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FACULDADE INTEGRADA METROPOLITANA DE CAMPINAS

METROCAMP/VERIS FACULDADES
NÚCLEO COMUM DA SAÚDE
CURSO DE NUTRIÇÃO








APOSTILA DE INTRODUÇÃO À METODOLOGIA CIENTÍFICA E PESQUISA


Profª. Drª. Luciana Bernardo Miotto (lmpalma@gmail.com)
















CAMPINAS-SP
2011


SUMÁRIO



AULA – O NASCIMENTO DO SABER CIENTÍFICO.................................................. 2
AULA - PESQUISA EM NUTRIÇÃO........................................................................... 3
AULA - PARADIGMAS DE PESQUISA...................................................................... 4
TEXTO - CRENÇAS ALIMENTARES COMO HÁBITOS DE VIDA............................. 5
TEXTO - CIÊNCIA E ÉTICA....................................................................................... 6
TEXTO - FILME “2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO”........................................... 8
ATIVIDADES.............................................................................................................. 9
AULA - TRABALHANDO COM TEXTOS CIENTÍFICOS.......................................... 10
TEXTO – ALTOS E BAIXOS DA WIKIPÉDIA........................................................... 11
TEXTO - “O TEXTO É MEU” .................................................................................... 12
TEXTO – ESCREVER BEM É UM DIREITO............................................................ 12
TEXTO - CIÊNCIA NA REDE................................................................................... 13
AULA - COMO ELABORAR REFERÊNCIAS (ABNT) .............................................. 13
AULA - APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS.................................. 14
AULA - TÉCNICAS DE APRESENTAÇÃO ORAL E VISUAL................................... 14
AULA - ETAPAS DE UM PROJETO DE PESQUISA ............................................... 15
TEXTO – QUAL É O PROBLEMA?.......................................................................... 16
ATIVIDADES............................................................................................................ 17
AULA - MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................... 18
ATIVIDADES............................................................................................................ 19
TEXTO – MENINAS ................................................................................................. 24
AULA - COMO ELABORAR QUESTIONÁRIOS....................................................... 25
OBRAS CONSULTADAS......................................................................................... 25





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AULA – O NASCIMENTO DO SABER CIENTÍFICO

O nascimento do saber científico: o método científico, a ciência no século XXI e o olhar do
pesquisador.

O que é o conhecimento?
Por que o ser humano quer conhecer?
• conhecimento: busca da verdade;
• relação entre sujeito e objeto;
• saber acumulado pelo ser humano através das gerações;
• intuição X razão;
• conhecimento concreto (= de um objeto) ou abstrato (= de um valor universal).

Modos de conhecer o mundo
• mito
• senso comum
• ciência
• filosofia
• arte

Cronologia do pensamento ocidental
Grécia Antiga
Mitos X Filosofia (séc. VII a.C. a VI a.C.)
só o exercício da mente é capaz de produzir o saber apropriado

Idade Média (séc.V-XIV)
Razão X Fé

Renascimento (XIV-XVI)
Antropocentrismo: “O homem é a medida de todas as coisas”. (Protágoras de Abdera, séc. V a.C.)

Revolução Científica (séc. XVII)
Leis divinas substituídas por leis da natureza, definidas pela ciência.

Iluminismo (séc. XVIII)
Positivismo: somente o saber racional é válido.

Séc. XIX
Ciência + Tecnologia

Sécs. XX e XXI
Ciência utilitária
“Gnosticismo tecnológico”
“miserabilização da natureza”
Busca de uma nova ética: sabemos o “como”, mas não o “por quê

Características da ciência moderna
• Racionalismo
• Antropocentrismo
• Saber ativo
• Mecanicismo
• Empirismo
• Matematização
• Método


O método científico
• Observação
• Hipótese
• Experimentação
• Generalização


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AULA - PESQUISA EM NUTRIÇÃO

Por que a pesquisa é importante para o nutricionista?

FREITAS, K. A importância das pesquisas realizadas. Minha Vida – saúde, alimentação e bem-estar. Disponível em:
<http://minhavida.uol.com.br/materias/alimentacao/A+importancia+das+pesquisas+realizadas+por+nutricionistas.mv>. Acesso
em: 03 mar. 2009.

Retomando brevemente a história do nutricionista, sabe-se que o processo de formação desse
profissional no Brasil iniciou-se no final da década de 1930, mas apenas em 1967 foi sancionada a
primeira lei que regulamentava a profissão.
Muitos avanços foram conquistados pela categoria ao longo dessas décadas, nas quais buscou-se
a legitimidade e identidade profissional. A ampliação dos campos de atuação foi certamente uma das
maiores conquistas, sendo que para tal fato acontecer houve necessidade de melhorar a qualificação
das habilidades e conhecimento técnico-científico desse profissional.
Tradicionalmente, o nutricionista atua nas áreas de: alimentação coletiva, nutrição clínica, saúde
pública e ensino. Felizmente, pelo fato de cada dia a população se tornar mais consciente em relação
à qualidade de vida, buscando por meio da alimentação manter a saúde e atingir a longevidade,
surge novo enfoque a atuação do nutricionista, mesmo dentro das áreas citadas.
Assim, dentro da alimentação coletiva, destacam-se atividades de maior cobertura da alimentação
escolar oferecida aos alunos da rede pública, com valorização contínua do Programa Nacional de
Alimentação Escolar (PNAE), além de estudos dos perfis epidemiológicos das populações atendidas
pelo programa para as devidas intervenções nutricionais.
Na nutrição clínica, destaca-se o atendimento domiciliar (home care), atuação em bancos de leite
humano (BLH), instituições de longa permanência de idosos e a ampliação da atuação em
consultórios, principalmente com a abertura dos planos de saúde a nossa categoria.
Já na saúde coletiva, o destaque fica para a atuação junto aos Programas de Saúde da Família
(PSF). Além desses setores, a nutrição em esporte e na área de marketing também merecem ser
ressaltadas.
Entretanto, além de todas as áreas de atuação já mencionadas, o nutricionista se insere e tem
grande importância na pesquisa científica.
Esse ramo de atuação, não tão divulgado, é de extrema importância, pois há muito a se descobrir
e muito do que se certificar. Depende da pesquisa científica a confirmação dos benefícios, malefícios
ou ausência de efeito que diversos produtos ou atitudes podem trazer a vida humana.
No que se refere à alimentação, muitas são as perguntas intrigantes que remontam tanto às
crenças populares quanto à real efetividade de produtos e dietas que são produzidos diariamente por
empresas diversas que visam o lucro, ou mesmo em relação a programas sociais lançados pelo
governo.
As pesquisas podem ser de cunho epidemiológico, prospectivas ou retrospectivas, ou seja,
avaliam a efetividade de uma ação a partir do presente ou avaliam impactos de ações já instalados.
Podem ser realizadas em humanos ou em animais (pesquisa experimental), sendo essas últimas
realizadas principalmente se algum motivo tornar inviável a realização direta em humanos.
O nutricionista que se dedicar à pesquisa científica pode se preparar para tal desde a graduação
por meio da iniciação científica, a qual equivale a um instrumento que permite introduzir os
estudantes de graduação potencialmente mais promissores na pesquisa científica. O programa
coloca o aluno desde cedo em contato direto com a atividade científica e permite engajá-lo nesse
nicho, formando futuros pesquisadores. Após a graduação, o profissional se prepara para ser um
pesquisador independente por meio de mestrado e doutorado.
É importante citar que um país que deseja ser respeitado mundialmente deve contribuir com
qualidade científica para o conhecimento mundial. Pesquisa científica séria e ética traz crescimento
em todos os âmbitos e permite ao país conhecer melhor a si próprio.
Os problemas sociais e econômicos do Brasil podem e devem ser resolvidos por meio da
aplicação de conhecimento científico. A ciência é sabidamente a resposta sobre como devemos lidar
com as desigualdades em nosso país, e o nutricionista faz parte, cada dia em maior número, dos
profissionais que tornarão o Brasil independente em termos de pesquisa científica.

Dra. Karine Freitas é nutricionista graduada pela Universidade Federal de Ouro Preto (MG), mestre em Ciências pela
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e atual doutoranda pela Unifesp. Também é colaboradora da Comissão de
Comunicação do CRN-3, gestão 2008-2011.

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AULA - PARADIGMAS DE PESQUISA
O que é um paradigma?

Paradigma positivista: abordagem tradicional que acredita existir uma realidade ou fato que pode ser
estudado e conhecido. Presume-se que a natureza seja ordenada e regular. O determinismo refere-
se à crença de que os fenômenos não são casuais ou aleatórios, mas têm causas antecedentes. A
atividade de pesquisa está direcionada para a compreensão das causas dos fenômenos naturais. Ex.:
se uma pessoa desenvolve câncer de pulmão, o cientista presume que deva existir uma ou mais
razões para isso e que possam ser identificadas e compreendidas. Objetividade na busca do
conhecimento.

Paradigma naturalista: (algumas vezes denominado fenomenológico) é contrário ao positivismo. A
realidade não é uma entidade fixa, mas uma construção dos indivíduos. Ela existe dentro de um
contexto e muitas construções são possíveis. Relativismo: se existem interpretações múltiplas da
realidade existente na mente das pessoas, não há um processo pelo qual a verdade ou falsidade final
das construções possa ser determinada.

Pressupostos dos paradigmas positivista e naturalista
Questão
filosófica
Paradigma positivista Paradigma naturalista
Qual a natureza
da realidade?
Existe um mundo real dirigido por
causas naturais
Realidade múltipla e subjetiva,
mentalmente construída pelos indivíduos
Como o
pesquisador se
relaciona com o
objeto?
Pesquisador independente do
objeto; os achados não são
influenciados pelo pesquisador
Pesquisador interage com objeto
Qual o papel dos
valores na
investigação?
Valores e parcialidade mantidos
sob controle; busca da
objetividade
Subjetividade e valores inevitáveis
Como é obtido o
conhecimento?
Processo dedutivo; ênfase em
conceitos específicos; verificação
de ideias; planejamento fixo;
análise quantitativa, estatística e
com vias à generalização
Processo indutivo; holismo;
interpretações baseadas nas
experiências dos participantes;
planejamento flexível; análise qualitativa
e busca por padrões

Os paradigmas influenciam os métodos usados para a aquisição do conhecimento (mas não rígidos):
Paradigma positivista = pesquisa quantitativa
Paradigma naturalista = pesquisa qualitativa

Pesquisa quantitativa
Procedimentos ordenados e disciplinados.
Pelo raciocínio dedutivo o cientista gera ideias que serão testadas no mundo real. Conceitos são
pré-definidos.
O pesquisador age de modo sistemático (por meio de plano de ação pré-determinado), a partir da
definição do problema de pesquisa.
Controle do estudo, por meio de condições sobre o mesmo, minimizando a parcialidade e
aumentando a precisão.
Reunião de evidências empíricas na abordagem do problema, baseadas na realidade objetiva.
Uso de instrumentos formais para coleta de dados reunidos de forma quantitativa (informação
numérica de resultado de mensuração formal e que é analisada com procedimentos estatísticos).
Generalização dos resultados.
⇒ Limitada para abordar questões morais ou éticas.
⇒ Fenômenos psicológicos não podem ser medidos com exatidão.
⇒ Seres humanos são complexos e diversificados.
⇒ Abordagem reducionista.

