Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva

Vol.1
UNIDADE 8 - RELAÇÕES ESPECIAIS DE EMPREGO
I. EMPREGADO DOMÉSTICO.
1. Conceito
O conceito de empregado doméstico é dado pelo art. 1º da Lei
n° 5.859/72: “Aquele que presta serviços de natureza contínu e de
!in"i##e n$o "uc%ti& à pessoa ou à família, no âmbito residencial
destas.¨
1.1 Deco'(o)i*$o #o conceito
+ Se%&i*o) #e ntu%e, contínu
São aqueles rotineiros de uma residência. São serviços que
dizem respeito às tarefas ligadas as necessidades cotidianas de uma família
no âmbito de sua residência. Exemplo: cozinhar e servir o trivial das
refeições diárias; limpar e arrumar a casa, executando tarefas rotineiras;
lavar e passar pequenas e poucas peças do dia-a-dia; etc.
Aquelas tarefas que normalmente são executadas diariamente
não perdem a natureza contínua mesmo que, por conveniência do tomador
dos serviços, sejam acumuladas para execução em apenas alguns dias da
semana ou do mês. Portanto, ainda que esses serviços rotineiros sejam
prestados em dias espaçados, o trabalhador envolvido na sua execução será
empregado doméstico, porque a descontinuidade que descaracteriza o
serviço doméstico é aquela factual e não a descontinuidade volitiva, fruto da
vontade exclusiva do tomador dos serviços.
-+ Se%&i*o) #e !in"i##e n$o "uc%ti&
São serviços de finalidade não lucrativa apenas as atividades
voltadas para satisfação imediata das necessidades ditadas pela rotina da
vida familiar, sem qualquer ligação com as atividades produtivas dos
membros da família. Portanto, mesmo que prestados exclusivamente dentro
da residência, se as tarefas se correlacionarem de alguma forma e
contribuírem para as atividades produtivas do tomador dos serviços, o
executor não terá o )ttu) de empregado doméstico.
c+ Se%&i*o) (%e)t#o) no .'-ito !'i"i%
Devemos delimitar o âmbito residencial como o espaço de
interesse e atividade essencialmente afetos à rotina da pessoa ou da família,
mesmo que os serviços sejam prestados fora do espaço físico da residência,
como por exemplo, o motorista doméstico, o arrais e o piloto de aeronave
envolvidos em execução de atividades voltadas para satisfação imediata das
1
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necessidades ditadas pela rotina da vida pessoal ou familiar, sem qualquer
ligação com as atividades produtivas dos membros da família.
/u%i)(%u#0nci
PRESCRIÇÃO BIENAL. MENOR. INAPLICABILIDADE. NORMA COGENTE. Evidenciado nos autos que a reclamante era
menor de dezoito anos à época do desate contratual, não se há de contar prazo prescricional a partir desta data,
mas tão-somente do momento em que for atingida a maioridade. Conclusão adotada de ofício, considerando a
natureza cogente da norma contida no art. 440 da CLT.
TRABALHADOR DOMÉSTICO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO FORA DO ÂMBITO FAMILIAR. FINS LUCRATIVOS.
DESCARACTERIZAÇÃO. Considera-se trabalhador doméstico aquele que executa labor dentro do seio familiar,
exclusivamente, sem desenvolver tarefas que impliquem geração de lucro para seus patrões. Verificando-se que o
labor ocorre simultaneamente na esfera residencial e em âmbito comercial - restaurante -, descaracteriza-se a
relação laboral doméstica e reconhece-se verdadeira vinculação empregatícia sob o pálio da CLT. Recurso
parcialmente provido. PROC RO 01248.2003. 008.13.00-9 - 13ª REGIÃO - PB - Edvaldo de Andrade - Juiz Relator.
DJ/PB de 25/08/2004 - (DT - Abril/2006 - vol. 141, p. 242).
1.1 Di!e%en* ent%e e'(%e2#o #o'3)tico e o #i%i)t ut4no'o.
Quando as tarefas executadas no âmbito residencial da pessoa
ou família não têm finalidade lucrativa e se correlacionam a serviços de
ntu%e, &e%##ei%'ente #e)continu, o trabalhador que as executa
em alguns dias da semana ou do mês não tem o )ttu) de empregado
doméstico, constituindo a categoria dos diaristas autônomos.

Os serviços executados pelo diarista autônomo são
factualmente de natureza descontínua, como por exemplo, faxina e limpeza
geral da casa, com lavagem de vidros, cozinha, banheiros; levar e passar
grandes de quantidades de roupas.
Jurisprudência:
DIARISTA. 56NCULO DE EMPREGO - Salvo pactuação expressa em sentido contrário, não há vínculo de
emprego quando o (a) diarista presta serviços em residências, executando uma tarefa especial, de forma
intermitente sem rigidez origacional e at! com certa lierdade quanto a freq"ência e horário# $evista conhecida e
desprovida# %S%&$$&'()#*+,-+. & (/ %urma# (Rev. TST, Brasília, vol. 67, nº 1, jan/mar 2001, p. 229-232.)
PROC. Nº TST-E-RR-593.730/99.6 SBDI1
Publicação DJ - 15/04/2005
RELAÇÃO DE EMPREGO. DIARISTA. LIMPEZA EM ESCRITÓRIO DE EMPRESA. NÃO
EVENTUALIDADE.
1. A constante prestação de serviços de limpeza em escritório de empresa, ainda que em apenas um dia da
semana, por anos a fio, caracteriza vínculo empregatício. O requisito legal da não-eventualidade na prestação do
labor, para efeito de configuração da relação de emprego, afere-se precipuamente pela inserção do serviço no
atendimento de necessidade normal e permanente do empreendimento econômico da empresa. Servente de
limpeza, que realiza tarefas de asseio e conservação em prol de empresa, semanalmente, mediante remuneração e
subordinação, é empregada, para todos os efeitos legais. A circunstância de também prestar serviços a terceiro,
paralelamente, não exclui o vínculo empregatício, pois a lei não exige exclusividade, em regra, para tanto.
2. Acórdão turmário que se divorcia dos fatos expostos no acórdão regional contraria a Súmula 126 do Tribunal
Superior do Trabalho.
3. Embargos da Reclamante conhecidos e providos para restabelecer o acórdão regional.
Di) t%-"7#o) (o% )e'n n$o #e!ine' )e !8inei% 3 #i%i)t ou e'(%e2#
Não é o número de dias que a faxineira trabalha na residência que define que ela é diarista. Para os juízes da 2ª
Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), mesmo prestando serviço somente um ou dias por
semana, ela poderá ser considerada empregada doméstica, não autônoma. O entendimento da turma foi firmado
no julgamento do Recurso Ordinário de uma ex-patroa, contra a sentença da 1ª Vara do Trabalho de Diadema (SP)
que reconheceu o vínculo empregatício de uma faxineira que trabalhou em sua casa, duas vezes por semana,
durante dois anos, cumprindo jornada da 8h às 17h. A ex-patroa sustentou que já tem uma empregada fixa e que
a reclamante seria apenas uma faxineira diarista, pois "estão ausentes os requisitos para a caracterização do
vínculo de emprego entre as partes". De acordo com o Juiz Sérgio Pinto Martins, relator do recurso no tribunal, "o
2
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trabalho da reclamante era feito toda semana, duas vezes e não uma vez ou outra. Isso caracteriza a habitualidade
semanal e não que o trabalho era feito ocasionalmente". Segundo o relator, "a Lei n.º 5.859 não dispõe quantas
vezes por semana a trabalhadora deve prestar serviços ao empregador para ser considerada empregada
doméstica". "Um médico que trabalha uma vez por semana no hospital, com horário, é empregado do hospital. O
advogado que presta serviços num dia fixo no sindicato e tem horário para trabalhar é empregado. Então porque a
trabalhadora que presta serviços duas vezes por semana, com horário a observar, não pode ser empregada
doméstica", indagou o Juiz Pinto Martins. "A realidade dos fatos demonstra que a autora era empregada", concluiu.
Por maioria de votos, a 2ª Turma reconheceu o vínculo, condenando a ex-patroa a pagar os direitos trabalhistas
devidos à empregada doméstica, além de registrar o contrato na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
(RO 00367.2005.261.02.00-1) Publicado em 26 de Outubro de 2005.
1.9 E'(%e2#o Do'3)tico #e c7:c% #e ",e%
A jurisprudência trabalhista é firme no sentido de que o
trabalhador de chácara de lazer exclusivo da família é empregado doméstico,
mesmo que nela se execute alguma atividade produtiva, desde que de
pequena monta e revertida ao custeio do próprio imóvel.
1.; P%e)c%i*$o #o) #i%eito #o) e'(%e2#o) #o'3)tico)
A jurisprudência do TST é no sentido de que ao empregado
aplica-se prescrição bienal.
