CURSO EM PDF – AUDITORIA – RECEITA FEDERAL

Professores: Luís Felipe e Thiago Matos

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AULA DEMONSTRATIVA

Sumário:

Apresentação

Conceitos de auditoria e da pessoa do auditor

Objetivos gerais do auditor independente

Questões comentadas

Questões gabaritadas

Bibliografia

APRESENTAÇÃO
Prezado Aluno,
É com satisfação que ministraremos o curso de Auditoria para o
concurso de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil.
Antes de iniciarmos a nossa aula, divulgaremos um breve resumo sobre
nós.
Meu nome é Thiago Matos, sou cearense de Fortaleza, formado em
Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente, atuo como
Analista de Normas Contábeis e de Auditoria da Comissão de Valores
Mobiliários(CVM), tendo obtido o 2° lugar no concurso de 2010. Antes de
entrar no serviço público atuei durante 10 anos em multinacionais de auditoria
(em duas das chamadas big four), chegando ao cargo de gerente de auditoria
e antes disso atuei como dois anos como auditor interno.
Meu nome é Luis Felipe, sou de Minas Gerais (uai!!!rsrrs) e trabalho na
CVM, na parte de fiscalização. Também sou do concurso de 2010, tendo o
obtido o 2° lugar no cargo de Inspetor da Autarquia. Além disso, fui aprovado,
em 1° lugar, no mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, em 2011. Por fim,
leciono as disciplinas Auditoria e Contabilidade em vários cursos de BH e do RJ.
Falemos agora sobre o concurso para Auditor Fiscal da Receita Federal:
Em um dos concursos mais concorridos do país, com um nível de candidatos
extremamente alto, é imprescindível estar “afiado” em todas as matérias do
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edital. Uma só questão pode fazer toda a diferença no seu sucesso neste
pleito. Conforme determina o edital, a disciplina de Auditoria, na prova
objetiva, terá 10 questões com peso 2, ou seja, 20 pontos; além disso, essa
disciplina faz parte dos possíveis temas para a prova discursiva, o que a torna
peça-chave para sua aprovação.
O formato deste curso será de exposição do conteúdo teórico, sempre
baseado nas normas de auditoria vigentes, seguido de questões
exclusivamente da ESAF com gabarito e comentários, para que você se
ambiente com a forma como a banca cobra o conteúdo e prepare-se
efetivamente para a resolução da prova.
Auditoria é uma matéria com muito uso do bom senso, do julgamento
profissional, mas sempre baseada nos conceitos fundamentais que a norteiam.
Portanto é imprescindível a compreensão da parte teórica, ao invés de
simplesmente decorar trechos das normas.
Além dessa aula demonstrativa teremos mais 6 aulas, dividindo o
escopo do edital entre elas e todas seguindo o mesmo formato descrito acima.
Abaixo segue a distribuição dos itens do edital em cada uma das nossas
aulas:

Aula 00 – Aula demonstrativa
1. Conceitos de auditoria e da pessoa do auditor.
3. Objetivos gerais do auditor independente. NBC TA 200

Aula 01
2. Responsabilidade legal. Ética profissional.
4. Concordância com os termos do trabalho de auditoria independente.
5. Documentação de auditoria.
6. Controle de qualidade da auditoria de Demonstrações Contábeis.
7. Fraudes e a Responsabilidade do Auditor.

Aula 02
8. Planejamento da Auditoria.
11. Materialidade e Relevância no planejamento e na execução dos trabalhos
de auditoria.
15. Utilização de trabalhos da auditoria interna.
22. Uso de trabalhos técnicos de especialistas.


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Aula 03
9. Avaliação das distorções Identificadas.
17. Relatórios de Auditoria.
18. Eventos subsequentes.
16.Independência nos trabalhos de auditoria.

Aula 04
10. Execução dos trabalhos de auditoria.
12. Auditoria de estimativas Contábeis.
13. Evidenciação.
14. Amostragem.
21. Testes.

Aula 05
20. Auditoria no setor público federal; finalidades e objetivos da auditoria
governamental; abrangência de atuação; formas e tipos; normas relativas à
execução dos trabalhos.

