Arte Capa.

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Banco da Amazônia
70 Anos
Abidias José de Sousa Júnior
Presidência
Antonio Carlos de Lima Borges
Diretoria de Infraestrutura de Negócio (DINEG)
Wilson Evaristo
Diretoria de Gestão de Recursos (DIREC)
Carlos Pedrosa Júnior
Diretoria de Controle e Risco (DICOR)
Gilvandro Negrão Silva
Diretoria Comercial e de Distribuição (DICOM)
Eduardo José Lima Cunha
Diretoria de Análise e Reestruturação (DIARE)
Créditos
Belém Pará Amazônia Brasil
PLW Projetos e Linguagens e Banco da Amazônia S/A
2012
Luiza Bastos
José Carlos Gondim
Sérgio Palmquist
Wanderson Lobato

Banco da Amazônia
70 Anos
Banco da Amazônia 70 Anos
Conselho Editorial
Banco da Amazôni a
Lui z Lourenço de Souza Neto
Al ex Santos
Al ci l ene Costa de Souza
I ndhi ra Ramos
OMG Comuni cação Total
Oswal do de Frei tas Júni or
PLW Proj etos e Li nguagens
Lui za Bastos
Coordenação
OMG Comuni cação Total
Pesquisa Documental e Bibliográfica
Al ex Rai ol
Sérgi o Pal mqui st
José Carl os de Medei ros Gondi m
Wanderson Lobato
Lui za Bastos
Capa
OMG Comuni cação Total
Carol Abreu
I magem
João Rami d
Projeto Gráfico
Josi Mendes
Carol Abreu
Diagramação
Josi Mendes
Assistência de Diagramação
Aurél i o Gouvêa
Textos e Entrevistas
Wanderson Lobato
Sérgi o Pal mqui st
José Carl os de Medei ros Gondi m
Lui za Bastos
Revisão
Sérgi o Pal mqui st
José Carl os de Medei ros Gondi m
Lui za Bastos
Ficha Catalográfica e Referências
Socorro Bai a
Tratamento de Imagens
Adauto Rodri gues
Bruno Cantuári a
Edição de Imagens
Marcel o Lel i s
Lui za Bastos
Edição
Lui za Bastos
A col eta de i nformações sobre o Banco da Amazôni a foi possí vel graças a
entrevi stas, ao apoi o e col aboração de i númeras empresas, i nsti tui ções e pessoas, sem
as quai s não consegui rí amos concl ui r este trabal ho com êxi to, a todos, nossos si nceros
agradeci mentos.
Agradecimentos
O Banco da Amazôni a nasceu em pl ena Segunda Guerra Mundi al , vol tado para o desenvol vi mento
regi onal , mas com uma vi são ampl a do Brasi l e forte i nserção i nternaci onal .
Passadas sete décadas, o Brasi l tem mui tos moti vos para se orgul har do Banco da Amazôni a. Hoj e, el e
cumpre um papel fundamental em toda a regi ão, com forte atuação vol tada para o desenvol vi mento sustentável
da Amazôni a Legal e acentuada moderni zação tecnol ógi ca, benefi ci ando não somente a popul ação regi onal ,
mas o conj unto da soci edade brasi l ei ra.
Parabéns a todos os funci onári os, di retores e col aboradores do Banco da Amazôni a pel os 70 anos de
dedi cação ao nosso desenvol vi mento.
Di l ma Rousseff
Presi denta da Repúbl i ca
Nos seus 70 anos de exi stênci a, o Banco da Amazôni a tem demonstrado sua i mportânci a não só
para a Regi ão, como também para o Brasi l e para o mundo. O Banco tem-se destacado como braço forte
na execução das pol í ti cas públ i cas, especi al mente como agente fi nancei ro que atende pri ori tari amente às
mi cro, pequenas e médi as empresas. Quero cumpri mentar a i nsti tui ção pel o l ançamento deste l i vro hi stóri co
e dei xar aqui os votos para que conti nue desempenhando papel rel evante no desenvol vi mento sustentável
da Amazôni a brasi l ei ra.
Gui do Mantega
Mi ni stro da Fazenda
O Banco da Amazôni a chega com mui to orgul ho aos seus 70 anos de exi stênci a e, como parte das
ações comemorati vas a esse marco hi stóri co, tem a sati sfação de trazer aos seus aci oni stas, parcei ros,
cl i entes, col aboradores, formadores de opi ni ão, l i deranças e a toda a soci edade amazôni da, uma obra que
retrata a hi stóri a do Banco l i der do ranki ng das i nsti tui ções bancári as que fi nanci am o crédi to de l ongo prazo
na Regi ão Norte, que se confunde com a própri a hi stóri a da Amazôni a.
São sete décadas de trabal ho que possi bi l i taram a construção de uma I nsti tui ção sól i da, de i negável
i mportânci a na busca do desenvol vi mento sustentável da Amazôni a, aprovei tando as i ncontávei s ri quezas da
regi ão em benefí ci o dos seus mai s de 23,5 mi l hões de habi tantes.
O Banco da Amazôni a nasceu com o propósi to de garanti r o supri mento de borracha para os paí ses
al i ados durante a 2ª Grande Guerra e sua cri ação foi vi tal para a parti ci pação do Brasi l na l uta pel a manutenção
da democraci a no pl aneta. Era um momento conturbado e esta obra conta o esforço de guerra i ni ci ado com
a cri ação do Banco de Crédi to da Borracha e a convocação de cerca de ci nquenta e ci nco mi l vol untári os, a
mai ori a del es vi nda do Nordeste, fugi ndo de um l ongo perí odo de seca, para atuar na extração do l átex de
nossas fl orestas nati vas.
A parti r do fi nal da Guerra, um novo desafi o surge para o Banco: apoi ar o desenvol vi mento econômi co
da Regi ão Norte do Brasi l , para reduzi r as desi gual dades em rel ação ao Sul e Sudeste do paí s. Surge então
o Banco de Crédi to da Amazôni a (BCA), cri ado no Governo do Presi dente Euri co Gaspar Dutra, em 1950.
Se no seu i ní ci o o Banco estava baseado excl usi vamente na produção de borracha, neste novo momento
buscou-se estender o ol har para todas as possi bi l i dades de desenvol vi mento, fornecendo o apoi o fi nancei ro
necessári o aos empreendi mentos, garanti ndo recursos a custos e prazos di ferenci ados, possi bi l i tando a
real i zação de novas ati vi dades produti vas na Amazôni a.
Chega a era Vargas e no ano de 1953 é cri ada a Superi ntendênci a do Pl ano de Val ori zação Econômi ca
da Amazôni a (SPEVEA). No governo do General Humberto Castel o Branco, o BCA dá l ugar ao nosso Banco
da Amazôni a S/A, pel a Lei nº 5.122, de 28 de Setembro de 1966, com estrutura admi ni strati va mol dada à
do então Banco de Desenvol vi mento do Nordeste, funci onando como um banco de fomento para benefí ci o
soci al da regi ão.
Ai nda em 1966, a SPVEA é transformada em SUDAM (Superi ntendênci a do Desenvol vi mento
da Amazôni a) e sua estrutura, a exempl o do Banco, era semel hante a da SUDENE (Superi ntendênci a do
Desenvol vi mento do Nordeste).
Em 1989 é cri ado o Fundo Consti tuci onal de Fi nanci amento do Norte (FNO), fi cando sob a responsabi l i dade
do Banco a sua gestão e operaci onal i zação. Com essa i ni ci ati va, a Amazôni a passa a contar com um vol ume
mai or de recursos para o seu desenvol vi mento.
Entre 2003 e 2010, no Governo do Presi dente Lui s I náci o Lul a da Si l va, o Banco, como pri nci pal
agente das pol í ti cas, pl anos e programas do Governo Federal para a regi ão Amazôni ca, se apresentou como
efeti va sol ução fi nancei ra para o seu desenvol vi mento, através da oferta de produtos e servi ços com condi ções
e taxas di ferenci adas, o que possi bi l i tou ampl i ar o crédi to e tornar a Amazôni a mai s competi ti va e i ncl usi va.
Uma História
de Desenvolvimento
Agora, ao compl etar sete décadas de exi stênci a, no Governo da Presi denta Di l ma Rousseff, o Banco
ati nge a marca hi stóri ca de R$43,7 bi l hões de recursos apl i cados na regi ão, dos quai s R$29 bi l hões referentes
aos úl ti mos 5 (ci nco) anos. Assi m, em suas estratégi as de ação, o Banco tem procurado atender, de manei ra
pri ori tári a, setores produti vos organi zados sob di versas formas, como, por exempl o, os Arranj os Produti vos
Locai s (APLs), cadei as produti vas e agl omerados econômi cos, vi sando, sobretudo, a i nserção de segmentos
produti vos de menor porte, como da agri cul tura de base fami l i ar, as mi cro, pequenas e médi as empresas e o
setor de mi crofi nanças.
Porém, faz-se necessári o ressal tar que este l i vro conta não somente a traj etóri a hi stóri ca do Banco da
Amazôni a sob o ponto de vi sta de sua atuação credi tí ci a, mas mostra também todo o processo de adaptação
da i nsti tui ção às mudanças regi onai s e às novas tecnol ogi as, trazendo ao conheci mento dos l ei tores mai s do
que a hi stóri a de um Banco Públ i co vol tado ao desenvol vi mento sustentável , mas si m uma verdadei ra fonte
de i nformação i l ustrada sobre a Amazôni a Legal Brasi l ei ra e a sua gente.
Conti nuaremos sempre com a responsabi l i dade de promover o cresci mento da Amazôni a em bases
sustentávei s e com a experi ênci a consol i dada de atender às necessi dades de uma regi ão tão vasta e tão
di ferenci ada. Estaremos preparados sempre para contri bui r de modo efeti vo com a soci edade amazôni da,
cri ando novas oportuni dades de trabal ho, novos negóci os e, sobretudo, mel hores condi ções de vi da para o
povo amazôni da.
Com essa forma di ferenci ada de trabal har, val ori zando o conheci mento e a dedi cação de todos que
fazem o Banco da Amazôni a, temos a pl ena certeza de que conti nuaremos movi mentando a Amazôni a e a
vi da de sua gente.
Tenha uma óti ma l ei tura!
Abi di as José de Sousa Juni or
Presi dente do Banco da Amazôni a
M
a
r
c
o
s

