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CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
Armando de Queiroz Monteiro Neto
Presidente
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI
Conselho nacional
Fernando Cirino Gurgel
Presidente
SENAI – Departamento Nacional
José Manuel de Aguiar Martins
Diretor-Geral
Regina Maria de Fátima Torres
Diretora de Operações
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© 2005. SENAI – Departamento Nacional
Qualquer parte desta obra pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
SENAI/DN
Unidade de Educação Profissional – UNIEP
Sede
Setor Bancário Norte
Quadra 1 – Bloco C
Edifício Roberto Simonsen
70040-903 – Brasília – DF
Tel.: (0xx61) 317-9544
Fax: (0xx61) 317-9550
http://www.senai.br
SENAI
Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial
Departamento Nacional
FICHA CATALOGRÁFICA
S491c
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento
Nacional
Curso básico de segurança em instalações e serviços em
eletricidade : noções de primeiros socorros em serviços com
eletricidade / SENAI. DN. Brasília, 2005.
62 p. : il.
ISBN: 85-7519-150-0
1. Eletricidade 2. Primeiros Socorros 3. Segurança no Trabalho
I. Título
CDU: 331.483.1
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Sumário
Apresentação 7
Procedimentos para prestar os primeiros socorros 11
Legislação sobre o ato de prestar os primeiros socorros 17
Salvando vidas: como identificar o problema 19
Pulso.............................................................................................................................................. 20
Respiração ................................................................................................................................... 22
Praticando os primeiros socorros:
como agir em casos de emergência 27
Choque elétrico......................................................................................................................... 38
Queimaduras .............................................................................................................................. 46
Lesão traumato-ortopédica .................................................................................................. 52
Transportando as vítimas do local do acidente 55
Referências 61
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Apresentação
Quando se ajuda o outro sinceramente ajuda-se a si.
Essa é uma das mais belas recompensas da vida.
Waldo Ralph Emerson
Com esse pensamento iniciamos esta reflexão sobre primeiros socorros, reconhecendo e
valorizando o sentido da vida e a importância do respeito e solidariedade com as pes-
soas acidentadas. Estudos comprovam que as duas primeiras horas após um acidente
são fundamentais para garantir a sobrevida ou recuperação das vítimas. É nesse período
que um atendimento adequado pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
Primeiros socorros são portanto os atendimentos preliminares prestados a uma vítima
de acidente ou portador de mal súbito, para mantê-los com vida e evitar complicações
imediatas ou tardias, até a chegada da assistência médica.
N
Mal súbito – estado ou sintoma característico que surge de forma
aguda e repentina.
Apesar das medidas de segurança comumente adotadas no ambiente de trabalho e dos
cuidados que as pessoas têm com suas próprias vidas, nem todos os acidentes podem
ser evitados porque nem todas as causas podem ser controladas. Assim, os riscos de aci-
dente fazem parte do nosso cotidiano, o que requer a presença de pessoas treinadas
para atuar de forma rápida.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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Observe as cenas que podem ocorrer no dia-a-dia.
A rapidez na adoção das providências pode salvar uma vida: em cerca de três minutos
o cérebro de uma vítima de parada cardíaca começa a apresentar lesões ou uma
hemorragia não controlada pode causar uma parada cardíaca. Uma vez que a maioria
das pessoas desconhece as técnicas de primeiros socorros, conforme vimos nas cenas
apresentadas, como elas podem ajudar? Como prepará-las para enfrentar uma situação
de emergência? Essas são algumas questões sobre as quais vamos refletir neste tema.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Prestar os primeiros socorros é uma atitude humana, que requer coragem e o conhe-
cimento das técnicas adequadas capazes de auxiliar numa emergência. O socorro
imediato evita que um simples ferimento se agrave, ou que uma simples fratura se
complique, ou que um simples desmaio resulte na morte do acidentado.
Im
O conhecimento e a aplicação dos primeiros socorros têm como
objetivo fundamental salvar vidas.
Se você não tiver condições emocionais de prestar socorro direto à víti-
ma, procure por alguém que o auxilie no atendimento e, em seguida, acione
os serviços especializados: médicos, ambulâncias, polícia e bombeiros.
Não deixe uma pessoa acidentada sem uma palavra de apoio nem um
gesto de solidariedade, nem deixe de adotar os procedimentos cabíveis.
N
Acionar – pôr em ação, em movimento, fazer funcionar.
Cabível – que é aceito, que tem cabimento.
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Procedimentos para prestar
os primeiros socorros
Uma pessoa treinada está habilitada desde que conheça e domine os princípios básicos
de primeiros socorros e técnicas de atendimento à vítima, fundamentais para controlar e
prevenir o agravamento do seu estado. A seguir, observe alguns dos procedimentos a
serem adotados num atendimento emergencial.
Mantenha-se calmo e inspire confiança ao acidentado
O socorrista deve manter-se calmo e conduzir o socorro com serenidade, compreensão
e segurança. Portanto, a primeira providência é controlar a si mesmo.
Nesse momento, o socorrista enfrenta um problema bastante delicado, ou seja, informar
à vítima a respeito do está ocorrendo: manter-se em silêncio pode aumentar o seu medo
e ansiedade, mas se falar em demasia pode alarmá-la e causar desespero. Lembre-se de
que as ações falam mais do que as palavras e que um tom de voz tranqüilo e seguro dá à
vítima o conforto de estar em boas mãos.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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A eficiência e a qualidade do primeiro atendimento dependem muito de quem realiza.
Embora toda pessoa treinada seja capaz de prestar os primeiros socorros, o socorrista
deve apresentar as seguintes características:
• autocontrole (calma, tolerância, paciência);
• iniciativa e liderança;
• conhecimento e avaliação técnica;
• capacidade de improvisação.
Sinalize o local para evitar outros acidentes e disperse os curiosos
É preciso proteger e controlar o local do acidente: isolando-o e sinalizando-o; ilumi-
nando-o, se for noite ou se a região for pouco iluminada; arejando-o, para que a vítima
receba ventilação.
Avalie o estado geral da vítima e verifique os sinais vitais:
pulso, respiração, temperatura, pupila, nível de consciência,
sensibilidade do corpo, etc.
Se houver mais de uma vítima envolvida, o socorrista deve fazer uma avaliação geral do
estado delas e proceder a uma triagem, atendendo em primeiro lugar os casos mais gra-
ves, que, do ponto de vista dos primeiros socorros, são:
• obstrução das vias aéreas
e/ou parada respiratória;
• parada cardíaca;
• hemorragias graves;
• estado de choque;
• envenenamento;
O socorrista deve priorizar a desobstrução das vias aéreas, o restabelecimento e manu-
tenção da respiração e o restabelecimento e manutenção da circulação.
• feridas abertas no abdome
e/ou tórax;
• traumatismo craniano;
• queimaduras;
• fraturas;
• hematomas.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
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Triagem – seleção, escolha, separação.
Desobstrução – desimpedimento, liberação.
