FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS

CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO














Apostila de Medicina Legal
Parte I

Profa. Ana Paula Dantas










2014.1

FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS
CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO


PLANO DE ENSINO

1. IDENTIFICAÇÃO:
CURSO: BACHARELADO EM DIREITO
DISCIPLINA: MEDICINA LEGAL
PROFESSOR: ANAPAULA DANTAS DA SILVA
PERÍODO LETIVO: 2014 SEMESTRE: 2014.1 TURMA: 9º A/B CARGA HORÁRIA: 40
h/a
2. RELAÇÕES INTERDISCIPLINARES (HORIZONTAL E VERTICAL):

Relação I nterdisciplinar no semestre (horizontal):

- Direito Previdenciário
- Direito Agrário
- Direito Civil VI
- Direito Financeiro e Econômico
- Direito do Consumidor

Relação I nterdisciplinar no curso (vertical):

- Introdução à Ciência do Direito
- Direito Constitucional
- Direito Civil
- Direito Processual Civil e do Trabalho
- Direito Administrativo
- Direito do Trabalho
- Direito da Infância e Juventude
- Direito do Consumidor
- Direito Internacional Público e Privado
- Direito Previdenciário
- Direito Tributário
- Ética Geral e Profissional
- Hermenêutica Jurídica
- Direito Financeiro e Econômico
- História do Direito
- Ciência Política e Teoria Geral do Direito
- Direitos Humanos
- Direito Empresarial
- Direito Ambiental
- Direto Eleitoral
- Processo Constitucional
- Prática jurídica
- Direito Agrário
- Criminologia
- Medicina Legal
- Direito Urbanístico
- Bioética e Biodireito
- Direito Penitenciário

3. HABILIDADES E COMPETÊNCIAS GERAIS:




APRESENTAR A MEDICINA LEGAL AO FUTURO OPERADOR DO DIREITO, COM BASE NOS
CONCEITOS MAIS ATUAIS E ENFATIZAR A APLICAÇÃO PRÁTICA DOS CONTEÚDOS
MINISTRADOS; POSSIBILITAR AO FUTURO JUIZ, PROMOTOR, DELEGADO, ADVOGADO E DEMAIS
OPERADORES DO DIREITO COMPREENDER O EXAME MÉDICO-PERICIAL SOB O PONTO DE
VISTA FORENSE, A EXTRAÇÃO DE PROVAS E INDÍCIOS DE TAIS EXAMES, BEM COMO O
INTERCÂMBIO EXISTENTE ENTRE A MEDICINA E O DIREITO. SERÃO UTILIZADOS RECURSOS DE
PROJEÇÃO DE IMAGENS E TEXTOS (DATASHOW), TEXTOS DIDÁTICOS, TRABALHOS CIENTÍFICOS
E LIVROS DIDÁTICOS DURANTE A EXPOSIÇÃO DAS AULAS.

4. EMENTA:

Conceito, definição e importância da Medicina Legal e sua relação com os ramos do Direito; Perícias
Médico-Legais; Documentos Médico-Legais: declaração, atestado médico, laudo, auto, parecer, declaração
de óbito, notificação compulsória de doenças e notificação de receita; Traumatologia Médico-Legal: energias
de ordem mecânica, física, química, físico-química, mistas; Lesões corporais do ponto de vista Médico-
Legal; Tanatologia forense: conceito e critérios atuais de morte, direitos sobre o cadáver, destinos do
cadáver, causas jurídicas de morte, diagnóstico da realidade e do tempo da morte, necropsia Médico-Legal;
Sexologia Forense: conjunção carnal e ato libidinoso; Obstetrícia forense: gravidez, parto, puerpério, aborto
e infanticídio; Antropologia forense: identidade e identificação; Imputabilidade penal e capacidade civil.

5. PROGRAMA:
CRONOGRA
MA


CONTEÚDOS CURRICULARES OU
EIXOS TEMÁTICOS



HABILIDADES E
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS

DATA
DIA/MÊS
CA
RG
A

HO
RA

(h/
a)
27/01 02
Apresentação da disciplina e do cronograma do
curso; Introdução ao estudo da Medicina Legal
Analisar e discutir o plano de aula, o
histórico, o conceito e as subdivisões
da Medicina Legal
03/02 02 Perícias, peritos e documentos médico-legais
Abordar a maneira correta de elaborar
laudos periciais e sua importância
10/02 02

Tanatologia médico-legal – I
Iniciar o estudo sobre a Tanatologia
Médico-Legal: Conceito e critérios de
morte; direitos sobre o cadáver;
destinos do cadáver
17/02 02 Tanatologia médico-legal – II
Abordar aspectos sobre a
terminalidade da vida: eutanásia,
ortotanásia e distanásia; causas
jurídicas de morte.
24/02 02 Tanatologia médico-legal – III
Diagnosticar a realidade de morte;
Necropsia e exumação médico-legal.

10/03

02

Tanatologia médico-legal – IV

Abordar aspectos relacionados as leis
dos transplantes e sua implicações
legais.
17/03

02

Traumatologia médico-legal: energias de ordem
mecânica I e II
Estudar os tipos de ferimentos que
atingem o ser humano e os
instrumentos que os provocam.
24/03 02
Traumatologia médico-legal (Asfixiologia):
energia de ordem físico-química I e II
Estudar as asfixias, em especial:
enforcamento, estrangulamento e
esganadura.
31/03 02 Lesões Corporais do ponto de vista legal
Abordar as lesões corporais sob ponto
de vista do agressor e da vítima; suas
implicações legais, tipos e
classificação.
07/04 02
Infortunística

Analisar questões referentes a
acidentes do trabalho, doenças
profissionais e doenças do trabalho;
Perícia médico-previdenciária;
Benefícios previdenciários.
14/04 02 Sexologia Forense: Infanticídio
Estudar as lesões himenais, crimes
sexuais - estupro e ato libidinoso;
identificação e exames para o
infanticídio;.
28/04 02 Sexologia Forense: Aborto Aborto legal e criminoso
05/05 02 Sexologia forense - Parte 2
Abordar os transtornos da sexualidade
humana.
12/05 02 Gravidez, parto e puerpério
Abordar aspectos sobre o diagnóstico
da gravidez, parto recente e remoto,
período puerperal e suas implicações
médico-legais
19/05 02 A Embriaguez Alcoólica
Abordar os tipos de embriaguez
alcoólica e suas implicações na
exclusão da imputabilidade penal e
atenuação da pena.
26/05 02 Psiquiatria Forense
Abordar doenças mentais, psicopatias,
insanidade mental, uso de substâncias
entorpecentes e sua implicação
médico-legal.
02/06 02 Psiquiatria Forense – parte 2
Abordar doenças mentais, psicopatias,
insanidade mental, uso de substâncias
entorpecentes e sua implicação
médico-legal.
09/06 02 Psicologia Judiciária
Classificação de prova, confissão,
presunção, depoimentos de crianças e
velhos.
16/06 02 Psicopatologia Forense
Abordar os desvios sexuais,
Aberrações e perversões sexuais
17/06 02 TDE
6. METODOLOGIA

Fundamenta-se numa metodologia que busca a construção de um diálogo permanente entre os sujeitos,
com base na interação e comunicação. Estímulo contínuo ao aprendizado significativo, com ênfase nas
experiências vivenciadas pelos alunos em torno dos assuntos discutidos. Como ferramentas de ensino serão
utilizadas aulas expositivas dialogadas, estudos de textos, estudo dirigidos, seminários e solução de
problemas.

7. SISTEMA DE AVALIAÇÃO:

A ÊNFASE SERÁ NA AVALIAÇÃO FORMATIVA REGULADORA, COM BASE NO
ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO DO RENDIMENTO DO ALUNO NAS ATIVIDADES TEÓRICAS
E PRÁTICAS.
SERA OBSERVADO O INTERESSE, A PARTICIPAÇÃO E A CAPACIDADE DE ARTICULAR O
CONTEÚDO DA DISCIPLINA.
COMPREENDERÁ, AINDA, AVALIAÇÕES PERIÓDICAS (EM NÚMERO DE 03), NA FORMA DE
PROVAS SUBJETIVAS, OBJETIVAS E TRABALHOS, QUE TERÃO O OBJETIVO DE VERIFICAR A
EFICÁCIA DA METODOLOGIA EMPREGADA E O GRAU DE APREENSÃO DOS CONTEÚDOS POR
PARTE DOS ALUNOS.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

UNIDADE I – Conceito, definição e importância da Medicina Legal e sua relação com os ramos de Direito;
Perícias Médico-Legais; Documentos Médico-Legais: declaração, atestado médico, laudo, auto, parecer;
Tanatologia forense: conceito e critérios atuais de morte, direitos sobre o cadáver, destinos do cadáver, causa
jurídica de morte, diagnóstico da realidade e do tempo da morte, necropsia médico-legal; Antropologia
forense: identidade e identificação; Imputabilidade penal e capacidade civil.

