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O Direito Romano

Direito Romano é a nomenclatura que se dá ao conjunto de princípios, preceitos e
leis empregados na antiguidade pela sociedade de Roma e seus domínios (terras
dominadas que eram obrigadas a utilizar as leis romanas).
A aplicaço do Direito romano !ai desde a "undamento da cidade de Roma em
apro#imadamente $%& a.'. até a destruiço do império do (riente )ustiniano, em
%*% da nossa era. +or todo esse espaço de tempo, o corpo jurídico romano
constituiu,se em um dos mais importantes sistemas jurídicos criados desde
sempre, entusiasmando di!ersas culturas em tempos di"erentes.
(s romanos se repartiam entre patrícios, clientes, plebeus e escra!os. (s patrícios
eram con-ecidos como descendentes de R.mulo e s/ eles possuíam o status
ci!itatis, ou seja, cidadania romana. (s clientes eram estrangeiros que !i!iam sob
a cust/dia dos patrícios. 0ram protegidos e dependentes totais dos cidados
romanos (patrícios). 1o podiam cultuar os mesmo deuses dos romanos e no
podiam ser detentores de cidadania romana. (s plebeus eram estrangeiros !indos
de regi2es distantes. 3rabal-a!am -abilidosamente no comércio, na agricultura e
no artesanato. Residiam "ora da cidade, em um bairro "ec-ado localizado nas
encostas dos montes em casas que se c-ama!am insulae. 0ram considerados
desprezí!eis, pois no tin-am religio, proteço da lei, empatia da sociedade e no
se agrupa!am em "amílias. (R4504R(, 6788, p. 8).
( direito romano sem d9!ida é estudado por ser um dos primeiros comple#os
jurídicos que ser!iram de base para a atual comple#idade do sistema jurídico
brasileiro. 3e!e como base alguns "atores do direito grego, e com base na
produço econ.mica escra!ocrata, como ensina Ant.nio 'arlos :ol;mer.
Vejamos:
( império romano e suas !árias etapas -ist/ricas estariam "i#ados
cronologicamente no modo de produço escra!agista em que o motor do
desen!ol!imento econ.mico esta!a nas grandes propriedades apropriadas pela
aristocracia patrícia. (:(<=>0R, 677?, p. 866).
@endo assim, com base na sociedade romana, composta por -omens li!res e
escra!os, é importante destacar, por e#emplo, o tipo de casamento estabelecido
por aquela populaço romana, e as suas di"erenças em relaço As "ormas
e#istentes de -oje.
( casamento romano, no permitia a inter!enço estatal e era essencialmente
disciplinado pelo direito pro!ado, que no era escrito. 3al direito era in"ormal e
repassado oralmente pela tradiço.
4mportante destacar que o direito romano continua !i!o em !árias instituiç2es
liberais indi!idualistas na atualidade, principalmente naquelas instituiç2es jurídicas
que atuam no direito de propriedade no Bmbito ci!ilista e ao direito das
obrigaç2es, priorizando a de"esa da propriedade como direito real, erga omnes,
absoluto e direito ilimitado.
O direito romano se dividi em períodos conforme a história romana
caminha. A histografia romana divide a história jurídico-político do
Imprio Romano em etapas cronológicas plenamente delimitadas.
!"o elas: período da realezaC período da rep9blica e período do principado e
período do bai#o império. Distoricamente, o primeiro período, qual seja, o da
realeza, diz respeito As origens de Roma, apro#imadamente %87 a.'. Atribuindo
assim As origens lendárias aos romanos, atra!és da lenda de R.mulo e Remo, cuja
e#istEncia atribui A simbologia da representaço de dois grupos etruscos ri!ais que
disputa!am o poder.
8
('F1DAC @4<GAC @(AR0@, 677%, p. 8H8).
1essa mesma "ase, o sistema jurídico e político ainda era centralizado na "igura
real, como alega :ol;mer (677?, p. 8&7).
1a "ase da realeza surgem algumas instituiç2es político jurídicas ainda muito
!inculadas A e#istEncia de um 0stado 3eocrático. ( cargo do rei assume caráter de
magistratura !italícia, sendo ao mesmo tempo c-e"e político, jurídico, religioso e
militar, ou seja, o rei era o magistrado 9nico, !italício e irresponsá!el.
