28/7/2014 Inteiro Teor (6195690

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APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5002684-25.2010.404.7205/SC
RELATOR : MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
APELANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
APELADO : LOTHAR BRANDL
ADVOGADO : FABIANO CRESPO
EMENTA
PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE
SERVIÇO/CONTRIBUIÇÃO. CONVERSÃO DO PERÍODO ESPECIAL EM COMUM E VICE-
VERSA. LEI Nº 8.213/91, LEI Nº 9.032/95 E LEI Nº 9.711/98. REQUISITOS PREENCHIDOS.
POSSIBILIDADE. TORNEIRO MECÂNICO. USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO
INDIVIDUAL - EPI'S. AUSENTE A PROVA EFETIVA DA ELIMINAÇÃO DOS RISCOS À
SAÚDE HUMANA. ATUALIZAÇÃO DO PASSIVO. LEI Nº 11.960/2009, CONFERINDO
REDAÇÃO AO ARTIGO 1º-F DA LEI Nº 9.494/97. INCONSTITUCIONALIDADE
DECLARADA PELO EXCELSO STF. PRESCRIÇÃO. SUCUMBÊNCIA.
PREQUESTIONAMENTO.
1. A satisfação das condicionantes estabelecidas na legislação de regência,
principalmente na Lei nº 8.213/91, na Lei nº 9.032/95 e na Lei nº 9.711/98 autoriza a conversão
de tempo de serviço comum em especial, e vice-versa.
2. Até 28/04/1995 é admissível o reconhecimento da especialidade por categoria
profissional ou por sujeição a agentes nocivos, aceitando-se qualquer meio de prova (exceto
para ruído); a partir de 29-04-1995 não mais é possível o enquadramento por categoria
profissional, devendo existir comprovação da sujeição a agentes nocivos, por qualquer meio de
prova, até 05-03-1997 e, a partir de então, por meio de formulário embasado em laudo técnico,
ou por meio de perícia técnica.
3. A atividade da segurada, no caso, ostenta natureza especial em face da sua
sujeição, no iter da jornada laboral, aos efeitos de agentes insalubres de natureza química, de
forma habitual, cotidiana e permanente. A satisfação das condicionantes necessárias à revisão da
aposentadoria por tempo de contribuição autoriza seja ultimado tal procedimento.
4. O uso de EPI's (equipamentos de proteção), por si só, não basta para afastar o
caráter especial das atividades desenvolvidas pelo segurado. Seria necessária uma efetiva
demonstração da elisão das consequências nocivas, além de prova da fiscalização do empregador
sobre o uso permanente dos dispositivos protetores da saúde do obreiro, durante toda a jornada
de trabalho.
5. Sistemática de atualização do passivo definida consoante novel orientação das
Turmas que integram a Terceira Seção desta Corte.
6. Prescrição qüinqüenal a ser observada na forma da Súmula nº 85 do STJ.
7. Sucumbência dosada em atenção aos precedentes da Turma em demandas de
similar jaez.
8. Prequestionamento, quanto à legislação invocada, estabelecido pelas razões de
decidir.
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ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a
Colenda 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar
provimento à remessa oficial e à apelação do INSS, nos termos do relatório, votos e notas
taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Porto Alegre, 29 de outubro de 2013.
Juíza Federal MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
Relatora
Documento eletrônico assinado por Juíza Federal MARIA ISABEL PEZZI KLEIN, Relatora, na
forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº
17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço
eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código
verificador 6195690v3 e, se solicitado, do código CRC CE3604D6.
Informações adicionais da assinatura:
Signatário (a): Maria Isabel Pezzi Klein
Data e Hora: 04/11/2013 13:42
APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5002684-25.2010.404.7205/SC
RELATOR : MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
APELANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
APELADO : LOTHAR BRANDL
ADVOGADO : FABIANO CRESPO
RELATÓRIO
Os fatos objeto da lide estão sintetizados nos seguintes termos:
O autor acima nominado e qualificado na inicial ajuizou ação visando a condenação do
INSS a revisar seu benefício de Aposentadoria por Tempo de Contribuição (NB
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42/116.564.740-8), reconhecendo o tempo de serviço prestado em atividade especial no
período de 02/01/1973 a 29/07/1977, determinando a conversão de tempo especial em
comum utilizando o fator 1,4, a partir da data do pedido de revisão administrativa
(13/04/2006), bem como o pagamento das prestações vencidas correção pelo IGP-DI e
juros moratórios de 12% ao ano.
O benefício da assistência judiciária gratuita foi deferido.
Citado, o INSS ofertou resposta em forma de contestação, argüindo, preliminarmente, a
decadência. No mérito, aduz que o fator de conversão de atividades especiais para
períodos até 21-07-1992 era de 1,2. Diz que o 'autor não comprovou os períodos
mediante prova cabal prevista por lei, o que, por si só, torna impossível reconhecer a
especialidade alegada', e, que 'a documentação apresentada pelo autor não é suficiente
para comprovar o desenvolvimento de atividade em ambientes 'INSALUBRES', ou melhor,
sujeito ao 'AGENTE NOCIVO' ruído, nem à poeira de algodão'. Assevera, ainda, que 'a
utilização de EPI adequado pelo empregado, NEUTRALIZA a insalubridade existente, de
acordo com o artigo 191 da CLT'. Aduz, ainda, que não é possível a conversão dos
períodos especiais para comum em momento anterior à Lei nº 3.807/60 até 10/12/1980 e
após 28-05-1998 (Súmula nº 16 da Turma de Uniformização Nacional dos JEF's). Diz
que os laudos são extemporâneos e não trazem informações sobre alteração de Lay-Out,
transcreve a regulamentação acerca do reconhecimento das especialidades das
atividades exercidas mediante exposição a ruídos e óleos e graxas. Pede a
improcedência.
Com réplica.
Instadas as partes para a especificação de provas, ambas disseram não ter mais provas
a produzir.
As partes apresentaram alegações finais.

Sobreveio sentença cujo dispositivo está assim lavrado:
Em face do exposto, afasto a decadência e julgo procedente o pedido para:
a) reconhecer a especialidade das atividades exercidas pelo autor no período de
02/01/1973 a 29/07/1977 (4 anos, 6 meses e 28 dias), na empresa Alfons Grahl e Cia
Ltda., na função de torneiro mecânico, que convertidos perfazem 6 anos, 4 meses e 27
dias;
b) condenar o INSS a revisar a aposentadoria do autor (NB 42/116.564.740-8), desde
13/04/2006 (data do pedido de revisão administrativa), para computar o tempo de
serviço ora reconhecido.
Outrossim, condeno o INSS a pagar os atrasados - observada a prescrição qüinqüenal -
, com atualização monetária desde o vencimento de cada parcela - observando-se que,
de acordo com as Leis 6.899/81, 8213/91, 8.542/92 e 8.880/94 e Medidas Provisórias
1.398/96 e 1.415/96, 'Os débitos judiciais previdenciários devem ser corrigidos pelos
índices jurisprudencialmente aceitos: ORTN (até 2/86); OTN (de 3/86 a 1/89 mais o IPC
de jan/89, 42,72%); BTN (2/89 a 2/91 mais os IPCs expurgados considerados pela Súm-
37 do TRF/4 Região); INPC (de 3/91 a 12/92); IRSM (de 1/93 a 2/94); URV (de 3 a
6/94); IPC-r (de 7/94 a 6/95); INPC (de 7/95 a 4/96); IGP-DI (a partir de 5/96)' (TRF 4ª
Região, AC 96.04.52729-0/RS, rel. Juíza Virgínia Scheibe, DJU 07.04.1999) -, e
acréscimo de juros legais - estes no percentual de 1% ao mês, por se tratar de verba de
natureza alimentar (nesse sentido: STJ, RESP 182672/RN, rel. Min. Felix Fischer, DJU
03-11-1998), e incidentes apenas após a citação (Súmula n° 03 do Tribunal Regional
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Federal da 4ª Região).
Condeno, ainda, a parte requerida, também, ao pagamento de honorários advocatícios,
que desde já fixo em 10% sobre o montante das parcelas vencidas até a data da
prolação desta sentença, excluídas as vincendas (Súmulas 110 e 111 do Superior
Tribunal de Justiça e Súmula 76 do TRF 4ª Região).
Sem custas (inciso I do art. 4° da Lei n° 9.289/96, que substituiu o art. 9° da Lei n°
6.032/74).
(...)
Blumenau, 12 de janeiro de 2012.
Leandro Paulo Cypriani
Juiz Federal Substituto
Apela o INSS deduzindo a necessidade de reforma da sentença, porque, em
síntese, a caducidade é jurídico óbice ao exame do pedido. Observa que a análise do mérito
malfere preceitos constitucionais, como a isonomia. Requer seja provido o inconformismo e
prequestionado o tema objeto da lide.
Com contrarrazões e por força da remessa oficial, autos conclusos para
julgamento.
É o Relatório.
VOTO
REMESSA OFICIAL
Conforme entendimento firmado pela Corte Especial do Superior Tribunal de
Justiça, a sentença ilíquida deve se sujeitar ao duplo grau de jurisdição, não incidindo a regra
contida no §2º do art. 475 do Código de Processo Civil (CPC). Vejamos:
PROCESSO CIVIL. REEXAME NECESSÁRIO. SENTENÇA ILÍQUIDA.
A sentença ilíquida proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município e
as respectivas autarquias e fundações de direito público está sujeita ao duplo grau de
jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal; a exceção
contemplada no § 2º do art. 475 do Código de Processo Civil supõe, primeiro, que a
condenação ou o direito controvertido tenham valor certo e, segundo, que o respectivo
montante não exceda de 60 (sessenta) salários mínimos. Embargos de divergência
conhecidos e providos. (Embargos de Divergência no Resp nº 934.642/PR, STJ, Corte
Especial, Rel. Min. Pargendler, DJe de 26/11/2009).
