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Índice
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 2
2. OBJECTIVOS .................................................................................................................... 2
2.1. Objectivo Geral ........................................................................................................... 2
2.2. Objectivos Específicos ................................................................................................ 2
3. DEFINIÇÃO ....................................................................................................................... 3
4. TIPOS DE FLOCULANTES ............................................................................................. 4
4.1. Polímeros Sintéticos .................................................................................................... 4
4.2. Polímeros Catiónicos................................................................................................... 5
5. FATORES QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DA FLOCULAÇÃO ....................... 5
5.1. Escolha do Floculante ................................................................................................. 5
5.2. Concentração do Floculante ........................................................................................ 6
5.3. Forma de Adição ......................................................................................................... 6
5.4. Ambiente Químico ...................................................................................................... 7
5.5. Sistema Hidrodinâmico ............................................................................................... 8
5.6. Estado de Conservação da Molécula do Polímero ...................................................... 8
5.7. Tamanho das Partículas ............................................................................................... 9
5.8. O pH do Meio .............................................................................................................. 9
6. Mecanismos de Floculação ............................................................................................... 10
6.1. Ligações de Hidrogénio ............................................................................................ 10
6.2. Ligações Químicas .................................................................................................... 10
6.3. Interacções Electrostáticas ........................................................................................ 10
6.4. Interacções Hidrofóbicas ........................................................................................... 10
6.5. Dual Flocculation ...................................................................................................... 10
6.6. Depletion Flocculation .............................................................................................. 11
7. FORMAÇÃO E CRESCIMENTO DOS FLOCOS.......................................................... 11
8. VANTAGENS .................................................................................................................. 12
9. DESVANTAGENS .......................................................................................................... 12
10. CONCLUSÕES ............................................................................................................ 13
11. BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................... 14

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1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho de investigação debruça-se em torno dum tema muito importante, de
vasta aplicabilidade no tratamento de minerais, a floculação, no contexto das actuais
definições, mecanismos, influencias na escolha de um ou de outro produto floculante, suas
vantagens e desvantagens.
A floculação é meramente um processo de agregação com uso de polímeros, ela pode ser
confundida com a coagulação, diferindo nas suas propriedades e mecanismos. Este processo é
físico, caracterizando-se pela capacidade dos polímeros sedimentarem as partículas numa
única vertente, agregando-as duma forma sistemática de acordo com o mecanismo
predominante.
Os polímeros floculantes possuem origens diversas e podem ser classificados,
principalmente, pelos seguintes critérios: natureza, carga, hidrofobicidade, peso molecular e
estrutura.
Os mecanismos predominantes, podem ditar a combinação entre os vários tipos de polímeros
de acordo com a reacção que pode resultar da estequiometria da tal junção.
2. OBJECTIVOS
2.1. Objectivo Geral
Abordar o que é e como ocorre o processo de floculação no tratamento de minerais.
2.2. Objectivos Específicos
- Definir o processo de separação sólido-líquido usando floculação.
- Descrever os mecanismos deste processo (a floculação).
- Avaliar as influencias na escolhe de um em detrimento de outro floculante.
- Debruçar em torno das suas vantagens e desvantagens.