UNIDADE II – Traumatologia Médico-Legal: energias de ordem mecânica, física, química, físico-química,
mistas; Lesões corporais do ponto de vista médico-legal; Lesões Corporais do ponto de vista legal;
Infortunística: doenças do trabalho, doenças profissionais e acidentes do trabalho.


UNIDADE III – Obstetrícia forense: gravidez, parto, puerpério; Psiquiatria forense: doenças mentais,
psicopatias e crimes correlatos; Psicologia Judiciária: Classificação de prova; Psicopatologia Forense:
Desvios sexuais, Aberrações e perversões sexuais; Toxicologia Forense; embriaguez alcóolica e Balística.

Será considerado aprovado por média, na disciplina, com dispensa do exame final, o aluno que satisfizer as
seguintes condições:

I) freqüência de, no mínimo, 75% das atividades didáticas realizadas no semestre letivo;

II) obtenção de Média Aritmética igual ou superior a 7,0 (sete) nos três Exercícios Escolares.


OBSERVAÇÕES:

a) É considerado reprovado, sem direito a exame final, o aluno que apresentar freqüência inferior a 75% ou
média inferior a 5,0 (cinco) nos Exercícios Escolares.

b) O aluno que não obtiver aprovação por média, tendo, porém, a freqüência mínima de 75% e média não
inferior a 5,0 (cinco) nos Exercícios Escolares, submeter-se-á a Exame Final.

c) O Exame Final versará sobre toda a matéria ministrada durante o semestre letivo.

d) O aluno que não comparecer ao Exercício Escolar programado, terá direito a umExercício de Reposição,
devendo o conteúdo ser o mesmo do Exercício Escolar a que não compareceu.

e) Será considerado aprovado mediante Exame Final o aluno que obtiver Média Aritmética igual ou superior
a 5,0 (cinco), resultante da média dos Exercícios Escolares e da nota do Exame Final.

8. BIBLIOGRAFIA:

8.1 BÁSICA:

FRANÇA, G. V. Medicina Legal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

HÉRCULES, H. D. C. Medicina Legal: atlas e texto. São Paulo: Atheneu, 2005.

GALVÃO, L. C. C. Medicina Legal. São Paulo: Santos, 2008.


8.2 COMPLEMENTAR:


ALCÂNTARA, H. R. D. Perícia Médico-Judicial. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

BINA, R. A. F. Medicina Legal: perguntas e respostas. São Paulo: Saraiva, 2008. 262p.

CROCE, D; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. São Paulo: Saraiva, 2006.

CALABUIG, G. Medicina Legal y Toxicologia. Barcelona: Masson, 2005.


9. SUGESTÃO DE LEITURA:

DELGADO, J. A. A importancia legal da perícia médica. Justiça & Cidadania, Rio de Janeiro, n. 95, p. 18-
24, jun. 2008.
JACÓ-VILELA, A. M; SANTO, A. A. E; PEREIRA, V. F. S. Medicina legal nas teses da Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro (1830-1930): o encontro entre medicina e direito, uma das condições de
emergência da psicologia jurídica. Interações, São Paulo, v.10, n.19, p.9-34, jan./jun. 2005.
LEITE, Maria Clerya Alvino; SANTOS, Sônia Maria Josino dos. Avaliação do perfil das mulheres vítimas
de violência doméstica no município de Patos, Paraíba, Brasil. Revista de Ciências da Saúde Nova
Esperança, João Pessoa, v. 5, n.1, p. 59-68, 2007.
LEITE, Maria Clerya Alvino; MEDEIROS, Hellen R. Leopoldino; LEITE, Clarany Alvino; MEDEIROS,
Liliane de Sousa; PEREIRA, Jozinete Vieira. Perfil das mulheres vítimas de lesão corporal no município de
Patos, Paraíba, Brasil. Revista Científica Integr@ção, Patos, v. 2, n.2, p. 117-133, 2007.

LOUREIRO, D. C; VIEIRA, E. M. Aborto: conhecimento e opinião de médicos dos serviços de emergência
de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil, sobre aspectos éticos e legais. Cadernos de Saúde Pública, Rio de
Janeiro, v.20, n.3, p.679-688, maio./jun. 2004.

MEIRA, A. R; FERRAZ, F. R. C. Liberação do aborto: opinião de estudantes de Medicina e de Direito, São
Paulo, Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v.23, n.6, p.465-472, 1989.

PERES, M. F. T; NERY FILHO, A. A doença mental no direito penal brasileiro: inimputabilidade,
irresponsabilidade, periculosidade e medida de segurança. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de
Janeiro, v.9, n.2, p. 335-355, maio./ago. 2002.

SANG, F. R. R. P. Curso de Medicina Legal. Facultad de Odontologia, Universidad Nacional ―San Luís
Gongaza‖ de ICA, 2004. Disponível em: <http://unslgderechomedlegal.americas.tripod.com/intro.html>.
Acesso em: 05 fev. 2011.

SOUZA, S. L. B. A importância da entrevista médico-legal na identificação da violência sexual contra
crianças e adolescentes. 2009. 62f. Monografia (Especialização em Saúde Pública) – Departamento de
Saúde Coletiva, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Osvaldo Cruz, Recife, 2009.

VIEIRA, T. R. Aspectos psicológicos, médicos e jurídicos do transexualismo. Psicólogo inFormação, ano 4,
n.4, p.63-77, jan./dez. 2000.



Calendário das Avaliações

1
o
Estágio 10/03
Prova 8.0 + Trabalho 2.0
2
o
Estágio 14/04
Prova 8.0 + Trabalho 2.0
3
o
Estágio 26/05
Prova 5.0 + Trabalho 5.0
Reposição 02/06
Prova 10.0
Final 09/06
Prova 10.0

Assunto dos trabalhos:
1. Estágio: Antropologia Forense
2. Estágio: Psiquiatria Forense
3. Estágio: Psicologia Judiciária



Faculdades Integradas de Patos
Profa. Ms. Ana Paula Dantas Silva Medeiros

1
a
Apostila 9
o
período A/B
PERÍCIA, PERITOS, DOCUMENTOS MÉDICO LEGAIS.

1. PERÍCIAS MÉDICO-LEGAL

Perícia médico-legal é um conjunto de procedimentos médicos e técnicos que tem como finalidade o
esclarecimento de um fato de interesse da Justiça. Ou, como um ato pelo qual a autoridade procura
conhecer, por meios técnicos e científicos, a existência ou não de certos acontecimentos, capazes de
interferir na decisão de uma questão.

Tais perícias são realizadas nas instituições médico-legais ou por médicos nomeados pela autoridade
que estiver a frente do inquérito. São efetuados para qualquer domínio do Direito, sendo no foro
criminal onde elas são mais constantes, podendo, no entanto, servirem aos interesses civis,
administrativos, trabalhistas, previdenciários, comerciais, entre outros.

Podem ser realizados nos vivos, nos cadáveres, nos esqueletos, nos animais e nos objetos.

No foro criminal

Morto – Identidade
Data da morte
Causa da morte
Circunstâncias
Causa jurídica da morte

Vivo - Identidade
Lesões
Circunstâncias

No foro civil - Caracterização de danos físicos e mentais
Capacidade civil
Erro essencial de pessoa
Investigação de paternidade
Acidente do trabalho
Etc.

1.2 PERITOS

Peritos são pessoas qualificadas ou experientes em certos assuntos, a quem incumbe a tarefa de
esclarecer um fato de interesse da Justiça quando solicitadas. Qualquer pessoa poderá ser convocado
para este fim, desde que seja nele reconhecida uma certa capacitação para tal mister.

O ideal nas perícias médico-legais seria o concurso de um médico legista, como normalmente ocorrem
nas capitais brasileiras e principais cidades, porem pode ser requisitado um médico de qualquer
especialidade ou apenas uma pessoa com certa experiência na matéria, que será denominado perito
leigo.