Assim, nas hipóteses em que a sentença condenatória proferida contra a Fazenda
Pública for de valor incerto, como no caso presente, impõe-se o reexame do julgado, inclusive
de ofício, em paralelo ao(s) recurso(s) voluntário(s), quando apresentados esses.
DECADÊNCIA
O essencial argumento lançado nas razões do apelo voluntário da Autarquia é
concernente à caducidade, principalmente quanto aos benefícios concedidos antes de 1997,
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como jurídico fator a obstar a verificação do mérito da pretensão articulada na exordial.
Objetivamente equivocado o argumento, porque a integral documentação que
guarnece o evento1, procadm2, do processo originário, indica que a DER remonta a 23-02-2000
e o pedido administrativo de revisão, a 13-4-2006.
Nessa linha, preceitua o artigo 103 da Lei nº 8.213/91, com redação vigente ao
tempo do pedido administrativo, verbis:
Art. 103. É de dez anos o prazo de decadência de todo e qualquer direito ou ação do
segurado ou beneficiário para a revisão do ato de concessão de benefício, a contar do
dia primeiro do mês seguinte ao do recebimento da primeira prestação ou, quando for o
caso, do dia em que tomar conhecimento da decisão indeferitória definitiva no âmbito
administrativo.
Como o protocolo do pedido de revisão data de 2006 e a demanda foi ajuizada em
2010, não se cogita de decadência.
Há, sim, prescrição a, eventualmente, fragilizar passivo porventura existente e
cujas competências desbordem do período do lustro.
Nesse tópico, portanto, não reclama acolhida o inconformismo do INSS.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A ATIVIDADE ESPECIAL
Com relação ao reconhecimento da atividade exercida como especial, é de
ressaltar-se que o tempo de serviço é disciplinado pela lei em vigor à época em que
efetivamente exercido, passando a integrar, como direito adquirido, o patrimônio jurídico do
trabalhador. Desse modo, uma vez prestado o serviço sob a égide de legislação que o ampara, o
segurado adquire o direito à contagem como tal, bem como à comprovação das condições de
trabalho na forma então exigida, não se aplicando retroativamente uma lei nova que venha a
estabelecer restrições à admissão do tempo de serviço especial.
Nesse sentido, aliás, é a orientação adotada pela Terceira Seção do Egrégio
Superior Tribunal de Justiça (AGREsp nº 493.458/RS, Relator Ministro Gilson Dipp, Quinta
Turma, DJU de 23/06/2003, p. 429, e REsp nº 491.338/RS, Relator Ministro Hamilton
Carvalhido, Sexta Turma, DJU de 23/06/2003, p. 457), a qual passou a ter previsão legislativa
expressa com a edição do Decreto nº 4.827/2003, que alterou a redação do art. 70, §1º, do
Decreto nº 3.048/99.
Feita essa consideração e tendo em vista a diversidade de diplomas legais que se
sucederam na disciplina da matéria, necessário inicialmente definir qual a legislação aplicável
ao caso concreto, ou seja, qual a legislação vigente quando da prestação da atividade pela parte
autora.
Tem-se, então, a seguinte evolução legislativa quanto ao tema sub judice:
a) no período de trabalho até 28/04/95, quando vigente a Lei nº 3.807/60 (Lei
Orgânica da Previdência Social) e suas alterações e, posteriormente, a Lei nº 8.213/91 (Lei de
Benefícios), em sua redação original (arts. 57 e 58), possível o reconhecimento da
especialidade do trabalho quando houver a comprovação do exercício de atividade enquadrável
como especial nos decretos regulamentadores e/ou na legislação especial ou quando
demonstrada a sujeição do segurado a agentes nocivos por qualquer meio de prova, exceto para
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ruído, em que necessária sempre a aferição do nível de decibéis por meio de perícia técnica,
carreada aos autos ou noticiada em formulário emitido pela empresa, a fim de se verificar a
nocividade ou não desse agente;
b) a partir de 29/04/95, inclusive, foi definitivamente extinto o enquadramento por
categoria profissional, de modo que, no interregno compreendido entre esta data e 05-03-97,
em que vigentes as alterações introduzidas pela Lei nº 9.032/95 no art. 57 da Lei de Benefícios,
necessária a demonstração efetiva de exposição, de forma permanente, não ocasional nem
intermitente, a agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, por qualquer meio de prova,
considerando-se suficiente, para tanto, a apresentação de formulário-padrão preenchido pela
empresa, sem a exigência de embasamento em laudo técnico;
c) a partir de 06/03/97, data da entrada em vigor do Decreto nº 2.172/97, que
regulamentou as disposições introduzidas no art. 58 da Lei de Benefícios pela Medida
Provisória nº 1.523/96 (convertida na Lei nº 9.528/97), passou-se a exigir, para fins de
reconhecimento de tempo de serviço especial , a comprovação da efetiva sujeição do segurado a
agentes agressivos por meio da apresentação de formulário-padrão, embasado em laudo técnico,
ou por meio de perícia técnica.
d) após 28/05/1998, a despeito dos votos que vinha proferindo em sentido
contrário, a 3ª Seção do Colendo STJ consolidou o entendimento de que o trabalhador que tenha
exercido atividades, em condições especiais, mesmo que posteriores a maio de 1998, tem
direito à conversão do tempo de serviço, de forma majorada, para fins de aposentadoria comum.
Nesse sentido:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE
SERVIÇO. LABOR PRESTADO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS. CONVERSÃO EM TEMPO
COMUM APÓS 1988. POSSIBILIDADE.
1. O § 5º do art. 57 da Lei 8.213/91 está em plena vigência, possibilitando a conversão
de todo tempo trabalhado em condições especiais, ao trabalhador que tenha exercido
atividades em condições especiais, mesmo que posteriores a maio de 1998, em razão do
direito adquirido, protegido constitucionalmente, à conversão do tempo de serviço, de
forma majorada, para fins de aposentadoria comum.
2. Agravo regimental a que se dá parcial provimento.
(STJ, AgRg no REsp 739107 / SP, 6ª Turma, Ministro OG FERNANDES, DJe 14/12/2009)
PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
ESPECIAL. APOSENTADORIA. SERVIÇO PRESTADO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS
APÓS MAIO DE 1998. CONVERSÃO EM TEMPO COMUM. POSSIBILIDADE. ART. 60
DO DECRETO 83.080/79 E 6o. DA LICC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
1. Os pleitos previdenciários possuem relevante valor social de proteção ao Trabalhador
Segurado da Previdência Social, sendo, portanto, julgados sob tal orientação exegética.
2. O Trabalhador que tenha exercido atividades em condições especiais, mesmo que
posteriores a maio de 1998, tem direito adquirido, protegido constitucionalmente, à
conversão do tempo de serviço, de forma majorada, para fins de aposentadoria comum.
3. Agravo Regimental do INSS desprovido.
(STJ, 5ª Turma, AgRg no REsp 1104011 / RS, Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA
FILHO, DJe 09/11/2009)
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Para fins de enquadramento das categorias profissionais, devem ser considerados
os Decretos nºs 53.831/64 (Quadro Anexo - 2ª parte) e 83.080/79 (Anexo II) até 28/04/95, data
da extinção do reconhecimento da atividade especial por presunção legal. Já para o
enquadramento dos agentes nocivos, devem ser considerados os Decretos nºs 53.831/64
(Quadro Anexo - 1ª parte) e 83.080/79 (Anexo I) até 05/03/97 e o Decreto nº 2.172/97 (Anexo
IV) a contar de 06/03/97. Além dessas hipóteses de enquadramento, sempre possível também a
verificação da especialidade da atividade no caso concreto, por meio de perícia técnica, nos
termos da Súmula nº 198 do extinto Tribunal Federal de Recursos (STJ, AGRESP nº
228832/SC, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, Sexta Turma, DJU de 30/06/2003, p. 320).
Especificamente quanto ao agente nocivo ruído, o Quadro Anexo do Decreto nº
53.831, de 25/03/1964, o Anexo I do Decreto nº 83.080, de 24/01/1979, o Anexo IV do
Decreto nº 2.172, de 05/03/1997, e o Anexo IV do Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, alterado
pelo Decreto nº 4.882, de 18/11/2003, consideram insalubres as atividades que expõem o
segurado a níveis de pressão sonora superiores a 80, 85 e 90 decibéis, de acordo com os
Códigos 1.1.6, 1.1.5, 2.0.1 e 2.0.1, in verbis:
Período trabalhado Enquadramento Limites de tolerância
Até 05/03/1997
1. Anexo do Decreto nº 53.831/64; 2.
Anexo I do Decreto nº 83.080/79;
1. Superior a 80 dB; 2.
Superior a 90 dB.
De 06/03/1997 a 06/05/1999 Anexo IV do Decreto nº 2.172/97 Superior a 90 dB.
De 07/05/1999 a 18/11/2003
Anexo IV do Decreto nº 3.048/99, na
redação original
Superior a 90 dB.
A partir de 19/11/2003
Anexo IV do Decreto nº 3.048/99, com a
alteração introduzida pelo Decreto nº
4.882/2003
Superior a 85 dB.