1.< =GTS e Se2u%o De)e'(%e2o #o e'(%e2#o #o'3)tico

A Lei n° 10.208, de 23/03/2001, e o Decreto n° 3.361, de
10/02/2000, facultam o acesso ao sistema FGTS e ao seguro-desemprego
aos domésticos. O seguro desemprego é concedido aos empregados
domésticos vinculados ao FGTS.
Ver art. 18, § 1º.
1.> Re)ci)$o #o cont%to #e t%-"7o #o e'(%e2#o #o'3)tico
Nos termos do art. 6º-A da Lei 5.859/72, os empregados
domésticos estão sujeito às sanções do art. 482 da CLT podendo ter o
contrato de emprego rescindido por justa.
Apesar do silêncio da lei, por uma questão de isonomia, deve
haver reciprocidade para que o empregador doméstico também fique sujeito
a rescisão do contrato por justa causa nos casos de falta grave elencados no
art. 483 da CLT.
1.>.1 E)t-i"i##e P%o&i)?%i #o E'(%e2#o Do'3)tico
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, prevendo a
estabilidade provisória da empregada grávida, surgiu uma polêmica sobre a
extensão dessa proteção contra despedida arbitrária ou sem justa causa à
empregada doméstica. Ao final, acertadamente prevaleceu na doutrina e na
jurisprudência que o artigo 10, II, -, dos ADCT, não se aplica às empregadas
3
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domésticas, porque este dispositivo tem por finalidade regular o inciso I, do
art. 7º da C.F que por silêncio eloqüente do seu Parágrafo Único não
incide sobre a relação de emprego doméstica.

O mestre Russomano ensina:
01á um ponto tam!m relevante que precisa ser esclarecido2 o mencionado
parágrafo 3nico, ao enumerar os direitos concedidos, por via constitucional,
4s empregadas dom!sticas inclui, expressamente, entres eles, o auxílio&
maternidade (inciso 56777)# 8as não lhe deu as vantagens do inciso 7
(proteção 4 relação de emprego contra despedida aritrária)# 9ogo, parece&
nos certo concluir que a gestante dom!stica não tem direito 4 estailidade
provis:ria (da comprovação da gravidez at! cinco meses ap:s o parto),
porque esse privil!gio foi concedido pelo art# ;,, inciso 77, alínea 0<, do =to
das >isposiç?es @onstitucionais %ransit:rias, como regulamentação provis:ria
do inciso 7, do artigo AB, que, como vimos, não ! aplicável aos dom!sticos<#
;
Como exemplo de jurisprudência, citamos acórdão da do Egrégio
TRT da 10ª Região que acata e faz referência à tese que defendemos na
condição de Procurador do Trabalho oficiante nos autos como custus legis.
“Não se aplica à doméstica gestante a garantia da proibição da dispensa
arbitrária ou sem justa causa prevista no art. 10, II, letra “b¨, do ADCT, por se
referir este dispositivo exclusivamente aos empregados beneficiados por esse
direito previsto no inciso I, do art.7º, da CF/88 dos quais a doméstica foi
excluída pela omissão do parágrafo único deste preceito constitucional. TRT
10ª Reg. Ac. 2ª T., Relator Juiz Sebastião Machado Filho, in Revista LTr 55-
04/480.
Ent%etnto@ to# e)) #i)cu))$o ciu (o% te%% co'
e#i*$o # Lei nA 11.91;@ #e 1BB>@ c%e)centn#o o %t. ;
o
-A C Lei nD
<8<EFG1@ Hue (%oí-e #i)(en) %-it%:%i ou )e' Iu)t cu) #
e'(%e2# #o'3)tic 2e)tnte #e)#e con!i%'*$o # 2%&i#e, t3
< Jcinco+ 'e)e) (?) o (%to.
Provavelmente essa alteração legislativa suscitará uma boa
discussão sobre a constitucionalidade do art. 4-A da Lei nº 5859/72, pois o
art. 7, I da Constituição Federal prevê que a estabilidade no emprego será
regulada por lei complementar e não por lei ordinária.
Penso que não há inconstitucionalidade no art. 4º-A, da Lei do
Empregado Doméstico porque o inciso I do art. 7º da Constituição Federal,
exigindo Lei Complementar para disciplinar a estabilidade no emprego não
se aplica aos empregados domésticos e também porque o inciso I se refere à
estabilidade permanente e não à estabilidade provisória, como é a
estabilidade decorrente de gravidez.
1
Curso de Previdência Social, Cditora Dorense, $E, (/ Cdição, ;++), p# F;,#
4
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
1.G Re!"e8o) #o) Kene!ício) P%e&i#enci:%io) )o-%e #i%eito)
t%-"7i)t) #o) #o'3)tico)
Durante a licença maternidade, ao empregador cabe recolher
apenas a contribuição previdenciária patronal (12%) sobre o salário de
contribuição. O salário maternidade é considerado salário de contribuição,
conforme § 2° do art. 28 da Lei 8.212/91. O auxílio-doença, sendo benefício
previdenciário, não é considerado salário de contribuição, nos termos do §
9° do mesmo art. 28. Logo, durante o auxílio doença, não é devida
qualquer contribuição, tanto pelo empregado como pelo empregador.
Aos domésticos se aplicam as normas do regime de benefícios
previdenciários. Com base no art. 131, III da CLT e nas Súmulas 46 e 89 do
TST, podemos afirmar que o auxilio doença integra o tempo de serviço para
efeito de férias e gratificação natalina. Caso o auxilio doença perdure por
mais de 6 meses, o empregado perde o direito às férias, iniciando-se a
contagem de novo período aquisitivo, art. 133, IV da CLT, aplicável
subsidiariamente, já que omissa a Lei do Empregado Domésticos.
Leitura complementar: 1) NASCIMENTO, Amauri Mascaro - Curso de direito do trabalho - 12. ed. rev. aum. - São
Paulo : Saraiva, 1996. P. 605/606. 2) PINTO, José Augusto Rodrigues - Curso de direito individual do trabalho - 2.
ed. - São Paulo : LTr, 1995. P. 244247.
II. TRAKALLADOR APRENDIM
Ver artigos 428 a 433 da CLT, com a redação que lhes deu a Lei N°
10.097 de 19/12/2000 e Lei nº 10.180 de 26/09/2005. Essa mesma Lei
revogou os artigo 80, o § 1° do art. 405, 436, 437.
1. ConceitoN "Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial,
ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se
compromete a assegurar ao maior de 14 (quatorze) anos e menor de 24
(vinte e quatro) anos, inscrito em programa de aprendizagem, formação
técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico,
moral e psíquico, e o aprendiz, a executar, com zelo e diligência, as tarefas
necessárias a essa formação." (artigo 428 da CLT)
2
1.1 Conceito #e !o%'*$o t3cnico-(%o!i))ion"N formação técnico-
profissional caracteriza-se por suas atividades teóricas e práticas,
metodicamente organizadas em tarefas de complexidade progressiva
desenvolvidas no ambiente de trabalho. (artigo 428, § 4°., CLT)
1 ReHui)ito) #e 5"i##eN
A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação
na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e freqüência do
2
Redação dada pela Lei n° 11.180 de 23/09/2005.
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Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
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aprendiz à escola, caso não haja concluído o ensino fundamental, e inscrição
em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação de entidade
qualificada em formação técnico-profissional metódica. (artigo 428, § 1°, da
CLT)
A contratação do aprendiz poderá ser efetivada pela empresa
onde se realizará a aprendizagem ou pelas entidades sem fins lucrativos
mencionadas no inciso II do art. 430, caso em que não gerará vínculo de
emprego com a empresa tomadora dos serviços. (Art. 431, CLT)
9 A(%en#i, co' #e!ici0nci.
Nos termos do § 5º do art. 428 da CLT, a idade máxima de 24
anos não se aplica a aprendizes com deficiência.
Para os fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da
escolaridade do aprendiz com deficiência mental deve considerar, sobretudo,
as habilidades e competências relacionadas com a profissionalização (§ 6º,
do art. 428, CLT).
Diferentemente da regra geral, o contrato de aprendizagem do
trabalhador com deficiência não se extinguir quando o aprendiz completar
vinte e quatro anos (art. 433, da CLT).
;. Re'une%*$oN
Ao menor aprendiz, salvo condição mais favorável, será
garantido o salário mínimo hora. (artigo 428, § 2°, da CLT.)
