A Questão Camponesa em

França e na Alemanha[N289]
Friedrich Engels
22 de Novemro de !89"
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89"$!!$22&htm
(ranscrição autori)ada
Escrito# Escrito por Engels entre 15 e 22 de Novembro de 1894.
*rimeira Edição# Publicado na revista Die Neue Zeit, Bd. 1. n.° 10 1894!1895.
Fonte# Obras Escolhidas em três tomos, Editorial "Avante!" - Edição dirigida por um
colectivo composto por: José BARATA-MOURA, Eduardo CHITAS, Francisco MELO e
Álvaro PINA, tomo III, pág: 62-70.
(radução# José BARATA-MOURA. Publicado segundo o te"to da revista. #radu$ido
do alem%o. Excepto as citações de proveniência francesa que traduzimos segundo o
texto publicado em K. Marx-F. Engels, &euvres c'oisies en trois volumes Editions
du Progrès, Moscou, t. III, 1976.
(ranscrição e +(,-# Fernando A. S. Araújo.
.ireitos de /eprodução# © Direitos de tradução em língua portuguesa
reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.
Os partidos burgueses e reaccionários
admiram-se extraordinariamente de que
agora, de repente e por toda a parte, entre os
socialistas a questão camponesa venha para a
ordem do dia. De direito, deviam era admirar-
se de que isso não tenha acontecido há mais
tempo. Da Irlanda à Sicília, da Andaluzia à
Rússia e à Bulgária, o camponês é um factor
muito essencial da população, da produção e
do poder político. Duas regiões oeste-ocidentais apenas
formam urna excepção. Na Grã-Bretanha propriamente dita, a
grande posse fundiária e a grande agricultura deslocaram
totalmente o camponês auto-subsístente
[selbst(irtsc'a)tend*+ na Prússia a leste do Elba, desde há
séculos, que o mesmo processo está em curso, e também aí o
camponês cada vez mais ou é «expulso»
(1*)
ou, então, é
económica e politicamente empurrado para segundo plano.
Até aqui o camponês tem-se conservado como factor de
poder político apenas, na maioria dos casos, através da sua
apatia fundada no isolamento da vida rural. Esta apatia da
grande massa da população é o mais forte apoio não só da
corrupção parlamentar em Paris e Roma, mas também do
despotismo russo. Mas ela não é de modo nenhum invencível.
Desde o surgimento do movimento operário, na Europa
Ocidental, particularmente lá onde a propriedade camponesa
de parcelas predomina, não tem sido, precisamente, difícil ao
burguês tornar os operários socialistas suspeitos e odiosos à
fantasia dos camponeses como partageu"
(2*)
, como
«partilhistas», como citadinos mandriões, cúpidos, que
especulam com a propriedade camponesa. As obscuras
aspirações socialistas da revolução de Fevereiro de 1848
foram rapidamente afastadas pelos boletins de voto
reaccionários dos camponeses franceses; o camponês, que
queria que o deixassem descansado, tirou então do tesouro
das suas recordações a lenda do Napoleão imperador dos
camponeses e criou o Segundo Império. Todos nós sabemos o
que este feito camponês, apenas, custou ao povo francês;
ainda hoje sofre as suas consequências.
Desde esse tempo, porém, muita coisa mudou. O
desenvolvimento da forma de produção [Produ,tions)orm]
capitalista cortou o nervo vital à pequena exploração na
agricultura [-and(irtsc'a)t*+ ela decai e afunda-se
irremediavelmente. A concorrência da América do Norte e do
Sul e da Índia inundou o mercado europeu de cereal barato,
tão barato que nenhum produtor do país pode concorrer com
ela. O grande possuidor fundiário e o pequeno camponês têm
ambos igualmente a decadência diante dos olhos. E como
ambos são possuidores fundiários e gente do campo, o
grande possuidor fundiário erige-se em campeão dos
interesses do pequeno camponês, e o pequeno camponês -
grosso modo - aceita esse campeão.
Entretanto, porém, cresceu, no Ocidente, um poderoso
partido operário socialista. As obscuras aspirações e
sentimentos do tempo da revolução de Fevereiro clarificaram-
se, alargaram-se, aprofunda-ram-se num programa
respondendo a todas as exigências científicas com
reivindicações palpáveis determinadas; estas reivindicações
foram representadas no parlamento alemão, no francês, no
belga, por um número sempre crescente de deputados
socialistas. A conquista do poder político pelo partido
socialista aproxima-se visivelmente. Porém, para conquistar o
poder político, este partido tem, primeiro, que ir da cidade
para o campo, tem que se tornar um poder no campo. Ele,
que tem sobre todos os outros partidos a vantagem da
penetração clara na conexão das causas económicas com as
sequências políticas, que, portanto, de há muito também,
topou a figura de lobo sob a pele de cordeiro do pressuroso
amigo dos camponeses grande senhor fundiário - deverá ele
deixar calmamente o camponês votado à decadência nas
mãos dos seus falsos protectores até que ele seja
transformado de adversário passivo em adversário activo do
operário industrial? E, com isto, estamos no meio da questão
camponesa.
0
A população do campo, para que nos podemos voltar,
consiste em componentes muito diversas que, uma vez mais,
consoante as regiões singulares, são de espécie muito
diversa.
Na Alemanha Ocidental, assim como em França e na
Bélgica, predomina a pequena cultura de camponeses de
parcelas que na maioria são proprietários - na minoria,
rendeiros - dos seus pedaços de terra.
No Noroeste [da Alemanha] - Baixa-Saxónia e Schleswig-
Holstein - há predominantemente grandes e médios
camponeses, que não podem passar sem criados e criadas e
mesmo sem jornaleiros. [Acontece] o mesmo numa parte da
Baviera.
Na Prússia a leste do Elba e em Mecklenburg temos a
região da grande posse fundiária e da grande cultura, com
criados de quinta [.o)gesinde], caseiros [/nstleuten] e
jornaleiros, no meio de pequenos e médios camponeses numa
proporção relativamente fraca e sempre decrescente.
Na Alemanha Central, encontram-se todas estas formas
de exploração e de posse misturadas, segundo os locais, em
diversas proporções, sem um predomínio determinado de
uma ou de outra sobre uma grande superfície.
Além disso, há regiões de extensão diversa onde a terra
arável, própria ou arrendada, não chega para sustentar a
família, mas apenas serve de base para a exploração de uma
indústria doméstica e que assegura a esta última salários
baixos, sem isso inconcebíveis, que asseguram aos produtos
um escoamento constante, apesar de toda a concorrência
estrangeira.
Quais de entre estas subdivisões da população do campo
podem ser ganhas para o partido social-democrata?
Investigamos esta questão, evidentemente, apenas nas suas
grandes linhas; tomamos apenas as formas agudamente
pronunciadas; para uma consideração dos estádios
intermédios e das populações do campo mistas falta-nos o
espaço.
Comecemos pelo pequeno camponês. Para a Europa
Ocidental, em geral, ele é não só o mais importante de todos
os camponeses, como também nos proporciona para toda a
questão o caso crítico.
Se virmos claro acerca da nossa posição para com os
pequenos camponeses, teremos todos os pontos de referência
para a determinação da nossa atitude face às outras
componentes do povo do campo.