Aula 06
19. Normas e Procedimentos de Auditoria do IBRACON.
23. Todas as normas brasileiras de contabilidade vigentes relativas à auditoria
interna, externa e pública emanadas pelo Conselho Federal de Contabilidade -
CFC. (demais normas)


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CONCEITOS DE AUDITORIA E DA PESSOA DO AUDITOR
Antes de conceituar auditoria, façamos um breve histórico dessa
atividade no mundo e no nosso país.
Attie relaciona o início da atividade de auditoria à necessidade dos
empresários de verificarem se ocorriam fraudes e/ou desvios de recursos em
seus negócios, que começavam a tomar proporções que dificultavam que essa
verificação fosse feita pessoalmente. Outros autores citam que a
profissionalização da atividade ocorreu na época das grandes navegações, para
que os investidores dessas empreitadas tivessem uma certificação de que as
prestações de contas das viagens estavam livres de erros ou desvios.
No Brasil, esta atividade inicia-se ainda na época da colonização, quando
o Rei de Portugal indicava funcionários do alto escalação para “conferir as
contas” dos investimentos da coroa no “novo mundo”, mas ela toma forma e
se profissionaliza no país no início do século XX, com a chegada de
investimentos, notadamente os ingleses na área de construções de ferrovias.
Portanto, fica claro que desde o início, essa atividade visa dar segurança
aos investidores acerca das informações sobre seus negócios, protegendo-os e
resguardando-os.
Além da auditoria independente, também existe a função de
auditoria interna, que é mais voltada às análises e testes no sistema de
controle interno da Companhia e é realizada por funcionários da própria
Companhia, normalmente subordinados aos mais altos níveis hierárquicos do
seu organograma, como comitê de auditoria ou conselho de administração.
Atualmente, o espírito da atividade é o mesmo, porém com um nível de
normatização, profissionalização e complexidade muito maiores. O trabalho de
auditoria independente é hoje uma das principais ferramentas de controle e
governança que os investidores tem à sua disposição.
Os trabalhos de auditoria e revisão de demonstrações financeiras
tratam-se de obrigação legal para diversas empresas, conforme determinado
pela Lei 6.404/76(e suas alterações), que determina que as companhias
abertas devem ter suas demonstrações contábeis auditadas anualmente e a Lei
11.638/07 determina que as companhias de grande porte também devem ter
suas demonstrações contábeis auditadas. Além disso, alguns órgãos
reguladores como Banco Central do Brasil, SUSEP e outros fazem a mesma
exigência para as entidades que estão sob sua alçada normativa.
A NBC TA Estrutura Conceitual, aprovada pela Resolução CFC 1.329/11,
define os trabalhos de asseguração(nomenclatura utilizada na tradução das
normas internacionais, que engloba diversos serviços prestados pelos
auditores, como auditoria e revisão) em seu item 7:

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7. “Trabalho de asseguração” significa um trabalho no qual o auditor
independente expressa uma conclusão com a finalidade de aumentar o
grau de confiança dos outros usuários previstos, que não seja a parte
responsável, acerca do resultado da avaliação ou mensuração de
determinado objeto de acordo com os critérios aplicáveis.
Em sua introdução esta mesma norma já define as diferenças entre os
trabalhos prestados pelo auditor quando de uma asseguração razoável e de
uma asseguração limitada:
“Ela define esses dois tipos como “trabalhos de asseguração
razoável” e “trabalhos de asseguração limitada”. (observação: quando
se tratar de trabalho de asseguração de informações contábeis históricas
(por exemplo, demonstrações contábeis), o trabalho de asseguração
razoável é denominado “auditoria”, e o trabalho de asseguração limitada
é denominado “revisão”).”
Em seu apêndice, esta norma apresenta as diferenças básicas desses
dois tipos de trabalho:

