BENEDITO RENATO ALVES DA CRUZ

OBRIGAÇÃO ALIMENTAR: EQUILÍBRIO ENTRE O
DEVER DE TRATAMENTO IGUALITÁRIO AOS
FILHOS E OS QUESITOS POSSIBILIDADE VERSUS
NECESSIDADE
UNITAU – Depa!a"e#!$ %e C&'#(&a) *+,%&(a)
-./.
BENEDITO RENATO ALVES DA CRUZ
OBRIGAÇÃO ALIMENTAR: EQUILÍBRIO ENTRE O
DEVER DE TRATAMENTO IGUALITÁRIO AOS
FILHOS E OS QUESITOS POSSIBILIDADE VERSUS
NECESSIDADE
Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação
em Direito, para apresentação ao
Departamento de Ciências Jurídicas da
Universidade de Taubaté, como requisito
obriat!rio para a obtenção do título de
"acharel em Direito#
$rientador% &ro'# Dr# (odrio (ibas "ranco
(omeiro
UNITAU – Depa!a"e#!$ %e C&'#(&a) *+,%&(a)
-./.
BENEDITO RENATO ALVES DA CRUZ
OBRIGAÇÃO ALIMENTAR: EQUILÍBRIO ENTRE O DEVER DE
TRATAMENTO IGUALITÁRIO AOS FILHOS E OS QUESITOS
POSSIBILIDADE VERSUS NECESSIDADE
UNIVERSIDADE DE TAUBAT01 TAUBAT01 SP
Da!a:222222222222222222222
Re)+3!a%$: 2222222222222222
BANCA E4AMINADORA
P$56: 222222222222222222222222222222
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AGRADECIMENTOS
)o &ro'# Dr# (odrio (ibas "ranco (omeiro, pelo empenho e dedicação com que
e*erce suas atribuiç+es, e pelo respeito ,s limitaç+es deste seu aluno#
)os demais pro'essores do nosso departamento, que muito além de ministrarem aulas,
conseuem não somente 'ormar pro'issionais do Direito, mas 'ormar cidadãos conscientes de
seus direitos e deveres, e aptos para arear valor , nossa sociedade#
) todos os 'uncion-rios da casa, principalmente aqueles da biblioteca e do laborat!rio
de in'orm-tica, que sem o au*ilio dos quais não seria possível concluir este trabalho#
. especialmente, , Dra# /aria 0rancisca )lves da Cru1 Gomes, minha irmã, de onde
e*traí o interesse pelo Direito, e cu2o e*emplo de persistência e dedicação me 'i1eram ver que
o limite do ser humano é o limite de sua vontade#
BMa)(+3&#$ e 5e"&#&#$ )C$ %$&) p&#(,p&$) 9+e
($#)!$e" $ 8+"a#$ #a 5$"a %e 8$"e" e
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Le$#a%$ B$55
RESUMO
) obriação alimentar quando prestada aos 'ilhos pelo pai, não deve ser vista pelo obriado
como um elemento que substitui sua verdadeira 'unção# $ dever de alimentos, que se 'irmou
ao lono da hist!ria da sociedade tem por 'inalidade arantir a subsistência do indivíduo que
não pode 'a1ê3lo por seus pr!prios meios# . sendo o pai o provedor da 'amília, é sobre ele que
ir- recair tal obriação em relação aos 'ilhos menores# 4a atualidade, devido , velocidade
intensa com que se 'irmam e se rompem os relacionamentos, v-rios são os casos de irmãos,
'ilhos de um mesmo pai, que vivem em lares separados e dele dependem# &orém, por diversos
motivos, esse pai tende a atender de 'orma privileiada aquele que com ele reside, violando o
princípio viente do tratamento iualit-rio aos 'ilhos, sendo necess-ria a intervenção
2urisdicional para que se restabeleça a iualdade, cabendo ao 2ulador avaliar este principio
quando da 'i*ação ou revisão dos alimentos, além de atentar para os quesitos de possibilidade
e necessidade# $ equilíbrio entre o dever de tratamento iualit-rio aos 'ilhos e os quesitos de
possibilidade e necessidade tem por 'inalidade impedir que a relação entre pai e 'ilho se
resuma a uma prestação obriacional#
&)5)6()73C8)6.% )limentos9 0ilhos9 Tratamento :ualit-rio.
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/ I#!$%+DC$
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J A) M+%a#Da) Na Fa",3&a E A A5e!&:&%a%e Na) Re3aDEe) E#!e Pa&) E F&38$)
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P C$#)&%eaDEe) F&#a&)
/. Re5e'#(&a) B&73&$<=5&(a)
/ INTRODUÇÃO
$ presente trabalho 'oi elaborado com o intuito de abordar a obriação alimentar, sob
uma visão restrita , prestação de alimentos aos 'ilhos menores pelo pai, na hip!tese de o
alimentante ter outro 'ilho ;ou 'ilhos< sob sua uarda#
.ssa situação recorrente nos tempos atuais 'a1 com que irmãos se2am tratados pelo pai
com di'erenciação e*trema, principalmente quando a ruptura do relacionamento dos pais se d-
de 'orma litiiosa, 'a1endo com que o pai rompa as relaç+es também com o 'ilho que 'icou
sob a uarda da mãe# :sso ocorre de 'orma mais acentuada quando o pai constitui nova 'amília
e passa a privileiar o 'ilho que com ele convive, limitando3se em relação ao primeiro, a
prestar a obriação lealmente imposta#
)lém disso, na quase totalidade dos casos o pai se vale do arumento da constituição
de nova 'amília para pleitear a redução da obriação destinada ao 'ilho, ainda que tal 'ato não
lhe tenha redu1ido a possibilidade de suportar o encaro#
6isa chamar a atenção da sociedade como um todo, mas em especial, dos operadores
do Direito para que não se arida o princípio do dever de tratamento iualit-rio aos 'ilhos
quando da 'i*ação ou revisão do quantum destinado ao alimentante#
&ara tanto, apresenta em seus capítulos = e > a evolução hist!rica da obriação
alimentar e sua estreita relação com as mudanças ocorridas ao lono dos tempos na estrutura
da 'amília, e também a conversão do p-trio poder em poder 'amiliar, trans'ormando o poder
absoluto que o pai detinha em relação aos 'ilhos em um poder3dever cu2a 'inalidade é
propiciar a autoridade necess-ria para dar ao 'ilho a assistência de que precisa para seu pleno
desenvolvimento#
.m seu capítulo ? apresenta as di'erenças entre a obriação alimentar e o dever de
sustento, a import@ncia deste dever e a necessidade de relacionar os dois institutos quando da
prestação de alimentos aos 'ilhos#
4o capítulo A, apresenta a evolução das relaç+es 'amiliares culminando com a
a'etividade como base, e o relacionamento entre pais e 'ilhos na 'amília moderna#
8
$s capítulos B e C tratam respectivamente dos quesitos de possibilidade e necessidade
na 'i*ação dos alimentos, e da necessidade de tratamento iualit-rio aos 'ilhos, por ser leal e
moralmente necess-rio#
$ capítulo D trabalha a hip!tese estudada, em que o pai tem dois 'ilhos e presta
alimentos a um deles, tendo o outro o convívio no mesmo lar e a necessidade de destinar iual
atenção e cuidado a ambos#
. 'inalmente, se veri'ica nas consideraç+es 'inais a responsabilidade inerente ao
priviléio de ser pai e a necessidade de 'a1er com que os 'ilhos se sintam amados e se
desenvolvam plenamente, sem que so'ram maiores e'eitos da instabilidade das relaç+es
con2uais#
9
- ALIMENTOS: DO PODER PATERNO ABSOLUTO AO DEVER
ENTRE PARENTES
4o Direito (omano é que se 'irmou a obriação alimentar, e tinha como 'undamento,
diversas causas, dentre as quais a convenção, o testamento, a relação 'amiliar, a relação de
patronato e a tutela, con'orme relata Eusse' 7aid Cahali observado por 7erF%
4o direito romano, a obriação alimentar 'oi estatuída inicialmente nas relaç+es de
clientela e patronato, vindo a ter aplicação muito tardia ;na época imperial< nas
relaç+es de 'amília, por obra de v-rios (escritos mediante a cognitio dos CGnsules
extra ordinem# ;C)58:, HIIA, p#=C<#
4os prim!rdios da leislação romana, não se menciona as relaç+es 'amiliares como
'onte da obriação alimentar, e seundo a doutrina, isso se deve , pr!pria constituição da
'amília romana#
$ direito aos alimentos tendo como base a relação de parentesco, não teria sentido
alum uma ve1 que o Jnico vínculo entre os interantes do rupo 'amiliar advinha do p-trio
poder, consarado no paterfamilias, que concentrava nas mãos do pai todos os poderes, sem
que nada o obriasse em relação aos seus dependentes, e sobre os quais detinha inclusive o
direito de vida e morte#
.ssa estrutura 'amiliar privava os dependentes de e*ercer contra o detentor do p-trio
poder qualquer pretensão de car-ter patrimonial, incluindo os alimentos, visto que, , e*ceção
do pai, todos eram completamente privados de capacidade patrimonial, sendo natural a
recíproca da ine*iibilidade dos alimentos pelo pai em relação aos demais membros da
'amília pelo 'ato dos mesmos não disporem de qualquer patrimGnio#
Desta 'orma, não h- como se determinar precisamente em qual momento da hist!ria
romana o reconhecimento da obriação alimentar 'or instituído e aceito#
&ara aluns doutrinadores, acreditam que esse reconhecimento deu3se quando
acreditou3se que era moralmente devido socorrer ao parente necessitado, 'undando nesse
valor moral a obriação alimentar%
) partir do principado, em concomit@ncia com a proressiva a'irmação de um
conceito de 'amília em que o vínculo de sanue adquire uma import@ncia maior,
quando então se assiste a uma paulatina trans'ormação do dever moral de socorro,
embora laramente sentido, em obriação 2urídica pr!pria### ;C)58:, HIIA, p#>K<
10
/as pelos relatos hist!ricos, a relação de obriação em relação aos alimentos 'ora
mais e*pressiva no direito Justiniano representando um ponto de partida da reelaboração e
aceitação do re'erido instituto#
4o Direito CanGnico, as obriaç+es alimentares aparecem desde os primeiros
momentos, através do instituto da disciplina da :re2a, destacam3se aluns aspectos
'undamentais, onde se e*trai%
4o plano das relaç+es determinadas por vínculo de sanue, um te*to, que em
realidade se re'eria aos liberi naturales do direito 2untinianeu, ine*atamente
interpretado, ter- sido o ponto de partida para o reconhecimento do direito de
alimentos também aos 'ilhos espJrios em relação ao companheiro da mãe durante o
período de ravide1, sem que se pudesse invocar, para e*cluí3lo, a exceptio plurium
concumbentium. ;

C)58:, HIIA, p#>K<#
)inda, em relação aos aspectos 'undamentais do instituto na disciplina da :re2a,
outros aspectos muito importantes 'oram analisados%
) obriação alimentar poderia oriinar3se, para além do vínculo de sanue, de outras
relaç+es Lquase reliiosasM, como o clericato, o monastério e o patronato9 a :re2a
teria obriação de dar alimentos ao asilado9 questionava3se entre os canonistas se
haveria uma obriação alimentar entre tio e sobrinho, ou entre padrinho e a'ilhado,
em ra1ão do vínculo espiritual# ;

C)58:, HIIA, p#>K<#
Diante desse quadro, podemos observa3se que a :re2a teve um papel 'undamental na
evolução da obriação alimentar, pois di'erentemente do pensamento romano, o pensamento
canGnico passou a ampliar o conceito de obriação alimentar, saindo do plano espiritual para
o plano 'amiliar#
4o Direito "rasileiro o instituto da obriação de prestar alimentos a quem dele
necessita, começou a ter seus traços pelas $rdenaç+es 0ilipinas, sendo este o te*to com maior
e*pressividade a respeito de tal obriação#
4essa 'ase, o documento mais importante 'oi representado pelo )ssento de
ID#I>#KBBH, que, proclamando ser dever de cada um alimentar e sustentar a si
mesmo, estabeleceu alumas e*ceç+es ,quele princípio em certos casas de
descendentes leítimos e ileítimos9 ascendentes, transversais, irmãos leítimos e
irmãos ileítimos, primos e outros consanNíneos leítimos, primos e outros
consanNíneos ileítimos# ;

