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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUÍZ(A) DE DIREITO DA 4ª
SECRETARIA DO CÍVEL DE CASCAVEL – ESTADO DO PARANÁ –
PROJUDI.





Processo nº: 0026167-19.2013.8.16.0021






MARINA ESTEVE SANTOS, brasileira, viúva, Tabeliã do Cartório de
Registro Civil 1º Ofício e 4º Tabelionato de Notas de Cascavel-PR, portadora
da Cédula de Identidade RG nº 653.833-9-SSP-PR e inscrita no CPF/MF sob o
nº 643.952.609-00, residente e domiciliada na Rua Minas Gerais, 2645, Centro,
em Cascavel-PR, por seus procuradores e advogados, infra-assinados, com
escritório profissional à Rua Fortaleza, nº 1851, na Cidade de Cascavel-PR,
onde recebem todos os expedientes forenses, vem mui respeitosamente
perante Vossa Excelência, apresentar:

CONTESTAÇÃO

a Ação de Indenização por Danos Morais e Materiais – Reconhecimento
de Firma Mediante Assinatura Falsificada que lhe move OSANI MARIA
GEHLEN, já devidamente qualificada nos autos em epígrafe, pelos motivos de
fato e direito que passa a expor:
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1 – PRELIMINAR DE MÉRITO

1.1 – DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA REQUERIDA

Propõe a Autora, Ação Indenizatória contra a Requerida, haja vista a
existência de um reconhecimento de firma em determinado instrumento de
procuração outorgada a SALVADOR CARLOS DO NASCIMENTO FRANÇA,
supostamente realizado no 4º Tabelionato de Notas Esteves Santos de
Cascavel/PR. Tergiversa que o referido procedimento ilícito posteriormente
resultou na transferência do veículo KIA/BESTA GS GRAND, placas AJC-9172
de sua propriedade para nome de terceiros, gerando múltiplos outros danos
patrimoniais e extrapatrimoniais.

Alega em suma que a Requerida é responsável civilmente pelos danos
materiais e morais resultantes do reconhecimento de firma mediante assinatura
falsificada, hipoteticamente efetuado no 4º Tabelionato de Notas Esteves
Santos desta Comarca, pois a Autora não possuía, à época dos fatos, cartão
de assinatura naquele local.

Referidas tergiversações não dispõe da realidade dos fatos.

Neste momento, cabe esclarecer alguns pontos que aparentemente não
foram percebidos pela Requerente antes da propositura da presente ação.
Salienta-se ainda que tais questões, de extrema relevância para o desenrolar
destes autos, não foram devidamente observadas durante o trâmite do
Inquérito Policial instaurado mediante o Boletim de Ocorrência 2010/669680.

Vejamos o que foi relatado na inicial pela parte Autora (grifo nosso):

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Ora Excelência, questiona-se: em que momento ficou aclarado que o
suposto reconhecimento de firma da assinatura falsa fora efetuado no 4º
Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR? Com base em qual
informação cedida pelos múltiplos documentos juntados isso ficou constatado?

Do estudo do instrumento de procuração gerador de toda a
problemática, não foi necessário demasiado conhecimento técnico na seara
cartorária para se notar, sem maiores dúvidas, que a parte Autora, quando do
desenvolvimento de sua peça vestibular, cometeu algum desatino ao
responsabilizar a Requerida pelo ato danoso.

Primeiramente Excelência, a Requerente não teve o condão de notar
que a procuração outorgada ao Sr. Salvador (homem já com extenso histórico
de atividades ilícitas, especialmente no que tange a crimes de falsificação de
documentos e estelionato, conforme documentos policiais anexados) dispõe de
dois atos notariais, realizados em datas distintas por cartórios
independentes entre si, ou seja, um de RECONHECIMENTO DE FIRMA
supostamente realizado na Comarca de Corbélia/PR; outro de
AUTENTICAÇÃO DE CÓPIA realizado na Comarca de Cascavel/PR.

Diante disso e de maneira a demonstrar o que foi alegado alhures,
vejamos um fragmento do referido documento, em especial, o ato notarial de
Reconhecimento de Firma tanto debatido nesta lide e imputado à
responsabilidade da Requerida nos termos da exordial.
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Observado o fragmento retirado do instrumento procuratório colacionado
aos autos pela Autora, nota-se que o ato notarial de RECONHECIMENTO DE
FIRMA POR VERDADEIRA, não foi realizado pelo 4º Tabelionato de Notas
Esteves Santos da Comarca de Cascavel/PR. A impressão matricial que pode
ser vista na figura acima é taxativa em conter o TABELIONATO SANTOS da
COMARCA DE CORBÉLIA/PR. como provável autor do ato.