B
a
r
b
o
s
a

Ao pensar na Amazôni a, procure ampl i ar seu
hori zonte e vi sual i zar l ugares di sti ntos. Comece i magi nando
grandes di stânci as, separando pequenas comuni dades,
grandes estados, qui l ombos, ci dades, al dei as… e perceba
modos de vi da urbanos, cosmopol i tas ou rurai s, i ndí genas,
cabocl os ou estrangei ros, em tempos di versos também:
do cronol ógi co aos tempos l unares, de pl antações e
col hei tas, conectados por ri os i mensurávei s ou i garapés
temporári os ou mesmo vi a i nternet...
Ao l ongo do tempo, fazendo esses e outros exercí ci os
de observação regi onal , o Banco da Amazôni a foi al ém
da superfí ci e aparentemente homogênea e mergul hou em
suti l ezas cul turai s e ambi entai s nem sempre perceptí vei s
à pri mei ra vi sta, mas sempre respei távei s.
Desde seu nasci mento, com o nome de Banco
de Crédi to da Borracha, quando foi determi nante para a
vi tóri a al i ada na 2ª Guerra Mundi al , até hoj e, como Banco
da Amazôni a, o desenvol vi mento regi onal esteve no foco
pri nci pal da i nsti tui ção, enquanto a di versi dade ganhava o
necessári o destaque que possui .
E foi exatamente a di versi dade, caracterí sti ca
amazôni ca marcante, a norteadora das pesqui sas,
entrevi stas, documentação, cri ação de textos e sel eção
de i magens para este l i vro regi strar hi stóri as comuns e
di sti ntas que, do pri ncí pi o ao fi m, carregam a certeza de
que estej a onde esti ver, ou o que esti ver fazendo, assi m
como a Amazôni a, o seu Banco fez, faz ou fará parte da
vi da de todos.
Boca do Acre, fronteira com o Amazonas
Foto Diego Gurgel
Sumário
Produção rústica da pela (leia-se “péla”) de borracha, Seringal Cachoeira (AC)
Foto Diego Gurgel
Apresentação
Preservação e Desenvolvimento
A Seiva de Uma Planta da Amazônia Movimenta o Mundo
A Conquista do Acre
A Hora e a Vez de Manaus
A Paris N’América
Getúlio Vargas e a Amazônia
Grande Café da Paz
Discurso do Rio Amazonas
A Batalha da Borracha
Moedas do Brasil
Jean-Pierre Chabloz
O Banco de Crédito da Borracha
Mulheres Seringueiras
Termina a Guerra
Os Soldados Urbanos da Borracha
Bancrévea
Criação do Banco de Crédito da Amazônia
Jânio Quadros: Eleição e Renúncia
O Governo de João Goulart
O Banco de Crédito da Amazônia e o Movimento de 64
Radiotelegrafia
Evolução Tecnológica
Construções e Engenharia
Preservação da Memória e Comunicação
A Constituição de 1988 e a Criação do FNO
Financiamento para todos os setores
Desenvolvimento com Respeito Ambiental
Financiando a Agricultura Familiar e o Agronegócio
“Seringal”
Banco da Amazônia – Marcas Históricas
Diretoria Executiva
Presidentes do Banco da Amazônia
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Mai s do que exempl os bem sucedi dos
de proj etos fi nanci ados, as ati vi dades do Banco
da Amazôni a representam o momento atual da
i nsti tui ção, que ao l ongo do tempo cresceu e
vi rou o mai or i nvesti dor da transformação soci al
da regi ão, cresci mento j á consi derado um novo
marco hi stóri co.
Desde 2003, na el aboração do
Pl anej amento Estratégi co, os executi vos
perceberam a necessi dade de al i nhar a atuação
bancári a aos pri ncí pi os verdes e del i nearam a
i ndução ao desenvol vi mento econômi co e soci al da
Amazôni a sem a destrui ção de seus ecossi stemas
naturai s, na certeza de que desenvol vi mento
econômi co, l ucro e rentabi l i dade — do Banco da
Amazôni a e de seus cl i entes — são e devem,
si m, ser compatí vei s com el evados padrões de
responsabi l i dade soci al , cul tural e ambi ental .
A Mi ssão do Banco i ncorporou o
desenvol vi mento sustentável , a parti r de 2006
e foi cri ada a Comi ssão de Mei o Ambi ente e
Sustentabi l i dade e os programas Amazôni a Reci cl a,
para a col eta sel eti va de resí duos sól i dos; e o
Amazôni a Oti mi za, com medi das de raci onal i zação
do consumo de recursos naturai s. I sso j unto com
Preservação e
Desenvolvimento
14
Foto Paulo Santos
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o Fornecedor Verde, a Gi ncana pel a Sustentabi l i dade, o Vi va
a Vi da e Educação Ambi ental – os programas compõem a
Agenda Ambi ental do Banco da Amazôni a, fortal eci da por
ações e ati vi dades com os empregados e parcei ros.
Em 2006 foi l ançado o Prêmi o Banco da Amazôni a
de Empreendedori smo Consci ente e cri ada a Pol í ti ca
Soci oambi ental , com as di retri zes de atuação no setor,
baseada no tri pé i ncl usão, excl usão e sal vaguarda. Doi s
anos depoi s, avançou ai nda mai s na defesa da regi ão
com a anál i se soci oambi ental dos proj etos e tornou-se
si gnatári o do Protocol o de I ntenções pel a Responsabi l i dade
Soci oambi ental – i ni ci ati va do Mi ni stéri o do Mei o Ambi ente
–, j unto aos bancos públ i cos.
A Agenda 21 do Banco da Amazôni a foi l ançada em
2010, com os compromi ssos da i nsti tui ção para o al cance
da Agenda 21 brasi l ei ra e, no ano segui nte, foi publ i cada
a Pol í ti ca Corporati va pel a Sustentabi l i dade, compondo as
normas de consul ta permanente para toda e qual quer medi da
ou ação que possa i mpactar a sustentabi l i dade i nterna e a
i ndução do desenvol vi mento sustentável da Amazôni a.
A parti r de 2007, quando cri ou o Amazôni a
Fl orescer - Programa de Mi crofi nanças Sustentávei s para
a Regi ão Amazôni ca-, operaci onal i zado em parceri a com
a Amazoncred (Associ ação de Apoi o à Economi a Popul ar
Sol i dári a), passou a ofertar crédi to e servi ços fi nancei ros a
empreendedores popul ares, urbanos e rurai s.
0 Banco da Amazôni a sedi ou, em Bel ém, em 2011,
um i mportante evento com enti dades de fi nanci amento,
empresári os e acadêmi cos brasi l ei ros e especi al i stas de
outros paí ses, numa parceri a com a ALI DE (Associ ação
Lati noameri cana de I nsti tui ções Fi nancei ras de
Desenvol vi mento), que reúne 80 membros da Améri ca
Lati na e Cari be, e convi dados do Canadá, Europa e Áfri ca.
Por ser a pri nci pal referênci a em pol í ti ca soci oambi ental
na regi ão e si gnatári o da Agenda A3P, durante a Ri o+20
(Conferênci a das Nações Uni das para o Mei o Ambi ente),
em 2012, o Banco da Amazôni a se destacou não apenas
como um dos patroci nadores ofi ci ai s do evento, mas como
Foto Hely Pamplona
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parti ci pante – prova vi va de que, há mui to, a questão
ambi ental não é assunto excl usi vo de ambi ental i stas e
si m tema estratégi co para negóci os de sucesso, al i ando
preservação e desenvol vi mento.
Ao veri fi car que não i mportava a quanti dade de
programas, mas recursos di sponí vei s para desenvol ver as
ati vi dades produti vas, o Banco reformul ou e aperfei çoou
seus fi nanci amentos adequando-os às novas estruturas e
concei tos. Mudou a concepção, ti rou o foco do produto e
pri ori zou o cl i ente.
Hoj e, trabal ha com programas que cobrem toda
e qual quer ati vi dade dos setores econômi cos. O FNO-
Amazôni a Sustentável , por exempl o, é o pri nci pal e mai s
abrangente mei o de fi nanci amento com recursos do
FNO (Fundo Consti tuci onal de Fi nanci amento do Norte)
e atende pessoas fí si cas e j urí di cas na Regi ão Norte. Já
com o PRONAF (Programa Naci onal de Fortal eci mento
da Agri cul tura Fami l i ar), fi nanci a proj etos i ndi vi duai s ou
col eti vos, que gerem renda aos agri cul tores fami l i ares e
assentados da reforma agrári a. Com o FNO-Bi odi versi dade
i nveste na manutenção e na recuperação da bi odi versi dade
amazôni ca, a parti r de empreendi mentos para o uso raci onal
dos recursos naturai s, com boas práti cas de manej o, al ém
dos vol tados à regul ari zação e recuperação de áreas de
reserva l egal , degradadas e/ou al teradas.
Em 2011, o Banco da Amazôni a recebeu o Prêmi o
I nternaci onal ALI DE VERDE, com o programa FNO-
Bi odi versi dade. A categori a ALI DE Verde é desti nada
para i nsti tui ções fi nancei ras que apl i cam programas de
desenvol vi mento sustentável .
A parti r de 2012 cresceram as oportuni dades de
fi naci amentos à popul ação com o Programa Brasi l Mai or, do
governo da pri mei ra mul her Presi denta da Repúbl i ca, Di l ma
Roussef, esti mul ando a i novação e a produção naci onal
para al avancar a competi ti vi dade da i ndústri a nos mercados
i nterno e externo. Foi pri ori zada a produção sustentável ,
a competi ti vi dade de pequenos negóci os, o i ncenti vo ao
i nvesti mento e ao bem-estar do consumi dor.
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Foto Hely Pamplona
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Nesse cenári o mai s sensí vel aos negóci os
na Regi ão, o Banco da Amazôni a ampl i ou a
concessão de crédi to a taxas de j uros menores
que o mercado fi nancei ro em geral ; fortal eceu
o i ncenti vo a proj etos de cresci mento, al i ados
ao desenvol vi mento sustentável ; val ori zou
ai nda mai s ações para mi croempreendedores
i ndi vi duai s e mi cro, pequenas e grandes
empresas, i ncl usi ve com a reti rada de
restri ções de fi nanci amento para custei o e/ou
comerci al i zação não associ ados a i nvesti mentos
fi xos para determi nadas fai xas de faturamento.
Com as taxas de j uros mai s atraentes do
mercado, todos os i ncenti vos ao i nvesti mento
cresceram no Banco da Amazôni a, que ai nda
tem foco especi al na cartei ra comerci al de
pessoa fí si ca e em produtos como o Amazôni a
Sal ári o, Amazôni a Sal ári o Empregado, Amazôni a
Consi gnação, al ém do Amazôni a Cheque
Especi al e do Amazôni a Pessoal .
O Programa Brasi l Mai or refl ete um novo
ol har sobre a Regi ão e o Banco executa seus
obj eti vos com crédi tos fl exí vei s e abrangentes.
Foto Hely Pamplona
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Sabor da Amazônia
Ultrapassa as Fronteiras
Da mesa do paraense, o açaí ganhou o mundo e agora começa a ter outras formas e até sabores. Em
breve, el e também será vendi do, sob a forma de sorvete, creme e suco, em embal agens i ndustri al i zadas, do
ti po tetra pak. Mas antes de chegar às gôndol as dos supermercados, a novi dade será real i dade no Oeste do
Pará.
No pri mei ro semestre de 2013, no muni cí pi o de Monte Al egre, entrará em operação a i ndústri a de
benefi ci amento do açaí , fi nanci ada pel o Banco da Amazôni a desde 2008, para fechar o ci cl o de produção da
fruta, i ni ci ado nos muni cí pi os de Óbi dos, Al enquer e Curuá, com o pl anti o de açaí i rri gado em mai s de doi s
mi l hectares.
Foto Thiago Araújo
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As fazendas onde estão os açai zai s e a i ndústri a de benefi ci amento são frutos do sonho da famí l i a
Vaccaro, que, através da empresa Pol pas da Amazôni a, i nvesti u na comerci al i zação do açaí – verdadei ro
patri môni o natural e cul tural da regi ão, com procura cada vez mai or não só no Brasi l como em outros paí ses.
Por mei o da i rri gação, com modernos equi pamentos e máqui nas, o proj eto agrega qual i dade ao fruto
que será i ndustri al i zado, obedecendo às normas técni cas dos mi ni stéri os do Mei o Ambi ente e da Agri cul tura.
A produção gera emprego e renda para a mão de obra l ocal , poi s desde agora, no proj eto pi l oto, a empresa
tem parceri a com agri cul tores i ntegrantes do PRONAF, programa também fi nanci ado pel o Banco da Amazôni a.
Devi do à al ta qual i dade do produto, a empresa fechou contrato de venda e assi m que o processo de
i ndustri al i zação for concl uí do, o creme de açaí ganha um novo mercado: estará nas redes de l anchonetes de
todo o paí s.
Foto Marcelo Lelis
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Acender uma l âmpada nos bai rros de
Santa Etel vi na e na Ci dade Nova, em Manaus,
tem um si gni fi cado que transcende o ato em si .
Com fi nanci amento e ori entação do Banco da
Amazôni a, a Companhi a Energéti ca Manauara
segue a pol í ti ca de apoi o às práti cas sustentávei s
e sua usi na termel étri ca opera com o uso do gás
natural , fornecendo 60 megawatts de energi a
às subestações que atendem cerca de 200 mi l
pessoas.
Fruto de recursos do FNO, a energi a que
i l umi na Manaus contri bui para um mundo mai s
sustentável ao abol i r o uso dos combustí vei s
convenci onai s na Amazôni a (como o di esel )
e também torna o processo de geração mai s
econômi co, devi do aos menores custos de
produção – o que refl ete di retamente na conta do
consumi dor, que sai ganhando duas vezes; e na
natureza, com menor pol ui ção ambi ental .
Já nas águas da l agoa de São José, no
muni cí pi o de Carei ro da Várzea, também no
Amazonas, não vi vem apenas os pei xes e a fl ora
aquáti ca, mas também exi ste um trabal ho pi onei ro,
onde é fortal eci da a certeza da qual i dade de vi da
cada vez mel hor para os moradores da regi ão. A
l agoa é base de um proj eto úni co, desenvol vi do
com fi nanci amento do Banco da Amazôni a: a
produção de tambaqui -curumi m em tanques-rede.
Um comi tê gestor coordena o proj eto que
reúne pessoas das comuni dades de Botafogo
de São José e Sagrado Coração de Jesus,
onde vi vem cerca de 50 famí l i as. Anteri ormente,
assi m como em outros muni cí pi os da Regi ão
Metropol i tana de Manaus, todas as famí l i as
estavam envol vi das apenas com a produção de
hortal i ças, uma vez que a proxi mi dade da capi tal
garante o escoamento da produção para os
mercados e fei ras com mai or faci l i dade.
Agora, com a pi sci cul tura, as duas
comuni dades também se destacam pel a produção,
vendi da para a Agênci a de Desenvol vi mento
Sustentável do Amazonas e para a Conab
(Companhi a Naci onal de Abasteci mento). Das
águas da l agoa, desde 2010, quando o Banco
i ni ci ou o fi nanci amento, j á foram reti rados mai s
de 20 tonel adas de pei xe.
Bastante organi zado na admi ni stração do
proj eto, o comi tê pl anej a ampl i ar o número de
pessoas e de tanques do pescado e a cri ação em
tanques naturai s, o que vem não só di versi fi car
a pi sci cul tura na regi ão, caracteri zada como
de subsi stênci a, mas também fortal ecer o
mercado, poi s com o decl í ni o do pl anti o de j uta,
a popul ação se vol tou fortemente para a pesca,
fazendo com que os pei xes chegassem cada vez
menores à mesa dos consumi dores. A ati vi dade
em tanques-rede transforma e di versi fi ca ai nda
mai s a real i dade amazôni ca.
Luz nas Casas e
Peixe nas Mesas
Foto Jaime Souzza
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João Ri bei ro Noguei ra vi veu sempre à
bei ra do ri o Madei ra, em Porto Vel ho, e cedo
conheceu o prazer de ouvi r hi stóri as e os
segredos da navegação. Já adul to, sonhava com
a possi bi l i dade de mudar e buscou i nspi ração na
mãe, professora, e no pai , empreendedor, para
real i zar o sonho de cri ar passei os panorâmi cos de
uma l ancha, com narrati vas cul turai s, e mostrar as
bel ezas do caudal oso ri o.
Sem grandes recursos, João não consegui a
i magi nar uma manei ra de concreti zar seu desej o.
Até que um ami go sugeri u o Banco da Amazôni a,
“o banco mai s cri teri oso do Estado de Rondôni a”,
segundo el e. I sso foi em 2009.
Com a cara e a coragem, entrou no banco
e procurou o gerente. Apresentou suas i dei as
e consegui u, al ém de atenção, ori entação para
cri ar a empresa, com consul tori a do SEBRAE
(Servi ço Brasi l ei ro de Apoi o às Mi cro e Pequenas
Empresas), garanti ndo o fi nanci amento para a
l ancha e para todos os acessóri os necessári os.
Em 2011, a l ancha “Águi a”, do agora fel i z
empresári o e “comandante” Ri bei ro, i ni ci ou o
proj eto, que, sem trocadi l ho, vai de vento em popa,
di vul gando hi stóri as em passei os i nesquecí vei s
pel o Madei ra, um dos mai s caudal osos e vel ozes
ri os do pl aneta.
Com a Cara
e a Coragem
Rio Madeira, Porto Velho (RO)
Foto Luiza Bastos
28
Cooperar é Produzir
e Organizar Juntos
Uni ão e organi zação. Essas são as
pri nci pai s caracterí sti cas da Cooperati va Central
de Comerci al i zação Extrati vi sta do Acre, cri ada em
2001 e que, desde então, i nveste no manej o de
produtos da fl oresta, agregando val or e buscando
promover a i gual dade soci al , econômi ca e
ambi ental das famí l i as extrati vi stas do Al to Acre,
Bai xo Acre e Purus.
A Cooperacre, como é conheci da, cresceu
ai nda mai s a parti r de 2007, quando começou
a ser fi nanci ada pel o Banco da Amazôni a.
Procurou-se fortal ecer a capaci dade de compra,
armazenamento e benefi ci amento de produtos
fl orestai s, como a castanha e a borracha natural
dos seri ngai s acreanos – consi derados os de
mel hor qual i dade do mundo –, também comprada
di retamente do produtor. Os cooperados ai nda
produzem pol pas de frutas: acerol a, maracuj á,
abacaxi , goi aba, caj u, açaí , caj á, manga,
carambol a, di stri buí das pel a cooperati va para os
mercados l ocal e naci onal .
Tudo começou com três cooperati vas de
produtores de castanha que senti ram a necessi dade
de um escri tóri o de comerci al i zação do produto,
al ém de l ocal para armazenagem, em Ri o Branco.
Hoj e, com o sucesso das emprei tadas, o rai o de
ação da Cooperacre al cança 33 pessoas j urí di cas
e, entre outras conqui stas, abastece todas as
escol as muni ci pai s com frutas, verduras, l egumes
e hortal i ças frescas – também produzi das com
i ncenti vos à agri cul tura fami l i ar, pel o Banco da
Amazôni a – para a merenda escol ar.
Foto Hely Pamplona
31
O apoi o do Banco foi e é fundamental
para o cresci mento da Cooperacre, poi s fi nanci a
desde o capi tal de gi ro até a aqui si ção de
tratores e equi pamentos agrí col as, possi bi l i tando
mai ores i nvesti mentos no pri nci pal di ferenci al
da cooperati va – as vantagens na garanti a da
comerci al i zação do produto, poi s a estocagem
da produção é grande: só para a castanha, a
capaci dade de armazenamento é de 5 mi l hões
de qui l os.
E como di versi fi car a produção também
é meta da Cooperacre, recentemente os
cooperados deci di ram mudar a forma de atuação
na comerci al i zação da borracha natural , até então
vendi da apenas na forma de matéri a pri ma, o
que dei xava os produtores numa si tuação de
vul nerabi l i dade no mercado.
Já está em construção, no muni cí pi o de
Sena Madurei ra, uma fábri ca de benefi ci amento da
borracha para venda às i ndústri as de pneumáti cos
do sul do paí s. Dentro desse processo o Banco
da Amazôni a fi nanci a a aqui si ção do maqui nári o
para o preparo da terra, o cul ti vo raci onal
de seri nguei ras e o refl orestamento de áreas
degradadas.
O pl anti o, i ni ci ado em 2010, el evou
a produti vi dade dos seri ngai s acreanos em
comparação à produção da seri nga nati va,
di spersa por qui l ômetros na fl oresta, uma vez
que a cul ti vada, organi zada próxi mo à casa do
produtor e com uso de tecnol ogi a adequada, tem
produção dez vezes mai or. Nos próxi mos ci nco
anos, os produtores pretendem refl orestar ci nco
mi l hectares, recurso que gera ri queza para a
cooperati va e parcei ros.
32
Foto Diego Gurgel
33
O col oni zador europeu, quando pi sou nas améri cas, encontrou tesouros com os quai s j amai s sonhara.
Os al i mentos do Novo Mundo mataram a fome de conti nentes e a sei va de uma árvore, vel ha conheci da
dos í ndi os, trouxe novas possi bi l i dades para o cresci mento econômi co do oci dente. Árvore-que-chora seri a
a tradução para a pal avra caucho, uti l i zada por al guns grupos i ndí genas para denomi nar a pl anta da qual
extraí am aquel a estranha sei va que se transformava em al go el ásti co, com propri edades i nusi tadas. Bol as
que sal tavam, cal çados que não mol havam, coi sas que encantaram o Vel ho Mundo. Logo surgi ram di versos
obj etos fei tos com o choro da seri nguei ra, desde capas e sapatos i mpermeávei s a col etes sal va-vi das.
A Seiva de uma Planta da Amazônia
Movimenta o Mundo
34
“Seringueiro”, desenho a bico
de pena, de Percy Lau
Os pri mei ros estudos ci entí fi cos da borracha foram
desenvol vi dos pel o francês Charl es de l a Condami ne, que
l evou amostras do produto consegui do no Peru, em 1735,
para a Academi a de Ci ênci as de Pari s. Ni nguém l he deu mui ta
atenção, poi s tudo o que se fabri cava com essa substânci a
tornava-se pegaj oso no cal or e i nfl exí vel ou esfarel ava-
se em bai xas temperaturas. No entanto, um engenhei ro
francês, C. F. Fresneau, que estudara a substânci a na Gui ana
Francesa, consegui u fazer um par de sapatos de sei va e
i mpermeabi l i zá-l os.
O pri mei ro produto fabri cado a parti r da sei va
da seri nguei ra foi j ustamente o apagador, que até hoj e
conhecemos como... “borracha”. Foi o i ngl ês John Pri estl ey
quem descobri u que, com aquel a substânci a das matas
amazôni cas, era possí vel el i mi nar marcas de l ápi s, o que
até então era fei to com mi ol o de pão. Pri estl ey deu à sua
i nvenção o nome de “I ndi an Rubber”, l i teral mente “raspador
i ndi ano”. A pal avra rubber passou a desi gnar o produto da
seri nguei ra. Os portugueses, que preservavam seus vi nhos
em vasi l has de couro, às quai s chamavam borrachas,
substi tuí ram o couro pel a matéri a amazôni ca e o l átex então
passou a ser conheci do por “borracha”.
Em 1823, o escocês Charl es Mac I ntosh descobri u um
mei o de fazer roupas i mpermeávei s, col ocando uma camada
de borracha entre duas camadas de teci do. No mesmo ano
em Londres um fabri cante de carruagens, Thomas Hancock,
fabri cou os pri mei ros aros de borracha, para a bi ci cl eta
do fi l ho. Em 1815, Hancock, modesto serral hei ro, tornou-
se um dos mai ores fabri cantes do Rei no Uni do. El e havi a
Instrumentos de coleta do látex, sementes de seringueira e pelas de borracha. (Acervo Banco da
Amazônia - reprodução Bruno Catrachesti)
No Fogo,
à Prova d’Água
36
i nventado um col chão de borracha e, associ ado a Mac I ntosh,
fabri cava as famosas capas i mpermeávei s “mac i ntosh”.
Al ém di sso, havi a descoberto e real i zava i ndustri al mente o
corte, a l ami nação e a prensagem da borracha. Ti nha
veri fi cado a i mportânci a do cal or na prensagem e construí do
uma máqui na para este fi m. Mac I ntosh também descobri u o
emprego da benzi na como sol vente e Hancock preconi zou
a prévi a “masti gação” e aqueci mento, para obter uma
perfei ta di ssol ução da borracha. Hancock descobri u ai nda a
fabri cação de bol as el ásti cas e por fi m, em 1842, de posse
da borracha vul cani zada de Goodyear, procurou e encontrou
o segredo da vul cani zação, fazendo enorme fortuna. Mas
até que fosse encontrada a fórmul a da vul cani zação, a
febre da borracha na Europa e nos Estados Uni dos pareci a
fadada a termi nar como um compl eto fracasso. A matéri a
amazôni ca, que despertou o entusi asmo do mundo,
mostrava-se decepci onante na práti ca, com produtos
que se transformavam numa massa pegaj osa, no verão, e
endureci am e quebravam-se, no i nverno.
No verão de 1834, um comerci ante de ferragens
fal i do da Fi l adél fi a, Charl es Goodyear, entrou numa l oj a
da Roxbury I ndi a Rubber Co., pri mei ra manufatura de
borracha nos Estados Uni dos. El e mostrou ao gerente uma
nova vál vul a que havi a cri ado para sal va-vi das de borracha.
O gerente sacudi u a cabeça, desol ado. A Companhi a não
estava i nteressada em vál vul as agora, j á seri a uma sorte
permanecer no negóci o. O gerente mostrou a Goodyear:
pratel ei ras chei as de produtos de borracha, transformados
numa gosma mal chei rosa pel o cal or excessi vo. Na fábri ca
Acima, fábrica de pneu
Goodyear. Ao centro,
Charles Goodyear, inventor
da vulcanização e, ao lado,
John Dunlop Jr.
37
da Companhi a, em Roxbury, Massachussets, confi denci ou
que mi l hares de arti gos de borracha eram devol vi dos por
cl i entes ul traj ados. Os di retores se reuni am, na cal ada da
noi te, para enterrar vi nte mi l dól ares de rej ei tos fedorentos
num poço.
A “febre da borracha” do i ní ci o dos anos 1830 acabou
assi m como começou. No pri ncí pi o, todo mundo queri a
coi sas com a nova goma à prova d’água do Brasi l e fábri cas
surgi ram para supri r a demanda. Então, de repente, o
públ i co se cansou daquel a coi sa desastrada, que endureci a
e fi cava quebradi ça ou vi rava quase uma gel ati na, conforme
a mudança das estações. Nenhuma das j ovens i ndústri as
de borracha sobrevi veu mai s que ci nco anos. I nvesti dores
perderam mi l hões. A borracha, todos concordavam, era um
sonho passado.
Mas Charl es Goodyear não desi sti u e, enfrentando
todo ti po de contratempo, submetendo a famí l i a à mi séri a,
conti nuou suas pesqui sas para transformar a borracha num
produto de extrema uti l i dade.
A grande descoberta aconteceu no i nverno de 1839.
Goodyear estava usando enxofre nos seus experi mentos.
Ai nda que o própri o Goodyear tenha dei xado dúvi das sobre
al guns detal hes do processo, a hi stóri a mai s persi stente é
que, num di a de feverei ro, entrando numa l oj a de Woburn,
onde resi di a, para mostrar sua nova fórmul a de borracha e
enxofre, foi recebi do com ri sadas sarcásti cas e o i nventor
normal mente cordato fi cou exal tado, sacudi ndo as mãos e
dei xando seu model o de borracha voar de seus dedos, cai ndo
num fogão aceso. Quando foi apanhá-l o, descobri u que, ao
i nvés de derreter como mel ado, el e estava chamuscado
como couro e ao redor da área chamuscada havi a uma borda
marrom, seca e el ásti ca, mui to di ferente do produto ori gi nal ,
Sapato de borracha e pela derretidos pelo calor. (Acervo Banco da Amazônia - reprodução
Bruno Carachesti)
38
vi rtual mente uma nova substânci a. Havi a cri ado a borracha
à prova d’água. Esta descoberta é constantemente ci tada
como um dos “aci dentes” mai s cel ebrados da Hi stóri a.
Fi nal mente, Goodyear observa que submetendo a
composi ção de borracha com enxofre por quatro a sei s
horas, sob pressão, numa temperatura próxi ma de 130ºC,
um materi al bastante uni forme e resi stente era obti do. O
i nventor ganhou um bom di nhei ro mas abri u mão de sua
parti ci pação nas fábri cas que uti l i zavam sua descoberta,
o que poderi a tê-l o transformado num mi l i onári o, para
conti nuar com os experi mentos. El e queri a fazer tudo de
borracha: papel -moeda, i nstrumentos musi cai s, bandei ras,
j oi as, vel as de barcos e até os própri os barcos. Goodyear
ti nha seu retrato pi ntado sobre borracha, seus cartões de
vi si ta i mpressos sobre borracha, sua autobi ografi a i mpressa
em borracha. Vesti a chapéu, terno e gravata de borracha.
Charl es Goodyear vi a a borracha como a vemos
nos nossos di as: o pri mei ro e mai s versáti l dos modernos
“pl ásti cos”. Vi a nel a um “couro vegetal ” que desafi ava os
el ementos, um “metal el ásti co”, um substi tuto da madei ra
que podi a ser mol dado. Al gumas de suas i dei as ai nda são
vi stas como “novos” usos para a borracha. Mui tas i ndústri as
de al i mentos embal am seus produtos em pl i ofi l me, um
pl ásti co deri vado da borracha, que Goodyear havi a sugeri do
em 1859. Roupas de mergul ho, mol as e amortecedores
para botes i nfl ávei s são outras i novações recentes que
Goodyear descreveu há mai s de um sécul o.
Charl es Goodyear não teve o cui dado de requerer
patentes no exteri or, mas envi ou amostras de sua borracha
tratada com enxofre e cal or para a I ngl aterra, sem revel ar
detal hes da fórmul a que usava. Uma amostra foi vi sta pel o
pi onei ro da borracha Thomas Hancock, que vi nha por 20 Sapato de borracha. (Acervo Banco da Amazônia - reprodução Bruno Carachesti)
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anos tentando produzi r borracha à prova d’água. Hancock
notou uma mancha amarel a de enxofre na superfí ci e da
amostra e com essa chave rei nventou o processo, j á cri ado
por Goodyear, ao qual deu o nome de vul cani zação, deri vado
do deus romano Vul cano - quatro anos depoi s de Charl es
Goodyear. Quando o norte-ameri cano foi pedi r o regi stro
de patente na I ngl aterra, Hancock j á havi a obti do al gumas
semanas antes.
Charl es Goodyear não consegui u fortuna com seus
experi mentos, mas o processo cri ado por el e permi ti u o
renasci mento da febre pel a borracha amazôni ca.
Em 1845, R.W. Thomson i nventou o pneumáti co,
a câmara de ar e até a banda de rodagem ferrada. Em
1850, fabri cavam-se bri nquedos de borracha, bol as ocas
e maci ças (para gol fe e têni s). A i nvenção do vel ocí pede
por Mi chaux, em 1869, conduzi u à i nvenção da borracha
maci ça, depoi s da borracha oca e, por úl ti mo, à rei nvenção
do pneu, poi s a i nvenção de Thomson havi a caí do no
esqueci mento. Em 1888, Dunl op i ntroduzi u a câmara-de-ar,
i nventando o pneu, l ogo apl i cado em bi ci cl etas. Em 1895,
os i rmãos Mi chel i n adaptaram o pneu ao automóvel , veí cul o
patenteado por Dai ml er, em 1884, e por Benz, em 1885.
Desde então, a borracha passou a ocupar um
l ugar preponderante no mercado mundi al e devi do às
suas múl ti pl as apl i cações, pri nci pal mente na i ndústri a
automobi l í sti ca em expansão, a borracha obti da a parti r
do l átex das seri nguei ras tornou-se produto mundi al mente
val ori zado.
Seri nguei ras não fal tavam na Amazôni a brasi l ei ra.
I sso l evou a regi ão Norte do Brasi l , uma das mai s pobres
No alto, mostruário de pela (Acervo Banco da Amazônia -
reprodução Bruno Carachesti) e Henry Wickham, responsável pelo
contrabando de 70 mil sementes de seringueiras da Amazônia
40
e desabi tadas do paí s, a experi mentar perí odo de grande
prosperi dade. I nteressadas na expl oração dos seri ngai s
amazôni cos, grandes empresas e bancos estrangei ros
i nstal am-se nas ci dades de Bel ém e Manaus, que se
transformam, de ci dades acanhadas, em metrópol es vi brantes,
com equi pamentos urbanos e monumentos arqui tetôni cos
admi rávei s, al guns dos quai s ai nda hoj e podem ser vi stos nas
duas ci dades, como o Theatro da Paz, em Bel ém e o Teatro
Amazonas, em Manaus. Uma l eva de mi l hares de i mi grantes,
pri nci pal mente nordesti nos fugi dos da seca da década de
1870, i nvadi u a fl oresta para recol her o l átex e transformá-l o
em borracha.
A produção amazôni ca chegou a 42 mi l tonel adas anuai s
e o Brasi l domi nou o mercado mundi al de borracha natural .
Para os brasi l ei ros que usufruí am de tanta ri queza, pareci a
que aqui l o nunca i ri a acabar. Para as potênci as estrangei ras,
que no fi nal das contas eram os verdadei ros desti natári os
desse presente da Natureza, havi a necessi dade de garanti r
seus estoques sem pagar nada para os brasi l ei ros. Em 1876,
uma famí l i a de i ngl eses chegou em Santarém, sendo recebi da
com hospi tal i dade pel os norte-ameri canos que havi am fugi do
da Guerra da Secessão e se i nstal aram no Tapaj ós. Henry
Wi ckham consegui u i l udi r a todos e envi ou para a I ngl aterra 70
mi l sementes sel eci onadas de seri nguei ras. Essas sementes,
acl i matadas no Jardi m Botâni co Kew Gardens, foram depoi s
transpl antadas no Sudeste Asi áti co e, na segunda década do
sécul o XX, j á produzi am o sufi ci ente para competi r e derrotar
a borracha brasi l ei ra. Henry Wi ckham foi agraci ado com o
tí tul o de “si r” pel a rai nha Vi tóri a, por ter dado à I ngl aterra o
monopól i o da borracha e a Amazôni a perdeu o fi l ão de ouro.
Filme plástico transparente de borracha
41
Documento original. (Acervo
Banco da Amazônia -
reprodução Alex Raiol)
Illustrissimo Excelentissimo Senhor Vice-
Presidente da Província
Diz George W. Sears, cidadão dos Estados
Unidos d’America do Norte, ora nesta capital,
que tendo-se dirigido pessoalmente a Vossa
Excelencia afim de tratar do invento por elle
apresentado para melhoramento da extracção
e fabrico da gomma elastica, vem hoje, depois
do exame e verificação da machina e trabalho
ou fabrico, a que Vossa Excelencia assistiu,
acompanhado do doutor engenheiro Guilherme
Francisco Cruz, de novo fazel-o por meio da
presente petição, afim de que por intermedio e
apoio de Vossa Excelencia, possa o Supplicante
obter da Illustrada Assemblea Legislativa
Provincial, seja acceita a proposta que desde
já fáz de vender á Provincia, o dito invento ou
machinismo, por uma quantia razoavel. [...]


Proposta do cidadão Norte-Americano George W. Sears, ao Governador
da Província para “venda do segredo de invento de fabricar borracha em
estado sólido”. Belém, 16 set. 1870.
42
[...] Aquillo que até agora demanda muitos
braços e muitos dias, especialmente para seccar,
e comtudo imperfeitamente, póde ser feito agora
em menos de uma hora, e um homem apenas basta
para o trabalho de cada machina. [...]


[...] A gomma elástica torna-se pura de uma
só qualidade, e elasticidade admiravel, como
igualmente Vossa Excelencia abservou, e se vê
das amostras que o Supplicante ora apresenta
[...]


[...] O Supplicante entregará duas machinas
completas, um modelo, e os instrumentos para
a incisão e colhimento do leite, tendo ora um
outro meio ainda superior quando á incisão, e
fornecerá grande quantidade de vasos. Ensinará
praticamente o fabrico da gomma elastica, e
também o das machinas. [...]


[...] A gratidão publica, virá infalivelmente
ao encontro da Illustrada e Nobre Assembleia
Legislativa Provincial, e de Vossa Excelencia
também.