Efetue as técnicas de primeiros socorros
de acordo com cada caso
Antes de adotar qualquer procedimento o socorrista deve avaliar o estado geral da víti-
ma e efetuar a técnica específica para o caso, que será analisado no capítulo “Praticando
os primeiros socorros: como agir em casos de emergência”, mas algumas técnicas são
válidas e podem ser aplicadas em todos os casos:
• Se a vítima sentir sede, umedeça os lábios com gaze. Não dê bebidas alcoólicas.
• Mantenha-a deitada.
• Mantenha a respiração.
• Evite a perda de sangue.
• Evite virá-la, empurrá-la ou puxá-la, para não agravar as lesões ósseas.
• Não retire do corpo objetos penetrantes, como vidros, etc.
Chame de imediato o atendimento especializado:
médico, policial, bombeiro, etc.
Logo após a ocorrência do acidente peça ajuda a polícia civil, corpo de bombeiros
ou pronto-socorro: esses serviços são especializados no atendimento a emergências
e podem adotar os procedimentos necessários; a demora no pedido de socorro
pode depender que uma vida seja salva: por exemplo, se o acidente tiver ocorrido
numa estrada, em local de difícil comunicação, peça aos motoristas que avisem à
polícia e entrem em contato imediatamente com o serviço especializado (hospital
ou pronto-socorro) mais próximo; prestar socorro à vítima de um acidente é um
dever de todo cidadão.
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Ainda que a vítima apresente estar em bom estado, não confie na
aparência. Encaminhe-a para ser examinada por um profissional de saúde,
pois só um exame detalhado pode definir o seu estado físico e psíquico.
Ao prestar os primeiros socorros é preciso que se utilizem materiais e instrumentos
que facilitem a realização dos procedimentos necessários e impeçam o agravamento
do estado da vítima – a caixa de primeiros socorros deve conter os itens essenciais ao
atendimento. É preciso que se tenha em casa ou no automóvel pelo menos o essencial,
pois acidentes podem ocorrer quando menos se espera.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Uma caixa de primeiros socorros para o atendimento de ferimentos leves e moderados
deve conter, pelo menos, os seguintes materiais:
• compressa de gaze esterilizada (5 envelopes);
• ataduras de gaze em três tamanhos (2 rolos de cada);
• gaze tipo chumaço, para os olhos (5 unidades);
• algodão hidrofílico (1 pacote de 50 g);
• esparadrapo (1 rolo de 25 mm x 4,5 cm);
• cotonetes (1 caixa);
• curativo adesivo (1 caixa);
• sabão anti-séptico e sabão de coco (1 tablete de cada);
• soro fisiológico (2 frascos de 250 ml);
• tesoura limpa, média, sem ferrugem;
• sacos plásticos;
• lanterna;
• luvas de borracha;
• toalhas de papel;
• talas de papelão ou infláveis;
• máscara de respiração descartável.
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Legislação sobre o ato
de prestar os primeiros socorros
Devido à importância do ato de prestar os primeiros socorros, há artigos específicos na
legislação brasileira acerca do assunto. Para o Código Penal Brasileiro, por exemplo, todo
indivíduo tem o dever de ajudar um acidentado ou chamar o serviço especializado para
atendê-lo; a omissão de socorro constitui crime previsto no Artigo 135.
N
Omissão – ausência de ação; ato ou efeito de não fazer aquilo que
moral ou juridicamente se deveria fazer.
Na CLT, o artigo 181 prescreve a necessidade dos que trabalham com eletricidade de
conhecerem os métodos de socorro a acidentados por choque elétrico. Por isso,
a NR-10 ao tratar de situações de emergência, reforça, em seu item 10.12.2, uma
exigência, bem como inclui um conteúdo básico de treinamento para os trabalhadores
que venham a ser autorizados a intervir em instalações elétricas.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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Código penal - Art. 135 – Deixar de prestar assistência, quando possí-
vel fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à
pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou
pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública.
Pena – detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se a omissão
resulta lesão corporal ou de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
CLT - Art. 181 – Os que trabalham em serviços de eletricidade ou ins-
talações elétricas devem estar familiarizados com os métodos de socorro a
acidentados por choque elétrico.
N
Iminente – que está a ponto de acontecer.
Obs
É preciso que cada um de nós exerça a cidadania e trabalhe para que
as leis dêem certo, mas para isso é fundamental desenvolver uma mentali-
dade voltada ao respeito ao próximo e a si mesmo e colaborar para reduzir
os acidentes e auxiliar adequadamente às vítimas, seja no ambiente de
trabalho, na comunidade, na rua, na praia etc.
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Salvando vidas:
como identificar o problema
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa
O corpo ainda é pouco
O corpo ainda é pouco
Arnaldo Antunes,
Marcelo Fromer e Tony Belotto
Sabemos que o socorrista, no atendimento às vítimas de um acidente, deve ser capaz de
identificar e priorizar os casos de maior gravidade: procedendo ao seu exame físico e
verificando os sinais vitais e os sinais de apoio. Agora vamos aprender a reconhecer esses
sinais e saber o modo mais adequado de agir até a chegada do serviço especializado.
Im
Sinais vitais são sinais orgânicos ou sintomas que podem ser altera-
dos quando um ou mais sistemas vitais responsáveis pela manutenção da
homeostase não funcionam perfeitamente. A modificação ou alteração de
um sinal característico permite concluir sobre o estado geral da vítima e
proceder de forma correta no desempenho de prestar os primeiros socorros.
Assim, antes de aplicar qualquer medida, o socorrista deve verificar os sinais vitais e de
apoio, que fornecem informações valiosas para o diagnóstico do estado geral da vítima e
permitem que se implementem as técnicas emergenciais mais apropriadas.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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Priorizar – colocar em primeiro lugar; atender primeiramente.
Homeostase – que regula a manutenção e equilíbrio das funções
fisiológicas entre os sistemas vivos.
Proceder – agir; fazer; efetuar; realizar.
Diagnóstico – o conjunto de dados em que se baseia uma avaliação.
Implementar – executar; praticar.
Os sinais vitais:
• pulso;
• respiração;
• pressão arterial;
• temperatura.
A seguir, observe de que forma o socorrista pode verificar alguns desses sinais nas
vítimas de acidente.
Pulso
A paralisação de uma função vital como a do coração neutraliza a circulação do sangue e
pode provocar a morte de três a cinco minutos. A contração do coração, necessária ao
bombeamento do sangue, se repete com regularidade e se propaga em ondas pelas
artérias, e há pontos do corpo em que algumas grandes artérias estão próximas à
superfície que, ao serem pressionados de leve, podemos sentir o coração bombear o
sangue – a isso chamamos pulso ou pulsação.
O pulso pode ser achado nos pontos em que as artérias estão próximas à superfície e
podem ser apalpadas: o lado externo do punho (artéria radial), cada lado do pescoço
(artéria carótida) e a região inguinal (artéria femoral).
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
O socorrista verifica o pulso da vítima colo-
cando os dedos indicador, médio e anular na
artéria, mas jamais ele utiliza o polegar, pois
este apresenta pulsação própria.
Quando a pulsação radial está muito fraca,
a verificação do pulso pode ser feita com
mais facilidade na região do pescoço
(artérias carótidas).
