A influência dos estilos arquitetônicos franceses nas construções do

Rio e São Paulo nos séculos passados
Basta caminhar com um olhar atento pelas ruas de São Paulo e do
Rio, para perceber o estilo arquitetônico francês presente em aluns
prédios e palacetes das duas cidades! Apesar de perdidos no meio do caos
urbano e entregues à ação do tempo, as construções ainda conservam o glamour
de um Brasil rico e próspero – cheio de casas amplas e jardins decorativos. A
influncia francesa na ar!uitetura brasileira durou apro"imadamente de #$#%
at& a 'egunda (uerra )undial e se manifestou sob a forma de !uatro estilos
distintos* o neocl+ssico, o ecl&tico, o Art ,&co ou Art -ouveau e o moderno. ,e
acordo com .arlos /emos, ar!uiteto e professor titular da 0aculdade de
Ar!uitetura e 1rbanismo da 1'2, no Rio de "aneiro, essa influência foi
mais forte na época do império e em São Paulo começou a partir do
estilo eclético #século $%$&,patrocinado principalmente pelos barões do
caf&. /emos afirma !ue essa inspiração trou'e para o Brasil muito mais
do que uma estética de fachada, mas um modo de morar à francesa, em
!ue, pela primeira (e), as construções eram di(ididas em alas
totalmente independentes * de dormir, de estar e de ser(iço! 34ssa &,
com certe5a, a maior contribuição da ar!uitetura francesa ao Brasil. .onceito
utili5ado at& hoje na maioria dos projetos3, afirma.
'ede do imp&rio – +m ,-,., o traço francês in(adiu as construções do
Rio de "aneiro depois da cheada no Brasil da /issão
0rancesa! 6espondendo ao convite de ,om 7oão 89, 6ei de 2ortugal, v+rios
pintores, escultores e ar!uitetos formaram a )issão 0rancesa, liderada por
1rand2ean de /ontin3. Ar!uiteto de renome na 4uropa, mudou:se para o
6io em #$#% e assim !ue chegou recebeu o t;tulo de professor de ar!uitetura – o
primeiro oficialmente concedido no pa;s.
)ontign< foi respons+vel pela elaboração de v+rios projetos oficiais e privados.
4le foi, sem d=vida nenhuma, um dos ar!uitetos estrangeiros !ue mais tiveram
impacto na reforma da paisagem da cidade. 'ua influncia permaneceu por
muitas d&cadas e suas lições orientaram v+rios disc4pulos, como "osé /aria
"acinto Rebelo, respons+vel pelo projeto da fachada do pal5cio do
%tamarat3. A primeira obra de )ontign< no 6io de 7aneiro foi o pórtico
da Academia %mperial de Belas6Artes, na rua 7ardim Bot>nico. -o
entanto, o projeto mais representativo doneoclassicismo 7 la française é o
da 8asa 0rança6Brasil, um dos dois edif;cios remanescentes de sua obra no
pa;s. ? segundo & o Solar da Baronesa, locali5ado no campus da 21.:67, na
6ua )ar!us de 'ão 8icente. ? edif;cio da .asa 0rança:Brasil foi projetado em
#$@#. .riado para abrigar a primeira 2raça do .om&rcio Aesp&cie de bolsa de
valoresB da cidade, virou, em seguida, pr&dio da Alf>ndega, 'egundo Cribunal
do 7=ri e, enfim, .asa 0rança:Brasil.
? per;odo neocl+ssico durou !uase um s&culo no Brasil. Al&m de (randjean de
)ontign<, outros ar!uitetos franceses neocl+ssicos trabalharam na .idade
)aravilhosa, como Pedro "osé Pé)erat, respons+vel pelo projeto do pavilhão
do Pal5cio %mperial na 9uinta da Boa :ista, em #$@$, e tamb&m 8arlos
Ri(i;re, !ue participou do projeto da %re2a /atri) <ossa Senhora da
1l=ria.
? estilo ecl&tico começou a se impor no 6io de 7aneiro no final do s&culo D9D.