43
Depoi s da i ndependênci a dos paí ses sul -ameri canos, a
regi ão onde hoj e se si tua o Estado do Acre fi cou pertencendo
à Bol í vi a, com o reconheci mento do Brasi l , através do Tratado
de Ayacucho, em 1867. Mas a sede pel a borracha e a seca no
Nordeste do Brasi l cri aram um fl uxo mi gratóri o que ti nha como
úl ti mo desti no essa regi ão perdi da nos confi ns da Amazôni a.
A mi l hares de qui l ômetros da capi tal La Paz, a i nvasão
brasi l ei ra não era senti da pel os bol i vi anos, até que o futuro
presi dente da Bol í vi a, José Manuel Pando, refugi ou-se na
regi ão, depoi s de um frustrado gol pe de Estado. Pando fi cou
preocupado com a i nvasão dos seri nguei ros do paí s vi zi nho.
Em 1899, o governo bol i vi ano envi ou uma escol ta para garanti r
a ocupação do terri tóri o, que foi expul sa pel os brasi l ei ros.
Como o governo brasi l ei ro não i nterferi a na di sputa, por
consi derar que o Acre pertenci a à Bol í vi a, o governador do
Amazonas, Ramal ho Júni or, organi zou uma ofensi va para garanti r
a posse das terras, sob o comando do j ornal i sta e aventurei ro
espanhol Lui s Gal vez Rodri gues de Ari as. Gal vez tomou de
assal to a ci dade bol i vi ana de Puerto Al onso, que passou a se
chamar Porto Acre e procl amou a Repúbl i ca I ndependente do
Acre, no di a 14 de j ul ho de 1899. Mas, oi to meses depoi s, a
Repúbl i ca I ndependente de Gal vez foi di ssol vi da e el e preso
por tropas envi adas pel o governo brasi l ei ro.
Mas o governo do Amazonas não se conformou,
preocupado com boatos de que Estados Uni dos e Bol í vi a
havi am assi nado acordo que previ a apoi o mi l i tar dos EUA
à Bol í vi a em caso de guerra com o Brasi l . Foi organi zada
uma nova expedi ção, a “Expedi ção dos Poetas”. O j ornal i sta
Orl ando Correa Lopes, que comandava a expedi ção, procl amou
a Segunda Repúbl i ca do Acre, em novembro de 1900. Às
vésperas do Natal de 1900, os brasi l ei ros foram derrotados
A Conquista
do Acre
Acima, Barão do Rio Branco e signatários do Tratado de Petrópolis. Em baixo, Plácido de Castro
comanda exército em batalha. Acervo digital do DPHC (Departamento do Patrimônio Histórico e
Cultural do Acre)
44
pel os bol i vi anos. Em 1901, a Bol í vi a assi na um
contrato de arrendamento do Acre com o Bol i vi an
Syndi cate, cri ado com capi tal angl oameri cano.
O contrato dava o control e absol uto da regi ão
para o Bol i vi an Syndi cate. Esse acordo garanti a
ao governo bol i vi ano a confi ança para rechaçar
mi l i tarmente - com o apoi o dos ameri canos -
qual quer i ntenção do Brasi l em rel ação ao Acre.
A notí ci a cai u como uma bomba entre os
brasi l ei ros e el es i ni ci aram uma revol ta armada,
contrari ando a posi ção do governo brasi l ei ro, que
rei terara o reconheci mento dos di rei tos bol i vi anos
sobre o Acre. Comandados pel o gaúcho Pl áci do
de Castro, um j ovem agri mensor com passagem
pel as forças armadas, al guns poucos homens
conseguem conter os combatentes bol i vi anos.
Mas a revol ta se espal ha, uni ndo seri ngal i stas,
seri nguei ros, comerci antes, l ogo um exérci to de
revol tosos que vai tomando, uma a uma, as praças
bol i vi anas. Os rebel des i medi atamente domi nam
toda a regi ão, exceto Porto Acre, que somente se
rendeu em 24 de j anei ro de 1903. No di a 27
daquel e ano, foi procl amada a Tercei ra Repúbl i ca
do Acre, agora com o apoi o do presi dente
brasi l ei ro, Rodri gues Al ves e do seu Mi ni stro do
Exteri or, o Barão do Ri o Branco, que ordenou a
ocupação do terri tóri o e estabel eceu um governo
Tratado de Petrópolis e reprodução do jornal “A Mutuca”, dirigido e redigido à mão por Plácido de Castro. Acervo digital DPHC (Departamento do Patrimônio Histórico e Cultural do Acre)
45
mi l i tar sob o comando do general Ol í mpi o da
Si l vei ra. O própri o presi dente da Bol í vi a, general
José Manuel Pando, deci de comandar uma
ofensi va contra os i nvasores, mas, antes di sso, a
di pl omaci a brasi l ei ra, sob as ordens do Barão do
Ri o Branco, consegue que os governos do Brasi l
e da Bol í vi a assi nem, em 21 de março de 1903,
um tratado prel i mi nar, rati fi cado l ogo depoi s pel o
Tratado de Petrópol i s.
O Tratado de Petrópol i s foi assi nado a 17
de novembro de 1903 entre os governos do
Brasi l e da Bol í vi a. É um Tratado de Permuta que
resul tou na entrega do terri tóri o do Acre. Em troca,
o Brasi l cedi a as terras na foz do ri o Abunã e na
baci a do ri o Paraguai . Ti nha ai nda de pagar uma
compensação monetári a de 2 mi l hões de l i bras
esterl i nas. O Brasi l também se comprometi a
a ceder a navegação nos ri os brasi l ei ros para
chegar ao oceano Atl ânti co e a Bol í vi a adqui ri a
o di rei to de abri r al fândegas em Bel ém, Manaus,
Corumbá e noutros pontos da frontei ra. O mesmo
se passava com o Brasi l em terri tóri o bol i vi ano.
O estado brasi l ei ro ti nha ai nda de construi r uma
l i nha de cami nho de ferro, que fi cou pronta em
1912, desde o porto de Santo Antóni o, no ri o
Madei ra, até Guaraj á-Mi ri m, no Mamoré, com um
ramal até terri tóri o bol i vi ano.
A construção de uma ferrovi a que
transpusesse a parte encachoei rada do ri o
Madei ra, permi ti ndo a l i gação dos trechos
navegávei s a montante e a j usante, era um sonho
acal entado desde 1861. Com a ferrovi a, fi cari a
mai s fáci l o escoamento dos produtos vi ndos
do Centro-Oeste brasi l ei ro e da Bol í vi a. Vári as
tentati vas de concreti zar o sonho foram frustradas
pel as di fi cul dades enfrentadas.
A pri mei ra tentati va na construção foi em
1872, quando engenhei ros i ngl eses i ntentaram
pl antar os tri l hos, a parti r de Santo Antôni o
do Madei ra. Um ano depoi s, a emprei tada foi
abandonada, porque os trabal hadores eram
di zi mados por doenças. Numa segunda tentati va,
em 1877, foram assentados 6,2 km de l i nha.
Foi quando a pri mei ra l ocomoti va trafegou na
Amazôni ca - a nº 12, ou “máqui na 12”, como é
conheci da até hoj e pel a popul ação l ocal . Mas as
mesmas di fi cul dades l evaram a novo fracasso.
Depoi s dessas derrotas, o sonho de uma
ferrovi a no Madei ra pareci a sepul tado, até que foi
assi nado o Tratado de Petrópol i s, no qual a Bol í vi a
abri a mão de seus i nteresses no Acre, medi ante
compensações do governo brasi l ei ro. Um dos
compromi ssos do Brasi l foi o de construi r uma
ferrovi a desde a l ocal i dade de Santo Antôni o, no
ri o Madei ra, até Guaj ará-Mi ri m, no ri o Mamoré,
frontei ra com a Bol í vi a. Aberta a concorrênci a
para a construção, quem venceu foi o engenhei ro
Joaqui m Catramby, que vendeu-a ao novai orqui no
Perci val Farquhar, empresári o aventurei ro com
di versos i nteresses no Brasi l . Farquhar deci di u
i ni ci ar a ferrovi a a parti r de Porto Vel ho, sete
qui l ômetros abai xo de Santo Antôni o. A obra foi
i ni ci ada em 1907.
“No fi nal de 1909, a ferrovi a j á contava com
74 qui l ômetros construí dos e Farquhar consegue,
j unto ao governo brasi l ei ro, o arrendamento da
ferrovi a e de vári os seri ngai s, pel o prazo de 60
anos. Em dezembro desse ano, Rondon chegava a
Porto Vel ho, concl ui ndo a tri l ha para a i mpl antação
da l i nha tel egráfi ca, Cui abá – Santo Antôni o”,
revel a Antôni o Cândi do da Si l va, no l i vro “Madei ra
Mamoré – O Vagão dos Esqueci dos”.
Em 1910, os sani tari stas Osval do Cruz
e Bel i sári o Pena chegam ao cantei ro de obras
para promover o saneamento da área, evi tando
o grande número de doenças que acometi am os
trabal hadores, pri nci pal mente a “febre amarel a”.
Dos mai s de 20 mi l trabal hadores contratados
para a obra, mi l e qui nhentos pereceram.
No di a 30 de abri l de 1912 foi col ocado
o úl ti mo dormente, no trecho fi nal em Guaj ará-
Mi ri m, compl etando 366 qui l ômetros . A
obra foi i naugurada no di a 1º de agosto.
Com o fi m da obra, chegava também ao fi nal o
perí odo áureo da borracha e a ferrovi a perdi a sua
pri nci pal função. Perci val Farquhar acabou fal i ndo
em 1916 e o control e da ferrovi a passou para os
i nvesti dores i ngl eses e canadenses que havi am
sustentado a construção da mesma. Em 1931,
a Estrada de Ferro Madei ra-Mamoré passou a
ser control ada pel o governo brasi l ei ro. Hoj e,
prati camente desati vada, é consi derada parte do
Patri môni o Cul tural do Brasi l .
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
46
Ao lado, primeira locomotiva a circular em território amazônico,
abandonada entre 1879 e 1907 e encontrada em Santo Antônio.
Hoje está no Museu da Estrada de Ferro, em Porto Velho. Acima,
outras fotografias de Danna Merril, funcionário da prefeitura de Nova
Iorque, contratado por Percival Farquar, em 1908, para documentar o
assentamento dos trilhos da estrada de Ferro Madeira-Mamoré
(Acervo Centro de Documentação Histórica de Rondônia)
47
A Hora e a
Vez de Manaus
A revel ação de Franci sco Orel l ana de que uma i mensa vi a de navegação penetrava sel va adentro no norte
da Améri ca do Sul j á havi a despertado a cobi ça das potênci as europei as.
Os franceses ocuparam terras no Maranhão e os espanhói s, vi ndos pel o oceano Pací fi co, sonhavam
com as terras do outro l ado dos Andes. Então, Portugal deci di u tomar conta do que achava que era seu e para
control ar a foz do grande ri o e pri mei ro tomou a ci dade de São Lui z dos franceses e depoi s fundou Bel ém. Pel o
Tratado de Tordesi l has, os portugueses estavam nos l i mi tes de suas terras.
Mas i sso não os l i mi tou: si mpl esmente conti nuaram subi ndo o ri o para marcar e garanti r a posse das
novas terras. Fundaram, na confl uênci a dos ri os Sol i mões e Negro, a fortal eza da São José do Ri o Negro, numa
área habi tada por di versos grupos i ndí genas. Os col oni zadores foram aos poucos se i nstal ando às proxi mi dades
do forte. Em 1832, o l ugarej o foi el evado à categori a de Vi l a, recebendo o nome de Manáos, em homenagem
a um grupo i ndí gena homôni mo, o mai s popul oso que ocupou aquel e terri tóri o.
A modesta vi l a ri bei ri nha sofreri a uma mudança drásti ca depoi s da descoberta das i númeras possi bi l i dades
de uti l i zação da borracha e Manaus transformou-se numa grande ci dade.
O acanhamento de suas construções deu l ugar a notávei s monumentos públ i cos, suntuosas mansões e
natural mente o espaço urbano foi adaptado ao surto de poder econômi co.
Com o governador Eduardo Ri bei ro, Manaus al cançou seu momento de moderni zação urbana, tendo si do
a pri mei ra ci dade brasi l ei ra a ter bondes el étri cos ci rcul ando.
Cartão postal da avenida Eduardo Ribeiro no início do século XX
48
O fi m do monopól i o da borracha, que era da Amazôni a, trouxe a estagnação e o marasmo, até o advento
da 2ª Guerra Mundi al , com novo al ento à economi a da borracha na regi ão. Mas a capi tal do Amazonas só i ri a
recuperar sua condi ção de metrópol e com a cri ação da Zona Franca de Manaus, em 1967.
Hoj e, Manaus é a mai or ci dade da Amazôni a, com quase doi s mi l hões de habi tantes, uma economi a forte,
i ncenti vada pel o Banco da Amazôni a, e conta com o i ntenso movi mento turí sti co que, ao contrári o do comérci o
da borracha, só tende a crescer, especi al mente a parti r de 2014 com a Copa do Mundo – evento também
fi nanci ado pel o Banco.
Manaus do início do século XX. Coleção Jorge Herran. (Acervo Museu da Imagem e do Som - AM)
49
A Paris
n’América
A ri queza forneci da pel a febre da borracha
no mundo transformou as modestas ci dades da
Amazôni a em metrópol es sofi sti cadas, com os
mai s modernos equi pamentos urbanos da época.
Já no ano de 1870, a capi tal do Pará possuí a
bondes puxados por burros e i l umi nação públ i ca
a gás. As famí l i as da cl asse al ta se abasteci am nas
capi tai s europei as. Roupas, al i mentos, bebi das,
tudo era i mportado.
Os l ucros com a borracha trouxeram uma
mudança rápi da na pai sagem da ci dade. A di screta
Travessa dos Mi randas vi rou aveni da e teve seu
nome mudado para 15 de Agosto, em homenagem
à adesão do Pará ao Brasi l I ndependente. Nos
anos 50, passou a se chamar Aveni da Presi dente
Vargas, denomi nação que se mantém até hoj e,
sendo a pri nci pal artéri a do centro comerci al de
Bel ém. Al i foram construí dos i mportantes prédi os
públ i cos, como o Café da Paz, hotel e restaurante
frequentado pel a soci edade mai s abastada, pouco
mai s tarde o Grande Hotel e, no ano de 1912, o
Ci nema Ol ympi a, que exi ste até hoj e, sendo a mai s
vel ha sal a de ci nema ai nda em funci onamento no
Paí s.
O di nhei ro corri a à sol ta, mas a ci dade
ai nda apresentava probl emas séri os, como a febre
amarel a, que di zi mava a popul ação. Com a posse
do i ntendente Antôni o Lemos, em 1897. Bel ém
passou por transformações urbaní sti cas que a
i gual ava aos pri nci pai s centros do Vel ho Mundo.
Lemos abri u l argas aveni das, cui dou do cal çamento
das ruas, contratou uma empresa para construi r um
si stema de esgoto, foi ri goroso na l i mpeza das ruas,
construi u o crematóri o para quei mar o l i xo urbano
e ani mai s mortos nas ruas, i naugurou o si stema
el étri co de i l umi nação públ i ca e os anti gos bondes
puxados por ani mai s foram substi tuí dos por bondes
el étri cos. Antôni o Lemos foi ai nda um governante
Rua Conselheiro João Alfredo, Belém. Álbum “O Pará”, 1908, Augusto Montenegro.
(Acervo Arquivo Público do Pará - reprodução Alex Raiol)
50
Rua Padre Prudêncio e Igreja St. Anna, aos fundos a fábrica Palmeira. Albúm Vistas de Pará Brazil. Edição George Hübner. (Acervo Arquivo Público do Pará - reprodução Alex Raiol)
preocupado com o mei o ambi ente e a qual i dade de vi da, dando especi al atenção ao Horto Botâni co e cui dando
da arbori zação das ruas, tratando com ri gor o vandal i smo contra as pl antas. A el e a ci dade deve a al cunha de
“Ci dade das Manguei ras”.
A ci dade urbani zada l evou seus habi tantes a capri charem nas construções e l ogo mansões l uxuosas
foram ergui das nos bai rros mai s prósperos. O fausto em que vi vi am Bel ém e Manaus atrai am companhi as
teatrai s da Europa, que não se furtavam a enfrentar todas as di fi cul dades de vi agem e os peri gos da vi da
tropi cal , compensadas por temporadas al tamente l ucrati vas.
O fi m do perí odo áureo da borracha encerrou também o desl umbramento de uma cl asse perdul ári a
e toda a Amazôni a sofreu com a estagnação econômi ca. Bel ém manteve seu patri môni o arqui tetôni co com
poucas al terações, até a segunda metade do sécul o XX, quando a Amazôni a passou a atrai r novamente os
ol hares do mundo, agora por outras ri quezas que não a borracha.
51
A Amazôni a estagnada era uma das preocupações do presi dente Getúl i o Vargas,
que vi si tou a regi ão em 1933 e 1940. Ao estabel ecer a Marcha para o Oeste, com
a i ntenção de i ncenti var a ocupação do Centro-Oeste do Brasi l , Vargas ti nha a vi sta
estendi da para mai s di stante, para o Extremo Norte. Com forte apel o desenvol vi menti sta,
o presi dente previ a a Amazôni a como um terri tóri o total mente ocupado, o mai s povoado:
“Apraz-me i magi nar o que será esta vasti dão, onde se estendem as terras ferti l i zadas
pel a baci a do Amazonas, sem ri val em superfí ci e e vol ume no mapa do mundo, quando
nel a esti ver fi xada a i ntel i gênci a e a ati vi dade de cem mi l hões de brasi l ei ros”, procl amou
em um de seus i números di scursos na regi ão.
Vargas cri ou o I nsti tuto Agronômi co do Norte, em Bel ém, em 1939 e, em 1940,
o Governo Federal encampou o Port of Pará e a Amazon Ri ver Steam Navi gati on: “As
empresas expl oradoras dos servi ços portuári os e do tráfego fl uvi al , pel o seu precári o
e defi ci ente aparel hamento, não sati sfazi am as necessi dades e deverão transformar-se,
Getúlio Vargas e
a Amazônia
Jornais destacam a visita do presidente Getúlio Vargas
a Amazônia. Belém, 5 de outubro de 1940. (Acervo
Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves - reprodução
Alex Raiol)
52
agora, em fatores di retos do desenvol vi mento da regi ão.
Para i sso, cui da-se de reorgani zá-l as, de reformar-l hes
o materi al e construi r novas uni dades nos seus própri os
estal ei ros. Prende-se à mesma séri e de provi dênci as, a
cri ação do I nsti tuto Agronômi co do Norte, que será um
centro compl eto de pesqui sas da ri queza fl orestal do val e
amazôni co, com o propósi to de cl assi fi cá-l a, aperfei çoar
e desdobrar nos campos de mul ti pl i cação, para substi tui r
pel a i ndústri a agrí col a, metódi ca e ci entí fi ca, os vel hos
processos extrati vos. Desti nado a servi r a toda a regi ão,
esse I nsti tuto deverá promover o pl anti o si stemáti co, não só
da seri nguei ra, pel a forma em que o vem prati cando, com
pl eno êxi to, a Fundação Ford, como, ai nda, o das vari adas
espéci es nati vas e acl i madas — castanha, ti mbó, fi bras
—, a fi m de fornecer, gratui tamente, mudas de precoce
produção pel a enxerti a e desenvol ver, ao mesmo tempo, os
modernos processos de cul tura e acl i mação dos vegetai s.”
Em outubro de 1940, durante a vi si ta de Vargas à
Amazôni a, desta vez percorrendo um l argo trecho: Bel ém,
Bel terra, Manaus e Porto Vel ho, foi recebi do com grande
entusi asmo pel as popul ações l ocai s e despertando nos
habi tantes a crença em di as mel hores, amparados na
promessa fei ta em 1933: “A Amazôni a ressurgi rá”.
No “Di scurso do Ri o Amazonas”, o presi dente
rei tera sua i ntenção do promover o desenvol vi mento da
Amazôni a: “Não vos fal tará o apoi o do governo central para
qual quer empreendi mento que benefi ci e a col l ecti vi dade. O
Amazonas, sob o i mpul so fecundo de nossa vontade e de
nosso trabal ho, dei xará de ser, afi nal , um si mpl es capí tul o
53
da hi stóri a da terra, e, equi parado aos outros grandes ri os, tornar-se-á um capí tul o da hi stori a da ci vi l i zação”.
Em 1937, Getúl i o Vargas havi a i nstaurado o Estado Novo, depoi s de um gol pe de estado que garanti u
para si pl enos poderes. A nova Consti tui ção, promul gada por el e, fi cou conheci da como a Consti tui ção
“Pol aca”, por ser baseada na Consti tui ção da Pol ôni a, cl aramente baseada em pri ncí pi os fasci stas. No i ní ci o
da década de 40, em pl ena cri se da 2ª Guerra Mundi al , Getúl i o Vargas não esconderi a suas si mpati as pel os
regi mes de Roma e Berl i m, causando desagrado e preocupação aos ameri canos do Norte.
Mas a entrada do Japão na Guerra e o bl oquei o da produção de borracha nos paí ses asi áti cos aos
paí ses al i ados l evou os Estados Uni dos a exi gi rem uma posi ção cl ara do Brasi l . Di ante da catástrofe i mi nente,
o presi dente dos Estados Uni dos, Frankl i n Roosevel t, cri ou uma comi ssão, presi di da por Bernard Baruch,
para aval i ar os estoques dos produtos consi derados essenci ai s para o enfrentamento da guerra. O rel atóri o
da comi ssão mostrou a i mportânci a de ter o Brasi l como al i ado: “Achamos a si tuação atual tão peri gosa que,
a não ser que medi das [...] sej am tomadas i medi atamente, este Paí s enfrentará um col apso mi l i tar e ci vi l .
[...] Exi gênci as mi l i tares e outras necessi dades essenci ai s [...] esgotari am os nossos estoques de borracha
crua antes do fi m do próxi mo verão. [...] Os pneus de carros ci vi s, [por exempl o,] estão sendo gastos a uma
Acima, ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941; presidente norte-americano Franklin Roosevelt assinando a declaração de guerra contra o Japão, em 8 de dezembro de 1941. Soldado americano em guarda
na praia de Oahu (Havaí), em março de 1945. (Arquivo Nacional Americano)
54
médi a de 8 vezes mai s rapi damente do que são
substi tuí dos. Caso i sto conti nue neste ri tmo [...],
em 1944 haverá uma compl eta paral i sação de
27.000.000 de carros de passagei ros.”
Tanto a si tuação geográfi ca da Amazôni a,
tendo Bel ém como um porto estratégi co,
uma senti nel a do Atl ânti co Sul , era de grande
i mportânci a para os esforços de guerra dos
paí ses al i ados l i derados pel os Estados Uni dos da
Améri ca, como também – ou tal vez pri nci pal mente
– a economi a da borracha amazôni ca assumi a
sua potenci al i dade estratégi ca e se transformari a,
novamente, na mol a mestra da i ndústri a brasi l ei ra
e da vi tóri a al i ada.
Vi eram os Acordos de Washi ngton e o Brasi l
entrou na guerra, mas os sol dados brasi l ei ros
não i am todos para os campos de batal ha, a
grande mai ori a foi se embrenhar nas matas da
Amazôni a, para extrai r a borracha, que passou a
ser a commodi ty que mai s contri buí a com di vi sas
para o Tesouro Naci onal , al ém de ser fundamental
na fabri cação de equi pamentos de guerra, como
pneus e outras peças para carros, tanques, navi os
e avi ões uti l i zados nos campos de batal ha da
Europa e Ási a.
“Getúlio Vargas recebe integrantes da Comissão de Financiamento
do Congresso americano. Em pauta, o ambicioso acordo da
borracha” - transcrição da legenda original, publicada pelo Jornal
do Brasil. Rio de Janeiro, 26 de maio de 2002 (Hemeroteca -
FCPTN - reprodução Alex Raiol)
55
Grande Café da Paz
No i ní ci o do sécul o XX, na esqui na onde hoj e se encontra o edi fí ci o sede do Banco da Amazôni a,
em Bel ém do Pará, exi sti a o Hotel -Restaurant Grande Café da Paz, exempl o do fausto do perí odo áureo da
borracha. No seu terraço, reuni a-se a “nata” da soci edade l ocal e al guns vi si tantes i l ustres fi caram hospedados
al i . Um del es foi o sani tari sta Osval do Cruz:
“Hotel - Restaurant
GRANDE CAFÉ DA PAZ
ADOLPHO MELI BEU
Propri etári o
PARÁ - BRAZI L
Pará, 28 de Junho de 1910
Mi nha queri da Mi l oqui nha
Já hoj e te envi ei uma carta que te fazi a meus cumpri mentos pel a grande festa de hoj e.
Ai nda para assi gnal ar este grande di a resol vi hoj e aqui uma questão que nos vai tornar a vi da mai s
suave. O Governador do Pará me pedi u para assumi r a di recção da Campanha contra a febre amarel l a aqui ,
o que acei tei . De vol ta de Madei ra i rei até a “fl ôr da mi nha gente” e de novo vol tarei até aqui onde passarei
uns 15 di as para por o servi ço em andamento, sob a di recção de pessôa de mi nha confi ança. Vol tarei ai nda
no decurso do anno umas duas ou tres vezes. Ai nda não sei das condi ções que me serão offereci das. O
Governador com grande acanhamento mandou me perguntar quanto eu desej ava. Mandei -l he di zer que
dei xava ao al vi tre del l e a resol ver. Mas, a j ul gar pel o enthusi asmo em que está o homem as nossas vantagens
parecem serão bem grandes. Para mi m a cousa será mui to suave e conto obter resul tados seguros prestando
assi m um col ossal servi ço ao pai z. Segundo me i nformaram só no mez passado morreram duzentas e tantas
pessôas de febre amarel l a.
Tenho si do mui to bem recebi do aqui . Estou i nstal l ado no Hotel em dependenci a com quatro aposentos
pertencentes aos donos do Hotel , sendo todas as despezas pagas pel l o Governo; tenho 2 creados para me
servi r, carro parti cul ar, automovel á porta e uma l ancha sempre a di sposi ção Tenho estado prezo aqui mai s
tempo do que desej ava porque houve uma greve á bordo do navi o do Ll oyd (Acre) que me terá de l evar a
Manáos, donde parti rei em navi o especi al para o Madei ra. Espero porem parti r amanhã (29) á tarde. Hoj e
o Governador me vei u vi si tar. E agora á noi te fui vi si tado pel a fi l ha da dona do hotel , ume exí mi a pi ani sta,
formada no Conservatori o de Lei pzi g e que vei u tocar pi ano para eu ouvi r. É uma verdadei ra arti sta. Não
i magi nas a romari a de vi si tas que tenho recebi do o que me tem el evado ao auge a senti r i rri tação de
nervos. Sobretudo agora que desconfi am que vou tornar a di recção da Campanha contra a febre amarel l a o
chal ei ri smo está i ncomensuravel . Assi m permi tta Deus que sej amos bem succedi dos.”
56
Quando Osval do Cruz esteve em Bel ém, a ci dade vi vi a
seu momento de mai or puj ança, mas convi vi a com a febre
amarel a. O governador João Coel ho então deu carta branca
para o sani tari sta atacar. Di zem que, em sei s meses, Bel ém
estava l i vre da doença.
O Café da Paz vi veu mui tos dos momentos i mportantes
da capi tal paraense, até que sucumbi u à i nsensi bi l i dade do
mercado. Quando o Banco da Amazôni a comprou o terreno
para a construção do seu edi fí ci o-sede, o Café da Paz não
exi sti a mai s. Um dos mai s bel os exempl os da arqui tetura da
Bel l e Époque no Pará j á ti nha si do demol i do.
(Acervo Arquivo Público do Pará - reprodução Alex Raiol)
57
Discurso do
Rio Amazonas
Senhores:
Vêr a Amazônia é um desejo
de coração na mocidade de
todos os brasileiros. Com
os primeiros conhecimentos
da Pátria maior, este vale
maravilhoso aparece ao
espírito jovem, simbolizando
a grandeza territorial,
a feracidade inegualável,
os fenômenos peculiares
à vida primitiva e à luta
pela existência em toda a
sua pitoresca e perigosa
extensão. E’ natural que uma
imagem tão forte e dramática
da natureza brasileira seduza
e povoe as imaginações
moças, prolongando-se em
duradouras ressonâncias pela
existência em fora, através
dos estudos dos sábios, das
impressões dos viajantes e
dos «artistas, igualmente
presos aos seus múltiplos e
indizíveis encantamentos. […]


58
Documento original (Acervo do Museu Teatro Amazonas - Manaus)


[…] Apenas — é necessário dize-lo
corajosamente — tudo quanto se tem
feito, seja agricultura ou indústria
extrativa, constitue realização empírica
e precisa transformar-se em exploração
racional. O que a Natureza oferece é uma
dádiva magnífica a exigir o trato e o
cultivo da mão do homem. Da colonização
esparsa, ao sabor de interesses
eventuais, consumidora de energias com
escasso aproveitamento, devemos passar
à concentração e fixação do potencial
humano. […]


[…] O nordestino, com o seu instinto de
pioneiro, embrenhou-se pela floresta,
abrindo trilhas de penetração e talhando
a seringueira silvestre para deslocar-
se logo, segundo as exigências da própria
atividade nômade. E ao seu lado, em
contacto apenas superficial com esse
gênero de vida, permaneceram os naturais
à margem dos rios, com a sua atividade
limitada à caça, à pesca e à lavoura
de vazante, para consumo doméstico.
Já não podem constituir, por si sós,
esses homens de resistência indobrável
e de indomável coragem, como nos tempos
heróicos da nossa integração territorial,
sob o comando de Plácido de Castro e a
proteção diplomática de Rio Branco, os
elementos capitais do progresso da terra,
numa hora em que o esforço humano, para
ser socialmente útil, precisa concentrar-
se técnica e disciplinadamente. […]
59


[…] Vim para ver e observar de perto as
condições de realização do plano de reerguimento
da Amazônia. Todo o Brasil tem os olhos voltados
para o Norte, com o desejo patriótico de
auxiliar o surto do seu desenvolvimento. E, não
somente os brasileiros, também estrangeiros,
técnicos e homens de negócio, virão colaborar
nessa obra, aplicando-lhe a sua experiência e
os seus capitais, com objetivo de aumentar o
comércio e as indústrias, e não, como acontecia
antes, visando formar latifúndios e absorver a
posse da terra, que, legitimamente, pertence ao
caboclo brasileiro. […]


[…] O período conturbado que o Mundo atravessa
exige de todos os brasileiros grandes
sacrifícios. Sei que estais prontos a concorrer
com o vosso quinhão de esforço, com a vossa
admirável audácia de desbravadores para a obra
de reconstrução iniciada. Não vos faltará
o apoio do Governo central para qualquer
empreendimento que beneficie a coletividade.
[…]


[…] Nada nos deterá, nesta arrancada, que é,
no século vinte, a mais alta tarefa do homem
civilizado: conquistar e dominar os vales das
grandes torrentes equatoriais, transformando
a sua força cega e a sua fertilidade
extraordinária em energia disciplinada.[…]
60


[...] E, assim, obedecendo ao seu próprio
signo de confraternização, aqui poderemos
reunir essas nações irmãs, para deliberar
e assentar as bases de um convênio em
que se ajustem os interesses comuns e se
mostre, mais uma vez, com dignificante
exemplo, o espírito de solidariedade que
preside às relações dos povos americanos,
sempre prontos à cooperação e ao
entendimento pacífico. […]


