Apostilas Concursos Jurídicos

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Noções Iniciais:
Todas as Constituições brasileiras enunciaram declarações de direitos. As primeiras enunciavam
somente os direitos de liberdade, vistos claramente como uma limitação ao Poder. A partir de 1934,
todas as Constituições acrescentaram, além dos direitos e garantias individuais, os direitos sociais.

Constituição do Império:
A Constituição do Império, outorgada por D. Pedro I em 1824, apresentava os princípios do
liberalismo moderado. Consignava os direitos fundamentais do homem, enumerando as maneiras de
garantir a inviolabilidade dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros. No art. 179,
declarava:

“A inviolabilidade dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros, que tem por base a
liberdade, a segurança individual e a propriedade, é garantida pela Constituição do Império
pela maneira seguinte:
a) Nenhum cidadão pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em
virtude de lei.
b) Nenhuma lei será estabelecida, sem utilidade pública.
c) A sua disposição não terá efeito retroactivo.”

Constituição de 1891:
A Constituição de 1891 foi promulgada pelo Congresso Constitucional que elegeu o Mal. Deodoro
da Fonseca Presidente da República. Esta Carta teve um espírito liberal, inspirada na tradição
republicana americana e revigorou a declaração dos direitos do homem que era prevista pela
Constituição do Império. Assegurava a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à
segurança e à propriedade.

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Constituição de 1934:
A Constituição de 1934 foi promulgada pela Assembléia Constituinte durante o primeiro governo de
Getúlio Vargas. Apresentou várias inovações no campo social sob a influência da Constituição de
Weimar. Previa também os direitos de nacionalidade e os políticos.

Constituição de 1937:
A Constituição de 1937 foi outorgada por Getúlio Vargas. Esta Constituição teve conteúdo, forma e
aplicação ditatorial, com integral desrespeito aos direitos do homem, especialmente os concernentes
às relações políticas.

Constituição de 1946:
A Constituição de 1946 foi promulgada durante o governo Dutra. Trouxe um título exclusivo sobre
as declarações dos direitos contendo dois capítulos: um sobre a nacionalidade e a cidadania e outro
sobre os direitos e garantias individuais.

Constituição de 1967:
A Constituição de 1967 e sua Emenda n° 1/69 asseguraram os direitos concernentes à vida, à
liberdade, à segurança individual e à propriedade.


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Noções Iniciais:
A Constituição Federal de 1988 apresentou algumas variações em relação às anteriores. Os direitos
fundamentais ganharam um título próprio (Título II) antes da estruturação do Estado. A Constituição
Federal de 1988 também trouxe novos instrumentos de defesa dos direitos fundamentais, como o
mandado de injunção, o mandado de segurança coletivo e o habeas data. Elevou alguns direitos à
categoria de norma constitucional, como por exemplo, o direito de herança.

Os Direitos e Garantias Fundamentais:
Os direitos fundamentais estão presentes no Título II da Constituição Federal (Dos Direitos e
Garantias Fundamentais). O Título II da Constituição é dividido em cinco capítulos: Dos direitos e
Deveres Individuais e Coletivos, Dos Direitos Sociais, Da Nacionalidade, Dos Direitos Políticos e
Dos Partidos Políticos. No capítulo sobre os direitos e deveres individuais e coletivos estão os
direitos de primeira geração e suas garantias. No capítulo seguinte encontram-se os direitos
econômicos e sociais, ditos de segunda geração.


Não somente no Título II da Constituição Federal são encontrados direitos
fundamentais. Existe a previsão desses direitos em outras passagens da
Constituição.

Direitos de Terceira Geração:
A Constituição Federal faz previsão também aos direitos de solidariedade, ditos de terceira geração,
representados pelo direito ao meio-ambiente (art. 225). Neste aspecto, podemos dizer que a
Constituição atual é a mais abrangente e extensa em relação às anteriores.


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A Dignidade da Pessoa Humana:
No Título I da Constituição Federal (Dos Princípios Fundamentais), está previsto como um dos
fundamentos da República Federativa do Brasil a dignidade da pessoa humana, valor espiritual e
moral inerente à pessoa, devendo ser esta respeitada por todos e pelo Estado. A dignidade da pessoa
humana compreende a aptidão de adquirir direitos e contrair obrigações e a prerrogativa de qualquer
pessoa em não ser prejudicada física ou moralmente em sua existência.

Princípio da Prevalência dos Direitos Humanos:
A Constituição Federal estabelece (art. 4°, II) que o Brasil rege-se nas suas relações internacionais,
políticas ou comerciais, pelo princípio da prevalência dos direitos humanos.

Princípios Sensíveis:
A Constituição Federal inclui os direitos e garantias individuais da pessoa humana entre os princípios
sensíveis da federação, ou seja, aqueles que não podem ser alterados através de emendas
constitucionais (art. 60 § 4°, IV).

Muitos entendem não ser possível a redução da maioridade penal através de emenda constitucional
porque estaria se infringindo um princípio sensível, uma vez que a inimputabilidade do menor de
dezoito anos, prevista no art. 228 da Constituição Federal, seria um dos direitos individuais da
pessoa humana.

Intervenção:
A inobservância dos direitos humanos pelos Estados ou pelo Distrito Federal pode resultar em
intervenção federal, decretada pelo Presidente da República no caso de provimento, pelo Supremo
Tribunal Federal, de representação formulada pelo Procurador-Geral da República (art. 34, VII, b).


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Direito à Vida:
A vida humana, direito assegurado pela Constituição, é integrado por elementos materiais e
imateriais. A proteção constitucional assegura o direito de estar vivo, de manter-se vivo e de defender
a própria vida (é o direito de não ter interrompido o processo vital senão pela morte espontânea e
inevitável). A vida é um bem jurídico que se constitui fonte primária de todos os outros bens dessa
natureza. Todos esses direitos são encontrados em nossa ordem jurídica, que proíbe o homicídio, a
omissão de socorro, a tortura física ou psicológica, as penas de morte e cruéis. Para o pleno exercício
do direito à vida é necessário também o amparo à infância, à maternidade e à velhice.


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Eutanásia:
A eutanásia é vedada pela Constituição Federal. O desinteresse do indivíduo pela própria vida não
exclui a tutela estatal. O Estado continua a proteger a vida independentemente de consentimento
individual para que dela seja privado.

Direito à Integridade Física:
Além de garantir o respeito à integridade física e moral (art. 5°, inciso XLIX), a Constituição declara
que ninguém será submetido a tortura ou tratamento desumano ou degradante (art. 5°, inciso III).

