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Apontamentos sobre o crime de moeda falsa.

DA MOEDA FALSA

“Quanto mais alto


eu devo olhar, mais alto eu
devo subir”

(Goethe)

INTRODUÇÃO

O presente assunto está contido nos artigos


289 a 292 do Código Penal Brasileiro que vai tratar da
Moeda Falsa.

O artigo 289 fala, respectivamente da Moeda


Falsa e vale observar que a simples alteração há
de representar sempre uma fraude contra a fé
pública no tocante à moeda como instrumento de
troca e trazer consigo, por isso mesmo, a capacidade
de perigo de um “praejudicium in incertam personam”.
Assim, não é crime de moeda falsa, por
alteração, o fato de apagar ou modificar
emblemas ou sinais impressos na moeda ou
papel-moeda, desde que daí não resulte
aparência de maior valor.
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Analisemos cada um deles, detalhadamente.

DA MOEDA FALSA
(Artigo 289 CPB)

GENERALIDADES

Moeda é a medida do valor das coisas. Surgiu quando o


homem sentiu necessidade de abandonar os meios ou instrumentos de
troca ou permuta, entre os quais se encontrava o gado (pecus).

Privativamente foi formada de pele de animal e mais tarde


de metal, em regra, peças de bronze. Daí se passa, tempos após, para a
cunhagem de moedas metálicas, como forma determinada,
empregando-se geralmente a prata (denarius) e mais raro o ouro
(aureum).

Em Roma a cunhagem de moedas data de três séculos a.C.,


porém, foi somente mais tarde, e bem mais tarde, que tratou-se de
reprimir severamente a falsificação de moedas.

Indiscutível, na vida moderna, a necessidade do homem


em acreditar na veracidade de certos atos, documentos, sinais etc, que
fazem parte das suas múltiplas relações diárias. A fé pública é, pois,
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uma realidade, um interesse que a lei protege, independente da tutela
aos interesses pessoais.
No Título X, capítulo I, estão agrupados os crimes de
moeda falsa (art. 289), crimes assimilados ao de moeda falsa (art.
290), petrechos para falsificação de moeda (art. 291) e emissão de
títulos ao portados sem permissão legal (art. 292).

CONCEITO

Segundo alguns economistas, é a moeda comum dos


valores (como o metro, o grama e o litro o são da quantidade) e o
instrumento ou meio de escambo. É o valorímetro dos bens
econômicos, o denominador comum a que se reduz o valor das coisas
úteis.

OBJETIVIDADE JURÍDICA

Tutela-se como o artigo 289 a fé pública, no que diz


respeito especificamente à moeda. O crime em estudo atenta não só
contra o interesse individual, que é a confiança na autenticidade da
moeda, símbolo de valor estabelecido pelo Estado, como também
contra este, por lhe pertencer o direito de sua cunhagem e emissão.

Trata-se de crime de perigo, bastando para a sua


caracterização a potencialidade da ofensa à fé pública. É crime
formal, portanto, por não exigir o evento naturalístico, de dano ou de
perigo.
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A fé pública é um bem jurídico internacional. A
cooperação entre as nações para a tutela desse interesse econômico
universal firmou-se bem antes e mais amplamente no campo do
Direito Penal, do que no chamado Direito Administrativo
internacional (União Monetária Latina Escandinava etc.). e isso se
explica facilmente, refletindo-se que é muito mais fácil o acordo na
reação contra a delinqüência do que na sujeição a um único regime
monetário. Hoje, portanto, com a incriminação do falso numerário,
não se limita a lei a proteger a soberania monetária em geral, se bem
que, em relação aos delitos cometidos no estrangeiro, o Estado
naturalmente se preocupa em assegurar de modo especial o que mais
interessa.

SUJEITOS DO DELITO

Sujeito ativo: Agente é quem pratica a ação típica, prevista no


dispositivo legal, isto é, quem falsifica moeda, fabricando-a ou
alterando-a.

Sujeito passivo: consoante se falou anteriormente, é o


Estado, a coletividade, uma vez que o crime é contra a fé pública. É
também, no caso concreto, quem teve o seu interesse ofendido pela
ação do sujeito ativo, podendo ser tanto a pessoa física, como a
jurídica.