0#istiam outros cargos que au#ilia!am o Rei, o senado por e#emplo, "unciona!a
como uma espécie de consel-o real, composto por 877 membros, era subordinado
ao rei e por ele con!ocados. @ua "unço era consulti!a e no deliberati!a. 1esse
período o direito era essencialmente costumeiro, sendo a jurisprudEncia
monopolizada pelos pontí"ices. 3al período "oi encerrado com a queda de 3arquínio,
o soberbo. (utra "ase jurídico político da era do 4mpério romano, se denomina!a
período da Rep9blica. As magistraturas passaram a gan-ar mais prestígio,
destacando o poder dos dois c.nsules. +eríodo que !ai desde %87 a.'. até o
período imperial com Augusto, em 6$ a.'.
6
(304I04RA, 678&).
J de suma importBncia o desen!ol!imento de tal categoria !ejamosK (:(<=>0R,
677?, p. 8&7)K LM...N destacando,se do poder dos dois c.nsules, que inicialmente
so as magistraturas 9nica e !italícias comandam o e#ército, !elam pela segurança
p9blica, procedem recenseamento da populaço, administram a justiça criminal.O
3al momento "oi de e#trema importBncia, tendo em !ista que os direitos até ento
e#clusi!os do Rei, passam a ser de responsabilidade de outras pessoas, inclusi!e a
justiça criminal.
+osterior a tal época, o período +rincipado, período do Direito clássico, época áurea
da jurisprudEncia, que !ai do reinado de Augusto até o imperador Diocleciano. Dá
uma participaço maior dos jurisconsultos, os con-ecedores do Direito A época,
além da substituiço do direito magistratural.
J nesse momento que surgem os comícios centuariatos, que so agrupados em
cinco classes di!ididas de acordo com a riqueza imobiliária de cada parte. Assim,
posteriormente os bens m/!eis "oram também computados no recenseamento da
riqueza dos cidados romanos, patrícios e plebeus. As "ontes do direito da
Rep9blica ao 4mpério so o costume, a lei e os éditos dos magistrados. A
passagem da Rep9blica ao 4mpério ocorreu de modo progressi!o, progresso essa
econ.mica, di"iculdades sociais e as !astas conquistas durante o séc. 4 a.'.
1esse momento também se destacaram alguns dos maiores jurisconsultos e
criadores de conceitos t/picos da LciEncia jurídica romanaO, incluindo alguns dos
maiores sistematizadores do direito romano, que posteriormente "oram ele!ados A
condiço de "onte imutá!el do direito romano. +or "im, mas no menos importante,
temos o período do bai#o 4mpério, quando ocorre a cristianizaço do 4mpério e
também a decadEncia política e cultural, a "onte de criaço do direito passa a ser a
constituiço imperial.
&
(:(<=>0R, 677?, p. 8&&).
1esse momento, ocorre o pr/#imo passo, de "i#ar a importBncia da <ei das I44
tábuas do corpus júris civile, e de alguns institutos jurídicos romanos, como a
propriedade, a personalidade e o direito obrigacional.
+eríodo ap/s o imperador Diocleciano (século 4G a. '.), até a morte do imperador
)ustiniano. J neste momento que surge o direito p/s,clássico, possuindo a
ausEncia de grandes jurisconsultos, cal-ando uma adaptaço das leis em "ace A
no!a religio dominante, o 'ristianismo. J neste tempo que ocorre a "ormaço do
direito moderno, que começa a ser codi"icado a partir do século G4 d.'. pelo
imperador )ustiniano.
Antes da criaço da <ei das I44 3ábuas, os magistrados julga!am segundo seus
costumes que somente tal categoria dominada, como ensina :ol;mer (677?, p.
8&6)K Los magistrados patrícios julga!am segundo tradiç2es que apenas eles
con-eciam e aplica!am. A incerteza na aplicaço do direito, por parte dos
magistrados patrícios, le!ou a plebe a pleitear a elaboraço de leis escritas.O
3al solicitaço "oi atendida e a lei das I44 3ábuas elaboradas por uma comisso de
trEs magistrados, encarregados de pesquisar, na >agna Précia, as leis de @/lon,
propiciando a criaço de um c/digo escrito de leis romanas.
A <ei das Doze 3ábuas re9ne sistematicamente todo o direito que era praticado na
época. 'ontém uma série de de"iniç2es sobre direitos pri!ados e procedimentos,
considerando a "amília e rituais para neg/cios "ormais. ( te#to o"icial "oi perdido
junto com di!ersos outros documentos quando os gauleses colocaram "ogo em
Roma no ano &Q7 a.'. Doje con-ecemos apenas "ragmentos obtidos atra!és de
!ers2es no o"iciais e citaç2es "eitas por outros autores.
+odemos !eri"icar com base no narrado que o po!o romano "oi o primeiro a
conceber a autonomia da ciEncia jurídica, tendo nisso 8& séculos de e#periEncia.
