A Inspeção Baseada em Risco como uma Ferramenta no

Gerenciamento dos Riscos de Processo


Autor:

Davi Roberto Ohlweiler
davi.ohlweiler@braskem.com.br
Fone: 51 3457 6470


Resumo:

O gerenciamento de riscos de processo em uma planta industrial é um fator crítico de
sucesso para as empresas dentro de um mercado globalizado e de crescente
competitividade. Os equipamentos devem ter desempenho e campanhas operacionais
maximizadas. A busca por índices de padrão de excelência para os indicadores de
manutenção têm levado a necessidade de utilização de ferramentas de gestão para
otimização dos recursos com aumento de desempenho operacional e segurança. A
otimização com redução de custos de manutenção e a necessidade de maior confiabilidade
nos equipamentos podem parecer antagônicos, porém existem técnicas para maximizar
estes dois importantes indicadores. A inspeção baseada em risco (IBR) conforme o API
581 é uma importante ferramenta dentro da confiabilidade dos equipamentos estáticos. A
partir de dados oriundos do processo mais o histórico de inspeção é possível determinar
mecanismos de danos preferenciais para cada equipamento estático dentro de uma planta
industrial, com uma matriz de risco de conseqüência x probabilidade de ocorrência de
falha. Estes resultados além de definirem exatamente o quê, quando e como inspecionar,
também permitem focar as atividades de inspeção e manutenção, alocando os melhores
recursos nos equipamentos de mais alto risco e criticidade. A Braskem está implantando a
IBR em seus ativos estáticos e vem utilizando esta ferramenta na inspeção de
equipamentos. O trabalho tem como objetivo apresentar a experiência de utilização da IBR
dentro das etapas de planejamento, execução e análise das atividades de manutenção na
parada geral da Planta 2 de Olefinas da Braskem UNIB-RS, ocorrida em novembro de
2005. Esta importante ferramenta permitiu a otimização dos recursos de inspeção e
manutenção com aumento da confiabilidade nos equipamentos estáticos da unidade de
Olefinas 2, mantendo os riscos de processo dentro de níveis aceitáveis.


Abstract:

The process risk management in an industrial plant is a critical factor for the success in
companies integrated in a global market. The equipments should have maximized
performance and operational runlenghts without committing operational safety. The
management based in key performance index pushes the companies to operate in the limits.
The optimization with reduction of maintenance costs and the need of larger reliability in
the equipments can seem antagonistic, however techniques exist to maximize these two
important indicators. The risk based inspection (RBI) as API 581 is an important tool to
mitigate de risk and ensure static equipments reliability. Based in information from process
engineers and inspection records is possible to determine mechanisms of preferential
damages for each static equipment of an industrial plant, with a risk matrix of consequence
x failure probability. These results helps to define exactly when and how to inspect, they
also allow to focus the inspection activities and maintenance, allocating the best resources
in the equipments of higher risk and criticize. Braskem is implanting RBI in their static
assets and is using it as a process risk management tool. This work has as objective presents
Braskem’s experience of RBI use in the planning and execution stages of a turnaround, in
Olephins Plant 2 of UNIB-RS, happened in November 2005. This important tool allowed
an optimization in the inspection and maintenance resources, increasing reliability and
maintaining the process risks in acceptable levels.



1. Objetivo:

Apresentar a inspeção baseada em risco como uma ferramenta de gerenciamento de
riscos de processo e sua experiência de utilizaçãodentro das etapas de planejamento,
execução e análise das atividades de manutenção / inspeção na parada geral da Planta 2 de
Olefinas da Braskem UNIB-RS, ocorrida em novembro de 2005.


2. A Inspeção Baseada em Risco (IBR) na Braskem UNIB-RS:

2.1. Histórico de Implantação da IBR:

A inspeção baseada em risco (IBR) conforme o API 581 é uma importante ferramenta
dentro da confiabilidade dos equipamentos estáticos. A partir de dados oriundos do
processo mais o histórico de inspeção é possível determinar mecanismos de danos
preferenciais para cada equipamento estático dentro de uma planta industrial, com uma
matriz de risco de conseqüência x probabilidade de ocorrência de falha. Estes resultados
além de definirem exatamente o quê, quando e como inspecionar, também permitem focar
as atividades de inspeção e manutenção, alocando os melhores recursos nos equipamentos
de mais alto risco e criticidade. A Braskem está implantando a IBR em seus ativos estáticos
e vem utilizando esta ferramenta na inspeção de equipamentos.