Observe na tabela a freqüência normal do pulso de acordo com a faixa etária.
FAIXA ETÁRIA FREQÜÊNCIA MÉDIA (BPM)
Adulto (masculino/feminino) 60 a 100
Criança 100 a 120
Lactente 120 a 140
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Respiração
A respiração é indispensável aos seres, portanto ela é o sinal de vida mais evidente de
uma vítima acidentada.
Im
Uma vez que a respiração é uma das funções vitais dos seres,
a interrupção ocasiona a morte da vítima. É por meio da respiração que
o organismo capta o oxigênio necessário à obtenção de energia celular
e elimina o gás carbônico proveniente do metabolismo respiratório.
N
Proveniente – que tem origem.
Como a respiração pode ser verificada?
Para verificar a freqüência respiratória, são observados os movimentos de inspiração
(quando o ar se introduz nas vias aéreas superiores e chega aos pulmões) e expiração
(quando a musculatura respiratória relaxa e o ar é expulso dos pulmões) que ocorrem no
intervalo de um minuto. Em seguida, costuma-se fazer a verificação da pulsação a partir
da elevação do tórax, se a vítima for mulher, ou do abdome, se for homem ou criança.
Da mesma forma que a pulsação, a freqüência respiratória varia com a idade. Observe a
tabela com os movimentos respiratórios correspondentes a cada faixa etária.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
FAIXA ETÁRIA FREQÜÊNCIA MÉDIA (BPM)
Idosos 14 a 18
Adultos 16 a 20
Crianças 20 a 26
Lactentes 40 a 60
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Etário – relativo à idade.
Sinais de apoio
Há diversos sinais que auxiliam ou apóiam o diagnóstico do estado de uma vítima
de acidente:
• pupila;
• aspecto da pele;
• nível de consciência;
• motilidade e sensibilidade.
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Motilidade – faculdade de se mover.
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Conheça mais algumas informações sobre os sinais de apoio.
Pupila
Também através da pupila é possível diagnosticar o estado da vítima pois o seu diâmetro,
normalmente de 3 mm a 4 mm, varia de acordo com a estimulação do sistema nervoso.
Assim, de acordo com as alterações da pupila o socorrista pode identificar alguns sintomas.
Por exemplo:
• Se o caso for de traumatismo craniano e hemorragia cerebral as pupilas da vítima
vão apresentar uma diferença de diâmetro entre uma e outra.
• Se o caso for de coma urêmico ou envenenamento elas vão apresentar uma miose.
• Se o caso for de diminuição do CO
2
circulante, parada cardíaca ou morte elas vão
apresentar uma dilatação.
Aspecto da pele
O socorrista também deve observar o aspecto da pele, que pode apresentar alterações
de origem fisiológica e patológica de acordo com as especificações a seguir:
• Cianose – ocorre em virtude da insuficiência de oxigênio no organismo, que faz
aumentar o nível de sangue venoso, e se caracteriza por uma coloração arroxeada
principalmente nos lábios, dedos e pavilhão auricular (orelha).
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
• Palidez cutânea – ocorre devido à vasoconstrição periférica nos estados de
necessidade de aporte sangüíneo às porções mais nobres do organismo ou para a
manutenção da temperatura corporal. Hemorragias, parada cardiorrespiratória e
exposição ao frio são causas de palidez cutânea.
• Pele fria e viscosa – ocorre nos casos de estado de choque.
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Venoso – de origem venosa; com baixa concentração de oxigênio.
Cutânea – da pele.
Nível de consciência
É possível caracterizar o nível de consciência observando-se o estado psicológico e físico
da vítima, que pode estar inconsciente em virtude de desmaio, síncope, choque, coma,
convulsão, intoxicação ou morte.
Uma pessoa pode estar consciente mas desorientada no tempo e no espaço em virtude
de um violento choque emocional ou traumático.
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Síncope – estado de inconsciência resultante de queda de pressão
arterial.
Traumático – resultante de um choque violento.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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Motilidade e sensibilidade
Motilidade e sensibilidade é a capacidade de as pessoas se moverem. Assim, o socorrista
deve estar atento para o fato de o acidentado demonstrar dificuldade de realizar um
determinado movimento. Esse fato pode estar indicando uma paralisia.
Também devem ser observados os casos em que a vítima apresenta paralisação de um
dos lados do corpo, quando isto ocorre, é forte indicação de um Acidente Vascular
Cerebral (AVC).
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Praticando os primeiros socorros:
como agir em casos de emergência
Sempre há esperança quando há vida humana.
Simone Weil
A pessoa que se dispõe a prestar os primeiros socorros deve começar por analisar as
condições em que ocorreu o acidente e o estado físico e mental do(s) envolvido(s); após
identificar o(s) caso(s) de gravidade ela deve adotar as técnicas de primeiros socorros,
algumas das quais são bastante simples e podem diminuir o sofrimento das vítimas, evitar
complicações futuras e até salvar as suas vidas. Numa emergência é fundamental que a
pessoa mantenha a calma e transmita confiança até a chegada do socorro especializado;
mas deve agir com extremo rigor pois, do contrário, o atendimento pode comprometer
a saúde da vítima.
A seguir apresentamos alguns casos graves que requerem pronto atendimento do
socorrista e chamamos a atenção para as técnicas adequadas de atendimento e os erros
a serem evitados.
Nesta seção vamos identificar os sinais indicativos de parada cardíaca e respiratória,
e adotar o procedimento de primeiros socorros adequado a cada caso.
Você sabe o que caracteriza a parada cardíaca e/ou respiratória?
A parada cardíaca e/ou respiratória se caracteriza pela interrupção da respiração, ou seja,
da entrada e saída de ar nos pulmões. Contudo, a respiração não ocorre propriamente
nos pulmões, mas nos milhares de células do corpo humano, que recebem oxigênio do
sistema circulatório sangüíneo.
O aparelho respiratório é constituído dos pulmões e vias aéreas superiores: nariz, faringe,
laringe, traquéia, brônquios e bronquíolos, que umedecem, aquecem, purificam e filtram
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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o ar para que ele chegue em boas condições ao interior dos alvéolos pulmonares, onde o
oxigênio é retirado e transferido para o sangue. Assim, todo acidente que perturba esse
mecanismo coloca em risco a oxigenação dos tecidos porque provoca a morte das
células e, em conseqüência, da própria vítima.
Como verificar se a vítima está respirando?
O socorrista deve aproximar-se do rosto da
vítima, observar se há movimento do tórax, se
há saída de ar do nariz ou boca e se há sons de
respiração: se não houver nenhum movimento
respiratório e os lábios, língua e unhas estive-
rem azulados, o socorrista pode concluir que
ela sofreu uma parada respiratória.
Em seguida o socorrista deve verificar se há alguma obstrução nas vias aéreas da vítima,
que pode ser provocada por:
• Corpo estranho – prótese dentária, moeda, pedaço graúdo de alimento, espinha
de peixe, osso de ave etc.;
• Base da língua – caída para trás ou enrolada – em vítimas inconscientes;
• Substância aspirada para os pulmões.