[…] E a nós, povo jovem, impõe-se a enorme
responsabilidade de civilizar e povoar
milhões de quilômetros quadrados. Aqui,
na extremidade setentrional do território
pátrio, sentindo essa riqueza potencial
imensa, que atrai cobiças e desperta
apetites de absorção, cresce a impressão
dessa responsabilidade, a que não é
possível fugir nem iludir.
Sois brasileiros, e aos brasileiros cumpre
ter conciência dos seus deveres, nesta
hora que vai definir os nossos destinos de
Nação. E, por isso,concito-vos a ter fé e
a trabalhar, confiantes e resolutos, pelo
engrandecimento da Pátria.
61
62
À esquerda, capa e página da cartilha “Soldado da Borracha”, 1943. Acima, página do Plano de Organização da Campanha Nacional da Borracha Usada, julho de 1943. Desenhos de Jean-Pierre Chabloz
63
O col apso da i ndústri a bél i ca dos Estados Uni dos da Améri ca também l evou a
vári os acordos, conheci dos como Os Acordos de Washi ngton, em março de 1942, com
as nações l ati no-ameri canas (Brasi l , Bol í vi a, Peru e Col ômbi a), tradi ci onai s produtoras
de borracha natural , para a aqui si ção de todo o excedente do produto, ou sej a, toda a
produção não uti l i zada pel as i nci pi entes i ndústri as naci onai s.
O presi dente Getúl i o Vargas mobi l i zou o seu mi ni stéri o, pri nci pal mente o corpo
di pl omáti co do I tamaraty e o mi ni stéri o da Fazenda – assi m como a toda a popul ação do
paí s –, numa verdadei ra campanha de propaganda de guerra, no senti do de apresentar
os acordos como a úni ca saí da para o desenvol vi mento econômi co e soci al do Brasi l ,
uti l i zando-se do ufani smo e do heroí smo da massa trabal hadora para al cançar os
obj eti vos.
A urgênci a e a excepci onal i dade desses acordos, devi do à necessi dade do
A Batalha da
Borracha
Desenho de Jean-
Pierre Chabloz
64
abasteci mento das tropas al i adas e das popul ações dos paí ses engaj ados na guerra pel a democraci a e
contra o fasci smo, tomaram a di mensão de uma verdadei ra batal ha - A Batal ha da Borracha. Esta batal ha se
desenvol vi a na Amazôni a, dando sustentação às travadas nos campos de guerra do outro l ado do Atl ânti co.
Do total de 28 acordos assi nados pel os governos do Brasi l e dos Estados Uni dos da Améri ca, 14 di zi am
respei to di retamente à extração, comérci o e exportação da borracha não-benefi ci ada e à i ndustri al i zação
de artefatos de borracha, como pneus, câmaras de ar para automóvei s e bi ci cl etas, gal ochas, bal ões, l uvas,
tapetes, atoal hados, preservati vos, col chões, sol ados para cal çados e um sem número de outros produtos da
pequena i ndústri a.
Al ém da seri nguei ra (Hevea brasi l ensi s), outros vegetai s amazôni cos também produzi am goma el ásti ca
natural , como o caucho (Casti l l a ul ei Warb ou Casti l l oa Ul ei ) e a mani çoba (Mani hot gl azi ovi i ), que produzi am
uma borracha de qual i dade i nferi or à Hevea. Os acordos restantes vi savam à produção e exportação de
di versas outras matéri as-pri mas, como a castanha-do-Pará (ou castanha-do-Brasi l ), a j uta, mi néri os ou, ai nda,
assi stênci a soci al , como saúde e saneamento.
Publicação de O Estado do
Pará, em 5 de abril de 1942:
“O sub-secretario de Estado, sr.
Sumner Welles cumprimentando
o ministro Artur de Souza Costa,
quando o titular da Fazenda
do Brasil chegava a Capital
Americana. A esquerda vemos
o embaixador brasileiro em
Washington sr. Carlos Martins.
Entre o ministro Souza Costa e
o secretario Welles vemos o sr.
Alencastro Guimarães, primeiro
secretario da nossa embaixada
na América – (Foto Associated
Press). Ao centro, publicação
do jornal A Folha do Norte, em
Belém, 26 de julho de 1942,
com a legenda: “No Itamaraty,
assinatura dos Acordos de
Washington”. (Acervo FCPTN).
Ao lado, desenho de Chabloz.
65
O di nhei ro começou a ci rcul ar no Brasi l
ai nda nos pri mei ros anos da chegada dos
col oni zadores portugueses. D. Sebasti ão I ,
então rei de Portugal , autori zou a emi ssão
de moeda daquel e paí s no recém-descoberto
terri tóri o. Em 1580, com a uni ão das coroas
de Portugal e Espanha, passaram a ci rcul ar
em grande quanti dade as moedas de prata
espanhol as (sendo que nesses pri mei ros
sécul os de col oni zação também ci rcul aram
moedas trazi das por pi ratas e i nvasores).
No nordeste do paí s, quando a regi ão
vi vi a sob o domí ni o hol andês, entre 1630 e
1654, foram cunhadas as pri mei ras moedas no
Brasi l : os fl ori ns e os sol dos – as pri mei ras a
terem a pal avra Brasi l .
Já em 1808, a si tuação provocada pel a
mudança da famí l i a real portuguesa para o
Brasi l e pel a queda na produção do ouro na
col ôni a, fez com que a quanti dade de moedas
Moedas do Brasil
66
em ci rcul ação fosse i nsufi ci ente para atender
ao aumento dos gastos com a manutenção da
estrutura admi ni strati va da Coroa.
Nesse perí odo, o di nhei ro que ci rcul ou
no Brasi l – sob o padrão Réi s – foi emi ti do
por di versas i nsti tui ções, i ncl usi ve bancos
parti cul ares, o que acabou provocando uma
confusão fi nancei ra e fazendo com que o
Tesouro Naci onal , em 1896, vol tasse a ser o
responsável pel a emi ssão de cédul as.
Para uni formi zar o di nhei ro em ci rcul ação
e como parte do processo de cri ação de
i nsti tui ções de fi nanci amento, como o Banco
de Crédi to da Borracha, em 1942, em pl ena
2a. Guerra Mundi al , foi i nsti tuí da a pri mei ra
mudança de padrão monetári o no paí s: sai u
o Réi s ($) para a chegada do Cruzei ro (Cr$).
Cada mi l réi s equi val i a a um cruzei ro que, pel a
pri mei ra vez, se di vi di a em centavos.
A chegada da nova moeda organi zou o
si stema fi nancei ro, que ti nha então mai s de
80 ti pos di ferentes de cédul as e moedas.
O Tesouro Naci onal passou a ser o úni co
emi ssor e a Casa da Moeda do Brasi l , a
úni ca fabri cante das moedas metál i cas. A
parti r de 1964, quando foi cri ado o Banco
Central , este passou a ser o responsável
pel a emi ssão do papel -moeda.
Ao l ongo dos anos segui ntes, a
i nfl ação crescente fez com que o governo
promovesse sete mudanças no padrão
monetári o brasi l ei ro: Cruzei ro Novo
(NCr$) em 1967, novamente Cruzei ro
(Cr$) em 1970, Cruzado (Cz$) em 1986,
Cruzado Novo (NCz$) em 1989 (que pel a
pri mei ra vez trazi a a i magem da Efí gi e da
Repúbl i ca); em segui da, mai s uma vez o
Cruzei ro (Cr$) em 1990, Cruzei ro Real
(CR$) em 1993, e fi nal mente, o Real (R$),
a parti r de 1994.
67
Os Novos
Soldados
Para fazer frente a toda essa demanda pel a
borracha, foi necessári o que o governo brasi l ei ro
retomasse o control e e a admi ni stração do
aparel ho produti vo da Hevea, em franca e terrí vel
decadênci a durante décadas. Esse fato i mpl i cou
reati var os anti gos seri ngai s (pri nci pal mente
no Acre); vi abi l i zar novas zonas de produção;
real i zar uma nova transferênci a de mão-de-obra
nordesti na; renovar o obsol eto e desgastado
si stema de transportes na regi ão amazôni ca;
propi ci ar condi ções sani tári as para a regi ão e
prover as zonas produtoras dos supri mentos
necessári os.
O conti ngente de cerca de 55.000
nordesti nos recrutados às pressas e l evados à
Amazôni a para a extração do l átex, foi denomi nado
de exérci to da borracha e os novos seri nguei ros
até hoj e fi caram conheci dos como os sol dados
da borracha - nessa batal ha pereceram mai s
brasi l ei ros que no front europeu.
Esses homens e mul heres – j á que mui tos
l evaram suas esposas e fi l hos – sem perspecti vas
Cartaz que circulava no país atraindo brasileiros para o trabalho na
Amazônia. Jean-Pierre Chabloz, 1943. Litogravura, 109x68cm.
Impressão C. Mendes Junior, Rio de Janeiro
68
de vi da por causa da seca que assol ou o Nordeste,
de 1941 a 1943, foram atraí dos por uma
gi gantesca campanha publ i ci tári a governamental ,
com a promessa de sai r da mi séri a para um futuro
promi ssor.
Os sol dados da borracha consti tuí ram-
se nos verdadei ros herói s dessa saga, da qual
mi l hares foram di zi mados por doenças fatai s
devi do à i nsal ubri dade da regi ão, por pi cadas
de cobra, ataques de feras ou devi do à guerra
parti cul ar contra os í ndi os, que reagi am com
vi ol ênci a à i nvasão dos seus terri tóri os pel as
mul ti dões de seri nguei ros mi grantes, que os
expul sava de suas terras e cul turas ancestrai s.
O processo de recrutamento do sol dado
da borracha teve o apoi o do DNI (Departamento
Naci onal de I mi gração), com a cri ação do SEMTA
(Servi ço de Encami nhamento e Mobi l i zação
de Trabal hadores para a Amazôni a), a agênci a
federal encarregada da mi gração (compul sóri a e/
ou vol untári a) dos nordesti nos para as zonas de
produção.
O governo federal , através do SEMTA, foi
responsável por todas as ações de moti vação,
encami nhamento, transporte, adestramento nas
técni cas de extração e benefi ci amento do l átex,
al oj amento, organi zação e por todos os apetrechos
necessári os para o trabal ho na fl oresta, desse
enorme conti ngente de trabal hadores, que também
necessi tavam de cui dados com al i mentação e
atenção à saúde, para uma vi da mai s saudável
e di gna, conforme pregava a propaganda ofi ci al .
Jean-Pierre Chabloz. Desenho e colagem s/cartão, 11,5x14cm Jean-Pierre Chabloz, 1943. Estudo para cartaz. 15x12cm Jean-Pierre Chabloz, 1943. Estudo para cartaz. 96x66cm
69
Jean-Pierre
Chabloz
A hi stóri a do suí ço e “ci dadão do mundo”,
como el e mesmo gostava de se defi ni r, Jean-
Pi erre Chabl oz, é recheada de aventuras vi vi das
pel o pl aneta afora. Ri co, educado na Europa do
i ní ci o do sécul o 20, nasceu em Lausanne, Suí ça
no ano de 1910. Foi pi ntor, desenhi sta, crí ti co
de arte, músi co, professor e publ i ci tári o. Entre
1929 e 1932, estudou na Escol a de Bel as Artes
de Genebra, Suí ça. Formou-se em 1938 pel a
Accademi a Bel l e Arti di Brera, Mi l ão, I tál i a.
Por causa da guerra, em 1940, transferi u-
se para o Ri o de Janei ro com a famí l i a, onde
frequentou o núcl eo artí sti co da Pensão Mauá,
l ocal i zada em frente à casa de seus sogros. Na
época também expôs no Ri o e em São Paul o.
Em 1943, foi convi dado a trabal har em
Fortal eza, na campanha da borracha, como parte
dos esforços de guerra. As obras da campanha
para atrai r os “sol dados da borracha” l evam a
assi natura de Chabl oz, que, anos mai s tarde, ao
conhecer a real i dade da si na dos seri nguei ros na
Amazôni a, teri a entrado em depressão.
Juntamente com Al demi r Marti ns, Antôni o
Bandei ra, I ni má de Paul a, Mári o Barata e Rai mundo
Fei tosa, formou um grupo renovador da arte
cearense, responsável pel a cri ação do Sal ão de
Abri l . Chabl oz parti ci pou da Associ ação Cul tural
Franco-Brasi l ei ra do Ceará e da Soci edade
Cearense de Artes Pl ásti cas-SCAP. Também
manti nha uma col una cul tural no j ornal cearense
“O Estado”, fazi a reci tai s de vi ol i no, dava aul as
de músi ca e encontrava tempo para i ncenti var os
arti stas l ocai s.
Em 1945, vol tou ao Ri o de Janei ro e expôs na
gal eri a Askanasy, com arti stas cearenses, i ncl usi ve
Chi co da Si l va (1910-1985), pi ntor que Chabl oz
descobri u e di vul gava. Em 1948, novamente em
Fortal eza, expôs no 4º Sal ão de Abri l . Depoi s parti u
para a Europa e só retornou a Fortal eza em 1960,
tendo vi vi do em Ni terói (RJ) a parti r de 1970.
Morreu em 1984, durante uma estada em
Fortal eza, ci dade pel a qual se apai xonou e adotou
como sua. O acervo de sua obra pertence ao
Museu de Arte da Uni versi dade Federal do Ceará.
Na página ao lado, obras de Jean-Pierre Chabloz, 1943. Em destaque,
litogravura, 100x60cm. Impressão C. Mendes Junior, Rio de Janeiro e
“Belém do Pará”, desenhos sobre cartão, 33X24cm cada.
Á direita, “Fillette en Bleu”, óleo sobre tela, 27x34cm.
Estação Ferroviária João Felipe. Ao centro, Chabloz. Foto Aba-Film,
Fortaleza, 1943.
71
O Herói do
Seringal
Cabe uma observação rel evante sobre
as reações de espanto, medo e preconcei to da
popul ação amazôni ca contra esses i mi grantes
nordesti nos, a quem chamavam pej orati vamente
de ari gós ou brabos.
Até hoj e o esti gma preval ece em mui tos
l ugares, embora, num ato l ouvável , o governo do
Acre tenha reconheci do ofi ci al mente a i mportânci a
del es, como formadores da popul ação e da
cul tura acreana, pri nci pal mente dos cearenses, j á
que o escri tóri o central do SEMTA se achava em
Fortal eza, capi tal do Estado do Ceará, de onde
parti u o mai or conti ngente que al cançou chegar
ao Acre. No di a 14 de j ul ho é hasteada a bandei a
cearense ao l ado da acreana, em comemoração
ao ani versári o da I Repúbl i ca I ndependente do
Acre, cri ada em 1899 pel o aventurei ro espanhol
Lui z Gal vez, andal uz nasci do em Cádi z, que
chegou ao Acre atraí do pel o boom da borracha.
Chefe de turma recebendo braçadeira de identificação. Foto Aba-
Film, Fortaleza, 1943.
72
Dezenas de milhares de homens e mulheres atenderam ao chamado do governo: os “soldados da borracha”. Fotos Aba-Film, Fortaleza, 1943.
Quando os nordesti nos chegaram,
encontraram as rel ações de produção da
economi a extrati vi sta j á estabel eci das: preval eci a
o si stema de avi amento e o trabal ho compul sóri o
do seri nguei ro, preso i rremedi avel mente à dí vi da
no barracão do patrão-seri ngal i sta.
Ao chegar preci savam comprar todo
o materi al de trabal ho e assi m, começava a
crescente dí vi da, que a mai ori a nunca consegui a
pagar.
Também houve “as vi ol entas reações
e ressenti mentos das cl asses conservadoras
e produtoras da Amazôni a, que, por terem
fi cado total mente al i j adas do novo processo de
fi nanci amento e avi amento, protagoni zaram um
efeti vo boi cote ao mesmo, acarretando a fal ênci a
da mai s séri a tentati va que se fez até hoj e, na
Amazôni a, de se quebrar com o i ní quo e secul ar
si stema de avi amento que vi gorava em todo o
73
Jean-Pierre Chabloz,
1943. Acima,
ilustrações para cartilha:
desenho a bico de
pena sobre papel,
11x15,5cm; seguido de
desenho sobre papel,
11x17cm e desenho
a bico de pena sobre
papel, 9x13cm
val e”, regi strou Pedro Marti nel l o, no l i vro “A Batal ha
da Borracha na Segunda Guerra Mundi al ”.
Outra obra i mportante sobre o perí odo e o
di a-a-di a do seri nguei ro é ” A Borracha no Brasi l ”,
de Amando Mendes:
“O seri nguei ro dá i ní ci o aos servi ços de
extração no di a 15 de abri l , fazendo a l i mpeza
das suas ‘estradas’ (grupos de 100 a 150 árvores,
espal hadas i rregul armente na mata). [Depoi s},
começa a fazer a ‘sangri a’ das árvores, [que]
dura 10 di as.[...] A i nterrupção do fabri co ocorre
na época da fl oração da seri nguei ra; e, neste
perí odo, o seri nguei ro amanha a terra [...] para,
na época própri a fazer a sua pequeni na semeadura
do fei j ão, mandi oca, mi l ho e cana.[..] El e trabal ha
[...] l evantando-se às 3 horas da madrugada para
fazer o café e [...] o fei j ão do seu al moço. Dei xa a
barraca às 4,30 da manhã para correr as ‘estradas’
fazendo os cortes e ‘col ocar as ti j el i nhas’, para l ogo
após, correr novamente as estradas e recol her o
74
Contrato de encaminhamento; equipamento de viagem fornecido pelo SEMTA aos Soldados da Borracha, Jean-Pierre Chabloz, 1943, desenho sobre cartão, 17x13,5cm; e partida para a Amazônia, Porto de Mucuripe - Fortaleza/
CE. Foto Aba-Film, Fortaleza, 1943
l átex. Às 2 ou 3 horas da tarde, retorna à barraca,
descança mi nutos a preparar o ‘al moço-j antar’,
para em segui da defumar o l ei te recol hi do,
gastando nessa operação de uma a duas horas, e
assi m ganhar o descanço, quando j á são 6 horas
da tarde, no seu di a de 16 horas de afan”. A
médi a de peso das “pel as” (bol as) de borracha no
fi m do di a, era de 40 kg, carregados às costas.
Dos que sobrevi veram, poucos
consegui ram vol tar à terra natal com al gum
di nhei ro e ostentando rel ógi os de ouro “Mi do” e
l evando cai xas de perfume Royal Bri ar. A mai ori a
permaneceu pobre; al guns ai nda conti nuam
vi vendo na Amazôni a, não só porque consti tuí ram
famí l i a, mas por não terem consegui do pagar
dí vi das ao barracão.
Esqueci dos no fi m da 2a. Guerra, os
sol dados da borracha conqui staram um auxí l i o
de doi s sal ári os mí ni mos e buscam o mesmo
reconheci mento dado aos “Praci nhas”.
75
Para concreti zar os Acordos de Washi ngton,
os governos brasi l ei ro e norte-ameri cano
– até então l i mi tados à ação di pl omáti ca e
estudos e pesqui sas prel i mi nares – i mpl antam
um di sposi ti vo organi zaci onal e l ogí sti co de
grande di mensão para a época, atendendo à
necessi dade de aumentar de modo consi stente
a produção da borracha: fi nanci amento e crédi to
para seri ngal i stas, abasteci mento de ví veres e
equi pamentos, mel hori a dos transportes, ações
de saúde e saneamento entre outras.
Sobre o fi nanci amento dessa emprei tada,
Brasi l e Estados Uni dos “deci dem cri ar o Banco
de Crédi to da Borracha, (Dec. nº 4.451, de 9 de
j ul ho de 1942) que teri a como obj eti vo fomentar e
fi nanci ar toda a ati vi dade gumí fera da Amazôni a”,
conta Pedro Marti nel l o. A cri ação do BCB foi
promul gada segundo o art. 7 dos Estatutos
O Banco de Crédito
da Borracha
Acima, primeiro Estatuto do Banco de
Crédito da Borracha S/A. (Acervo Banco da
Amazônia).Em baixo, Douglas H. Allen, da
Rubber Reserve, em Belém - Folha do Norte,
24 de julho de 1942. (Acervo FCPTN)
76
aprovados no Ri o de Janei ro pel a Assembl ei a
Geral em 1º de agosto de 1942 e confi rmada em
decreto pel o Mi ni stro de Estado dos Negóci os da
Fazenda, l ogo após, em 4 de agosto de 1942.
Para o crí ti co programa de abasteci mento
da regi ão, que i ri a ver acresci da a sua popul ação
por esse novo conti ngente de i mi grantes, foi cri ada
a SAVA (Superi ntendênci a do Abasteci mento
para o Val e Amazôni co) que, j unto com a RDC
(Rubber Devel opment Corporati on), anti ga RRC
(Rubber Reserve Company), representante dos
Estados Uni dos nos acordos, se i ncumbi a de
prover e regul ar o supri mento de ví veres para a
regi ão. A SAVA foi posteri ormente i ncorporada
ao SEMTA, que sofreu di versos probl emas
admi ni strati vos e pol í ti cos, dando ori gem à CAETA
(Comi ssão Admi ni strati va de Encami nhamento de
Trabal hadores para a Amazôni a).
Detalhe da marca do BCB, impressa no verso das primeiras folhas de cheques de 1948. (Acervo Banco da Amazônia)
77
Frente ao vi tal probl ema do transporte,
i nvesti u-se no SNAPP (Servi ço de Navegação e
Admi ni stração dos Portos do Pará) que j á exi sti a,
remodel ando e potenci al i zando sua frota fl uvi al .
Al ém di sso, foi enfati zado outro ti po de transporte, o
aéreo, que demonstrou ser de grande val i a, devi do
às i mensas di stânci as e às di fi cul dades i nerentes à
natureza da regi ão amazôni ca.
Quanto às estradas, os acordos também
previ ram i nvesti mentos na mel hori a do que j á exi sti a
e na cri ação de novas mal has vi ári as (tanto rodovi as
quanto ferrovi as), com o obj eti vo de faci l i tar tanto o
escoamento da produção como o fl uxo mi gratóri o
das popul ações regi onai s.
O Banco de Crédi to da Borracha S/A foi cri ado
para ser o agente comerci al e fi nancei ro do Brasi l
nessa i ntermedi ação entre o produtor de borracha e
o mercado i nternaci onal . As ati vi dades do BCB são
di vi di das em doi s ci cl os di sti ntos: o pri mei ro, que vai
de sua fundação – assumi ndo a presi dênci a o então
Capi tão Oscar Passos – até o fi nal da 2ª Guerra
Mundi al ; e o segundo, a parti r desse fato hi stóri co –
a Paz foi sel ada em Agosto de 1945 – até o térmi no
dos Acordos de Washi ngton, em 1947.
Nos pri mei ros meses, por fal ta de i nfraestrutura
Certificado de Ações Ordinárias Nominativas do
BCB no valor de Rs.1:000$000 (um conto de
réis cada), em favor de Mario Barroso Ramos,
em 11 de setembro de 1942. Em baixo, Livro
de Registro de Presença de Empregados (1942
– 1943). (Acervo Banco da Amazônia)
78
sufi ci ente para manter as ati vi dades do BCB, o governo
federal , através do Mi ni stéri o da Fazenda, col ocou a
Cartei ra de Exportação e I mportação do Banco do
Brasi l (BB) à di sposi ção para geri r a i mpl antação
do BCB, apoi o que se estendeu até 1949, quando
apenas um funci onári o ai nda assessorava o quadro
do Banco da Borracha.
Em 1943, o então presi dente do BCB, Dr. José
Carnei ro da Gama Mal cher, que sucedeu o deputado
Oscar Passos na Di retori a da i nsti tui ção, enal tece a
aj uda do BB no pri mei ro rel atóri o ofi ci al da Di retori a
do Banco à Assembl ei a Geral dos Aci oni stas da
i nsti tui ção:
“Para organi zação e efeti vo funci onamento
dos servi ços do Banco, tornava-se necessári o
pessoal especi al i zado e experi mentado. Recorreu a
di retori a para esse efei to ao Banco do Brasi l , que do
seu funci onal i smo, sobej amente conheci do por sua
dedi cação, di sci pl i na e competênci a técni ca, destacou
al guns el ementos [...] que i ntegraram-se ao quadro
com outros el ementos escol hi dos e acei tos medi ante
provas de i donei dade e competênci a, os quai s, por
sua vez vêm desempenhando sati sfatori amente as
funções para que tem si do destacados.”, segundo o
Rel atóri o BCB, 1943.
Desembarque de caminhões e caminhonetes adquiridos no período de 1946 a 1948.
(Acervo Digital: Departamento do Patrimônio Histórico e Cultural do Acre)
79
O Banco da Borracha e o
Futuro da Amazônia
O pri mei ro rel atóri o ofi ci al do BCB foi apresentado à
Assembl ei a Geral dos Aci oni stas, cumpri ndo seu Estatuto,
somente em março de 1944. Nel e, a di retori a teci a
consi derações gerai s sobre as ações do banco (operações
de crédi to, recursos, depósi tos, produção da borracha,
exportação, estoques, fi scal i zação de seri ngai s) durante o
ano de 1943, al ém do bal anço do ati vo e passi vo, pareceres
do Consel ho Fi scal , rel ação dos aci oni stas e anexos com
tabel as de contratos de fi nanci amento de produção.
Ao fi ndar 1943, as ati vi dades do BCB estavam
espal hadas “por Agênci as e sub-agênci as ou escri tóri os
em di versas zonas do paí s, [o que exi ge] mai or número de
funci onári os [...]. Presentemente conta o Banco com 221
funci onári os di stri buí dos pel a Matri z (Bel ém) e nas agênci as
de Manaus, Ri o Branco (Acre), Guaj ará Mi ri m, Porto Vel ho,
Fortal eza, Sal vador, Ri o de Janei ro, São Paul o, Bel o Hori zonte
e Cui abá”, como i nforma o mesmo documento.
A pri mei ra di retori a do BCB a apresentar um rel atóri o
estava consti tuí da pel o presi dente, José Carnei ro da Gama
Mal cher; por três di retores brasi l ei ros, senhores Ruy Mári o
de Medei ros, Abel ardo Condurú e I gnaci o Cal das; e doi s
norte-ameri canos, funci onári os da RUBBER RESERVE
COMPANY, representante do governo dos Estados Uni dos
da Améri ca, senhores Edward R. Jobson e George E. Pel l ,
al ém de três i ntegrantes do Consel ho Fi scal .
Comunicado de Concurso Público para admissão de funcionários
do BCB, 22 de julho de 1944. (Acervo Banco da Amazônia)
80
Nos anos subsequentes, os rel atóri os mostram que
foram abertos concursos públ i cos para todas as categori as
da admi ni stração: al ém dos empregados do quadro (agentes,
escri turári os, esti vadores e fi scai s de seri ngai s), também
exi sti am os requi si tados, contratados, di ari stas de escri tóri o,
motori stas etc.
Em 1944, vi sando formar pessoal especi al i zado e
experi mentado, o Banco cri ou um Curso de Aperfei çoamento
Bancári o, com aul as de Português, I ngl ês, Matemáti ca,
Contabi l i dade, Estatí sti ca, Práti ca Judi ci ári a Comerci al , Práti ca
de Admi ni stração e Conheci mentos de Borracha.
Em 1945, o BCB “numa demonstração públ i ca do
i nteresse que l he merece o futuro da regi ão Amazôni ca, e
conhecedor como é, de que este probl ema está di retamente
l i gado à fi xação do homem ao sol o e do seu preparo para
enfrentar as vi ci ssi tudes da vi da, resol veu, como pri mei ro
passo para uma sol ução sati sfatóri a, amparar os fi l hos dos
homens que com seu trabal ho, com o seu destemor heroi co,
não trepi dam em afrontar as surpresas da sel va para col her
o produto de que tanto necessi ta a Humani dade. Com esta
fi nal i dade i nsti tui u o ‘Fundo para Educação e Al fabeti zação dos
Fi l hos dos Seri nguei ros e dos Pequenos Seri ngal i stas’, l evando
o seu crédi to a i mportânci a i ni ci al de Cr$6.000.000,00.”
“A Di retori a j á tem em estudos um pl ano para uma
profí cua apl i cação desta quanti a em favor da cri ança, certa
de que auxi l i ando a formação fí si ca, moral e técni ca do futuro
trabal hador, está prestando à Pátri a um rel evante servi ço”.
Já no ano de 1947, o BCB ti nha em funci onamento a
Matri z em Bel ém e mai s nove agênci as fi l i ai s e três escri tóri os,
tendo si do cri adas as agênci as de Boca do Acre e Benj ami n
Constant (AM) e Al tami ra (PA).
Acima, Livro de Termo de Posse dos
Diretores do Banco, de 1942 a 1978.
Em baixo, registro de admissão de
empregados do BCB.
81
Foto: Ermano Stradelli. (Acervo MIS/AM)
82
Recentemente, os estudos hi stóri cos
buscaram e deram voz aos testemunhos sobre
mul heres. Desde 1970, os debates sobre gênero
ganharam reconheci mento da pesqui sa ci entí fi ca,
com questi onamentos sobre a di mensão da excl usão
a que estavam submeti das, entre outros fatores, por
um di scurso uni versal mascul i no. Depoi s de l ongo
si l ênci o, as vozes femi ni nas, mui tas vezes sol i tári as,
puderam ser ouvi das também no i nteri or da sel va
amazôni ca. Vozes que comparti l haram a di fí ci l vi da
nos seri ngai s.
A presença dessas trabal hadoras na regi ão
é di vi di da em doi s momentos: no pri mei ro ci cl o da
borracha – quase i nexi stente, j á que teori camente
não col hi am o l átex; e no segundo, em número mai or,
foi essenci al , poi s al ém dos afazeres domésti cos e
maternos, não raro, também col etavam e defumavam
o l átex.
No pri mei ro ci cl o, entre 1870 e 1912,
foi acentuada a di ferença entre o número das
popul ações mascul i na e femi ni na, nos al tos ri os. A
grande mai ori a era de homens sol tei ros, j ovens ou
adul tos, que vi nha pri nci pal mente do Nordeste como
força de trabal ho, sem qual quer condi ção de agente
de produção, trabal har na empresa extrati vi sta da
borracha para fazer fortuna e vol tar para o sertão.
O quadro mudou no segundo ci cl o da
borracha, de 1940 a 1945, quando o trabal ho de
roti na da mul her foi sobrecarregado pel a col eta e
defumação do l átex, pel a cri ação de ani mai s, al ém
do pl anti o de al i mentos - a guerra i mpôs cri se de
abasteci mento e os seri nguei ros não compravam
manti mentos, como antes.
Esse novo surto de cresci mento econômi co
regi onal contou com a força, deci si va, de trabal ho
femi ni no e, embora mui tas fossem seri nguei ras,
não se fal a de “Sol dadas da Borracha”, apenas os
homens ai nda são consi derados. Assi m, cresceu
a i mportânci a do trabal ho da mul her no corte da
seri nguei ra, fosse por conta da necessi dade de
aumentar a renda paterna, que uti l i zava a mão-de-
obra fami l i ar; ou pel a deci são de aj udar o mari do,
endi vi dado no barracão; ou com a morte, i nval i dez,
do chefe da famí l i a, quando assumi am as estradas
de seri nga e toda a responsabi l i dade do sustento
fami l i ar.
Embora o trabal ho da mul her não fi casse em
nada a dever ao trabal ho do seri nguei ro, a estrutura
da soci edade do seri ngal não admi ti u contrato
de “seri nguei ra”; não permi ti u cadastramento e
movi mentação de conta no Barracão. Todas as
ações da mul her foram contabi l i zadas em nome do
companhei ro, mesmo que el e esti vesse morto –
si tuação que, ai nda hoj e, i nvi abi l i za a aposentadori a
de mul heres, com di rei to aos doi s sal ári os mí ni mos,
desti nados apenas aos “Sol dados da Borracha”.
Apesar di sso, hoj e a Hi stóri a reconhece as mul heres
que também contri buí ram para a formação da
soci edade amazôni ca, como bravas e destemi das
“mul heres seri nguei ras”.
Mulheres Seringueiras
83
Termina a
Guerra
Em agosto de 1945, com o bombardei o atômi co
dos EUA, que destrui u as ci dades j aponesas de Hi roshi ma
e Nagazaki , e com a consequente rendi ção do I mpéri o do
Japão e dos outros paí ses do Ei xo, a Paz foi sel ada.
Sobre o fi m da 2ª Guerra Mundi al , o rel atóri o do BCB,
em 1947, descreve que “a si tuação mudara compl etamente
e se apresentava sombri a. Confi rmava este temor a posi ção
dos mercados i nternaci onai s i nundados pel a borracha das
Pl antações do Ori ente. [...] A Amazôni a não pôde aprovei tar
o perí odo da guerra para acumul ar reservas monetári as que
l he permi ti ssem mai ores empreendi mentos, porque seus
pri nci pai s gêneros de exportação não ti nham saí da para o
exteri or por i mperati vo da l uta, [...] assi m como não pl antou
seri ngai s em l arga escal a, que l he permi ti ssem fazer frente
à concorrênci a no mercado i nternaci onal ”.
Nesse momento, o mercado i nternaci onal da borracha
Os Acordos de Washington só podem ser compreendidos
“no cenário dramático e na grave emergência em que se encontrava
o mundo. Foram convênios de guerra e, portanto, sujeitos ao clima
de nervosismo, de aflição, que as catástrofes determinam.”

