RELATO DE UM ATENDIMENTO HÍBRIDO: ENTRE O CONSULTÓRIO E O

ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO

Maíra Mendes Clini (USP/FMU)


Essa apresentação será sobre um caso de atendimento clínico híbrido. Com a
palavra híbrido quero dizer, aqui, a união de duas formas distintas de atender: a terapia
clínica e o acompanhamento terapêutico. A distinção desses dois modos aponta
justamente para a principal idéia que quero trazer para discussão. A idéia de espaço.
O pensamento que funda essa reflexão é a fenomenologia heideggeriana.
Heidegger, na segunda fase de seu pensamento, chamada de segundo Heidegger pelos
seus comentadores, tece reflexões acerca da arte, diferenciando as obras de arte das
coisas e dos utensílios. A obra de arte seria capaz de abrir ao redor de si um espaço
privilegiado, de instalar mundo. Esse espaço aberto ao redor das obras de arte se
contrapõe à concepção de espaço predominante na era da técnica, espaço do projeto
físico-técnico, dominado pelas definições das ciências naturais, espaço que pode ser
medido, manipulado, geometrizado e geograficamente constatado. Heidegger nomeia
esse espaço privilegiado de gegende, termo alemão de difícil tradução, que se refere à
idéia de encontro e ao mesmo tempo de ir contra. Há na literatura traduções como
contrea, palavra pouco utilizada no português, ou também região de encontro. Cito
Heidegger (...) : “O espaço espaçaA. Espaçar significa desbravar, libertar, liberar um
âmbito livre, ele concede, apenas com esse âmbito livre, a possibilidade de regiões de
encontro, de pertos e longes, de direções e limites, a possibilidade de distâncias e
grandezas” (1964/2008e:19).
Aqui, proponho pensar esse espaço privilegiado como o principal trunfo da
relação terapêutica. Ao criar uma relação baseada na confiança, no vínculo e na
presença genuína de ambas as partes, pode-se abrir um espaço correlato àquele que a
arte abre ao redor de si, e que se contrapõe também à dominação tecnocrata. Esse
espaço privilegiado não se reduz ao setting terapêutico, tampouco poderia ser
caracterizado apenas pelo discurso, pela postura corporal do paciente, ou pelo ambiente
físico específico de consultórios terapêuticos. Esse espaço é privilegiado justamente por
abranger tudo isso e ir além de todas essas reduções. Ele tem o mistério nos interstícios
de seu acontecer. Foi essa concepção de região de encontro que carregamos conosco
quando o atendimento de Maria, nome fictício para a paciente que nos conduzirá pela
presente reflexão, precisou ganhar as ruas de São Paulo, e transformou-se em
acompanhamento terapêutico.
Vamos conhecer Maria. Ela chega à clínica marcada por um diagnóstico: foi-me
encaminhada uma esquizofrênica. É tarefa da fenomenologia existencial, porém, refletir
acerca dos diagnósticos de maneira atenta e crítica, não permitindo que eles encerrem
em si toda a existência do paciente, trazendo à tona um questionamento daquilo que se
tem como óbvio e indiscutível. Esses pacientes chegam carimbados, muitas vezes por
eles mesmos, pois é tranquilizante encontrar um nome que defina o estranhamento que
se sente frente à vida. O reverso disso, porém, é que junto com esse apaziguamento da
dor acontece um achatamento da existência do paciente, ao reduzir toda a complexidade
da sua vida a um quadro conceitual fixo e rígido. Segundo Feijoo (2011: 135), “Esses
diagnósticos que, por um lado, têm potencial tranquilizador, por outro obscurecem o
fenômeno, na medida em que enquadram a questão existencial desde o início em uma
categoria.”
Muitas vezes o ato de diagnosticar pretende desafiar o mistério que existe em
toda existência, desrespeitando a singularidade e imprevisibilidade de uma vida. Se o
terapeuta compactuasse com isso, seria como que assinar embaixo da restrição de
mundo vivida pelo paciente, e profetizar que essa é a única possibilidade de seu existir.