Por pequeno camponês entendemos aqui o proprietário ou
rendeiro - nomeadamente, o primeiro - de um bocadinho
de terra, não maior do que aquele que, em regra, ele pode
cultivar com a sua própria família, e não mais pequeno do
que aquele que sustenta a família. Este pequeno camponês,
tal como o pequeno artesão, é também um operário que se
diferencia do proletário moderno por estar ainda na posse do
seu meio de trabalho; [é], portanto, uma sobrevivência de
um modo de produção passado. Diferencia-se tri-plamente do
seu antepassado, do camponês servo, adscrito ou muito
excepcionalmente também livre [mas] obrigado a renda
[0ins] e a corveia. Em primeiro lugar, por a Revolução
Francesa o ter libertado dos encargos e serviços feudais que
ele devia ao senhor da terra e, na maioria dos casos, pelo
menos, na margem esquerda do Reno, lhe ter entregue a sua
terra camponesa [Bauerngut] como propriedade [Eigen] livre.
- Em segundo lugar, por ter perdido a protecção e a
participação na associação de marca auto-administrada
[selbstver(altende 1ar,genossensc'a)t] e, com isso, a sua
parte no usufruto da marca, anteriormente comum. A marca
comum foi escamoteada, em parte pelo senhor feudal de
outrora, em parte, por legislação ilustrado-burocrático-ao-
modo-do-direito-romano, e, com isso, foi retirada ao pequeno
camponês moderno a possibilidade de sustentar o seu gado
de trabalho sem forragem comprada. Economicamente,
porém, a perda do usufruto da marca compensa
sobreabundantemente a supressão dos encargos feudais; o
número dos camponeses que não pode manter qualquer gado
de trabalho próprio cresce continuamente. - Em terceiro
lugar, o camponês hodierno diferencia-se pela perda de
metade da sua anterior actividade produtiva. Anteriormente,
com a sua família, ele produzia, a partir de matéria-pri-ma
autoproduzida, a maior parte dos produtos industriais de que
ele precisava; o que ainda fosse preciso forneciam-no os
vizinhos da aldeia que, além do cultivo do campo, exploravam
também um ofício, e [isso] era pago, na maior parte das
vezes, em artigos de troca ou em serviços recíprocos. A
família, e mais ainda a aldeia, bas-tava-se a si própria,
produzia quase tudo aquilo de que necessitava. Era quase
uma economia puramente natural, quase que não era preciso
dinheiro. A produção capitalista pôs fim a isto, por intermédio
da economia monetária e da grande indústria. Se, porém, a
utilização da rnarca era uma condição fundamental da sua
existência, a exploração industrial paralela era a outra. E,
assim, o camponês afunda-se cada vez mais. Impostos, más
colheitas, partilhas, processos, levam um camponês após
outro ao usurário, o endividamento torna-se cada vez mais
geral e, para cada indivíduo, cada vez mais profundo - em
suma, o nosso pequeno camponês, como toda a
sobrevivência de um modo de produção passado, está
irremediavelmente condenado à decadência. É um futuro
proletário.
Como tal, ele deveria ser todo ouvidos para a propaganda
socialista. Porém, de momento, o seu arreigado sentido de
propriedade [Eigentumssinn] impede-o ainda disso. Quanto
mais difícil se lhe tornar a luta pelo seu bocadinho de terra
ameaçado, tanto mais poderosamente o desespero o fará
aferrar-se a ele, tanto mais ele verá no social-democrata, que
fala da transferência da propriedade fundiária para a
colectividade [2esamt'eit], um inimigo tão perigoso como o
usurário e o advogado. Como deverá a social-democracia
vencer este preconceito? Que pode ela oferecer ao pequeno
camponês em decadência, sem se tornar infiel a si própria?
Aqui, encontramos um ponto de referência prático no
programa agrário dos socialistas franceses de orientação
marxista, que é tanto mais digno de atenção quanto provém
do país clássico da economia pequeno-camponesa.
No Congresso de Marselha de 1892, foi adoptado o
primeiro programa agrário do partido.
(3*)
Para
os oper3rios rurais sem propriedade (portanto, jornaleiros e
criados de quinta) reclamava: salário mínimo, fixado por
associações profissionais [4ac'vereine] e conselhos
comunais; tribunais de trabalho [2e(erbegeric'te] rurais,
compostos na metade por operários; proibição da venda de
terra comunal, e arrendamento dos domínios do Estado às
comunas, que deverão alugar essa terra toda, própria e
arrendada, a associações de famílias operárias rurais sem
propriedade para cultivo em comum, com proibição de
emprego de operários assalariados e sob o controlo das
comunas; pensões de velhice e invalidez, custeadas por um
imposto especial sobre a grande propriedade fundiária.
Para os pe5uenos camponeses, referindo-se aqui ainda
especialmente os rendeiros, exige-se: compra de máquinas
agrícolas pelas comunas para aluguer a preço de custo aos
camponeses; formação de cooperativas [2enossensc'a)ten]
camponesas para a compra de adubos, tubos de drenagem,
sementes, etc, e para a venda dos produtos; supressão do
imposto sobre a mudança de propriedade da posse fundiária,
se o valor não se elevar acima de 5000 francos; comissões
arbitrais segundo o modelo irlandês para a redução de preços
de arrendamento excessivos e para indemnização dos
rendeiros e parceiros6m7ta8ers
(4*)
) que deixam de o ser pelo
aumento de valor [9ertsteigerung] do pedaço de terra, por
eles operado; abolição do art. 2102 do :ode civil
(5*)
, que dá
aos proprietários fundiários um direito de penhora
[P)andrec't] sobre as colheitas, e abolição do direito dos
credores a penhorarem a colheita que está a crescer;
estabelecimento de um efectivo impenhorável de alfaias,
colheitas, sementes, adubos, gado de trabalho, em suma, de
tudo o que é indispensável ao camponês para a exploração do
seu negócio; revisão do cadastro geral da terra, há muito
envelhecido, e até lá revisão local em cada comuna;
finalmente, instrução de aperfeiçoamento agrícola gratuita e
estações experimentais agrícolas.
Vê-se que as reivindicações no interesse dos camponeses
- as a favor dos operários, de momento, não nos concernem
aqui - não vão muito longe. Uma parte delas foi já realizada
alhures. Os tribunais arbitrais de rendeiros reclamam-se
expressamente do modelo irlandês. As cooperativas
camponesas existem já nas terras do Reno. A revisão dos
cadastros é, em toda a Europa Ocidental, um persistente
desejo pio de todos os liberais e mesmo dos burocratas. Os
restantes pontos podiam também ser realizados sem que se
prejudicasse essencialmente a ordem capitalista existente.
Isto simplesmente quanto à caracterização do programa; não
reside aqui uma censura, pelo contrário.
Com este programa, o partido fez um negócio tão bom
com os camponeses das mais diversas regiões de França que
- o apetite vem com o comer - se sentiu obrigado a adaptá-
lo ainda mais ao gosto dos camponeses. Sentia-se, no
entanto, que se se metia por terreno perigoso. Como é que se
devia poder ajudar o camponês - não o camponês como
futuro proletário, mas como presente camponês possidente -
sem violar os princípios fundamentais do programa socialista
geral? Para obviar a esta objecção, introduziram-se as novas
propostas práticas [precedidas] de uma exposição de motivos
[1otivierung] teórica que procurava demonstrar que fazia
parte do princípio do socialismo proteger a propriedade
pequeno-camponesa contra a decadência [causada] pelo
modo de produção capitalista, apesar de se ver perfeitamente
que essa decadência é inevitável. Vejamos agora mais de
perto essa exposição de motivos, assim como as próprias
reivindicações que, em Setembro deste ano, foram adoptadas
no Congresso de Nantes.
