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REDAÇÃO
27/02/14
PRÉ-VESTIBULAR
Prof. José Alexandre
REDAÇÃO EM CASA – ESPECIAL CARNAVAL!


TEXTO I - QUEM FOI QUE INVENTOU O CARNAVAL?
João Oliveira Souza
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Quem foi que inventou o Brasil
Foi seu Cabral, foi seu Cabral
No dia vinte dois de abril
Dois meses depois do Carnaval

(Lamartine Babo, 1934)

Quem foi que inventou o carnaval? A mistura da tradição europeia com os ritmos musicais dos africanos criou no
Brasil um dos maiores espetáculos populares do mundo. O carnaval nasceu no Egito, passou pela Grécia e por Roma,
foi adaptado pela Igreja Católica e desembarcou aqui no séc. XVII, trazido pelos portugueses.

Com História do Brasil, Lamartine Babo (1904-1963) fez mais do que a grande parada carnavalesca de 1934: deu
uma definição clássica da festa e do país. O carnaval em sua plenitude é a fusão da tradição europeia com a batucada
africana. Em nenhum outro lugar, ele adquiriu a dimensão que alcançou em nosso país. Durante quatro dias, a festa
rola em todo país e os foliões se entregam ao espetáculo que seduz, deslumbra os estrangeiros e desfila as beldades
femininas e masculinas. Essa folia toda vem do inconsciente dos povos, desde os rituais da fertilidade e as festas
pagãs nas colheitas. Podemos comparar essas festas às celebrações antigas que se faziam à deusa Ísis e ao touro
Ápis, no Egito, e à deusa Herta, dos teutônicos, passando pelos rituais Dionisíacos gregos e pelos Bacanais, Saturnais
e Lupercais, nas suntuosas orgias dos povos romanos.

No século VI, a Igreja Católica adotou essas festas libertárias que invertiam a ordem do cotidiano, para domesticá-
las. Juntou todas na véspera da Quaresma, como uma compensação para a abstinência que antecede a Páscoa. O
Carnaval, então, se espalhou no mundo, no Brasil chegou ao século XVII.

Procurando assumir o controle dessas festas, a Igreja Católica buscou abolir a permissividade dos carnavais. Na Idade
Média Tertuliano, são Cipriniano, são Clemente de Alexandria e o papa Inocêncio II foram grandes inimigos do
carnaval, mas, no séc. XV, o papa Paulo II foi tolerante e chegou a autorizar o corridas de cavalos, carros alegóricos,
batalhas de confetes, corridas de corcundas, lançamento de ovos, água e farinha e outras manifestações populares,
dando-lhe um sentido litúrgico religioso.

No Brasil colonial, no séc.XVII o entrudo português constituiu a forma mais comum de brincar o carnaval. Os foliões
se lambuzavam com caças de farinha e bexigas d'água. O primeiro baile aconteceu em 1840, no Hotel Itália, no Rio.
Em 1845, os ricos aderiam à polca tcheca e os negros dançavam jongo. Em 1848, o sapateiro português José
Nogueira de Azevedo Prates, saiu pelas ruas do rio tocando bumbo. Deu origem aos primeiros blocos de rua.

Os cordões começaram com as sociedade carnavalescas, em 1866. Na Bahia, em 1895, nascia o primeiro afoxé:
estava inventada a batucada. Depois da Guerra dos Canudos, em 1897, uma gentarada foi morar no Morro da Saúde,
criando a primeira favela do Rio. O primeiro samba, foi escrito em 1917: pelo telefone, de Donga. O Rei Momo foi
instituído pelo jornal carioca A Noite, em 1933, como símbolo do Carnaval. O primeiro Rei Momo foi o compositor
Silvio Caldas. Em 1935, o desfile das escolas de samba foi legalizado pela prefeitura do Distrito Federal. Com o rádio,
a festa difundiu-se e profissionalizou-se. Com a televisão, virou indústria.

O antropólogo Roberto DaMatta, autor de Carnavais, Malandros e Heróis (Rio, Ed. Zahar, 1979), define a folia como
um rito de inversão, que subverte as hierarquias cotidianas: transforma pobres em faraós, ricos em mascarados,
homens em mulheres, recato em luxúria. É uma compensação da realidade.
(fonte: ucg.br)


TEXTO II - FESTA EM ROMA: OS BANQUETES E AS ORGIAS
Banquete costumava acabar em orgia
Fabiano Onça

Quanto maior o império, maiores as festas que a nobreza e os aristocratas ofereciam. O que dizer sobre o Império
Romano, um dos maiores de todos os tempos? Tamanho era o gosto deles por jantares luxuosos e festas, que
costumavam evoluir para orgias, que alguns políticos resolveram a baixar leis para moderar a farra. Uma delas, a
Antia Lex, do século I, limitava os gastos com essas comemorações e instituía que os magistrados só poderiam jantar

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João Oliveira Souza é professor-mestre do Departamento de Filosofia e Teologia da UCG






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27/02/14
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fora se fosse na casa de determinadas pessoas. Claro, ninguém obedeceu. Acabou sobrando para o autor, Antius
Resto. Segundo o filósofo Macrobius, como todos continuavam com suas orgias, para não contrariar a própria lei ele
nunca mais foi visto jantando fora.
Outro bom exemplo da paixão romana pelos banquetes é personificado por Marcus Gavius Apicius. Amante da boa
vida, gastava verdadeiras fortunas em seus jantares. Entre suas extravagâncias, adorava língua de flamingo e nunca
servia couve – chegou a dizer ao filho do imperador Tibério que era “comida de pobre”.

(fonte: guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia)


TEXTO III - A CARNAVALIZAÇÃO DA CULTURA POPULAR

Luís Eustáquio Soares

No livro A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais (1965), o pensador
russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) desenvolveu o conceito de carnavalização e o identificou intrinsecamente à cultura
popular, pois esta, ao valorizar a dimensão corporal da vida, tende a ridicularizar, parodiar e subverter a seriedade,
os rituais fechados e as transcendentais pompas legalistas dos poderes instituídos.

Embora analise a carnavalização na literatura do escritor renascentista francês François Rabelais (1494-1553),
precisamente tendo em vista a obra cômica Gargantua e Pantagruel (1552), penso que os argumentos de Bakhtin
podem ser ampliados de tal sorte a admitirmos que exista carnavalização para valer quando uma manifestação
cultural – e política – debocha de toda e qualquer hierarquia, demonstrando, via riso, informalidade, trapaça e
valorização do cotidiano, o quanto os lugares de poder, quaisquer que sejam, são ridículos e farsescos.

A carnavalização, sob esse ponto de vista, é uma questão de povo, pois é o povo que, não ocupando poder
institucional algum, ridiculariza todos os poderes existentes, seja imitando-os de forma caricatural, seja
ridicularizando-os, seja simplesmente, com muito artifício e avacalhação, divertindo-se, sem lei e sei moral, através
da festa carnavalesca de um mundo sem poderes, com seus falsos legalismos e rituais hierárquicos de exclusão, uma
vez que, para ficar no óbvio, a força da lei só vale, em qualquer época histórica, para quem não detém, de origem, o
poder soberano.

(fonte: observatoriodaimprensa.com.br)


Com base nos textos apresentados acima, escreva uma redação de gênero argumentativo, em prosa
obediente à norma culta da Língua Portuguesa, sobre o seguinte tema:


A RELAÇÃO ENTRE RITOS DE DIVERSÃO E POLÍTICAS SOCIAIS