Curso Básico de Espiritismo

Capitulo I
ALLAN KARDEC, O CODIFICADOR


I. RIVAIL, O EDUCADOR

eu !ascime!to e !ome"
Hippolyte Léon Denizard Rivail era seu nome (conforme livro de batismo).
Nasceu a 3/10/1804, em Lyon, França, de antita família lionesa, católica,
cujos antepassados se distinguiram na advocacia, na magistratura e no trato
dos problemas educacionais.

Estudou com #estalo$$i"
Ao redor dos 11 anos de idade, seus pais o enviaram para estudar em
Yverdum, na Suíça, no Ìnstituto de Educação do célebre pedagogo
Pestalozzi.

Acredita-se tenha ali estudado (e ensinado, pois os mais aplicados eram
elevados a submestres) até 1822, quando voltou à França, estabelecendo-se
em Paris, como professor.

O #eda%o%o"
De 1824 a 1848, além de lecionar, Rivail escreveu inúmeras e importantes
obras pedagógicas, especialmente sobre aritmética e gramática francesa,
além de tratados sobre educação pública, tendo um deles sido premiado pela
Academia Real das Ciencias de Arras (1831).

Em meados de 1825 fundou e dirigiu uma "Escola de Primeiro Grau", que
funcionou até 1834, quando foi fechada por dificuldades financeiras que um
seu tio lhe causara.

Passou, então alguns anos trabalhando como contabilista, dedicando,
porém, as noites ao labor na área da educação, a saber: - elaborando novos
livros de ensino;
- traduzindo obras literárias ou de estudo (principalmente do alemão e do
inglês, embora também conhecesse holandês, grego, latim e outros idiomas);
- preparando cursos que ministrava em escolas (inclusive sobre lógica e
retórica);
- organizando e ministrando, em sua própria casa, cursos gratuitos de
química, física, astronomia, fisiologia, anatomia comparada, etc., para alunos
carentes.

Educador emérito, caráter ilibado, exemplificava fraternidade e amor aos
semelhantes. Foi homem de grande projeção na França como em outros
países da Europa, sendo membro de várias sociedades sábias e tendo
recebido muitos títulos e honras.

eu casame!to"
Em 6/2/1832, casou-se com a Profª Amélia-Gabriele Boudet, que lhe foi
companheira dedicada e valiosa colaboradora. Não tiveram filhos.


II. CO&O E 'ORNOU E#(RI'A

As mesas %ira!tes"
Reunindo-se em torno de mesa de três pés, as pessoas faziam perguntas a
que os espíritos respondiam através de pancadas. Essa prática tornara-se
moda na Europa, ao redor de 1850-52, e alcançara os salões de Paris, onde
morava o Prof. Rivail.

Homem de cultura geral, Rival já se interessara pelos estudos do
magnetismo animal mas foi somente a partir de 1855 que começou a ter
contato com os fenômenos das "mesas girantes" e "comunicações do além-
túmulo".

Estuda!do os )e!*me!os"
Convidado a presenciar os fenômenos (1854), de início o Sr. Rivail não se
interessou pelo que parecia ser, simplesmente, uma diversão social.

Pela insistência de amigos, foi observá-los (maio1/1855) e constatou que
eram verdadeiros e devidos a uma causa inteligente; essa mesma causa
revelou que eram as almas dos homens que já viveram na Terra.
Pesquisando mais, verificou que os espíritos manifestantes não eram todos
iguais em conhecimento e moralidade, mas que suas informações eram
valiosas, como as dos viajantes que nos relatam o que puderam ver e sentir
dos países onde estiveram.

Prosseguindo nesses estudos, observou os fenômenos mediúnicos em todos
os aspectos. Revisou 50 cadernos de escritos mediúnicos, formulando
indagações aos espíritos. Serviu-se, para tanto, de mais de dez médiuns,
especialmente as Srtas. Baudin e Japhet.

Deduzindo consequências dos fenômenos, aplicando invariavelmente o
espírito crítico e o raciocínio filosófico nos estudos e experiências (para isso
tinha preparo suficiente). Formou a sua convicção "sobre a imortalidade da
alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis
morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade - segundo os
ensinos dados por espíritos superiores" constituindo a Doutrina dos Espíritos,
que ele denominou de Espiritismo.


III. KARDEC, O CODIFICADOR

Para apresentar ao público a Doutrina Espírita. Escreveu cinco livros
básicos, que são chamados "o Pentateuco Espírita":

- "O Livro dos Espíritos", l8/4/l857
- "O Livro dos Médiuns", 1861;
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", 1864;
- "O Céu e o Ìnferno". 1865;
- "A Gênese", 1868.

Ìmportantes também, como detalhes, argumentação e com a finalidade de
divulgação mais rápida e acessível ao grande público, escreveu pequenos
livros como "O Que é o Espiritismo".

Editou, a partir de janeiro/1858, a Revista Espírita (mais antiga do mundo),
que circulou até recentemente, sofreu interrupção mas voltou a ser editada.
(editada no Brasil pela ÌDE e pela EDÌCEL)

Fundou também a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a lº de abril de
1858, que foi modelo de organização espírita, quanto à parte mediúnica e de
estudos.

O !ome Alla! Kardec"
Para a publicação das obras espíritas, objetivando distingui- las das que
produzira pelo seu próprio saber, como pedagogo, adotou o pseudônimo de
Allan Kardec, nome que, conforme revelação feita, usara em encarnação
anterior, ainda em solo francês, ao tempo dos druidas.

Kardec, o Codi)icador"
Como ele mesmo diz, sua parte na obra, de revelar a Doutrina Espírita foi a
de haver coletado, coordenado e divulgado os ensinos. E, por organizar os
ensinos revelados pelos Espíritos formando uma coleção de leis (um código)
é que Allan Kardec foi chamado "O Codificador".

ua dese!car!a+,o"
Foi a 31/03/1869, em Paris, pelo rompimento de um aneurisma, em pleno
labor de estudo e organização de novas tarefas espíritas e assistenciais.

Agradecemos a Kardec o trabalho e dedicacão de sua vida à codificação dos
ensinos dos espíritos, a fim de que também pudéssemos entender melhor as
leis divinas, recebendo com isso conforto, bom ânimo e esperança para
nossas vidas.

Para honrar-lhe a memória, procuremos aperfeiçoarmo-nos e servir, para que
todos reconheçam no Espiritismo a doctrina capaz de modificar o homem
para melhor e influir benéfica e poderosamente na sociedade.

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua formação moral e pelos
esforços que faz para domar as suas mas inclinações".

"'Trabalho, solidariedade, tolerância."




Capitulo II

A 'R- REVELA./E
I. Re0ela+1es Di0i!as
Revelar é tirar de sob o véu.
A Providência Divina sempre faz revelações proporcionando aos seres
humanos o conhecimento espiritual de que precisem e que não possam
obter sozinhos, pela sua própria inteligencia ou percepção espiritual.
A re0ela+,o di0i!a"
- é feita por Espíritos Superiores em nome de Deus e a través de profetas (=
médiuns);
- tem por fundamento a eterna verdade (ou então não viria de Deus);
- é dosada segundo o grau de evolução do povo que a
recebe e de acordo com o local e a época em que se dá.
Por ignorância ou má fé, a humanidade pode não compreender a revelação
divina, deturpá-la ou fazer acréscimos indevidos.
Sempre que o progresso humano exige, ocorrem novas revelações
espirituais, que:
- relembram e confirmam as verdades anteriormente reveladas;
- desfazem idéias errôneas, deturpações e acréscimos indevidos;
- ampliam conhecimentos e perspectivas para o ser humano.
Respeitáveis são todas as reais revelações espirituais já feitas à
humanidade, pelas verdades fundamentais que nelas se contêm.
Entre as grandes revelações que a Humanidade já recebeu, três se
destacam, apresentando entre si uma ligação e seqüência, num "continuun"
de informações que, tendo começado no Oriente, veio a se expandir no
Ocidente. São elas: o Mosaísmo, o Cristianismo e o Espiritismo.
II. 23 REVELA.4O" a de &ois5s 62788 a.C.9
Moisés era hebreu ou israelita (povo do qual descendeu Jesus). Nasceu na
época em que esse povo vivia em escravidão, no Egito. Foi criado no
palácio, pela filha do Faraó, e educado primorosamente.
Era profeta (= médium). Recebeu ordem espiritual para retirar do Egito o
povo israelita que ali estava vivendo em regime de quase escravidão, e levá-
lo para Canaã (Terra Prometida).
Assumiu a liderança do povo, livrou-o do cativeiro e por 40 anos o guiou
através do deserto, até o seu destino. Foi, também, um grande legislador. A
Lei Mosaica apresenta duas partes: a lei divina e a lei civil ou disciplinar.
III. Lei Di0i!a
Resumida no "Decálogo" (que foi recebido por via mediúnica), é a lei
invariável, em todos o tempos e povos.
Os Dez Mandamentos:
Ì - Não fazer imagens nem adorar outros deuses.
ÌÌ - Não pronunciar o nome de Deus em vão.
ÌÌÌ - Guardar o dia de sábado.
ÌV - Honrar pai e mãe.
V - Não matar.
VÌ - Não adulterar.
VÌÌ - Não roubar.
VÌÌÌ - Não levantar falso testemunho.
ÌX - Não desejar a mulher do próximo.
X - Não cobiçar os bens do próximo.
Obs.: "Sábado" significa dia de descanso físico e "para o Senhor". É uma
determinação para se cuidar do espírito também e não só da matéria. Não é
obrigatório ser o 7° dia da semana e nem somente ele.
IV. Lei Ci0il ou Discipli!ar
Dizia respeito aos costumes e ao caráter do povo israelita, naquela época,
mas iria variar com o tempo e o progresso. Ex.: "Olho por olho, dente por
dente" (pena de Talião, justiça primitiva). Normas sobre hábitos de higiene e
alimentação, organização social e rituais religiosos (para evitar costumes
bárbaros).
Caráter principal da revelação Mosaica: Justiça Divina.
Anúncio de uma seqüência na revelação, futuramente: Moisés e outros
profetas anunciaram que viria o messias, o Cristo, o Salvador para o povo de
Ìsrael, se cumprissem o que já fora revelado. Vide: Deut. 18:15; Ìsaías 9:6,
42:1/4; Miquéias 5:2/4.
V. :3 REVELA.4O" a do Cristo 6;á <uase : mil a!os9
Jesus trazia novos ensinos, adequados aos novos tempos.
Alguns judeus pensavam que ele estava revogando a leimosaica, o que
levou o Mestre a esclarecer:
"Não cuideis que vim revogar, a lei ou os profetas: nãovim para revogar, vim
para cumprir." (Mt. 5 v. 17.)
"É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei." (L. 16 v. 17.)
De fato, a verdadeira lei divina, que rege os mundos e os seres, é imutável e
será cumprida integralmente. Quem muda somos nós, os seres humanos,
que vamos aprendendo a conhecer a lei divina e cumpri-Ìa.
Para dar cumprimento à lei divina, Jesus:
1) Mostrou seu verdadeiro sentido, corrigiu distorções. Ex: O sábado é para o
homem e não o homem para o sábado (Mc. 2 v. 27.)
Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai dela,
porque revela o que está no seu íntimo. (Mt. 15 vs. 11-18 e Mc. 7 vs. 15, 20-
21.)
2) Desenvolveu e adaptou ao grau de adiantamento moral. Ex: O "amarás ao
teu próximo e aborrecerás ao teu inimigo" mudou para amar até mesmo ao
inimigo, fazer-lhe o bem, orar por ele. (Mt. 5 vs. 43-45.)
3) Ìnformou sobre a vida futura e sobre as penas e recompensas que
aguardam o homem depois da morte.
4) Deu nova e melhor idéia de Deus. O Deus de Moisés era terrível,
ciumento, vingativo, cruel, implacável, injusto, exclusivo do povo israelita.
Ìmpunha o modo como queria ser adorado, ofendendo-se por qualquer
inobservância. Punia e recompensava só pelos bens da Terra e fazia a glória
e a felicidade consistirem na escravidão dos povos rivais e em se ter
descendencia numerosa.
O Deus revelado por Jesus é clemente, soberanamente justo e bom, cheio
de misericórdia, que perdoa ao pecador arrependido e dá a cada um
segundo suas obras. Pai comum do gênero humano, que a todos
protege e chama a si, que não quer ser temido mas amado.
5) Resumiu, simplificando. "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo
como a si mesmo". (Mt. 22 vs. 35-40.)
6) Exemplificou. Ao longo de toda sua vida, corno na morte e ressurgimento
espiritual. Caráter principal da revelação cristã: o Amor.
Anúncio de uma seqüência na revelação, futuramente: "Muitas coisas tenho
para vos dizer mas vós não as podeis suportar agora". (Jo. 16 v. 12.) (Era
preciso aguardar o amadurecimento da alma humana e o progresso da
ciência.)
"Se me amais, guardai os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai e Ele vos
enviará outro Consolador; a fim de que fique eternamente convosco."
"O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e
absolutamente não o conhece. Mas quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque
ficará convosco e estará em vós."
"Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu
nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho
dito." (João, 4 vs. 15-17 e 26.)
VI. 73 REVELA.4O" o Espiritismo 62=>? d.C.9
Meados do Século XÌX. O progresso científico e a mudança das idéias
modificaram a organização social (igualdade, liberdade, fraternidade), deram
tolerância maior para todas as formas de pensamento, permitiram uma visão
mais cosmopolitana e universal e levaram a uma busca do entendimento dos
fatos pela razão.
O ambiente humano está favorável a uma nova revelação e, no centro
cultural do mundo de então (a França), o Espiritismo vai surgir.
A iniciativa é dos espíritos: manifestam-se e se comunicam em fenômenos
(efeitos físicos e intelectuais), chamando a atenção da humanidade para a
realidade espiritual, a fim de "salvá-la" do materialismo e do egoísmo.
E, na parte de elaboração humana, Kardec codifica os ensinos, a Doutrina
dos Espíritos, denominando-a Espiritismo, sendo seus princípios
fundamentais: Deus, a Criação, existência e sobrevivência do espírito,
intercâmbio mediúnico, vidas sucessivas (reencarnação), evolução, lei de
causa e efeito, pluralidade dos mundos habitados, unidade e
solidariedade universal.
O Espiritismo:
- não revoga a lei divina revelada por Moisés e por Jesus;
- recorda, explica, completa, desenvolve, fazendo aliança da Ciência e da Fé;
- "Atrai para os verdadeiros princípios da Lei de Deus e consola pela fé e
pela esperança". ("O Evangelho segundo o Espiritismo", cap. VÌ.)
Caráter principal da revelação espírita: Verdade Consoladora.
Anúncio de uma seqüência na revelação, futuramente: está no caráter
progressivo do Espiritismo que não foi trazido como uma doutrina já
completa, sem nada mais a acrescentar; os ensinamentos continuam e
continuarão sendo trazidos do mais Alto, conforme a nossa necessidade de
progresso espiritual e, também, a serem adquiridos pelo progresso
científico.

Capitulo III
A DOU'RINA E#(RI'A E UA #R@'ICA
Ì. O TRÍPLÌCE ASPECTO DO ESPÌRÌTÌSMO
"O Espiritismo é uma doutrina filosófica, de fundamentos científicos e
conseqüências morais."
Nessa definição de Kardec, evidencia-se que o Espiritismo apresenta um
aspecto tríplice, a saber:
1) Científico
Estuda os espíritos (sua origem, natureza, estado e destinação), o seu meio
ambiente (mundo espiritual) e, ainda, as suas relações com o mundo
material.
Ante os fatos novos que se apresentam e não podem ser explicados pelas
leis conhecidas: observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às
causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhe as conseqüências e
busca as aplicações úteis. A teoria vem, então, explicar e resumir os fatos.
Dotada de métodos próprios, específico e adecuados ao objeto que investiga
(a experimentação mediúnica), a Doutrina Espírita precedeu as ciências do
paranormal da atualidade, tais como a Parapsicologia, Psicotrônica,
Psicobiofísica etc.
Na codificação kardequiana, o aspecto científico do Espiritismo é abordado
especialmente em "O Livro dos Médiuns" e "A Gênese".
2) Filosófico