Profecia muitas vezes auto-realizável, pois também é pelo olhar do outro que nos
reconhecemos, e se esse outro nos vê sempre restrito, então restritos seremos. Cabe ao
terapeuta, porém, suspender quaisquer definições rígidas acerca do paciente, para que
ambos possam questionar as suas supostas determinações.
O caso de Maria deixa evidente como um diagnóstico pode se dissolver diante
da complexidade de uma vida. Ela chega ao consultório marcada por uma restrição
considerável de mundo. A doença de Maria era mais evidente ali onde ela não podia ser,
tanto além e quanto aquém de todos os atributos que possam caracterizar um paciente
esquizofrênico. Sua esquizofrenia era contundente no modo como ela tinha dificuldade
em transitar pelo mundo, em se relacionar com os outros, e principalmente em se
projetar para o futuro. Sua temporalidade estava doente, ela tinha o futuro blindado, e
isso travava todas suas ekstases temporais. Ela não conseguia resgatar o seu passado
para situar-se no presente. Assim, sua vida era uma sucessão de agoras. E isso se refletia
no sono que permeava nossas sessões iniciais, como descreverei a seguir.
Maria, mulher de aproximadamente cinquenta anos, aparenta muito menos
idade, como se sua vida, depois de seu primeiro surto que acontecera quando tinha trinta
anos, tivesse ficado guardada numa caixa à sua espera, tivesse sido conservada do
desgaste do tempo e das vivências cotidianas. Maria me apresenta uma vida embotada.
Aposentada por invalidez, prisioneira dos seus medos em sua própria casa, ela tinha
uma rotina repetitiva e vazia. Isso se refletia em nossa relação na forma de um sono
incontrolável que se apossava de mim em todas as sessões. Não havia o que eu pudesse
fazer em relação à escolha de horários para atendê-la, tomar café, dormir bem, que
evitasse que o sono me embriagasse no curso das sessões. Era o embotamento de Maria
e sua dificuldade em se relacionar que se presentificava ali em nossa relação.
Compreendi que eu deveria acolher esse sono e sustentá-lo, para que a partir de nossa
perseverança na relação terapêutica alguma transformação pudesse se dar.
Transformação essa que não era previsível, tampouco controlável, mas que poderia
encontrar espaço para acontecer na região de encontro que se abriria com o cultivar de
nossa relação.
Inicialmente Maria se mostrava desconfiada em relação à minha presença,
fazendo um teste através da indagação sobre minha idade, por exemplo. Nos primeiros
tempos ela falta às sessões quando chove, quando está menstruada, quando há algum
transtorno maior na cidade. Logo no primeiro ano de atendimento, precisei mudar de
endereço, e essa foi uma das primeiras oportunidades de trabalhar concretamente os
medos de Maria. Ela se mostrou muito resistente, e pudemos compreender como
qualquer possibilidade de mudança a deixava apavorada. A perseverança de minha
presença junto a ela, a continuidade de nossos encontros, o respeito pelo ritmo
estabelecido por ela, e o silencioso aguardar da minha postura puderam propiciar que
houvesse um tecido acolhedor para que alguma transformação acontecesse. Entre
outras coisas, de mim foi preciso dispor de paciência para um processo o qual era
impossível prever de antemão. O estar-junto e o confiar acontecem num ritmo nunca
previamente determinado.
Abro parênteses para relatar um episódio que chama a atenção por evidenciar a
delicadeza da função do tempo na terapia. Depois de cinco anos de tecitura de relação,
Maria pode compartilhar comigo algo que Freud chamaria de “acontecimento
traumático” e que eu prefiro chamar de nó condensado de vivência. Essa revelação só
foi possível pois tínhamos criado juntas um tecido de confiança e de entrega, no qual a
paciente pode, enfim, pisar com firmeza para dar um salto. Resgatar sua história de vida
só foi possível pela duração que se explicitava com a freqüência de nossos encontros.
