DIREITO PENAL 1

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES
Prof. Juenil Antonio dos Santos

1. CRIMES COMUNS E ESPECIAIS
Damásio E. de Jesus ensina: “os crimes comuns são os descritos no
Direito Penal Comum; especiais, os definidos no Direito Penal Especial”.

02. CRIMES COMUNS E PRÓPRIOS
“Crime comum é o que pode ser praticado por qualquer pessoa. Crime
próprio é o que só pode ser cometido por uma determinada categoria de
pessoas, pois pressupõe no agente uma particular condição ou
qualidade pessoal” (Damásio E. de Jesus)
Como ensina Mirabete, o tipo penal dos crimes próprios “limita o círculo
do autor, que deve encontrar-se em uma posição jurídica, como os
funcionários públicos, médicos.”
Esta classificação é feita por Magalhães Noronha como crimes comuns e
especiais.

03. CRIMES DE MÃO PRÓPRIA OU DE ATUAÇÃO PESSOAL
Damásio de Jesus conceitua este tipo de crime como “os que só podem
ser cometidos pelo sujeito em pessoa”. Este crime é praticado de tal
maneira que somente o autor está em condição de realizá-lo. (v.g.:
incesto, falso testemunho) Mirabete completa o conceito ao dizer que
“embora passíveis de serem cometidos por qualquer pessoa, ninguém os
pratica por intermédio de outrem”.

04. CRIMES DE DANO E DE PERIGO
“Crimes de dano são os que só se consumam com a efetiva lesão do bem
jurídico. Crimes de perigo são os que se consumam tão só com a
possibilidade do dano”. (Damásio de Jesus)
Damásio distingue os diversos tipos de perigo. Segundo ele, o perigo
pode ser:
a-) presumido (Não precisa ser provado) ou concreto (necessita ser
investigado e comprovado)
b-) individual (expõe uma única pessoa ao risco) ou coletivo (crimes
contra incolumidade pública)
c-) atual (está ocorrendo), iminente (está prestes a desencadear-se) ou
futuro (pode advir em ocasião posterior)
Mirabete conceitua também estes dois tipos de crime. Os crimes de
dano “só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico visado, por
exemplo, lesão à vida. Nos crimes de perigo, o delito consuma-se com o
simples perigo criado para o bem jurídico”.
Segundo Magalhães Noronha, “crimes de perigo são os que se
contentam com a probabilidade de dano. Crimes de dano são os que só
se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico tutelado”.

05. CRIMES MATERIAIS, FORMAIS E DE MERA CONDUTA
Seguindo o conceito dado por Damásio de Jesus crimes de mera
conduta são aqueles em que “o legislador só descreve o comportamento
do agente”. O crime formal menciona em seu tipo “o comportamento e o
resultado, mas não exige a sua produção para a consumação.” São
distintos porque os crimes de mera conduta são sem resultado, os
crimes formais tem resultado, “mas o legislador antecipa a consumação
à sua produção”.
No crime material “o tipo menciona a conduta e o evento, exigindo a sua
produção para a consumação”.
Vejamos o conceito de Mirabete: “No crime material há a necessidade de
um resultado externo à ação, descrito na lei, e que se destaca lógica e
cronologicamente da conduta. No crime formal não há necessidade de
realização daquilo que é pretendido pelo agente, e o resultado jurídico
previsto no tipo ocorre ao mesmo tempo e, que se desenrola a conduta,
havendo separação lógica e não cronológica entre conduta e resultado.
Nos crimes de mera conduta a lei não exige qualquer resultado
naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente”.

06. CRIMES COMISSIVOS E OMISSIVOS
O critério que distingue estes dois crimes é o comportamento do agente.
Segundo Damásio de Jesus, crimes comissivos são “os praticados
mediante ação”, o agente pratica uma ação. Já os crimes omissivos são
os praticados ‘mediante inação”, o agente deixa de praticar uma ação
que deveria ser feita .
Mirabete define crime comissivo como “os que exigem, segundo um tipo
penal objetivo, em princípio, uma atividade positiva do agente, um
fazer”. Crimes omissivos como “os que objetivamente são descritos com
uma conduta negativa, de não fazer o que a lei determina, consistindo a
omissão na transgressão da norma jurídica e não sendo necessário
qualquer resultado naturalístico.”
O mesmo autor fala ainda de crimes de conduta mista (comissivos-
omissivos). São aqueles que “no tipo penal se inscreve uma fase inicial
comissiva, de fazer, de movimento, e uma final omissão, de não fazer o
devido”. E. Magalhães Noronha define que ocorre os crimes comissivos-
omissivos “quando a omissão é meio ou forma de se alcançar um
resultado posterior”.