Faz a interpretação da natureza e dos fenômenos e a reformulação da
concepção do mundo e de toda a realidade, segundo as novas descobertas
reveladas e pesquisadas.
Trata dos princípios e dos fins, da origem e destinação do Universo
respondendo às perguntas: Quem somos? De onde viemos? Por que
estamos aqui? Para onde iremos? Dá-nos uma filosofia de vida.
Seus princípios fundamentais (já enumerados na aula anterior) estão
consubstanciados em "O Livro dos Espíritos".
É aceita oficialmente como Filosofia, no Brasil e no Exterior.
3) Religioso (Moral)
Como conseqüência das conclusões, baseadas nas provas da sobrevivência
humana após a morte, a realidade conhecida se projeta no plano das
relações homem/divindade, adquirindo sentido religioso.
É principalmente por essas conseqüências religiosas que se deve encarar o
Espiritismo.
O Espiritismo revive, restaura e complementa o Cristianismo, porque:
- tira a doutrina ensinada por Jesus da linguagem alegórica/ parabólica
e a torna atualizada e compreensível;
- confirma os feitos de Jesus e os explica pela ação espiritual sobre os
fluidos (telepatia, vidência, curas, pesca milagrosa etc);
- faz a complementação dos ensinos com novas revelações.
É religião espiritual, sem aparatos formais, sem dogmas de fé, rituais,
acramentos, sacerdocio organizado etc., que costumam caracterizar as
religiões. Concorda com o ensino de Jesus: "Deus é espírito e importa que
os seus adoradores o adorem em espírito e verdade." (Jo. 4 v. 24.)
Jesus é apontado pelos espíritos como guia e modelo para a humanidade,
perfeição moral a que o homem pode aspirar na Terra (perg. 625
de "O Livro dos Espíritos"), confirmando Jesus: "Eu sou o caminho, a
verdade e a vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim." (Jo. 4 v. 6.)
Bezerra de Menezes recomenda: "Estudar Kardec para viver Jesus". O
aspecto religioso da Doutrina Espírita fica especialmente evidenciado em "O
Evangelho Segundo o Espiritismo" e "O Céu e o Ìnferno", embora também "O
Livro dos Espíritos" já fale na "Lei da Adoração".
Há quem se dedique à experimentação dos fatos mediúnicos, conhecendo e
explicando fenómenos sem conta no campo extenso da ciência espírita.
Há quem anseie entender a solução de todos osporquês da vida universal,
com os recursos a dmiráveis da filosofia espírita.
Mas só quem experimenta e indaga para agir segundo a conduta cristã
alcança do Espiritismo a finalidade última e dele recolhe o benefício maior.
ÌÌ. PRÁTÌCAS ESPÍRÌTAS
Em Espiritismo, usamos certas práticas ou atividades para cultivar nossas
faculdades espirituais e nos relacionarmos com o plano espiritual. Ex.: a
prece, a meditação, a irradiação, o passe, a fluidificação da água,
o intercâmbio mediúnico, as reuniões de estudo e de divulgação doutrinária.
Tudo, porém, é feito com simplicidade e sinceridade, sem necessidade de
qualquer fórmula ou exterioridade, porque o que age é o pensamento e a
vontade. Seguimos, pois, nas práticas espíritas, o exemplo de Jesus que
sempre agiu com simplicidade, orando, curando, ensinando sem quaisquer
gestos especiais, fórmulas ou condicionamentos.
Há pessoas que não estudaram a Doutrina Espírita e, ao realizarem as
práticas espíritas, adotam certos procedimentos que nada têm a ver com o
Espiritismo, porque são meras crendices, superstições ou exterioridade
desnecessária.
Esclareçamos, portanto, que no Espiritismo não se adota a prática de atos,
objetos, cultos exteriores e muitos outros, tais como:
- exorcismo para afastar maus espíritos;
- sacrifícios de animais e, muito menos, de seres humanos;
- rituais de iniciação de qualquer espécie ou natureza;
- paramentos, uniformes ou roupas especiais;
- altares, imagens, andores, ou outros objetos;
- promessas, despachos, riscadura de cruzes e pontos, prática de atos
materiais oriundos de quaisquer outras concepções religiosas ou filosóficas;
- rituais e encenações extravagantes de modo a impressionar o público;
- confecção de horóscopo, exercício de cartomancia e outras práticas
similares;
- administração de sacramentos como batizados e casamentos, concessão
de indulgência e sessões fúnebres ou reuniões especiais para preces
particulares a desencarnados;
- talismãs, amuletos, orações miraculosas, bentinhos, e escapulários, breves
ou quaisquer outros objetos e coisas semelhantes;
- pagamento ou retribuição de qualquer natureza por benefício espiritual
recebido;
- atendimento de interesses materiais para "abrir caminhos";
- danças, procissões e atos análogos; - hinos ou cantos em línguas exóticas;
- incenso, mirra, fumo, velas ou substâncias outras que induzam à prática de
rituais;
- qualquer bebida alcoólica, substâncias alucinógenas ou drogas.
Esclareçamos, também que só há um Espiritismo, o que foi codificado por
Allan Kardec e por ele assim denominado, não existindo, portanto, diferentes
ramificações ou categorias, como "alto" ou "baixo Espiritismo", "Espiritismo
de Mesa", "Espiritismo Elevado", ou outras desse gênero.
III. E#IRI'I&O E &EDIUNIDADE
Outro ponto a considerar é o destaque que alguns dão à mediunidade sem
perceber o valor maior da Doutrina Espírita.
Como a prática mediúnica proporciona socorro espiritual muito valioso, a
maioria das pessoas que procuram o Centro Espírita vem interessada no
mediunismo.
O Espiritismo, porém, não é apenas mediunismo. É estudo, trabalho,
vivência cristã, para nos levar à evolução. "Reconhece-o verdadeiro espírita
pela
sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más
inclinações".
IV. CONCLU4O
1) Só é um verdadeiro Centro Espírita aquele que vivencia a Doutrina
Espírita, tal como aqui se definiu claramente.
2) Quem realmente entende a Doutrina Espírita:
a) Não fica somente na prática rnediúnica ou na busca do passe, da cura ou
do fenômeno mas procura melhorar-se e ajudar os outros a se melhorarem.
b) Quando realiza as práticas espíritas procura fazê-las autênticas: simples
(sem exterioridades), sinceras (baseadas na verdade), fraternas (caridade) e
buscando o bem (cumprimento da vontade divina).
Capitulo 4
DEUS
Ì. A PROVA DE SUA EXÌSTÊNCÌA
Tudo que existe tem uma causa.
O efeito nunca é superior à causa.
Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.
Apliquemos estes axiomas (proposições evidentes)
ao exame do Universo. Coisas, seres, mundos o
constituem. Tudo isso que existe é efeito, conseqüência
de uma causa. A essa causa de tudo o que existe chamamos Deus.
ÌÌ. TERÌA O UNÌVERSO SE FORMADO POR ACASO?
Teria sido por puro acaso que os elementos existentes
tomaram certo impulso e direção, para dar início à
formação de tudo?
De onde teriam vindo, porém, os elementos iniciais
para o acaso lhes dar algum impulso e direção, depois?
E como poderia o acaso (que, pela própria definição,
não é inteligente) produzir um efeito inteligente como
o Universo demonstra ser, em toda a sua organização?
Não há acaso no Universo. Nele, tudo obedece a leis.
A vida material é regida por leis físicas e a vida do
espírito, por leis morais.
"O acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus, quando
não deseja assinar". (Theophile Gautier.)
ÌÌÌ. A NATUREZA CRÌOU A SÌ MESMA?
"O mundo me intriga e não posso imaginar que este
relógio exista e não haja relojoeiro". (Voltaire.)
De fato, a presença de um relógio com seu maquinismo
atesta a existência de uma inteligência que foi capaz de
concebê-lo, montá-lo e colocá-lo em funcionamento.
O Universo pode ser comparado a um imenso
maquinismo e sua natureza, ordem e harmonia estão
atestando que ele tem um Criador inteligente, de uma
inteligência superior a qualquer outra que conheçamos,
já que o próprio ser humano (ápice da inteligência na
Terra) é, ele mesmo, uma criatura, um efeito desse
Criador, e não tem a mesma capacidade de Deus,
não é capaz de criar como Ele o faz.
ÌV. DEFÌNÌÇÃO ESPÍRÌTA DE DEUS
A mais simples, sucinta e profunda definição que,
por enquanto, podemos formular e entender a respeito
do Criador, está na resposta dos instrutores espirituais
à pergunta n° 1 de "O Livro dos Espíritos":
01 - Que é Deus?
- Deus é a inteligência suprema, a causa primária de
todas as coisas.
V. A VÌSÃO DE DEUS
"Ninguém jamais viu a Deus", afirma João em sua epístola (Ì, 4:12).
Por que não? Porque "Deus é espírito" (assim ensinou
Jesus à mulher samaritana, em Jo. 4:24) e, como tal,
não pode ser percebido pelos sentidos comuns, materiais.
Não podemos ver Deus com os olhos do corpo.
Embora nos seja invisível, Deus não nos é totalmente
desconhecido. Se não se nos mostra aos olhos do
corpo, Ele se faz evidente ante nossa compreensão
por todas as suas obras (a Criação) e podemos
senti-Lo espiritualmente, nas vibrações do seu
infinito amor.
Quanto mais desenvolvermos nosso conhecimento
e sensibilidade espiritual, mais "veremos" a Deus,
percebendo, entendendo e sentindo sua divina presença
e ação em tudo que existe, em tudo que acontece.
"Bem-aventurados os puros de coração, porque
verão a Deus". (Jesus, Mt. 5:8.)
Os espíritos altamente evoluídos já "vêem" a Deus
de um modo mais perfeito. E podem nos fazer
revelações a respeito do Criador, sempre, porém,
dentro do que já possamos entender e sentir.
Para Moisés, presenciar o esplendor das manifestações
dos bons Espíritos que lhe falavam em nome do
Altíssimo, observar os mais belos efeitos luminosos
que eles produziam, sentir-se envolvido em suas
sublimes vibrações e na grandeza da mensagem que
davam, era "ver Deus face a face".
VÌ. OS ATRÌBUTOS DE DEUS
"... vendo o que Ele absolutamente não pode deixar
de ser sem deixar de ser Deus, deduziremos o que
Ele deve ser", nos ensina Kardec.
Poderemos, assim, fazer ao menos uma idéia de
alguns dos seus atributos.
DEUS é...
Eterno: não teve começo e não terá fim. Se tivesse
tido princípio, de onde teria se originado: do nada?
de um outro ser? e se tivesse fim, que haveria
depois dele?
Ìmutável: não muda, não se modifica. Se estivesse
sujeito a mudanças, as suas leis (que regem o Universo)
nenhuma estabilidade teriam, seria o caos (a desordem,
a confusão).
Ìmaterial: se fosse material, também seria mutável,
sujeito a transformações, como a matéria é. Mas
sua natureza é diferente de tudo que conhecemos
como matéria. Por isso, não tern forma perceptível
aos nossos olhos, nem podemos formar dEle uma
idéia material.
Único: não há outro como Ele. Se houvesse outros
deuses, não haveria unidade de objetivos nem de
poder, na ordenação de tudo no Universo.
Onipotente: tudo pode. Todo o poder está em Deus,
porque Ele a tudo fez e, portanto, tudo pode sobre
a sua Criação.
Soberanamente Justo e Bom: não podemos duvidar
da justiça e bondade de Deus, porque a sabedoria
providencial de suas leis se revela nas pequeninas
como nas maiores coisas de tudo que Ele criou.
VÌÌ. CONCLUSÃO
O pouco desenvolvimento das faculdades do ser
humano ainda não lhe permite compreender a
natureza íntima de Deus.
Quando na infância da humanidade, o homem fez
de Deus representações antropomórficas e muitas
vezes o confundiu com as criaturas, cujas imperfeições
Lhe atribuiu.
Mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral,
seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas;
então faz da Divindade uma idéia mais justa e mais
conforme à sã razão, mesmo que sempre incompleta.
Por ora, ainda nos é muito difícil falar sobre Deus.
O importante é que O sintamos como nosso Pai
Criador, bom e justo; e que esse conhecimento que
temos de Deus venha a nos auxiliar em todos os
momentos, ajudandonos a ter fé, força e vontade
para agir em todas as situações de nossa vida.
Aprendamos com Jesus que a verdadeira adoração
a Deus se faz "em espírito (pelo exercício de nosso
"eu" espiritual, usando o pensamento, sentimento e
vontade) e em verdade" (sinceramente e não só de
aparência). (Jo. 4:24.)
"Adorar a Deus é fazer a vontade dEle", o nosso
Pai, ou seja, cumprir as suas leis. (Jo. 5:30 e 6:38.)
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "A Gênese", cap. ÌÌ;]
- "O Livro dos Espíritos", 1ª parte, cap. Ì, e 4ª parte, cap. ÌÌ.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 5
A CRÌAÇÃO
Como se deu a formação do Universo e como
começou a vida na Terra?
O ser humano ainda não tem condições para
conhecer inteiramente o princípio das coisas,
porque não está suficientemente desenvolvido
intelectual e moralmente para isso.
À medida que progredir, com seus estudos e
pesquisas irá descobrindo e entendendo melhor as
leis e princípios da Natureza, conseguindo formular
teorias mais próximas da verdade a respeito da
formação do Universo e do surgimento dos seres.
Além das descobertas que fizer por si mesma, a
Humanidade também poderá receber revelações
espirituais a esse respeito (como já ocorreu no
passado), dosadas ao seu grau de evolução.
Assim, aos poucos, irá sendo levantado o véu que,
por enquanto, nos encobre os mistérios da
Criação, a grande obra da vontade divina.
Ì. O QUE A CÌÊNCÌA DÌZ?
A Ciência humana não cogita de um Deus Criador
e, portanto não considera o Universo uma Criação
Divina. Seu ponto de vista é materialista e
agnóstico (declara ser o absoluto inacessível ao
espírito humano), mas procura entender o princípio
das coisas, através de diferentes estudos, tais
como:
- Astronomia: estudo da constituição e movimentos
dos astros;
- Geologia: estudo da constituição física da Terra;
- Antropologia: estudo do homem e dos grupos
humanos;
- Paleontologia: estudo dos fósseis (restos ou
vestígios de vida bem antiga), tanto de animais
como de vegetais. Neste estudo, recorre a
métodos de pesquisa que permitem calcular, com
relativa precisão, o tempo de existência de coisas e
seres. Ex.: radioatividade, magnetismo,
microquímica, raios X, ultra-violetas, infra-vermelhos, testes de carbono 14 e
de flúor.
Eis algumas das principais conclusões da Ciência
sobre a formação do Universo e a vida existente na
Terra:
- o Universo teria resultado de uma grande
explosão (é a teoria do Big-Bang, uma das mais
aceitas atualmente);
- a formação da Terra se iniciou há bilhões de
anos, em processos que se estenderam por largos
períodos e eras;
- a vida se manifestou na Terra em formas
primárias e em épocas muito remotas, evoluindo,
depois, para seres mais organizados;
- a espécie humana foi a última a surgir, o que teria
ocorrido:
Quando?
Suas formas mais primitivas, há pelo menos
1.750.000 anos.
Como?
Um ramo da linhagem dos antropomorfos
apresentou evolução diferente, dando origem ao
"homo sapiens".
Por quê?
A Ciência não tem explicação para isso. Haveria
um "elo perdido" na escala da evolução dos seres.
Onde?
Em vários pontos do globo e ern épocas
diferentes, mas constituindo sempre urna mesma
espécie, embora a diversidade das raças.
ÌÌ. O QUE DÌZ O ESPÌRÌTÌSMO?
Dois são os elementos gerais do Universo, criados
por Deus:
- o Princípio Ìnteligente: é dele que se originam,
por processo evolutivo, todos os seres espirituais;
- o Fluido Cósmico Universal: é a matéria
primitiva, em seu estado mais elementar; em suas
modificações e transformações, dá origem à
inumerável variedade dos corpos da Natureza.
O espaço universal é infinito e nele não existe o
vazio, pois está todo preenchido pelo fluido
cósmico universal em seus diferentes estados.
O espírito atua sobre o fluido cósmico universal em
seus diferentes estados, produzindo com isso
variados efeitos.
ÌÌÌ. OS MUNDOS E OS SERES VÌVOS
Os mundos são formados pela condensação da
matéria disseminada no espaço universal. Não
sabemos quanto tempo os mundos levam para se
formarem nem quando desaparecerão. Mas é
certo que Deus os renova, como renova os seres
vivos.
Os elementos orgânicos (que vêm a constituir
organismos vivos) já existem em estado de fluido,
na substância que preenche o espaço universal (e
com o qual os mundos vêm a ser formados).
Estão ali em estado latente, de inércia (tal corno
ocorre na crisálida e nas sementes das plantas).
Quando, num mundo, as condições se tornam
propícias ao seu desenvolvimento, surgem, então,
os seres vivos, que evoluem das formas mais
simples para as mais complexas.
ÌV. ORÌGEM E EVOLUÇÃO DA VÌDA NA TERRA
Em certa fase da formação da Terra surgiram em
sua substância elementos orgânicos. Mas uma
força natural os mantinha afastados.
Com as transformações ocorridas no planeta, em
seu princípio, cessou a atuação daquela força e os
elementos orgânicos se agruparam e
desenvolveram, dando origem aos seres, que
foram se diferenciando em espécies. Os seres de
cada espécie absorveram em si mesmos os
elementos necessários e, unindo-se uns aos outros,
pela reprodução transmitiram esses elementos aos
seus descendentes.
Sobre a evolução diferente que um ramo da
linhagem dos antropomorfos apresentou e a
Ciência não soube explicar, o Espiritismo
esclarece: o "elo perdido" não será encontrado na
matéria, porque a causa dessa transformação não
se deu na matéria mas no espírito; ocorreu pelo
desenvolvimento do elemento espiritual (alcançado
pelo próprio indivíduo ou graças à interferência de
Espíritos Superiores) vindo a repercutir na
formação de novos corpos.
V. A CRÌAÇÃO SEGUNDO A BÍBLÌA
Na Bíblia, a origem do Universo é relatada no livro
"Gênesis" (=origem, em grego). Ali se afirma que
tudo foi criado por Deus, tanto o sol como a lua,
estrelas, a Terra com suas plantas e animais e, por
fim, a espécie humana.
Que essa criação foi feita por um ato da vontade
de Deus (ex.: "Faça-se a luz") e em apenas seis
dias.
Que Adão, o 1° homem, foi feito do limo e Eva, a
mulher, de uma sua costela. A data provável dessa
criação teria sido 4.000 anos antes de Cristo.
Desse casal descenderia toda a humanidade.
Talvez haja, nessa narrativa bíblica, um simbolismo:
- 6 dias = eras ou períodos;
- limo = corpo humano foi constituído dos
elementos materiais básicos deste planeta;
- costela = mulher é da mesma natureza do
homem, não lhe é inferior, mas sua igual e o
homem deve amá-la como parte de si mesmo.
- Se não entendermos simbolicamente, haverá
incoerências difíceis de aceitar, tais como:
1) Adão e Eva eram os primeiros seres humanos e
tinham dois filhos: Caim e Abel (outros filhos
somente nasceriam mais tarde); quando Caim
matou Abel, foi expulso do Éden (Paraíso), indo
morar ao leste. Mas Caim:
tinha medo de ser morto ("quem comigo se
encontrar me matará"); por quem, se não havia
ainda outras pessoas além deles?;
-
- nessa outra região, veio a se casar; com quem;
-
- e estava construindo uma cidade; para quem? só
para ele e sua família?
-
2) Narra-se também, no livro "Gênesis" da Bíblia,
que houve um dilúvio que exterminou todas as
criaturas da Terra, menos Noé e sua família (e os
animais da Arca), com o que teria recomeçado o
povoamento do mundo. Se fosse verdade, como
explicar a existência histórica ininterrupta dos
chineses, desde há cerca de 30 mil anos? E
também a índia e outras regiões do globo que
apresentam habitação ininterrupta, em grande
progresso e população, há mais de 10 mil anos?
Deve ter sido, quando muito um dilúvio parcial,
apenas na região habitada pelos hebreus e outros
povos bíblicos.
-
Adão porém, não foi o primeiro nem o único
homem a povoar a Terra, concordam a Ciência e o
Espiritismo. Do ponto de vista espírita, o nome
Adão pode ser símbolo:
-
1) - de um grupo humano que sobreviveu aos
grandes cataclismos sofridos por parte da
superfície do globo, em diferentes regiões e épocas
e que veio a constituir o tronco de uma das raças
que povoaram a Terra;
-
2) ou de uma ou mais colônias de espíritos que, há
alguns milhares de anos, teriam vindo de outro
planeta para a Terra, aqui encarnando através de
outros povos que já a habitavam. Teriam
aproveitado a hereditariedade existente, mas
produzido alterações por seus perispíritos mais
evoluídos, dando origem a novos tipos físicos (raça
ou raças adâmicas). Que eram mais evoluídos,
seus conhecimentos e atos provam. Teriam sido
banidos do mundo melhor de onde vieram, porque
lá não se haviam disposto a acompanhar o
progresso moral. Aqui na Terra, no mesmo tempo
em que se reajustavam à lei divina, ajudavam os
nativos terrenos a progredirem.
-
VÌ. O ESPÌRÌTÌSMO É:
-
1) Criacionista: admite um Deus Criador e o
separa da sua Criação. Neste ponto:
-
- concorda com a Bíblia e discorda da Ciência,
cujo ponto de vista é materialista e agnóstico;
-
- discorda do Panteísmo, sistema filosófico que
identifica a divindade com o mundo e segundo o
qual Deus é o conjunto de tudo.
-
2) Evolucionista: admite as transformações
progressivas. Neste ponto:
-
- discorda da Bíblia (se tomada ao pé da letra)
porque nela não fica bem claro o fato evolução;
- concorda com a Ciência apenas em parte;
porque a Ciência fala somente da evolução nos
seres corpóreos e o Espiritismo afirma a evolução
também para os espíritos que animam esses seres.
-
Livros consultados:
-
De Allan Kardec:
-
- "A Gênese", caps. Ì, ÌÌ e VÌ a XÌÌ;
- - "O Livro dos Espíritos", caps. ÌÌ, ÌÌÌ e ÌV.
-
De Léon Denis:
-
- "Cristianismo e Espiritismo", Notas Complementares n° 1.
Curso Básico de Espiritismo - Capítulo 6
OS ESPÍRÌTOS
Ì. O QUE SÃO?
Espíritos são os seres inteligentes criados
por Deus e que habitam o Universo, quer
estejam encarnados ou desencarnados.
Todos nós somos espíritos. Quando encarnados,
possuímos corpo material e corpo espiritual
(perispírito). Desencarnados, conservamos
apenas o corpo espiritual.
ÌÌ. ORÌGEM
Os espíritos:
- tiveram um princípio (não são eternos) mas
não terão fim (são imortais);
- resultam da individualização do princípio
inteligente (assim como os seres orgânicos
são a individualização do princípio material).
Do princípio inteligente já se individualizaram
muitos espíritos, outros estão se individualizando
e outros ainda virão a se individualizar. Neste
sentido, podemos dizer que a criação de espíritos
por Deus é permanente; que Deus sempre os
criou, continua criando e sempre os criará.
Podemos concluir, também, que os espíritos não
foram todos criados numa mesma época,
individualizaram-se em tempos diferentes e
contam, pois diferentes "idades".
Como terá sido essa individualização?
E em que época se deu para cada um
de nós? Ìsso,o grau de evolução em que
nos encontramos ainda não nos permite saber.
ÌÌÌ. NATUREZA
Os espíritos são:
- incorpóreos: entretanto, são alguma coisa.
Sua substância porém, difere de tudo o que
conhecemos sob o nome de matéria e escapa
inteiramente ao alcance dos nossos sentidos;
- indivisíveis: não podem se dividir para estarem
dois lugares ao mesmo tempo.
Mas podem dar a impressão de ubiqüidade
(estar em dois lugares) ao irradiarem suas
forças e seus pensamentos, agindo com eles
à distância, onde suas irradiações e os efeitos
que causam chegam a ser percebidos.
ÌV. FORMA
Sendo de natureza diferente da matéria,
o espírito não tem forma definida para nós,
não podemos percebê-lo.
Analisando-o pelos seus efeitos, podemos
dizer que ele é um clarão, uma chama, uma
centelha etérea. Essa centelha tem uma
coloração que vai desde o aspecto escuro
e opaco até uma cor brilhante e clara,
conforme a evolução do espírito.
V. SEXO
O espírito não tem sexo (na forma como
entendemos o sexo na sua estrutura e
função no corpo físico). Não são diferentes,
pois, os espíritos que animam os homens
dos que animam os corpos femininos.
E não há, entre eles, qualquer superioridade
ou inferioridade, em função da forma sexual
do corpo que ocupem.
O espírito encarna com o sexo que melhor
lhe convém à tarefa que necessita realizar
naquela existência; e lhe compete usar com
equilíbrio, respeito e correção a forma
corpórea que lhe foi concedida.
VÌ. MOVÌMENTAÇÃO
Os espíritos podem movimentar-se com a
rapidez do pensamento. Também podem
percorrer mais devagar um espaço, observando
o caminho percorrido.
A matéria (água, fogo, ar etc.) não constitui
obstáculo para o espírito, embora os pouco
evoluídos possam ter a impressão de que ela
lhes oferece empecilhos.
Carecem de fundamento espiritual os livros
e filmes de ficção científica ou mística que
mostram impedimentos físicos para os espíritos
ou sua destruição pelo fogo ou outros meios materiais.
VÌÌ. DESTÌNAÇÃO
Deus nada cria inutilmente. No conjunto
da vida universal, cada ser tem uma função
natural a desempenhar; função que, por
mais simples que seja, é sempre valiosa e
importante.
Criados por Deus, os espíritos também têm
um papel determinado e útil dentro da Criação.
A função que exercem é de acordo com
sua capacidade; as funções vão desde a
simples animação da matéria até o executar
das ordens de Deus para a manutenção da
harmonia universal.
VÌÌÌ. ENCARNAÇÃO/DESENCARNAÇÃO
O espírito pré-existe ao corpo (não foi criado
ao mesmo tempo que ele).
Para atuar num mundo material, o espírito
se une à matéria desse mundo, formando
com ela um corpo que passa a animar. É
a encarnação. Ao morrer o corpo, o espírito
dele se desliga e retoma a condição de espírito
liberto. É a desencarnação. Durante a vida do
corpo, o espírito pode transcendê-lo e atuar
como espírito parcialmente liberto, em certos
estados especiais (desdobramento pelo sono,
sonambulismo, transe mediúnico, êxtase etc.)
O espírito pode encarnar neste ou em outros
mundos que correspondam ao seu grau de
evolução. Seu corpo se formará de acordo
com a matéria e as leis do mundo que vai habitar.
No mundo em que encarna, o espírito é um
agente sobre a matéria de que esse mundo
se compõe e sobre os seres que o habitam.
ÌX. EVOLUÇÃO ANÍMÌCA
Exercendo seu papel no Universo, os
espíritos evoluem, isto é, desenvolvem e
aprimoram suas faculdades; e, quanto
mais evoluem, mais usufruem de suas
faculdades.
Deus (que é soberanamente justo e bom)
estabeleceu igualdade no processo de evolução
para todos os espíritos, de tal modo que todos têm:
- um mesmo ponto de partida (todos criados
simples e ignorantes);
- as mesmas condições básicas (todos com as
mesmas qualidades em potencial) a serem
desenvolvidas com seu próprio trabalho e ao
longo do tempo;
- a mesma destinação (todos rumam para a
situação de puro espírito, para a perfeição e
a felicidade).
Na Terra, a ligação do espírito com a matéria
começou há muitos milênios. De início, produziu
formas simples de vida, nas espécies inferiores,
até atingir a formação da espécie humana. Nessa
trajetória evolutiva, o princípio inteligente foi
exercitando suas faculdades: da irritação, passou
à sensibilidade, desta ao instinto e do instinto à
inteligência, quando, no dizer de André Luiz,
alcançou o "pensamento contínuo", o circuito
completo para a onda mental. Desse grau de
humanidade, estamos rumando para um novo
estado: a angelitude.
X. ERRATÌCÌDADE
Espírito errante é aquele que se encontra
no plano espiritual aguardando nova encarnação
num mundo corpóreo, ao qual ainda está ligado.
Erraticidade é o estado do espírito nesse
intervalo entre duas encarnações.
O espírito que está na erraticidade:
- é mais ou menos feliz, conforme tenha agido
bem ou mal na sua existência no mundo material;
- pode ali permanecer apenas algumas horas
ou por milhares de anos;
- progride, adquirindo conhecimentos, exercitando
as suas faculdades, modificando suas idéias sobre
a vida;
- ainda terá de reencarnar (cedo ou tarde) para
experiências e provas nos mundos materiais, onde
irá pôr ern prática o que aprendeu, cumprindo
seu papel no Universo e continuando seu progresso.
Observação: a condição, situação e possibilidades
do espírito dependem sempre de seu estado evolutivo,
variando conforme o seu grau de progresso.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Céu e o Ìnferno", 1ª parte, cap. ÌÌÌ;
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. ÌV.
- - "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, caps. Ì, ÌÌ, ÌV e VÌ;
-
De Gabriel Delanne:
-
- "Evolução Anímica".
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 7
CLASSÌFÌCAÇÃO DOS ESPÍRÌTOS E DOS MUNDOS
Allan Kardec fez uma classificação:
- dos espíritos, pelo grau de adiantamento
deles (conforme as qualidades que já
adquiriram e as imperfeições de que ainda
terão de se despojarem);
- dos mundos, segundo o grau de evolução
dos seus habitantes.
Essa classificação nada tem de absoluta.
Visa, apenas facilitar o estudo e a referência
às diferentes ordens de espíritos e de mundos
habitados.
Ì. ESCALA ESPÍRÌTA
Há e sempre haverá espíritos em diferentes
graus de evolução, porque:
- é constante a individualização de espíritos
que se faz a partir do princípio inteligente;
- os espíritos progridem uns mais e outros
menos rapidamente, conforme se aplicam
nas experiências e as aproveitam ou não.
Ìmaginemos, então, uma imensa escada.
No ponto inicial dela, o espírito tal como
foi criado (simples e ignorante). Ao fim da
escada, estaria o espírito puro. Entre eles,
um número imenso de degraus intermediários,
pois são sem conta os estágios evolutivos
pelos quais cada espírito tem de passar.
A mudança de um degrau para outro é
quase imperceptível.
Allan Kardec identifica três categorias
gerais de espíritos e começa a enunciar
a classificação deles a partir dos menos
evoluídos para os mais evoluídos.
3ª ORDEM: ESPÍRÌTOS ÌMPERFEÌTOS
Essa denominação não quer dizer que sejam
defeituosos, mas sim que ainda não se
desenvolveram intelectual e moralmente.
De modo geral, identificamos neles:
- predominância da matéria sobre o espírito;
- propensão ao mal;
- ignorância, orgulho, egoísmo e todas as
paixões que lhe são conseqüentes;
- pouco conhecimento das coisas espirituais.
Dividem-se em cinco classes:
l0ª Classe: Espíritos Ìmpuros
Ìnclinados ao mal, que praticam por prazer,
por aversão ao bem.
9ª Classe: Espíritos Levianos
Maliciosos, zombeteiros, irrefletidos. Sentem
prazer em enganar e causar pequenas
contrariedades de que se riem, de induzir
maldosamente em erro, por meio de
mistificações e de espertezas.
8ª Classe: Espíritos Pseudo-sábios
Têm algum conhecimento, porém julgam
saber mais do que realmente sabem. Neles,
o orgulho, a vaidade, a presunção, fazem-nos
se julgarem superiores. No que dizem, há
mistura de algumas verdades com os erros
mais crassos.
7ª Classe: Espíritos Neutros
Nem bastante maus para fazerem o mal nem
bastante bons para fazerem o bem. Pendem
tanto para um como para outro e não
ultrapassam o comum da Humanidade, quer
no que concerne à moral, quer no que toca
à inteligência.
6ª Classe: Espíritos Batedores e Perturbadores
A rigor, não formam uma classe distinta pelas
suas qualidades pessoais. Podem caber em
todas as classes da 3ª Categoria.
Geralmente manifestam sua presença através
de efeitos físicos, como ruídos, deslocação de
objetos, etc. (poltergeist).
2ª ORDEM: BONS ESPÍRÌTOS
Neles há:
- predominância do espírito sobre a matéria;
- desejo do bem; são felizes pelo bem que
fazem e pelo mal que impedem;
- compreensão de Deus e do Ìnfinito (ou seja,
da vida espiritual e universal, embora varie
neles o grau dessa compreensão).
- Não têm más paixões, mas ainda estão
sujeitos a provas.
5ª Classe: Espíritos Benévolos
Sem terem ainda grande conhecimento, a
bondade é sua qualidade principal.
4ª Classe: Espíritos Sábios (de Ciência)
Destacam-se pelos seus grandes conhecimentos
intelectuais.
3ª Classe: Espíritos de Sabedoria
Aliam grandes qualidades morais a grande
capacidade intelectual.
2ª Classe: Espíritos Superiores
Reúnem em si a ciência, a sabedoria e a
bondade. Quando encarnam em mundos
como a Terra, é por missão.
1ª ORDEM: ESPÍRÌTOS PUROS
Classe Única
Neles, a matéria não exerce mais nenhuma
influência. São praticamente puro espírito.
Há superioridade intelectual e moral absoluta.
Atingiram a perfeição (no grau maior em que
a podemos conceber, pois que a evolução
é incessante).
Gozam de inalterável felicidade, porque não
se acham submetidos às necessidades, nem
às vicissitudes da vida material.
Não ficam ociosos, nem contemplativos.
Sendo espíritos altamente desenvolvidos,
tornam-se os mensageiros, os ministros de
Deus, executores de sua vontade.
____________________________________
"Com o auxílio desse quadro, fácil será
determinar-se a ordem, assim como o grau
de superioridade ou de inferioridade dos
que possam entrar em relação conosco e,
por conseguinte, o grau de confiança e
estima que mereçam.
"É, de certo modo, a chave da ciência
espírita, porquanto só ele pode explicar as
anomalias que as comunicações apresentam,
esclarecendo-nos acerca das desigualdades
intelectuais e morais dos espíritos".
Os espíritos, porém, "não ficam pertencendo,
exclusivamente, a tal ou tal classe.
"Sendo sempre gradual o progresso deles
e muitas vezes mais acentuado num sentido
do que em outro, pode acontecer que muitos
reúnam em si os caracteres de várias
categorias, o que seus atos e linguagem
tornam possível apreciar-se."
____________________________________
ÌÌ. ANJOS, DEMÔNÌOS, DÌVÌNDADES
Deus não criou espíritos em diferentes
estados. Todos foram criados simples
e ignorantes, com capacidade de
progredirem até a perfeição.
Mas ante a manifestação dos espíritos
revelando os mais diferentes graus de
evolução, os homens acreditaram que
eles tinham sido sempre assim, que eram
uma criação à parte, diferentes da
humanidade, ou divindades.
Os espíritos puros, que já percorreram
toda a escala evolutiva, foram às vezes
designados pelos nomes de anjos,
arcanjos ou serafins.
Os bons espíritos têm sido chamados
de bons gênios, gênios protetores,
espíritos do bem. Em época de ignorância,