Tipo de
trabalho
Objetivo Procedimentos de
obtenção de evidência
Relatório de
Asseguração
Trabalho de
asseguração
razoável
Reduzir o risco do
trabalho de
asseguração
razoável a um
nível
aceitavelmente
baixo nas
circunstâncias do
trabalho, como
base para forma
positiva de
expressão da
conclusão do
auditor
independente
(item 11).
É obtida evidência
adequada e suficiente
como parte de processo
de trabalho sistemático e
repetitivo que inclui:
• entendimento das
circunstâncias do
trabalho;
• determinação dos
riscos;
• resposta aos riscos
identificados;
• execução de
procedimentos
adicionais pelo uso de
combinação de
inspeção, observação,
confirmação, recálculo,
reexecução,
procedimentos
analíticos e indagação.
Descrição das
circunstâncias
do trabalho e
da forma
positiva de
expressão da
conclusão
(item 58).
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Tais procedimentos
adicionais envolvem
procedimentos
substantivos, que
incluem, quando
aplicável, a obtenção de
informação
corroborativa e
dependendo da
natureza do objeto,
testes de eficácia
operacional dos
controles; e
• avaliação da suficiência
e adequação da
evidência (itens 51 e
52).
Trabalho de
asseguração
limitada
Redução no risco
de trabalho de
asseguração
limitada a um
nível
aceitavelmente
baixo nas
circunstâncias do
trabalho, mas em
que o risco seja
maior do que em
trabalho de
asseguração
razoável, como
base para forma
negativa de
expressão da
conclusão do
auditor
independente
(item 11).
É obtida evidência
apropriada e suficiente
como parte de processo
de trabalho sistemático e
repetitivo que inclui a
obtenção de compreensão
do objeto e de outras
circunstâncias do
trabalho, cujos
procedimentos são
deliberadamente
limitados em relação a
trabalho de asseguração
razoável (item 53).
Descrição das
circunstâncias
do trabalho e
da forma
negativa de
expressão da
conclusão
(item 59)



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Com relação à pessoa do auditor, a NBC P 1 – Normas profissionais
do Auditor Independente, aprovada pela Resolução CFC 812/97(e suas
alterações), determina como requisitos:

1 - Competência técnico-profissional:
“O contador, na função de auditor independente, deve manter seu nível
de competência profissional pelo conhecimento atualizado dos Princípios
Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade, das
técnicas contábeis, especialmente na área de auditoria, da legislação inerente
à profissão, dos conceitos e técnicas administrativas e da legislação específica
aplicável à entidade auditada.”
Além disso a norma deixa claro que o auditor deve ter conhecimento da
atividade da entidada auditada e avaliar se está capacidade para realizar o
trabalho, sob pena de recusar os serviços.

2 - Responsabilidade na execução dos trabalhos
“O auditor deve aplicar o máximo de cuidado e zelo na realização dos
trabalhos e na exposição de suas conclusões.”
Além disso, o auditor deve ser imparcial nas suas conclusões e deve
aplicar com consistências as normas de auditoria inerentes ao trabalho
executado.

3 - Estabelecimento de honorários
O auditor deve estabelecer honorários razoáveis, compatíveis com o
grau de complexidade, relevância, habitualidade, aspectos geográficos e outros
aspectos relevantes para que sua remuneração seja justo e lhe possibilite
efetuar o trabalho com qualidade. Estes honorários devem ser formalizados em
carta-proposta ou documento equivalente.

4 - Sigilo profissional
O auditor deve manter sigilo das informações que obteve durante o
trabalho de auditoria, não as divulgando sob nenhuma hipótese sem o seu
expresso consentimento. Até mesmo para dar acesso a seus papéis de
trabalho ao auditor que o suceder ou aos órgãos reguladores e fiscalizadores
da entidade auditada – ou do próprio auditor – deve ser obtido o
consentimento da administração da companhia.



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5 - Educação continuada
“O auditor independente, no exercício de sua atividade, deverá
comprovar a participação em programa de educação continuada, na forma a
ser regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade.”
É preciso cumprir a pontuação mínima requerida pelo conselho federal
de contabilidade para continuar exercendo a atividade de auditor
independente.

OBJETIVOS GERAIS DO AUDITOR INDEPENDENTE
A NBC TA 200, aprovada pela resolução CFC 1.203/11, apresenta o
objetivo da auditoria de demonstrações contábeis:

“3. O objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas
demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é
alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor
sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos
os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de
relatório financeiro aplicável. No caso da maioria das estruturas
conceituais para fins gerais, essa opinião expressa se as
demonstrações contábeis estão apresentadas adequadamente, em
todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de
relatório financeiro. A auditoria conduzida em conformidade com as
normas de auditoria e exigências éticas relevantes capacita o auditor a
formar essa opinião (ver item A1).”