07. CRIMES INSTANTÂNEOS, PERMANENTES E INSTANTÂNEOS DE
EFEITOS PERMANENTES
“Crimes instantâneos são os que se completam num só momento. A
consumação se dá num determinado instante, sem continuidade
temporal (homicídio). Crimes permanentes são os que causam uma
situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo, como o
seqüestro ou cárcere privado”. (Damásio E. de Jesus)
Segundo Mirabete, crimes instantâneos de efeitos permanentes
“ocorrem quando, consumada a infração em dado momento, os efeitos
permanecem, independentemente da vontade do sujeito ativo”. Como
exemplo podemos citar a bigamia.
Faz-se necessário saber que, segundo observação de Magalhães
Noronha, “a instantaneidade não significa rapidez ou brevidade física da
ação, mas cuja consumação se realiza em um instante”.

08. CRIME CONTINUADO
O crime continuado está definido no caput do art. 71 do nosso Código
Penal: “quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de
tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os
subsequentes ser havidos como continuação do primeiro”.
Magalhães Noronha conceitua crime continuado aquele que é
“constituído por duas ou mais violações jurídicas da mesma espécie,
praticadas por uma ou pelas mesmas pessoas sucessivamente e sem
ocorrência de punição em qualquer daquelas, as quais constituem um
todo unitário, em virtude da homogeneidade objetiva”.
Damásio de Jesus explica-nos que neste caso “impõe-se-lhe pena de um
só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas”. E ressalta
que não se trata de uma tipo de crime, mas uma “forma de concurso de
delitos”.

09. CRIMES PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS
Damásio de Jesus define crimes principais aqueles que “existem
independentemente dos outros”. Crimes acessórios são aqueles que
“pressupõe outros”. Como exemplo, o mesmo autor cita o furto
(principal) e receptação (acessório).
“Os crimes principais independem da prática de delito anterior. Os
crimes acessórios, como a denominação indica, sempre pressupõem a
existência de uma infração penal anterior, a ele ligada pelo dispositivo
penal que, no tipo, faz referência àquela”. (Júlio Fabbrini Mirabete)

10. CRIMES CONDICIONADOS E INCONDICIONADOS
“Crimes condicionados são os que têm a punibilidade condicionada a
um fato exterior e posterior à consumação. Incondicionados os que não
subordinam a punibilidade a tais fatos” (Damásio E. de Jesus).

11. CRIMES SIMPLES E COMPLEXOS
“Crime simples é o que apresenta tipo penal único. Delito complexo é a
fusão de dois ou mais tipos penais” (Damásio de Jesus).
“São simples os crimes em que o tipo é único e ofendem apenas um
bem jurídico. São complexos os crimes que encerram dois ou mais tipos
em uma única descrição legal (sentido estrito) ou os que, em uma figura
típica, abrangem um tipo simples, acrescido de fatos e circunstâncias
que, em si, não são típicos sentido amplo).”(Júlio Fabbrini Mirabete)

12. CRIME PROGRESSIVO
Segundo Damásio, o crime progressivo ocorre quando “o sujeito, para
alcançar a produção de um resultado mais grave, passa por outro
menos grave”.
Mirabete ensina que “no crime progressivo, um tipo abstratamente
considerado contém implicitamente outro que deve necessariamente ser
realizado para se alcançar o resultado”.
Magalhães Noronha há crime progressivo quando “se tem um tipo,
abstratamente considerado, contém outro, de modo que sua realização
não se pode verificar, senão passando-se pela realização do que ele
contém”.

13. DELITO PUTATIVO
Segundo Mirabete, crime putativo (ou imaginário) “é aquele em que o
agente supõe, por erro, que está praticando uma conduta típica quando
o fato não constitui crime”. Segundo Damásio de Jesus, o delito
putativo ocorre quando “o agente considera erroneamente que a
conduta realizada por ele constitui crime, quando, na verdade, é um
fato atípico. Só existe na imaginação do sujeito”. O mesmo autor
destaca que há três tipos de delito putativo:
- delito putativo por erro de proibição: ocorre quando o agente supõe
violar uma norma penal que na verdade não existe. “Falta tipicidade à
sua conduta, pois o fato não é considerado crime”.
- delito putativo por erro de tipo: há a errônea suposição do agente e
esta não recai sobre a norma, ma sobre os elementos do crime. “O
agente crê violar uma norma realmente existente, mas à sua conduta
faltam elementares de tipo”.
- delito putativo por obra de agente provocador (crime de flagrante
provocado): “ocorre quando alguém, de forma insidiosa, provoca o
agente à prática de um crime, ao mesmo tempo que toma providências
para que o mesmo não se consuma.”