C)58:, HIIA, p#>H<
Desta 'orma, o direito aos alimentos est- presente no ordenamento brasileiro desde a
ColGnia# Disciplinado pela 5ei nO ?#>BC, de H? de 2ulho de KDAC, que ainda se encontra em
vior, e que 'oi recepcionada pela Constituição 0ederal de KDCC e pelo C!dio Civil de HIIH,
dispostos nos artios de nJmeros K#AD> até K#BKI#
11
Desta evolução con2unta entre Direito e sociedade, ocorreram sini'icativas mudanças
nas relaç+es 'amiliares, sendo a principal delas, a trans'ormação do p-trio poder em poder
'amiliar, que mudou o conte*to da autoridade, que outrora era absoluta em relação aos 'ilhos e
e*ercida e*clusivamente pelo pai, passando a ser relativa, e devendo ser e*ercida por ambos
os cGn2ues#
. diante da nova conotação das relaç+es 'amiliares também impGs a todos os parentes
o dever de mutua assistência, sendo que aquele que não tem condiç+es de prover o pr!prio
sustento pode requerer a um seu parente ou cGn2ue lhe proporcione as condiç+es necess-rias
para subsistência, sendo esta obriação e*iível 2udicialmente#
Puando e*ercido o direito de recorrer , assistência parental, esta se consolidar- na
'orma de alimentos, que é a 'orma pela qual o .stado deleou ,s 'amílias participação em
uma obriação que também lhe é pertencente, de amparar o cidadão# Tal obriação se 'unda
no princípio da dinidade da pessoa humana e no ob2etivo de se viver em uma sociedade além
de livre e 2usta, que também se2a solid-ria#
) imposição decorre da necessidade que o .stado tem de assistir a todo cidadão, mas
ante a di'iculdade de prestar a adequada assistência, LrepartiuM a obriação com as 'amílias, e
por isso, seundo Gisele 5eite%
$ Direito imp+e aos parentes do necessitado ou pessoa a ele liada por um elo civil,
o dever de proporcionar3lhe as condiç+es mínimas de sobrevivência no car-ter de
obriação 2udicial e*iível#
7ão alimentos tantos os naturais quanto os civis ou chamados de cGnruos como
educação, instrução e assistência em eral# &odem ser leítimos ;se derivam de lei<,
testamentais ;se oriundos de declaração de Jltima vontade<, convencionais ;se
nascidos de estipulação neocial inter vivos<, ressarcit!rios ;se visam indeni1ar a
vítima de um ato ilícito< e 2udiciais ;se estabelecidos por provimento 2udicial<#
4osso leislador civil p-trio não conceituou alimentos mas dei*a a entender que são
prestaç+es peri!dicas destinadas a prover as necessidades b-sicas de uma pessoa,
indispens-veis ao seu sustento, proporcionando3lhe uma vida modesta, porém dina#
&odem os alimentos ser 'i*ados provisoriamente, daí o nome de alimentos
provis!rios ou sob a 'orma de'initiva, e então denominados de alimentos de'initivos#
&odem ser ainda provis!rios se 'i*ados liminarmente e se destinam ao sustento do
alimentando durante o curso processual até 'inal sentença, e, se rati'icados se
trans'ormarão em alimentos de'initivos Tais alimentos somente alter-veis mediante
a competente ação revisional, pois que a sentença que o 'i*ou não 'a1 coisa 2ulada
material em 'ace de possibilidade de mudança de condiç+es tanto do alimentando
quanto do alimentante# De qualquer 'orma, a obriação alimentar atentar- para o
binGmio necessidade3possibilidade# Desaparecendo a necessidade do alimentando
não mais a ela 'ar- 2us, podendo por iniciativa pr!pria suspende3la, ou quando o
alimentante prova que outro lado se tornou economicamente capa1, não carecendo
de ser sustentado# Q direito personalíssimo concedido , pessoa do alimentando que
se encontra em estado de necessidade, s! podem ser reclamados por direito pr!prio,
admitindo3se em caso de menores que se2am estes representados por seus
representantes leais# ;

5.:T., HIID<
12
) possibilidade deleada a todos os membros do rupo de requerer alimentos aos
demais s! se concreti1ou devido ao conceito de solidariedade aceito pela sociedade como
sendo elemento norteador das relaç+es 'amiliares, que suprimiu o poder absoluto do pai, que
outrora era detentor de poder inquestion-vel, e construiu uma nova estrutura 'amiliar pautada
na iualdade entre seus membros#
.ssa iualdade entre os membros do rupo 'amiliar e a possibilidade de e*ercerem
reciprocamente o direito aos alimentos quando necess-rio re'letem a interação do direito
viente com os princípios e valores que reem as relaç+es 'amiliares no direito p-trio
contempor@neo, e deve3se essencialmente a nova estrutura 'amiliar concebida e aceita como
elemento de promoção da dinidade humana#
7obre a nova estrutura da 'amília, seus e'eitos no direito e sua 'unção na sociedade,
Cristiano Chaves de 0arias assim considera%
$ direito de 'amília no "rasil atravessa um período de e'ervescência# Dei*a a
'amília de ser percebida como mera instituição 2urídica para assumir 'eição de
instrumento para a promoção da personalidade humana, mais contempor@nea e
a'inada com o tom constitucional da dinidade da pessoa humana# 4ão mais
encerrando a 'amília um 'im em si mesma, 'inalmente, averba3se que ninuém nasce
para constituí3la ;a velha 'amília cimentada no casamento, não raro, arran2ado pelo
pai que prometia a mão de sua 'ilha, como se 'osse uma simples neociação
patrimonial<# )o revés, trata3se do luar privileiado, o ninho a'etivo, onde a pessoa
nasce inserta e no qual modelar- e desenvolver- a sua personalidade, na busca da
'elicidade, verdadeiro desiderato da pessoa humana# .st- é a 'amília da nova era#
(FARIAS, 2004)
Como se observou, houve um aper'eiçoamento no direito, que acompanhou a pr!pria
evolução da sociedade no @mbito das relaç+es 'amiliares#
)ssim sendo, como no princípio se concordava com o poder absoluto do patriarca, o
direito espelhava a visão social predominante , época, e na atualidade, como é característica
da sociedade, o direito passa a re'letir o novo entendimento social, nesse processo de contínuo
desenvolvimento entre sociedade e direito no qual ambos se moldam mutuamente de acordo
com os anseios e necessidades sociais#
Com isso, viu3se nascer um novo direito de 'amília, pondo 'im ,quele que no
princípio di'erenciava as pessoas e permitia priviléios e depreciaç+es, e que tinha como
aspecto predominante a conservação do patrimGnio, para no presente se adequar a nova
realidade viente#
13
. a nova realidade é esta que se molda pelo novo modelo de 'amília, pautado no a'eto,
e cu2a 'unção primordial é arantir que cada membro encontre as condiç+es de desenvolver e
moldar sua personalidade e que culmina com a arantia a todos do direito a dinidade, por
meio do dever recíproco entre todos os membros do rupo 'amiliar#
14
G DA AUTORIDADE PARENTAL AO DEVER DE CUIDADO
7ob a viência inconteste do p-trio poder, os 'ilhos não podiam requerer nada ao pai,
ve1 que sua atribuição consistia em erir o patrimGnio dos 'ilhos, além de represent-3los ou
assisti3los na pr-tica de atos 2urídicos# ) essência dessa relação era predominantemente
patrimonial, e o processo educacional e assistencial não tinha relev@ncia, uma ve1 que se
embasava na autoridade paterna e no dever de obediência do 'ilho, sendo essa ascendência
autorit-ria natural e inquestion-vel, que se 'undava na desiualdade entre pais e 'ilhos#
)tualmente, essa concepção não mais subsiste# $ conteJdo do poder 'amiliar mudou
porque também se trans'ormou a relação parental que, ho2e, é pautada no a'eto# 4o
@mbito de uma 'amília solidarista, o autoritarismo cedeu espaço , a'etividade# )
autoridade é con2uada com o amor# ;

T.:R.:(), HII?, p#KHC<.
)s mudanças que ocorreram no @mbito da 'amília trans'ormaram o conteJdo da
autoridade parental, sendo a mais sini'icativa o estabelecimento do e*ercício con2unto do
numus, como consequência do &rincípio Constitucional da :ualdade, constantes do artio ?O
e seu inciso :, e do artio HHA, em seu par-ra'o ?O, ambos da Constituição 0ederal, abai*o
transcritos%
)rt ?O Todos são iuais perante a lei, sem distinção de qualquer nature1a, arantindo3
se aos brasileiros e estraneiros residentes no &aís a inviolabilidade do direito , vida,
, liberdade, , iualdade, , seurança e , propriedade, nos termos seuintes%
: S homens e mulheres são iuais em direitos e obriaç+es, nos termos desta
Constituição9
)rt HHAO ) 'amília, base da sociedade, tem especial proteção do .stado#
T?O S $s direitos e deveres re'erentes , sociedade con2ual são e*ercidos iualmente
pelo homem e pela mulher#
Tais normas marcaram o 'im do p-trio poder, e dispuseram , competência de ambos os
enitores os poderes b-sicos em relação aos 'ilhos, de direção da criação e educação, de tê3los
em sua companhia e uarda, dar ou near consentimento para o casamento, nomear3lhes tutor,
além de represent-3los ou assisti3los#
15
&orém, o mesmo &rincípio Constitucional da :ualdade 'e1 com que se atribuísse
poderes a 'amília, e em especial aos enitores, con'eriu a estes deveres, os quais se encontram
na primeira parte do artio HHD da Constituição 0ederal, transcritos a seuir%
)rt# HHD $s pais tem o dever de assistir, criar e educar os 'ilhos menores, e os 'ilhos
maiores tem o dever de a2udar e amparar os pais na velhice, carência ou
en'ermidade#
)lém disso, tal obriação encontra correspondente no .statuto da Criança e do
)dolescente disposto na 5ei C#IAD, de K= de 2ulho de K#DDI, que no seu artio HH determina%
)rt# HH )os pais incumbe o dever de sustento, uarda e educação dos 'ilhos menores,
cabendo3lhes ainda, no interesse destes, a obriação de cumprir e 'a1er cumprir as
determinaç+es 2udiciais#
6eri'ica3se então que ouve sini'icativa evolução no modo de ser e de air das 'amílias
inseridas em sociedade, culminando com a evolução do direito posto no sentido de atribuir
direitos e deveres que se contrap+em e se completam ao mesmo tempo#
$ poder 'amiliar mantém parte de sua 'unção oriin-ria do p-trio poder no sentido de
permitir aos pais, ho2e os detentores do poder necess-rio , estão do rupo 'amiliar que
outrora cabia somente e ilimitadamente ao pai, erir as quest+es 'amiliares e determinar aos
'ilhos menores as reras dese2-veis em suas relaç+es intra'amiliares#
Contudo, est- diretamente associada ao dever que cabe aos pais de dar o adequado
tratamento aos 'ilhos até que completem seu desenvolvimento, con'orme se encontra disposto
na doutrina%
$ poder 'amiliar é titulado pelo con2unto pai e mãe, e a ele se submete o 'ilho,
enquanto 'or menor#
Trata3se de poder indele-vel S e*ceto parcialmente entre os que o titulam S que a
lei concede aos pais para que possam dispor de instrumentos para o adequado
cumprimento de sua importante tare'a de preparar o 'ilho para a vida ;