<. Du%*$o ':8i' #o cont%to #e (%en#i,2e'N
O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por
mais de dois anos. (artigo 428, § 3°, da CLT)
>. /o%n# ':8i' #i:%i #o t%-"7o (%en#i,N
A duração do trabalho do aprendiz não excederá de seis horas
diárias, sendo vedadas a prorrogação e a compensação de jornada. Todavia,
para os aprendizes que já tiverem completado o ensino fundamental, o
limite poderá ser de até oito horas diárias, se nelas forem computadas as
horas destinadas à aprendizagem teórica. (Art. 432 da CLT)

G. In)e%*$o #o t%-"7#o% (%en#i, n) e'(%e))N
Os estabelecimentos de qualquer natureza são obrigados a
empregar e matricular nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem
número de aprendizes equivalente a cinco por cento, no mínimo, e quinze
6
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
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por cento, no máximo, dos trabalhadores existentes em cada
estabelecimento, cujas funções demandem formação profissional. (artigo
429 da CLT)
Este limite não se aplica quando o empregador for entidade
sem fins lucrativos, que tenha por objetivo a educação profissional e as
frações de unidade, no cálculo da percentagem, darão lugar à admissão de
um aprendiz. (artigo 428, §§ 1°-A e 1°, da CLT)
Quando os Serviços Nacionais de Aprendizagem não
oferecerem cursos ou vagas suficientes para atender à demanda dos
estabelecimentos, a falta poderá ser suprida por Escolas Técnicas de
Educação e/ou entidades sem fins lucrativos, que tenham por objetivo a
assistência ao adolescente e à educação profissional, registradas no
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Estas
entidades deverão contar com estrutura adequada ao desenvolvimento dos
programas de aprendizagem, de forma a manter a qualidade do processo de
ensino, bem como acompanhar e avaliar os resultados. A competência
dessas entidades será avaliada segundo normas fixadas pelo Ministério do
Trabalho e Emprego. (Art. 430 da CLT)
8. E8tin*$o #o cont%to #e (%en#i,2e'N
O contrato de aprendizagem extinguir-se-á no seu termo ou
quando o aprendiz completar vinte e quatro anos, ou ainda antecipadamente
nas seguintes hipóteses: desempenho insuficiente ou inadaptação do
aprendiz; falta disciplinar grave; ausência injustificada à escola que implique
perda do ano letivo, ou a pedido do aprendiz. (art. 433 da CLT).
Apesar de omissa a lei quanto à resilição por falta grave do
empregador, entendo que o trabalhador aprendiz pode considerar rescindido
o contrato de aprendizagem e pleitear a devida indenização quando
configurada uma das hipóteses previstas no artigo 483 da CLT.
Mesmo sendo um contrato por tempo determinado, quando
ocorrer a sua resilição antecipada, ao contrato de aprendizagem não será
aplicado o disposto nos arts. 479 e 480 da Consolidação.
E. =GTS no cont%to #e (%en#i,2e'N
Nos contratos de aprendizagem a alíquota mensal do FGTS é
de apenas 2% (dois por cento), enquanto nos contratos de trabalho comuns
essa alíquota é de 8% (oito por cento). Art 15, § 7°, da Lei nº 8.036, de 11
de maio de 1990, Lei do FGTS.
Ler: 1) Curso de direito do trabalho - Orlando Gomes e Elson Gottschalk - Rio de Janeiro: Forense, 1998. P
441/450. 2) Curso Expositivo de Direito do Trabalho - Fábio Leopoldo de Oliveira - Ed. LTr. P. 126/128. 3) Pinto,
José Augusto Rodrigues - Curso de direito individual do trabalho - 2. ed. - São Paulo : LTr, 1995. P. 234/238. 4)
Nascimento, Amauri Mascaro - Curso de direito do trabalho - 12. ed. rev. aum. - São Paulo : Saraiva, 1996. P. 264
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Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
III. ATLETA PRO=ISSIONAL
LEI Nº 9.615, DE 24 DE MARÇO DE 1998.
ATLETA PRO=ISSIONAL. MULTA POR RESILIÇOO ANTECIPADA DE CONTRATO.
MULTA DO ART. ;GE DA CLT e MULTA CONTRATUAL PRE5ISTA EM CLPUSULA
PENAL. Uma multa não exclui a outra, sendo uma devida em função da resilição antecipada
do contrato de trabalho, prevista no art. 479 da CLT, e a outra para reparar perdas e danos,
prevista em cláusula penal e obrigatória na foram do art. 28 supracitado. Recurso
parcialmente provido. PROC 01858. 2004.006.19.00.8 - RO - 19ª REGIÃO - AL - José Abílio
Neves Sousa - Juiz Relator. DJ/AL de 11/08/2005 - (DT - Dezembro/2005 - vol. 137, p.
118).
I5. CONTRATO INDI5IDUAL DE EMPREGO RURAL.
9
Int%o#u*$o.
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, artigo
7°, caput, equiparando em direitos os trabalhadores urbanos e rurais, a
importância do estudo destacado da relação de emprego rural restringia-se,
praticamente ao problema da prescrição dos créditos trabalhistas, pois não
incidia a prescrição na vigência do contrato de emprego rural. Todavia, com
a edição da Emenda Constitucional n° 28, de 25/05/2000, estendendo aos
trabalhadores rurais os mesmos prazos prescricionais estipulados pelo artigo
7°, XXIX, da Constituição da República para a relação de emprego urbano,
cinco anos na vigência do contrato de emprego e dois anos após a sua
extinção, não mais se justifica o estudo especial da relação de emprego
rural, salvo alguns aspectos peculiares que analisaremos a seguir.
1. E'(%e2#o %u%".
Conceito: QE'(%e2#o %u%" 3 to# (e))o !í)ic Hue@ e' (%o(%ie##e
%u%" ou (%3#io %R)tico@ (%e)t )e%&i*o) #e ntu%e, n$o e&entu"
e'(%e2#o% %u%"@ )o- #e(en#0nci #e)te e 'e#inte )":%io.S A%ti2o
1D # Lei <.88EFG9.
1. E'(%e2#o% %u%"N
Conceito: E'(%e2#o% %u%" 3 Q(e))o !í)ic ou Iu%í#ic@ (%o(%iet:%i
ou n$o@ Hue e8("o%e ti&i##e 2%oecon4'ic e' c%:te%
(e%'nente ou te'(o%:%io@ #i%et'ente ou t%&3) #e (%e(o)to) e
co' o u8í"io #e e'(%e2#o).S A%ti2o 9D # Lei <.88EFG9.
3
Esta aula deve ser complementada com a leitura da Lei n° 5.889/73 e Decreto n° 73.841/74 !em como dos arti"os #$spectos
controvertidos do tra!al%o rural& da pro'. $lice (onteiro de )arros in *evista do +,- .° 4 de/em!ro de 19950 ,oi1nia0 19962 e
3usta 4ausa no Direito do -ra!al%o *ural 5*escis6o Direta e +ndireta7 in *evista do +,- n° 5 8un%o de 1996. -am!9m deve ser lida
a cartil%a : 4ondom;nio de Empre"adores0 um novo modelo de contra<6o no meio rural = )ras;lia 0 (-E >+- 2??? 61 p.
8
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
Para efeito de definição da relação de emprego rural, inclui-se
na atividade agroeconômica a exploração industrial em estabelecimento
agrário, artigo 3º, § 1° da Lei 5.889/73.
O artigo 2°, § 4º, do Decreto n° 73.626/74, considera como
exploração industrial em estabelecimento agrário as atividades que
compreendem o primeiro tratamento dos produtos agrários in natura sem
transformá-los em sua natureza, como por exemplo: o beneficiamento, a
primeira modificação e o preparo dos produtos agropecuários e
hortigranjeiros e das matérias-primas de origem animal ou vegetal para
posterior venda ou industrialização; o aproveitamento dos subprodutos
oriundos das operações de preparo e modificação dos produtos in natura
antes referidos.
Para efeito de definição do empregador rural, não será
considerada indústria rural aquela que, operando a primeira transformação
do produto agrário, altere a sua natureza, retirando-lhe a condição de
matéria-prima.
O artigo 4°, da Lei 5.889/73, equipara “ao empregador rural, a
pessoa física ou jurídica que, habitualmente, em caráter profissional e por
conta de terceiros, execute serviços de natureza agrária, mediante utilização
do trabalho de outrem.¨
9. G%u(o econ4'ico %u%".
A Lei n° 5.889/73, que cuida do trabalho rural, no artigo 3º, § 2º
alargou o princípio da solidariedade das empresas componentes de grupo
econômico, não exigindo no âmbito rural o requisito )u-o%#in*$o #)
empresas grupadas à empresa-mãe ou controladora, bastando que integrem
grupo econômico ou financeiro rural.
;. T%-"7o %u%" notu%no.
;.1 Lo%:%io notu%no.
Segundo a artigo 7°, da Lei n° 5.889/73, “considera-se trabalho noturno o
executado entre as 21 (vinte e uma) horas de um dia e as 5 (cinco) horas
do dia seguinte, na lavoura, e entre as 20 horas de um dia e as 4 (quatro)
horas do dia seguinte, na atividade pecuária.
;.1 A#icion" notu%no.
Enquanto no trabalho urbano o adicional noturno é de 20%, no trabalho
rural ele é de 25%.
9
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
;.9 Lo% notu%n.
Uma questão ainda polêmica é saber se o artigo 73, § 1° da
CLT, estabelecendo a hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos, também
incide sobre a hora noturna do trabalho rural.