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3. DEFINIÇÃO
A floculação é um processo físico no qual as partículas coloidais são colocadas em contacto
umas com as outras, de modo a permitir o aumento do seu tamanho físico, alterando, desta
forma, a sua distribuição.
A floculação caracteriza-se pela acção de um polímero, necessariamente solúvel em água,
denominado floculante, que promove a agregação de partículas finas em forma de flocos.
Os polímeros podem ser classificados quanto à sua origem, carga eléctrica e peso molecular.
Dessa forma, os floculantes podem ser: naturais, modificados ou sintéticos; neutros,
aniónicos ou catiónicos e de baixo, médio ou elevado peso molecular.
São polímeros solúveis em água que, em geral, apresentam peso molecular elevado. Um
polímero é uma macromolécula formada por vários segmentos unitários, denominados
monómeros. Em sua composição pode haver monómeros iguais ou diferentes entre si,
resultando na formação de homopolímeros ou copolímeros, respectivamente.
A floculação ocorre, geralmente, pela adição de um agente químico que dá ao meio as
condições necessárias à floculação; porém, existem suspensões em que as partículas sólidas
já são química ou mineralogicamente apropriadas ao meio iónico da suspensão, formando
naturalmente os aglomerados.
A floculação das partículas já coaguladas pela acção do electrólito, resulta das várias forças
de atracção que atuam entre as partículas "neutralizadas" que se agregam umas às outras
formando os denominados flocos. A velocidade de formação desses flocos depende da
agitação térmica (movimento Browniano) e mecânica do meio. Evidentemente, essa agitação
mecânica deve ser em nível moderado pois, do contrário, poderá provocar a desagregação
dos flocos já formados, o que dificultará a sua remoção. O propósito da floculação é formar
agregados ou flocos do material finamente dividido.
Apesar de não ser usado rotineiramente, a floculação de efluentes por agitação mecânica ou
com ar pode ser levada em consideração quando se deseja aumentar a remoção de sólidos
suspensos nos decantadores primários, condicionar efluentes industriais, melhorar a
performance de decantadores secundários de processos de lodo activado.
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Em sistemas de pás em agitadores mecânicos, devem ter velocidade variável para permitir o
ajuste de diferentes velocidades ao longo do eixo (a pá mais baixa deve ter 30% da
velocidade da pá do topo). Do mesmo modo, onde é utilizada a floculação com ar, o sistema
de suprimento de ar deve ser ajustável de tal forma que o nível de energia de floculação possa
ser variado ao longo do tanque. Tanto no sistema de floculação por ar como no mecânico é
comum ajustar a energia adicionada de forma que o floco formado não se rompa na saída do
equipamento.
Partículas esféricas ou com forma aproximada à esférica têm uma maior facilidade de
sedimentar do que partículas de mesmo peso com formato irregular. Comportamento
semelhante é observado na sedimentação de partículas de maior diâmetro, diante das muito
finas. Uma alternativa para fazer face às irregularidade e ao pequeno diâmetro de partículas é
a floculação, que promove a aglomeração das partículas resultando em unidades maiores e
com forma mais aproximada da esférica, implementando melhorias às características de
sedimentação da suspensão.
4. TIPOS DE FLOCULANTES
Os floculantes podem ser: naturais, modificados ou sintéticos; neutros, aniónicos ou
catiónicos e de baixo, médio ou elevado peso molecular.
4.1. Polímeros Sintéticos
São substâncias químicas orgânicas de cadeia longa e alto peso molecular, disponíveis numa
variedade de nomes comerciais. Polieletrólitos são classificados de acordo com a carga
eléctrica na cadeira do polímero, os carregados positivamente são chamados de catiónicos e
os que não possuem carga eléctrica são os não-iónicos.
Os atónicos e os não-iónicos são geralmente utilizados com coagulantes metálicos para
promoverem a ligação entre os colóides, a fim de desenvolver flocos maiores e mais
resistentes. A dosagem requerida de um auxiliar de coagulação é da ordem de 0,1 a 1,0 mg/L.
De acordo com (da Luz, 2010) os polímeros podem ser neutros ou apresentar grupamentos
ionizáveis. Nesse caso, são denominados polieletrólitos, que podem ser tratados de forma
mais específica como polianiões ou policatiões, dependendo da natureza da carga. A presença
de segmentos ionizados provoca o estiramento da macromolécula devido à repulsão
electrostática resultante. A conformação esticada da molécula favorece a formação de flocos
e acarreta um aumento na viscosidade da solução.
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4.2. Polímeros Catiónicos
Têm sido usados com sucesso, em alguns casos, como coagulantes primários. Embora o custo
unitário destes polímeros seja cerca de 15 vezes maior que o de sulfato, as dosagens
requeridas são reduzidas, podendo igualar o custo final para os dois casos. Adicionalmente,
ao contrário do lodo gelatinoso e volumoso oriundo do sulfato de alumínio, o lodo formado
pelo uso de polímeros é relativamente mais denso e fácil de ser desidratado, facilitando o
manuseio e disposição.
Algumas vezes, polímeros catiónicos e não-iónicos podem ser usados conjuntamente para
formar um fluxo adequado, o primeiro sendo coagulante primário e segundo auxiliar de
coagulação.
5. FATORES QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DA FLOCULAÇÃO
Sendo a floculação um processo muito complexo, a sua eficiência é dependente de inúmeros
factores dos quais importa destacar os seguintes:
5.1. Escolha do Floculante
A escolha do reagente deve levar em consideração, inicialmente, a finalidade da floculação.
Assim, na operação de espessamento o mais importante é o tamanho do floco, enquanto na
filtração o floco deve ser compacto, com um mínimo de água retida em seu interior. Flocos
resistentes são desejáveis em situações onde o manuseio envolvem etapas de bombeamento.
Em todos os casos, o tamanho da cadeia (peso molecular), a natureza da carga eléctrica
(neutra, positiva ou negativa), a densidade de carga e as características químicas dos grupos
activos da molécula são características importantes que devem ser consideradas na escolha do
floculante.
Com relação ao tamanho da cadeia, os polímeros podem ser classificados como:
- De baixo peso molecular (PM <105),
- Médio peso molecular (105 <PM <106) ou;
- Elevado peso molecular (PM> 106).
O peso molecular de um polímero pode ser estimado a partir da determinação da viscosidade
intrínseca da solução (Baltar, 1997).