Conheça a seguir os métodos para desobstruir as vias aéreas
O método para desobstruir as vias aéreas varia de acordo com a gravidade e causa da
obstrução, mas em geral os procedimentos devem ser adotados numa seqüência, até
que elas tenham sido devidamente desobstruídas.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Soc
Limpeza manual – em vista da suspeita
de aspiração de corpos estranhos o
socorrista introduz um ou dois dedos na
boca e faringe da vítima; essa remoção
pode ser facilitada se os dedos passarem
pela bochecha e voltarem pelo céu da
boca, num procedimento conhecido como
“varredura digital”.
Tapotagem – com a mão
em concha o socorr i st a
aplica uma série de panca-
das for t es e rápi das no
dor so da ví t i ma, ent r e
as escápulas.
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Escápula – omoplata.
Compressão abdominal – o socorrista se posiciona atrás da vítima e
passa os braços ao redor, segurando o punho com uma das mãos e pres-
sionando o abdome com a outra; também pode ser feito com a vítima em
decúbito dorsal.
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Compressão torácica – se a vítima tiver abdome grande, for gestante
ou tiver traumatismo abdominal o socorrista passa as mãos abaixo dos
braços, circulando a parte inferior do tórax e pressionando com o punho
num rápido empurrão para trás; também pode ser feito com a vítima deitada.
Uma parada respiratória pode ter como causas:
• queda da língua por inconsciência;
• espasmo da laringe;
• obstrução das vias aéreas;
• choque elétrico;
• traumatismo craniano com lesões dos centros respiratórios;
• pneumatórax bilateral.
N
Pneumotórax bilateral – entrada ou saída de ar ou gás nos dois
pulmões.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Im
Mesmo em vista de uma parada respiratória é possível ao socorrista
restabelecer a respiração da vítima e salvar a sua vida se ele aplicar de
imediato o método boca-a-boca, forçando a entrada e saída de ar dos pul-
mões alternada e ritmadamente até a respiração natural se restabelecer.
Socorrendo
Método boca-a-boca
• Afrouxe as roupas da vítima, principalmente em volta do pescoço, peito
e cintura, para facilitar a circulação.
• Remova com cuidado qualquer corpo estranho que encontrar na boca
ou garganta.
• Deite-a de costas, levantando o pescoço com uma das mãos e incli-
nando a cabeça para trás. Procure mantê-la nessa posição.
• Feche bem as narinas com o polegar e o indicador.
• Encoste firme a boca à sua própria boca e sopre o ar para dentro dos
pulmões.
• Toda vez que o ar for soprado para dentro dos pulmões, retire a sua boca
para que o ar saia e, ao mesmo tempo, verifique os movimentos do peito.
• Se possível, pressione levemente o estômago, para evitar que se
encha de ar.
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Este método deve ser aplicado enquanto a vítima não respirar.
Somente deve ser interrompido quando chegar um médico ou ela for
transportada para um hospital. Há casos em que não é possível aplicar
este método: por exemplo, quando a vítima apresentar traumatismo
na boca. Neste caso, o socorrista pode fechar a boca e soprar pelo
nariz ou aplicar o método Sylvester.
Método Sylvester
• Deite a vítima de costas.
• Coloque um volume sob os ombros para que a cabeça incline para trás.
• Ajoelhe-se de frente para ela e coloque a cabeça entre os seus
próprios joelhos.
• Segure os braços pelos pulsos, cruzando-os e comprimindo-os contra
a parte inferior do peito e, em seguida, puxe-os para cima, para fora
e para trás o mais que puder.
• Repita o movimento 15 vezes por minuto.
Se conseguir um auxiliar, peça que segure a cabeça da vítima,
inclinando para trás e projetando o queixo para a frente.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Leia a notícia e reflita sobre a importância do socorrista conhecer e aplicar os métodos
de respiração para salvar vidas, anotando a seguir as suas idéias.
“Os salva-vidas tiveram muito trabalho neste fim de semana, o mar
estava agitado e muitos banhistas não respeitaram as placas na areia, que
indicavam perigo. Na praia o salva-vidas resgatou do mar um rapaz de 16
anos com parada respiratória e, graças à respiração boca-a-boca, ele pôde
ser salvo.”
Como verificar se o coração está batendo?
Como vimos, verifique o pulso carotídeo colocando os
dedos indicador e médio bem no meio do pescoço da
vítima e deslizando-os para o lado até encontrar o vão
entre a traquéia e o músculo do pescoço.
Soc
Se a vítima tiver pulso faça a insuflação, soprando o ar para dentro do
pulmão a cada cinco segundos e mantendo uma freqüência de 16 a 20
sopros por minuto.
Se se tratar de uma criança, envolva a boca e o nariz com a sua própria
boca, introduzindo ar no pulmão com muito cuidado, pois neste caso o ritmo
deve ser de um sopro a cada três segundos.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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E se a vítima não apresentar pulso algum?
Se mesmo com a aplicação da respiração artificial o coração da vítima parar de bater, o
socorrista deve aplicar simultaneamente a respiração e a massagem cardíaca externa.
Quando há uma parada cardíaca, a respiração também se interrompe; ao passo quando
a respiração se interrompe é possível o coração continuar a bater. Neste caso, se a vítima
não for socorrida a tempo, a falta de oxigênio pode levá-la à morte.
A parada cardíaca pode ser ocasionada pelos seguinte fatores:
• isquemia cardíaca;
• choque elétrico;
• envenenamento;
• afogamento;
• infarto agudo do miocárdio;
• consumo excessivo de drogas (overdose)
• engasgamento.
N
Isquemia – obstrução e contração muscular.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Portanto, uma vez confirmada a parada cardíaca e respiratória, o socorrista deve aplicar
de imediato a massagem cardíaca externa e a respiração artificial pelo método boca-a-
boca ou Sylvester, conforme o caso.
Os casos de parada cardíaca exigem ação imediata e podem ser constatados pela obser-
vação dos seguintes sintomas:
• inconsciência;
• ausência de pulso e respiração;
• palidez intensa;
• extremidades frias;
• cianose;
• dilatação das pupilas (meninas-dos-olhos).
Socorrendo
Método de reanimação cardiorrespiratória
• Posicione-se de um dos lados da vítima.
• Sobreponha as mãos na metade inferior do esterno (região dos mami-
los), com os dedos abertos, sem tocar a parede do tórax.
• Faça pressão com bastante vigor, empurrando o esterno para baixo
a fim de comprimir o coração de encontro à coluna vertebral e,
depois, descomprima.
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• Repita a manobra quantas vezes forem necessárias (cerca de sessenta
por minuto), jamais interrompa as compressões.
1. localizar a metade inferior do esterno (região dos mamilos);
2. posicionar a palma da mão, colocando a outra por cima;
3. aplicar pressão que abaixe o esterno de 3 a 4 cm, em pessoas adultas.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
O socorrista deve estar atento para as seguintes observações:
• Nos adultos, aplique a compressão utilizando o peso do corpo e não apenas
a força dos braços, para evitar a fadiga.
• Nas crianças pequenas, comprima o esterno apenas com uma das mãos,
e nos bebês, apenas com as pontas dos dedos indicador e médio, para que
não ocorram fraturas ósseas.