Tortura:
O Brasil ratificou a Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,
Desumanos ou Degradantes em 1989. Antes, porém, a Constituição já considerou a tortura como
um tratamento desumano e a tornou crime inafiançável e insuscetível de graça e anistia (art. 5°,
inciso XLIII). Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente previu punição para a tortura de
crianças ou adolescentes. Em abril de 1997, a Lei 9.455/97 definiu como crime a prática de tortura.

Direito à Integridade Moral:
A integridade moral do indivíduo também assume feição de direito fundamental. A Constituição
realçou o valor da moral individual, tornando-a um bem indenizável (art. 5°, incisos V e X).

Direito à Privacidade:
A Constituição Federal declara inviolável a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas (art. 5°, inciso X), considerando-os direitos individuais conexos ao direito à vida. A
intimidade se caracteriza como a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder legal de
evitar os demais. O direito à privacidade abrange a inviolabilidade do domicílio, o sigilo de
correspondência e o segredo profissional.


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Noções:
O conceito de liberdade opõe-se ao autoritarismo. Consiste, primordialmente no direito que todos os
cidadãos têm direito de ir e vir em tempos de paz, terem suas próprias opiniões, escolherem a
profissão, crença, política ou ideologia além de outros.

Formas de liberdade previstas constitucionalmente
Liberdade de locomoção
É a possibilidade jurídica que se reconhece a todas as pessoas de serem donas de sua
própria vontade e de locomoverem-se desembaraçadamente dentro do território nacional.
Liberdade de pensamento
É o direito de exprimir, por qualquer forma, o que se pense em ciência, religião, arte, ou o
qualquer outro.
Liberdade de crença
É o direito de professar sua crença, sendo assegurado pelo Estado a plena proteção à
liberdade de culto e as suas liturgias.
A liberdade de crença abrange inclusive o direito de não acreditar ou professar nenhuma fé,
devendo o Estado respeito ao ateísmo.
Liberdade de ação
profissional
É o direito de escolher livremente o trabalho, ofício ou profissão, se acordo com as
propensões de cada pessoa. O Poder Público é proibido de estabelecer normas ou critérios
que levem o indivíduo a exercer ofício ou profissão em desacordo com sua vontade.
Liberdade econômica
É o direito da livre produção e consumo, agindo o Estado somente para proteger o direito de
propriedade e a provisão de bens públicos necessários para a sua concretização.


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Eficácia das Normas Sobre as Liberdades:
As normas constitucionais de definem as liberdades são, via de regra, de eficácia plena e
aplicabilidade direta e imediata, ou seja, são direitos que não dependem de legislação nem de
providência do Poder Público para serem exercidos.


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Noções Iniciais:
O princípio da igualdade é um dos principais estabelecidos pela Declaração dos Direitos do Homem
e do Cidadão e se expressa no direito subjetivo público de cada indivíduo em exigir o mesmo
tratamento por parte do Estado.

Igualdade Formal:
A Constituição reconhece a igualdade no seu sentido jurídico-formal, aquela inserida sob a forma de
normas programáticas estabelecendo a igualdade de todos perante a lei, sem a distinção de qualquer
natureza. Estas normas buscam também a equalização dos desiguais, tendentes a planificar
desequiparações muito acentuadas na fruição dos bens, quer materiais, quer imateriais. Consiste no
direito de todo cidadão não ser desigualado pela lei senão em consonância com critérios albergados
ou ao menos não vedados pelo ordenamento constitucional. A Constituição proíbe qualquer forma de
discriminação, seja em função do sexo, orientação sexual, idade, condições físicas e mentais, de raça,
cor, origem social ou geográfica, estado civil, opções políticas, filosóficas ou religiosas.

Ação Afirmativa:
Algumas leis estabelecem regras que privilegiam determinados segmentos da sociedade com o
objetivo de proporcionar uma igualdade de oportunidades e neutralizar os efeitos da discriminação
racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de compleição física. A Lei 9.504/97, que trata das
Eleições, prevê uma cota mínima de 30% para candidatas do sexo feminino nos partidos políticos.
Outras leis prevêem reserva de cotas para ingresso em faculdades e cargos públicos para
determinados segmentos raciais.

Igualdade Material:
A igualdade substancial postula um tratamento uniforme de todos os homens em relação à qualidade
de vida. Não se trata, como se vê, de um tratamento igual perante o direito mas de uma igualdade real
perante os bens da vida.

Igualdade e Liberdade:
A relação entre a igualdade e liberdade encontra-se ao mesmo tempo em tensão e convergência,
pois a liberdade, entendida como exacerbação do princípio autonomístico da determinação
individual, pode provocar a desigualdade social. Agora, o que também parece certo, sobretudo pela
demonstração que a história tem feito, é que a procura violenta de uma justiça social a toda força de
uma igualdade conseguida às custas do princípio da liberdade sacrifica tanto a própria justiça social
quanto o desenvolvimento livre quanto possível da liberdade da pessoa. As diversas experiências
históricas estão a demonstrar que a imposição forçada da igualdade é feita através da orquestração
que lhe é dada pela classe burocrática, que se torna ela mesma detentora de privilégios (o que
portanto impede a realização da plena igualdade), como também se converte em uma classe
autoritária e dominadora (o que perverte a liberdade).




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O O D Di ir re ei it to o d de e P Pr ro op pr ri ie ed da ad de e

Noções Iniciais:
As Constituições brasileiras, desde 1824 até 1969, consagravam a propriedade como um direito
individual inviolável na linha do art. 17 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A
Constituição Federal de 1988 também garante o direito à herança e à propriedade privada, mas faz
uma ressalva: desde que atenda a sua função social. O interesse público pode interferir de outras
maneiras no direito de propriedade, como na utilização em casos de iminente perigo público, e,
inclusive, nas desapropriações.

A noção de propriedade tem alcance amplo. As correspondências e outros instrumentos de
comunicação, como o telefone, o fax e o endereço eletrônico, são protegidos pelo sigilo e não
podem ser abertos a terceiros sem ordem de uma autoridade competente. Também são propriedades
protegidas por lei as obras literárias, científicas, os inventos e criações industriais, as marcas, o
nome de empresas e outros signos e distintivos. A Constituição confere aos autores o direito
exclusivo de utilizar, publicar e reproduzir suas obras e este direito é transmissível aos herdeiros
pelo tempo que a lei fixar.

Limitações ao Direito da Propriedade:
As limitações ao direito da propriedade consistem em certos condicionamentos impostos pela
sociedade ao exercício deste direito, ou seja, não é assegurado ao proprietário dispor da coisa do
modo que melhor lhe aprouver, mas deve obedecer certas restrições impostas ao seu uso. As
restrições podem ser relativas à faculdade de fruição (que condicionam o uso e a ocupação da coisa);
à faculdade de modificação da coisa (ex.: bens tombados) e à alienabilidade da coisa (ex.: direito de
preferência).

