIA TEMPORAL, no presente e no pretérito perfeito do indicativo, bem como nas formas
do imperativo derivadas do presente do indicativo:
canto, cantas, canta, etc.; cantei, cantaste, cantou, etc.; canta (tu), cantai (vós);
DESINÊNCIA PESSOAL
a) na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (canta);
b) na 1ª e na 3ª pessoa do singular do imperfeito (cantava), do mais-que-perfeito (cantara) e do futuro do
pretérito (cantaria) do indicativo;
c) na 1ª e na 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo (cante), do imperfeito do subjuntivo
(cantasse) e do futuro do subjuntivo (cantar);
d) na 1ª e na 3ª pessoa do infinitivo pessoal (cantar).
Flexões do Verbo
O verbo apresenta variações de número, pessoa, modo, tempo e voz.
Número e Pessoa
O verbo admite dois números: singular (quando se refere a uma só pessoa ou coisa) e plural (quando se
refere a mais de uma pessoa ou coisa).
A primeira pessoa é aquela que fala e corresponde aos pronomes pessoais eu
(singular) e nós (plural):
1ª pessoa singular: eu falo 1ª pessoa plural: nós falamos
A segunda pessoa é aquela a quem se fala e corresponde aos pronomes pessoais tu
(singular) e vós (plural):
2ª pessoa singular: tu falas 2ª pessoa plural: vós falais
A terceira pessoa é aquela de quem se fala e corresponde aos pronomes pessoais
ele, ela (singular) e eles, elas (plural):
3ª pessoa singular: ele fala 3ª pessoa plural: eles falam
Modos
Os modos indicam as diferentes atitudes da pessoa que fala em relação ao fato que enuncia e são
três:
A) INDICATIVO
Apresenta o fato como sendo real, certo, positivo.
Exemplo: Voltei ao colégio.
B) SUBJUNTIVO
Apresenta o fato como sendo uma possibilidade, uma dúvida, um desejo.
Exemplo: Se tivesse voltado ao colégio, teria encontrado o livro.
C) IMPERATIVO
Apresenta o fato como objeto de uma ordem, conselho, exortação ou súplica.
Exemplo: Volta ao colégio.
Formas nominais do verbo
São chamadas formas nominais, porque podem desempenhar as funções próprias dos nomes
(substantivos, adjetivos ou advérbio) e caracterizam-se por não indicarem nem o tempo nem o modo.
São elas: o INFINITIVO, o GERÚNDIO e o PARTICÍPIO.
Infinitivo- exprime a idéia de ação e seu valor aproxima-se do substantivo:
"Navegar é preciso Viver não é preciso" (Fernando Pessoa)
Os verbos navegar e viver ocupam a função de um sujeito gramatical e por isso equivalem a um
substantivo.
O infinitivo pode ser
PESSOAL
Quando tem sujeito: É preciso vencermos esta etapa (sujeito: nós)
IMPESSOAL
Quando não tem sujeito: Viver é aproveitar cada momento. (não há sujeito)
GERÚNDIO
Exprime um fato em desenvolvimento e exerce funções próprias do advérbio e do adjetivo:
O menino estava chorando. (função de adjetivo)
Pensando, encontra-se uma solução. (função de advérbio)
PARTICÍPIO
Exerce as funções próprias de um adjetivo e por isso pode, em certos casos, flexionar-
se em número e em gênero:
Terminado o ano letivo, os alunos viajaram.
Terminados os estudos, os alunos viajaram.
Tempo
O tempo verbal indica o momento em que acontece o fato expresso pelo verbo.
São três os tempos básicos: presente, passado (pretérito) e futuro, que designam, respectivamente, um
fato ocorrido no momento em que se fala, antes do momento em que se fala e que poderá ocorrer após o
momento em que se fala.
O presente é indivisível, mas o pretérito e o futuro subdividem-se no modo indicativo e no subjuntivo.
INDICATIVO
Presente : estudo
Pretéritos
Pretérito Imperfeito: estudava Pretérito Perfeito simples: estudei Pretérito Perfeito composto: tenho
estudado Pretérito Mais-que-perfeito simples: estudara Pretérito Mais-que-perfeito composto: tinha
(ou havia) estudado
Futuros
Futuro do presente simples: estudarei Futuro do presente composto: terei (ou haverei)
estudado Futuro do pretérito simples:estudaria Futuro do pretérito composto: teria (ou haveria)
estudado
Subjuntivo
Presente: estude
PRETÉRITOS
Pretérito Imperfeito: estudasse Pretérito Perfeito composto: tenha (ou haja) estudado Pretérito mais-
que-perfeito: tivesse (ou houvesse) estudado
FUTUROS
Futuro simples: estudar Futuro composto: tiver (ou houver) estudado
IMPERATIVO
Presente: estuda (tu)
Formação dos tempos simples (Primitivos e derivados)
Quanto à formação dos tempos, estes dividem-se em primitivos e derivados.
PRIMITIVOS
a) presente do indicativo b) pretérito perfeito do indicativo c) infinitivo impessoal
DERIVADOS DO PRESENTE DO INDICATIVO
 Presente do subjuntivo
 Imperativo afirmativo
 Imperativo negativo
DERIVADOS DO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO
 Pretérito mais-que-perfeito do indicativo
 Pretérito imperfeito do subjuntivo
 Futuro do subjuntivo
DERIVADOS DO INFINITIVO IMPESSOAL
 Futuro do presente do indicativo
 Futuro do pretérito do indicativo
 Imperfeito do indicativo
 Gerúndio
 Particípio
Tempos derivados do presente do indicativo
PRESENTE DO SUBJUNTIVO
Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do
presente do indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos
verbos de 2ª e 3ª conjugação)

conjugação

conjugação

conjugação
Des.
temporal
Des.
temporal
Desinência
pessoal
1ª conj.
2ª/3ª
conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cant E vend A part A E A Ø
cant Es vend AS part As E A s
cant E vend A part A E A Ø
cant Emos vend Amos part Amos E A mos
cant Eis vend Ais part Ais E A is
cant Em vend Am part Am E A m
IMPERATIVO
IMPERATIVO AFIRMATIVO OU POSITIVO
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a
segunda pessoa do plural (vós) eliminando-se o S final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do
presente do subjuntivo.
IMPERATIVO NEGATIVO
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.
PRESENTEINDICATIV
O
IMPERATIV
O
AFIRMATIV
O
PRESENTESUBJUNTIV
O
IMPERATIV
O
NEGATIVO
cant o - cant e -
cant as (- s) > cant a cant es > não cant es
cant a cant e < cant e > não cant e
cant amos cant emos < cant emos > não cant emos
cant ais (-s) > cant ai cant eis > não cant eis
cant am cant em < cant em > não cant em
Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo
PRETÉRITO MAIS QUE PERFEITO
Para formar o pretérito mais-que-perfeito do indicativo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do
singular do pretérito perfeito. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -RA mais a desinência de
número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos, como por exemplo Napoleão Mendes de Almeida, afirmam que este tempo origina-se
da terceira pessoa do pretérito perfeito (cantaram/venderam/partiram), mediante a supressão do m final e
acréscimo da desinência de número e pessoa.