Cassio Fonseca
Explosão de bomba atômica sobre o porto japonês de Nagasaki, em 8
de agosto de 1945. (Acervo Arquivo Nacional Americano)
84
se achava em pâni co. “Termi nada a guerra
mundi al , recuperadas as pl antações do Ori ente
para o mundo oci dental depoi s da derrota dos
j aponeses, reduzi das as demandas extraordi nári as
do governo norte-ameri cano, o contraste entre a
Hevea brasi l ei ra e a ori ental nos col ocava em
di fí ci l posi ção”.
E não foi somente esse o fator negati vo
que ati ngi u a produção da borracha na Amazôni a.
Durante os anos de guerra, as ati vi dades
extrati vas do val e amazôni co fi caram prati camente
paral i sadas em rel ação a todos os demai s
produtos da regi ão: castanha, bal ata, pau rosa,
cacau, madei ras, etc.
Em j unho de 1947, expi raram os Acordos
de Washi ngton e “a i ndústri a brasi l ei ra não se
mostrava ai nda capaz de absorver nossa produção,
embora vi esse em crescente prosperi dade”.
A fal ta desses recursos fi nancei ros trouxe
séri as - mas não i nsol úvei s - consequênci as para
a borracha brasi l ei ra, não fosse a organi zação da
economi a gumí fera, pri nci pal mente pel a atuação
do Banco de Crédi to da Borracha S/A.
Como parte dessa organi zação, foram
da mai or i mportânci a as i ni ci ati vas do BCB,
Embarque de borracha laminada para São Paulo. (Acervo Digital: Departamento do Patrimônio Histórico e Cultural do Acre). O marechal alemão Wilhelm Keitel assina os termos de rendição em Berlim, Alemanha, em 7 de
maio de 1945. (Acervo Arquivo Nacional Americano)
como i naugurar com a col aboração do I nsti tuto
Agronômi co do Norte, órgão do mi ni stéri o da
Agri cul tura sedi ado em Bel ém, um curso técni co
de aperfei çoamento desti nado aos fi scai s de
seri ngai s, di pl omados em agronomi a, assi m como
a consti tui ção de uma bi bl i oteca especi al i zada em
assuntos amazôni cos.
Também foi construí do o pri mei ro armazém
(gal pão) com capaci dade para receber toda
a borracha adqui ri da e oferecer condi ções de
segurança e hi gi ene aos trabal hadores, à rua da
Muni ci pal i dade, no bai rro do Reduto, em Bel ém
- edi fí ci o cuj a pl anta obedeceu aos requi si tos
da técni ca moderna e é estudado por gerações
de arqui tetos e engenhei ros, como exempl o de
construção i novadora e surpreendente, da época.
Ai nda, “foi i nstal ado um ambul atóri o com
o i ntui to de dar mai or assi stênci a à saúde dos
funci onári os, l ocal i zado à aveni da Oswal do Cruz
no centro de Bel ém, com uma parte hospi tal ar
dotada de compl eto e moderno gabi nete de
radi ol ogi a, de sal as de operações, enfermari as,
cl í ni ca obstétri ca, gabi nete dentári o e demai s
mel horamentos que a ci ênci a médi ca moderna
aconsel ha”.
85
Os Soldados Urbanos da Borracha
Numa época em que o Reduto era marcado pel o I garapé
das Al mas, o chei ro da borracha i mpregnava todo o bai rro. Com
chuva ou sol , o trabal ho não parava, dentro e fora do gal pão. A
borracha chegava pel o cai s do porto nos navi os dos seri ngal i stas
e era desembarcada por esti vadores. Depoi s segui a para o
gal pão do Banco, em cami nhões carregados com até 150 fardos,
conforme o tamanho das pel as. Lá, depoi s de cl assi fi cada, a
borracha i a para as usi nas, onde eram l avadas e secas, antes da
prensagem – a úl ti ma etapa antes da exportação.
Os di ari stas chegavam cedo, entre 6h e 7h, para “responder
o ponto e pegar no pesado”, poi s quando era fei ta a chamada
pel o nome dos homens que i am trabal har naquel e turno, àquel es
que não respondessem, perdi am a vez para carregar, cortar,
sel eci onar centenas de pel as, com cerca de 60 kg cada. Longe
das agruras dos seri ngai s, um sol dado da borracha urbano, num
trabal ho que era para poucos.
Um desses homens sai u de Vi gi a, no nordeste paraense,
para “arri scar a sorte” na capi tal , Bel ém, aos 12 anos de i dade.
Dez anos depoi s, no di a 3 de março de 1958, passando pel a
travessa Muni ci pal i dade, vi u a grande quanti dade de pel as de
borracha espal hadas pel a rua... Na frente do gal pão do Banco,
a agl omeração de homens chamou a atenção. Aproxi mou-
se e descobri u que estavam sel eci onando trabal hadores. No
mesmo di a, Franci sco Rubens Barbosa começou sua hi stóri a de
dedi cação ao Banco, que só encerrou com uma aposentadori a,
24 anos depoi s.
Seu Barbosa conta que era comum acontecer de homens
saí rem para “merendar” e, si mpl esmente, não vol tarem para o
trabal ho. “Largavam até as roupas. I am e nunca mai s vol tavam”.
No gal pão trabal havam 12 contratados do Banco e 145
di ari stas que se di vi di am em categori as de servi ço. O carregadores
Plantas originais do armazém de borracha, à rua
Municipalidade, em Belém. (Acervo Banco da Amazônia)
86
cui davam do transporte do produto, dos cami nhões para o prédi o
e vi ce e versa. Em segui da, as pel as eram sel eci onadas pel os
seguradores - homens fortes, que com o “gato” (uma espéci e de
gancho) puxavam o produto para l ados opostos, para o cortador,
que com um cutel o (facão) cortava a pel a para separar os ti pos
de borracha. Ao l ado do cortador, trabal hava o cl assi fi cador,
profi ssi onal que veri fi cava o ti po de borracha: a parte central da
pel a era chamada de “acre fi na” e consi derada de al ta qual i dade.
A camada externa, por consegui nte aquel a que recebi a todas as
i ntempéri es do transporte, era de menor qual i dade - a “cernambi
rama”, também conheci da como “fi no”, “entre fi na”, “vi rgem” e
“comum”.
Era comum, no processo de corte, el es encontrarem a
“mi stura”, pedra ou a tabati nga, col ocada dentro da pel a, para
aumentar o peso. Também encontravam potes de cerâmi ca, o que
prej udi cava a amol ação do facão que usavam para o corte. Para
os trabal hadores, a “mi stura” era a vi ngança do seri nguei ro pel a
expl oração que sofri a do seri ngal i sta.
Hoj e, aos 75 anos de i dade, seu Barbosa l embra, com voz
tranqui l a, do tempo em que trabal hava no armazém do Banco de
Crédi to da Amazôni a e garante que “o ‘gato’ foi a caneta que o
fez entrar no Banco e garanti u o sustento da famí l i a. Na década
de 60, com a queda da produção da borracha, os profi ssi onai s
foram i ncorporados ao quadro do banco, como servente i ni ci al .
Na Muni ci pal i dade, hoj e, al ém de uma agênci a e da sede da
Superi ntendênci a Pará I , o anti go prédi o abri ga o al moxari fado e o
arqui vo central . Mas entre os equi pamentos dos di as atuai s, ai nda
se pode encontrar toda a estrutura do Armazém da Borracha,
como era conheci do quando foi construí do, na década de 40 e,
em frente ao prédi o hi stóri co, uma árvore seri nguei ra remete à
memóri a de um passado com chei ro de borracha no ar.
Francisco Barbosa, uma vida a serviço do Banco da Borracha. Foto Marcelo Lelis
87
Medidas para Garantir a
Economia da Borracha
Em 8 de Setembro de 1947, foi promulgada
a Lei nº 86, que permitiu a estabilização da economia
gumífera no Norte do País, através da garantia do
preço, do financiamento dos estoques e do estímulo à
industrialização intensiva, pelo fato de manter os preços
da borracha natural ao nível de 1944 (ainda conforme
os Acordos de Washington), prorrogando as atribuições
do BCB como órgão financiador do produto, para
estimular o consumo no mercado interno e prevendo o
financiamento dos excedentes de produção através do
Plano de Valorização Econômica da Amazônia.
A partir daí, a importância do mercado interno
pode ser medida pelo fato de que só a indústria do
Estado de São Paulo, nessa altura, consumia em média
borracha equivalente a Cr$1.150.000,00 por dia útil.
Um novo problema se apresentava: a indústria
brasileira já estava consumindo mais do que podia
produzir para atender às necessidades da manufatura de
artefatos de borracha. Os fatores ficaram invertidos: de
superprodutor de borracha, o Brasil passava a ter um
déficit cada vez maior da goma nacional.
Com a consequente queda da produção, a
partir de 1948, abriram-se novas perspectivas para
a exportação da castanha, balata, sorva, madeira,
essências, peles silvestres, couro de jacaré. E uma nova
Na Casa Branca, o presidente Truman anuncia a rendição do Japão. Washington, DC, 14 de agosto de
1945. (Acervo Arquivo Nacional Americano)
88
produção, trazida pelos imigrantes japoneses que se
instalaram na região no início do século 20, iniciou-se
vigorosamente: a da juta, no Baixo Amazonas.
“A situação do Banco de Crédito da Borracha
S.A. é a melhor possível”, afirmava a diretoria do BCB
em seu Relatório de 1948: “Fundado em 1942, com
um capital inicial de Cr$ 50.000.000,00, depois
elevado para Cr$150.000.000,00 [...], a 31 de
Dezembro de 1948, seu balanço acusa um capital e
reservas totalizando Cr$236.014.371,20”.
“Vigilante, sempre, na defesa dos interesses a
seu cargo, o Banco de Crédito da Borracha S.A. se
revelou o instrumento capaz e eficiente de amparo
da economia de um produto que é a base de todo o
sistema financeiro da maior região do país. A verdadeira
batalha da borracha é a que vem sendo travada desde
que cessaram os Acordos de Washington, quando o
Brasil teve de sustentá-la sozinho, [...] para manter um
produto silvestre que se transformou em pilar de um
parque industrial precioso, que é preciso preservar à
custa de todos os sacrifícios”.
Essa foi a conclusão a que chegou a diretoria
do Banco, assinada pelo então presidente do BCB, Sr.
Octávio Augusto de Bastos Meira, na página 41 do seu
Relatório datado de 20 de Fevereiro de 1949.
Embarque de passageiros e pelas de borracha. (Acervo Digital: Departamento do Patrimônio Histórico e Cultural
do Acre). Defumação da borracha. (Acervo Centro de Documentação Histórica do Estado de Rondônia)
89
Bancrévea
A Associ ação de Desportos Recreati va
Bancrévea se organi zou em Bel ém no di a 23 de
j unho de 1891, após a exti nção da Associ ação
Dramáti ca Recreati va Benefi cente e do Bancrévea
Cl ube. Logo o Bancrévea fi gurou entre os pri nci pai s
cl ubes da ci dade, i ncenti vando, esti mul ando e
desenvol vendo, por todos os mei os, o esporte como
l azer para os associ ados.
O Bancrévea foi o segundo cl ube náuti co
mai s anti go do Brasi l , só perdendo para o Cl ube
Barroso, l ocal i zado no Ri o Grande do Sul , doi s anos
mai s vel ho que a agremi ação paraense. Em 1947,
o j ornal ´ A Vanguarda` promoveu um concurso para
conhecer o cl ube mai s queri do de Bel ém. Para a
surpresa de mui ta gente, o Bancrévea fi cou em
tercei ro l ugar, com 26.429 votos, perdendo apenas
para Remo e Paysandu.
Não é só em Bel ém que os associ ados do
cl ube – empregados, aposentados do Banco da
Amazôni a ou qual quer pessoa que se di sponha a
segui r seus estatutos – encontram um l ocal onde a
famí l i a possa desfrutar de bons momentos de l azer
e de soci abi l i dade, j untamente com seus ami gos e
col egas de trabal ho. Assi m é o cl i ma de descontração
e al egri a que ani mam as dependênci as das sedes
dos Bancréveas Cl ubes em toda a regi ão Norte,
i ncl ui ndo Brasí l i a.
Celice Marques: Brancrévea elege a primeira Miss Brasil pelo Pará (Acervo
Banco da Amazônia)
Hoj e, a mai ori a dos Cl ubes Bancrévea
em toda a regi ão mantém suas própri as sedes
campestres, sempre movi mentadas por eventos
como festas de ani versári o, bai l es de debutantes,
bai l es de carnaval , desfi l es de modas, j ogos
esporti vos etc. O Cl ube se espal hou pel as
pri nci pai s ci dades da regi ão, onde o Banco tem
pel o menos uma agênci a. Quase todas possuem
parque aquáti co de qual i dade..
Em Bel ém, nas décadas de 1940, 1950
e 1960, as festas e eventos promovi dos pel o
Bancrévea se real i zavam no Pal ace Theatro, uma
dependênci a do anti go prédi o hi stóri co do Grande
Hotel , demol i do nos anos 70 para dar l ugar ao
hoj e Hotel Hi l ton Bel ém. Os bai l es de Carnaval ,
adul tos e i nfanti s, eram dos mai s concorri dos
na soci edade paraense da época e mui tos
foram ani mados por grandes orquestras l ocai s,
naci onai s e i nternaci onai s, como a paraense
Orquestra Orl ando Perei ra, o cari oca Rui Rey, a
Orquestra Tabaj ara do maestro Severi no Araúj o,
o norte-ameri cano Ray Conni ff e outras.
O Bancrévea também tem uma hi stóri a de
grande sucesso no que se refere aos concursos
de bel eza. No Mi ss Pará de 1982, por exempl o,
ganhou a candi data do cl ube, Cel i ce Pi nto
Marques, que, para gl óri a total dos associ ados,
também foi el ei ta a mai s boni ta do paí s: a Mi ss
Brasi l . Pel a pri mei ra vez na hi stóri a do concurso,
o Pará chegava ao pódi o mai s al to da bel eza
brasi l ei ra. A Mi ss Bancrévea 82 ai nda foi
semi fi nal i sta no concurso i nternaci onal de Mi ss
Uni verso daquel e ano, quando Cel i ce ganhou o
segundo l ugar no mel hor traj e tí pi co – “tanga
maraj oara”.
O cl ube de Bel ém também comemora
ser o mai s tradi ci onal parti ci pante do Concurso
Rai nha das Rai nhas do Carnaval de Bel ém,
tendo conqui stado o tí tul o do ano de 2011, com
a candi data Martha I nez Li ma, com a fantasi a
“Mel i ndrosa”, uma adaptação carnaval esca das
coquettes que ani mavam os bai l es nas décadas
de 20/30 do sécul o XX.
O pri nci pal patri môni o do Bancrévea hoj e
é a Sede Campestre, em Bel ém, com cerca de
60.000 m², com sal ão de festas; di versas áreas
para confraterni zações e ani versári os; pi sci na de
água natural ; pi sci na para as di ferentes fai xas
etári as; al gumas com um mi ni parque i nfanti l ; e
l ago, no qual os frequentadores podem desfrutar
de passei os de pedal i nhos e cai aques; campos
de futebol soci ety e ofi ci al ; beach-soccer;
quadra de vôl ei ; basquete e o sal ão de j ogos,
al ém de di versas mal ocas onde o associ ado
fi ca à vontade para promover churrasco ou,
si mpl esmente, armar a sua rede e descansar.
Sede do
Bancrévea em
Manaus, e o
Palace Theatro
em Belém.
(Acervo Banco
da Amazônia)
91
Criação do Banco de Crédito
da Amazônia
“O Brasi l vai i mportar borracha durante o ano corrente.
Essa notí ci a correu cél ere pel o paí s adentro, provocando
l ongo debate públ i co. Ter de i mportar borracha foi
consi derado um gol pe contra a Amazôni a e uma vergonha
para o paí s que di ri gi u os mercados mundi ai s da Hevea no
começo do sécul o”.
Pedro Marti nel l o
Ai nda em mai o de 1947, antes mesmo do térmi no
dos Acordos de Washi ngton, o Mi ni stéri o da Fazenda j á
ti nha se reuni do com as bancadas de deputados federai s
e senadores dos Estados amazôni cos da Assembl ei a Geral
(como então era denomi nado o atual Congresso Naci onal ),
para estudar medi das a serem postas em práti ca pel o
Governo, vi sando pri nci pal mente a defesa da economi a de
borracha.
Seringueira. Detalhe da folha de cheque do Banco
de Crédito da Amazônia (Acervo Banco da Amazônia)
92
Nessa reuni ão e nas recomendações da Tercei ra
Conferênci a Naci onal da Borracha, cri ada em fi ns de 1947,
foi proposta a transformação do BCB, que passou a ser o
Banco de Crédi to da Amazôni a S/A, podendo operar em
todos os ramos de ati vi dades bancári as. Em 1948, abri ram-
se novas perspecti vas para a exportação da castanha,
bal ata, pau rosa, madei ras e outros. Em 1950, foi i nsti tuí do
o si stema de câmbi o vi ncul ado e as cotações i nternaci onai s
de todos esses produtos cresceram consi deravel mente.
“Hoj e este Banco nada tem a j usti fi car o seu tí tul o.
Fundado excl usi vamente para fomentar e assi sti r à produção
da borracha, teve seu campo de ação ampl i ado.[...] Dei xou
de ser o Banco da Borracha para ser, na real i dade, um grande
Banco de crédi to geral . I mpõe-se, poi s, a substi tui ção de
seu nome, e, nenhum mai s apropri ado que o i ndi cado pel a
I I I Conferênci a Naci onal da Borracha: BANCO DE CRÉDI TO
DA AMAZÔNI A S.A.”, escl arece a di retori a no Rel atóri o BCB,
de 1949.
A mudança se deu a 30 de Agosto de 1950, ai nda no
governo do presi dente general Euri co Gaspar Dutra, quando
o BCB foi transformado em BCA, pel a Lei nº 1.184 - dei xando
de ser o “fi nanci ador de um só produto, a borracha, para
se consti tui r na vi ga mestra do desenvol vi mento econômi co
desta i mensa regi ão”, conforme o Rel atóri o BCA, 1950.
As transformações mai s i mportantes i ntroduzi das na
Marca BCA impressa no verso das folhas de cheques (Acervo Banco da Amazônia)
93
estrutura da casa de crédi to, afora a mudança de seu nome,
foram:
Consti tui ção da Di retori a por um presi dente e quatro
di retores, dos quai s doi s bancári os profi ssi onai s e os outros
doi s representantes dos produtores e da i ndústri a da borracha;
Consti tui ção do Consel ho Consul ti vo do Banco, i ntegrado
pel os representantes dos governos dos Estados e Terri tóri os
amazôni cos e pel as associ ações comerci ai s e de seri ngal i stas
da Pl aní ci e;
Consti tui ção do Fundo de Fomento à Produção;
Abertura de agênci as do Banco em todas as capi tai s dos
Estados e Terri tóri os amazôni cos.
Com sól i da base no Fundo de Fomento à Produção,
consti tuí do de capi tal puramente estatal , o Banco de Crédi to
da Amazôni a podi a fi nanci ar com j uro anual não superi or
a 4% e prazos conveni entes ao ci cl o das operações, o que
se coadunava perfei tamente com as ati vi dades produti vas da
regi ão, notadamente subdesenvol vi da.
Para fomentar o desenvol vi mento da produção amazôni ca
em geral , e não apenas da borracha, o BCA concedi a emprésti mos
das segui ntes naturezas:
agrí col as, pecuári os e à produção nati va;
fundi ári os e à mobi l i zação de pessoal e col oni zação e
saneamento das zonas produtoras;
1. “Fabrica de artefatos de borracha no Estado de São Paulo. Em
primeiro plano, os escritórios da empresa e as instalações fabris. Ao
fundo, o departamento de fiação e tecelagem, onde é preparada a
matéria-prima utilizada”
2. “Quase toda a borracha nacional é entregue lavada e crepada
às indústrias do país, pelo Banco de Crédito da Borracha S.A. Parte
dela, entretanto, é fornecida em bolas coaguladas (pélas), que
eram cortadas em máquinas especiais, depois de efetuada rigorosa
inspeção”
3. “O tecido de algodão, matéria-prima indispensável à fabricação de
pneumáticos, depois de tratado, passa entre cilindros prensadores,
sendo devolvido por uma mistura de borracha e ingredientes
químicos. A operação visa proteger o pneumático contra o calor da
rotação, garantindo-lhe conforto e durabilidade”
94
à i ndústri a de benefi ci amento e transformação
dos produtos da regi ão;
à mel hori a dos mei os de comuni cação e
transporte;
à organi zação cooperati vi sta;
à aqui si ção de equi pamentos de trabal ho e de
quanto este preci se para defesa dos seus bons resul tados;
à construção de armazéns gerai s, depósi tos,
si l os, câmaras de expurgo e fri gorí fi cos, para recebi mento,
garanti a, guarda e conservação, al ém de regul ar a
di stri bui ção dos produtos de consumo e exportação;
e, sob a forma de i nvesti mentos, ao que for
de uti l i dade à el evação dos ní vei s econômi co-soci ai s da
regi ão.
Val e l embrar que na área sob j uri sdi ção do Pl ano de
Val ori zação Econômi ca da Amazôni a o crédi to bancári o era
exerci do pel as agênci as dos segui ntes bancos: Banco do
Brasi l , London Bank, Banco Naci onal Ul tramari no, Banco
da Lavoura de Mi nas Gerai s e, pel as matri zes regi onai s, o
Banco de Crédi to da Amazôni a S/A, Banco Morei ra Gomes,
Banco Comerci al do Pará, Banco do Estado do Pará e
Banco do Estado do Maranhão. Na órbi ta da economi a
popul ar de poupança, também funci onavam as agênci as
da Cai xa Econômi ca Federal .
95
4. “Cada fase da fabricação é entregue a operários especializados.
Na foto acima, funcionamento de uma máquina destinada ao corte de
lona calandrada, para o revestimento dos pneumáticos”
5.“As partes cuidadosamente preparadas, nas diversas fases da
industrialização, são reunidas e sobrepostas na máquina de construir
pneumático. A medida que toma forma o material é examinado”
6. “No processo de vulcanização o pneumático cru ou verde é
cozido a uma temperatura e pressão pré-estabelecidas, recebendo
ao mesmo tempo os desenhos característicos da banda de
rodagem, de acordo com os sulcos de molde. Na gravura acima, à
esquerda, no suporte, vemos um pneumático semi-manufaturado,
pronto para ser vulcanizado e moldado”
Legendas originais do livro A economia da Borracha: aspectos
internacionais e defesa da produção brasileira, de Cassio Fonseca,
1950. (Acervo Banco da Amazônia, reprodução Alex Raiol)
O Banco de Crédito
da Amazônia
Com a vol ta ao poder de Getúl i o Vargas, desta vez
el ei to democrati camente pel o voto popul ar, duas grandes
estatai s do setor energéti co foram cri adas: a Petrobrás,
que vi ri a a control ar todas as ati vi dades de prospecção e
refi no do petról eo no paí s; e a El etrobrás, responsável pel a
geração e di stri bui ção de energi a el étri ca. Essas medi das
ti veram um caráter fortemente naci onal i sta e foram
recebi das com desagrado pel as el i tes e pel os setores do
ofi ci al ato naci onal .
Getúl i o Vargas, desde seu pri mei ro governo, sempre
deu a devi da i mportânci a à economi a amazôni ca, num
senti do paral el o e compl ementar da economi a brasi l ei ra.
“I mpunha-se ao governo, em cumpri mento, al i ás, à
i mpostergável di sposi ção consti tuci onal , promover a
cri ação de um órgão mai s ampl o que um si mpl es i nsti tuto
de crédi to, para pl anej ar e i ncenti var a recuperação
econômi ca da Amazôni a”. Para i sso, foi promul gada em
6 de j anei ro de 1953 a Lei nº 1.806, cri ando a SPVEA
(Superi ntendênci a do Pl ano de Val ori zação Econômi ca da
No alto, travessia de veículos no rio Acre sobre ponte improvisada, década de 1960. Acima, avião
Búfalo, desembarque de uma máquina escavadeira, em 1968. (Acervo Digital: Departamento
do Patrimônio Histórico e Cultural do Acre)
96
Amazôni a), desti nada ao pl anej amento regi onal em grande escal a e sustentada por uma ordenação
técni ca sem precedentes.
“Tenha-se ai nda em mi ra que a SPVEA atua [...] em uma área de mai s de 5 mi l hões de qui l ômetros
quadrados, correspondente a mai s da metade da superfí ci e do Brasi l ”, conforme foi descri to no Rel atóri o
BCA, de 1955, onde ai nda é di to: “Val e sal i entar que os obj eti vos dessa i nsti tui ção não col i dem de
nenhuma forma com os do Banco de Crédi to da Amazôni a S.A.. [..] Ao revés di sso, são, ambas a SPVEA
e o Banco, i ni ci ati vas governamentai s que se compl etam e se conj ugam harmoni osamente, no afã
comum de al cançar a redenção econômi ca da Amazôni a”.
O governo de Juscel i no Kubi tschek (1956-1960) foi marcado pel o desenvol vi menti smo,
ancorado num Pl ano de Metas que pri ori zava os setores energéti co, i ndustri al , educaci onal , transporte
e al i mentação - o Governo pretendi a avançar “50 anos em 5”. Vi sando col ocar o Brasi l nos tri l hos
do progresso econômi co, o Governo favoreceu a penetração de capi tai s estrangei ros e de empresas
transnaci onai s.
Dentre suas i númeras real i zações destacam-se: a i nstal ação de fábri cas de cami nhões, tratores,
automóvei s, produtos farmacêuti cos, ci garros; a construção das usi nas hi drel étri cas de Furnas e Três
Mari as; a abertura de novas estradas (como a construção da Bel ém-Brasí l i a, em 1960) e a pavi mentação
de mi l hares de qui l ômetros das estradas j á exi stentes etc. Essas ações governamentai s favoreceram
sobremanei ra a pol í ti ca de fi nanci amento do Banco de Crédi to da Amazôni a. A mai or obra de Juscel i no