• É importante que tenha recebido bom treinamento de modo a evitar
as complicações decorrentes de uma compressão mal realizada, como
fratura do esterno e costela ou perfuração de órgãos pelos ossos das
costelas, principalmente os pulmões.
• Uma vez que a compressão cardíaca externa não produz boa ventilação,
se for verificada também a parada respiratória, o procedimento deve ser
acompanhado de ventilação artificial.
• Se o socorrista estiver sozinho, deve fazer duas insuflações pulmonares
(sopro) para cada 15 compressões cardíacas, numa média de 60
compressões por minuto.
60 COMPRESSÕES POR MINUTO
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Im
Além do controle das vias aéreas, o desenvolvimento das massagens
cardíacas externas tornou possível que uma pessoa treinada dê início a
uma inversão de morte clínica mesmo fora do hospital. Mas é importante que
o socorrista tenha recebido bom treinamento na aplicação dessa massagem
de modo a evitar as complicações decorrentes de uma compressão mal
realizada, como fratura do esterno e costela ou perfuração de órgãos pelos
ossos das costelas, principalmente os pulmões: nos adultos ele deve
aplicá-la utilizando o peso do corpo e não apenas os músculos do braço;
nas crianças pequenas, apenas com uma das mãos e nos bebês, apenas
com as pontas dos dedos indicador e médio.
Choque elétrico
Nesta seção, vamos identificar os fatores de gravidade de um choque elétrico e os seus
efeitos, para adotar o procedimento de primeiros socorros adequados a cada caso.
Qualquer pessoa desavisada pode ser vítima de um acidente com eletricidade.
Observe a cena:
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Quem já não ouviu falar de alguém que próximo a uma árvore foi atingido por um raio e
morreu instantaneamente? As árvores atraem as descargas elétricas dos raios e o corpo
humano é condutor de eletricidade. Todos estamos sujeitos a acidentes deste tipo.
Há diversos fatores que determinam a gravidade do choque elétrico:
Trajeto da corrente elétrica
Se uma corrente de intensidade elevada circula de uma perna a outra, pode resultar só
em queimaduras locais, sem lesões mais sérias; mas se ela circula de um braço a outro
pode levar a fibrilação do coração, parada cardíaca ou paralisia da musculatura respirató-
ria, ocasionando a asfixia da vítima.
N
Fibrilação – movimento descoordenado do coração (arritmia) causando
a perda da capacidade de bombear o sangue. É um fenômeno gravís-
simo, pois é irreversível naturalmente, que requer a utilização de um
desfibrilador elétrico para a reanimação da vítima.
Intensidade da corrente elétrica
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Outro fator importante na determinação da gravidade do choque elétrico é a intensi-
dade da corrente. Por exemplo:
• 10 mA – intensidade de corrente elétrica a partir da qual a vítima não consegue
se livrar do ponto energizado que está em contato.
• 30 mA – intensidade de corrente elétrica a partir da qual a vítima estará sujeita a
efeitos graves como a parada cardiorrespiratória e a fibrilação ventricular.
Tempo de contato com a corrente elétrica
O tempo de contato é outro fator determinante na gravidade dos acidentes com
corrente elétrica, uma vez que determinadas intensidades de corrente produzem
contrações musculares que levam à asfixia, num prazo de dois minutos, e à fibrilação
ventricular, de 0,25 segundo. Assim, conclui-se que a passagem da corrente elétrica
pelo corpo desencadeia efeitos diretos e indiretos, como mostrado no quadro.
EFEITOS DIRETOS EFEITOS INDIRETOS
Paralisia da musculatura respiratória, com Queimaduras térmicas ocasionadas pelo
asfixia e morte antes de quatro minutos. desprendimento de calor na passagem
da corrente.
Fibrilação cardíaca e ausência de Irritação das conjuntivas oculares em
circulação nos tecidos, aos quais virtude da liberação de radiação
falta oxigenação, com morte antes ultravioleta na passagem da corrente.
de quatro minutos (cérebro, coração
e rins são os órgãos mais afetados).
Queimaduras eletrotérmicas Quedas, pancadas, fraturas, ferimentos etc.
ocasionadas pelo desprendimento
de calor na passagem da corrente
que, ao contrário das demais
queimaduras, causam destruição da
pele e tecidos profundos. Em geral
são indolores em virtude da destruição
das terminações nervosas, com
regeneração muito lenta.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Im
Os choques elétricos são uma das principais causas de parada cardior-
respiratória em ambientes de trabalho. O atendimento à vítima deve ser feito
nos primeiros quatro minutos, para que haja chance de sobrevida e recupe-
ração do acidentado.
Socorrendo
Como prestar os primeiros socorros a uma vítima de choque elétrico
• Antes de tocar na vítima, certifique-se de que ela não esteja em con-
tato com a corrente elétrica. Em caso positivo, desligue imediatamente
a eletricidade. Se não for possível, interrompa o contato utilizando
material isolante (bastão isolante, luva de borracha e botina). Jamais
utilize objeto metálico ou úmido.
• Se as roupas estiverem em chamas, deite-a no chão e cubra com
tecido bem grosso, para apagar o fogo, ou faça-a rolar no chão.
• Localize as partes do corpo comprometidas e resfrie somente com
água corrente na temperatura ambiente ou panos umedecidos; não
aplique manteiga, gelo, pomada nem creme dental nos ferimentos.
• Verifique se há parada cardiorrespiratória por meio da avaliação dos
sinais vitais; em caso positivo, deite-a de costas, abra a boca da
vítima, puxe a língua, remova o que quer que esteja obstruindo as
vias aéreas e, em seguida, aplique as técnicas de respiração artificial
e ressuscitação cardiopulmonar.
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Leia atentamente o artigo da revista IstoÉ.
IstoÉ – Estado de choque: Menino sobrevive a 68 mil volts
Dizer que alguém nasceu de novo, ao sobreviver a uma situação limite
entre a vida e a morte, é uma expressão batida. Mas não há outra, absoluta-
mente não há outra, para definir o que aconteceu no sábado, 17, com o
menino paulista Thiago Santos, de 13 anos. Thiago entrou numa Estação
Transformadora de Distribuição da Eletropaulo Metropolitana para apanhar
sua pipa que ali havia caído. Ao subir numa das antenas, o garoto recebeu
uma descarga elétrica de 68 mil volts (um condenado à morte na cadeira
elétrica recebe um choque de 2.300 volts). Thiago sofreu parada cardíaca
e teve 80% do corpo queimado. Está consciente e nenhum órgão foi
afetado. O pai do menino, Francisco de Almeida Cunha Júnior, disse que
foi um milagre.
IstoÉ – O senhor viu seu filho e o local do acidente. O que sentiu?
Francisco – Entrei em desespero, pensei que ele estava morto.
O Thiago tinha o corpo em chamas, estava preto e soltava fumaça pela boca
e pelo nariz. Foi milagre ele ter sobrevivido.
Por conta da variedade no uso da energia elétrica em nosso dia-a-dia e
pelo fato de sua propriedade física ser invisível, qualquer pessoa, menos
avisada, poderá vir a ser vítima de um acidente envolvendo energia elétrica.