Pesquisa qualitativa
Lidam com a complexidade humana.
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Ênfase na compreensão da experiência humana como esta é vivida, coletando e analisando
materiais narrativos e subjetivos.
Conceitos emergem das experiências dos pesquisadores.
Foco dos pesquisadores: aspectos dinâmicos, holísticos e individuais dos fenômenos, vistos em
sua totalidade e dentro de um contexto específico.
Procedimentos flexíveis; investigação ocorre no campo e em longo período de tempo.
Coleta de informações e análise progridem paralelamente.
Pelo processo indutivo o pesquisador integra a evidência para desenvolver uma teoria ou
estrutura que o ajude a explicar o processo sob investigação.
Investigações ricas e profundas cujo objetivo é esclarecer as múltiplas dimensões de um
fenômeno complexo.
⇒ Seres humanos são instrumentos diretos através dos quais a informação qualitativa é
reunida e eles são falíveis.
⇒ A abordagem pessoal que enriquece a visão analítica de um pesquisador habilidoso
pode ser ruim em outros menos competentes.
⇒ Abordagem subjetiva pode resultar em dados muito específicos e não sujeitos a
generalizações.

Terminologia básica de pesquisa
Conceito Termo quantitativo Termo qualitativo
Pessoa que
contribui com a
informação
sujeito
participante do estudo
respondente
-
participante do estudo
informante
Pessoa que
realiza o estudo
pesquisador
investigador
cientista
pesquisador
investigador
O que está sendo
investigado
-
conceitos
constructos
variáveis (dependentes,
independentes)*
fenômenos
tópicos
conceitos
-
Sistema de
organização de
conceitos
teoria
estrutura teórica / conceitual
modelo conceitual
teoria
Informação
reunida
dados (valores numéricos) dados (descrições narrativas)
Conexões entre
os conceitos
relações (causa e efeito) padrões de associação

TEXTO - CRENÇAS ALIMENTARES COMO HÁBITOS DE VIDA

SILVAL, D. G. et al. Crenças alimentares como hábitos de vida. Rev. Enferm. UERJ, v. 15, n. 2, p.255-260, abr./jun. 2007.
(Adaptado).

Uma das principais formas de manifestação da cultura de determinado grupo social reside nas
diferentes práticas que representam a medicina popular definida como o conjunto de conhecimentos
e crenças criados pela comunidade e constitui um importante aspecto da cultura que se perpetuou ao
longo do tempo e que, por sua abrangência, mostra uma tendência a difundir os seus legados.
A crença na cura e/ou prevenção de doenças atribuída aos alimentos e ervas é real e persiste
através dos tempos. Existem sempre pessoas que acreditam nas qualidades mágicas de algum tipo
especial de alimento ou dieta. O mero fato de uma dieta parecer extraordinária não é razão para
condená-la, desde que possua nutrientes adequados.
Entretanto, as concepções e práticas populares relacionadas à alimentação podem causar
benefícios e malefícios à saúde das pessoas, de acordo com o tipo, ocasião e freqüência em que são
utilizados os alimentos.
Diante dessas considerações, este estudo objetivou identificar as principais crenças alimentares
utilizadas por usuários dos serviços de saúde de Goiânia-GO e analisar a influência das crenças
alimentares em seus hábitos de vida. [...]
As crenças e práticas populares relativas aos hábitos alimentares influenciam de forma
significativa o estado nutricional das pessoas. É necessário valorizar as práticas e percepções
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populares, pois as pessoas que procuram o atendimento em saúde trazem consigo suas próprias
visões e práticas populares de cura. Mas deve-se observar também a adoção de práticas que podem
acarretar distúrbios nutricionais, com sérias implicações para a saúde e o bem-estar.
Os hábitos alimentares são importantes na produção dos saberes relacionados à manutenção da
saúde, bem como na prevenção e cura de doenças. Eles não se desenvolvem ao acaso, são
produtos de um processo histórico e fazem parte de um legado difundido entre diferentes gerações.
[...]
A temática crenças alimentares mostra a relação entre a influência da cultura popular e o processo
saúde-doença, conforme os relatos dos entrevistados. Cada participante teve liberdade para relatar
suas experiências quanto à convicção do efeito de ervas e alimentos na busca da prevenção de
agravos à saúde. Em alguns casos, as crenças alimentares são acompanhadas de diferentes rituais e
simpatias. [...]
Em diversos relatos foi descrita a utilização de ervas, raízes e folhas que contribuiriam para a
promoção da saúde e alívio da dor, bem como para prevenção e cura de patologias. [...]
É consenso entre os entrevistados efeitos positivos de diversos alimentos como medida preventiva
para a saúde ao invés do seu uso como recurso terapêutico, até por ter experiências negativas com
tratamento convencional. Isso evidencia que o grupo de usuários pesquisados acredita na eficácia
dos recursos alimentares e os utiliza mais para promoção da saúde e prevenção de agravos. [...]
Em relação à eficácia dos alimentos na prevenção, tratamento e cura das doenças, a maioria dos
usuários entrevistados utiliza e refere os efeitos benéficos de diversos alimentos. Porém, muitos
relatos não foram comprovados pela comunidade científica, sendo necessários maiores estudos
sobre as substâncias que compõem o alimento e seus efeitos no organismo.
Apesar de não conhecerem o mecanismo da ação dos alimentos no organismo, os entrevistados
visualizam vantagens ao aderirem a uma determinada alimentação dita saudável e natural. Dessa
forma, torna-se importante ressaltar a necessidade dos profissionais de saúde em se preocuparem
com o desenvolvimento de ações voltadas para a educação nutricional de seus clientes.

1. Qual a relação que o texto faz entre senso comum e alimentação?
2. Como os nutricionistas podem trabalhar de forma científica as práticas culturais de alimentação
relacionadas ao senso comum?


TEXTO - CIÊNCIA E ÉTICA

Adaptado de ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Temas de filosofia. São Paulo: Moderna, 1998 e ARANHA, M. L. A.;
MARTINS, M. H. P. Filosofando. São Paulo: Moderna, 1993.

O conhecimento científico é uma conquista recente da humanidade: tem apenas trezentos anos e
surgiu no século XVII com a revolução galileana. Isso não significa que antes desta data não
houvesse saber rigoroso, pois, desde o século VI a.C., na Grécia Antiga, os homens aspiravam a um
conhecimento que se distinguisse do mito e do saber comum.
No pensamento grego, ciência e filosofia achavam-se vinculadas e só vieram a se separar na
Idade Moderna, buscando cada uma delas seu próprio caminho, ou seja, seu método. A ciência
moderna nasce ao determinar um objeto específico de investigação e ao criar um método pelo qual
se fará o controle desse conhecimento.
A utilização de métodos rigorosos permite que a ciência atinja um tipo de conhecimento
sistemático, preciso e objetivo segundo o qual são descobertas relações universais e necessárias
entre os fenômenos, o que permite prever acontecimentos e também agir sobre a natureza de forma
mais segura.
Cada ciência se torna então uma ciência particular, no sentido de ter um campo delimitado de
pesquisa e um método próprio. As ciências são particulares na medida em que cada uma privilegia
setores distintos da realidade: a física trata do movimento dos corpos; a química, da sua
transformação; a biologia, do ser vivo etc.
Por outro lado, as ciências são também gerais, no sentido de que as conclusões não valem
apenas para os casos observados, e sim para todos os que a eles se assemelham. Ao afirmarmos
que “o peso de qualquer objeto depende do campo de gravitação” ou que “a cor de um objeto
depende da luz que ele reflete” ou ainda que “a água é uma substância composta de hidrogênio e
oxigênio”, fazemos afirmações que são válidas para todos os corpos, todos os objetos coloridos ou
qualquer porção de água, e não apenas para aqueles que foram objeto da experiência.
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A preocupação do cientista está, portanto, na descoberta das regularidades existentes em
determinados fatos. Por isso, a ciência é geral, isto é, as observações feitas para alguns fenômenos
são generalizadas e expressas pelo enunciado de uma lei.
Para ser precisa e objetiva, a ciência dispõe de uma linguagem rigorosa cujos conceitos são
definidos de modo a evitar ambigüidades. A linguagem se torna cada vez mais precisa, na medida em
que utiliza a matemática para transformar qualidades em quantidades. A matematização da ciência se
inicia com Galileu. Ao estabelecer a lei da queda dos corpos, por exemplo, Galileu mediu o espaço
percorrido e o tempo que um corpo leva para descer o plano inclinado, e ao final das observações
registrou a lei numa formulação matemática.
Por meio desse exemplo, constatamos que a ciência do século XVII utiliza a matemática e o
recurso da observação e da experimentação. Nesse processo, o uso de instrumentos torna a ciência
mais rigorosa, precisa e objetiva.
Contudo, é preciso retirar do conceito de ciência a falsa ideia de que ela é a única explicação da
realidade e se trata de um conhecimento “certo” e “infalível”. Há muito de construção nos modelos
científicos e, às vezes, até teorias contraditórias. Além disso, a ciência está em constante evolução, e
suas verdades são sempre provisórias.
As ciências da natureza encontram neste modelo científico, a possibilidade de uma abordagem
mais eficaz da realidade, no sentido de maior previsibilidade dos fenômenos e, consequentemente,
maior poder para a transformação da natureza.
Isso se tornou viável devido à aliança da ciência com a técnica. Como decorrência, ocorreu o
desenvolvimento da tecnologia, que é a técnica enriquecida pelo saber científico, que tem alterado o
habitat humano timidamente a partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, e com grande
rapidez no século XX. Reciprocamente, a tecnologia também provocou avanços incríveis no
conhecimento científico.
No entanto, o poder da ciência e da tecnologia é ambíguo, porque pode estar a serviço do homem
ou contra ele. Daí a necessidade de o trabalho do cientista e do técnico ser acompanhado por
reflexões de caráter moral e político, a fim de que sejam questionados os fins a que se destinam os
meios utilizados pelo homem: se servem ao crescimento espiritual ou se o degradam, se servem à
liberdade ou às formas de dominação.
Por isso é impossível admitir a existência do trabalho científico neutro, que procura o “saber pelo
saber”. A ciência se encontra irremediavelmente imbricada na moral e na política e o cientista tem
uma responsabilidade social da qual não pode abdicar.
“Ciência sem consciência não é senão a ruína da alma” Rabelais
O Iluminismo do século XVIII exaltou a capacidade humana de conhecer o mundo por meio da
ciência, considerada a expressão de rigor, objetividade e previsibilidade. Pela ciência o homem podia
espantar o medo causado pela ignorância e superstição, guardando a esperança de um mundo onde
as luzes da razão permitiriam a melhor qualidade e vida possível e a emancipação dos preconceitos,
da violência e do arbítrio.
Mas, há sombras nas promessas iluministas. É preciso, com urgência, indicar quais são os riscos
e desvios da ciência. No século XIX, o positivismo valorizava exageradamente o conhecimento
científico, excluindo outras formas de abordagem do real tais como o mito, a religião e mesmo a
filosofia, consideradas expressões inferiores e superadas da experiência humana. Tal exclusão é
arbitrária e mutiladora, e significa na verdade um reducionismo.
O positivismo criou o mito do cientificismo, segundo qual o único conhecimento perfeito é o
científico. Embutido no ideal cientificista existe o mito do progresso. Segundo essa concepção, o
progresso é inicialmente algo embrionário, cabendo à ação humana transformadora trazer à luz as
possibilidades latentes. E se as ciências e as técnicas aumentam o controle do homem sobre a
natureza e a sociedade, parece válido pensar que a ação cada vez mais eficaz leve o
desenvolvimento aparentemente na direção de um mundo cada vez melhor. O progresso é explicado
como um fenômeno linear, cuja tendência automática é o aperfeiçoamento humano.
Por isso o ideal do progresso justificaria todas as ações do homem realizadas em seu nome. Mas
infelizmente já conhecemos as conseqüências: na busca do progresso, as construções urbanas
tornaram a vida humana cada vez mais solitária; as fábricas poluem o ar; a especulação imobiliária
destrói o verde; a modernização da agricultura torna mais miserável a vida do trabalhador do campo;
a opulência não expulsa a miséria, mas convive com ela lado a lado.
No final do século XIX e início do XX, várias descobertas colocam em questão os valores da
ciência clássica moderna. Uma ruptura importante se dá com a teoria da relatividade geral de
Einstein, que se contrapõe à física newtoniana. No início do século XX, descobertas no campo da
física quântica levam à formulação do princípio da incerteza, pelo qual não valem mais os
pressupostos mecanicistas da física newtoniana. Esses “choques” permitem uma reavaliação dos
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exageros do cientificismo, que depositou excessiva confiança na capacidade da razão científica e na
certeza e infalibilidade das teorias.
A bomba atômica não pode ser apenas o resultado do saber sobre a energia atômica, nem da
simples técnica de produzir explosão. Trata-se de um saber e de uma técnica que dizem respeito à
vida e à morte de seres humanos. E o que dizer das indagações éticas provocadas pelas
experiências com clonagem de animais, se pensarmos na possibilidade de serem aplicadas aos seres
humanos?
Além disso, as altas cifras destinadas às pesquisas exigem o apoio financeiro de instituições
públicas e privadas, desejosas de subvencionar os trabalhos que mais lhes interessem. Pode-se falar
que, durante muito tempo, houve uma “indústria de guerra” alimentando a corrida armamentista e
exigindo o constante desenvolvimento da ciência e tecnologia no campo militar.
Diante dessas questões não há como sustentar a neutralidade da ciência. Cabe ao cientista a
responsabilidade social de indagar sobre os fins a que se destinam suas descobertas, sem alegar
isenção, uma vez que a produção científica não se realiza fora de um determinado contexto social e
político.