A atuação do perito far-se-á em qualquer fase do processo ou mesmo após a sentença, em situações
especiais.

A autoridade que preside o inquérito poderá nomear, nas causas criminais, dois peritos, um relator eu
revisor.

Em se tratando de peritos não oficiais, assinarão estes um termo de compromisso cuja aceitação é
obrigatória como um ―compromisso formal de bem e fielmente desempenharem e descobrirem e o que
em suas consciências entenderem‖. Terão um prazo de 5 dias prorrogável razoavelmente, conforme
dispõe o parágrafo único do artigo 160 do Código de Processo Penal. Apenas em casos de suspeição
comprovada ou de impedimento é que se eximem os peritos da aceitação.

1.3 INTERVENÇÃO DOS PERITOS

A intervenção dos peritos no foro criminal é regulada pelo código de Processo Penal, através de seu
artigo 159 e seguintes, modificado pela lei 11.690 em 09/06/08, alterando o dispositivo da lei 3.689 de
03/10/41 relativa a prova e de outros provimentos.

Art. 159 – O exame de corpo delito e outras perícias serão realizados por PERITO OFICIAL portador
de diploma de curso superior, ou seja, somente um perito e não dois como era obrigatório na antiga lei.
No dia 9/06/08 foi modificado o Código de Processo Penal pela lei 11.689 e em 20/06/08 pela lei
11.719.
( vide site: www.planalto.gov.br - legislação /leis)

1.4 CORPO DE DELITO

Corpo de Delito são os ferimentos, lesões ou perturbações no ser humano e dos elementos causadores
do dano, em se tratando dos crimes contra a vida e ou a saúde, e desde que possam contribuir para
provar a ação delituosa.

Podem ser de caráter permanente ou passageiro.

Todavia, não se deve confundir corpo de delito com corpo da vítima, pois este último é apenas o
elemento sobre o qual o exame pericial buscará os elementos materiais da facção delituosa.

Chama-se corpo de delito direto quando realizado pelos peritos sobre vestígios de infração existentes,
e corpo de delito indireto quando, não existindo esses vestígios materiais, a prova é suprida pela
informação testemunhal.

Quando, para caracterizar uma infração, for necessária a existência de vestígios, será indispensável o
exame de corpo de delito direto, não podendo supri-lo nem mesmo a confissão do suspeito. Daí
justifica-se a exigência da presença de provas, diretas ou indiretas.

O exame de corpo de delito indireto é feito através de dados contidos em cópias de prontuários ou
relatórios de hospital, quando diante da impossibilidade do exame no periciado, principalmente em
casos de lesões corporais. Os peritos, a bem da verdade, para efetuar os autos ou laudos de corpo de
delito, devem imperiosamente examinar o paciente, constatando as lesões existentes e analisando com
critérios a quantidade e
a qualidade do dano. Por isso, não devem os peritos se valer exclusivamente de cópias de prontuários
ou relatórios hospitalares. Estes documentos devem servir, para análise da autoridade solicitadora do
AECD, que terá suas convicções, transformando-os em corpo de delito indireto.

Ao terminar seu AECD o perito legista terá que responder os 7 quesitos que são:

PRIMEIRO: se há sinal de ofensa á integridade corporal ou á saúde do paciente;
SEGUNDO: qual o instrumento ou meio que produziu a ofensa;
TERCEIRO: se foi produzido por meio de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura ou por outro
meio insidioso ou cruel ( resposta especificada);
QUARTO: se resultou incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias;
QUINTO: se resultou em perigo de vida;
SEXTO: se resultou debilidade permanente ou perda ou inutilizarão de membro, sentido ou função (
resposta especificada):
SÉTIMO: se resultou incapacidade permanente para o trabalho ou enfermidade incurável ou
deformidade permanente ( reposta especificada).

O perito legista ao solicitar os exames neurológico forense, normalmente seria para complementar o
sexto e sétimo quesito acima especificado, baseando no art. 129 . do Código Penal Vigente , caput e
parágrafos sucessivos.

1.5 LESÕES CORPORAIS

1.5.1 Lesão corporal de natureza Leve

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

1.5.2 Lesão corporal de natureza Grave

§ 1º Se resulta:
I - incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 (trinta)
dias;
II-perigo de vida;
III-debilidade permanente de membro sentido ou função;
IV- Aceleração de parto.
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos.

1.5.3 Lesão corporal de natureza gravíssima

§ 2° Se resulta:
I - incapacidade permanente para o trabalho;
II- enfermidade incurável;
III – perda ou inutilização de membro, sentido ou função;
IV – deformidade permanente;
V - aborto.
Pena: reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos.

1.5.4 Comentários sobre lesão corporal

A) LESÃO CORPORAL LEVE OU SIMPLES. Embora nada se diga no art. 129 sobre a natureza
da lesão, depreende-se seja ela leve, pelo que conta nos demais dispositivos. A natureza leve, portanto,
é fornecida por exclusão. Prevendo o § 1° expressamente a lesão grave, e o § 2° implicitamente a lesão
gravíssima.

Diversificam-se as lesões corporais leves das vias de fato porque estas, embora violentas, são
produzidas sem animus vulnerandi e sem dano á pessoa.

B) LESÕES GRAVES. Acham-se alinhadas no § 1º do artigo 129 do Código Penal. Não são
elementos constitutivos de crime autônomo (lesões graves), mas condições de maior punibilidade.
I - A primeira delas é a que acarreta incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias.

A incapacidade de que fala a lei não é para o trabalho, mas para as ocupações habituais. Se assim não
fosse, uma criança não poderia ser sujeito passivo dessa modalidade de lesão.

A incapacidade, que pode ser física ou psíquica, deve ser real. Não poderá confundir-se pela vergonha
de deixar perceber sinais da lesão sofrida.

A ocupação a que se refere à lei deverá ser lícita. O ladrão que ficar impedido de assaltar, por mais de
um mês, não pode ser considerado vítima da agravante em pauta.

A verificação da incapacidade há de ser atual, não podendo ser realizada mercê de prognóstico ou
previsão. Far-se-á um exame complementar, que deverá ser realizado imediatamente após o decurso
dos trinta dias.

II - O inciso II refere-se ao perigo de vida, que deve ser efetivo e concreto, constatado por exame
pericial, porque o perigo de vida não se presume. Não basta, pois, o perigo virtual ou potencial, tem
que ser constato pelo perito legista.

De todo irrelevante o período de duração do perigo de vida, que poderá intercorrer num breve espaço
de tempo.

Para o reconhecimento do perigo, não basta o simples prognóstico pericial. Será mister um diagnóstico
fundamentado, uma descrição minuciosa e exata do perito legista.

O perigo de vida não resulta só da natureza e sede das lesões. Decorre, isto sim, da probabilidade da
morte, em razão do processo patológico derivado das lesões.

Não se confunde esse tipo de lesão com a tentativa de homicídio. ―Se o ofensor considerou, por um
momento sequer, a possibilidade de matar o ofendido, teremos configurado a tentativa de homicídio‖.

III - No inciso III é considerada grave a lesão que causa debilidade permanente de membro, sentido ou
função.

Debilidade permanente significa uma perda da capacidade funcional duradoura. Permanente não
significa perpetuidade. Ainda que a redução na capacidade funcional se atenue, com o uso de aparelhos
de prótese, a gravidade da lesão não é eliminada.

Membros são os apêndices do corpo, num total de quatro. Dois inferiores ou abdominais, que se
prestam à sustentação e deambulação. E dois superiores ou torácicos, que se destinam ao tateio e á
pressão.

Sentidos são os mecanismos sensoriais, que põem o homem em contato com o mundo circundante
(tato, olfato, audição, visão, gustação).

Função é atividade exercida pelos vários órgão e aparelhos. As principais funções são a respiratória, a
circulatória, a digestiva, a secretora, a reprodutora, a sensitiva e a locomotora.

IV - No inciso IV, prevê como agravante a aceleração de parto de parto, quando o feto é expulso antes
do final da gravidez, conseguindo, porém sobreviver.

Se o feto vier a perecer no útero materno, tratar-se-á de aborto, que caracteriza a lesão como
gravíssima.

Indispensável que a perícia estabeleça o nexo causal entre a agressão corporal e a expulsão precoce do
feto.

