A escolha de zona a ser radiografada para a determinação da IO é assunto controvertido

na literatura. Vários autores mencionam uma importante assimetria entre as duas mãos a ponto
de escreverem que as diferenças podem ser tão intensas que é de se duvidar do valor da
radiografia de mãos e punhos como índice do desenvolvimento de qualquer outra parte do
corpo. Afirma-se que o lado esquerdo apresenta velocidade de maturação maior do que o lado
direito, e por isso muitos autores se utilizam somente da radiografia da mão esquerda. No
entanto, nem todos encontram assimetria importante entre um lado e outro, afirmando-se que
as diferenças entre os dois lados são tão pequenas que devem ser esquecidas na avaliação da
IO por meio de radiografias . Embora haja referência na literatura a outras áreas que não as
das mãos e as dos punhos, estas é que são utilizadas pela quase totalidade dos
pesquisadores. Não se deve esquecer que é uma zona de fácil acesso, não apresenta riscos,
não traz incômodo para os pacientes e tem dezenas de centros de ossificação, 80% dos quais
aparecem até mais ou menos 6 anos de idade.
Tecido Conectivo Propriamente dito
O tecido conectivo frouxo suporta estruturas normalmente sujeitas a pressão e atritos
pequenos. É um tecido conectivo muito comum que preenche espaços entre grupos de células
musculares, suporta células epiteliais e forma camadas em torno dos vasos sanguíneos. O
tecido conectivo frouxo contém todos os elementos estruturais típicos do tecido conjuntivo
propriamente dito (células, fibras e substância fundamental), não havendo, entretanto,
nenhuma predominância de qualquer dos componentes. O tecido conectivo frouxo tem uma
consistência delicada, é flexível, bem vascularizado e não muito resistente a trações.
Tecido conectivo denso é adaptado para oferecer resistência e proteção aos tecidos. É
formado pelos mesmos componentes encontrados no tecido conectivo frouxo , entretanto,
existem menos células e uma clara predominância de fibras colágenas. Tecido conectivo denso
é menos flexível e mais resistente à tensão que o tecido conectivo frouxo. Quando as fibras
colágenas são organizadas em feixes sem uma orientação definida, o tecido chama-se denso
não modelado. Neste tecido as fibras formam uma trama tridimensional, o que lhes confere
certa resistência às trações exercidas em qualquer direção.
O tecido denso modelado apresenta feixes de colágeno paralelos uns aos outros e
alinhados com os fibroblastos. Trata-se de um conectivo que formou suas fibra colágenas em
resposta às forças de tração exercidas num determinado sentido.

Tecido Catilaginoso
O tecido cartilaginoso é uma forma especializada de tecido conectivo de consistência
rígida. Desempenha a função de suporte de tecidos moles, reveste superfícies articulares, onde
absorve choques, e facilita o deslizamento dos ossos nas articulações. A cartilagem é essencial
para a formação e o crescimento dos osso longos, na vida intra-uterina e depois do
nascimento. Como os demais tipos de conectivos, o tecido cartilaginoso contém célula, os
condrócitos, e abundante material extracelular, que constitui a matriz. As cavidades da matriz,
ocupadas pelos condrócitos, são chamadas lacunas. Uma lacuna pode conter um ou mais
condrócitos.
Conforme as diversas necessidades funcionais do organismo, as cartilagens se
diferenciam em Três tipos:
Cartilagem Hialina: Forma o primeiro esqueleto do embrião, que posteriormente é
substituído por um esqueleto ósseo. Entre diáfise e a epífise dos osso longos em crescimento
observa-se o disco epifisário, de cartilagem hialina, que é responsável pelo crescimento do
osso em extensão. Além de nos adultos recobrir as superfícies dos ossos longos em
articulações.
A cartilagem hialina é formada, em 40% do seu peso seco, por fibrilas de colágeno tipo II
associadas ao ácido hialurônico, proteoglicanos muito hidratados e glicoproteínas.
Cartilagem Elástica: É semelhante à cartilagem hialina, porém inclui, além das fibrilas de
colágeno, uma abundante rede de fibras elásticas contínuas com as do pericôndrio. Essa
cartilagem é flexível.
Cartilagem Fibrosa: é um tecido com características intermediárias entre o conectivo
denso e a cartilagem hialina. A fibrocartilagem está sempre associada a conectivo denso,
sendo imprecisos os limites entre os dois. Na cartilagem fibrosa, as números fibras colágenos
(tipo I) constituem feixes, que seguem uma orientação aparentemente irregular entre os
condrócitos ou um arranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. Essa orientação é
influenciada pelas forças que atuam sobre a fibrocartilagem. Os feixes colágenos ficam
paralelos às trações exercidas sobre a cartilagem. Na fibrocartilagem não existe pericôndrio.