Não obstante, torna-se necessário esclarecer o conteúdo do ofício
remetido à Requerida pela diretoria da ANSATA, empresa responsável pela
implantação do sistema operacional no 4º Tabelionato de Notas de
Cascavel/PR.

Nos termos do documento, ora juntado, a ANSATA informa que o 4º
Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR utiliza os sistemas
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“VerusTBL”, para gestão de lavratura de atos notariais e o sistema “VerusCRT”,
para gestão de balcão na emissão de ETIQUETAS de Reconhecimento de
Firma, utilizando impressoras térmicas desde o ano de 2002.

Constata-se, em verdade, que a Requerida nunca utilizou a
impressão matricial na realização de atos notariais de reconhecimento de
firma, mas tão somente as impressões térmicas de ETIQUETAS
ADESIVAS. Contudo, o documento de procuração, juntado aos autos,
possui a impressão matricial.

Demais, cabe esclarecer que a Serventia Notarial, por exigência legal,
utiliza-se do Livro de Controle de Reconhecimento de Firma Autêntica ou
Verdadeira onde lança termo de comparecimento da parte, que é identificada
e qualificada, indicando-se o local, data e natureza do ato em que foi
reconhecida a firma lançada.

Em análise, observa-se assim, que na data de 18 de janeiro de 2008,
(registrada no carimbo de reconhecimento de firma da procuração), inexiste
registro no respectivo Livro de Controle de Reconhecimento de Firma Autêntica
ou Verdadeira de ato praticado pela Requerente no 4º Tabelionato de Notas da
Comarca de Cascavel,PR. cujo livro se encontra a disposição desse r.juizo
para requisito, se julgar necessário.

Dando continuidade, vejamos o segundo ato notarial de Autenticação
de Cópia anteriormente citado, mas aparentemente esquecido ou ignorado
pela parte Autora na exordial:
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A análise deste fragmento também não exige grandioso critério técnico
para que fique constatado que o 4º Tabelionato de Notas Esteves Santos da
Comarca de Cascavel/PR fora o responsável, tão somente, pela
AUTENTICAÇÃO de cópia reprográfica desenvolvida mediante a
apresentação do documento original no ato, conforme as exigências
legais, em fevereiro de 2008, ou seja, um mês depois da confecção do
suposto reconhecimento de firma.

Nesta toada, os artigos 3º e 7º, inciso V, da Lei 8.935/1994, devidamente
atualizada pela Lei 11.789/2008, corroboram pelo entendimento de que o
procedimento de autenticação é plenamente eficaz, haja vista a legitimidade da
Tabeliã para esta atividade. Portanto, não há que se falar em ato vicioso e
indenizável.

Vejamos o que aduzem os artigos 3º e 7º, inciso V, do diploma legal
mencionado:

“Art. 3º - Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou
registrador, são profissionais do direito, dotados de fé pública,
a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de
registro”. (grifo nosso)
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“Art. 7º - Aos tabeliães de notas compete com exclusividade:
I - lavrar escrituras e procurações, públicas;
II - lavrar testamentos públicos e aprovar os cerrados;
III - lavrar atas notariais;
IV - reconhecer firmas;
V - autenticar cópias”. (grifo nosso)

No que diz respeito ao ilícito de falsidade ideológica cometido, é cediço
que a irregularidade não adveio de atitudes cometidas pelo 4º Tabelionato de
Notas Esteves Santos de Cascavel/PR, ou seja, a irregularidade partiu
supostamente na criação primitiva da procuração, que, posteriormente, quando
apresentada ao Cartório para autenticação, encontrava-se em sua via original
materialmente formalizada.

Torna-se imperioso elencar também o Código de Normas da Douta
Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Paraná, nos termos do item
11.5.1, que assim dispõe:

“Item: 11.5.1- Compete ao notário ou substituto a
autenticação de documentos e cópias de documentos
particulares, certidões ou traslados de instrumentos do
foro judicial ou extrajudicial, extraídas pelo sistema
reprográfico, desde que apresentados os originais”.

Ademais, não há que se falar no cometimento de ato ilícito passível de
indenização, pois o 4º Tabelionato de Notas de Cascavel/PR na pessoa de sua
Tabeliã, detentora de caráter ilibado e grande respeito nesta Comarca, agiu
somente de maneira a cumprir as determinações que lhe são atribuídas por lei,
autenticando, pois, a cópia reprográfica com a devida apresentação do
documento procuratório original.
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Assim, a Requerida não pode configurar como parte passiva
legítima de processamento, vez que o ato notarial de RECONHECIMENTO
DE FIRMA POR VERDADEIRA, que, segundo a exordial, ensejou o ilícito e
causou o dano, não foi produzido pelo 4º Tabelionato de Notas Esteves
Santos de Cascavel/PR, conforme os apontamentos mencionados e
elucidados acima, bem como os documentos juntados aos autos.
Ademais, inexiste qualquer nexo de causalidade entre a mera
autenticação de cópia mediante a apresentação do documento original e
o dano experimentado pela vítima, Sra. OSANI MARIA GEHLEN.