C) LESÕES GRAVÍSSIMAS. Acham-se contidas, em número de cinco, no § 2° do artigo 129:
I – INCAPACIDADE PERMANENTE PARA O TRABALHO.
Difere a agravante daquela contida no inciso I do parágrafo precedente enquanto aquela prevê a
incapacidade temporária para as ocupações habituais da vítima, esta cogita da incapacidade
permanente para o trabalho em geral, sem cuidar da atividade específica que vinha sendo exercida pelo
ofendido. Assim, aquele que vier a perder um dos dedos e não puder mais exercer a atividade anterior,
de violinista ou datilógrafo, não estará impossibilitado de conseguir outro emprego.

Contudo, se tratasse de um grande artista do violino, que se visse de um momento para o outro
impossibilitado de dar concertos, onde ganhava grandes receitas, sujeitando-se a um trabalho qualquer,
devendo começar tudo de novo, a lesão é gravíssima.

II – ENFERMIDADE INCURÁVEL.
A enfermidade é ―qualquer estado mórbido de evolução lenta‖, ou de ―processo patológico em curso‖.

A incurabilidade deverá ser entendida num sentido relativo, bastando o Prognóstico pericial para a
circunstância agravante.

Não estará o ofendido obrigado a submeter-se a intervenções cirúrgicas arriscadas, numa tentativa de
debelar o mal.

III – PERDA OU INUTILIZAÇÃO DE MEMBRO, SENTIDO OU FUNÇÃO.
Não se trata mais da debilidade de membro, sentido ou função, que configura a lesão
grave, mas da inutilização definitiva.

A perda poderá suceder por mutilação ou amputação, ao passo que na inutilização permanece o
membro ligado ao corpo, mas incapacitado de exercitar sua função.

O rompimento do hímen, que se pratica mediante introdução violente dos dedos na vagina, não
caracteriza perda de órgãos, porque desprovido de função.

IV- DEFORMIDADE PERMANENTE É AQUELA IRREPARÁVEL, INDELÉVEL.
A deformidade não se descaracteriza mercê da dissimulação (uso de olho de vidro, de cabelos postiços
ou disfarces, como a barba) ou a possibilidade de ser minorada, por intervenção plástica.

Deverá ainda a deformidade causar uma impressão de desagrado, de mal-estar, senão de horror. No
Brasil é irrelevante a sede da lesão, desde que perceptível, como no caso de o ofendido tornar-se coxo.

A deformidade permanente deverá ser comprovada, por perícia, acompanhada de fotografias
ilustrativas.

Importante considerar a idade, o sexo e demais circunstâncias, decisivas em matéria de deformidade.

A deformidade implica sempre uma valoração estética, relacionando-se não apenas com a idade e o
sexo, como com a profissão ou o gênero de vida do ofendido.

V- Aborto.
Se o agente visar o aborto, responderá por este crime em concurso com o de lesões. Se, incorrendo em
erro de tipo, ignorava a gravidez da ofendida, responderá apenas pelas lesões provocadas, sem a
agravante não desejada.

1.6 DOCUMENTOS MÉDICOS-LEGAIS

É segundo Souza Lima a afirmativa simples e por escrito de um fato médico e de suas consequências.

São de 3 espécies: ATESTADOS, RELATÓRIOS e PARECERES ATESTADOS.

O ATESTADO MÉDICO é o médico é o mais conhecido e mais frequente documento médico.

Temos 3 tipos de atestados médicos: OFICIOSOS, ADMISNISTRATIVOS e JUDICIÁRIOS.


OFICIOSO, o atestado, que é fornecido diretamente pelo médico ao seu cliente e a pedido deste. È o
mais comum dos atestados.

ADMINISTRATIVO é aquele fornecido pelo médico para atender exigências, ao qual está obrigado
por função de serviço de biometria, de companhias de seguro, etc.

JUDICIÁRIO é o atestado fornecido para atender exigências da justiça.

Não existem regras fixas para a feitura do atestado, entretanto algumas regras devem ser observadas,
tendo em vista principalmente a preservação da ética profissional, devendo preservar tanto quanto
possível o segredo médico.

Não tem o médico, ao fornecer o atestado, compromisso especial com a justiça. Seus compromissos
são o de honestidade e respeito e a fé de seu grau, como se acostumava afirmar nos atestados alguns
anos atrás. Os atestados não têm forma própria para serem redigidos, podem ser passados em qualquer
papel, sendo geralmente feitos no receituário do médico, e sempre será prudente referir que este
atestado está sendo passado a pedido do paciente, em se tratando de atestado oficioso. Se necessário
informar diagnóstico, deve-se usar o código da classificação internacional de doença.

O atestado de óbito comporta algumas exceções, é obrigatoriamente passado em formulário próprio
que é fornecido pelas repartições sanitárias e obedece modelo padronizado (Ministério da Saúde). Este
documento importante em direito civil, prova de que a vida daquela pessoa se extinguiu, esclarece
também a causa jurídica da morte, bem como preenche finalidade sanitárias e estatísticas. A sua
padronização atual foi feita com a finalidade de permitir a sua tradução em linguagem de computador.

O artigo 302, do código penal, pune com pena de detenção de até um ano o médico que atestar
falsamente e é agravada com multa se for feita com intuito de lucro.

RELATÓRIO MÉDICO LEGAL, ou LAUDO MÉDICO LEGAL.

O laudo médico-legal é a narração escrita e minuciosa de todas as operações de uma perícia médica,
determinada por autoridade policial ou judiciária, a um ou mais profissionais, anteriormente nomeados
e compromissado na forma de lei.

O laudo se compõe das seguintes partes:

PIREÂMBULO
QUESITOS
HISTÓRICO
DESCRIÇÃO
DISCUSSÃO
CONCLUSÃO
RESPOSTAS AOS QUESITOS

No preâmbulo vem à autoridade requisitante, qualificação dos peritos, a identificação do periciado e o
tipo de exame a ser feito.

Os quesitos são quesitos oficiais, padronizados em todos os estados e variam com o tipo de perícia, ou
seja, com o crime em tela, para melhor aplicação dos dispositivos do código penal e satisfazem na
maioria dos casos. Não fica, porém a autoridade requisitante presa a estes quesitos, podendo formular
quesitos suplementares, que julga conveniente, quando da requisição do laudo ou posteriormente.

O histórico corresponde à análise do exame clínico. É a narrativa do ocorrido, contada pelo periciado.
Nos casos de exames necroscópico, o histórico fica restrito às informações de guia de encaminhamento
policial, e quando a pessoa não sofre morte imediata e é socorrida em hospital, também pela guia de
encaminhamento hospitalar.
Na descrição, o perito descreve as lesões o mais detalhadamente possível, dando sua localização o
mais exato que possa, dando suas relações compostos fixos do corpo (esterno,mamilos,espinhas
ilíacas, etc), descreverá sua forma, coloração, dimensões, em se tratado de ferida, suas bordas, ângulos,
as vertentes, o fundo, se superficial ou profunda, se interessa alguma cavidade, se é cega ou
transfixiante.

Discussão – Até aqui o perito não tem liberdade. Os quesitos são padronizados, e feitos por outrem, no
histórico transcreve o que lhe conta o periciado, mesmo que logo à primeira vista ser absurdo, na
descrição terá que descreve as lesões tal e qual e qual são. Na discussão, porém tem plena liberdade
para externar a sua opinião, seu ponto de vista, aqui irá explicar o que achar de sua conveniência.

Conclusão – Aqui como o próprio nome está dizendo fechará seu laudo tirando suas conclusões.

Respostas aos quesitos – No início do laudo há somente a transcrição dos quesitos, aqui o perito
apresentará suas respostas à esses quesitos.

PARECER MÉDICO LEGAL

O artigo 400 do Código do Processo Penal faculta às partes formularem quesitos; poderão também
juntar documentos em qualquer das fazer do inquérito. Poderá qualquer das partes formular uma
consulta médico legal. É a resposta a esta consulta, o parecer médico legal.

Podemos definir o parecer médico legal como sendo a resposta a uma consulta feita por um interessado
a um ou mais médicos sobre fatos de questão a ser esclarecida.

O parecer médico legal contém as seguintes fases:

PREÂMBULO
QUESITOS
EXPOSIÇÃO
DISCUSSÃO
CONCLUSÃO

No parecer médico legal não temos o exame da vítima, assim não há descrição. No parecer o médico
irá examinar todos os elementos dos autos desde como a autoridade policial tomou conhecimento do
ocorrido, das declarações da vítima, do acusado, das testemunhas, examinará os laudos de exame e de
local e o mais importante, analisará o laudo médico legal.