Utilização da Propriedade pelo Poder Público:
Outra forma de limitação é a utilização da propriedade pelo Poder Público. No caso de iminente
perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao
proprietário indenização ulterior, se houver dano (art. 5°, XXV da Constituição Federal). A
Constituição prevê ainda as requisições civis e militares, mas somente em caso de iminente perigo e
em tempo de guerra (art. 22, III). Estas formas de utilização são sempre indenizáveis.

Desapropriação:
A desapropriação é uma limitação ao direito de propriedade consistente na transferência compulsória
de bens privados para o domínio público. A desapropriação deverá ser sempre indenizada por um
valor justo e em dinheiro.

Desapropriação para Reforma Agrária:
A desapropriação para reforma agrária é prevista para o imóvel rural que não esteja cumprindo sua
função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua
emissão, e cuja utilização será definida em lei (art. 184 da Constituição Federal).

A Função Social da Propriedade:
A noção de que a propriedade deve atender à sua função social teve origem na Alemanha, com a
Constituição de Weimar em 1919, e a partir de então tornou-se uma das novas tendências do direito
constitucional. A Constituição Federal somente garante o direito de propriedade, desde que esta
atenda sua função social (art. 5°, inciso XXIII). Ainda de acordo com o art. 170, incisos II e III, a

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propriedade privada e sua função social são princípios da ordem econômica, impondo sanções para o
caso de não ser este observado, principalmente em relação às propriedades imóveis urbanas e rurais.
Assim, ao mesmo tempo que a propriedade é regulamentada como um direito individual
fundamental, releva-se o interesse público de sua utilização e de seu aproveitamento adequado aos
anseios sociais. A função social da propriedade não se confunde com os sistemas de limitação da
propriedade. A função social da propriedade urbana é cumprida quando atendidas as exigências
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor (art. 182, § 2°). A função social da
propriedade rural é cumprida quando esta atende simultaneamente, segundo critérios e graus de
exigência estabelecidos em lei, ao aproveitamento racional e adequado, à utilização adequada dos
recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente, à observância das disposições que
regulam as relações de trabalho e à exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos
trabalhadores (art. 186).


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Noções Iniciais:
Alguns direitos fundamentais são de expressão coletiva. Esses direitos de ação coletiva são aqueles
atribuídos ao indivíduo como tal, mas que só podem ser exercidos em conjunto com outras pessoas.
Entre eles, destacam-se os direitos de associação, de reunião, de acesso à informação e os direitos dos
consumidores.

Liberdade de Associação:
O art. 5°, XVII a XXI, da Constituição Federal assegura a liberdade de associação, consistindo no
direito de criar associação independentemente de autorização e também no direito de não ser
compelido a aderir à determinada associação e desligar-se da associação, a qualquer tempo. É
contudo, vedada a associação que não seja para fins lícitos ou de caráter paramilitar, sendo autorizada
a sua dissolução por via judicial. As entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm
legitimidade para representar seus filiados em juízo ou fora dele (art. 5°, XXI). Esta legitimidade é
também reconhecida aos sindicatos em termos até mais amplos (conforme o art. 8°, inciso III da
Constituição Federal, cabe ao sindicato a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da
categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas).

Interferência Estatal:
É vedada a interferência estatal no funcionamento das associações, e, também, nos termos da lei,
nas cooperativas. A interferência arbitrária do Poder Público, por meio de seus agentes, no
exercício do direito de associação, constitui crime de abuso de autoridade (Lei 4.898/1965) e crime
de responsabilidade política administrativa (Lei 1.079/1950 e Decreto-lei 201/1967).

Direito de Reunião:
Reunião é o agrupamento de pessoas com o fim de trocar ou de receber informações. O direito de
reunião é garantido pela Constituição desde que seja ela pacífica, sem o emprego de armas e visando
a fins lícitos, isto é, não proibidos por lei. A realização de reunião não depende de licença do Poder
Público, a única exigência é de que sua realização deve ser notificada previamente à autoridade
competente. A escolha do local de reunião é livre e nenhuma autoridade tem o poder de impedir a
reunião em determinado local, a não ser que outra já estiver, comprovadamente, convocada para o
mesmo local. Nas reuniões com fins lícitos a polícia não pode interferir, deve limitar-se a vigiar o
local, quando este for aberto ao público. Caso seja realizada em recinto fechado, a polícia não pode
adentrar no local, por força do princípio da inviolabilidade domiciliar, salvo para prender alguém em

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flagrante delito. Finalmente, qualquer restrição ao direito de reunião deve ser combatida com
mandado de segurança, e não com habeas corpus.

Distinção entre reunião e associação:
A associação é uma organização duradoura, fundada no acordo de vontades dos aderentes; a
reunião é passageira. A associação também é uma pessoa jurídica; a reunião, não.

Direito à Informação:
O direito de informar, derivado da liberdade de manifestação de pensamento, revela-se um direito
individual, mas já contaminado no sentido coletivo, em virtude das transformações dos meios de
comunicação, que especialmente se concretizam pelos grandes instrumentos de comunicação de
massa. A Constituição Federal refere-se aos direitos da comunicação nos arts. 220 a 224.

Direitos dos Consumidores:
A Constituição estabelece que o Estado deverá prover, na forma da lei, a defesa do consumidor (art.
5°, XXXII), conjugando isso com a consideração do art. 170, V, que eleva a defesa do consumidor à
condição de princípio da ordem econômica.


O O A Ac ce es ss so o à à J Ju us st ti iç ça a

Noções Gerais:
O acesso à justiça é indispensável para que todos os outros direitos fundamentais sejam assegurados.
A segurança do povo contra o arbítrio estatal encontra no princípio do acesso à justiça uma de suas
garantias indispensáveis. É um princípio presente no art. 5°, XXXV, da Constituição Federal que
preceitua: “A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Além
deste disposto, o acesso à justiça é reafirmado na Constituição pela independência do Poder
Judiciário e imparcialidade do juiz, além de outros.