CONJUGAÇÃ
O

CONJUGAÇÃ
O

CONJUGAÇÃ
O
DES.
TEMPORA
L
DESINÊNCI
A PESSOAL
1ª /2ª e 3ª
conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta RA vende RA parti RA RA Ø
canta RAs vende RAs parti RAs RA s
canta RA vende RA parti RA RA Ø
cantá RAmos vendê RAmos partí RAmos RA mos
cantá REis vendê REis partí REis RE is
canta RAm vende RAm parti RAm RA
m
Pretérito imperfeito do subjuntivo
Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito
perfeito, obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE
mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito
(cantaram/venderam/partiram) mediante a supressão do -ram final e acréscimo da desinência modo-
temporal -SSE e da desinência de número e pessoa.

conjugação
2ª conjugação 3ª conjugação
Des. temporal
Desinência
pessoal 1ª /2ª e 3ª
conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta SSE vende SSE parti SSE SSE Ø
canta SSEs vende SSEs parti SSEs SSE s
canta SSE vende SSE parti SSE SSE Ø
cantá SSEmos vendê SSEmos partí SSEmos SSE mos
cantá SSEis vendê SSEis partí SSEis SSE is
canta SSEM vende SSEm parti SSEm SSE
m
Futuro do subjuntivo
Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito
perfeito, obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R
mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito
(cantaram/venderam/partiram) mediante a supressão do -am final e acréscimo da desinência de número e
pessoa.

CONJUGAÇÃ

CONJUGAÇÃ

CONJUGAÇÃ
DES.
TEMPORA
DESINÊNCI
A PESSOAL
O O O L
1ª /2ª e 3ª
conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta R vende R parti R R Ø
canta Res vende Res parti Res R es
canta R vende R parti R R Ø
canta Rmos vende Rmos parti Rmos R mos
canta Rdes vende Rdes parti Rdes R des
canta Rem vende Rem parti Rem R em
Ao contrário de outros autores, Napoleão Mendes de Almeida faz a seguinte menção quanto à origem do
futuro do subjuntivo:
" Sempre que tivermos dúvidas sobre a conjugação do futuro do subjuntivo, bastar-nos-á verificar a 3ª p.p.
do pretérito perfeito. Se formos confrontar o futuro do subjuntivo com o infinitivo pessoal, notaremos haver
igualdade de forma para muitos verbos, não dando o mesmo para uns tantos outros. Fazer, por exemplo,
conjuga-se no infinitivo pessoal: fazer, fazeres, fazer, fazermos, fazerdes, fazerem; mas no futuro do
subjuntivo veremos as formas: quando eu fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem, porquanto este
tempo se origina da 3ª p.p. do pretérito perfeito do indicativo.
Formação dos tempos compostos
VOZ ATIVA
Os tempo s compostos da voz ativa são formados pelos verbos auxiliares TER ou HAVER acompanhados
do particípio do verbo principal.
Exemplos
 Alice tem cantado todas as noites.
 Alice havia cantado aquela noite.
VOZ PASSIVA
Os tempos compostos da voz passiva são formados com o uso simultâneo dos verbos auxiliares TER (ou
HAVER) e SER seguidos do particípio do verbo principal.
Exemplos
 Segundo dizem, Alice teria sido assassinada por um amante.
Conjugação perifrástica
São as chamadas locuções verbais e constituem-se de um verbo auxiliar mais gerúndio ou infinitivo.
Ex.:Alice tem de cantar hoje à noite.
Alice estava cantando, quando ocorreu falta de energia elétrica.
Classificação dos verbos
Os verbos podem ser classificados em
 REGULARES
 IRREGULARES
 DEFECTIVOS
 ANÔMALOS
 ABUNDANTES
Antes de abordar acerca da classificação dos verbos, é necessário recordar o que significam vocábulos
rizotônicos e arrizotônicos.
Rizotônicos (do grego riza, raiz) são os vocábulos cujo acento tônico incide no radical (Ex.:canto);
arrizotônicos são os vocábulos que têm o acento tônico depois do radical (Ex.:cantei ) Quanto à
conjugação, os verbos dividem-se em:
VERBOS REGULARES
Aqueles que seguem um modelo comum de conjugação, sem apresentar nenhuma mudança no radical
(cantar..... canto/cantava/cantei). Para ser regular, um verbo precisa de sê-lo no presente do indicativo e
no pretérito perfeito do indicativo.
VERBOS IRREGULARES
São os verbos cujo radical sofre modificações no decurso da conjugação, ou cujas desinências se
afastam das desinências do paradigma, ou ainda, aqueles que sofrem modificações tanto no radical
quando nas desinências (pedir ... peço ; ser .... sou/era/fui).
Quase sempre, a irregularidade surgida no tempo primitivo passa para os respectivos tempos derivados.
Um verbo pode ser irregular apenas em algumas de suas flexões, ou seja, ele poder se portar como
regular em alguns tempos e como irregular em outros.Ex.:O verbo pedir possui no presente do indicativo
uma irregularidade que só caracteriza a primeira pessoa do singular (peço, pedes, pede, pedimos, pedis,
pedem).
Há três espécies de verbos irregulares
a. verbos cuja irregularidade se dá no radical (ou tema) - (irregularidade
temática) Exemplos: perder/ perco (o radical perd transformou-se em perc ; ferir: firo (o radical fer
transformou-se em fir)
b. verbos cuja irregularidade se dá na desinência (irregularidade flexional) Ex.: dar/ dou (a
desinência regular da 1ª p.s. do indicativo da 1ª conjugação é -o)
c. verbos cuja irregularidade se dá, ao mesmo tempo, no tema e na desinência (irregularidade
temático-flexional) Ex.: caber/ coube (houve alteração no radical, que de cab passou para coub, e, ao
mesmo tempo, na desinência, que no paradigma é -i).
Conjugação de alguns verbos irregulares
1ª CONJUGAÇÃO
Verbos em -EAR
Os verbos terminados em -ear, como passear, recear, cear, etc. sofrem o acréscimo de um i no radical
das formas rizotônicas, isto é, nesses verbos se intercala um i entre o radical e a desinência quando o
acento cai no e, o que se dá nas três primeiras pessoas do singular e na 3ª pessoa do plural do presente
do indicativo e do subjuntivo, e na 2ª pessoa do singular do imperativo:
PASSEAR
PRESENTE DO
INDICATIVO
PRESENTE DO
SUBJUNTIVO
IMPERATIVO
AFIRMATIVO
passeio passeie
passeias passeies passeia (tu)
passeia passeie
passeamos passeemos
passeais passeeis
passeiam passeiem
Se os verbos terminados em -EAR devem receber um i eufônico sempre que o acento tônico recai na
vogal temática, esse i perderá sua razão de existência quando o acento recair na desinência. Essa é a
razão por que verbos como alhear, recear, afear, arrear, idear, não obstante provirem de alheio, receio,
feio, arreio, idéia, não devem ser grafados com i no infinitivo, nem em nenhuma das formas em que o
acento cai na desinência.
O verbo gear é pelo povo contraditoriamente conjugado gia e gie; o certo é: "Esta noite geia"- "Se hoje
geou, não importa que amanhã também geie." O verbo, cognato de geada (e não de giada), termina em -
ear, e deve, para a conjugação, seguir a regra dos verbos assim terminados.
Verbos em -ILIAR
Os verbos terminados em -IAR sofrem irregularidades nas 1ª, 2ª e 3ª pessoas do singular e na 3ª pessoa
do plural do presente do indicativo e do subjuntivo.
MOBILIAR
PRESENTE DO INDICATIVO
PRESENTE DO
SUBJUNTIVO
mobílio mobílie
mobílias mobílies
mobília mobílie
mobiliamos mobiliemos
mobiliais mobilieis
mobíliam mobíliem
o i acentuado é tônico
o i acentuado é tônico
Os outros verbos terminados em -iliar têm a sílaba tônica -li: filio, reconcilio
Verbos em -AR
VERBO DAR
PRESENTE
INDICATIVO
PRETÉRITO
IMPERFEITO
PRETÉRITO
PERFEITO
PRETÉRITO
MAIS-QUE-
PERFEITO
FUTURO
PRESENTE
dou dava dei dera darei
dás davas deste deras darás
dá dava deu dera dará
damos dávamos demos déramos daremos
dais dáveis destes déreis dareis
dão davam deram deram darão
FUTURO
PRETÉRITO
IMPERATIVO
AFIRMATIVO
IMPERATIVO
NEGATIVO
PRESENTE
SUBJUNTIVO
PRETÉRITO
IMPERFEITO
SUBJUNTIVO
daria dê desse
darias dá não dês dês desses
daria dê não dê dê desse
daríamos demos não demos demos déssemos
daríeis dai não deis deis désseis
dariam dêem não dêem dêem dessem
FUTURO
SUBJUNTIVO
INFINITIVO
PRESENTE
IMPESSOAL
INFINITIVO
PRESENTE
PESSOAL
GERÚNDIO PARTICÍPIO
der dar
deres dares
der dar dar dando dado
dermos darmos
derdes dardes
derem darem
VERBOS EM - OAR
VERBO MAGOAR
PRESENTE INDICATIVO PRESENTE SUBJUNTIVO
magôo magoe
magoas magoes
magoa magoe
magoamos magoemos
magoais magoeis
magoam magoem
Verbo regular. Assim se conjugam os verbos em - OAR : abençoar, doar, abotoar, soar, voar, etc. Não se
acentuam os grupos -oa e -oe, com exceção de côa, côas (homônimos de coa, coas, contrações de com
+ a, com + as).
2ª conjugação
VERBO CABER
PRESENTE
INDICATIVO
PRETÉRITO
PERFEITO
INDICATIVO
PRETÉRITO
MAIS-QUE-
PERFEITO
INDICATIVO
PRESENTE
SUBJUNTIVO
PRETÉRITO
IMPERFEITO
SUBJUNTIVO
caibo coube coubera caiba coubesse
cabes coubeste couberas caibas coubesses
cabe coube coubera caiba coubesse
cabemos coubemos coubéramos caibamos coubéssemos
cabeis coubestes coubéreis caibais coubésseis
cabem couberam couberam caibam coubessem