No laudo a parte mais importante é a descrição, porque esta não poderá ser refeita, pois as condições se
modificam; no vivo, muitas lesões desaparecem sem deixar vestígios, outras cicatrizes. No morto
quase toda a lesões desaparecem com a putrefação. Outra razão é que quando descrição é bem feita, se
houver algum equívoco na conclusão, este equívoco poderá ser corrigido.

Por outro lado se a descrição é mal feita, uma conclusão mesmo que correta, não merecerá crédito. Por
fim uma descrição bem feita dispensa a discussão e a conclusão.
No parecer médico legal, a parte mais importante é a discussão.



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Apostila 9
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período A/B

TANATOLOGIA FORENSE


Tanatologia Forense

Tanatognose: Estuda o diagnóstico da realidade da morte. Antes do surgimento dos fenômenos
transformativos do cadáver, não existe sinal patognomônico de morte. O perito observará dois tipos de
fenômenos cadavéricos:

Fenômenos abióticos (vitais negativos): imediatos e consecutivos;

Fenômenos transformativos: destrutivos ou conservadores.

O diagnóstico da morte será tanto mais difícil quanto mais próximo o momento da morte.
Fenômenos abióticos imediatos:

Apenas insinuam a morte:

-perda da consciência;

-abolição do tônus muscular com imobilidade;

-perda da sensibilidade;

-relaxamento dos esfíncteres;

-cessação da respiração e dos batimentos cardíacos;

-ausência de pulso;

-fácies hipocrática;

-pálpebras parcialmente cerradas.
-manobras e sinais habitualmente pesquisados para constatar a realidade da morte:

-ligadura firme na extremidade de um dos dedos, que adquirirá cor violácea se persistir a circulação
(Magnus);

-instilação de uma gota de éter na conjuntiva ocular (Halluin);

-aproximação de uma chama à pele do examinando - se resultar flictena própria do 2º grau das
queimaduras, há vida e se surgir ampola contendo gás, que se rompe com um estalido, será sinal de
morte (Ott);
- prova da fluoresceína, injetada hipodérmica ou endovenosamente - havendo vida, a pele e mucosas
adquirem coloração amarela (Icard);

- aplicação de uma ventosa ao corpo inerte; se há vida, sai sangue (Levassen);

- injeção de solução de adrenalina diretamente no músculo cardíaco (Hilário da Veiga).
Fenômenos abióticos consecutivos:

* resfriamento paulatino do corpo = abaixamento da temperatura em 1/2 grau nas primeiras 3 horas,
depois 1º C por hora; o equilíbrio térmico com o ambiente se faz em torno de 20 horas nas crianças e
de 24 a 26 horas nos adultos;

* rigidez cadavérica = originada por uma reação química de acidificação num estado de contratura
muscular que desaparece quando se inicia a putrefação;

* espasmo cadavérico (rigidez cataléptica) = rigidez cadavérica instantânea, sem o relaxamento
muscular que precede a rigidez comum;

* manchas de hipostase e livores cadavéricos = são originadas pela deposição do sangue nas partes
declivosas do cadáver, em torno de 2 a 3 horas após a morte, em forma de estrias ou arredondadas, que
se agrupam posteriormente em placas;

* dessecamento = decréscimo de peso, pergaminhamento da pele e das mucosas dos lábios,
modificações dos globos oculares (mancha da esclerótica - Sinal de Sommer e Larcher, turvação da
córnea; perda da tensão do globo ocular; formação da tela viscosa).

Fenômenos transformativos destrutivos:

Autólise: Iise dos tecidos seguida de acidificação, por aumento da concentração iônica de hidrogênio e
consequente diminuição do pH. A acidificação dos tecidos é sinal evidente de morte.

Putrefação: se inicia após a autólise, pela ação de micróbios aeróbios, anaeróbios e facultativos, em
geral sobre o ceco e a porção inicial do intestino grosso, que determina o aparecimento da mancha
verde abdominal. O odor característico da putrefação se deve ao aparecimento do gás sulfídrico.

A putrefação se processa por períodos: coloração, gasoso, coliquativo e esqueletização.

Maceração: tipo especial de putrefação que ocorre em meio líquido.

Fenômenos transformativos conservadores:

Mumificação: é a dessecação natural ou artificial do cadáver. Há de ser rápida e acentuada a
desidratação. A mumificação natural ocorre no cadáver insepulto, em regiões de clima quente e seco e
de arejamento intensivo suficiente para impedir a ação microbiana, provocadora dos fenômenos
putrefativos.

Saponificação: aparece sempre após um estágio regularmente avançado de putrefação, em que o
cadáver adquire consistência untuosa, mole, como o sabão ou a cera, às vezes quebradiça, e tonalidade
amarelo-escura, exalando odor de queijo rançoso.

E o que seria Cronotanatognose: É um estudo da data aproximada da morte. A cronotanatognose
baseia-se num conjunto de fenômenos:

a) fenômenos cadavéricos: resfriamento do corpo, rigidez cadavérica, livores e hipostase, mancha
verde abdominal, gases da putrefação, decréscimo de peso.

b) crioscopia do sangue: (-0,55
o
C a -0,57
o
C)

As lesões produzidas no morto podem ter origem acidental ou intencional. As lesões acidentais são
conseqüentes à queda do corpo ao sucumbir, ao arrastamento do cadáver, a ferimentos de arrasto, nos
afogados, à depredação por animais necrófagos etc. Os ferimentos intencionais resultam de injeções,
de incisões, de esquartejamento criminoso etc.

O legisperito esclarecerá à Justiça se as lesões encontradas no cadáver foram causadas:

a)bem antes da morte;

b)imediatamente antes da morte;

c)logo após a morte.

d)certo tempo após a morte.

As lesões corporais sofridas in vitam traduzem sempre reações vitais, do tipo:

hemorragia e coagulação do sangue;

retração dos tecidos;

escoriações, equimoses;

reações inflamatórias;

embolias;

consolidação de fraturas ou pseudoartroses;

eritema, flictemas, reticulovascular cutâneo nas queimaduras;

Exemplo: das lesões corporais que traduzem sempre reações vitais, do tipo:

- Fuligem nas vias aéreas e de CO no sangue dos que respiraram no foco de incêndio;

- Coágulos de espuma, diluição do sangue e presença de líquidos nos pulmões e no estômago dos
afogados;

- Substâncias sólidas no interior da traquéia e dos brônquios, no soterramento.

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Apostila 9
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TANATOLOGIA FORENSE

Destinos do cadáver:

Lei dos transplantes:

Do doador morto: o decreto n. 2.268 de 30/06/1997, que revogou a lei n. 8.489, de 19/11/1992,
permite que a retirada de tecidos, órgãos e de partes do corpo, após a morte, para fins terapêuticos,
se proceda independentemente de consentimento expresso da família, se, em vida, o falecido a isso
não tiver manifestado sua objeção registrada na C.I. ou na C.N.H. O transplante será
obrigatoriamente realizado por médicos reconhecidamente idôneos e com capacidade técnica
comprovada, em estabelecimentos de saúde públicos ou particulares autorizados pelo Ministério da
Saúde.

Do doador morto: A retirada de tecidos, órgãos e partes poderá ser efetuada no corpo de pessoas
com morte encefálica, confirmada, segundo os critérios clínicos e tecnológicos definidos em
resolução do C.F.M, por dois médicos, no mínimo um dos quais com título de especialista em
neurologia ou neurocirurgia, reconhecidos no país.

É vedado participar do processo de verificação de morte encefálica aos médicos integrantes das
equipes especializadas autorizadas a proceder a retirada, transplante ou enxerto de tecidos, órgãos e
partes. Toda morte encefálica, comprovada em hospital público ou particular, é de notificação
compulsória, em caráter de emergência.

Do doador vivo: A lei faculta a doação de tecidos, órgãos e partes do corpo aos maiores e capazes,
independente de sexo; todavia, em se tratando de parte da medula óssea, poderá ser autorizada
judicialmente, com o consentimento de ambos os pais ou responsáveis legais, se o ato não oferecer
risco para a saúde do doador menor ou incapaz.

Do consentimento do receptor: O transplante ou enxerto só se fará com o consentimento expresso
do receptor - aposto em documento, que conterá as informações sobre o procedimento e as
perspectivas de êxito ou insucesso, e as sequelas previsíveis, após devidamente aconselhado sobre a
excepcionalidade e os riscos do procedimento.