Direitos Relacionados com o Acesso à Justiça
O devido processo legal art. 5°, LIV
A garantia do juiz natural art. 5°, XXXVII e LIII
A garantia do contraditório art. 5°, LV
A ampla defesa art. 5°, LV
A proibição de provas obtidas por meios ilícitos art. 5°, LVI
A publicidade dos atos processuais art. 5°, LX
A obrigação de motivar as decisões judiciais art. 93, IX
A presunção de inocência art. 5°, LVII
A prisão condicionada à autoridade competente art. 5°, LXI
A comunicação imediata de toda prisão ao juiz art. 5°, LXII
A vedação da incomunicabilidade do preso art. 5°, LXIII
O direito à liberdade provisória art. 5°, LXVI
A identificação dos responsáveis pela prisão art. 5°, LXIV
O relaxamento obrigatório da prisão ilegal art. 5°, LXV

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O Os s D Di ir re ei it to os s d do os s P Pr re es so os s

Noções Iniciais:
Além de ser garantido o respeito à integridade física e moral dos presos, existem ainda certas regras
mínimas de tratamento e convívio. Estas regras estão presentes principalmente da Constituição
Federal e na Lei de Execução Penal. No plano internacional, o assunto foi abordado pelo IV
Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente, realizado em
Kioto, no Japão, em 1970.

Direitos do Preso (Constituição Federal)
A pena deverá ser cumprida em estabelecimento
determinado de acordo como tipo do crime, idade e sexo
do condenado.
art. 5°, XLVIII
As presidiárias podem permanecer com os filhos durante a
fase de amamentação.
art. 5°, L
Respeito à integridade física e moral do preso art. 5°, XLIX
O princípio da individualização da pena art. 5°, XLVI
Proibição de penas de morte (salvo em caso de guerra
declarada), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de
banimento e cruéis
art. 5°, XLVII
O preso tem direito de ser informado sobre seus direitos,
inclusive de ficar calado
art. 5°, LXIII
Direito ao preso de ter advogado art. 5°, LXIII

Penas Vedadas:
São penas proibidas expressamente pela Constituição Federal:
! de morte: não é permitida a pena de morte, só sendo admitida no caso de guerra externa
declarada (art. 5°, XLVII, “a”);
! de caráter perpétuo: abolida desde a Constituição de 1934;
! de trabalhos forçados.
! de banimento: consiste na expulsão do nacional do território nacional.
! cruéis: não são permitidas a tortura ou penas corporais, sendo inclusive a tortura considerada
crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia (art. 5°, XLIII / Lei 9.455, de 07.04.1997)

A Pena de Morte nos Tratados Internacionais:
Conforme o Pacto dos Direitos Civis e Políticos a pena de morte só poderá ser imposta nos casos de
crimes mais graves, em conformidade com a legislação vigente na época em que o crime foi
cometido. Só poderá ser aplicada em decorrência de uma sentença transitada em julgado e proferida
por tribunal competente. De acordo com o Pacto, a pena de morte não poderá ser imposta em casos
de crimes cometidos por pessoas menores de 18 anos, nem aplicadas a mulheres em caso de
gravidez. A Convenção Americana dos Direitos Humanos, além das regras do Pacto, estabelece que
a pena de morte não pode ser restabelecida nos Estados que a tenham abolido e nos que ainda não
houverem abolido não poderá ser aplicada a crimes políticos, nem a crimes comuns conexos com
os crimes políticos.



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A Lei de Execução Penal:
Em 11 de julho de 1984 foi publicada a Lei de Execução Penal (Lei 7.210). Esta Lei estabelece em
seu artigo 1º a finalidade e o objeto da execução penal: "A execução penal tem por objetivo efetivar
as disposições da sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmoniosa
integração social do condenado e do internado"; e prevê, em seu artigo 3º que serão assegurados ao
condenado e ao internado todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. O art. 4° trata do
dever do Estado em buscar cooperação da comunidade na execução da pena: "O Estado deverá
recorrer à cooperação da comunidade nas atividades de execução da pena e da medida de segurança."
No artigo 10 e seguintes são estabelecidas as formas de assistência ao preso e ao internado.

Assistência ao Preso e ao Internado
Material
A assistência material ao preso e ao internado consiste no fornecimento de alimentação,
vestuário e instalações higiênicas.
À saúde
A assistência à saúde do preso e do internado, de caráter preventivo e curativo,
compreende atendimento médico, farmacêutico e odontológico.
Jurídica
A assistência jurídica é destinada aos presos e aos internados sem recursos financeiros
para constituir advogado.
Educacional
A assistência educacional compreende a instrução escolar e a formação profissional do
preso e do internado.
Social
A assistência social tem por finalidade amparar o preso e o internado e prepará-los para
o retorno à liberdade.
Religiosa
A assistência religiosa, com liberdade de culto, será prestada aos presos e aos
internados, permitindo-lhes a participação nos serviços organizados no estabelecimento
penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa. No estabelecimento haverá
local apropriado para os cultos religiosos. Nenhum preso ou internado poderá ser
obrigado a participar de atividade religiosa.

O art. 41 trata exclusivamente dos direitos do preso.

Direitos do Preso (art. 41 da Lei de Execução Penal)
I - Alimentação suficiente e vestuário.
II - Atribuição de trabalho e sua remuneração.
III - Previdência social.
IV - Constituição de pecúlio.
V - Proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação.*
VI - Exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde que compatíveis
com a execução da pena.
VII - Assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa.
VIII - Proteção contra qualquer forma de sensacionalismo.
IX - Entrevista pessoal e reservada com o advogado.
X - Visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados.*
XI - Chamamento nominal.
XII - Igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização da pena.
XIII - Audiência especial com o diretor do estabelecimento.
XIV - Representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito.
XV - Contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de
informação que não comprometam a moral e os bons costumes.*
* Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato
motivado do diretor do estabelecimento.

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O Os s D Di ir re ei it to os s P Po ol lí ít ti ic co os s

Os direitos políticos são formados pelas regras que disciplinam as formas de atuação da soberania
popular. O direito de sufrágio é a essência dos direitos políticos, expressando-se pela capacidade de
eleger e ser eleito. A Constituição proíbe a cassação dos direitos políticos. Sua perda ou suspensão só
é possível em casos excepcionais, como cancelamento da naturalização, incapacidade civil absoluta,
condenação criminal e prática de ato de improbidade administrativa.


O Os s D Di ir re ei it to os s S So oc ci ia ai is s

Os direitos sociais pertencem ao grupo dos chamados direitos de crédito ou positivos, ou seja,
aqueles que exigem uma prestação do Estado ou de um particular. A educação, a saúde, o trabalho, o
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos
desamparados são os direitos sociais definidos na Constituição. Também são definidos os direitos dos
trabalhadores urbanos e rurais. Segundo José Afonso da Silva, os direitos sociais podem ser
agrupados em quatro categorias, assim distribuídas:
! direitos sociais do trabalho (direito ao trabalho, direito às condições dignas de trabalho, direito
à previdência, à assistência e à seguridade social, direito de associação profissional e sindical,
direito de greve);
! direitos sociais relativos à família, à educação e à cultura;
! direitos sociais do homem como produtor (liberdade de sindicalização, direito ao contrato
coletivo de trabalho, direito de cooperação na gestão da empresa, com a co-gestão ou
autogestão, direito a obter emprego ou direito ao trabalho);
! direitos sociais do homem como consumidor, tais como os direitos à saúde, à segurança, ao
lazer, aos meios de subsistência, à instrução e à cultura.