foi a construção de Brasí l i a, a nova capi tal do Paí s, i naugurada em 21 de abri l de 1960.
Senhas metálicas da agência Itacoariara/AM do Banco de Crédito da Amazônia. Cadernetas de depósitos populares do Banco da Amazônia, em 1963. Estatutos do Banco da Amazônia S/A. Contrato de financiamento para J
G Araujo de Manaus/AM. (Acervo Banco da Amazônia)
97
Jânio Quadros: Eleição
e Renúncia
Nas el ei ções de 1960, venceu a candi datura
de Jâni o Quadros à presi dênci a, tendo como vi ce
o gaúcho trabal hi sta João Goul art.
Naquel a al tura, por questões vári as, como
um vul toso acervo de compromi ssos fi nancei ros
j á venci dos, i mpossi bi l i dade i nfraestrutural de
sati sfazer o mercado naci onal dos produtos da
regi ão, pri nci pal mente da borracha, al ém de
di fi cul dades na assi stênci a credi tí ci a às demai s
ati vi dades da Amazôni a, o BCA enfrentava
di fi cul dades fi nancei ras.
Mas, no Rel atóri o BCA, de 1960, a di retori a
comemorou as ações ofi ci ai s: “aconteceu que
o Governo Federal , dando-se conta dos graves
probl emas com que se defrontava este Banco, no
l i mi ar de 1960, não nos fal tou [...] com toda uma
séri e de provi dênci as e determi nações coraj osas
e efi cazes, propendentes ao fortal eci mento do
organi smo fi nancei ro deste Estabel eci mento”.
Unidades Móveis de Crédito Rural (MOVEC): criadas em 1961 em toda a região amazônica (Acervo Banco da
Amazônia)
98
Unidades Móveis de
Crédito Rural
Uma das medi das mai s apl audi das de Jâni o
foi a cri ação, em 1961, das Uni dades Móvei s de
Crédi to Rural -MOVEC, que percorri am todo o
terri tóri o naci onal em veí cul os própri os, i ndo às
ci dades, l ugarej os e núcl eos rurai s, promovendo
reuni ões com os homens do campo, sobre as
fi nal i dades e obj eti vos da Cartei ra.
Em 15 de agosto de 1961, o j ornal “O
Estado do Pará” noti ci ava: “O bal cão do Banco de
Crédi to da Amazôni a foi ao encontro do cabocl o”.
A matéri a j ornal í sti ca destacava a i nstal ação das
três pri mei ras Movecs no Pará: em Castanhal
(col ôni a 3 de Outubro), Capanema (col ôni a
Pedro Tei xei ra) e Bragança (col ôni a Augusto
Montenegro). Pal avras do então di retor do BCA, dr.
Wanderl ey Normando: “O BCA reti ra o bal cão das
Agênci as para o centro das ati vi dades do col ono,
i ndo, portanto ao seu encontro, obj eti vando
fornecer-l he di nhei ro para a mel hori a de sua
produção. O i ntui to do Governo Federal e do BCA
é fi nanci ar o pequeno produtor, nada i nteressando
a cor pol í ti ca de cada um. A i ntenção do Governo
Federal através do BCA é aumentar a produção
de modo a consegui r o progresso econômi co de
todas as regi ões sub-desenvol vi das”.
Castanhal (PA).
1961 ( Acervo
Banco da
Amazônia)
99
A gestão de Jâni o Quadros na presi dênci a da Repúbl i ca foi breve,
durou sete meses e encerrou-se com a renúnci a. Nesse curto perí odo,
Jâni o Quadros prati cou uma pol í ti ca econômi ca e uma pol í ti ca externa
que desagradaram profundamente os que o apoi avam, assi m como
setores das Forças Armadas e outros segmentos soci ai s. Mas foi na área
da pol í ti ca externa que o presi dente Jâni o Quadros aci rrou os âni mos da
oposi ção ao seu governo. O Brasi l começou a se aproxi mar dos paí ses
soci al i stas, i ncl usi ve restabel ecendo rel ações di pl omáti cas com a então
Uni ão Sovi éti ca (URSS).
A renúnci a de Jâni o Quadros desencadeou uma cri se i nsti tuci onal
sem precedentes na hi stóri a republ i cana do paí s, porque a posse como
presi dente do então vi ce-presi dente João Goul art não foi acei ta pel os
mi ni stros mi l i tares e pel as cl asses domi nantes.
O Governo João
Goulart
O Governador Magalhães Pinto inaugura a 1ª unidade móvel de crédito rural
em Minas Gerais. (Acervo Banco da Amazônia)
100
O Cooperativismo
No início da década de 1960, o Cooperativismo
– assumido pela direção do Banco e seus empregados
quase como uma missão de redenção da economia da
região –, é uma das ações mais importantes do período
de convulsões sociais e de apoio às classes trabalhadoras.
As cooperativas mistas passaram a representar
o que havia de mais eficaz na administração dos
empreendimentos de produção não só da borracha
como dos outros produtos regionais, amparados pelo
Fundo de Assistência aos Seringueiros e pelo convênio do
BCA com o BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico).
Em 1962, como parte dos festejos comemorativos
ao 20º aniversário de fundação do Banco de Crédito da
Amazônia, destaca-se o ato de nacionalização do capital
do BCA, quando a União adquiriu todas as ações do
Banco que pertenciam ao governo norte-americano.
“As Cooperativas rurais difundidas pelo BCA
[...] representam, não temos dúvida, fator decisivo na
emancipação econômica e na tranquilidade social da
região. Ao encerrar-se o exercício de 1963, já uma rede
de 67 cooperativas agrícolas e de pesca se estendia por
toda a Amazônia”, segundo o Relatório BCA, em 1963.
Ainda nesse sentido, o Fundo de Assistência aos
Seringueiros (constituído pelo BCA desde 1952) previa
Reunião da cooperativa de Maracanã/PA, 9 de julho de 1963. (Acervo Banco da Amazônia)
101
a instalação de dez educandários de iniciação agrícola,
destinados exclusivamente aos filhos de seringueiros
entre 6 e 16 anos: no Amazonas, três; no Pará, Mato
Grosso e Acre, dois cada; um em Rondônia.
BCA e BNDE também iniciaram diálogos para
criar mecanismos de assistência a pequenas e médias
indústrias da Amazônia. Estava em curso um período de
forte engajamento da Diretoria e dos empregados no
processo de fortalecimento do produtor rural.
Nas comemorações dos 20 anos do BCA, surge,
“sem preocupações literárias” (como diz o editorial em
seu nº 1, de junho de 1962), a BCA-Revista, publicação
interna do Banco: “Vem à luz para levar àqueles a quem
ela se dirige a Mensagem de Fé nos destinos da Planície
imensa em que atuamos, fomenta-lhe as riquezas, como
o único estabelecimento de crédito próprio da região”.
Vale a pena transcrever a continuação do editorial, onde
se coloca a verdadeira preocupação da diretoria e seus
empregados:
“B.C.A. – Revista surge, assim, para dizer bem
alto o que somos, o que valemos, o que representamos.
Tudo o que se fizer e disser aqui, essa é pelo menos a
nossa intenção, visa ao estudo objetivo da realidade. Da
grande, luminosa realidade amazônica, que nos cumpre,
Crédito Rural (MOVEC BCA). Empregado do Banco (Edison Frazão) preenchendo propostas de financiamento a
pequenos agricultores, localizados na estrada Manaus-Itacoatiara/AM, 1961. (Acervo Banco da Amazônia)
102
a nós do Banco de Crédito da Amazônia S.A., impulsionar para os mais belos e gloriosos destinos”.
Em 26 de junho de 1963 foi constituída a primeira Cooperativa Central do Pará, presidida pelo Pe. Dom Tadeu
Prost, bispo auxiliar de Belém na época e que atuava como missionário da Pastoral da Terra, programa de assistência ao
homem do campo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Na sessão de inauguração, realizada no prédio
da rua Municipalidade esquina com Quintino Bocaiuva, em Belém, presentes seringalistas, pecuaristas, invernistas e outros
cooperativados, o então presidente do BCA, Sr. Raimundo de Alcântara Figueira, fez uma ampla exposição do objetivo da
reunião, qual era, de “fundar uma Cooperativa Central congregando as já existentes e que dela queiram fazer parte, agricultores,
seringalistas, pescadores e produtores em geral, promovendo o intercâmbio sócio-econômico dos seus cooperados, para
soerguimento e valorização do produtor no Pará e na Amazônia”.
Ao se iniciar o programa de Assistência ao Cooperativismo, em 1963, já tinham sido instaladas e funcionando
39 cooperativas em todos os Estados amazônicos, tendo o BCA investido aproximadamente 700 milhões de cruzeiros,
beneficiando cerca de 15 mil homens do campo.
Depois da queda de Jango, esse ideário cooperativista se manteve claudicante até abril de 1972, ainda no período de
governos militares, quando foram extintas as últimas cooperativas na região.
Flagrantes da instalação da I Unidade Móvel de Crédito Rural (MOVEC) de Belém, em Icoaraci, 1961. E discurso do então prefeito, Lopo de Castro. (Acervo Banco
da Amazônia)
103
O Banco de Crédito da Amazônia
e o Movimento de 64
Jango adotou uma pol í ti ca econômi ca conservadora.
Procurou di mi nui r a parti ci pação de empresas estrangei ras
em setores estratégi cos da economi a, i nsti tui u um l i mi te para
a remessa de l ucros das empresas i nternaci onai s e segui u as
ori entações do FMI (Fundo Monetári o I nternaci onal ).
Mas, o Presi dente sempre foi mal eável com rel ação às
rei vi ndi cações soci ai s. Em j ul ho de 1962, os trabal hadores
conqui staram um anti go sonho: o 13º sal ári o.
Jango acredi tava que só através das chamadas reformas
de base é que a economi a vol tari a a crescer e di mi nui ri a as
desi gual dades soci ai s. Essas medi das i ncl uí am as reformas
agrári a, tri butári a, admi ni strati va, bancári a e educaci onal .
Num grande comí ci o, em março de 64, para mai s de 300
mi l trabal hadores, Jango anunci ou que l evari a a termo essas
reformas, custasse o que custasse. A cl asse médi a assustada
deu apoi o aos mi l i tares, que tomaram o poder no di a 31 daquel e
mesmo mês, com o apoi o dos Estados Uni dos.
Em 1966, o Banco passou por outra grande transformação:
o BCA foi exti nto para se formar o Banco da Amazôni a S/A,
pel a Lei nº 5.122, de 28 de setembro de 1966, com estrutura
admi ni strati va mol dada à do Banco de Desenvol vi mento do
Nordeste, ou sej a, funci onari a como um banco de fomento que
trari a benefí ci o soci al para a regi ão e fi cou conheci do como
BASA.
Nesse mesmo ano, a SPVEA foi transformada em SUDAM
(Superi ntendênci a do Desenvol vi mento da Amazôni a), e sua
estrutura, a exempl o do Banco, baseava-se no model o da
SUDENE (Superi ntendênci a do Desenvol vi mento do Nordeste),
respei tando-se as especi fi ci dades regi onai s. Paral el amente
à SUDAM, foi cri ado um novo fundo de crédi to, o FI DAM
Publicação interna divulga investimentos
federais na Região (Acervo Banco da
Amazônia)
104
(Fundo para I nvesti mentos Pri vados no Desenvol vi mento da
Amazôni a). Assi m também como o Banco da Amazôni a era o
agente fi nancei ro da SUDAM, todos os recursos nel a i nj etados,
a exempl o do FI DAM, eram movi mentados pel a i nsti tui ção.
A parti r de 1970, j á no governo do presi dente Emí l i o
Garrastazú Médi ci , com o l ema “i ntegrar para não entregar”,
formal i zou-se uma nova etapa de ocupação da Amazôni a com
a cri ação de pl anos e medi das vol tados para a col oni zação,
como o PI N (Pl ano de I ntegração Naci onal ), o I , I I e I I I PND
(Pl ano Naci onal de Desenvol vi mento), o I e I I PDA (Pl ano de
Desenvol vi mento da Amazôni a), e o PROTERRA (Programa
de Redi stri bui ção de Terras e de Estí mul o à Agroi ndústri a
do Norte e Nordeste) que ti nham como l i nha mestra custear
obras de i nfraestrutura em áreas sob a j uri sdi ção da SUDAM e
da SUDENE, na perspecti va de que as regi ões consegui ssem
di mi nui r o atraso hi stóri co perante as demai s.
Em 1976, o Banco ati ngi u seu mai or í ndi ce de apl i cação
em crédi to de fomento, até então - comparado, apenas, ao
perí odo 1988/1989, quando ti veram i ní ci o as operações do
FNO.
A cri ação e exti nção de agênci as e escri tóri os de
representação em todo o terri tóri o naci onal retratam mui to
bem a expansão das ati vi dades do Banco, perfazendo
(em 1985) um total de 114 uni dades. E, como i nsti tui ção
do governo federal , atravessou as mesmas di fi cul dades e
confl i tos pol í ti cos pel os quai s passou a nação brasi l ei ra nesse
perí odo. Os movi mentos soci ai s e popul ares que forçaram a
uma “abertura” pol í ti ca, com o fi m do regi me mi l i tar e a Lei de
Ani sti a, também marcaram a hi stóri a do Banco.
Abaixo, documento
certifica ações do
Banco da Amazônia
em favor do Tesouro
Nacional
105
Com o grande fl uxo de comérci o da borracha que
envol veu regi ões di ferentes dentro e fora da Amazôni a, a
comuni cação teve papel estratégi co para o Banco. Em 1960,
como parte da moderni zação do setor, foi i nstal ado o servi ço
de comuni cação rádi o-tel egráfi co entre a sede do Banco de
Crédi to da Amazôni a e as agênci as.
Assi m como o BCA, empresas de avi ação, como a PanAi r,
al ém da FAB (Força Aéres Brasi l ei ra), da Petrobrás e dos
Correi os, possuí am um servi ço de comuni cação própri a através
da radi otel egrafi a. O uso do códi go Morse, que di spensava
o uso de fi os, estrei tou o l aço entre o Banco, as áreas de
extração do l átex e os centros i ndustri ai s, no sul do paí s.
Em Bel ém, o setor funci onava numa pequena sal a no
prédi o à rua Gaspar Vi ana, no Comérci o e, por um perí odo
chegou a funci onar no tercei ro andar da pri mei ra sede do
Banco, l ocal i zada à Praça das Mercês, no mesmo bai rro, mas
como foi i nstal ado atrás do el evador, sofri a i nterferênci a na
comuni cação, o que provocou a mudança para a Gaspar Vi ana.
Al ém de Bel ém, as estações de rádi o foram i nstal adas em
Ri o Branco (Acre), em Porto Vel ho (Rondôni a), em Manaus
(Amazonas), Ri o de Janei ro, São Paul o e em Brasí l i a.
Os radi otel egrafi stas eram di ari stas avul sos do Banco,
mas na época em que o tel egrama (Western Tel egraph Company
Li mi ted) representava a revol ução da comuni cação i nstantânea,
el es eram os verdadei ros desbravadores da Amazôni a.
Fora da regi ão, o mai or contato da sede era com São
Paul o e Brasí l i a. Na capi tal paul i sta ti nha ori gem a cri ação da
mai or recei ta do Banco com a comerci al i zação da borracha
para as i ndústri as de automóvei s, pri nci pal mente Pi rel l i e
Goodyear.
Radiotelegrafia
(Acervo Banco da Amazônia)
106
I naugurada em 1960, Brasí l i a, a nova
capi tal federal , possuí a uma agênci a do Banco
onde os funci onári os das representações dos
estados do Norte real i zavam suas transações
bancári as. I nstal ada num prédi o de 20 andares, no
setor bancári o, a i mportânci a do radi otel egrafi sta
também na admi ni stração do Banco era notóri a:
a sal a del es fi cava anexa à sal a do Presi dente
da i nsti tui ção, no segundo andar do prédi o. Cada
nova deci são era i medi atamente radi otel egrafada
para a sede em Bel ém e todas as autori dades do
pl anal to passavam por l á, para envi ar ou receber
mensagens ofi ci ai s e parti cul ares.
No fi nal da década de 60, a própri a
tel egrafi a coordenou a comuni cação entre Bel ém
e Brasí l i a no processo de venda do prédi o onde
funci onava a agênci a. Uma reuni ão de três horas,
i ntermedi ada pel os radi otel egrafi stas, sel ou o
negóci o entre o Banco e o GDF, Governo do
Di stri to Federal .
Na mesma época, o setor evol ui com a
chegada do SSB - equi pamento de foni a, do
tamanho de um armári o, que funci onava com
grandes vál vul as. A comuni cação se dava não
mai s através de códi gos, mas si m, da voz.
Precursor da tel efoni a, o SSB ai nda não permi ti a
a fal a si mul tânea dos doi s l ados da conversa.
A proxi mi dade com a di reção do Banco
era também l ocal pri vi l egi ado para se ter acesso
a i nformações i mportantes nos corredores das
agênci as. Nessa época, no fi nal do mês, um
códi go que era esperado com ansi edade era o
QRJ, a ordem de pagamento para os empregados.
A parti r da cri ação da Embratel , em 1965,
os servi ços de tel ecomuni cações públ i cas, tel ex
pri nci pal mente, se estenderam por todo o paí s, e
os setores de comuni cação própri a aos poucos
foram desati vados, encerrando suas ati vi dades em
1974, dei xando l embranças e hi stóri as, i ncl usi ve
do fi m de trabal ho (QRQ).
Equipamento manipulador de Código Morse: o
telégrafo sem fio revolucionou as comunicações.
(Acervo particular)
107
A parti r do momento em que assume
o papel de agente fi nancei ro na Amazôni a, o
Banco passa por uma séri e de mudanças em
sua estrutura, que ati ngem di retamente o seu
funci onamento, dentro e fora da i nsti tui ção.
Não há dúvi da que nenhuma del as foi tão
i mpactante quanto a i mpl antação dos
computadores.
O processo i ni ci ado no setor de
contabi l i dade, com a operação da máqui na
NCR 31, marcou a passagem do perí odo
escri tural para o mecani zado. A parti r de
então, as máqui nas passaram a fazer parte da
roti na da i nsti tui ção, si mpl i fi cando processos
e oti mi zando o tempo.
Em 1971, o Banco i nsti tui um
programa de moderni zação vol tado para
a mai or efi ci ênci a com base nas novas
tecnol ogi as. No ano segui nte, cri ou o
Depro (Departamento de Organi zação e
Processamento de Dados) - é quando
surgem novas funções também: anal i sta,
programador e operador de computador.
Ai nda em 1972, chegam novos equi pamentos:
quatro perfuradoras, três conferi doras, uma
cl assi fi cadora e uma tabul adora, da marca
I BM, para serem uti l i zadas “em servi ços
rel ati vos à documentação de i ncenti vos
Evolução Tecnológica
Modernização dos sistemas: da máquina NCR-31 (acima, à esquerda) à tecnologia de ponta do autoatendimento,
na página ao lado (Acervo Banco da Amazônia - Fotos Bruno Carachesti)
108
fi scai s”, conforme di vul gado no BASA Hoj e,
Ano I no. 38. “Sua operação fi cará a cargo
de 3 funci onári os, um dos quai s se encontra
estagi ando no Banco do Nordeste do Brasi l ”.
No ano segui nte, novo momento
marcante com a chegada do computador
Burroughs (“borus”, como era chamado
pel os servi dores), model o 3700, “com um
processador central de 150 mi l posi ções de
memóri a, 4 uni dades de fi tas magnéti cas,
duas uni dades de di sco removí vei s, cuj a
capaci dade de armazenamento ati nge a
120 mi l hões de caracteres, uma uni dade de
di sco fi xo com capaci dade para armazenar
20 mi l hões de caracteres, uma l ei tora de
cartões com capaci dade de l er 800 cartões
por mi nuto e uma i mpressora”, detal ha o
BASA Hoj e, Ano I I I no. 99.
O governo federal l ançou o I I Pl ano
Naci onal de Desenvol vi mento que, entre
outras metas, previ a a i mpl antação de
uma i ndústri a naci onal de computadores e,
assi m, os bancos passaram a parti ci par do
desenvol vi mento de tecnol ogi a e também de
recursos humanos para o setor. Cobra e SI D,
empresas naci onai s de tecnol ogi a, surgem
nessa época e l ogo passam a fornecer
computadores para o Banco.
109
Construções e Engenharia
O setor de Engenhari a do Banco surgi u
como uma Seção e desde o começo desenvol veu
papel fundamental , chegando a funci onar como
uma empresa de construção, no perí odo em que
esteve em ati vi dade.
Antes da construção do edi fí ci o-sede, os
profi ssi onai s do setor trabal havam à Av. Presi dente
Vargas, em Bel ém, onde anteri ormente funci onava
o hotel Rôti sseri e Sui sse – no l ocal onde foi
construí do o prédi o das Loj as Ameri canas, ao
l ado do centenári o Ci nema Ol ympi a.
O setor executava o Programa de
Desenvol vi mento dos Servi ços do Banco, para a
manutenção e construção dos i móvei s do banco
na capi tal e i nteri or, onde também construí a as
resi dênci as dos pri nci pai s empregados, como
os gerentes e subgerentes. Os engenhei ros do
Inauguração da Escola Jarbas Passarinho em Belém. Ao centro, de terno claro, o homenageado. (Acervo Banco
da Amazônia)
110
Banco foram responsávei s pel a construção de escol as de ensi no pri mári o para os fi l hos dos empregados, em
Bel ém (Escol a Jarbas Passari nho) e Manaus, i nauguradas em 1969 - nel as as cri anças di spunham, al ém da
educação, de acompanhamento médi co, dentári o e assi stênci a soci al .
Na década de 1980, a Engenhari a ganhou o status de Departamento - o Denge, que, j unto com o
Demap, responsável pel os setores de Materi al , Compras e Patri môni o, construí am, equi pavam e mobi l i avam
agênci as do Banco em todo o paí s. Só pra se ter uma i dei a, em 1984, o banco chegou a possui r 118
agênci as.
Em 1989, o Demap tornou-se um dos mai ores departamentos do Banco, em cuj a estrutura estavam os
setores de segurança, apoi o, mi crofi l magem, comuni cação, gráfi ca e também a engenhari a.
Com o foco no fi nanci amento para o desenvol vi mento sustentável , o setor fi cou obsol eto e foi desati vado.
A práti ca agora é al ugar o prédi o onde funci onará a agênci a.
Residências de empregados, construídas com financiamento do Banco. (Acervo Banco da Amazônia)
111
História de um Edifício-sede
O ansei o por uma sede condi zente com
as ati vi dades do banco começou em 1960,
conforme regi stros de rel atóri o: ”passos deci si vos
e fi rmes foram dados obj eti vando a consecução
de uma vel ha e j usti fi cada aspi ração de di ri gentes
e empregados da casa, de construção do
edi fí ci o-sede. O i móvel estava previ sto para ter no
mí ni mo 16 pavi mentos na esqui na da Presi dente
Vargas com Ari sti des Lobo (em Bel ém) em ampl o
terreno que fora adqui ri do pel o Banco. Nesse ano
foi autori zado o i ni ci o da el aboração do Proj eto
e Pl ano Técni co de construção do Edi fí ci o, por
i ntermédi o de um dos mai s renomados escri tóri os
de arqui tetura do Ri o de Janei ro – Mari nho &
Konder – que foi o vencedor i nconteste da
concorrênci a aberta pel a anteri or Admi ni stração
do Banco.”
Em abri l de 63, o número 3 da publ i cação
i nterna BCA-Revi sta, trazi a matéri a fal ando sobre
o assunto e afi rmava que o Banco chegou a
publ i car nos j ornai s de Bel ém “um avi so ofi ci al
às fi rmas construtoras i nteressadas na respecti va
concorrênci a da construção do edi fí ci o-sede”.
Mesmo assi m, em 66, novos estudos
ai nda estavam sendo fei tos para a construção. O
Planta original em perspectiva do edifício-sede (Acervo Banco da Amazônia)
112
rel atóri o desse ano fri sa a urgênci a da medi da:
“construção essa que se torna mai s necessári a a
cada fração do tempo que passa, face à di spersão
em que se encontram as di versas dependênci as
do Banco nesta capi tal , com evi dentes resul tados
negati vos na efi ci ênci a dos servi ços”.
Anos depoi s, um novo e defi ni ti vo endereço,
conforme o rel atóri o de 1969:
“Resol veu assi m a atual admi ni stração dar
uma sol ução defi ni ti va ao probl ema, parti ndo para
a construção de um prédi o com 21 pavi mentos,
l ocal i zado no mel hor perí metro da ci dade (Praça
da Repúbl i ca), dotado de todos os requi si tos
da técni ca moderna e capaz de abri gar toda a
Di reção Geral e mai s a Agênci a Central estando
suas obras concl uí das até mai o de 1971”, previ a
o documento.
Em feverei ro desse ano, uma maquete foi
apresentada à i mprensa pel o presi dente do Banco,
Franci sco de Lamarti ne Noguei ra, j untamente
com os autores do proj eto, arqui tetos Leopol do
José Tei xei ra Lei te e Júl i o Catel l i Fi l ho.
O Bol eti m I nterno da pri mei ra qui nzena de
feverei ro de 1969 (Ano I V no. 88) i nforma que “o
novo edi fí ci o do BASA terá três frentes, com doi s
Acima, fase inicial da
construção, vista da rua
Carlos Gomes (Acervo
Banco da Amazônia). Ao
lado, equipe técnica de
engenharia, vistoriando
as obras da sede (Acervo
particular)
113
bl ocos: o da frente com 21 pavi mentos e o outro
com 18, numa área de construção de 24.000
m2. Com esse prédi o, o Banco sol uci onará os
probl emas de central i zação de seus servi ços,
atual mente espal hados em cerca de oi to pontos
di ferentes”.
O Bol eti m também destacava que seri am
i nstal ados todos os servi ços, como atendi mento
médi co para os empregados, canti na, escada