TIPO OBJETIVO
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O núcleo do tipo é falsificar moeda, ou seja, imitar, fazer
passar por autêntica moeda que não o é. Prevê a lei duas espécies de
falsificação. A primeira é a fabricação, a contrafação, a formação total
da moeda. O agente cria, forma, imprime, cunha, manufatura a moeda
metálica ou papel moeda. A Segunda é a alteração. O agente tendo
moeda verdadeira, a modifica para que passe a representar um valor
maior que o rela, por modificação ou acréscimo de algarismos, com a
redução da parte metal que a constitui etc.

Para haver a alteração que configure o ilícito é necessário


que haja uma fraude, uma lesão à fé pública e, potencialmente, um
prejuízo para qualquer pessoa.

É indispensável para a caracterização do delito, como em


todo crime de falso, a “imitatio veri”, ou seja, que o produto
fabricado ou alterado apresente semelhança ao verdadeiro, podendo
ser confundido com o autêntico ou genuíno. Não se exige que a
falsificação seja perfeita, de modo que apenas um exame acurado por
especialista possa identificá-la (RT 667/344). A simples imperfeição
da cédula ou moeda falsificada não desfigura o crime, bastando que
apresente os caracteres específicos exteriores da autêntica, tendo
assim a idoneidade de induzir ao engano um número indeterminado
de pessoas (RTFR 32/328; RF 158/344).

Necessária à relevância jurídica da falsidade, a


possibilidade de dano decorrente da falsificação, não se punindo o
falso inócuo, que não envolve qualquer dano ou perigo.
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O objeto material do crime em apreço é a moeda metálica
ou papel moeda (cédulas), dinheiro como meio válido de pagamento
pelo valor estabelecido pelo Estado. Tutela-se não só a nacional
como a estrangeira, desde que tinham curso legal.

TIPO SUBJETIVO

O dolo é a vontade de falsificar a moeda por meio de sua


formação ou alteração.

A lei não exige qualquer finalidade específica da conduta,


mesmo a de colocar a moeda em circulação; para a concretização do
tipo basta a consciência da ilicitude da conduta e o perigo de dano.

Desta forma, será excluído o dolo, se a formação ou


alteração da moeda for feita apenas para fim artístico ou de coleção,
ou para servir à mera encenação no sentido de inculcar solvência ou
abastança (sendo que neste caso), poderá ocorrer, eventualmente,
estelionato), ou, no caso de alteração de moeda metálica, para utilizar
o respectivo metal, deixando a moeda de ser tal.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

Consuma-se o crime com a fabricação ou alteração, ainda


que apenas de uma moeda, desde que tenha ela idoneidade para iludir.
A falsificação de várias moedas, no mesmo contexto, também
configura crime único. Esse crime de moeda falsa é plurissubsistente,
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nada impedindo a tentativa (introdução em circulação), embora já se
tenha decidido o contrário.
A simples posse de petrechos para falsificação de moeda já
constitui ilícito penal, conforme art. 291 do CPB.

CRIMES SUBSEQÜENTES À FALSIFICAÇÃO

No parágrafo 1° do art. 289, nas mesmas penas cominadas


para o crime previsto no caput “incorre quem, por conta própria ou
alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta,
guarda ou introduz na circulação moeda falsa”.

Importar é introduzir no país. Exportar é levar do país


para o exterior. Adquirir é obter de forma onerosa ou gratuita,
inclusive de modo ilícito. Vender é transferir a propriedade para
outrem em troca de outra coisa. Ceder é entregar, doar. Emprestar é
entregar a outrem para receber posteriormente idêntica quantidade e
espécie. Guardar é ter consigo ou à sua disposição; não será ilegítima
a guarda para certificar-se de falsidade e outras semelhanças, como
ocorrem com caixas de banco. Introduzir na circulação é fazer
circular o dinheiro falso como legítimo, seja como instrumento de
valor, meio de troca, deixando em caixa de esmolas, abandonando em
lugar público etc.