A As s G Ga ar ra an nt ti ia as s C Co on ns st ti it tu uc ci io on na ai is s

Noções Iniciais:
Além de estabelecer os direitos fundamentais, a Constituição traz um conjunto de garantias, que são
instrumentos jurídicos existentes para assegurar o exercício desses direitos.

Habeas Corpus:
O habeas corpus é a medida prevista pela Constituição, utilizada para que o cidadão possa se
defender de atos ilegais (ameaça de prisão, prisão ilegal), praticados pela polícia ou outra autoridade.
Uma característica importante do habeas corpus é o fato de que não é necessária nenhuma forma
especial para que se leve ao conhecimento da autoridade judiciária: basta constar o nome do preso ou
de quem está sofrendo a ameaça, o nome da autoridade que está praticando a arbitrariedade e
explicar, em poucas linhas, desde quando o abuso se iniciou. Existem dois tipos de habeas corpus: o
liberatório, quando o cidadão (chamado tecnicamente de “paciente”) estiver preso e o preventivo
quando existir a possibilidade de que ele seja preso de forma irregular.



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Habeas Data:
O habeas data é um remédio constitucional que tem por objeto proteger a esfera íntima dos
indivíduos contra usos abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos,
desleais ou ilícitos; introdução nesses registros de dados sensíveis (assim chamados os de origem
racial, opinião política, filosófica ou religiosa, filiação partidária e sindical, orientação sexual etc.) e a
conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei.

Mandado de Segurança:
É usado para proteger os demais direitos não amparados pelo habeas-corpus ou habeas-data diante da
realização ou da iminência de ato ilegal ou abuso de poder praticados por agentes públicos. A
Constituição permite mandados de segurança coletivos, impetrados por partidos políticos com
representação no Congresso Nacional, organizações sindicais e demais entidades de classe ou
associações legalmente constituídas há pelo menos um ano.

Mandado de Injunção:
Os direitos e as liberdades que dizem respeito à nacionalidade, à soberania e à cidadania previstos na
Constituição, mas ainda não regulamentados, contam com o recurso do mandado de injunção. O juiz
deverá elaborar uma norma para o caso concreto, permitindo, assim, o exercício desse direito. Pode
ser individual ou coletivo.

Ação Popular e a Ação Civil Pública:
A ação popular serve para que qualquer grupo de cidadãos anule, ou seja, torne sem efeito algum ato
que prejudique o patrimônio público, a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio
histórico e cultural. Com isso, qualquer cidadão pode interferir na administração pública,
questionando atos que prejudiquem o direito de todos. A ação civil pública é mais ampla que a ação
popular, pois, além do patrimônio público ou social, também se pode entrar na justiça para proteger
outros direitos coletivos ou difusos. Quem propõe a ação civil pública é o Ministério Público ou as
associações juridicamente constituídas, partidos políticos com representação no Congresso Nacional
e entidades de classe.


A A F Fe ed de er ra al li iz za aç çã ão o d do os s C Cr ri im me es s C Co on nt tr ra a o os s D Di ir re ei it to os s H Hu um ma an no os s

Os crimes contra os direitos humanos são aqueles já previstos pela legislação, mas que violam
também bens jurídicos tutelados em convenções internacionais humanitárias de que o Brasil seja
parte. Com a Emenda Constitucional n° 45, foi estabelecida a chamada federalização dos crimes
contra os direitos humanos, ou seja, é prevista a possibilidade destes crimes passarem a ser julgados
pela Justiça Federal e não pela Justiça comum dos Estados. Esta federalização justifica-se por que de
acordo com diversos tratados relativos à proteção de direitos humanos que o Brasil é signatário, a
União é responsável por eventuais violações a esses direitos, havendo desta forma um interesse direto
sobre o assunto.

CONSTITUIÇÃO
FEDERAL
Art. 109 - Aos juízes federais compete processar e julgar:

.........................................................................................................................................................

V-A - as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; (Incluído pela
Emenda Constitucional n° 45, de 08.12.04)

.........................................................................................................................................................

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§ 5º - Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República,
com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados
internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o
Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de
deslocamento de competência para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional n°
45, de 08.12.04)

De acordo com a Constituição, nas hipóteses de grave violação de direitos humanos é possível o
deslocamento para a órbita federal, suscitado pelo Procurador-Geral da República perante o Superior
Tribunal de Justiça. Não será qualquer violação de Direitos Humanos que haverá a transposição para
a Justiça Federal, somente os casos capazes de ensejar, no cenário internacional, a responsabilização
do Estado brasileiro, pois o § 5° acentua que o incidente de deslocamento deverá ter por fim
assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos
dos quais o Brasil seja parte. Assim, somente nos casos mais graves onde houver o esgotamento das
vias internas ou de injustificável atraso na prestação jurisdicional é que poderá haver o deslocamento.






0 05 5. .3 3 – – O Os s T Tr ra at ta ad do os s e e T Tr ri ib bu un na ai is s I In nt te er rn na ac ci io on na ai is s


O Os s T Tr ra at ta ad do os s I In nt te er rn na ac ci io on na ai is s d de e D Di ir re ei it to os s H Hu um ma an no os s e e s su ua a
I In nc co or rp po or ra aç çã ão o a ao o D Di ir re ei it to o B Br ra as si il le ei ir ro o

Os Tratados Internacionais:
Conforme a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, os tratados internacionais
são acordos internacionais concluídos entre Estados, na forma escrita e regulados pelo Direito
Internacional.

Competências:
Conforme a Constituição Federal a União tem competência exclusiva para manter relações com
Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais. Compete privativamente ao
Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do
Congresso Nacional. O Congresso Nacional por sua vez, tem competência exclusiva para resolver
definitivamente sobre acordos ou atos internacionais.

