PHILIPE ARAUJO LACERDA

ESTIMATIVA TEÓRICA DE PRODUÇÃO DE METANO NO ATERRO SANITÁRIO
DE PATOS DE MINAS-MG UTILIZANDO DIFERENTES METODOLOGIAS










PATOS DE MINAS
2013
PHILIPE ARAUJO LACERDA






ESTIMATIVA TEÓRICA DE PRODUÇÃO DE METANO NO ATERRO SANITÁRIO
DE PATOS DE MINAS-MG UTILIZANDO DIFERENTES METODOLOGIAS




Projeto de trabalho de conclusão de curso
apresentada como exigência parcial para a
obtenção do título de graduado em Engenharia
Ambiental e Sanitária pelo Centro
Universitário de Patos de Minas, sob
orientação do professor Esp. Tiago Santos e
Souza.





PATOS DE MINAS
2013
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE PATOS DE MINAS
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL E SANITÁRIA

Monografia intitulada “ESTIMATIVA TEÓRICA DE PRODUÇÃO DE METANO NO
ATERRO SANITÁRIO DE PATOS DE MINAS-MG UTILIZANDO DIFERENTES
METODOLOGIAS”, de autoria do aluno PHILIPE ARAÚJO LACERDA, aprovada pela
banca examinadora constituída pelos seguintes professores:


________________________________________
Prof. Esp. Tiago Santos e Souza (Orientador)



________________________________________
Prof. Me. Gustavo Rodrigues Barbosa


________________________________________
Prof. Me. Marco Túlio Rocha Porto



________________________________________
Prof. Esp. Tiago Santos e Souza
Coordenador do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária








PATOS DE MINAS, 09 DE DEZEMBRO DE 2013.
RESUMO

Este estudo teve como finalidade estimar teoricamente a geração de metano (CH4) no aterro
sanitário de Patos de Minas através de três metodologias, visando a avaliação e comparação
desses diferentes métodos. As metodologias utilizadas para se estimar a geração de metano
foram descritas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Banco
Mundial (BM) e Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (USEPA). O aterro
começou as suas atividades no ano de 2009 e sua previsão de fechamento é para o final do
ano de 2022, porém as emissões de metano continuarão após o fechamento do aterro. Os
resultados dos métodos para o cálculo de geração de metano mostram que a metodologia
proposta pelo BM fornece resultados menores quando comparados às metodologias IPCC e
USEPA. Já a metodologia do IPCC fornece os maiores resultados. Essa diferença entre os
resultados acontece devido às especificidades de cada modelo. As vazões mínimas de geração
do biogás aconteceram no primeiro ano de deposição de resíduos no aterro, elas foram para
IPCC, BM e USEPA respectivamente de 52.9 m³/h, 33.7 m³/h e 12.9 m³/h. E as máximas
aconteceram em 2022, que foram para os modelos IPCC, BM e USEPA respectivamente de
498.0 m³/h, 65.5 m³/h, 289.8 m³/h.



Palavras-chave: Resíduos sólidos urbanos. Aterro sanitário. Metano.










Lista de figuras

Figura 1 - Fases de formação do biogás de aterro..................................................................17
Figura 2 - Histórico da concentração de dióxido de carbono e de metano na atmosfera........21
Figura 3 - a) temperatura média do planeta; b) média global do nível domar; c)cobertura de
neve no Hemisfério Norte........................................................................................................21
Figura 4 – Localização do Aterro Sanitário de Patos de Minas..............................................23
Figura 5 - Composição gravimétrica dos resíduos sólidos % (peso/peso líquido)..................25
Figura 6 – Geração de Metano (m³/ano) pela metodologia do IPCC.....................................37
Figura 7 – Geração de Metano (m³/ano) pela metodologia do Banco Mundial......................38
Figura 8 – Geração de Metano (m³/ano) pela metodologia da USEPA..................................39
Figura 9 – Geração de metano pelas metodologias do BM, EPA, IPCC...............................41
Figura 10 – Geração de metano pelas metodologias do BM, EPA, IPCC.............................42













Lista de tabelas
Tabela 1 - Índices de Geração e Coleta de resíduos sólidos por região.................................12
Tabela 2 - Estimativa da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos coletados no
Brasil em 2008........................................................................................................................13
Tabela 3 - Fatores que influenciam as características dos resíduos........................................14
Tabela 4 - Destino final dos resíduos sólidos, por unidades de destino dos resíduos, Brasil -
1989/2008. ..............................................................................................................................16
Tabela 5 - Composição média do biogás em aterros..............................................................19
Tabela 6 - Principais Gases de Efeito Estufa, suas Origens e Potencial de Aquecimento
Global. .....................................................................................................................................20
Tabela 7 - Composição gravimétrica dos RSU de Patos de Minas. ...................................... 24
Tabela 8 – Dados default do IPCC (2006) de k para o MSW misturado.................................27
Tabela 9 – Dados default do Good Guidance Practice 2000 para MCF.................................28
Tabela 10 – Porcentagem de COD por componente dos RSU................................................28
Tabela 11 - Valores para k sugeridos correspondentes à precipitação anual...........................29
Tabela 12 − Valores Lo sugeridos para o conteúdo do lixo orgânico......................................30
Tabela 13 - Valores recomendados para k...............................................................................31
Tabela 14 – População do município de Patos de Minas.........................................................31
Tabela 15- Deposição diária média de lixo no aterro..............................................................32
Tabela 16 – Temperatura média anual e precipitação anual no município de Patos de Minas...
..................................................................................................................................................34
Tabela 17 – Taxa média anual de crescimento de geração per capita de RSU........................35
Tabela 18 - Previsão de deposição de RSU no aterro de Patos de Minas................................35
Tabela 19 - Parâmetros de k e Lo utilizados nas metodologias...............................................39
Tabela 20 – Vazão de CH4 m³/ano Aterro Sanitário de Patos de Minas – Metodologias
IPCC, BM, USEPA...................................................................................................................40






Sumário
Lista de figuras ...................................................................................................................................... 11
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 8
2. OBJETIVO .......................................................................................................................................... 9
2.1. OBJETIVO GERAL .................................................................................................................... 9
2.2. OBJETIVO ESPECÍFICO ........................................................................................................... 9
3. JUSTIFICATIVA ................................................................................................................................ 9
4. REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................................. 10
4.1 RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS ........................................................................................... 10
4.1.1 Definição e Classificação ..................................................................................................... 10
4.1.2 Geração ................................................................................................................................ 12
4.1.3 Composição .......................................................................................................................... 12
4.1.4 Destinação Final ................................................................................................................... 15
4.2 BIOGÁS ATERRO ..................................................................................................................... 16
4.3 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E EFEITO ESTUFA .................................................................. 19
5. METODOLOGIA ............................................................................................................................. 22
5.1. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO .............................................................................. 22
5.2 COMPOSIÇÃO GRAVIMÉTRICA DOS RSU DE PATOS DE MINAS. ................................ 23
5.3 MODELOS PARA A ESTIMATIVA DA PRODUÇÃO DE BIOGÁS ..................................... 25
5.4 COLETA E TRATAMENTO DE DADOS ................................................................................ 31
5.4.1 Estimativa populacional de Patos de Minas ......................................................................... 31
5.4.2 Quantidade de Resíduos depositados no aterro Sanitário de Patos de Minas. ..................... 32
5.4.3 Estimativa de geração de RSU ............................................................................................. 33
5.4.4 Dados Meteorológicos .......................................................................................................... 33
6. RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................................... 34
6.1 QUANTIDADE DE LIXO RECEBIDA NO ATERRO SANITÁRIO DE PATOS DE MINAS.
........................................................................................................................................................... 34
6.2 RESPOSTAS DOS DIFERENTES MODELOS DE GERAÇÃO DE BIOGÁS ........................ 36
6.2.1 Metodologia IPCC ................................................................................................................ 36
6.2.2 Metodologia Banco Mundial ................................................................................................ 37
6.2.3 Metodologia USEPA ............................................................................................................ 38
6.3 COMPARAÇÃO ENTRE OS MODELOS ................................................................................ 39
7. CONCLUSÃO .................................................................................................................................. 43
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 44
ANEXO A - APLICAÇÃO DOS MODELOS DA USEPA, BM E IPCC. ........................................... 48
ANEXO B – APLICAÇÃO DOS MODELOS BM E USEPA PARA GERAÇÃO DE METANO
APÓS O FECHAMENTO DO ATERRO. ............................................................................................ 54
















8

1. INTRODUÇÃO

Os resíduos sólidos urbanos são resultados das atividades diárias do homem e com
o crescimento populacional e a necessidade de atender demandas cada vez maiores por
alimentos e bens de consumo, a sua geração tende a aumentar consideravelmente.
Considerando essas tendências futuras de crescimento populacional e industrial podemos
deduzir que os resíduos sólidos urbanos são inesgotáveis em sua origem, por isso podem ser
considerados um dos graves problemas sanitários e ambientais dos centros urbanos.
Uma das alternativas mais comuns e mais indicadas para a disposição final do lixo
urbano são os aterros sanitários, isso devido ao seu baixo custo, facilidade de execução e
grande capacidade de armazenamento dos resíduos quando comparada a outras formas de
destinação final, como a reciclagem, compostagem e incineração. Os aterros sanitários devem
ser muito bem gerenciados, operados e monitorados, pois necessitam de grandes áreas
próximas a cidades, grandes quantidades de material para a cobertura e ainda existe os riscos
de contaminação do solo, água e ar.
O aterramento dos resíduos é visto como uma boa prática de destinação final, mas
diversos problemas ambientais provindos dele devem ser considerados, um deles é a geração
de gases de efeito estufa que se originam da decomposição da matéria orgânica. Esses gases
gerados nos aterros sanitários têm como principais constituintes o dióxido de carbono (CO2) e
o gás metano (CH4), sendo o último um gás altamente combustível, possível de ser coletado e
utilizado como fonte de energia.
O biogás necessita ser continuamente drenado para evitar explosões no interior do
aterro sanitário, pois ele é um gás altamente combustível. No Brasil, a maioria dos aterros
utiliza o sistema de drenos abertos, onde é mantida acesa uma chama para promover a queima
imediata do biogás que é drenado continuamente. Esse sistema apresenta uma baixa eficiência
e estima-se que apenas 20% do biogás drenado sejam efetivamente destruídos pela queima. O
restante é simplesmente emitido para a atmosfera (ICLEI, 2009).
Quando o gás não é devidamente controlado, seja por coleta para aproveitamento
ou por queima em flares, contribui significativamente para o agravamento efeito estufa,
gerando impactos não somente em âmbito local mais também em âmbito global.
A emissão descontrolada dos gases gerados nos aterros sanitários causam
prejuízos ao meio ambiente, pois forma ozônio de baixas altitudes e ainda existem alguns
constituintes do biogás que pode causar câncer e outras doenças. Também existe o
9