foram considerados divindades benfazejas.
Os espíritos muito imperfeitos (como
os impuros, da 10ª classe) foram
chamados de demônios, maus gênios,
espíritos do mal e até considerados
como divindades maléficas.
Entretanto, embora atualmente ainda estejam voltados
para a prática do mal, esses espíritos
também evoluirão, passando pelos
degraus da escala evolutiva, atingindo
finalmente a perfeição.
Observação: primitivamente, tanto a
palavra anjo (do latim, angelus = mensageiro)
como as palavras gênio ou demônio
(do grego, daimon) apenas significavam
um ser espiritual (um espírito), o qual
podia ser bom ou mau (ex.: anjo bom,
anjo mau; o daimon de Sócrates).
A Santíssima Trindade pode ser entendida
como uma figura, representando a
perfeita integração entre:
- Deus: o Criador, o Pai;
-Jesus: um puro espírito, no mais alto
grau da escala evolutiva, mas filho de
Deus, ou seja, criado por Ele, tanto
quanto nós, seus irmãos menores;
- Espírito Santo: o conjunto dos Espíritos
Puros que agem no Universo como
ministros de Deus, instrumentos de sua
justiça e misericórdia, e também dos
Bons Espíritos que também servem à
Providência Divina, embora em menor grau.
ÌÌÌ. PLURALÌDADE DOS MUNDOS HABÌTADOS
Ìncontáveis são os mundos que existem
no Universo e muitos deles também são
habitados, como a Terra, pois Deus não
faz coisa alguma inútil. Jesus disse: "Há
muitas moradas na casa de meu Pai".
(Jo. 14:2.)
Não é sempre a mesma a constituição física
dos diferentes mundos. Por isso mesmo,
também é diferente a organização dos seres
que os habitam, apropriada ao ambiente
que cada um dos mundos oferece.
Na Terra, por exemplo, temos seres que
vivem no ar, na água e no solo.
ÌV. CLASSÌFÌCAÇÃO DOS MUNDOS
1) Primitivos: onde os espíritos realizam
suas primeiras encarnações.
2) De Expiações e Provas: onde predomina
o mal, porque há muita ignorância; aí, as
pessoas sofrem as conseqüências dos erros
praticados (expiação) ou passam por
experiências, testes, testemunhos (provas).
A Terra é um mundo assim.
3) De Regeneração: neles não há mais a
expiação, mas ainda há provas pelas quais
o espírito tem de passar para consolidar as
conquistas evolutivas que fez e desenvolver-se
mais. São mundos de transição entre os
mundos de expiação e os que vêm a seguir.
4) Ditosos ou Felizes: nestes mundos
predomina o bem, porque seus moradores
são espíritos mais evoluídos; há muito bem
estar e progresso geral.
5) Divinos ou Celestes: onde reina o berra
sem qualquer mistura e a felicidade é absoluta,
como obra sublime dos seus moradores:
os puros espíritos.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Céu e o Ìnferno", 1ª parte, caps. VÌÌÌ e ÌX;
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. ÌÌÌ;
- "A Gênese", caps. VÌ e VÌÌ;
- "O Livro dos Espíritos", 2' parte, caps. Ì, ÌÌ, ÌÌÌ e ÌV;
- "Obras Póstumas", 1ª parte, Estudo sobre a Natureza do Cristo.
Curso Básico de Espiritismo - Capítulo 08
O PERÌSPÍRÌTO
Ì. O QUE É?
Perispírito é o envoltório semimaterial do espírito.
Também o denominam de corpo fluídico ou corpo espiritual.
ÌÌ. ORÌGEM E NATUREZA
O perispírito tem sua origem no fluido
cósmico universal, retirado do mundo ou
plano ao qual o espírito está relacionado.
É também matéria, como o corpo de carne,
mas em estado diferente, mais sutil,
quintessenciada; não é rígida como a do
corpo físico e, sim, flexível e expansível,
o que torna o perispírito muito plasmável
sob a ação do espírito.
Assim como o corpo físico, o perispírito
tem uma estrutura e fisiologia, mas não tem
inteligência nem autonomia. Não é, pois,
"um outro ser" mas apenas um instrumento
do espírito, tal como o corpo físico.
ÌÌÌ. FUNÇÕES
1) Liga o espírito à matéria (neste como
em outros mundos) e a ele serve de
instrumento para agir sobre o plano fluídico
ou o material.
2) Guarda o registro dos efeitos de toda a
ação do espírito (sede da memória).
3) Permite que os espíritos se identifiquem
e reconheçam uns aos outros, no plano
espiritual.
4) É o molde, a fôrma do ser corpóreo.
ÌV. PERÌSPÍRÌTO E ENCARNAÇÃO
O perispírito pré-existe ao corpo físico.
Para o espírito encarnar: um laço fluídico
(que é uma expansão do perispírito) se
liga ao óvulo fecundado e vai presidindo
à multiplicação das células, uma a uma,
dirigindo a formação do corpo. Quando
este se completa, está inteiramente ligado
ao perispírito, "molécula a molécula".
Observação importante: do ponto de vista
espírita, portanto, desde a fecundação do
óvulo, um espírito se ligou a ele e está
trabalhando para formar o corpo de que
precisa para viver neste mundo e continuar
sua evolução.
Sabendo disto, não provocar o aborto,
para respeitar o direito de viver do espírito
reencarnante, que é um nosso irmão ante
Deus.
O uso de anticoncepcionais é preferível ao
aborto mas não deve levar ao sexo
irresponsável. O sexo serve à procriação e
à permuta de energias entre homem e mulher.
Não deve ser reduzido a mero instrumento
de sensações prazerosas, nem deve ser
exercitado excessiva ou promiscuamente,
mas sempre com equilíbrio e responsabilidade
moral.
Quem ignorava as implicações espirituais
do aborto e o praticou, ou induziu à sua
prática, ou de alguma forma a ajudou,
procure compensar o mal feito da maneira
que estiver ao seu alcance: favorecer o
nascimento que antes impediu, ajudar
gestantes carentes a terem seus filhos,
amparar recém-nascidos, alertar e orientar
quem estiver querendo praticar o aborto
para que não o faça, etc.
Durante a encarnação: o perispírito serve
de intermediário entre o espírito e a matéria,
transmitindo ao espírito as impressões dos
sentidos físicos e comunicando ao corpo
as vontades do espírito.
Observação: quando o copo é anestesiado
ou sofre paralisia, não há nele sensibilidade
e o perispírito nada terá a transmitir ao
espírito, quanto ao setor corpóreo prejudicado.
Se houver desdobramento, o perispírito
temporariamente deixa de ter contato
com o corpo e, durante esse estado, pouco
ou mesmo nada transmitirá do espírito ao
corpo (ou vice-versa), dependendo do
grau de desdobramento.
Ao desencarnar: quando o corpo morre,
o perispírito dele se desprende e continua
a servir ao espírito, como seu corpo fluídico
que é e como seu intermediário para com
o plano espiritual ou material. Preexistia
ao corpo e a ele sobrevive.
"Semeia-se corpo animal, ressurge corpo
espiritual", esclarece o Apóstolo Paulo, na
sua Ì Epístola aos Coríntios (cap. 15 vs. 44).
Sobrevivendo ao corpo, o perispírito vem
a provar a imortalidade do espírito. É ele
(e não o espírito em si) que vemos nas
aparições e visões; e é ele que serve de
instrumento para as manifestações do
espírito aos nossos sentidos.
Geralmente, a aparência que o perispírito
guarda é a da última encarnação; ela
poderá ser modificada (se o espírito quiser
e souber como fazer isso), porque a
substância sutil do perispírito é maleável e
plasmável.
V. SUA EVOLUÇÃO
O perispírito acompanha o espírito sempre,
em todas as etapas de sua evolução.
Vai se tornando mais etéreo, à medida
que o espírito se aperfeiçoa e eleva. Nos
espíritos puros, já se tornou tão etéreo que,
para os nossos sentidos, é como se não
existisse.
Conforme a evolução do espírito, seu
perispírito apresentará diferente:
- peso: que o fixa a um plano de vida espiritual
em companhia dos que lhe são semelhantes;
- densidade: que responde pela sua maleabilidade;
a expansão do perispírito é tanto maior
quanto mais rarefeito e mais sutil ele for;
- energia: que se revela na luminosidade e
irradiação, maior quanto mais evoluído
for o espírito. Daí a expressão "espírito de
luz", significando espírito que já apresenta
considerável grau de evolução.
A contextura do perispírito não é idêntica
para todos os espíritos, ainda que sejam
de um mesmo mundo. Ìsto porque a camada
fluídica que envolve um mundo não é
homogênea (toda igual) e o espírito, ao
formar seu perispírito, dela atrairá os fluidos
mais ou menos etéreos, sutis, segundo suas
possibilidades.
Espíritos inferiores têm perispírito mais
grosseiro e, por isso, ficam imantados ao
mundo que habitam, sem se poderem alçar
a planos mais evoluídos. Alguns chegam a
confundir seu perispírito (de tão grosseiro
que é) com o corpo material e podem
experimentar sensações comparáveis às
do frio, calor, fome etc.
Os espíritos superiores, ao contrário,
podem livremente ir a outros mundos,
fazendo mutações em seu perispírito,
para adaptá-lo ao tipo fluídico do mundo
aonde vão.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "A Gênese", caps. VÌ, XÌ e XÌV;
- "O Livro dos Espíritos", perguntas 93-95, 150-152, 155, 186-187;
- "O Livro dos Médiuns", cap. Ì.
De Léon Dems:
- "Depois da Morte", cap. XXÌ.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 9
AÇÃO DOS ESPÍRÌTOS SOBRE OS FLUÌDOS
Os espíritos vivem numa atmosfera fluídica
(de fluidos). Dela extraem o que lhes é
necessário e agem sobre os fluidos do
seu ambiente. (Comparativamente: na
Terra estamos envoltos pela atmosfera
e vivemos em meio a substâncias materiais,
que usamos e sobre elas agimos).
Agindo sobre os fluidos, os espíritos
influem: sobre si mesmos e sobre os
outros espíritos: sobre o mundo fluídico
e sobre o mundo material.
Ì. COMO AGEM?
É com o pensamento e a vontade que
o espírito age sobre os fluidos.
Ele dirige os fluidos, aglomera-os, dá-lhes
forma, aparência, cor e pode, até, mudar
suas propriedades.
É a grande oficina ou laboratório da vida
espiritual.
A ação dos espíritos sobre os fluidos pode
ser inconsciente porque basta pensar e
sentir algo para causar efeitos sobre eles.
Mas também pode o espírito agir conscientemente
sobre os fluidos, sabendo o que realiza e
como o fenômeno se processa.
ÌÌ. QUALÌDADE DOS FLUÌDOS
Os fluidos em si são neutros. O tipo dos
pensamentos e sentimentos do espírito é
que lhes imprime determinadas características.
Fluidos bons são resultantes de pensamentos
e sentimentos nobres, puros.
Fluidos maus são resultantes de pensamentos
e sentimentos inferiores, incorretos, impuros.
Os fluidos iguais se combinam; os fluidos
contrários se repelem; os fracos cedem aos
mais fortes; os bons predominam sobre os
maus.
Os fluidos se reforçam em suas qualidades
boas ou más pela reiteração do impulso
correspondente que recebem do espírito.
As condições criadas pela ação do espírito
nos fluidos podem ser modificadas por novas
ações do próprio espírito ou por ações de
outros espíritos.
ÌÌÌ. EFEÌTOS NO PERÌSPÍRÌTO E NO CORPO
O perispírito absorve com facilidade os fluidos
externos porque tem idêntica natureza
(também é fluídico).
Absorvidos, os fluidos agem sobre o perispírito,
causando bons ou maus efeitos, conforme seja
a sua qualidade.
No caso de um espírito encarnado (como nós)
o perispírito, por sua vez, irá reagir sobre o
organismo físico, com o qual está em completo
contato molecular. E, então:
- se os fluidos forem bons, produzirão no corpo
uma impressão salutar, agradável;
- se forem fluidos maus, a impressão é penosa,
de desconforto.
Se a atuação de fluidos maus for insistente,
intensa e em grande quantidade, poderá
determinar desordens físicas (certas moléstias
não têm outra causa senão esta).
Os bons fluidos, ao contrário, podem curar.
ÌV. AURA
Com os seus pensamentos e sentimentos
habituais, o espírito (encarnado ou não)
influi sobre os fluidos do seu perispírito e
lhes dá características próprias. Está
sempre emanando esses fluidos, que o
envolvem e acompanham em todos os
movimentos. é a sua aura, a sua "atmosfera
individual".
Na aura do encarnado, a difusão dos
campos energéticos que partem do
perispírito envolve-se com o manancial de
irradiações das células do corpo. No
desencarnado, a aura é resultante apenas
das emanações perispirituais.
Conforme o tipo fluídico, as auras se
harmonizam ou se repelem.
V. SÌNTONÌA E BRECHA
Pelo modo de sentir e pensar:
- estabelecemos um ajuste de comprimento
de onda vibratória entre nós e os que
pensam e sentem iguala nós; ou seja,
entramos em sintonia com eles;
- produzimos um certo tipo de fluidos e
os espíritos que produzam fluidos semelhantes
poderão, então "combinar" seus fluidos com
os nossos, pois estabelecemos afinidade
fluídica.
Quando oferecemos sintonia e combinação
de fluidos para o mal, dizemos que estamos
dando "brecha" aos espíritos inferiores.
Vigilância e oração evitam ou corrigem a
influência negativa de outros sobre nós ou
de nós sobre outrem.
VÌ. O PASSE
É uma transmissão voluntária e deliberada
de fluidos benéficos, de uma pessoa para
outra.
Seu efeito é:
- bom, quando o paciente está receptivo e
assimila bem os fluidos transmitidos; daí a
necessidade de um preparo prévio da mente,
da fé e da oração para estar apto a receber
bem o passe;
- duradouro, quando o paciente mantém (pela
boa conduta, pensamento e sentimento) o estado
melhor que alcançou com o passe.
Se a pessoa não modificar para melhor o seu
modo de agir, voltará a sofrer desgaste fluídico
e desequilíbrio espiritual. "Não peques mais,
para que não te suceda algo pior".
(Jesus, Jo. 4:14.)
Não é justo que fiquemos recebendo passes,
que o próximo de boa vontade nos dá, e
gastando essas forças, sem responsabilidade,
sem nos esforçarmos por manter equilíbrio
físico e moral.
Só devemos pedir passe quando não
pudermos, por nós mesmos, pelos nossos
pensamentos e vontade, prece e atos bons,
produzir fluidos melhores para nós mesmos.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "A Gênese", cap. XÌV, itens 13 a 21.
De André Luiz:
- "Missionários da Luz", cap. XÌX.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 10
MEDÌUNÌDADE E O SEU DESENVOLVÌMENTO
Ì. A MEDÌUNÌDADE
É natural que nos comuniquemos com os espíritos
desencarnados e eles conosco, porque também
somos espíritos, embora estejamos encarnados.
Pelos sentidos físicos e órgãos motores, tomamos
contato com o mundo corpóreo e sobre ele agimos.
Pelos órgãos e faculdades mentais mantemos contato
constante com o mundo espiritual, sobre o qual
também atuamos.
Todas as pessoas, portanto, recebem a influência
dos espíritos.
A maioria nem percebe esse intercâmbio oculto,
em seu mundo íntimo, na forma de pensamentos,
estados de alma, impulsos, pressentimentos etc.
Mas há pessoas em quem o intercâmbio é ostensivo.
Nelas, os fenômenos são freqüentes e marcantes,
acentuados, bem característicos (psicofonia,
psicografia, efeitos físicos etc.), ficando evidente
uma outra individualidade, a do espírito comunicante.
A essas pessoas, Allan Kardec denomina médiuns.
Médium é uma palavra neutra (serve para os 2
gêneros), de origem latina; quer dizer medianeiro,
que está no meio. De fato o médium serve de
intermediário entre o mundo físico e o espiritual,
podendo ser o intérprete ou instrumento para o
espírito desencarnado.
Mediunidade é a faculdade que permite sentir e
transmitir a influência dos Espíritos, ensejando
o intercâmbio, a comunicação, entre o mundo
físico e o espiritual. Sendo uma faculdade, é
capacidade que pode ou não ser usada. Sendo
natural, manifestase espontaneamente, mas pode
ser exercitada ou desenvolvida. Sua eclosão não
depende de lugar, idade, sexo, condição social
ou filiação religiosa.
ÌÌ. QUEM APRESENTA PERTURBAÇÃO É MÉDÌUM?
Muitas vezes, ao eclodir a mediunidade, a
pessoa costuma dar sinais de sofrimento,
perturbação, desequilíbrio. Firmou-se até um
conceito errado entre o povo: se uma pessoa
se mostra perturbada deve ter mediunidade.
Entretanto, a mediunidade não é doença nem
leva à perturbação, pois é uma faculdade natural.
Se a pessoa se perturba ante as manifestações
mediúnicas é por sua falta de equilíbrio emocional
e por sua ignorância do que seja a mediunidade,
ou porque está sob a ação de espíritos ignorantes,
sofredores ou maus.
Não se deve colocar em trabalho mediúnico
quem apresente perturbações. Primeiro, é preciso
ajudar a pessoa a se equilibrar psiquicamente,
através de passes, vibrações e esclarecimentos
doutrinários. Deve-se recomendar, também, a
visita ao médico, porque a perturbação pode
ter causas físicas, caso em que o tratamento
será feito pela medicina.
Para o desenvolvimento da mediunidade, somente
deve ser encaminhado quem esteja equilibrado e
doutrinariamente esclarecido e conscientizado.
ÌÌÌ. SÌNAÌS PRECURSORES
A mediunidade geralmente fica bem caracterizada,
quando:
- há comprovada vidência ou audição no plano
espiritual;
- se dá o transe psicofônico (mediunidade falante)
ou psicográfico (mediunidade escrevente);
- há produção de efeitos físicos (sonoros,
luminosos, deslocação de objetos) onde a pessoa
se encontre.
Mas nem sempre é fácil e rápido distinguir as
manifestações mediúnicas, quando em seu início,
das perturbações fisiopsíquicas.
Eis alguns sinais que, se não tiverem causas
orgânicas, podem indicar que a pessoa tem
facilidade para a percepção de fluidos, para o
desdobramento (que favorece o transe) ou que
está sob a atuação de espíritos:
- sensação de "presenças" invisíveis;
- sono profundo demais, desmaios e síncopes
inexplicáveis;
- sensações ou idéias estranhas, mudanças
repentinas de humor, crises de choro;
- "ballonement" (sensação de inchar, dilatar) nas
mãos, pés ou em todo o corpo, como resultado
de desdobramento perispiritual;
- adormecimento ou formigamento nos braços
e pernas;
- arrepios como os de frio, tremores, calor,
palpitações.
ÌV. COMO DESENVOLVER A MEDÌUNÌDADE
Do ponto de vista espírita, desenvolver mediunidade
não é apenas sentar-se à mesa mediúnica e dar
comunicações.
É apurar e disciplinar a sensibilidade espiritual, a
fim de tê-la nas melhores condições possíveis de
manifestação, e aprender a empregá-la dentro
das melhores técnicas e visando as finalidades
mais elevadas.
Esse desenvolvimento mediúnico abrange
providências de natureza tríplice:
a) Doutrinária.
O médium precisa conhecer a Doutrina Espírita
para compreender o Universo, a si mesmo e aos
outros seres, como criaturas evolutivas, regidas
pela lei de causa e efeito.
Atenção especial será dada à compreensão do
intercâmbio mediúnico, ação do pensamento
sobre os fluidos, natureza e situações dos espíritos
no Além, perispírito e suas propriedades na
comunicação mediúnica, tipos de mediunidade, etc.
b) Técnica.
Exercício prático, à luz do conhecimento espírita,
para que o médium saiba distinguir os tipos dos
espíritos pelos seus fluidos, como concentrar ou
desconcentrar, entender o desdobramento,
controlar-se nas manifestações e analisar o
resultado delas, etc.
Observação: quando se inicia a prática mediúnica,
pode ocorrer de os sinais precursores se
intensificarem e ampliarem. Não pense o médium
que seu estado piorou. É que os espíritos estão
agindo sobre os centros de sua sensibilidade e
preparando o campo para as atividades mediúnicas.
Persevere o médium, mantendo o bom ânimo e
aos poucos, com a educação de suas faculdades,
as sensações ficarão bem canalizadas, não mais
causando perturbações.
c) Moral.
É indispensável a reforma íntima para que nos
libertemos de espíritos perturbadores e
cheguemos a ter sintonia com os bons espíritos,
dando orientação superior ao nosso trabalho
mediúnico.
A orientação cristã, à luz do Espiritismo,
leva-nos à igilância, oração, boa conduta e à
caridade para com o próximo, o que atrairá
para nós assistência espiritual superior.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Livro dos Médiuns", 2ª parte, caps. XVÌÌ e XVÌÌÌ.
De Léon Denis:
- "No Ìnvisível", caps. XXÌÌ e XXV.
Curso Basico de Espiritismo - Capitulo 11
MEDÌUNÌDADE E ESPÌRÌTÌSMO
Como doutrina codificada, o Espiritismo é recente, data de 18/4/1857, com a
publicação de "O Livro dos Espíritos", por Allan Kardec, em Paris, na
França.
Antiqüíssimos, porém, são os fenômenos mediúnicos. Eles se deram em
todos os
tempos e em todos os povos - conforme a História comprova -, porque a
mediunidade é uma faculdade inerente ao ser humano, sendo lei natural a
comunicação entre os espíritos encarnados e desencarnados.
O intercâmbio mediúnico sempre esteve ligado ao serviço religioso e, a
princípio, era feito apenas por iniciados, isto é, por homens ou mulheres
preparados especialmente para essa atividade, através de um treinamento
que,
às vezes, levava dezena de anos (pitons e pitonisas, arúspices, oráculos,
adivinhos, profetas, sibilas etc.).
Desconhecendo as leis que regem os fenômenos mediúnicos, o povo os
considerava maravilhosos, sobrenaturais. E quem os podia produzir e fazer o
intercâmbio mediúnico era considerado um ser privilegiado, investido de
poderes divinos.
Desse conceito se aproveitavam os sacerdotes na Índia, na Pérsia, no Egito
ou em Roma, exercendo, então, influência sobre o povo e até mesmo sobre
os
governantes. E, para assegurar esse poder sobre as massas, usavam não só
suas faculdades mediúnicas mas, também, as práticas mágicas e a
prestidigitação.
Ì. A PROÌBÌÇÃO DE MOÌSÉS
Nos tempos bíblicos, quando o povo hebreu vivia praticamente em cativeiro,
no Egito, o intercâmbio mediúnico estava sendo utilizado para adivinhações,
interesses egoístas, materiais e mesquinhos, misturando-se com práticas
mágicas e, até sacrifícios humanos.
Por isso Moisés, o grande médium e legislador hebreu, ao retirar o povo do
Egito, proibiu a prática mediúnica de modo geral.
_____________________________________________
"Quando entrares no país que Javé, teu Deus, te der (...)
Não se achará, entre ti, quem faça passar pelo fogo o seu filho ou filha,
quer se entregue à adivinhação, aos augúrios, às feitiçarias e à magia. Quem
recorra aos encantamentos, interrogue aos espíritos, ainda que familiares, e
quem invoque os mortos.
Porque todo homem que pratica essas coisas é abominável para Javé e é
por
causa destas abominações que Javé, teu Deus, vai expulsar estas nações
da
tua presença.
(Deuteronômio, cap. 18 vs. 9/13.)
_____________________________________________
O fato de Moisés haver proibido o intercâmbio mediúnico demonstra que ele
é
possível, pois o impossível não é preciso proibir.
Mas a proibição de Moisés não era uma condenação da mediunidade em si
mesma.
Visava, apenas, reprimir os abusos.
Particularmente, Moisés continuou usando sua mediunidade para receber as
instruções que os bons Espíritos lhe vinham dar em nome de Deus. Para
isso
ele era um profeta (porta voz, o que fala por alguém), ou seja, um
intermediário, um médium.
E desejava que todo o povo viesse a fazer o intercâmbio também, mas de
modo
correto e superiormente inspirado.
É o que se vê nesta passagem:
_____________________________________________
Moisés pedira ajuda a Deus para atender ao povo muito numeroso e
recebera a
promessa de que o Senhor iria "derramar o seu espírito" sobre 70 anciãos do
povo.
Na hora aprazada isto ocorreu, na tenda em que era feita a concentração e
oração por Moisés.
Mas 2 dos anciãos, Eldad e Medad, haviam ficado no campo e ali mesmo
começaram a profetizar (a falar mediunizados).
Foram contar a Moisés. E Josué queria que Moisés mandasse impedir
aquela
manifestação, pois era proibido.
Moisés, porém, retrucou:
- Por que hás de ser tão ciumento a meu respeito? Prouvera a Deus que
todo o
povo fosse feito de profetas, e que o Senhor lhes desse o seu espírito!
(Números, Ìl vs. 26/29.)
_____________________________________________
ÌÌ. A LÌBERAÇÃO POR JESUS
Quando, 1.300 anos depois, Jesus veio à Terra, a humanidade já havia
evoluído um pouco mais e poderia voltar a utilizar a mediunidade, que
Moisés
proibira. Aliás, a esse tempo já não se falava mais na proibição da
mediunidade, como no tempo de Moisés, tanto que, no Novo Testamento,
não há
uma única passagem em que a proibição seja mencionada.
Temos, porém, muitas passagens em que Jesus afirma, ensina e exemplifica
a
prática mediúnica.
1) Afirmando a influência dos espíritos bons e maus sobre as pessoas:
quando
Pedro declarou "Tu és o Cristo" (Mt. 16:13/17) e no caso do espírito imundo
expulso (Mt. 12:43/45 e Lc. 11:26).
2) Exemplificando o intercâmbio com o Além: ao conversar com Moisés e
Elias
materializados (Mt. 17:1/18) e com a legião de espíritos que obsidiava um
homem em Gadara (Mc. 5:1/20).
3) Desenvolvendo as faculdades mediúnicas nos discípulos ("conferiu--lhes o
poder"), ordenando que trabalhassem com elas ("curai os doentes,
ressuscitai
os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios") (Mt. 10:1 e 7/8).
4) Anunciando um batismo (mergulho do espírito, que se cumpriu no Dia de
Pentecostes, quando os discípulos, mediunizados, falaram até em outros
idiomas.
Nessa ocasião, Pedro esclareceu que se estava cumprindo uma profecia de
Joel: "... nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu espírito
derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e filhas profetizarão,
vossos mancebos terão visões, vossos velhos, sonhos". Era a liberação da
mediunidade para toda a humanidade. E Pedro explicou ainda que essa
promessa
divina abrange "a todos quantos Deus nosso Senhor chamar". (Atos, 1-4/5;
2:1/39.)
ÌÌÌ. O USO DA MEDÌUNÌDADE NO ESPÌRÌTÌSMO
Alguns séculos depois, não respeitando a liberação da mediunidade que
Jesus
fizera, grupos religiosos tentaram proibir de novo o intercâmbio mediúnico,
dizendo ser obra do demônio e perseguindo os que o praticavam, sob a
acusação de serem bruxos, feiticeiros.
Mas Deus já "derramou o seu espírito sobre toda a carne", a sensibilidade
espiritual já se desenvolveu na espécie humana e a mediunidade já se
generalizou, sendo impossível conter a manifestação dos espíritos por toda
parte.
Surge, então, o Espiritismo, que utiliza a mediunidade como instrumento
valioso de espiritual ização da humanidade. Também não concorda que se
faça
mau uso dela. Esclarece que tem finalidade superior e ensina técnicas para
segurança e proveito espiritual na sua prática, especialmente em "O Livro
dos Médiuns", de Allan Kardec.
"Sem a força disciplinadora da Doutrina dos Espíritos, sem a orientação
cristã do Espiritismo, seriam os fenômenos, sem dúvida, apenas um turbilhão
de energias avassalantes, sem rumo nem objetivo definido, sem finalidade
educativa." (Martins Peralva, cap. 26 de "Mediunidade e Evolução".)
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XXVÌ;
- "O Livro dos Médiuns", 2' parte, cap. XXVÌÌÌ.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 12
DE GRAÇA RECEBESTES, DE GRAÇA DAÌ
A mediunidade é urna faculdade concedida por Deus às criaturas, que nada
pagam por ela.
Por isso, quando desenvolveu a mediunidade nos seus discípulos e os
mandou
trabalharem com ela em favor da humanidade, Jesus lhes disse: "De graça
recebestes, de graça dai". (Mt. 10.)
O Mestre não somente recomendou o exercício gratuito da mediunidade, Ele
o
exemplificou, nada cobrando dos discípulos pelo desenvolvimento mediúnico
que neles promoveu e jamais cobrando nada de ninguém por qualquer das
obras
espirituais que realizou, inclusive as curas.
E, ao expulsar os vendilhões do Templo de Jerusalém, deu enérgica
demonstração de que não se deve comerciar com as coisas espirituais, nem
torná-las objeto de especulação ou meio de vida.
Ì. PORQUE O EXERCÍCÌO DA MEDÌUNÌADE NÃO DEVE SER COBRADO
O trabalho que fazemos na vida terrena é com o corpo ou com o intelecto e a
paga que recebemos por ele se destina à nossa sobrevivência corpórea, ao
atendimento das nossas necessidades materiais. Como cada qual tem sua
capacidade ou aptidão, todos podem trabalhar e ganhar o seu pão de cada
dia
(com exceção das crianças, dos idosos, dos muito deficientes ou enfermos).
O trabalho com a mediunidade é uma situação muito diferente. Trata-se de
uma
faculdade que:
- enseja um trabalho que é espiritual e só se realiza com o concurso dos
espíritos desencarnados;
- tem por finalidade fazer o intercâmbio entre o plano material e o
espiritual, promovendo o esclarecimento, a ajuda mútua e a fraternidade
entre os encarnados e os desencarnados;
- precisa estar ao alcance de todos os seres humanos em geral mas só pode
ser exercida por médiuns, que são minoria na Humanidade.
Se a mediunidade for comercializada ou profissionalizada, eis o que poderá
acontecer:
1) Os pobres poderão ter dificultado ou impedido o acesso ao
esclarecimento, conforto e ajuda espiritual.
"Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre dela fique
privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o
consolo de receber encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que
pranteio, porque sou pobre."
2) O médium estará recebendo a paga pelo trabalho dos espíritos, o que é
imoral.
No transe mediúnico, somos intermediários mas os espíritos é que falam,
escrevem, ensinam, produzem fenômenos. Como vender o que não se
originou de
nossas idéias, pesquisas ou qualquer outra espécie de trabalho pessoal?
Como receber pelo trabalho dos espíritos uma paga em coisas materiais, que
só a nós beneficia e não a eles?
No caso de serem espíritos familiares e amigos, não nos repugna expô-los
para, com isso, lucrar alguma coisa material?
3) Teremos de assegurar resultados, mas não o poderemos fazer, pois, a
mediunidade é uma faculdade fugidia, instável, com a qual ninguém pode
contar com certeza, já que não funciona sem o concurso dos espíritos. Ora,
os espíritos, quando bons, não se prestam ao comércio mediúnico, pois não
irão concorrer para a cupidez e ambição do seu intermediário; e, quando
maus, também não gostam de ser explorados e nem sempre querem atuar.
"Explorar a mediunidade é, portanto, dispor de uma coisa de que realmente
não se é dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga".
4) Atrairá para junto do médium espíritos inferiores.
Como os bons espíritos não se prestam a esse comércio e se afastam, os
que
ficam junto do médium mercenário são espíritos levianos, pseudo-sábios ou
até malévolos mas, no mínimo, ignorantes.
O médium que vende seu trabalho mediúnico expõe-se à influência dos
espíritos inferiores, dos quais se fez comparsa e cúmplice, e com isso
compromete sua situação espiritual, presente e futura.
5) Lançaremos descrédito sobre a mediunidade.
Quando nos fazemos pagar pelo exercício mediúnico, acarretamos
descrédito
sobre nós mesmos e para o intercâmbio espiritual. Ìsto traz grave prejuízo
para o progresso moral da humanidade, pois, desacreditando da
manifestação
mediúnica, a humanidade perde sua fonte de informações, conforto e ajuda
espiritual.
"A mediunidade séria nunca pode constituir uma profissão, isso a desacredita
moralmente e a assimilaria aos ledores da 'buena dicha'. Esse tráfico,
degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, a ignorância e a
credulidade dos supersticiosos foi que levou Moisés a proibi-la. O
Espiritismo, compreendendo a feição honesta do fenômeno, elevou a
mediunidade ao grau de missão." "A mediunidade é coisa santa, que deve
ser
praticada santamente, religiosamente."
Observemos que "paga" não é somente o dinheiro mas tudo aquilo que
represente remuneração, lucro, vantagem, interesse puramente pessoal,
satisfação da vaidade e do orgulho.
Quando um médium dá seu tempo ao público, dizendo que o faz no interesse
da
causa espírita mas não pode dá-lo de graça, perguntamos com Kardec:
__________________________________________
"Mas será no interesse da causa ou no seu próprio que o dá? E não será
porque ele entrevê aí uma ocupação lucrativa? Por este preço, encontram-se
sempre pessoas devotadas. Porventura haverá somente este trabalho à sua
disposição?
"Quem não tiver com que viver, procure recurso fora da mediunidade. Se
quiser, consagre-lhe materialmente o tempo disponível. Os espíritos levarão
em conta o seu devotamento e sacrifício, ao passo que se afastam de quem
dela faça escabelo.
"À parte estas considerações morais, não contestamos de modo nenhum que
possa haver médiuns interesseiros honrados e conscienciosos, porque há
pessoas honestas em todas as profissões; mas se convirá, pelos motivos
que
expusemos, que o abuso tem mais razão de estar com os médiuns pagos do
que
junto àqueles que, olhando sua faculdade corno um favor, não a empregam
senão para prestar serviços gratuitamente."
__________________________________________
Kardec está com a razão. E podemos aduzir que a gratuidade dos serviços
no
meio espírita tem assegurado o afastamento das pessoas interesseiras e mal
intencionadas. O desprendimento e o desinteresse exigidos valem, pois,
como
um dispositivo de segurança para o movimento espírita.
ÌÌ. A REMUNERAÇÃO ESPÌRÌTUAL
Todo o bem que fazemos, porém, sempre tem sua recompensa espiritual.
Afirmou
Jesus que "digno é o trabalhador do seu salário". E a lei de ação e reação
sempre dá às criaturas segundo as suas obras.
Assim, o médium que exerce sua faculdade como Jesus recomenda, sem
interesses materiais ou egoístas, não deixará de receber um natural salário
espiritual, pois conseguirá conseqüências felizes como estas:
- pagar suas dívidas espirituais anteriores pelo bem que ensejar com seu
trabalho mediúnico, e adquirir méritos para novas realizações;
- acelerar o próprio progresso, pelo desenvolvimento que lhe vem do
exercício de sua faculdade e do conhecimento que adquire sobre a vida
imortal;
- convívio com bons espíritos e a proteção deles, em virtude da tarefa
redentora a que se vincula.
LÌVROS CONSULTADOS:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XXVÌ;
- "O Livro dos Médiuns", 2ª parte, cap. XXVÌÌÌ e XXXÌ, item X
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 13