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Existe dois tipos de ossificação:
Ossificação intramembranosa: O processo tem início pela diferenciação de células
mesenquimatosas que se transformam em grupos de osteoblastos. Estes sintetizam o osteóide
(matriz ainda não mineralizada) que logo se mineraliza, englobando alguns osteoblastos que se
transformam em osteócitos. Como vários os desse grupos surgem quase simultaneamente no
centro de ossificação, há confluência das traves ósseas formadas, dando ao osso um aspecto
esponjoso. Entre traves formam-se cavidades que são penetradas por vasos sanguíneos e
células mesenquimatosas indiferenciadas, que irão dar origem à medula óssea.
Os vários centros de ossificação crescem radialmente, acabando por substituir a
membrana conectiva preexistente.
Ossificação endocondral: tem início sobre uma peça de cartilagem hialina, de forma
parecida à do osso que se vai formar, porém de tamanho menor, este tipo de ossificação é o
principal responsável pela formação dos ossos curtos e longos. A ossificação endocondral
consiste essencialmente em dois processos. Primeiro, a cartilagem hialina sofre modificações,
havendo hipertrofia dos condrócitos, redução da matriz cartilaginosa a finos tabiques, sua
mineralização e a morte dos condrócitos por apoptose. Segundo, as cavidades previamente
ocupadas pelos condrócitos são invadidas por capilares sanguíneos e células osteogênicas
vindas do conectivo adjacente. Essas células diferenciam-se em osteoblastos, que depositarão
matriz óssea sobre os tabiques de cartilagem calcificada. Desse modo, aparece tecido ósseo
onde antes havia tecido cartilaginoso sem que ocorra a transformação deste tecido naquele os
tabiques de matriz calcificada da cartilagem servem apenas de ponto de apoio à ossificação.
A formação dos ossos longos é um processo complexo. O molde cartilaginoso possui
uma parte média estreitada e as extremidades dilatadas, correspondendo, respectivamente, à
diáfise e às epífises do futuro osso. O primeiro tecido ósseo a aparecer no osso longo é
formado por ossificação intramembranosa do pericôndrio que recobre a parte média da diáfise,
formando um cilindro, o colar ósseo.
Enquanto se forma o colar ósseo, as células cartilaginosas envolvidas pelo mesmo se
hipertrofiam (aumentam de volume), morrem por apoptose e a matriz da cartilagem se
mineraliza. Vasos sanguíneos, partindo do periósteo, atravessam o cilindro ósseo e penetram
na cartilagem calcificada, levando consigo células osteoprogenitoras originárias do periósteo,
que proliferam e se diferenciam em osteoblastos. Estes formam camadas contínuas nas
superfícies dos tabiques cartilaginosos calcificados e iniciam a síntese da matriz óssea que
logo se mineraliza. Forma-se, assim, tecido ósseo primário sobre os restos da cartilagem
calcificada por ser basófila, enquanto o tecido ósseo depositado sobre ela é acidófilo.


Idade Cronológica e Idade óssea
Pequeno é o significado e a contribuição da idade cronológica para a estimativa do
crescimento e desenvolvimento. A idade biológica sim, reflete o progresso do organismo em
direção à maturidade, e para tal, diversos parâmetros do desenvolvimento são analisados,
caracterizando subdivisões conhecidas como idade estatural, idade ponderai, idade esqueletal,
idade circumpuberal, idade dentária, idade mental etc.
Embora sejam eventos geneticamente programados, da concepção ao amadurecimento
completo, fatores inerentes ao próprio indivíduo (intrínsecos) e outros tantos, representados por
circunstâncias ambientais (extrínsecos) podem induzir o crescimento e o desenvolvimento a
substanciais alterações. Fatores raciais, climáticos, sócio-econômicos, hormonais e, sobretudo,
nutricionais são alguns dos passíveis de modificar o crescimento e o desenvolvimento.
A IO é o tempo de crescimento. Sendo certo que o crescimento cessa (praticamente)
com o fechamento da cartilagem de conjugação, e sendo esse fenômeno um dos dados da
maturação do esqueleto que se aceita ser medida pela IO, claro está que a IO é muito mais
"idade de crescimento" do que a idade cronológica do indivíduo. Considere-se o crescimento
físico (avaliado através da estatura e do peso) como C e a IO como indicativo de maturação, M.
Normalmente C e M são bem balanceados apresentando uma velocidade equivalente, isto é, a
uma unidade de ganho de altura, por exemplo, corresponde uma unidade de ganho de
maturação, no mesmo tempo decorrido. Todos os processos capazes de perturbar o
crescimento e desenvolvimento da criança e que evoluem com atraso equivalente de C e M,
determinam a conservação do potencial de crescimento, visto que a desaceleração de M
equivale a uma espera até que C possa superar os agravos. O caso contrário (atraso de C e
velocidade conservada de M) significa "perda de tempo" para C, visto que está havendo uma
diminuição do tempo útil de crescimento. Na medida em que ambas as idades, a cronológica e
a óssea, são de mesmo valor, têm logicamente o mesmo valor clínico. Contudo, IO atrasada
em relação à idade cronológica significa que — considerado aquele momento — a criança tem
mais anos para crescer do que permitiria supor sua idade cronológica. E vice-versa no caso de
IO avançada. Por isso, IO atrasada melhora o prognóstico quanto à estatura final em crianças
com crescimento deficiente e é de "mau agouro" para meninas que estão crescendo muito!
Resulta, pois, muito importante o estudo evolutivo da IO no seguimento de crianças com
problemas de crescimento: nesse sentido, uma determinação anual é muito útil (por exemplo,
no mês do aniversário da criança).

Referencias:

BENIGNA, M. J. C.; DRICOT, J.; d'ANS, C. D. – Crescimento e estado nutricional de crianças
de 0-11 anos, estado da Paraíba (Nordeste Brasileiro). Rev. Saúde pública, S. Paulo, 21(6)
:480-489, 1987.

DAMANTE, J. H.; FREITAS, J. A. S.; SCAF, G.; LOPES, E. S. - Comportamento das idades
estatural, ponderal, óssea e dentária, antes e durante a puberdade, em meninas brancas,
brasileiras, da região de Baurú. Pediatria (S. Paulo) 5 : 353-370, 1983.

JUNQUEIRA, L. C. e CARNEIRO, J. (2004). Histologia básica. 10ª edição, editora Guanabara
Koongan S.A. Rio de Janeiro, RJ.