FUTURO
SUBJUNTIVO
GERÚNDIO PARTICÍPIO

couber este verbo não
possui a forma
do imperativo couberes
couber cabendo cabido
coubermos
couberdes
couberem
VERBO PÔR
PRESENTE
INDICATIVO
PRETÉRITO
IMPERFEITO
INDICATIVO
PRETÉRITO
PERFEITO
INDICATIVO
PRETÉRITO
MAIS-QUE-
PERFEITO
DO
INDICATIVO
FUTURO DO
PRESENTE
INDICATIVO
ponho punha pus pusera porei
pões punhas puseste puseras porás
põe punha pôs pusera porá
pomos púnhamos pusemos puséramos poremos
pondes púnheis pusestes puséreis poreis
põem punham puseram puseram porão
FUTURO
PRETÉRITO
INDICATIVO
PRESENTE
SUBJUNTIVO
PRETÉRITO
IMPERFEITO
SUBJUNTIVO
FUTURO
SUBJUNTIVO
IMPERATIVO
AFIRMATIVO
poria ponha pusesse puser
porias ponhas pusesses puseres põe
poria ponha pusesse puser ponha
poríamos ponhamos puséssemos pusermos ponhamos
poríeis ponhais pusésseis puserdes ponde
poriam ponham pusessem puserem ponham

