A gripe comum é causada pelo vírus Myxovirus influenzae, também conhecido como vírus

influenza, que é uma partícula envelopada de RNA de fita simples segmentada e se divide em três tipos A,
B e C, mas apenas os tipos A e B possuem importância para os humanos. Esta é a doença respiratória
que mais acomete os seres humanos. No entanto, este vírus ataca não apenas o homem, mas também
os mamíferos em geral e as aves.
Histórico da doença: O termo influenza, ou "influência", tem origem no termo homônimo italiano e faz
alusão à causa da doença, já que inicialmente se pensava que a gripe era devida a
influências astrológicas.

A evolução da medicina levaria mais tarde a uma alteração de significado para
"influência do frio". O termo "gripe" tem origem no francês grippe, usado pela primeira vez em 1694. Seus
sintomas foram descritos de forma explícita por Hipócrates há cerca de 2400 anos. Embora seja provável
que o vírus tenha causado várias epidemias ao longo da história da Humanidade, seus dados históricos
são difíceis de interpretar, uma vez que os sintomas são semelhantes aos de outras doenças
respiratórias. A gripe pode ter sido levada da Europa para a América durante a colonização do continente,
já que em 1493, pouco depois da chegada de Cristóvão Colombo, praticamente toda a população indígena
das Antilhas foi dizimada por uma epidemia semelhante à ela.
Formas de contágio: Uma pessoa contaminada com o vírus da gripe torna-se contagiosa no dia anterior
ao aparecimento dos primeiros sintomas, e permanece assim por mais cinco a seis dias. As crianças são
muito mais infecciosas do que os adultos, e libertam o vírus até duas semanas após a data de infeção.

A
quantidade de vírus libertado aparenta estar relacionada com a temperatura da febre: quanto mais alta a
temperatura, maior quantidade de vírus é libertada. Ela pode ser propagada através de três principais vias
de transmissão: por transmissão direta (quando um indivíduo infetado liberta muco diretamente para os
olhos, nariz ou boca de outra pessoa); por via aérea (quando um indivíduo inala as partículas produzidas
pela tosse ou espirro de outro infetado); e através da transmissão entre mãos e olhos, ou mãos e nariz ou
mãos e boca, não só através de superfícies contaminadas como por contacto pessoal direto, como um
aperto de mão. No caso de transmissão por via aérea, uma gotícula precisa de ter apenas 5 µm de
diâmetro para poder ser inalada por uma pessoa. Sua inalação pode ser suficiente para provocar a
infecção.

O tempo de sobrevivência do vírus da gripe nas partículas aparenta ser influenciado pela
quantidade de umidade e radiação ultravioleta. A pouca umidade e luz solar características do inverno
ajudam a que o vírus possa sobreviver durante mais tempo.

Uma vez que o vírus sobrevive fora do corpo,
também pode ser transmitido pelo contato com superfícies contaminadas como notas bancárias,
maçanetas de portas, interruptores elétricos e outros objetos domésticos.

Seu tempo de sobrevivência em
determinada superfície depende das características da mesma. Ele é capaz de sobreviver um ou dois dias
em superfícies duras e não porosas como plástico ou metal; cerca de quinze minutos em lenços de papel
secos; e apenas cinco minutos na pele.

No entanto, no caso do vírus se encontrar protegido por muco,
pode sobreviver durante períodos mais longos; por exemplo, até 17 dias em notas bancárias
contaminadas.
Sinais e sintomas: Os sinais da gripe podem ter início de forma súbita um ou dois dias após a infecção.
Geralmente, os primeiros são calafrios ou uma sensação de frio, embora a febre também seja comum
nesta fase, com temperaturas entre os 38 e os 39ºC.

Muitas pessoas sentem-se tão doentes que são
“obrigadas” a ficar na cama por vários dias, com dores ao longo de todo o corpo que se agravam nas
costas e pernas.