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Por sua vez, um polieletrólito pode ser considerado como:
- De baixa densidade de carga (a abaixo de 25%),
- Média densidade de carga (entre 25% e 50%) ou,
- De alta densidade de carga (acima de 50%),
Dependendo da quantidade de monómeros ionizados. A densidade de carga de um
polielectrólito pode ser estimada por titulação (Bolto e Gregory, 2007).

5.2. Concentração do Floculante
Outro parâmetro de grande importância é a concentração do floculante que é basicamente a
quantidade óptima de polímero para melhorar a geração de laços e caudas, fundamentais na
formação de pontes poliméricas.
Essa dosagem depende, principalmente, do peso molecular e do carácter iónico do polímero,
sendo que a utilização de concentrações acima da óptima estabelecida não ocasiona um
aumento na eficiência, pois o excesso de polímero adsorvido torna as partículas estericamente
dispersas (mecanismo de estericidade). A estericidade, proveniente de interacções entre as
camadas poliméricas adsorvidas nas superfícies de diferentes partículas, é, em alguns casos,
utilizada para estabilizar um determinado sistema (estabilidade estérica).
5.3. Forma de Adição
Conforme é ilustrado na Figura, na desestabilização de uma suspensão por acção de um
floculante polimérico, vários processos podem ocorrer de forma simultânea (Hogg, 1988;
Gregory, 1992):
a. Homogeneização do polímero na suspensão;
b. Adsorção da molécula na superfície do sólido,
c. Acomodação das moléculas adsorvidas;
d. Formação e crescimento dos flocos;
e. Quebra dos flocos.
De acordo com (Hogg, 1988; Gregory, 1988), a completa homogeneização de um polímero
em uma suspensão ocorre após haver decorrido um determinado tempo de sua adição. Assim,
a adsorção pode acontecer antes da homogeneização. É fácil imaginar que no instante
imediato à adição do polímero forma-se uma região com uma grande concentração de
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floculante. Como consequência, as partículas nessa região ficam inteiramente recobertas
pelas moléculas poliméricas e adquirem uma estabilização estérica. Na prática, esse
fenómeno é reflectido na turbidez do sobrenadante. Portanto, a forma de adição do polímero é
um factor determinante no desempenho do floculante. Para se evitar a overdose em parte das
partículas, a solução do floculante deve ser adicionada na forma mais diluída possível e sob
forte agitação.
A agitação durante a adição do polímero deve ser tal que contribua o máximo possível para a
redução do tempo necessário à completa homogeneização. O limite da agitação deve estar
relacionado ao início do processo de ruptura da molécula do polímero que reduz
drasticamente a sua capacidade para a formação de “pontes”. De acordo com (da Luz, 2010)
a adição do floculante por etapas foi sugerida por diversos autores (Moudgil e Shah, 1986;
Moss, 1978) como forma de promover uma melhor distribuição do polímero na suspensão.