Inumação: Consiste no sepultamento do cadáver.

Confirmada a realidade da morte e após o registro do atestado de óbito nos cartórios, o cadáver é
habitualmente sepultado em inumatórios de 1,75m de profundidade por O, 80m de largura,
afastados uns dos outros pelo menos em O, 60m em todos os sentidos, ou, então em túmulos ou
jazigos construídos conforme as exigências sanitárias.

Exceção dos óbitos por moléstias infecciosas graves, epidemias, conflitos armados, cataclismos, em
que a inumação poderá ser imediata, os sepultamentos não se processarão antes das 24 horas, nem
após 36 horas da morte.

Nas mortes violentas, após necropsia estatuída pela lei processual penal, serão os cadáveres
inumados como habitualmente, depois de terem sido recompostos.

Cadáver: corpo morto, enquanto conserva a aparência humana; o conceito exclui:

- arcabouço ósseo (esqueleto)

- cinzas humanas

- restos mortais

- múmia

Configurará delito previsto no art. 211 do Código Penal: "destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou
parte dele".

O conceito legal de cadáver abrange o que nasceu sem vida, o natus mortus, contrariamente ao que
sucede em relação ao faetus expulso do álveo materno antes de ter completado tempo gestacional
necessário para sua maturação.

Natimorto: concepto expulso do ventre materno a tempo, após ter atingido a capacidade de vida
extra-uterina.

Atestado de Óbito: Esse documento tem como finalidades principais confirmar a morte, definir a
causa mortis e satisfazer o interesse médico-sanitário. É através do atestado de óbito que se
estabelece o fim da existência humana e da personalidade civil.

Lei n. 6.015/73, art. 75: "Nenhum sepultamento será feito sem certidão de oficial de registro do lugar
de falecimento, extraída após lavratura do assento de óbito, em vista de atestado de médico".

O Decreto Federal n. 20.931/32 veda ao médico o direito de atestar o óbito de pessoa a quem não
tenha dado assistência, ficando os Serviços de Verificação de Óbito encarregados de atestar a morte
dos falecidos sem assistência médica.

O atestado de óbito propriamente dito é constituído de duas Partes (I e II) distribuídas da seguinte
maneira:

(a)Causa direta (devida a)

(b)Causa antecedente intercorrente (devida a)

(c)Causa antecedente básica

Outros estados patológicos significativos que contribuíram para a morte, porém não relacionados
com a doença ou estado patológico que a produziu.

Ex.: I - (a)Peritonite

(b )perfuração intestinal

(c)Febre tifóide

II - Diabetes mellitus

Exumação: Consiste no desenterramento do cadáver, não importa o local onde se encontre
sepultado.
Exumar um cadáver, ou sua ossada, sob observância das disposições legais, é diligência
indispensável que não deve ser procedida de afogadilho - quando se suspeita, após o sepultamento,
ter sido violenta a causa jurídica da morte, ou para dirimir dúvidas porventura fluídas de primeira
necropsia, ou para verificação de identidade, ou simplesmente para transladamento do corpo.
As formalidades legais implicam a presença, em dia e hora previamente marcados, da
autoridade policial (art. 6º, §1º, do CPP), dos peritos, do escrivão, do administrador do cemitério e de
familiares do morto e testemunhas.
A exumação que se processa sem a observância das disposições legais constitui infração penal
(art. 67 da lei das contravenções penais).
O caixão e, depois de sua abertura, o cadáver, ou o que dele restar, serão fotografados na
posição em que forem encontrados (art. 164 do CPP). Identificado o morto, efetua-se o exame
cadavérico, descrevendo os competentes minuciosamente, no auto de exumação e reconhecimento,
a sepultura, o esquife, as vestes, o aspecto do cadáver, o grau de putrefação, ou a ossada, se já
atingiu a fase de esqueletização.
No caso de exumação por suspeita de envenenamento os peritos recolherão órgãos, seus
destroços ou resíduos, cabelos e ossos em vasos adequados. Finda a perícia, o cadáver ou seus
despojos é novamente inumado.

Cremação: Consiste na incineração do cadáver, reduzindo-o a cinzas. A cremação processa-se em
fornos aquecidos a lenha, coque, óleo, gás e modernamente, eletricidade, constituídos de uma grelha
rotatória e um coletor de cinzas, à temperatura de 1000 a 1200º C, que reduzem o cadáver a cinzas,
conforme o peso, em aproximadamente 1,30 min.
Só se processará a cremação facultativamente, mediante vontade expressa em vida, ou,
compulsoriamente, no interesse da saúde pública (lei n. 6.015, de 31/12/1973, com corregimentos da
lei n. 1.126 de 30/06/1975, art. 77, § 2 O), e se o atestado de óbito houver sido firmado por dois
médicos ou por um legisperito e, no caso de morte violenta (prov. N. 13/80, de 25/05/1980, do
Corregedor Geral da Justiça SP, RT, 538:482), depois de autorizada pela autoridade judiciária (art. 77,
§ 2 o, da lei n. 1.126 de 30/06/1975).

Embalsamamento: Consiste na introdução nas artérias carótidas comuns ou femorais e nas cavidades
tóraco-abdominal e craniana, de líquidos desinfetantes, conservadores, dotados de intenso poder
germicida, objetivando impedir a putrefação do cadáver.
O embalsamamento objetiva também permitir o sepultamento em prazo maior que 4 dias
após o falecimento (parágrafo único do art. 5 o do Dec. N. 10.139, de 18/04/1939), ou seu transporte
para fora do município ou do país em que ocorreu o óbito (incisos IV e V da lei n. 1.095, de
03/05/1968).
O transporte de cadáver só poderá ser feito, sem conservação, até o prazo máximo de 24
horas entre o falecimento e o sepultamento.
Será exigida conservação simples de cadáver, por formalização, quando a inumação for feita
dentro de 3 dias após a morte, sendo exigido o embalsamamento com esquife hermeticamente
fechado e selado quando se tratar de prazos maiores.




Terminalidade da Vida
Eutanásia
É uma forma de apressar a morte de um doente incurável, sem que esse sinta dor ou
sofrimento. A ação é praticada por um médico com o consentimento do doente, ou da sua família. A
eutanásia é um assunto muito discutido tanto na questão da bioética quanto na do biodireito, pois
ela tem dois lados, a favor e contra. É difícil dizer qual desses lados estaria correto: de que forma
deve-se impor a classificação do certo e errado neste caso?

Do ponto de vista a favor, ela seria uma forma de aliviar a dor e o sofrimento de uma pessoa
que se encontra num estado muito crítico e sem perspectiva de melhora, dando ao paciente o direito
de dar fim a sua própria vida.
Já do ponto de vista contra, a eutanásia seria o direito ao suicídio, tendo em vista que o doente ou
seu responsável teria o direito de dar fim a sua vida com a ideia de que tal ato aliviaria sua dor e
sofrimento.

Distanásia

A distanásia (do grego “dis”, mal, algo mal feito, e “thánatos”, morte) é etimologicamente o
contrário da eutanásia. Consiste em atrasar o mais possível o momento da morte usando todos os
meios, proporcionados ou não, ainda que não haja esperança alguma de cura, e ainda que isso
signifique infligir ao moribundo sofrimentos adicionais e que, obviamente, não conseguirão afastar a
inevitável morte, mas apenas atrasá-la umas horas ou uns dias em condições deploráveis para o
enfermo. A distanásia também é chamada “intensificação terapêutica”, ainda que seja mais correcto
denominá-la de “obstinação terapêutica”. Referindo-nos sempre ao doente terminal, perante a
eminência de uma morte inevitável, médicos e doentes devem saber que é lícito conformarem-se
com os meios normais que a medicina pode oferecer e que a recusa dos meios excepcionais ou
desproporcionados não equivale ao suicídio ou à omissão irresponsável da ajuda devida a outrem.
Essa recusa pode significar apenas a aceitação da condição humana, que se caracteriza também pela
inevitabilidade da morte.
Podem dar-se casos concretos em que seja difícil adoptar uma decisão ética e
profissionalmente correcta, como acontece em muitos outros aspectos da vida: o juiz que tem de
decidir se alguém é culpado ou inocente quando as provas não são taxativas; o professor que tem de
optar entre aprovar ou reprovar um aluno, quando tem dúvidas, etc. Nestes casos, uma regra moral
evidente é prescindir dos possíveis motivos egoístas da própria decisão e aconselhar-se junto de
outros especialistas para decidir prudentemente. Com estes requisitos, um médico – como um juiz ou
um professor – pode enganar-se, mas não cometerá um acto ilícito.