Quanto ao período anterior a 05/03/97, já foi pacificado, em sede da Seção
Previdenciária desta Corte (EIAC 2000.04.01.134834-3/RS, Rel. Desembargador Federal Paulo
Afonso Brum Vaz, DJU, Seção 2, de 19/02/2003, p. 485) e também do INSS na esfera
administrativa (Instrução Normativa nº 57/2001 e posteriores), que são aplicáveis
concomitantemente, para fins de enquadramento, os Decretos nºs 53.831/64 e 83.080/79 até
05/03/97, data imediatamente anterior à publicação do Decreto nº 2.172/97. Desse modo, até
então, é considerada nociva à saúde a atividade sujeita a ruídos superiores a 80 decibéis,
conforme previsão mais benéfica do Decreto nº 53.831/64.
Considerado esse contexto, a razoável conclusão seria pela viabilidade de
retroatividade da novel disposição regulamentar - gizo, REGULAMENTAR - superveniente, de
2003, em favor do segurado. E isso não apenas por se tratar de regra mais benéfica e em virtude
do incontroverso caráter social da legislação previdenciária, o que respaldaria a adoção, pelo
aplicador, de um procedimento hermenêutico alicerçado na sistematicidade e teleologia, ainda
qualificados pela razoabilidade e pela singela lógica do bom-senso. Em outras e singelas
palavras: quando o "legislador" - em verdade, a autoridade estatal que regulamenta a norma -,
disciplina um quantitativo de ruído hábil a refletir a especialidade do labor em nível
significativamente inferior àquele até então vigente, está, na prática, admitindo e reconhecendo
que, "no futuro", quando há inegável incremento das condições de trabalho, inclusive de
segurança, o quantum do agente nocivo necessário a ensejar a atividade especial é inferior ao
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montante que se fazia necessário "no passado". Essa, de fato, a asserção que se extrai diante da
impossibilidade de incidência retroativa da legislação superveniente, não obstante a retificação
do fator mínimo do nível de ruído, de 90 dB, no interstício de 1997 a 2003, para o de 85 dB, a
contar do exercício 2003.
E nessa exata linha de raciocínio, chancelando essa lógica empírica derivada da
singela necessidade de preservação da eficácia dos fatos que integram a realidade da vida, vinha
decidindo este juízo, em plena sintonia com o pacificado entendimento da egrégia Terceira
Seção deste Regional.
Entretanto, o Colegiado, em atenção ao definido pelo egrégio Superior Tribunal de
Justiça e ao basilar primado da segurança jurídica, revisou sua jurisprudência sedimentada para,
agora, adotar o critério definido pelo órgão responsável por dirimir, derradeiramente, a jurídica
controvérsia existente quanto à aplicação da lei infraconstitucional. Dessa forma, quando a prova
acerca do nível de pressão sonora a que em tese submetido o obreiro estiver colacionada aos
autos, por meio de perícia técnica a eles anexada ou, ainda, noticiada no preenchimento dos
respectivos formulários emitidos pelo empregador, a solução jurídica a colorir a situação fática
é essa refletida pelo aresto a seguir transcrito e que bem reflete a citada uníssona jurisprudência
do STJ, verbis:
PREVIDENCIÁRIO. TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. APOSENTADORIA. RUÍDOS
SUPERIORES A 80 DECIBÉIS ATÉ A EDIÇÃO DO DECRETO 2.171/97.
IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA.
1. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou orientação de que é tida por
especial a atividade exercida com exposição a ruídos superiores a 80 decibéis até a
edição do Decreto 2.171/1997. Após essa data, o nível de ruído considerado prejudicial é
o superior a 90 decibéis. Com a entrada em vigor do Decreto 4.882, em 18.11.2003, o
limite de tolerância ao agente físico ruído foi reduzido para 85 decibéis.
2. No entanto, concluiu o Tribunal de origem ser possível a conversão de tempo de
serviço especial em comum, após o Decreto 2.172/1997, mesmo diante do nível de ruído
inferior a 90 decibéis.
Igualmente, levou em conta a aplicação retroativa do Decreto 4.882/2003, por ser mais
benéfico, de modo a atentar para a atividade sujeita a ruídos superiores a 85 decibéis
desde 6.3.1997, data do Decreto 2.172/1997.
3. Assim decidindo, contrariou o entendimento jurisprudencial do STJ no sentido de não
ser possível atribuir retroatividade à norma sem expressa previsão legal, sob pena de
ofensa ao disposto no art. 6º da LICC, notadamente porque o tempo de serviço é regido
pela legislação vigente à época em que efetivamente prestado o labor.
Precedentes do STJ.
4. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1367806/SC, Rel. Ministro HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/05/2013, DJe 03/06/2013 - sem grifos
no original).
Acerca dessa temática, permito-me consignar minha objetiva ressalva de
entendimento no que concerne ao nível do agente físico ruído para que seja o labor sopesado
como especial no interstício de 1997 a 2003. Persisto compreendendo que a retroatividade da
regra superveniente mais benigna é a solução que melhor se apraz à realidade fático-jurídica dos
segurados.
Entretanto, com esse registro, alinho-me ao novel entendimento, o que faço não
apenas no intuito de otimizar a apreciação dos feitos submetidos ao julgamento Colegiado, mas,
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principalmente, visando a acautelar o expressivo risco de causar maior prejuízo ao segurado,
consubstanciado esse em um retardo na apreciação do processo, por exemplo, com a
necessidade de lavratura de voto-divergente, bem como de imprescindível oposição de eventuais
embargos infringentes como mecanismo prévio a ensejar exaurimento de instância, pressuposto
exigido para subsequente apresentação de recursos excepcionais. Como neste momento o novel
entendimento está cristalizado, nesta instância e perante o egrégio STJ, a ausência de ressalva
implicaria malferimento aos princípios da celeridade e da eficiência da prestação jurisdicional.
Logo, visualizando que a perspectiva de êxito quanto à tese até então nesta instância albergada,
dar-se-á perante os tribunais superiores, a adoção, com ressalva, da atual jurisprudência, é
medida que se impõe, porque menor ônus processual acarretará aos beneficiários da Previdência
Social que litigam quanto a essa questão.
Com relação ao agente nocivo hidrocarbonetos (e outros compostos de carbono),
o Quadro Anexo do Decreto nº 53.831, de 25/03/1964, o Anexo I do Decreto nº 83.080, de
24/01/1979, e o Anexo IV do Decreto nº 2.172, de 05/03/1997, cuidando de detalhar os
critérios para efeitos de concessão da aposentadoria especial aos 25 anos de serviço,
consideravam insalubres as atividades expostas a poeiras, gases, vapores, neblinas e fumos de
derivados do carbono nas operações executadas com derivados tóxicos do carbono, em que o
segurado ficava sujeito habitual e permanentemente (Códigos 1.2.11, 1.2.10; 1.0.3, 1.0.17 e
1.0.19, na devida ordem).
A atividade de Eletricitário constava como perigosa no Código 1.1.8 do Quadro
Anexo do Decreto nº 53.831, de 25.03.1964, envolvendo as operações em locais com
eletricidade em condições de perigo de vida; trabalhos permanentes em instalações ou
equipamentos elétricos com risco de acidentes, pelos eletricistas, cabistas, montadores, dentre
outros, cuja jornada normal ou especial fixada em lei para os serviços expostos a tensão
superior a 250 volts, caracterizando, dessa forma, a especialidade do trabalho. Já os Decretos nº
83.080, de 24.01.1979, e nº 2.172, de 05.03.1997, não trouxeram tal descrição.
Após a promulgação do Decreto nº 53.831, de 1964, entretanto, foram editadas
normas disciplinadoras da questão da periculosidade para os empregados do setor de energia
elétrica, cabendo distinguir a lei nº 7.369, de 20.09.1985, regulamentada pelo Decreto nº
99.212, de 26.12.1985, o qual foi revogado de forma expressa pelo Decreto nº 93.412, de
14.10.1986, estando em pleno vigor aquela e este último. Por seu turno. O art. 2º do Decreto nº
93.412, de 14.10.1986, preconiza o direito à percepção do Adicional de Periculosidade
independentemente do cargo e categoria ocupados ou do ramo da empresa, condicionando a sua
incidência à permanência habitual em área de risco.
Por decorrência, mesmo que para outro efeito jurídico (pagamento do respectivo
adicional), devem ser observados os critérios técnicos insertos por essas normas, as quais
conferem caráter especial de perigo à atividade dos trabalhadores do setor de energia elétrica e
possibilitam a aposentadoria aos 25 anos de trabalho, porquanto tais pressupostos permitem a
configuração de tais funções como perigosas, ainda que a atividade exercida não conste de
forma expressa nos Decretos nº 53.831, de 1964, nº 83.080, de 1979 e nº 2.172, de 1997, até
mesmo, porque a periculosidade não se encontra presente apenas nas empresas geradoras e
distribuidoras de energia elétrica, mas, também, naqueles estabelecimentos onde o risco de
exposição, aos efeitos da eletricidade, estão presentes. Diga-se, a propósito, que o próprio
Decreto nº 93.412, de 1986, descreve como suscetível de gerar direito à percepção do
Adicional de Periculosidade a manutenção de fontes de alimentação de sistemas de
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comunicação.
Além disso, ao tempo da edição do Decreto nº 2.172, de 1997, publicado em
06.03.1997, já havia a legislação acima mencionada a normatizar a matéria, plenamente em
vigor, motivo pelo qual não seria de boa técnica legislativa que o legislador novamente inserisse
a questão da eletricidade como agente nocivo em outro ou nesse texto legal. Vale enfatizar,
ainda que a lista das atividades mencionadas no Decreto nº 53.831, de 1964, não é taxativa,
como se pode verificar do emprego da expressão "eletricistas, cabistas, montadores e
outros".