Pudemos experimentar, juntas, historicidade: presente, passado e futuro da terapia.
Maria sofreu um abuso na sua infância, fato esse que ficara velado até então na sua
história. Comigo foi seu primeiro compartilhar. Ela precisava lembrar para poder
elaborar, e depois esquecer novamente, mas agora liberta do seu peso, ela podia seguir
em frente. Assim, ao longo das sessões, Maria pode se apropriar de tudo o que
acontecera com ela, não no sentido de explicar seu sofrimento, mas sim de ser quem ela
era. Seus fantasmas, porém, ainda a acompanhavam no vagar dos dias.
Apresentarei um aspecto peculiar da vida de Maria, e gostaria de convidá-los a
ouvir sem preconceitos (vamos exercitar em tempo real a epoqué). Maria, assim como
toda sua família, é espírita kardecista, e medium há muitos anos. Ela vê espíritos e é
acompanhada por eles. Como compreender esse fenômeno em sua complexidade sem
entrar em julgamentos, em discussões de cunho religioso ou de crenças pessoais? Como
distinguir alucinações de fenômenos espirituais?
Seguindo o pensamento de João Augusto Pompéia (disponível em:
http://www.daseinsanalyse.org.br/artigo.php?id=2, acesso em 04/10/12), ENCONTRAR
REFERÊNCIA DA REVISTA INSIGHT E INSERIR NA BIBLIOGRAFIA não é o
fato de alguém ter uma experiência que não consigamos compartilhar e explicar que
torna essa pessoa doente. A restrição está inscrita na sua não-liberdade frente a essa
experiência. A psiquiatra que atende Maria também segue orientação fenomenológica-
existencial, e usa exatamente esse critério para decidir as dosagens de antipsicótico que
Maria ingere. Enquanto as figuras espirituais que Maria visualiza não interferem no
modo como ela lida com sua vida fática cotidiana, a psiquiatra entende que a dosagem
está adequada. Caso ela comece a interagir demasiadamente com essas mesmas figuras,
deixando de estar presente por inteiro nas coisas que faz, a psiquiatra aumenta a dose.
Maria aprendeu a conviver com algumas figuras que a acompanham, e quando ela está
bem, essas figuras sequer viram tema. Porém, quando, por algum motivo, sua restrição
de ser se acentua, ela passa a ter enorme dificuldade em interagir comigo, por exemplo,
pois as figuras espirituais passam a emitir vozes de comando que não a deixam se
concentrar em mais nada. Ou seja, o que marca o grau de doença é a não-liberdade
frente a essas figuras espirituais. É irrelevante o fato delas existirem ou não. Quando
Maria consegue se relacionar com elas de maneira livre e autônoma, escolhendo o
contexto no qual elas podem ganhar ou não ganhar voz, ninguém mais pode afirmar que
haja aí algum problema. Deixa de ter importância classificar esse fenômeno como
esquizofrenia ou mediunidade, e passa a ter importância o modo como Maria lida com
isso.
Ao longo dos atendimentos, Maria trazia muitas questões referentes a medo e a
dificuldade em transitar pelo mundo. Assim, fez-se necessário recuperar a idéia de
Acompanhante Terapêutico, e cabe ressaltar que isso surgiu das necessidades reais de
Maria, do que ela me mostrava mesmo sem ter clareza. Mas, se ela conseguia ir ao
consultório, por que transformar o atendimento clínico em AT? Não seria suficiente
trabalhar os medos a partir do diálogo? Importante é manter o rigor, e não “aplicar” um
procedimento qualquer, que muitas vezes pode estar mais à serviço de aplacar as
angústias do terapeuta do que de construir caminhos fecundos para o paciente. Nesse
caso, foi importante ouvir o apelo silencioso que surgia direto do horizonte
hermenêutico de Maria, pois ela deixava explícito nas entrelinhas de suas falas e pausas,
de suas queixas e dúvidas, de seus anseios e vazios, que a rua, em minha companhia,
seria mais propícia para que ela pudesse expandir o espaço profícuo que havíamos
construído ali em nossa relação para outros âmbitos da sua vida.