Diversos fatores influenciam a gravidade do choque elétrico:
• trajeto da corrente elétrica;
• intensidade da corrente elétrica;
• tempo de contato com a corrente elétrica.
O trajeto da corrente elétrica no corpo humano, que funciona como um condutor de
eletricidade, tem grande influência na gravidade do choque elétrico.
Uma corrente de intensidade elevada, que circule de uma perna para outra, pode resul-
tar só em queimaduras locais, sem outras lesões mais sérias. No entanto, se esta mesma
intensidade de corrente circular de um braço para outro da vítima, poderá levar a fibrila-
ção do coração, parada cardíaca ou mesmo uma paralisia da musculatura respiratória,
levando à asfixia.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Outro fator muito importante para determinar a gravidade do choque elétrico é a inten-
sidade da corrente que circula pelo corpo.
O tempo de contato com a corrente é outro fator determinante na gravidade dos
acidentes causados pela corrente elétrica. Determinadas intensidades de corrente
que circulam pelo corpo produzem contrações musculares que levam a asfixia e
fibrilação ventricular. Estima-se em 2 minutos de contato para que as contrações
musculares levem à asfixia e 0,25 segundo para produzir fibrilação do coração.
O conhecimento do fenômeno da fibrilação ventricular do coração por meio do choque
elétrico é importante para conscientizar a população e os técnicos das empresas dos
riscos provenientes dos trabalhos envolvendo eletricidade.
Quando a corrente elétrica alternada passa pelo coração, as camadas dos tecidos
respondem vibrando de maneira distinta, provocando um batimento cardíaco
distorcido. Este estado caótico de polarização é irreversível, com perda total do
sincronismo das contrações.
Devido à heterogeneidade dos tecidos da parede do coração, todos os mamíferos e
animais superiores sofrem o efeito da fibrilação ventricular em conseqüência do choque
elétrico. Portanto, para correntes de choques grandes, os efeitos mais drásticos são as
queimaduras, e para correntes pequenas o maior perigo é a fibrilação ventricular.
Sintomas da fibrilação ventricular
Quando uma pessoa recebe uma descarga elétrica, se o coração entrar em fibrilação ventri-
cular a pressão cai a zero.
Devido a estas ocorrências, os sintomas externos básicos são:
• vítima desfalecida;
• palidez;
• não há pulso;
• não há respiração;
• dentro de 30 a 45 segundos a pupila do olho começa a dilatar-se.
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Causas da fibrilação ventricular
• choque elétrico;
• choque mecânico;
• choque térmico;
• estrangulamento;
• afogamento;
• cirurgia;
• trauma torácico;
• cateterismo cardíaco;
• hipotermia artificial (< 28°C);
• choque químico (K+ , Ca++ , H+ , etc.);
• drogas;
• origem clínica.
Como a fibrilação ventricular é irreversível naturalmente, faz-se necessário o emprego de
técnicas práticas de modo a fazer o coração retomar o seu ritmo normal.
Muitas técnicas e medicamentos foram utilizados, mas o método que obteve sucesso
foi o desfibrilador elétrico, que, na verdade, é um capacitor a ser descarregado
no acidentado.
Hoje está à venda no mercado o Desfibrilador Automático Externo, um equipamento
portátil com tecnologia de onda bifásica para uso em qualquer ambiente. O aparelho é
utilizado em unidades de resgate aéreo e terrestre e fornece suporte avançado à vida.
O Desfribilador Automático Externo oferece a possibilidade de ser utilizado por leigos
(acesso público à desfibrilação) após treinamento mínimo e sob supervisão médica. Dis-
põe de operacionalidade simples, com alta sensibilidade e especificidade no diagnóstico
de arritmias malignas. A segurança é enfatizada, e o risco de acidentes com paciente e o
operador é mínimo. A utilização do aparelho aumenta a taxa de sobrevida humana em
uma parada cardiorrespiratória.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Observe outro caso de choque elétrico publicado no jornal O Globo.
O Globo (1997) – Temporal derruba árvore e causa mais uma morte
O vendedor de medicamentos Agostinho de Araújo Ramos, de 53 anos,
morreu após sofrer uma descarga elétrica e ficar desacordado na Rua do
Catete, durante um temporal. Os fios da rede elétrica estavam soltos na
calçada. A comerciante Fátima R. Rocha contou que, na noite anterior,
várias pessoas tomaram choque no mesmo lugar onde Ramos morreu.
A causa da morte de Ramos, segundo o IML, consta que ele morreu de
“broncoaspiração”, sufocação direta por obstrução das vias aéreas superiores.
A passagem da corrente elétrica percorrendo o corpo pode desencadear efeitos
diretos e indiretos.
Conclusão
Os efeitos do choque elétrico são:
• Paralisia da musculatura respiratória, levando a asfixia e morte da ví-
tima em cerca de 4 minutos.
• Fibrilação cardíaca com ausência de circulação do sangue nos tecidos,
o que ocasiona falta de oxigenação, provocando a morte em cerca de 4
minutos. O cérebro, o coração e os rins são os órgãos mais afetados.
• Queimaduras eletrotérmicas ocasionadas pelo calor desprendido pela
passagem de corrente elétrica. As queimaduras elétricas diferem de
outros tipos de queimadura por serem profundas, causando destruição
da pele e de tecidos profundos. Em geral são indolores devido à destrui-
ção das terminações nervosas e sua regeneração é muito lenta.
• Queimaduras térmicas pelo desprendimento de calor durante a pas-
sagem da corrente.
• Conjuntivite, irritação das conjuntivas oculares pela liberação da
radiação ultravioleta durante o fluxo da corrente.
• Quedas, batidas, fraturas, ferimentos, entre outros.
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Im
Os choques elétricos são uma das principais causas de parada cardior-
respiratória nos locais de trabalho. Portanto, os primeiros socorros devem
ser prestados nos primeiros 4 minutos após o acidente, para que exista uma
chance de sobrevida e recuperação do acidentado.
Im
A fibrilação ventricular do coração pode ocorrer de vários modos, mas,
neste caso, a preocupação é a relacionada com o choque elétrico.
Como a fibrilação ventricular é irreversível naturalmente, faz-se neces-
sário o emprego de técnicas práticas de modo a fazer o coração retomar o
seu ritmo normal.
Muitas técnicas e medicamentos foram utilizados, mas o método que
obteve sucesso foi o Desfribilador Elétrico, que, na verdade, é um capacitor
a ser descarregado no acidentado, como vimos.
Queimaduras
São lesões causadas quando a pele entra em contato com temperaturas extremas e substân-
cias químicas corrosivas.
O grau de lesão varia de acordo com o agente causador da queimadura e a intensidade e
extensão de pele atingida: quanto maior a área, mais grave é o caso. De acordo com a
profundidade da lesão dos tecidos, as queimaduras são classificadas em:
• 1º grau – somente a epiderme. Dor e vermelhidão local, sem bolha.
• 2º grau – caracterizada por vermelhidão e formação de bolhas d’água
(flictenas) dolorosas.