Portanto, ante ao exposto, a Requerida pugna à Vossa Excelência,
respeitosamente, nos termos do artigo 267, inciso VI, do Código de
Processo Civil, pela extinção do feito sem julgamento de mérito, vez que a Ré
procedeu somente pelo ato de AUTENTICAÇÃO DE CÓPIA mediante a
apresentação do documento original, não possuindo qualquer envolvimento
com o reconhecimento de firma que motivou a propositura desta ação.


2 – SÍNTESE DA INICIAL

Esclarecidos os apontamentos anteriores, passa-se ao resumo da lide
até o presente momento.

Trata-se de Ação de Indenização, por meio do qual pretende a Autora, a
condenação da Requerida ao pagamento de damos materiais e morais, haja
vista suposto reconhecimento de firma por verdadeira mediante assinatura
falsificada em um instrumento de procuração que resultou na transferência de
um veículo de sua propriedade para o nome de SALVADOR CARLOS DO
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NASCIMENTO FRANÇA, o que gerou inúmeros percalços financeiros e
emocionais.

Alega a Requerente que no dia 23 de abril de 2007, na cidade de
Cascavel/PR, celebrou contrato de compra e venda de um determinado lote
urbano com área de 360,00 m², do loteamento denominado Residencial Roma,
valorado em R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) de propriedade outrora do Sr.
Salvador Carlos do Nascimento França. Aduz que deu em pagamento o veículo
KIA/Besta Gs Grand, de placas AJC-9172, onde tal veículo somente seria
transferido para o vendedor do imóvel (Salvador França), após a quitação
devido que sua propriedade encontrava-se financiada. Juntou contratos e
outros documentos.

Segundo a Autora, aproveitando sua ausência no país, o Sr. Salvador
Carlos do Nascimento França munido de uma procuração supostamente
fraudulenta que lhe dava poderes para transferir o veículo, procedeu até o 4º
Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR a fim de reconhecer a
assinatura falsa da Requerente. Afirma que a Requerida deu fé ao documento
e reconheceu a firma mesmo com a assinatura falsificada da Autora. Ademais,
alegou que fora por meio deste documento viciado com firma reconhecida
falsamente que o veículo foi transferido e vendido para terceiros estranhos aos
autos.

Diante do problema, a Requerente buscou a competência policial, que a
seu pedido instaurou o devido inquérito com base no Boletim de Ocorrência
2010/669680, onde ficou constatado que realmente a assinatura constante do
documento era falsa. Contudo, os selos utilizados e colacionados ao
documento procuratório tinham procedência crível.

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Ao final, pugnou pela condenação da Requerida em danos materiais no
valor de R$ 87.357,89 (oitenta e sete mil trezentos e cinqüenta e sete reais e
oitenta e nove centavos) e danos morais no importe de 500 (quinhentos)
salários mínimos.

É a síntese da inicial.

3 – DO DIREITO.

3.1 – DA INEXISTÊCNCIA DE RESPONSABILIDADE DA REQUERIDA
POR INDENIZAR. ATO NOTARIAL LEGÍTIMO.

A Autora afirma na inicial que a Requerida é responsável pelo Cartório
onde foi reconhecida a firma com sua assinatura adulterada. Com base nisso,
tergiversa que a Requerida deve ser responsabilizada pelos atos praticados
pelo 4º Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR de sua
titularidade. Ademais, a Requerente alega que estão presentes no caso em
tela os requisitos caracterizadores da responsabilidade civil, haja vista a
existência do dano e do nexo de causalidade entre a conduta da Ré e o
resultado lesivo. Tergiversa que o reconhecimento de firma da assinatura falsa
ocorreu mesmo sem possuir cartão de assinatura no Cartório de titularidade da
Requerida. Afirmou, por fim, que os selos constantes do documento, após o
devido exame pericial, foram considerados verdadeiros.

Tais considerações não merecem prosperar e por oportuno, torna-se
necessário reiterar o que já ficou demonstrado anteriormente neste petitório,
em especial em seu item “1.1”.