Deu-se como comprovado o crime nos casos em que o


agente não explicou a aquisição da moeda falsa ou foram apreendidas
notas falsas em aviltada quantia.
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Não importa qual a motivação da conduta, caracterizando-
se o crime ainda que não obtenha o agente benefício algum. A lei
incrimina mesmo o fato da alegação dos termos do parágrafo 1º do
art. 289 forem realizados para outra pessoa, pois a ação pode ser
praticada “por conta própria ou alheia”. O fato, de qualquer forma,
configuraria co-autoria ainda que a lei silenciasse a esse respeito.

Tratando-se de tipo de conduta múltipla alternativa, o


agente responde por crime único ainda que pratique várias das ações
incriminadas no art. 289. A introdução de moeda falsa na circulação
só constitui crime autônomo quando realizada por quem não foi o
autor da falsificação. Por outro lado, configura-se o crime de
introdução de moeda falsa na circulação quando não provado que ele
próprio praticou a adulteração.

É indispensável que a moeda apresente semelhança com a


autêntica. Sendo a falsificação grosseira, perceptível às pessoas
comuns, pode ocorrer o estelionato se o agente obtiver vantagem
ilícita.

CRIME PRIVILEGIADO

O parágrafo 2º do art. 289 prevê uma modalidade


privilegiada do crime: “Quem tendo recebido de boa-fé, como
verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de
conhecer a falsidade, é punido com detenção, de 06 meses a 02 anos,
e multa”.
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A mitigação da pena deve-se, evidentemente, à


circunstância de estar o agente tentando evitar prejuízo e não a
obtenção de lucro ilícito. Para a concretização da forma privilegiada é
indispensável que o agente tenha recebido a moeda falsa de boa-fé.
Quando a origem é ilícita, ocorre o crime mais grave, previsto no
parágrafo 1º.

Não comete o crime aquele que se recusa a receber de


volta a moeda que entregou de boa-fé ou de indenizar aquele que a
recebeu. A consumação ocorre com a volta da moeda à circulação,
nada impedindo a tentativa.

FABRICAÇÃO OU EMISSÃO COM FRAUDE OU ESCESSO

Enuncia o parágrafo 3º do art. 289: “É punido com


reclusão de 03 a 15 anos e multa, o funcionário público ou diretor,
gerente ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a
fabricação ou emissão: I- de moeda com título ou peso inferior ao
determinado em lei; II- de papel-moeda em quantidade superior à
autorizada”.

O dispositivo acima prevê um crime próprio, pois só pode


cometê-lo o funcionário público (art. 327), inclusive o Presidente da
República, os ministros de Estado etc., o diretor, gerente ou fiscal de
banco de emissão(pressupõe a autorização ao banco de emitir valores
equiparáveis à moeda.
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O tipo é misto alternativo, prevendo 03 condutas


diferentes: fabricar, emitir ou autorizar a fabricação ou emissão.

O inciso I refere-se a moeda metálica de título ou peso


inferior ao determinado em lei; sendo que título é a proporção ou o
teor da liga metálica empregada na moeda, de inferior qualidade.

No inciso II refere-se ao papel-moeda; não previu a lei, a


emissão em quantidade superior à autorizada da moeda metálica.

Consuma-se o delito com a fabricação ou emissão ou,


conforme o agente, com a simples autorização, sendo possível a
tentativa, tratando-se de crime formal.

CIRCULAÇÃO NÃO AUTORIZADA

Também incide nas penas previstas no parágrafo 3º “quem


desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda
autorizada” (art. 289, parágrafo 4º).

A moeda agora é legítima, mas sua circulação é


antecipada, não atende ou espera a determinação competente para que
circule. A ação física ou elemento material do delito é desviar e fazer
circular. O agente retira o dinheiro donde se encontra, aguardando o
momento oportuno para circular, e antecipadamente o lança à
circulação.
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Não se exige lucro ou proveito do sujeito ativo, que tanto
pode ser o funcionário como qualquer pessoa.

Trata-se de crime material. Compõe-se de um iter e


consuma-se no momento em que a moeda entra na circulação.