• 3º grau – atinge camadas profundas da pele, ocasionando a destruição
das terminações nervosas e sensitivas do tecido.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
O socorrista pode avaliar a relação gravidade-extensão utilizando a regra dos nove,
bastante útil e de fácil memorização, cujos valores são definidos em porcentagem (%)
da superfície corporal de acordo com a seguinte especificação:
• Cabeça – 9%;
• Pescoço – 1%;
• Membro superior – 9% cada;
• Tronco (costas ) – 18%;
• Tronco (frente) – 18%;
• Membro inferior – 18% cada.
Im
Assim, a extensão e a gravidade de uma queimadura determinam o
procedi mento que o socorri sta deve adotar. Observe a segui r a
classificação das queimaduras segundo a sua extensão e gravidade e os
procedimentos de primeiros socorros a serem adotados.
Gravidade quanto a extensão
• pequena queimadura – menos de 10% da área corpórea.
• grande queimadura – mais de 10% da área corpórea.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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N
O risco de vida está mais relacionado com a extensão do que com
a profundidade.
São consideradas graves as seguintes queimaduras:
• elétrica
• em períneo
• com mais de 10% da área corpórea
• com lesão das vias aéreas
Conduta
• prevenir o estado de choque
• evitar infecções na área queimada
• controlar a dor
As conseqüências dos acidentes com queimaduras de 1º e 2º graus de grande extensão
ou de 3º grau são:
• Estado de choque – a necrose de uma vasta área de tecido impede
a circulação sangüínea.
• Insuficiência renal – as células destruídas pela queimadura entram
na corrente sangüínea e impedem a formação da urina.
• Septicemia – a área queimada é atingida por microorganismos e tem início um
violento processo infeccioso.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
N
Septicemia – processo infeccioso generalizado em que microorganis-
mos penetram a corrente sangüínea e nela se multiplicam.
Soc
Em queimaduras de pequena extensão, deve-se:
• Lave o local com água corrente, de preferência na temperatura ambi-
ente, por 2 a 5 minutos;
• Não aplique iodo, mercúrio ou pomada no local do ferimento, para não
encobrir a lesão.
Em queimaduras térmicas, deve-se:
• Apagar o fogo da vítima com água, rolando-a no chão ou cobrindo-a
com um cobertor (em direção aos pés);
• Verificar vias aéreas, respiração, circulação e nível de consciência (es-
pecial atenção para VAS em queimados de face);
• Retirar partes de roupas não queimadas; e as queimadas aderidas ao
local, recortar em volta.;
• Retirar pulseiras, anéis, relógios etc.;
• Extabelecer extensão e profundidade das queimaduras;
• Quando de 1º grau, banhar o local com água fria;
• Não passar nada no local, não furar bolhas e cuidado com a infecção;
• Cobrir regiões queimadas com plástico estéril ou papel alumínio;
• Quando em olhos, cobrir com gaze embebida em soro.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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Em queimaduras químicas, deve-se:
• Verificar VAS, respiração, circulação e nível de consciência
e evitar choque;
• Retirar as roupas da vítima;
• Lavar com água ou soro, sem pressão ou fricção;
• Identificar o agente químico: ácido – lavar por 5 minutos;
álcali – lavar por 15 minutos;
na dúvida, lavar por 15 minutos.
• Se álcali seco, não lavar: retirar manualmente (exemplo: soda cáustica).
Em queimaduras de grande extensão, deve-se:
• Prevenir o estado de choque – o estado de choque é uma das conse-
qüências comuns nos casos de grandes queimaduras, quando então
o socorrista deve acomodar a vítima.
• Controlar a dor – de acordo com a área atingida, a dor associada a
queimaduras de 2º e 3º graus é insuportável.
• Evitar a contaminação – se houver formação de bolhas o socorrista
não deve irritá-las nem furá-las, pois elas podem romper e deixar uma
ferida aberta, sujeita aos ataques de microorganismos.
E mais:
• Lave a área queimada com água corrente de preferência na
temperatura ambiente;
• Se as roupas da vítima tiverem aderido à queimadura, não as remova.
• Não aplique iodo, mercúrio ou pomada no local do ferimento.
• Não lhe dê água se estiver inconsciente.
• Mantenha-a aquecida e com as pernas elevadas.
• Mantenha os sinais vitais e, no caso de parada cardiorrespiratória,
aplique o método de reanimação mais adequado.
• Encaminhe-a ao hospital.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Concluindo
Nos acidentes provocados por choque elétrico há em geral duas feri-
das cutâneas: uma na entrada e outra na saída da corrente. Embora elas
costumem parecer pequenas, uma quantidade considerável de tecido abaixo
delas é destruída. Nestes casos, os procedimentos a serem adotados são
os mesmos para outros tipos de queimadura. Quando o choque ocasiona
a paralisação da respiração, em virtude da contração dos músculos respi-
ratórios, o socorrista deve efetuar as manobras de respiração, já estuda-
das sobre reanimação cardiorrespiratória.
Im
O socorrista deve adotar todos os procedimentos ao seu alcance, mas
os seus cuidados não substituem os do médico. Uma vez que a gravidade
das lesões pode exigir recursos adequados para lidar com os danos na pele
e problemas de insuficiência circulatória e renal e de infecção, ele deve
acionar de imediato os recursos hospitalares.
Lesão traumato-ortopédica
Nesta seção, vamos identificar os diversos tipos de lesão traumato-ortopédica que afetam
o aparelho locomotor e comprometem as articulações, ossos e músculos e os procedi-
mentos de primeiros socorros a serem adotados para aliviar o sofrimento da vítima.
Entorse
Na entorse há distensão dos ligamentos articulares, ocasionando a separação momentâ-
nea das superfícies ósseas da articulação e provocando inflamação, edema e dor local,
que se acentua com a movimentação.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
52
Soc
Neste caso, o socorrista deve adotar os seguintes procedimentos:
• Evite movimentar a articulação afetada.
• Aplique bolsa de gelo sobre o local a fim de reduzir a inflamação
e a dor.
Fraturas e lesões de articulação
É o rompimento total ou parcial de um osso ou cartilagem.
As fraturas podem ser fechadas, quando a pele não é rompida pelo osso quebrado,
e expostas ou abertas, quando o osso atravessa a pele e fica exposto.
Todas as supostas fraturas e lesões de articulação devem ser imobilizadas.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Nas indústrias, a fratura pode ocorrer em razão de quedas e movimentos bruscos do
empregado, batidas contra objetos, ferramentas, maquinário, assim como quedas destes
sobre o empregado.
Suspeita-se de uma fratura ou lesão articular quando houver sido constatado pelo me-
nos dois itens abaixo mencionados:
• dor intensa no local, que aumente ao menor movimento ou toque na região;
• edema local (inchaço);
• crepitação ao movimento (som parecido com o amassar de papel);
• hematoma (rompimento de vaso com acúmulo de sangue no local)
ou equimose (mancha de coloração azulada na pele), que aparece
horas após a fratura;
• paralisia (lesão dos nervos).
obs
Nunca se deve tentar colocar o osso no lugar. Isso deverá ser feito em
local e por pessoal qualificado.