Por conseguinte, em relação a este tema, devem ser aplicados, de forma integrada,
o disposto no Decreto nº 53.831, de 1964 (Código 1.1.8) e na Lei nº 7.369, de 1985
(regulamentada pelo Decreto nº 93.412, de 1986) até 05.03.1997, e essa norma e o seu
regulamento para o tempo laborado, com comprovada sujeição à eletricidade, posterior a
06.03.1997.
Nem mesmo se pode exigir, nos casos de exposição a agentes de alta tensão, o
requisito da permanência, já que o tempo de exposição não é o fator condicionante para que
ocorra um acidente ou choque elétrico, tendo em vista a presença constante do risco potencial,
não restando desnaturada a especialidade da atividade pelos intervalos sem perigo direito.
CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS DO USO DE EPI OU EPC
Outrossim, no que respeita ao uso de equipamento de proteção individual ou
coletiva pelo segurado para a neutralização dos agentes agressivos, e, em consequência, a
descaracterização do labor em condições especiais, tem-se entendido que esses dispositivos
não são suficientes para descaracterizar a especialidade da atividade.
Vejamos.
A legislação do trabalho prevê a utilização de equipamentos de proteção
individuais e coletivos, os quais visam exatamente a evitar o risco de acidentes ou de doenças
profissionais ou do trabalho. Neste ponto, oportuna a transcrição dos artigos 190 e 191 da CLT
(Redação da Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1994) que assim dispõem:
Art. 190. O Ministério do Trabalho aprovará o quadro das atividades e operações
insalubres e adotará normas sobre os critérios de caracterização da insalubridade, os
limites de tolerância aos agentes agressivos, meios de proteção e o tempo máximo de
exposição do empregado a esse agentes.
Parágrafo único. As normas referidas neste artigo incluirão medidas de proteção do
organismo do trabalhador nas operações que produzem aerodispersóides tóxicos,
irritantes, alergênicos ou incômodos.
Art. 191. A eliminação ou a neutralização da insalubridade ocorrerá:
I - com a adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de
tolerância;
II - com a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que
diminuam a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância.
Parágrafo único. Caberá as Delegacias Regionais do Trabalho, comprovada a
insalubridade, notificar as empresas, estipulando prazos para a sua eliminação ou
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neutralização, na forma deste artigo.
O ordenamento jurídico deve ser entendido como um sistema de normas não-
contraditórias e que devem ser harmonizadas pelo intérprete, no intuito de se obter soluções
igualitárias. Assim, quando ocorre de ramos distintos do Direito (como o Direito
Previdenciário e o Direito do Trabalho) lidarem com a mesma problemática, deve o aplicador do
direito enfrentar a questão da influência recíproca no tratamento legislativo dos temas e das
soluções.
Há de se entender, portanto, que se o Direito do Trabalho preconiza a
neutralização da insalubridade, tendo esta (a neutralização) por caracterizada quando adotadas
medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância, ou ainda
quando houver a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que diminuam
a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância, não há razão para não se aceitar isso no
âmbito do Direito Previdenciário.
Isso, a propósito, está consagrado no artigo 151 da Instrução Normativa INSS/DC
nº 57, de 10.10.01:
Art. 151. A utilização de EPI ou de EPC, por si só, não descaracteriza o enquadramento
da atividade.
§ 1º Não caberá o enquadramento da atividade como especial, se, independentemente da
data de emissão, constar do laudo técnico, e a perícia do INSS, observado o disposto no
artigo 173 desta Instrução, confirmar, que o uso de EPI ou de EPC atenua, reduz ou
neutraliza a nocividade do agente a limites legais de tolerância. (...)
Não se pode perder de vista, todavia, que sob a égide da Ordem de Serviço
INSS/DSS nº 564, de 9 de maio de 1997 a situação era diversa. Estatuía seu item 12.2.5:
12.2.5. O uso de Equipamento de Proteção Individual - EPI não descaracteriza o
enquadramento da atividade sujeita a agentes agressivos à saúde ou à integridade
física.
A Ordem de Serviço INSS/DSS nº 564/97 somente foi revogada pela Ordem de
Serviço nº 600, de 02 de junho de 1998 (item 7). Esta OS (a 600), já passou a considerar que o
uso de EPI poderia afastar a caracterização da atividade especial (item 2.2.8.1). O que se
percebe é que o INSS aceitava até junho de 1998 como tempo especial (e com certeza concedeu
benefícios em tais condições) a atividade sujeita agentes nocivos, mesmo com o uso de EPI.
Não se pode agora dar tratamento diferenciado a segurado somente porque efetuou
requerimento após a revogação da OS 564/97. É a aplicação do princípio tempus regit actum.
Aliás, quanto ao uso de EPI's, mostra-se pacífico o entendimento deste Tribunal
(AC nº 2002.71.02.000135-7/RS, Turma Suplementar, Rel. Juíza Federal Luciane Amaral
Corrêa Münch, DJU 28/3/2007) e, também, do Colendo Superior Tribunal de Justiça (REsp nº
462.858/RS, Relator Ministro Paulo Medina, Sexta Turma, DJU de 08-05-2003), no sentido de
que os equipamentos de proteção não são suficientes para descaracterizar a especialidade da
atividade, a não ser que comprovada a sua real efetividade, por meio de perícia técnica
especializada, e desde que devidamente demonstrado o uso permanente pelo empregado, durante
a jornada de trabalho. Nesse sentido:
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PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. TEMPO DE SERVIÇO JÁ AVERBADO PELO
INSS. CARÊNCIA DE AÇÃO. CONVERSÃO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE
SERVIÇO EM ESPECIAL. MAJORAÇÃO DA APOSENTADORIA POR TEMPO DE
SERVIÇO. ATIVIDADE ESPECIAL. CONVERSÃO PARA TEMPO COMUM. LEI N.
9.711/98. DECRETO N. 3.048/99. EPI. (...)
6. Os equipamentos de proteção individual não são suficientes para descaracterizar a
especialidade da atividade exercida, porquanto não comprovada a sua real efetividade
por meio de perícia técnica especializada e não demonstrado o uso permanente pelo
empregado durante a jornada de trabalho.
7. É devida a revisão da aposentadoria por tempo de serviço proporcional em integral,
se comprovado o tempo de serviço exigido pela legislação previdenciária. (TRF4,
APELREEX 2007.71.00.003962-6, Sexta Turma, Relator Celso Kipper, D.E. 15/12/2009).
Assim, é de se considerar que, somente, para as atividades exercidas após 02
de junho de 1998, não caberá o enquadramento, como especial, se constar do laudo
técnico que o uso de EPI ou de EPC atenua, reduz ou neutraliza a nocividade do agente
nocivo a limites legais de tolerância.
Vale enfatizar, ainda, que, não raro, o segurado que exerce atividades consideradas
nocivas à saúde, acaba passando por períodos nos quais recebe auxílio-doença. Há uma vida
discussão jurisprudencial e doutrinária a respeito da possibilidade de se considerar os referidos
intervalos de benefícios por incapacidade como tempo qualificado para fins da contagem do
tempo total. Apesar do silêncio da Lei nº 8.213/91, dispunha o artigo 63 do Decreto nº
2.172/97:
Art. 63. Considera-se tempo de trabalho, para efeito desta Subseção, os períodos
correspondentes ao exercício de atividade permanente e habitual (não ocasional nem
intermitente), durante a jornada integral, em cada vínculo trabalhista, sujeito a condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, inclusive férias, licença
médica e auxílio-doença decorrente do exercício dessas atividades.
Outrossim, o Decreto nº 3.048/99, atual Regulamento da Previdência Social, em
seu artigo 65, seja no texto original, seja na redação dada pelo Decreto nº 4.882/03:
Art. 65. Considera-se tempo de trabalho, para efeito desta Subseção, os períodos
correspondentes ao exercício de atividade permanente e habitual (não ocasional nem
intermitente), durante a jornada integral, em cada vínculo trabalhista, sujeito a condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, inclusive férias, licença
médica e auxílio doença decorrente do exercício dessas atividades.
(...)
Art. 65. Considera-se trabalho permanente, para efeito desta Subseção, aquele que é
exercido de forma não ocasional nem intermitente, no qual a exposição do empregado,
do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção
do bem ou da prestação do serviço.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput aos períodos de descanso determinados
pela legislação trabalhista, inclusive férias, aos de afastamento decorrentes de gozo de
benefícios de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez acidentários, bem como aos
de percepção de salário-maternidade, desde que, à data do afastamento, o segurado
estivesse exercendo atividade considerada especial
Analisando os regulamentos acima, não há dúvidas de que o tempo em que o
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segurado permanece em gozo de auxílio-doença deve ser considerado como tempo de serviço
especial, nos exatos termos em que o é a atividade exercida por ele até o início do benefício.
Nesse sentido:
PREVIDENCIÁRIO. ATIVIDADE RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL
CORROBORADO POR TESTEMUNHAS. CONTAGEM A PARTIR DOS 12 ANOS.
ESPECIALIDADE NÃO COMPROVADA. CÔMPUTO DOS PERÍODOS EM GOZO DE
AUXÍLIO-DOENÇA COMO TEMPO DE SERVIÇO COMUM. CARÊNCIA
PREENCHIDA. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO.
1. O tempo de serviço rural para fins previdenciários, a partir dos 12 anos, pode ser
demonstrado através de início de prova material, desde que complementado por prova
testemunhal idônea. Precedentes da Terceira Seção desta Corte e do egrégio STJ. 2.