inconveniente causado pelos odores desagradáveis, que pode gerar insatisfação dos indivíduos
que moram próximos ao aterro, além de favorecer a desvalorização das propriedades
(ENSINAS, 2003).
Para que um aterro sanitário seja realmente eficiente, ele deve ir além de
simplesmente armazenar os resíduos de maneira correta, deve ser construído com intuito de
minimizar ao máximo os impactos ao meio ambiente causado por ele. Os gases gerados nos
aterros sanitários impactam de forma significativa o meio ambiente, por isso os aterros devem
ser projetados de forma que visem a melhor captação desses gases, com o consequente
tratamento e se possível o aproveitamento energético.
2. OBJETIVO
2.1. OBJETIVO GERAL

O trabalho tem como objetivo geral estimar teoricamente o volume de biogás
produzido no aterro sanitário de Patos de Minas-MG através de três metodologias, sendo elas
descritas pelo Painel intergovernamental de mudanças climáticas (IPCC), Banco Mundial
(BM) e Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (USEPA).

2.2. OBJETIVO ESPECÍFICO

- Comparar os resultados gerados pelos três modelos matemáticos de geração de
Biogás utilizados;
- Gerar dados, para que estudos futuros possam apresentar formas de
aproveitamento energético do biogás.
3. JUSTIFICATIVA

Os gases gerados nos aterros sanitários possuem um elevado potencial poluidor,
pois são composto principalmente pelos gases carbônico (CO2) e metano (CH4), que
intensificam o efeito estufa, causando uma retenção de calor na atmosfera, tendo como
consequência o aquecimento global. Esses mesmos gases que são gerados no aterro e são
poluentes, possuem um alto teor energético, devido sua grande quantidade de metano, o que
possibilita o seu aproveitamento como um recurso energético.
10

A produção de informações sobre o potencial energético do aterro sanitário, em
relação à produção teórica de biogás, irá contribuir para que estudos futuros possam
apresentar formas de aproveitamento energético desse biogás, gerando energia de forma limpa
e sustentável, evitando com que o mesmo seja disperso na atmosfera causando danos ao meio
ambiente.
4. REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

4.1.1 Definição e Classificação

Os resíduos sólidos urbanos são constituídos por desde aquilo que é vulgarmente
denominado lixo (mistura de resíduos produzido nas residências, comércio e serviços e nas
atividades públicas, varrição de logradouros) até resíduos especiais como: pneus, pilhas e
baterias, resíduos da construção civil, resíduos industriais, resíduos hospitalares (BRAGA, et
al., 2005).
De forma mais prática e específica, a norma brasileira 10.004 (Resíduos sólidos –
Classificação) de 2004 define resíduos sólidos como:
Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de
origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de
varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas
de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de
controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades
tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de
água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em
face à melhor tecnologia disponível (ABNT, 2004).

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº
12.305/2010 em seu Capitulo II, artigo 3º e inciso XVI defini resíduos sólidos da seguinte
forma (BRASIL, 2010):
Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades
humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe
proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido,
bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades
tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos
d'água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis
em face da melhor tecnologia disponível (BRASIL, 2010).

11

Os resíduos sólidos podem ser classificados de várias formas, as mais utilizadas
dizem respeito a sua periculosidade ou aos riscos potenciais ao meio ambiente e quanto à
natureza ou origem do resíduo.
A classificação dos resíduos sólidos quanto a sua periculosidade está apresentada
a seguir (ABNT, 2004).
-Resíduos classe I (Perigosos): São aqueles que apresentam periculosidade como
inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.
-Resíduos classe II (Não perigosos):São considerados não perigosos e divide-se
em resíduos classe II A e B.
-Resíduos classe II A (Não inertes): Podem ter propriedades como
biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água.
-Resíduos classe II B (Inertes): Quaisquer resíduos que, quando amostrados de
uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato
dinâmico e estático com água destilada ou desionizada, à temperatura ambiente, conforme
ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações
superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e
sabor.
A origem é um dos principais elementos para a caracterização dos resíduos
sólidos. Segundo o Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos, os resíduos
podem ser classificados em cinco classes principais (IBAM, 2001):
Lixo Doméstico ou residencial: São os resíduos gerados nas atividades diárias em
casas, apartamentos, condomínios e demais edificações residenciais.
Lixo Comercial: São os resíduos gerados em estabelecimentos comerciais, cujas
características dependem da atividade ali desenvolvida.
Lixo Público: São os resíduos presentes nos logradouros públicos, em geral
resultantes da natureza, tais como folhas, galhadas, poeira, terra e areia, e também aqueles
descartados irregular e indevidamente pela população, como entulho, bens considerados
inservíveis, papéis, restos de embalagens e alimentos.
Lixo Domiciliar Especial: Grupo que compreende os entulhos de obras, pilhas e
baterias, lâmpadas fluorescentes e pneus. Os entulhos de obra, também conhecidos como
resíduos da construção civil, só estão enquadrados nesta categoria devido a grande quantidade
de sua geração e pela importância que sua recuperação e reciclagem vêm assumindo no
cenário nacional.
12

Lixo de Fontes Especiais: São resíduos que, em função de suas características
peculiares, passam a merecer cuidados especiais em seu manuseio, acondicionamento,
estocagem, transporte ou disposição final. Dentro da classe de resíduos de fontes especiais
podemos destacar: Lixo industrial, lixo agrícola, resíduos de serviços de saúde, lixo agrícola,
lixo radioativo.

4.1.2 Geração

O constante crescimento populacional, o acelerado processo de urbanização, a
forte industrialização, o crescimento do poder aquisitivo e o consumo crescente de produtos
menos duráveis ou descartáveis provocaram um acelerado aumento no volume de resíduos
gerados nos últimos anos em países em desenvolvimento (TARAZONA, 2010).
No Brasil são produzidos diariamente cerca de 200 mil toneladas de resíduos
sólidos, com uma geração por habitante variando aproximadamente entre 0,905 e 1,3 kg RSU/
hab.dia¯¹. São coletados em média 90 % do total dos resíduos sólidos que são gerados no país
(ABRELPE, 2012).
A tabela 1 mostra os índices de geração e coleta per capita por regiões no Brasil:

Tabela 1 - Índices de Geração e Coleta de resíduos sólidos por região.
Região Índice RSU Gerado
Índice RSU
Coletado
(T/dia) (T/dia)
Norte 13.754 11.585
Nordeste 51.689 40.021
Centro-Oeste 16.055 14.788
Suldeste 98.215 95.142
Sul 21.345 19.752
Brasil 201.058 181.288
Fonte: Adaptado ABRELPE 2012.
4.1.3 Composição
A composição dos Resíduos sólidos urbanos varia de acordo com vários fatores
como: poder aquisitivo, nível cultural, nível educacional, número de habitantes. Essa
composição também acompanha as modificações econômicas e as evoluções tecnológicas. O
lixo urbano passa cada vez mais a ser composto por embalagens e produtos artificiais,
13

acompanhando o desenvolvimento econômico e consequentemente o aumento do consumo de
bens industrializados pela população (ENSINAS, 2003).
Tabela 2 - Estimativa da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos
coletados no Brasil em 2008.
Resíduos Participação (%) Quantidade (T/dia)
Material reciclável 31,9 58.527,40
Metais 2,9 5.293,50
Aço 2,3 4.213,70
Alumínio 0,6 1.079,90
Papel, papelão e tetrapak 13,1 23.997,40
Plástico total 13,5 24.847,90
Plástico filme 8,9 16.399,60
Plástico rígido 4,6 8.448,30
Vidro 2,4 4.388,60
Matéria orgânica 51,4 94.335,10
Outros 16,7 30.618,90
Total 100,0 183.481,50
Fonte: Adaptado PNRS, 2012.

Os principais fatores que exercem forte influência sobre as características dos
resíduos estão listados na tabela 3:
















14

Tabela 3 - Fatores que influenciam as características dos resíduos
FATORES INFLUÊNCIA
1-Climáticos
Chuvas · Aumento do teor de umidade
Outono · Aumento do teor de folhas
Verão · Aumento do teor de embalagens de bebidas (latas, vidros e

pláticos rígidos)
2-Épocas Especiais
Carnaval · Aumento do teor de embalagens de bebidas (latas, vidros e

plásticos rígidos)
Natal/Ano Novo/Páscoa · Aumento de embalagens (papel/papelão, plásticos maleáveis

e metais)

· Aumento de matéria orgânica
Dia dos Pais/Mães · Aumento de embalagens (papel/papelão e plásticos

maleáveis e metais)
Férias escolares · Esvaziamento de áreas da cidade em locais não turísticos

· Aumento populacional em locais turísticos
3- Demográficos
População urbana · Quanto maior a população urbana, maior a geração

per capita
4-Socioeconômicos
Nível cultural · Quanto maior o nível cultural, maior a incidência de materiais

recicláveis e menor a incidência de matéria orgânica
Nível educacional · Quanto maior o nível educacional, menor a incidência de

matéria orgânica
Poder aquisitivo · Quanto maior o poder aquisitivo, maior a incidência de

materiais recicláveis e menor a incidência de matéria orgânica
Poder aquisitivo (no mês) · Maior consumo de supérfluos perto do recebimento do

salário (fim e início do mês)
Poder aquisitivo (na semana) · Maior consumo de supérfluos no fim de semana
Desenvolvimento tecnológico · Introdução de materiais cada vez mais leves, reduzindo o

valor do peso específico aparente dos resíduos
lançamento de novos produtos · Aumento de embalagens
Promoções de lojas comerciais · Aumento de embalagens
Campanhas ambientais · Redução de materiais não-biodegradáveis (plásticos) e

aumento de materiais recicláveis e/ou biodegradáveis (papéis,
metais e vidros)
Fonte: Adaptado IBAM, 2001.