Salienta-se, Vossa Excelência, no que tange às afirmações da Autora de
que a Requerida teria procedido pelo ato de reconhecer suposta firma falsa, tal
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questão já ficou devidamente esclarecida. Em verdade, isso não ocorreu no 4º
Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR, visto que a impressão
matricial (supostamente falsificado) consta como ato praticado pelo Cartório de
Notas e Protestos da Comarca de Corbélia/PR. O instrumento de procuração
utilizado pelo Sr. Salvador Carlos do Nascimento França não foi lavrado pelo
Tabelionato de titularidade da Requerida e muito menos teve a firma
reconhecida neste Cartório.

Estas afirmações não são meras especulações, mas sim fatos
devidamente comprovados e extraídos mediante o estudo dos documentos
juntados a este processo eletrônico, ou seja, o documento procuratório
supostamente fraudulento dispõe de dois atos notariais distintos,
realizados em dois Cartórios independentes, possuidores de titularidades
e Comarcas diversas. Isso explica a existência de dois selos FUNARPEN no
documento.

Em momento algum, Excelência, a Autora trouxe para estes autos,
qualquer prova crível e idônea o bastante para comprovar ou demonstrar que,
efetivamente, fora o 4º Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR
de titularidade da Requerida que realizou o reconhecimento de firma. Ora, não
existem quaisquer indícios ou provas pelo simples motivo de que tal ato não foi
realizado no Cartório Esteves Santos de Cascavel/PR.

Nesta toada, vejamos o que dispõe o artigo 186 do Código Civil,
colacionado na exordial como fundamento para os pleitos da Autora:

“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.
(grifo nosso)

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Para que exista o ato ilícito passível de indenização, a atitude do agente
deve cumprir para com um dos requisitos acima destacados.

Constata-se, portanto, de que não existiu ação danosa, vez que o ato de
AUTENTICAR cópia reprográfica de determinado documento mediante a
apresentação do original é de plena titularidade da Requerida, conforme a
legislação vigente e já mencionada anteriormente nesta defesa. Por
conseguinte, não há que se falar na existência de omissão por parte da
Requerida, pois, a apresentação do documento original para que a cópia fosse
extraída e posteriormente autenticada efetivamente ocorreu.

Não obstante, torna-se imperioso esclarecer ainda que a Requerente
não possuía cartão de assinatura no 4º Tabelionato de Notas Esteves Santos
de Cascavel/PR de titularidade da Requerida. Tal afirmação adveio da própria
Autora em sua peça vestibular. Senão vejamos:



Conforme fragmento da exordial colacionado acima, a própria Autora
alega que não possuía cartão de assinatura para reconhecimento de firma
perante a Requerida, e isso, de fato, é verdade. O registro de cartão de
assinatura confeccionado para a Requerente se deu somente em data
posterior, nos termos dos documentos ora juntados pela Ré neste ato.

Nesse contexto, tais pontos não são passíveis de caracterizar a
responsabilidade da Requerida por dano algum no presente caso, pois o que
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deve ficar entendido é que o ato notarial de RECONHECIMENTO DE FIRMA não
foi realizado pela Requerida. Assim, a inexistência de cartão de assinatura
à época dos fatos torna-se totalmente irrelevante para estes autos.

Para que fique esclarecido, a assinatura da Autora foi registrada (Cartão
nº 0066591) nas dependências de titularidade da Requerida somente em 14 de
maio de 2010. Ademais, segundo informações e documentos fornecidos pela
Requerida, o único reconhecimento de firma realizado pelo Cartório Esteves
Santos de Cascavel/PR para a Autora se deu às 12h26m do dia 25/01/2012.
Antes desta data nada ocorreu, conforme provam os livros de registros
notariais que estarão totalmente disponíveis para avaliação durante o trâmite
processual.

Nesta toada, tem-se Vossa Excelência, que a Requerida procedeu nos
conformes e rigores da lei. Respeitados os preceitos constantes da Lei
8.935/1994, bem como do Código de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça
do Estado do Paraná, não havendo qualquer ilícito passível de indenização nos
seus atos, que possa corroborar as alegações e fundamentos elencados pela
Autora na inicial.

Portanto, não há que se responsabilizar o 4º Tabelionato de Notas
Esteves Santos de Cascavel/PR pelo cometimento de quaisquer negligências
ou imprudências visto que o instrumento procuratório foi reproduzido
reprograficamente e AUTENTICADO mediante apresentação do original.
Assim, inexiste qualquer nexo de causalidade entre as ações da Requerida
e o resultado danoso.