INFINITIVO
IMPESSOAL
INFINITIVO
PESSOAL
GERÚNDIO PARTICÍPIO
pôr
pores
pôr por pondo posto
pormos
pordes
porem
3ª conjugação
VERBO ABOLIR
PRESENTE INDICATIVO IMPERATIVO AFIRMATIVO
- -
aboles Abole
abole -
abolimos -
abolis Aboli
abolem -
Defectivo nas formas em que ao L do radical seguiria a ou o, o que ocorre apenas no presente do
indicativo e seus derivados. Assim se conjugam os verbos: banir, brandir, carpir, colorir, comedir-se, delir,
demolir, extorquir, esculpir, delinqüir, etc.
VERBO CAIR
Presente Indicativo Presente Subjuntivo Imperativo Afirmativo
caio Caia -
cais Caias cai
cai Caia caia
caímos Caiamos caiamos
caís Caiais caí
caem Caiam caiam
Este verbo é regular nos demais tempos.Assim se conjugam os verbos em -AIR: decair, recair, sair,
sobressair, trair, distrair, detrair, subtrair, etc.
VERBO COBRIR
Presente
Indicativo
Presente
Subjuntivo
Imperativo
Afirmativo
Particípio
cubro Cubra -
cobres Cubras Cobre
Cobre Cubra Cubra coberto
Cobrimos Cubramos Cubramos
Cobris Cubrais Cobri
Cobrem Cubram Cubram
Verbos abundantes
São aqueles que apresentam duas ou mais formas em certos tempos, modos ou pessoa. Suas variantes
mais freqüentes ocorrem no particípio.
Exemplos
 absolver: absolvido, absolto
 anexar: anexado, anexo
 despertar: despertado, desperto
 gastar: gastado, gasto
 ganhar: ganhado, ganho
 morrer: morrido, morto
O particípio regular vem, geralmente, acompanhado dos auxiliares ter e haver (na voz ativa) e o particípio
irregular acompanhado dos auxiliares ser e estar (na voz passiva), devendo-se considerar que não há
uma regra a ser seguida.
Ex.: Alice tinha ganhado o prêmio de melhor cantora.(voz ativa) O prêmio de melhor cantora foi ganho por
Alice.(voz passiva)
Quando se pratica uma ação, a palavra que representa essa ação, indicando o momento que ela ocorre,
é o verbo. Uma ação ocorrida num determinado tempo também pode constituir-se num fenômeno da
natureza expresso por um verbo.
Verbo é a palavra que expressa ação, estado e fenômeno da natureza situados no tempo.
CONJUGAÇÕES DO VERBO
Na língua portuguesa, três vogais antecedem o "r" na formação do infinitivo: a-e-i. Essas vogais
caracterizam a conjugação do verbo. Os verbos estão agrupados, então, em três conjugações: a primeira
conjugação(terminados em ar), a segunda conjugação(terminados em er) e a terceira
conjugação(terminados em ir).
FLEXÃO DO VERBO
O verbo é constituído, basicamente, de duas partes: radical e terminações.
Exemplo:
radical: escrev
terminações: o, es, e, emos, eis, em.
As terminações do verbo variam para indicar a pessoa, o número, o tempo, o modo.
TEMPO E MODO DO VERBO
O fato expresso pelo verbo aparece sempre situado nos tempos:
presente - Ele anuncia o fim da chuva.
passado - Ele anunciou o fim da chuva.
futuro - Ele anunciará o fim da chuva.
Além de o fato estar situado no tempo, ele também pode indicar:
fato certo - Ele partirá amanhã.
fato duvidoso - Se ele partisse amanhã...
ordem - Não partas amanhã.
As indicações de certeza, dúvida e ordem são determinadas pelos modos verbais. São portanto três
modos verbais: Indicativo(fato certo), Subjuntivo(fato duvidoso), Imperativo(ordem).
VOZES DO VERBO
Voz é a maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito. São três as vozes
verbais:
Ativa - o sujeito é o agente da ação, ou seja, é ele quem pratica a ação. Ex.: Ele quebrou o copo.
Passiva - o sujeito é paciente, isto é, sofre a ação expressa pelo verbo. Ex.: O copo foi quebrado por ele.
Reflexiva - o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente da ação verbal, isto é, pratica e sofre a ação
expressa pelo verbo. Ex.: O garoto cortou-se.
Fonte: www.geocities.com
VERBO
Conceito do Verbo
"Palavra variável, de conteúdo nocional, que indica um processo, quer se trate de ação, de estado, de
mudança de estado, ou de um fenômeno". (Apontamentos de uma aula do Prof. Delson Gonçalves
Ferreira, em 1959 - Curso Champagnat.)
 de ação: andar, correr.
 de estado: ser, estar.
 de mudança de estado: tornar- se, ficar.
 de fenômeno: ventar, chorar.
 Caracterização quanto ao critério semântico.
O verbo caracteriza- se, em oposição aos nomes, pelo valor dinâmico de sua significação, expressando
realidades situadas no tempo.
Essa idéia temporal traduzida pelo verbo pode assumir o caráter:
A) DE TEMPO
É a situação da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala, como atual ou presente;
anterior ou passada; posterior ou futura.
Nota - passada é igual a pretérita.
B) DE ASPECTO
É o que diz respeito à duração do processo (visto como instantâneo: caio; ou durativo: estou lendo) ou à
perspectiva pela qual o falante o considera (em um início incoativo: anoitece; em seu curso e inconcluso -
imperfeito: chovia, em seu fim, já concluso - sem perfeito: choveu, presentes, a iniciar- se - inceptivo: vou
falar; concluso, mas permanente em seus efeitos - permansivo: sei, repetido - freqüentativo ou interativo:
saltitar).
Como se pode ver, o aspecto verbal, em português, é traduzido ou pelo próprio semantema do verbo ou
por sufixos, ou por verbo auxiliar de locução verbal.
CARACTERIZAÇÃO QUANTO AO CRITÉRIO MORFOLÓGICO:
O verbo é a classe de palavras mais rica em flexões, que são:
 a) de modo
 b) de tempo
 c) de número - pessoa
 d) de voz
A) DE MODO
É a propriedade de o verbo designar a atitude mental do falante em face do processo que enuncia.
Os modos são:
 1 - Indicativo
 2 - Subjuntivo
 3 - Imperativo
1) INDICATIVO
Expressa uma atitude de certeza, ou apresenta um fato como real.
Podemos ainda dizer que indica o fato real, verdadeiro.
Exemplos:
Brinco, trabalho, estudo; brincava, trabalhava, estudava; brinquei, trabalhei, estudei.
2) SUBJUNTIVO
Exprime um atitude de dúvida, ou anuncia um fato como possível, hipotético, provável ou incerto.
Exemplos:
Brincasse, trabalhasse, estudasse; brinque, trabalhe, estude; brincássemos, trabalhássemos,
estudássemos.
3) IMPERATIVO
Em que o falante deseja que um fato se dê: é a expressão da ordem, do desejo, da súplica, do pedido.
Realmente, o imperativo indica principalmente a ORDEM e o DESEJO.
Exemplos:
Brinca, trabalha, estuda; brinque, trabalhe, estude; brincai, trabalhai, estudai.
B) DE TEMPO
O tempo verbal é a localização da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala.
São três os tempos:
 a) presente
 b) pretérito (= passado)
 c) futuro
Somente o pretérito e o futuro são divisíveis.
Existem tempos simples, compostos, primitivos e derivados.
C) DE NÚMERO
1) O verbo apresenta desinências que, simultaneamente, indicam número singular e plural.
Ainda podemos dizer que indica a quantidade de seres envolvidos no processo verbal.
2) DE PESSOA:
A flexão de pessoa indica as pessoas do discurso, são elas:
a) 1ª pessoa é a que fala, também chamada de falante, emissor. Eu e nós. Eu estudei, nós trabalhamos.
b) 2ª pessoa é a que com quem se fala ou ouvinte ou receptor. Tu e vós. Tu estudaste, vós trabalhastes.
c) 3ª pessoa é a de quem ou que se fala ou o assunto e corresponde aos pronomes pessoais ele, ela, no
singular, eles e elas, no plural. Ele trabalhou, eles trabalharam.
D) DE VOZ
"É a forma em que se apresenta o verbo para indicar a relação entre ele e o seu sujeito". (P. Mattoso