TEXTO - FILME “2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO”

LABAKI, A. As chaves interpretativas de 2001. Folha de S. Paulo, São Paulo, 5 nov. 2000. Caderno Mais! p. 30.

À primeira vista, parece hoje curioso que "2001" tenha conseguido manter, por tanto tempo,
tamanha aura mítica. Excetuadas as aparições dos monólitos e a última seqüência a partir do Portal
Estelar, o filme não exige maiores esforços interpretativos. Sua narrativa é essencialmente linear,
apresentando uma única grande elipse temporal, dos macacos à viagem de Lloyd no Orion. Não
existem inserções narrativas com saltos para trás ou para frente nem sequer tramas paralelas. O eixo
dramático é único, claro, constante.
As três chaves de leitura mais comuns, e complementares, remetem à "Odisséia", de Homero
(cerca de 800 a.C.), à teoria mitológica de Joseph Campbell (1904-1987) e à filosofia da evolução de
Friedrich Nietzsche (1844-1900).

Homero
O próprio título assume e destaca o paralelo com o poema épico grego. Ainda durante as
filmagens, Stanley Kubrick adiantava a comparação em depoimento a Jeremy Bernstein, da revista
"The New Yorker": "Nos ocorreu que para os gregos as vastas extensões do mar devem ter sido tão
misteriosas e remotas quanto o espaço para nossa geração, e que as longínquas ilhas visitadas pelos
maravilhosos personagens de Homero não eram menos remotas para eles do que são para nós os
planetas onde nossos astronautas irão logo pousar". Iniciada a saga de Bowman/Ulisses, ei-lo
enfrentando um ciclope cibernético sob a forma de HAL (seu olho eletrônico vermelho é das imagens
que mais se fixam na memória) e se atirando ao espaço para seguir o chamado de sereias
extraterrestres. Como seu predecessor grego, Bowman fecha o círculo voltando para casa, ainda que
sua transformação acabe sendo mais radical do que a sofrida por Ulisses. [...]

Nietzsche
Mas, assim como "2001" não se esgota na saga espacial, as possibilidades de interpretação vão
além de Homero e Campbell. Trabalhando com o arco formado entre a aurora do homem e o "depois
do infinito", é a evolução humana o tema essencial de Kubrick e Clarke. Logo a primeira cena do filme
entrega a chave que faltava. Sol e Terra dançam no espaço ao ritmo da introdução de "Assim Falou
Zaratustra", de Strauss. A tradução musical de um dos textos fundamentais da filosofia de Nietzsche
anuncia, assim, essa quase versão fílmica.
Estruturado em aforismos e parábolas, "Assim Falou Zaratustra - Um Livro Para Todos e Para
Ninguém" (1883-5) apresenta inúmeras passagens com possíveis correspondências em "2001". "E o
grande meio-dia será quando o homem se achar na metade de sua trajetória entre o animal e o
super-homem e festejar seu caminho para a noite como a sua mais alta esperança" poderia passar
por sinopse ou servir de epígrafe do filme de Kubrick e Clarke. Da água disputada à morte que
aperfeiçoa, dispersas pelo texto de Nietzsche se acumulam passagens com possível paralelo no
filme. Marco maior da dívida, a evolução do homem no filme (e no livro) acompanha a teoria da
evolução de Nietzsche. [...]

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ATIVIDADES
1. Leia o texto a seguir e responda: para o autor, a sociedade não deve proibir o avanço da ciência.
Por quê?

GLEISER, M. Reflexões dominicais sobre ética e ciência. Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 mar. 2001. Caderno Mais! p. 19.

A ciência precisa de liberdade para progredir. É difícil imaginar que ideias possam fluir em uma
realidade cheia de obstáculos morais e censuras legislativas. A ciência, aqui, não difere de cultura em
geral: é difícil também imaginar que a produtividade cultural possa sobreviver apenas
clandestinamente, se bem que esse foi e é o caso em ditaduras militares ou religiosas. A censura e a
rigidez moral castram a criatividade, mas não conseguem destruí-la.
Por outro lado, se a ciência serve à sociedade, ela deve prestar contas ao cidadão. Afinal, ao
menos em pesquisa mais básica, quem paga a conta são os governos, a partir da coleta de impostos.
E, como quem paga os impostos é o cidadão, a produtividade científica é financiada, em grande
parte, pela sociedade.
Claro, existe também a pesquisa financiada diretamente pela indústria, com fins lucrativos. Ou a
pesquisa financiada pelo governo com fins militares. Com o desenvolvimento acelerado da tecnologia
nos últimos 20 anos, essas linhas divisórias têm se tornado cada vez mais invisíveis. Um físico
desenvolvendo um novo tipo de liga metálica pode estar interessado em suas propriedades a
baixíssimas temperaturas (a ciência básica, pois baixas temperaturas não são viáveis
comercialmente), ou na sua utilização na construção civil (a ciência aplicada), ou na sua utilização em
mísseis intercontinentais (a ciência bélica). A liga metálica é a mesma, mas ela pode servir a
propósitos completamente distintos.
Aqui surge um dilema para o cientista: até que ponto sua obrigação profissional deve interferir em
sua atividade criativa? Será que o físico trabalhando em uma universidade, sabendo que sua nova
liga metálica pode ser usada em mísseis, deve divulgar seus resultados?
Para citar um exemplo histórico, Leonardo da Vinci construiu várias armas de guerra para o seu
patrono. Mas ele recusou-se a divulgar seus planos para a construção de um submarino, pois sabia
que seu uso, aliado à perversidade do homem, provocaria mortes horrendas sob as águas. Da Vinci
não queria ter seu nome associado a tal máquina de destruição. Hoje, apenas um submarino da
Marinha norte-americana é capaz de carregar 24 mísseis nucleares de alcance intercontinental,
suficientes para destruir uma boa fração da vida na Terra.
A lição dessa história é clara: nenhuma invenção permanecerá "escondida" por muito tempo.
Alguém acabará por redescobri-la mais cedo ou mais tarde. Os norte-americanos ficaram
completamente boquiabertos quando os soviéticos detonaram uma bomba atômica logo após o fim
da Segunda Guerra, seguida de uma bomba de hidrogênio.
O Projeto Genoma, envolvendo centenas de cientistas espalhados pelo mundo, compete com
laboratórios privados na corrida pelo mapeamento do genoma humano. A biotecnologia levanta uma
série de novos desafios éticos, questões que a sociedade precisa confrontar. Este mês, um trio de
médicos anunciou em Roma que a clonagem de humanos é uma questão de tempo. E não muito.
Várias pessoas têm uma verdadeira aversão à ideia de que será possível construirmos cópias exatas
de um ser humano. Mais ainda, com a manipulação direta do gene, será também possível
"encomendar" uma pessoa, como encomendamos um terno no alfaiate. Essa cor de olhos, essa
altura, essa cor de pele, um bom atleta, Q.I. alto.
A primeira reação é: "Mas que absurdo! Isso deve ser proibido!" Mas essa reação é inútil. Porque
a pesquisa irá continuar, proibida ou não, do mesmo modo que jornalistas, músicos e cineastas
continuam a trabalhar sob regimes de ditadura. Países irão adotar políticas diferentes, alguns mais
liberais do que outros.
Veja o exemplo recente do Reino Unido, autorizando a pesquisa que usa embriões para buscar a
cura de várias doenças. Portanto, fora laboratórios clandestinos, os cientistas podem sempre emigrar
para países mais liberais. É fácil criticar os cientistas pela sua "ganância", por esse apetite de querer
sempre ir em frente. Mas essa é justamente a força da ciência. Sem essa curiosidade, ela entra em
estagnação. O que a sociedade deve exigir dos cientistas é um compromisso moral com a verdade,
um franco diálogo em que as repercussões das pesquisas são discutidas abertamente. É hipócrita
culpar o inventor da pólvora pela morte de todas as pessoas em guerras. Somos nós que vamos à
guerra, nossos governos, nossos soldados, nossos cientistas.

2. Explique o significado da citação a seguir, usando os conceitos de subjetivo e objetivo.
“A ciência se empenha em eliminar tudo o que nela for puramente pessoal. Procura remover tudo o
que for único no cientista, individualmente considerado: recordações, emoções e sentimentos
10
estéticos despertados pelas disposições de átomos, as cores e os hábitos de pássaros, ou a
imensidão da Via Láctea.” (Kneller)

3. (Proposta de dissertação do vestibular da FGV-1991)
“__Por favor, que caminho devo escolher para sair daqui?
__ Isso depende muito do lugar para onde você quer ir, disse o Gato.
__ Não me importa muito para onde...
__ Então não importa muito o caminho que você escolher, falou o Gato...
__ ... desde que eu chegue a algum lugar, completou Alice.
__ Oh! Você certamente chegará, se caminhar bastante, disse o Gato.”
Construa um pequeno texto, com base no jogo de ideias que ocorre no diálogo acima. Você deve
assumir uma posição e procurar defendê-la com argumentos que a justifiquem. Esse diálogo de Alice
com o Gato está no livro Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll, e tem sido usado com
freqüência por filósofos e pensadores para ilustrar o eterno conflito entre ciência e ética. Numerosas
correntes acham que os objetivos da ciência devem ser definidos fora dela, isto é, na sociedade.
Você concorda com estes pensadores ou acha, como muitos outros, que a ciência tem importância
em si mesma e que o cientista, como Alice, não deve importar-se com o lugar aonde chegar, desde
que chegue a algum lugar?

AULA - TRABALHANDO COM TEXTOS CIENTÍFICOS

Esquema/Fichamento: organização das ideias centrais de um texto.
• Dimensão do todo.
• Fidelidade ao original.
• Estrutura lógica.
• Funcionalidade.