A exposição de motivos começa [assim]:
«Considerando que, nos termos
mesmos do programa geral do Partido,
os produtores não poderiam ser livres
senão na medida em queestiverem na
posse dos meios de produção;
«Considerando que se, no domínio
industrial, esses meios de produção
atingiram já um grau de centralização
capitalista tal que não podem ser
restituídos aos produtores senão sob a
forma colectiva ou social, não se passa
o mesmo actualmente, pelo menos em
França, no domínio agrícola ou
fundiário [terrien], uma vez que o
meio de produção, que o solo é, se
encontra ainda em muitos pontos
possuído, a título individual, pelos
próprios produtores;
«Considerando que se este estado de
coisas, caracterizado pela propriedade
camponesa, está fatalmente chamado
a desaparecer
(6*)
, o socialismo não tem
que precipitar essa desaparição, uma
vez que o seu papel não é separar a
propriedade e o trabalho, mas, pelo
contrário, reunir nas mesmas mãos
estes dois factores de toda a produção,
cuja divisão arrasta consigo a servidão
e a miséria dos trabalhadores caídos
no estado de proletários;
«Considerando que se, por meio dos
grandes domínios retomados aos seus
detentores ociosos, ao mesmo título
que os caminhos-de-ferro, minas,
fábricas, etc, o dever do socialismo é
de repor na posse, sob forma colectiva
ou social, os proletários agrícolas, seu
dever não menos imperioso é manter
na posse dos seus pedaços de terra -
contra o fisco, a usura e as usurpações
dos novos senhores do solo - os
proprietários que cultivam eles
próprios;
«Considerando que há lugar para
estender esta protecção aos
produtores que, sob o nome de
rendeiros e de parceiros
(7*)
, cultivam
[)ont valoir] as terras dos outros e
que, se eles exploram jornaleiros, a
isso são de certo modo constrangidos
pela exploração de que eles próprios
são vítimas:
«o Partido operário que, ao inverso
dos anarquistas, não espera da miséria
alargada e intensificada a
transformação da ordem social e não
vê libertação para o trabalho e para a
sociedade senão na organização e nos
esforços combinados dos
trabalhadores dos campos e das
cidades, apoderando-se do governo e
fazendo a lei, adoptou o programa
agrícola seguinte, destinado a coalizar
na mesma luta contra o inimigo
comum - a feudalidade fundiária -
todos os elementos da produção
agrícola, todas as actividades que, a
diversos títulos, aproveitam [mettent
en va!leur] o solo nacional.»
(8*)
Vejamos agora algo mais de perto estes «considerandos».
Antes do mais, a proposição do programa francês segundo
a qual a liberdade dos produtores pressupõe a posse dos
meios de produção-tem que ser completada pelas que dela
igualmente se seguem: que a posse dos meios de produção
só é possível em duas formas: ou como posse individual
[Ein$elbesit$], forma que nunca e em parte nenhuma existiu
em geral para os produtores e que é diariamente tornada
mais impossível pelo progresso industrial; ou, então, como
posse comum [2emeinbesit$], uma forma cujos pressupostos
materiais e intelectuais foram já estabelecidos pelo
desenvolvimento da própria sociedade capitalista; que,
portanto, há que lutar pelo apossamento [Besit$ergrei)ung*
comunit3rio ;gemeinsc'a)tlic'] dos meios de produção com
todos os meios que estejam ao dispor do proletariado.
A posse comum dos meios de produção é, portanto,
apresentada aqui como o único objectivo principal por que há
que esforçar-se. Não apenas para a indústria, onde o terreno
já está preparado, mas em geral, portanto, também para a
agricultura. A posse individual, segundo o programa, nunca
nem em parte alguma vigorou em geral para todos os
produtores; precisamente por isso, e porque o progresso
industrial de qualquer modo a elimina, o socialismo não tem
interesse nenhum na sua manutenção, mas tão-só na sua
eliminação; pois, onde e na medida em que exista, torna a
posse comum impossível. Uma vez que nos reclamamos do
programa, [reclamemo-nos] então também do programa
todo, que modifica muito significativamente a proposição
citada em Nantes, ao apreender a verdade geral histórica aí
expressa apenas nas condições sob as quais ela hoje pode
permanecer uma verdade na Europa Ocidental e na América
do Norte.
A posse dos meios de produção pelos produtores
individuais, hoje em dia, já não concede a esses produtores
qualquer liberdade real. O artesanato, nas cidades, já está
arruinado; em grandes cidades, como Londres, desapareceu
mesmo totalmente, substituído pela grande indústria, pelo
sistema do fazer-suar [<c'(it$s8stem]
(9*)
e pelos miseráveis
sucateiros que vivem da bancarrota. O pequeno camponês
auto-subsistente nem está na posse segura do seu bocadinho
de terra, nem é livre. Ele, assim como a sua casa, o seu pátio
[.o)], os seus campitos, pertencem ao usurário; a sua
existência é mais insegura que a do proletário que, pelo
menos, uma vez por outra vive dias tranquilos, o que nunca
acontece ao atormentado escravo das dívidas. Riscai o artigo
2102 do Código Civil, assegurai por lei ao camponês um
efectivo impenhorável de alfaias, gado, etc; mas não podereis
assegurá-lo contra um caso de força maior [0(angslage] ém
que ele terá de vender o seu gado mesmo «de livre vontade»
[)rei(illig], se terá de entregar de corpo e alma ao usurário e
ficará contente por comprar um curto adiamento. A vossa
tentativa de proteger os pequenos camponeses na sua
propriedade, não protege a liberdade deles, mas apenas a
forma particular da sua servidão; prolonga uma situação em
que ele não pode nem viver nem morrer; o apelo ao primeiro
parágrafo do vosso programa está, portanto, aqui
completamente deslocado.
A exposição dos motivos diz que na França hodierna os
meios de produção, nomeadamente, o solo, ainda em muitos
lugares se encontram, como posse individual, nas mãos dos
produtores individuais; que a tarefa do socialismo não seria,
porém, separar a propriedade do trabalho, mas, pelo
contrário, unificar estes dois factores de toda a produção nas
mesmas mãos. - Como já foi indicado, nesta generalidade, o
ultimamente referido de modo nenhum é tarefa do
socialismo; a sua tarefa é, antes, apenas a transferência dos
meios de produção para os produtores como posse comm
;2emeinbesit$]. Logo que percamos isto de vista, a
proposição de acima leva-nos directamente ao erro,
nomeadamente o de que o socialismo é chamado a
transformar a actual propriedade aparente [<c'eineigentum]
do pequeno camponês sobre os seus campos numa
[propriedade] real, e, portanto, o pequeno rendeiro em
proprietário e o proprietário endividado num [proprietário]
livre de dívidas. O socialismo tem, sem dúvida, interesse em
que esta falsa aparência [<c'ein] da propriedade camponesa
desapareça; mas não desta maneira.
Em todo o caso, chegámos tão longe que a exposição de
motivos pode declarar rotundamente como dever [P)lic't] do
socialismo, e mesmo como seu dever imperioso
«manter na posse dos seus pedaços de
terra - contra o fisco, a usura e as
usurpações dos novos senhores do
solo - os proprietários que cultivam
eles próprios».
A exposição de motivos impõe, assim, ao socialismo o
dever imperioso de realizar algo que, no parágrafo anterior,
tinha declarado impossível. Dá-lhe como tarefa «manter» a
propriedade de parcelas [Par$elleneigentum] dos
camponeses, apesar de ela própria dizer que essa
propriedade está «fatalmente chamada a desaparecer».