A Braskem UNIB-RS iniciou a implantação da IBR em 2001, através de projetos
pilotos nas plantas de aromáticos, em uma parceria com a Bureau Veritas. No período de
maio de 2003 a março de 2004 implantou esta metodologia na planta de Olefinas 2. Em
novembro de 2005 ocorreu a primeira experiência de utilização da IBR como uma
ferramenta para otimização de recursos e gerenciamento de risco em uma parada geral de
manutenção na planta de Olefinas 2. Atualmente todas as plantas de processo da Braskem
UNIB-RS contam com a IBR. Na tabela 1 abaixo se pode observar a abrangência da IBR
nos equipamentos estáticos de Olefinas 2.

Tabela 1- Abrangência da IBR na Planta de Olefinas 2. [Fonte: Braskem UNIB-RS].



2.2. Distribuição do Risco nos Equipamentos Estáticos:

A distribuição do risco nos equipamentos estáticos de Olefinas 2 pode ser observada
nos gráficos 1 e 2 a seguir. Após a execução do plano de inspeção otimizado conforme a
IBR, houve uma redução nos riscos alto e médio-alto.


Gráfico 1- Distribuição do risco antes da implantação da IBR. [Fonte: Braskem UNIB-RS].
Área Equipamentos Sub
equipamentos
Tubulações
110 10 20 855
111 117 238 1534
112 68 149 519
113 130 273 560
114 19 48 174
115 11 29 126
121 66 145 391
162 38 79 177
164 2 4 19
165 12 17 19
Total 473 1002 4374

Distribuição de Risco
7,03%
0,76%
34,77%
57,44%
ALTO
MÉDIO-ALTO
MÉDIO
BAIXO




Gráfico 2- Distribuição do risco após execução do plano de inspeção otimizado pela IBR.
[Fonte: Braskem UNIB-RS].

Obteve-se uma redução de 24 equipamentos (58,54%) no nível de risco ALTO e de
170 equipamentos (40,57%) na soma dos níveis MÉDIO-ALTO e ALTO, conforme se
observa na tabela 2 abaixo.



Tabela 2- Comparativo da distribuição dos riscos em equipamentos estáticos antes a após a
implantação da IBR. [Fonte: Braskem UNIB-RS].
















RISCO ANTES APÓS
ALTO 41 (0,76%) 17 (0,32%)
MÉDIO-ALTO 378 (7,03%) 232 (4,32%)
MÉDIO 3088 (57,4%) 3245 (60,4%)
BAIXO 1869 (34,8%) 1882 (35,0%)
Distribuição de Risco - Plano Otimizado
60.45%
34.93%
4.32%
0.30%
ALTO
MÉDIO-ALTO
MÉDIO
BAIXO
Os principais mecanismos de falha associados a planta de Olefinas 2 podem ser
observados no gráfico 3 abaixo.






















Gráfico 3- Principais mecanismos de dano identificados após implantação da IBR. [Fonte:
Braskem UNIB-RS].



2.3. Estratégia de Utilização da IBR para Gerenciamento de Riscos:

Sendo o risco o produto de uma conseqüência de uma determinada falha em um
equipamento pela probabilidade desta falha ocorrer, ele poder ser gerenciado através de um
plano de inspeção adequado para cada tipo de equipamento, levando-se em consideração os
mecanismos de danos associados a este equipamento. A conseqüência de uma falha é
característica do sistema, não pode ser alterada e é dada por variáveis como: volume do
inventário contido no equipamento, composição do fluido, presença de contaminantes no
fluido de processo, características construtivas do equipamento, localização física da
instalação, etc... Por outro lado, a probabilidade de uma falha ocorrer pode ser minimizada
através de um plano de inspeção e acompanhamento adequados para os equipamentos.
Toda vez que uma inspeção é feita, dirigida a um determinado mecanismo de dano de
possível presença no equipamento, a probabilidade de falha por este mecanismo de dano
ocorrer diminui. É dessa forma que o risco é reduzido para parâmetros aceitáveis nos
equipamentos estáticos através da IBR. Na matriz de risco da figura 1 que se segue,
observa-se a redução de riso no eixo da probabilidade de falha.