15

4.1.4 Destinação Final

Com relação à disposição final dos resíduos sólidos, no Brasil atualmente existem
basicamente três formas (IBAM, 2001):
Lixão ou vazadouro a céu aberto: O lixão é uma forma inadequada de
disposição final, pois provoca uma série de impactos ambientais negativos, se caracteriza pela
simples descarga dos resíduos sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou a
saúde pública.
Aterro Controlado: O aterro controlado é uma técnica de depositar resíduos
sólidos que utiliza alguns princípios da engenharia para confinar os resíduos, cobrindo os com
uma camada de material inerte a cada conclusão de jornada de trabalho, porem é desprovido
de sistemas coleta e tratamento de gás e chorume.
Aterro Sanitário: O aterro sanitário é um método para disposição final dos
resíduos sólidos urbanos, sobre terreno natural, através do seu confinamento em camadas
cobertas com material inerte, geralmente solo, segundo normas operacionais específicas, de
modo a evitar danos ao meio ambiente, em particular à saúde e à segurança pública.
Segundo o Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos, um aterro
sanitário conta necessariamente com as seguintes unidades (IBAM, 2001):
Unidades operacionais:
• células de lixo domiciliar;
• impermeabilização de fundo (obrigatória) e superior (opcional);
• sistema de coleta e tratamento dos líquidos percolados (chorume);
• sistema de coleta e queima (ou beneficiamento) do biogás;
• sistema de drenagem e afastamento das águas pluviais;
• sistemas de monitoramento ambiental, topográfico e geotécnico;
• pátio de estocagem de materiais.
Unidades de apoio:
• cerca e barreira vegetal;
• estradas de acesso e de serviço;
• balança rodoviária e sistema de controle de resíduos;
• guarita de entrada e prédio administrativo;
• oficina e borracharia.

16

Observando a realidade da disposição final do RSU, os vazadouros a céu aberto
(lixões) constituíram solução de destinação final em 50,8% dos municípios brasileiros no ano
de 2008, sendo predominante sobre as outras formas de destinação apresentada na tabela 4.
Embora este quadro venha se alterando nos últimos 20 anos, tal situação se configura como
um cenário de destinação inadequado, que exige soluções urgente e estrutural para o setor.
Contudo, independente das soluções e/ou combinações de soluções a serem pactuadas, isso
certamente irá requerer mudanças social, econômica e cultural da sociedade. (IBGE, 2008)

Tabela 4 - Destino final dos resíduos sólidos, por unidades de destino dos resíduos, Brasil
- 1989/2008.
Ano Vazadouro a Aterro Aterro

céu aberto controlado sanitário
1989
88,2 % 9,6% 1,1%
2000
72,3% 22,3% 17,3%
2008
50,8% 22,5% 27,7%
Fonte: PNSB (IBGE, 2008).

4.2 BIOGÁS ATERRO

Os aterros sanitários são utilizados como uma das principais e mais adequadas
formas de se depositar os resíduos sólidos urbanos, apesar de ser uma prática considerada
como adequada, existem alguns problemas ambientais decorrentes dela, como por exemplo, a
geração de chorume e de biogás.
O volume do biogás gerado irá variar de local para local, em função de fatores
como quantidade de resíduos, idade do local de depósito, presença de ambiente anaeróbico,
materiais tóxicos, acidez e condições construtivas e de manejo (CETESB, 2010).
O aterramento dos Resíduos juntamente com o tratamento anaeróbio de efluentes
domésticos e industriais, é apontado como uma das maiores fontes de metano liberado para
atmosfera, contribuindo assim para o agravamento do efeito estufa. Os aterros são
responsáveis por cerca de 5 a 20% do total de metano emitido por fontes antropogênicas
(IPCC, 1996).
O metano proveniente de aterros, além de contribuir consideravelmente para as
emissões globais, é um perigo potencial para o meio ambiente local, caso não sejam tomadas
medidas que evitem emissões descontroladas, já que ele pode migrar para áreas vizinhas ou
mesmo emanar pela superfície, causando prejuízos à saúde humana e a vegetação, decorrentes
17

da formação de ozônio troposférico ou da exposição a alguns constituintes do biogás que
podem causar câncer e outras doenças que atacam fígado, rins, pulmões e o sistema nervoso
central (ESINAS, 2003).
Devido às altas concentrações de metano no biogás, ele se torna um perigo
potencial para o meio ambiente local caso não sejam tomadas medidas que evitem emissões
descontroladas, existindo o risco de incêndios e explosões em instalações próximas ao aterro.
Outro efeito indesejável da emissão descontrolada de biogás são os odores desagradáveis, que
afeta negativamente os indivíduos que residem próximos ao aterro e favorece a
desvalorização das propriedades. (CETESB, 2010).
O gás gerado dos resíduos é produto de uma decomposição anaeróbia da matéria
orgânica e pode ser emitido durante anos, até que a matéria orgânica seja decomposta. Ao
longo do tempo se varia a composição dos principais constituintes do biogás; a sua formação
se apresenta por meio de fases, como vista na figura 1:

Figura 1 - Fases de formação do biogás de aterro

Fonte: Tchobanoglous, theisen e vinil(1993) apud Ensinas (2003).
18

Segundo Tchobanoglous, theisen e vinil(1993) apud Ensinas (2003), as diversas
fases apresentadas na figura anterior são descritas a seguir:
-Fase I (Ajuste inicial): A matéria orgânica se decompõe principalmente em
condições aeróbias, devido à presença de certa quantidade de ar no aterro, os microrganismos
desse processo são provenientes da terra que é usada como material de cobertura dos resíduos.
-Fase II (Transição): A quantidade de oxigênio decai e as reações anaeróbias
intensificam-se. Com a queda do potencial de óxido-redução os microrganismos responsáveis
pela conversão da matéria orgânica em metano e dióxido de carbono iniciam a conversão do
material orgânico complexo em ácidos orgânicos e outros produtos. Nesta fase o pH do
chorume começa a cair devido a presença de ácidos orgânicos e pelo efeito das elevadas
concentrações de CO2 dentro do aterro.
-Fase III (Ácida): Com maiores quantidades de ácidos orgânicos e menores de gás
hidrogênio, as reações da fase de transição são aceleradas. Primeiramente, ocorre a hidrólise
de compostos de maior massa molecular (lipídios, polissacarídeos, ácidos nucléicos e
proteínas). A segunda etapa é a acidogênese, que envolve a transformação dos produtos
resultantes da primeira etapa, em compostos de massa molecular menor como o ácido acético
e alguns outros de maior complexidade. O dióxido de carbono é o principal gás gerado
durante esta fase e os microrganismos envolvidos nesta conversão, descritos como não
metanogênicos, são constituídos de bactérias anaeróbias estritas e facultativas. Devido a
dissolução de ácidos orgânicos no chorume, a DBO,a DQO e a condutividade aumentam
significativamente. Também devido ao baixo pH, constituintes inorgânicos como os metais
pesados serão solubilizados.
-Fase IV (Metanogênica): Predominância de seres estritamente anaeróbios,
denominados metanogênicos, que convertem ácido acético e gás hidrogênio em metano e gás
carbônico. A formação do metano e dos ácidos prossegue simultaneamente, embora a taxa de
formação dos ácidos seja reduzida consideravelmente. O pH do chorume nessa fase tende a
ser mais básico, na faixa de 6,8 a 8,0.
-Fase V (Maturação): Está fase ocorre após grande quantidade do material
orgânico ter sido biodegradado e convertido em CH4 e CO2 durante a fase metanogenica. A
taxa de geração de gás diminui consideravelmente, pois a maioria dos nutrientes disponíveis
foi consumida nas fases anteriores e os substratos que restam no aterro são de degradação
lenta. Dependendo das medidas no fechamento do aterro, pequenas quantidades de nitrogênio
e oxigênio podem ser encontradas no gás do aterro.
19

Segundo Tchobanoglous, Theisin e Vinil (1993) apud Ensinas (2003) a duração
de cada fase depende da distribuição da matéria orgânica no aterro, do teor de umidade, da
disponibilidade de nutrientes e do grau de compactação inicial dos resíduos.
Vários gases fazem parte da composição do biogás dos aterros sanitários de
resíduos sólidos urbanos, sendo o gás metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2) seus
principais constituintes. Na tabela 5 podem-se observar os valores médios de sua composição.
Tabela 5 - Composição média do biogás em aterros.
COMPOSIÇÃO PORCENTAGEM (BASE SECA)
Metano
45 - 60
Dióxido de Carbono
40 - 60
Nitrogênio
2,0 - 5,0
Oxigênio
0,1 - 1,0
Enxofre, Mercaptanas
0 - 1,0
Amônia
0,1 - 1,0
Hidrogênio
0 - 0,2
Monóxido de Carbono
0 - 0,2
Gases em Menor Concentração
0,01 - 0,6
Fonte: Tchobanoglous, theisen e vinil(1993) apud Ensinas (2003).