(10*)
O
fisco, a usura, os recém-surgidos grandes senhores da terra,
que são eles se não os instrumentos por meio dos quais a
produção capitalista completa essa decadência [=ntergang]
inevitável? Com que meios «o socialismo» deve proteger o
camponês contra esta trindade, veremos adiante.
Mas, não só o pequeno camponês deve ser protegido na
sua propriedade. Do mesmo modo
«há lugar para estender esta protecção
aos produtores que, sob o nome de
rendeiros e de parceiros
(11*)
, cultivam
as terras dos outros e que, se eles
exploram jornaleiros, a isso são de
certo modo constrangidos pela
exploração de que eles próprios são
vítimas».
Aqui já chegamos a um terreno inteiramente singular. O
socialismo dirige-se muito especialmente contra a exploração
do trabalho assalariado. E aqui é declarado dever imperioso
do socialismo proteger os rendeiros franceses quando
eles >e"ploram jornaleiros» - assim se diz literalmente! E
precisamente assim, porque, em certa medida, eles são
compelidos a isso «pela exploração de que eles próprios são
vítimas»!
(12*)
Como é fácil e agradável escorregar ainda mais para
baixo, depois de se estar no plano inclinado! Se, agora, o
grande e o médio camponês da Alemanha viessem e
pedissem aos socialistas franceses que intercedessem junto
da direcção [9orstand] do partido alemão para que o partido
social-democrata alemão os protegesse na exploração dos
seus criados e criadas, apelando, para isso, para a
«exploração de que eles próprios são vítimas» por usurários,
colectores de impostos, especuladores de cereais e
negociantes de gado - que responderiam eles? E quem lhes
garante que os nossos grandes possuidores fundiários
agrários lhes não enviam também o conde Kanitz (o qual,
aliás, também apresentou uma proposta semelhante à deles
de estatização [9erstaatlic'ung] da importação de cereais) e
de igual modo lhes pedem protecção socialista para a sua
exploração dos operários do campo, apelando para a
«exploração de que eles próprios são vítimas» por usurários
da Bolsa, da renda e dos cereais?
Digamos aqui também que os nossos amigos franceses
não têm tão más intenções quanto aqui deixam parecer. O
parágrafo acima deve aplicar-se apenas a um caso
inteiramente especial, nomeadamente a este: No Norte da
França, tal como nas nossas regiões de açúcar de beterraba,
aluga-se terra aos camponeses com a obrigação
[9erp)lic'tung] de cultivar beterraba em condições
extremamente onerosas; têm que vender a beterraba a uma
fábrica determinada ao preço por ela fixado, têm que comprar
determinadas sementes, têm de aplicar uma quantidade
fixada de adubo prescrito e, ainda por cima, na entrega são
vergonhosamente intrujados. Tudo isto, aliás, também nós
conhecemos na Alemanha. Mas, uma vez que se quer tomar
sob protecção esta espécie de camponeses, tem que se dizer
isso directa e expressamente. Tal como a proposição está, na
sua generalidade não-limitada, é uma violação directa, não só
do programa francês, mas do princípio fundamental do
socialismo em geral, e os seus autores não se poderão
queixar se essa redacção descuidada for explorada, dos mais
diversos lados, contra a sua intenção.
Prestam-se à mesma má-interpretação as palavras finais
da exposição de motivos, segundo as quais o partido operário
socialista tem a tarefa de
«coalizar na mesma luta contra o
inimigo comum - a feudalidade
fundiária - todos os elementos da
produção agrícola, todas as actividades
que, a diversos títulos, aproveitam o
solo nacional».
Nego terminantemente que o partido operário socialista
de qualquer país tenha a tarefa de recolher no seu seio, além
dos proletários do campo e dos pequenos camponeses,
também os médios e grandes camponeses ou ainda os
rendeiros de grandes bens [territoriais], os criadores de gado
capitalistas e os outros aproveitadores capitalistas do solo
nacional. A feudalidade da posse fundiária pode aparecer-lhes
a todos como inimiga comum. Podemos, em certas questões,
juntar-nos a eles, podemos lutar ao lado deles por
determinados objectivos, durante um lapso de tempo. Ora, no
nosso partido podemos por certo admitir indivíduos de todas
as classes da sociedade, mas de modo nenhum podemos
admitir quaisquer grupos de interesses capitalistas, médio-
burgueses ou médio-camponeses. Também aqui a intenção
não é tão má quanto parece; os autores manifestamente que
não pensaram em nenhuma destas coisas; infelizmente,
porém, o ímpeto de generalização venceu-os, e não deve
espantá-los se precisamente alguém os tomar à letra.
Após a exposição de motivos vêm agora os recém-
decididos aditamentos ao próprio programa. Traem a mesma
falta de atenção na redacção do que aquela.
O artigo segundo o qual as comunas devem comprar
máquinas agrícolas e as devem alugar aos camponeses ao
preço de custo é alterado para que as comunas, em primeiro
lugar, devem receber ajudas do Estado para esse objectivo, e,
em segundo lugar, devem pôr as máquinas à disposição dos
pequenos camponeses grátis. Esta ulterior concessão
seguramente que não ajudará os pequenos camponeses,
cujos campos e modo de exploração [Betriebs(eise] apenas
permite pouco emprego de máquinas, a fazerem fortuna.
Em seguida:
«Abolição de todos impostos indirectos e transformação
dos impostos directos em imposto progressivo sobre os
rendimentos que ultrapassem 3000 francos.»
Uma reivindicação semelhante encontra-se desde há anos
em quase todos os programas sociais-democratas. Que,
porém, ela seja apresentada especialmente no interesse dos
pequenos camponeses é [algo de] novo e prova apenas quão
pouco se contou com o seu alcance. Tomemos a Inglaterra. Lá
o orçamento do Estado eleva-se a 90 milhões de libras
esterlinas. Deles, 13
1
/
2
a 14 milhões são fornecidos pelos
impostos sobre os rendimentos, os restantes 76 milhões, na
parte mais pequena, por taxação de empresas [2esc'?)ten]
(Correios, Telégrafos, selo), mas de longe, na maior parte,
por cargas sobre o consumo de massa, pelo depenar sempre
repetido, em montantes pequenos, imperceptíveis, mas que
ascendem a muitos milhões, do rendimento de todos os
habitantes, mas sobretudo dos mais pobres. E, na sociedade
hodierna, mal é possível cobrir as despesas do Estado de
outra maneira. Suponhamos que, em Inglaterra, todos os 90
milhões eram suportados pelos rendimentos de 120 libras
esterlinas = 3000 francos, e mais, com impostos directos
progressivos. A acumulação anual média, o aumento anual da
riqueza nacional total [gesamt] elevou-se em 1865-1875,
segundo Giffen, a 240 milhões de libras esterlinas. Digamos
que é agora igual a 300 milhões anuais; uma carga fiscal de
90 milhões consumiria quase um terço da acumulação total.
Por outras palavras, nenhum governo - a não ser um
socialista - pode empreender uma coisa dessas; quando os
socialistas estiverem ao leme terão de executar coisas ao lado
das quais aquela reforma de impostos figurará apenas como
um pagamento por conta momentâneo, inteiramente
insignificante, e, nessa ocasião, perspectivas inteiramente
diferentes serão abertas aos pequenos camponeses.