Portanto, é importante notar que o objetivo principal da auditoria é
elevar a confiança dos stakeholders(usuários) de que aquelas demonstrações
contábeis estão adequadas a um certo nível de materialidade(aspectos
relevantes) e de acordo com determinado framework(normas aplicáveis àquele
ambiente ou àquele objetivo das demonstrações).
Esta norma deixa claro que a responsabilidade pela preparação das
demonstrações contábeis sujeitas à auditoria é da administração da entidade
auditada e dos responsáveis pela governança e que a auditoria não exime
estes de sua responsabilidade.
“Como base para a opinião do auditor, as NBC TAs exigem que ele
obtenha segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo
estão livres de distorção relevante, independentemente se causadas por fraude
ou erro.”
O conceito de “distorção relevante” está intrinsecamente ligado ao de
“materialidade” que é o limite aceitável de distorções identificadas nas
demonstrações contábeis(será objeto de maior detalhamento na aula sobre
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NBC TA 320). Este conceito significa, na prática, um erro que seria suficiente
para mudar a percepção dos usuários das demonstrações contábeis e
influenciar suas decisões econômicas tomadas sobre elas.
“11. Ao conduzir a auditoria de demonstrações contábeis, os objetivos gerais
do auditor são:
(a) obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis como
um todo estão livres de distorção relevante, independentemente se
causadas por fraude ou erro, possibilitando assim que o auditor
expresse sua opinião sobre se as demonstrações contábeis foram
elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com
a estrutura de relatório financeiro aplicável; e
(b) apresentar relatório sobre as demonstrações contábeis e comunicar-
se como exigido pelas NBC TAs, em conformidade com as
constatações do auditor.”
Pelo texto acima se conclui que os dois pontos cruciais para a conclusão
do auditor são: análise de distorções relevantes e apresentação do relatório.
A estrutura normal aplicável no Brasil é de auditoria de demonstrações
contábeis de acordo com as ‘práticas contábeis adotadas no Brasil’. Isto
significa, segundo a NBC TA 200:
“No caso do Brasil, como definido no item 7 da NBC TG 26 –
Apresentação das Demonstrações Contábeis “práticas contábeis adotadas no
Brasil” compreendem a legislação societária brasileira, as Normas Brasileiras
de Contabilidade, emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, os
pronunciamentos, as interpretações e as orientações emitidos pelo CPC e
homologados pelos órgãos reguladores, e práticas adotadas pelas entidades
em assuntos não regulados, desde que atendam à Estrutura Conceitual para a
Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis emitida pelo CFC e,
por conseguinte, em consonância com as normas contábeis internacionais.”
Quando o auditor não puder concluir sobre o item “a”, deve abster-se
de emitir opinião, emitindo um relatório descrevendo os fatores que o levaram
a tal conclusão.
Por fim, deixamos aqui algumas definições importantes da NBC TA 200
e que sempre são cobradas em prova:
Estrutura de relatório financeiro aplicável é a estrutura de relatório
financeiro adotada pela administração e, quando apropriado, pelos
responsáveis pela governança na elaboração das demonstrações contábeis,
que é aceitável em vista da natureza da entidade e do objetivo das
demonstrações contábeis ou que seja exigida por lei ou regulamento.
Evidências de auditoria são as informações utilizadas pelo auditor para
fundamentar suas conclusões em que se baseia a sua opinião.
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Risco de auditoria é o risco de que o auditor expresse uma opinião de
auditoria inadequada quando as demonstrações contábeis contiverem
distorção relevante.
Auditor é usado em referência à pessoa ou pessoas que conduzem a
auditoria, geralmente o sócio do trabalho ou outros integrantes da equipe do
trabalho, ou, como aplicável, à firma.
Risco de detecção é o risco de que os procedimentos executados pelo
auditor para reduzir o risco de auditoria a um nível aceitavelmente baixo não
detectem uma distorção existente que possa ser relevante, individualmente
ou em conj unto com outras distorções.
Demonstrações contábeis são a representação estruturada de
informações contábeis históricas, incluindo notas explicativas relacionadas,
com a finalidade de informar os recursos econômicos ou obrigações da
entidade em determinada data no tempo ou as mutações de tais recursos ou
obrigações durante um período de tempo, em conformidade com a estrutura
de relatório financeiro.
Administração é a pessoa com responsabilidade executiva pela condução
das operações da entidade. Para algumas entidades, como no Brasil, a
administração inclui alguns ou todos os responsáveis pela governança, por
exemplo, membros executivos de um conselho de governança, ou sócio-
diretor.
Distorção é a diferença entre o valor, a classificação, a apresentação ou
a divulgação de uma demonstração contábil relatada e o valor, a classificação,
a apresentação ou a divulgação que é exigida para que o item esteja de acordo
com a estrutura de relatório financeiro aplicável.
Julgamento profissional é a aplicação do treinamento, conhecimento e
experiência relevantes, dentro do contexto fornecido pelas normas de
auditoria, contábeis e éticas, na tomada de decisões informadas a respeito dos
cursos de ação apropriados nas circunstâncias do trabalho de auditoria.
Ceticismo profissional é a postura que inclui uma mente questionadora e
alerta para condições que possam indicar possível distorção devido a erro ou
fraude e uma avaliação crítica das evidências de auditoria.
Asseguração razoável é, no contexto da auditoria de demonstrações
contábeis, um nível alto, mas não absoluto, de segurança.
Responsável pela governança é a pessoa ou organização com a
responsabilidade de supervisionar de forma geral a direção estratégica da
entidade e obrigações relacionadas com a responsabilidade da entidade.