4.3 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E EFEITO ESTUFA

As condições do clima são fruto da energia que a superfície da terra recebe do sol
e a quantidade de energia que a terra devolve para o espaço. A Terra recebe a energia do sol
na forma de luz ou raios ultravioletas, absorvendo uma parte desta energia, sendo que a outra
é refletida para o espaço na forma de radiação térmica ou raios infravermelhos.
(TARAZONA, 2010).
O efeito estufa é um fenômeno natural e necessário, pelo qual parte do calor
emitido pela superfície da Terra, em decorrência da incidência dos raios solares, fica retido
nas camadas baixas da atmosfera, conservando uma faixa de temperatura adequada para
manutenção da vida no planeta. Se não existisse essa camada de gases, a temperatura média
global seria 30° mais baixa, sendo impossível a vida humana no planeta. (ICLEI, 2009).
Quando as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera forem muito altas,
não é possível que o calor gerado pela radiação solar na superfície da Terra seja liberado
novamente ao espaço, desequilibrando o funcionamento normal do clima que atualmente é
conhecido.
20

O aquecimento global é o resultado da intensificação do efeito estufa natural,
ocasionado pelo significativo aumento das concentrações de “gases do efeito estufa” (GEE)
na atmosfera, ou seja, gases que absorvem parte do calor que deveria ser dissipado,
provocando aumento da temperatura média do planeta. (ICLEI, 2009).
O dióxido de carbono (CO2) é o gás responsável por mais da metade do
aquecimento global. No entanto, existem outros gases que provocam o mesmo efeito, porém
com intensidades maiores, expressas em toneladas equivalentes de CO2, conforme
apresentado na Tabela 6 (ICLEI, 2009):

Tabela 6 - Principais Gases de Efeito Estufa, suas Origens e Potencial de Aquecimento
Global.
Gases do Efeito Estufa Potencial de Principais Causas
GGE Aquecimento Global

CO2 (dióxido de carbono) 1 x CO2 e (referência)
Uso intensivo de combustíveis fósseis,
aumento da ocorrência de queimadas e
incêndios florestais, que provocam o aumento
das emissões de CO2 para a atmosfera;
Redução das áreas florestadas, que absorvem e
estocam o carbono atmosférico.
CH4 (metano) 21 x CO2e
Degradação anaeróbica de material orgânico
em aterros, estações de tratamento de
efluentes, lagoas anaeróbicas com dejetos
animais, além do processo digestivo de
animais ruminantes (ex: gado bovino).
N2O (óxido de nitrogênio) 310 x CO2e
Queima de combustíveis fósseis, uso abusivo e
incorreto de fertilizantes químicos no solo.
CFCs, HFCs, PFCs 140 x até 11.700 x CO2e Sistemas de refrigeração e sprays aerossóis.
SF6 (hexafluoreto de
enxofre)
22.500 x CO2e
Produzido industrialmente para uso
principalmente pela indústria elétrica, como
meio isolante e extintor de arco elétrico, tanto
em disjuntores, como em subestações
blindadas.
Fonte: IPCC, 2007.

As concentrações atmosféricas globais de dióxido de carbono, metano e óxido
nitroso, aumentaram bastante em consequência das atividades humanas desde 1750 e agora
ultrapassam em muito os valores pré-industriais determinados com base em testemunhos de
gelo de milhares de anos. (IPCC, 2007)
A Figura 2 apresenta o histórico da concentração de dióxido de carbono e de
metano na atmosfera entre 1976 e 2004, ficando evidente o significativo aumento das
concentrações desses gases nas últimas décadas.

21


Figura 2 - Histórico da concentração de dióxido de carbono e de metano na atmosfera.

Fonte: IPCC, 2007.
A Figura 3 evidencia a correlação entre a elevação da temperatura média do planeta e a
redução de áreas cobertas com neve no Hemisfério Norte e a média global do nível do mar.
Figura 3 - a) temperatura média do planeta; b) média global do nível domar;
c)cobertura de neve no Hemisfério Norte.

Fonte: IPCC, 2007.
22

As mudanças globais no clima vêm trazendo uma série de impactos e prejuízos
ambientais, sociais e econômicos em diversas regiões do planeta. Algumas previsões feitas
pelos cientistas sobre as consequências das mudanças globais no clima são (ICLEI, 2009):
•Derretimento das geleiras nas regiões polares em locais de elevada altitude e
como consequência aumento do nível do mar, e prevê-se que diversas regiões do planeta serão
submersas já nas próximas décadas, tais como a cidade de Nova Iorque, inúmeras ilhas, os
Países Baixos, entre outros.
•Alterações significativas nos ciclos hidrológicos do planeta, mudando os regimes
regionais de chuva e maior ocorrência e intensidade de fenômenos climáticos adversos, tais
como enchentes, estiagens, maremotos e furacões, mesmo em locais onde esses fenômenos
não ocorriam. A frequência de furações de categoria 4 e 5 dobrou, nos últimos 30 anos.
•Maior ocorrência de incêndios florestais, significativa perda da biodiversidade e
alterações nos ecossistemas naturais. O resultado é que muitas espécies animais e vegetais já
estão ou em breve estarão em extinção.
5. METODOLOGIA

5.1. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O município de Patos de minas esta localizada na região do Alto Paranaíba no
estado de Minas Gerais possui uma área total de 3.189,771 km² e uma população de 138.710
habitantes, sua economia é baseada na agroindústria, agricultura e pecuária (IBGE, 2010).
O Município de Patos de Minas é composto por um relevo com altitude média de
815 m e inserido no Planalto Central Minas/Goiás. O ponto de altitude máxima do Município
é cerca de 1.178 metros, localizado na Serra do Pântano, na divisa com o Município de
Coromandel. A altitude mais baixa é de 750 metros, na várzea do Rio Paranaíba. (MELLO,
2008).
É caracterizado como tropical o clima no município, com o verão quente e úmido,
com chuvas que se iniciam nos meses de setembro e outubro, e vão até os meses de março e
abril. O inverno é seco, com temperaturas amenas, iniciando-se entre março e abril e
estendendo-se até setembro e outubro. A temperatura média anual é de 21,2º C, com a mínima
média de 16,6º C e a máxima média de 28,6ºC (MELLO, 1982).

23

O Aterro Sanitário esta localizado nas coordenadas 46°33'20,9" O 18°35'27,9" S.
Situa-se à oeste da sede municipal, em zona rural, na Fazenda Córrego Rico, nos locais
denominado Ponte e Açude, conforme Escritura registrada em cartório.
Faz divisa com terreno de propriedade de Antônio Carlos Magalhães, Pascoal
Borges, com a Prefeitura Municipal, Benedito Dornelas dos Santos Filho e Vander Dornelas
dos Santos. O terreno do aterro possui uma área de 22,00 ha, sendo que a área efetivamente
ocupada pelo aterro sanitário é de 13,67 ha. (Limpebrás, 2013)
O início das atividades no aterro sanitário de Patos de Minas se deu no ano de
2009 e a previsão para o seu encerramento é no ano de 2022. (Limpebrás, 2013)

Figura 4 – Localização do Aterro Sanitário de Patos de Minas.

Fonte: Google Earth, 2013.

5.2 COMPOSIÇÃO GRAVIMÉTRICA DOS RSU DE PATOS DE MINAS.

A composição gravimétrica média feita em Patos de Minas foi realizada em 1.997
pela Planex S/A conforme quadro demonstrativo, além de definir o peso específico do lixo em
165,25 kg/m³.





24

Tabela 7 - Composição gravimétrica dos RSU de Patos de Minas.
COMPONENTES % (PESO/PESO LÍQUIDO)
Couro 0,10
Folhagem e palha de milho 4,97
Inertes (louça, cerâmica, entulho) 4,46
Madeira 1,99
Matéria orgânica putrescível 49,03
Metal ferroso 2,35
Metal não ferroso (alumínio) 0,39
Osso 0,10
Papel 12,47
Papelão 1,79
Plástico 8,94
Trapo e pano 1,64
Terra e similares 6,54
Vidro 2,63
Perdas e material restante 2,60
Total 100%
Fonte: Prefeitura, 2002.





















25

Figura 5 - Composição gravimétrica dos resíduos sólidos % (peso/peso líquido)




Fonte: Prefeitura, 2002.

5.3 MODELOS PARA A ESTIMATIVA DA PRODUÇÃO DE BIOGÁS

Existem vários modelos que são utilizados para estimar a produção de biogás em
aterros de RSU, para estimar a produção do aterro sanitário de Patos de Minas serão utilizados
os três modelos mais difundidos e utilizados, que são: O modelo apresentado pelo Painel
26

Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Modelo Scholl Canyon, recomendado
pelo Banco Mundial (BM) e o modelo proposto pela Agencia de Proteção Ambiental dos
Estados Unidos (EPA).
As equações utilizadas nesses modelos têm em comum o fato de serem equações
cinéticas de primeira ordem. A seguir são apresentados cada um destes modelos:

- Metodologia IPCC

O IPCC possui duas metodologias para calcular as emissões de CH4 procedentes
dos aterros de RSU, a primeira é a metodologia chamada de padrão e a segunda é a
metodologia cinética de primeira ordem. Será utilizado o método de decaimento de primeira
ordem ou cinética de primeira ordem, pois é mais completo quando comparado ao método
padrão, já que considera que o metano produzido é emitido ao longo de uma série de anos
depois da disposição final e não instantaneamente. Esta estimativa considera alguns fatores
que irão influenciar a taxa de emissão de metano dos resíduos, como por exemplo: médias
anuais de precipitação e temperatura, composição dos resíduos, a quantidade de resíduos que
já foi aterrada, o tipo de aterro e as quantidades de metano que são recuperadas e oxidadas.
A metodologia se baseia na seguinte equação:

Onde:

CH4 gerado = Quantidade de metano gerado no ano t [t CH4/ano]
t = Ano do inventário [ano]
x = Anos para os quais os dados foram considerados
A = Fator de normalização para a soma [adimensional]
K = Constante de decaimento [1/ano]
RSUT(x) = Quantidade total de resíduo sólido urbano gerado no ano x [Gg MSW/ano]
RSUF(x) = Fração de MSW destinado ao aterro no ano x [adimensional]
L0(x) = Potencial de geração de metano [m³CH4/ t RSU]

27

A constante de decaimento (k) ou tempo de meia vida, esta relacionado com o
tempo necessário para que o Carbono orgânico degradável (COD) do resíduo depositado
possa decair para a metade de sua massa inicial.
Será utilizado um valor default recomendado no Guidelines 2006, que pode ser
observado na tabela a seguir, que fornece os valores para massa misturada de resíduos.