O dolo é genérico. Além da vontade de praticar a ação, é


mister o conhecimento de sua antijuridicidade, que não existe sem
que o delinqüente, que não existe sem que o delinqüente saiba que a
moeda não pode ainda circular.

Consuma-se o crime com a circulação da moeda. O desvio,


sem que ocorra a circulação, configura tentativa.

COMPETÊNCIA

Viola-se, com os crimes previstos no artigo 289, a fé


pública da União, seu patrimônio ou interesses. Assim, compete para
apreciá-los e a Justiça Federal.

CRIMES ASSIMILADOS AO DE MOEDA FALSA


(Artigo 290 do CPB)

Prevê o artigo 290 crimes assimilados ao de moeda falsa:


“formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com
fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros; suprimir em
nota, cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à
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circulação, sinal indicativo de sua inutilização; restituir à circulação
cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já recolhidos para o fim
de inutilização: pena – reclusão de 02 a 08 anos e multa”.

OBJETIVIDADE JURÍDICA

Tutela-se a defesa da fé pública em relação à moeda, em


nome de interesses dos indivíduos e do Estado.

SUJEITOS DO DELITO

Sujeito ativo: qualquer pessoa pode ser agente do crime


previsto no artigo 290. Sendo o agente funcionário público, haverá
aumento de pena se praticar o ilícito nas condições e circunstâncias
previstas no parágrafo único.

Sujeito passivo: é a coletividade, ou melhor, o Estado, já


que se trata de crime contra a fé pública e, secundariamente, o
particular que sofre prejuízo em decorrência da conduta do sujeito
ativo.

TIPO OBJETIVO

São várias as condutas típicas previstas:


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1ª) Formação de cédula, nota ou bilhete representativo de
moeda – O agente usa, justapõe fragmentos de cédulas, formando
uma moeda falsa com aparência de autêntica; com pedaços forma
uma. A conduta incriminada consiste na justaposição, por qualquer
forma executória, de partes de outras cédulas ou notas, formando
outra capaz de circular como verdadeira. A simples oposição de
números ou dizeres de uma cédula verdadeira em outra não configura
o crime em apreço, mas o previsto no art. 289. Exige-se também a
“imitatio veri” e a adulteração grosseira poderá constituir meio para o
estelionato.

2ª) Supressão de sinal indicativo de sua inutilização – O


agente apaga, elimina o sinal por qualquer meio (lavagem, raspagem
etc). O objeto material, no caso, é o papel-moeda ou bilhete já
recolhido que contém o sinal indicativo para sua inutilização.

3ª) Restituição da moeda à circulação – O agente restitui à


circulação a moeda nas condições apontadas nos itens anteriores. Se o
agente forma a moeda ou suprime o sinal de inutilização e depois a
restitui `a circulação, só responde pela forma típica anterior.
Nos três casos é necessária a potencialidade lesiva do
comportamento. A aquisição ou recebimento da moeda nas condições
descritas no art. 290 caput, não foi elevado à categoria de crime
principal, substituindo o delito de receptação. Só há receptação
quando o sujeito recebe a moeda, nas condições do art. 290, de boa-
fé, e a devolve à circulação.
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TIPO SUBJETIVO

O dolo é a vontade de praticar qualquer das condutas


incriminadas. Exige-se quando se trata de Supressão de sinal
indicativo de inutilização, uma finalidade especial, a de restituir a
moeda à circulação.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

Na primeira conduta típica o delito está consumado com a


simples formação do papel-moeda, independentemente de qualquer
lesão, exige-se, porém, a “imitatio veri”.

Na segunda modalidade a consumação ocorre com a


Supressão do Sinal indicativo de inutilização e, na terceira, com a
entrada da moeda em circulação.
A tentativa é admissível nas três modalidades. Trata-se de
crimes plurissubsistentes, admitindo-se a possibilidade de tentativa
em qualquer das condutas.