Figura 2 – Ilustração das etapas observadas com a adição de um polímero a uma suspensão (Gregory, 1988).
(A) adição, (B) homogeneização, (C) adsorção, (D) floculação e (E) quebra do floco.
Fonte: tratamento de minérios 5ª edição

5.4. Ambiente Químico
Segundo (Rey, 1988), a eficiência do floculante depende fortemente do ambiente químico da
suspensão. A presença de iões dissolvidos tem influência na adsorção e na conformação da
molécula do polímero. As espécies químicas presentes tanto podem facilitar quanto inibir a
adsorção do polímero na superfície das partículas. O efeito positivo ocorre quando a pré-
adsorção de iões na superfície mineral resulta em sítios atractivos à adsorção do polímero
(Hogg, 1988) ou quando neutralizam parte da carga eléctrica da molécula do polímero de
modo a reduzir uma eventual repulsão electrostática com a superfície. O efeito prejudicial é
verificado nos casos de competição por sítios disponíveis na superfície mineral ou quando
espécies ionizadas, de carga contrária, interagem com grupos iónicos do polímero
provocando a precipitação ou completa desactivação do floculante, além do encolhimento da
molécula (Hogg, 1988).

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5.5. Sistema Hidrodinâmico
A ocorrência de colisões entre as partículas é um pré-requisito para que haja uma agregação.
A velocidade de floculação aumenta com a quantidade de colisões.
O movimento browniano de partículas coloidais, devido à energia térmica, proporciona
colisões que podem resultar em uma agregação peri-cinética. No entanto, tal agregação
ocorre de forma lenta. A frequência e a intensidade das colisões podem ser aumentadas por
um sistema de agitação que promove uma movimentação orto-cinética das partículas. A
agitação tem a função de provocar e intensificar as colisões entre as partículas. Considerando-
se que o número de colisões aumenta com a turbulência, o aumento da agitação contribui para
uma maior velocidade na formação dos flocos.
No entanto, a partir de uma determinada velocidade crítica, característica de cada sistema, as
forças de cisalhamento resultantes da agitação promovem a quebra dos flocos formados. A
facilidade com que ocorre a quebra aumenta significativamente com o tamanho do floco, ou
seja, a velocidade crítica diminui à medida que o agregado cresce (La Mer e Smellie, 1957).
Isso significa que o tamanho do floco pode ser controlado pela velocidade de agitação. Para
cada sistema de agitação corresponde um tamanho limite que representa um balanço
dinâmico entre o crescimento e a quebra do floco.
O sistema hidrodinâmico é um factor determinante para as características dos flocos
produzidos (Hogg, 1988). Esse fato sugere que a obtenção de resultados reprodutíveis, em
testes de floculação, só é possível com um rigoroso controlo do sistema de agitação.
5.6. Estado de Conservação da Molécula do Polímero
A molécula do polímero sofre degradação, podendo diminuir ou perder totalmente seu poder
floculante. Alguns factores externos podem ser responsáveis por essas alterações do polímero
tais como: Forças de cisalhamento, oxidação da molécula e envelhecimento da solução.
Forças de cisalhamento- Em sistemas com forte agitação, as moléculas são esticadas
provocando um grande esforço na região central da cadeia polimérica que pode resultar na
ruptura da molécula. A redução do tamanho da molécula diminui a sua capacidade de formar
“pontes”;
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Oxidação da molécula - A presença de radicais livres pode provocar a oxidação e ruptura da
molécula polimérica;
Envelhecimento da solução- Durante o período entre a preparação da solução e o seu
consumo, as moléculas passam por um processo inicial de espalhamento e, posteriormente,
de ruptura.
5.7. Tamanho das Partículas
Segundo (Baltar, 1997) há uma correlação importante entre o tamanho das partículas e peso
molecular do floculante. A cada tamanho de partícula corresponde um peso molecular
mínimo, a partir do qual a floculação é possível. Esse peso molecular mínimo aumenta com o
tamanho da partícula. Observaram que um poli(óxido)etileno, com peso molecular de 106,
promoveu a floculação de uma amostra de dolomita com tamanho abaixo de 37 µm. Com o
mesmo polímero, no entanto, não foi possível a floculação da fracção mais grosseira da
amostra com tamanho entre 53 e 43 µm.
O tamanho da partícula também está relacionado à quantidade de floculante que se deve usar.
Uma maior concentração de floculante é necessária em sistema com partículas ultrafinas,
devido à maior área superficial total a ser coberta pelas moléculas do polímero. Nos sistemas
com partículas ultrafinas, deve-se ter um cuidado especial com a forma de adição do
polímero, considerando-se que essas partículas são mais susceptíveis a um recobrimento total
(overdose) e, consequentemente, uma estabilização estérica.
O mecanismo de formação dos flocos também pode ser influenciado pelo tamanho das
partículas. A tendência à predominância da floculação por pontes (bridging flocculation)
aumenta com a diminuição do tamanho das partículas, devido à menor quantidade de sítios
disponíveis, por partícula, para a interacção com a molécula do floculante.
5.8. O pH do Meio
Muitos trabalhos mostram que o pH do meio é, também, um dos mais importantes factores
que influenciam a eficiência da floculação devido às modificações que este parâmetro exerce
sobre as propriedades interfaciais das partículas, solubilidade dos floculantes e formação de
distintas espécies dos solutos.