Resumo: síntese de um texto tomando por base suas ideias principais (palavras do autor ou leitor).
• Ideia central de cada parágrafo.
• Organização das ideias de cada parágrafo.
• Redação: frases breves.
• Acréscimo de observações (se preciso).
• Comparação entre síntese e original.

Resenha: síntese avaliativa de textos, livros ou vídeos.
• Síntese: ideias centrais.
• Avaliação: análise de quem escreve a resenha (observações, comparação com outros
autores).

Regras Gerais para citações
• Aspas simples: citação no interior da citação.
• Supressões de trechos citados: [...].
• Comentários acrescentados pelo pesquisador: [ ].
• Destacar um trecho/palavra dentro de uma citação: grifo, itálico ou negrito, indicando a
alteração com a expressão “grifo nosso” entre parênteses, após a referência.
• Trecho/palavra em destaque que pertence ao autor da citação: expressão “grifo do autor”.
• Citação com mais de um autor: entre parênteses: separados por ponto e vírgula; no texto:
separados pela conjunção e.
• Publicações diversas de um mesmo autor em um mesmo ano: acréscimo de letras
minúsculas após a data, sem espaço.
• Documentos retirados da internet: citados pela data de acesso.

Sistemas de Citações
• Sistema numérico
• Sistema autor-data

Tipos de Citações
• Citações diretas curtas (até 3 linhas)
• Citações diretas longas (mais de 3 linhas)
11
• Citações indiretas

Expressões latinas (usadas no sistema numérico)
Idem/Id. = mesmo autor
Ibidem/Ibid. = na mesma obra
opus citatum/op. cit. = obra citada
passim = em diversas passagens, aqui e ali
loco citato/loc. cit. = no lugar citado
Cf. = confira
Sequentia/et seq. = seguinte ou que se segue
Apud = citado por, segundo, conforme. Única expressão latina a ser usada no texto. No sistema
autor-data sua referência é feita em nota de rodapé.

TEXTO – ALTOS E BAIXOS DA WIKIPÉDIA

SALOMONE, R. Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 abr. 2007.

[...] Criada há seis anos, a Wikipédia (www.wikipedia.org) é um fenômeno da internet. Ajuda
estudantes e profissionais no mundo todo com suas versões em 250 idiomas e quase 7 milhões de
verbetes. Em um deles, sobre atletismo, Ricardo Misturini era apontado, até duas semanas atrás,
como um dos principais nomes da modalidade no Brasil. O mesmo Ricardo, na mesma enciclopédia,
era descrito em outro verbete como um renomado matemático.
Já sua namorada, num verbete dedicado a canto lírico, aparecia assim: "É a soprano de maior
destaque nacional, muito famosa pois namora o renomado matemático Ricardo Misturini".
Mas o Folhateen descobriu que Ricardo Misturini não é nem uma coisa nem outra. Ele tem 21
anos, mora no interior do Rio Grande do Sul e, pelo menos por enquanto, é apenas um estudante de
matemática. Mas um de seus passatempos preferidos é escrever o que quer nos textos da Wikipédia.
E o que ele faz é perfeitamente possível, já que, diferentemente de outras enciclopédias, qualquer
um tem passe livre para criar páginas e alterar informações ali. Estando elas certas ou não. O
Folhateen localizou o rapaz, mas ele não quis dar entrevista nem permitiu fotografias. Segundo ele,
tudo não passou de uma brincadeira.

Uma brasileira em Netuno
Quem visitou o verbete Netuno na semana passada deparou-se com a informação de que uma
astronauta brasileira chamada Roberta Salomone havia pisado naquele planeta no começo do mês. A
suposta façanha, é claro, é pura imaginação. Nenhum ser humano até hoje conseguiu ir até Netuno,
nenhuma representante do Brasil esteve no espaço sideral, e Roberta, na verdade, é a repórter que
aqui escreve.
As informações absurdas sobre Ricardo e Roberta permaneceram pouco tempo no ar (no caso de
Roberta, apenas os minutos suficientes para que tirássemos uma foto da tela), mas foi o bastante
para que as fraudes fossem propagadas para outros sites, complicando ainda mais a vida de quem
usa essas informações.
Quem, por exemplo, fizer uma pesquisa de atletismo no Yahoo Respostas, verá: "De modo geral,
o atletismo é praticado em estádios, com exceção de algumas corridas de longa distância, praticadas
em vias públicas ou no campo, como a maratona, modalidade em que se destaca o atleta brasileiro
Ricardo Misturini".
Com duas fontes diferentes, parece que não há dúvida de que a informação é correta, não é
mesmo? Não, porque a resposta do Yahoo foi copiada da Wikipédia e, mesmo depois de retirada da
enciclopédia livre, vai ficar em outros sites sabe-se lá por quanto tempo [...].

"Acho engraçado"
"Não tem coisa mais engraçada do que inventar uma história louca e ver as pessoas acreditando
depois", conta o paulistano Leonardo, 19 (que, evidentemente, não quis revelar seu nome
verdadeiro). Ele já perdeu as contas de quantos verbetes alterou, incluindo o de Daniella Cicarelli.
Também vive trocando datas em verbetes históricos.
A liberdade de edição, que tornou o site um grande sucesso, acabou colocando em cheque a sua
credibilidade. Alguns verbetes, de tão visados, não são tão abertos para edição. Para esses, é
preciso cadastro ou ser administrador. Mesmo assim, quem acessa o site sofre.
No mês passado, o carioca Pedro Rocha, 17, levou um susto quando descobriu que o seu
trabalho sobre Revolução Pernambucana estava com nomes e datas erradas. "Sempre achei que a
Wikipédia fosse uma fonte segura. Depois disso, nunca mais pesquisei nada lá", conta.
12
O carioca Felipe Villaça, 18, levou um puxão de orelha do professor por causa de um texto sobre a
Balaiada, e o amigo dele, Ruy Fortini, 18, não se deu bem com o trabalho sobre Conjuração Baiana.
Segundo Ruy, o artigo da Wikipédia indicava o escritor Fernando Sabino como um dos ilustres
personagens do movimento, que aconteceu no século 18. Como se sabe, Sabino era mineiro e
morreu em 2004.

Correção
Enquanto uns se divertem avacalhando a Wikipédia, outros passam horas de frente para o
computador tentando consertar os erros alheios. É o caso do estudante gaúcho Morgan Riva, 16.
"Não criei muitos verbetes, mas o que mais faço é corrigir erros ortográficos, de concordância ou de
informação. É para que ela fique ainda melhor", conta. Apesar da boa intenção, Morgan não
consegue dar conta de tanto trabalho (voluntário, é bom lembrar). Só a versão em português já tem
mais de 250 mil artigos.
Para tentar evitar problemas como esses, a Wikipédia elege alguns usuários para serem
administradores do site. No Brasil, são cerca de 20. A eles cabe a árdua tarefa de monitorar e filtrar o
que é publicado, corrigir erros e evitar vandalismo e baixaria. Em alguns, eles estão sempre de olho,
como é o caso do verbete sobre o presidente americano George W. Bush, alvo frequente de insultos.
"É possível que algum verbete ainda não tenha recebido revisão. Por isso, a prudência recomenda
que é sempre bom checar as informações da Wikipédia com outras fontes", avisa um dos
administradores brasileiros do site, Gervásio Santana de Freitas, 36. Esse é o recado.

TEXTO - “O TEXTO É MEU”
Revista Veja, 16 jul. 2003.

A nota “Dá para acreditar?” (Guia, 9 de julho) informou que nem tudo o que vem pela internet é
autêntico e citou alguns casos de falsa autoria na rede. Alguns dos textos citados foram atribuídos a
autor desconhecido. Martha Medeiros, de Porto Alegre, escreveu: “O texto ‘A morte devagar’ (citado
na nota como ‘Quem morre?’, atribuído a Pablo Neruda) é de minha autoria. Foi publicado pela
primeira vez em 1º. De novembro de 2000, em minha coluna no jornal Zero Hora, e está também
impresso em meu livro Non-stop – Crônicas do Cotidiano (editora L&PM)”. Marta diz ainda que já viu
textos dela atribuídos a Miguel Falabella, Mário Quintana e outros autores, além de Neruda. Cozete
Gelli Toledo, de São Paulo, autora do texto “Faz parte”, atribuído na internet a Arnaldo Jabor, também
apareceu: “Escrevi esse texto (com o título original ‘Vergonha de ser brasileira’) no fórum do
programa Big Brother Brasil I, no site da Globo.com. Algum tempo atrás, recebi por e-mail meu
próprio texto assinado por Arnaldo Jabor. Descobri que ele mesmo já havia esclarecido não saber sua
origem”, informou a autora. Adriana Brasil, de Teresina, Piauí, encontrou uma pista para um desses
equívocos: “Eu mesma já enviei por e-mail a crônica ‘Ter ou não ter namorado’ (citada na nota do
Guia), do jornalista Artur da Távola. Tirei essa crônica de um livro da 8ª. Série, que o atribuía a Carlos
Drummond de Andrade. Pode ter partido daí o meu erro e o de alguns internautas também”.

TEXTO – ESCREVER BEM É UM DIREITO

Resenha de Gilberto Dimenstein sobre o livro REDAÇÃO LINHA A LINHA. Autor: Thaís Nicoleti de Camargo. Lançamento:
Publifolha. Quanto: R$ 24,90 (152 págs.). Folha de S. Paulo, São Paulo, 1 abr. 2004 . Folha Fovest.

Quando se propôs a publicar "Redação Linha a Linha", a professora Thaís Nicoleti de Camargo
tinha como foco imediato o vestibular, oferecendo um instrumento para que os alunos pudessem
encadear melhor as informações em seus textos. Mas o vestibular é apenas um detalhe -e talvez o
menos importante deste livro. Relevante, de fato, é a relação entre a escrita e os direitos mais
rudimentares da cidadania.
A falta do hábito de leitura e de escrita, resultado, entre outros fatores, da supervalorização da
imagem, faz com que muitos alunos se sintam diante de uma redação como se estivessem perdidos
num labirinto de palavras, incapazes de colocar no papel uma ideia com um mínimo de consistência.
Isso sem falar dos tropeços na língua, que deixam incompreensíveis várias passagens do texto.
É inútil, obviamente, sair por aí acenando com as regras gramaticais, o que é algo parecido a
ensinar os encantos da sensualidade por meio de aulas de ginecologia. Além de professora de ensino
médio e de cursinhos pré-vestibulares, Thaís é consultora de língua portuguesa da Folha. Está,
portanto, envolvida no fazer dos textos tanto em sala de aula como numa Redação, o que lhe dá a
visão privilegiada de quem mergulha em diferentes formas de expressão.
O livro parte de redações de leitores enviadas ao caderno Fovest, da Folha, inspiradas em temas
contemporâneos que exigem do aluno estar antenado com o cotidiano -aliás, condição essencial para
13
quem deseja ir bem numa prova de redação. A autoridade não se prende às regras, embora sempre
se apontem erros gramaticais. O forte está na discussão detalhada, com base nos textos, sobre como
estruturar uma ideia sem cair em chavões, dubiedades, inconsistência, lugares-comuns. Ou seja,
sobre como escrever de forma clara, direta, precisa, coerente.
A necessidade de tais atributos na escrita vai muito além do vestibular. Faz parte das habilidades
necessárias da cidadania. Quem não consegue se expressar, falando ou escrevendo, corre o risco de
ser um cidadão de segunda classe, limitado em seu direito de crítica, incapaz de defender uma
posição com um mínimo de clareza. O vestibular passa (e bem rapidamente), mas a cidadania (ou a
falta dela) fica.