No seu livro “Trabalha Rural “ o prof. Antenor Pelegrino, não faz
menção sobre se a hora noturna no trabalho rural é reduzida ou não. Ele
especifica apenas o percentual de 25% que incide sobre a hora noturna.
No livro “Manual do empregador rural “dos professores Maria
Nívea Taveira Rocha e José Benedito Monteiro, não há menção sobre se a
hora do trabalho noturno é reduzida ou não.
No livro “Manual Prático do Trabalho Rural“, o prof. Osíris
Rocha, não esclarece se a hora noturna no trabalho rural é reduzida ou não,
especificando, tão-somente, que o percentual a incidir na hora noturna é de
25%.
No livro “Curso de Direito do Trabalho¨ estudos em memória
de Célio Goyatá, Coordenado pela Profª. Alice Monteiro de Barros , no
capítulo ¨o trabalho rural¨ escrito por Márcio Túlio Viana, na p.304 preleciona
que: “ = lei não reduz a duração horária da noite# Cm troca, prevê um
adicional de ('G# =l!m disso, distingue o empregado da lavoura e o da
pecuáriaH.
No livro do prof. Saulo Emídio dos Santos, “Trabalhador Rural
relações de emprego¨ na p. 38 explicita que 0 atento 4s características
pr:prias das atividades agrárias& que necessitam ser iniciadas mais cedo
diariamente & e negando a hora reduzida de '( min# ), seg# Iara os
rurículas, o legislador fixou como noturna a faina das (; 4s ' horas, na
lavoura, e das (, 4s F horas, na pecuária#
Interpretando-se as jornadas noturnas de trabalho fixadas na
lei, pode-se chegar a conclusão de que o legislador não reduziu em 52 min e
30 seg a hora noturna de trabalho do empregado rural; senão vejamos.

Se a duração da jornada de trabalho noturna rural
especificada na lei para a pecuária, das 20 horas de um dia às 04 horas do
dia seguinte, perfaz um total de oito horas trabalhadas, bem como na
lavoura, das 21 horas de um dia às 05 horas do dia seguinte, perfaz também
um total de oito horas trabalhadas, no trabalho noturno urbano, das 22 h de
um dia às 05 h do dia seguinte, perfaz um total de 7 horas; sendo, portanto,
tratada essa matéria de forma diversa. Por outro lado, o legislador celetista,
no § 2º do art. 73, foi expresso ao reduzir a hora noturna do empregado
1?
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
urbano; não o fazendo ao regular o tema no artigo 7º e seu parágrafo único
na lei 5.889/73.
Se a hora noturna reduzida tem o fito de prevenir a fadiga
proporcionada pelo trabalho noturno, considerado pela medicina do trabalho
muito mais extenuante para o homem, não poderia o trabalhador rural não
receber a especial proteção da pela lei ao trabalhado noturno urbano,
mesmo porque a Constituição Federal igualou os direitos dos trabalhadores
urbanos e rurais.
Contudo, no pertinente ao trabalho noturno, os desgastes
físicos do trabalho rural e do urbano foram indenizados de formas
diferentes: o trabalhador urbano foi agraciado com a hora noturna reduzida
e o adicional de 20%, enquanto trabalhador rural, que não foi beneficiado
com a hora noturna reduzida, teve o adicional noturno aumentado para
25%.
;.; Inte%&"o) int%Io%n#.
Enquanto no trabalho urbano o intervalo para repouso e refeição, em
qualquer trabalho contínuo de duração superior a 6 horas é obrigatório um
intervalo mínimo de 1 hora e de no máximo 2 horas, salvo situações
especiais, no trabalho rural esse intervalo será de acordo com os usos e
costumes da região.
Quando o serviço for de natureza intermitente, não serão
computados, com de efetivo serviço, os intervalos entre uma e outra parte
da execução da tarefa diária, desde que a intermitência seja igual ou
superior a 5 horas, devendo essa situação ser anotada na CTPS do
trabalhador, nos termos do artigo 10 do Decreto n° 73.626, de 12 de
fevereiro de 1974, que regulamentou a Lei 5889/74.
<. S":%io uti"i##e.
Ver artigo 9°, e especialmente o seu § 5°, da Lei 5.889/73,
com a redação que lhe deu a Lei 9.300/96.
No contrato de trabalho agrícola é lícito o acordo que estabelecer a
remuneração in natura, contanto que seja de produtos obtidos pela exploração do negócio e
não exceda de 1/3 (um terço) do salário total do empregado. (art. 506 CLT)

>. Me#icin e )e2u%n* #o t%-"7o %u%".
5e% NR nD J)o-%e o t%-"7o %u%"+
G. Cont%to #e )!%.
11
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
Somente as atividades agrárias sazonais, dependentes de variações
estacionais, assim entendidas as tarefas normalmente executadas no
período compreendido entre o preparo do solo para o cultivo e a colheita,
podem ser submetidas ao contrato de safra, ou seja, por tempo
determinado. Artigo 19, do Decreto n° 73.626/74.
8. Cont%to #e ("nt*$o )u-)i#i:%i ou inte%c"%.
Quando autorizada e a cargo do empregado rural, será objeto
de contrato em separado e não poderá compor a parte correspondente ao
salário mínimo durante o ano agrícola.
E. A&i)o (%3&ioN
O aviso prévio do trabalho rural segue as mesmas regras do
urbano, com exceção da redução da jornada de trabalho no período que é de
um dia de trabalho por semana.
1B. Con)?%cio #e e'(%e2#o%e) no 'eio %u%".
O consórcio de empregadores no meio rural é uma alternativa
para a contração legalizada de mão-de-obra rural para as atividades
sazonais de curta duração. Visa a atender aqueles casos em que o
empreendedor rural precisa de uma grande quantidade de trabalhadores por
um curto período, geralmente inferior a trinta dias, e que não justificaria, em
razão do custo operacional da burocracia que envolveria, a formalização do
contrato com cada um dos trabalhadores contratados. Na prática, para essas
contratações sazonais de curta duração e que não justificam a formalização
de contrato de safra, os empreendedores rurais utilizam-se dos bóias-frias,
também conhecidos como trabalhadores volantes, pois a cada dia trabalham
e uma propriedade diferente.
O consórcio de empregadores rurais surgiu por iniciativa do
Ministério Público do Trabalho - Procuradoria Regional da 15ª Região que
tomou a iniciativa de realizar uma reunião como Ministério do Trabalho e
Emprego e o Instituto Nacional de Seguridade Social para implantação da
idéia já debatida em seminário e congressos rurais da região.
4
Os proprietários rurais de um mesmo município formam um
consórcio para a contratação de trabalhadores que irão prestar serviços aos
consorciados. Cada proprietário arca com todas as despesas trabalhistas
proporcionalmente ao tempo de serviço recebido. Os proprietários são
solidariamente responsáveis pelas dívidas do consórcio para com os
trabalhadores por ele admitidos.
4
@erreira +ranA = Bma $lternativa para a contrata<6o de m6o=de=o!ra rural0 consCrcio de Empre"adores
no meio rural = L-r >uplemento -ra!al%ista 148/99 = p.785 = >6o Daulo 0 1999
12
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
Segundo a Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, que
introduziu o artigo 25-A na Lei n° 8.212/91, "Equipara-se ao empregador
rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, firmado pela
união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes
para contratar, gerir e demitir trabalhadores para a prestação de serviço,
exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em
cartório de títulos e documentos.
No âmbito do INSS, a matéria foi objeto da Circular n°
053/99. Sendo que o Ministério do Trabalho e Emprego editou uma cartilha
sobre assunto (vide nota de rodapé n° 1)
..... RUR6COLA. PRESCRIÇOO. EMENDA CONSTITUCIONAL NA 18FBB. PROCESSO
EM CURSO. INAPLICP5EL. In)e%i# e' 1G.BE.B1
Considerando a inexistência de previsão expressa na Emenda Constitucional nº
28/00 quanto à sua aplicação retroativa, há de prevalecer o princípio segundo o
qual a prescrição aplicável é aquela vigente à época da propositura da ação.
11. Di)tin*$o ent%e o cont%to #e t%-"7o e #e (%ce%i %u%"
* A parceria agrícola é o contrato pelo qual uma pessoa ce#e u' (%3#io
%R)tico a outra, para ser por ela cultivado, repartindo-se os frutos entre as
duas, na proporção que estipularem.
* A parceria pecuária é o contrato pelo qual uma pessoa ent%e2 out%
ni'i) (% que esta os pastoreie ou crie, mediante uma cota nos lucros,
geralmente in natura.
Esse contrato tem afinidade com o contrato de trabalho porque o
parceiro/cessionário obriga-se a trabalhar, a exercer atividade produtiva.