A PRECE
Ì. O QUE É?
A prece ou oração é um dos modos de nos comunicarmos com o plano
espiritual
superior, para:
- pedir: por nós ou pelos outros, o que precisamos; Jesus estimulou-nos à
oração, quando disse: "Pedi, e dar-se-vos-á..." (Mateus, 7 vs. 7 a 11);
- agradecer: pelo que já recebemos ou estamos recebendo; Jesus,
exemplificou
várias vezes dando graças a Deus (Marcos 8, v. 7; Mt. 26, v. 27; João 11, v.
41-42);
- louvar: quando, sentindo e entendendo a sabedoria, bondade e poder de
Deus, manifestamos-lhe nossa admiração, contentamento, confiança.
(Mateus, 5
v. 16.)
ÌÌ. EFÌCÁCÌA
Há quem não veja finalidade maior na prece ou duvide de sua eficácia,
argumentando:
1) Deus não precisa de nossos louvores ou agradecimentos. E é inútil
expor-lhe nossas necessidades, porque Ele tudo sabe e, portanto, já as
conhece.
2) Tudo no Universo se encadeia por leis divinas e eternas,que as nossas
súplicas não podem mudar.
Quem assim argumenta não sabe o que é a oração nem como ela funciona.
Respondamos, de início:
a) Deus realmente não precisa de nossos louvores ou agradecimentos, mas
certamente se interessa pelos sentimentos de suas criaturas. E nós temos
necessidade de nos comunicarmos com o Pai, dando expansão aos
sentimentos
puros, falando de nossas dificuldades e anseios a quem é fiel e amigo, para
ouvir, que nos entende e não nos atraiçoa.
b) Graças a Deus que há leis naturais e imutáveis, que não podem ser
derrogadas ao capricho de qualquer um. Se bastasse pedir para obter,
teríamos o caos no Universo, com tanto pedido infantil, mesquinho, perverso,
injusto.
A prece não derroga mesmo nenhuma das leis divinas. Mas pode acioná-las
em
nosso favor. Ao orar, usamos a capacidade de agir e pensar que Deus nos
concede. Se obtivermos resultado favorável é porque o que havíamos pedido
era possível, faltando apenas que movimentássemos nossas forças nesse
sentido, o que fizemos com a oração.
ÌÌÌ. MECANÌSMOS E EFEÌTOS
Para entender isto é preciso conhecer como a oração funciona.
Ao orar numa prece sincera, verdadeira:
a) Abrimos as comportas da alma, emitindo o pensamento aliado ao
sentimento,
dirigindo-o com a vontade.
b) As irradiações do nosso pensamento e sentimento são propagadas pelo
fluido universal, indo atingir seres (encarnados ou não) ou planos de
energia, formando-se entre nós e eles uma corrente fluídica.
Como resultado da oração, temos uma extensa variedade de efeitos, sempre
benéficos, tais como:
1) O exame melhor, e de um ponto de vista superior, do assunto que nos
preocupa, permitindo vermos novos ângulos e encontrarmos solução para
eles
ou, ao menos, motivos de aceitação ou suportação.
2) Captação de pensamentos e energias reconfortantes, fortalecedoras.
3) Atração de bons espíritos, que nos ajudarão de todas as maneiras
possíveis, até mesmo intervindo na solução dos problemas, se as leis divinas
permitirem.
Por tudo isso, o que, antes de orarmos, parecia insolúvel ou insuportável,
depois de orarmos encontra solução ou, ao menos, se torna suportável,
porque
ficamos mais esclarecidos a respeito ou mais fortalecidos para enfrentar e
vencer.
- Prece Ìntercessória
Todos esses benefícios que obtemos para nós com a prece, podemos
proporcionar a outras pessoas, quando oramos por elas.
Podemos orar assim, também, pelos desencarnados. Os espíritos, como os
encarnados, gostam de ser lembrados nas vibrações benéficas da prece. Os
espíritos sofredores, ao serem lembrados, sentem-se menos abandonados e
infelizes; as preces lhes aliviam os sofrimentos e os orientam para o
arrependimento e a recuperação espiritual. ("O Céu e o Ìnferno", de Allan
Kardec, 2a parte.)
ÌV. COMO ORAR?
Não há posturas nem fórmulas especiais para a oração, pois ela é uma ação
espiritual.
As preces que os bons espíritos nos ensinam visam:
- orientar aqueles que pensam que não oram por não saberem coordenar
seus
pensamentos e colocá-los em palavras;
- chamar nossa atenção para determinados assuntos e verdades espirituais.
Jesus, em várias passagens do Evangelho, ensina como deve ser nossa
atitude
espiritual ao orar:
- Com humildade
Temos de reconhecer nossa necessidade e estarmos receptivos.
Na parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas, 18 vs 10-14), o primeiro
orava
com orgulho, achando-se muito correto e melhor que os outros, enquanto
que o
publicano se reconhecia errado e pedia misericórdia; o fariseu continuou
como estava; o publicano recebeu o amparo pedido.
- Sem ressentimentos
Não podemos estar em clima de mágoas ou desejo de vingança, quer sejam:
a) Nossos para com outros: "Mas quando estiverdes em pé para orar,
perdoai,
se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso Pai
que
está nos céus vos perdoe os vossos pecados". (Marcos, 11 vs. 25-26.)
b) De outros para conosco: "Se estás, portanto para fazer a tua oferta
diante do altar e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu
irmão; só então vem fazer a tua oferta'. (Mateus, 5, 23-24.)
- Com simplicidade
Não há necessidade de ostentação, exterioridades (gestos, posições
especiais) nem verbosidade excessiva.
"E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar
em
pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens.
Em
verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando
orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, ora a teu Pai que está em
secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis
de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito
falar
serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois a eles; porque Deus, o vosso Pai,
sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais." (Mateus, 6 vs.
5-8.)
V. O ATENDÌMENTO
Além das condições que vimos, a prece, para ser atendida, deve:
- Ser um pedido justo
Jesus afirmou "Por isso vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede
que recebestes, e será assim convosco". (Marcos, 11 v. 24.) Naturalmente,
Jesus se referia a um pedido justo (possível, benéfico, oportuno). Em nossa
ignorância, fazemos pedidos que nos parecem justos mas, espiritualmente,
talvez não o sejam. Neste caso, os mentores espirituais não endossam
nossos
pedidos e até fazem pedidos contrários aos nossos. É como Paulo esclarece:
"o Espírito intercede por nós" porque "não sabemos pedir como convém".
(Romanos, 8 vs. 26-27.)
- Feito com perseverança
Geralmente, variamos muito em nossas orações diárias, desistindo de um
pedido e começando outros. Por isso, a maior parte dos nossos incontáveis
pedidos "não chega a Deus". Para obter alguma coisa, é preciso uma certa
energia (a fim de vencer a inércia das criaturas e dos elementos) e uma
certa insistência (porque o assunto às vezes requer tempo para sua
solução).
Na parábola do Amigo Ìmportuno (Lucas Ì Ì vs. 5-13), Jesus aconselha que
insistamos com fervor na oração, quando tivermos alguma verdadeira
necessidade espiritual, até obtermos o atendimento.
- Apoiado no merecimento
Existe um outro critério de avaliação espiritual dos nossos pedidos: o do
merecimento. Na Parábola do Juiz Ìníquo (Lucas, 18 vs. 1-8), depois de
apresentar o caso de um juiz que não respeitava a Deus nem temia aos
homens
mas acabou atendendo ao pedido de justiça de uma viúva, porque ela
insistia
sempre, Jesus pergunta: "E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a
ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?" O
pedido
justo e reiterado, formulado por quem tem
merecimento será atendido, pois toda oração assim, de alguma
forma, traz algum benefício para quem ora, mesmo que não seja o
que esperávamos, mesmo que não percebamos que fomos
auxiliados.
VÌ. CONCLUSÕES
Quem ainda não exercitou o espírito na ação da prece, pode descrer da força
que ela possui. Quem ainda não recorreu à prece, num momento de dor e
desespero, ignora quanto conforto ela nos pode dar. Quem não usa a prece
diariamente, está perdendo oportunidades valiosas de se ligar aos planos
elevados do espírito, em que a nobreza, a bondade, o perdão, a esperança e
a
paz sempre vibram e nos aguardam.
Mas quem está cumprindo seus deveres, está orando. Quem trabalha alegre
e
não somente para si mesmo, está orando. Quem estuda, procurando
entender a
vida e os seres, para agir com acerto, está orando. Quem se esforça por
amar
e servir, está orando. Porque orar não é apenas dizer algumas palavras ou
formular alguns pensamentos. Orar é ligar-se por uma atitude pura e ativa ao
pensamento e à energia divinos que penetram todo o Universo.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XXVÌÌ;
Curso Basico de Espiritismo - Capitulo 14
AMOR A DEUS E AO PRÓXÌMO
Ì. O MAÌOR MANDAMENTO
___________________________________
"E eis que se levantou um certo doutor da lei,
tentando-o, e dizendo:
Mestre, que farei para herdar a vida eterna'?
"E ele lhe disse: Que está escrito na lei'? Como a
lês tu'?
"E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu
Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma,
e de todas as tuas forças, e de todo o teu
entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
"E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e
viverás."
(Lucas, 10 vs. 25/28.)
___________________________________
Doutor da lei: homem muito conhecedor da lei de
Moisés, dos ensinos dos profetas e demais
escrituras sagradas para os israelitas.
Vida eterna: vida do espírito (que não acaba como
a do corpo), em plenitude e felicidade.
Como alcançar esse estado? Foi o que o doutor da
lei perguntou a Jesus, usando uma expressão da
época: "herdar a vida eterna".
Mas não estava querendo orientação espiritual e,
sim, "tentando" Jesus, ou seja, experimentando-o
para ver se ele ensinava alguma coisa contrária à
lei judaica.
Jesus não lhe ensinou nada de novo. Tirou a
resposta do próprio doutor da lei, perguntando: "O
que está escrito na lei? Como a lês tu?". O doutor
da lei citou as escrituras, que já mandavam: amar
a Deus e ao próximo. Esse é o chamado maior
mandamento, porque engloba e resume todos os
outros. Quem ama a Deus, respeita seu nome e o
procura santificar em si mesmo (em tudo o que
fizer) e em tudo que Deus criou.
E quem ama ao próximo, honra pai e mãe, não rouba,
não mata, não adultera, não levanta falso
testemunho e nem cobiça coisa alguma de quem quer
que seja.
Jesus aprovou a resposta: "Respondeste bem". E
concluiu: "Faze isso, e viverás". Mostrou, assim,
que o doutor da lei tinha conhecimento, sabia o
que fazer para viver bem e plenamente a vida
espiritual, bastando apenas que agisse de acordo
com o que já sabia, que ao conhecimento fizesse
seguir a ação.
E nós, poderemos alegar que não sabemos esse
mandamento maior? Acaso nunca ninguém nos
esclareceu sobre as leis divinas e o Evangelho?
___________________________________
"Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo,
disse a Jesus: E quem é o meu próximo'?"
___________________________________
Em resposta, Jesus contou uma história, "A
Parábola do Bom Samaritano":
___________________________________
"Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu
nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e,
espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
"E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho
certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
"E de igual modo também um levita, chegando àquele
lugar e, vendo-o, passou de largo.
"Mas, um samaritano que ia de viagem, chegou ao pé
dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
"E, aproximando-se, atou-lhe as feridas,
deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a
sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e
cuidou dele;
"E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e
deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e
tudo o que demais gastares eu te pagarei quando
voltar."
(Lucas, 10 vs. 29/37.)
___________________________________
Sacerdote: era o encarregado do culto judeu no
Templo de Jerusalém.
Levita: um auxiliar de serviços no Templo (os
levitas também eram da tribo de Levi, como os
sacerdotes, mas não da família de Aarão, como
eles).
Eram, pois, o sacerdote e o levita pessoas que
conheciam as leis divinas e estavam no serviço da
religião. Entretanto, não procederam
fraternalmente para com o homem assaltado. Não
cumpriram o amar a Deus e ao próximo.
Samaritano: da Samaria; os israelitas que
habitavam essa região tinham deixado que seus
costumes se mesclassem com os dos outros povos que
moravam lá e eram gentios (= estrangeiros); por
isso, passaram a ser considerados pelos judeus de
Jerusalém como "gente de má vida", eram
hostilizados por eles e não podiam participar dos
cultos no Templo de Jerusalém.
Ao colocar um samaritano agindo bem, de acordo com
as leis divinas, apesar de serem os samaritanos
considerados ignorantes da religião, Jesus combate
o preconceito orgulhoso dos judeus contra os seus
semelhantes menos esclarecidos.
Um homem: do assaltado, Jesus não diz qual a sua
raça, família, religião ou situação social, não
lhe dá nenhuma característica em especial, só a de
um ser humano em necessidade. É o que basta para
merecer nossa atenção e ajuda.
Depois de contar a parábola, Jesus indagou ao
doutor da lei:
___________________________________
"Qual, pois destes três te parece que foi o
próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
"E ele disse: O que usou de misericórdia para com
ele. "Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma
maneira."
___________________________________
ÌÌ. CONCLUSÃO
Ìnterpretando esta parábola, aprendemos com Jesus:
- amar a Deus e ao próximo é o que devemos fazer
para alcançar o progresso e a vida espiritual
plena; é o mandamento maior;
- saber isso é importante mas não basta; não basta
seguir uma doutrina religiosa, cumprir as
obrigações de culto de sua igreja; é preciso
concretizar seu conhecimento em boas obras em
favor do próximo;
- ser nosso próximo não depende da outra pessoa;
não decorre dele ser nosso parente, amigo, do
mesmo grupo social etc.; depende de nós, de nossa
capacidade de amar, de sermos capazes de vencer o
egoísmo, a inércia, os preconceitos e nos
interessarmos pelas pessoas; aproximemo-nos dos
nossos semelhantes para sermos fraternos com
eles, fazendo-lhes o que quereríamos que nos
fizessem. "E tudo quanto quereis que os homens vos
façam, fazei-o vós a ele". (Mt, 7 vs. 12.)
Quem ama a Deus, ama a criatura de Deus, que é o
seu semelhante, e torna-se próximo dele,
interessa-se pelo seu bem e o auxilia em tudo que
lhe for possível.
"Quem diz que ama a Deus e não ama a seu irmão é
um mentiroso; pois quem não ama ao seu irmão, ao
qual vê como pode amar a Deus, a quem não vê?". (Ì
Jo. 4:20.)
Livros Consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XV.
De Cairbar Schutel:
- "Parábolas e Ensinos de Jesus".
De Rodolfo Calligaris:
- "Parábolas Evangélicas à Luz do Espiritismo".
Curso Basico de Espiritismo - Capitulo 15
FORA DA CARÌDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
Ì. O QUE É A CARÌDADE?
Caridade é a expressão do amor pelo próximo.
"Faço o que quero" é a filosofia de quem ainda é materialista e egoísta. Nela,
não há qualquer respeito pelo semelhante.
"Não faço aos outros o que não quero que façam a mim" é a filosofia da
pessoa comum, de mediana evolução espiritual. Nela, já há respeito pelos
semelhantes, certo senso de justiça.
"Faço aos outros o que quero que façam a mim" é a filosofia da pessoa
caridosa. Nela, há não só respeito para com os semelhantes mas também
uma benévola disposição íntima em favor deles, que leva a servi-ls em puro
sentimento de solidariedade.
ÌÌ. SUAS CARACTERÍSTÌCAS
Diz o apóstolo Paulo, na Ì Epístola aos Coríntios (cap. 13 vs. 4 a 7) que a
caridade é:
- paciente: persevera tranqüilamente na disposição de ajudar;
- benigna: benfazeja, só faz o que é bom;
- não é invejosa: quer o bem para o seu semelhante, portanto não inveja o
que ele esteja conseguindo, realizando ou recebendo de bom;
- não se ufana: não se vangloria de si mesma ou do bem que faz ("Não saiba
a sua mão esquerda o que faz a sua mão direita");
- não se ensoberbece: não se coloca acima do seu semelhante, não se julga
melhor nem com mais direitos do que as outras criaturas;
- não se porta inconvenientemente: não age de modo precipitado, temerário,
nem indecoroso;
- não busca o seu interesse: o que faz é pensando unicamente em beneficiar
o próximo;
- não se irrita: não se altera por coisa alguma (incompreensão, maledicência,
ingratidão, indiferença), nem perde o gosto de praticar o bem;
- não se alegra com a injustiça: enquanto houver injustiça não pode haver
verdadeira paz e felicidade para ninguém;
- não suspeita mal: não atribui maldade ao próximo não pensa mal dos
outros
nem fala mal de ninguém;
- mas rejubila-se com a verdade: porque esta é a pedra de toque de todas as
realizações e o bem básico para todas as criaturas ("Seja o vosso falar sim,
sim, não, não");
- tudo sofre: recebe o mal sem revidá-lo, desculpa sempre ("Pai, perdoa-lhes,
porque eles não sabem o que fazem");
- tudo crê: confia em Deus e também nas pessoas, pois são criação divina
(Jesus a Judas, no horto: "Amigo, a que vens?");
- tudo espera: porque na lei divina o bem sempre terá natural retribuição e
mesmo o mal, se bem enfrentado e suportado, resultará num bem;
- tudo suporta: agüenta dificuldades e dores, aceita encargos e
responsabilidades, mantém serviços e tarefas. ("Aquele que perseverar até o
fim será salvo".)
ÌÌÌ. NECESSÌDADE DA CARÌDADE
É por desígnio divino que vivemos em sociedade, porque, assim, nossas
qualidades se complementam umas às outras e podemos nos auxiliar
mutuamente.
Sem a caridade, porém, o egoísmo impera, ninguém respeita nem ajuda a
ninguém, tornando o viver mais difícil, doloroso e triste.
Somente praticando a caridade (sendo fraternos e estando dispostos a nos
ajudarmos mutuamente) chegaremos a nos realizar inteiramente, tanto por
desenvolver as virtudes e qualidades que trazemos em potencial, como por
alcançarmos um relacionamento bom e profundo com nossos semelhantes.
E, também, conseguiremos construir um mundo melhor, mais solidário e feliz.
A caridade é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo, justamente os
maiores obstáculos ao progresso moral, nosso e da sociedade.
Por isso, dizia ainda o apóstolo Paulo (Ì Cor. 13 vs. 1-3):
"Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade,
sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que tine.
"Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a
ciência, ainda que possua a fé em plenitude, a ponto de transportar
montanhas, se não tiver caridade, nada sou.
"Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu
corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, nada me aproveita."
Jesus ensinou que devemos "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a si mesmo". Mas ninguém ama a Deus sem amar o seu
próximo (que é obra do próprio Deus). "Se alguém diz que ama a Deus e não
ama ao seu próximo é um mentiroso, pois se não ama ao próximo, a quem
vê, como pode amar a quem não vê?" (Jo. 4:20.)
O apóstolo Paulo concluiu seus comentários sobre a caridade, dizendo:
"Agora, pois, permanecem estas três virtudes: a fé, a esperança e a
caridade; porém a maior delas é a caridade".
O Espiritismo, concordando com os ensinos evangélicos, adota por lema:
"Fora da caridade não há salvação".
ÌV. COMO PRATÌCAR A CARÌDADE?
Pensar no semelhante, procurar propiciar o que ele precisa ou o que possa
contentá-lo legitimamente.
Caridade material
É a que se faz com coisas materiais.
Dar do supérfluo que se tem, daquilo que nos sobra, é apenas dever.
Dar, visando algum interesse, não é a caridade, é barganha, é troca.
Quando se quer mesmo ajudar ou contentar alguém em sentimento caridoso,
damos até o que não é supérfluo para nós, do que nos é necessário e até do
que nos faz falta. Ex.: a esmola da viúva pobre. (Mc. 12 v 42-44.)
A fim de que a caridade material não seja humilhante para quem dela
precisa, juntar ao que se dá palavras gentis, um sorriso, uma vibração de
amor.
Se possível, fazer que a pessoa se sinta produzindo algo em troca ou, de
alguma maneira, ajudando a nós ou a outros, para preservar assim sua
dignidade pessoal.
Caridade moral
Todos podem praticá-la, pois todos podem dar de si mesmos, de seu tempo,
de seu trabalho, de seu conhecimento, de sua inteligência ou aptidões, de
sua atenção, de sua tolerância, de sua indulgência, de seu perdão, de seu
consolo, de seu amparo, simpatia, sorriso, de sua orientação, de seu amor.
A prática de qualquer virtude em benefício de alguém é caridade.
É caridade, em alto grau, ajudar alguém a equilibrar-se, desenvolver-se e ser
capaz de bastar-se material ou espiritualmente. (Não apenas dar o peixe
mas ensinar a pescar.)
Livro consultado:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho segundo o Espiritismo", cap. XV.
Curso Basico de Espiritismo - Capitulo 16
LEÌ DE CAUSA E EFEÌTO
Ì. DEFÌNÌÇÃO:
Expressões como: "Está vendo? Deus te castigou!" são errôneas e não
devem
ser ditas.
Deus não profere um julgamento a cada ato da pessoa. Ele criou leis
naturais, físicas e morais, que regem a vida universal e é de acordo com uma
dessas leis que as conseqüências de nossos atos vêm natural e
automaticamente.
Todas as nossas ações acarretam conseqüências, que serão boas ou más
conforme o ato praticado. Não há uma única imperfeição da alma que não
traga
desagradáveis e inevitáveis conseqüências; e não há uma só virtude que não
seja fonte de alegria, de recompensa.
Podemos, pois, dizer, de modo simbólico, que tudo é medido e pesado na
balança da justiça divina.
Lei de Causa e Efeito ou Lei de Ação e Reação chama-se essa lei divina,
pela
qual, a cada ato do ser, corresponde um efeito, um estado, uma obra. Alguns
a chamam também Lei do Retorno. E Jesus a ensinou, afirmando: "A cada
um
será dado segundo as suas obras". (Mt. 17 v. 27.)
ÌÌ. OS EFEÌTOS:
* Aparecimento
O retorno de uma ação, boa ou má, o aparecimento dos seus efeitos pode se
dar:
- de imediato: pratica-se um ato e, logo, a curto prazo ou um pouco mais
tarde, se recebe a conseqüência, a reação, mas ainda dentro desta
encarnação;
- após a morte: às vezes, o efeito do que fizemos como encarnados somente
aparece na vida espiritual;
- na reencarnação: o que fizemos numa existência pode vir a se refletir em
outra de nossas vidas, em outra reencarnação.
Assim, certas falhas (que não parecem punidas nesta vida) e certas virtudes
(que não parecem recompensadas) terão certamente os seus efeitos; se não
for
nesta vida, o será na vida espiritual ou em nova existência corpórea.
* Sua duração
Os efeitos de uma ação (boa ou má) perduram enquanto não terminar o
impulso
que os criou.
Ex.: uma bola, atirada, rola até que termine a força do impulso que demos ao
jogá-la; se o impulso foi forte, a bola tende a rolar mais tempo. No
entanto, depois de a termos lançado, podemos colocar um obstáculo à sua
frente, que venha fazê-la parar.
Assim, se estivermos sofrendo as conseqüências de um ato mau que
praticamos,
podemos realizar ações boas; elas agem em sentido contrário a essas
conseqüências, fazendo os efeitos diminuirem ou, até mesmo,
desaparecerem.
A prática do bem é o obstáculo que impede o efeito do mal de continuar em
seu curso normal.
Disse Jesus: "Muito lhe foi perdoado porque muito amou, mas a quem pouco
se
perdoa é que pouco ama". (Lucas, 7 vs. 47.)
Entendamos que, se alguém ama, age para o bem e melhora sua situação
compensando com o bem o mal que fizera.
Se não ama, não faz o bem, por isso fica sofrendo os efeitos de seus atos
maus, fica "sem perdão". Repetindo o ensino do Cristo, Pedro esclarece em
sua epístola: "O amor cobre a multidão dos pecados". (Pedro 1, 4 v. S.)
* Sua intensidade
Conforme a natureza da ação, será o tipo dos efeitos e o seu alcance.
Ex.: se esfregarmos um pouco a pele, ela pode se irritar; mas o efeito logo
passa e o próprio organismo faz a sua recuperação.
Mas se cortarmos a pele, ultrapassando o limite de sua resistência normal, o
sangue aparece, ficamos expostos a infecções ete. Então, teremos de tomar
medidas especiais: estancar o sangue, limpar o ferimento, aplicar remédio,
proteger o local e evitar feri-lo novamente, até que cicatrize. E, enquanto
isso, não poderemos usar livremente o corpo ferido.
Assim, também, conforme o empenho que pusermos num ato, teremos
conseqüências leves ou mais profundas. Quando forem profundas,
precisaremos
agir mais no sentido da recuperação do que houvermos lesado (seja a nós
mesmos, a pessoas, sociedades ou à natureza).
A questão da intensidade dos efeitos vale, também, para os bons atos. Sentir
um pouco o bem e fazer um pouco o bem produz efeitos, mas leves; insistir
no
bem, colocar todo o sentimento e capacidade em sua prática, produz efeitos
mais intensos e profundos; mais difíceis de serem modificados pelos
adversários espirituais, consolidando o bem em nós.
ÌÌÌ. ANTE A LEÌ DE CAUSA E EFEÌTO
Diante dos efeitos desagradáveis, pelos quais estivermos passando, nossa
atitude deverá ser:
- de resignação, ante tudo o que não nos for possível mudar, aceitando sem
revolta, por sabermos que é conseqüência de nossos próprios atos ou,
então,
necessidade de aprendizado espiritual;
- de ação para o bem, não só para atenuar ou anular os efeitos maus que
tenhamos causado e restaurar a harmonia da vida em nós e ao nosso redor,
mas, também, para semear novas e melhores condições de vida em nosso
caminho, já e aqui (nesta existência), ou para o futuro (no mundo espiritual
ou em novas encarnações).
A justiça e misericórdia divinas estão harmoniosamente unidas nesta lei, que
faz do próprio ser o árbitro, o juiz de sua sorte, para sofrer os efeitos
duramente ou suavizá-los e até anulá-los, além de poder construir mais e
mais sua própria felicidade.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Livro dos Espíritos", 3ª parte, cap. X e 4ª parte, caps.Ì e ÌÌ.
Curso Basico de Espiritismo - Capitulo 17
LÌVRE-ARBÍTRÌO E PROGRESSO
Ì. LÌVRE-ARBÍTRÌO E DETERMÌNÌSMO
Livre-Arbítrio é a liberdade de ajuizar, de pensar e, conseqüentemente, de
escolher como agir; é a resolução dependente só da vontade.
O espírito (encarnado ou não) tem livre-arbítrio. De outro modo, ele não
teria responsabilidade pelo mal que praticasse, nem mérito pelo bem que
fizesse.
O livre-arbítrio é relativo à evolução do ser.
Nas primeiras fases da evolução anímica, o espírito quase não tem
livrearbítrio, está mais sujeito ao determinismo, porque, criado simples e
ignorante, não tem experiência nem conhecimentos ainda, e, assim, não tem
capacidade de melhor avaliação e escolha.
Nessa fase, Deus, através dos espíritos mais elevados, supre-lhe a
inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir.
O espírito é, então, colocado dentro de situações que não foram por ele
escolhidas mas, sim, planejadas pelos orientadores espirituais, a fim de
estimular o seu desenvolvimento intelectual e moral. Por exemplo: é
submetido ao instinto, que guia o ser aos atos necessários à sua
conservação
e à da sua espécie.
À medida que evolui, porém, quando começa a adquirir experiência e
desenvolver suas faculdades, o espírito passa, também, a ter alguma
liberdade de escolha. Esse livre-arbítrio irá crescendo cada vez mais,
quanto mais evolua o espírito, até não mais ficar submetido a determinismo
algum. Mesmo porque, aperfeiçoado, o espírito entende o plano divino e com
ele coopera voluntariamente: Jesus: "Eu não busco a minha vontade e, sim,
a
daquele que me enviou". (Jo. 5 v. 30.)
ÌÌ. O DETERMÌNÌSMO EM NOSSAS VÌDAS
Determinismo é o acontecimento de fatos que afetam o indivíduo, influem
sobre ele sem que tenha livre-arbítrio, sem que possa ajuizar e escolher.
Apesar de nossa evolução (já somos seres na escala humana), ainda
estamos
sujeitos a algum determinismo. Ainda temos condições que nos são impostas
pela Providência Divina, visando a continuidade obrigatória de nosso
progresso. Ex.: encarnar e desencarnar (Jesus já transcendia a isso, Jo.
10:17/18), habitar um determinado mundo, enfrentar certo tipo de provas.
Podemos dizer, também, que é um determinismo divino recebermos,
querendo ou
não, as conseqüências de nossos atos (bons ou maus).
Nesse caso, já tivemos o nosso livre-arbítrio ao agir e, agora, a lei divina
nos determina colher o resultado do que semeamos.
Em certos acontecimentos muito importantes em nossa vida, capazes de
influir
muito na nossa evolução e que não os provocamos nem tivemos
oportunidade
correta de escolha, podemos subentender o determinismo de uma expiação
ou a
necessidade de uma prova programada para nós pela providência divina.
Ex.: as grandes dores, posição social ou condições físicas em que
nascemos,
o encontro com pessoas relacionadas ao nosso destino.
Mas, em qualquer desses casos, temos liberdade para escolher o modo
como
enfrentar e reagir a esses acontecimentos, pois não há fatalidade nos atos
da vida moral. Ninguém é arrastado irresistivelmente para o rnal; ninguém
pratica o mal porque assim está determinado. A situação, o problema, a
circunstância se apresentam; mas a decisão de como agir édo espírito; o
bem
ou o mal que fazemos é, pois, sempre responsabilidade nossa.
ÌÌÌ. LÌVRE-ARBÍTRÌO E PROGRESSO
Nosso progresso se faz no campo do intelecto e no campo moral.
Começa com o desenvolvimento intelectual.
Conhecer é o primeiro passo no progresso; pelo intelecto é que tomamos
conhecimento das coisas, pessoas, situações, causas e efeitos das ações.
Nem sempre há necessidade de experiência direta, pessoal; observando
também
se aprende, se conhece.
Que, em seqüência, engendra, produz, gera o progresso moral.
Conhecendo, podemos compreender pelos efeitos, o que é o bem e o que é
o
mal; então, escolhemos já com conhecimento de causa o que vamos fazer.
Entramos, assim, no campo moral, porque a inteligência, desenvolvida,
aumentou nossa possibilidade de escolha; aumentando o livre-arbítrio,
aumenta, também, a responsabilidade.
O progresso moral decorre, pois, do progresso intelectual.
Mas nem sempre o segue imediatamente.
O homem não passa subitamente da infância à madureza. Nem o espírito
passa,
também, de súbito, de um estado a outro.
Para entender se um ato é mesmo bom ou mau, é preciso que conheçamos
seus
efeitos mais ampla e longamente. Há coisas que, de momento, parecem
boas mas
depois revelam-se más (ex.: tentações).
Às vezes, demoramos a estabelecer conotação entre uma causa e efeito, por
isso erramos repetidamente (ex.: vício de fumar).
Enquanto estamos conhecendo (fase experimentação), às vezes aplicamos a
inteligência para a prática do mal, pensando que é um bem. Mesmo havendo
entendido que certo modo de agir é mau, teremos de lutar contra o hábito de
praticá-lo que havíamos cultivado.
Mas, ao final, pelo melhor entendimento, abandonaremos o mal e faremos
apenas o bem.
O progresso é determinação divina (uma das leis naturais).
Por esse determinismo divino, o espírito evolui até a perfeição sem nunca
retroceder. O espírito pode estacionar temporariamente em seu progresso,
se
não usar ou usar rnal as suas faculdades; mas nunca retrocede, pois jamais
perde sua natureza, nem suas qualidades e conhecimentos adquiridos.
O progresso dos espíritos é desigual, justamente porque depende do
livre-arbítrio de cada um (depende de como se encara e aproveita ou não as
experiências e de como se reage ao que nos acontece).
A meta final é a perfeição, ou seja, o desenvolvimento de nossas faculdades
no mais alto grau que podemos conceber.
Os espíritos a ela irão chegando mais ou menos rapidamente, de acordo
com o
seu empenho pessoal em progredir e a sua aceitação à vontade de Deus.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Céu e o Ìnferno", 1ª parte, cap. ÌÌÌ;
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, caps. Ì e VÌ e 3ª parte, caps. VÌÌÌ e X.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 18
PROVAS E EXPÌAÇÕES
Ì. PROVAS
Provas, em linguagem espírita, são situações que nos servem de
aprendizado
ou testam nossa capacidade.
A Providência Divina nos faz passar por provas porque são necessárias ao
nosso progresso intelecto-moral.
Sem as provas, não atingiríamos o pleno desenvolvimento de nossas
potencialidades nem teríamos merecimento para usufruirmos os benefícios
da
perfeição alcançada.
A vida corpórea nos enseja certo tipo de provas indispensáveis ao nosso
progresso espiritual.
As provas pelas quais teremos de passar numa existência terrena costumam
ser
definidas antes da encarnação, quando ainda estamos na erraticidade.
Uma boa escolha das provas é muito importante para que possamos ser
bem
sucedidos e tenhamos o maior progresso possível na nova encarnação.
a) O direito de escolha.
Se tivermos condições evolutivas para tanto, nós mesmos poderemos
escolher o
gênero de provas pelas quais haveremos de passar.
Escolhemos, apenas, o gênero das provações e não as coisas todas e
mínimas
de nossa vida terrena. As particularidades correrão por conta da posição em
que nos acharmos e de como as formos enfrentando.
Exemplo: escolhendo nascer entre malfeitores, o Espírito sabe a que
arrastamentos se vai expor e quer, justamente, superar essas dificuldades.
Ìgnora, porém, que atos virá a praticar, pois vão depender do exercício do
seu livre-arbítrio, quando encarnado.
Somente são previstos os fatos principais, os que devem concorrer para o
destino que Deus nos deu: o de evoluirmos para a perfeição. Os
acontecimentos secundários se originarão das circunstâncias.
Se Deus nos permite a escolha de uma prova é que temos possibilidades de
nela triunfar. Deixando-nos a liberdade de escolha, Deus nos deixa,
obviamente, a inteira responsabilidade pelos nossos atos e as
conseqüências que eles tiverem.
Os bons Espíritos podem nos ajudar a examinarmos as possibilidades, a fim
de
que tenhamos chance de acertar mais na escolha das provas, mas não
decidem
por nós.
b) Quando ainda não sabemos escolher.
O espírito que ainda não tem experiência suficiente, não pode escolher com
conhecimento de causa as provas pelas quais passará numa nova
existência,
nem ser responsável por essa escolha.
Deus, então, lhe supre a inexperiência, através dos Espíritos Superiores,
que lhe traçam o caminho que ele deve seguir, como fazemos com a criança.
Mas será sempre responsável pelo que fizer, pelo que causar, quando
enfrentar essas provas.
À medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, Deus deixa-o senhor de
proceder à escolha. É então que lhe pode acontecer extraviar-se, tomando o
mau caminho, por desatender aos conselhos dos bons Espíritos. A isso é que
se pode chamar a "queda" do homem, "queda" que acarreta para o espírito
maiores males e sofrimentos, até que ele volte a se reabilitar ante as leis
divinas.
ÌÌ. EXPÌAÇÕES
Para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências são necessários: o
arrependimento, a expiação e a reparação.
a) Arrependimento.
Por si só não basta para a reabilitação mas é o primeiro passo. Suaviza as
angústias da expiação e, aliado à esperança, abre o caminho para que o
espírito se recupere.
Pode se dar aqui ou no plano espiritual e em qualquer tempo. Se demora a
se
arrepender, o culpado sofre por mais tempo.
b) Expiação.
Consiste nos sofrimentos físicos e morais conseqüentes à falta, seja na vida
atual ou na espiritual, após a morte ou, ainda, em nova existência corporal.
Varia segundo a natureza e gravidade da falta. A mesma falta pode acarretar
expiações diversas, conforme as circunstâncias atenuantes ou agravantes,
em
que for cometida. Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e
duração da expiação. A única lei geral é que toda falta terá punição, e terá
recompensa todo ato meritório, segundo o seu valor.
Deus também não apressa a expiação. Mas se o espírito não se mostra apto
a
compreender o que lhe seria mais útil, Deus pode lhe impor uma existência
que vai servir para a sua purificação e progresso.
A expiação termina quando os últimos vestígios da falta desaparecerem.
c) Reparação.
Consiste em:
1) Fazer àqueles a quem se prejudicou, tanto bem quanto mal se lhes tenha
feito;
2) Realizar o que deveria ter sido feito e foi descurado. Ex.: cumprir
deveres desprezados, missões não preenchidas.
A reparação, enfim, é praticar o bem em compensação ao mal praticado.
Tornar-se humilde se se tem sido orgulhoso, amável se se foi severo,
caridoso se se tem sido egoísta, benigno se se tem sido perverso, laborioso,
se se tem sido ocioso, útil se se tem sido inútil, frugal se se tem sido
intemperante.
Quem não repara seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade,
terá
de fazê-lo numa próxima reencarnação.
ÌÌÌ. ENFRENTANDO O DESTÌNO
O único destino fatal que Deus criou para todos os Espíritos é o de se
aperfeiçoarem incessantemente, usufruindo cada vez mais felicidades.
Porém, ao longo das existências, cada qual construiu para si mesmo
situações, necessidades e deveres particulares. Esse é o seu destino
pessoal.
Precisamos enfrentar corajosamente o destino que criamos.
Tendo escolhido ou não as nossas provas, lancemo-nos à boa luta da
evolução
em que o espírito ordena e o corpo obedece, evitando ou suportando o mal e
construindo o bem.
Ante as expiações, soframos com paciência e resignação, empenhando-nos
em
fazer todo o bem possível, para compensar o mal anteriormente praticado.
Assim, transformaremos o próprio destino para melhor.
"Entrai pela porta estreita", convida-nos Jesus, "porque larga é a porta, e
espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por
ela; estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há
que a encontrem". (Mt. 7:13/14.)
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Céu e o Ìnferno", 1ª parte, cap. VÌÌ, Código Penal da Vida Futura,
itens 16 e 17;
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, cap. VÌ, Da Vida Espírita.
De Emmanuel:
- "Emmanuel", psicografia de Francisco C. Xavier, FEB, cap. XXXÌÌ, Dos
Destinos.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 19