No que diz respeito as tergiversações a respeito da veracidade dos selos
utilizados no instrumento de procuração, nota-se que conforme Ofício nº
018/2012 disponibilizado pela FUNARPEN referente ao Boletim de Ocorrência
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2010/659680, o selo “CG137559” utilizado na autenticação, por óbvio, é
original e pertencente ao 4º Tabelionato de Notas de Cascavel/PR de
titularidade da Requerida. Isso somente reitera que o ato notarial de
autenticação, realizado pela Requerida é totalmente legítimo e amparado pela
boa-fé, muito pelo contrário do que foi alegado pela Autora na inicial. Em
momento algum a veracidade do Selo FUNARPEN é “prova cabal da existência
de ilicitude” (sic).

Já o ato notarial de reconhecimento de firma, que também contém o selo
FUNARPEN idôneo de numeração “CFW73919”, foi entregue na data de
15/01/2008 ao CARTÓRIO FRATTI - 2º Registro Civil e 5º Tabelionato de
Notas de Cascavel/PR, conforme ofício disponibilizado pelo Fundo de Apoio ao
Registro Civil nos autos de inquérito policial e ofício nº 175/TAB/2013 do
CARTÓRIO FRATTI (em anexo), que acostamos aos autos, com afirmação que
o referido selo não foi utilizado no documento de reconhecimento de firma feito
em nome de OSANI MARIA GEHLEN FRANA.

Assim, mesmo não possuindo relação com o ocorrido, a Requerida
lamenta pelos fatos. No entanto, as alegações da Autora de que os atos
praticados por ela são de cunho “criminoso” e “irresponsável” é um tanto
desmedido.

Sabe-se que imputar alguém falsamente por fato definido como crime
resulta no cometimento de calúnia devidamente esboçado no artigo 138, do
Código Penal, e as penas se estendem àqueles que sabendo ser falsa a
imputação, a propala ou divulga. Portanto, afirmações desmedidas como as
feitas na exordial demonstram, tão somente, uma total ignorância dos fatos e
completa desatenção na análise dos documentos juntados pela própria parte
Autora, que não teve o mínimo de conhecimento técnico para perceber que
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estava diante de um instrumento de procuração possuidor de dois atos
notariais distintos entre si, elaborados por dois Cartórios independentes.

Ora Excelência, mobilizar o sistema judiciário mediante uma ação de
característica puramente aventureira com valores muito além de qualquer
patamar civilizatório e livre de quaisquer custas não deve ter o mínimo de
prevalência.

Destarte, ficou clara a existência de um erro grosseiro por parte da
Autora que, mesmo com todos os documentos juntados, não teve o condão de
efetivamente provar o que afirmou em sede de inicial, pois o ato de
reconhecimento de firma tão citado, não foi realizado pela Requerida, conforme
prova documental já existente nos autos.

Desta feita, a Requerida, após todas as questões aqui suscitadas e com
o devido acatamento e respeito, REQUER seja a Ação de Indenização julgada
TOTALMENTE IMPROCEDENTE, pois o ato notarial que fundamenta os pleitos
da parte Autora diz respeito ao reconhecimento de firma com assinatura falsa,
que não se deu no 4º Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR,
conforme documentos apresentados, inexistindo qualquer responsabilidade por
indenizar.


3.3 – DOS DANOS MORAIS E MATERIAIS. INEXISTÊNCIA DE
RESPONSABILIDADE POR INDENIZAR.

Inicialmente, impende destacar, que a Autora fez grande confusão no
que toca às afirmações de responsabilidade da Requerida pelo ato notarial de
reconhecimento de firma que por ela não foi realizado, segundo questões já
suscitadas, bem como documentos constantes destes autos.
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Tomando como base todas as ponderações e esclarecimentos
prestados, certamente os pleitos da Autora serão julgados como
improcedentes. Todavia, em caso remoto de Vossa Excelência entender que
efetivamente existiram quaisquer condutas culposas por parte da Requerida, o
que se admite apenas para argumentar, necessário se faz enredar algumas
considerações acerca dos pedidos indenizatórios da Autora.

Neste diapasão, verifica-se na doutrina e na jurisprudência que o valor
indenizatório referente ao dano moral deverá ser fixado levando em
consideração as condições da Requerente e da Requerida, sopesadas pelo
prudente arbítrio do juiz, com a observância da teoria do desestímulo, ou seja,
o valor não deve enriquecer ilicitamente o ofendido, sob pena de
industrialização das ações por danos morais.

De forma que a apuração do quantum indenizatório se complica,
porquanto o bem lesado (a honra, o sentimento, o nome etc.) não se mede
monetariamente, isto é, não se tem dimensão econômica ou patrimonial. Cabe,
portanto, ao prudente arbítrio do r. Juízo e a força criativa da doutrina e da
jurisprudência a instituição de critérios e parâmetros que haverão de presidir as
indenizações por dano moral. Deste modo, hodiernamente esbarra o julgador
no momento de fixar a valoração econômica que deve ser suficiente à
satisfação do ofendido. Os obstáculos enfrentados pelos julgadores repousam
no fato de que a própria lei não estabelece uma indenização tarifada.