MECANISMOS DE DANO OLEFINAS 2
3,32%
4,12%
6,80%
18,93%
24,30%
39,72%
CORROSION UNDER INSULATION
SOUR WATER CORROSION
SULFIDE STRESS CRACKING
HIGH TEMPERATURE SULFIDIC / NAPHTHENIC CORROSION
HIGH TEMPERATURE H2S / H2 CORROSION
HYDROCLORIC AND ACID CORROSION
HIC / SOHIC
CAUSTIC CRACKING
CHLORIDE STRESS CORROSION CRACKING (CLSCC)
AMINE CORROSION
AMINE CRACKING
SULFURIC ACID (H2SO4) CORROSION
HIGH TEMPERATURE OXIDATION


Figura 1- Matriz de risco da IBR. [Fonte: API 581]

Para as atividades de inspeção na parada geral da planta de Olefinas 2, a estratégia
de otimização adotada foi:
• Avaliar o risco sem inspeção para o fim de ciclo em 2005;
• Estabelecer planos de inspeção para todos os equipamentos que apresentaram nível
de risco MÉDIO-ALTO ou ALTO visando reduzir o risco para o nível MÉDIO ou
BAIXO;

Em alguns equipamentos o risco é reduzido de forma quantitativa, porém ele permanece
na zona de risco alto ou médio alto devido as características do sistema, como por exemplo
em equipamentos e sistemas de grande volume de inventário.


Para definição do escopo de equipamentos estáticos para a parada geral de manutenção
forma levados em consideração as demandas legais, determinadas pela NR 13, solicitações
operacionais e o plano de inspeção da IBR, conforme representado no diagrama da figura 2
abaixo.




Figura 2- Diagrama de formação do escopo para equipamentos estáticos em uma parada
geral de manutenção. [Fonte: Braskem-UNIB-RS].

No escopo total da parada geral, foram acrescentados 6 equipamentos em relação a
NR 13, o que demonstra que o conceito de risco da NR 13, dado pelo produto da pressão
pelo volume do inventário contido, não é suficiente para um bom gerenciamento dos riscos
nos equipamentos estáticos de uma planta de processo.


2.4. Conceito de Efetividade de Inspeção:

A efetividade de inspeção determina a capacidade de um determinado método ou
técnica de inspeção ou ensaio não destrutivo detectar uma indicação crítica originada por
um mecanismo de dano.

Exemplo:
Mecanismo de dano: sulfide stress cracking - SSC
Tipo de indicação: trincas em regiões com concentração de tensões
Efetividade de inspeção interna:
POBRE inspeção visual
REGULAR PM em até 10% das soldas
NORMAL PM em 10% a 24% das soldas
ALTA PM 25% a 100% das soldas
NR 13
175 EQTOS
PROCESSO
16 EQTOS
IBR
52 EQTOS

E ES SC CO OP PO O D DE E P PA AR RA AD DA A G GE ER RA AL L


Através da IBR é possível determinar a inspeção mais adequada para um
determinado equipamento, tornando o resultado mais efetivo sob o ponto de vista de
controle de risco.


2.5. Inspeção Intrusiva x Inspeção Não Intrusiva:

Para uma mesma efetividade de inspeção a IBR apresenta métodos de inspeção
intrusivos e não intrusivos, possibilitando ao profissional da área uma maior flexibilidade
na execução das atividades. Na tabela 3 abaixo se pode observar técnicas diferentes de
inspeção para o mecanismo de dano de SSC – sulfide stress cracking.

Tabela 3- Método intrusivo e não intrusivo para detectar sulfide stress cracking com
efetividade 2 de inspeção [Fonte: API 581].

INTRUSIVA NÃO INTRUSIVA
EFETIVIDADE 2
(REGULAR)
EFETIVIDADE 2 (REGULAR)
INSPEÇÃO VISUAL
INTERNA
VARREDURA DE US EM 20% DA SUPERFÍCIE
EXTERNA



2.6. Resultados da IBR na Parada Geral de Manutenção de Olefinas 2:

Nas recomendações de inspeção em equipamentos estáticos para a parada geral de
manutenção, não houve acréscimo significativo de ensaios não destrutivos, porém a
abrangência dos ensaios foi maior, direcionando os ensaios adequados para os
equipamentos de maior risco. Isto pode ser observado nas tabelas 4 e 5 abaixo. Através
desta análise fica evidente a otimização de recursos de inspeção, sem acréscimo de custos e
com um melhor controle dos riscos e mecanismos de danos nos equipamentos estáticos.