C$.58$,
HIIA, p#KCB<
$ poder 'amiliar se compreende melhor na de'inição de /aria 8elena Dini1, e se
veri'ica como este se di'erenciou do p-trio poder, viente em época em que a mulher não
tinha vo1 na sociedade, em um tempo em que o pai era o senhor dos rumos da 'amília, e aos
'ilhos s! cabia a obediência, sendo lhes vedada a mani'estação de vontade que 'osse de
encontro a vontade do pai# ) re'erida autora de'iniu o poder 'amiliar como sendo%
Um con2unto de direitos e obriaç+es, quanto , pessoa e bens do 'ilho menor não
emancipado, e*ercido, em iualdade de condiç+es por ambos os pais, para que
16
possam desempenhar os encaros que a norma 2urídica lhes imp+e, tendo em vista o
interesse e a proteção do 'ilho# ;D:4:U, HIIA# p# ?HC<
) conversão do p-trio poder em poder 'amiliar se deu com a promulação da nova
constituição, que colocou um 'im a 'amília patriarcal e dividiu a autoridade e a
responsabilidade pelas decis+es 'amiliares entre homem e a mulher, ao estabelecer3lhes, em
seu artio ?O, inciso :, a iualdade de direitos e deveres#
. nesse novo conte*to de autoridade, seu e*ercício passou a ser dividido por pai e
mãe, porém com a roupaem de um poder3dever, o qual deve ser e*ercido como 'erramenta
necess-ria , direção do rupo 'amiliar com o intuito de arantir a todos os membros do rupo
as condiç+es de desenvolvimento com dinidade#
. a titularidade do poder 'amiliar tra1 consio a obriação de e*ercê3lo# . o e*ercício
do poder 'amiliar resulta para os pais na obriação de cuidar dos 'ilhos#
Compete aos membros capa1es da 'amília ;na tradicional 'amília, o pai e a mãe< o
e*ercício do Lpoder 'amiliarM, diriindo e comandando a estrutura coletiva, com a
possibilidade de arantir a seus interantes o acesso e a possibilidade de
aper'eiçoamento e desenvolvimento, para alcançar a ampla e irrestrita dinidade# $u
se2a, o dever de asseurar , criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o
direito , vida, , saJde, , alimentação, , educação, ao la1er, , pro'issionali1ação, ,
cultura, , dinidade, ao respeito, , liberdade, e , convivência 'amiliar e comunit-ria,
além de coloc-3la a salvo de toda 'orma de neliência, discriminação, e*ploração,
violência, crueldade e opressão, como determina o art# HHB da Constituição 0ederal,
antes uma obriação que um poder propriamente dito, como suere a de'inição
leal# )o airem desta maneira, os respons-veis pela 'amília contribuem para o
desenvolvimento da pessoa e, em Jltima inst@ncia, colaboram para edi'icar a
dinidade humana, na criança ou adolescente que se encontra em est-io inicial de
autoconhecimento e evolução para a 'ase adulta, resultando daí a import@ncia para o
pr!prio .stado, pois se trata de princípio 'undamental para a (epJblica#
;)4G.5UC:, HIIA<
)ssim, vindo substituir o autoritarismo presente no p-trio poder, sobreveio o poder
'amiliar, que deve ser e*ercido em bene'ício de cada indivíduo do rupo que ao mesmo tempo
em que est- su2eito a esta autoridade, é bene'ici-rio do dever de cuidado que decorre deste
mesmo poder#
G6/ De:e De S+)!e#!$: F&#a3&%a%e P&"e&a Da A+!$&%a%e Pae#!a3
) norma constitucional, assim como as suplementares, ao impor aos pais o dever de
cuidado aos 'ilhos menores, leva em consideração, primeiramente, a condição peculiar de
pessoas em desenvolvimento, característica inerente , criança e ao adolescente, que é mais
1
comple*a que o 'ato da criança não saber, não ter condiç+es de saber e não ser capa1 devido ,
'alta de discernimento# 4este sentido, a doutrina se posiciona da seuinte 'orma%
Cada 'ase do desenvolvimento deve ser reconhecida como revestida de
sinularidade e de completude relativa, ou se2a, a criança e o adolescente não são
seres inacabados, a caminho de uma plenitude a ser consumada na idade adulta,
enquanto portadora de responsabilidades pessoais, cívicas e produtivas plenas# Cada
etapa é, , sua maneira, um período de plenitude que deve ser compreendido e
acatado pelo mundo adulto, ou se2a, pela 'amília, pela sociedade e pelo .stado# ;
C$7T), in &.(.:(), KDDH, p# =D, apud T.:R.:(), HII?, &#KHC<
)ssim, as diversas 'ases, as condiç+es especí'icas e os níveis de desenvolvimento do
menor requerem recursos e atenção distintos, devendo ser saciadas suas necessidades pelos
detentores da autoridade parental, quais se2am, os pais, aos quais 'oi atribuído o poder3dever
em relação aos 'ilhos#
4a visão de )na Carolina "rochado Tei*eira, o verdadeiro conteJdo da autoridade
parental é o controle do desenvolvimento do menor, em todos os aspectos, por meio do 1elo e
da e'iciência no atendimento ,s suas necessidades como pessoa, e assim escreve%
Desta 'orma, o menor deve ser tido não apenas como su2eito de direitos, mas
principalmente como pessoa, merecedor de respeito de todos, inclusive dos pais# )
doutrina italiana é bastante atual ao ditar que, na educação, devem ser buscados os
reais interesses dos 'ilhos, independente de sua vontade, porém
contemporaneamente, deve3se considerar o 'ilho a ser educado como um potencial
portador de valores pessoais cone*os , 'ormação de um homem livre# V medida que
ele vai crescendo, o respeito a ele diriido deve ser ainda maior, visto que os valores
pessoais vão se sedimentando, e aumenta o leque de escolhas que o menor tem
condiç+es de 'a1er so1inho# ;T.:R.:(), HII?, &#KHC<#
4a mesma direção aponta Eusse' 7aid Cahali, quando di1 que a obriação de sustento
dos 'ilhos tem a sua causa no poder 'amiliar, con'orme a transcrição que seue%
&ara permitir aos pais o desempenho e'ica1 de suas 'unç+es, a lei provê os enitores
do poder 'amiliar, com atribuiç+es que não se 2usti'icam senão por sua 'inalidade9
são direitos a eles atribuídos, para lhes permitir o cumprimento de suas obriaç+es
em relação , prole9 não h- poder 'amiliar senão porque deles se e*iem obriaç+es
que assim se e*pressam% sustento uarda e educação dos 'ilhos# $ poder 'amiliar
representa, nos tempos modernos, uma instituição destinada a proteer o 'ilho e,
desse modo, certos poderes ou certas prerroativas são outoradas aos pais, para,
com isto, 'acilitar o cumprimento daqueles deveres# ;

C)58:, HIIA, p#=>D<
. 0-bio Ulhoa Coelho, con'irmando a 'inalidade da atribuição do poder 'amiliar, ao
tratar da d-diva que é ter um 'ilho e contrabalançar as alerias e bene'ícios com as
responsabilidades de se erar um novo indivíduo, 'ala que L, inente responsabilidade que os
pais têm deve corresponder os meios para cumpri3laM# ;

C$.58$, HIIA, &#KC?<
18
)ssim sendo, o que se pode concluir é que a autoridade parental subsiste, em primeiro
luar, para possibilitar aos pais o e*ercício das obriaç+es inerentes ao priviléio de ter um
'ilho, pois se trata da 'erramenta necess-ria ao e*ercício da paternidade respons-vel, apta a
proporcionar as condiç+es necess-rias ao cuidado dos 'ilhos#
19
H OBRIGAÇÃO ALIMENTAR E DEVER DE SUSTENTO
DIFERENÇAS E CON*UGAÇÃO NECESSÁRIA EM RELAÇÃO AOS
FILHOS
Eusse' 7aid Cahali ;HIIA, p# =>C3=>D< di'erencia claramente o dever de sustento e a
obriação alimentar, e*pondo que o dever de sustento se oriina do poder 'amiliar,
acarretando a presunção da necessidade do 'ilho, que quando requer alimentos ao pai, torna
desnecess-ria qualquer discussão que não se2a relativa , 'i*ação do quantum, pois
inquestion-vel é a obriação de arcar com tal encaro# &or outro lado, a obriação alimentar
em sentido amplo, que se aplica no caso de pedido de alimentos entre parentes maiores,
cGn2ues ou companheiros, deve3se obriatoriamente ser demonstrada a necessidade, uma ve1
que o alimentante não est- incondicionalmente obriado a suprir a necessidade alimentar, sob
a presunção de que, por ser maior, o alimentante tem condiç+es de suportar os encaros de sua
subsistência#
$ autor conseue e*por com clare1a o liame entre a obriação alimentar e o dever de
sustento ao di1er que%
Puanto aos 'ilhos, sendo menores e submetidos ao poder 'amiliar, não h- um direito
autGnomo de alimentos, mas sim uma obriação enérica e mais ampla de
assistência paterna, representada pelo dever de criar e sustentar a prole9 o titular do
poder 'amiliar, ainda que não tenha o usu'ruto dos bens do 'ilho, é obriado a
sustent-3lo, mesmo sem au*ílio das rendas do menor e ainda que tais rendas
suportem os encaros da alimentação% a obriação subsiste enquanto menores os
'ilhos, independentemente do estado de necessidade deles, como na hip!tese,
per'eitamente possível, de disporem eles de bens ;por herança ou doação< enquanto
submetidos ao poder 'amiliar# ;

C)58:, HIIA, p#=>D<
. complementa a'irmando que La necessidade de alimentos presume3se em 'avor dos
'ilhos menores, competindo ao obriado a prest-3los provar que deles os mesmos não
carecemM ;

C)58:, HIIA, p#=>D<, entendimento este e*traído do conteJdo presente na decisão
da KW C@mara Cível do TJD0%
$ 'ato de viverem pai e 'ilho sob o mesmo teto não constitui !bice , concessão
2udicial de pensão alimentícia para antes, que alearam estar a passar necessidades,
em decorrência da sovinice daquele# ;/7 =#?AA#D=#KC#I?#KDD>DJU :::
I=#IC#KDD> apud C)58:, HIIA, p#=>D<
Também esclarece que o pai não pode se isentar de prestar alimentos aleando
di'iculdades 'inanceiras, pois ainda que se2a pobre ou este2a 'alido, deve contribuir para
20
satis'a1er as necessidades dos 'ilhos, con'orme se observa na decisão da KW C@mara Cível do
TJ&), em cu2o entendimento consta que La circunst@ncia de haver o pai sido declarado 'alido
não o isenta do dever de prestar alimentos aos 'ilhos menores#M ;

(T J&) BIX>? I>#KK#KDDA apud
C)58:, HIIA, p#=>D<
)inda com relação ,s di'erenças, 0l-vio 5uis de $liveira a'irma que%
$utrossim, enquanto o dever de sustento resulta da autoridade parental, a obriação
alimentar ostenta car-ter eral, vinculando3se, inclusive, , relação de parentesco em
linha reta, no que tane aos 'ilhos maiores#
&ortanto, podemos sinteti1ar as seuintes di'erenças% La< a obriação de sustento é
unilateral# $s devedores da obriação de sustento são os pais9 os credores, os 'ilhos
menores# 4a obriação de alimentos a determinação dos obriados é recíproca#
)ssim, os descendentes devem alimentos aos ascendentes e reciprocamente9 b< a
obriação de sustento devida aos 'ilhos não obedece , determinação do seu
montante , equação de proporcionalidade que é pr!pria da obriação de alimentos#
$s alimentos, como vimos, são 'i*ados na proporção das necessidades do
reclamante e dos recursos da pessoa obriada# &elo contr-rio, o montante da
obriação de sustento do 'ilho é asseurado pelas reais possibilidades econGmicas de
seus pais9 c< ao contr-rio do que ocorre com a obriação de alimentos, a obriação
de sustento se e*ecuta in natura, pois os 'ilhos menores vivem em comunidade com
seus pais# ;

C)58:, HIIA, p#=>D<
. também cita a doutrina para estabelecer o liame e o momento em que ao dever de
sustento se converte em obriação alimentar, qual se2a, quando o pai ;con'orme o
direcionamento do presente trabalho< não mais reside com o 'ilho, sendo a obriação
alimentar imposta de 'orma substitutiva para 'a1er valer o dever de sustento em relação aos
'ilhos menores#
)ssim, o dever de sustento de'ine3se como uma obriação de 'a1er, enquanto a
obriação alimentar consubstancia uma obriação de dar# )penas quando se veri'ica
a impossibilidade de coabitação dos enitores, mantido o menor na companhia de
um deles, ou de terceiros, é que a e*ecução da obriação de sustento poder- se
resolver na prestação do equivalente9 e passa a representar assim uma 'orma
suplementar colocada , disposição do 'ilho para obtenção dos meios de subsistência
e educação# ;