Modo Pelo Qual os Tratados Passam a Integrar o Direito Interno:
Assinado o tratado internacional pelo Poder Executivo, faz-se necessária sua aprovação pelo Poder
Legislativo, mediante decreto legislativo. O processo de formação dos tratados consiste em um ato
complexo, do qual não participa apenas o chefe do Poder Executivo Federal, mas também o Poder
Legislativo, em estrita obediência ao princípio da harmonia entre os Poderes. Uma vez aprovado o
tratado pelo parlamento, retorna ele ao Poder Executivo para a sua ratificação, ato unilateral através
do qual o Estado aceita definitivamente as obrigações internacionais que assumiu. Após a sua
ratificação, porém, questiona-se se os tratados são incorporados automaticamente ou não pelo Direito

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nacional. Esta relação entre o direito decorrente de tratados e o direito interno pode apresentar
conflitos que apontam ao debate entre as correntes do monismo e do dualismo jurídico.

Teoria Monista:
Conforme esta corrente, a mera ratificação determina a incorporação ao direito interno, sem que seja
necessária a edição de ato legislativo interno determinando sobre o assunto. Conforme esta teoria, o
direito internacional e o direito interno são dois ramos de um único sistema.

Segundo o § 1° do art. 5° da Constituição Federal, as normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata, e o § 2° do mesmo artigo dispõe que tais direitos e garantias,
expressos na Constituição Federal, não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por
ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. A
análise desses dois parágrafos combinados, por alguns juristas pátrios, entre eles Flávia Piovesan,
Antônio Augusto Cançado Trindade1 e Celso Ribeiro Bastos2 tem levado a um entendimento de
que os direitos e garantias regrados em normas internacionais têm aplicação imediata no Brasil,
independente da edição de lei interna que reproduza integralmente o teor do tratado internacional.

Teoria Dualista:
A teoria dualista estabelece uma divisão entre a ordem interna e a ordem internacional. O direito
internacional público e o direito interno são assim, incomunicáveis. Para esta corrente, o tratado
internacional somente poderá ser aplicado ao Estado quando transformado em ato normativo interno,
por incorporação ao direito nacional.

Hierarquia das Normas de Tratados Internacionais de Direitos Humanos no
Direito Brasileiro:
Havia na doutrina discussão sobre a forma de ingresso na ordem jurídica brasileira desses direitos
diante da hierarquia normativa. Entendiam alguns autores que as normas de tratado internacional
ingressavam na condição de norma constitucional, outros entendiam que a norma deveria ingressar
no plano da lei ordinária. Com a Emenda Constitucional n° 45, de 2004, as normas de tratados
internacionais sobre direitos humanos passam a ser reconhecidas como normas de hierarquia
constitucional, mas somente se aprovadas pelas duas casas do Congresso por 3/5 de seus membros
em dois turnos de votação.

CONSTITUIÇÃO
FEDERAL
Art. 5º - .............................................................................................................................................

§ 3º - Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 08.12.04)

1
“... se para os tratados internacionais em geral, se tem exigido a intermediação pelo Poder Legislativo de ato
com força de lei de modo a outorgar as suas disposições vigência ou obrigatoriedade no plano do ordenamento
jurídico interno, distintamente no caso dos tratados de proteção internacional dos direitos humanos em que o
Brasil é Parte, os direitos fundamentais neles passam garantidos, consoante a Constituição Federal, a integrar o
elenco dos direitos constitucionalmente consagrados e direta e imediatamente exigíveis no plano do
ordenamento jurídico interno.”

2
“Não será mais possível a sustentação da tese dualista, é dizer, a de que os tratados obrigam diretamente aos
Estados, mas não geram direitos subjetivos para os particulares, que ficariam na dependência da referida
intermediação legislativa. Doravante, será, pois, possível, a invocação de tratados e convenções, dos quais o
Brasil seja signatário, sem a necessidade de edição pelo legislativo de ato com força de lei, voltado à outorga de
vigência interna aos acordos internacionais”.

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Em outras palavras, aos tratados e convenções de direitos humanos foi facultada a atribuição do
status de norma constitucional, não restringindo a incorporação de novos diplomas de direitos
humanos, pois não consta do que estes deverão necessariamente cumprir os requisitos para serem
aceitos como norma interna, porém devem cumpri-los para que tenham a dimensão de uma emenda
constitucional.

Alguns juristas entendiam anteriormente que os acordos internacionais de direitos humanos já
possuíam força constitucional. Esse entendimento não prevalece mais diante do § 3° do art. 5° da
Constituição. Somente terão força de emenda constitucional se cumprirem os requisitos.

Eficácia dos Tratados Internacionais:
A eficácia dos tratados internacionais, segunda a doutrina, concretiza-se através de fatores como a
voluntariedade, a reciprocidade e as sanções horizontais. A voluntariedade é a assunção pelo Estado-
parte do compromisso de cumprir os acordos perante os demais firmatários mediante a reciprocidade.
As sanções horizontais podem assumir a forma de suspensão de relações diplomáticas e embargos
comerciais, em relação ao Estado-parte que descumprir os preceitos do tratado.


T Tr ri ib bu un na al l I In nt te er rn na ac ci io on na al l d de e D Di ir re ei it to os s H Hu um ma an no os s

A Emenda Constitucional n° 45 adicionou um parágrafo 4° ao artigo 5° da Constituição Federal
segundo o qual expressamente sujeita o Brasil à jurisdição de um Tribunal Penal Internacional a cuja
criação tenha manifestado adesão.

CONSTITUIÇÃO
FEDERAL
Art. 5º - .............................................................................................................................................

§ 4º - O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha
manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 08.12.04)

Atualmente, existe a previsão de um Tribunal Penal Internacional estatuído pelo Estatuto de Roma do
qual o Brasil é signatário (A assinatura ocorreu em 07.02.2000 e foi ratificado pelo Brasil em 20 de
junho de 2002). A atuação do Tribunal Penal Internacional encontra-se condicionada a dois fatores:
que o crime seja de genocídio, contra a humanidade, de guerra ou agressão e que haja uma falta de
providências por parte do Estado em que tenha ocorrido a infração penal ou de onde seja proveniente
o agente criminoso.

Este dispositivo é visto por alguns como limitador da soberania do Estado brasileiro, uma vez
que prevê a entrega do nacional para ser julgado por um órgão internacional.



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0 05 5. .4 4 – – O O R Re eg gi im me e E Ex xt tr ra ao or rd di in ná ár ri io o


N No oç çõ õe es s G Ge er ra ai is s

Noções Iniciais:
A Constituição Federal prevê situações de grave crise em que são necessárias certas medidas
excepcionais. Nestas situações, podem ser restringidos alguns dos direitos fundamentais previstos
constitucionalmente. São duas as medidas excepcionais para a restauração da ordem em momentos
de anormalidade: o estado de defesa e o estado de sítio. Estas medidas têm natureza extraordinária e,
por isso, devem ser temporária, necessárias e proporcionais à situação de crise.