Tabela 4- Quantidade de metros lineares de solda a serem inspecionados na para parada
através dos métodos de ultra som (US) e partícula magnética (PM), antes e após a IBR.
[Fonte: Braskem UNIB-RS].
US
(METROS)
PM
(METROS)
END JÁ PROGRAMADO NA PGM ANTES DO IBR 690 932
ADICIONAL APÓS IBR 48 26
VARIAÇÃO (ACRÉSCIMO) 7% 3%


Tabela 5 – Abrangência dos ensaios não destrutivos nos equipamentos estáticos antes a
após a IBR. [Fonte: Braskem UNIB-RS].
ANTES IBR APÓS IBR
PM 20% DOS EQTOS 62% DOS EQTOS
US 5% DOS EQTOS 37% DOS EQTOS


2.6.1. Exemplos de Equipamentos Inspecionados na Parada Geral de Manutenção de
Olefinas 2:

A seguir são relatados exemplos de inspeções executadas na parada geral de manutenção na
planta de Olefinas 2 conforme o plano de inspeção gerado pela IBR.

Exemplo 1 – Redução de risco com aplicação de ensaio não destrutivo:
Equipamento: 112P01A/B/C/D casco – figura 3 abaixo.
Risco: MÉDIO ALTO MÉDIO
Mecanismo de dano: SSC – Sulfide Stress Cracking.
Inspeção: efetividade 3 partícula magnética em 10 a 24% das soldas


Figura 3- Bocal do permutador 112P01A inspecionado por partícula magnética. [Fonte:
Braskem UNIB-RS].

Exemplo 2 – Redução de risco sem aplicação de ensaio não destrutivo:
Equipamento:111T05 tampo superior – figura 4 a seguir.
Risco: MÉDIO ALTO MÉDIO
Mecanismo de dano: High Temperature Sulfidic / Naphtenic Acid Corrosion.
Inspeção: efetividade 2 – inspeção visual em 50% a 100% da superfície interna com
remoção dos internos.



Figura 4- Tampo superior da 111T05, vista interna. [Fonte: Braskem UNIB-RS].


Exemplo 3 – Inspeção sem grande redução de risco:
Equipamento: 111T03 casco superior e inferior e tampo inferior – figura 5 a seguir.
Risco: ALTO (3E) MÉDIO ALTO (2E)
Mecanismo de dano: HIC / SOHIC – Hidrogen Induced Cracking / Stress Oriented
Hidrogen Induced Cracking.
Inspeção: efetividade 3 – inspeção por partícula magnética em 20% das soldas.


Figura 5- Bocal de 60” da torre 111T03. [Fonte: Braskem UNIB-RS].

Neste exemplo não se consegue reduzir o risco para o nível médio ou baixo devido ao
grande volume de inventário deste equipamento, que faz com que ele seja classificado na
coluna E da matriz de risco da IBR conforme figura 6 abaixo.


Figura 6- Localização da 111T03 na matriz IBR. [Fonte: Braskem UNIB-RS].


Exemplo 4 - Redução de risco com inspeção intermediária:
Equipamento: 121V01 casco da bota – figura 7.
Risco: ALTO (5D) MÉDIO ALTO (3D)
Mecanismo de dano: Sulfide Stress Cracking - SSC
Inspeção: efetividade 2 – partícula magnética em 10% das soldas.


Figura 7 – Casco interno da bota do vaso 121V01. [Fonte: Braskem UNIB-RS].


Para uma redução de risco efetiva foi necessária uma inspeção intermediária, não
intrusiva, que foi realizada no ano de 2008, com efetividade 3, através de ultra som externo
em 24% das soldas. Com esta inspeção intermediária houve uma redução de risco para 2D
– médio. Ver figura 8 abaixo.



Figura 8 - Redução do risco no 121V01 através de inspeção intermediária. [Fonte; Braskem
UNIB-RS].



3. Conclusões:

A inspeção baseada em risco (IBR) conforme o API 581 é uma importante ferramenta
para o gerenciamento dos riscos nos equipamentos estáticos de uma planta industrial. A
partir de dados oriundos do processo mais o histórico de inspeção é possível determinar
mecanismos de danos preferenciais para cada equipamento, direcionando a técnica de
inspeção adequada. A IBR define exatamente o quê, quando, onde e como inspecionar.
Também permitem focar as atividades de inspeção e manutenção, alocando os melhores
recursos nos equipamentos de mais alto risco e criticidade.



4. Referências:

American Petroleum Institute. API 581 - Risk Based Inspection. First edition, May 2002.