C)58:, KDD>, p#>IA apud $5:6.:(), HII>, p# KAC<
&ortanto, pode se concluir que o dever de sustento é o substrato da obriação alimentar
para os 'ilhos menores, sendo vedado ao pai se 'urtar de tal obriação sob prete*to de não
dispor de recursos, pois ainda que este2a 'alido ou não disponha de nada, deve, em ra1ão do
dever de sustento que subsiste em relação ao 'ilho menor, proporcionar a este o necess-rio as
suas necessidades#
21
H6/ C$#!eI%$ e Re3e:>#(&a %$ De:e %e S+)!e#!$
$ dever de sustento est- entrelaçado aos deveres de criação e assistência, sendo assim,
portanto, inerentes ao poder 'amiliar# )mbos surem com a concepção, que é a ênese da
e*istência da criança, e que perdura como obriação 2urídica enquanto o 'ilho não atinir a
maioridade#
) criação se relaciona diretamente ao dever de suprir todas as necessidades do menor,
se2am no campo psíquico ou biol!ico# .st- condicionada , satis'ação das di'erentes
necessidades b-sicas comuns ,s crianças, como estar abriada, se vestir, se alimentar, receber
cuidados na en'ermidade e a'eto em todos os momentos, receber orientação moral e
acompanhamento espiritual#
J- se entendia, antes mesmo do advento da Constituição 0ederal, a comple*idade e a
inter3relação dos deveres de sustento e criação, seundo a de'inição de José 6irílio Castelo
"ranco (ocha, que e*p+e de 'orma a não dei*ar lacunas no que deve compreender o
atendimento das necessidades do indivíduo quando em 'ase de desenvolvimento, a'irmando
que Lcriar sini'ica manter, sustentar, alimentar, dar en'im ao indivíduo as condiç+es
necess-rias , sobrevivência# 4a criação estão compreendidos os cuidados relativos , saJde,
seurança e moralidade#M ;($C8), KDBC ,p#K>= apud T.:R.:(), HII?, &#KHC<
Tamanha é a relev@ncia do dever de sustento que dei*ar de satis'a1er as necessidades
de subsistência de 'ilho menor ;além de outros que não são ob2eto do presente trabalho<, não
lhe concedendo os recursos necess-rios, ou até mesmo, dei*ando de paar os alimentos
acordados 2udicialmente de 'orma in2usti'icada, constitui crime de abandono material,
con'orme positivado no artio H>> do C!dio &enal, no qual se lê%
)rt# H>> Dei*ar, sem 2usta causa, de prover a subsistência do cGn2ue, ou de 'ilho
menor de KC ;de1oito< anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inv-lido ou
maior de AI ;sessenta< anos, não lhes proporcionando os recursos necess-rios ou
'altando ao paamento de pensão alimentícia 2udicialmente acordada, 'i*ada ou
ma2orada9 dei*ar, sem 2usta causa, de socorrer descendente ou ascendente,
ravemente en'ermo%
&ena S detenção, de K ;um< a > ;quatro< anos, e multa, de uma a de1 ve1es o maior
sal-rio mínimo viente no &aís#
&ar-ra'o Jnico# 4as mesmas penas incide quem, sendo solvente, 'rustra ou ilide, de
qualquer modo, inclusive por abandono in2usti'icado de empreo ou 'unção, o
paamento de pensão alimentícia 2udicialmente acordada, 'i*ada ou ma2orada#
22
&elo e*posto acima se pode con'irmar a import@ncia atribuída ao dever de sustento,
este inerente ao dever de suprir a necessidade daquele que por si s! não pode 'a1ê3lo, e que se
baseia na necessidade de preservação da dinidade da pessoa humana, um dos 'undamentos
basilares de nosso .stado#
23
J AS MUDANÇAS NA FAMÍLIA E A AFETIVIDADE NAS RELAÇQES
ENTRE PAIS E FILHOS
Tudo na vida so're constantes mudanças, e a vida em sociedade re'lete e se amolda ,s
condiç+es de seu tempo, não sendo di'erente para as relaç+es 'amiliares e para a pr!pria
constituição da 'amília# Cada época possui valores pr!prios, que determinam sua cultura, seus
valores e crenças, e que inter'erem nas relaç+es 2urídicas e sociais, trans'ormando também os
h-bitos de vida, a 'orma de relacionamento com os 'ilhos e as características das relaç+es
humanas em todos os sentidos#
) pr!pria evolução das relaç+es sociais se oriina, historicamente, das mudanças que
ocorrem no interior da entidade 'amiliar# :sso ocorre porque o universo 'amiliar não é vivido
de modo paralelo ao universo social como um todo, nos aspectos re'erentes , cultura e as
relaç+es políticas e econGmicas, 'ormando, 'amília e sociedade, um corpo Jnico#
&or outro lado, a 'orma constitutiva e de relacionamento 'amiliar também é a'etada, de
'orma recíproca, pelas trans'ormaç+es ocorridas na sociedade# :sso porque a 'amília é um ma
entidade ativa, que ao mesmo tempo em que determina os rumos sociais é in'luenciada pelo
meio social, numa evolução con2unta e necess-ria ao pr!prio desenvolvimento e manutenção
de ambas, estando esta interliação retratada no conte*to hist!rico, devendo sempre ser
observadas quanto ao momento hist!rico vivenciado, como observa Caio /-rio da 7ilva
&ereira%
4ecess-rio é, todavia, reistr-3las, porque a condição atual da instituição da 'amília
é um capítulo de sua hist!ria evolutiva no ciclo da civili1ação ocidental, a que não
'altam as contribuiç+es da cultura bíblica9 da vida doméstica nas &enínsulas helênica
e it-lica9 a estrutura erm@nica que importamos indiretamente através de seu
impacto sobre o :mpério (omano ao tempo das invas+es b-rbaras, e diretamente por
intermédio da in'luência visi!tica da &enínsula :bérica9 da moral cristã, que
assinala e estes dois milênios9 e da tendência autonomista e liberal dos tempos
modernos, especialmente deste século, marcado por duas uerras mundiais que na
vida da 'amília dei*aram sinais inapa-veis# ;&.(.:(), HII>, p#K apud
T.:R.:(), HII?, &#D<
)s mudanças nas relaç+es 'amiliares provocaram, por consequência, mudanças nas
relaç+es entre parentes, o que se veri'ica quando se observa a estrutura da 'amília romana em
relação , 'amília atual, e se veri'ica a trans'ormação ocorrida na sua estrutura# 4a primeira, o
pater fam!lias concedia ao seu detentor o poder de vida ou morte sobre a pessoa dos 'ilhos, e
na atualidade o que e*iste no @mbito 'amiliar é uma verdadeira democracia, na qual todos, em
24
especial os 'ilhos, participam das decis+es do rupo 'amiliar, numa harmonia que 2amais se
supunha séculos atr-s, quando a autoridade paterna sub2uava qualquer possibilidade de
direito aos 'ilhos#
4a 'amília romana, o patrimGnio privado era colocado na escala de valores num
patamar superior , pr!pria vida humana, sendo o interesse econGmico o 'ator determinante
das relaç+es matrimoniais#
) 'unção da 'amília não era pautada na solidariedade, mas sim nos interesses
econGmicos, políticos e reliiosos, e ao che'e da 'amília se atribuíam as decis+es em qualquer
das es'eras, sendo seu poder praticamente ilimitado em relação aos demais membros da
entidade 'amiliar, os quais, alienados de direito, se subordinavam ao detentor do poder sobre
suas vontades#
$s 'ilhos eram propriedade do pai, que deles poderia dispor da 'orma que lhe
parecesse conveniente, além de reivindic-3lo de quem ilealmente o detivesse, como se 'osse
uma coisa, e não uma pessoa# Dentre os poderes atribuídos ao pai, estava o ius "itae et necis,
que dava ao pai o direito de matar o pr!prio 'ilho, devendo antes, tão somente consultar os
parentes sobre a conveniência de tal atitude#
Tal direito somente 'oi abolido radativamente a partir do século ::, em ra1ão das
in'luencias do cristianismo, quando as constituiç+es imperiais passaram a prever puniç+es ao
pai que matava o 'ilho sem raves motivaç+es# &orém, ainda persistia a possibilidade de o pai
abandonar o 'ilho recém nascido em caso de aluma de'ormidade, 2usti'icado pela sua
condição de che'e de uma unidade 'amiliar de car-ter predominantemente econGmico, aindo
em bene'ício dessa comunidade# 7omente com o passar do tempo é que essa conduta passou a
ser considerada crime#
) 'unção da 'amília era preservar os direitos do pai, ainda que 'osse contr-rio ,
qualquer pretensão ou necessidade de qualquer dos demais membros do rupo, podendo
inclusive, pre2udicar o 'ilho em nome da manutenção de sua posição de membro mais
importante do rupo#
$ Direito brasileiro seuiu in'luenciado pela estrutura 'amiliar romana, que nunca
permitiu ao pai vender ou matar o 'ilho, mas que mantiveram por lono tempo o p-trio poder,
em ra1ão da nossa oriem portuuesa, cu2as leis se embasavam no direito romano, con'orme
e*posto por )na Carolina "rochardo Tei*eira%
25
)s $rdenaç+es 0ilipinas previam a perpetuidade do p-trio poder, até que o 'ilho,
leítimo ou leitimado, se tornasse independente do pai, não importando em qual
idade tal 'ato ocorresse ;$rd#, 5iv# :6, Título CK%=<, e*ceto se 'ossem casados ;5iv#
:v, Título CB%B<# Também na Consolidação das 5eis Civis de Tei*eira de 0reitas, em
seu art# HIK, a de'inição de 'ilho3'amílias era o que se encontrava sob o poder
paterno, qualquer que 'osse sua idade# ;T.:R.:(), HII?, p#H?<
José 6irílio Castelo "ranco (ocha listou as atribuiç+es do pai quanto , pessoa do
'ilho, vientes nessa época# Con'orme se poder- perceber, as atribuiç+es ho2e vientes são tão
somente embasadas nos termos que norteavam as relaç+es, que viriam ainda a so'rer severas
mudanças decorrentes das modi'icaç+es ocorridas nas 'amílias, e que re'letiram no @mbito do
direito nas relaç+es 'amiliares#
.ram elas [as atribuiç+es do pai em relação aos 'ilhos]Y% a< educ-3los e
proporcionar3lhes uma pro'issão, de acordo com as condiç+es econGmicas do pai9 b<
casti-3los moderadamente, com a 'aculdade de, se 'orem incorriíveis, entre-3los
aos maistrados de polícia para recolhê3los , cadeia por tempo ra1o-vel, obriando3
se a sustent-3los9 c< busc-3los da posse de quem os tiver subtraído e proceder contra
os que o tiverem 'eito e concorressem para isso9 d< e*iir e aproveitar seus serviços,
sem sal-rio, salvo se lhe houver prometido9 e< nomear3lhe tutor testament-rio e
desinar as pessoas que deverão compor o conselho de 'amília9 '< substituí3los
pupilarmente9 < de'ende3los em 2uí1o ou e*tra2udicialmente9 h< contratar em nome
de 'ilho impJbere, quando o contrato pudesse vir em proveito do 'ilho9 i< intervir
nos contratos do 'ilho pJbere com sua autoridade# ;($C8), KD=K, p# =AI
apud T.:R.:(), HII?, p# H?3HA<
.m decorrência das mudanças pelas quais a sociedade passava continuamente, esse
modo de relacionamento estruturado ainda no absolutismo paterno não mais representava o
dese2o social do brasileiro# &or conta disso, acompanhando a evolução dos costumes e em
harmonia com o interesse social, editou3se a 5ei de HHXIDXKCHC, associada , (esolução de =K
de outubro de KC=K, que veio desvincular o 'im do p-trio poder , situação de dependência dos
'ilhos, tendo 'i*ado que a maioridade civil ocorreria , pessoa que completasse HK anos de
idade#
Durante a (epJblica, uma norma que representou uma mudança sini'icativa na
estrutura 'amiliar 'oi o Decreto KCK, de H>XIKXKCDI, o qual arantia que a mulher viJva que
não se casasse novamente poderia e*ercer o p-trio poder, alo até então inimain-vel, por ser
prerroativa eminentemente masculina#
.ssa norma marcou muito pelo sini'icado, pois, pela primeira ve1, o p-trio poder
dei*ou de ser prerroativa masculina em nosso país, ainda que continuasse prevalecendo na
'amília brasileira a prevalência do reime patriarcal herdada dos coloni1adores, e que seundo
a doutrina, se manteve por lono período 'iel a sua estrutura#
26
) 'amília pré e p!s3codi'icada era marcadamente patriarcal, patrimoniali1ada,
matrimoniali1ada e hierarqui1ada# 7eu l#cus era uma sociedade eminentemente
ar-ria# $ pai, centro da rande 'amília e detentor do patrimGnio, também estava no
topo da pir@mide, decidindo qual seria qual seria o destino de todas as pessoas que
lhe eram subordinadas% 'ilhos, parentes e empreados# ) 'amília era desenhada em
moldes semelhantes , 'amília romano3canGnica# .sse 'oi o modelo de 'amília
assumido pelo C!dio Civil de KDKA, dei*ando marcas leislativas que perpetuaram
até o 'inal do século passado# ;T.:R.:(), HII?, p# HK<
) 'amília como instituição possuía tanta representatividade, e a ela 'oi dada tamanha
import@ncia dentro de nosso ordenamento que &ontes de /iranda reistrou que o C!dio
Civil representava Lum direito mais preocupado com o círculo social da 'amília do que com
os círculos sociais da naçãoM# ;/:()4D), KDHC, p# >D apud T.:R.:(), HII?, p# HK<
$ c!dio Civil de KDKA manteve presente a autoridade paterna sobre os demais
membros do rupo 'amiliar, e determinou , mulher o e*ercício apenas subsidi-rio do p-trio
poder, e a prevalência da estabilidade do nJcleo 'amiliar, em bene'ício da qual era permitida
inclusive a recusa em reconhecer 'ilhos nascidos 'ora da relação con2ual#
&ara preservar a hierarquia doméstica, 'oi estabelecido pelo C!dio Civil de KDKA
[)rt# H==, :% $ marido é o che'e da sociedade con2ual, 'unção que e*erce com a
colaboração da mulher, no interesse comum do casal e dos 'ilhos#], que o homem era
o cabeça3de3casal, che'e da sociedade con2ual# ) ele cabiam todas as decis+es a
respeito daquela 'amília, bem como a representação daquela instituição,
administração dos bens comuns 3 inclusive os particulares da mulher 3, 'i*ação do
domicílio da 'amília, além de autori1ar a mulher a praticar aluns atos da vida civil#
) mulher estava totalmente , marem da direção da 'amília, que era e*ercida
e*clusivamente pelo marido# 7eu espaço era bastante restrito# &ara comprovar tal
a'irmativa, basta citar que, com o casamento, ela perdia o direito de administrar os
bens pr!prios, não podia e*ercer pro'issão sem autori1ação do marido, além de se
tornar relativamente incapa1 com a contração de nJpcias# )penas com o advento do
.statuto da /ulher Casada é que ela passou a e*ercer alumas 'unç+es com a
colaboração da esposa#
)li-s, esta lei teve rande relev@ncia para as relaç+es 2urídicas materno3'iliais, visto
que alterou a redação do art# =D= no C!dio Civil de KDKA, que estabelecia a perda
do p-trio poder da mãeXviJva, que se casasse novamente# )ssim, com o novo
casamento, nada mudava no relacionamento entre mãe e 'ilhos, não se rompendo o
vínculo 2urídico e a'etivo e*istente entre eles#
) mulher e os 'ilhos deviam obediência ao che'e da 'amília# ) esposa s! e*ercia o
p-trio poder de 'orma subsidi-ria# Tudo se 2usti'icava em ra1ão da preservação da
Lpa1M doméstica e da instituição da 'amília, inclusive a recusa ao reconhecimento
dos 'ilhos havidos 'ora do casamento e a atribuição de direitos , concubina#
;T.:R.:(), HII?, p# HK3HH<
4o C!dio Civil de KDKA, o casamento era a Jnica 'orma pela qual a lei reconhecia a
e*istência de um nJcleo 'amiliar# :sso se 'e1 dessa 'orma, seundo 7ilvio de 7alvo 6enosa,
porque naquela época a sociedade vislumbrava a entidade 'amiliar como de nature1a
patriarcal, assim como o era na antiuidade, e por isso reulamenta as relaç+es nos moldes do
2
direito romano, e absorve do direito canGnico a obriatoriedade do casamento como 'ato
erador da 'amília, assim como sua idéia de indissolubilidade#
$ .stado, não sem muita resistência, absorve da ire2a a reulamentação da 'amília
e do casamento, no momento em que esta não mais inter'ere na direção daquele# 4o
entanto, pela 'orte in'luencia reliiosa e como conseqNência da moral da época, o
estado não se a'asta muito dos c@nones, assimilando3os nas leislaç+es com maior
ou menor @mbito# /anteve3se a indissolubilidade do vínculo do casamento e a
capitis deminutio incapacidade relativa, da mulher, bem como a distinção leal de
'iliação leítima e ileítima# ;6.4$7), HIIA, p# KA<
$ e*posto se alinha com as observaç+es de )na Carolina "rochardo Tei*eira, que
revela a cara de preconceito no tocante ,s relaç+es e*tracon2uais e na ausência de respeito
ao aspecto a'etivo nas relaç+es, que se baseavam na proteção dos interesses econGmicos e
morais de 'undo reliioso#
$ concubinato era tido como ralação , marem da lei, tratado no @mbito do Direito
$briacional, como sociedade de 'ato# .ra visto com tal cara de preconceito, que
não recebeu disciplina no C!dio Civil de KDKA# 7empre que este 'a1ia qualquer
menção sobre o tema, re'eria3se ao concubinato adulterino, para repudi-3lo,
invalidando atos 2urídicos praticados entre parceiros adJlteros#
&ermaneciam, assim, as imposiç+es estatais no tocante , validação de uma Jnica
'orma de 'amília, instituída através do casamento, colocando os cGn2ues numa
posição passiva em relação ,s 'unç+es matrimoniais, identi'icadas, neste ínterim,
com as 'unç+es da pr!pria 'amília# :mpunha3se aos cGn2ues o dever de procriar, do
qual derivava o dever de manter relaç+es se*uais# )lém destes, subsistia também o
dever de viverem 2untos para o resto da vida, pois o casamento era indissolJvel 3
situação que durou, no "rasil, até KDBB# Tudo isto servia para mascarar a verdadeira
'unção do matrimGnio, que se consubstanciava na proteção de interesses
econGmicos# 4esta 'amília codi'icada, a a'etividade tinha um papel irrelevante, tanto
no casamento quanto nas relaç+es paterno3'iliais# ;T.:R.:(), HII?, p# H?3HA<
)inda assim, 2- era possível observar, que mesmo com uma leislação que dava
prioridade aos aspectos patrimoniais e marcados pelo autoritarismo e pela discriminação nas
relaç+es 'amiliares, a evolução nas relaç+es 2- 'a1iam a'lorar novos princípios, surindo um
novo período que lhe Lcaracteri1ou pelo predomínio da toler@ncia e da a'etividade, embora
travestidas por marcas patriarcais e capitalistasM# ;&$4T.7 D. /:()4D), KDHC, p# >CB
apud T.:R.:(), HII?, p# HB<
.ssa predomin@ncia dos valores a'etivos anhou destaque quando da promulação da
nova Constituição de KDCC, que seundo 7ilvio de 7alvo 6enosa, 'oi o marco da iualdade e
do 'im da discriminação nas relaç+es de 'amília#
4o direito brasileiro, a partir da metade do século RR, paulatinamente, o leislador
'oi vencendo as barreiras e resistências, atribuindo direitos aos 'ilhos ileítimos e
tornando a mulher plenamente capa1, até o ponto culminante que representou a
Constituição de KDCC, que não mais distinue a oriem da 'iliação, equiparando os
28
direitos dos 'ilhos, nem mais considera a preponder@ncia do varão na sociedade
con2ual # ;6.4$7), HIIA, p# KA<
Com o advento do C!dio Civil de HIIH, suriram v-rias mudanças no Direito de
0amília, adequando as normas ,s novas 'ormas de relacionamento, pautadas no que determina
a Carta /ana quanto , iualdade# :sso se torna claro ao tratar da iualdade se re'erindo ,
pessoa, termo mais abranente e e*tensivo que entre homens e mulheres, permitindo inclusive
que o marido adote o sobrenome da mulher#
$ novo c!dio renova também o conceito de 'amília, que passa a abraner não
somente aquela tida por leítima no C!dio Civil de KDKA, 'ormada pelo casamento, mas a
também a decorrente da união est-vel e a 'ormada pela comunhão de qualquer enitor com
descendente, 'a1endo com que o casamento se2a apenas uma das 'ormas pela qual se constitui
uma 'amília#
Também tratou de e*tinuir o poder absoluto do pai por meio do poder 'amiliar, que
deve e*ercê3lo concomitantemente com a mãe, tra1endo ainda a possibilidade de perdê3lo por
'alta do devido cuidado com os 'ilhos, os quais, também consonante , Constituição, passam a
ter entre si direitos iuais, acabando com a distinção entre leítimos e ileítimos presente no
c!dio de KDKA#
Con'orme observado, as relaç+es 'amiliares evoluíram de tal modo que na seunda
metade do século RR 'oram se 'irmando os conceitos de a'etividade como norteadores das
relaç+es 'amiliares e eliminados os traços preconceituosos em relação , mulher e quanto a
oriem dos 'ilhos# LCom o passar dos tempos, v-rias modi'icaç+es ocorreram, culminando
com o advento da 'amília nuclear, que tinha um modus "i"endi diverso, com tratamento aos
'ilhos de 'orma di'erenciada, pois a a'etividade anhou um luar priorit-rio na 'amília#M
;T.:R.:(), HII?, p# HD<#
Como se observou,
) relev@ncia do a'eto nas relaç+es 'amiliares mostrou3se vari-vel no decorrer da
hist!ria 2urídica do ser humano# .m um primeiro momento, a presença do a'eto era
presumida nas relaç+es 'amiliares e sua relev@ncia 2urídica consistia em ser tomado
como e*istente, e*cluindo sua discussão#
4o entanto, a partir do momento em que a presença do a'eto se tornou respons-vel e
essencial para dar visibilidade 2urídica ,s relaç+es 'amiliares, ele passou a ter outro
sentido, ocupando um maior espaço no Direito# ) trans'ormação na import@ncia da
noção de a'eto nas relaç+es 'amiliares est- intimamente liada , mutação ocorrida
com a pr!pria noção de 'amília# ;D)($7, HIIA, p# K> apud G$/.7, HIIC,
p# KI<
29
J6/ A Fa",3&a M$%e#a E O) F&38$)
4o 'inal do século RR, a 'amília encontrou diversas novas 'ormataç+es, devido ,
quebra da estrutura patriarcal proporcionada, entre outros 'atores, pela revolução 'eminista, a
inserção da mulher no mercado de trabalho e até mesmo o desenvolvimento cientí'ico#
)s pessoas reviram suas 'unç+es no @mbito 'amiliar em decorrência da nova estrutura
'amiliar, com o declínio acentuado da verticalidade das relaç+es patriarcais e a consequente
implantação de uma relação iualit-ria entre seus membros#
)demais, a valori1ação da individualidade, associada , busca da reali1ação pessoal
sem apeo aos valores morais outrora latentes, como a dedicação , 'elicidade do cGn2ue ou
companheiro, criou uma instabilidade nas relaç+es a'etivas que tem re'le*o perverso na vida
dos 'ilhos, em espacial das crianças, que se vêem separadas de seus pais com 'requência cada
ve1 maior#
. a maior das perversidades incidentes sobre a criança, con'orme se pretende
demonstrar, é que quando do 'im do relacionamento, o pai, via de rera, dei*a o 'ilho sob a
uarda da mãe e separa3se, no sentido atribuído ao termo em relação ao casal, também do
'ilho# . isso tem impacto ainda maior quando, ao dei*ar de amar a parceira, rompe os laços
a'etivos e estende o sentimento de indi'erença ,quele que o ama incondicionalmente e que na
maioria das ve1es não tem discernimento para entender a situação em que se encontra#
0eli1mente, cessando a vida em comum dos cGn2ues, o dever de sustentar os 'ilhos
não se altera e tampouco se suspende o poder 'amiliar daquele que não detém a uarda,
mantendo3se os direitos e deveres relacionados , prole, ainda que inressem em novo
relacionamento#
&orém, dentro do conte*to moderno de 'amília, pautado na a'etividade, não basta ao
pai cumprir com o encaro monet-rio estipulado em 2uí1o, visto que para seu
desenvolvimento, a criança requer cuidados que vão além do campo da materialidade, e cabe
ao pai, ao menos em parte, suprir as necessidades s!cio3a'etivas necess-rias ao pleno
desenvolvimento do menor#
4esse conte*to, é valido apresentar as palavras do doutor Cleber )''onso )neluci,
mestre em Direito na 0undação .urípides 7oares da (ocha, que nos di1 que no nosso
ordenamento 2urídico as relaç+es 'amiliares estão pautadas na a'etividade, o que 'a1
a'irmando que%
30
$ princípio da e'etividade ;sic< especiali1a, no campo das relaç+es 'amiliares, o
macro princípio da dinidade da pessoa humana ;art# KO, :::, da Constituição
0ederal<, que preside todas as relaç+es 2urídicas e submete o ordenamento 2urídico
nacional# ;)4G.5UC:, HIIA<
$ mesmo também salienta que no atual estaio das relaç+es 'amiliares, não é possível
aceitar que o simples cumprimento da obriação alimentar aranta ao pai o desempenho de
seu papel na vida do 'ilho, ao 'alar da relev@ncia e do valor do a'eto%
4ear, nos dias atuais, o valor e a relev@ncia ao a'eto, consiste near sua
necessidade para a implementação da dinidade humana, ou se2a, near o princípio
'undamental do .stado brasileiro# 4o que respeita , dinidade da pessoa da criança,
o art# HHB da Constituição e*pressa essa concepção, ao estabelecer que é dever da
'amília asseurar3lhe Lcom absoluta prioridade, o direito , vida, , saJde, ,
alimentação, , educação, ao la1er, , pro'issionali1ação, , cultura, , dinidade, ao
respeito, , liberdade e , convivência 'amiliar e comunit-riaM, além de coloc-3la La
salvo de toda 'orma de neliência, discriminação, e*ploração, violência, crueldade
e opressãoM# 4ão é um direito oponível apenas ao .stado, , sociedade ou a
estranhos,mas a cada membro da pr!pria 'amília# )ssim, depreende3se que a
responsabilidade não se pauta tão3somente no dever alimentar, mas se insere no
dever de possibilitar o desenvolvimento humano dos 'ilhos, baseado no princípio da
dinidade da pessoa humana# ;)4G.5UC:, HIIA<
. ainda tratando3se da relev@ncia e do valor do a'eto, em especial na relação pai e
'ilho, 5ui1 .dson 0achin, 2- nos 'alava em sua obra de KDDA sobre o verdadeiro e*ercício da
paternidade%
$ pai pode ser aquele a quem a lei presuntivamente atribui a paternidade9 essa
verdade 2urídica emere da presunção Zpater is est[, cu2o car-ter praticamente
absoluto 'oi consarado pelo sistema cl-ssico, deve ceder , busca da verdadeira
paternidade, do ponto de vista biol!ico# &orém, a verdadeira paternidade pode
também não se e*plicar na autoridade enética da descendência# &ai também é
aquele que se revela no comportamento cotidiano, de 'ormas s!lidas e duradouras,
capa1es de estreitar os laços da paternidade numa relação psico3a'etiva, aquele
en'im, que além de poder lhe empresta seu nome de 'amília, o trata como sendo seu
'ilho perante o ambiente social# ;0)C8:4, KDDA, p#KA=<
&ode se a'irmar, portanto, que nos dias atuais as relaç+es 'amiliares estão marcadas
pelo valor 'raterno e pela a'etividade, o que 'e1 com que se determinasse entre outras
inovaç+es, um novo conte*to de paternidade e de 'iliação%
)tualmente, as sociedades, em sua maioria, 2- não consideram a 'iliação somente
sob o aspecto biol!ico, devendo esta ser compreendida também quanto ao elemento
cultural# &ela atual orientação doutrin-ria, o pai e a mãe não se de'inem apenas pelos
laços biol!icos que os unem ao menor e sim pelo querer e*ternado de ser pai ou
mãe, de então assumir, independentemente, do vínculo biol!ico, as
responsabilidades e deveres em 'ace da 'iliação, com a demonstração de a'eto e de
bem querer ao menor# &artindo dessa premissa, pode3se de'inir a 'iliação do
nascituro concebido por técnicas reprodutivas arti'iciais, tanto pelo aspecto
biol!ico quanto pelo aspecto socioa'etivo, levando3se em conta sempre o melhor
interesse da criança# ;/$TT)9 $5:6.:(), HIIB<
31
Contudo, apesar de as relaç+es 'amiliares se pautarem no a'eto e de ser imprescindível
atentar para o melhor interesse da criança, nos dias atuais a instabilidade das relaç+es e o
individualismo de certos pais que eram 'ilhos de 'orma inconsequente e irrespons-vel,
também con'ere , 'amília moderna situaç+es nas quais é necess-ria a intervenção do estado
para que se aranta aos 'ilhos o direito que lhes é imprescindível em relação , 'amília#
32
K PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA: NECESSIDADE E POSSIBILIDADE
&ara que se e'etive a obriação daquele pai que não detém a uarda do 'ilho, com a
separação sure a obriação de prestar alimentos, o direito a visit-3lo, assim como a obriação
de 'iscali1ar sua manutenção e educação#
) 'i*ação do valor dos alimentos é arbitrada pelo 2uí1o levando3se em conta a
necessidade do alimentante e os recursos do alimentante, con'orme determina o par-ra'o
primeiro do artio K?D> do C!dio Civil%
)rt# KAD>###9
T KO S $s alimentos devem ser 'i*ados na proporção das necessidades do reclamante
e dos recursos da pessoa obriada#
$ re'erido dispositivo é na verdade, um embasamento 2urídico, tendo em vista a
di'iculdade em se determinar a e*tensão dos conceitos de necessidade e possibilidade,
'a1endo com que a avaliação se dê a cada caso concreto, alme2ando sua aplicação da 'orma
mais 2usta, uma ve1 que não é possível a concepção de reras absolutas neste sentido#
) rera de proporcionalidade é 'le*ível e deve ser aplicada em ra1ão das
circunstancias, motivo pelo qual a lei somente apontou os par@metros para sua 'i*ação#
Eusse' 7aid Cahali cita 7ilvio (odriues para melhor entendimento do dispositivo%
não sini'ica que, considerando essas duas rande1as ;necessidade e possibilidade<,
se deva ino*eravelmente tirar uma resultante aritmética, como, por e*emplo, 'i*ando
sempre em um terço ou em dois quintos dos anhos do alimentante# Tais anhos,
bem como as necessidades do alimentando, são par@metros onde se inspirar- o 2ui1
para 'i*ar a pensão alimentícia# $ leislador quis deliberadamente ser vao, 'i*ando
apenas um standard 2urídico, abrindo ao 2ui1 um e*tenso campo de ação, capa1 de
possibilitar3lhe o enquadramento dos mais variados casos# ;