Uma vez exercida atividade enquadrável como especial, sob a égide da legislação que a
ampara, o segurado adquire o direito ao reconhecimento como tal e ao acréscimo
decorrente da sua conversão em comum. 4. O período em que o segurado esteve no gozo
de benefício de auxílio-doença será computado para fins de aposentadoria especial
quando a incapacidade decorre do exercício da própria atividade especial. Não
comprovada a especialidade do tempo de serviço, não se pode considerar como tempo
especial o período em gozo de auxílio-doença. 5. Se o segurado implementar os requisitos
para a obtenção de aposentadoria pelas regras anteriores à Emenda Constitucional nº
20/98, pelas Regras de Transição (art. 9º da mencionada Emenda) e pelas Regras
Permanentes (art. 201, § 7 º da CF e 56 e ss. do Decreto nº 3048/99), poderá inativar-se
pela opção que lhe for mais vantajosa. 6. Limitar o tempo em 16-12-98 constituiria um
minus em relação ao pedido veiculado na inicial, se este pretende o cômputo de todo o
período laborado até a data do requerimento administrativo.
(AC 200304010486113, 6ª Turma, Rel. Des. João Batista Pinto Silveira, D.E.
06/07/2007).
REVISÃO DE RMI EM APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. ATIVIDADE
ESPECIAL. CONVERSÃO DE PERÍODO EM GOZO DE AUXÍLIO-DOENÇA COMO
TEMPO DE SERVIÇO COMUM. EC20/98.
1. O período em que o segurado esteve no gozo de benefício de auxílio-doença será
computado para fins de aposentadoria especial apenas quando a incapacidade decorre
do exercício da própria atividade especial. Não comprovada a relação entre a
enfermidade e a fruição do benefício, não se pode considerar como tempo especial o
período em gozo de auxílio-doença. 2. Comprovado o exercício de atividades em
condições especiais, em parte do período controverso, e devidamente convertidos pelo
fator 1,40, tem o autor direito à revisão do valor do benefício de aposentadoria por
tempo de serviço, a contar da data do requerimento administrativo.
(APELREEX 200472010428501, Turma Suplementar, Rel. Des. Luís Alberto D"Azevedo
Aurvalle, D.E. 26/10/2009).
No tocante a necessidade de afastamento do segurado, após a concessão do
benefício, de qualquer atividade sujeita a contagem especial, cabe mencionar que a Corte
Especial deste Tribunal, em julgamento realizado em 24/05/2012, afirmou a
inconstitucionalidade do § 8º do artigo 57 da Lei 8.213/91, em acórdão assim ementado:
PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUCIONAL. ARGUIÇÃO DE INCONSTUCIONALIDADE. §
8º DO ARTIGO 57 DA LEI Nº 8.213/91. APOSENTADORIA ESPECIAL. VEDAÇÃO DE
PERCEPÇÃO POR TRABALHADOR QUE CONTINUA NA ATIVA, DESEMPENHANDO
ATIVIDADE EM CONDIÇÕES ESPECIAIS.
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1. Comprovado o exercício de atividade especial por mais de 25 anos, o segurado faz jus
à concessão da aposentadoria especial, nos termos do artigo 57 e § 1º da Lei 8.213, de
24-07-1991, observado, ainda, o disposto no art. 18, I, "d" c/c 29, II, da LB, a contar da
data do requerimento administrativo.
2. O § 8º do artigo 57 da Lei nº 8.213/91 veda a percepção de aposentadoria especial
por parte do trabalhador que continuar exercendo atividade especial.
3. A restrição à continuidade do desempenho da atividade por parte do trabalhador que
obtém aposentadoria especial cerceia, sem que haja autorização constitucional para
tanto (pois a constituição somente permite restrição relacionada à qualificação
profissional), o desempenho de atividade profissional, e veda o acesso à previdência
social ao segurado que implementou os requisitos estabelecidos na legislação de
regência.
4. A regra em questão não possui caráter protetivo, pois não veda o trabalho especial,
ou mesmo sua continuidade, impedindo apenas o pagamento da aposentadoria. Nada
obsta que o segurado permaneça trabalhando em atividades que impliquem exposição a
agentes nocivos sem requerer aposentadoria especial; ou que aguarde para se
aposentar por tempo de contribuição, a fim de poder cumular o benefício com a
remuneração da atividade, caso mantenha o vínculo; como nada impede que se
aposentando sem a consideração do tempo especial, peça, quando do afastamento
definitivo do trabalho, a conversão da aposentadoria por tempo de contribuição em
aposentadoria especial. A regra, portanto, não tem por escopo a proteção do
trabalhador, ostentando mero caráter fiscal e cerceando de forma indevida o
desempenho de atividade profissional.
4. A interpretação conforme a constituição não tem cabimento quando conduz a
entendimento que contrarie sentido expresso da lei.
5. Reconhecimento da inconstitucionalidade do § 8º do artigo 57 da Lei nº 8.213/91.
(Arguição De Inconstitucionalidade 5001401-77.2012.404.0000, Rel. Des. Federal
Ricardo Teixeira Do Valle Pereira).
Dessa forma, sempre que verificado, pelo julgado, que restam cumpridas as
exigências do artigo 57 da Lei nº 8.213/91, deve o INSS conceder o benefício ao segurado,
independente do afastamento do trabalho. A respeito desta modalidade de aposentadoria, dispõe
o referido art. 57 da Lei de Benefícios (com a redação dada pela Lei nº 9.032/1995), que:
Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida
nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte
e cinco) anos, conforme dispuser a lei.
(...).
§3º. A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado,
perante o Instituto nacional do Seguro Social - INSS do tempo de trabalho permanente,
não ocasional, nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física, durante o período mínimo fixado.
§4º. O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes
nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à
integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício.
(...)
Nesse contexto, cumprida a carência e, possuindo mais de 25 anos de tempo em
condições especiais, o segurado terá direito à concessão do benefício de aposentadoria
especial, com renda mensal inicial (RMI) correspondente a 100% do salário-de-benefício, a
contar da DER (data da entrada do requerimento administrativo), nos termos do art. 57 e §1º da
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Lei nº 8.213/1991 e alterações, observado, ainda, o disposto no art. 18, caput e inciso I, alínea
d,combinado ao art. 29, caput e inciso II da Lei de Benefícios, sem a aplicação do fator
previdenciário na RMI.
FATOR DE CONVERSÃO
Quanto ao fator de conversão deve ser observada a relação existente entre os anos
de trabalho exigidos para a aposentadoria por tempo de serviço ou de contribuição na data do
implemento das condições, e os anos exigidos para a obtenção da aposentadoria especial (15, 20
ou 25 anos de tempo de atividade, conforme o caso).
Em se tratando de benefício que a ser deferido a segurado que implementou as
condições já na vigência da Lei nº 8.213/91, como sabido, a concessão do benefício depende da
comprovação de 35 anos de tempo de serviço ou de contribuição, se homem, e 30 anos, se
mulher. Nesse contexto, a relação a ser feita para a obtenção do fator aplicável para a conversão
do tempo de serviço especial para comum, quando se trata de enquadramento que justifica
aposentadoria aos 25 anos de atividade, é de 25 anos para 35, se homem, e 25 anos para 30, se
mulher, resultando, assim, num multiplicador de 1,4 para aquele e 1,2 para esta.
Note-se que não há qualquer contradição entre este entendimento e aquele acima
externado, no sentido de que o reconhecimento da atividade especial deve observar a disciplina
da lei em vigor à época em que exercido o trabalho. É que prestado o serviço sob a égide de
legislação que o qualifica como especial, o segurado adquire o direito à consideração como tal
até quando possível a conversão. A conversão, todavia, só pode ser disciplinada pela lei vigente à
data em que implementados todos os requisitos para a concessão do benefício. Não se pode
confundir critério para reconhecimento de especialidade com critério para concessão de
benefício, aí incluídas a possibilidade e a sistemática de conversão de tempo especial pretérito.
Assim, estabelecidas as premissas acima, não há se falar, para benefício deferido
já sob a égide da Lei 8.213/91, em incidência do artigo 60 do Decreto 83.080/79, no que toca
aos fatores de conversão. Note-se que o Decreto 3.048/99, em seu artigo 70, assim estabelece:
Art.70. A conversão de tempo de atividade sob condições especiais em tempo de
atividade comum dar-se-á de acordo com a seguinte tabela: (modificado pelo Decreto nº
4.827 - de 3 de Setembro de 2003)
Tempo a converter Mulher (para trinta) Homem (para trinta e cinco)
De 15 anos 2,00 2,33
De 20 anos 1,50 1,75
De 25 anos 1,20 1,40
§1º A caracterização e a comprovação do tempo de atividade sob condições especiais
obedecerá ao disposto na legislação em vigor na época da prestação do serviço.
(Incluído pelo Decreto nº 4.827 - de 3 de setembro de 2003)
§2º As regras de conversão de tempo de atividade sob condições especiais em tempo de
atividade comum constantes deste artigo aplicam-se ao trabalho prestado em qualquer
período. (incluído pelo Decreto nº 4.827 - de 3 de setembro de 2003) (destaquei)
Como se percebe, o próprio Regulamento da Previdência Social determina, quanto
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ao homem, a utilização do fator 1,40 para a conversão do tempo especial sob regime de 25 anos,
independentemente da data em que desempenhada a atividade.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À
APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO/CONTRIBUIÇÃO, TOTALIZAÇÃO DO
TEMPO E VERIFICAÇÃO DO DIREITO AO BENEFÍCIO
Direito adquirido à aposentadoria por tempo de serviço antes da data da
publicação da EC 20/98 (16/12/98)
A Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98, que representou um marco divisor
nas regras para a concessão de aposentadoria por tempo de serviço, expressamente garantiu, em
seu artigo 3º (guardando sintonia com o artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal), o
direito adquirido à concessão do referido benefício, a qualquer tempo, aos segurados que até a
data de sua publicação (16-12-98) tenham cumprido todos os seus requisitos, com base nos
critérios da legislação então vigente.