Tabela 8 – Dados default do IPCC (2006) de k para o MSW misturado
CLIMA BOREAL E TEMPERADO CLIMA TROPICAL
MAT ≤ 20º C MAT ≥ 20º C
Seco Úmido e molhado Seco Úmido e molhado
(MAP/PET < 1) (MAP/PET > 1) (MAP<1000mm) (MAP>=1000mm)
Default Faixa Default Faixa Default Faixa Default Faixa
0,05 0,05 - 0,06 0,09 0,08 - 0,1 0,065 0,05 - 0,08 0,17 0,15 - 0,2
Fonte: Adaptado do IPCC (2006).

O fator normalizador para soma (A) será definido pela seguinte equação:

O potencial de geração de metano (L0(x)) é definido pela seguinte equação:

L0 (x) = MCF(x) x COD(x) x CODf x F x (16/12)
Onde:
MCF(x) = Fator de correção do metano referente ao gerenciamento dos locais de disposição
[adimensional]
COD(x) = Carbono orgânico degradável [Gg C/Gg MSW]
COD f = Fração do DOC que decompõe [adimensional]
F= Fração de metano no biogás [adimensional]
16/12 = Razão de conversão de carbono (C) para metano (CH4) [adimensional]
O MCF(x) o fator de correção do metano está associado ao tipo de aterro e sua
qualidade de operação. Utilizou-se como referencia os dados disponíveis no Good Practice
Guidance 2000, que podem ser observados na tabela 8:





28

Tabela 9 – Dados default do Good Guidance Practice 2000 para MCF.
Características do local de disposição de RSU MCF
Aterro Sanitário 1,0
Local não gerenciado com profundidade igual ou superior a 5m 0,8
Local não gerenciado com menos de 5m de profundidade 0,4
Depósito de lixo não classificado 0,6
Fonte: Good Guidance Practice, 2000.

O cálculo Carbono orgânico degradável (COD(x)) é baseado na composição dos
resíduos e na fração de carbono em cada componente de sua massa (IPCC 1996), na tabela 9
são apresentados os valores de COD para cada tipo de resíduo.

Tabela 10 – Porcentagem de COD por componente dos RSU.
Componente Porcentagem de COD (em massa)
A) Papéis e têxteis 40
B) Resíduos de Parque e jardins 17
C) Restos de Alimento 15
D) Madeira e Palha 30
Fonte: Guidelines, 1996.

Portanto o COD(X) pode ser definido pela seguinte equação:
COD(X) = (0,4 x A) + (0,17 x B) + (0,15 x C) + (0,3 x D)
Sendo:
A = Papéis e têxteis;
B = Resíduos de Parque e jardins;
C = Restos de Alimento;
D = Madeira e Palha.
Para encontrar o valor de CODf, que é a fração do DOC que efetivamente se
degrada, utiliza-se a formula seguinte:
CODf = 0,014 T + 0,28
T = Temperatura no interior do aterro
É sugerido pelo Good Practice Guidance 2000, quando não houver dados de
temperatura no interior do aterro, que se adote a temperatura média de 35 C°, com esse valor
de temperatura o CODf terá um valor de 0.77, ou seja 77% DOC será degradada.
Na fração de metano biodegradável (F) também será utilizada um valor default
fornecido pelo Good Practice Guidance 2000, que é de 0,5, ou seja, 50% de metano no
biogás.
29

- Modelo Scholl Canyon – Metodologia Banco Mundial

O modelo School Canyon é recomendado pelo Banco Mundial no Manual para a
Preparação de Gás de Aterro Sanitário para Projetos de Energia na América Latina e Caribe.
É o modelo empírico de primeira ordem mais aceito e usado pela indústria e por
agências reguladoras e instituições financeiras que apoiam projetos de aproveitamento do
biogás de aterros de RSU na América do Sul e no Caribe. Este modelo está baseado na
premissa de que há uma fração constante de material biodegradável no aterro por unidade de
tempo. (Banco Mundial, 2003).
A equação de primeira ordem é dada abaixo:



Q(CH4)i = metano produzido no ano i a partir da seção i do resíduo;
k = constante da geração de metano;
Lo = potencial da geração de metano;
mi = massa de resíduo despejada no ano i;
ti = anos após o fechamento.

Conforme as características do local do aterro e dos RSU, o Banco Mundial
sugere alguns valores para os parâmetros da taxa de geração de metano (k) e do potencial de
geração de metano (L0).
A constante taxa de geração de metano (k) representa à taxa de decomposição
biológica de primeira ordem, à qual o metano é gerado depois da deposição dos resíduos.

Tabela 11 - Valores para k sugeridos correspondentes à precipitação anual.
Campo dos Valores k
Precipitação anual Relativamente Moderadamente Altamente
Inerte Degradável Degradável
< 250 mm 0,01 0,02 0,03
> 250 e < 500 mm 0,01 0,03 0,05
> 500 e < 1000 mm 0,02 0,05 0,08
> 1000 mm 0,02 0,06 0,09
Fonte: Banco Mundial, 2003.
30

O Lo representa a produção total de CH4, em m³ de CH4 por tonelada de lixo, o
seu valor depende da composição do resíduo, em particular da fração de matéria orgânica
presente e do conteúdo de carbono biodegradável nesta fração. Valores típicos para Lo variam
de 125 a 310 m3 CH4 /t de resíduo. (Tarazona, 2010).
O Manual do Banco Mundial propõe a utilização de um valor pré-estabelecido de
L0 de 170 m³ de CH4 /t. de resíduos aterrado.

Tabela 12 − Valores Lo sugeridos para o conteúdo do lixo orgânico.
Categorização do Lixo Valor Mínimo para Lo Valor Máximo para Lo
Lixo Relativamente Inerte 5 25
Lixo Moderadamente degradável 140 200
Lixo Altamente Degradável 225 300
Fonte: Banco Mundial, 2003.

-Modelo USEPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos)

A USEPA apresenta dois métodos para estimar os gases emitidos pela
decomposição dos resíduos sólidos em aterros: uma é destinada a sistemas de disposição final
sem sistema de tratamento de gases e a outra destinada ao cálculo das emissões em sistemas
de disposição controlada, com dispositivos de tratamento e controle dos gases, como: flares,
motores de combustão interna, caldeiras e turbinas a gás.
O biogás do aterro de Patos de Minas não é queimado e nem tratado por nenhum
dos processos citados acima. Ele é queimado sobre o próprio dreno e o acendimento é manual,
apresentando vários drenos apagados.
Portanto será utilizada a equação cinética de primeira ordem para disposição sem
controle. Esta metodologia foi publicada pela USEPA (“Emission factor documentation for
AP-42 section 2.4. Municipal Solid Waste Landfills”).



QCH4: quantidade de gás CH4 produzido (m3/ano)
Lo: potencial da geração de CH4 por tonelada de lixo (m3/t)
R: quantidade de resíduos depositados no aterro. (t/ano)
k: constante da geração de CH4 (1/ano)
31

c: tempo desde o encerramento do aterro (anos), c = 0 para aterros ativos
t: tempo desde o início da disposição dos resíduos no aterro (anos)

Esse modelo também possui as mesmas variáveis do potencial da geração de CH4
(Lo) e da constante da geração de CH4 (k) utilizadas pelo BM e pelo IPCC. Os valores para as
variáveis Lo e k devem ser estimados, mas a EPA sugere valores para estes parâmetros.
O potencial de geração de metano (Lo) pode variar amplamente entre 5,67 – 245,7
m3 CH4/t de resíduo. O valor recomendado pela USEPA para o Lo é 100 m3/t.
A constante de geração de metano (k) possui valores que são recomendados pela
USEPA (Tabela 13), na qual a escolha do valor depende da pluviometria do local.

Tabela 13 - Valores recomendados para k.
Pluviometria Valores de k
< 635 mm/ano 0,02
> 635 mm/ano 0,04
Fonte: USEPA, 2008.

5.4 COLETA E TRATAMENTO DE DADOS

5.4.1 Estimativa populacional de Patos de Minas

Através de dados dos censos demográficos IBGE (2000 e 2010) e da população
residente no município segundo o Ministério da Saúde no ano de 1990 (Tabela 14), e
utilizando a metodologia de Qasim (1985 apud SPERLING, 2005) criou-se a projeção
populacional para o município de Patos de Minas para o período de 10 anos. Essas estimativas
serão utilizadas para quantificar a geração de resíduos para os anos de 2013 a 2022.

Tabela 14 – População do município de Patos de Minas.
Ano Habitantes
1990 101292
2000 123881
2010 138710
Fonte: IBGE, MS (1990, 2000 e 2010).

32

A metodologia utilizada para estimar a população será a equação do Crescimento
Logístico, descrito por Qasim (1985 apud SPERLING, 2005):

[


]

Onde:
P = População estimada para o ano N;
P0, P1 e P2 = população nos anos T0, T1 e T2 (as fórmulas para taxa decrescente e
crescimento logístico exigem valores equidistantes);
Ps = população de saturação (hab.);
a e b = coeficientes.

5.4.2 Quantidade de Resíduos depositados no aterro Sanitário de Patos de Minas.

Foi cedido pela empresa Limpebrás Engenharia Ambiental Ltda. os dados
referentes à quantidade média diária de resíduos depositados no aterro sanitário do município
para os anos de 2011, 2012 e 2013. A empresa é prestadora de serviços para o município e é
responsável pela coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos do município de
Patos de Minas, além do gerenciamento do aterro sanitário.