Então é isso pessoal, agora vamos resolver algumas questões para sedimentar
e consolidar o conteúdo visto.

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QUESTÕES COMENTADAS:

01. (ESAF – SEFIN/NATAL – 2008) No processo de auditoria
independente, deve-se:
a) garantir a viabilidade futura da entidade.
b) dividir a responsabilidade entre a equipe técnica e o auditor.
c) abolir o uso de práticas consagradas pela Profissão Contábil.
d) certificar a continuidade da empresa pelos próximos 5 anos.
e) emitir o parecer com assinatura de contador devidamente
registrado.

COMENTÁRIOS
Inicialmente, há de se ressaltar que o termo “parecer” foi alterado pelas
novas normas de auditoria e atualmente chama-se “relatório”.
Item A está errado porque o relatório dos auditores independentes não
objetiva garantir viabilidade futura da entidade, o que na realidade até nos
parece algo praticamente impossível de se fazer. O relatório dos auditores
trata de informações históricas, não trata de previsões sobre viabilidade futura
da entidade auditada.
Item B é incorreto tendo em vista que as normas brasileiras de
contabilidade afirmam claramente que no trabalho do “auditor” ou do “sócio de
auditoria” este assume a responsabilidade pelo trabalho, sem dividi-la com os
demais membros de sua equipe.
Item C também não é a alternativa certa visto que há qualquer menção
neste sentido nas normas da profissão, que inclusive determinam que o auditor
tem objetivo de verificar se as demonstrações contábeis estão em
conformidade com a estrutura de relatório aplicável. E a NBC TA 200 explica
que há diversas fontes de informações que esta estrutura pode abranger:
• o ambiente legal e ético, incluindo estatutos, regulamentos,
veredictos e obrigações éticas profissionais em relação a assuntos
contábeis;
• interpretações contábeis publicadas de diferente autoridade emitidas
por organizações normatizadoras, profissionais ou reguladoras;
• pontos de vista publicados de diferentes autoridades sobre assuntos
contábeis emergentes, emitidos por organizações normatizadoras,
profissionais ou reguladoras;
• práticas gerais e de setor amplamente reconhecidas e prevalecentes;
e
• literatura contábil.
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Item D está em alinhado ao item A e é incorreto pelo mesmo motivo: o
trabalho de auditoria é feito sobre informações históricas, concluindo sobre a
inexistência de erros materiais e de acordo com a estrutura de relatório
aplicável, mas não sobre viabilidade futura da entidade.
O item E está correto, pois a emissão do parecer (relatório) tem que ser
assinado por contador com registro no CRC.
GABARITO: E

02. (ESAF/AFRFB/2009) A responsabilidade primária na prevenção e
detecção de fraudes e erros é:
a) da administração.
b) da auditoria interna.
c) do conselho de administração.
d) da auditoria externa.
e) do comitê de auditoria.

Comentários
A responsabilidade do auditor é de concluir se as demonstrações
contábeis estão livres de distorções materiais, de acordo com a estrutura de
relatório financeiro aplicável. Como veremos em aulas seguintes, há
procedimentos mínimos obrigatórios que o auditor deve executar com relação
à identificação de fraudes, mas isso não lhe dá a responsabilidade pela
identificação delas.
A NBC TA 240 deixa bem clara a responsabilidade pela detecção de
fraudes, em seu item 7: “A principal responsabilidade pela prevenção e
detecção da fraude é dos responsáveis pela governança da entidade e da sua
administração.”
GABARITO : A