O que fazer:
• estancar eventual hemorragia em casos de fraturas expostas ou abertas;
• imobilizar as articulações mais próximas do local com suspeita de fratura,
a fim de impedir a movimentação, utilizando jornais, revistas, tábuas, papelão
etc.; convém acolchoar com algodão, lã ou trapos os pontos em que os ossos
ficarão em contato com a tala;
• não deslocar ou arrastar a vítima antes de imobilizar os segmentos fraturados;
• encaminhar a vítima ao serviço médico para diagnóstico e tratamento
precisos.
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Em caso de lesão articular (entorses, luxações e contusões):
• colocar a vítima deitada ou sentada em posição confortável;
• nas primeiras 24 horas, aplicar frio intenso no local com bolsa de
gelo ou compressas frias úmidas; posteriormente, aplicar calor local.;
• imobilizar a região afetada com faixas ou panos para impedir
os movimentos, diminuindo assim a dor;
• após decorridas as primeiras 24 horas, pode-se aplicar calor no local
e imobilizá-lo, mantendo a regição aquecida;
• encaminhar a vítima ao serviço médico para diagnóstico
e tratamento preciosos.
obs
Não massagear ou friccionar o local afetado.
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Transportando as vítimas
do local do acidente
Hoje auxiliamos, amanhã seremos
os necessitados de auxílio.
Francisco Cândido Xavier
O transporte da vítima de acidente merece um tema especial. Nesse momento, as lesões
já existentes podem ser agravadas, por isso o socorrista somente deve fazer o transporte
se for absolutamente necessário; caso contrário, deve aguardar atendimento médico.
Procedimentos adequados para transportar vítimas que merecem cuidados especiais.
• Controlar as hemorragias, para que evite sangramento abundante e exponha risco
de a vítima entrar em choque.
• Se houver suspeita de fratura, principalmente no caso de atropelamento, imobilize
o local faturado.
• Se houver parada cardiorrespiratória, inicie imediatamente a respiração artificial e
a massagem cardíaca.
Devem ser transportados os que estiverem:
• inconscientes;
• em estado de choque;
• gravemente queimados;
• com hemorragia;
• envenenados;
• com fratura nos membros inferiores, bacia e coluna vertebral.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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Im
Acidentados com fratura no pescoço e suspeita de lesão da medula não
devem ser removidos antes do atendimento médico. Um erro de movimento
pode ocasionar numerosas lesões.
Socorrendo
• Se a vítima tiver que ser erguida para verificação das lesões, cada
parte do corpo deve ser apoiada, não deixe o corpo se dobrar, mante-
nha-o em linha reta.
• Ao transportá-la puxe pela direção da cabeça ou pés, nunca pelos
lados, e proteja o corpo com toalha ou outro material, principalmente
a cabeça.
• Se não houver maca para
removê-la, adote o método
do auxílio de três pessoas,
de acordo com a ilustração.
O socorrista também pode impro-
visar uma maca amarrando um
cobertor ou colcha em duas va-
ras resistentes ou cabos de vas-
soura, de acordo com a ilustração.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
O socorrista pode estar sozinho ao prestar auxílio à vítima e precisar removê-la em virtude
de um perigo iminente, como desabamento, incêndio etc., ou ele pode contar com o
auxílio de uma ou mais pessoas. Conheça a seguir outros métodos de transporte a serem
aplicados em situações especiais, desde que o socorrista esteja certo de sua adequação.
Socorrendo
Transporte de apoio
Se a vítima estiver consciente e com
leves ferimentos, o socorrista deve se
posicionar ao lado, passar o braço dela
pela sua própria nuca e segurá-la com
o outro braço.
Transporte em cadeira improvisada
Dois socorristas podem improvisar
uma cadeira segurando os braços
e punhos um do outro; a vítima senta
e passa os braços ao redor dos
seus pescoços.
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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
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Transporte em cadeira
No t ranspor t e da ví t i ma
numa cadei ra, que t em
a vantagem de manter o
corpo ereto e desse modo
impedir o possível agrava-
mento das lesões, deve-se
incliná-la para trás.
Transporte em braços
O socorrista pode levantar e transpor-
tar a vítima no colo desde que agüente
o peso.
Transporte nas costas
A vítima passa os braços por cima dos
ombros do socorrista e se apóia nele.
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NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS EM SERVIÇOS COM ELETRICIDADE
Transporte pela extremidade
Dois socorristas carregam uma
vítima: um agarra com os braços
o tronco da vítima e os passa por
baixo das axilas enquanto o
outro, de costas para o primeiro,
segura as pernas.
Im
O transporte de vítimas de acidente em veículos automotores também
merece cuidados especiais: o socorrista deve pedir ao motorista que não
exceda o limite de velocidade, o que, em lugar de salvar uma vida, pode
ocasionar um acidente com novas vítimas; além disso, as freadas e solavan-
cos do carro podem agravar o estado da vítima.
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Referências
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PEREIRA, Dimas Sales. Orientação aos candidatos a motoristas e motociclistas. 3ª ed.
Rio de Janeiro: Sintra, 1998.
SENAI/DN. Primeiros socorros. Brasília: CNI / SENAI / PETROBRAS, 2002.
SENAI. RJ. Primeiros socorros. caderno do docente. Rio de Janeiro, 2001.
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Endereços eletrônicos
http://psicotran.virtualave.net/educação/eduformot.htm
http:/sampa3.prodam.sp.gov.br/comdec/primeiro.htm
http://www.abramet.org/revista26/pg47primeiros-socorros.htm
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http://www.dner.gov.br/emergencia.htm
http://www.einstein.br/cliente
http://www.fasp.br/miscelanea/saude/saud0126.htm
http://www.geocites.com/athens/agora/1556/queima.htm
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http:/www.nib.unicamp.br/svol/socorro.htm
http://www.quimica.ufpr.br/serviços/segurança
http://www.ufrgs.br/farmácia/socorro/queim2.htm
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SENAI/DN
Unidade de Educação Profissional – UNIEP
Alberto Borges de Araújo
Coordenador
Paulo Rech
Gerente de Certificação Profissional
Equipe técnica
Avelino Moureira Lourenço SENAI/RJ
Conteúdista
Comitê Técnico NR 10 – Departamento Nacional:
Fernando da Silva Pinto SENAI/RJ
Ricardo Mattos SENAI/RJ
Rosemary Lomelino de Souza Xavier SENAI/RJ
Paulo de Tarso do Nascimento SENAI/BA
Jader de Oliveira SENAI/ES
Anderson R. Paschoal SENAI/MG
José Luiz Chagas Quirino SENAI/SP
Ricardo A. Paraguassu SENAI/SP
Fernando Schirmbeck SENAI/RS
Revisão técnica
Rosemary Lomelino de Souza Xavier SENAI/RJ
Revisão pedagógica
Superintendência de Serviços Compartilhados – SSC
Área Compartilhada de Informação e Documentação – ACIND
Fernando Ouriques
Normalização
Roberto Azul
Revisão gramatical
Geferson Gomes Coutinho
Projeto Gráfico
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