Tabela 15- Deposição diária média de lixo no aterro.
Ano Resíduos Depositados (t/dia)
2011 90
2012 96
2013 100
Fonte: Limpebrás, 2013.
33

5.4.3 Estimativa de geração de RSU

Através da estimativa populacional dos anos de 2011, 2012 e 2013 e a quantidade
de resíduos recebidos no aterro nesse mesmo período, dados esses fornecidos pela Limpebrás,
serão calculadas as taxas de geração per capita para os anos de 2011, 2012 e 2013.
Com base nas taxas de geração per capita, será criado uma taxa de crescimento
anual da geração per capita de resíduos. Para o cálculo deste indicador será feita uma média
do crescimento da geração per capita do município para os anos citados.
O produto da geração per capita e da estimativa populacional, levando em
consideração a Taxa média de Crescimento anual, irá resultar na geração de resíduos para um
determinado período, sendo assim, é possível estimar quanto de RSU o aterro irá receber ao
longo de sua vida útil.

(

)


Pd = produção diária média de lixo (ton./dia);
p = produção per capita (kg/hab./dia);
Pop (i) = População no ano considerado;

5.4.4 Dados Meteorológicos

Os dados meteorológicos utilizados são provenientes da estação meteorológica
número 83531 (INMET, 2013) localizado no município de Patos de Minas – MG, distrito de
Sertãozinho, nas coordenadas 18°31’10”S 46°26’22”O, a 940 metros de altitude.
Foram utilizados os dados de temperatura e precipitação de uma série de 20 anos
para o cálculo da temperatura média anual (TMA) e precipitação média anual (PMA), para se
estimar o coeficiente (k) utilizado nas modelagens matemáticas de estimativa de produção de
biogás.




34

Tabela 16 – Temperatura média anual e precipitação anual no município de Patos de
Minas.
Ano Temperatura (°C) Precipitação (mm/ano)
1992 26 2270
1993 28 926
1994 27 1524
1995 28 1494
1996 28 1239
1997 27 1462
1998 28 1365
1999 28 1342
2000 25 1476
2001 28 1117
2002 28 1158
2003 28 1455
2004 27 1510
2005 28 1568
2006 26 1819
2007 29 1099
2008 28 1695
2009 27 1677
2010 25 1553
2011 28 1816
2012 27 1246
Fonte: INMET, 2013.

A temperatura média anual (TMA) e a precipitação média anual (PMA) foram
respectivamente de 28,7°C e 1540 mm/ano para os últimos 20 anos.
6. RESULTADOS E DISCUSSÕES

6.1 QUANTIDADE DE LIXO RECEBIDA NO ATERRO SANITÁRIO DE PATOS DE
MINAS.
Através da projeção populacional descrita na metodologia e dos dados cedidos
pela empresa Limpebrás, foi possível estimar o número de habitantes e a geração per capita de
resíduos sólidos do município de Patos de Minas de 2009 a 2022, ano previsto para
encerramento das suas atividades.
Calculou-se geração per capita através do número de habitantes do município nos
anos de 2011, 2012 e 2013 e da quantidade de resíduos gerados no mesmo período, dessa
35

forma foi possível calcular uma taxa média anual de crescimento da geração per capita através
do crescimento dos anos de 2011, 2012 e 2013.

Tabela 17 – Taxa média anual de crescimento de geração per capita de RSU.
Ano 2011 2012 2013 Taxa média de Crescimento anual
Geração Per capita (kg/dia) 0.644 0.681 0.705 4.60%
Fonte: Autor.

Através da estimativa populacional, da geração per capita calculada e seu
crescimento anual de 4,6%, foi possível estimar a quantidade de resíduos recebida pelo aterro
entre os anos de 2009 até 2022.

Tabela 18- Previsão de deposição de RSU no aterro de Patos de Minas.
Ano População Geração Per Capita Geração RSU
(hab.) (kg.hab./dia) (T/Ano)
2009 137 546 0.585 28967.2
2010 138 710 0.614 30660.5
2011 139 795 0.644 32400.0*
2012 140 825 0.681 34560.0*
2013 141 797 0.705 36000.0*
2014 142 711 0.737 37864.1
2015 143 571 0.771 39849.6
2016 144 380 0.806 41893.3
2017 145 140 0.843 44047.1
2018 145 853 0.882 46311.2
2019 146 521 0.922 48633.3
2020 147 148 0.964 51066.2
2021 147 736 1.008 53610.4
2022 148 285 1.054 56265.2
*Dados cedidos pela Limpebrás.







36

6.2 RESPOSTAS DOS DIFERENTES MODELOS DE GERAÇÃO DE BIOGÁS

O presente trabalho apresentou três métodos para estimar a produção de biogás no
aterro sanitário de Patos de minas, são eles descritos por IPCC, BM e USEPA. Nesta seção
serão apresentados os parâmetros de entradas e os resultados de cada metodologia.

6.2.1 Metodologia IPCC

De acordo com a tabela 8, proposta pelo IPCC, pode-se admitir um valor para a
constante de geração de metano (k). Para isso utilizou-se dos dados climatológicos da região
(tabela 16), observando que a temperatura média anual é maior que 20°C e que a precipitação
média anual é maior do que 1000 mm por ano, assim foi determinado um valor de 0,17 ano-¹.
Para se calcular o valor do potencial de geração de metano (Lo), é necessário
calcular a quantidade de carbono orgânico degradável (COD) existente no lixo. O COD foi
calculado através da composição gravimétrica de 1997 realizada pela Planex S/A em Patos de
Minas.

COD(x) = (0,4 x A) + (0,17 x B) + (0,15 x C) + (0,3 x D)
Onde:
A - Papéis e têxteis = 15.9 %
B - Resíduos de Parque e jardins = 0%
C - Restos de Alimento = 49,03%
D - Madeira e Palha = 1,99%

COD(x) = (0,4*15,9) + (0,15*49,03) + (0,3*1,99)
COD(x) = 14,31 %
-Cálculo de Lo:
Lo = 1,0*0,1431*0,77*0,5*16/12
Lo = 0,0734 Kg CH4 / Kg RSU

Considerando a densidade do CH4 (0°C e 1,013 bar) como 0,0007168 t/m³
(Coelho 2011 apud FIGUEIREDO, 2007). Tem-se:

37

Lo =



Lo = 102.4 m³ CH4 / t RSU
Os cálculos referentes à utilização desta metodologia são apresentados no Anexo
A.

Figura 6 – Geração de Metano (m³/ano) pela metodologia do IPCC.

Fonte: Autor.

6.2.2 Metodologia Banco Mundial

Os valores das constantes de geração de metano (k) são propostos pelo BM
segundo a tabela 11, a tabela leva em consideração a precipitação e a biodegradabilidade dos
resíduos. A precipitação média anual da região estudada é maior que 1000 mm anuais, e o
resíduo que é depositado no aterro foi classificado como moderadamente biodegradável.
Portanto o valor aplicado nessa metodologia foi de 0,06 ano-¹.
Valores para Lo são propostos pelo BM segundo a Tabela 12, dependendo da
biodegradabilidade do resíduo. Foi adotado um valor para Lo de 170 m3 de CH4/t (resíduos
moderadamente biodegradáveis).
Os cálculos referentes à utilização deste modelo proposto pelo Banco Mundial são
apresentados no Anexo A.



1900ral
4637ral
7375ral
7375ral
7375ral
7375ral
1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral
M
e
t
a
n
o

g
e
r
a
d
o

(
m
³
)


Ano
IPCC
38

Figura 7 – Geração de Metano (m³/ano) pela metodologia do Banco Mundial.

Fonte: Autor.

6.2.3 Metodologia USEPA

Na tabela 13 apresentam-se os valores recomendado pela USEPA para a constante
de geração de metano, que depende da precipitação da região. No caso do aterro em estudo
possuí uma pluviometria maior do que 635 mm/ano, portanto o valor recomendado para k é
de 0,04 ano-¹.
Foi utilizado um valor para o potencial de geração de CH4 (Lo) de 100 m³/T, valor
este recomendado pela USEPA.
Os cálculos referentes a esta metodologia são apresentados no Anexo A.












2584ral
2721ral
2858ral
2995ral
3132ral
3268ral
1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral
M
e
t
a
n
o

g
e
r
a
d
o

(
m
³
)


Ano
BM
39

Figura 8 – Geração de Metano (m³/ano) pela metodologia da USEPA.

Fonte: Autor.

6.3 COMPARAÇÃO ENTRE OS MODELOS

Os valores do potencial de geração de CH4 (Lo) e da constante da geração de
CH4 (k), utilizados em cada modelo, são apresentados na tabela 19.
Tabela 19 - Parâmetros de k e Lo utilizados nas metodologias.
Parâmetros IPCC BM USEPA
k 0.17 0.06 0.04
Lo 102.4 170 100
Fonte: Autor.

Os parâmetros k e Lo são definidos de acordo com cada metodologia, observa-se
que cada método utiliza diferentes valores para os mesmos.
A tabela 20 mostra os resultados gerados por cada metodologia, considerando os
parâmetros k e Lo sugeridos por cada modelo, para os anos de atividade do aterro.






1900ral
3268ral
4637ral
6006ral
7375ral
8744ral
8744ral
1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral 1905ral
M
e
t
a
n
o

g
e
r
a
d
o

(
m
³
)


Ano
USEPA
40

Tabela 20 – Vazão de CH4 m³/ano Aterro Sanitário de Patos de Minas – Metodologias
IPCC, BM, USEPA.
IPCC BM USEPA
Ano k=0.17 ano-¹ k=0.06 ano-¹ k=0.04 ano-¹
Lo=102.4 m³/t Lo=170 m³/t Lo=100 m³/t
2009 463 727.7 295 465.3 113 582.0
2010 882 065.5 312 736.7 235 728.8
2011 1 262 850.2 330 480.0 366 377.8
2012 1 618 683.8 352 512.0 510 991.1
2013 1 941 940.6 367 200.0 652 569.3
2014 2 244 502.5 386 213.6 807 914.0
2015 2 531 548.5 406 465.6 973 191.2
2016 2 806 436.6 427 311.7 1 147 252.1
2017 3 072 829.5 449 280.3 1 331 647.7
2018 3 333 822.0 472 374.7 1 526 788.9
2019 3 591 184.5 496 059.2 1 731 166.6
2020 3 847 261.3 520 875.7 1 946 730.0
2021 4 104 033.1 546 826.1 2 298 765.4
2022 4 363 162.3 573 905.0 2 538 620.4
Fonte: Autor.