Câmara Jr. D. F. G., S. V. Voz)
Existe flexão de voz?
Não.
Voz não é flexão, porque não se usam desinências para se ter a voz ativa, a passiva e a reflexiva.
Voz é apenas um aspecto verbal. É a forma que o verbo assume para exprimir sua relação com o sujeito.
Veja que a importância da morfologia é a que estuda o verbo com relação à voz.
O verbo pode ser:
a) ativo
b) passivo
c) reflexivo
A) VOZ ATIVA
Quando o sujeito pratica ação verbal. Ou, o verbo de uma oração está na voz ativa quando a ação é
evidentemente praticada pelo sujeito.
Exemplos:
João comprou os cadernos.
Pedro brincou na praia.
Nós falamos de futebol.
Nas orações, os verbos comprou, brincou e falamos, indicam ações praticadas pelos respectivos
sujeitos: João, Pedro e nós.
B) VOZ PASSIVA
Quando o sujeito recebe a ação verbal. O agente da passiva (regido de preposição por, de ou a) pratica a
ação verbal.
A voz passiva pode ser apresentada sob duas formas:
1 - Com o verbo auxiliar - voz passiva analítica.
A casa foi destruída pelo fogo.
O caçador foi morto pelo leão.
A casa e o caçador funcionam como sujeito na voz passiva.
O sujeito não pratica a ação, mas sofre a ação.
Podemos dizer ainda que o sujeito não pratica e sim, recebe a ação verbal.
2 - A voz passiva com o pronome (se) apassivador - voz passiva pronominal ou voz passiva
sintética.
Exemplo:
Comprou- se o livro (= O livro foi comprado).
Leu- se o livro (= O livro foi lido).
C) VOZ REFLEXIVA
Quando o sujeito pratica e recebe a ação verbal, simultaneamente.
Na voz reflexiva, a ação é, - (simultaneamente, ao mesmo tempo) - praticada e recebida pelo sujeito que,
por isso, é chamada de AGENTE e ou PACIENTE.
Exemplos:
Ele se queixa.
João feriu- se.
Ele se machucou.
Eu me arrependi.
NOTA: Tem força PASSIVA os verbos ativos, quando, estando no infinitivo, funcionam como
complemento de certos adjetivos.
Exemplos:
"Osso duro de roer" é o mesmo que:
"Osso duro de ser roído".de roer - é complemento nominal de duro.
"Estrada difícil de passar" eqüivale a:
"Estrada difícil de ser passada".de passar - é complemento nominal de difícil.
Fonte: www.brazilianportugues.com
VERBO
Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou situação. É uma das duas
classes gramaticais nucleares do idioma, sendo a outra o substantivo. É o verbo que determina o tipo do
predicado.
CLASSIFICAÇÃO
Os verbos admitem vários tipos de classificação, que englobam aspectos tanto semânticos quanto
morfológicos.
Podem ser divididos da seguinte forma:
Quanto à semântica
VERBOS TRANSITIVOS
Designam ações voluntárias, causadas por um ou mais indivíduos, e que afetam outro(s) indivíduo(s) ou
alguma coisa, exigindo um ou mais objetos na ação. Podem ser transitivos diretos se precedem
diretamente o objeto, ou indiretos, se exigem uma preposição antes do objeto.
Exemplos
 dar
 fazer
 vender
 escrever
 amar
 etc
VERBOS INTRANSITIVOS
Designam ações voluntárias, causadas por um ou mais indivíduos, mas que não afetam outros indivíduos.
Exemplos
 andar
 existir
 nadar
 voar
 etc
VERBOS DE LIGAÇÃO
São os verbos que, em vez de ações, designam situações. Servem para ligar o sujeito ao predicativo.
Exemplos
 ser
 estar
 parecer
 permanecer
 continuar
 andar
 tornar-se
 ficar
 viver
 virar
 etc
VERBOS IMPESSOAIS
São verbos que designam ações involuntárias. Geralmente, mas nem sempre, designam fenômenos
meteorológicos e, portanto, não têm sujeito nem objeto na oração.
Exemplos
 chover
 anoitecer
 nevar
 haver (no sentido de existência)
 etc.
Quanto à conjugação
VERBOS DA PRIMEIRA CONJUGAÇÃO
São os verbos cuja vogal temática é a:
 molhar
 cortar
 relatar
 etc
VERBOS DA SEGUNDA CONJUGAÇÃO
São os verbos cuja vogal temática é e:
 receber
 conter
 poder
 etc
O verbo anômalo pôr (único com o tema em o), com seus compostos, também é considerado da
segunda conjugação devido à sua forma antiga (poer).
VERBOS DA TERCEIRA CONJUGAÇÃO
São os verbos cuja vogal temática é i:
 sorrir
 fugir
 iludir
 cair
 colorir
 etc
Quanto à morfologia
VERBOS REGULARES
Flexionam sempre de acordo com os paradigmas da conjugação a que pertencem.
Exemplos
 amar
 vender
 partir
 etc
VERBOS IRREGULARES
Sofrem algumas modificações em relação aos paradigmas da conjugação a que pertencem.
Exemplos
 resfolegar
 caber
 medir ("eu resfolgo", "eu caibo", "eu meço", e não "eu resfolego", "eu cabo", "eu medo").
VERBOS ANÔMALOS
São verbos que não seguem os paradigmas da conjugação a que pertence, sendo que muitas vezes o
radical é diferente em cada conjugação.
Exemplos
ir, ser, ter ("eu vou", "ele foi"; "eu sou", "tu és", "ele tinha", "eu tivesse", e não "eu io", "ele iu", "eu sejo", "tu
sês", "ele tia", "eu tesse"). O verbo "pôr" pertence à segunda conjugação e é anômalo a começar do
próprio infinitivo).
VERBOS DEFECTIVOS
São verbos que não têm uma ou mais formas conjugadas.
Exemplos
 reaver
 precaver - não existem as formas "reavejo"
 "precavenha"
 etc.
VERBOS ABUNDANTES
São verbos que apresentam mais de uma forma de conjugação.
Exemplos
 encher - enchido, cheio
 fixar - fixado, fixo.
Flexão
Os verbos têm as seguintes categorias de flexão:
NÚMERO
Singular e plural.
PESSOA
Primeira (transmissor), segunda (receptor), terceira (mensagem).
MODO
Indicativo, conjuntivo ou subjuntivo, imperativo, alem das formas nominais (infinitivo, gerúndio e
particípio).
TEMPO
Presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente, futuro do
pretérito.
VERBOS EM OUTROS IDIOMAS
As línguas românicas, como o português, são algumas das que mais possuem flexões de verbos. Todas
elas, bem como o latim, têm flexões em todos os tempos, modos e pessoas. O português, entretanto, tem
a peculiaridade de ter um infinitivo pessoal e um infinitivo impessoal.
Nas línguas germânicas, quase sempre o infinitivo é representado por uma preposição: "to" em inglês ou
"att" em sueco. Sem a preposição, o verbo representa o imperativo. O tempo futuro é sempre
representado por um verbo auxiliar. Não há flexão de modo.
Em finlandês o verbo dispensa o pronome, tendo apenas a flexão.
Nas línguas escandinavas não há flexão de pessoa, a mesma forma verbal de um tempo vale para todas
as pessoas.
Em japonês e coreano os verbos são palavras invariáveis. O tempo e o modo são representados por
advérbios, e a pessoa é representada por pronomes.
Em húngaro e em alemão existem as flexões de tempo e de aspecto. Há apenas um tempo presente e
passado simples e o aspecto é designado por prefixos. Vale notar que um mesmo prefixo pode ter
significados diferentes dependendo do verbo. A flexão de aspecto designa a circunstância em que se
passa a ação.
Em latim o verbo se flexiona em tempo (presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-
que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito), modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), pessoa e
voz (ativa e passiva). Há quatro formas nominais: o infinitivo, o gerúndio, o particípio e o supino. As três
primeiras têm tempo presente, passado e futuro. O supino é invariável.
Em mandarim a forma interrogativa dos verbos é formada por uma estrutura gramatical formada pelo
verbo, a palavra "bù" (?) e o verbo repetido. Sem a repetição do verbo, essa palavra significa "não".

