Giovanni Parize Gama

Resumo de Criminal II – P1
Introdução à Política Criminal
Política é toda atividade humana ligada ao poder que objetiva buscar os
meios adequados para obter vantagem ou efeitos desejados.
Ciência política é o estudo dos fenômenos e das estruturas políticas. Ou
seja, ela pesquisa os fatos e a maneira como as coisas que os regem são
estruturadas, organizadas.
Assim, a política criminal é o setor da política pública jurídica geral que
busca os procedimentos para a resposta aos fenômenos criminais e é uma
ciência autônoma e independente. Em outras palavras, política criminal é o
setor da política pública que analisa o fenômeno criminal, a maneira como ele
ocorre, as influências externas sobre ele e busca a solução para este
problema.
Antigamente, a política criminal era apenas um conjunto de postulados
valorativos que eram guiados pela razão. Hoje em dia, ela visa obter e realizar
as decisões valorativas e determinar conteúdos e modelos de regulação da luta
contra o fenômeno criminal.
Esses valores têm seu marco referencial axiológico (sua origem) na
Constituição Federal.
A política criminal visa prever os crimes e balancear a eficiência das
reações e as garantias do indivíduo.
Eficiência (das reações) x Garantias (do delinquente)
Fato (conhecer os fatos – Criminologia) → Valor (valorar os fatos, qual é a sua
consequência para a ordem social – Política Criminal) → Norma (normatizar a
reação ao fato – Direito Penal)
Abolicionismo
Surgiu em 1970 no norte da Europa e nos EUA como reação ao fracasso
da ideia ressocializadora da pena (sai pior do que entrou – o sujeito entra na
prisão por ter roubado uma maçã e sai de lá como assaltante de bancos).
Seus argumentos baseiam-se na Criminologia crítica, usando o sistema
penal como produto da estrutura classista (classes sociais divididas –
privilégios para uns e letra fria para outros) e patriarcal burguesa; e dizia que o
sistema penal era o principal responsável pelo fenômeno criminal (este sendo
seletivo e discriminatório).
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Existem vários modelos teóricos, mas a doutrina considera apenas um,
que diz não à abolição da pena de prisão e a todo o sistema de controle social
formal penal (sistema penal), propondo a sua substituição pela forma não
positiva de resolução do conflito social (dar bronca no filho: não pode fazer
isso, tá?).
Possui duas posturas:
 Moderada (Louk Hulsman & Nils Christie): substituição do
sistema penal por soluções privadas (controle social informal) não
punitivas (indenização, restituição terapêutica, educativa etc.);
 Radical (Thomas Mathiensen): abolição do sistema penal e de
todas as outras estruturas sociais repressivas capitalistas,
propondo a modificação total do modelo social.
O sistema abolicionista diz que o Direito Penal é arbitrário e desigual,
visando o status da pessoa ao julgá-la. Assim sendo, os prejuízos dos crimes
são desiguais aos benefícios (por exemplo, Thor Batista que assassinou uma
pessoa e continua livre).
É criticado o abolicionismo por ser utópico e ingênuo, onde as
alternativas apresentadas por ele são impossíveis nas complexas sociedades
de hoje e por ter se baseado em sociedades simples com problemas criminais
pequenos e crimes pouco graves (ponta do iceberg).
Também diz que a sociedade é quem deve solucionar os problemas,
fazendo o retrocesso social. Além disso, o monopólio do controle fica com o
Estado, a vingança é privada e gera uma insegurança jurídica com uma justiça
ainda arbitrária.
Nos anos 80, o abolicionismo foi criticado e combatido pela própria
Criminologia crítica, que superou a fase utópica, pesquisando empiricamente e
tendo pouca base em suas pesquisas. Passou a levar o crime a sério e chegou
à conclusão de que o modelo marxista não corresponde à realidade social.
A parte positiva deste movimento foi a chamada de atenção aos
problemas do sistema penal.
Terceira velocidade do Direito Penal
O termo surge com María Silva Sanches de Jesús, que faz uma análise
das mudanças expansionistas ocorridas na era pós-industrial, globalização e
integração supranacional, analisando o fenômeno expansionista (positivismo).
3ª velocidade
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 Direito Penal Clássico: garantias individuais e penas privativas de
liberdade;
 Restrição a algumas garantias clássicas com sanções menos graves
(multa restritiva de direitos);
 Ampla relativização das garantias (pena de prisão, que seria o direito
penal do inimigo).
Direito penal do inimigo
O termo surge com Güther Íakobs e passa por três fases:
1. Crítica (1985): começa em uma reunião onde Íakobs critica o
sistema penal, que trata o criminoso como inimigo;
2. Descritiva (1999 – 2000): descreve como é o sistema contra o
inimigo;
3. Fundamentadora (2003 – até hoje): Íakobs passa a defender o
sistema após o 11 de setembro de 2001, explicando como ele
deve funcionar.
Descreve o inimigo como sendo o indivíduo que comete um crime tão
grave a ponto de pôr em risco a ordem social. Eles se recusam a viver como
cidadãos e preferem viver como inimigos, desrespeitando as normas sociais e
demonstrando que não se comportarão de acordo com as normas sociais.
Estes tornam-se os inimigos da sociedade (ex.: terroristas, crimes econômicos,
crimes sexuais, crime organizado etc.).
Os inimigos preferem seguir seus próprios códigos, o que rompe a
perspectiva de expectativa de ação (a resposta de bom dia é ignorada e você
leva um soco na cara).
O inimigo, por se recusar a seguir as garantias dos cidadãos, não é
cidadão e não é protegido pelo sistema jurídico.
Críticas
 Vivemos em um Estado Democrático de Direito. Logo, os direitos de
todos os nacionais devem ser garantidos;
 Insegurança jurídica, pois não se sabe quem é o inimigo. Quem define é
o Estado, o detentor do sistema jurídico. Logo, gera insegurança jurídica
e risco de o Estado tornar-se totalitário, já que não é pré-estabelecido
quem é o inimigo (não é normas que dizem “quem fizer isso é o
inimigo”);
Direito penal mínimo e garantista
“Virtus est in médio” – A virtude está no meio (Aristóteles)
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra
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Tem tradição iluminista, onde há a garantia dos direitos fundamentais.
Defende a redução da intervenção penal ao mínimo possível (se dá para fazer
acordo, façamos – controle da violência estatal e evitar a violência social
informal).
O objetivo é impor limites ao Estado e maximizar as garantias
fundamentais dos indivíduos.
O Direito Penal é para os crimes de maior importância à ordem social
(privação da liberdade – ultimo ratio, extrema necessidade
). Para os delitos pequenos, entra-se em um acordo, já que tem menor custo
social e resolve mais rápido o problema.
Princípios da intervenção mínima
I. Subsidiariedade
 O Estado possui meios para proteger todos os bens jurídicos;
 O Estado somente deve recorrer ao Direito Penal quando dos
delitos mais graves e se não houver outra solução (ex.: direito
civil, administrativo etc.);
II. Fragmentariedade
 O Direito Penal não deve proteger todos os bens jurídicos
(somente os mais fundamentais);
 Só entra em ação contra as agressões mais intoleráveis;
 Exerce proteção absoluta (Estado Policial);
 Evita a ausência de proteção à sociedade de ataques mais
graves aos bens jurídicos (abolicionismo) e impede a
excessiva intervenção do Estado na vida social (terceira
velocidade).