Parece também que se reconhece que os camponeses
teriam que esperar bastante tempo por essa reforma de
impostos e, portanto, «entretanto» 6en attendant@
(13*)
deixa-
se-lhes entrever:
«a supressão do imposto fundiário
para todos os proprietários que
cultivem eles próprios e diminuição
desse imposto para aqueles cuja terra
esteja onerada com dívidas
hipotecárias».
A segunda metade desta reivindicação só se pode referir a
bens [territoriais] camponeses [BauerngAter] maiores do que
aqueles que a própria família pode cultivar; é, portanto, de
novo, um favor àqueles camponeses que «exploram
jornaleiros».
Em seguida:
«Liberdade de caça [c'asse] e de
pesca, sem outros limites que não
sejam as medidas necessitadas pela
conservação da caça [gibier] e do
peixe e a preservação das colheitas.»
Isto soa muito popular, mas a segunda parte da frase
suprime a primeira. Quantas lebres, perdizes, lúcios e carpas
há então, mesmo hoje, na área toda da aldeia [Bor))lur], por
família camponesa? Por ventura mais do que [o necessário]
para se poder ceder a cada camponês um dia de caça e de
pesca no ano?
«Redução da taxa legal e convencional
do juro do dinheiro» -
portanto, leis da usura renovadas, tentativa renovada de
executar uma medida de polícia que, desde há dois mil anos,
sempre e por toda a parte tem fracassado. Se um pequeno
camponês cair numa situação em que, para ele, o mal menor
é ir ao usurário, o usurário encontra sempre meios de o sugar
sem cair sob a alçada da lei da usura. Esta medida poderia
quando muito servir para tranquilização do pequeno
camponês, mas não lhe traria vantagem; pelo contrário,
dificulta-lhe o crédito, precisamente, quando ele dele mais
precisa.
«Organização de um serviço gratuito
de medicina e de um serviço de
farmácia a preço de custo» -
em todo o caso, isto não é nenhuma medida de protecção
especial do camponês; o programa alemão vai mais longe e
exige também medicamentos gratuitos.
«Indemnização, durante o tempo de
serviço [appel], às famílias dos
reservistas» -
existe já, ainda que sob uma figura extremamente
insuficiente, na Alemanha e na Áustria, e, igualmente, não é
uma reivindicação especialmente camponesa.
«Abaixamento das tarifas de
transporte para os adubos, as
máquinas e os produtos agrícolas» -
no essencial, na Alemanha, está realizado e, com efeito,
principalmente no interesse do - grande possuidor fundiário.
«Estudo [mise C lD7tude] imediato de
um plano de trabalhos públicos tendo
por objecto o melhoramento do solo e
o desenvolvimento da produção
agrícola» -
deixa tudo no vasto campo da indeterminação e das belas
promessas e é igualmente no interesse, antes de tudo, da
grande posse fundiária.
Em suma, depois de todo o poderoso ímpeto teórico da
exposição de motivos, as propostas práticas do novo
programa agrário menos ainda nos dão qualquer explicação
de como o partido operário francês quer chegar a manter os
pequenos camponeses na posse de uma propriedade de
parcelas que, segundo as suas próprias palavras [Eussage],
está irremediavelmente condenada à decadência.
00
Num ponto têm os nossos camaradas franceses
incondicionalmente razão: contra o pequeno camponês não é
possível em França qualquer revolucionamento duradouro. Só
que me parece que, para chegar ao camponês, não aplicaram
a alavanca no ponto correcto.
Vão, parece, ganhar o pequeno camponês de um dia para
o outro, se possível, já para a próxima eleição geral. Só
podem ter esperança de o alcançar através de garantias
gerais muito ousadas, para defesa das quais eles são
obrigados a lançar considerações teóricas ainda mais
ousadas. Se se vir as coisas mais de perto, descobre-se que
as garantias gerais se contradizem a si próprias (promessa de
querer manter um estado, que se declara irremediavelmente
condenado à decadência) e que as medidas singulares ou são
de nenhum efeito (leis da usura) ou então são reivindicações
operárias gerais ou são tais que também são a favor da
grande posse fundiária, ou, finalmente, são tais que o seu
alcance no interesse do pequeno camponês de modo algum é
muito significativo; de tal modo que a parte directamente
prática do programa por si só corrige o primeiro ímpeto
erróneo e reduz as grandes palavras da exposição de
motivos, que tinham um aspecto perigoso, a uma medida
efectivamente inocente.
Digamo-lo francamente: pelos seus preconceitos
resultantes de toda a sua situação económica, da sua
educação, da sua maneira de viver isolada, e alimentados
pela imprensa burguesa e pelos grandes possuidores
fundiários, só podemos ganhar a massa dos pequenos
camponeses de um dia para o outro se lhes prometermos
algo que nós próprios sabemos que não poderemos manter.
Teríamos, precisamente, que lhes prometer proteger a posse
deles, não só contra todos os poderes económicos que a
assaltam, em todas as circunstâncias, como também libertá-
la de todos os encargos que agora já a oprimem: transformar
o rendeiro num proprietário livre, pagar ao proprietário que
sucumbe à hipoteca as dívidas dele. Se o pudéssemos fazer,
voltaríamos ao ponto a partir do qual a situação hodierna de
novo se desenvolveria com necessidade. Não teríamos
libertado os camponeses, ter-lhes-íamos proporcionado um
curto adiamento.
Mas não é interesse nosso ganhar o camponês de um dia
para o outro, para ele, quando nós não pudéssemos manter a
promessa, de um dia para o outro nos voltar a faltar. Não
podemos admitir como camarada de partido o camponês que
espera de nós que lhe eternizemos a sua propriedade de
parcelas, tão pouco quanto o pequeno mestre-artesão que se
quer eternizar como mestre. Gente desta pertence aos anti-
semitas. Eles que vão ter com eles, eles que os façam
prometer a salvação da sua pequena exploração; depois de
terem experimentado lá a importância que têm essas frases
brilhantes e quais as melodias que os violinos, de que o céu
anti-semita está carregadinho, tocam, então, verão, numa
medida sempre crescente, que nós, que prometemos pouco e
que procuramos a salvação numa direcção inteiramente
diferente, que nós ainda somos a gente mais segura. Se os
franceses tivessem, como nós, uma ruidosa demagogia anti-
semita, dificilmente teriam cometido os erros de Nantes.
Qual é, então, a nossa posição para com o pequeno
campesinato? E como teremos de nos comportar para com
eles no dia em que nos couber o poder do Estado?
Em primeiro lugar, a proposição do programa francês está
incondicionalmente correcta: antevemos a decadência
inevitável do pequeno camponês, mas, de modo nenhum,
somos chamados a acelerá-la através de ataques da nossa
parte.
E, em segundo lugar, é igualmente palpável que, quando
estivermos de posse do poder do Estado, não poderemos
pensar em expropriar pela força os pequenos camponeses
(tanto faz que com ou sem indemnização), como seremos
obrigados a fazer com os grandes possuidores fundiários. A
nossa tarefa face ao pequeno camponês consiste, antes do
mais, em fazer transitar a sua exploração privada e a sua
posse privada para uma [exploração e posse] cooperativas,
não pela força, mas através do exemplo e da oferta de ajuda
social para esse objectivo. E aqui temos, sem dúvida, meios
suficientes para fazer entrever ao pequeno camponês
vantagens que já agora lhe terão de saltar à vista.