A REENCARNAÇÃO
Ì. A VOLTA DO ESPÍRÌTO À VÌDA CORPÓREA
a) Metempsicose.
Na Antigüidade, povos da Ásia (como os indus), da África (os egípcios) e da
Europa (gregos, romanos e os celtas) acreditavam que o espírito do homem
poderia voltar a viver na Terra em uma nova existência. Alguns deles
acreditavam que pudesse vir a animar um corpo de animal e vice-versa,
teoria esta denominada de Metempsicose.
Esclarece a Doutrina Espírita que essa volta em corpo animal é impossível,
pois o espírito nunca retrocede no grau de evolução alcançado, podendo
apenas estacionar, temporariamente.
b) Ressurreição.
Era crença entre os judeus antigos a idéia de que uma pessoa, depois de
morta, podia ressuscitar, isto é, ressurgir, reaparecer neste mundo. Diziam
ressurreição para qualquer manifestação do espírito, fosse em vidência,
aparição, materialização.
Algumas religiões atuais falam de ressurreição como a volta à vida no
mesmo corpo.
A Ciência demonstra, porém, que a ressurreição da carne é materialmente
impossível já que, com a morte, o corpo entra em decomposição e as
substâncias que o compunham se transformam e são reaproveitadas dentro
do ciclo biológico.
E o apóstolo Paulo também já esclarecia que "a carne e o sangue não
podem herdar o reino dos céus", (1 Cor. 15, v. 50) e que é "espiritual" o corpo
(perispírito) com o qual continuamos a viver no Além e com o qual
ressurgimos, reaparecemos, após a morte física (v. 45).
No Evangelho encontramos menções de pessoas que teriam sido
"ressuscitadas" por Jesus (Lázaro; o filho da viúva de Naim; a filha de Jairo,
chefe da sinagoga de Cafarnaum). É que, naquele tempo, confundiam com a
morte os estados de catalepsia ou de letargia; nesses estados anormais e às
vezes patológicos, há perda temporária da sensibilidade e do movimento e
rigidez muscular plástica; na catalepsia isso é parcial; é geral na letargia, um
sono patológico que dá ao corpo a aparência de morte real. Jesus não
"ressuscitou" aquelas pessoas; o que fez foi corrigir com seu magnetismo
superior o estado físico doentio, anormal, e ordenar com sua autoridade
moral, que seus espíritos retomassem a atividade normal através do corpo,
que ainda não havia morrido e do qual, portanto, ainda não se haviam
desligado totalmente.
c) Reencarnação.
A Doutrina Espírita não endossa a teoria da Metempsicose nem a da
Ressurreição da carne. O que o Espiritismo prega é a Reencarnação, ou
seja: o espírito, sendo imortal, não se desfaz com o corpo físico, continua a
viver com o seu próprio corpo espiritual (perispírito) e pode voltar a se ligar
com a matéria, formando um novo corpo, para viver outra existência na
Terra.
É uma ressurreição, um ressurgimento do espírito na carne mas não a
ressurreição da carne.
ÌÌ. PARA QUÊ, ONDE E ATÉ QUANDO O ESPÍRÌTO REENCARNA?
a) Para quê?
Deus nada inútil faz. Se o espírito reencarna, é para cumprir desígnios
divinos. Reencarnando, o espírito:
- coopera na obra da criação;
- adquire experiências (provas);
- expia erros passados (resgates);
- progride sempre (evolução).
b) Onde?
O espírito reencarna muitas vezes num mesmo mundo, apropriado ao seu
grau de evolução, ou em mundos semelhantes, e em cada nova existência
tem a oportunidade de dar um passo na senda do progresso, despojando-se
de suas
imperfeições.
À medida que progride, se nada mais tiver a aprender num mundo, o espírito
passará a reencarnar em outro mundo mais evoluído. E, assim,
sucessivamente.
Poderá, também, reencarnar em mundo inferior ao seu grau de evolução, se
for para executar ali uma missão que impulsione o progresso dos seus
habitantes.
c) Até quando?
Muito numerosas são as reencarnações, porque o progresso do espírito é
lento, quase infinito.
E não há como delimitar o número de encarnações que cada um terá de
cumprir
em cada globo, pois o espírito evolui mais depressa ou mais devagar,
segundo
o seu livre-arbítrio.
Mas certamente há, no programa divino, uma previsão de tempo para que
cada humanidade alcance determinado grau médio de progresso. Ao se
atingir esse limite, os retardatários serão retirados do meio que progrediu
mais e encaminhados para continuar o seu progresso em mundos inferiores,
com os quais ainda se afinam.
Quando se tornar um puro espírito, o espírito não reencarnará mais,
justamente porque, já tendo alcançado o progresso possível nos mundos
corpóreos, não mais precisará se ligar a um mundo material.
ÌÌÌ. DE UMA ENCARNAÇÃO PARA OUTRA
Como, nas diversas encarnações, o espírito é o mesmo, em sua nova
existência o homem pode conservar semelhanças de manifestações e traços
do caráter moral das existências anteriores.
Sofrerá porém, as modificações dos costumes de sua nova posição social.
Ex.: se de senhor ele se torna escravo, suas inclinações poderão ser
diferentes e haveria dificuldade em reconhecê-lo, ante a influência do meio,
da educação etc.
Também poderá ter melhorado moralmente, poderá ter ocorrido um
aperfeiçoamento considerável, que venha a mudar bastante o seu caráter.
Ex.: de orgulhoso e mau pode ter-se tornado humilde e fraterno, desde que
se haja
arrependido por compreender o que é verdadeiro e bom.
O novo corpo não tem nenhuma relação com o antigo, que foi destruído.
Entretanto, o espírito se reflete no corpo; embora este seja apenas matéria, é
modelado pelas qualidades do espírito, que lhe imprimem uma certa
característica, principalmente ao semblante; com razão, pois, apontam os
olhos como o espelho da alma, ou seja, que o rosto, mais particularmente,
reflete a alma. Não se confunda, porém, beleza física, aparência corpórea,
com qualidades morais e espirituais.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, caps. ÌÌÌ, ÌV, V e VÌÌ.
De Gabriel Delanne:
- "A Reencarnação".
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 20
ARGUMENTANDO SOBRE A REENCARNAÇÃO
Ì. ARGUMENTOS FÌLOSÓFÌCOS
Sem a reencarnação, cada pessoa que nasce seria um espírito novo, criado
por
Deus para, numa única existência terrena, alcançar a perfeição e a
felicidade espiritual, indo gozar para sempre o céu, ou, em caso contrário
penar eternamente no inferno. Nesse caso:
- por que não somos hoje como os homens das cavernas? Nosso progresso
significaria que, ao longo dos séculos, Deus se aperfeiçoou na arte de
criar? E seria justo os criados por último estarem gozando de melhores
condições de corpo e de meio ambiente que os primitivos?;
- por que uns nascem saudáveis e outros enfermos? Uns inteligentes e
outros
débeis mentais? Uns ricos e outros miseráveis? Não sendo iguais as
situações
de vida, como exigir que todos alcancem os mesmos resultados?;
- quem mesmo se aplicando muito, consegue numa só vida a perfeição (o
desenvolvimento de todas as suas potencialidades e o pleno conhecimento
do
mundo material e espiritual) e a felicidade (por saber usar de tudo com
acerto e equilíbrio, retirando os melhores efeitos)? A obra de Deus ficaria
incompleta ou condenada para sempre? Não tem Ele poder para completá-la
ou
dirigi-la? Ou já nos criou sabendo disso, que não conseguiríamos a perfeição
nessa vida única?
Então, não seria bondoso.
Com a reencarnação que se conjuga à idéia de evolução, temos conclusões
inteiramente outras:
1) Deus é justo. Cria todos os seres iguais e a todos dá as mesmas
oportunidades.
As diferenças entre os indivíduos explicam-se pelo grau de evolução em que
cada ser se encontra. Uns viveram mais e por isso ostentam maior
desenvolvimento intelectual e moral. Outros ou não aproveitaram bem as
oportunidades de progresso ou ainda não tiveram muitas existências, por
isso
se apresentam em menor evolução. Diferentes são as dificuldades e
problemas
enfrentados pelas pessoas, porque cada qual tem uma necessidade
diferente de
experiências para o seu progresso atual. Mas não há acaso ou injustiça
divina, nem mesmo nas diferenças devidas à:
a) Hereditariedade: dependem da ligação que o espírito tenha com a família
em que renasce e das condições que tenha em seu perispírito para
aproveitar,
sofrer ou superar os fatores hereditários.
b) Meio ambiente: se o espírito renasce nesse meio é porque tem ligações
com
ele ou precisa das experiências que ele enseja, para valer-se das boas
influências e superar as más.
2) Deus é bondoso. Nunca nos condena e, embora cada um receba segundo
suas obras, todos terão tantas oportunidades quantas necessárias para
resgatarem seus erros e evoluírem.
3) Deus é poderoso. Criou-nos para a perfeição e a felicidade e seu desígnio
se cumprirá, pois todos nós as alcançaremos, através das vidas sucessivas.
ÌÌ. ARGUMENTOS CÌENTÍFÌCOS
Conquanto em todos os lugares e povos, e em todos os tempos, haja
evidências sobre a reencarnação, ainda não podemos dizer que ela esteja
comprovada, segundo os atuais cânones da Ciência, que tudo reporta ao
plano da matéria e precisa que os fenômenos se repitam de urna forma que
possa provocar e controlar para então observá-los, entendê-los e explicá-los.
A reencarnação, porém, é um processo que transcende a vida física (embora
parte dela se dê no mundo material). E é, também, um processo de vida que
não está nas mãos do homem fazer parar ou repetir, para observá-lo.
Porém pesquisas modernas vêm dando uma abertura neste campo e já se
tem
conseguido dados significativos a respeito, através de:
a) Lembranças espontâneas.
Há pessoas que, conscientemente ou em sonhos, se lembram de algumas
de suas existências passadas.
O Dr. Banerjee, da índia, e o Dr. Yan Stevenson dos EUA, pesquisaram a
respeito; o Dr. Yan Stevenson escreveu "20 Casos que Sugerem
Reencarnação".
b) Regressão da memória pela hipnose.
Hipnotizada, a pessoa passa a lembrar e relatar seu passado nesta
encarnação
e, em certos casos, chega a recordar uma ou mais existências anteriores,
descrevendo fatos, acontecimentos dessas encarnações passadas. Livros
têm
sido escritos a respeito dessas pesquisas, como o da psicóloga americana
Helen Wanbach, intitulado "Life Before Life".
Mais recentemente, surgiu nos EUA, uma técnica psicológica, lançada pelo
Dr.
Morris Netherton, para a regressão da memória a vivências passadas (desta
ou
de outras encarnações) feita em estado de lucidez (não é por hipnose) e com
finalidade terapêutica. É a Terapia de Vidas Passadas (TVP), que está sendo
chamada de Terapia Regressiva a Vivências Passadas (TRVP), porque nem
sempre
o que se detecta no paciente é da vida passada, mas desta existência.
c) Anúncios de Reencarnação futura.
Por revelações mediúnicas ou por via anímica (percepção do próprio
encarnado), às vezes são feitos anúncios de que um determinado espírito vai
reencarnar e são dados sinais precisos para a sua identificação, quando do
nascimento, o que se cumpre depois, conforme fora anunciado.
ÌÌÌ. ARGUMENTOS RELÌGÌOSOS
Nas tradições e na literatura religiosa de muitos povos e épocas,
encontraremos o registro da idéia da reencarnação e ensinos a respeito. Mas
como, aqui no Brasil, nosso povo está mais ligado as idéias religiosas da
Bíblia, a ela recorreremos.
No Velho como no Novo Testamento, há passagens sobre reencarnação.
Citaremos, do Novo Testamento, uma passagem em que Jesus a ensina
teoricamente, outra em que indica estar reencarnado entre eles naquela
época, alguém que no passado fora muito conhecido e respeitado, e uma
terceira em que reafirma essa reencarnação.
1. O diálogo de Jesus com Nicodemos
______________________________________________
"Ora, entre os fariseus, havia um homem chamado Nicodemos, principal dos
Judeus, que veio à noite ter com Jesus e lhe disse:
"- Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus, porque ninguém poderia
fizer
os sinais que tu fazes, se Deus não estivesse com ele.
"- Em verdade, em verdade te digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se
não
nascer de novo.
"- Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de
sua mãe, para nascer pela segunda vez?
"- Em verdade, em verdade te digo: Se um homem não nasce da água e do
espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne
e o que é nascido do Espírito é Espírito.
"Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. O
vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem,
nem para onde ele vai; o mesmo se dá com todo aquele que é nascido do
espírito.
"- Como pode isto fazer-se?
"- Pois que! és mestre em Ìsrael e ignoras estas coisas?
"Digo-te em verdade que não dizemos senão o que sabemos, e que não
damos
testemunho senão do que temos visto, entretanto, não aceitais o nosso
testemunho. Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra,
como me crereis, quando vos fale das coisas do Céu?"
(João, cap. 3 vs. Ì a Ì 2. )
______________________________________________
Neste diálogo, Jesus ensina teoricamente a reencarnação. Nicodemos
pensou no mesmo corpo nascendo de novo (o que não é possível). Jesus
corrigiu esse
erro: "o que é nascido da carne é carne", o corpo segue a lei natural da
decomposição da matéria; reafirmou que para "entrar no reino de Deus"
(alcançar planos espirituais elevados) há necessidade de renascer tanto da
água (símbolo da matéria) como do espírito; ou seja, reencarnar no mundo
material mas também renovar-se intimamente, progredir. Usou o ar (pneuma,
símbolo do elemento espiritual) como comparação para explicar que
sentimos a
presença e manifestação do espírito reencarnado, através do seu novo
corpo,
mas não podemos identificar de onde veio (o passado é providencialmente
esquecido) nem apontar-lhe um futuro (vai depender do seu livre-arbítrio).
2. Jesus afirma duas vezes que João Batista era Elias reencarnado
a) Após dar seu testemunho sobre João Batista.
_____________________________________________
- Desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos
céus é tomado pela força e são os que se esforçam que se apoderam
dele; porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.
E se quereis reconhecer, ele mesmo é Elias que estava para vir.
Ouça-o aquele que tiver ouvidos de ouvir.
(Mateus, 11 vs. 12/15.)
______________________________________________
b) Na transfiguração.
Quando Jesus se transfigurou, apareceram ao seu lado, conversando com
ele,
Moisés e Elias, ambos espíritos há muito desencarnados.
As profecias diziam que Elias tinha de vir antes do Cristo...
Se Jesus era o Cristo, como é que Elias ainda estava no plano espiritual?
Para esclarecerem essa dúvida, os discípulos perguntaram a Jesus:
______________________________________________
- Não dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?
- É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas; mas eu vos
declaro que Elias já veio e eles não o reconheceram e o trataram como lhes
aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem.
Então, os discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara.
(Mateus, 17 vs. 10/13; Marcos, 9 vs. 11/13.)
______________________________________________
Reencarnando como João Batista, Elias voltara à Terra e fizera o seu papel
de precursor do Cristo. Depois, fora decapitado e retornara ao mundo
espiritual de onde agora se apresentava de novo, ao lado de Jesus e à vista
dos seus discípulos, num fenômeno de materialização.
ÌV. CONCLUSÕES
Estudando racionalmente a teoria da reencarnação:
- encontramos argumentos filosóficos, científicos e religiosos a embasá-la;
- reconhecemos ser ela uma lei divina a nos ensejar o progresso incessante
(pois é porta sempre aberta aos nossos esforços evolutivos);
- verificamos que nela se evidenciam de modo sublime o poder, a justiça e a
bondade de Deus.
"Nascer, Morrer, Renascer, ainda e progredir sempre, tal é a lei". (Frase
que se encontra no dólmen do túmulo de Allan Kardec, em Paris.)
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. ÌV.
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, cap. ÌV.
Da Bíblia:
- "Novo Testamento".
De Gabriel Delanne:
- "A Reencarnação".
De Torres Pastorino:
- "A Sabedoria do Evangelho", 3° e 4° volumes.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 21
DESENCARNAÇÃO
Ì. DEFÌNÌÇÃO
Ao encarnar, o espírito se liga à matéria através de seu perispírito e sob a
influência do princípio vital.
Quando o corpo morre, não mais oferece condições para que o espírito o
anime. Então, há o desligamento do perispírito e o espírito, liberto,
retorna ao mundo espiritual.
Desencarnação, portanto, é o processo pelo qual o espírito se desprende do
corpo, em virtude da cessação da vida orgânica e, conservando o seu
perispírito, volta à vida espírita.
ÌÌ. SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO
O desprendimento do perispírito em relação ao corpo:
a) Opera-se gradativamente, pois os laços fluídicos que o ligam ao corpo não
se quebram mas se desatam.
b) Processa-se dos pés para a cabeça, sendo o cérebro o último ponto a se
desligar.
No instante da agonia, quando esse desligamento está se processando, o
desencarnante costuma ter uma visão panorâmica, rápida e resumida mas
viva e fiel, dos pontos principais da existência terrena que está findando.
Logo após a desencarnação, o espírito entra em um estado de perturbação
espiritual. Como estava acostumado às impressões dos órgãos dos sentidos
físicos, fica confuso, como quem desperta de um longo sono e ainda não se
habituou, de novo, ao ambiente onde se encontra. A lucidez das idéias e a
lembrança do passado irão voltando, à medida que se destrói a influência da
matéria.
ÌÌÌ. O QUE ÌNFLUÌ NO PROCESSO DA DESENCARNAÇÃO?
O processo todo da desencarnação e reintegração à vida espírita dependerá:
a) Das circunstâncias da morte do corpo.
Nas mortes por velhice, a carga vital foi-se esgotando pouco a pouco e, por
isso, o desligamento tende a ser natural e fácil e o espírito poderá superar
logo a fase de perturbação.
Nas mortes por doença prolongada, o processo de desligamento também é
feito
pouco a pouco, com o esgotamento paulatino da vitalidade orgânica, e o
espírito vai-se preparando psicologicamente para a desencarnação e se
ambientando com o mundo espiritual que, às vezes, até começa a entrever,
porque suas percepções estão transcendendo ao corpo.
Nas mortes violentas (acidentes, desastres, assassinatos, suicídios etc.) o
rompimento dos laços que ligam o espírito ao corpo é brusco e o espírito
pode sofrer com isso, e a perturbação tende a ser maior. Em casos
excepcionais (como o de alguns suicidas), o espírito poderá sentir-se por
algum tempo, "preso" ao corpo que se decompõe, o que lhe causará
dolorosas
impressões.
b) Do grau de evolução do espírito desencarnante.
De modo geral, quanto mais espiritualizado o desencarnante, mais
facilmente
consegue desvencilhar-se do corpo físico já sem vida. Quanto mais material
e
sensual tiver sido sua existência, mais difícil e demorado é o
desprendimento.
A perturbação natural por se sentir desencarnado é menos demorada e
menos
dolorosa para o espírito evoluído. Quase que imediatamente ele reconhece
sua
situação, porque, de certa forma, já vinha se libertando da matéria antes
mesmo de cessar a vida orgânica (vivia mais pelo e para o espírito). Logo
retoma a consciência de si mesmo, percebe o ambiente em que se encontra
e vê os espíritos ao seu redor. Para o espírito pouco evoluído, apegado à
matéria, sem cultivo das suas faculdades espirituais, a perturbação é difícil,
demorada, sendo acompanhada de ansiedade, angústia, e podendo durar
dias, meses e até anos.
O conhecimento do Espiritismo ajuda muito o Espírito na desencarnação,
porque não desconhecerá o que se está passando e poderá favorecer o
processo, sem se angustiar desnecessariamente e procurando recuperar-se
mais rápido da natural perturbação. Entretanto, a prática do bem e a
consciência pura é que pode assegurar um despertar pacífico na Pátria
Espiritual.
ÌV. A AJUDA ESPÌRÌTUAL
A bondade divina, que sempre prevê e provê o que precisamos, também não
nos falta na desencarnação.
Por toda a parte, há Bons Espíritos que, cumprindo os desígnios divinos, se
dedicam à tarefa de auxiliar na desencarnação os que estão retornando à
vida
espírita.
Alguns amigos e familiares (desencarnados antes) costumam vir receber e
ajudar o desencarnante na sua passagem para o outro lado da vida, o que
lhe
dá muita confiança, calma e, também, alegria pelo reencontro.
Todos receberão essa ajuda, normalmente, se não apresentarem problemas
pessoais e comprometimento com espíritos inferiores. Em caso contrário, o
desencarnante às vezes não percebe nem assimila a ajuda ou é privado
dessa
assistência, ficando à mercê de espíritos inimigos e inferiores, até que os
limites da lei divina imponham um basta à ação destes e o Espírito rogue e
possa receber e perceber a ajuda espiritual.
V. DEPOÌS DA MORTE
Após desligar-se do corpo material, o espírito conserva sua individualidade,
continua sendo ele mesmo com seus defeitos e virtudes.
Sua situação, feliz ou não, na vida espírita será conseqüência da sua
existência terrena e de suas obras. Os bons sentem-se felizes e no
convívio de amigos; os maus sofrem a conseqüência de seus atos; os
medianos experimentam as situações de seu pouco preparo espiritual.
Através do perispírito, conserva a aparência da última encarnação, já que
assim se mentaliza. Mais tarde, se o puder e desejar, a modificará.
Depois da fase de transição, poderá estudar, trabalhar e preparar-se para
nova existência, a fim de continuar evoluindo.
VÌ. SORTE DAS CRÌANÇAS APÓS A MORTE
- Que significado ou valor espiritual pode ter a vida de alguém que
desencarnou ainda bebê?
Essa curta vida teve também sua finalidade e proveito, do ponto de vista
espiritual. Pode ter sido, por exemplo:
- uma complementação de encarnação anterior não aproveitada
integralmente;
- uma tentativa de encarnação que encontrou obstáculos no organismo
materno, nas condições ambientes ou no desajuste perispiritual do próprio
reencarnante; serviu, então, para alertar quanto às dificuldades e ensejar
melhor preparo em nova tentativa de encarnação;
- uma prova para os pais (a fim de darem maior valor à função geradora,
testemunharem humildade/resignação), ou para o reencarnante (a fim de
valorizar a reencarnação como bênção).
- Qual é, no Além, a situação espiritual de quem desencarnou criança?
É a mesma que merecia com a a existência anterior ou que já tinha na vida
espiritual porque na curta vida como criança, nada pôde fazer de bom ou de
mal que alterasse sua evolução, que representasse um desenvolvimento, um
progresso.
Mas pode estar melhor na sua conscientização e no seu equilíbrio espiritual,
e, também, ter reajustado, no processo de ligamento e desligamento com o
corpo, algum problema espiritual de que fosse portador. (anomalias,
desajustes no perispírito).
- Como são vistos os espíritos de quem desencarnou criança?
Uns se apresentam "crescidos" perispiritualmente e até já em forma adulta,
pois como espíritos não têm a idade do corpo.
Se desejam se fazer reconhecidos pelas pessoas com quem conviveram,
podem se apresentar com a forma infantil que tiveram.
Se vão ter de reencarnar em breve, poderão conservar a forma infantil no
seu
perispírito, que facilitará o processo de nova ligação à matéria.
VÌÌ. COMEMORAÇÕES FÚNEBRES
Variados são os costumes, idéias e atitudes que a sociedade e a religião
adotam, ante os corpos mortos e os espíritos que os deixaram.
O espírita respeita tais procedimentos mas nem a todos aceita; e, nos que
aceita, age sempre em função da realidade espiritual e não das aparências.
Assim, o espírita:
- Nos velórios: Não se desespera; mantém-se em atitude respeitosa, pois
sabe
que o espírito desencarnante está em delicada fase de desprendimento do
corpo e de transformação de sua existência. Não usa velas, coroas, flores,
pois o espírito não precisa dessas exterioridades; mas procura oferecer o
que o desencarnante realmente precisa, que é o respeito à sua memória,
orações, pensamentos carinhosos em favor de sua paz e amparo no mundo
espiritual. É fraterno com os familiares e amigos do desencarnante,
ajudando-os no que puder;
- Nos sepultamentos: Não adota luxo nem ostentação nem se preocupa em
erigir túmulos; mas lembra sempre com afeto os entes queridos já
desencarnados e procura honrá-los com atos bons e carinhosos em sua
homenagem.
- Ora sempre pelo bem estar e progresso espiritual dos desencarnados mas
sabe que não é indispensável ir aos cemitérios para isso, porque as
vibrações alcançam o espírito, onde quer que ele esteja.
VÌÌÌ. CREMAÇÃO DE CADÁVERES; TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS
O corpo é uma veste e um instrumento muito valioso e útil para o espírito,
enquanto encarnado. Depois de morto, nenhuma utilidade mais tem para o
espírito que o animou. Poderá vir a ser cremado ou lhe serem retirados
órgãos para transplantarem quem os necessite, sem que nada disso traga
qualquer prejuízo real para o espírito desencarnado.
Pensam alguns que se o seu corpo for queimado ou lesado haverá prejuízo
para
a sua ressurreição no mundo espiritual. Entretanto, não é o corpo material
que continua a viver além túmulo nem é ele que irá ressurgir, reaparecer,
mas sim o espírito com o seu corpo fluídico (perispírito), que nada tem a
ver com o corpo que ficou na Terra.
No caso de cremação, é recomendável um intervalo razoável após a morte
(Emmanuel diz 72 horas), a fim de se ter maior segurança de que o
desligamento perispiritual já se completou.
No caso de doação de órgãos, basta que as pessoas se acostumem com a
idéia de a fazerem de boa vontade e estejam bem esclarecidas a respeito.
Encarnados doam órgãos por amor para ajudar alguém, e não receiam
qualquer
sofrimento ou inconveniente que isso lhes traga. Porque não doar órgãos
depois de estar morto o nosso corpo, quando eles já nem nos servem mais e
nem sofreremos quando forem retirados do corpo que houvermos
abandonado?
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "A Gênese", cap. XÌ, itens 18-22;
- "O Livro dos Espíritos", perguntas 68, 149-165, 197-199 e 320-329.
De Ariovaldo Cavarzan e Geziel Andrade:
- "O Regresso"(O Retorno à Vida Espiritual segundo o Espiritismo).
De Ernesto Bozzano:
- "Experiências Psíquicas no Momento da Morte";
- "Na Crise da Morte".
Curso Básico de Espiritismo - Capítulo 22
PAÌS E FÌLHOS À LUZ DA REENCARNAÇÃO
Ì. O QUE OS PAÌS TRANSMÌTEM AOS FÌLHOS?
Não são os pais que criam o Espírito de seu filho.
Nem é verdade que os pais transmitam aos filhos
parte de sua própria alma. Porque o corpo procede
do corpo mas o Espírito não procede do Espírito.
O que os pais fazem é fornecer aos filhos o
invólucro que, quase sempre, tem uma semelhança
física e de disposições orgânicas por causa da
hereditariedade, que rege a formação do corpo
material.
A essa vida animal que os pais transmitem aos
filhos, uma nova alma, a do filho, vem se juntar
trazendo a vida moral.
Os pais jamais transmitem aos filhos a semelhança
moral, porque se trata de espíritos diferentes.
As semelhanças morais que existem, às vezes, entre
pais e filhos vêm do fato de serem eles espíritos
simpáticos, atraídos pela afinidade de suas
inclinações. Podem ser, também, resultado da
educação, pois o espírito dos pais exerce, e
muito, influência sobre os espíritos dos filhos,
após o nascimento.
ÌÌ. EDUCAR É MÌSSÃO DOS PAÌS
As crianças não são almas recém-criadas por Deus.
São espíritos com certa experiência e
desenvolvimento, pois já viveram muitas vidas
anteriormente. Trazem, como bagagem espiritual, as
conseqüências de seus acertos e, também de seus
erros, o que pode estar simbolizado na antiga
idéia de "pecado original".
Quando passa pelo estágio da infância física, o
Espírito está como que num repouso de atividade
mais intensa do seu eu. E se torna mais acessível
às impressões que recebe, porque o cérebro novo
registrará novos informes e estímulos. Costuma
apresentarse mais dócil, porque se encontra
dependente para com os seus responsáveis na vida
terrena.
É, pois, a infância o momento ideal para a ação