VICIOS DE LINGUAGEM

BARBARISMO
É o emprego de vocábulos, expressões e constru‡ões alheias ao idioma. Os estrangeirismos que entram
no idioma por um processo natural de assimilação de cultura assumem aspecto de sentimento político-
patriótico que, aos olhos dos puristas extremados, trazem o selo da subserviência e da degradação do
país.
Esquecem-se de que a língua, como produto social, registra, em tais estrangeirismos, os contactos de
povos. Este tipo de patriotismo lingüístico (Leo Spitzer lhe dava pejorativamente o nome de "patriotite") é
antigo e revela reflexos de antigas dissensões históricas. Bréal lembra que os filólogos gregos que
baniam os vocábulos turcos do léxico continuavam, à sua moda, a guerra da independência. Entre nós o
repúdio ao francesismo ou galicismo nasceu da repulsa, aliás, justa, dos portugueses aos excessos dos
soldados de Juno quando Napoleão ordenou a invasão de Portugal.
O que se deve combater é o excesso de importação de línguas estrangeiras, mormente aquela
desnecessária por se encontrarem no vernáculo vocábulos equivalentes.
CACÓFATO
Palavra de origem grega que significa "mau som", RESULTANTE DA aproximação das sílabas finais de
uma palavra com as iniciais de outra, formando uma terceira de "som desagradável".
Exemplos:
Durante a Olimpíada de Atlanta, um repórter afirmou com muita ênfase: "Até hoje, o atletismo era o
esporte que havia dado mais medalhas para o Brasil."
Na transmissão do jogo Brasil x Coréia, ouviu-se: "Flávio Conceição pediu a bola e Cafu deu."
Cacófatos mais conhecidos:
"Uma prima minha...", "Na boca dela...", "Na vez passada...", "Eu vi ela...", "Teu time nunca ganha", entre
outros.
Segundo o gramático e filólogo Napoleão Mendes de Almeida "Só haverá cacofonia quando a palavra
produzida for torpe, obscena ou ridícula. É infundado o exagerado escrúpulo de quem diz haver cacófato
em 'por cada', 'ela tinha' e 'só linha'." No mesmo caso podemos incluir "uma mão" e "já tinha".
No meio empresarial, corre uma história muito curiosa. Dizem que uma engenheira química, durante visita
a uma indústria, recebeu a seguinte pergunta: "Que a senhora faria se este problema ocorresse em sua
fábrica?" Ela respondeu secamente: "Eu mandaria um químico meu." A resposta causou constrangimento.
Todos disfarçaram e continuaram a reunião. Lá pelas tantas, nova pergunta: "E neste caso?" Nova
resposta: "Eu mandaria um outro químico meu." Foram tantos "químico meu" que um diretor mais
preocupado perguntou: "Mas...foi a fábrica toda?" Ela deve ter voltado para casa sem saber o porquê de
tanto sucesso.
REDUNDÂNCIA
Palavra ou expressão desnecessária, por indicar idéia que já faz parte de outra passagem do texto.
Exemplos:
Você sabe o que significa "elo"? Além de sinônimo de argola, figurativamente elo pode significar "ligação,
união". Então "elo de ligação" é outro belíssimo caso de redundância. Basta dizer que alguma coisa
funciona como elo, e não que funciona como "elo de ligação".
O mesmo raciocínio se aplica em casos como o de "criar mil novos empregos". Pura redundância. Basta
dizer "criar mil empregos".
Se é consenso, é geral. É redundante dizer "Há consenso geral em relação a isso". Basta dizer que há
consenso.
Prefiro mais é errado. A força do prefixo (pre) dispensa o advérbio (mais). Diga sempre: prefiro sair
sozinha; prefiro comer carne branca. Nada mais!
Outros exemplos de redundância:
"Acabamento final" (O acabamento vem no fim mesmo) "Criar novas teorias" (O que se cria é
necessariamente novo) "Derradeira última esperança" (Derradeira é sinônimo de última) "Ele vai escrever
a sua própria autobiografia" (Autobiografia é a biografia de si mesmo) "Houve contatos bilaterais entre as
duas partes" (Basta: "bilaterais entre as partes") "O nível escolar dos alunos está se degenerando para
pior" (É impossível degenerar para melhor) "O concurso foi antecipado para antes da data marcada" (Será
que dá para antecipar para depois?) "Ganhe inteiramente grátis" (Se ganhar só pode ser grátis, imagine
inteiramente grátis. Parece que alguém pode ganhar alguma coisa parcialmente grátis) "Por decisão
unânime de toda a diretoria" (Boa foi a decisão unânime só da metade da diretoria!) "O juiz deferiu
favoravelmente" (Se não fosse favoravelmente, o juiz tinha indeferido) "Não perca neste fim de ano, as
previsões para o futuro" (Ainda estamos para ver as previsões para o passado!)
SOLECISMO
Colocação inadequada de algum termo, contrariando as regras da norma culta em relação à sintaxe
(parte da gramática que trata da disposição das palavras na frase e das frases no período).
Exemplos:
Me esqueci (em lugar de: Esqueci-me).
Não falou-me sobre o assunto (em lugar de: Não me falou sobre o assunto)
Eu lhe abracei (por: Eu o abracei)
A gente vamos (por: A gente vai)
Tu fostes (por: Tu foste)
ALGUMAS MANEIRAS DE FALAR OU ESCREVER ERRADO
(TAUTOLOGIA)
A tautologia é um dos vícios de linguagem que consiste em dizer ou escrever a mesma coisa, por formas
diversas, meio parecida com pleonasmo ou redundância. O exemplo clássico é o famoso subir para cima
ou descer para baixo. Mas há ainda muitos outros.
Observe a lista abaixo. Se vir alguma que já usou, procure não utilizar mais.
- Acabamento final; - Quantia exata; - Nos dias 8, 9 e 10, inclusive; - Superávit positivo; - Todos foram
unânimes; - Habitat natural; - Certeza absoluta; - Quantia exata; - Sugiro, conjecturalmente; - Nos dias , e
inclusive; - Como prêmio extra; - Juntamente com; - Em caráter esporádico; - Expressamente proibido; -
Terminantemente proibido; - Em duas metades iguais; - Destaque excepcional; - Sintomas indicativos; -
Há anos atrás; - Vereador da cidade; - Outra alternativa; - Detalhes minuciosos / pequenos detalhes; - A
razão é porque; - Interromper de uma vez; - Anexo (a) junto a carta; - De sua livre escolha; - Superávit
positivo; - Vandalismo criminoso; - Palavra de honra; - Conviver junto; - Exultar de alegria; - Encarar de
frente; - Comprovadamente certo; - Fato real; - Multidão de pessoas; - Amanhecer o dia; - Criar novos
empregos; - Retornar de novo; - Freqüentar constantemente; - Empréstimo temporário; - Compartilhar
conosco; - Surpresa inesperada; - Completamente vazio; - Colocar algo em seu respectivo lugar; -
Escolha opcional; - Continua a permanecer; - Passatempo passageiro; - Atrás da retaguarda; - Planejar
antecipadamente; - Repetir outra vez / de novo; - Sentido significativo; - Voltar atrás; - Abertura inaugural;
- Pode possivelmente ocorrer; - A partir de agora; - Última versão definitiva; - Obra-prima principal; -
Gritar/ Bradar bem alto; - Propriedade característica; - Comparecer em pessoa; - Colaborar com uma
ajuda / auxílio; - Matriz cambiante; - Com absoluta correção/ exatidão; - Demasiadamente excessivo; -
Individualidade inigualável; - A seu critério pessoal; - Abusar demais; - Preconceito intolerante; - Medidas
extremas de último caso; - De comum acordo; - Inovação recente; - Velha tradição; - Beco sem saída; -
Discussão tensa; - Imprensa escrita; - Sua autobiografia; - Sorriso nos lábios; - Goteira no teto; - General
do Exército; (Só existem generais no Exército) - Brigadeiro da Aeronáutica; (Só existem brigadeiros na
Aeronáutica) - Almirante da Marinha; (Só existem almirantes na Marinha) - Manter o mesmo time; -
Labaredas de fogo; - Erário público; (Os dicionários ensinam que erário é o tesouro público, por isso,
basta dizer somente erário) - Despesas com gastos; - Monopólio exclusivo; - Ganhar grátis; - Países do
mundo; - Viúva do falecido; - elo de ligação; - criação nova; - exceder em muito; - Expectativas, planos ou
perspectivas para o futuro.
Fonte: intervox.nce.ufrj.br
VÍCIOS DE LINGUAGEM
DEFINIÇÃO
São alterações defeituosas que sofre a língua em sua pronúncia e escrita devidas à ignorância do povo
ou ao descaso de alguns escritores. São devidas, em grande parte, à suposta idéia da afinidade de forma