Estado de Defesa:
Consiste na suspensão temporária e localizada das garantias constitucionais. Podem ser decretadas
para preservar, ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a
paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades
de grandes proporções na natureza. O estado de defesa não exige para sua decretação a autorização
do Congresso Nacional.

O estado de defesa deve ficar circunscrito a localidades determinadas, não sendo permitida a
sua extensão a todo o País. Neste caso, a medida eventualmente cabível seria o estado de sítio.

Estado de Sítio:
Consiste na suspensão temporária das garantias constitucionais em situações mais graves de comoção
nacional, ineficácia do estado de defesa, guerra declarada e resposta à agressão armada estrangeira. O
estado de sítio exige obrigatoriamente a autorização da maioria absoluta dos membros da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal para a decretação.

Em ambos os casos devem ser ouvidos os Conselhos da República e da Defesa Nacional para
que aconselhem e opinem ao Presidente da República.


Regimes Extraordinários
REGIME ESTADO DE DEFESA ESTADO DE SÍTIO
PREVISÃO LEGAL art. 136, “caput” art. 137, I art. 137, II
HIPÓTESES 1. Ordem pública ou
paz social ameaçada.
1. Comoção nacional. 1. Declaração de
guerra.
2. Instabilidade
institucional.
2. Ineficácia do Estado
de Defesa.
2. Resposta à agressão
armada estrangeira.
3. Calamidade natural.
PRAZO Máximo de 30 dias,
podendo ser
prorrogado por mais
uma única vez por
igual período.
Máximo de 30 dias,
podendo ser sempre
prorrogado por igual
período.
O tempo necessário da
guerra ou para repelir a
agressão armada
estrangeira.

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ÁREA ABRANGIDA Locais restritos e
determinados.
Território nacional. Território nacional.
RESTRIÇÕES A
DIREITOS
FUNDAMENTAIS
Poderão ser
restringidas as
previsões do art. 5°, XII
(sigilo de
correspondência e
comunicações
telegráficas e
telefônicas), XVI
(direito de reunião) e
LXI (exigibilidade de
prisão somente em
flagrante delito ou por
ordem da autoridade
judicial competente).
Poderão ser restringidas
as previsões do art. 5°,
XI (inviolabilidade
domiciliar), XII, XVI, XXV
(direito de propriedade),
LXI e também o art. 220
(liberdade de
manifestação do
pensamento, a criação,
a expressão e a
informação).
Poderão ser
restringidas, em tese,
todas os direitos
fundamentais, desde
que presentes três
requisitos
constitucionais:
1. Necessidade de
efetivação da medida.
2. Tenham sido
objeto de deliberação
por parte do Congresso
Nacional no momento
da autorização da
medida.
3. Devem estar
expressamente
previstos no decreto
presidencial nacional.



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Q Qu ue es st tõ õe es s d de e C Co on nc cu ur rs so os s


01 -
(Magistratura/RN – 1999) Dentre os direitos sociais e os chamados “direitos de terceira
geração”, a Constituição brasileira e o ordenamento jurídico brasileiro asseguram e
estabelecem garantias instrumentais específicas para a concretização do direito:
( ) a) à cultura e ao lazer;
( ) b) à igualdade de salário entre homens e mulheres e à autodeterminação dos povos;
( ) c) à habitação e ao meio ambiente;
( ) d) ao livre exercício de qualquer profissão e ao desenvolvimento;
( ) e) ao trabalho e ao meio ambiente.


02 -
(Procurador da República – 20° Concurso) A prevalência dos direitos humanos:
( ) a) é norma que depende ainda da assinatura e ratificação do Protocolo Facultativo do
Pacto sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, uma vez que a Constituição
nada estabelece sobre a matéria;
( ) b) é princípio que rege as relações internacionais da República Federativa dos Brasil;
( ) c) somente poderá ser cogitada como princípio constitucional se as autoridades
brasileiras adotarem a federalização dos crimes contra os direitos humanos;
( ) d) somente diz respeito aos direitos e garantias expressos na Constituição Federal, não
incluindo normas decorrentes de tratados internacionais de que o Brasil seja parte.


03 -
(Procurador da República – 19° Concurso) Os princípios constitucionais de proteção aos direitos
humanos, no Estado democrático de direito:

I. não podem ser considerados no dever do Estado de garantir a segurança pública, direito
de todos, preservando a incolumidade das pessoas e do seu patrimônio;

II. devem ser sempre respeitados, sem prejuízo da maior eficiência no combate à
criminalidade e na preservação da ordem e segurança pública sob a responsabilidade do
Estado;

III. asseguram aos presos o respeito à integridade física e moral e garantem que ninguém
será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente
militar, definidos em lei, devendo o preso ser informado de seus direitos, entre os quais o
de permanecer calado, sendo-lhe ainda garantida a assistência da família e de advogado.

Analisando-se as assertivas acima, pode-se afirmar que:

( ) a) todas estão corretas;
( ) b) somente as de número I e III estão corretas;
( ) c) estão corretas as de números II e III;
( ) d) apenas a de número I está correta.



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04 -
(Procurador da República – 19° Concurso) O direito de propriedade:
( ) a) é garantido pela Constituição, devendo a propriedade urbana ou rural atender a sua
função social, definida esta igualmente para ambas;
( ) b) é assegurado pela Constituição, devendo a propriedade atender a sua função social, e
podendo a lei estabelecer o procedimento para desapropriação por necessidade ou
utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em
dinheiro, em qualquer hipótese;
( ) c) é garantido pela Constituição, podendo a autoridade competente, no caso de iminente
perigo público, usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização
ulterior, se houver dano;
( ) d) é assegurado pela Constituição, ressalvadas as hipóteses de usucapião urbano ou rural
de qualquer imóvel, desde que o possuidor seja proprietário de outro imóvel de área
menor do que o invadido.



05 -
(Procurador da República – 19° Concurso) A Constituição Brasileira, quanto à proteção dos direitos
humanos:

I. estabelece como princípio regente das relações internacionais do País a prevalência dos
direitos humanos e preconiza ainda a criação de um tribunal internacional dos direitos
humanos;

II. além de constituir a República Federativa em Estado democrático de direito, tendo como
um dos fundamentos a dignidade da pessoa humana, assegura a todos direitos e garantias
fundamentais, direitos individuais e sociais, expressos no seu texto, além de outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em
que o Brasil seja parte;

III. inova quanto aos princípios sensíveis da federação, incluindo entre eles os direitos da
pessoa humana, cuja inobservância pode resultar em intervenção federal nos Estados,
decretada pelo Presidente da República no caso de provimento, pelo Supremo Tribunal
Federal, de representação formulada pelo Procurador-Geral da República.