Os sintomas podem incluir: febre e sensação extrema de frio (calafrios e tremores);
tosse; congestão nasal; rinorreia; dores musculares, principalmente nas articulações; ardência e
vermelhidão na garganta; fadiga; dores de cabeça; olhos irritados, vermelhos e lacrimejantes; boca e nariz
secos e corados. Em crianças, pode haver a presença de sintomas gastrointestinais como diarreia e dores
abdominais.
Tratamento: As pessoas com gripe são aconselhadas a manter-se em repouso, beber bastante líquido,
evitar o consumo de álcool e tabaco e, se necessário, tomar medicamentos como paracetamol para
reduzir a febre e as dores musculares associadas à ela. As crianças e adolescentes com sintomas da
doença, particularmente com febre, são aconselhadas a evitar tomar aspirina durante a infecção, porque
aspirina pode levar a síndrome de Reye, uma doença hepática rara, mas potencialmente fatal. Uma vez
que a gripe é provocada por um vírus, os antibióticos não têm qualquer efeito na infecção, a não ser que
sejam prescritos especificamente para infecções secundárias, como o aparecimento de uma pneumonia
bacteriana. Outra forma de tentar evitar a gripe, ou pelo menos ameniza-la, são alguns antivirais que
surgiram há pouco no mercado brasileiro. Eles agem especificamente na doença e devem ser usados nos
três primeiros dias após a pessoa estar infectada.
Vacinação: A Organização Mundial de Saúde recomenda que sejam vacinados contra a gripe os grupos
de risco, como crianças, idosos, prestadores de cuidados de saúde e pessoas com doenças
crônicas como por exemplo asma, diabetes, doenças cardiovasculares ou que tenham a imunidade
comprometida. Em adultos saudáveis, a vacina é pouco eficaz em reduzir a quantidade de sintomas.
Porém, as evidências científicas apoiam a eficácia da vacina em crianças com idade superior a dois anos.

Em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica, a vacinação reduz eventuais exacerbações,

embora
ainda não esteja claro se reduz exarcebações asmáticas. As evidências apoiam também uma menor taxa
de incidência da gripe em diversos grupos de pessoas com imunidade comprometida, como aquelas
com HIV/AIDS, cancro ou que foram submetidas a um transplante de órgãos, quando vacinadas. Devido à
elevada velocidade de mutação do vírus, uma vacina contra a gripe geralmente só confere proteção
durante alguns anos. Então, todos os anos, a Organização Mundial de Saúde determina quais serão as
variações virais com maior probabilidade de circulação no ano seguinte, o que permite à industria
farmacêutica desenvolver vacinas que ofereçam a melhor proteção contra a gripe. As vacinas podem fazer
com que o sistema imunitário reaja da mesma forma como se estivesse infectado, por que é possível que
se manifestem vários dos sintomas de gripe, embora não de forma tão grave ou duradoura como numa
infecção real. O mais perigoso efeito adverso é uma reação alérgica à própria substância viral ou aos
resíduos usados no cultivo da doença, embora estas reações sejam extremamente raras. Os países
desenvolvidos geralmente têm à disposição vacinas contra a gripe. A relação custo-benefício da
vacinação sazonal tem sido amplamente avaliada em diferentes grupos e cenários e, a conclusão geral é
que se trata de uma intervenção eficaz em termos de custo, sobretudo em crianças

e em idosos.

Campanha: Com tema “Vacinação contra a gripe: você não pode faltar”, a campanha do Ministério da
Saúde para este ano orientou cada público prioritário a procurar os postos de vacinação no período da
mobilização, entre 22 de abril até 9 de maio. A campanha foi veiculada na TV, rádio, mídia exterior, mídia
impressa e internet. Seu custo total foi de R$ 14 milhões. Foram distribuídas 53,5 milhões de doses da
vacina, que protege contra os três subtipos do vírus da gripe determinados pela OMS para este ano
(A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). Em todo o país, foram 65 mil postos de vacinação, com envolvimento de
240 mil pessoas. Também estiveram disponíveis para a mobilização 27 mil veículos terrestres, marítimos e
fluviais. As pessoas com doenças crônicas necessitaram apresentar prescrição médica no ato da
vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do Sistema Único de
Saúde (SUS) foram dirigidos aos postos em que estão registrados para receberem a vacina, sem a
necessidade de prescrição médica. A maior novidade da campanha deste ano, foi a ampliação da faixa
etária para crianças de seis meses a menores de cinco anos. No ano passado, o público infantil foi de seis
meses a menores de dois anos. Essa ampliação teve como justificativa diminuir casos graves e
mortalidade infantil. Segundo o ministro, a vacinação desta faixa etária beneficia tanto a criança que
recebe a vacina, como também os grupos mais vulneráveis que convivem com ela. Assim, são
imunizadas, indiretamente, lactentes menores de seis meses de idade (crianças amamentadas); idosos e
pessoas com doenças crônicas. Outro fator que contribuiu para a inclusão desta faixa-etária foi o fato de
que as taxas de internação em crianças menores de cinco anos, em 2013, terem se igualado a dos idosos.
Junto com a campanha, foi divulgado as reações adversas à vacina, como dor no local da injeção, eritema
e induração, que são manifestações consideradas benignas, cujos efeitos passam, na maioria das vezes,
em 48 horas. E ainda, que a vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática
prévia em doses anteriores ou para pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e
seus derivados.