($D(:GU.7, apud
C)58:, HIIA, p#?KB<
Tais par@metros de possibilidade e necessidade são os norteadores da 'i*ação e da
eventual modi'icação do quantum determinado monetariamente para representar e possibilitar
o cumprimento da obriação alimentar# .stes devem ser observados atentamente para que
se2am estabelecidos valores condi1entes com as reais condiç+es daquele que est- obriado ,
prestação dos alimentos, tendo ainda como contraponto, a capacidade de atender as
necessidades do credor da obriação#
33
4o caso de prestação da obriação alimentar para os 'ilhos, nos coment-rios ao
C!dio Civil elaborados por Theotonio 4erão e José (oberto 0erreira Gouvêa, se observa o
seuinte com relação ao seu artio K#ADA, também transcrito a seuir%
)rt# K#ADA $ direito , prestação de alimentos é recíproco entre pais e 'ilhos\, e
e*tensivo a todos os ascendentes, recaindo a obriação nos mais pr!*imos em rau,
uns em 'alta de outros#
A!6 /6KPK:/ $ dever de sustentar os 'ilhos menores L%e($e %$ p=!&$ p$%e e
deve ser cumprido incondicionalmente# 7ubsiste independentemente do estado de
necessidade do 'ilho, ou se2a, mesmo que este disponha de bens, recebidos por
herança ou doação# Cessa quando o 'ilho se emancipa ou atine a maioridade# 4esse
caso, a e*oneração é autom-tica, não dependente da propositura de ação pr!pria para
o seu reconhecimentoM;JTJ HAIXHCH9 a citação é do voto do relator<# 4o mesmo
sentido, ressalvando que a pensão cessa com a maioridade do 'ilho, La menos que
e*plicitamente se tenha disposto em contr-rio ao ser 'eita# Todavia% L$ 'ato da
maioridade nem sempre sini'ica que não se2am devidos alimentosM ;7TJ3=W Turma,
(.sp >#=>B3C.3.Dcl, rel# /in# .duardo (ibeiro,2#KK#KH#DIre2eitaram os embs#, v#u#,
DJU H?#H#DK, p#K#>AB<# nesse caso, o pedido de alimentos, apN) a "a&$&%a%e1 tem
'undamento no art# K#AD> do CC, cabendo ao requerente provar suas necessidades e
os recursos do pai ou da mãe# ;