CRIME QUALIFICADO

De acordo com o parágrafo único do art. 290 do CPB, as


penas são agravadas “se o crime é cometido por funcionário que
trabalha na repartição onde o dinheiro se achava recolhido, ou nela
tem fácil ingresso, em razão do cargo”. A qualificadora incide não só
no caso do funcionário público (CPB, art. 327) que trabalha na
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repartição onde a moeda se encontra recolhida, como também na
hipótese daquele que aí tem acesso fácil, diante do exercício do cargo.

PETRECHOS PARA A FALSIFICAÇÃO DE MOEDA


(Artigo 291 do CPB)

No art. 291, prevê a lei, o crime de petrechos para


falsificação de moeda: “fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso
ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda:
pena – reclusão de 02 a 06 anos e multa”.

OBJETIVIDADE JURÍDICA

Objeto jurídico do dispositivo é a fé pública em relação à


autenticidade da moeda.

SUJEITOS DO DELITO

É sujeito do delito qualquer pessoa que pratique uma das


condutas típicas. Já o Estado, a coletividade, é o sujeito passivo do
crime.
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TIPO OBJETIVO

Na primeira conduta típica o agente fabrica, ou seja,


constrói, cria, monta, manufatura; já a Segunda conduta implica em
adquirir, isto é, obter de qualquer forma.

Pratica, também, o delito quem fornece, o que implica em


entregar, proporcionar, doar etc.

Aquele que tem em propriedade ou guarda, conserva ou


protege coisa de outrem, comete o delito.

Embora não praticando qualquer das condutas acima


citadas, responderá pelo crime quem colaborar com a fabricação,
aquisição etc.

O objeto material do delito é o petrecho para a falsificação


de moeda, entendido este como maquinismo, aparelho, instrumento
ou qualquer outro objeto que se destine à falsificação de moeda.

TIPO SUBJETIVO

Consiste o dolo na vontade de praticar uma das condutas


descritas no tipo. Exige-se que o sujeito ativo saiba que o objeto
destina-se especialmente à falsificação.
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CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

Consuma-se o delito com a prática de qualquer das


condutas incriminadoras, ou seja, com a aquisição, fabricação, guarda
etc.

Cabível é a tentativa, em qualquer modalidade das


condutas, mesmo em se tratando de aquisição.

Observa-se, aqui, que a tentativa de posse equivale à


tentativa de aquisição.

DISTINÇÃO E CONCURSO

Praticando o sujeito ativo duas ou mais condutas (fabricar


e fornecer, por exemplo), responde o agente por crime único, desde
que se trate do mesmo objeto material. Tratando-se de coisas diversas
haverá concurso.

Falsificando o agente moeda falsa, responde apenas pelo


crime previsto no artigo 289, ficando o delito em exame absorvido
pelo mais grave.

COMPETÊNCIA

A competência para apreciar o fato é da Justiça Federal,


tendo em vista o interesse da União no caso.
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EMISSÃO DE TÍTULO AO PORTADOS SEM PERMISSÃO


LEGAL
(Artigo 292 CPB)

CONCEITO

“Emitir, sem permissão legal, nota, bilhete, ficha, vale ou


título que contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador
ou a que falte indicações do nome da pessoa a quem deva ser pago.
Pena – detenção de 01 a 06 meses, ou multa”.

SUJEITOS DO DELITO

Sujeito ativo: é quem emite título ao portador, sem


permissão legal. Se o próprio agente subscreve e emite o título, é ele
apenas o autor do crime. Caso o subscritor não seja o autor da
emissão, será considerado co-autor do delito por Ter dado causa a sua
circulação. Havendo emissão à revelia do formador ou signatário, que
não tenha em vista a circulação do título, responde apenas o emitente.