TEXTO - CIÊNCIA NA REDE

Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 mar. 2004. Opinião.

Uma das principais características do método científico é a ampla troca de informações entre
pesquisadores. Ninguém, é claro, entrega ao laboratório rival o segredo que pode levar a um Prêmio
Nobel, mas, uma vez concluído o experimento ou feita a descrição do achado -e requeridas as
eventuais patentes-, é praxe submetê-los a publicação por um periódico de prestígio e auditado, ou
seja, com o controle de qualidade que se chama de "peer review" (revisão pelos pares). Enquanto a
pesquisa não é publicada, ela não existe para o mundo científico.
É essa rápida troca de conhecimentos que permite o avanço da ciência. O experimento publicado
logo é repetido por outros grupos que trabalhem na mesma área. Se houver erro no original, são
grandes as chances de ele ser detectado. Pequenas variações na repetição podem levar a novas
conclusões. Muitas vezes, um determinado achado é a peça que faltava para completar a pesquisa
de outro grupo. É a publicação que integra os vários centros de pesquisa e dá organicidade à
comunidade científica.
Como não poderia deixar de ser, o advento da internet trouxe importantes repercussões para o
mundo da ciência. Com facilidades como o correio eletrônico, nunca foi tão fácil -e barato- para um
pesquisador trocar impressões com um colega em outro país ou continente. O meio das publicações
científicas também foi afetado. Surgiram, nos últimos anos, uma pletora de novos títulos eletrônicos,
que aliam a maior agilidade à redução dos custos com papel, impressão e distribuição.
Questiona-se, também, o modelo de negócios das publicações. Os principais periódicos
costumam cobrar - e muito - para ser lidos. A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior), por exemplo, gasta cerca de US$ 20 milhões anuais para colocar os principais
"journals" à disposição dos pesquisadores brasileiros em seu portal na internet. As publicações
alegam -não sem fundamento- que têm custos muito elevados para manter equipes de editores
especializados e cientistas que julgam o mérito de todos os trabalhos que lhe são submetidos pelos
autores.
O argumento não convence a todos, e já surgiram alternativas como "PLoS", sigla para "Public
Library of Science", ou biblioteca pública de ciência. É uma publicação que nada cobra para ser lida.
A ideia é especialmente sedutora para países pobres como o Brasil, cujos laboratórios e instituições
de pesquisa nem sempre dispõem das centenas de dólares para assinar uma revista. No plano
nacional, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) mantém o portal
Scielo (www.scielo.br), que dá acesso gratuito a 120 publicações brasileiras.
Infelizmente não existe almoço gratuito. "PLos", a exemplo de seus congêneres, tem custos que
precisam ser cobertos. Assim, ela cobra cerca de US$ 1.500 dos autores para publicar um texto.
Ainda não se sabe ao certo se esse é um modelo viável. Mesmo na hipótese de sê-lo, cabe lembrar
que a taxa pode ser proibitiva para muitos pesquisadores do Terceiro Mundo. Trata-se, porém, de
uma iniciativa que merece apoio e incentivo. No mínimo, por estar mais de acordo com a filosofia do
método científico, que é a de dar a maior publicidade possível a experimentos e achados de
pesquisadores.

AULA - COMO ELABORAR REFERÊNCIAS (ABNT)

• Elemento pós-textual, obrigatório.
• Somente fontes citadas no trabalho.
• Partes fundamentais:
- autor/entidade/jurisdição;
- título e subtítulo da obra;
- número da edição (exceto a primeira);
- local da publicação;
14
- editora responsável;
- data da publicação.
• Elaboração: espaço simples, fonte 12, alinhadas à margem esquerda, destacadas umas das
outras por um espaço duplo.

ATIVIDADES
1. Fazer um levantamento bibliográfico em bancos de dados (utilize a Biblioteca Virtual em Saúde
disponível no site: http://www.bireme.br) com as seguintes palavras de busca: obesidade infantil,
alimentação. Elaborar uma lista com as referências encontradas (mínimo de 5 e máximo de 8) de
acordo com as normas da ABNT.

AULA - APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS

1. Elementos pré-textuais
• Capa (obrigatório)
• Folha de rosto (obrigatório)
• Ficha catalográfica (obrigatório)
• Errata (se houver)
• Folha de aprovação (obrigatório)
• Dedicatória (opcional)
• Agradecimentos (opcional)
• Epígrafe (opcional)
• Resumo na língua vernácula (obrigatório)
• Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
• Lista de Ilustrações (se houver)
• Lista de tabelas (se houver)
• Lista de abreviaturas e siglas (se houver)
• Lista de símbolos (se houver)
• Sumário (obrigatório)

2. Elementos textuais: texto.

3. Elementos pós-textuais
• Referências (obrigatório)
• Glossário (se houver)
• Apêndice(s) (se houver)
• Anexo(s) (se houver)
• Índice (opcional)


AULA - TÉCNICAS DE APRESENTAÇÃO ORAL E VISUAL

Uma boa apresentação requer: preparação; domínio do conteúdo; conhecimento prévio dos
ouvintes; local e tempo de apresentação.

Como preparar uma apresentação
O conteúdo de uma apresentação deve ser:
• Claro e exato.
• Resumido e sem generalizações.
• Com lógica e coerência entre as partes.

Local e tempo de apresentação
• Tipo de linguagem.
• Tamanho, cor e fonte dos slides.
• Organização do tempo de apresentação.
• Clareza no conteúdo e acréscimo de novas ideias durante a preparação.

15
Apresentação escrita
• Apropriada para a circunstância.
• Visível para todos.
• Clara, limpa e arejada.
• Precisa e eficiente.

Como fazer uma apresentação escrita
• Escreva com letras legíveis.
• Limite a quantidade de tamanhos de letras.
• Crie frases curtas.
• Use poucas linhas.
• Use cores.
• Uma ideia para cada slide.
• Uma ilustração em cada slide.
• Cuidado com abreviaturas em títulos e textos.
• Evitar textos longos.
• Qualquer comparação numérica poderá ser mais facilmente explicada e compreendida com o
auxílio de gráficos, desde que estes possam ser vistos pelos ouvintes.
• Evitar efeitos nos slides.
• Cuidado com o uso das cores.

Formas de apresentação
• Sempre apresentar-se com entusiasmo.
• Livrar-se do nervosismo.
• Compartilhar seus objetivos com os ouvintes.
• Ser simples, claro, elegante e profissional.
• Controlar o tempo usado em cada conteúdo a ser exposto e fazer os ouvintes participarem.
• Utilizar sempre o bom senso.
• Saber usar a voz.
• Cuidar da linguagem do corpo.
• Para uma boa apresentação deve-se ousar sem exageros.
Deixar para as pessoas seu nome e seu contato.


AULA - ETAPAS DE UM PROJETO DE PESQUISA

1. Tema: assunto relacionado à área de interesse e atuação do pesquisador.

2. Problema: questionamento sobre tema relacionado à área de interesse e atuação do pesquisador.

3. Hipóteses: respostas provisórias ao problema de pesquisa e que serão (ou não) confirmadas no
processo da pesquisa.

4. Justificativas: argumentos que justificam a realização de uma pesquisa.

5. Objetivos: o que se deseja alcançar após a escolha de um tema e a delimitação de um problema.
Divididos em:
a) Objetivo Geral
b) Objetivos Específicos
Verbos indicados: citar, identificar, verificar, comparar, localizar etc.

6. Materiais e Métodos: meios e técnicas utilizados para atingir os objetivos.

7. Base teórica: escolha da fundamentação teórica da pesquisa e definição dos conceitos aplicados.
8. Tipos de pesquisa

9. Fontes de pesquisa
16
• Papel: material já elaborado (bibliotecas); cobertura ampla dos fenômenos; fontes podem
conter erros.
• Pessoas: levantamento; estudo de campo; estudo de caso.

10. Cronograma: divisão da pesquisa em etapas.

11. Levantamento bibliográfico: lista de obras existentes sobre o tema abordado.

12. Referências: obras consultadas para elaboração do projeto de pesquisa.

13. Apêndices: material complementar ao projeto de pesquisa de elaboração do pesquisador.

14. Anexos: material complementar ao projeto de pesquisa não elaborado pelo pesquisador.

TEXTO – QUAL É O PROBLEMA?

KANITZ, Stephen. Revista Veja, Editora Abril, ed. 1898, ano 38, n. 13, 30 mar. 2005, p. 18.

Um dos maiores choques de minha vida foi na noite anterior ao meu primeiro dia de pós-
graduação em administração. Havia sido um dos quatro brasileiros escolhidos naquele ano, e todos
nós acreditávamos, ingenuamente, que o difícil fora ter entrado em Harvard, e que o mestrado em si
seria sopa. Ledo engano.
Tínhamos de resolver naquela noite três estudos de caso de oitenta páginas cada um. O estudo
de caso era uma novidade para mim. Lá não há aulas de inauguração, na qual o professor diz quem
ele é e o que ensinará durante o ano, matando assim o primeiro dia de aula. Essas informações
podem ser dadas antes. Aliás, a carta em que me avisaram que fora aceito como aluno veio
acompanhada de dois livros para ser lidos antes do início das aulas.
O primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing, em que a empresa gastava boas
somas em propaganda, mas as vendas caíam ano após ano. Havia comentários detalhados de cada
diretor da companhia, um culpando o outro, e o caso terminava com uma análise do presidente sobre
a situação.
O caso terminava ali, e ponto final. Foi quando percebi que estava faltando algo. Algo que nunca
tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no Brasil. Não havia nenhuma pergunta do professor a
responder. O que nós teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras? Eu, como meus outros
colegas brasileiros, esperava perguntas do tipo "Deve o presidente mudar de agência de propaganda
ou demitir seu diretor de marketing?". Afinal, estávamos todos acostumados com testes de vestibular
e perguntas do tipo "Quem descobriu o Brasil?".
Harvard queria justamente o contrário. Queria que nós descobríssemos as perguntas que
precisam ser respondidas ao longo da vida.
Uma reviravolta e tanto. Eu estava acostumado a professores que insistiam em que decorássemos
as perguntas que provavelmente iriam cair no vestibular.
Adorei esse novo método de ensino, e quando voltei para dar aulas na Universidade de São
Paulo, trinta anos atrás, acabei implantando o método de estudo de casos em minhas aulas. Para
minha surpresa, a reação da classe foi a pior possível.
"Professor, qual é a pergunta?", perguntavam-me. E, quando eu respondia que essa era
justamente a primeira pergunta a que teriam de responder, a revolta era geral: "Como vamos resolver
uma questão que não foi sequer formulada?".
Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas e definidas, por uma razão muito
simples: é mais fácil para o aluno e também para o professor. O professor é visto como um sábio, um
intelectual, alguém que tem solução para tudo. E os alunos, por comodismo, querem ter as perguntas
feitas, como no vestibular.
Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência, o mito de que todas as questões do
mundo já foram formuladas e solucionadas. O objetivo das aulas passa a ser apresentá-las, e a
obrigação dos alunos é repeti-las na prova final.
Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir que seu patrão não lhe perguntará quem
descobriu o Brasil e não lhe pagará um salário por isso no fim do mês. Nem vai lhe pedir para
resolver "4/2 = ?". Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito, muito
menos uma divisão perfeita, os números da vida sempre terminam com longas casas decimais.
Seu patrão vai querer saber de você quais são os problemas que precisam ser resolvidos em sua
área. Bons administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas, e não os que repetem
suas melhores aulas.
17
Uma famosa professora de filosofia me disse recentemente que não existem mais perguntas a ser
feitas, depois de Aristóteles e Platão. Talvez por isso não encontramos solução para os inúmeros
problemas brasileiros de hoje. O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas
para os problemas errados.
Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-a-dia, uma vez definido
qual é o verdadeiro problema, o que não é fácil, a solução não demora muito a ser encontrada.
Se você pretende ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas mais do que sair
arrogantemente ditando respostas. Se você ainda é um estudante, lembre-se de que não são as
respostas que são importantes na vida, são as perguntas.