4.G(]$9 G$U6^), HII?, p#=>C<
.m se tratando dos 'ilhos menores, a obriação se inicia independentemente dos
quesitos determinantes do quantum, pois sendo o 'ilho menor, os alimentos são devidos
independentemente de seu estado de necessidade, e somente se o 'ilho 'or maior é que se
avalia a possibilidade do pai em cumprir com os alimentos#
K6/ Da M+!a7&3&%a%e D$ Va3$ F&Fa%$
) prestação de alimentos se 'i*a em valor monet-rio, constituído do montante
su'iciente ,s necessidades do alimentante, de acordo com as possibilidades do credor, sendo
estes 'atores passíveis de modi'icação ao lono do tempo# .m decorrência disso, a doutrina
a'irma que se trata de uma obriação que se encontra constantemente su2eita a modi'icaç+es
em decorrência das instabilidades impostas pelo pr!prio viver#
Di13se mais, ho2e tranquilamente, que a decisão ou estipulação de alimentos tra1
ínsita a cl-usula rebus sic standibus% o respectivo quantum tem como pressuposto a
permanência das condiç+es de possibilidade e necessidade que o determinaram9 daí
a sua mutabilidade, em 'unção do car-ter continuativo ou peri!dico da obriação# ;
C)58:, HIIA, p#A?K<
.sta mutabilidade é vivenciada na rotina dos tribunais, qual se2a o enorme numero de
aç+es revisionais que são propostas, as quais devem arantir a aplicabilidade da obriação
alimentar em con'ormidade com as premissas leais e com 'undamento da obriação#
34
)ssim, veri'ica3se na pr-tica, por meio das decis+es 'irmadas nos tribunais, que a
verdade real deve ser constatada a cada caso concreto, para que possibilite a aplicação do bom
direito, em bene'ício não somente das partes, mas para atinir a 'inalidade a que se destina o
poder 2urisdicional#
&elo 'ato de o des'echo de uma lide depender da convicção 'ormada pelo 2ulador,
temos a possibilidade de resultados antaGnicos em situaç+es similares, con'orme se observa
nos seuintes 2ulados%
)5:/.4T$7# &ensão alimentícia 3 0i*ação em __quantum__ in'erior ao que
espontaneamente 2- era o'ertado 3 :nadmissibilidade 3 constituição de nova 'amília
não 2usti'ica por si s! a redução da verba ou da assistência material 3 recurso provido
3 o 'ato de dei*ar as 'ilhas e a e*3companheira, constituindo nova 'amília, inclusive
desta união 2- ter resultado um 'ilho, não 2usti'ica, por si s!, a redução da pensão ou
da assistência material que 2- vinha proporcionando ,s aliment-rias# ;TJ7& 3 HW C@m#
Cível9 )p# Cível nO H?I#=AH3KX>9 (el# Des# Correia 5ima9 2# K?#IC#KDD?9 v#u#9 ementa#
"))7&, KD>=XHH3e, de HI#I=#KDDA, (T, BHHXK??, KDD?<
)5:/.4T$7 3 &ensão alimentícia# (edução pretendida em 'ace da constituição
concubin-ria de nova 'amília, com prole, pelo alimentante# )dmissibilidade#
Circunst@ncia que, notoriamente, implica a redução de sua capacidade 'inanceira###
;TJ/7 3 )p# HC#I?>3A ;seredo de 2ustiça< 3 KW T 3 (el# Des# Josué de $liveira 3 J#
KB#KH#DK< ;(T ABDXKB=<#
) constituição de nova 'amília com o nascimento de novo 'ilho, por si s!, não
2usti'ica a redução do pensionamento# Caso em que o conte*to probat!rio não
evidencia uma diminuição das possibilidades do alimentante# .ra Gnus do recorrente
a prova da alteração do binGmio necessidadeXpossibilidade, o que não lorou em
'a1er# )pelo desprovido# ;)pelação Cível 4O BIIHCI?C==B, $itava C@mara Cível,
Tribunal de Justiça do (7, (elator% José )taídes 7iqueira Trindade, Julado em
H?XIHXHIID<
./.4T)% )&.5)`]$ Ca6.5# )`]$ D. )5:/.4T$7# PU)4TU/ 0:R)D$
D. )C$(D$ C$/ $ ":4b/:$ )5:/.4T)(# /)4UT.4`]$ D)
7.4T.4`)# ) obriação alimentar tem como princípio norteador o binGmio
necessidade3possibilidade, cu2o quantum deve ser 'i*ado de acordo com as
possibilidades do alimentante e as necessidades do alimentado, buscando3se sempre
os critérios de ra1oabilidade e proporcionalidade, nos termos do TKO, do artio KAD>,
do C!dio Civil# .m ação de alimentos é do réu o Gnus da prova acerca de sua
impossibilidade de prestar o valor postulado# Conclusão nO# =B do Centro de .studos
do TJ(7# 4ão demonstrada, pelo alimentante, a impossibilidade de arcar com a
pensão alimentícia 'i*ada em primeiro rau ;IK 7/ para dois 'ilhos<, bem como
presumidas as necessidades dos alimentados 3 crianças de IA e IC anos de idade,
sendo que uma delas é portadora de paralisia cerebral, imp+e3se a manutenção da
sentença# (.CU(7$ :/&($6:D$# ;TJ(7, )pelação Cível 4O BIIH=BD?BC>,
$itava C@mara Cível, (elator% Claudir 0idelis 0accenda, Julado em ICXI?XHIIC<
$ que também se observa é a manutenção dos par@metros determinantes da
mutabilidade, presentes mesmo antes do advento do C!dio Civil de HIIH, e que a
possibilidade de modi'icação se perpetua em virtude da continuidade obriacional, visto que a
35
decisão que 'i*a os alimentos não 'a1 coisa 2ulada material, podendo ser alterada con'orme
se alterem ao lono do tempo as circunstancias de 'ato que determinaram sua 'i*ação#
Também se 'a1 necess-rio, nesse momento, retomando a 'inalidade primeira da
presente monora'ia, que é alertar a sociedade para a necessidade de não promover o
tratamento di'erenciado aos 'ilhos, re'letir sobre a busca da verdade real, para que o 2ulador
'aça prevalecer a verdadeira 2ustiça quando 'i*ar ou revisar os alimentos ao 'ilho cu2o pai tem
outro 'ilho sob sua uarda#
36
L O DEVER DE TRATAMENTO IGUALITÁRIO AOS FILHOS
) evolução do direito de 'amília, no que tane a relação paterno3'ilial, trou*e consio
além de direitos outrora inconcebíveis no pensamento social, como direito aos alimentos, o
direito de tratamento iualit-rio aos 'ilhos#
$s doutrinadores p-trios, que no princípio preavam em conson@ncia com os
dispositivos do C!dio Civil de KDKA, que previa a desiualdade na 'iliação, di'erenciando
'ilhos como leítimos ou ileítimos, con'orme nascidos de relação matrimonial ou não, ou
ainda se adotados, passaram a um entendimento de valori1ação da iualdade entre os 'ilhos,
além de reconhecerem o valor socioa'etivo da relação entre pais e 'ilhos#
$s valores 'undados no matrimGnio que nortearam a elaboração dessas normas ho2e
não subsistem# Deram luar a um novo elemento, decorrente do respeito , dinidade da
pessoa, baseados no a'eto, derrubando os conceitos de ileitimidade e leitimidade, sendo este
'ato um re'le*o positivo da evolução do direito - dinidade, con'orme as palavras de 5ui1
.dson 0achin, que a'irma que La busca da eliminação das desiualdades é o traço dominante
desse transcurso, uma lona evolução da bastardia ao estatuto da unidade#M ;