14. CRIME PROVOCADO
Ocorre o crime provocado “quando o agente é induzido à prática de um
crime por terceiro, muitas vezes policial, para que se efetue a prisão em
flagrante”. (Júlio Fabbrini Mirabete). Tem-se entendido que havendo
flagrante por ter sido o agente provocado pela Polícia, há crime
impossível.

15. CRIME IMPOSSÍVEL
Descrito pelo art. 17 do Código Penal: “ Não se pune a tentativa,
quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade
do objeto, é impossível consumar-se o crime”.
“Este crime pressupõe sejam absolutas a ineficácia e a impropriedade”
(E. Magalhães Noronha). Quando o dispositivo se refere ‘à ineficácia
absoluta do objeto’, deve-se entender que “o meio é inadequado,
inidôneo, ineficaz para que o sujeito possa obter o resultado
pretendido”. No que diz respeito ‘à absoluta impropriedade do objeto’
material do crime, este “não existe ou, nas circunstâncias em que se
encontra, torna impossível a consumação”. (Fabbrini Mirabete)

16. CRIME CONSUMADO E TENTADO
Segundo nosso Código Penal, há o crime consumado “quando nele se
reúnem todos os elementos de sua definição legal (art.14, I)”. Diz
Mirabete que o crime está consumado “quando o tipo está inteiramente
realizado, ou seja, quando o fato concreto se subsume no tipo penal
abstrato descrito na lei penal”.
Há o crime tentado “quando, iniciada a execução, não se consuma, por
circunstâncias alheias à vontade do agente” (art.14,II). “A tentativa é a
realização incompleta do tipo penal, do modelo descrito na lei. Na
tentativa há prática do ato de execução, mas não chega o sujeito à
consumação por circunstâncias alheias à sua vontade”. (Júlio Fabbrini
Mirabete)

17. CRIME FALHO
“É a denominação que se dá à tentativa perfeita ou acabada, em que o
sujeito faz tudo quanto está ao seu alcance para consumar o crime,
mas o resultado não corre por circunstâncias alheias à sua
vontade”.(Damásio E. de Jesus)

18. CRIMES UNISSUBSISTENTES E PLURISSUBSISTENTES
Ensina-nos Damásio de Jesus: “crime unissubsistente é o que se realiza
com um só fato. Crime plurissubsistente é o que se perfaz com vários
atos”.O primeiro não admite tentativa (v.g.: injúria) ; o plurissubsistente
sim (v.g. homicídio).
Mirabete completa o conceito dado por Damásio. No crime
unissubsistente “conduta é una”. O crime plurissubsistente “é
composto de vários atos, que integram a conduta, ou seja, existem fases
que podem ser separadas, fracionando-se o crime”.

19. CRIMES DE DUPLA SUBJETIVIDADE PASSIVA
“São crimes que têm, em razão do tipo, dois sujeitos passivos”.
(Damásio E. de Jesus) Podemos citar como exemplo a violação de
correspondência; os dois sujeitos passivos são o destinatário e o
remetente.
A classificação dada por Júlio Mirabete diverge da conceituada por
Damásio de Jesus. O exemplo citado acima, Mirabete classifica como
crime plurissubjetivo passivo. Segundo ele, este tipo de crime “demanda
mais de um sujeito passivo na infração”. (Mirabete fala ainda de crimes
unissubjetivos, “aquele que pode ser praticado por uma só pessoa”) e
crimes plurissubjetivos (“aquele que, por sua conceituação típica, exige
dois ou mais agentes para a prática da conduta criminosa”). Magalhães
Noronha classifica os chamados crimes unissubjetivos de Mirabete
como crimes unilaterais (“pode ser praticado por uma única pessoa”).

20. CRIME EXAURIDO
Damásio define crime exaurido como “aquele que depois de consumado
atinge suas últimas conseqüências. Estas podem constituir um
indiferente penal ou condição de maior punibilidade”.
Mirabete diz que um crime é exaurido quando “após a consumação, que
ocorre quando estiverem preenchidos no fato concreto o tipo objetivo, o
agente o leva a conseqüências mais lesivas”.