As menores vazões de metano ocorreram em 2009, no primeiro ano de
funcionamento do aterro, devido às baixas quantidades de resíduos depositados.
Transformando as vazões mínimas para m³/hora, os resultados para geração de metano no ano
de 2009 para os modelos IPCC, BM e USEPA são respectivamente 52.9 m³/h, 33.7 m³/h e
12.9 m³/h.
Da mesma forma, as maiores vazões de metano ocorreram em 2022, no último
ano de atividade no aterro, devido a grande quantidade de resíduos depositados. As vazões
máximas em m³/hora para os modelos IPCC, BM e USEPA são respectivamente 498.0 m³/h,
65.5 m³/h, 289.8 m³/h.
Na figura 9 os resultados da geração de metano dos modelos BM, USEPA E IPCC
foram comparados:






41

Figura 9 – Geração de metano pelas metodologias BM, USEPA, IPCC.

Fonte: Autor.

Através da observação do gráfico nota-se que a produção de metano gerado pela
metodologia do Banco Mundial é muito menor que as calculadas pelo IPCC e pela USEPA. E
as emissões calculadas pelo IPCC são maiores do que as calculadas pela metodologia da
USEPA.
A metodologia apresentada pelo Banco Mundial sugere valores para constante de
geração de CH4 (k) e do potencial da geração de CH4 (Lo) superiores aos valores propostos
pela USEPA. Porém ao aplicar ambos os métodos, a equação sugerida pela USEPA fornece
resultados de geração de metano a partir do ano de 2011 superiores aos encontrados com a
metodologia sugerida pelo Banco Mundial. Apenas nos anos de 2009 e 2010 a geração de
metano do modelo do banco Mundial foi maior do que a metodologia proposta pela USEPA.
O método apresentado pelo IPCC permite o cálculo do potencial de geração de
metano (Lo) quando se tem as características dos resíduos depositados no aterro. Os cálculos
efetuados com a composição gravimétrica dos resíduos depositados no aterro estudado
fornece um Lo intermediário aos valores sugeridos pelas outras metodologias. Para o valor de
k o IPCC propõe uma faixa de valores que são determinados a partir de dados climatológicos,
o valor de k sugerido pelo IPCC é maior do que os valores propostos pelo BM e pela USEPA.
A seguir será apresentado um gráfico com a geração de metano durante a vida útil
do aterro e após o encerramento de suas atividades.



100000
600000
1100000
1600000
2100000
2600000
3100000
3600000
4100000
M
e
t
a
n
o

g
e
r
a
d
o

(
m
³
)

Ano
IPCC
BM
USEPA
42

Figura 10 – Geração de metano pelas metodologias BM, USEPA, IPCC.

Fonte: Autor.

Observa-se na figura 10, que a metodologia descrita pelo IPCC é adequada apenas
para aterros ativos, pois ao aplicar sua fórmula à multiplicação pela fração exponencial e a
somatória da produção dos anos anteriores apresenta valores de emissão sempre crescente.
Por isso é evidente no gráfico que sua curva de geração de metano tem continuidade apenas
até o ano de 2022, ano de encerramento das atividades do aterro sanitário de Patos de Minas.
Segundo Borba (2006), a metodologia do IPCC é adequada para utilização em
aterros ativos, enquanto a metodologia do Banco Mundial apresenta uma melhor
representação para aterros já encerrados. A metodologia USEPA destaca-se por representar
adequadamente a variação de geração de metano tanto para aterros ativos como para aterros já
encerrados.
Com a análise das metodologias pode-se concluir que os parâmetros de entrada k
e Lo possuem uma grande influência nos resultados. Por isso se faz necessário novos estudos,
em que os mesmo sejam avaliados respeitando as condições e características do Brasil e de
suas regionalidades, uma vez que as metodologias utilizadas foram desenvolvidas em países
de clima temperado, com características muito diferentes do Brasil.




0
500000
1000000
1500000
2000000
2500000
3000000
3500000
4000000
M
e
t
a
n
o

g
e
r
a
d
o

(
m
³
)


Ano
IPCC
BM
USEPA
43

7. CONCLUSÃO

Com os resultados gerados no trabalho podemos concluir que:
- As vazões mínimas de geração do biogás aconteceram no primeiro ano de deposição de
resíduos no aterro (2009), elas foram para IPCC, BM e USEPA respectivamente de 52.9 m³/h,
33.7 m³/h e 12.9 m³/h. E as máximas aconteceram em 2022, que foram para os modelos IPCC,
BM e USEPA respectivamente de 498.0 m³/h, 65.5 m³/h, 289.8 m³/h.
- A geração de metano é diretamente proporcional à quantidade de resíduos depositados no
aterro.
- Existe uma diferença considerável entre os resultados das metodologias quando utilizamos
os parâmetros de entrada k e Lo determinados por cada uma delas.
-Quando foram utilizados valores iguais para os parâmetros k e
Lo nos modelos da USEPA e do IPCC, foram gerados resultados próximos para as duas
metodologias para o tempo em que o aterro estiver em atividade.
-A metodologia descrita pelo IPCC possui um maior número de elementos de entrada quando
comparado com as metodologias do BM e USEPA, o que permite uma melhor caracterização
do local estudado.
-A metodologia descrita pelo Banco Mundial apresenta melhores resultados para aterros já
encerrados.
- A metodologia descrita pelo IPCC é mais adequada para aterros ativos.
- Com a análise das metodologias pode-se concluir que os parâmetros de entrada k e Lo
possuem uma grande influência nos resultados. Por isso se faz necessário novos estudos, em
que os mesmo sejam avaliados respeitando as condições e características do Brasil e de suas
regionalidades, uma vez que as metodologias utilizadas foram desenvolvidas em países de
clima temperado, com características muito diferentes do Brasil.
- Foi possível avaliar, a partir da pesquisa bibliográfica, a importância do biogás como
combustível renovável, que possuí vantagens econômicas, ambientais e sociais. Sem a
captação do biogás para tratamento ou para uso energético, ele é lançado na atmosfera
causando grande impacto ambiental e contribuindo para o aquecimento global.




44

REFERÊNCIAS

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<http://www.epa.gov/ttn/chief/ap42/ch02/draft/db02s04.pdf.> Acesso em: 15 ago. 2013.


48

ANEXO A - APLICAÇÃO DOS MODELOS DA USEPA, BM E IPCC.

Cálculo da geração de metano pela metodologia IPCC.
ANO: 2009

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 1 1 463727,676

463727,676

ANO: 2010

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 2 1 391230,724
2010 0,17 30660,458 102,4 2 2 490834,778

882065,503

ANO: 2011

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 3 1 330067,597
2010 0,17 30660,458 102,4 3 2 414100,033
2011 0,17 32400,000 102,4 3 3 518682,618

1262850,248

ANO: 2012

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 4 1 278466,419
2010 0,17 30660,458 102,4 4 2 349361,629
2011 0,17 32400,000 102,4 4 3 437594,275
2012 0,17 34560,000 102,4 4 4 553261,459

1618683,782

ANO: 2013

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 5 1 234932,320
2010 0,17 30660,458 102,4 5 2 294744,114
2011 0,17 32400,000 102,4 5 3 369182,894
2012 0,17 34560,000 102,4 5 4 466767,227
2013 0,17 36000,000 102,4 5 5 576314,020

1941940,575




49



ANO: 2014

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 6 1 198204,133
2010 0,17 30660,458 102,4 6 2 248665,239
2011 0,17 32400,000 102,4 6 3 311466,619
2012 0,17 34560,000 102,4 6 4 393795,087
2013 0,17 36000,000 102,4 6 5 486215,862
2014 0,17 37864,083 102,4 6 6 606155,600

2244502,539

ANO: 2015

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 7 1 167217,853
2010 0,17 30660,458 102,4 7 2 209790,113
2011 0,17 32400,000 102,4 7 3 262773,428
2012 0,17 34560,000 102,4 7 4 332231,060
2013 0,17 36000,000 102,4 7 5 410203,216
2014 0,17 37864,083 102,4 7 6 511392,153
2015 0,17 39849,567 102,4 7 7 637940,667

2531548,490

ANO: 2016

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 8 1 141075,820
2010 0,17 30660,458 102,4 8 2 176992,538
2011 0,17 32400,000 102,4 8 3 221692,696
2012 0,17 34560,000 102,4 8 4 280291,656
2013 0,17 36000,000 102,4 8 5 346074,021
2014 0,17 37864,083 102,4 8 6 431443,567
2015 0,17 39849,567 102,4 8 7 538208,095
2016 0,17 41893,301 102,4 8 8 670658,238

2806436,630











50


ANO: 2017

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 9 1 119020,706
2010 0,17 30660,458 102,4 9 2 149322,377
2011 0,17 32400,000 102,4 9 3 187034,327
2012 0,17 34560,000 102,4 9 4 236472,209
2013 0,17 36000,000 102,4 9 5 291970,475
2014 0,17 37864,083 102,4 9 6 363993,758
2015 0,17 39849,567 102,4 9 7 454067,234
2016 0,17 41893,301 102,4 9 8 565810,760
2017 0,17 44047,087 102,4 9 9 705137,608

3072829,453

ANO: 2018

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 10 1 100413,582
2010 0,17 30660,458 102,4 10 2 125978,036
2011 0,17 32400,000 102,4 10 3 157794,282
2012 0,17 34560,000 102,4 10 4 199503,283
2013 0,17 36000,000 102,4 10 5 246325,217
2014 0,17 37864,083 102,4 10 6 307088,727
2015 0,17 39849,567 102,4 10 7 383080,550
2016 0,17 41893,301 102,4 10 8 477354,631
2017 0,17 44047,087 102,4 10 9 594899,790
2018 0,17 46311,245 102,4 10 10 741383,875