Sujeito passivo: é a coletividade, já que a emissão de


títulos ao portador sem permissão legal viola a fé pública. Pode haver
lesão de qualquer pessoa, sendo esta também sujeito passivo, de modo
secundário.
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TIPO OBJETIVO

A conduta típica é emitir o título. Emitir não significa


simplesmente formar ou subscrever, mas colocar em circulação o
papel. Só a emissão pode fazer concorrência à moeda, o que a lei visa
coibir.
O objeto material é o título ao portador, discriminado na
lei como nota, bilhete, ficha, vale ou título que contenha promessa de
pagamento em dinheiro ao seu portador ou que não contenha a
indicação do nome da pessoa a que deva ser pago. Título ao portador
é o título de crédito sem a indicação de qualquer nome e sem valor
intrínseco, representado apenas a prestação devida pelo emissor ao
seu portador. Sua principal característica é sua transmissão mediante
simples tradição manual independentemente de endosso, autorização
especial ou qualquer outro registro ou condição. É também título ao
portador, aquele que falta indicação do nome favorecido.

É indispensável que o título contenha promessa de


pagamento em dinheiro. Não estão incluídos, portanto, os que
representam mercadorias, serviços, utilidades etc.

Não configura o ilícito a emissão de vales íntimos, que se


constituem em apenas um começo de prova por escrito, um lembrete,
ou os chamados vales de caixa, usados para comprovar retirada de
dinheiro, adiantamento ou mesmo empréstimo rápido. Não se
destinam eles à circulação indiscriminada mas a ambiente restrito,
com fins específicos.
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A finalidade de existência deste tipo penal é evitar que
papéis não autorizados pela lei passem a ocupar, gradativamente, o
lugar da moeda.

Só ocorre o crime, no caso de emissão sem autorização


legal (genérica ou especial). São permitidos por lei o cheque, a letra
de câmbio, ações etc. decidiu-se pela inexistência do crime na
expedição de nota promissória sem nome da pessoa a quem deva ser
paga, diante da autorização genérica da Lei 2044 (RT 249/341). O
dispositivo é, pois, norma penal em branco, sendo necessário verificar
se não há permissão legal para sua emissão.

TIPO SUBJETIVO

O dolo é a vontade de emitir o título ao portador, estando o


sujeito ativo ciente de que não há permissão legal para a sua
circulação. Indiferente é o fim da conduta, não socorrendo o agente a
alegação de que não houve prejuízo concreto a terceiros.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

Este crime se consuma com a emissão, ou seja, com a


circulação do título, com a sua transferência a qualquer pessoa. Trata-
se de crime formal, porém, não sendo necessário o dano.
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A tentativa ocorre quando houver a subscrição do título
irregular, como também, quando o sujeito ativo pratica atos de
transferência mas não a consegue por circunstâncias alheias a sua
vontade.

CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA

Trata-se de crime formal, instantâneo e comum.

PENA E AÇÃO PENAL

A pena é de detenção de 01 a 06 meses, ou multa. O


parágrafo único comina pena de detenção de quinze dias a três meses,
ou multa.
A ação penal é pública incondicionada.

AQUISIÇÃO OU USO DO TÍTULO NÃO PERMITIDO

Nos termos do art. 292, parágrafo único, “quem recebe ou


utiliza como dinheiro qualquer dos documentos referidos no artigo
incorre na pena de detenção de quinze dias a três meses, ou multa”.
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Incrimina a lei também a conduta do tomador do título,
daquele que o recebe, ou quem utiliza o mesmo como dinheiro. São
fatos posteriores à emissão irregular, dependendo desta.

O dolo só existe se o agente tem ciência de que não há


permissão legal para a circulação do título. Basta, porém, a dúvida,
agindo o sujeito ativo, neste caso, com dolo eventual. Quando o
tomador estiver de boa-fé, não há dolo na aquisição de título irregular.
Será responsabilizado, porém, se após tomar conhecimento da
ilegalidade, utilizar o título (transferir, caucionar etc.).

CRIMES ESPECIAIS

Como infrações penais especiais, a Lei 7.492 de 16/06/86,


que prevê os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incrimina
as condutas de “imprimir, reproduzir ou, qualquer modo, fabricar ou
pôr em circulação, sem autorização escrita da sociedade emissora,
certificado, cautela ou outro documento representativo de título ou
valor mobiliário”(art. 2°), de emitir, oferecer ou negociar,
irregularmente, “títulos ou valores imobiliários” (art. 7°) e “fazer
operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante
declaração falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de
valores mobiliários ou de câmbio (art. 16).