Mas não é empregado, na acepção técnica do vocábulo, pois não é
trabalhador subordinado. O parceiro não recebe remuneração fixa por seu
trabalho, participando dos lucros e dos riscos do negócio. A parceria não se
executa intuitu (e%)one@ podendo o parceiro cessionário utilizar-se até
mesmo de empregados ou concurso de membros de sua família.
A inexistência do vínculo de subordinação basta para diferenciar a
parceria do contrato de trabalho. A exploração econômica do prédio rústico é
dirigida pelo parceiro - cessionário, sem a intervenção do ce#ente, que,
deste modo, não tem o poder hierárquico inerente ao exercício da função de
empregador.
Obs: a condição econômica dos pequenos parceiros não difere da dos
empregados em geral. O verdadeiro parceiro pode esperar o lucro e
assimilar o prejuízo, enquanto o empregado não pode.
13
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
11. P%e)c%i*$o #o) Di%eito) #o E'(%e2#o Ru%" T Re2% #e A("ic*$o
# E'ent Con)titucion" nD 18F1BBB.
O/ SDI-1 RUR6COLA. PRESCRIÇOO. CONTRATO DE EMPREGO EUTINTO. EMENDA CONSTITUCIONAL NA
18F1BBB. INAPLICAKILIDADE. In)e%i# e' 1G.BE.1BB1 J"te%#@ D/ 11.11.1BB<+
O prazo prescricional da pretensão do rurícola, cujo contrato de emprego já se extinguira ao sobrevir a
Emenda Constitucional nº 28, de 26/05/2000, tenha sido ou não ajuizada a ação trabalhista, prossegue
regido pela lei vigente ao tempo da extinção do contrato de emprego.
/u%i)(%u#0nciN
PROCESSON RR-<<<.<1BF1EEE.B - TRT DA 1G.V REGIOO - JAC. ;.V TURMA+
RELATOR: MIN. ANTÔNIO JOSÉ DE BARROS LEVENHAGEN
EMENTAN RECURSO DE RE5ISTA. PRESCRIÇOO. Segundo a iterativa, atual e notória jurisprudência da SDI,
aplica-se a prescrição própria do rurícula ao empregado que exerce atividade rural em empresa de reflorestamento
(Lei n.º 5.889/73, art. 10 e Decreto n.º 73.626/74, art. 2.º, § 4.º). Recurso de revista não conhecido.
Publicado no DJ n.º 106. 02/06/2000. p. 283.
PROCESSON RR-9;<.9EGF1EEG.1 - TRT DA E.V REGIOO - JAC. 9.V TURMA+
RELATOR: MIN. CARLOS ALBERTO REIS DE PAULA
EMENTAN RECURSO DE RE5ISTA - PRESCRIÇOO WXINWXENAL - MARCO INICIAL PARA A CONTAGEM DO
PRAMO - O marco inicial da prescrição qüinqüenal a que se refere o artigo 7.º, inciso XXIX, alínea a, da
Constituição Federal, é a data da propositura da reclamação e isto porque a circunstância de constar do texto
constitucional a possibilidade de o direito ser exercido até dois anos posteriores ao rompimento do vínculo, não
significa que o prazo transcorrido entre a data da extinção do contrato e a do ajuizamento da ação seja excluído da
contagem geral dos cinco anos fixados pela Carta Magna.
Publicado no DJ n.º 231, 03/12/99, p. 194.
PROCESSON E-RR-<1G.981F1EEE.E - TRT DA >.V REGIOO - JAC. SKDI1+
RELATOR: MIN. JOÃO BATISTA DE BRITO PEREIRA
EMENTAN EUECUÇOO. PENLORA. KEM GRA5ADO POR CÉDULA DE CRÉDITO RURAL. 1. O art. 186 do Código
Tributário Nacional, bem como os arts. 10 e 30 da Lei 6.830 (plenamente aplicáveis ao processo de execução
trabalhista, ex vi do art. 889 da CLT), demonstram ter o crédito trabalhista tratamento privilegiado nas execuções
podendo a penhora recair sobre bem gravado por cédula de crédito rural pignoratícia em razão de a propriedade e
o domínio do bem permanecerem com o devedor-executado. 2. Segundo a disposição do § 2.º do art. 896 da CLT,
o conhecimento do Recurso de Revista, em se tratando de processo de execução, está adstrito à demonstração de
ofensa direta a texto constitucional. A questão acerca da possibilidade de penhora rural esbarra, necessariamente,
no exame de normas legais, de sorte que a decisão Embargada, que não conheceu do Recurso de Revista, não
vulnera o art. 896 da CLT. Embargos não conhecidos.
Publicado no DJ n.º 24. 02/02/2001. p. 406.
PROCESSON RR-91;.E11F1EE>.8 - TRT DA >.V REGIOO - JAC. <.V TURMA+
RELATOR DESIGNADO: MIN. DARCY CARLOS MAHLE
EMENTAN ADICIONAL DE INSALUKRIDADE. TRAKALLADOR RURAL. O rurícola faz jus ao adicional de
insalubridade quando sua atividade o expõe à ação de agentes insalutíferos, o que deve ser demonstrado por meio
de perícia. Não merece provimento o recurso quando não são infirmados os fundamentos da decisão que, da
análise do laudo pericial, infere que não se configuram as condições insalubres detectadas em situação
semelhante. Recurso de revista a que se nega provimento.
Publicado no DJ n.º 231. 03/12/99. p. 341.
PROCESSON RR-9;1.;91F1EEG.< - TRT DA >.V REGIOO - JAC. <.V TURMA+
RELATOR: MIN. ARMANDO DE BRITO
EMENTAN ADICIONAL DE INSALUKRIDADE - TRAKALLADOR RURAL. O entendimento adotado pelo Regional
mostra-se em consonância com a jurisprudência desta Alta Corte, no sentido de que é indevido o adicional de
insalubridade ao trabalhador em atividade a céu aberto, pela sujeição a raios solares, pois a proteção está dirigida
a outras fontes de radiações não ionizantes, cuja medição seja coerente exigir, não à exposição a condições
climáticas. Incidente, portanto, o óbice do Enunciado n.º 333 do TST ao conhecimento do apelo. Recurso de
Revista não conhecido.
Publicado no DJ n.º 35. 18/02/2000. p. 282.
YAti&i##e 2%:%i. É imprescindível para a caracterização do contrato de safra o cumprimento das formalidades
legais e prova incontestes de que sua variação dependeu de variações estacionais da atividade agrária, por força
do disposto no parágrafo único do art. 14 da Lei n.º 5.889/73. Verificada nos autos a existência entre as partes
desse tipo de realidade, não se há falar em responsabilidade da empregadora quanto ao pagamento das parcelas
decorrentes de extinção injusta de contrato laboral por prazo indeterminado." (TRT - 3.ª R - 4.ª T - RO n.º
19578/95 - Rel. Ribeiro do Valle - DJMG 04.05.96 - pág. 45).
14
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
YC%cte%i,-)e o cont%to #e )!% quando preenchidos os requisitos legais e provado que a sua duração fixou-
se pelas variações estacionais da atividade agrária (Lei n.º 5.889/73, art. 14, parágrafo único)." (TRT 3.ª R - 5.ª T
- RO n.º 14619/94 - Rel. Godinho Delgado - DJMG 21.01.95 - pág. 47).
YT%-"7#o% %u%". O contrato que rege as relações entre o trabalhador rural e o fazendeiro, especialmente nos
períodos de safra, em atividades próprias da lavoura, é o de safra, previsto na lei do trabalhador rural". (TRT-3.ª R
- 1.ª T - RO n.º 14596/94 - Rel. Antonio F. Guimarães - DJMG 02.12.94 - pág. 57)
YCont%to #e )!% - C%cte%i,*$o. Comprovado nos autos a transitoriedade da contratação na zona rural
canavieira, através da coincidência entre o término do pacto laboral e o período de safra, tem-se que houve
contrato por prazo de terminado de safra. Recurso obreiro improvido." (TRT - 5.ª R - 1.ª T - RO n.º 7860/97 - Rel.
Juiz Newton Jerônimo Rodrigues - DJPE 21.01.98 - pág. 31).
YCont%to #e )!% - De)c%cte%i,*$o. Ainda que o contrato de safra se submeta às variações estacionais da
atividade agrária, não se pode ter como de safra aquele que perdurou por mais de 7 meses, para a colheita na
lavoura de café, sem que prova da instabilidade sazonal se fizesse nos autos a estender o referido contrato,
sobretudo quando pactuado permite inferir a existência de tarefas embutidas e incompatíveis com a safra." (TRT -
3.ª R - 1.ª T - RO n.º 8861/97 - Rel. Carlos Pinto - DJMG 06.02.98 - pág. 13.)