3333821,972

ANO: 2019

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 11 1 84715,406
2010 0,17 30660,458 102,4 11 2 106283,236
2011 0,17 32400,000 102,4 11 3 133125,484
2012 0,17 34560,000 102,4 11 4 168313,900
2013 0,17 36000,000 102,4 11 5 207815,919
2014 0,17 37864,083 102,4 11 6 259079,954
2015 0,17 39849,567 102,4 11 7 323191,582
2016 0,17 41893,301 102,4 11 8 402727,307
2017 0,17 44047,087 102,4 11 9 501896,023
2018 0,17 46311,245 102,4 11 10 625479,491
2019 0,17 48633,250 102,4 11 11 778556,222

3591184,524
51


ANO: 2020

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 12 1 71471,407
2010 0,17 30660,458 102,4 12 2 89667,427
2011 0,17 32400,000 102,4 12 3 112313,287
2012 0,17 34560,000 102,4 12 4 142000,516
2013 0,17 36000,000 102,4 12 5 175326,980
2014 0,17 37864,083 102,4 12 6 218576,642
2015 0,17 39849,567 102,4 12 7 272665,367
2016 0,17 41893,301 102,4 12 8 339766,860
2017 0,17 44047,087 102,4 12 9 423432,016
2018 0,17 46311,245 102,4 12 10 527695,040
2019 0,17 48633,250 102,4 12 11 656840,492
2020 0,17 51066,242 102,4 12 12 817505,310

3847261,342

ANO: 2021

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 13 1 60297,912
2010 0,17 30660,458 102,4 13 2 75649,253
2011 0,17 32400,000 102,4 13 3 94754,768
2012 0,17 34560,000 102,4 13 4 119800,839
2013 0,17 36000,000 102,4 13 5 147917,204
2014 0,17 37864,083 102,4 13 6 184405,423
2015 0,17 39849,567 102,4 13 7 230038,176
2016 0,17 41893,301 102,4 13 8 286649,345
2017 0,17 44047,087 102,4 13 9 357234,694
2018 0,17 46311,245 102,4 13 10 445197,739
2019 0,17 48633,250 102,4 13 11 554153,213
2020 0,17 51066,242 102,4 13 12 689700,467
2021 0,17 53610,400 102,4 13 13 858234,031

4104033,066













52


ANO: 2022

ANO K Rx Lo T x QCH4
ano -¹ T/ano m³/T ano ano m³/ano
2009 0,17 28967,188 102,4 14 1 50871,227
2010 0,17 30660,458 102,4 14 2 63822,613
2011 0,17 32400,000 102,4 14 3 79941,264
2012 0,17 34560,000 102,4 14 4 101071,753
2013 0,17 36000,000 102,4 14 5 124792,541
2014 0,17 37864,083 102,4 14 6 155576,367
2015 0,17 39849,567 102,4 14 7 194075,116
2016 0,17 41893,301 102,4 14 8 241835,967
2017 0,17 44047,087 102,4 14 9 301386,343
2018 0,17 46311,245 102,4 14 10 375597,669
2019 0,17 48633,250 102,4 14 11 467519,569
2020 0,17 51066,242 102,4 14 12 581876,018
2021 0,17 53610,400 102,4 14 13 724061,856
2022 0,17 56265,200 102,4 14 14 900733,988

4363162,292


Cálculo da geração de metano pela metodologia BM.
ANO K Lo mi t QCH4
ano -¹ m³/T T/ano ano m³/ano
2009 0,06 170 28967,188 0 295465,314
2010 0,06 170 30660,458 0 312736,676
2011 0,06 170 32400,000 0 330480,000
2012 0,06 170 34560,000 0 352512,000
2013 0,06 170 36000,000 0 367200,000
2014 0,06 170 37864,083 0 386213,642
2015 0,06 170 39849,567 0 406465,581
2016 0,06 170 41893,301 0 427311,668
2017 0,06 170 44047,087 0 449280,289
2018 0,06 170 46311,245 0 472374,695
2019 0,06 170 48633,250 0 496059,153
2020 0,06 170 51066,242 0 520875,668
2021 0,06 170 53610,400 0 546826,080
2022 0,06 170 56265,200 0 573905,040



53

Cálculo da geração de metano pela metodologia USEPA.
ANO Lo R k c t QCH4
m³/T T/ano ano -¹ ano ano m³/ano
2009 100 28967,188 0,04 0 1 113581,967
2010 100 30660,458 0,04 0 2 235728,806
2011 100 32400,000 0,04 0 3 366377,785
2012 100 34560,000 0,04 0 4 510991,065
2013 100 36000,000 0,04 0 5 652569,289
2014 100 37864,083 0,04 0 6 807914,028
2015 100 39849,567 0,04 0 7 973191,210
2016 100 41893,301 0,04 0 8 1147252,076
2017 100 44047,087 0,04 0 9 1331647,723
2018 100 46311,245 0,04 0 10 1526788,897
2019 100 48633,250 0,04 0 11 1731166,584
2020 100 51066,242 0,04 0 12 1946729,954
2021 100 53610,400 0,04 0 14 2298765,360
2022 100 56265,200 0,04 0 15 2538620,353
















54

ANEXO B – APLICAÇÃO DOS MODELOS BM E USEPA PARA GERAÇÃO DE
METANO APÓS O FECHAMENTO DO ATERRO.

Cálculo da geração de metano pela metodologia BM após o fechamento do aterro.
ANO K Lo mi t QCH4
ano -¹ m³/T T/ano ano m³/ano
2009 0,06 170 28967,188 0 295465,314
2010 0,06 170 30660,458 0 312736,676
2011 0,06 170 32400,000 0 330480,000
2012 0,06 170 34560,000 0 352512,000
2013 0,06 170 36000,000 0 367200,000
2014 0,06 170 37864,083 0 386213,642
2015 0,06 170 39849,567 0 406465,581
2016 0,06 170 41893,301 0 427311,668
2017 0,06 170 44047,087 0 449280,289
2018 0,06 170 46311,245 0 472374,695
2019 0,06 170 48633,250 0 496059,153
2020 0,06 170 51066,242 0 520875,668
2021 0,06 170 53610,400 0 546826,080
2022 0,06 170 56265,200 0 573905,040
2023 0,06 170 56265,200 1 540483,412
2024 0,06 170 56265,200 2 509008,109
2025 0,06 170 56265,200 3 479365,784
2026 0,06 170 56265,200 4 451449,694
2027 0,06 170 56265,200 5 425159,311
2028 0,06 170 56265,200 6 400399,960
2029 0,06 170 56265,200 7 377082,481
2030 0,06 170 56265,200 8 355122,907
2031 0,06 170 56265,200 9 334442,159
2032 0,06 170 56265,200 10 314965,764
2033 0,06 170 56265,200 11 296623,586
2034 0,06 170 56265,200 12 279349,573
2035 0,06 170 56265,200 13 263081,520
2036 0,06 170 56265,200 14 247760,845
2037 0,06 170 56265,200 15 233332,377
2038 0,06 170 56265,200 16 219744,157
2039 0,06 170 56265,200 17 206947,254
2040 0,06 170 56265,200 18 194895,584
2041 0,06 170 56265,200 19 183545,749
2042 0,06 170 56265,200 20 172856,876
2043 0,06 170 56265,200 21 162790,475
2044 0,06 170 56265,200 22 153310,296
2045 0,06 170 56265,200 23 144382,200
55

2046 0,06 170 56265,200 24 135974,035
2047 0,06 170 56265,200 25 128055,523
2048 0,06 170 56265,200 26 120598,150
2049 0,06 170 56265,200 27 113575,061
2050 0,06 170 56265,200 28 106960,964

Cálculo da geração de metano pela metodologia USEPA após o fechamento do aterro.
ANO Lo R k c t QCH4
m³/T T/ano ano -¹ ano ano m³/ano
2009 100 28967,188 0,04 0 1 113581,967
2010 100 30660,458 0,04 0 2 235728,806
2011 100 32400,000 0,04 0 3 366377,785
2012 100 34560,000 0,04 0 4 510991,065
2013 100 36000,000 0,04 0 5 652569,289
2014 100 37864,083 0,04 0 6 807914,028
2015 100 39849,567 0,04 0 7 973191,210
2016 100 41893,301 0,04 0 8 1147252,076
2017 100 44047,087 0,04 0 9 1331647,723
2018 100 46311,245 0,04 0 10 1526788,897
2019 100 48633,250 0,04 0 11 1731166,584
2020 100 51066,242 0,04 0 12 1946729,954
2021 100 53610,400 0,04 0 14 2298765,360
2022 100 56265,200 0,04 0 15 2538620,353
2023 100 56265,200 0,04 1 16 2439079,625
2024 100 56265,200 0,04 2 17 2343441,945
2025 100 56265,200 0,04 3 18 2251554,272
2026 100 56265,200 0,04 4 19 2163269,567
2027 100 56265,200 0,04 5 20 2078446,554
2028 100 56265,200 0,04 6 21 1996949,499
2029 100 56265,200 0,04 7 22 1918647,989
2030 100 56265,200 0,04 8 23 1843416,725
2031 100 56265,200 0,04 9 24 1771135,321
2032 100 56265,200 0,04 10 25 1701688,112
2033 100 56265,200 0,04 11 26 1634963,967
2034 100 56265,200 0,04 12 27 1570856,113
2035 100 56265,200 0,04 13 28 1509261,964
2036 100 56265,200 0,04 14 29 1450082,955
2037 100 56265,200 0,04 15 30 1393224,390
2038 100 56265,200 0,04 16 31 1338595,280
2039 100 56265,200 0,04 17 32 1286108,208
2040 100 56265,200 0,04 18 33 1235679,184
2041 100 56265,200 0,04 19 34 1187227,510
2042 100 56265,200 0,04 20 35 1140675,654
56

2043 100 56265,200 0,04 21 36 1095949,122
2044 100 56265,200 0,04 22 37 1052976,342
2045 100 56265,200 0,04 23 38 1011688,549
2046 100 56265,200 0,04 24 39 972019,673
2047 100 56265,200 0,04 25 40 933906,237
2048 100 56265,200 0,04 26 41 897287,250
2049 100 56265,200 0,04 27 42 862104,113
2050 100 56265,200 0,04 28 43 828300,527