1ma data & importante para e"plicar o fim do neocl+ssico no pa;s* em #$$E, o
Brasil vira 6ep=blica e !uer cortar os laços com 2ortugal. ? per;odo ecl&tico
corresponde, segundo Fugo Famann, ar!uiteto e urbanista, !ue trabalhou
durante cinco anos no 8opacabana Palace, ao auge da influncia francesa na
ar!uitetura brasileira. A vontade do governo de mostrar para o mundo !ue o
Brasil era agora 3um pa;s novo3 foi uma das causas das mudanças dos padrões
art;sticos em vigor. -a opinião de Famann, são dois edif;cios !ue melhor
caracteri5am o estilo ecl&tico no 6io de 7aneiro* o >eatro /unicipal, situado
na 2raça 0loriano, no .entro, e o .opacabana 2alace, na Avenida Atl>ntica.
4m p& de igualdade – 0oi durante o auge do estilo ecl&tico no Brasil !ue a
cidade de 'ão 2aulo começou a se igualar ao 6io de 7aneiro na +rea
ar!uitetGnica. 3'ão 2aulo era muito pobre na &poca do imp&rio e só começou a
prosperar no s&culo D9D3, afirma o ar!uiteto .arlos /emos. 'egundo ele, com
essa prosperidade os grandes fa5endeiros e empres+rios encomendavam aos
ar!uitetos casas !ue seguissem o estilo europeu, considerado sofisticado na
&poca. 1m dos mais importantes desse per;odo foi, sem d=vida, Ramos de
A)e(edoA#$H#:#E@EB. 0ormado na 1niversidade de (and, na B&lgica, ele foi
respons+vel pelas mais importantes obras de influncia francesa e europ&ia
de São Paulo como, por e"emplo, o /ercado /unicipal, a Pinacoteca do
+stado, o ?iceu de Artes e @f4cios, entre outras. A contribuição de A5evedo
para 'ão 2aulo foi enorme. 4stima:se !ue a e!uipe do escritório do ar!uiteto
projetou e construiu mais de HII obras, entre pr&dios p=blicos, edif;cios
privados e residncias particulares. A casa onde ele morou em São Paulo,
no bairro da ?iberdade, mostra toda a influência francesa de sua
obra!
2ara o ar!uiteto .arlos /emos, al&m das construções assinadas por 6amos de
A5evedo, outras obras6primas eruidas em São Paulo também le(am a
marca francesa em suas linhas, como a +stação "Alio Prestes, a
8atedral 1=tica da Sé, o Pal5cio 8ampos +l4seos, a 8ila 2enteado,
a sede do clube São Paulo, o %nstituto Biol=ico e o :iaduto do 8h5.
4ssa obra, por sinal, foi o primeiro viaduto constru;do em 'ão 2aulo. 9deali5ado
pelo francs "ules /artin e inaugurado em #$E@, o viaduto demorou #H anos
para ser conclu;do. 9sso aconteceu por!ue o ar!uiteto teve de convencer os
paulistanos da necessidade de ligar a rua ,ireita com o morro do ch+ – como
era conhecida a +rea onde estava a ch+cara dos barões de Catu;, com plantações
de ch+. ? barão de Catu; estava entre os moradores !ue seriam desapropriados
para construção da obra e ele não pretendia sair de sua casa. At& o dia em !ue a
população favor+vel à obra armou:se de picaretas e atacou uma das paredes do
sobrado. .om argumentos tão 3convincentes3, o Barão revolveu mudar:se e a
obra pGde ser terminada.
?utra obra de inspiração francesa & a +stação "ulio Prestes. Coda inspirada
no estilo ?uis $:%, a estação foi desenhada pelo ar!uiteto
paulista 8hristiano StocBler das <e(es. 9naugurada em #EJ$, depois de #@
anos de construção, a estação foi concebida para sediar a 4strada de 0erro
'orocabana. ? projeto reflete toda a formação conservadora de 'tocKler e & uma
obra inacabada, de acordo com o ar!uiteto .arlos /emos. 3A inspiração & toda
francesa, no entanto a obra & inconclusa pois faltam as placas de ardósia no alto
do pr&dio3, e"plica.