YCont%to #e )!% - De)c%cte%i,*$o. O contrato de safra, modalidade de contrato de trabalho por tempo
determinado, e que na estipulação da Lei n.º 5.889/73 é aquele que 'tenha sua duração dependente de variações
estacionais da atividade agrária' (parágrafo único do art. 14), por certo que fica descaracterizado quando
demonstrado que o empregado, além da colheita, ativava-se no preparo da terra e no plantio, sendo as sucessivas
contratações e recontratações do empregado anotadas na CTPS tentativa de burla à legislação obreira, pois na
verdade existiu um único contrato de trabalho, sendo devidas, assim, as verbas decorrentes do contrato de
trabalho por prazo indeterminado." (TRT - 15.ª R - 3.ª T - Ac. n.º 34864/98 - Rel. Mauro César M. de Souza - DJSP
19.10.98 - pág. 71).
YCont%to #e )!% - C%cte%i,*$o - De)nece))i##e #e t%-"7o n co"7eit. O contrato de safra não
exige que o trabalhador preste serviços especificamente na colheita. O parágrafo único do art. 14 da Lei n.º
5.889/73 definiu o contrato de safra como sendo aquele que tenha sua duração dependente de variações sazonais
da atividade agrária. Assim, mesmo que o trabalhador não trabalhe diretamente no serviço do campo, mas desde
que sua atividade seja decorrente da estação da safra, é perfeitamente válido do contrato firmado. Recurso
ordinário conhecido e não provido." (TRT - 15.ª R - 1.ª T - AC. n.º 8029/99 - Rel. José Otávio Bigatto - DJSP
29.06.99 - pág. 72.)
YCont%to #e )!%. Considera-se contrato de safra aquele que tenha sua duração dependente de variações
estacionais da atividade agrária (parágrafo único do art. 14 da Lei n.º 5.889/93)." (TRT - 15.ª R - Ac. n.º
41094/2000 - Rel.ª Luciane S. da Silva - DJSP 06.11.2000 - pág. 11).
PROC.N TRT 18V RFRO-9<1EFEG T Ac. nA 11<1FE8 T /C/ DE CALDAS NO5ASFGO
RELATORN JUIZ ALDIVINO A. DA SILVA
EMENTAN RELAÇOO DE EMPREGO. RURAL. SUKORDINAÇOO T 5ERI=ICAÇOO. Há certas situações onde a
aparição do pressuposto da subordinação necessita de maior acuidade. No trabalho rural, onde não há um controle
contínuo ou ostensivo da atividade do empregado, mesmo porque o dono da propriedade dali se ausenta vários
dias, a subordinação está presente, apesar de rarefeita, vez que a realização de tais atividades independe da
presença contínua do empregador.
(Data do Julgamento: 03.03.1998)
PROC.N TRT 18V RFRO-111EFE1 T Ac. B819FE1 T COMARCA DE CARMO DO RIO 5ERDEFGO
RELATORN JUIZ OCTÁVIO J. DE M. DRUMMOND MALDONADO
EMENTAN RELAÇOO DE EMPREGO RURAL. SA=RISTA. DISTINÇOO DO CLAMADO QKZIA-=RIAS. O
trabalhador rural que labora, meses a fio, para o mesmo empresário, embora o faça apenas em determinado
período do ano, se satisfeitos os demais requisitos do artigo 2º da Lei 5.889/73, é safrista, não volante, avulso ou
“bóia-fria¨. Ad argumentandum¸ caso, por absurdo, se entenda o contrário, mesmo assim terá ele direitos
trabalhistas, aplicando-se-lhe, então, o art. 17 do citado diploma legal, consoante a lição do renomado Osíris
Rocha.
(sem referência)
TRAKALLADOR RURAL. P%e)c%i*$o.
EMENTA: Trabalhador rural - Tipificação - Prescrição. A qualidade rural do trabalho emerge da conjugação de dois
requisitos: atividade agroeconômica do empregador e exercício do labor do empregado em propriedade rural ou
prédio rústico. Atendidos tais requisitos tem-se por rurícola o obreiro, pelo que a prescrição a ser observada é a
prevista na alínea , inciso XXIX, do artigo 7º, da Constituição Federal. (TRT - 3ª R - RO nº 16990/96 - Rel. Dr.
Márcio Ribeiro do Valle - DJMG 22.03.97 - pág. 8)
Re"*$o #e e'(%e2o %u%".
15
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
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EMENTA: Vínculo de emprego - Trabalhador rural - Contrato de parceria agrícola não caracterizado. O alegado
contrato de parceria agrícola juntado aos autos não restou caracterizado. O denominado “porcenteiro¨ não passava
de preposto da reclamada trabalhando e fiscalizando os serviços prestados pelo reclamante nas terras de
propriedade daquela, fatos admitidos em juízo por seu representante legal. É por demais conhecido do Judiciário
Trabalhista o fato de que no meio rural é comum a arregimentação de trabalhadores, por prepostos empregados ou
por terceiros, para realização do trabalho agrícola. Em casos tais, o arregimentador ou intermediador de mão-de-
obra recebe a denominação popular de “gato¨, atividade que merece ser amplamente coibida. Vínculo de emprego
reconhecido. Sentença reformada. (TRT - 9ª R - 5ª T - Ac. 5732/97 - Rel. Juiz Luiz Felipe Haj Mussi - DJPR
07.03.97 - pág. 390)
LEITURA COMPLEMENTAR
1+ LIMA, Julio Geraldes de Oliveira. "Contrato de Safra - Caracterização".
5

"A atividade agrária é caracterizada pela sazonalidade, ou seja, depende de variações
estacionais. Explicando melhor, tem relação direta com o plantio e a correspondente safra do produto a ser
explorado comercialmente. Em decorrência desta peculiaridade, os contrato de trabalho firmados com este mister
são chamados 'contratos de safra", são transitórios e são assinados entre o fazendeiro e o trabalhador rural por
prazo determinado, pois visam atender tão-somente o período de safra, entendimento este bem razoável, pois não
haveria sentido a manutenção de um efetivo de pessoal para trabalhar alguns meses por ano. Entretanto, decisões
existem que mostram que o Judiciário não 'dorme', nem se deixa enganar por maquiagens. Se o pacto laboral se
estende por longo período, e o empregador exige dos trabalhadores o desempenho de tarefas outras que não as
especificamente ligadas às atividades para as quais foi contratado, não há que se falar em prazo determinado ou
contrato de safra, mesmo que as atividades sejam eminentemente agrícolas e periódicas. Por exemplo: o
trabalhador rural que se dedica à colheita de safra e, após esta, executa o preparo da terra (adubação etc), tem
seu contrato de trabalho considerado por tempo indeterminado, fazendo jus, quando da rescisão, às verbas
resilitórias de praxe e peculiares.
Outro aspecto a destacar é que o contrato de safra não tem correlação direta com a atividade de colheita, mas
pode estar intrinsecamente a ela ligado; desta forma, se o desempenho das atividades laborais depende das
chamadas variações estacionais, o contrato é de safra, e, portanto, firmado por prazo determinado e tem
caráter transitório.
* Julio Geraldes de Oliveira Lima é advogado em Brasília.
/u%i)(%u#0nciN
PROCESSON RR-9;<.1<<F1EEG.> - TRT DA E.V REGIOO - JAC. <.V TURMA+
RELATOR: MIN. ARMANDO DE BRITO
EMENTAN MULTA DO ARTIGO ;GG DA CLT. EMPREGADO DOMÉSTICO. De acordo com o art. 7.º, alínea a, da
CLT, aos empregados domésticos não se aplicam os preceitos do texto consolidado, salvo quando, em cada caso,
for determinado expressamente em contrário. Portanto, não há falar em multa do art. 477, parágrafo 8.º, da CLT.
Recurso de Revista não provido.
Publicado no DJ n.º 35. 18/02/2000. p. 282.
PROCESSON RR-9<>.EG8F1EEG.9 - TRT DA <.V REGIOO - JAC. <.V TURMA+
RELATOR: MIN. RIDER NOGUEIRA DE BRITO
EMENTAN EMPREGADA DOMÉSTICA - SALPRIO-MATERNIDADE - DESCONLECIMENTO DO ESTADO
GRA56DICO. O desconhecimento da gravidez quando da despedida sem justa causa da empregada, não exime o
empregador da obrigação pelo pagamento do salário-maternidade, pois o art. 7º, parágrafo único, da Constituição
Federal, combinado com o inciso XVIII do mesmo dispositivo constitucional, ao contemplar a empregada doméstica
com a licença à gestante, não impôs qualquer condição. Efetivamente, o direito ao salário-maternidade pressupõe
tão-somente o estado gravídico da empregada na constância do contrato de trabalho. Logo, se a empregada
grávida ficou impedida de gozar da licença à gestante, porque despedida injustamente, deve o empregador
responder pelo ônus respectivo, convertendo-se o pagamento do salário- maternidade em indenização. Trata-se,
na realidade, de uma responsabilidade objetiva decorrente dos riscos inerentes à condição de empregador. Revista
conhecida e desprovida. Publicado no DJ n.º 106. 02/06/2000. p. 321.