educativa, moralizante, que muito poderá ajudar o
Espírito em seu progresso na nova reencarnação.
E cabe ao espírito dos pais, em especial, a missão
de desenvolver o dos filhos pela educação,
procurando corrigir as tendências más que trazem e
cultivar as boas qualidades que têm em potencial,
como criatura de Deus.
Os pais não poderão, pelos pensamentos e preces,
determinar para o corpo do filho que vão gerar, um
bom espírito em lugar de um espírito inferior. Mas
podem melhorar o espírito da criança a que deram
nascimento e que lhes foi confiada. Esse é o seu
dever.
Filhos maus são uma prova para os pais. Pais bons
e virtuosos podem ter filhos até perversos, porque
um mau espírito pode pedir bons pais, na esperança
de que seus conselhos o dirijam por uma senda
melhor e, muitas vezes, Deus o atende.
Educar os filhos é tarefa que Deus confiou aos
pais e, se nela falharem, serão culpados. Mas se
fizeram tudo o que podiam e deviam pelo
adiantamento moral de seus filhos e eles é que não
aceitam a boa orientação, os pais podem ficar de
consciência tranqüila. A amargura que sentem por
não alcançarem o êxito esperado é suavizada pela
certeza de que, no futuro, ainda poderão concluir
a obra agora começada e que, um dia, os filhos
ingratos os recompensarão com o seu amor.
Todas as pessoas que convivem com a criança
também devem cooperar na sua educação, pois a
fraternidade nos faz responsáveis uns pelos
outros.
Em complementação à tarefa educadora dos pais, os
Centros Espíritas procuram organizar grupos para a
evangelização da infância, ou seja, para lhes
transmitir a moral evangélica, à luz do
Espiritismo.
ÌÌÌ. SEMELHANÇAS ENTRE ÌRMÃOS
Muitas vezes há semelhanças de caráter entre
irmãos, sobretudo entre gêmeos, o que pode ser
explicado por:
- influência da educação igual que tiveram e a que
foram acessíveis; ou
- por serem espíritos simpáticos e afins entre si.
Porém, não é regra geral essa semelhança. Às
vezes, há aversão entre irmãos, mesmo gêmeos,
porque são espíritos desafetos, diferentes ou
maus, que precisam estar juntos para seu mútuo
progresso no cenário da vida terrena.
Gêmeos siameses: são os gêmeos que nascem com os
corpos ligados ou, até mesmo, com certos órgãos em
comum. Havendo duas cabeças pensantes, é que ali
estão dois espíritos habitando num mesmo conjunto
físico. Somente serão semelhantes entre si, quanto
a sentimento e comportamento, se forem afins
espiritualmente.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", caps. ÌV e XÌV;
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, cap. ÌV.
De Hermínio C. Miranda:
- "Nossos Filhos São Espíritos".
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 23
A FAMÍLÌA À LUZ DA REENCARNAÇÃO
Ì. A FAMÍLÌA ESPÌRÌTUAL
Encarnados ou não, todos somos espíritos criados
por Deus e, portanto, irmãos. A humanidade inteira
é, assim, uma só família.
No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias,
quando se entrelaçam pela afeição, simpatia e
semelhança das inclinações. Ditosos por se
encontrarem juntos, esses espíritos se buscam uns
aos outros.
A encarnação apenas momentaneamente e parcialmente
os separa, porquanto, se uns encarnam e outros
não, nem por isso deixam de estarem unidos pelo
pensamento. Os que se conservam livres velam pelos
que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se
esforçam por fazer que os retardatários progridam.
E, ao regressarem à erraticidade, novamente se
reúnem como amigos que voltam de uma viagem.
Muitas vezes até, uns seguem os outros na
encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma
família, ou num mesmo círculo de conhecimento e de
amizades, a fim de trabalharem juntos pelo seu
mútuo adiantamento.
Como vemos, a verdadeira família é a espiritual,
em que os espíritos estão unidos pela afinidade,
antes, durante e depois das encarnações.
A uma família espiritual é que Jesus se referia,
quando afirmou: "... qualquer que fizer a vontade
de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, e
irmã e mãe". (Mc. 3:31/35.)
Se queremos pertencer à família espiritual de
Jesus, procuremos obedecer às lei divinas, como
Jesus faz.
ÌÌ. A FAMÍLÌA CORPORAL
Reencarnando na Terra, formamos uma família
corporal (consangüínea e de parentesco). Nela
poderemos ter alguns elementos que também sejam de
nossa família espiritual. Outra parte de nosso
grupo espiritual, porém, continua habitando no
mundo invisível, no Além.
- Com a reencarnação, a parentela aumentará
indefinidamente?
É o que receiam alguns. Mas não é pelo fato de ter
tido 10 encarnações, por exemplo, que alguém
encontrará no mundo espiritual 10 pais. 10 mães.
10 cônjuges e um número proporcional de filhos e
novos parentes. Encontrará, apenas, aqueles com
que estiver relacionado pela afinidade e pela
afeição, ou pela responsabilidade.
- A reencarnação destrói os laços de família?
Assim julgam outros, porque de fato, a idéia de
pessoas unidas apenas entre si e unicamente por
serem todas do mesmo sangue perde sua importância
ante a lei da reencarnação. Mas não vemos que
laços de sangue e parentesco terreno muitas vezes
se extinguem com o tempo ou se dissolvem
moralmente já nesta vida? Aos laços, porém, que
unem a verdadeira família espiritual a
reencarnação não destrói mas fortalece e aperta
cada vez mais.
A unicidade da existência, sim, é que romperia
qualquer laço familiar porque, nesse caso, os
familiares não estariam ligados antes do
nascimento e poderiam não estar ligados depois,
pela diferença da posição espiritual que viessem a
ocupar e que seria para sempre, como pensam os que
acreditam em céu e inferno.
ÌÌÌ. A FAMÍLÌA QUE TEMOS
Uma "família espiritual", significando um grupo
com o qual a pessoa se sinta inteiramente bem e no
qual nunca tenha problemas, é coisa que ainda
estamos construindo e que a maioria de nós não
possui, nem aqui, nem no Além. A família que temos
é tal como a fizemos até agora ou tal como dela
precisamos para nossa evolução. Nela há um variado
tipo de pessoas (afins ou não conosco) e foi
formada em função de nossas expiações, de nossa
necessidade de aprendizado ou, ainda, de nosso
desejo de realizarmos boas obras.
Nossos familiares são pessoas:
- com as quais combinamos bem;
- bem diferentes de nós (testam nossas virtudes ou
nos ensinam aspectos diferentes da vida);
- às quais estamos ligados de vidas anteriores,
porque devemos algo a elas ou elas a nós;
- precisam de nós (a quem podemos ajudar com nosso
amor e entendimento).
Motivo da ligação conosco:
- afinidade;
- provas e aprendizado;
- reajuste e reconciliação;
- oportunidade de servir.
ÌV. COMO AGÌR EM FAMÍLÌA?
"Ninguém possui sem razão esse ou aquele laço de
parentesco, de vez que o acaso não existe nas
obras da Criação. Nos elos da consangüinidade,
reavemos o convívio de todos aqueles que se nos
associaram ao destino, pelos vínculos do bem ou do
mal, através das portas benditas da reencarnação".
(Emmanuel, em "Leis de Amor", psicografia de
Francisco C. Xavier.)
Na família, pois, além das funções terrenas (que
o conhecimento humano já identificou e valoriza),
o espírita vê muito mais:
- uma ligação maior que a simples necessidade ou
dependência materiais;
- uma finalidade transcendente e não somente o
objetivo de uma existência.
Para essa realização espiritual "em família":
"Devemos revestir-nos de paciência, amor,
compreensão, devotamento, bom ânimo e humildade, a
fim de aprender a vencer, na luta doméstica.
"No mundo, o lar é a primeira escola de
reabilitação e do reajuste". (Emmanuel, idem.)
"Teu lar é um ponto bendito do Universo em que te
é possível exercer todas as formas de abnegação a
benefício dos outros e de ti mesmo, perante Deus.
Pensa nisso e o amor te iluminará". (Emmanuel,
"Tarefas de Amor", do livro "No Portal da Luz".)
"Mas se alguém não tem cuidado dos seus e,
principalmente, dos de sua família, negou a fé."
(Paulo - 1 Timóteo, 5:8.)
V. OS POVOS SÃO FAMÍLÌAS MAÌORES
Um povo é uma grande família, em que se reúnem
espíritos simpáticos. A tendência a se unirem é a
origem da semelhança que determina o caráter
distintivo de cada povo. Acrescentemos aqui que os
costumes, a educação, acentuam e constroem essa
semelhança.
Espíritos bons e humanos procurarão um povo duro e
grosseiro? Não. Os espíritos simpatizam com as
coletividades, como simpatizam com os indivíduos;
procuram o seu meio. A não ser quando vêm em
missão especial.
Mantenhamos fraternidade para com todos os povos e
nações mas procuremos fazer do Brasil um povo
ordeiro, trabalhador e cristão, para merecermos a
simpatia e proteção dos Bons Espíritos para nossa
pátria.
LÌVROS CONSULTADOS:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. ÌV
itens 18 a 23, e cap. XÌV, item 8;
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, cap. ÌV
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 24
DESÌGUALDADE DAS RÌQUEZAS
Ì. UTÌLÌDADE PROVÌDENCÌAL DA RÌQUEZA
O homem tem por missão trabalhar pela melhoria
material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo,
saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a
população que a sua extensão comporta.
Para realizar esses trabalhos, precisa de recursos
e a necessidade fez que ele criasse a riqueza,
como o fez descobrir a Ciência.
Sem a riqueza, não haveria mais grandes trabalhos,
nem atividade, nem estimulante para a ação, nem
pesquisas.
A atividade que esses mesmos trabalhos impõem ao
homem, lhe amplia e desenvolve a inteligência. A
inteligência que ele concentra, primeiro, na
satisfação das necessidades materiais, o ajudará
mais tarde a compreender as grandes verdades
morais.
A riqueza, pois, não é um mal em si mesma.
Bem utilizada, ela leva a Humanidade não só ao
progresso material e intelectual mas, também, ao
progresso moral.
Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba
tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos
crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao
homem, que dela abusa, como de todos os dons de
Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que mais
útil lhe poderia ser. É a conseqüência do estado
de inferioridade do mundo terrestre.
Se a riqueza somente males houvesse de produzir,
Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem
fazê-la produzir bem.
ÌÌ. DESÌGUALDADE DAS RÌQUEZAS
Que aconteceria se, acaso, se pudesse repartir
toda a riqueza da Terra com igualdade entre todos
os seus habitantes?
- A cada um caberia apenas uma parcela mínima e
insuficiente.
- Não haveria recursos para nenhum dos grandes
trabalhos que concorrem para o progresso e o
bem-estar da Humanidade.
- Tendo o necessário para sobreviver, o homem não
sentiria o aguilhão da necessidade para o impelir
às descobertas e aos empreendimentos úteis.
Ainda que fosse possível efetuar essa repartição
entre todos os homens, em pouco tempo o equilíbrio
estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres
e das aptidões.
"Por que não são igualmente ricos todos os homens?
"Não o são por uma razão muito simples: por não
serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos
para adquirir, nem sóbrios e previdentes para
conservar."
ÌÌÌ. O ENFOQUE ESPÍRÌTA QUANTO À RÌQUEZA
A desigualdade das riquezas, como vemos, é um dos
problemas que inutilmente se procurará resolver,
desde que se considere apenas a vida atual.
À luz do Espiritismo, porém, entendemos que:
- os seres humanos, somos espíritos imortais
reencarnados;
- para progredir, precisamos das experiências que
a vida corpórea enseja;
- uma dessas experiências é aprender a produzir a
riqueza e com ela trabalhar, acertadamente;
- através das reencarnações, vamos tendo
oportunidade para isso.
Entendemos, também, que:
- Deus concentra a riqueza em certos pontos, para
que daí se expanda em quantidade suficiente, de
acordo com as necessidades;
- e a desloca constantemente, para que não fique
longo tempo improdutiva nas mãos dos que não a
estão sabendo utilizar; e para que cada um, por
sua vez, tenha a oportunidade de lidar com ela.
Alguns estão dispondo da riqueza no momento,
outros já a tiveram, outros ainda virão a
usufruí-la e mesmo quem já a teve poderá, se
necessário, voltar a possuí-la.
Por enquanto, na Terra a riqueza é para poucos.
A maioria luta por sobreviver, dispondo apenas de
posses medianas ou mesmo enfrentando a miséria.
Ìsto se dá não apenas pela má distribuição da
riqueza, feita pelo materialismo e o egoísmo,
dominantes no planeta.
É, também, porque não sabemos todos produzir
riquezas ou não queremos nos esforçar para isso.
Se a riqueza na Terra fosse fácil para todos, em
nosso grau de evolução, a maioria não trabalharia,
não estudaria, quereria somente gozar, e isto não
traz progresso para o espírito.
Se há os que abusam da riqueza, não será com
decretos ou leis dispendiosas que se remediará o
mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior,
mas não conseguem mudar o coração; daí vem serem
elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de
uma reação mais desenfreada. A origem do mal
reside no egoísmo e no orgulho; os abusos de toda
espécie cessarão quando os homens se regerem pela
lei da caridade.
Com a evolução intelecto-moral da Terra, os
extremos da miséria ou da riqueza excessiva serão
corrigidos, pela melhor produção e distribuição
dos recursos.
Entretanto, "os pobres sempre os tereis convosco".
(Jesus - Jo. 12:8.) Sempre haverá naTerra pessoas
com menos aptidões e recursos do que outras, por
estarem em diferentes graus de evolução.
Deus concede a uns riqueza e poder e a outros a
pobreza como meios de experimentarmos as
diferentes condições que ensejam.
Tanto a riqueza como a pobreza servem para nos
testar intelectual e moralmente, constituindo, às
vezes, situações de resgate espiritual.
ÌV. QUAL A PROVA MAÌS DÌFÍCÌL: A RÌQUEZA OU A POBREZA?
Ambas são difíceis.
Ante a miséria, podemos ficar: desanimados com as
dificuldades; revoltados contra tudo e contra
todos; invejosos de quem tem o que não temos;
tentando até conseguir pelo roubo, pelo crime, o
que precisamos ou queremos; reclamando contra Deus
por não compreendermos seu divino programa para a
nossa evolução.
Quanto à riqueza, constitui uma prova muito
arriscada, bastante perigosa para o espírito,
porque é o supremo excitante do orgulho, do
egoísmo e da vida sensual.
Geralmente, quem é rico neste mundo se torna
orgulhoso, avarento, indiferente à necessidade ou
sofrimento do próximo e se desvia moralmente nos
abusos.
Sim, a riqueza é a origem de muitos males na
Terra. Por causa dela, muitos prejudicaram sua
felicidade na vida futura. Jesus aludiu a isso, na
passagem do moço rico: "Como é difícil entrar um
rico no reino dos céus!" (...) "É mais fácil
passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que
um rico se salvar". (Mateus, 19 vs. 23/24.)
Então, a riqueza impede a evolução do espírito?
Se assim fosse, Deus não a teria posto nas mãos de
alguns de seus filhos, pois seria prejudicá-los.
Querer abolir a riqueza, para não errarmos com
ela, seria condenar também ao trabalho que a
granjeia, o que estaria em contradição com a lei
de progresso.
Jesus disse que é difícil um rico se salvar mas
não disse ser impossível; porque a riqueza também
pode ensejar que o seu possuidor produza muita
coisa útil e boa, para si e para o seu próximo,
tornando-se um meio de salvação espiritual.
Tudo vai depender, portanto, do uso que fizermos
da riqueza, de como nos comportarmos diante da
pobreza.
V. COMO NOS COMPORTAMOS NESSAS PROVAS?
Na pobreza:
- cuidar do pouco que se possui e usá-lo
acertadamente.
- procurar desenvolver e aperfeiçoar a própria
capacidade de produzir valores;
- cultivar a resignação, moderação, simplicidade,
humildade, honestidade, enfim todas as virtudes
que a prova da pobreza mais estimula, quando bem
entendida;
- praticar a caridade ao seu alcance.
Materialmente, ajudando com o pouco que tiver aos
que são mais necessitados ainda. Espiritualmente,
com o seu amparo moral, afeto sincero, lealdade, a
boa palavra e o bom exemplo.
- não invejar os ricos nem pensar mal deles.
Lembrar que estão sendo duramente testados e
merecem compaixão e ajuda (se estiverem errando) e
apoio e respeito (se estiverem acertando).
Na riqueza:
- lembrar que Deus é o verdadeiro Senhor de todos
os bens da vida e apenas somos os "mordomos",
usufruindo e administrando temporariamente,
devendo prestar contas de tudo, ao final da
existência;
- tomar cuidado para não cair no orgulho, na
inércia, no egoísmo, ou nos excessos do gozo
material;
- como dispõe de mais tempo e recursos do que o
pobre, aproveitar para estudar, e concorrer para o
engrandecimento tanto intelectual como moral e
material dos seus semelhantes;
- procurar prestar todos os benefícios possíveis
com os bens que recebeu, sem desperdiçá-los nem
enterrá-los num cofre, onde ficam sem utilidade
para ninguém.
Enfim, procurar desempenhar o melhor possível seu
papel de intermediário da riqueza, sem se deixar
dominar por ela espiritualmente, de modo a merecer
de Deus outras e maiores atribuições, futuramente.
VÌ. QUAL O MELHOR EMPREGO QUE SE PODE DAR À RÌQUEZA?
A solução do problema está nestas palavras:
"Amai-vos uns aos outros". Aquele que se acha
animado do amor ao próximo tem aí traçada a sua
linha de proceder. A caridade deve ser cheia de
amor, aquela que procura a desgraça e a ergue,
sem, no entanto, a humilhar.
Com amor e sabedoria sempre se encontrará o melhor
emprego para a riqueza.
Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho segundo o Espiritismo", cap. XVÌ;
- "O Livro dos Espíritos", perguntas 808/816.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 25
VÌGÌLÂNCÌA CRÌSTÃ
Ì. A RECOMENDAÇÃO DE JESUS
"Vigiai e orai, para não cairdes em tentação",
recomendou Jesus (Mateus, 26:41).
Vigiar, no caso, significa estar alerta, atento,
observando cuidadosamente o que se passa.
O que vigiar?
A recomendação de Jesus é, sem dúvida, quanto ao
aspecto espiritual. Somos, fundamentalmente,
espíritos mas estamos ligados ao plano material.
Portanto, devemos estar alerta, vigilantes, com a
própria vida, em relação a tudo e a todos
Como vigiar?
Observando e analisando, do ponto de vista
espírita, no entendimento cristão, os pensamentos,
sentimentos, palavras e atos, tanto os nossos
(principalmente) como também os dos outros
encarnados e desencarnados).
Para que vigiar?
"Para não cairdes em tentação", explica Jesus. Ou
seja, para não ceder à instigação ou estímulo para
o que for mau. Não é para conhecer e criticar nem
para temer ou agredir, mas para procurar evitar o
erro ou corrigi-lo.
Vigiemos, pois. Estejamos atentos:
1) A nós mesmos
a) Para não ensejarmos sintonia mental ou
afinidade fluídica com os espíritos inferiores,
encarnados ou não.
Ex.: Atrações infelizes no campo do sexo ou da
ambição, etc. e que podem, até, vir a ocasionar
obsessão.
b) Para não gerar dificuldades ou complicações.
Ex.: Preguiça gerando pobreza, irritação constante
produzindo doença.
c) Para não provocar reações más em nossos
semelhantes.
Ex.: Violência que suscita desejo de revanche,
exploração que traz a revolta e o ódio.
d) Para não errarmos na resposta a dar aos
estímulos e provas naturais que a vida terrena nos
enseja.
Ex.: Fazer o bem e não reagir ao mal com o mal.
2) Aos outros
a) Para não acompanharmos seus erros, não
aceitarmos suas sugestões más:
b) Para não deixarmos que nos prejudiquem moral e
espiritualmente;
c) Para ajudá-los no que pudermos, se notarmos que
precisam de algo material ou espiritualmente.
3) A tudo com que estivermos relacionados
Para corrigir o que estiver errado e desenvolver e
aperfeiçoar o que estiver certo em favor de todos.
ÌÌ. VÍCÌOS E PAÌXÕES
Vício é todo ato prejudicial que nos desvia de
nossas corretas funções, seja em que setor de
atividade for, causando desgaste de energia e
perda de tempo, sem produzir o bem e o progresso.
Paixão é o excesso ou descontrole nos sentimentos
e nas emoções.
Devemos comandar nossas necessidades e
sentimentos. A partir do momento em que eles é que
passem a nos dirigir, estaremos escravizados sob o
vício ou a paixão.
Excessos na vida corpórea causam efeitos
prejudiciais no campo fluídico. André Luiz
examinou alguns casos assim:
a) Sexo: Desregramentos sexuais produziram bacilos
psíquicos que influíam sobre as células geradoras,
chegando a aniquilá-las.
b) Álcool, fumo e tóxicos: Seu uso produzindo
fluidos venenosos que abalaram o sistema nervoso e
lesaram funções orgânicas. Quando abusivo, esse
uso estabelece dependência e acarreta
conseqüências muito danosas.
c) Alimentação: - Excessos alimentares criaram
parasitos fluídicos, além das alterações sofridas
pelo que fora ingerido, prejudicando todo o
aparelho digestivo, ficando evidente que se deve
evitar a gula.
Obs.: Em dia de estudos e práticas espirituais,
para se estar bem disposto fisicamente, não
desgastado nas energias, e poder estar bem
assistido espiritualmente, deve-se evitar
quaisquer vícios ou excessos. A refeição que
preceder a reunião espiritual deve ser leve.
ÌÌÌ. O CORPO COMO UM TEMPLO
"Derrubai este templo e em três dias eu o
reconstruirei", afirmou Jesus. Referia-se ao seu
próprio corpo, pois somente o usava para servir a
Deus, cumprir as leis divinas.
Façamos também de nosso corpo um templo para o
Senhor. É instrumento abençoado para aprendizado,
resgate, serviço e comunicação com o próximo.
Vigiemos o uso que fazemos dele. Evitemos
prejudicá-lo com desvios ou excessos de qualquer
tipo.
ÌV. AS VÌRTUDES
Virtude é "a disposição firme e constante para a
prática do bem", inclusive em favor do próximo,
sem interesse pessoal nem intenção oculta.
Cultivemos a mansuetude, a humildade, a
honestidade, a bondade, a sinceridade, a lealdade,
a perseverança, a fé, enfim todas as qualidades
morais que exornam o caráter de uma pessoa de bem.
Também existe virtude em nós "toda vez que há
resistência voluntária ao arrastamento às más
tendências".
V. A ORAÇÃO
Orar é comunicar-se com o plano espiritual
superior, estabelecer ligação com ele. Para orar,
não basta mover os lábios, produzir sons. É
preciso elevar pensamentos e sentimentos, com toda
convicção e fervor. Então, a oração alcança a
fonte das bênçãos divinas, trazendo-nos em
resposta o benefício necessário e possível para a
nossa sustentação na senda evolutiva.
Vigiemos e oremos, constantemente, porque a oração
e a vigilância asseguram a nossa integridade e o
nosso bem estar, do corpo e da alma.
LÌVROS CONSULTADOS:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XVÌÌ,
"O Homem de Bem".
De André Luiz: (psicografia de Francisco C.
Xavier)
- "Missionários da Luz" - Cap. 3 - Desenvolvimento
Mediúnico
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 26
MÌLAGRE OU FENÔMENO
Ì. O QUE SERÌA MÌLAGRE?
A palavra milagre significa: coisa admirável,
extraordinária, surpreendente. Popularmente, porém
(sob a influência da teologia predominante no
país), por milagre se entende: fato sobrenatural
(que está além e fora da Natureza), algo inusitado
e inexplicável, uma derrogação das leis da
Natureza, pela qual Deus daria mostra de seu
poder.
Em princípio, Deus poderia fazer milagres, pois
para Ele tudo é possível. Mas não o faz, não
derroga nem anula as leis da Natureza, porque Ele
mesmo as fez perfeitas e o que é perfeito não
precisa ser modificado.
A demonstração da grandeza, sabedoria e poder de
Deus não está em fazer milagres mas, sim, em haver
criado leis tão perfeitas, que nelas tudo já está
previsto e providenciado, sem nada a corrigir nem
improvisar.
ÌÌ. A EXPLÌCAÇÃO ESPÍRÌTA DOS MÌLAGRES
Antigamente, havia muitas coisas consideradas como
maravilhoso ou sobrenatural. Algumas nem eram
fatos reais mas apenas crendices ou superstições
sem fundamento. Outras eram fenômenos verdadeiros
(fatos naturais) e foram consideradas milagres por
estarem mal explicadas ou serem desconhecidas as
suas causas.
O círculo do maravilhoso ou do sobrenatural vem
diminuindo ao longo dos tempos, pelo progresso do
conhecimento humano, através:
- da Ciência, que revela as leis que regem os
fenômenos do campo material;
- do Espiritismo, que revela e demonstra a
existência dos espíritos e como agem sobre os
fluidos, explicando certos fenômenos como efeitos
dessa causa espiritual.
As curas realizadas por Jesus, por exemplo, foram
consideradas pelo povo como milagres, no sentido
que a palavra tinha na época: o de coisa
admirável, prodígio.
Atualmente, o Espiritismo esclarece que os
fenômenos de curas se dão pela ação fluídica,
transmissão de energias, intervenção no
perispírito etc. E permite examinar e compreender
as curas realizadas por médiuns (espíritas ou não)
ou por pessoas dotadas de excelente magnetismo.
Essa explicação não diminui nem invalida as curas
admiráveis, feitas por Jesus; pelo contrário, nos
leva a reconhecer que Jesus tinha alto grau de
sabedoria e ação para poder acionar assim as leis
divinas e produzir tais fenômenos.
ÌÌÌ. EM CONCLUSÃO
Os fatos tidos como milagres nada mais são do que
fenômenos; fenômenos que estão dentro das leis
naturais; são efeitos cuja causa escapa à razão do
homem comum. Podem ocorrer sempre que se conjuguem
os fatores necessários para isso.
Se há coisas que parecem inexplicáveis para nós, é
porque nosso grau de evolução na atualidade ainda
não nos possibilita a compreensão desses
fenômenos.
E se não produzimos com facilidade fenômenos como
esses é porque ainda não desenvolvemos
suficientemente as nossas faculdades espirituais.
Mas tudo que acontece está sempre dentro de leis
divinas.
Leis que, sendo perfeitas e imutáveis, não podem e
nem precisam ser derrogadas, anuladas.
ÌV. OS MÌLAGRES QUE O ESPÌRÌTÌSMO FAZ
O Espiritismo coloca ao nosso alcance muitos
recursos espirituais com os quais se torna
possível acionarmos certas leis naturais e
produzirmos alguns fenômenos que ajudem ao próximo
e a nós mesmos.
Mas quem procurar o Espiritismo somente para obter
cura imediata de seus males físicos e espirituais,
ou para resolver de pronto seus problemas
materiais, poderá ficar decepcionado.
Porque somente se realiza o que estiver dentro das
leis divinas. E o Espiritismo não tem por
finalidade principal a realização de fenômenos
mas, sim, o progresso moral da humanidade.
O maior milagre que o Espiritismo faz não é tirar
problemas e dores do nosso caminho. É explicar-nos
o porquê das coisas e ensinar-nos: como podemos
melhorar a nós mesmos para gerarmos efeitos
felizes; como prevenir e resolver problemas
espirituais, desde que empreguemos vontade e
esforço no sentido do bem; ou ainda, como suportar
aquilo que, por ora, não pode ser mudado porque
nos serve de expiação ou de prova.
V. AS OBRAS QUE PODEMOS FAZER
Jesus realizava coisas extraordinárias, devido a
sua grande evolução espiritual. Afirmou, porém;
"aquele que crê em mim, fará também as obras que
eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para
junto do Pai". (Jo. 14 v 12.)
De fato, Jesus apenas fez uma amostragem das
realizações espirituais possíveis e, tendo ele
retornado ao plano espiritual, os espíritos que
continuam reencarnando na Terra poderão fazer aqui
muitos fenômenos admiráveis, ainda mais que o ser
humano está evoluindo e cada vez mais está
aprendendo como lidar com as leis e forças do
mundo espiritual.
Para realizar fenômenos espirituais, porém, é
preciso ter fé.
VÌ. QUE É FÉ?
Fé é confiança quanto às coisas espirituais,
convicção de que não obstante escapem aos nossos
sentidos comuns (por serem invisíveis e
impalpáveis), elas existem, são reais e funcionam.
A fé vem como resultado do conhecimento que se
tenha a respeito das coisas espirituais. Podemos
adquiri-la:
- pela observação direta de fenômenos espirituais,
objetivos ou subjetivos, ocorridos conosco mesmo
ou com outras pessoas;
- raciocinando sobre os fenômenos da vida
universal, para deduzir deles as leis e fatos que