21. CRIMES DE CONCURSO NECESSÁRIO
Segundo Damásio de Jesus, crimes de concurso necessário “são os que
exigem mais de um sujeito”. O autor divide este tipo de crime em
coletivos (os que têm como elementar o concurso de várias pessoas-
art.288) e bilaterais (exigem o encontro de duas pessoas, mesmo que
uma não seja culpável).

22. CRIMES DOLOSOS, CULPOSOS E PRETERDOLOSOS
Há o crime doloso “quando o sujeito quis o resultado ou assumiu o
risco de produzi-lo” ( CP art. 18, I). Mirabete contribui para o
entendimento deste tipo de crime ao dizer que no crime doloso não
devemos apenas analisar o objetivo que o agente quis alcançar, mas
também a conduta do autor. Esta conduta é dividida em duas partes:
interna e externa. Na interna, analisamos o pensamento do autor: ele se
propõe a um fim, prepara os meios para a execução deste fim e, por fim,
considera os efeitos do fim pretendido.
A conduta externa é a exteriorização da conduta, uma “atividade em
que se utilizam os meios selecionados conforma a normal e usual
capacidade humana de previsão”.
Há o crime culposo “quando o sujeito deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia” (CP art. 18, II). Nos crimes
culposos não há a preocupação “com o fim da conduta; o que importa
não é o fim do agente, mas o modo e a forma imprópria com que atua”,
segundo Mirabete.
Crime preterdoloso ou preterintencional “é aquele em que a ação causa
um resultado mais grave que o pretendido pelo agente”. (Damásio E. de
Jesus)
É considerado por Mirabete um crime misto, “em que há uma conduta
que é dolosa, por dirigir-se a um fim típico, e que é culposa pela
causação de outro resultado que não era objeto do crime fundamental
pela inobservância do cuidado objetivo. Há no dolo no antecedente e
culpa no conseqüente”.

23. CRIMES SIMPLES, PRIVILEGIADOS E QUALIFICADOS
Seguindo o conceito dado por Damásio de Jesus crime simples “é o
descrito em sua forma fundamental. É a figura típica simples, que
contém os elementos específicos do delito”. Mirabete ainda completa
essa definição ressaltando que em seu conteúdo subjetivo não há
“circunstância que aumente ou diminua sua gravidade”.
O crime é considerado qualificado “quando o legislador, depois de
descrever a figura típica fundamental, agrega circunstâncias que
aumentam a pena”, segundo Damásio de Jesus. Fabbrini Mirabete diz
ainda que “não surge a formação de um novo tipo penal, mas apenas de
uma forma mais grave de ilícito”.
Há ainda os crimes chamados privilegiados. Segundo a definição de
Mirabete, estes “existem quando ao tipo básico a lei acrescenta
circunstância que o torna menos grave, diminuindo, em conseqüência,
suas sanções”.

24. CRIME SUBSIDIÁRIO
É a norma penal que tem natureza subsidiária em relação a outra.
Segundo Damásio, “a norma principal exclui a aplicação da
secundária”.

25. CRIMES VAGOS
“São os que têm por sujeito passivo, entidades sem personalidade
jurídica, como a família, o público ou a sociedade” –art.233 praticar ato
obseno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público (Damásio E.
de Jesus).

26. CRIMES COMUNS E POLÍTICOS
Damásio de Jesus distingue-os da seguinte maneira: “crimes comuns
são os que lesam bens jurídicos do cidadão, da família ou da sociedade,
enquanto os políticos atacam à segurança interna ou externa do
Estado, ou a sua própria personalidade.”
Mirabete classifica os crimes políticos como puros ou próprios, que “têm
por objeto jurídico apenas a ordem política, sem que sejam atingidos
bens ou interesses jurídicos individuais ou outros Estados”. Há ainda
os crimes relativos ou impróprios, que “expõem a perigo ou lesam
também bens jurídicos individuais ou outros que não a segurança do
Estado”.

27. CRIME MULTITUDINÁRIO
“É o praticado por uma multidão em tumulto, espontaneamente
organizada no sentido de um comportamento comum contra pessoa ou
coisas”-art 65,II, (Nélson Hungria)

28. CRIMES DE OPINIÃO
“Consistem em abuso de liberdade do pensamento, seja pela palavra,
imprensa ou qualquer meio de transmissão” (Damásio E. de Jesus).