DIARISTA. 56NCULO DE EMPREGO
I$J@CSSJ KB %S%&$$&'()#*+,-+. & (=c# (/ %urma)
Re"to%N Min. 6antuil =dala, Presidente e Relator
Salvo pactuação expressa em sentido contrário, não há vínculo de emprego quando o (a) diarista presta serviços
em residências, executando uma tarefa especial, de forma intermitente sem rigidez origacional e at! com certa
lierdade quanto a freq"ência e horário# $evista conhecida e desprovida#
(Rev. TST, Brasília, vol. 67, nº 1, jan/mar 2001, p. 229-232.)
5
*evista 4onsuleE
16
Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
PROC.N TRT 18V RFRO-9;E<FE8 T Ac. NA 81E1FEE T /C/ DE CATALOOFGO
RELATORN JUIZ LUIZ FRANCISCO GUEDES DE AMORIM
EMENTAN TRAKALLO DOMÉSTICO T ENTIDADE =AMILIAR T LEGITIMIDADE PASSI5A AD CAUSAM
- MEMKROS DA ENTIDADE T RECONLECIMENTO. O art. 3º, inciso II, do Decreto º 71.885/73, define o
empregador doméstico como sendo “a pessoa ou família que admita a seu serviço empregado dom!stico´. Sendo
assim, diante de prestação laboral de natureza doméstica, em benefício de entidade familiar, os membros desta,
em razão de comporem a entidade familiar, e por serem credores diretamente da prestação laboral, empregadores
potenciais, são partes legítimas passivas ad causam, na relação processual, podendo ser responsabilizados pelas
obrigações trabalhistas daí decorrentes. Acaso existente o líder ou cabeça da entidade, ou coletividade familiar,
suas atribuições não devem interferir na obrigação que onera a entidade como um todo. A realidade trabalhista
deve imperar sobre a norma civil. Em sede de processo do trabalho, a morte do líder ou chefe da entidade familiar
não deve requerer a aplicação das normas pertinentes à sucessão.
(Data do Julgamento: 10.11.1998)
PROC.N TRT 18V RFRO-1;>1FE8 T Ac. >EE1FE8 T <V /C/ DE GOI[NIAFGO
RELATORN JUIZ MARCELO NOGUEIRA PEDRA
EMENTAN INDENIMAÇOO POR ATO IL6CITO. AUS\NCIA DE REWUISITO ESSENCIAL ]
CON=IGURAÇOO DA RESPONSAKILIDADE. A legislação previdenciária determina que o benefício do salário-
maternidade deve ser pago diretamente pelo INSS à empregada doméstica (art. 73, da Lei nº 8.213/91), durante
120 dias, com início no intervalo entre 28 dias antes do parto e a data de ocorrência deste (art. 71, da Lei nº
8.213/91), sendo que a doméstica poderá requerê-lo até 90 (noventa) dias após o parto (parágrafo único do
mesmo dispositivo). A concessão do benefício independe da observância de período de carência (art. 26, I, da Lei
nº 8.213/91). Destarte, a aquisição do direito à percepção do salário-maternidade, por parte da Obreira, ocorreria
por volta de um mês antes do parto, desde que permanecesse na condição de segurada da Previdência Social. Uma
vez decidido que a dissolução do vínculo se deu por iniciativa da Autora, ainda no início na CTPS da Obreira, além
de descumprir as obrigações previdenciárias correspondentes, não apresenta nexo de causalidade com a perda do
benefício previdenciário, o que torna indevida a indenização postulada. (sem referência)
PROC.: TRT 18ª R/RO-4620/98 - Ac. 2254/99 - 2ª JCJ DE GOIÂNIA/GORELATORN JUIZ OCTÁVIO JOSÉ DE
MAGALHÃES DRUMMOND MALDONADO
EMENTAN PARCERIA AGR6COLA T INEUIST\NCIA. “A prestação de serviço mediante participação na colheita é
permitida por lei, sendo praxe no meio rural. Não se confunde com a parceria, que é um contrato típico, onde há
que preponderar a capacidade econômica do parceiro. Sem esse pressuposto, sua invocação é uma tentativa de
mascaramento do contrato de trabalho. Rejeitada a argüida carência de ação.¨ (Proc. TRT/MG, nº RO-2.996/75, 2ª
turma, Rel. Juiz Álfio Amaury dos Santos).(sem referência)
PROC.N TRT 18V RFRO-918>FEG T Ac. 1G1BFE8 T 9V /C/ DE ANPPOLISFGO
RELATORN JUIZ MARCELO NOGUEIRA PEDRA
EMENTAN EMPREGADO DOMÉSTICO. 5IGIA. É empregado doméstico o vigia que presta serviços de natureza
contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas (art. 1º, da Lei nº
5.859/72). O fato de receber horas extras e adicional noturno, embora se agregue como cláusula imodificável ao
vínculo, não transmuta sua natureza. Destarte, o direito do obreiro à percepção das mencionadas parcelas
adstringe-se aos limites em que outorgadas pelo empregador, por se cuidar de cláusula benéfica (art. 1090/CC).
(Data do Julgamento: 12.03.1998)
PROC.N TRT 18V RFRO-11<9FEE T Ac. 1>B9FEE T 1V /C/ DE ANPPOLISFGO
RELATORN JUIZ LUIZ FRANCISCO GUEDES DE AMORIM
EMENTAN EMPREGADA DOMÉSTICA T ESTAKILIDADE PRO5ISZRIA T LICENÇA MATERNIDADE.
Não faz jus a empregada doméstica à estabilidade prevista no art. 10, inc. II, letra “b¨ do ADCT, uma vez
que esta regulamenta o inciso I do art. 7º da CF/88, que não lhes foi estendido. Devido à empregada
doméstica gestante, apenas, o salário-maternidade, durante 28 dias antes e 92 dias depois do parto, não
podendo o empregador ser apenado com o pagamento da indenização pela licença-maternidade, quando a
dispensa se der no correr do quarto mês de gestação.
(Data do Julgamento: 20.05.1999)
PROC.N TRT 18V RFRO-B;1>FEE T Ac. 1;1BFEE T 1V /C/ DE GOI[NIAFGO
RELATORN JUIZ BRENO MEDEIROS
EMENTAN EN=ERMEIRO. TRAKALLO NOO CONT6NUO. IMPOSSIKILIDADE DE CARACTERIMAÇOO COMO
TRAKALLO DOMÉSTICO. Enfermeiro que trabalha em residência particular, somente nos finais de semana, com
liberdade para prestar serviços em outros locais, não se enquadra como empregado doméstico.
(Data do Julgamento: 23.03.1999)
DOMÉSTICO T TRAKALLO EM DIAS ALTERNADOS T IRRELE5[NCIA T CARACTERIMAÇOO DO 56NCULO T
“Doméstica: trabalho em dias alternados; doméstica que trabalha duas ou três vezes por semana, fazendo serviços
próprios de manutenção de uma residência, é empregada e não trabalhadora eventual, pois a habitualidade
caracteriza-se prontamente, na medida em que seu trabalho é desenvolvido em dias alternados, verificando-se
uma intermitência no labor, mas não uma descontinuidade; logo, estando plenamente caracterizada a
habitualidade, subordinação, pagamento de salário e pessoalidade, declara-se, sem muito esforço, o vínculo
empregatício.¨ (Ac un da 7ª T do TRT da 2ª R - RO 02970252508 - Rel. Juíza Rosa Maria Zuccaro - j 18.05.98 -
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Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
Recte.: Maria Antonia de Meira Paula; Recda.: Terezinha Camargo Branco de Almeida - DO SP 12.06.98, p 189 -
ementa oficial) (IOB nº 15/98 - Caderno 2 - pág. 301).
PRO=ESSOR. Reinte2%*$o
EMENTA: Professor municipal - Reintegração. O professor municipal admitido mediante concurso público não pode
ser dispensado sem prévio procedimento em que se lhe assegure amplo direito de defesa. Inexistindo justificativa
para demissão decorrente de mero capricho da administração, determina-se a reintegração do professor. (TRT -
12ª R - 1ª T - Ac. nº 1033/98 - Red. Juiz Godoy Ilha - DJSC 10.02.98 - pág. 39)
5IGILANTE. Di)tin*$o #e &i2i
EMENTA: Recurso ordinário - Vigia - Vigilante - Categorias diferentes. Há uma diferença entre vigia e vigilante, o
vigia se inclui nas atividades próprias de portaria. A Lei nº 7.102/83, restringiu o campo de atuação dos vigilantes
ao âmbito dos estabelecimentos bancários e financeiros. Não há como deferir para o vigia, trabalhador de empresa
de construção civil, diferença salarial em face do salário da categoria dos vigilantes. É o caso dos autos. (TRT - 21ª
R - Ac. nº 10386 - Rel. Juiz Doriélio Barreto da Costa - DJRN 25.03.97 - pág. 44) Unidade 8
RELAÇOO DE EMPREGO DOMÉSTICO.