03. (ESAF/Fiscal de Rendas– ISS RJ/2010) A respeito dos objetivos da
auditoria interna e da auditoria independente, é correto afirmar que:
a) o objetivo da auditoria interna é apoiar a administração da entidade
no cumprimento dos seus objetivos, enquanto o da auditoria
independente é a emissão de parecer sobre as demonstrações
contábeis.
b) a auditoria interna se preocupa em avaliar os métodos e as técnicas
utilizadas pela contabilidade, enquanto a auditoria externa cuida de
revisar os lançamentos e demonstrações contábeis.
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c) a atuação de ambas não difere na essência uma vez que os
objetivos da avaliação é sempre a contabilidade.
d) a auditoria interna cuida em verificar os aspectos financeiros da
entidade, enquanto a auditoria externa se preocupa com os pareceres
a respeito das demonstrações contábeis.
e) o objetivo da auditoria interna é produzir relatórios demonstrando
as falhas e deficiências dos processos administrativos e os da auditoria
externa é emitir parecer sobre a execução contábil e financeira da
entidade.

Comentários
Nesta questão(como já ocorreu em caso anterior), chamamos atenção
para o termo “parecer” que no atual arcabouçou normativo sobre auditoria não
é mais aplicável, tendo sido substituído por “relatório”.
O objetivo da auditoria interna, descrito no item A, está descrito
conforme o item 12.1.1.3 da NBC TI 01 – Da Auditoria Interna, aprovada pela
resolução CFC 986/03. E o objetivo do auditor externo guarda relação com o
que descrevemos acima sobre o assunto.
O item B está equivocado quando restringe o trabalho de auditoria
interna à contabilidade e por conta de concluir que obrigatoriamente o auditor
externo revisa lançamentos contábeis, quando isso pode ser um procedimento
aplicado ou não, para se concluir sobre a adequação das demonstrações
contábeis, que este sim é o objetivo do auditor.
O equívoco do item C é claro, tendo em vista que os objetivos dos
auditores externos e internos são distintos, como discutido anteriormente.
O item D restringe a auditoria interna a aspectos financeiros, o que não
está de acordo com a norma aplicável ao assunto, tendo em vista que a
auditoria interna tem um escopo mais amplo, avaliando sistemas, ambiente de
controle interno, gerenciamento de riscos e outros fatores importantes para a
gestão da entidade.
Já o item E erra quando restringe o trabalho de auditoria interna a
apontar falhas e ao incluir “execução contábil e financeira” como objetivo da
auditoria externa, que não tem esse papel, conforme determinado nas regras.
GABARITO: A

04. (ESAF/ATM/Natal/2008) A empresa Documental S.A., tendo como
objetivo manter um arquivo completo sobre o seu processo de
auditoria, exige do auditor que forneça cópia de todos os seus arquivos
eletrônicos e papéis de trabalho elaborados durante a execução de
seus serviços. Pode-se afirmar que:
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a) a referida solicitação é pertinente, uma vez que a empresa também
é responsável pela guarda e sigilo dos papéis de trabalho.
b) a solicitação da empresa é indiferente, pois os papéis de trabalho
são de acesso público, conforme determinado por resolução da
Comissão de Valores Mobiliários.
c) é indevida a solicitação, visto que a guarda e sigilo dos papéis são
de responsabilidade do auditor.
d) é permitido à empresa solicitar os papéis de trabalho, visto estar
sujeita a questionamentos por parte dos acionistas ou de terceiros.
e) a solicitação é irregular, já que em nenhuma hipótese os papéis de
trabalho podem ser disponibilizados, seja para a empresa seja para
qualquer usuário.

Comentários
Como já discutimos acima, a responsabilidade pela guarda dos papéis de
trabalho é do auditor e não há requerimento normativo ou legal para que eles
sejam públicos ou que sejam disponibilizados à entidade auditada. Já o item e
está equivocado quando fala que ‘em nenhuma hipótese’ os papéis de trabalho
podem ser disponibilizados a terceiros, pois como discutimos acima, eles
podem ser disponibilizados a auditores sucessores ou a órgãos reguladores,
em situações específicas.
GABARITO : C

05. (ESAF /Sefaz-CE/2006) - É fator determinante para a recusa de
um trabalho de auditoria externa:
a) o auditor ser importante acionista da empresa auditada.
b) o auditor ter conhecimento suficiente sobre o negócio da empresa.
c) a possibilidade de o profissional contratado poder realizar o
trabalho com imparcialidade.
d) a necessidade de uso de especialistas para avaliação de áreas
específicas.
e) a existência de fraude ou erro nas demonstrações auditadas.