Há já quase vinte anos, os socialistas dinamarqueses, que
no seu país só possuem propriamente uma cidade -
Kopenhagen -, e que, portanto, fora dela, quase que estão
remetidos só à propaganda camponesa, projectaram planos
semelhantes. Os camponeses de uma aldeia ou paróquia
[Firc'spiel] - há, na Dinamarca, muitos casais [.G)e]
singulares grandes - deviam juntar a sua terra num grande
domínio [2ut], cultivá-lo por conta comum, e partilhar o
rendimento [Ertrag] na proporção dos pedaços de terra,
adiantamentos em dinheiro e prestações de trabalho
implicados. Na Dinamarca, a pequena posse desempenha
apenas um papel secundário. Mas, se aplicarmos a ideia a
uma região de parcelas [Par$ellengebiet], veremos que pela
junção das parcelas e pela cultura em grande [2ross,ultur]
da sua superfície total, uma parte das forças de trabalho até
aqui empregues se tornaria supérflua; nesta poupança de
trabalho reside, precisamente, uma das principais vantagens
da cultura em grande. Para estas forças de trabalho pode ser
encontrada ocupação por duas vias. Ou se põe à disposição
da cooperativa camponesa outras extensões de terra de
grandes domínios [2uter] vizinhos; ou, então, se lhes
proporcionam os meios e a oportunidade para trabalho
industrial paralelo, o mais possível e preponderantemente
para uso próprio. Em ambos os casos, colocam-se [essas
forças de trabalho] numa situação económica melhor e
assegura-se, simultaneamente, à direcção social geral a
necessária influência para gradualmente fazer passar a
cooperativa camponesa a uma forma superior e para igualizar
os direitos e os deveres tanto da cooperativa no seu conjunto
como dos seus membros singulares com os dos restantes
ramos da grande comunidade. Como é que isto se fará em
pormenor em cada caso especial dependerá das
circunstâncias do caso e das circunstâncias em que nos
apossarmos do poder público. Assim, estaremos
possivelmente em condições de fornecer a estas cooperativas
ainda outras vantagens: assunção da sua dívida hipotecária
total [2esamt'8pot'e,ensc'uld] pelo banco nacional com
forte redução dos juros, adiantamentos de meios públicos
para estabelecimento da exploração em grande
[2rossbetrieb] (adiantamentos não necessariamente ou não
de preferência em dinheiro, mas nos próprios produtos
necessários: máquinas, adubos artificiais, etc.) e ainda outras
vantagens.
O principal em tudo isto é e continua a ser tornar
compreensível aos camponeses que nós só lhes podemos
salvar a posse da casa e do campo deles, só a podemos
manter, pela transformação em posse e exploração
cooperativas. É, precisamente, o cultivo individual
[Ein$el(irtsc'a)t] condicionado pela posse individual que
empurra os camponeses para a decadência. Se eles insistirem
na exploração individual [Ein$elbetrieb], serão
inevitavelmente expulsos da casa e da quinta [.o)], o seu
modo de produção antiquado será suplantado pela grande
exploração capitalista. As coisas estão assim; e vimos nós e
oferecemos aos camponeses a possibilidade de introduzirem a
própria exploração em grande, não por conta capitalista, mas
por conta própria comum deles. Que isto é do próprio
interesse deles, que isto é o único meio de salvação deles,
não deveria isto ser feito compreender aos camponeses?
Nem agora nem nunca mais podemos prometer aos
camponeses das parcelas a manutenção da propriedade
individual e da exploração individual contra o poder superior
[Übermac't] da produção capitalista. Nós só lhes podemos
prometer que não inteferiremos nas suas relações de
propriedade, contra a vontade deles, pela força. Podemos,
além disso, ser a favor de que a luta dos capitalistas e
grandes possuidores fundiários contra os pequenos
camponeses seja já hoje travada com o menos possível de
meios ilícitos e que roubo directo ou intrujice, tal como
demasiado frequentemente ocorrem, sejam o mais possível
impedidos. Isso só excepcionalmente será conseguido. No
modo de produção capitalista desenvolvido, pessoa nenhuma
sabe onde acaba a honradez e onde começa a intrujice. Mas
fará sempre uma diferença significativa que o poder público
esteja do lado do intrujador ou do intrujado. E claro que nós
estamos decididamente do lado do pequeno camponês;
faremos tudo aquilo que for admissível para tornar a sua
sorte mais suportável, para lhe facilitar a transição para a
cooperativa, no caso de ele a isso se decidir, e mesmo para,
no caso de ele ainda não poder tomar essa decisão, lhe
possibilitar um tempo de reflexão alongado acerca das suas
parcelas. Fazemos isto, não só por considerarmos o pequeno
camponês que trabalha para si [selbstarbeitend] como sendo
virtualmente dos nossos, mas também no interesse directo do
Partido. Quanto maior for o número dos camponeses a que
pouparmos a queda real no proletariado, que pudermos
ganhar para nós ainda como camponeses, tanto mais rápida e
facilmente se completará a reorganização [=mgestaltung]
social. Não nos pode servir ter de esperar por essa
reorganização até que a produção capitalista se tenha
desenvolvido por toda a parte até às suas últimas
consequências, até que também o último pequeno artesão e o
último pequeno camponês tenham sido sacrificados à grande
exploração capitalista. Os sacrifícios materiais de meios
públicos que, neste sentido, no interesse dos camponeses, há
que fazer, do ponto de vista da economia capitalista, não
podem aparecer senão como dinheiro deitado à rua, mas
apesar disso eles são um excelente investimento, pois
poupam, talvez, dez vezes o montante dos custos da
reorganização [Heorganisation] social, em geral. Neste
sentido, podemos, portanto, comportar-nos muito
liberalmente para com os camponeses. Não é aqui o lugar
para entrar em pormenores, para fazer propostas
determinadas nessa direcção; aqui, pode tratar-se apenas das
linhas gerais fundamentais.
Segundo isto, portanto, não podemos prestar pior serviço,
não só ao Partido, como também aos pequenos camponeses,
do que [fazer] promessas que mesmo apenas suscitem a
ilusão de que nós encaramos a manutenção duradoura da
propriedade de parcelas. Isso significaria barrar directamente
aos camponeses o caminho da sua libertação e rebaixar o
Partido ao nível do anti-semitismo barulhento. Pelo contrário.
É dever do nosso Partido tornar sempre repetidamente clara
para os camponeses a absoluta irremediabilidade
[Hettungslosig,eit] da sua situação, enquanto o capitalismo
dominar, a impossibilidade absoluta de manterem a sua
propriedade de parcelas como tal, a certeza absoluta de que a
grande produção capitalista passará por cima da sua
impotente e antiquada pequena exploração, como um
comboio por cima de um carrinho de mão. Se fizermos isto,
agiremos no sentido do inevitável desenvolvimento
económico, e este não deixará de abrir as cabeças dos
pequenos camponeses para as nossas palavras.
De resto, não posso abandonar este assunto sem exprimir
a convicção de que, no essencial, também os autores do
programa de Nantes são do mesmo parecer que eu. Eles são
inteligentes de mais para não saberem que também o
território rural que se encontra agora em propriedade de
parcelas está determinado a transitar para posse comum. Eles
próprios admitem que a propriedade de parcelas está
chamada a desaparecer. O Relatório do Conselho Nacional ao
Congresso de Nantes, da autoria de Lafargue, corrobora
também completamente este parecer. Foi publicado em
alemão no <o$ialdemo,rat de Berlin, de 18 de Outubro deste
ano
[N290]
. O que há de contraditório no modo de expressão do
Programa de Nantes trai já que aquilo que os autores
realmente dizem não é aquilo que eles tinham a intenção de
dizer. Se não forem entendidos e se as suas expressões foram
mal utilizadas, como de facto já aconteceu, sem dúvida que
isso é culpa deles. Em todo o caso, terão de explicar melhor o
seu programa e o próximo congresso francês terá de o rever
profundamente.