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6. Mecanismos de Floculação
Os polímeros podem adsorver-se na superfície mineral por meio de uma ou mais das
alternativas descritas a seguir.
6.1. Ligações de Hidrogénio
Constitui-se no principal mecanismo de adsorção dos polímeros na superfície mineral. O
átomo de hidrogénio possui pequeno tamanho e tendência a tornar-se polarizado
positivamente. Em razão dessas características, pode interagir com átomos vizinhos
electronegativos promovendo a ligação.
6.2. Ligações Químicas
A adsorção resulta de uma interacção química entre grupos activos da molécula do polímero
e sítios metálicos disponíveis na superfície do mineral formando compostos insolúveis por
meio de ligações covalentes ou iónicas. Essa forma de adsorção é específica e pode contribuir
para uma floculação selectiva.
6.3. Interacções Electrostáticas
Segundo da Luz, citando (Baltar, 1997), in tratamento de minérios, ocorrem sempre que a
superfície mineral e o polímero apresentam cargas contrárias e constitui-se na principal forma
de adsorção dos floculantes catiónicos. É evidente que esse mecanismo não pode ser
considerado em sistemas com polímeros neutros, como nos casos da poliacrilamida e do
poli(óxido)etileno.
6.4. Interacções Hidrofóbicas
A adsorção por interacções hidrofóbicas ocorre através da cadeia hidrocarbónica do polímero
e é sempre possível nos casos em que a superfície da partícula é naturalmente hidrofóbica ou
foi hidrofobizada.
6.5. Dual Flocculation
Em muitos casos, o uso de apenas um polímero floculante não é suficiente para promover
uma agregação efectiva devido à necessidade de propriedades físico-químicas específicas.
Assim, melhorias nos processos de floculação têm sido alcançadas com a utilização de dois
ou mais polímeros de distintas propriedades adicionados em sequência.
De acordo com (Baltar, 1997) a melhor combinação foi a adição de um polímero catiónico
seguida de um aniónico (C-A), sendo que elevadas eficiências de floculação para carvões
foram obtidas ao se utilizar um polímero catiónico fraco de baixo peso molecular.
Este autor explica que as partículas de carvão, carregadas negativamente, são submetidas,
inicialmente, à uma neutralização de cargas resultante das interacções entre a superfície
sólida e os policátiões formando, rapidamente, pequenos flocos primários. Quando o
polímero aniónico é adicionado, interage com as cadeias poliméricas catiónicas, formando
pontes e produzindo flocos secundários maiores, os quais possuem elevadas taxas de
sedimentação.