Analisando-se as assertivas acima, pode-se afirmar que:

( ) a) somente a de número II está correta;
( ) b) estão corretas as de números II e III;
( ) c) apenas as de números I e II estão corretas;
( ) d) todas estão corretas.










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06 -
(Procurador da República – 18° Concurso) O direito de propriedade:

I. é garantido pela Constituição, mas a propriedade deve atender à sua função social;

II. assegurado pela Constituição, não impede a desapropriação por necessidade ou utilidade
pública, ou interesse social para fins de reforma agrária, sempre mediante justa e prévia
indenização em dinheiro;

III. assegura ao proprietário indenização ulterior, se houver dano, nas hipóteses de
requisição de uso de sua propriedade por autoridade competente, no caso de iminente
perigo público.

Analisando-se as asserções acima, pode-se afirmar que:

( ) a) apenas a de número I está correta;
( ) b) todas estão corretas;
( ) c) as de números I e II estão corretas;
( ) d) as de número de I e III estão corretas;


07 -
(Procurador da República – 18° Concurso) A República Federativa do Brasil, segundo a
Constituição:

I. rege-se, nas suas relações internacionais, dentre outros, pelo princípio da prevalência dos
direitos humanos;

II. deve garantir aos brasileiros e estrangeiros residentes no País, além dos direitos
expressos no texto da Lei Maior e outros implícitos, decorrentes do regime e dos princípios
por ela adotados, os direitos estabelecidos em tratados internacionais de que seja parte;

III. deve assegurar aos presos o respeito à integridade física e moral, constituindo crime
inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a prática de tortura.

Analisando-se as assertivas acima, pode-se afirmar que:

( ) a) somente as de números I e II estão corretas;
( ) b) somente as de números II e III estão corretas;
( ) c) todas estão corretas;
( ) d) todas estão incorretas.


08 -
(Delegado/SP – 1998) No que pertine à evolução histórica dos direitos humanos, é correto
afirmar que a primeira Constituição brasileira a contemplar os direitos humanos
fundamentais foi.a
( ) a) Constituição de 1937.
( ) b) Constituição de 1891.
( ) c) Constituição de 1946.
( ) d) Constituição de 1824.



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09 -
(Delegado/SP – 1998) A Convenção Americana de Direitos Humanos estabeleceu que “toda a
pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for
legalmente comprovada sua culpa”. A Constituição brasileira, nessa esteira, dispôs que
“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória”. À vista da vigência desses preceitos é correto afirmar que
( ) a) a lei processual penal não poderá opor qualquer restrição ao direito do réu de apelar
em liberdade.
( ) b) o réu primário e de bons antecedentes somente poderá ser preso em virtude de pena
privativa de liberdade, imposta através de sentença condenatória transitada em
julgado.
( ) c) o réu não terá o seu nome lançado no rol dos culpados, enquanto não estiver
definitivamente condenado.
( ) d) ninguém será preso por dívidas.


10 -
(Delegado/SP – 1998) De acordo com a teoria "monista", para que haja a incorporação dos
tratados de direitos humanos ao direito brasileiro
( ) a) a ratificação não é suficiente, sendo necessária a edição de ato legislativo interno
determinando a incorporação.
( ) b) a ratificação é suficiente para imediata aplicação já que o poder legislativo participa do
processo de incorporação.
( ) c) não é necessária a ratificação para a incorporação, sendo suficiente a aprovação do
Poder Legislativo.
( ) d) a ratificação é suficiente para a imediata aplicação já que o poder legislativo não
participa do processo da incorporação.


11 -
(Delegado/SP – 1999) Os direitos e garantias constantes dos instrumentos internacionais dos
direitos humanos aprovados e ratificados pelo Brasil, que não sejam expressos na
Constituição Federal de 1988, devem ser
( ) a) recepcionados pelo nosso ordenamento jurídico.
( ) b) excluídos de nosso regime legal.
( ) c) aceitos parcialmente, desde que decorram das normas constitucionais.
( ) d) eliminados do sistema em face dos princípios por ela adotados.


12 -
(Delegado/SP – 2000) No campo dos Direitos Humanos, num eventual conflito entre normas
previstas em tratados internacionais e preceitos de direito interno, aplica-se o princípio da
( ) a) anterioridade da lei.
( ) b) especialidade.
( ) c) norma mais favorável à vítima.
( ) d) norma de hierarquia superior.


13 -
(Delegado/SP – 2000) Segundo estipula a Lei de Execução Penal (7.210/84), a cadeia pública
destina-se ao
( ) a) cumprimento de pena em regime fechado ou semi-aberto.
( ) b) cumprimento de pena de detenção em regime semi-aberto.
( ) c) recolhimento de presos provisórios.
( ) d) recolhimento de condenados à pena de detenção ou prisão simples.


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14 -
(Delegado/SP – 2000) Assinale a alternativa incorreta, conforme a Lei de Execução Penal
(7.210/84).
( ) a) A assistência à saúde do preso e do internado compreenderá atendimento médico,
farmacêutico e odontológico.
( ) b) A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento de
alimentação, vestuário e instalações higiênicas.
( ) c) A assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação profissional
do preso e do internado.
( ) d) A assistência jurídica é destinada aos presos e aos internados independentemente de
possuírem recursos financeiros para constituírem advogado.


15 -
É direito fundamental do indivíduo, expressamente acolhido no texto da Constituição
Federal, a
( ) a) liberdade de reunião pacífica e sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização.
( ) b) livre locomoção no território nacional, em tempo de paz e de guerra.
( ) c) inviolabilidade do domicílio durante a noite, ninguém podendo nele penetrar, salvo
por determinação judicial.
( ) d) liberdade de crença, desde que exercida nos locais previamente determinados em lei.
( ) e) criação de associações na forma da lei, podendo, no entanto, serem elas dissolvidas
por processo administrativo promovido pelo Ministério Público.



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G Ga ab ba ar ri it to o


01.E 02.B 03.C 04.C 05.D 06.D 07.C 08.D 09.C 10.B
11.A 12.C 13.C 14.D 15.A



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B Bi ib bl li io og gr ra af fi ia a



Direito Constitucional
Alexandre de Moraes
Atlas





Direitos Humanos
José Luiz Quadros de Magalhães
Juarez de Oliveira





Direitos Humanos Fundamentais
Manoel Gonçalves Ferreira Filho
Saraiva





Limitações ao Direito de Propriedade
Carlos Alberto Dabus Maluf
Saraiva























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Direitos Humanos
05 – Os Direitos Humanos no Direito Brasileiro


Atualizada em 10.08.2005
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