ou pensamento.
Os vícios de linguagem são: barbarismo, anfibologia, cacofonia, eco, arcaísmo, vulgarismo,
estrangeirismo, solecismo, obscuridade, hiato, colisão, neologismo, preciosismo, pleonasmo.
BARBARISMO
É o vício de linguagem que consiste em usar uma palavra errada quanto à grafia, pronúncia, significação,
flexão ou formação. Assim sendo, divide-se em: gráfico, ortoépico, prosódico, semântico, morfológico e
mórfico.
Gráficos: hontem, proesa, conssessiva, aza, por: ontem, proeza, concessiva e asa.
Ortoépicos: interesse, carramanchão, subcistir, por: interesse, caramanchão, subsistir.
Prosódicos: pegada, rúbrica, filântropo, por: pegada, rubrica, filantropo.
Semânticos: Tráfico (por tráfego) indígena (como sinônimo de índio, em vez de autóctone).
Morfológicos: cidadões, uma telefonema, proporam, reavi, deteu, por: cidadãos, um telefonema,
propuseram, reouve, deteve.
Mórficos: antidiluviano, filmeteca, monolinear, por: antediluviano, filmoteca, unlinear.
OBS.: Diversos autores consideram barbarismo palavras, expressões e construções estrangeiras, mas,
nesta apostila, elas serão consideradas "estrangeirismos."
AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA
É o vício de línguagem que consiste em usar diversas palavras na frase de maneira a causar duplo
sentido na sua interpretação.
Ex.: Não se convence, enfim, o pai, o filho, amado. O chefe discutiu com o empregado e estragou seu dia.
(nos dois casos, não se sabe qual dos dois é autor, ou paciente).
CACOFONIA
Vício de linguagem caracterizado pelo encontro ou repetição de fonemas ou sílabas que produzem efeito
desagradável ao ouvido. Constituem cacofonias:
A coli
Ex.: Meu Deus não seja já.
O eco
Ex.: Vicente mente consantemente.
o hia
Ex.: Ela iria à aula hoje, se não chovesse
O cacófato
Ex.: Tem uma mão machucada: A aliteração - Ex.: Pede o Papa paz ao povo. O antônimo é a "eufonia".
ECO:
Espécie de cacofonia que consiste na seqüência de sons vocálicos, idênticos, ou na proximidade de
palavras que têm a mesma terminação. Também se chama assonância.
Ex.: É possível a aprovação da transação sem concisão e sem associação.
Na poesia, a "rima" é uma forma normal de eco. São expressivas as repetições vocálicas a curto intervalo
que visam à musicalidade ou à imitação de sons da natureza (harmonia imitativa); "Tíbios flautins
finíssimos gritavam" (Bilac).
ARCAÍSMO:
Palavras, expressões, construções ou maneira de dizer que deixaram de ser usadas ou passaram a ter
emprego diverso.
Na língua viva contemporânea: asinha (por depressa), assi (por assim) entonces (por então), vosmecê
(por você), geolho (por joelho), arreio (o qual perdeu a significação antiga de enfeite), catar (perdeu a
significação antiga de olhar), faria-te um favor (não se coloca mais o pronome pessoal átono depois de
forma verbal do futuro do indicativo), etc.
VULGARISMO:
É o uso lingüístico popular em contraposição às doutrinas da linguagem culta da mesma região.
O vulgarismo pode ser fonético, morfológico e sintático.
Fonético:
A queda dos erres finais: anda, comê, etc. A vocalização do "L" final nas sílabas.
Ex.: mel = meu , sal = saú etc.
A monotongação dos ditongos.
Ex.: estoura = estóra, roubar = robar.
A intercalação de uma vogal para desfazer um grupo consonantal.
Ex.: advogado = adevogado, rítmo = rítimo, psicologia = pissicologia.
Morfológico e sintático:
Temos a simplificação das flexões nominais e verbais. Ex.: Os aluno, dois quilo, os homê brigou.
Também o emprego dos pronomes pessoais do caso reto em lugar do oblíquo. Ex.: vi ela, olha eu, ó
gente, etc.
ESTRANGEIRISMO:
Todo e qualquer emprego de palavras, expressões e construções estrangeiras em nosso idioma recebe
denominação de estrangeirismo. Classificam-se em: francesismo, italianismo, espanholismo, anglicismo
(inglês), germanismo (alemão), eslavismo (russo, polaço, etc.), arabismo, hebraísmo, grecismo, latinismo,
tupinismo (tupi-guarani), americanismo (línguas da América) etc...
O estrangeirismo pode ser morfológico ou sintático.
Estrangeirismos morfológicos: Francesismo: abajur, chefe, carnê, matinê etc...
Italianismos: ravioli, pizza, cicerone, minestra, madona etc...
Espanholismos: camarilha, guitarra, quadrilha etc...
Anglicanismos: futebol, telex, bofe, ringue, sanduíche breque.
Germanismos: chope, cerveja, gás, touca etc...
Eslavismos: gravata, estepe etc...
Arabismos: alface, tarimba, açougue, bazar etc...
Hebraísmos: amém, sábado etc...
Grecismos: batismo, farmácia, o limpo, bispo etc...
Latinismos: index, bis, memorandum, quo vadis etc...
Tupinismos: mirim, pipoca, peteca, caipira etc...
Americanismos: canoa, chocolate, mate, mandioca etc...
Orientalismos: chá, xícara, pagode, kamikaze etc...
Africanismos: macumba, fuxicar, cochilar, samba etc...
Estrangeirismos Sintáticos:
Exemplos:
Saltar aos olhos (francesismo);
Pedro é mais velho de mim. (italianismo);
O jogo resultou admirável. (espanholismo);
Porcentagem (anglicanismo), guerra fria (anglicanismo) etc...
SOLECISMOS:
São os erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.
Exemplos:
Solecimos de regência:
Ontem assistimos o filme (por: Ontem assistimos ao filme).
Cheguei no Brasil em 1923 (por: Cheguei ao Brasil em 1923).
Pedro visava o posto de chefe (correto: Pedro visava ao posto de chefe).
Solecismo de concordância:
Haviam muitas pessoas na festa (correto: Havia muitas pessoas na festa)
O pessoal já saíram? (correto: O pessoal já saiu?).
Solecismo de colocação:
Foi João quem avisou-me (correto: Foi João quem me avisou).
Me empresta o lápis (Correto: Empresta-me o lápis).
OBSCURIDADE:
Vício de linguagem que consiste em construir a frase de tal modo que o sentido se torne obscuro,
embaraçado, ininteligível. Em um texto, as principais causas da obscuridade são: o abuso do arcaísmo e
o neologismo, o provincianismo, o estrangeirismo, a elipse, a sínquise (hipérbato vicioso), o parêntese
extenso, o acúmulo de orações intercaladas (ou incidentes) as circunlocuções, a extensão exagerada da
frase, as palavras rebuscadas, as construções intrincadas e a má pontuação.
Ex.: Foi evitada uma efusão de sangue inútil (Em vez de efusão inútil de sangue).
NEOLOGISMO:
Palavra, expressão ou construção recentemente criadas ou introduzidas na língua. Costumam-se
classificar os neologismos em:
Extrínsecos: que compreendem os estrangeirismos.
Intrínsecos: (ou vernáculos), que são formados com os recursos da própria língua. Podem ser de origem
culta ou popular. Os neologismos de origem culta subdividem-se em:
Científicos ou técnicos: aeromoça, penicilina, telespectador, taxímetro (redução: táxi), fonemática,
televisão, comunista, etc...
Literários ou artísticos: olhicerúleo, sesquiorelhal, paredro (= pessoa importante, prócer), vesperal,
festival, recital, concretismo, modernismo etc...
OBS.: Os neologismos populares são constituídos pelos termos de gíria. "Manjar" (entender, saber do
assunto), "a pampa", legal (excelente), Zico, biruta, transa, psicodélico etc...
PRECIOSISMO:
Expressão rebuscada. Usa-se com prejuízo da naturalidade do estilo. É o que o povo chama de "falar
difícil", "estar gastando".
Ex.: "O fulvo e voluptoso Rajá celeste derramará além os fugitivos esplendores da sua magnificência
astral e rendilhara d‟alto e de leve as nuvens da delicadeza, arquitetural, decorativa, dos estilos
manuelinos."
OBS.: O preciosismo também pode ser chamado de PROLEXIDADE.
PLEONASMO:
Emprego inconsciente ou voluntário de palavras ou expressões involuntárias, desnecessárias, por já estar
sua significação contida em outras da mesma frase.
O pleonasmo, como vício de linguagem, contém uma repetição inútil e desnecessária dos elementos.
Exemplos:
Voltou a estudar novamente.
Ele reincidiu na mesma falta de novo.
Primeiro subiu para cima, depois em seguida entrou nas nuvens.
O navio naufragou e foi ao fundo. Neste caso, também se chama perissologia ou tautologia.