Comentários:
O item “a” é claramente a resposta correta, pois haveria problema de
independência caso o auditor seja acionista da entidade auditada,
notadamente se ele for um acionista com influência significativa sobre a
administração.
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Porém, esta questão é interessante por conta do item “e”, que poderia
levar o candidato a alguma dúvida. A existência de fraude ou erro não impede
o auditor de executar seus serviços para a entidade, mas sim exige que ele
faça a avaliação da relevância do assunto para concluir sobre a
qualificação(ressalva) ou não de seu relatório, assim como fazer as devidas
comunicações, em caso de fraude, à governança e aos órgãos reguladores.
GABARITO : A


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QUESTÕES COM GABARITO:

01. (ESAF – SEFIN/NATAL – 2008) No processo de auditoria
independente, deve-se:
a) garantir a viabilidade futura da entidade.
b) dividir a responsabilidade entre a equipe técnica e o auditor.
c) abolir o uso de práticas consagradas pela Profissão Contábil.
d) certificar a continuidade da empresa pelos próximos 5 anos.
e) emitir o parecer com assinatura de contador devidamente
registrado.

02. (ESAF/AFRFB/2009) A responsabilidade primária na prevenção e
detecção de fraudes e erros é:
a) da administração.
b) da auditoria interna.
c) do conselho de administração.
d) da auditoria externa.
e) do comitê de auditoria.

03. (ESAF/Fiscal de Rendas– ISS RJ/2010) A respeito dos objetivos da
auditoria interna e da auditoria independente, é correto afirmar que:
a) o objetivo da auditoria interna é apoiar a administração da entidade
no cumprimento dos seus objetivos, enquanto o da auditoria
independente é a emissão de parecer sobre as demonstrações
contábeis.
b) a auditoria interna se preocupa em avaliar os métodos e as técnicas
utilizadas pela contabilidade, enquanto a auditoria externa cuida de
revisar os lançamentos e demonstrações contábeis.
c) a atuação de ambas não difere na essência uma vez que os
objetivos da avaliação é sempre a contabilidade.
d) a auditoria interna cuida em verificar os aspectos financeiros da
entidade, enquanto a auditoria externa se preocupa com os pareceres
a respeito das demonstrações contábeis.
e) o objetivo da auditoria interna é produzir relatórios demonstrando
as falhas e deficiências dos processos administrativos e os da auditoria
externa é emitir parecer sobre a execução contábil e financeira da
entidade.
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04. (ESAF/ATM/Natal/2008) A empresa Documental S.A., tendo como
objetivo manter um arquivo completo sobre o seu processo de
auditoria, exige do auditor que forneça cópia de todos os seus arquivos
eletrônicos e papéis de trabalho elaborados durante a execução de
seus serviços. Pode-se afirmar que:
a) a referida solicitação é pertinente, uma vez que a empresa também
é responsável pela guarda e sigilo dos papéis de trabalho.
b) a solicitação da empresa é indiferente, pois os papéis de trabalho
são de acesso público, conforme determinado por resolução da
Comissão de Valores Mobiliários.
c) é indevida a solicitação, visto que a guarda e sigilo dos papéis são
de responsabilidade do auditor.
d) é permitido à empresa solicitar os papéis de trabalho, visto estar
sujeita a questionamentos por parte dos acionistas ou de terceiros.
e) a solicitação é irregular, já que em nenhuma hipótese os papéis de
trabalho podem ser disponibilizados, seja para a empresa seja para
qualquer usuário.

05. (ESAF /Sefaz-CE/2006) - É fator determinante para a recusa de
um trabalho de auditoria externa:
a) o auditor ser importante acionista da empresa auditada.
b) o auditor ter conhecimento suficiente sobre o negócio da empresa.
c) a possibilidade de o profissional contratado poder realizar o
trabalho com imparcialidade.
d) a necessidade de uso de especialistas para avaliação de áreas
específicas.
e) a existência de fraude ou erro nas demonstrações auditadas.



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GABARITO

01 – E 02 – A 03 – A 04 - C 05 - A



BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. São
Paulo: Ed. Atlas, 2007.

ATTIE, Wiliam. Auditoria – Conceitos e Aplicações. São Paulo: Ed. Atlas, 2009.

BOYNTON, Willian C. Auditoria. São Paulo: Ed. Atlas, 2002.

FRANCO, Hilário e MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. São Paulo: Ed. Atlas,
2001.

BRASIL. Conselho Federal de Contabilidade. Resoluções CFC.