Desta forma, preenchidos os requisitos até 16/12/98, deve ser observada a
legislação então vigente, em especial os artigos 29, caput, (na redação anterior à Lei 9.876/99),
52 a 56 (ambos atualmente prejudicados em face da nova redação dada ao § 7º do Art. 201 da
CF, pelo Art. 1º da EC 20/98) da Lei nº 8.213/91.
Registre-se que direito adquirido pressupõe preenchimento de todas as condições
para a fruição de um direito. Ademais, por força do princípio tempus regit actum resta claro que
o tempo de serviço/contribuição posterior à emenda não está mais sob a égide do regramento
anterior, submetendo-se à nova ordem, mesmo porque não há direito adquirido a regime
jurídico. Assim, se o segurado quer agregar tempo posterior à Emenda nº 20/98, não pode
pretender a incidência da legislação anterior ao referido normativo, pois estaria neste caso se
valendo de regime híbrido, com aproveitamento das novas regras sem que observadas as
restrições por elas trazidas. Se o segurado já tem tempo suficiente para a aposentadoria antes da
publicação da EC nº 20/98, pode exercer o direito sem problema algum. Neste caso, todavia,
somente pode ser computado o tempo de serviço/contribuição apurado até referido limite
temporal. Adquire-se o direito à aposentadoria após o advento da EC nº 20/98, ou se pretende
agregar tempo posterior a tal marco, deve necessariamente submeter-se integralmente ao novo
ordenamento, observadas as regras de transição.
Assim, utilizado somente tempo de serviço até 16/12/98 esses são os
critérios a serem observados para a concessão de aposentadoria por tempo de serviço:
- o segurado tem que comprovar no mínimo 25 anos de tempo de serviço, se
mulher, e 30, se homem;
- deve ser cumprida a carência de acordo com a tabela do artigo 142 da Lei
8.213/91;
- a renda mensal inicial da aposentadoria terá coeficiente básico de 70% do
salário-de-benefício, acrescido de 6% por ano adicional de tempo de serviço, até o limite de
100%;
- o salário-de-benefício será apurado com base na média de todos os últimos
salários-de-contribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou
da data da entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), em período não superior
a 48 (quarenta e oito) meses.
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
http://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&documento=6195690&termosPesquisados=poeira%20de%20algodao 17/26
(- não há idade mínima para a obtenção do benefício)
(- não há necessidade de cumprimento de pedágio)
(- não há incidência do fator previdenciário)
Direito adquirido à aposentadoria proporcional por tempo de contribuição
com cômputo de tempo posterior a 16/12/98 (EC nº 20/98), mas limitado a 28/11/99 (Lei
9.876/99)
Como já afirmado, com o advento da EC nº 20/98, de 15/12/98, ocorreram
profundas modificações no que concerne à aposentadoria por tempo de serviço, a qual passou a
se denominar aposentadoria por tempo de contribuição, permitida tão-somente pelas novas
regras na forma integral, aos 35/30 (homem/mulher) anos de contribuição, sem exigência de
idade mínima. Foi extinta, pois, a aposentadoria proporcional.
Não obstante, além de ter resguardado o direito adquirido com base no tempo
apurado até 16/12/98, como já esclarecido acima, previu a aludida Emenda em seu artigo 9º
regras de transição para aqueles filiados ao RGPS até 16/12/98 (data da publicação).
Assim, ficou assegurada transitoriamente aposentadoria por tempo de
contribuição proporcional aos já filiados ao RGPS, desde que implementada uma idade mínima
(53 anos se homem e 48 anos se mulher) e cumprido um período adicional de 40% sobre o
tempo que faltava, em 16/12/98, para completar 30 ou 25 anos de tempo de serviço (período
este conhecido como "pedágio"). Da mesma forma, estabeleceu a regra de transição que o
acréscimo por ano de contribuição passaria a ser de 5%, e não de 6%.
Por outro lado, dispondo sobre a transição do regime de tempo de serviço para
tempo de contribuição, estabeleceu o artigo 4º da EC 20/98 que o tempo de serviço prestado
nos termos da legislação até então vigente deverá ser contado como tempo de contribuição.
A Lei nº 9.876/99, de 26/11/99, publicada em 29/11/99, também interferiu nas
regras para a concessão de aposentadoria por tempo de contribuição, alterando dispositivos da
Lei 8.213/91, interessando-nos em especial a alteração promovida no artigo 29 da citada Lei de
Benefícios. Por força da alteração promovida pela Lei 9.876/99, o período básico de cálculo
(PCB) passou a abranger todos os salários-de-contribuição, e não mais apenas os últimos 36,
tendo ainda sido introduzido no cálculo da renda mensal inicial o Fator Previdenciário. Foi
assegurado pela Lei 9.876/99, em seu artigo 6º, todavia, o direito adquirido à aposentadoria por
tempo de contribuição segundo as regras vigentes até o dia anterior à sua publicação (28/11/99).
Ressalte-se que computado tempo posterior a 28/11/99 não se cogita de não-
aplicação da Lei 9.876/99, pois, como já esclarecido anteriormente, observado o
princípio tempus regit actum, o tempo de serviço/contribuição posterior à alteração
legislativa é apanhado pelo novo regramento.
Desta forma, podemos estabelecer os seguintes critérios para os benefícios
de aposentadoria proporcional deferidos com agregação de tempo posterior a 16/12/98,
mas limitado o cômputo 28/11/99:
- o segurado tem que comprovar no mínimo 25 anos de tempo de serviço, se
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
http://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&documento=6195690&termosPesquisados=poeira%20de%20algodao 18/26
mulher, e 30, se homem;
- deve ser cumprida a carência de acordo com a tabela do artigo 142 da Lei
8.213/91;
- a renda mensal inicial da aposentadoria terá coeficiente básico de 70% do
salário-de-benefício, acrescido 5% a cada ano de contribuição além de 25 ou 30, conforme o
caso, respeitado o limite de 100%.
- o salário-de-benefício será apurado com base na média de todos os últimos
salários-de-contribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou
da data da entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), em período não superior
a 48 (quarenta e oito) meses.
- o segurado deve ter no mínimo 53 anos de idade se homem 48 anos de idade se
mulher;
- deve ser cumprido um período adicional de 40% sobre o tempo que faltava, em
16-12-98, para completar 30 ou 25 anos de tempo de serviço (período este conhecido como
"pedágio");
(- não há incidência do fator previdenciário.)
Direito adquirido à aposentadoria integral com cômputo de tempo
posterior a 16/12/98 (EC nº 20/98), mas limitado a 28/11/99 (Lei 9.876/99)
O art. 9º da EC 20/98 também estabeleceu regras de transição para a aposentadoria
integral (idade mínima e pedágio de 20%). Ocorre que a idade mínima para aposentadoria no
regime geral, que constava no projeto de emenda constitucional não foi aprovada pelo
Congresso Nacional na mesma ocasião, de modo que prejudicadas as disposições transitórias
atinentes a esta modalidade, como aliás reconhecido pelo próprio INSS na Instrução Normativa
INSS/DC nº 57/2001, e nas que lhe sucederam.
Assim, no caso de aposentadoria integral com cômputo de tempo posterior a
16/12/98 (EC nº 20/98), mas limitado a 28/11/99 (Lei 9.876/99), irrelevantes os critérios
estabelecidos na regra constitucional de transição.
Consigne-se que computado tempo posterior a 28/11/99 não se cogita de não-
aplicação da Lei 9.876/99, pois, volta-se a frisar, observado o princípio tempus regit actum, o
tempo de serviço/contribuição posterior à alteração legislativa é apanhado pelo novo
regramento.
Desta forma, podemos estabelecer os seguintes critérios para os benefícios
de aposentadoria integral deferidos com agregação de tempo posterior a 16/12/98, mas
limitado o cômputo até 28/11/99:
- comprovação de 35 anos de contribuição, se homem, ou 30 anos de
contribuição, se mulher;
- deve ser cumprida a carência de acordo com a tabela do artigo 142 da Lei
8.213/91;
- a renda mensal inicial corresponderá a 100% do salário-de-benefício;
- o salário-de-benefício será apurado com base na média de todos os últimos
salários-de-contribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou
da data da entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), em período não superior
a 48 (quarenta e oito) meses.
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
http://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&documento=6195690&termosPesquisados=poeira%20de%20algodao 19/26
(- não há idade mínima para a obtenção do benefício)
(- não há necessidade de cumprimento de pedágio)
(- não há incidência do fator previdenciário)
Direito adquirido à aposentadoria proporcional por tempo de contribuição
com cômputo de tempo posterior a 28/11/99 (Lei 9.876/99)
Adquirido o direito à aposentadoria proporcional por tempo de contribuição após
o advento da EC 20/98 e da Lei 9.876/99, os critérios previstos nos referidos Diplomas deverão
ser respeitados, observadas as concessões das respectivas regras de transição.
As regras de transição da EC 20/98 já foram esclarecidas. Quanto à Lei 9.876/99,
ela estabeleceu, em seu artigo 3º, que para o segurado filiado à Previdência Social até o dia
anterior à data de sua publicação (28/11/99), no cálculo do salário-de-benefício será
considerada a média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição, correspondentes
a, no mínimo, oitenta por cento de todo o período contributivo decorrido desde a competência
julho de 1994, observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 29 da Lei nº 8.213, de
1991, com a redação dada por esta Lei, e que o divisor considerado no cálculo da média não
poderá ser inferior a sessenta por cento do período decorrido da competência julho de 1994 até
a data de início do benefício, limitado a cem por cento de todo o período contributivo.