Ortotanásia

Ortotanásia ignifica (literalmente) “a morte no tempo certo”. Na prática, essa morte acontece
quando o médico limita ou suspende procedimentos e tratamentos (esforços terapêuticos ou ações
disgnósticas inúteis ou obstinadas) que prolongam a vida do doente em fase terminal, que padece
grande sofrimento em razão de uma enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade do
paciente ou de seu representante legal. O desligamento de aparelhos, por exemplo, configura
ortotanásia. O prolongamento artifical da vida se chama distanásia.
A ortotanásia não se confunde com a eutanásia porque nesta um terceiro, por sentimento de
piedade, abrevia a morte do paciente terminal portador de doença grave e incurável, a pedido dele.
Uma coisa é aplicar uma injeção letal no paciente (eutanásia), abreviando sua morte, outra distinta é
suspender os tratamentos médicos inúteis que prolongam (artificalmente) a vida desse paciente,
deixando a morte acontecer no tempo dela (ortotanásia).
Para o pensamento jurídico predominante a eutanásia configura o delito de homicídio doloso,
eventualmente privilegiado. Quanto à ortotanásia a polêmica não é menor. Ela vem prevista na
Resolução 1.805/2006, do Conselho Federal de Medicina. Contra essa resolução o Ministério Público
Federal ingressou com ação civil pública (em 2007, em Brasília). A ação foi julgada improcedente (em
2010), entendendo o juiz e a procuradora da república que a posição do CFM é válida.
Os termos da Resolução foram ratificados pelo Código de Ética Médica, de 2009 (Capítulo I,
inc. XXI e art. 41, parágrafo único). Do ponto de vista administrativo-disciplinar, a conduta do médico
que pratica ortotanásia não é reprovável (não é aética).
E do ponto de vista penal, seria a ortotanásia crime? Há muito tempo estamos sustentando
que não, desde que preenchidos todos os requisitos necessários (paciente terminal, doença grave e
incurável, pedido do paciente etc.). Por que não? Porque não se trata de uma morte arbitrária; ao
contrário, estamos diante de uma “morte digna”. E criminosa é, tão-somente, a morte arbitrária, nos
termos do que diz o art. 4º, da Convenção Americana de Direitos Humanos, que tem valor jurídico
superior ao da lei (consoante posição do STF, RE 466.343-SP).

A morte gerada no contexto de uma ortotanásia, portanto, não é um homicídio. Não se trata
de uma morte valorada de forma negativa, ao contrário, é uma morte digna. A legislação penal no
Brasil, expressamente, nada diz sobre o tema. Mas basta admitir a doutrina da tipicidade material,
que defendemos dentro da nossa teoria constitucionalista do delito, para concluir que essa morte é
formalmente típica, mas não materialmente típica. Por quê? Porque não é uma morte intolerável,
arbitrária. Ou seja: não se trata de um ato desvalioso, ao contrário, deve ser valorado positivamente.
Desde que atendidos todos os requisitos necessários, não há como ver crime na ortotanásia,
apesar da inexistência de texto legal explícito.



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4
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Apostila 9
o
período A/B

TANATOLOGIA FORENSE


Causa Jurídica da Morte
DEFINIÇÃO:
É toda e qualquer causa violenta capaz de determinar a morte.
Homicídio
ETIMOLOGIA:
A palavra homicídio vem do latim
homicidium / hominis excidinis / homo = homem e caedo = matar
DEFINIÇÃO:
É a eliminação voluntária ou involuntária da vida de uma pessoa, por ação ou omissão
de uma outra pessoa. É a violenta ocisão do homem praticada por outro homem.
Espécies
CULPOSO: Quando o agente não quis o resultado morte, nem assumir o risco de sua
produção, mas causou o evento por sua conduta imprudente, negligente ou imperita.

DOLOSO: Quando o agente quis, com sua conduta, causar o resultado morte, ou
assumiu o risco de produzi-la (podendo o dolo ser direto ou indireto).
SIMPLES: É o tipo fundamental enunciado no Art. 121 do CP sem qualquer elemento
que possa reduzir ou aumentar a quantidade penal ali estabelecida.
PRIVILEGIADO: É o tipo derivado autorizador da especial redução da pena (l/3 a 1/6),
quando o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral, ou o domínio de violenta emoção, logo em seguida injusta provocação da vítima.
QUALIFICADO: É o tipo derivado autorizador de uma sanção penal mais grave. Nos
termos do § 2º do Art. 121 do CP, mediante paga, ou promessa de recompensa, ou
motivo torpe, por motivo fútil, emprego de veneno, etc.
Meios
Inúmeros são os meios pelos quais pode um homicídio ser perpetrado.
A) DIRETOS: Quando utilizado pessoalmente pelo agente para consecução de seu
objetivo.
B) INDIRETOS: Quando acarretam a morte sem a participação pessoal do agente, que
apenas propicia o evento fatal.
Suicídio
ETIMOLOGIA:
A palavra suicídio vem do latim (sui = si e caedo = matar).
DEFINIÇÃO:
É o ato mediante o qual uma pessoa, livre e conscientemente, suprime a própria vida.

Fatores Causais
A) Exógenas (sócio ambiental)
- Comoções - Dissolução do lar - Guerras - Frustrações Amorosas
- Miséria - Clima - Desemprego - Irritação
B) Endógenas (Biopsíquicos)
Cronológicos - Tóxicos - Psíquicos - Infecciosos
- Neurológicos - Clínico cirúrgicos

Meios Comuns/Vítima
• Envenenamento
• Precipitação
• Fogo
• Arma de fogo
• Afogamento
• Monóxido de carbono
• Arma Branca
• Enforcamento
Profilaxia
O suicídio não pode ser evitado, pode ser eficazmente combatido através de eficientes
medidas profiláticas.
Educação • Assistência Médica
Justiça Social • Combate ao alcoolismo
Amparo econômico • Proteção a família
Assistência aos psicopatas • Outros
Perícia
Identificação do morto
-Quantidade, tipo e sede das lesões,
-Instrumento ou meio que as produziram
-Nexo causal da morte
-Tempo decorrido do óbito.

Infanticídio
CONCEITO:
É o ato de matar o filho pela mãe, durante ou logo após este, sob a influência do estado
puerperal.
EXPRESSÕES:
A) DURANTE O PARTO: Período durante o qual a criança está nascendo. Já
começou mas ainda não acabou de nascer.
B) LOGO APÓS: Entende-se por logo após, imediatamente depois do parto. Tem-se
mais um sentido psicológico que cronológico. Vai desde a expulsão do feto e seus
anexos até os primeiros cuidados ao infante nascido.
C) ESTADO PUERPERAL: obstetras definem o puerpério como o período que vai
desde o deslocamento e expulsão da placenta à volta do organismo materno às
condições pré gravídicas. Dura cerca de 6 a 8 semanas.
Elementos do crime
A) Feto nascente ou recém-nascido.
B) Existência de vida intra uterina.
C) Morte causada pela mãe sob a influência do estado puerperal.
D) Nexo causal
Quesitos do Infanticídio
A) Houve morte?
B) Qual a causa da morte?
C) Qual o instrumento ou meio que produziu morte?
D) A morte foi produzida com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou costume
ou por outro meio insidioso ou cruel?
Questões Culturais
Sacrifício de Crianças deficientes, filhos de mães solteiras ou mesmo por serem gêmeos
— cometidos em certas aldeias da Amazônia.

ABORTAMENTO
Abortamento - É o ato de abortar. Expulsão ou extração do concepto vivo ou morto
pesando menos de 500g. (menor que 22 semanas completas de idade gestacional).
Existem 3 tipos:
a) Feto Inviável - (20 - 24 semanas).
b) Feto Viável - (25 - 34 semanas).
c) Prematuridade - (34 - 36 Semanas).
Para a Medicina Legal
Aborto - Interrupção ilícita da prenhez com a morte do produto, haja ou não expulsão,
qualquer que seja seu estado evolutivo.
TIPOS DE ABORTAMENTO
ABORTAMENTO ESPONTÂNEO (Natural ou Acidental):
a) Abortamento Clínico - 15% das gestações terminam espontaneamente entre 4 a
20 semanas de gravidez.
b) Abortamento Subclínico - Antes de 4 semanas acredita-se que as perdas, embora
inaparentes, sejam elevadas, de sorte a aumentar a taxa real de abortamento
espontâneo.
c) Abortamento Precoce - Até 12 semanas de gestação.
d) Abortamento Tardio - Após 12 semanas de gestação.