ANALISE SINTÁTICA

Análise sintática é uma técnica empregada no estudo da estrutura sintática de uma língua. Ela é útil
quando se pretende:
descrever as estruturas sintáticas possíveis ou aceitáveis da língua; ou
decompor o texto em unidades sintáticas a fim de compreender a maneira pela qual os elementos
sintáticos são organizados na sentença.
A compreensão dos vários mecanismos inerentes em uma língua é facilitada pelo procedimento analítico,
através do qual buscam-se nas unidades menores (por exemplo, a sentença) as razões para certos
fenômenos detectados nas unidades maiores (por exemplo, o texto). Dessa forma, a Gramática
Normativa (aquela que prescreve as normas da língua culta) sempre se ocupou em decompor algumas
unidades estruturais da língua para tornar didática a compreensão de certos fenômenos. No âmbito da
fonologia, tem-se a análise fonológica, em que a estrutura sonora das palavras é decomposta em
unidades mínimas do som (os fonemas); em morfologia, tem-se a análise morfológica, da qual se
depreendem das palavras as suas unidades mínimas dotadas de significado (os morfemas).
A análise sintática ocupa um lugar de destaque em muitas gramáticas da língua portuguesa, porque
grande parte das normas do bem dizer e do bem escrever recaem sobre a estrutura sintática, isto é, sobre
a organização das palavras na sentença. Para compreender o uso dos pronomes relativos, a colocação
pronominal, as várias relações de concordância, por exemplo, é importante, antes, promover uma análise
adequada da sintaxe apresentada pela sentença em questão. Nenhuma regra de conduta da língua culta
tem sentido sem uma análise sintática da sentença que se estuda. Por isso, antes que se aplique
qualquer norma gramatical é preciso compreender de que forma os elementos sintáticos estão dispostos
naquela sentença especial. Isso se dá porque os elementos sintáticos também não são fixos na língua.
Por exemplo: uma palavra pode funcionar como sujeito em uma sentença e, em outra, funcionar como
agente da passiva. Somente a análise sintática poderá determinar esse comportamento específico das
palavras no contexto da sentença.
Sendo a análise sintática uma aplicação estritamente voltada para a sentença, parte-se dessa unidade
maior para alcançar os seus constituintes - os sintagmas – que, por sua vez, são rotulados através das
categorias sintáticas. Como se vê, é um exercício de decomposição da sentença. Vejamos um exemplo
de análise sintática:
Teu pai quer que você estuda antes de brincar.
...[há três orações]
...[1ª oração: teu pai quer = oração principal]
...[na 1ª oração: sintagma nominal = teu pai; sintagma verbal = quer]
...[sintagma verbal da 1ª oração: formado por um verbo modal]
...[2ª oração: que você estuda = oração subordinada objetiva direta]
...[na 2ª oração: sintagma nominal = você; sintagma verbal = estuda]
...[2ª oração: introduzida pelo pronome relativo que]
...[3ª oração: antes de brincar = oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo]
...[sintagma adverbial: locução adverbial de tempo: antes de]
...[sintagma verbal: brincar]
Através da análise que desenvolvemos pudemos depreender as várias unidades menores do período, isto
é, as três orações (ou sentenças), e, além disso, identificamos as funções dos elementos sintáticos
presentes em cada oração (tipo de verbo, qualidade do pronome, tipos de sintagmas, tipo de advérbio). A
partir desses resultados é possível verificar um problema de concordância verbal existente na segunda
oração. Trata-se da norma gramatical que nos informa o seguinte: "se houver uma oração subordinada
objetiva direta introduzida pelo pronome que e, se essa oração complementa um verbo modal, então o
verbo dessa oração subordinada deve estar no modo subjuntivo". Pela análise sintática vemos que esse é
o caso do nosso período. Assim, conseguimos compreender a necessidade de alteração da forma verbal,
derivando a sentença abaixo.
Teu pai quer que você estude antes de brincar.