Passamos a nos encontrar no consultório e nos dirigíamos cada vez a um café diferente
das redondezas. No começo, Maria mostrava-se muito assustada em andar na rua, e era
possível perceber o quanto o mundo lhe era ameaçador. Maria tinha muito medo de
assalto, e, freqüentemente, gelava frente a presenças diversas que cruzavam nosso
caminho. Esse medo foi trabalhado em tempo real, e a partir do espaço criado por nossa
relação, o qual levávamos conosco onde quer que íamos, ela conseguia se situar de
maneira diferente frente às ameaças do mundo. Na rua, suportávamos juntas a errância
da vida, a possibilidade do imprevisto. As paredes que nos protegiam eram construídas
por nossa relação a cada vez. Isso foi gradativamente sendo transformado em estofo de
autonomia para Maria, que passou a transitar por mais lugares mesmo na minha
ausência. E trazia esse movimento para nossos encontros. A partir da possibilidade de
estar-com (psicóloga e psiquiatra), abriu-se uma nova rede de relações de mundo. Ao
longo do processo, as sessões foram sendo visitadas pelo movimento que já se fazia
presente no novo modo de ser da paciente. Inaugurou-se interesse no compartilhar.
Obviamente, o sono, que tanto me importunava no começo dos atendimentos, nunca
mais se fez presente. Cito Emerim (2009): “É necessário que o AT ofereça-se como
morada, como espaço de acolhimento ao que é estranho, estrangeiro, desviante, naquele
que se deixa acompanhar” (Disponível em:
http://www.bibliotecadoat.org.br/index.php/inicio/artigos/item/121. Acesso em
06/10/12).
Esse espaço era construído e resguardado por nós, a cada vez, a cada novo
encontro, onde quer que fossemos tomar café e conversar. O diálogo continuava sendo
uma ferramenta muito importante no processo terapêutico, porém muitas outras
sutilezas também estavam em questão. Certa vez, Maria sentiu-se espionada pela
funcionária de uma casa de empadas, mas pôde me relatar que eles estavam traçando
um plano contra ela, e que ela chegou a pensar em nunca mais aparecer naquele bairro.
O simples fato de compartilhar comigo essas impressões fazia com que Maria
relativizasse suas certezas persecutórias, abrindo novas possibilidades de interpretação
dos sinais do mundo.
A partir da relação aberta por nós Maria passou a verdadeiramente habitar o
mundo onde antes era estrangeira, conseguiu tecer redes de significação que puderam
construir um chão onde conseguisse pisar. Se o dasein é em nada determinado, é na sua
relação com o mundo que vai encontrar guarida para poder-ser. Em seu fundamento,
espaço é acontecimento. Lembremos com Benedito Nunes (2007: 157) que a ética do
morar é a ética da guarda, do habitar de um mundo que se sustenta apenas por ser o
espaço onde se erigem as relações. Assim como as obras de arte convidam para a
habitação em torno de si, a relação terapêutica também pode ser capaz de resgatar o
genuíno sentido de habitar. Fechamos essa apresentação com as palavras de Guzzoni:
“Quando dizemos que uma coisa possui seu local em um lugar determinado, então não
asseguramos apenas que ela está ali, que ela simplesmente aparece ali. Nós mostramos que esse é
o lugar nos qual ela se enraíza: o lugar de onde ela pode se distanciar e a partir do qual pode
medir as distâncias e amplidões e tomar o longe ao mesmo tempo como o seu de onde e como o
seu para onde e onde ela, finalmente, encontra sua paz. Com respeito ao homem, dizemos que
esse é o seu lar, seu estar-em-casa. (2008:54)

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