ATIVIDADES
1. Leia os resumos científicos abaixo e identifique qual o problema de pesquisa em cada um deles.

Resumo 1
BOOG, M. C. F. Educação nutricional em serviços públicos de saúde. Cad. Saúde Pública, Rio de
Janeiro, v. 15, supl. 2, p. 139-147, 1999.

Este estudo objetivou discutir a implementação de atividades de educação nutricional em serviços
públicos de saúde, valendo-se da visão de médicos e enfermeiros que atuam nesses serviços. A
pesquisa foi desenvolvida em Campinas , Estado de São Paulo, Brasil, entre outubro de 1993 e julho
de 1995, utilizando-se o método da pesquisa-ação. Os resultados descrevem a construção do saber
sobre nutrição através das instituições formadoras e profissionais; a conduta adotada em face dos
problemas relativos à alimentação no cotidiano profissional em contraposição ao enfrentamento dos
mesmos no cotidiano pessoal; a contradição existente entre a aparente banalidade do ato da
alimentação em contraposição à complexidade dos problemas alimentares; a trajetória entre a
aceitação do trabalho e incorporação das ações de educação nutricional e a efetiva
institucionalização dos mesmos; a visão dos profissionais diante de situações que permeiam a
implementação das ações nesse campo. As conclusões referem-se à necessidade de implementação
de atividades de educação nutricional nos serviços de saúde, às dificuldades dos profissionais para
abordar problemas relativos à nutrição e à necessidade de discutir o ensino de nutrição nos cursos da
área da saúde.

Resumo 2
CANESQUI, A. M. A qualidade dos alimentos: análise de algumas categorias da dietética popular.
Rev. Nutr., Campinas, v. 20, n. 2, p. 203-216, mar./abr. 2007.

O artigo aborda os conhecimentos dietéticos tradicionais expressos nas seguintes categorias:
“quente/frio”; “forte/fraco” e “reimoso”, que definem a qualidade e a propriedade dos alimentos e da
comida e os seus efeitos sobre o corpo. Vale-se da literatura antropológica nacional e dos estudos
qualitativos produzidos desde 1975 a 2005. Os estudos antigos são mais abundantes do que os
atuais e, apesar dessa limitação, o artigo contribui para discutir as diferentes abordagens conceituais
usadas pelos autores e demonstra a persistência do saber dietético tradicional, que convive com o
saber científico da nutrição, sendo importante não desprezá-lo nas intervenções nutricionais.

Resumo 3
ARAÚJO, F. F.; SILVA, C. C.; FORTES, R. C. Terapia nutricional enteral em pacientes oncológicos:
uma revisão da literatura. Comun. ciênc. Saúde, v. 19, n. 1, p. 61-70, jan./mar. 2008.

Objetivo: Avaliar o impacto da terapia nutricional enteral sobre o estado nutricional de pacientes
oncológicos hospitalizados. Métodos: Pesquisa nas bases de dados Medline, Lilacs, NCBI, Capes,
Scielo, Google scholar e Cochrane, com ênfase nos últimos 10 anos, nos idiomas inglês e português,
referente à terapia nutricional enteral empacientes com câncer, utilizando-se os descritores:
desnutrição hospitalar, estado nutricional, terapia nutricional enteral, anorexia-caquexia e câncer.
Foram selecionados ensaios clínicos randomizados e controlados, seguidos de tratamento estatístico
com significância de p ≤ 0,05. Resultados: Observou-se, por meio da literatura, que a terapia
nutricional enteral, utilizada com o intuito de recuperar o estado nutricional de indivíduos debilitados,
pode ser determinante na melhora do prognóstico de pacientes oncológicos hospitalizados, visto que
a desnutrição é um achado comum, o que acarreta maior tempo de internação, maior incidência de
complicações pré e pós-operatórias e elevada mortalidade. Conclusão: Os estudos analisados
18
demonstraram que a terapia nutricional enteral é capaz de melhorar significativamente o estado
nutricional de pacientes oncológicos e, consequentemente, o prognóstico dos mesmos.

Resumo 4
SILVA, R. P. et al. Terapia nutricional na diarréia crônica refratária associada à síndrome consumptiva
em paciente HIV positivo: relato de caso. An. Fac. Med. Univ. Fed. Pernamb, v. 52, n. 2, p. 158-160,
2007.

A suplementação dietética de fibras solúveis e L-glutamina tem mostrado efeitos benéficos na diarréia
crônica relacionada à AIDS. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da suplementação enteral
com L-glutamina e goma guar parcialmente hidrolisada em paciente com diarréia refratária associada
à Sindrome Consumptiva do HIV/AIDS. Paciente sexo feminino, 45 anos, HIV há 10 anos, diagnóstico
de Síndrome Consumptiva (1 ano), apresentando diarréia aquosa sem sangue ou muco (8 û 10
evacuações/dia) há 6 meses. A avaliação antropométrica indicou um IMC = 15,2 kg/m2, perda de
peso de 20,7%, circunferência do braço e prega cutânea tricipital com adequação de 54% e 38%,
respectivamente, caracterizando desnutrição grave. A paciente recebeu 30g de L-glutamina e 35g de
goma guar durante 10 dias por via enteral adicionada a uma dieta semi-elementar. A partir do 2º dia,
o número de evacuações foi reduzido, sem alteração de consistência. No 4º dia, 1 evacuação líquida
e a partir do 5º dia, ocorreu normalização da função intestinal, com fezes pastosas 1 vez/dia e
melhora do estado clínico geral. A terapia nutricional enteral acrescida de L-glutamina e fibra solúvel
mostrou-se eficaz no controle da diarréia, provavelmente por auxiliar no reparo da mucosa colônica,
favorecendo a rápida recuperação intestinal.

AULA - MATERIAIS E MÉTODOS

Pesquisa Exploratória
Pesquisa Descritiva
Pesquisa Explicativa
Estudo Quantitativo
Estudo Qualitativo
Estudo de Coorte

Pesquisa Experimental
• Determina um objeto de estudo, seleciona variáveis capazes de influenciá-lo, define formas
de controle/observação dos efeitos que variáveis produzem no objeto.
• Propriedades: manipulação; controle (grupo controle); distribuição aleatória; análise
estatística dos dados.

Estudo caso-controle
• Relação entre variáveis.
• Comparação entre 2 amostras: 1ª amostra: pessoas com determinada característica (casos);
• 2ª amostra: pessoas com todas as características da 1ª amostra exceto a que constitui objeto
da pesquisa.

Estudo Prospectivo
• Elaborado no presente, com acompanhamento determinado segundo objeto de estudo.
• Planejamento rigoroso.

Estudo Retrospectivo
• Baseado em registros do passado com seguimento até o presente.
• Depende de arquivos/protocolos completos e organizados.

Levantamento
• Interrogação direta das pessoas.
• Representativo do universo definido.
• Análise de dados quantitativa.
• Censo: informações de todos os integrantes do universo pesquisado.
• Características do levantamento: conhecimento de opiniões, atitudes, comportamentos;
• inadequado para estudos que envolvam relações e estruturas sociais complexas, aspectos
psicológicos e psicossociais; importância do pré-teste do instrumento de coleta de dados.
19
• Instrumentos de coleta de dados: questionário, entrevista, formulário (pesquisas de opinião e
mercado).

Estudo de Campo
• Semelhante ao levantamento, mas com maior profundidade.
• Estudo de único grupo/comunidade.
• Uso de técnicas de observação.
• Procedimentos: apoio das lideranças locais; aliança de grupos com interesse na pesquisa;
fornecimento das informações à comunidade; preservar a identidade dos respondentes.
• Análise de dados: análise quantitativa; análise qualitativa: construção de categorias de
análise de acordo com referencial teórico para posterior descrição; análise do que está
implícito e silenciado.

Estudo de Caso
• Estudo profundo/exaustivo de um/poucos objetos, com seu amplo/detalhado conhecimento.
• Resultados são apresentados na condição de hipóteses.
• Dificuldade de generalização.

Perfil Sócio-econômico: Variáveis
• Sexo / Idade / Estado civil / Número de filhos
• Religião / Nível de escolaridade
• Ocupação profissional / local moradia
• Renda familiar / posse de automóvel
• Patrimônio mobiliário

Operacionalização de Variáveis
• Variáveis que não são passíveis de observação imediata.
• Definição de elementos que possibilitem identificar a variável de maneira prática.

Determinação de Sujeitos
• População: número total de elementos de uma classe.
• Pessoas: características relevantes sexo, idade, nível de instrução/socioeconômico.
• Amostra: técnica da randomização - cada um dos sujeitos tem igual chance de ser escolhido.
• Amostragem aleatória simples; amostragem estratificada (uso de variáveis como sexo, idade
ou classe social); amostragem por conglomerados (pesquisas que envolvem habitantes de
uma cidade).

ATIVIDADES
1. Para cada um dos resumos científicos abaixo, responda às alternativas propostas. Caso não
encontre alguma das alternativas, complete com a expressão “Não Consta”.
a) Tipo de pesquisa
b) População e amostra
c) Variáveis do estudo
d) Período e local de coleta de dados
e) Método de coleta de dados
f) Instrumento de coleta de dados
g) Método de análise de dados

Resumo 1
FIATES, G. M. R.; SALLES, R. K. de. Fatores de risco para o desenvolvimento de distúrbios
alimentares: um estudo em universitárias. Rev. Nutr., v. 14, supl. p. 3-6, 2001.

Este trabalho buscou identificar, em mulheres universitárias, aquelas que apresentavam fatores de
risco para o desenvolvimento de distúrbios alimentares. Aplicou-se o questionário Eating Attitudes
Test em 221 mulheres (114 estudantes de nutrição e 107 estudantes de outras áreas não
relacionadas à saúde). Os resultados indicaram que 22,17% das estudantes apresentaram fatores de
risco para o desenvolvimento de distúrbio alimentar, sendo que no grupo de alunas da nutrição o
percentual foi maior (25,43%) do que no grupo de estudantes de outros cursos (18,69%). Embora a
20
diferença não tenha sido significativa, as futuras nutricionistas podem estar inseridas em um ambiente
mais favorável ao desenvolvimento de distúrbios alimentares.

Resumo 2
TOSCANO, B. de A. F. et al. Câncer: implicações nutricionais Comun. ciênc. Saúde, v. 19, n. 2, p.
171-180, abr./jun. 2008.