29. CRIMES DE AÇÃO ÚNICA E DE AÇÃO MÚLTIPLA OU DE
CONTEÚDO VARIADO
Mirabete conceitua crime de ação simples aquele “cujo tipo penal
contém apenas uma modalidade de conduta, expressa no verbo que
constitui o núcleo da figura típica”.
Na redação do art. 122 do Código Penal, observamos os verbos “induzir”
ou “instigar” e “prestar” auxílio ao suicídio, sendo ainda ser citados
outros art. 234,289,§1º etc... Mesmo na prática destas três ações, elas
são consideradas como um único crime. Assim, são definidos, por
Damásio de Jesus, crimes de ação múltipla aqueles “em que o tipo faz
referência a várias modalidades da ação”.
Magalhães Noronha afirma que no crime de ação múltipla “o tipo
contém várias modalidades de conduta delituosa, as quais, praticadas
pelo agente, fatos do mesmo crime”.

30. CRIMES DE FORMA LIVRE E DE FORMA VINCULADA
“Os crimes de forma livre são os que podem ser cometidos por meio de
qualquer comportamento que cause um determinado resultado. Os
crimes de forma vinculada são aqueles em que alei descreve a atividade
de modo particularizado” (Damásio E. de Jesus)

31. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA E DE AÇÃO PENAL PRIVADA
Nos crimes de ação penal pública “o procedimento penal se inicia
mediante denúncia do órgão do Ministério Público”, conceito dado por
Damásio de Jesus. Nos crimes de ação penal privada, este
procedimento é feito mediante queixa do ofendido ou de seu
representante legal, segundo o art. 100 §§ 1º e 2º do CP.
O art. 101 expressa a distinção entre estes dois tipos de crime: o crime
é de ação penal privada quando a lei expressamente o declara.

32. CRIME HABITUAL E PROFISSIONAL
“Crime habitual é a reiteração da mesma conduta reprovável, de forma
a constituir um estilo ou hábito de vida, art 229. Quando o agente
pratica as ações com intenção de lucro, fala-se em crime profissional”
(Damásio E. de Jesus).
A definição de crime habitual para Mirabete é “a reiteração de atos,
penalmente indiferentes por si, que constituem por um todo, um delito
apenas traduzindo, geralmente um modo ou estilo de vida”. Define
crime profissional como “qualquer delito praticado por aquele que
exerce uma profissão, utilizando-se dela para a atividade ilícita”.

33. CRIMES CONEXOS
Neste caso há um elo entre os crimes. O sujeito comete uma infração
para ocultar outra. Damásio nos dá o exemplo de um sujeito que, após
praticar um furto, incendeia a casa para fazer desaparecer qualquer
vestígio. O fato do incêndio é cometido para assegurar a ocultação do
furto.

34. CRIME DE ÍMPETO
“É aquele em que a vontade delituosa é repentina, sem perceber
deliberação” (Damásio E. de Jesus). Ex.: homicídio praticado por
influência de forte emoção, art. 121,§ 1º, 3ª.figura

35. CRIMES FUNCIONAIS
Damásio de Jesus conceitua os crimes funcionais os que “só podem ser
praticados por pessoas que exercem funções públicas” art. 150, §
2º.,300,301 etc.

36. CRIMES A DISTÂNCIA E PLURILOCAIS
Os crimes a distância são aquele que “a conduta ocorre em um país e o
resultado noutro”. Delito plurilocal “é aquele que, dentro de um mesmo
país, tem a conduta realizada num local e a produção do resultado
noutro” (Damásio E. de Jesus)
37. DELITOS DE TENDÊNCIA
“São os crimes que condicionam a sua existência à intenção do sujeito”
(Damásio de Jesus). Têm a característica a exigência da verificação do
estado, da vontade o agente no momento do fato para a constituição da
figura delitiva.