rol ante, audi tóri o, restaurante e hel i porto no
terraço. Al ém di sso, “a parte externa será
total mente envi draçada, no si stema “bri se sol ei l ”.
Conforme os rel atóri os anuai s dei xam
cl aro, a construção do edi fí ci o-sede foi uma
questão que teve grande i mportânci a não só
por sua questão estratégi ca na organi zação
da i nsti tui ção, mas também porque si gni fi cava
um i nvesti mento substanci al , orçado em
aproxi madamente 8 mi l hões de cruzei ros novos.
(Acervo Banco da Amazônia)
114
No di a 24 de novembro de 1971, os
j ornai s de Bel ém estamparam fotos e manchetes
sobre o i ncêndi o ocorri do em um dos prédi os do
Banco da Amazôni a.
Depoi s do fogo, os setores de Pessoal
e Fi nancei ro, al ém do de Radi otel egrafi a, que
funci onavam no prédi o à rua Gaspar Vi ana,
foram transferi dos para o edi fí ci o-sede - fato
que l evou os servi dores do Banco a se senti rem,
prati camente, em um cantei ro de obras.
Foi assi m, emergenci al mente, que o
edi fí ci o-sede entrou em funci onamento, sem
i nauguração ofi ci al . Cadei ras e mesas estudanti s
da Escol a Jarbas Passari nho servi ram ao trabal ho
i mprovi sado em um dos andares j á prontos.
Na época, todos estranharam o l ocal : um
andar i ntei ro, com di ferentes setores, funci onando
sem di vi sóri as entre si .
No i nformati vo BASA Hoj e, de 7 a 13
Noticias veiculadas
nos jornais de
Belém, 24 de
novembro de 1971.
(Acervo Fundação
Cultural do Pará
Tancredo Neves)
115
de abri l de 1972 o destaque foi a “Hora da Mudança.
Agora o Banco da Amazôni a deci di rá os rumos dentro
de sua própri a casa” porque o fogo preci pi tou também
a mudança da presi dênci a, que sai u da anti ga sede à
Travessa Frutuoso Gui marães, “onde por três anos (na
verdade, décadas) foi i nqui l i no do Governo do Estado”.
Al ém da presi dênci a, nesse mesmo mês também
se transferi ram para o novo prédi o “todos os setores da
al ta admi ni stração”, segundo outra edi ção do j ornal , que
ai nda fri sava o ri tmo i ntenso de trabal ho operári o - noi te
e di a - para a entrega de todos os pavi mentos.
No fi nal de 1972, o prédi o estava em acabamento
e funci onando com todos os seus departamentos, exceto
arqui vo geral , al moxari fado e a gráfi ca, sedi ados no
prédi o da Muni ci pal i dade.
Com o térmi no das obras, o edi fí ci o-sede ganhou
si stema de músi ca ambi ente, restaurante e um grupo
gerador com capaci dade de mai s de 600 KVA, equi val ente
ao consumo da ci dade de Santarém, no perí odo.
Na l oj a, na sobrel oj a e área da Agênci a Centro,
as escadas rol antes chamavam a atenção por serem as
úni cas da ci dade i nstal adas num banco. No prédi o, também
havi a detectores de fumaça e cal or, uma tecnol ogi a ai nda
Vista panorâmica da cidade de Belém, em destaque o Edifício-sede do Banco da Amazônia.
Belém (PA). 2012. Foto Bruno Carachesti
116
pouco uti l i zada, e contava com 11 el evadores e um si stema de refri geração central , caracterí sti cas ai nda
i ncomuns na regi ão, na época.
Hoj e, houve moderni zação na parte el étri ca, pri nci pal mente para a economi a de energi a. Nos pri mei ros
anos de construí do, o Banco possuí a l âmpadas ti po fl uorescente que só eram fabri cadas em São Paul o,
excl usi vamente para o edi fí ci o.
Por mui tos anos, o prédi o também possui u uma sal a de uso excl usi vo do mi ni stro José Costa Caval cante,
da pasta do I nteri or, a quem o Banco estava l i gado na estrutura do Governo Federal . Era l á que o mi ni stro
despachava quando vi nha à regi ão, o que ocorri a cerca de duas a três vezes ao ano.
Em outubro de 2010, o Banco da Amazôni a recebi a pel a pri mei ra vez a vi si ta de um presi dente da
Repúbl i ca. No audi tóri o Ri o Amazonas, Lui z I náci o Lul a da Si l va parti ci pou da sol eni dade de assi natura de
doi s edi tai s para a pavi mentação da rodovi a Transamazôni ca e reforma de outras sete rodovi as federai s que
cortam o Estado do Pará. Os i nvesti mentos somavam mai s de R$ 800 mi l hões, para revi tal i zar cerca de doi s
mi l qui l ômetros de rodovi as.
(Acervo Banco da Amazônia)
117
Preservação da Memória e Comunicação
Com mai s de 40 anos de ati vi dades,
a bi bl i oteca do Banco da Amazôni a é uma
i mportante fonte de i nformação e formação
para os empregados e comuni dade em geral .
É especi al i zada nas áreas de Economi a,
Admi ni stração, Fi nanças, Agropecuári a, Mei o
Ambi ente e Amazôni a.
Em 1973, o setor fazi a parte do Cedoc
(Centro de Documentação e Bi bl i oteca) e possuí a
uma col eção de “13 mi l l i vros peri ódi cos, mapas,
fol hetos, rel atóri os e obras raras” , segundo o
i nformati vo BASA Hoj e, Ano I I , no. 51 - Semana
de 02 a 08 de 03 de 1973.
Na década de 1990, após uma
reformul ação, transforma-se em seção, mas não
perde a caracterí sti ca do acervo especi al i zado
com obj eti vo de supri r a i nsti tui ção com
i nformações para a real i zação de trabal hos e na
formação educaci onal .
Hoj e, o acervo geral tem l i vros di versos
e documentos hi stóri cos como, por exempl o, o
manuscri to da proposta de “venda do segredo
de fabri co da borracha” (ver p.42 e ss.) e os
referentes a concursos públ i cos real i zados
em 1944 e 1945 que regi stram a entrada dos
pri mei ros empregados concursados do BCB. O
espaço também guarda uma séri e de peri ódi cos
produzi dos pel o setor de comuni cação do Banco,
uma i mportante fonte de i nformação sobre o
di a a di a vi vi do na I nsti tui ção ao l ongo das sete
décadas de exi stênci a.
A B.C.A Revi sta, por exempl o, foi cri ada
no i ní ci o da década de 60, com capa col ori da
e 17 pági nas, rel atando as pri nci pai s ati vi dades
desenvol vi das pel o Banco. A de no. 3, que
ci rcul ou em abri l de 1963, regi stra a reuni ão
entre o presi dente do BCA, Rai mundo Al cântara
Fi guei ra, com João Goul art, presi dente do paí s,
“às 18 horas do di a 18 de março”.
O Bol eti m I nterno, outro peri ódi co do
Banco, ci rcul ava em 1971 e era formado por uma
l i sta de pequenos textos sobre os procedi mentos
bancári os. Depoi s passou a se chamar BASA Hoj e
com um l ayout mai s próxi mo de j ornal .
Carta da Amazôni a possuí a oi to pági nas
e foi “um i nstrumento de i nformação desti nado
a di vul gar no exteri or os recursos e as
potenci al i dades da Amazôni a”, conforme expl i ca
(Acervo Banco da Amazônia - reproduções Alex Raiol e Bruno Carachesti)
118
o BH (Ano I I . N. 94 Semana de 30 a 6.12.73). Era
edi tada também em i ngl ês para ser “di stri buí da na
Europa e paí ses das Améri cas do Norte e Lati na,
a di ri gentes de grandes empresas, enti dades de
pesqui sa e uni versi dades”. El a ci rcul ou até o i ní ci o
da década de 80 e nos mesmo perí odo surgi u o
I nformati vo Basa.
Na década de 90, as i nformações sobre
o Banco também ci rcul avam no semanári o Basa
Press. Já a parti r dos anos 2000, novas publ i cações
como o I ntercâmbi o e o Notí ci as em Movi mento.
E assi m como na década 70 quando
publ i cava a “Revi sta Econômi ca do Basa”,
referênci a quando o assunto era a economi a
da regi ão, a Bi bl i oteca é responsável hoj e pel a
produção e edi ção de publ i cações i mportantes,
como o “Estudos Setori ai s” – sobre estudos
desenvol vi dos pel os técni cos do Banco, com a
consul tori a de pesqui sadores de i nsti tui ções de
Ensi no Superi or, como a Uni versi dade Federal
Rural da Amazôni a, Uni versi dade Federal do Pará.
O materi al é di sponi bi l i zado em modo on l i ne e
também i mpresso e di stri buí do para i nsti tui ções
parcei ras.
Outra publ i cação é a “Contexto Amazôni co”,
em formato de j ornal , di reci onada para determi nado
tema. A bi bl i oteca possui ai nda o servi ço do “Cl ube
do Conheci mento”, uma parceri a com o Programa
de Qual i dade de Vi da do Banco e di sponi bi l i za
l i teratura de l azer para todos.
Hoj e o acervo é formado por l i vros e DVDs
de fi l mes, comprados e recebi dos em doação. O
(Acervo Banco da Amazônia - reproduções Bruno Carachesti e Luiza Bastos)
setor tem uma si gni fi cati va procura pel os empregados,
l otados em ci dades de i nteri or, carentes de bi bl i otecas
e l ocadoras de fi l mes.
Mas o grande destaque das publ i cações hoj e
é a “Revi sta Amazôni a Ci ênci a e Desenvol vi mento”
que desde que foi cri ada, em 2005, vi rou referênci a
para uni versi dades e i nsti tutos de pesqui sa sobre
a Amazôni a. A publ i cação é gratui ta, semestral e
com ti ragem de 800 exempl ares, di stri buí dos para
todo o paí s. Seu comi tê edi tori al é mul ti di sci pl i nar,
vol tado para assuntos os mai s di versos da regi ão . O
Mi ni stéri o da Educação i ncl ui u a “Revi sta Amazôni a
Ci ênci a e Desenvol vi mento” no Qual i s, si stema de
aval i ação de peri ódi cos da CAPES (Coordenação de
Aperfei çoamento de Pessoal de Ní vel Superi or).
119
Agências para o Crédito
na Amazônia
As pri mei ras agênci as do Banco da Amazôni a, ai nda como Banco de Crédi to da Borracha,
foram i nstal adas em 1943, em Bel ém (PA), Manaus (AM), Porto Vel ho e Guaj ára Mi ri m (RO), Ri o
Branco (AC), Cui abá (MT) e Ri o de Janei ro (RJ).
Em 1956, j á eram 40 agênci as em todo o paí s. Doi s anos depoi s, conforme expl i ca o Rel atóri o
daquel e ano, uma pausa na ampl i ação da rede – uma vez que a Sumoc (Superi ntendênci a da Moeda
e do Crédi to), antecessora do Banco Central do Brasi l , através da i nstrução nº 168 do di a 07 agosto
de 1958 –, suspendeu o recebi mento de novos pedi dos de abertura de departamentos bancári os
no paí s.
Mai s de dez anos depoi s, em 69, o Banco possuí a 56 agênci as di stri buí das pel o terri tóri o
naci onal . Neste ano, o Banco expedi u 15 cartas patentes para abertura de novas agênci as ao Banco
Central .
Agências BCB em Belém (ao alto) e
Manaus (Acervo Banco da Amazônia)
120
O Rel atóri o de Ati vi dades expl i ca, em 1979, a i mportânci a da extensa rede de agênci as no paí s, uma
vez que “as 72 agênci as do Banco l ocal i zadas na Regi ão (correspondem a 88% do total ) eram responsávei s
por 60% de seus depósi tos, contra 40% captados por apenas 10 agênci as (que representam 12% do total de
uni dades), si tuadas fora da Amazôni a Legal , as quai s operam a taxas de mercado. São estas úl ti mas agênci as
que fornecem o l ucro necessári o ao Banco, não só para que este possa retri bui r a confi ança de seus aci oni stas,
os quai s empregaram suas poupanças para apl i cações pel o Banco em nossa regi ão, como ai nda para que o
mesmo possa arcar com sua estrutura pi onei ra em nosso i nteri or, onde a mai ori a das suas dependênci as, por
operar a taxas reai s negati vas a fi m de i nduzi r o processo de desenvol vi mento, são defi ci tári as”.
Depoi s de chegar a possui r 118 agênci as, em 1984, o Banco i ni ci ou um processo de retração das
uni dades, desati vando seus escri tóri os fora da Amazôni a Legal . Nos anos 90, quando o paí s sofreu grandes
mudanças econômi cas com a chegada do Pl ano Real , o Banco i naugurou em toda a década apenas uma
No sentido horário: primeiras agências
BCB (1943) de Porto Velho, Cuiabá,
Guajará Mirim, Rio Branco e Rio de
Janeiro (1976)
121
Agência Belém (PA)
Agência Araguaçu (TO)
Agência Guajajaras (MA)
Agência Extrema (RO)
122
agênci a, a Anani ndeua Castanhei ra, em 1994 e exti ngui u
29 em todo o paí s, pri nci pal mente depoi s da percepção
que a i nsti tui ção estava concorrendo com outros bancos
públ i cos, nas outras regi ões.
A parti r dos anos 2000, com a capi tal i zação do
Banco pel o Governo Federal e a i nstal ação, em 2003,
do Pl ano Amazôni a Sustentável , que assegura uma
pol í ti ca de recursos para a regi ão, o Banco da Amazôni a
entra em novo momento de cresci mento de sua rede de
atendi mento – nos úl ti mos ci nco anos, fi cou 25% mai or.
Hoj e, com 123 agênci as e uma rede de
atendi mento formada por 185 uni dades, o Banco está
presente em 98% dos muni cí pi os da regi ão. Ou sej a,
das 450 ci dades, 432 del as têm crédi to vi a Banco
da Amazôni a, que tornam a i nsti tui ção uma das mai s
i mportantes i nsti tui ções fi nancei ras: é responsável por
72% de todo o crédi to de fomento na Amazôni a.
Agência Marabá (PA)
Agência Sinop (MT)
Imagens Acervo Banco da Amazônia
123
A Amazôni a ai nda era pri ori dade naci onal no
fi nal da década de 1980. Entretanto, os recursos
fi nancei ros federai s começaram a ser reduzi dos
progressi vamente por conta da recessão econômi ca,
l evando o Banco ao menor ní vel de apl i cação em
crédi to de fomento de toda a sua hi stóri a.
A Consti tui ção de 1988 cri ou os fundos
consti tuci onai s, cabendo ao Banco da Amazôni a
a admi ni stração do FNO, Fundo Consti tuci onal
de Fi nanci amento do Norte, uma fonte estável de
recursos de l ongo prazo para a ação credi tí ci a de
fomento. Um dos fatores responsávei s pel a cri ação
dos Fundos de Desenvol vi mento Regi onai s foi o
quadro de desi gual dade exi stente entre as regi ões
Sul e Sudeste do paí s em rel ação às regi ões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste.
Ai nda assi m, a cri se econômi ca mundi al l evou
a um processo de retração de uni dades do Banco,
com a desati vação de suas agênci as fora da Amazôni a
Legal , i ni ci al mente - até 1991, havi a 109 uni dades
em ati vi dade no paí s. Mas di ante dos al tos í ndi ces
de i nfl ação di ári a, desemprego e vári as tentati vas de
estabi l i zar a si tuação fi nancei ra, a parti r de j ul ho de
1994, o Brasi l real i zou uma mudança profunda no
si stema fi nancei ro, i ncl ui ndo uma i ndexação monetári a.
O Pl ano Real , como foi nomeado, paul ati namente
promoveu nova troca do padrão monetári o e cri ou a
atual moeda brasi l ei ra – o Real (R$). O Banco da
Amazôni a redi mensi onou sua rede de atendi mento,
que contava com 82 uni dades no ano 2000.
A Constituição de 1988 e
a Criação do FNO
Foto Diego Gurgel
124
O processo de gl obal i zação econômi ca
e o novo paradi gma de desenvol vi mento,
vol tados para a competi ti vi dade, moderni dade e
sustentabi l i dade, moti varam o Banco a vi venci ar,
ai nda mai s, a sua i denti dade amazôni ca, dei xando
a “marca” BASA para se fortal ecer como
promotor do desenvol vi mento, i ncorporando,
defi ni ti vamente, a caracterí sti ca úni ca – ser o
Banco da Amazôni a.
E, como ao l ongo de sua hi stóri a, trabal ha
al i nhado às pol í ti cas, pl anos e programas do
governo federal , como o pl ano pl uri anual (PPA),
a Pol í ti ca Naci onal de Desenvol vi mento Regi onal
(PNDR) e o Pl ano Amazôni a Sustentável (PAS),
com o di ferenci al de ter se fortal eci do por
produtos e servi ços própri os, ori gi nai s, para
a mel hori a dos padrões de produção e de
qual i dade de vi da da popul ação amazôni ca,
com redução nas desi gual dades i ntra e i nter-
regi onai s.
Entre as pol í ti cas naci onai s para o
desenvol vi mento regi onal , destacam-se:
O Pl ano de Desenvol vi mento Regi onal
Sustentável para a Área de I nfl uênci a da
Rodovi a BR-163 (Cui abá-Santarém) com
ações de prevenção e control e de probl emas
soci oambi entai s rel aci onados à pavi mentação da
estrada. Fazem parte desse pl ano 71 muni cí pi os,
sendo 28 no Pará, 37 no Mato Grosso e 6 no
Amazonas;
Foto Hely Pamplona
Parcerias e
Políticas Nacionais
126
127
Foto Hely Pamplona
128
O Compl exo do Ri o Madei ra: Uma séri e de
proj etos de i nfraestrutura econômi ca, com al to
poder de transformação a ser i mpl antado em
uma regi ão em processo de consol i dação de sua
base econômi ca. Sua confi guração compreende,
em terri tóri o naci onal , o Estado de Rondôni a, a
porção noroeste do Estado de Mato Grosso, as
regi ões do bai xo e al to val e do ri o Acre e o sul
do Estado do Amazonas; em terri tóri o bol i vi ano,
os Departamentos de Pando, Beni e Santa
Cruz e, em terri tóri o peruano, o Departamento
de Madre de Di os. Na área de transporte,
com a navegação no Madei ra, consol i dam-se
novas l i nhas fl uvi ai s, a i nterl i gação regi onal e,
pri nci pal mente, possi bi l i ta-se uma saí da para o
Pací fi co;
Pol í ti ca Naci onal de Desenvol vi mento
Regi onal (PNDR): o Governo Federal pretende,
de modo geral , construi r um novo model o de
desenvol vi mento na Amazôni a, vol tado para a
i ncl usão soci al com a redução das desi gual dades
sóci o-econômi cas, o respei to à di versi dade
cul tural e a vi abi l i zação de ati vi dades econômi cas
di nâmi cas e competi ti vas que gerem emprego e
renda e o uso sustentável dos recursos naturai s.
Para tanto, el enca como pri ori tári a as áreas do
Al to Sol i mões, no Amazonas, Val e do Acre, no
Acre; e Bi co do Papagai o, que engl oba Pará e
Mato Grosso.
129
Apoio à Pesquisa
“I novação al i ada à sustentabi l i dade para
a geração de renda” é a marca dos produtos
gerados pel o Proj eto de Encauchados de Vegetai s
da Amazôni a, baseado na tecnol ogi a que recupera
uma anti ga técni ca i ndí gena que transforma, nas
própri as comuni dades, o l átex puro em vári os
produtos prontos.
“Encauchamento” é a denomi nação do
processamento do l átex (ou caucho, na l í ngua
i ndí gena), transformado numa matéri a pl ásti ca,
mol dável , j untamente com a técni ca de manufaturar
obj etos e utensí l i os com essa espéci e de “goma”,
que enri j ece depoi s de seca. O artesanato mai s
conheci do é o que reproduz fi guras humanas
ou de ani mai s, como a cobra, o macaco-prego,
o j acaré, o boto, tatu etc. Também podem ser
produzi dos ci nzei ros, chapéus, gal ochas e outros
utensí l i os.
Hoj e um sucesso, i ncl usi ve destaques no
estande paraense na 76ª Fei ra I nternaci onal
de Artesanato, real i zado na I tál i a em abri l de
passado, o proj eto de pesqui sa desenvol vi do
pel o professor Franci sco Samonek, mestre em
Ecol ogi a e Manej o de Recursos Naturai s, j á ti nha
si do agraci ado em 2006 com o prêmi o Samuel
Benchi mol por al i ar, com êxi to, o saber tradi ci onal
dos i ndí genas com o conheci mento ci entí fi co que
permi te mol dar o l átex em utensí l i os di versos.
Naquel e ano, o Banco da Amazôni a i nvesti u
recursos para a i mpl antação de uma uni dade
demonstrati va e pedagógi ca do processo de
encauchamento do l átex no Centro de Antropol ogi a
e Arqueol ogi a I ndí gena da Amazôni a Oci dental ,
no Campus da Uni versi dade Federal do Acre, em
Ri o Branco, para a di fusão e popul ari zação da
tecnol ogi a.
Hoj e o processo está presente em dezenas
de comuni dades ri bei ri nhas, qui l ombol as e
i ndí genas nos estados do Pará, Amazonas, Acre e
Rondôni a. O trabal ho muda a l ógi ca predomi nante
há sécul os em que o processo de benefi ci amento
do l átex está fora das mãos do seri nguei ro, uma
vez que, com poucas árvores, o produtor tem
a matéri a pri ma necessári a para produzi r seus
di ferentes produtos, como bol sas, mantas, panos
de prato, porta copos e até protetores de garrafas
130
Foto divulgação Projeto Encauchados de Vegetais da Amazônia
131
Foto divulgação Projeto Encauchados de Vegetais da Amazônia
132
a ter um úni co regi mento e se tornam uma das
pri nci pai s i ni ci ati vas de val ori zação da pesqui sa e
da i novação, vol tadas para a sustentabi l i dade da
regi ão amazôni ca.
A parti ci pação do Banco da Amazôni a
no certame se dá em três vertentes – como
patroci nador, como i ntegrante da comi ssão
j ul gadora e também como i nsti tui ção fi nanci adora
de proj etos por mei o de seu Programa de Apoi o
a Pesqui sa, com recursos não-reembol sávei s,
repassados para Uni versi dades e I nsti tui ções de
Pesqui sa agraci adas com a premi ação.
O apoi o do Banco à pesqui sa na regi ão
passou por um perí odo menos vol umoso depoi s
da exti nção da Sudam, responsável pel o Fi nam,
de onde saí am os recursos para o Programa de
Apoi o à Pesqui sa. A i nsti tui ção chegou a uti l i zar
recursos própri os e manteve a i ni ci ati va. Agora, o
trabal ho ganha fôl ego para mai s ações no futuro,
com a desti nação de 1,5% dos recursos do Fundo
de Desenvol vi mento da Amazôni a (FDA), a parti r
da anál i se do Consel ho de Del i beração da ADA,
a Agênci a de Desenvol vi mento da Amazôni a,
responsável pel o Fundo.
de vi nho, j á que a borracha mantém a temperatura
ambi ente.
Essa parti ci pação si gni fi cati va no apoi o à
pesqui sas i novadoras para e na regi ão amazôni ca
não é de hoj e. Remonta há mai s de tri nta anos
quando, em Assembl ei a Geral , em 24 de abri l
de 1975, o Banco cri ou o Fundo de Pesqui sa,
Assi stênci a Técni ca e Desenvol vi mento de
Recursos Humanos para “prestar col aboração
fi nancei ra e técni ca a proj etos de pesqui sas
econômi cas, agronômi cas e tecnol ógi cas de
i nteresse para a Amazôni a”. Para tanto, expl i ca o
Rel atóri o daquel e ano, “será desti nado para esse
fi m 5% do l ucro do Banco”.
Em 2004, o Banco cel ebrou parceri a
para o Prêmi o Samuel Benchi mol , i nsti tuí do
pel o Mi ni stéri o do Desenvol vi mento, I ndústri a
e Comérci o Exteri or, para proj etos de pesqui sa
baseados no desenvol vi mento sustentável da
regi ão. Doi s anos depoi s, o própri o Banco
da Amazôni a buscava a mai or val ori zação de
i ni ci ati vas sustentávei s e cri ou o Prêmi o Banco
da Amazôni a de Empreendedori smo Consci ente.
As duas premi ações, em 2009, passam
133
Conqui sta dos agri cul tores e suas organi zações soci ai s, o PRONAF (Programa Naci onal de Fortal eci mento
da Agri cul tura Fami l i ar) é consi derado por mui tos como a pri mei ra l i nha de crédi to especí fi ca para essa
parcel a de agri cul tores brasi l ei ros: o núcl eo famí l i ar.
Mai s do que uma ação governamental , o Programa é a concl usão de um processo de di ál ogo entre o
governo, suas i nsti tui ções (como o Banco da Amazôni a) e os agri cul tores fami l i ares. Di ál ogo ami gável , em
geral , e que também teve momentos tensos.
A hi stóri a do PRONAF está associ ada à hi stóri a das pol í ti cas públ i cas de fi nanci amento à agri cul tura no
paí s e que, na Amazôni a, são i mpl ementadas pel o seu Banco.
O Rel atóri o de 1979 expl i ca que, naquel e ano, a di reção do Banco el egi a “como um de seus obj eti vos
pri ori tári os a assi stênci a ao mi ni e pequeno produtor da Regi ão. Dessa manei ra, foi i nsti tuí do e i mpl antado em
fi ns do pri mei ro semestre do ano passado o Programa de Apoi o ao Pequeno Produtor Rural da Amazôni a (o
Mi ni -Rural ), i ni ci al mente com o subprograma de Custei o Rural ”.
Ao mesmo tempo, o Banco ofertava fi nanci amento através do PROBOR (Programa de I ncenti vos à
Produção de Borracha Natural ), operado em conj unto com a Sudhevea (Superi ntendênci a do Desenvol vi mento
da Borracha), para supri r a demanda naci onal do produto, porque apesar do passado de mai or produtor
mundi al de borracha, nesse momento, o paí s dependi a da “i mportação do produto em três quartos de suas
necessi dades de consumo”.
As pol í ti cas públ i cas de i ncenti vo à agri cul tura fami l i ar foram fortal eci das, pri nci pal mente, a parti r da
década de 1990, com ações do governo federal para o combate à excl usão soci al e, em especi al , pel o
fortal eci mento dos movi mentos soci ai s rurai s e extrati vi stas na Amazôni a, ecoando mundo afora.
A l uta no campo cresceu, a parti r de 1991 - o número de trabal hadores rurai s mortos em confl i tos
Crédito Rural
134
Foto Paulo Santos
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Foto Janduari Simões
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agrári os, também. O Gri to do Campo - uma grande mobi l i zação rural com apoi o de organi zações urbanas,