transcendem aos nossos sentidos;
- por informações sobre as realidades espirituais
que nos forem dadas por outros (encarnados ou
não), que nos mereçam confiança e respeito, por
sua sabedoria e autoridade moral.
VÌÌ. FÉ E AÇÃO
A fé constitui o ponto de apoio indispensável para
a ação espiritual. Tanto que Jesus dizia,
freqüentemente: "A tua fé te salvou".
A fé deve levar à ação, senão fica um conhecimento
espiritual inoperante, o que levou Tiago a dizer:
"A fé sem obras é morta". (Tg. 2:20.)
VÌÌÌ. FÉ RACÌOCÌNADA
Para levar à ação acertada, a fé tem de ser
esclarecida e bem fundamentada.
Uma fé que:
- nos permita entender quem somos, de onde viemos,
porque estamos no mundo e para onde iremos após a
morte; ou seja, que somos espíritos filhos de
Deus, vindos do plano espiritual, aqui encarnados
para progredirmos, até retomarmos ao plano de onde
viemos;
- que nos mostre que podemos agir sobre coisas e
seres e como devemos fazê-lo;
- que nos leve a querer fazer o bem, porque é o
único caminho bom para todos;
- que nos assegure amparo e auxílio divinos para
as nossas boas realizações espirituais, através de
Jesus e dos bons Espíritos, seus emissários junto
a nós;
- que nos dê coragem para perseverar no esforço
evolutivo e na prática do bem, pela certeza de que
alcançaremos resultados satisfatórios, agora ou
depois, aqui ou na imortalidade.
Uma fé assim é que "transporta montanhas" (Mt. 17
v. 20), ou seja: faz suportar sofrimentos, superar
dificuldades, transformar situações e pessoas.
ÌX. A NOSSA FÉ
Já temos alguma fé (conhecemos alguma coisa da
vida espiritual) e com essa fé, embora ainda
pequena, já temos conseguido realizar alguma
coisa, superar dificuldades, suportar situações.
Mas se a cultivarmos (pelo estudo, observação e
exercício das coisas espirituais), nossa fé
crescerá e nos permitirá fazer coisas mais
difíceis e importantes, verdadeiramente
admiráveis.
X. TENHAMOS FÉ
Em Deus: sua bondade e poder são infinitos, não
deixando nenhuma de suas criaturas ao abandono; o
que for realmente bom e necessário, Deus nos
concederá, se fizermos a nossa parte;
Em Jesus: como nosso Mestre espiritual, Guia de
nossas almas e Luz em nosso caminho para Deus;
Nos bons Espíritos: porque eles executam a vontade
divina: dentro do que sabem e do que podem,
amparam e socorrem as criaturas, conforme o
merecimento ou a necessidade delas.
Em nós mesmos: confiemos em nossas forças e
possibilidades, pois somos criaturas de Deus.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 28
A FAMÍLÌA À LUZ DA REENCARNAÇÃO
Ì. A FAMÍLÌA ESPÌRÌTUAL
Encarnados ou não, todos somos espíritos criados
por Deus e, portanto, irmãos. A humanidade inteira
é, assim, uma só família.
No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias,
quando se entrelaçam pela afeição, simpatia e
semelhança das inclinações. Ditosos por se
encontrarem juntos, esses espíritos se buscam uns
aos outros.
A encarnação apenas momentaneamente e parcialmente
os separa, porquanto, se uns encarnam e outros
não, nem por isso deixam de estarem unidos pelo
pensamento. Os que se conservam livres velam pelos
que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se
esforçam por fazer que os retardatários progridam.
E, ao regressarem à erraticidade, novamente se
reúnem como amigos que voltam de uma viagem.
Muitas vezes até, uns seguem os outros na
encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma
família, ou num mesmo círculo de conhecimento e de
amizades, a fim de trabalharem juntos pelo seu
mútuo adiantamento.
Como vemos, a verdadeira família é a espiritual,
em que os espíritos estão unidos pela afinidade,
antes, durante e depois das encarnações.
A uma família espiritual é que Jesus se referia,
quando afirmou: "... qualquer que fizer a vontade
de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, e
irmã e mãe". (Mc. 3:31/35.)
Se queremos pertencer à família espiritual de
Jesus, procuremos obedecer às lei divinas, como
Jesus faz.
ÌÌ. A FAMÍLÌA CORPORAL
Reencarnando na Terra, formamos uma família
corporal (consangüínea e de parentesco). Nela
poderemos ter alguns elementos que também sejam de
nossa família espiritual. Outra parte de nosso
grupo espiritual, porém, continua habitando no
mundo invisível, no Além.
- Com a reencarnação, a parentela aumentará
indefinidamente?
É o que receiam alguns. Mas não é pelo fato de ter
tido 10 encarnações, por exemplo, que alguém
encontrará no mundo espiritual 10 pais. 10 mães.
10 cônjuges e um número proporcional de filhos e
novos parentes. Encontrará, apenas, aqueles com
que estiver relacionado pela afinidade e pela
afeição, ou pela responsabilidade.
- A reencarnação destrói os laços de família?
Assim julgam outros, porque de fato, a idéia de
pessoas unidas apenas entre si e unicamente por
serem todas do mesmo sangue perde sua importância
ante a lei da reencarnação. Mas não vemos que
laços de sangue e parentesco terreno muitas vezes
se extinguem com o tempo ou se dissolvem
moralmente já nesta vida? Aos laços, porém, que
unem a verdadeira família espiritual a
reencarnação não destrói mas fortalece e aperta
cada vez mais.
A unicidade da existência, sim, é que romperia
qualquer laço familiar porque, nesse caso, os
familiares não estariam ligados antes do
nascimento e poderiam não estar ligados depois,
pela diferença da posição espiritual que viessem a
ocupar e que seria para sempre, como pensam os que
acreditam em céu e inferno.
ÌÌÌ. A FAMÍLÌA QUE TEMOS
Uma "família espiritual", significando um grupo
com o qual a pessoa se sinta inteiramente bem e no
qual nunca tenha problemas, é coisa que ainda
estamos construindo e que a maioria de nós não
possui, nem aqui, nem no Além. A família que temos
é tal como a fizemos até agora ou tal como dela
precisamos para nossa evolução. Nela há um variado
tipo de pessoas (afins ou não conosco) e foi
formada em função de nossas expiações, de nossa
necessidade de aprendizado ou, ainda, de nosso
desejo de realizarmos boas obras.
Nossos familiares são pessoas:
- com as quais combinamos bem;
- bem diferentes de nós (testam nossas virtudes ou
nos ensinam aspectos diferentes da vida);
- às quais estamos ligados de vidas anteriores,
porque devemos algo a elas ou elas a nós;
- precisam de nós (a quem podemos ajudar com nosso
amor e entendimento).
Motivo da ligação conosco:
- afinidade;
- provas e aprendizado;
- reajuste e reconciliação;
- oportunidade de servir.
ÌV. COMO AGÌR EM FAMÍLÌA?
"Ninguém possui sem razão esse ou aquele laço de
parentesco, de vez que o acaso não existe nas
obras da Criação. Nos elos da consangüinidade,
reavemos o convívio de todos aqueles que se nos
associaram ao destino, pelos vínculos do bem ou do
mal, através das portas benditas da reencarnação".
(Emmanuel, em "Leis de Amor", psicografia de
Francisco C. Xavier.)
Na família, pois, além das funções terrenas (que
o conhecimento humano já identificou e valoriza),
o espírita vê muito mais:
- uma ligação maior que a simples necessidade ou
dependência materiais;
- uma finalidade transcendente e não somente o
objetivo de uma existência.
Para essa realização espiritual "em família":
"Devemos revestir-nos de paciência, amor,
compreensão, devotamento, bom ânimo e humildade, a
fim de aprender a vencer, na luta doméstica.
"No mundo, o lar é a primeira escola de
reabilitação e do reajuste". (Emmanuel, idem.)
"Teu lar é um ponto bendito do Universo em que te
é possível exercer todas as formas de abnegação a
benefício dos outros e de ti mesmo, perante Deus.
Pensa nisso e o amor te iluminará". (Emmanuel,
"Tarefas de Amor", do livro "No Portal da Luz".)
"Mas se alguém não tem cuidado dos seus e,
principalmente, dos de sua família, negou a fé."
(Paulo - 1 Timóteo, 5:8.)
V. OS POVOS SÃO FAMÍLÌAS MAÌORES
Um povo é uma grande família, em que se reúnem
espíritos simpáticos. A tendência a se unirem é a
origem da semelhança que determina o caráter
distintivo de cada povo. Acrescentemos aqui que os
costumes, a educação, acentuam e constroem essa
semelhança.
Espíritos bons e humanos procurarão um povo duro e
grosseiro? Não. Os espíritos simpatizam com as
coletividades, como simpatizam com os indivíduos;
procuram o seu meio. A não ser quando vêm em
missão especial.
Mantenhamos fraternidade para com todos os povos e
nações mas procuremos fazer do Brasil um povo
ordeiro, trabalhador e cristão, para merecermos a
simpatia e proteção dos Bons Espíritos para nossa
pátria.
Livros Consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. ÌV
itens 18 a 23, e cap. XÌV, item 8;
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, cap. ÌV
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 27
RADÌAÇÕES OU VÌBRAÇÕES
Ì. O QUE SÃO?
Radiação ou vibração (em linguagem espírita) é o
ato de emitir e direcionar energias, usando para
isso o pensamento e o sentimento.
ÌÌ. PARA QUE SERVEM?
Com essas radiações, podemos influir sobre pessoas
e ambientes, beneficiando-os. E também nos
beneficiando, porque quem abre o pensamento e o
coração para doar, imediatamente:
- renova, também, o seu próprio ser (pensamentos,
sentimentos e fluidos);
- e se torna canal e zona atrativa para forças
benéficas ("é dando que se recebe").
ÌÌÌ. SUA EFÌCÌÊNCÌA E ALCANCE
A eficiência das radiações depende da capacidade
de amar e sentir, bem como da vontade de emitir
energias e dirigir o pensamento.
De início, somente conseguimos emitir radiação ao
nosso redor. Mas com boa vontade e perseverança,
poderemos ir exercitando essa capacidade e atingir
distâncias maiores.
ÌV. COMO REALÌZÁ-LAS?
Primeiramente, concentrar-se; isto é, desligar os
sentidos do ambiente externo, orientar a mente
para o mundo íntimo e fixar o pensamento num ponto
superior de interesse.
Estando assim concentrado, procurar emitir,
irradiar bons pensamentos e sentimentos, em favor
da pessoa a ser beneficiada.
V. A VÌBRAÇÃO COLETÌVA
As radiações podem ser feitas por um grupo de
pessoas. Então, são mais fortes, porque
representam a soma das energias de todos que estão
participando.
Nas radiações coletivas, se cada participante
ficar egoisticamente interessado em vibrar só para
si mesmo ou os seus, não haverá doação verdadeira
de ninguém e, conseqüentemente, ninguém terá o que
receber.
Mas se todos doarem fluidos, generosa e
desinteressadamente, os bons espíritos terão
condições de trabalhar com esses fluidos,
combinando-os e redistribuindo-os entre os
presentes e outras pessoas (encarnadas ou não).
Dessa forma, cada um dará o que pode e todos
receberão o que mais precisam, dentro dos recursos
fluídicos existentes (como na multiplicação de
pães e peixes, realizada por Jesus).
VÌ. SUA DÌREÇÃO
Nas radiações coletivas, alguém precisa usar a
palavra para ir conduzindo o pensamento e
sentimento de todos, a fim de se unirem e agirem a
um tempo só e para um mesmo fim.
Quem dirige a vibração deve falar:
- em tom de voz que seja alto apenas o
suficiente para todos poderem escutar;
- com clareza e objetividade, para que todos
entendam sobre o que se vai vibrar;
- pouco, só o necessário para lhes orientar o
pensamento e o sentimento;
- com sincera emoção, para estimular o sentimento
em quem ouve.
Após dizer o objetivo de cada vibração, deve
deixar alguns instantes de silêncio, durante os
quais todos ficarão vibrando no sentido indicado.
A duração de cada vibração dependerá da capacidade
de concentração e emissão dos participantes,
variando ao redor de 20 segundos.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 29
A ORAÇÃO DOMÌNÌCAL
Ì. PORQUE "DOMÌNÌCAL"?
Conforme vemos no Evangelho (Mateus, 6 vs. 9-13 e
Lucas, 11 vs. 2-4), Jesus ensinou aos discípulos
uma oração. Ela é conhecida como "Pai Nosso",
porque começa com essas palavras. Mas é também
chamada de "Oração do Senhor" ou "Oração
Dominical", porque os discípulos chamavam Jesus de
Senhor (dominus, em latim).
ÌÌ. COMENTÁRÌOS DE ALLAN KARDEC
Em "O Evangelho segundo o Espiritismo" (cap.
XXVÌÌÌ), o Codificador comenta que nesta oração
encontramos:
- um resumo de todos os deveres do homem: para com
Deus, para consigo mesmo e para com o próximo;
- uma profissão de fé, um ato de adoração e de
submissão;
- o pedido das coisas necessárias à vida;
- o princípio da caridade.
Em seguida, Allan Kardec examina uma por uma das
proposições do "Pai Nosso". Aqui, porém, não
transcrevemos integralmente essa apreciação do
Codificador, mas fizemos uma adaptação especial
para nosso estudo.
Pai Nosso, que estás no céu, santificado seja o
teu nome!
Pai: Jesus nos faz reconhecer a existência do
Criador e ensina como nos dirigirmos diretamente a
ele, com confiança, como ao Pai amoroso que é,
pois vela com previdência e solicitude por toda a
criação.
Nosso: de todas as criaturas; saiamos do egoísmo
para reconhecer, nos outros, filhos de Deus
também, com os mesmos direitos que nós.
Que estás no céu: Deus é espírito; do plano
espiritual, onde fundamentalmente está, irradia
por todo o Universo; desde que nos coloquemos em
sintonia, poderemos sentir as emanações divinas a
qualquer hora e em qualquer lugar.
Santificado seja o teu nome: que nós e todos os
seres respeitemos e louvemos a Deus; "cego é o que
não o reconhece nas suas obras, orgulhoso aquele
que não o glorifica e ingrato o que não lhe rende
graças".
Venha a nós o teu reino:
O reino de Deus é o império do que é espiritual,
justo e bom. Portanto, estamos pedindo que o que é
espiritual, justo e bom venha para nós na Terra.
Mas...
Seja feita a tua vontade assim na Terra como no
céu:
Sem o cumprimento das leis divinas, que traduzem a
vontade de Deus, não conseguiremos instalar em
nós, em todos e em tudo ao nosso redor uma vida
espiritualizada, correta, bondosa. Por isso
precisamos estar dispostos a aceitar e cumprir as
leis divinas.
O pão nosso, de cada dia, dá-nos hoje:
Que Deus não nos deixe faltar tudo aquilo que Ele
nos proporciona dentro do Universo e que é
fundamental para a vida! É o que pedimos.
Porém, será com o nosso trabalho que tiraremos do
Universo o que nos for necessário.
Portanto que não nos faltem, igualmente, os meios
para trabalhar (saúde, inteligência etc.)!
E, como "nem só de pão vive o homem", que Deus nos
conceda também o sustento espiritual
(conhecimento, fé, amor, etc.) e os meios de
trabalhar no campo do espírito para obtermos tudo
isso.
Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos
nossos devedores:
Sendo imperfeitos, erramos. Por isso, pedimos que
Deus nos dê novas oportunidades (perdão). E nos
dispomos também a dar novas oportunidades aos que
falharem conosco, pois eles também são falíveis e
precisam, corno nós, de compreensão e ajuda.
Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do
mal:
O mal resulta da própria imperfeição de que ainda
somos portadores. Ela é que enseja afinidade com o
que é inferior. Pedimos, então:
- que não sejamos expostos a situações perigosas
demais ou a influências muito negativas;
- que nos dê forças para lutar e vencer, se for
necessário enfrentarmos essas situações e
influências;
- que, pouco a pouco, possamos ir nos
aperfeiçoando, libertando-nos de nossas más
tendências.
ÌÌÌ. CONSÌDERAÇÕES GERAÌS
Do começo ao fim da oração, usar um só tratamento:
tu ou vós.
Se já se fez uma oração espontânea, com nossas
próprias palavras, não há necessidade de
recitarmos em seguida o Pai Nosso, como se fosse
um fecho obrigatório em nossas preces.
No domingo anterior, o texto do capítulo 23 do Curso Básico foi enviado
equivocadamente no lugar do texto original, referente ao capítulo 28. Segue
abaixo o texto correto.
Nossas desculpas pelo equívoco.
Coordenação
_________________________________
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 28
O EVANGELHO NO LAR
Para melhorar o ambiente afetivo e espiritual da
família, faça reuniões de Evangelho no Lar.
A prática do Evangelho no Lar:
1) Enseja um momento de paz e compreensão na vida
familiar.
2) Une mais os elementos da família, pela
atividade espiritual em comum.
3) Amplia nos familiares o conhecimento e
entendimento do Evangelho, elevando-lhes o padrão
vibratório e fortalecendo-os espiritualmente para
as lutas da vida.
4) Higieniza o ambiente espiritual do lar, pelo
cultivo de pensamentos e sentimentos cristãos.
5) Atraia presença e assistência dos bons
espíritos e evangeliza os desencarnados carentes,
que estejam no ambiente do lar ou relacionados aos
seus membros.
Fazer o Evangelho no Lar é ajudar na formação de
um mundo melhor na Terra, porque a evangelização
estimula e acentua o sentimento de fraternidade
existente em toda criatura e pode fazer germinar,
em cada lar, as sementes do amor e da paz.
Ì. PROVÌDÊNCÌAS PRELÌMÌNARES
Para a realização da reunião de Evangelho no Lar,
é preciso, antes:
1) Marcar um dia da semana e um horário (ambos
fixos e certos) em que possa estar reunida toda a
família (ou ao menos os que a isso se dispuserem).
Esse dia e hora devem ser rigorosamente
observados, para facilitar aos bons espíritos nos
prestarem sua assistência espiritual (pois eles
também têm suas ocupações na vida maior).
2) Designar quem dirigirá a reunião, podendo ser o
chefe da casa ou a pessoa que, no grupo, tiver
maiores conhecimentos doutrinários.
3) Escolher o cômodo da casa que melhor sirva para
essa atividade (por oferecer mais acomodação,
estar menos sujeito a ruídos e menos exposto a
interrupções).
4) Selecionar o livro a ser estudado em leitura
metódica e seqüente. Recomenda-se começar com "O
Evangelho Segundo o Espiritismo". Ao terminar o
volume, se não quiser repeti-lo, poderá ser
utilizado outro livro espírita de comentários
evangélicos.
5) Meia hora antes da reunião, desligar aparelhos
de comunicação (rádio, televisão e outros) para
impedir a veiculação de idéias perturbadoras e
agitantes no ambiente. Em seu lugar poderá ser
utilizada música suave, em volume brando,
favorecendo o ambiente para as preces e vibrações.
6) Se houver necessidade de fluidificação de água
para alguém enfermo, debilitado ou aflito,
colocá-la em recipiente adequado, para ser
distribuída após o término da reunião.
ÌÌ. DESENVOLVÌMENTO DA REUNÌÃO
1) Prece inicial: simples, sincera, breve, de
preferência espontânea e não decorada, proferida
por um dos participantes e na qual, mais que as
palavras, tenham valor os sentimentos.
2) Leitura doutrinária: metódica e seqüente, de
pequeno trecho no livro escolhido (estudo
evangélico, de preferência), não excedendo a 10
minutos.
3) Comentários sobre a leitura: rápidos, buscando
sempre a essência dos ensinamentos de Jesus, para
a sua aplicação na vida diária.
Recomendações ao dirigente:
a) Colocar as lições comentadas ao alcance de
todos os participantes, mesmo os de menor
compreensão intelectual.
b) Ìncentivar a participação de todos os
presentes: - nos comentários; - nas preces e
leituras (por rodízio ou conforme as aptidões);
c) Procurar fazer que todos mantenham a
conversação em cunho edificante e apropriado.
Evite sempre:
- desviar para outros assuntos o tema em estudo à
luz do Evangelho;
- fazer dos ensinamentos críticas (diretas ou
indiretas) a qualquer membro do grupo, da família
ou a outras pessoas; - falar em desdouro de
religiões, grupos ou pessoas;
- qualquer polêmica ou discussão.
4) Vibrações: Algumas sugestões de pontos a
colocar em vibração:
a) Pelo lar onde o Evangelho está sendo estudado,
pelos participantes, seus parentes e amigos.
b) Pela implantação e vivência do Evangelho em
todos os lares.
c) Pela cura ou melhoria de todos os enfermos, do
corpo ou da alma, e minoração de seus sofrimentos
e vicissitudes.
d) Pelo entendimento fraternal entre todas as
Religiões.
e) Pelo amparo e incentivo aos trabalhadores no
Bem e da Verdade.
f) Pela paz na Terra (inclusive rogando amparo
para os governantes de todos os povos e nações).
g) Pelos casos que, no momento, estejam
preocupando os participantes e a comunidade (ex.:
um desastre, uma calamidade etc.).
h) Outras vibrações que o grupo achar
convenientes. Todos do grupo, porém, deverão estar
lembrados e conscientizados de que não bastam
somente vibrações para ajudar a fazer da Terra um
mundo melhor. É preciso, também, que todos os
cristãos concorram para isso, através de seus
pensamentos, palavras e atos, em todos os
instantes e sem esmorecimento.
5) Prece de encerramento: agradecendo a orientação
e amparo espirituais, recebidos durante a reunião
e na vida cotidiana.
ÌÌÌ. CUÌDADOS A TOMAR
1) Não dizer Culto do Evangelho no Lar mas, apenas
Evangelho no Lar (para evitar conotação com
rituais, que o Espiritismo não adota).
2) Não prolongar a reunião além dos 20 a 30
minutos, no máximo (para não ultrapassar o limite
comum de atenção e participação de todos os
participantes).
3) Não suspender a realização da reunião em
virtude de:
- passeios adiáveis ou acontecimentos
irrelevantes;
- chegada de visitantes; os quais devem ser
convidados a participar da reunião (às vezes, foi
para um encontro renovador com o Evangelho que
seus mentores espirituais os encaminharam ao nosso
lar); se não quiserem participar da reunião,
poderão aguardar o seu término em outro aposento,
ou retornarem mais tarde;
4) Não deixar que o Evangelho no Lar se transforme
em:
a) Ritual ou cerimônia religiosa. Ex.: se
realizado em torno de uma mesa, não é necessário
cobri-la com toalha especial nem colocar sobre ela
flores ou qualquer objeto (imagens, retratos).
b) Reunião mediúnica, a qual deve ser feita nos
Centros Espíritas, que para isso recebem do Alto
preparo e assistência especial, por se destinarem
a um serviço espiritual constante, o que não
ocorre nos lares, por melhor protegidos que sejam.
Passes poderão ser aplicados, eventualmente, a
alguém do grupo ou do lar que esteja enfermo, se
houver pessoa preparada para ministrá-lo; mas não
será prática usual.
5) Crianças só devem participar do Evangelho no
Lar, quando tiverem idade e mentalidade para
acompanhar a reunião sem inquietação ou fadiga.
Então, podem colaborar ativamente nas preces,
leituras ou comentários, segundo sua capacidade e
disposição.
_______________________________
"Quando o ensinamento do Mestre vibra entre as
quatro paredes de um templo doméstico, os
pequeninos sacrifícios tecem a felicidade comum.
A observação impensada é ouvida sem revolta. A
calúnia é isolada no algodão do silêncio.
A enfermidade é recebida com calma.
O erro alheio encontra compaixão.
A maldade não encontra brechas para insinuar-se.
E aí. dentro desse paraíso que alguns já estão
edificando, a benef feio deles e dos outros, o
estímulo é um cântico de solidariedade incessante,
a bondade é ungi fonte inexaurível de paz e
entendimento, a gentileza é a inspiração de todas
as horas. o sorriso é a senha de cada um e a
palavra permanece revestida de luz., vinculada ao
amor que o Amigo celeste nos legou."
(Emmanuel, em "Culto Cristão no Lar", psicografada
por Francisco Cândido Xavier.)
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 30
SONO E SONHOS
Há vários estados em que o espírito encarnado pode desfrutar de
emancipação parcial em relação ao corpo. O sono é um deles, assim como o
desdobramento, o transe (sonambúlico ou mediúnico), o êxtase.
Ì. O SONO
É um fenômeno fisiológico pelo qual o corpo entra em repouso para
recomposição física.
Nele se dá uma suspensão da vida ativa e de relação, o que possibilita se
afrouxem os laços fluídicos que prendem o espírito à matéria.
Estando lassos os cordões fluídicos, o espírito pode afastarse do corpo
adormecido e:
- recuperar suas faculdades espirituais (cuja ação a influência da matéria
impedia ou limitava);
- reconhecer-se como ser imortal e ver com clareza a finalidade de sua
existência atual;
- lembrar-se do passado (inclusive vidas anteriores) e antever ou deduzir
acontecimentos que se estão encaminhando para acontecer.
Observação: A amplitude ou não dessas possibilidades é relativa ao grau de
evolução do espírito.
ÌÌ. SONO E MORTE
O sono parece um pouco com a morte (desencarnação). Só que, nesta, o
desligamento dos laços fluídicos é total, enquanto que, no sono, a
emancipação é parcial.
No sono, os cordões fluídicos, mesmo lassos, continuam a possibilitar
perfeita comunicação com o corpo; se for necessário o pronto retorno, o
espírito tomará imediato conhecimento e regressará incontinente.
ÌÌÌ. VÌVÊNCÌA DO ESPÍRÌTO DURANTE O SONO
O espírito nunca está inativo. O sono, que repousa o corpo, é para o espírito,
oportunidade de entrar em relação com o mundo espiritual, a fim de haurir
orientação, conforto e forças para prosseguir com acerto em sua jornada
terrena.
Emancipando-se parcialmente do corpo, cada espírito vai agir segundo seu
estado evolutivo. Assim, varia a vivência do espírito durante o sono.
Ìnferiores - Presos que estão por interesses egoístas, materialistas, pouco se
afastam do corpo ou do ambiente terreno; dão expansão aos seus instintos e
tendências inferiores, junto aos espíritos com os quais se afinam.
Benévolos ou evoluídos - Vão a ambientes espirituais elevados, onde se
instruem e trabalham, junto a entidades superiores, e reencontram amigos e
parentes desencarnados.
Não somente com os desencarnados podemos nos relacionar
espiritualmente, enquanto o corpo dorme.
Também podemos visitar criaturas encarnadas e com elas convivermos, de
maneira superior ou inferior, conforme sejam o grau de evolução, propósitos
e anseios, nossos e delas.
ÌV. O SONHO
Há sonhos que são apenas um processo fisio-psíquico e outros que são
sonhos espíritas.
No primeiro caso, o sonho:
- retrata condições orgânicas (perturbações circulatórias, digestivas, ruídos
ambientes, calor, frio etc.). Às vezes, ajudam a detectar enfermidades de que
conscientemente não nos apercebemos;
- ou revela criações mentais nossas (subconsciente), com base no que
houver afetado a nossa mente na vigília (pensamentos, impressões, anseios,
temores etc.). Podem ajudar a interpretar nosso mundo psíquico.
Já o sonho espírita é o resultado da vivência do espírito no mundo espiritual,
enquanto o corpo dormia; é a lembrança do que ele viu, sentiu ou fez durante
a emancipação parcial.
Às vezes, nada lembramos dessa vivência espiritual, porque durante ela o
cérebro físico não foi utilizado e depois, no retorno ao corpo, a matéria deste,
pesada e grosseira, também não permitiu o registro das impressões trazidas
pelo espírito.
Outras vezes lembramos apenas a impressão do que nosso espírito
experimentou à saída ou no retorno ao corpo. Se essas lembranças se
misturarem aos problemas fisio-psíquicos, tornam-se confusas, incoerentes.
Quando necessário, os bons espíritos atuam de modo especial sobre nós
para que, ao acordar, lembremos algo de maior importância tratado no
mundo espiritual. Mesmo que não lembremos tudo perfeitamente, do que foi
vivido durante o sono do corpo, ficará um intuição, que nos sugere idéias,
ações.
Os espíritos maus também podem fazer o mesmo se, pelo nosso modo de
viver, tivermos concedido a eles essa ascendência sobre nós.
V. ÌMPORTÂNCÌA DO SONO E PREPARO PARA ELE
O fato de passarmos um terço de nossa existência dormindo (8 das 24 horas
do dia) indica a importância:
Do sono físico: ensejando repouso orgânico, liberação de toxinas etc.
Do sonho: para o equilíbrio:
- psíquico (pessoas impedidas de sonhar sofrem perturbações graves);
- espiritual (a vivência espiritual que desfrutamos enquanto o corpo dorme é
como hora de visitas ou de tomar sol no pátio para o detento numa prisão).
Façamos, pois, um preparo para o nosso repouso diário:
- orgânico (refeições leves, higiene, silêncio, etc.);
- mental (leituras, conversas, filmes, atividades comedidas, não afligentes ou
desgastantes);
- espiritual (leitura edificante, meditação, serenidade, perdão, prece).
Assim, nosso corpo e mente repousarão, adequadamente e, em espírito,
teremos melhor oportunidade de alcançarmos a convivência com os espíritos
bons e amigos.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 31