Não se pode dizer que esta relação de emprego apenas se caracteriza se houver trabalho em cinco ou seis dias por
semana. Entretanto, a prestação em apenas um dia na semana, a escolha do prestador, e sua interrupção por
diversas ocasiões, não autoriza o reconhecimento de um contrato de trabalho. (TRT - 1a R - 6a T - RO no
20145/2000 - Rela. Dóris Castro Neves - DJRJ 9.1.2002 - p. 113)
DIARISTA - 56NCULO EMPREGAT6CIO.
Não tendo a reclamante prestado serviço à reclamada de maneira contínua, na forma do artigo 1o da Lei no
5.859/72, mas apenas duas vezes por semana, resta ausente o principal elemento configurador da relação de
emprego doméstico ínsito no mencionado artigo e no artigo 3o, inciso I, do Decreto no 71.885/73. Dessa forma,
tem-se que a obreira laborava como diarista, não fazendo jus às verbas pleiteadas na inicial. Recurso a que se
nega provimento. (TRT - 10a R - 3a T - ROPS no 4136/2001 - Rela. Márcia M. C. Ribeiro - DJDF 18.1.2002 - p.
163)
EMPREGADOS DOMÉSTICOS - =ÉRIAS PROPORCIONAIS.
Os artigos 2o e 6o do Decreto no 71.885/73, que regulamenta a Lei no 5.859/72, estabelecem que as férias dos
domésticos, à exceção do período de duração, devem observar os preceitos contidos na CLT. Logo, devidas as
férias proporcionais, nos estritos termos dos artigos 146, parágrafo único, e 147 consolidados. (TRT - 10ª R - 2a T
- RO no 830/2001 - Rel. André R. P. V. Damasceno - DJDF 18.1.2002 - p. 142)
EMPREGADA DOMÉSTICA - GESTANTE - SALPRIO-MATERNIDADE.
Não faz jus a empregada doméstica à indenização do salário-maternidade, referente ao período da licença à
gestante (120 dias), uma vez que o ato potestativo do empregador de romper o contrato de trabalho não
inviabiliza a concessão do referido benefício pela Previdência Social. (TRT - 12a R - 3a T - Ac. no 807/2002 - Rela.
Ione Ramos - DJSC 24.1.2002 - p. 81)
PROC. TRT-18ª / RO- 4001/98 - AC. 1949/99 - 5ª JCJ de Goiânia - GO
Relator: Juíza Ialba-Luza Guimarães de Mello
EMENTA: VÍNCULO DE EMPREGO. DOMÉSTICO OU RURAL. Reconhecendo o reclamado a produção de certa quantia
de leite em sua chácara, que demonstra a existência de exploração agropastoril, fato este confirmado por prova
testemunhal, o empregado que trabalha nessa atividade deve ser considerado rural e não doméstico. ( julgado em
13/04/1999)
PROC: TST/RR-719001/ 2000 TURMA: 01 - Origem REGIÃO: 18
RELATOR: MINISTRO JOÃO ORESTE DALAZEN
FONTE: DJ DATA: 05-04-2002
EMENTA: EMPREGADO DOMÉSTICO. FÉRIAS PROPORCIONAIS. 1. O empregado #o'3)tico faz jus às férias
proporcionais. Embora os direitos trabalhistas da categoria estejam taxativamente contemplados na Lei nº 5859/72
e na Constituição Federal, aplica-se o art. 147 da CLT, por analogia, no particular, porquanto se a lei e a
Constituição asseguram o mais - férias anuais integrais -, com muito maior razão asseguram também o menos:
férias proporcionais. Há que dar prevalência ao princípio da razoabilidade e da consideração de que a generalidade
da lei não consegue abarcar a riquíssima e vasta gama de situações que emergem da sociedade. 2. Ademais, a
vedação de aplicação da CLT aos #o'3)tico) há de ser entendida em termos, sob pena de chegar-se ao extremo
de os integrantes da categoria não se sujeitarem também à Iu)t cu) ou à
prescrição. 3. Recurso de revista conhecido e desprovido.
PROC. TST/RR-492134/1998 - 4ª Turma - Origem 6ª REGIÃO
RELATOR: MINISTRO MILTON DE MOURA FRANÇA
FONTE: DJ DATA: 15-02-2002
EMENTA: EMPREGADA DOMÉSTICA - PAGAMENTO DE VERBAS RESCISÓRIAS - MULTA - APLICABILIDADE DO
ARTIGO 477 DA CLT. A partir do momento em que o constituinte assegurou à empregada #o'3)tic uma série de
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Curso de Direito do Trabalho - Edson Braz da Silva
Vol.1
direitos trabalhistas, conforme claramente resulta do artigo 7º, parágrafo único da Constituição Federal, razoável
juridicamente a conclusão de que, paralelamente, os dispositivos infraconstitucionais disciplinadores de
pagamento, prazo e de multa dessas obrigações legais pelo empregador devem ser aplicados à relação jurídica.
Admitir-se o contrário, "data venia", seria relegar princípio de lógica jurídica comprometedora do próprio direito
material, na medida em que o empregador poderia procrastinar o cumprimento da obrigação, porque não sujeito a
nenhuma cominação. Ora, referido entendimento não se compatibiliza com o ordenamento jurídico, que consigna
que a todo direito corresponde uma obrigação e, mais que isso, que não pode o credor ficar a mercê do devedor,
sem possibilidade de coagi-lo a adimplir a obrigação no tempo e forma ajustada.
Recurso de revista parcialmente conhecido e provido.
TRT-;V F PROC. RO ND 00979.001/97-8
/ui,N DIONEIA AMARAL SILVEIRA
Dt #e Pu-"ic*$oN D/-RS 06/05/2002
EMENTAN /USTA CAUSA. DOMÉSTICA WUE PRATICA ATO CONTRA A LONRA DA DONA DA CASA. Comete
!"t 2%&e ensejadora de demissão por justa causa a #o'3)tic que se dirige à dona da casa com palavras
desrespeitosas e ofensivas à honra. Incidência do disposto nas alíneas "j" e "k" do artigo 482 da CLT.
TRT- ;V F PROC. RO ND 01205.016/99-6
/ui,N PEDRO LUIZ SERAFINI
Dt #e Pu-"ic*$oN D/FRS 08/04/2002
EMENTAN /USTA CAUSA. 5ERKAS RESCISZRIAS. Alegação da reclamada no sentido da rescisão motivada por
abandono de emprego. Condição que exige prova robusta, tratando-se de !"t 2%&e imputada ao trabalhador
(artigo 482, alínea 'i', da CLT). Ônus da prova do qual a reclamada não se desincumbiu. Prova documental que
demonstra a tentativa da reclamante em justificar faltas ao trabalho. Atitude que não se coaduna com a intenção
de abandono do emprego. Presumível o interesse da obreira na manutenção do emprego, considerando seu
conhecido estado gravídico e a necessidade da vigência do contrato de trabalho para a obtenção do salário
maternidade junto ao INSS. Não cabimento do pagamento das férias proporcionais. Artigo 2º do Decreto n°
71.885/73, que não tem o condão de suplantar a Lei n° 5.859/72, tampouco o artigo 7° da Consolidação das Leis
do Trabalho. Provimento parcial, para excluir da condenação as férias proporcionais.
LICENÇA MATERNIDADE. Garantia de emprego prevista no inciso XVIII do artigo 7º da Constituição Federal de
1988, estendida aos empregados domésticos por força do contido no parágrafo único do mesmo dispositivo legal.
Benefício concedido independentemente de carência (artigo 26, inciso I, Lei nº 8.213/91), alcançado à empregada
#o'3)tic diretamente pelo Órgão previdenciário oficial, na vigência do contrato de trabalho. Demissão anterior
ao período de gozo da licença, quando a autora não estava abrangida pela garantia de emprego. Ato da
empregadora, consciente do estado gravídico da ré, que lhe impôs severo prejuízo, nos moldes do artigo 159 do
Código Civil. Necessidade de reparação que se faz premente. Possibilidade legal de atribuir-se à reclamada a
responsabilidade pela indenização da parcela vindicada. Provimento negado.
PROC. TRT-18/RO- 1334/2000 - 5ª Vara do Trabalho de Goiânia
Relator: Juiz Saulo Emídio dos Santos
Recorrente: Ministério Público do Trabalho, representanto a menor Núbia Andrade de Oliveira
Recorrida: Maria Madalena Medeiros Rosa
EMENTA: EMPREGADA DOMÉSTICA. Estendidas aos domésticos as normas constitucionais protetivas sobre salário
e verbas rescisórias, são também aplicáveis as que visam garantir tais direitos, como os relativos à multa por mora
(art. 477, §§ 6° e 8°/CLT), dobra de férias, etc. (julgado em 17/08/2000) - (obs. o acórdão cita lições de Emílio
Gonçalves e Emílio Carlos Garcia Gonçalves)
Alterada em 24/10/2008
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