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6.6. Depletion Flocculation
Outro mecanismo de grande relevância, é a depletion flocculation. Este tipo de agregação
consiste na inclusão de polímeros floculantes não adsorventes na suspensão, que permanecem
livres em dispersão no meio e, a partir de um gradiente de concentração, induzem um
mecanismo de difusão do solvente entre as partículas e, consequentemente, promovem a
agregação das mesmas.
A partir de perspectivas teóricas e experimentais, (Baltar, 1997) descreveram os mecanismos
de desestabilização de dispersões coloidais através da adição de polímeros não adsorventes na
suspensão. De acordo com esses autores, em um sistema constituído por um solvente, mais as
partículas dispersas e os polímeros, existiria um gradiente de concentração de polímero nas
vizinhanças de cada partícula, de forma que a concentração próxima à superfície das
partículas pode ser considerada nula, produzindo uma região denominada camada depletiva,
cuja espessura (Δ) é reduzida com o aumento da concentração de polímero. Quando duas
partículas com suas camadas depletivas se aproximam, as cadeias poliméricas, da região
diluída entre elas, são forçadas a migrar para a região mais concentrada, deixando somente o
solvente puro entre estas partículas. Este efeito cria um gradiente de pressão osmótica que
induz a saída do solvente da região entre as partículas, aproximando as mesmas e,
consequentemente, produzindo uma agregação.
7. FORMAÇÃO E CRESCIMENTO DOS FLOCOS
De forma análoga ao que ocorre com a adsorção, a variação da quantidade de flocos por
unidade de volume (N
f
) com o tempo é dada pela frequência de colisão entre as partículas
teremos:
dN
f
/ dt = κ N
1
2

A equação anterior supõe que toda colisão resulta na formação de flocos. No entanto, como
na realidade apenas algumas colisões são efectivas, segundo da Luz citando La Mer e
colaboradores (Smillie e La Mer, 1956) introduziram um termo relacionada à eficiência de
colisão (E):
E = θ (1 - θ)
Onde θ é a fracção da superfície recoberta pelo polímero. O modelo de La Mer considera que
a colisão só resulta na formação de floco quando ocorre entre uma região (θ) da superfície de
uma partícula recoberta pelo floculante e uma região (1 - θ) descoberta de outra partícula.
Choques entre regiões cobertas ou descobertas são inúteis. De acordo com esse modelo, a
eficiência máxima de colisão é de 1/4 e ocorre quando o recobrimento da superfície é de 50%
(θ = 1/2).


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Juntando-se as duas anteriores equações, obtém-se a expressão de La Mer para a velocidade
de floculação (F):
F = dN
f
/ dt = κ θ (1 - θ) N
1
2

Segundo a equação, podemos concluir que a velocidade com que os flocos são formados é
proporcional à eficiência de colisão e ao quadrado da concentração de sólidos na suspensão.

8. VANTAGENS
Embora alguns polímeros naturais (polissacarídeos) ou modificados (carboxilmetilcelulose)
tenham sido bastante utilizados no passado, a partir da década de 60, essa prática foi
gradualmente substituída pelo uso de polímeros sintéticos. Embora mais caros, os polímeros
sintéticos apresentam uma série de vantagens com relação aos seus antecessores (Baltar,
1997).
 Possibilidade de manipulação de sua estrutura. Devido ao fato de serem inteiramente
desenvolvidos em laboratório, é possível modificar a sua estrutura de modo a moldar
suas características no sentido de melhorar o desempenho;
 Composição química definida;
 Ampla disponibilidade (os naturais, eventualmente, podem apresentar limitações de
natureza política ou climática);
 Maior estabilidade química e biológica.
9. DESVANTAGENS
As desvantagens estão relacionadas ao custo mais elevado dificuldade de manuseio,
fenómeno do “envelhecimento” da solução e dificuldade de informações técnicas detalhadas
sobre os produtos (da Luz, 2010).