-o centro de 'ão 2aulo, na rua 6io Branco, uma outra construção destoa dos
pr&dios pró"imos* o pal5cio 8ampos +l4seos. 4ncomendado pelo e"portador
de caf& 4lias Antonio 2acheco, o pal+cio tem ar!uitetura inspirada em um
castelo francs e foi considerado o imóvel mais chi!ue da cidade no in;cio do
s&culo DD. A construção & toda ornamentada por figuras tra5idas da 4uropa e,
hoje, aguarda um projeto de restauração !ue traga de volta seus tempos +ureos.
Cepois do apoeu do estilo eclético, a presença francesa na
arquitetura brasileira começou a diminuir no Brasil!'egundo o
ar!uiteto .arlos /emos, at& um pouco antes da 'egunda (uerra )undial, o
estilo Art ,&co ainda influenciava os ar!uitetos no pa;s. ,epois disso, os
4stados 1nidos começaram a dominar at& mesmo o vocabul+rio utili5ado pelos
profissionais da +rea. 3-o lugar de vest;bulo, era usada a palavra hall. Coilette
foi substitu;do por L. e assim por diante3, e"plica. 2ara /emos, nesse per;odo a
0rança tinha perdido a batalha para os 41A. 3A cultura francesa foi dei"ada de
lado.3
4ntre as obras constru;das no estilo Art Céco no Rio de "aneiro, desta!ue
para a ire2a da Sant4ssima >rindade no bairro do 0lamengo, al&m
dos edif4cios /esbla e Biarrit). ? edif;cio )esbla se caracteri5a por uma
composição tipicamente Art ,&co* corpo bai"o, marcado por dominantes
hori5ontais Ano caso, varandas semi:embutidasB. A torre do relógio tinha
apro"imadamente o dobro da altura do pr&dio e & o elemento mais destacado da
composição, dominando ainda hoje a paisagem ao redor. ? edif;cio Biarrit5 &
um magn;fico e"emplar da influncia francesa, com nfase especial com o
re!uinte do detalhamento. +m São Paulo, o %nstituto Biol=ico, locali5ado
no bairro do 2ara;so, & um dos marcos do Art Céco, constru;do na d&cada de
JI e tombado pelo .ondephaat em @III.
)ontign< e /e .orbusier – ? estilo moderno apareceu no Brasil depois do Art
,&co e pouco antes da 'egunda (uerra )undial. <ão ser5 e'aerado
afirmar que a maior fiura da arquitetura francesa moderna no Rio
de "aneiro é ?e 8orbusier. Ali+s, segundo Fugo Famann, as duas
personalidades mais influentes da arquitetura francesa no Brasil
foram, incontestavelmente, 1rand2ean de /ontin3 e ?e 8orbusier.
4ste orientou (5rios arquitetos brasileiros, como ?Acio 8osta, 8arlos
?eão e @scar <ieme3er. ,este =ltimo, /=cio .osta di5ia* 3,e todos nós,
-ieme<er & o !ue tinha mais capacidade para entender o gnio3 A/e
.orbusierB. >odos eles trabalharam 2untos na obra mais importante
do modernismo no Rio de "aneiroD o Pal5cio 1usta(o 8apanema, ou
/inistério da +ducação e da 8ultura #/+8&! Fugo Famann se mostra
empolgado e não consegue disfarçar a admiração !uando o assunto & /e
.orbusier* 34le foi impressionado pela luminosidade do 6io e por isso gostava
de incorporar às suas construções o brise:soleil, !ue regula a luminosidade dos
pr&dios controlando o vento e o sol3, e"plica. ? estilo & agora popular nos
4stados 1nidos.
?utro ar!uiteto francs moderno, bem menos influente, merece, no entanto, ser
citado* "acques Pilon, respons+vel pelo projeto doedif4cio /aison de
0rance, em #EHHM do edif4cio +dison Passos, em #EN%M e dos edif4cios
8hopin, PrelAdio, Balada e Barcarola na Avenida Atl>ntica, de #EH# a
#EHO. 'egundo Fugo Famann, os dois ar!uitetos modernos brasileiros mais
importantes são ?scar -ieme<er e /=cio .osta. ,ois e":disc;pulos de /e
.orbusier.
0onte* Re(ista 0rança6Brasil, =rão de di(ulação da 8Emara de
8omércio 0rança6Brasil

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