Em virtude do aumento de sua incidência, o câncer é, atualmente, um problema de saúde pública
mundial. A perda de peso e de tecidos corporais é uma condição comum em pacientes oncológicos e
está relacionada à localização, o tipo de tumor, a presença e a duração de sintomas gastrintestinais
como, por exemplo, anorexia, vômitos e diarréia. Esta condição afeta a capacidade funcional, a
resposta ao tratamento, a qualidade de vida e a sobrevida do paciente. Anorexia, perda ponderal
involuntária, diminuição da capacidade funcional, depleção progressiva de massa magra e tecido
adiposo caracterizam a caquexia, condição de desnutrição energético-protéica grave. O estado
caquético é provavelmente mediado por citocinas que alteram o metabolismo de carboidratos,
proteínas e gorduras em pacientes com câncer. Por meio da avaliação nutricional precoce é possível
estimar o risco nutricional, a magnitude da desnutrição e determinar a intervenção e a educação
nutricional. A terapia nutricional adequada melhora a resposta clínica e o prognóstico do paciente. A
intervenção nutricional pode ser realizada por meio de suplementação oral, nutrição enteral e/ou
parenteral, desde que se avaliem seus benefícios, indicações e contra-indicações. O objetivo principal
deste estudo foi revisar, por meio de artigos indexados nas bases de dados Medline, Lilacs, NCBI,
Capes, Scielo e Cochrane, as principais implicações nutricionais em pacientes oncológicos.

Resumo 3
MARTINS, J. A. R.; CHAIN, R. Desnutrição: uma proposta de trabalho para unidades básicas de
saúde. Arq. bras. Méd, v. 59, n. 6, p. 463-466, dez. 1985.
Os autores analisam o estado nutricional das crianças menores de cinco anos cadastradas no PS da
Beira Linha e a partir daí enfocam a evolução do conceito de desnutrição ao longo do tempo, desde o
aspecto puramente médico até sua vinculação com fatores sociais. Esta análise abrange o período de
julho/83 a agosto/84, totalizando 176 crianças de ambos os sexos, submetidas a avaliação em função
do peso. Utilizando-se os critérios de GOMEZ, foram identificados 53 casos de DPC (30,1%), sendo
22 (41,5%) do sexo masculino e 31 (58,5%) do sexo feminino. Dos 53 casos, 41 (77,3%) foram DPC
grau I, 10 (18,9%) grau I e dois (3,8%) grau III. Considerando o grave problema da desnutrição e
alertando as equipes interdisciplinares ligadas à área da saúde, com interesse particular em combater
sua prevalência e incidência, propõem normas de conduta que partem da educação em saúde com
acompanhamento médico e suplementação alimentar.

Resumo 4
STRAUSS, E.; MASSUDA, H. K. Avaliação nutricional em cirróticos. Arq. Gastroenterol, v. 23, n. 4, p.
211-216, out./dez. 1986.

Importância fundamental tem sido atribuída à avaliação nutricional, tanto em diagnóstico como
prognóstico e ainda para controle de terapia nutricional. Avaliação nutricional de 32 pacientes
cirróticos foi feita por medidas antropométricas: prega cutânea de tríceps (PCT) e circunferência
muscular de braço (CMB), bem como parâmetros laboratoriais: índice creatinina/altura, albumina e
transferrina séricas contagem de linfócitos. As reservas calóricas não-protéicas avaliadas pela PCT
estiveram muito baixas em 81% dos casos. Já as reservas musculares, avaliadas pela CMB e índice
creatinina/altura mostraram-se depletadas em 37,5 e 43,7% dos casos. As reservas viscerais,
avaliadas pelos níveis séricos de albumina e transferrina, bem como as alterações da resposta
imunológica, medida pela contagem de linfócitos estiveram, severamente depletadas em 10 a 15%
dos casos. Comenta-se a crescente valorização do fator nutricional em cirrose hepática, sendo
discutida a interpretação dos diferentes parâmetros utilizados para avaliação nutricional em
hepatopatias crônicas.

Resumo 5
NARCHI, N. Z. et al. Análise da efetividade de um programa de incentivo ao aleitamento materno
exclusivo em comunidade carente na cidade de São Paulo. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., v. 5, n. 1,
p. 87-92, jan./mar. 2005.

21
Analisar a efetividade do Programa de Incentivo ao Aleitamento Materno Exclusivo implantado em
uma comunidade carente do município de São Paulo a fim de redirecionar-lhe as ações. Pesquisa
descritivo-exploratória, retrospectiva, quantitativa, com dados coletados nas 56 fichas de mulheres
atendidas pelo Programa no período de agosto de 2002 a novembro de 2003. Variáveis: situação
empregatícia, idade, número de filhos e tipo de assistência recebida no parto e nascimento; adesão e
abandono às consultas; motivos de abandono; situação do aleitamento no momento da alta.
Resultados: 100% das mulheres não trabalhavam, 39,3% eram adolescentes, 48,2% eram
primíparas, 67,9% referiram parto normal, 78,6% permaneceram em sistema alojamento conjunto e
68,6% não referiram contato precoce com o bebê após o parto; 51,8% de adesão ao Programa e
48,2% de abandono por motivos desconhecidos. No momento da alta, 17,3% das mães referiram
aleitamento exclusivo durante os seis meses, 58,6% misto e 24,1% artificial. O desmame precoce
ocorreu em média aos 96 dias de vida do bebê. Evidenciou-se que o Programa, apesar da aparente
baixa efetividade, necessita ser mantido pelo benefício que traz ao binômio mãe-filho tendo em vista
as condições socioeconômicas daquela comunidade, sendo necessárias novas estratégias que
melhorem a adesão e a média de aleitamento exclusivo.

Resumo 6
SANTOS, M. A. A. dos; SANTOS, R. P. dos. Uso de suplementos alimentares como forma de
melhorar a performance nos programas de atividade física em academias de ginástica . Rev. paul.
educ. fís, v. 16, n. 2, p. 174-185, jul./dez. 2002.

A literatura científica se refere aos ergogênicos como sendo as substâncias ou fenômenos que
melhoram o desempenho de um atleta. O termo é derivado de duas palavras gregas: ôergonö
(trabalho) e ôgennanö (produzir). Este experimento avaliou o uso de suplementos alimentares em
academias de ginástica de Vitória - ES. O instrumento utilizado para avaliar o objetivo proposto foi um
questionário composto por 23 questões, referentes ao perfil de pessoas que freqüentam as
academias na cidade de Vitória - ES englobando questões relativas aos objetivos deste estudo. As
questões eram de múltipla escolha, podendo o aluno escolher se desejasse mais de uma resposta
para a mesma pergunta. Os dados foram tratados em termos de percentuais. Cerca de 76 por cento
dos alunos pesquisados cursaram ou estão cursando o 3o. grau, tem em média 27,5 anos, 70.

Resumo 7
YUYAMA, L. K. O. et al. Perfil nutricional da dieta dos pré-escolares do município de Nhamundá-AM.,
Brasil. Acta amaz, v. 29, n. 4, p. 651-654, dez. 1999.

Determinou-se os constituintes nutricionais das dietas dos pré-escolares do Município de Nhamundá-
AM, seguido da adequação dos mesmos. utilizou-se a técnica de amostragem da porção em
duplicata, que consistiu em coletar todos os alimentos e bebidas consumidos durante um dia para a
avaliação dietética. Os resultados mostraram uma baixa adequação calórica, além das deficiências
para os elementos minerais ferro, cálcio e zinco.

Resumo 8
VITOLO, M. R. et al. Níveis de vitamina A no leite maduro de nutrizes adolescentes e adultas de
diferentes estratos socioeconômicos. Rev. ciênc. méd., Campinas, v. 8, n. 1, p. 3-10, jan./abr. 1999.

Os níveis de vitamina A no leite humano parecem refletir os teores presentes na dieta e o estado
nutricional materno deste nutriente. Considerando a prevalência de deficiência de vitamina A em
outros grupos populacionais em nosso meio, o objetivo deste estudo foi avaliar a influência da idade,
condição socioeconômica e dieta nas concentrações de vitamina A no leite maduro. Participaram do
estudo 74 nutrizes, com idade entre 14 e 39 anos, em aleitamento materno exclusivo, entre 30 dias e
3 meses pós-parto. As nutrizes foram classificadas em três grupos: adolescentes de baixa condição
socioeconômica; adultas de baixa condição socioeconômica; adultas de alta condição
socioeconômica. O estudo nutricional antropométrico foi determinado pelo Índice de Massa Corporal.
Os dados do consumo alimentar foram obtidos pelo inquérito recordatório de 24 horas, sendo a
análise dietética realizada pelo programa de sistema de apoio à nutrição versão 2.5 do Centro de
Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo. A coleta das amostras de leite foi
realizada no período da tarde, por expressão manual, de ambas as mamas, consistindo em várias
tomadas após as mamadas da tarde, para obtenção de volume mínimo de 100ml. A determinação
espectrofotométrica de vitamina A do leite foi realizada pelo método de Bessey Lowry modificado. Os
resultados mostraram ingestão média de vitamina de 281 µgEqR para adolescentes de baixa
22
condição socioeconômica, 412 µgEqR, para adultas de baixa condição socioeconômica, e 770
µgEqR, para adultas de alta condição socioeconômica. Os valores para vitamina A do leite foram
2,48ñ1,06 µmol/l, 2,85ñ1,14 µmol/l e 2,31ñ0,84 µmol/l respectivamente, não sendo observadas
diferenças estatísticas entre os três grupos (p=0,23). A partir dos resultados encontrados pôde-se
concluir que dieta, idade e condição socioeconômica materna não influenciaram os teores de vitamina
A no leite secretado.

2. Leia os textos a seguir com atenção e elabore um projeto de pesquisa para cada um dos temas
apresentados, de acordo com as seguintes etapas:
a) Tema
b) Problema
c) Hipóteses
d) Objetivo Geral
e) Objetivos Específicos
f) Materiais e métodos

Texto 1
FIGUEIREDO, T. Brasil tem 46 milhões de mães, diz pesquisa. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 maio 2005. Cotidiano, p. C6.

[...] O número de mães no país aumentou - agora são quase 46 milhões -, mas o número de filhos
que elas têm diminuiu entre 1970 e 2000, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas)
divulgada ontem que traçou o perfil das mães brasileiras.A única faixa etária em que o número de
filhos aumentou foi entre 15 e 19 anos.
Segundo dados do Censo 2000, o número de mulheres acima de dez anos que tiveram filhos no
Brasil aumentou de 49,32% para 60,8% entre 1970 e 2000. Dados mais recentes da Pnad (Pesquisa
Nacional de Amostras a Domicílio) de 2003 mostram que o número de mães sobe para 62,18 %.
No período de 1970 a 2000, a média de filhos caiu de 5,1para 2,02 no país. A pesquisa mostra
ainda que o número de mulheres solteiras que são mães aumentou de 2,73% para 16,37%.
Apesar de o número de filhos por mães ter diminuído em todo o país, a única faixa etária em que o
índice cresceu é a das adolescentes (entre 15 e 19 anos).
Em 1980, havia oito filhos em cada grupo de cem adolescentes. Em 2000, o número subiu para
nove. Nas favelas do Rio de Janeiro a proporção é ainda maior. Para cada grupo de cem
adolescentes, há 26 filhos, enquanto nos bairros ricos da cidade há apenas cinco. No total do
município, há 15 crianças nascidas em cada grupo de cem adolescentes.

Reflexo do desenvolvimento
O diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Néri, disse que os números refletem o
desenvolvimento social do país. "As mulheres têm menos filhos e cuidam melhor deles. Os dois são
indicadores de melhora do desenvolvimento da cidade", disse.
Cidades com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), como Santos (que tem o quinto
IDH no país com 0,871), Niterói (que tem o terceiro IDH, com 0,886) e São Caetano do Sul (a cidade
com melhor IDH, com 0,919), lideram o ranking dos municípios com o menor número de filhos por
mulheres (1,40, 1,40 e 1,41, respectivamente).
"Quanto maior a pobreza e menor a densidade demográfica, maior é a taxa de fecundidade.
Alguns exemplos são municípios da Amazônia, que apesar de não serem os mais pobres são menos
populosos", explicou Néri. "Quanto menos filhos, mais atenção a mãe pode dar para cada um deles.
E, quanto mais anos de estudo a mãe tem, menor a evasão escolar dos filhos." Entre as mães que
tem 16 anos ou mais de estudo, o índice de evasão escolar é zero, segundo a pesquisa.