Diante da ausência de critérios legais e objetivos, percebe-se que a
permissão constitucional de cumulação dos danos materiais com os danos
extra patrimoniais tem sido utilizada de maneira equivocada, como se servisse
a justificar o enriquecimento ilícito.

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No objetivo de evitar que isso ocorra, sempre será considerado o
subjetivismo do juiz. A ele foi atribuído o poder e a competência para a fixação
dos valores através da análise detida das condições do ofendido, nível social,
intelectual, cultural e análise da extensão dos danos experimentados, bem
como, analisa-se ainda, a condição daquele que deu razão à “dor” – o ofensor
– medidos pelo grau econômico, sociocultural e outros.

Salienta-se a teoria desenvolvida pelo ilustríssimo jurista Yussef Said
Cahali que corrobora as questões mencionadas alhures. Senão vejamos:

“... em realidade, não há com eliminar o subjetivismo na
estimação pecuniária do dano moral fenômeno que igualmente
ocorre na estimação do dano patrimonial, em que, segundo
experiência, os valores fixados nem sempre correspondem ao
exato valor do dano econômico sofrido”. (pág. 172)

Por tais ensinamentos, as condições dos contendores sempre devem
ser analisadas de modo a não causar enriquecimento ilícito de uns em
detrimento de outros. Contudo, conforme o estudo do caso em tela, muito antes
que seja debatida qualquer referência a um “quantum debeatur”, ainda há que
se levar em extrema consideração o fato de que o 4º Tabelionato de Notas
Esteves Santos de Cascavel/PR de titularidade da Requerida, não foi
responsável pela realização do suposto reconhecimento de firma, objeto
utilizado como fundamento para toda a lide processual. Ademais os
documentos juntados aos autos em momento algum fazem prova da existência
de qualquer ilícito cometido pela Requerida, restando por prejudicados as
supostas premissas alegadas em sede de inicial que autorizam uma reparação.

Torna-se imperioso esclarecer ainda que o valor de 500 (quinhentos)
salários mínimos pleiteados representa nada mais, que uma tentativa escusa
e funesta da Autora em angariar riquezas das quais não dispõe qualquer
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direito. Percebendo, ou não, que não havia outra possibilidade de reaver suas
perdas, a Autora buscou aventurar-se juridicamente amparada por afirmações
e documentos que, em verdade, não possuem o condão de provar qualquer
envolvimento da Requerida com o ato notarial de reconhecimento de firma
originário de toda a problemática, pois segundo os esclarecimentos prestados
nos itens “1.1” e “3.1”, tem-se que o 4º Tabelionato de Notas Esteves Santos
de Cascavel/PR somente AUTENTICOU cópia reprográfica do instrumento de
procuração apresentado em sua via original.

No que tange aos pleitos de danos materiais, as mesmas afirmações
feitas acima devem ser sopesadas por este Douto Juízo. Novamente a
Requerida lamenta pelo ocorrido, no entanto, os valores apresentados como
forma de comprovação dos tantos danos patrimoniais experimentados pela
Autora são irrelevantes para a Requerida que em momento algum agiu da
maneira a qual foi imputada na inicial, não tendo absolutamente nenhuma
relação com o caso em apreço, por simplesmente ter procedido pela cópia
autenticada do documento procuratório, conforme os ditames legais a qual está
submetida.

Portanto, resta impugnado o valor de R$ 426.357,89 (quatrocentos e
vinte e seis mil trezentos e cinquenta e sete reais e oitenta e nove
centavos) pleiteados na exordial em sede de danos morais e materiais, haja
vista a ilegitimidade passiva da Requerida para figurar como responsável pelos
danos sofridos pela Autora, consideradas todas as questões fáticas e técnicas
já esboçadas neste petitório.

Nesta toada, convicta do bom senso sempre despendido nos
julgamentos desse Juízo, e considerando o entendimento jurisprudencial
consolidado a cerca do caso, a Requerida, REQUER, respeitosamente que
sejam julgados TOTALMENTE IMPROCEDENTES os pedidos de danos morais e
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materiais, vez que inexistem quaisquer provas críveis o bastante para
caracterizar a responsabilidade da Requerida pelas perdas patrimoniais e extra
patrimoniais suportados pela Autora.


3.4 – DA PRETENDIDA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.