Assim, no caso de aposentadoria proporcional por tempo de contribuição a
ser deferida com cômputo de tempo posterior à Lei 9.876, de 26/11/99, devem ser
observados os seguintes critérios:
- o segurado tem que comprovar no mínimo 25 anos de contribuição, se mulher, e
30, se homem;
- deve ser cumprida a carência de acordo com a tabela do artigo 142 da Lei
8.213/91;
- a renda mensal inicial da aposentadoria terá coeficiente básico de 70% do
salário-de-benefício, acrescido de 5% a cada ano de contribuição além de 25 ou 30, conforme o
caso.
- o salário-de-benefício será apurado com base na média aritmética simples dos
maiores salários-de-contribuição, correspondentes a, no mínimo, oitenta por cento de todo o
período contributivo decorrido desde a competência julho de 1994, sendo que o divisor
considerado no cálculo da média não poderá ser inferior a sessenta por cento do período
decorrido da competência julho de 1994 até a data de início do benefício, limitado a cem por
cento de todo o período contributivo.
- o segurado deve ter no mínimo 53 anos de idade se homem 48 anos de idade se
mulher;
- deve ser cumprido um período adicional de 40% sobre o tempo que faltava, em
16-12-98, para completar 30 ou 25 anos de tempo de serviço (período este conhecido como
"pedágio");
- há incidência do Fator Previdenciário.
Direito à aposentadoria integral com cômputo de tempo posterior a
28/11/99 (Lei 9.876/99)
Implementados os requisitos para a obtenção da aposentadoria por tempo de
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
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contribuição integral após o advento da EC 20/98 e da Lei 9.876/99, as regras dos referidos
Diplomas deverão ser respeitadas.
Para a aposentadoria integral por tempo de contribuição, como já esclarecido, a
regra de transição da EC 20/98 (art. 9º) não tem aplicação, eis que não foi instituída idade
mínima para esta modalidade de benefício. Deverá ser observada, todavia, para os segurados
filiados à Previdência Social até o dia anterior à data de publicação da Lei 9.876/99 (28.11.99),
a regra de transição prevista no seu artigo 3º, segundo a qual no cálculo do salário-de-benefício
será considerada a média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição,
correspondentes a, no mínimo, oitenta por cento de todo o período contributivo decorrido
desde a competência julho de 1994, observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 29
da Lei nº 8.213, de 1991, com a redação dada por esta Lei, e que o divisor considerado no
cálculo da média não poderá ser inferior a sessenta por cento do período decorrido da
competência julho de 1994 até a data de início do benefício, limitado a cem por cento de todo o
período contributivo.
Registre-se que para os segurados filiados após 28/11/99 não se aplica a regra de
transição do art. 3º da Lei 9.876/99 (que trata do período básico de cálculo). Trata-se, todavia,
de hipótese que no momento não tem interesse prático, eis que só se aplicará para
aposentadorias por tempo de contribuição deferidas em futuro ainda distante.
Assim, esses são atualmente os critérios para o deferimento de
aposentadoria integral por tempo de contribuição com o cômputo de tempo posterior à
Lei 9.876/99:
- comprovação de 35 anos de contribuição, se homem, ou 30 anos de
contribuição, se mulher;
- deve ser cumprida a carência de acordo com a tabela do artigo 142 da Lei
8.213/91;
- a renda mensal inicial corresponderá a 100% do salário-de-benefício;
- o salário-de-benefício será apurado com base na média aritmética simples dos
maiores salários-de-contribuição, correspondentes a, no mínimo, oitenta por cento de todo o
período contributivo decorrido desde a competência julho de 1994, sendo que o divisor
considerado no cálculo da média não poderá ser inferior a sessenta por cento do período
decorrido da competência julho de 1994 até a data de início do benefício, limitado a cem por
cento de todo o período contributivo;
- há incidência do Fator Previdenciário;
(- não há idade mínima para a obtenção do benefício)
(- não há necessidade de cumprimento de pedágio.)".
Vale enfatizar que, em se tratando de aposentadoria por tempo de serviço
especial, desde que cumprida a carência e, possuindo o segurado mais de 25 (vinte e cinco)
anos de tempo de serviço laborado sob condições especiais, este terá direito à concessão do
benefício de aposentadoria especial, com renda mensal inicial (RMI) correspondente a 100%
do salário-de-benefício, a contar da DER (data da entrada do requerimento administrativo), nos
termos do art. 57 e §1º da Lei nº 8.213/1991 e alterações, observado, ainda, o disposto no art.
18, caput e inciso I, alínea d,combinado ao art. 29, caput e inciso II da Lei de Benefícios, sem
a aplicação do fator previdenciário na RMI.
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
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ANÁLISE DO CASO CONCRETO
Para melhor análise da prova da natureza das atividades desenvolvidas pela parte
autora, peço vênia para transcrever, novamente, breve excerto da sentença, verbis:
O autor requer na inicial (evento 1, INIC1):
' e) O reconhecimento da atividade especial de 02/01/1973 à 29/07/1977, determinando
a conversão do tempo especial em comum utilizando o fator 1,4;
f) Seja determinado ao requerido que efetue a REVISÃO da Aposentadoria por Tempo de
Contribuição NB 42/116.564.740-8-0, levando e conta o requerimento da alínea 'e' e
considerando para fins de fixação da melhor RMI, o tempo de contribuição até a
Emenda Constitucional 20/98, até a Lei 9.876/99 e até a DER em 23/02/2000, para ao
final, majorar a RMI/RMA do requerente;
g) A condenação do requerido ao pagamento das parcelas vencidas desde a DPR em
13/04/2006, todas corrigidas pelo IGP-DI, além da incidência de juros de mora, fixados
em 12% (doze por cento) ao ano, a contar da citação e honorários advocatícios fixados
em 20% (vinte por cento), nos casos estabelecidos na Lei n.º 10/259/01.'
E afirmou que no período supra citado, trabalhou na empresa já extinta Alfons Grahl,
exercendo a função de torneiro mecânico, onde esteve exposto a ruído e a agentes
químicos (hidrocarbonetos - graxas e óleos - e fumos metálicos - poeira e fumaça de
esmerilho).
Ou seja, o autor requer o reconhecimento da atividade especial no período supra citado,
e, com o reconhecimento deste período e sua conversão em tempo comum, pretende a
revisão de seu benefício de de Aposentadoria por Tempo de Contribuição (NB
42/116.564.740-8) desde 13/04/2006 (data do pedido de revisão administrativa).
(...)
O autor acostou Formulário DSS 8030 (evento 1, anexo PROCADM2, p. 15 e evento 11,
anexo PROCADM8, p. 6) que indica a exposição habitual e permanente do autor a
ruídos, entretanto, sem informar a que níveis em decibéis se expunha o autor nessa
situação.
Assim, inviabilizado fica o reconhecimento da especialidade em razão da exposição do
autor ao agente agressivo ruído.
Em relação aos agentes químicos poeira, óleo, graxa e fumaça, igualmente consta no
formulário DSS 8030 a exposição aos mesmos, de forma habitual e permanente.
Com efeito, observa-se que o autor trabalhou na empresa Alfons Grahl e Cia Ltda., no
setor de mecânica, na função de torneiro mecânico e, é de conhecimento geral que os
trabalhadores desta área desenvolvem suas atividades estando sujeitos aos mais
variados níveis de exposição de agentes agressivos, tais como graxas e óleos inerentes à
função, o que autoriza o reconhecimento da especialidade das funções, em razão dos
agentes agressivos químico, que tem previsão de especialidade nos itens 1.2.0, anexo I
do Decreto 83.080/79, 1.2.0, anexo III do Decreto 53.831/64 e 1.0.0, anexo IV, Decreto
2.172/97, e, do uso de equipamentos de solda, previsto no item 2.5.3 do Anexo II do
Decreto 83.080/79.
Assim, deve ser reconhecida a especialidade das funções no período de: 02/01/1973 a
29/07/1977 (4 anos, 6 meses e 28 dias), que convertidos perfazem 6 anos, 4 meses e 27
dias.
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
http://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&documento=6195690&termosPesquisados=poeira%20de%20algodao 22/26
A boa sentença, assim, não está a reclamar qualquer retificação. E isso porque está
evidenciado na documentação que guarnece os autos, ter sido o obreiro submetido aos nefastos
efeitos de agentes nocivos químicos, de forma permanente, habitual e cotidiana no iter de sua
jornada laboral, quando trabalhou perante a sociedade empresária Alfons Grahl e Cia. Ltda., no
interstício de 1973 a 1977. Nesse particular aspecto, reporto-me ao conteúdo da documentação
técnica que guarnece os autos, principalmente, no evento1, procadm2, fl. 15; e no evento11,
procadm8, fl. 06.
Igualmente, nos termos antes já expendidos, a singela alegação de utilização de
equipamentos de proteção é insuficiente para fragilizar o caráter especial da atividade, quando
ausente nos autos demonstração de sua efetiva distribuição, utilização pelo empregado de forma
cotidiana e, ainda, real fiscalização do empregador quanto à utilização dos mecanismos de
proteção, bem como indicação da habitualidade de sua entrega e substituição periódica em casos
de natural desgaste, avaria ou vencimento de sua data de validade.
Enfim, a conversão restou ultimada mediante utilização do fator adequado,
conforme previsto na legislação e nos precedentes sobre o tema alhures mencionados.
Impertinente a avaliação quanto ao agente ruído porquanto ausente recurso do
interessado sobre esse tópico.