Chegamos agora aos camponeses maiores. Encontram-se
aqui, na sequência, principalmente, de heranças, mas
também de endividamento e de vendas forçadas de terra,
toda uma amostra de estádios intermédios do camponês das
parcelas até ao grande camponês, que possui o seu
antigo .u)e
(14*)
todo e mesmo mais. Onde o camponês médio
vive entre camponeses de parcelas, nos seus interesses e
perspectivas não se diferenciará essencialmente deles; a sua
própria experiência dir-lhe-á, contudo, obrigatoriamente
quantos dos seus iguais não desceram já a pequenos
camponeses. Porém, onde predominam camponeses médios e
grandes e a exploração económica requer generalizadamente
a ajuda de criados e criadas, a coisa põe-se de um modo
inteiramente diferente. Um Partido operário tem,
naturalmente, em primeira linha, que ser a favor dos
operários assalariados, portanto, dos criados, criadas e
jornaleiros; está-lhe evidentemente vedado fazer aos
camponeses quaisquer promessas que incluam a continuação
da servidão assalariada dos operários. Mas, enquanto os
grandes e médios camponeses continuarem a existir como
tais, não poderão safar-se sem operários assalariados. Se,
portanto, do nosso lado, é um simples disparate dar aos
camponeses das parcelas a perspectiva da continuação
duradoura da sua existência como camponeses de parcelas,
tocaria directamente as raias da traição querermos prometer
o mesmo aos grandes e médios camponeses.
Temos aqui de novo o paralelo com os artesãos das
cidades. Sem dúvida que já caíram mais na ruína do que os
camponeses, mas também ainda há alguns que, além dos
aprendizes [-e'rlingen], empregam ainda oficiais [2esellen]
ou para quem os aprendizes fazem trabalho de oficial.
Aqueles destes mestres artesãos que se querem eternizar
como tal podem ir para os anti-semitas até ficarem
convencidos que por lá também não serão ajudados. Os
restantes, que percebem a inevitabilidade da decadência do
seu modo de produção e vêm até nós, estão, porém,
preparados também para partilharem no futuro o destino que
se anuncia para todos os outros operários. Não se passa de
outro modo com os grandes e médios camponeses. Os seus
criados, criadas e jornaleiros interessam-nos, e,
evidentemente, [interessam-nos] mais do que eles. Se esses
camponeses querem a garantia da continuação da sua
exploração, nós não podemos absolutamente dar-lha. O seu
lugar está, então, entre os anti-semitas, membros de ligas de
camponeses e partidos semelhantes, que têm prazer em
prometer tudo e em nada cumprir. Nós temos a certeza
económica de que também o grande e o médio camponês têm
infalivelmente que sucumbir ante a concorrência da
exploração capitalista e da produção ultramarina mais barata
de cereais, como o crescente endividamento e o declínio
desses camponeses, visível por toda a parte, também
demonstram. Contra esse declínio não podemos fazer nada, a
não ser recomendar aqui a reunião dos bens
[territoriais, 2Ater] em explorações cooperativas, pelo que a
exploração do trabalho assalariado pode ser cada vez mais
eliminada e a gradual transformação em ramos - com iguais
direitos e iguais deveres - da grande cooperativa nacional de
produção pode ser introduzida. Se os camponeses virem a
inevitabilidade da decadência do seu modo de produção
actual e tirarem daí as necessárias consequências, virão até
nós e será nossa função facili-tar-lhes, na medida das nossas
forças, a transição para o modo de produção transformado.
Noutro caso, teremos de os abandonar ao seu destino e virar-
nos para os seus operários assalariados, entre os quais já
encontraremos eco. Também aqui, verosimilmente, nos
absteremos de uma expropriação pela força e, quanto ao
resto, poderemos contar com que o desenvolvimento
económico fará estes crânios duros escutar a razão.
A coisa só é inteiramente simples com a grande posse
fundiária. Temos aqui uma exploração capitalista indisfarçada
e para ela não valem nenhuns escrúpulos de qualquer
espécie. Temos aqui perante nós proletários rurais em massa
e a nossa tarefa é clara. Assim que o nosso Partido estiver de
posse do poder do Estado terá simplesmente que expropriar
os grandes possuidores fundiários, inteiramente como os
fabricantes industriais. Se essa expropriação sucederá com ou
sem indemnização, não dependerá em grande parte de nós,
mas das circunstâncias em que chegarmos à posse do poder
e, nomeadamente, também da postura dos senhores grandes
possuidores fundiários. De modo nenhum vemos em todas as
circunstâncias uma indemnização como inadmissível; Marx
exprimiu-me - e quantas vezes! - como sendo o parecer
dele que nós nos safaríamos da maneira mais barata possível
se pudéssemos comprar esse bando todo. No entanto, não é
isso que aqui nos ocupa. Os grandes bens [territoriais] assim
devolvidos à colectividade, teríamos de os entregar, para
utilização sob o controlo da colectividade, aos operários do
campo que já agora os cultivam e que haveria que organizar
em cooperativas. Em que modalidades, não tem agora ainda
que ser fixado. Em todo o caso, a transformação da
exploração capitalista em [exploração] social está já aqui
plenamente preparada e pode ser completada de um dia para
o outro, inteiramente como, por exemplo, na fábrica do
senhor Krupp ou do senhor von Stumm. E o exemplo destas
cooperativas agrícolas convenceria também os últimos
camponeses de parcelas ainda algo renitentes, e
provavelmente também muitos grandes camponeses, das
vantagens da grande exploração cooperativa.