A Requerente sustenta em seus pedidos que deveria haver a inversão
do ônus probante, em face da pressuposição de responsabilidade civil da
Requerida pelos danos sofridos. Fundamentou o pedido na Lei 8070/90
comumente conhecida como o Código de Defesa do Consumidor.

Tal pedido não possui qualquer cabimento e não merece razão.

A regra comezinha em matéria processual é de que o ônus incumbe a
quem alega (artigo 333, I, do CPC), ou seja, é fato constitutivo e de íntimo
interesse do onerado, capaz de gerar o direito postulado ou nas palavras de
Nery Junior: “é a carga, fardo, peso e gravame da parte”.

O saudoso jurista ainda esclarece em seu Código de Processo Civil
comentado:

“Não existe obrigação que corresponda ao descumprimento do
ônus. O não atendimento do ônus de provar coloca a parte em
desvantajosa posição para obtenção do ganho de causa. A
produção, no tempo e na forma prescrita em lei, é o ônus da
condição de parte”.

Pelo raciocínio equivocado da inicial, seria o caso de relação de
consumo, mas por evidência, que não é, não se aplica no caso vertente as
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regras consumeristas. Trata-se de obrigação extracontratual, que, por evidente,
precisa ser comprovada pela parte que alega.

Com efeito, no caso em apreço, incumbe à Autora fazer prova de que a
Requerida agiu ilicitamente, ou seja, fato constitutivo de seu direito, devendo
ser afastada de pronto a pretensão de inversão do ônus da prova, vez que não
se trata de relação de consumo, motivo pelo qual REQUER, respeitosamente,
que o pedido seja considerado TOTALMENTE IMPROCEDENTE.


3.5 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS. REEMBOLSO
DOS GASTOS COM CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO.

Após todas as questões fáticas devidamente suscitadas nestes autos,
nota-se que a parte Autora, equivocadamente, imputou à Requerida a
responsabilidade por um suposto ilícito que em verdade não fora cometido pelo
4º Tabelionato de Notas Esteves Santos de Cascavel/PR. Não obstante, as
alegações feitas em sede de inicial são de extrema gravidade e envolvem
valores astronômicos no que tange à uma hipotética indenização civil, o que
não se acredita.

Nesta toada, os honorários convencionais são àqueles que decorrem da
relação jurídica contratual entre o advogado e seu cliente. Decorrem da
autonomia de vontade, mas citada atualmente como autonomia privada. Como
cita Naves:

“A denominação autonomia privada veio apenas substituir a
carga individualista e liberal da autonomia da vontade. Ao
Direito, pois, resta analisar a manifestação concreta, segundo
critérios objetivos de boa-fé, e não suas causas e
características intrínsecas. Não é o objeto do Direito perquirir
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sobre o conteúdo da consciência interna de cada ser. Por isso
da expressão autonomia privada.

Não parece razoável à Requerida, que se viu obrigada a defender-se
perante o Poder Judiciário de acusações e pedidos infundados, valorados num
montante absurdamente alto, ter de arcar com os honorários contratuais de seu
patrono por uma lide meramente temerária e aventureira proposta pela
Autora. Afinal, não restam maiores dúvidas no sentido de que a Requerida não
diligenciou corretamente pelo estudo das provas juntadas aos autos. Salienta-
se que tais provas em nada lhe auxiliaram para corroborar ou ratificar todas as
exigências e pleitos constantes da exordial.

Recentemente, não pela primeira vez, o Superior Tribunal de Justiça
(REsp 1.134.725-MG), confirmou a responsabilidade daquele que deu causa à
propositura da ação em arcar integralmente com os honorários contratuais do
advogado da parte contrária, que se sagrou vencedora na ação.

A ilustre Ministra relatora do acórdão, Nancy Andrighi, esclareceu que os
honorários advocatícios integram os valores relativos à reparação por perdas e
danos, e que os honorários sucumbenciais, por constituírem crédito autônomo
do advogado, não importam em decréscimo patrimonial do vencedor da
demanda. Portanto, como os honorários contratuais são retirados do patrimônio
da parte lesada, aquele que deu causa ao processo deve restituir os valores
despendidos com os honorários contratuais. Nota-se, assim a aplicação do
Princípio da Causalidade, por meio do qual aquele que deu causa a ação, deve
responder integralmente pelas despesas dela decorrentes, inclusive no que
tange aos honorários contratuais do advogado.

Mais uma vez a brilhante Ministra Nancy Andrighi, expôs em recente
fundamentação:
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“O Código Civil de 2002 – nos termos dos arts. 389, 395 e 404
– determina, de forma expressa, que os honorários
advocatícios integram os valores devidos a título de reparação
por perdas e danos.