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10. CONCLUSÕES
A solubilidade do polímero decresce com o aumento do tamanho da molécula. Essa tendência
não pode ser compensada com uma agitação vigorosa já que a turbulência provoca a
degradação do polímero por meio de rupturas ao longo da molécula. Os polielectrólitos,
devido ao carácter hidrofílico de seus grupos iónicos, são mais solúveis em água do que seu
correspondente não-iónico. O esforço no desenvolvimento tecnológico dos floculantes tem
sido direccionado no sentido de produzir polímeros que, sem perder a solubilidade em água,
possam apresentar moléculas cada vez maiores.
Um polímero pode adsorve-se por meio de uma grande quantidade de pontos de contacto.
Uma poliacrilamida, com peso molecular de 10
6
, pode estabelecer até 15.000 ligações com
uma superfície mineral. Ainda que individualmente essas ligações possam ser frágeis, o
conjunto das interacções torna a adsorção praticamente irreversível (Baltar, 1997).
A melhor combinação foi a adição de um polímero catiónico seguido de um aniónico (C-A),
sendo que elevadas eficiências de floculação para carvões foram obtidas ao se utilizar um
polímero catiónico fraco de baixo peso molecular.
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11. BIBLIOGRAFIA
1- BALTAR, C.A.M., 1997. Influência da Interacção Polímero-Surfatante na
Floculação de uma Sílica Coloidal com Poliacrilamida. Tese de Doutorado,
COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro, 198 p.
2- BOLTO, B.; GREGORY, J., 2007. Organic Polyelectrolytes in Water Treatment.
Water Research, 41, 2301-2324.
3- DA LUZ, Adão Benvindo, 2010, Tratamento de Minérios, 5ª ed., CETEM, São Paulo,
Brasil, 590pp.
4- GREGORY, J., 1988. Polymer Adsorption and Flocculation in Sheared Suspensions,
Colloids and Surfaces, 31, 231-253.
5- GREGORY, J., 1992. Flocculation of Fine Particles. In: Mavros, P., Matis, K.A.
(eds), Innovations in Flotation Technology, Dordrecht, The Netherlands, Kluwer
Academic Publishers, 101-124.
6- HOGG, R., 1988. The Dynamics of Polymer-Induced Flocculation of Fine-Particle
Suspensions. In: Moudgil, B.M., Scheiner, B.J. (eds.), Flocculation Dewatering, New
York, USA, Engineering Foundation.
7- LA MER, V.K., SMELLIE, JR., R.H., LEE, P-K., 1957. Flocculation, Subsidence,
and Filtration of Phosphate Slimes. IV. Flocculation by Gums, and Polyelectrolytes
and Their Influence on Filtration Rate. Journal of Colloid Science, vol. 12, pp. 230-
239.
8- MOSS, N., 1978. Teoria de Floculação, MINERAÇÃO E PROCESSAMENTO, vol.
7, n
o
5, pp. 57-61.
9- MOUDGIL, B.M., SHAH, B.D., 1986. Selecção de floculantes para o processo de
separação Sólid-Líquido. In: Avanços na Separação Sólido-Liquido. Muralidhara,
H.S. (ed.). New York, USA, Battelle Press, pp. 191-204.
10- REY, P.A., 1988. The Effect of Water Chemistry on the Performance of Anionic
Polyacrylamide-Based Flocculants. In: Flocculation & Dewatering. Moudgil, B.M.,
Scheiner, B.J. (eds.). New York, USA, Engineering Foundation. p. 195-214.