Assim, consoante anotado pelo Julgador singular e referido no excerto acima
transcrito, há um significativo acréscimo de tempo de labor especial a ser agregado ao
patrimônio jurídico do segurado, implicando tal cautela no deferimento do pedido de revisão da
aposentadoria por tempo de contribuição que ora titula, mediante acréscimo do resultado da
conversão desse hiato para tempo comum.
A remessa oficial e o recurso do INSS, assim, não merecem guarida.
CONSECTÁRIOS E PROVIMENTOS FINAIS
a) Consectários:

Segundo o entendimento das Turmas previdenciárias do Tribunal Regional Federal
da 4ª Região estes são os critérios aplicáveis aos consectários:

a.1) Correção monetária:

A correção monetária, segundo o entendimento consolidado na 3ª Seção deste
TRF4, incidirá a contar do vencimento de cada prestação e será calculada pelos índices oficiais
e jurisprudencialmente aceitos, quais sejam:

- ORTN (10/64 a 02/86, Lei nº 4.257/64);
- OTN (03/86 a 01/89, Decreto-Lei nº 2.284/86);
- BTN (02/89 a 02/91, Lei nº 7.777/89);
- INPC (03/91 a 12/92, Lei nº 8.213/91);
- IRSM (01/93 a 02/94, Lei nº 8.542/92);
- URV (03 a 06/94, Lei nº 8.880/94);
- IPC-r (07/94 a 06/95, Lei nº 8.880/94);
- INPC (07/95 a 04/96, MP nº 1.053/95);
- IGP-DI (05/96 a 03/2006, art. 10 da Lei n.º 9.711/98, combinado com o art. 20,
§§5º e 6.º, da Lei n.º 8.880/94);
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
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- INPC (a partir de 04/2006, conforme o art. 31 da Lei n.º 10.741/03, combinado
com a Lei n.º 11.430/06, precedida da MP n.º 316, de 11/08/2006, que acrescentou o art. 41-A
à Lei n.º 8.213/91, e REsp n.º 1.103.122/PR).

Entendia a 3ª Seção deste Tribunal que a contar de 30/06/2009, data em que
passou a viger a Lei nº 11.960/09, de 29/06/2009, publicada em 30/06/2009 (a qual alterou o
art. 1º-F da Lei nº 9.494/97), deveria haver, para fins de atualização monetária, a incidência, uma
única vez, até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica aplicados à
caderneta de poupança.

Não são aplicáveis, todavia, no que toca à correção monetária, os critérios
previstos na Lei nº 11.960/2009, que modificou a redação do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, por
conta de decisão proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ADIs
4.357 e 4.425, que apreciou a constitucionalidade do artigo 100 da CF, com a redação que lhe
foi dada pela EC 62/2009. Essa decisão proferida pela Corte Constitucional, além de declarar a
inconstitucionalidade da expressão "na data de expedição do precatório", do §2º; dos §§ 9º e
10º; e das expressões "índice oficial de remuneração básica da caderneta de poupança" e
"independente de sua natureza", do §12, todos do art. 100 da Constituição Federal de 1988,
com a redação da Emenda Constitucional nº 62/2009, por arrastamento, também declarou
inconstitucional o art. 1º-F da Lei nº 9.494, com a redação dada pelo art. 5º da Lei nº
11.960, de 29.06.2009 (atualização monetária pelo índice de remuneração da poupança).

Impõe-se, pois, a observância do que decidido com efeito erga omnes e eficácia
vinculante pelo STF nas ADIs 4.357 e 4.425, restabelecendo-se, no que a sistemática anterior à
Lei nº 11.960/09, ou seja, apuração de correção monetária pelo INPC.

A sentença deve ser adequada, quanto à correção monetária, aos critérios acima
definidos. De fato, em razão do que decidido pelo Supremo Tribunal Federal, as disposições do
art. 1º-F da Lei nº 9.494, com a redação dada pelo art. 5º da Lei nº 11.960/09, foram expungidas
do ordenamento jurídico no que toca à correção monetária, a qual, como sabido, constitui
acessório, sobre o qual pode e deve o órgão julgador deliberar. Eliminada do mundo jurídico
uma norma legal em razão de manifestação do Supremo Tribunal Federal em ação direta de
inconstitucionalidade, não pode subsistir decisão que a aplique, pois está em confronto com a
Constituição Federal. Deve, portanto, haja vista os fundamentos constitucionais expostos, ser
feita a adequação da correção monetária.

a.2) Juros de mora

Até 29/06/2009 os juros de mora, apurados a contar da data da citação, devem ser
fixados à taxa de 1% ao mês, com base no art. 3º do Decreto-Lei n. 2.322/87, aplicável
analogicamente aos benefícios pagos com atraso, tendo em vista o seu caráter eminentemente
alimentar, consoante firme entendimento consagrado na jurisprudência do STJ e na Súmula 75
desta Corte.

A partir de 30/06/2009, por força da Lei n.º 11.960, de 29/06/2009 (publicada em
30/06/2009), que alterou o art. 1.º-F da Lei n.º 9.494/97, para fins de apuração dos juros de
mora haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, do índice oficial de aplicado à
caderneta de poupança. Registre-se que a Lei 11.960/2009, segundo o entendimento do STJ,
tem natureza instrumental, devendo ser aplicada aos processos em tramitação (EREsp
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
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1207197/RS. Relator Min. Castro Meira. Julgado em 18/05/2011).

Observo que as decisões tomadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal no
julgamento das ADIs 4.357 e 4.425 não interferiram com a taxa de juros aplicável às
condenações da Fazenda Pública, consoante entendimento firmado no Superior Tribunal de
Justiça a partir do julgamento do RESP 1.270.439. Com efeito, como consignado pela Ministra
Eliana Calmon no julgamento do MS 18.217, "No julgamento do Resp 1.270.439/PR, sob a
sistemática dos recursos repetitivos, esta Corte, diante da declaração de inconstitucionalidade
parcial do art. 1º-F da Lei 9.494/99 - sic - no que concerne à correção monetária, ratificou o
entendimento de que nas condenações impostas à Fazenda Pública após 29.06.2009, de natureza
não tributária, os juros moratórios devem ser calculados com base na taxa de juros aplicáveis à
caderneta de poupança".
b) Honorários advocatícios:
Mantida a honorária, porque dosada em atenção aos precedentes da Turma em
situações de similar jaez, bem como ao preceituado no artigo 20, §§ 3º e 4º, do CPC, em
desfavor do INSS, em 10% sobre o valor da condenação, excluídas as parcelas vincendas,
observando-se a Súmula 76 desta Corte: Os honorários advocatícios, nas ações
previdenciárias, devem incidir somente sobre as parcelas vencidas até a data da sentença
de procedência ou do acórdão que reforme a sentença de improcedência.
c) Custas processuais:
O INSS e a parte autora, nesse caso, são isentos do pagamento no Foro Federal
(art. 4º, incisos I e II, da Lei nº 9.289/96).
CONCLUSÃO
Desprovidos o recurso do INSS e a remessa oficial, porquanto o conjunto fático-
probatório colacionado aos autos autentica a conclusão no sentido de ter direito o segurado, à
revisão da aposentadoria por tempo de serviço/contribuição, mediante acréscimo do resultado
da conversão, para tempo comum, daquele especial ora reconhecido.
Prescrição a ser observada na forma do verbete da Súmula 85 do egrégio
Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Necessidade de compensação, dos valores devidos a título de passivo, com
aqueles já percebidos pelo segurado na via administrativa em face do benefício que ora titula.
Sucumbência ratificada porque dosada em conformidade com o os precedentes da
Turma em situações de similar jaez.
PREQUESTIONAMENTO
O prequestionamento, quanto à legislação invocada, fica estabelecido pelas razões
de decidir, o que dispensa considerações a respeito, vez que deixo de aplicar os dispositivos
legais tidos como aptos a obter pronunciamento jurisdicional diverso do que até aqui foi
declinado, considerando, como transcritos, todos os artigos da Constituição e/ou de lei
referidos pelas partes.
DISPOSITIVO
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Diante do exposto, voto por negar provimento à remessa oficial e à apelação
do INSS, nos termos da fundamentação.
Juíza Federal MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
Relatora
Documento eletrônico assinado por Juíza Federal MARIA ISABEL PEZZI KLEIN, Relatora, na
forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº
17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço
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Informações adicionais da assinatura:
Signatário (a): Maria Isabel Pezzi Klein
Data e Hora: 04/11/2013 13:42
EXTRATO DE ATA DA SESSÃO DE 29/10/2013
APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5002684-25.2010.404.7205/SC
ORIGEM: SC 50026842520104047205
RELATOR : Juiza Federal MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
PRESIDENTE : Rogerio Favreto
PROCURADOR : Dr. Domingos Savio Dresch da Silveira
APELANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
APELADO : LOTHAR BRANDL
ADVOGADO : FABIANO CRESPO
Certifico que este processo foi incluído na Pauta do dia 29/10/2013, na seqüência
641, disponibilizada no DE de 16/10/2013, da qual foi intimado(a) INSTITUTO NACIONAL DO
SEGURO SOCIAL - INSS e o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.
Certifico que o(a) 5ª TURMA, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em
sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU NEGAR PROVIMENTO À
REMESSA OFICIAL E À APELAÇÃO DO INSS, NOS TERMOS DA FUNDAMENTAÇÃO.
RELATOR
ACÓRDÃO
: Juiza Federal MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
VOTANTE(S) : Juiza Federal MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
: Des. Federal RICARDO TEIXEIRA DO VALLE PEREIRA
: Des. Federal ROGERIO FAVRETO
28/7/2014 Inteiro Teor (6195690)
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Lídice Peña Thomaz
Diretora de Secretaria
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