0)C8:4, HII=,
p#KB<
$ C!dio Civil de HIIH absorve, ainda que de 'orma implícita, o elemento
socioa'etivo que determina a 'iliação, em seu artio K?D=%
)rt# K?D= $ parentesco é natural ou civil, con'orme resulte de consanNinidade ou
outra oriem#
. em seu artio K?DA, o C!dio Civil de HIIH replica a ordem do artio HHB da Carta
/ana, que determina%
)rt# K?DA $s 'ilhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, terão
os mesmos direitos e quali'icaç+es, proibidas quaisquer desinaç+es
discriminat!rias relativas , 'iliação#
)ssim, con'orme determina a lei e proclama a doutrina, re'letindo alo que é ao
mesmo tempo uma necessidade social e um instrumento de valori1ação e respeito , dinidade
da pessoa, o estado de 'ilho depende não s! da herança enética, mas principalmente do a'eto
e da atenção que aquele que tra1 consio a virtude de ser denominado pai disponibili1a ao seu
'ilho#
3
. desde a Constituição 0ederal de KDCC, quando 'oi sepultada a di'erenciação relativa
, oriem dos 'ilhos, não mais é cabível qualquer cateori1ação, tornado3se todos iuais, se2am
adotados, nascidos do casamento ou de relaç+es e*tracon2uais, e ainda 'ruto de relaç+es entre
solteiros, inseridas nessa iualdade as relaç+es 'amiliares e patrimoniais# . se a vedação a
qualquer tipo de discriminação se estende a toda a sociedade, não pode 2amais ser permitido a
um pai provocar tal distinção#
38
M HIPRTESE ESTUDADA: DOIS FILHOS EM LARES DISTINTOS
4os dias atuais, se veri'ica com uma 'reqNência cada ve1 maior a e*istência de irmãos
vivendo em lares distintos# :sso se deve ao sem nJmero de separaç+es entre os casais, e
também em decorrência da liberdade se*ual presente no mundo contempor@neo, que aliada ao
descaso quanto , concepção, 'a1 com que as pessoas se tenham 'ilhos sem qualquer
preocupação com as condiç+es de vida que estes recém cheados terão#
Como conseqNência, temos crianças crescendo sem qualquer atenção e cuidado, em
todos os aspectos necess-rios ao seu desenvolvimento e a sua 'ormação como pessoa# $s
'ilhos merecem estar inseridos numa 'amília com princípios, e se tornar no 'uturo parte
interante e 'ormadora de uma sociedade 2usta#
Temos também, con'orme se pretende abordar, irmãos, 'ilhos de um mesmo pai,
vivendo em lares distintos por conta da irresponsabilidade do pai, que se permitiu erar 'ilhos
em um momento em que não tinha a pretensão de constituir 'amília, vindo em outro momento
constituí3la e erando outro 'ilho, este sim dese2ado e esperado#
)mbos têm a mesma necessidade e e*pectativa em relação ao pai, mas in'eli1mente ao
'indar o relacionamento que deu oriem ao primeiro, o pai se esquece daquela criança e não
cria ou 'ortalece laços que por ventura 2- e*istiam em relação a ela quando termina sua
convivência com a mãe# &ior que isso, o que se vê com maior 'reqNência são o descaso total e
a indi'erença para com o 'ilho dei*ado com a mãe, s! e*istindo na mem!ria desses pais sem
escrJpulos por conta da obriação alimentar#
&ara aquele não reside com o pai, quando não tem suas necessidades atendidas, resta a
prestação 2urisdicional, que deve aplicada de 'orma e'ica1, porque muitas ve1es, é o Jnico
modo de 'a1er valer o direito do 'ilho ante a irresponsabilidade presente na conduta de seu
enitor# :sso é necess-rio porque por diversas ve1es os pais 'a1em do não cumprimento da
obriação alimentar o meio de se vinar, como se os 'ilhos tivessem culpa pela obriação
imposta#
0eli1mente, con'orme e*p+e a nobre desembaradora /aria "erenice Dias, a
obriação alimentar não decorre da vontade, e uma ve1 imposta, devem ser os pais obriados
a prest-3la, e assim nos 'ala%
Di'erentemente dos devedores habituais, cu2os débitos se constituem pelo
descumprimento de obriação assumida livremente, o encaro alimentar sure por
imposição leal, desvinculada da vontade# Dissolvida a união, mas remanescendo o
dever de subsistência em 'avor do outro, ou de 'ilhos que 'icam na uarda do outro,
39
o ressentimento se perpetua# $ elo obriacional pereni1a3se no tempo, e
mensalmente o alimentante lembra que, ao invés de devedor de alimentos, é credor
de a'eto, de atenção# Culpa quem lhe subtrai a convivência com os ob2etos de seu
amor S os 'ilhos S, e dei*ar de paar a pensão é uma 'orma de se vinar#
) resistência do devedor, na rande maioria das ve1es, não decorre de di'iculdades
econGmicas# 7uas di'iculdades são muito mais de nature1a psíquica, por ter que
paar quando se sente credor# )ssim, não é s! a essencialidade da obriação, que
visa a arantir a sobrevivência do alimentando, que 'a1 com que a cobrança do
encaro disponha de procedimento di'erenciado# 4em a ameaça de prisão atemori1a#
Todos 2- ouviram a assertiva% vou para a cadeia, mas não paoc ;D:)7, HIKI<
$ pai que ae dessa 'orma, não merece ser chamado pai, pois não tem dinidade, e
est- totalmente desprovido de brio e de bom senso# . quando tem consio outro 'ilho, do qual
cuida de maneira adequada, temos a di'erença 'omentada por aquele que deveria, em primeiro
luar, 1elar pela iualdade de seus 'ilhos#
M6/ O U" F&38$ S$7 O Me)"$ Te!$
Puando um pai se LseparaM do 'ilho, deve continuar a cumprir com os deveres
inerentes ao poder 'amiliar, que surem com a concepção, não se suspendem por conta da
separação, con'orme o entendimento doutrin-rio%
$s encaros decorrentes do poder 'amiliar surem quando da concepção do 'ilho,
tanto que a lei p+e a salvo desde a concepção os direitos do nascituro ;CC, art# >O<#
/esmo antes do momento em que o pai procede ao reistro do 'ilho, est- por demais
consciente de todos os deveres inerentes ao dever 'amiliar, entre os quais encontra3
se o de asseurar3lhe sustento e educação#
.nquanto os pais mantêm vida em comum, os deveres decorrentes do poder 'amiliar
constituem obriação de 'a1er# Cessado o vínculo de convívio dos enitores, não se
modi'icam os direitos e deveres com relação aos 'ilhos ;CC, arts# K#?BD e K#A=H<#
(estando a uarda do 'ilho com somente um dos pais, as obriaç+es decorrentes do
poder 'amiliar resolvem3se em obriação de dar, consubstanciada no paamento de
pensão alimentícia# 5oo, o enitor que dei*a de conviver com o 'ilho deve passar a
alcançar3lhe alimentos de imediato, espontaneamente, mediante a entrea de
dinheiro, ou por meio da ação de o'erta de alimentos# Como a verba se destina ,
subsistência, os alimentos devem ser paos antecipadamente# )ssim, no dia em que
o enitor sai de casa, deve depositar alimentos em 'avor do 'ilho# $ que não pode é,
comodamente, 'icar auardando ser citado para a ação e somente então adimplir a
obriação de prover3lhe o sustento# ;D:)7, HIKI<
4esse sentido, o poder 'amiliar est- presente e apto para 'a1er com que o pai cumpra
sua 'unção em relação ao 'ilho# $ problema é que na maioria dos casos, s! se veri'ica a
e'ic-cia deste dever quando lhe é imposto pela via 2udicial#
40
. a situação deste 'ilho que depende do amparo paterno tende a ser di'icultada quando
seu pai 'orma nova 'amília, principalmente se nessa nova relação 'orem concebidos novos
'ilhos, ou que a nova parceira 2- os tenha#
$ que se espera de um pai quando este 'orma nova 'amília e tem outro 'ilho, é que ele
continue a prover aquele que 'icou com a mãe com o subsídio necess-rio para sua criação,
sustento e educação, além de 'iscali1ar o tratamento que lhe é dispensado pela mãe e de
acompanhar e participar do desenvolvimento intelectual e psicol!ico#
)o 'ilho que convive sob o mesmo teto, comumente ele dedica toda atenção e cuidado,
complementando inclusive por meio de atividades de la1er ou reliiosas praticadas em
con2unto, durante as quais se desenvolvem os valores morais e se estreitam os laços paterno3
'iliais, pautados na ami1ade e no cuidado recíproco, evidenciados pelas mJtuas
demonstraç+es de a'eto#
7ob prete*to dessa nova atribuição, muitos pais lutam para que se2a 'i*ado ín'imo
valor quando requeridos alimentos por aquele que 'icou com a mãe, ou buscam em momento
posterior a redução do encaro sob o mesmo arumento, se este constitui 'ato novo#
Q compreensível e dese2-vel, senão imprescindível, que um pai dese2e dar tudo de si
para seu 'ilho, porém o que não é possível conceber é que este venha a entender como tal
somente aquele que com ele convive, se esquecendo que ao outro 'ilho cabe, por direito e por
2ustiça, iual tratamento e atenção, a'inal, o pai deveria ser o primeiro a resuardar o
tratamento iualit-rio aos 'ilhos perante toda a sociedade#
M6- Ta!a#%$ O) F&38$) C$"$ I<+a&)
0ilhos são 'ilhos, não importando sua oriem# . em sendo do mesmo pai, e sendo este
o provedor de suas necessidades, devem receber deste, atenção e cuidado, pois no sentido
abordado no presente trabalho, é o pai quem representa a 'amília descrita no artio HHB da
Constituição 0ederal, a qual 'oi colocada em primeiro luar na ordem de responsabilidade
pelas crianças e adolescentes, ora tratados por 'ilhos%
)rt# HHB Q dever da 'amília, da sociedade e do .stado asseurar , criança e ao
adolescente, com absoluta prioridade, o direito , vida, , saJde, , alimentação, ,
educação, ao la1er, , pro'issionali1ação, , cultura, , dinidade, ao respeito, ,
liberdade e , convivência 'amiliar e comunit-ria, alem de coloc-3los a salvo de toda
'orma de neliência, discriminação, e*ploração, violência, crueldade e opressão#
41
. do dever de asseurar tais elementos, decorre a obriação do pai de prestar
alimentos aos 'ilhos, obriação esta que deve atender ao que preceitua o par-ra'o se*to do
mesmo diploma leal%
)rt# HHB, T AO, 3 $s 'ilhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção,
terão os mesmos direitos e quali'icaç+es, proibidas quaisquer desinaç+es
discriminat!rias relativas , 'iliação#
7endo assim, cumpre ao pai tratar sem distinção tanto o 'ilho que com ele coabita
como aquele que não se encontra sob sua uarda e ao qual presta alimentos#
. o 'undamento deste tratamento iualit-rio 2- 'oi abordado pelo colea 0ernando
Guidi Puintão Gomes, Da Universidade 0ederal de 7anta Catarina, em seu trabalho de
conclusão de curso produ1ido no ano de HIIC, ao 'alar das mudanças tra1idas pelo atual te*to
constitucional da seuinte 'orma%
### uma das maiores inovaç+es e mudanças que o novo te*to constitucional trou*e 'oi
a de revoar qualquer dispositivo da leislação que tratasse de 'orma di'erenciada os
'ilhos, ou se2a, a partir de KDCC, 'ilho é simplesmente 'ilho, sem qualquer distinção#
Desse modo, todos os 'ilhos passaram a ter os mesmos direitos e deveres# $ art# HHB,
T AO, da 5ei 0undamental é claro ao dispor a seuinte redação% L$s 'ilhos havidos ou
não da relação de casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e
quali'icaç+es, proibidas quaisquer desinaç+es discriminat!rias relativas , 'iliaçãoM#
) Constituição, portanto, revoou todas as disposiç+es que estabeleciam
discriminaç+es e desiualdades entre os membros da 'amília, e, é claro, entre os
'ilhos, que ainda se encontravam em vior no C!dio Civil de KDKA, assim como nas
diversas leislaç+es esparsas#
)s mudanças relativas ao Direito de 0amília tra1idas pela Carta /ana alam3se,
substancialmente, em seu art# KO, :::, no qual est- disposto um dos direitos
'undamentais que merecem proteção do .stado% a dinidade da pessoa humana#
Dessa 'orma, e por meio dos princípios que também serão analisados, é possível se
notar a clara preocupação do .stado em resuardar o ser humano por meio de umas
das bases da sociedade% a 'amília bem estruturada# ;