38. CRIMES DE SIMPLES DESOBEDIÊNCIA
São os crimes de perigo abstrato ou presumido. “A simples
desobediência ao comendo geral, advinda da prática do fato, enseja a
presunção do perigo de dano ao bem jurídico” (Damásio E. de Jesus)

39. CRIMES PLURIOFENSIVOS
“São os que lesam ou expõe a perigo de dano mais de um bem jurídico”,
segundo Damásio de Jesus. Ex.: latrocínio, art.157,§3º. in fine (lesa a
vida e o patrimônio)

40. CRIME A PRAZO
A qualificadora depende de um determinado lapso de tempo.

41. CRIME GRATUITO
“Praticado sem motivo” (Damásio E. de Jesus)

42. DELITO DE CIRCULAÇÃO
“Praticado por intermédio do automóvel” (Damásio E. de Jesus)

43. DELITO TRANSEUNTE E NÃO TRANSEUNTE
“Transeunte é o que não deixa vestígios; não transeunte, o que deixa”
(Damásio E. de Jesus)

44. CRIME DE ATENTADO OU DE EMPREENDIMENTO
Damásio de Jesus define como “o delito em que o legislador prevê à
tentativa a mesma pena do crime consumado, sem atenuação” (Ex: com
arts. 352 e 358)
45.CRIME EM TRÂNSITO
Assim conceitua Damásio E. de Jesus: “são delitos em que o sujeito
desenvolve a atividade em um país sem atingir qualquer bem jurídico de
seus cidadãos”.

46. CRIMES INTERNACIONAIS
Definidos no art. 7º, II, a do Código Penal: “são crimes que, por tratado
ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir”. Podemos citar como
exemplo o tráfico de mulheres, entorpecentes etc.

47. QUASE-CRIME
São os definidos no Código Penal no art. 17 (crime impossível) e art. 31
(participação impunível).

48. CRIMES DE TIPO FECHADO E DE TIPO ABERTO
Ensina-nos Damásio de Jesus: “delitos de tipo fechado são aqueles que
apresentam a definição completa, como homicídio. Crimes de tipo
aberto são os que não apresentam a descrição típica completa”. Nos
primeiros a norma de proibição violada aparece de forma clara; no
segundo, não aparece claramente.

49. TENTATIVA BRANCA
Há a tentativa branca quando “o objetivo material não sofre lesão”.
(Damásio E. de Jesus).

50. CRIME CONSUNTO E CONSUNTIVO
“Crime consunto é o absorvido, consuntivo, o que absorve”. (Damásio de
Jesus). Constitui matéria de estudo do conflito aparente de normas, na
qual é aplicado o princípio da consunção.

51. CRIMES DE RESPONSABILIDADE
Este tipo de crime é alvo de discussões, pois esta classificação suscita
dúvidas no que concerne a sua interpretação. Por vezes é entendido
como crimes e infrações de natureza político-administrativas não
sancionadas com penas de natureza criminal.
Damásio de Jesus define, em sentido amplo, “como um fato violador do
dever do cargo ou da função, apenado com uma sanção criminal ou de
natureza política.” Divide ainda este tipo de crime em duas espécies:
próprio, que constitui delito, e impróprio, que diz respeito à infração
político-administrativa.

52. CRIMES HEDIONDOS
Damásio de Jesus conceitua crimes hediondos como “delitos
repugnantes, sórdidos, decorrentes de condutas que, pela forma de
execução ou pela gravidade objetiva dos resultados, causam intensa
repulsa”.
João José Leal afirma que haveria um crime hediondo “toda vez que
uma conduta delituosa estivesse revestida de excepcional gravidade,
seja na execução, quando o agente revela total desprezo pela vítima,
insensível ao sofrimento físico ou moral a que a submete, seja quanto à
natureza do bem jurídico ofendido, ainda pela especial condição das
vítimas”.
A Constituição Federal de 1988 considera estes crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia (art. 5º, inc. XLIII).

53. CRIME ORGANIZADO
É aquele praticado por uma organização criminosa. Segundo Mirabete,
organização criminosa “é aquela que, por suas características,
demonstre a existência de estrutura criminal, operando de forma
sistematizada, com planejamento empresarial, divisão de trabalho,
pautas de condutas em códigos procedimentais rígidos, simbiose com o
Estado, divisão territorial e, finalmente, atuação, regional, nacional ou
internacional”.
Nossa legislação usa este termo ‘crime organizado’, preferindo uma
redação mais simplista, referindo-se a ‘crime organizando’ como ‘bando’
ou ‘quadrilha’.
BIBLIOGRAFIA
A) JESUS, Damásio E. de. Direito Penal – Parte Geral. 20 ed. São Paulo:
Saraiva, 1997. v. 1
B) MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de Direito Penal : Parte Geral,
Arts. 1º a 120 do CP. 16 ed. São Paulo: Atlas, 2000. v. 1
C) LEAL, João José. Crimes Hediondos: aspectos político - jurídicos da
Lei n.º 8.072/90. 1ª ed. São Paulo : Atlas, 1996.