Os honorários mencionados pelos referidos artigos são os
honorários contratuais, pois os sucumbenciais, por constituírem
crédito autônomo do advogado, não importam em decréscimo
patrimonial do vencedor da demanda.

Assim, como os honorários convencionais são retirados do
patrimônio da parte lesada, aquele que deu causa ao
processo deve restituir os valores despendidos com os
honorários contratuais”.(grifo nosso)

A respeitosa decisão colacionada alhures demonstra a extrema
necessidade de não se olvidar os princípios da equidade, justiça e causalidade,
atribuindo àquele que deu causa ao processo, o dever de arcar com os
honorários do advogado contratado pela parte contrária, não permitindo, desta
forma, que a parte que tem razão, sofra prejuízo por se ver obrigada a custear
sua defesa em uma demanda de origem puramente aventureira, mas que
envolve, contudo, questões de grande seriedade, como a imputação de
cometimento de crime e pedido de restituição de valores que somados
alcançam o montante de R$ 426.357,89 (quatrocentos e vinte e seis mil
trezentos e cinquenta e sete reais e oitenta e nove centavos).

Esta questão torna-se ainda mais problemática, diante do fato de que a
Autora é beneficiária da justiça gratuita, e, portanto, isenta de cobrança de
quaisquer valores referente a honorários de sucumbência pelo período de 5
(cinco) anos. Contudo, tais honorários não devem ser confundidos com os
valores ora pleiteados, pois os honorários contratuais objetivam recompor os
prejuízos amargados pela Requerida, diante da necessidade de contratação de
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advogado para contrapor os pedidos da parte Autora que não se fazem
devidos.

Por todo o exposto, e em sendo do entendimento de Vossa Excelência,
a Requerida PUGNA, respeitosamente, pela condenação da Autora ao
reembolso dos valores gastos em sede de honorários contratuais para a
elaboração do presente instrumento de defesa, levando-se em consideração o
valor discriminado no presente contrato ora anexado, no montante de R$
5.000,00 (cinco mil reais), haja vista os princípios da causalidade, equidade e
da justiça, bem como a mais recente jurisprudência de nossos tribunais.


4 – DOS REQUERIMENTOS

Levando-se em consideração todos os motivos fáticos e jurídicos
expostos, requer:

a) O acolhimento da presente defesa em todos os seus termos e da
Preliminar de Mérito ora suscitada no item “1.1” deste petitório com posterior
EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, conforme o artigo
267, VI do Código de Processo Civil, haja vista que a Requerida encontrar-se
como PARTE ILEGÍTIMA de processamento por não ter qualquer relação com o
ato notarial de Reconhecimento de Firma, fato gerador dos danos à Autora,
conforme seus próprios pleitos na exordial;

b) Em não sendo este o entendimento de Vossa Excelência, pugna-se,
portanto, pela TOTAL IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS INICIAIS, pelos motivos
já debatidos e amplamente elencados;

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c) A IMPROCEDÊNCIA do pedido de condenação em danos morais e
materiais, haja vista a ausência de comprovação da ocorrência de ato ilícito
passível de responsabilidade advindo das ações da Requerida, que tão
somente, autenticou cópia do instrumento procuratório mediante apresentação
do original, conforme as provas já anexadas nestes autos e mencionadas neste
petitório;

c.1) Em caso remoto de Vossa Excelência assim não entender, o que
não se espera, pugna para que os valores referentes aos danos morais e
materiais sejam fixados com parcimônia e razoabilidade, levando-se em
consideração o caso concreto e a capacidade econômica das partes;

d) Requer seja julgado IMPROCEDENTE o pedido de inversão do ônus
da prova, pelo caso em tela não se tratar de relação de consumo, conforme
questões fáticas e jurídicas anteriormente abordadas;

e) Requer a condenação da Autora ao reembolso dos valores gastos
em sede de honorários contratuais advocatícios para a elaboração do presente
instrumento de defesa, levando-se em consideração o valor discriminado no
presente contrato ora anexado, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais),
haja vista os princípios da causalidade, equidade e da justiça, bem como a
mais recente jurisprudência de nossos tribunais;

f) Protesta provar o alegado por todos os meios de prova pelo direito
admitidas, em especial a documental, testemunhal, cujo o rol será apresentado
em momento oportuno, dentre outras que se demonstrarem necessárias para a
continuidade do feito e elucidação do Nobre Julgador.



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Nestes termos,
pede deferimento.
Cascavel/PR, 19 de Setembro de 2013.





JOÃO IRANI FLORES MARCO A. T. MAGNONI
OAB/PR N° 50.395 OAB/PR N° 65.375