G$/.7, HIIC, p#BH<#
. para coroar a 'undamentação do tratamento iualit-rio aos 'ilhos no princípio da
dinidade da pessoa humana, cita a lição de Uadi 5ammêo "ulos, que sobre o tema entende
que%
.ste vetor area em torno de si a unanimidade dos direitos e arantias
'undamentais do homem, e*pressos na Constituição de KDCC# Puando o Te*to /aior
proclama a dinidade da pessoa humana, est- consarando um imperativo de 2ustiça
social, um "alor constitucional supremo# &or isso, o primado consubstancia o espaço
de interidade moral do ser humano, independentemente de credo, raça, cor, oriem
ou status social# $ conteJdo vetor é amplo e pu2ante, envolvendo valores espirituais
;liberdade de ser, pensar, e criar etc#< e materiais ;renda mínima, saJde, alimentação,
la1er, moradia, educação etc#<# 7eu acatamento representa a vit!ria contra a
intoler@ncia, o preconceito, a e*clusão social, a inor@ncia e a opressão# ) dinidade
da pessoa humana re'lete, portanto, um con2unto de valores civili1at!rios
incorporados ao patrimGnio do homem# 7eu conteJdo 2urídico interlia3se ,s
liberdades pJblicas, em sentido amplo, abarcando aspectos individuais, coletivos,
políticos e sociais do direito , vida, dos direitos pessoais tradicionais, dos direitos
42
metaindividuais ;di'usos, coletivos e individuais homoêneos<, dos direitos
econGmicos, dos direitos educacionais, dos direitos culturais etc# )barca uma
variedade de bens, sem os quais o homem não subsistiria# ) 'orça 2urídica do p!rtico
da dinidade começa a esparir e'eitos desde o ventre materno, perdurando até a
morte, sendo inata ao homem# 4ot!rio é o car-ter instrumental do princípio, a'inal
ele propicia o acesso , 2ustiça de quem se sentir pre2udicado pela sua inobserv@ncia
;destaque no oriinal< ;"U5$7, HIIB, p# =CD, apud G$/.7, HIIC, p#BH3
B=<#
M6G O E9+&3,7&$ Ne(e))=&$
&ara um pai, prestar alimentos ao 'ilho menor é alo que decorre do dever de sustento,
o qual se converte em obriação alimentar quando o pai não mais convive com o 'ilho# . no
dever de sustento encontra3se inserido o dever de criação, cu2a de'inição apresentada por José
6irílio Castelo "ranco (ocha em sua obra dos idos de KDBC, 2- citada anteriormente,
sini'ica manter, sustentar, alimentar, dar en'im ao indivíduo as condiç+es necess-rias ,
sobrevivência, e que compreende, além disso, os cuidados relativos , saJde, seurança e
moralidade#
)tualmente, os alimentos devem compreender Lalimentação, vestu-rio, habitação,
tratamento médico, transporte, diversão, e, se a pessoa alimentada 'or menor de idade, ainda
verbas para sua instrução e educação###M ;

D:4:U, HIIA, v# ?, p#?>D<#
&orém, a 'orma e a intensidade com que o alimentante ter- suprida suas necessidades
de base predominantemente econGmica, dependerão diretamente das possibilidades do
alimentante, avaliadas no binGmio possibilidade3necessidade#
4esse momento, tra1endo , tona a hip!tese estudada, de o alimentante ter outro 'ilho
sob sua uarda é que se deve atentar para o dever de tratamento iualit-rio aos 'ilhos#
$s alimentos devem ser 'i*ados ou modi'icados também com base no tratamento
dispensado pelo pai a ambos os 'ilhos, a 'im de estabelecer o devido equilíbrio entre o dever
de tratamento iualit-rio aos 'ilhos e os quesitos de possibilidade versus necessidade# . a
responsabilidade em dar e'etividade a essa necessidade social recai sobre os operadores do
direito, em especial sobre o 2ulador#
:sso se baseia na verdade que%
4ada 2usti'ica livrar o enitor das obriaç+es decorrentes do poder 'amiliar, que
surem desde a concepção do 'ilho# Como a ação investiat!ria de paternidade tem
cara e'icacial declarat!ria, todos os e'eitos devem retroair , data da concepção,
até mesmo a obriação alimentar# .sta é a Jnica 'orma de dar e'etividade ao
princípio constitucional que imp+e tratamento isonGmico aos 'ilhos, vedando
tratamento discriminat!rio ;C0, art# HHB, TAO<# $ pai respons-vel acompanha o 'ilho
desde sua concepção, participa do parto, reistra o 'ilho, o embala no colo# Deve a
43
Justiça procurar suavi1ar essas desiualdades e não acentu-3las ainda mais# ;D:)7,
HIKI<
&ortanto, em Jltima an-lise, cabe a 2ustiça restabelecer a iualdade quebrada por
indivíduos que se desarram dos valores sociais que se 'irmaram ao lono da hist!ria da
sociedade e do Direito, valores estes indispens-veis a nature1a da pessoa, impedindo que
crianças se2am tratadas pelos pr!prios pais como cidadãos de cateoria di'erenciada#
44
P CONSIDERAÇQES FINAIS
) presente monora'ia 'oi elaborada com o intuito de estudar a obriação alimentar, a
qual deriva do dever 'amiliar, oriin-rio da relação de parentesco, disposta nos artios
compreendidos entre o K#AD> e K#BKI do C!dio Civil "rasileiro, porém, com uma abordaem
da re'erida obriação sob uma visão restrita , prestação de alimentos aos 'ilhos menores pelo
pai, a qual apesar de e*pressa sob o mesmo título 'unda3se no dever de sustento imposto aos
pais em relação aos 'ilhos menores, na hip!tese corriqueira nos dias atuais de o alimentante
ter outro 'ilho sob sua uarda#
&ara tanto, 'e1 uma retrospectiva da evolução hist!rica da obriação alimentar,
veri'icando3se que a mesma se 'irmou no direito romano, e que a princípio não se 'undava nas
relaç+es 'amiliares, porque na época a estrutura 'amiliar privava os dependentes de e*ercer
contra o detentor do p-trio poder qualquer pretensão de car-ter patrimonial, incluindo os
alimentos, sendo somente sob o overno do imperador Justiniano que se acredita tenha se
iniciado a reulamentação dos alimentos# 6eri'icou3se também que ire2a 'oi respons-vel pela
e'etivação dos alimentos no plano 2urídico3'amiliar, por delear , 'amília o dever de assistir
aqueles liados por laços consanuíneos#
4o "rasil, o direito aos alimentos est- presente desde a ColGnia, sendo disciplinado
e'etivamente em KDAC pela 5ei nO ?#>BC, que 'oi recepcionada pela Constituição 0ederal de
KDCC e pelo C!dio Civil de HIIH, tendo se aper'eiçoada ao lono do tempo para se adequar
ao princípio da dinidade da pessoa humana e no ob2etivo de se viver em uma sociedade além
de livre e 2usta, que também se2a solid-ria#
.sse aper'eiçoamento resultou na conversão do p-trio poder em poder 'amiliar, que
com constituição de KDCC adquiriu um aspecto de poder3dever, a ser e*ercido como
'erramenta necess-ria , direção do rupo 'amiliar com o intuito de arantir a todos os
membros do rupo as condiç+es de desenvolvimento com dinidade, e impGs aos pais o dever
de cuidado aos 'ilhos menores, permitindo concluir ser este o verdadeiro conteJdo da
autoridade parental#
6eri'icou3se que como tudo na vida, o Direito também so're constantes mudanças, e a
vida em sociedade re'lete e se amolda ,s condiç+es de seu tempo, não sendo di'erente para as
relaç+es 'amiliares e para a pr!pria constituição da 'amília# Cada época possui valores
pr!prios, que determinam sua cultura, seus valores e crenças, e que inter'erem nas relaç+es
45
2urídicas e sociais, trans'ormando também os h-bitos de vida, a 'orma de relacionamento com
os 'ilhos e as características das relaç+es humanas em todos os sentidos#
. no que tane a paternidade, 'irmou3se con'orme o entendimento doutrin-rio, de que
pai também é aquele que con'orme o comportamento é capa1 de estreitar os laços da
paternidade numa relação de a'eto, e que além de emprestar ao 'ilho seu nome de 'amília, o
trata como tal perante a sociedade#
Com relação , prestação alimentícia, o nosso ordenamento prevê que se2a e'etivada
obedecendo aos critérios de possibilidade e necessidade, pois são estes os 'undamentos que
reulam a prestação obriacional# &orém, para os 'ilhos menores, não se 'a1 necess-ria a
comprovação da necessidade, pois a obriação decorre do dever de sustento imposto pelo
leislador, que se converte em obriação alimentar quando, em se tratando do pai, este se
a'asta do convívio com o 'ilho, apesar de ser avaliada como critério de 'i*ação ou revisão do
valor atribuído , prestação#
Constatou3se também, que no processo evolutivo das relaç+es sociais e do direito, os
'ilhos, que no princípio eram di'erenciados quanto a sua oriem, passaram a ter iualdade de
direitos, sendo vedados a distinção e o tratamento desiual entre os mesmos#
)ssim abordando3se a possibilidade recorrente no universo contempor@neo, de um pai
ter que prestar alimentos a um dos 'ilhos, tendo o outro 'ilho sob sua uarda, pretende3se
alertar para que se estabeleça um equilíbrio entre o dever de tratamento iualit-rio aos 'ilhos e
os quesitos de possibilidade versus necessidade quando a prestação ocorre nas circunst@ncias
apontadas#
6isa chamar a atenção da sociedade como um todo, mas em especial, dos operadores
do Direito para que não se arida o princípio do dever de tratamento iualit-rio aos 'ilhos
quando da 'i*ação ou revisão do quantum destinado ao alimentante#
$ 'ato de o alimentante constituir nova 'amília qual tenha de prover novos 'ilhos,
consanNíneos ou não, não deve privar ,quele que não reside no lar paterno da plena
satis'ação de suas necessidades, em bene'ício dos que com ele estão# )demais, necessidade
maior tem aquele que 'oi privado do convívio paterno simplesmente por este 'ato#
$ tratamento iualit-rio aos 'ilhos, antes de ser dever leal, é dever moral# )ssim,
devem3se considerar outros 'atores que determinam a adequada assistência ao alimentante,
além do monet-rio#
46
. não sendo o pai capa1 de atender as necessidades de seus 'ilhos de maneira
adequada, cabe ao .stado, detentor do poder 2urisdicional, aplicar a norma con'orme o caso
concreto, mas sempre atentando para a busca da verdade real, e assim promovendo o melhor
equilíbrio nas relaç+es sociais#
$ que se pode concluir com o trabalho apresentado, é que o direito caminha para uma
valori1ação cada ve1 mais intensa dos princípios que reem a sociedade, e que cabe aos
operadores do direito 1elar pala sua prevalência#
. no que di1 respeito , relação entre pais e 'ilhos, cabe di1er que%
L$ verdadeiro pai ama sobremaneira e incondicionalmente todos os seus 'ilhos, e por
eles 1ela de iual 'orma# ) e*istência de distinção no tratamento dispensado a um 'ilho em
relação ao outro, proveniente de rancores oriundos do término de relacionamento entre os pais
é inaceit-vel, e deve ser minimi1ada tanto quanto possível por meio da conscienti1ação da
sociedade e da aplicação do bom Direito, para que os pais não se tornem dos 'ilhos, meros
enitores3provedores#M
4
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