ABORTAMENTO PROVOCADO
Abortamentos Legalizados (Legislação Brasileira)
Abortamento Terapêutico
• A mãe apresenta perigo vital.
• Este perigo está sob a dependência direta da gravidez.
• A interrupção da gravidez cessará o perigo de vida para a mãe.
•O abortamento constitui o único meio capaz de salvar a vida da gestante.
• Confirmação ou concordância de pelo menos dois outros profissionais médicos
habilitados, sempre que possível, de que este procedimento se faz necessário.
A intervenção nem sempre é precedida por consentimento da gestante ou de terceiros.
Indicações Maternas
- Hipertensão crônica grave e perturbações renais, complicadas por falência cardíaca,
falência hepática, falência renal.
- Cardiopatias com fibrilação atrial ou com descompensação ou aquelas nas quais a
insuficiência ocorre na gravidez.
- Malignidade envolvendo mama ou colo uterino.
- Perturbações psiquiátricas que podem causar graves incapacidades funcionais ou de
vida.
Abortamento criminoso
a) Abortamento Eugênico:
É um tipo de aborto preventivo executado em casos em que há suspeita de que a
criança possa nascer com defeitos físicos, mentais ou anomalias, implicando em uma
técnica artificial de seleção do ser humano.
O art. 124 tipifica o crime de auto-aborto (quando a própria gestante pratica a conduta) e
o aborto consentido. (quando a gestante consente validamente para que terceiro pratique
a conduta).
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.
Meios abortivos
A) QUÍMICOS:
a) Inorgânico: Fósforo, arsênico, mercúrio.
b) Orgânico: Centeio, Jalapa, Sene, Apiol, Arruda, Quinino, Espigado, Cabeça de
Negro, Quebra Pedra, Salsa Parrilha, Sabina etc.
c) Outros: Sabão, KMNO3 (ácido), K2O2 (ácido), sais de Pb (chumbo), Hg (mercúrio),
Al (alumínio), Formol etc.

B) FARMACOLÓGICO:
Prostaglandinas, Hormônio Feminino.

C) MECÂNICOS:
Punção, calor, eletricidade, sondas, palitos, agulhas, talos, varetas, penas etc.

D) ASPIRAÇÃO DO OVO POR PRESSÃO NEGATIVA:

E) PSÍQUICO:
a) Choque Moral
b) Terror
c) Susto
d) Sugestão

F) CIRÚRGICO:

a) Microcesariana
b) Curetagem

G) RADIOATIVOS: RAIOS-X

Consequências Patológicas

A) ABORTAMENTO MEDICAMENTOSO:
a) Intoxicação leve até êxito letal (organismo materno)

B) ABORTAMENTO MECÂNICO:
a) Lesões simples na vagina, fundos-de-saco vaginais, colo uterino, útero.
b) Complicações infecciosas: anexites, endometrites, peritonites, septicemias, tétano
pós-aborto.
c) Perfurações uterinas seguidas ou não de complicações infecciosas.
d) Hemorragias, podendo levar ao êxito letal.
e) Embolia pulmonar, podendo levar ao êxito letal.


Perícia
A) NA MULHER VIVA:
a) Sinais de gravidez
Na cabeça: Lanugem, sinal de Halban, cloasma gravídico.
Tórax: Glândula mamária, colostro, auréola primitiva e secundária, tubérculos de
Montgomery, rede de Haller.
Abdome: Pigmentação da linha Alba.
Membros Inferiores: Varizes.
Vagina: Sinal de Jacquemier (coloração azul-escura do vestíbulo e do meato).
b) Exame da Genitália Externa
Edema dos grandes e pequenos lábios.
Exame do material que flui através dos órgãos genitais na busca de restos ovulares e
membranosos.
―Quanto mais antigo for o abortamento, mais difícil será a perícia‖.
B) NA MULHER MORTA:
a) Sinais anteriores
b) Exame dos órgãos internos: Útero aumentado de volume, presença de corpo amarelo.
c) Exame Histológico:
Causa de necropsia branca: Cirurgia, tétano pós aborto.
Elementos do crime
A) Gravidez da mulher
B) Intenção criminosa
C) Meios idôneos empregados
D) Morte do feto.


Faculdades Integradas de Patos
Profa. Ms. Ana Paula Dantas Silva Medeiros

5
a
Apostila 9
o
período A/B

ANTROPOLOGIA FORENSE

ANTROPOLOGIA: É o estudo do homem ou ciência do homem.
ANTROPOLOGIA FORENSE: É a aplicação prática desses conhecimentos, dos
métodos nos casos em que a lei deles necessita para a sua execução.
IDENTIDADE
A) SUBJETIVA: É a noção que cada indivíduo tem de si próprio, no tempo e no
espaço. É a sua maneira de ser, sua natureza, sua essência.
B) OBJETIVA: É aquela fornecida pelos seguintes caracteres:
Físicos: Normais ou patológicos.
Funcionais: Normais ou patológicos.
Psicológicos: Normais ou anormais.
IDENTIFICAÇÃO
A) OBJETIVO:
Questões de fórum cível - Questões de fórum criminal
B) MATERIAL DE ESTUDO:
No vivo - No morto - Em restos ou outros materiais
C) MEIOS DE IDENTIFICAÇÃO:
Registro dos caracteres - Verificação
Comparação – Arquivamento
D) DIVISÃO:
a) MÉDICO LEGAL OU PERICIAL
Física - Funcional - Psíquica
b) POLICIAL OU JUDICIÁRIA
IDENTIFICAÇÃO MÉDICO-LEGAL FÍSICA
A) ESPÉCIE ANIMAL: ossos, dentes, pêlos, sangue etc.
B) RAÇA: forma do crânio, índice cefálico, ângulo facial, dimensões da face, cor da
pele, cabelos
etc.
C) IDADE: elementos morfológicos = aparência, pele, estatura, pêlos, peso, olhos,
dentes, órgãos
genitais e raio x = dentes e ossos do tórax e ossos da bacia, órgãos internos etc.).
E) ESTATURA: Vivos, mortos, esqueleto.
F) PESO.
G) MALFORMAÇÕES: lábio leporino, pé torto, desvios da coluna, doenças cutâneas
etc.
H) CICATRIZES: Naturais, cirúrgicas, traumáticas etc.
I) TATUAGENS: bélicas, religiosas, amorosas, eróticas, sociais, profissionais,
históricas, patrióticas, iniciais do nome etc.
J) SINAIS PROFISSIONAIS: espessura e coloração da pele, alterações musculares,
estigma em
movimento etc.
L) SINAIS INDIVIDUAIS: prótese, nariz, orelhas, mamas etc.
M) BIÓTIPO: síntese das qualidades vitais do indivíduo (morfológica, funcional,
intelectual, moral) Brevelíneo • Normolíneo • Longelíneo


IDENTIFICAÇÃO MÉDICO-LEGAL FUNCIONAL
Atitude - Mímica - Gestos - Andar - Funções sensoriais
IDENTIFICAÇÃO MÉDICO-LEGAL PSÍQUICA:
IDENTIFICAÇÃO JUDICIÁRIA:
PROCESSOS ANTIGOS
ARCADA DENTÁRIA
ASSINALAMENTO SUCINTO SOBRE POSIÇÃO DE IMAGEM
BERTINOLAGEM
ESTUDO DA VOZ
FOTOGRAFIA
D.N.A. “FINGER PRINTS”
RETRATO FALADO
DACTILOSCOPIA

DACTILOSCOPIA
INTRODUÇÃO:
Daktylos = dedos Skopein = examinar
DEFINIÇÃO:
É o processo de identificação humana, baseado no estudo das cristas papilares dos
dedos, impressos num suporte qualquer.
DESENHOS:
IMPRESSÃO DIGITAL: Ajuntamento de linhas (pretas e brancas) sobre
determinada superfície.

LINHAS PRETAS: Impressões das cristas papilares.
LINHAS BRANCAS: Paralelas as anteriores PONTOS BRANCOS: Sobre as linhas
pretas. Correspondem as aberturas dos ductos excretores das glândulas
sudoríparas.