surgi u no Pará. A pri nci pal bandei ra era o combate à vi ol ênci a, mas chamava atenção para o crédi to à
agri cul tura fami l i ar.
Houve ai nda o Gri to da Terra, quando as l i deranças trabal hadoras reuni am-se com os órgãos federai s
e estaduai s, buscando l i nha de crédi to especí fi ca para o pequeno produtor – foi cri ada uma l i nha no FNO - o
FNO Especi al , como fi cou conheci do a parti r de 1992. A experi ênci a pi l oto posi ti va de fi nanci amento fez com
que o FNO Especi al fosse ampl i ado para a regi ão amazôni ca. Em mei o aos movi mentos soci ai s rurai s que
também se fi zeram ouvi r, sai u o Gri to da Amazôni a.
Em 1994, a mobi l i zação j á era naci onal com o Gri to da Terra Brasi l , assumi do por confederações de
trabal hadores.
As arti cul ações l evaram à aprovação do Provap (Programa de Val ori zação do Pequeno Agri cul tor), e
pel a pri mei ra vez, as famí l i as rurai s entraram na pauta de pol í ti cas públ i cas, com atenção di ferenci ada.
Em 1995, ai nda sem defi ni ções concretas de fi nanci amento, o movi mento dos trabal hadores radi cal i zou
e deci di u ocupar as dependênci as do Banco, em Bel ém. O resul tado, al ém do confronto com a pol í ci a de
choque, foi a cri ação do PRONAF para custei o.
Em mai o, durante o Gri to da Terra, uma i ni ci ati va no Pará, no Acre e em Rondôni a marca produtores
e empregados do Banco. Um abraço si mból i co em torno da i nsti tui ção sel a o compromi sso de todos com
o Banco e fi ca na Hi stóri a como uma dos marcos da hi stóri a parti cul ar do Banco da Amazôni a. Nesse ano,
conqui stou-se a redução das taxas de j uros do programa. No ano segui nte, o programa é i mpl ementado em
todo o terri tóri o naci onal .
137
Conforme se l ê no Rel atóri o de Sustentabi l i dade 2006, “para reger um processo de i ncenti vo ao
desenvol vi mento sustentável da Amazôni a Legal em sua pl eni tude, é preci so uma i nsti tui ção forte e di nâmi ca,
preparada para os desafi os de uma proposta de cresci mento que se di ferenci a dos model os econômi cos
tradi ci onai s”.
Foi nessa perspecti va também que o Banco, em 2003, passou a adotar, como parte de seu pl anej amento
estratégi co, i nvesti mentos na i nfraestrutura i nterna, na gestão de pessoas, na di ssemi nação da cul tura
da sustentabi l i dade com todos os públ i cos e na i mpl antação de estratégi as para a atração de negóci os
sustentávei s.
A i mpl antação de uma pol í ti ca soci oambi ental si gni fi ca que o Banco não oferece si mpl esmente um
crédi to, mas está atento aos resul tados desse i nvesti mento, com o obj eti vo de dei xar “todas as agênci as
preparadas para consi derar a vari ável ambi ental em seu processo de aval i ação de crédi to”.
Para mudar o paradi gma fl orestal da Regi ão, o Banco adotou pol í ti cas no senti do de esti mul ar:
o aprovei tamento consci ente das excepci onai s oportuni dades que a regi ão oferece para o Ecoturi smo;
a substi tui ção da i ndústri a extrati vi sta com bai xo val or agregado, por um setor moderno, com excel ente
padrão de manej o de suas fl orestas, mai or val or agregado ao produto e forte compromi sso soci al e ambi ental ;
a mel hori a do padrão tecnol ógi co i ndustri al ;
a expansão da pecuári a e da agri cul tura em áreas desmatadas e/ou degradadas, [...] com el evado
padrão tecnol ógi co, capaci dade para atender à demanda de al i mentos do mercado regi onal e excedentes
exportávei s, sem causar pressões de desmatamento de novas áreas de fl orestas, ocupando áreas degradadas.
A parti r de 2004, tem i ní ci o o Programa de Excel ênci a Tecnol ógi ca com o obj eti vo de moderni zar a
pl ataforma de TI (Tecnol ogi a da I nformação) e desde então, o Banco vi ve uma evol ução contí nua e gradual ,
possi bi l i tando aos cl i entes atendi mento de qual i dade, ao mesmo tempo em que garante à I nsti tui ção
Por uma Economia
Sustentável
Foto Hely Pamplona
138
139
Foto Hely Pamplona
140
mecani smos de control e, acompanhamento e proj eção das l i nhas de negóci o.
Hoj e, a tecnol ogi a bancári a é um dos grandes destaques das i nsti tui ções fi nancei ras para a gestão de
ri sco. No Banco da Amazôni a não poderi a ser di ferente.
A reestruturação do Banco, a parti r de 2008, propôs um proj eto corporati vo que remodel ou toda
a estrutura de ri sco de crédi to do Banco e tem no uso da tecnol ogi a de ponta uma de suas pri nci pai s
caracterí sti cas e no seu conj unto permi te ao Banco atender a todos os requi si tos do Basi l éi a I I - acordo
i nternaci onal das i nsti tui ções bancári as, vi sando preveni r ri scos de crédi to.
Baseado em ci nco vertentes, o trabal ho i ni ci ou em 2010 e j á promoveu a revi são de toda pol í ti ca de
crédi to do Banco; cri ou os Comi tês de Operação de Crédi to e a Reestruturação dos Comi tês de Crédi to,
permi ti ndo a di sti nção do crédi to, mantendo as anál i ses separadas das áreas de negóci os.
Uma tercei ra vertente do proj eto é a i mpl antação do CRI (Cred Ri sk I ntel i gent), um si stema i ntegrado de
gestão das cartei ras de crédi to, com base em resol ução do Banco Central . O CRI , na verdade, é um sofi sti cado
software de gestão de ri sco crédi to j á adaptado às caracterí sti cas das cartei ras do banco amazôni co para
col aborar com subsí di os à gestão e estratégi as, em termos de possí vei s exposi ções do Banco a ri sco de
crédi to.
Outra vertente é o Si sgaranti as, si stema corporati vo que gerenci a todas as garanti as concedi das ao
banco e também as assumi das pel a i nsti tui ção.
E por fi m, a serem apl i cadas a parti r de 2014, a model agem e remodel agem do si stema de ri sco de
crédi to do Banco, que pretende estabel ecer para a i nsti tui ção novas matri zes de ri sco, em si ntoni a com as
práti cas de mercado, sem menosprezar a estratégi a de garanti r o desenvol vi mento da regi ão com a geração
de emprego e renda.
141
No Estado do Tocanti ns, o Banco da
Amazôni a i nvesti u, só no ano de 2012, sei scentos
mi l hões de reai s, a mai or parte dessa soma
desti nada a mi cro e pequenas empresas e mi cro
e pequenos produtores rurai s – pul veri zação que
benefi ci a centenas de famí l i as.
O fi nanci amento ao agronegóci o também
é forte nas ações do Banco, no Tocanti ns, com
recursos para as l avouras de soj a em Guaraí e
de arroz em Porto Naci onal . E a pecuári a é outro
setor que recebe o apoi o, com fi nanci amentos em
Araguaí na.
Entre as grandes empresas que uti l i zaram
crédi tos do Banco da Amazôni a está o Grupo
Ecobrasi l , fi nanci ada para refl orestamento de 10
mi l hectares, com o pl anti o de eucal i pto para a
i ndústri a de cel ul ose. Foram 51 mi l hões de reai s
e o i nvesti mento representa uma parte dos pl anos
de recuperação de áreas degradadas, do grupo,
que tem i ntenção de refl orestar 40 mi l hectares e
montar um parque i ndustri al no Tocanti ns.
O Banco da Amazôni a j á fi nanci ou i números
proj etos na área rural e urbana do Estado, como
a construção do Shoppi ng Capi m Dourado,
i naugurado em 2010 e consi derado um presente
para a capi tal , Pal mas. Todos os proj etos, sem
exceção, com recursos do FNO.
Financiamento para
todos os Setores
142
Foto Lucivaldo Sena
143
Foto Jaime Souzza
144
Desenvolvimento com
Respeito Ambiental
No Maranhão, um dos empreendi mentos
mai s sól i dos e resi stentes tem há mui to tempo
o apoi o do Banco da Amazôni a: A Agro Serra,
empresa cri ada em 1984 para i mpl ementar o
pl anti o de soj a no Sul do Maranhão e que hoj e
tem como carro-chefe a cana-de-açúcar, cobri ndo
todo o processo: do pl anti o à produção de ál cool
carburante.
A pri mei ra l avoura comerci al foi produzi da
em 1987 e em 1990 o grupo i ni ci ou experi ênci as
com a cana, que começou a ter produção i ndustri al
a parti r de 1995. Com 29 mi l hectares cul ti vados
e uma produção anual de 110 mi l hões de l i tros
cúbi cos de ál cool carburante, é a mai or empresa
do gênero nas regi ões Norte e Nordeste.
A produção de cana-de-açúcar e sua
i ndustri al i zação são a pri nci pal ati vi dade do
grupo, que também i nveste em cafei cul tura,
fruti cul tura e pi sci cul tura, al ém de ter uma práti ca
ambi ental mente correta, uti l i zando o control e
bi ol ógi co de pragas, com geração própri a de
8MW de energi a, e si stema ecol ógi co de captação
de água, ferti -i rri gação e a manutenção de uma
reserva fl orestal .
145
A atuação do Banco da Amazôni a no
Estado do Mato Grosso vai desde o apoi o a
pequenos agri cul tores, através de programas
como o PRONAF, a grandes empreendi mentos
agropecuári os; de mi cro empresas a proj etos de
i nfraestrutura.
A agri cul tura fami l i ar foi contempl ada
com mai s de 11 mi l hões de reai s di stri buí dos a
mi cro e pequenos agri cul tores nos doi s úl ti mos
anos e os fi nanci amentos para mi cro e pequenas
empresas passaram de 10 mi l hões - esses
recursos benefi ci aram pequenos agri cul tores de
todo o Estado.
Já o agronegóci o recebeu cerca de 250
mi l hões de reai s nos úl ti mos três anos, em custei o
e i nvesti mentos para soj a, mi l ho e al godão, al ém
de pecuári a de corte e de l ei te.
No setor de energi a, o Banco da Amazôni a
i nvesti u 170 mi l hões de reai s para a construção
de três pequenas centrai s hi drel étri cas.
Para o ano de 2013, a previ são é de apl i car
300 mi l hões em áreas como fri gorí fi cos, rodovi as,
turi smo e setor portuári o; e mai s 80 mi l hões para
o transporte fl uvi al de cargas.
Financiando a Agricultura Familiar
e o Agronegócio
146
Foto Marcelo Lelis
147
Responsabilidade
Social
Para manter seu quadro funci onal
i nformado sobre os assuntos ambi entai s, o Banco
da Amazôni a, com apoi o do Banco Mundi al ,
promove uma séri e de semi nári os transmi ti dos
por vi deoconferênci a (i ncl ui ndo di scussão on-l i ne
após o semi nári o) sobre questões especí fi cas,
rel ati vas a Mei o Ambi ente. A transmi ssão é fei ta
para todos os estados da Amazôni a Legal .
Al ém dessa atual i zação e troca constantes,
mantém outras i ni ci ati vas j unto aos seus
empregados, como o Amazôni a Oti mi za, o
Amazôni a Reci cl a e o Fornecedor Verde, com
regras para o rel aci onamento do Banco com seus
fornecedores.
Equipe de basquete All Star Rodas. (Acervo Banco da Amazônia)
148
O Banco da Amazôni a atua j unto à comuni dade,
desenvol vendo e apoi ando proj etos em educação
e cul tura, saúde, mei o ambi ente, esportes etc
em parceri a com di versas i nsti tui ções, tendo si do
manti dos e/ou ampl i ados i ncl usi ve aquel es i ni ci ados
em gestões anteri ores em vári os estados da regi ão,
dentre os quai s se destacam:
- Proj eto 5ª Cul tural : eventos que contam com
a apresentação de cantores de vári os estados da
Amazôni a, com i ngressos trocados por al i mentos não
perecí vei s.
- Proj eto Al fabeti zação Sol i dári a: em parceri a
com o Governo Federal , atua em l ocal i dades carentes
no combate ao anal fabeti smo.
- Proj eto Cri ança Vi da: reforma da UTI Neonatal
da Santa Casa de Mi seri córdi a do Pará e também
do Banco de Lei te Humano. i nterl i gando-o à al a
materno-i nfanti l da Santa Casa.
- Revi tal i zação do Centro Hi stóri co de Manaus:
propi ci ou à soci edade l ocal não somente uma nova
atração turí sti ca, mas o resgate hi stóri co desse
patri môni o da cul tura amazonense.
- Horto Muni ci pal de Bel ém: em parceri a
com a Funverde (Fundação Parques e Áreas Verdes
de Bel ém), real i zou a reforma do Horto Fl orestal ,
transformando-o num l ogradouro públ i co de l azer e
cul tura.
Mostra Curta Pará Cine Brasil. Foto Adauto Rodrigues
149
- Programa de Preservação dos Rios da Amazônia (Pró-
Rios): apoio aos trabalhos da ONG SPPA (Sociedade de Pesquisas
e Preservação da Amazônia) que contribui para a preservação do
meio ambiente através de campanhas educativas em portos e
cidades ribeirinhas, com distribuição de cartilhas e cartazes, mutirões
de limpeza das margens e instalação de coletores de detritos nas
embarcações que cortam os rios e igarapés da região.
- Incentivo ao Esporte: atletas e/ou equipes são apoiados
pelo Banco em algumas modalidades esportivas. Dentre elas, e
como patrocinador oficial, a equipe de basquetebol All Star Rodas.
“Romeu e Julieta” - Teatro Mosaico. (Acervo Banco da Amazônia)
Foto Alex Raiol
150
- Projeto Renascer: prepara jovens com idade
entre 18 e 21 anos, de famílias de baixa renda, através
de cursos de capacitação profissional, criando-lhes
condições de oportunidades no mercado de trabalho.
- Programa Riacho Doce: parceria com a
Universidade Federal do Pará-UFPA e com a Fundação
Ayrton Senna, voltado para as crianças na faixa etária de
07 a 14 anos que residem na área de ocupação Riacho
Doce, localizada no bairro da Terra Firme, em Belém.
- Espaço Cultural: térreo do edifício-sede do
Banco da Amazônia, em Belém, é ponto de encontro de
clientes e do público amante das artes plásticas. Desde
junho de 2001, quando foi inaugurado, apresenta, de
forma constante, mostras e exposições de pintores,
escultores, gravuristas, fotógrafos e de artes visuais em
geral.
Mestre Vieira - 50 Anos de Guitarrada. Foto Renato Chalu
151
“Seringal”
Reprodução Alex Raiol
Cândi do Porti nari , “Seri ngal ”, 1957
Ól eo s/cartão, 22,3x54cm
Estudo para pai nel proj etado não executado
para a sede do Banco de Crédi to da Amazôni a (Bel ém-PA)
(Acervo Museu de Arte de Bel ém)
152
“O Banco da Amazôni a, cumpri ndo seu papel de agente soci al e de
desenvol vi mento regi onal , tem a honra de trazer aos ci dadãos da Amazôni a
o traço e as cores do nosso mai s conheci do pi ntor.”
Ofi ci al mente estava aberto ao públ i co um dos eventos mai s si gni fi cati vos
das comemorações dos 70 anos do Banco: a exposi ção “Seri ngal ” com
obras do arti sta brasi l ei ro Cândi do Porti nari no Espaço Cul tural do Banco da
Amazôni a, l ocal i zado no andar térreo da sede do Banco.
Cândi do Porti nari nasceu numa fazenda de café em Brodowski , no
estado de São Paul o em 1903, fi l ho de i mi grantes i tal i anos. Em 1935,
obtém seu pri mei ro reconheci mento i nternaci onal nos Estados Uni dos, com
a tel a “Café”, retratando uma cena de col hei ta tí pi ca de sua regi ão natal .
Sua i ncl i nação mural i sta se revel a com vi gor no conj unto de suas obras,
afi rmando sua opção pel a temáti ca soci al .
O uni verso porti nari ano,
se às vezes dói , sempre ful gura:
entrel aça como num verso
o que é humano ao que é pi ntura.
(Carl os Drummond de Andrade)
Com a pal avra, o hi stori ador Al dri n Moura de Fi guei redo, curador da
mostra:
Trabal ho, Natureza e Arte
“Entre as i nfi ni tas i magens da Amazôni a, o Seri ngal tal vez sej a a mai s
profunda e el oquente. Um embl ema, um sí mbol o e, ao mesmo tempo, a
própri a hi stóri a que parel ha à bel l e-époque equatori al . A Bel ém de nossos
sonhos mai s profundos foi fi nanci ada pel a goma el ásti ca que saí a dos
seri ngai s. A borracha foi mui to mai s do que um produto de exportação e o
seri nguei ro esteve l onge de ser um si mpl es trabal hador expl orado por ri cos
seri ngal i stas. Estamos di ante de obra e cri ador, ouro e sangue, natureza e
cul tura. Nesta exposi ção, pel o traço úni co de Cândi do Porti nari , passamos
em revi sta a narrati va vi sual do passado no presente. Di ante de nossos ol hos,
o col ori do da fl oresta, da fauna e da fl ora vem à tona na geometri a cubi sta
que ampl i fi ca e desconstrói a real i dade. O suor do trabal ho e o l ei te vi scoso
da seri nguei ra revel am o coti di ano de uma economi a que fez a ri queza de
poucos e a pobreza de mui tos. Mas, conj unto da obra, que seri a a própri a
hi stóri a da borracha, conta uma hi stóri a em vári os atos i mensa e i nfi ni ta,
hi stóri a que está l onge de termi nar. O teatro da vi da é sempre mai s col ori do,
mi sturando trabal ho, natureza e arte.”
153
Banco da Amazônia - Marcas Históricas
O nome e a marca do Banco da
Amazôni a passaram por al gumas
mudanças ao l ongo dos seus 70
anos. Mudanças que procuravam
retratar o contexto hi stóri co e de
pol í ti ca econômi ca do governo
federal em cada época na regi ão.
A
154
Banco da Amazôni a S.A.
Em 2002, ao compl etar 60 anos, saem a
si gl a BASA e o cadeado. Agora, a marca enfati za a
pal avra ‘Amazôni a’. A nova l ogo traz o ‘A’ mai úscul o
representando sol i dez e a ‘onda amarel a’,
desenvol vi mento. Assume sua responsabi l i dade
soci oambi ental e passa a pri ori zar o repasse de
crédi tos baseados no desenvol vi mento sustentável ,
apoi ando ações cul turai s, soci ai s, esporti vas e de
pesqui sa.
Banco de Crédi to da Borracha S.A.
Cri ado por decreto-l ei do governo
federal em 1942, em pl ena 2ª Guerra Mundi al ,
o Banco de Crédi to da Borracha S.A. – hoj e,
Banco da Amazôni a S.A. – fi nanci ava a
produção de borracha para os paí ses al i ados.
Banco de Crédi to da Amazôni a S.A.
Em 1950, o governo federal transforma o
BCB em Banco de Crédi to da Amazôni a S.A. –
BCA, ampl i ando o crédi to para outras ati vi dades,
al ém da produção de borracha (castanha, j uta,
madei ras etc.)
Banco da Amazôni a S.A.-BASA
Em 1966, em pl eno regi me mi l i tar,
rebati zado de Banco da Amazôni a S.A., mas
ampl amente conheci do pel a si gl a BASA, torna-
se o agente fi nancei ro do governo federal para
o desenvol vi mento econômi co e soci al da regi ão.
O cadeado da l ogomarca si gni fi cava segurança e
tradi ção.
155
Diretoria
Executiva
157
Wilson Evaristo (Diretor de Gestão de Recursos); Gilvandro Negrão Silva (Diretor Comercial e de Distribuição); Antonio Carlos de Lima Borges (Diretor de Infraestrutura de Negócio); Abidias José de Sousa Junior (Presidente); Eduardo
José Lima Cunha (Diretor de Análise e Reestruturação); Carlos Pedrosa Júnior (Diretor de Controle e Risco)
EX-PRESIDENTES DO
Gabriel Hermes Filho
22.02.1951 a 04.11.1954
José Carneiro da Gama Malcher
25.01.1943 a 26.02.1946
Firmo Ribeiro Dutra
26.02.1946 a 06.11.1947
Octávio Augusto de Bastos Meira
27.12.1947 a 24.01.1951
Arnóbio Rosa de Faria Nobre
04.11.1954 a 19.12.1955
José da Silva Matos
19.12.1955 a 24.09.1959
Remy Archer
24.09.1959 a 18.03.1961
Oscar Passos
27.08.1942 a 25.01.1943
Hélio Palma Arruda
18.03.1961 a 17.10.1961
Raymundo Alcântara Figueira
17.10.1961 a 20.05.1964
Armando Dias Mendes
20.05.1964 a 28.02.1967
Francisco de Lamartine Nogueira
11.04.1967 a 27.04.1971
158
BANCO DA AMAZÔNIA
Jorge Babot Miranda
27.04.1971 a 16.08.1974
Francisco de Jesus Penha
16.08.1974 a 16.03.1979
Oziel Rodrigues Carneiro
15.03.1979 a 27.04.1981
Ubaldo Campos Correa
30.04.1981 a 08.04.1985
Carlos Thadeu de Freitas Gomes
04.06.1986 a 14.04.1987
Delile Guerra de Macedo
02.04.1985 a 03.06.1986
11.08.1987 a 25.09.1987
Waldemir Messias de Araújo
19.11.1987 a 17.05.1990
Silvestre de Castro Filho
22.05.1990 a 11.05.1992
Anivaldo Juvenil Vale
11.05.1992 a 30.03.1994
Luiz Benedito Varela
29.03.1994 a 18.05.1995
Flora Valladares Coelho
17.05.1995 a 15.04.2003
Mâncio Lima Cordeiro
15.04.2003 a 13.04.2007
Reprodução de fotos Bruno Carachesti
159
O Banco da Amazônia realinha o seu
planejamento a novos horizontes de atuação,
sem esquecer a principal vocação: ser agente
imprescindível do desenvolvimento sustentável da
maior floresta tropical do planeta.
Todas as possibilidades de negócios intrínsecos
à natureza das ações do Banco são prioritárias como,
por exemplo, a comercialização dos Créditos de
Carbono, prevista no Protocolo de Kioto, do qual o
Brasil é signatário.
Em outubro de 2012, o Conselho Monetário
Nacional aprovou a redução de taxas do FNO, que
variavam de 4% a 10% ao ano, de acordo com
as características do investimento, para apenas
2,94% ao ano, a menor registrada pelo Fundo.
“Essa medida do Governo Federal trará significativo
alívio no fluxo de caixa, redução no custo financeiro
das empresas e alavancará novos sonhos, projetos,
empreendimentos”, afirma o presidente do Banco,
Abidias Junior.
Para celebrar ainda mais, no ano em que
completa 70 anos de atividades, o Banco da Amazônia
acaba de atingir nova marca histórica: a aplicação de
R$21 bilhões de recursos do FNO, um recorde de
financiamento em todos os setores da economia
amazônica – o futuro começou.
Foto Hely Pamplona
161
O ACORDO de Washington e o povoamento da Amazônia. O Estado do Pará. Belém, 21 jun. 1942. p.1.
ACORDO “yankee”-brasileiro. Folha do Norte. Belém, 8 jul. 1942. p.1.
ACRE. Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural. Desembarque de caminhões de caminhonetes adquiridos no governo
de José Guiomar dos Santos: 1946 - 1948. Rio Branco, [194-]. Acervo digital Rio Branco Antigo.
_______. Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural. Vapor Zé Florêncio e Curuçá na praia. Embarque de passageiros
e pélas de borrachas. Rio Branco, [19--]. Acervo digital Seringueiros.
_______. Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural. Avião Búfalo. Desembarque de uma máquina escavadeira. Rio
Branco, 1968. Acervo digital Rio Branco Antigo.
_______. Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural. Travessia de veículos no rio Acre sobre ponte improvisada com
balsa durante a seca do rio, ao fundo o 2º Distrito de Rio Branco. Década 60. Rio Branco,[ 196-]. Acervo digital Rio Branco
Antigo.
ADESÃO a Carta do Atlântico (financiamento da borracha). O Estado do Pará. Belém, 18 jan. 1942. p.3.
A AGRESSÃO japonesa. O Estado do Pará. Belém, 14 jan. 1942. p.5.
AMÂNCIO, Armando. Banco da Amazônia. Belém, 2012. Entrevista.
AMAZONAS (Estado). Lei nº 319, de 17 de setembro 1900. Manaus: Imprensa Oficial, 1900.
A AMAZÔNIA vai possuir um organismo federal controlador de sua expansão econômica. Folha do Norte. Belém, 5 out. 1941.
p.12.
APROVEITAMENTO industrial da borracha. Folha do Norte. Belém, 8 jul. 1942. p.1.
AQUI estamos, portanto representantes soberanos e etc. O Estado do Pará. Belém, 15 jan. 1942. p.5.
ARDEU todo o BASA na rua Gaspar Viana. A Província do Pará. Belém, 24 nov. 1971. Cad.1, p.1.
A ASSOCIAÇÃO Comercial do Pará órgão técnico-consultivo do Governo. Folha do Norte. Belém, 11 jul. 1942. p.6.
AS ATIVIDADES da Cia Ford Industrial no Brasil e na Amazônia. O Estado do Pará. Belém, 9 abr. 1942. p.8.
BANCO DA AMAZÔNIA. Atas da Assembleia Geral: 1942 – 1962. Belém, [196-?].
_______. Atas de Sessões da Diretoria do Banco: livro de registro das atas das reuniões dos diretores 1942 – 1943. Belém,
[194-?].
_______. Cadernetas de depósitos populares. Belém, 1963.
_______. Cartas circulares: 1956 – 1959. Belém, [195-?].
_______. Certificados de Ações Ordinárias Nominativas 1942 – 1981. Belém, [198-?].
_______. Circulares: 1943 – 1947. Belém, [195-?].
Referências
162
_______. Código Telegráfico Particular: códigos para uso exclusivo do BCA e suas agencias. Belém, [19--?].
_______. Comunicado de concurso público para admissão de funcionário para o Banco de Crédito da Borracha em 22 de julho
de 1944. Belém, 1944.
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de 2012. A capa é em papelão Paraná 60g, revestido em papel couchê fosco 170g, impresso em 4x0
cores, com aplicação de hot stamp dourado. O miolo, em couchê fosco 115g, foi impresso a 4x4 cores
e as guardas, em couchê fosco 170g, a 4x0 cores. As fontes utilizadas foram: Courier New, DIN Alternate,
English, HelveticaNeueLTStd. E a luva, em papel duo design 350g também foi impressa a 4x0 cores.
Arte Capa.pdf 1 03/12/12 14:48

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