Mais mães
O município onde há mais mães é Borá (SP), com 84,15% das mulheres, e onde há menos é
Jordão (AC), com 39,66%. A cidade onde as mães têm mais filhos é Santo Amaro do Maranhão (MA),
com uma média de 5,39 crianças por mãe. Santos, com uma média de 1,4 filho, é o município onde
as mães têm menos crianças.
O perfil levantado pela FGV mostra que 51,14% das quase 46 milhões de mães do país tiveram
filhos homens na última gravidez. Cerca de 60% das mães têm mães vivas e 13,1% moram com elas.
Esse número cai de 25,56% na faixa entre 20 e 25 anos para 8,15% para aquelas entre 45 e 60 anos.




23
Texto 2
ARAUJO, P. de. Estudo aponta que mães adolescentes engravidam de homens mais velhos. Folha de S. Paulo, São Paulo, 9
maio 2007. Cotidiano.

Estudo recém-concluído pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que a maioria
das mães adolescentes na cidade engravida de homens, em média, cinco anos mais velhos.
A pesquisa acompanhou 378 meninas entre agosto de 1997 e fevereiro deste ano em SP. Em
2005, 105 mil meninas no Estado entre 10 e 20 anos engravidaram.
O estudo demonstra que 64,3% dos parceiros dessas adolescentes são maiores de 21 anos -em
média, a idade dos parceiros é de 22,4 anos; a das garotas, 17,6 anos.
Para a coordenadora do programa de Saúde do Adolescente da secretaria, Albertina Takiuti, o
resultado obriga o governo a redirecionar políticas voltadas para adolescentes. Segundo ela, a falta
de informação sobre contraceptivos e camisinha não pode mais ser apontada como "principal fator"
para a gravidez precoce.
O foco agora passa a ser, portanto, sobre como a menina deve agir com o parceiro para evitar a
gravidez -85,5% das garotas não querem filhos, indica o estudo.
Para a coordenadora, as meninas, diante de homens mais velhos, ficam inibidas a propor o uso de
camisinha. "Precisamos orientá-las a "negociar" o uso."
No Estado, 16,9% das mães são adolescentes. De 1998 a 2005, porém, os partos de
adolescentes caíram 29% graças a um "esforço maior na informação", diz Albertina.

Adolescentes
Patrícia Pereira dos Santos, 18, espera seu segundo filho. O primeiro veio quando ela tinha 15
anos, e começava sua vida sexual. Opai, quase cinco anos mais velho, ao saber da gravidez, disse
que não era dele e desapareceu. "Não conseguia acreditar que estava grávida até o dia do parto."
O menino -Hugo Victor- ficou sob a guarda da tia. Patrícia diz que era muito nova na época e nem
tinha "noção" para pedir a ele que usasse camisinha. Apesar do "susto" da primeira gravidez, Patrícia
resolveu ter mais um filho. Dessa vez, com o consentimento do seu atual namorado.
Lucimara dos Santos, 17, colega de Patrícia na Casa do Adolescente (ligada à Secretaria da
Saúde, que presta atendimento social e psicológico aos jovens), também passou por uma gravidez
precoce. Seu caso, porém, acabou em aborto espontâneo quando ela tinha 15 anos.
"Em uma semana perdi a virgindade; na outra, fiquei grávida", conta. A diferença de idade entre
ela e o rapaz é de sete anos.

Texto 3
GÓIS, A. Quatro em cada dez filhos não foram planejados. Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 2008. Cotidiano.

A mais nova pesquisa Datafolha sobre fecundidade mostra que mais de 50 anos depois da
invenção da pílula anticoncepcional, quatro em cada dez gestações ocorridas no Brasil não foram
planejadas. E, embora isso aconteça com mais freqüência entre os mais jovens (56%) e os mais
pobres (44%), não é fenômeno exclusivo deles: entre os que estão no topo da pirâmide social, 34%
tiveram filhos sem planejar.
Cristiane Cabral, pesquisadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos,
lembra que esses percentuais seriam ainda maiores se fossem consideradas as gestações que
acabaram em aborto, que não foram contabilizadas pela pesquisa.
"É sempre importante ter acesso à informação, mas o aprendizado sobre o manejo contraceptivo
se dá também na prática, a partir da experiência de cada um, na tentativa e erro. Imprevistos acabam
acontecendo, em todas as faixas etárias ou de renda", afirma.
A demógrafa Suzana Cavenaghi, da Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE) e
secretária-geral da Associação Latino-Americana de População, afirma, no entanto, que não se deve
confundir gravidez não-planejada com não-desejada. "É diferente, porque pode-se desejar ter o filho
após saber da gravidez", diz Suzana.
O Datafolha perguntou também a pais e mães: "Se pudesse voltar no tempo, você teria o mesmo
número de filhos, mais, menos ou nenhum?" A maioria dos entrevistados (60%) afirmou que faria
escolhas diferentes: 24% teriam menos filhos, 21% teriam mais e 15% não teriam filhos.
Para o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, também da Ence/IBGE, esse percentual de 15% de
brasileiros que, se pudessem voltar atrás, não teriam tido filhos foi "a grande novidade revelada pela
pesquisa Datafolha", feita em março.
Ele considera o número elevado e chama a atenção para um dado da pesquisa: "Mesmo entre a
população mais pobre e com curso médio, este número ficou igual ou acima de 15%." O índice é
maior entre as mulheres (18%) e entre os mais jovens (31%, na faixa de 16 a 24 anos).
24
Na população de menor renda, o percentual dos que teriam menos ou nenhum filho se pudessem
voltar atrás supera o dos que teriam mais. Entre os mais ricos ocorre o inverso: os que disseram que
teriam mais superam aqueles que afirmaram que gostariam de ter tido menos ou nenhum.
O Datafolha mostra que os brasileiros têm, em média, 2,8 filhos. Na população com renda familiar
inferior a dois salários mínimos, essa média chega a 3,1. No outro extremo (renda superior a dez
salários), fica em 2,0. Pessoas com quatro filhos ou mais são minoria em todas as classes
pesquisadas.

3. Assista ao documentário Meninas, de Sandra Werneck (veja texto sobre o filme a seguir) e, após,
elabore um projeto de pesquisa contendo os seguintes itens: tema, justificativa, problema, hipóteses,
objetivos (geral e específicos), materiais e métodos.

TEXTO – MENINAS

BARTOLOMEI, M. À luz do cinema. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 jun. 2005. Folhateen. Filme da diretora Sandra Werneck,
que estréia em 2006, ouviu 88 meninas grávidas de 13 a 15 anos

O cinema nacional vai se voltar para os problemas sociais que cercam os adolescentes. Para isso,
a diretora Sandra Werneck -que, no ano passado, levou mais de 3,5 milhões aos cinemas com a
biografia do ídolo jovem Cazuza- resolveu tocar numa ferida pouco explorada na tela grande,
mostrando em seu próximo filme a rotina, a história e a expectativa de vida (ou a falta dela) de
adolescentes que ficam grávidas inesperadamente.
Com o documentário "As Meninas", ela quer retratar uma situação cada vez mais comum.
Segundo o IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aumentou o número de
garotas que, cada vez mais cedo, dão à luz um bebê.
O projeto ganhou força há pouco mais de um ano. De lá para cá, 88 meninas de 13 a 15 anos
gravaram entrevistas para participar do filme - as pesquisas foram feitas em São Paulo, Rio de
Janeiro, Vale do Jequitinhonha e em outros Estados.
Todas têm histórias semelhantes. Por falta de informação, de método contraceptivo ou até mesmo
por insistência dos parceiros, elas cedem à premissa da prevenção e transam sem camisinha. O
resultado? Gravidez indesejada em idade precoce, interrupção dos estudos ou do trabalho e o início
de uma vida adulta, de uma hora para a outra, para poder cuidar da criança.
"Elas são fruto da comunidade em que vivem. Se morar no morro, o pai da criança pode ser
traficante, não assumir o filho ou ser assassinado pelo tráfico. Cada uma tem um histórico de
violência, abandono, desemprego e outros fatores que transformam suas vidas", diz a diretora. "Ouvi
uma história sobre uma menina de 10 anos. A gente não encontrou para o filme, mas existe por aí, no
meio desse nosso país."
Por uma questão estratégica, a equipe da Cineluz (produtora responsável pelo filme) optou por
filmar a gravidez de três meninas do Rio de Janeiro -duas delas moram em favelas de morros; a outra
é de uma cidade do interior e vive em área rural; e uma quarta menina ainda está sendo procurada.
O filme entrelaça, paralelamente à gravidez de cada uma, histórias de amor entre jovens, com
momentos de ciúmes, tensão e compreensão familiar. Elas freqüentam o baile funk, têm parentes na
igreja, conhecem traficantes do morro e, às vezes, não têm contato com a cidade, por morarem no
interior. As meninas são, em determinados momentos, tímidas, mas conseguem contar para a
câmera muito mais do que se contaria à melhor amiga do colégio.
Até agora, mais de 70 horas foram filmadas com três personagens escolhidas. A ideia é
acompanhar as meninas do início da gravidez ao parto. "Elas têm histórias muito complicadas, que
demonstram como não têm acesso à informação, como são submetidas precocemente à sexualidade
e como falta um programa de saúde pública para auxiliá-las nisso, uma questão de planejamento
familiar mesmo", diz Werneck.
O projeto - auxiliado por autoridades e ONGs que assistem meninas grávidas sem condições
financeiras - prevê o amparo às adolescentes que participam do filme. Elas têm à disposição
acompanhamento médico e poderão ter melhores perspectivas após o parto, com cursos e
oportunidades de emprego oferecidas em parceria com a Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos
Fabricantes de Brinquedos). "Não podemos pegar essas meninas, as usarmos e não dar uma
perspectiva de vida para elas", diz Werneck. "Meus filmes são sempre interessados em gente. Como
essas pessoas se relacionam com o mundo e o mundo com elas. Mudo a linguagem, mas não o
assunto. Sempre falei de problemas sociais nos meus filmes."

25
AULA - COMO ELABORAR QUESTIONÁRIOS

Regras Gerais
• Perguntas relacionadas aos objetivos.
• Linguagem do entrevistado.
• Teste.
• Sem perguntas embaraçosas ou que levem a cálculos.
• Não perguntar sobre o passado distante.
• Não incluir perguntas com respostas.

Tipos de perguntas
• Perguntas fechadas: possibilidade de assinalar apenas uma alternativa.
• Perguntas abertas: resposta livre do entrevistado.
• Perguntas semi-abertas: fechadas + abertas.
• Perguntas dicotômicas: respostas sim/não.
• Perguntas encadeadas: segunda pergunta depende da primeira.
• Pergunta com matriz de resposta: monta-se um quadro para facilitar a resposta do
entrevistado.
• Perguntas com ordem de preferência: possibilidade de escolha do 1º, 2º e 3º lugares em
relação às opções de respostas.
• Escala ordinal de Preferência: preferência da pessoa de 1 a 4.
• Escala Itemizada: grau de satisfação.


OBRAS CONSULTADAS
ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando. São Paulo: Moderna, 1993.
______. Temas de filosofia. São Paulo: Moderna, 1998.
BARROS, A. J. da S.; LEHFELD, N. A. de S. Fundamentos de metodologia. 2. ed. São Paulo: Makron Books,
2000.
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