UM ESTUDO SOBRE O BATÌSMO
Ì. ORÌGEM DESSA PRÁTÌCA
O costume de batizar (= mergulhar) não tem a sua primeira origem no
Cristianismo. Diferentes seitas de povos da Antigüidade tinham já o hábito de
abluções, aspersões e imersões purificadoras que preparavam os crentes
para o culto às suas divindades.
ÌÌ. JOÃO, O BATÌSTA
Entre os judeus, quem tornou popular a prática do batismo foi João, filho de
Zacarias e Ìsabel e, segundo a tradição, primo de Jesus.
João era o Precursor do Cristo. Tinha a missão de anunciar a vinda dele e
preparar as pessoas para o receberem em breve. Surgiu antes de Jesus no
cenário da Palestina e convidava o povo a se arrepender dos seus pecados:
"Fazei penitência, pois que está próximo o Reino dos Céus". (Mt. 3v. 21.)
Aos que o atendiam e se propunham a uma renovação moral, João batizava,
fazendo-os mergulhar nas águas do Rio Jordão, em cujas margens pregava.
Por essa prática, ficou conhecido como "o batista" (o que batiza).
ÌÌÌ. SÌGNÌFÌCADO DO BATÌSMO DE ÁGUA
Quanto à finalidade do batismo que fazia, João afirmava:
- "Eu, na verdade, vos batizo com água para vos trazer à penitência; mas
aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, cujas alparcas não
sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo". (Mt.
cap. 3 vs. 11.)
E o evangelista Marcos confirmou essa finalidade do batismo de João,
afirmando: "Apareceu João, batizando no deserto e pregando o batismo do
arrependimento, para remissão dos pecados". (Cap. 1 v. 4.)
O batismo de água era, pois, uma prática simbólica, em que a pessoa dava
um testemunho público de arrependimento e propósito de corrigir-se, ficando,
então, "lavada" de seus pecados.
Exatamente por simbolizar o batismo de água o arrependimento de pecados,
João só o aplicava em adultos, que tinham de que se arrependerem e
podiam analisar o certo e o errado para se arrependerem.
E João mostrava que não adiantava o batismo de água nas pessoas que não
estivessem arrependidas, como no caso de muitos dos fariseus e dos
saduceus, que foram até ele para que os batizasse mas aos quais
admoestou:
- "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois,
frutos dignos de arrependimento". (Mt. 3 vs. 7-8.)
ÌV. PORQUE JESUS FOÌ BATÌZADO
Como o batismo de água simbolizava arrependimento, João, embora ainda
não soubesse que Jesus era o Messias mas conhecendo Jesus como
pessoa de costumes puros, não o queria batizar (Mt. 3 vs. 14-15):
- "Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?"
Respondeu Jesus:
- "Deixa, por agora, porque nos convém cumprir toda a justiça".
A justiça a que Jesus se referia eram as ordenações de Moisés e dos
profetas, que o povo judeu tinha por lei. Entre outros anúncios sobre o
Messias, Ìzaias profetizara (cap. 11 v. 2):
- "E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de
inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento
e de temor do Senhor".
Esse aviso se cumpriu daí a pouco, quando, logo após ser batizado por
João, Jesus saiu das águas do rio e, na margem, se pôs a orar. Então, a
João "se lhe abriram os céus" (enxergou espiritualmente) "e viu o Espírito de
Deus (um bom espírito da parte de Deus), descendo como pomba (em
manifestação espiritual suave e mansa) sobre ele. E eis que uma voz dos
céus dizia: Este é o meu filho amado, em quem me comprazo". (Mt. 3 vs. 16-
17.)
Era o sinal espiritual que João Batista vinha esperando para reconhecer o
Messias (Jo. 1 vs. 33):
- "Eu não o conhecia, mas o que me enviou a batizar com água (seu mentor
espiritual) disse-me: "Aquele sobre quem vires descer o Espírito e ficar sobre
ele, é o que batiza com o Espírito Santo".
Diante do que acabara de ocorrer, João ficou sabendo que Jesus (que ele
apenas conhecia como homem e seu primo) era, em verdade, o espírito
enviado por Deus a este mundo, com a missão de esclarecer a humanidade
e libertá-la do erro.
A partir de então, João testemunhava a respeito de Jesus:
- "Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele". (...)
"E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus". (João, cap. 1, vs.
32-34.)
Testificava mais, que fora justamente para aquele reconhecimento público do
Messias que ele, João, estivera batizando:
- "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Este é aquele do
qual eu disse: Após mim vem um varão que foi antes de mim, porque já era
primeiro do que eu. E eu não o conhecia; mas para que ele fosse
manifestado a Ìsrael, vim eu, por isso, batizando com água". (João, cap. 1,
vs. 29-31.)
V. JESUS NÃO BATÌZAVA
"Quando, pois, o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido dizer
que ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos do que João (se bem que
Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos), deixou a Judéia,
retirando-se outra vez para a Galiléia" (João, cap. 4 vs. 1-3.)
Vê-se claramente, por esta passagem, que Jesus não adotou a prática de
batizar com água. Ele trazia batismos mais importantes (de Fogo e de
Espírito Santo, como anunciara João), não iria exemplificar a exterioridade
de um simbólico batismo de água.
Alguns de seus discípulos, porém, batizavam. Ìsto porque, antes de seguirem
a Jesus, tinham sido discípulos de João, com quem aprenderam a prática do
batismo de água, que por certo ainda julgavam importante. Mais tarde, com o
aprendizado junto a Jesus, iriam se desapegando deste costurne.
VÌ. O BATÌSMO DE FOGO
Com ou sem água que a lave exteriormente, com ou sem fórmulas religiosas,
desde que uma pessoa se inteire da verdade espiritual, pode-se reconhecer
em falta e arrepender-se dos seus erros, desejando um procedimento
melhor.
Neste ponto, ela começará a luta para se renovar, corrigir sua conduta,
reparar os males praticados. Terá que dar testemunho de seu novos
propósitos em todos os momentos e vencer seus instintos e hábitos
inferiores, procurar praticar o bem.
Nesse esforço e nessa luta tem o seu Batismo de Fogo. E o simbolismo é
perfeito: em primeiro lugar, a pessoa se arrepende e corrige exteriormente - é
o Batismo de Água que lava o exterior, a conduta externa do indivíduo; mas
se a pessoa estiver de fato decidida a renovar-se, então começa a luta maior,
dentro de si mesma e em meio a tudo e a todos - é o Batismo de Fogo, que
purifica mais profundamente.
A essa luta é que Jesus se referia ao afirmar: "Eu vim para atear fogo à
Terra. E que mais quero se ele já está aceso?" (Lucas, ap. 12 vs. 49.)
Com sua pregação e exemplo, Jesus queria acender nas almas o desejo do
bem. Alguns já estavam entendendo e aderindo à sua mensagem. Sentiam
vontade de se melhorarem, entusiasmo pelo ideal cristão, coragem de lutar
por sua instalação na Terra. Era o que Jesus queria.
VÌÌ. O BATÌSMO DO ESPÍRÌTO SANTO
Quando a pessoa se esforça por melhorar e se dedica ao Bem, consegue a
sintonia, a comunhão, com os benfeitores do plano invisível. Tanto pelo
desenvolvimento patente de faculdades mediúnicas, como através de
intercâmbio sutil, pressentimentos, intuições, inspirações. Este é o Batismo
do Espírito Santo, ou seja, o mergulho na espiritualidade superior, com a
aprovação e apoio constante do Alto para seus atos bons.
Aconteceu assim com os discípulos de Jesus. Junto ao Mestre, lutavam por
se melhorarem, serviam ao próximo, passavam por provas e experiências,
num verdadeiro Batismo de Fogo.
Pouco a pouco, desenvolviam-se e já conseguiam expulsar espíritos
perturbadores, curar algumas enfermidades, realizar alguns trabalhos. Mas
ainda apresentavam oscilações, como, por exemplo:
- o espírito que não conseguiram afastar (Mt. cap. 17 vs. 14-21);
- o não entendimento de muitos ensinos de Jesus (Mt. 13 vs. 36; 16 vs 5-12;
João, cap. 14 vs. 7-11.);
- A negação de Pedro. (Mt. cap. 26.)
Quando já haviam vencido muitas lutas e Jesus retornara ao Além, houve
uma grande manifestação do mundo espiritual por intermédio dos apóstolos,
no Dia de Pentecostes. Foi um magnífico Batismo do Espírito Santo, com os
Espíritos do Senhor manifestando-se através deles, em diversos idiomas,
aos habitantes e visitantes de Jerusalém. (Atos dos Apóstolos, cap. 2.)
Ante fatos assim, pouco a pouco os discípulos foram compreendendo que o
verdadeiro batismo não era o de água.
Pedro, por exemplo, compreendeu isto ao ver que Cornélio, centurião da
Cesaréia, e alguns de seus familiares e amigos, apesar de gentios, deveriam
ter preparo espiritual, pois receberam espontaneamente o Espírito Santo,
enquanto Pedro lhes falava do Evangelho. Pedro, ao observar o fato,
recordou que Jesus dissera: "João certamente batizou com água; mas vós
sereis batizados com o Espírito Santo". E Pedro concluiu: "Portanto, se Deus
lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus
Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus?". (Atos, cap. 10
e cap. 11 vs. 16-17.)
Ressurgindo, Jesus enviou seus apóstolos a pregar o evangelho e a batizar
quem cresse (Mt. 28 v. 19; Mc. 16 v. 15-16) mas não com o batismo de água
e, sim, com o que ele ensinara: o de Fogo e Espírito Santo.
Tanto assim que Paulo, o Apóstolo dos Gentios também não se dedicava a
batizar com água e esclarecia: "Porque Cristo me enviou não para batizar
mas para evangelizar". (1 Cor., cap. 1, vs. 17.)
VÌÌÌ. EM RESUMO
Deste estudo, podemos resumir, até agora:
1) - o Batismo de Água empregado por João era simbólico, significando o
arrependimento dos erros; serviu para chamar a atenção das pessoas e
preparálas para a vinda do Cristo; serviu, também, para que João
reconhecesse publicamente a Jesus como o Messias Prometido; mas não foi
prática adotada por Jesus;
2) - o Batismo de Fogo simboliza o esforço que a criatura deve fazer e os
testemunhos por que deve passar para conseguir a purificação, a renovação
do seu íntimo; Jesus veio ensinar-nos o caminho para essa renovação,
conclamar-nos a essa luta;
3) - o Batismo do Espírito Santo simboliza a comunhão com os Espíritos do
Senhor, a assistência espiritual superior obtida pelo esforço empregado na
própria regeneração; Jesus ensinou aos seus seguidores o intercâmbio
mediúnico, liberando a mediunidade das antigas proibições, para aqueles
que já haviam passado pelas fases do arrependimento e do testemunho de
renovação.
ÌX. POR QUE, AÌNDA, O BATÌSMO DE ÁGUA?
Mas, geralmente, as pessoas sentem dificuldade em adorar a Deus só "em
espírito e verdade", como recomenda Jesus. Acham falta de um meio
material para expressar, tornar concretos, os fatos espirituais.
Por isso, em vez de conservarem o Cristianismo isento de exterioridades, em
vez de irem abolindo as práticas externas do culto, para acompanharem a
atitude de Jesus (que jamais instituiu fórmulas materiais para o culto a Deus;
que orava nos campos como nos lares ou à beira-mar), as pessoas, pouco a
pouco, foram infiltrando no Cristianismo as práticas exteriores (rituais,
fórmulas, vestes especiais etc.). E o batismo de água, em vez de se
extinguir, assumiu uma importância maior, em prejuízo da compreensão do
seu significado espiritual, que era: a necessidade da criatura se arrepender
dos erros cometidos e desejar "lavar-se", purificar-se. Por isso há muitas
pessoas batizadas com água mas que não estão conscientizadas de seus
erros nem arrependidas deles.
X. OS ESPÍRÌTAS E O BATÌSMO
O Espiritismo esclarece que a adoração a Deus se faz em espírito e verdade,
sem quaisquer rituais, dogmas ou formalidades exteriores.
Se os três batismos (mergulhos) a que se refere o Evangelho - o de Água, o
de Fogo e o do Espírito Santo - simbolizam, respectivamente, o
arrependimento, o testemunho e a assistência espiritual, o espírita não ficará
apegado aos símbolos mas procurará a vivência dessas três fases do
processo de evolução humana.
Estudando a questão do batismo de água, tradicional em outros meios
religiosos, e verificando que ele é apenas uma prática simbólica, o espírita
consciente não se batizará com água nem fará, assim batizar os seus filhos e
não adotará essa prática nos seus agrupamentos, no Centro que freqüente
ou dirija.
Em vez disso, procurará conhecer as leis divinas para verificar se os seus
atos estão de acordo com elas. Se não estiverem, é o caso de sentir
arrependimento, procurar modificar, renovar o seu modo de agir.
Esforçando-se por um novo modo de agir, vencendo hábitos antigos e
provando seus propósitos verdadeiros de regeneração, o espírita passará
pelo testemunho.
E, então, receberá a assistência espiritual, quer pelas manifestações
mediúnicas ostensivas, quer pelo auxílio sutil dos protetores invisíveis.
Quanto às outras pessoas, inclusive para os seus próprios filhos, o batismo
que o espírita pode oferecer é a advertência quanto ao erro, o ensino e o
estímulo ao que é certo. Mas isto não será feito com nenhuma fórmula
religiosa e, sim, pela troca de idéias e a exemplificação da vivência
evangelizada.
Assim esclarecidas, as pessoas, por sua vez e se o quiserem, poderão se
arrepender, testemunhar o desejo do bem e alcançar, igualmente, o convívio,
patente ou oculto, com os espíritos benfazejos.
XÌ. E A ÌNFLUÊNCÌA DO MEÌO?
Não obstante o seu entendimento quanto ao batismo, o espírita ainda se
defronta com as idéias que a esse respeito predominam no meio social.
Há quem argumente, por exemplo: se a criança, filha de espírita, não for
batizada como a maioria é no Brasil, poderá sentir-se complexada.
Argumento pobre, pois já vimos que o batismo em crianças não encontra
justificativa racional; além disso, a pessoa poderá se batizar ao chegar à
idade adulta, quando já terá condições para discernir o que quer.
Outros dizem: os parentes não se conformam em deixar a criança pagã.
Trata-se aqui de verificar se é possível esclarecer aos parentes e fazer
predominar o bom senso, não se batizando os próprios filhos. Na
impossibilidade, por causar grande conflito familiar, abstenha-se o espírita da
prática, tolerando que os outros a utilizem.
E se o espírita for convidado para batizar alguém? Deve negar-se
polidamente, esclarecendo que não pode partilhar de um ritual que nada lhe
significa. Entretanto, se o espírita quiser, poderá aceitar ser "padrinho" ou
"madrinha" de alguém, isto é, pode aceitar o compromisso de ser um
segundo pai ou mãe, suprindo a ausência dos pais verdadeiros ou com eles
cooperando na tarefa de assistir à criança, material e espiritualmente. Ìsto,
que poderá ser feito sem qualquer rito ou cerimônia, é lícito ao espírita; mas
não é tão fácil como ser padrinho de rótulo, por mera convenção religiosa ou
social.
XÌÌ. CONCLUSÃO
Este estudo não teve outro objetivo senão procurar ajudar a quem o ler a tirar
as suas próprias conclusões sobre a significação do batismo de água e a sua
validade ou não como prática religiosa.
Esperamos que este objetivo tenha sido alcançado junto a você.
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 32
A CONFÌSSÃO E COMUNHÃO DOS CRÌSTÃOS
Ì. O QUE É CONFESSAR?
A palavra confessar tem dois sentidos principais:
1) Declarar, revelar: Jesus queria que os seguidores o "confessassem" diante
de todos (Lc. 12:8/9), ou seja, que o reconhecessem e o declarassem como
o seu mestre espiritual.
2) Reconhecer a realidade de uma ação, erro ou culpa: neste significado é
que mais costumamos empregar a palavra confissão. Ìmportante é saber
reconhecer o acerto ou erro de nossas atitudes ou atos, para, a seguir,
perseverar no que for certo ou começar a corrigir o que estiver errado.
ÌÌ. OS TRÊS MODOS DE CONFESSAR
1) Ìntimamente (diretamente a Deus).
"Examine-se, pois, a si mesmo o homem". (Paulo, Ì Cor. XÌ, v. 28.)
Em uma parábola (Lc. 18:9/ 14), Jesus conta que um publicano, em
confissão íntima, fez justa avaliação de seu estado espiritual, suplicou o
amparo divino para se melhorar e, com esse proceder, alcançou o benefício
que pedira.
A confissão íntima é feita quando o assunto não requer maior comunicação
com os nossos semelhantes ou para não prejudicar ou sobrecarregar
desnecessariamente a outrem com aflições ou problemas.
2) Uns aos outros.
Recomenda Tiago, em sua epístola (cap. 5:16): "Confessai, pois os vossos
pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados".
Essa confissão, benéfica e necessária ao convívio humano, é o diálogo
fraterno e franco através do qual podemos:
- esclarecer ou prevenir mal-entendidos, aprofundando o entendimento e
mantendo a harmonia;
- revelar arrependimento e desejo de reajuste e reconciliação;
- expor problemas e dificuldades a quem nos possa entender e ajudar.
3) De público.
a) Ela pode ser um apoio para não mais reincidirmos numa falta, porque,
feita ante todos, com a promessa de não voltar a falir, o sentido de dignidade
pessoal nos leva a procurar manter o compromisso publicamente assumido.
João somente batizava aqueles que confessavam publicamente o seu
arrependimento.
b) É necessária para reparar males que prejudicaram a outros de modo
também público, pois faz que a verdade se restabeleça logo e amplamente.
Em qualquer das três formas, temos a confissão cristã, que constitui uma
comunicação nossa, mais sincera e aberta, com Deus e com o próximo.
Confissão que nos libera de angústias, tensões, temores e complexos de
culpa, renovando-nos as possibilidades diante de nós mesmos e dos outros.
E é uma forma de caridade o saber ouvir, acolher, desculpar, reanimar e
orientar aos que nos procuram para uma confissão fraterna.
ÌÌÌ. A CONFÌSSÃO AURÌCULAR
Ela não existia entre os primeiros cristãos. Foi instituída posteriormente, sob
a alegação de que Jesus teria concedido aos apóstolos um poder especial
para a remissão dos pecados que lhes fossem confessados.
Jesus absolutamente não concedeu a ninguém uma autorização para, em
lugar de Deus, decidir quanto aos erros humanos. Quem, na Terra, teria
condição de saber se uma confissão é completa e se a contrição é
verdadeira? A consciência individual é sagrada e só depende de Deus,
diretamente.
Em que se teriam baseado para instituir o que chamam de sacramento da
confissão? Numa afirmativa de Jesus: "tudo o que ligardes na Terra, terá sido
ligado no céu, e tudo o que desligardes na Terra terá sido desligado no Céu."
Examinemos as duas passagens em que essas palavras foram registradas:
Mateus, 18:18: o assunto é o perdão das ofensas. Neste caso, o que Jesus
esclarece é que quem não perdoa fica ligado ao ofensor (por laços mentais,
fluídicos, mágoa, ressentimento, revolta). Se não for possível a reconciliação,
perdoemos nós e procuremos esquecer tudo, para nos desligarmos do
ofensor e não sofrermos prejuízos espirituais.
Mateus, 16:18: Pedro recebe por revelação espiritual que Jesus é o Cristo.
Jesus afirma que sua igreja (agrupamento) se apoiará em comunicações
espirituais assim e que Pedro terá "as chaves do reino" (como médium
servirá ao intercâmbio mediúnico). Quem aprende a fazer o intercâmbio
mediúnico também terá, como Pedro, "as chaves do reino", devendo utilizá-
las de modo elevado.
Só depois deste episódio é que vem a repetição da frase sobre ligar ou
desligar na Terra e no Céu, já citada com muito mais propósito na outra
passagem. Neste novo texto, fica parecendo mais uma indevida interpolação,
pois, como já vimos, cada um é que se "liga" ou "desliga", pelo que pensa,
sente e faz, tanto na vida espiritual (Céu), como na vida material (Terra).
ÌV. JESUS, O PÃO DA VÌDA
No cap. 6 do evangelista João, Jesus fala de si mesmo e de sua missão:
"sou o pão da vida", "que desce do céu e dá vida ao mundo". (Vs. 33 e 35.)
Disse, também que devemos "comer" sua "carne" e "beber" o seu "sangue".
(V. 53.)
Mas explicou que falava de forma simbólica. (V. 63.)
O significado é:
- Jesus veio de planos mais elevados (desceu do Céu);
- para oferecer às criaturas na Terra a verdade, o ensino (pão) que nutre a
alma;
- e, com isso, fazê-las viver espiritualmente (dar vida), pois geralmente
vivemos quase que só para as coisas do mundo material;
- desde que as pessoas assimilassem seu ensino, aprendessem com seu
exemplo, imitassem sua vivência (comer sua carne e beber seu sangue).
V. O QUE É COMUNGAR?
Disse ainda: "quem de mim se alimenta, por mim viverá". (V. 56/57.)
A isto é que se chama comungar - ter comunicação, participação em comum,
união em crenças, idéias, conduta.
Na ceia pascoal (já perto de deixar este mundo), Jesus usou de novo os
símbolos pão (ensino) e vinho (exemplo), que reparte entre os discípulos,
significando que estava dando sua vida por eles.
E pede: "Fazei isto em memória de mim". (Lc. 22:19, 1 Cor. 11:23/25.)
Seus seguidores atenderam o pedido: continuaram relembrando e seguindo
os ensinos de Jesus, viviam em comunidade, partilhavam o que tinham com
todos. Havia, pois, comunhão entre os primitivos cristãos. (Atos, 2 vs. 42/47.)
VÌ. PARA COMUNGAR COM JESUS
Jesus queria que os seus discípulos e apóstolos comungassem com ele (Jo.
15 v. 10), mas orava para que também outras pessoas viessem a crer nele e
a comungarem com ele, para serem todos "um com o Pai". (Jo. 17 vs. 20/21.)
Comunguemos com Jesus, ou seja, procuremos entender e viver os seus
ensinos, seguir o seu exemplo, amar a Deus e ao próximo.
Assim, iremos participando cada vez mais de suas idéias e de seus
sentimentos e ações, iremos nos unindo a ele cada vez mais, até
alcançarmos uma perfeita comunhão; e estando unidos a Jesus, estaremos
unidos, também, à vontade divina.
Livros consultados:
De Cairbar Schutel:
- "Parábolas e Ensinos de Jesus", A Ceia Pascoal.
De Léon Denis:
- "Cristianismo e Espiritismo", cap. VÌÌÌ, Os Dogmas, Os Sacramentos, o
Culto
Curso Básico de Espiritismo - Capitulo 32
A CONFÌSSÃO E COMUNHÃO DOS CRÌSTÃOS
Ì. O QUE É CONFESSAR?
A palavra confessar tem dois sentidos principais:
1) Declarar, revelar: Jesus queria que os seguidores o "confessassem" diante
de todos (Lc. 12:8/9), ou seja, que o reconhecessem e o declarassem como
o seu mestre espiritual.
2) Reconhecer a realidade de uma ação, erro ou culpa: neste significado é
que mais costumamos empregar a palavra confissão. Ìmportante é saber
reconhecer o acerto ou erro de nossas atitudes ou atos, para, a seguir,
perseverar no que for certo ou começar a corrigir o que estiver errado.
ÌÌ. OS TRÊS MODOS DE CONFESSAR
1) Ìntimamente (diretamente a Deus).
"Examine-se, pois, a si mesmo o homem". (Paulo, Ì Cor. XÌ, v. 28.)
Em uma parábola (Lc. 18:9/ 14), Jesus conta que um publicano, em
confissão íntima, fez justa avaliação de seu estado espiritual, suplicou o
amparo divino para se melhorar e, com esse proceder, alcançou o benefício
que pedira.
A confissão íntima é feita quando o assunto não requer maior comunicação
com os nossos semelhantes ou para não prejudicar ou sobrecarregar
desnecessariamente a outrem com aflições ou problemas.
2) Uns aos outros.
Recomenda Tiago, em sua epístola (cap. 5:16): "Confessai, pois os vossos
pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados".
Essa confissão, benéfica e necessária ao convívio humano, é o diálogo
fraterno e franco através do qual podemos:
- esclarecer ou prevenir mal-entendidos, aprofundando o entendimento e
mantendo a harmonia;
- revelar arrependimento e desejo de reajuste e reconciliação;
- expor problemas e dificuldades a quem nos possa entender e ajudar.
3) De público.
a) Ela pode ser um apoio para não mais reincidirmos numa falta, porque,
feita ante todos, com a promessa de não voltar a falir, o sentido de dignidade
pessoal nos leva a procurar manter o compromisso publicamente assumido.
João somente batizava aqueles que confessavam publicamente o seu
arrependimento.
b) É necessária para reparar males que prejudicaram a outros de modo
também público, pois faz que a verdade se restabeleça logo e amplamente.
Em qualquer das três formas, temos a confissão cristã, que constitui uma
comunicação nossa, mais sincera e aberta, com Deus e com o próximo.
Confissão que nos libera de angústias, tensões, temores e complexos de
culpa, renovando-nos as possibilidades diante de nós mesmos e dos outros.
E é uma forma de caridade o saber ouvir, acolher, desculpar, reanimar e
orientar aos que nos procuram para uma confissão fraterna.
ÌÌÌ. A CONFÌSSÃO AURÌCULAR
Ela não existia entre os primeiros cristãos. Foi instituída posteriormente, sob
a alegação de que Jesus teria concedido aos apóstolos um poder especial
para a remissão dos pecados que lhes fossem confessados.
Jesus absolutamente não concedeu a ninguém uma autorização para, em
lugar de Deus, decidir quanto aos erros humanos. Quem, na Terra, teria
condição de saber se uma confissão é completa e se a contrição é
verdadeira? A consciência individual é sagrada e só depende de Deus,
diretamente.
Em que se teriam baseado para instituir o que chamam de sacramento da
confissão? Numa afirmativa de Jesus: "tudo o que ligardes na Terra, terá sido
ligado no céu, e tudo o que desligardes na Terra terá sido desligado no Céu."
Examinemos as duas passagens em que essas palavras foram registradas:
Mateus, 18:18: o assunto é o perdão das ofensas. Neste caso, o que Jesus
esclarece é que quem não perdoa fica ligado ao ofensor (por laços mentais,
fluídicos, mágoa, ressentimento, revolta). Se não for possível a reconciliação,
perdoemos nós e procuremos esquecer tudo, para nos desligarmos do
ofensor e não sofrermos prejuízos espirituais.
Mateus, 16:18: Pedro recebe por revelação espiritual que Jesus é o Cristo.
Jesus afirma que sua igreja (agrupamento) se apoiará em comunicações
espirituais assim e que Pedro terá "as chaves do reino" (como médium
servirá ao intercâmbio mediúnico). Quem aprende a fazer o intercâmbio
mediúnico também terá, como Pedro, "as chaves do reino", devendo utilizá-
las de modo elevado.
Só depois deste episódio é que vem a repetição da frase sobre ligar ou
desligar na Terra e no Céu, já citada com muito mais propósito na outra
passagem. Neste novo texto, fica parecendo mais uma indevida interpolação,
pois, como já vimos, cada um é que se "liga" ou "desliga", pelo que pensa,
sente e faz, tanto na vida espiritual (Céu), como na vida material (Terra).
ÌV. JESUS, O PÃO DA VÌDA
No cap. 6 do evangelista João, Jesus fala de si mesmo e de sua missão:
"sou o pão da vida", "que desce do céu e dá vida ao mundo". (Vs. 33 e 35.)
Disse, também que devemos "comer" sua "carne" e "beber" o seu "sangue".
(V. 53.)
Mas explicou que falava de forma simbólica. (V. 63.)
O significado é:
- Jesus veio de planos mais elevados (desceu do Céu);
- para oferecer às criaturas na Terra a verdade, o ensino (pão) que nutre a
alma;
- e, com isso, fazê-las viver espiritualmente (dar vida), pois geralmente
vivemos quase que só para as coisas do mundo material;
- desde que as pessoas assimilassem seu ensino, aprendessem com seu
exemplo, imitassem sua vivência (comer sua carne e beber seu sangue).
V. O QUE É COMUNGAR?
Disse ainda: "quem de mim se alimenta, por mim viverá". (V. 56/57.)
A isto é que se chama comungar - ter comunicação, participação em comum,
união em crenças, idéias, conduta.
Na ceia pascoal (já perto de deixar este mundo), Jesus usou de novo os
símbolos pão (ensino) e vinho (exemplo), que reparte entre os discípulos,
significando que estava dando sua vida por eles.
E pede: "Fazei isto em memória de mim". (Lc. 22:19, 1 Cor. 11:23/25.)
Seus seguidores atenderam o pedido: continuaram relembrando e seguindo
os ensinos de Jesus, viviam em comunidade, partilhavam o que tinham com
todos. Havia, pois, comunhão entre os primitivos cristãos. (Atos, 2 vs. 42/47.)
VÌ. PARA COMUNGAR COM JESUS
Jesus queria que os seus discípulos e apóstolos comungassem com ele (Jo.
15 v. 10), mas orava para que também outras pessoas viessem a crer nele e
a comungarem com ele, para serem todos "um com o Pai". (Jo. 17 vs. 20/21.)
Comunguemos com Jesus, ou seja, procuremos entender e viver os seus
ensinos, seguir o seu exemplo, amar a Deus e ao próximo.
Assim, iremos participando cada vez mais de suas idéias e de seus
sentimentos e ações, iremos nos unindo a ele cada vez mais, até
alcançarmos uma perfeita comunhão; e estando unidos a Jesus, estaremos
unidos, também, à vontade divina.
Livros consultados:
De Cairbar Schutel:
- "Parábolas e Ensinos de Jesus", A Ceia Pascoal.
De Léon Denis:
- "Cristianismo e Espiritismo", cap. VÌÌÌ, Os Dogmas, Os Sacramentos, o
Culto