Podemos, portanto, abrir aqui aos proletários do campo
uma perspectiva tão brilhante como aquela que se oferece
aos operários da indústria. E, assim, conquistar os operários
do campo da Prússia a leste do Elba não pode ser, para nós,
senão uma questão de tempo e mesmo do mais curto. Mas,
se tivermos os operários do campo a leste do Elba, logo
soprará na Alemanha toda um vento diferente. A efectiva
semi-servidão [-eibeigensc'a)t] dos operários do campo a
leste do Elba é a base principal da dominação dos Iun,er na
Prússia e por isso da hegemonia [&ber'errsc'a)t]
especificamente prussiana na Alemanha. São os Iun,er a
leste do Elba - cada vez mais a cair no endividamento, no
empobrecimento, no parasitismo à custa do Estado e de
privados, e que, por isso mesmo, se agarram com tanto mais
força à sua dominação - que criaram e mantêm o carácter
especificamente prussiano da burocracia assim como do corpo
de oficiais do exército; foi a altivez, a tacanhez e a arrogância
[desses Iun,er] que, no país [/nland], tornou tão odiado o
império alemão da nação prussiana
[N291]
- apesar de toda a
compreensão [Einsic't] da sua momentânea inevitabilidade
como a única forma actualmente alcançável de unidade
nacional - e, no estrangeiro, apesar de todas as brilhantes
vitórias, o tornou tão pouco respeitado. O poder
destes Iun,er repousa em que, no território fechado das sete
províncias da velha Prússia - portanto, algo como um terço
de todo o território do império - eles dispõem da posse
fundiária, que lá traz consigo o poder social e político; e não
[dispõem] apenas da posse fundiária, mas também, por
intermédio das fábricas de açúcar de beterraba e das
destilarias de aguardente, das indústrias mais significativas
desse território. Nem os grandes possuidores fundiários do
resto da Alemanha nem os grandes industriais estão numa
situação favorável semelhante; nem estes nem aqueles
dispõem de um reino fechado. Uns e outros estão dispersos
por vastos espaços e em concorrência, tanto entre si como
com outros elementos sociais que os rodeiam, pela
predominância [9ormac't] económica e política. Mas esta
posição de poder [1ac'tstellung] dos Iun,er prussianos perde
cada vez mais o seu suporte [=nterlage] económico. O
endividamento e o empobrecimento estendem-se também aí
imparavelmente entre eles, apesar de toda a ajuda do Estado
(e, desde Frederido II, esta [ajuda] consta de cada
orçamento em regra dos Iun,er@J só a semi-servidão efectiva,
sancionada por lei e pelo hábito, e a exploração sem limites
dos operários do campo por ela possibilitada ainda mantêm
ao de cima da água a comunidade dos Iun,er ;Iun,ersc'a)t]
que se está a afundar. Lance-se a semente da social-
democracia entre esses operários, dê-se-lhes coragem e
coesão para perseverarem nos seus direitos, e acabar-se-á
com o esplendor [.errlic',eit] dos Iun,er. O grande poder
reaccionário - que para a Alemanha representa o mesmo
elemento bárbaro, conquistador, que o tsarismo russo para a
Europa inteira - despejar-se-á como uma bexiga furada.
Tornem-se os «regimentos de elite» do exército prussiano so-
ciais-democratas, e com isso se completará um deslocamento
do poder que traz no seu seio um inteiro revolucionamento.
Mas, para isso, ganhar os proletários do campo a leste do
Elba é de longe de maior importância do que [ganhar] os
pequenos camponeses oeste-alemães ou mesmo os médios
camponeses do Sul da Alemanha. Aqui, na Prússia a leste do
Elba, reside o nosso campo de batalha decisivo e, por isso,
governo e comunidade dos Iun,er farão apelo a tudo para nos
fechar aqui o acesso. E se - como nos ameaçam -
houverem de vir novas medidas violentas para impedir o
alargamento do nosso Partido, isso acontecerá, antes do
mais, para proteger o proletariado do campo a leste do Elba
da nossa propaganda. Para nós tanto nos faz. Apesar disso,
conquistá-lo-emos.
EssinadoJ Friedrich Engels.
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Notas de rodap1#
(1*) Wird «gelegt». Bauernlegen [é «expulso». Expulsão de camponeses] - termo
técnico da expulsão, expropriação, dos camponeses na história da Alemanha (Nota
de Lenine à sua tradução do começo da obra de Engels.) (retornar ao texto)
(2*) Em francês no texto. (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(3*) Tratou-se do X Congresso do Partido Operário Francês, que se realizou 24 a 28
de Setembro. (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(4*) Em francês no texto. (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(5*) Em francês no texto: Código Civil 88. (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar
ao texto)
(6*) Na sua tradução para alemão desta passagem Engels transcreve entre
parêntesis em francês a frase: (est )atalement appel7 C disparaLtre). (Nota da
ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(7*) Na sua tradução para alemão Engels transcreve entre parêntesis o termo
francês: (meta8ers). (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(8*) Engels traduziu as passagens citadas directamente do francês. Por isso estas
citações não coincidem literalmente com a tradução alemã do programa publicada
em Ber <o$ialdemo,rat [O Social-Democrata], suplemento n.° 38, de 18 de
Outubro de 1894. Na presente edição traduzimos a partir do texto francês
publicado em K. Marx-F. Engels, Oeuvres choisies en trois volumes, Editions du
Progrès, t. III, Moscou, 1976, pp. 483-484. (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar
ao texto)
(9*) Trata-se daquilo a que, em Inglaterra, significativamente se
chamava s(eating!s8stem, e que Marx, em Bas Fapital (cf. MEW, Bd. 23, S. 577),
também traduz por Eussc'(eissungss8stem: o produtor, pago em geral à peça ou
por empreitada, era explorado - feito «suar» - não apenas pelo capitalista, mas
também pelo intermediário, pelo «empreiteiro», que sublocava o trabalho
(subletting o) labour, sublocação de trabalho). (Nota da ediK%o portuguesa.)
(retornar ao texto)
(10*) Reproduzimos na nossa tradução a expressão francesa que Engels referia
acima. A tradução alemã que ele próprio dá neste passoa significaria mais
literalmente em português: «está irremediavelmente votada à decadência». (Nota
da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(11*) Na sua tradução para alemão Engels transcreve entre parêntesis o termo
francês: (meta8ers). (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(12*) Traduzimos do texto francês do programa. Traduzindo a versão alemã de
Engels, seria antes: «pela exploração que sobre eles próprios é cometida». (Nota
da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(13*) Em francês no texto. (Nota da ediK%o portuguesa.) (retornar ao texto)
(14*) Propriedade cujo nome provém de uma antiga medida alemã de superfície,
variável de região para região, entre 7 e 15 hectares. (Nota da edição portuguesa.)
(retornar ao texto)
Notas de 2im de tomo#
[N289] O trabalho Bie Bauern)rage in 4ran,reic' und Beutsc'land 6E Muest%o
:amponesa em 4ranKa e na Eleman'a@ é um importantíssimo documento do
marxismo sobre a questão agrária. O motivo directo que levou Engels a escrever
este trabalho foi a tentativa de Vollmar e de outros oportunistas de se aproveitarem
da discussão do projecto de programa agrário no Congresso de Frankfurt (1894) do
Partido Sociai-Democrata da Alemanha para impor as teorias antimarxistas da
integração gradual dos elementos burgueses rurais no socialismo, etc. Engels
interveio sobre este problema na imprensa também com o objectivo de corrigir os
erros dos socialistas franceses, que se tinham afastado do marxismo e tinham feito
concessões ao oportunismo no seu programa agrário aprovado no congresso de
Marselha em 1892 e completado no congresso de Nantes de 1894. (retornar ao
texto)
[N290] Ber <o$ialdemo,rat 6& <ocial!Bemocrata@J semanário do Partido Social-
Democrata da Alemanha, publicou-se em Berlim em 1894-1895.
O relatório de Lafargue E Propriedade :amponesa e o Besenvolvimento EconNmico,
a que Engels se refere, foi publicado no suplemento do jornal de 18 de Outubro de
1894. (retornar ao texto)
[N291] Paráfrase do nome do Sacro Império Romano-Germânico (ver nota 186),
sublinhando que a unificação da Alemanha se verificou sob a hegemonia da Prússia
e era acompanhada da prussificação das terras alemãs. [Nota 186 = Referência ao
chamado <acro /mp7rio Homano!2ermOnico, império medieval, fundado em 962,
que abrangia o território da Alemanha e, em parte, da Itália. Mais tarde passaram
também a fazer parte do império algumas terras de França, Boémia, Áustria, Países
Baixos, Suíça e outros países. O império não foi um Estado centralizado e
representava uma união pouco sólida de principados feudais e cidades livres, que
reconheciam o poder supremo do imperador. O império deixou de existir em 1806,
quando, em consequência da derrota na guerra contra a França, os Habsburgos se
viram obrigados a renunciar ao título de imperadores do Sacro Império Romano.]
(retornar ao texto)