Roi ele quem determinou os termos jurídicos utilizados até os dias atuais, como
e#emplo a propriedade pri!ada, que de"ine em grande parte a di!iso da sociedade
em classes, determinando o poder econ.mico e político.
(utros termos "oram delimitados pelo direito romana, tais como conceito de
pessoa jurídica, personalidade jurídica, direito das obrigaç2es, credor e de!edor,
temas esses que sero trabal-ados na pr/#ima Seb aula.
A import#ncia do direito romano e a sua presen$a nos
ordenamentos jurídicos modernos.
)á !imos a importBncia e o desen!ol!imento do direito romano, mas até que ponto
tal período -ist/rico to importante de "ato se consolidou no tempo e está
presente no período modernoT
A e#presso Ldireito romanoO contém !árias interpretaç2es que alguns
doutrinadores utilizam, tais comoK aquele direito que !igorou por 86 séculosC
direito pri!ado romanoC o direito contido no Lcorpo do direito ci!ilO, para separá,lo
do Lcorpo do direito can.nicoO ou Lcorpus j9ris ci!iliO.
3al 9ltima nomenclatura signi"ica um conjunto de leis e princípios jurídicos que
"oram reduzidos a um 9nico corpo, sistematizado, -arm.nico, mas que "ora
"ormado de por !árias partes. 3al conjunto -arm.nico de regras regeram o po!o
romano em !ários momentos -ist/ricos, desde as origens remotas de Roma, até a
morte do imperador do oriente )ustiniano, ocorrida apro#imadamente em %*% da
era crist. (:(<=>0R, 677?, p. 8&$).
J indiscutí!el a e#trema importBncia do direito romano, seja para "ins -ist/ricos
quanto para o desen!ol!imento de !ários outros direitos, inclusi!e alguns que
perduraram no tempo tendo resquícios em !ários ordenamentos jurídicos. Assim
de"ine )osé 'arlos >oreira Al!es citando o autor Rrances Du!elinK
Lora, nen-um direito do passado re9ne, para esse "im, as condiç2es que o direito
romano apresenta. Abarcando mais de 86 séculos de e!oluço , documentado com
certa abundBncia de "ontes ,, neles des"ilam, diante do estudioso, os problemas de
construço, e#panso, decadEncia e e#tinço do mais poderoso império que o
mundo antigo con-eceu. J assim o direito romano notá!el campo de obser!aço
do "en.meno jurídico em todos os seus aspectos.
H
L(:(<=>0R, 677?, p. 86?).
@endo assim, é claro que o direito romano continua !i!o nos alicerces de !árias
instituiç2es liberais indi!idualistas no cotidiano, principalmente Aquelas instituiç2es
re"erentes ao direito de propriedade pri!ada, no seu primas ci!ilista e ao direito
das obrigaç2es, onde a situaço da propriedade pri!ada está pre!ista em nosso
'/digo 'i!il, dando uma atenço no que se re"ere a propriedade pri!ada como um
direito real, erga ommes, absoluto, sendo assim um direito ilimitado, abrangendo
os pri!ilégios de usar, gozar e abusar da coisa (propriedade pri!ada).
@endo assim, tais conceitos jurídicos esto embasados no ordenamento jurídico
romano, onde -ou!e uma real adaptaço no decorrer de sua -ist/ria, no que se
re"ere A pre!isibilidade das e#pectati!as e#igidas pelo mercado e A certeza jurídica
da posse numa legitimaço re"erente A justiça social.
3al perspecti!a de!e ser tida principalmente nas sociedades capitalistas modernas,
no colonialismo e no neocolonialismo. +ode,se ento concluir, que o direito romano
no morreu, está !i!o, ou e#atamente como "oi criado, ou com algumas pequenas
alteraç2es que se recon-ece ainda tais características, mesmo nos modernos
institutos de nosso dia a dia.
+ara e#empli"icar, cita,se no campo das obrigaç2es, no que se re"ere a !ários tipos
de contratos (compra e !enda, m9tuo, comodato, deposito, pen-or, etc.) ainda
e#istentes no nosso ordenamento jurídico atual como situaç2es cotidianas e
de"inidas em lei.
*
(:(<=>0R, 677?, p. 86Q).
J de se enaltecer assim, a importBncia -ist/rica do direito romano, quando
!isualizamos, em !ários ordenamentos jurídicos, incluído o brasileiro, conceitos,
situaç2es que surgiram na base do direito romano. Durante o decorrer -ist/rico,
-ou!e algumas alteraç2es mas de modo geral sobre!i!eram por mil-ares de anos.
%eis e institutos romanos: o direito de propriedade e das
o&riga$'es
Fma das primeiras normas jurídicas da época arcaica tin-a como respaldo legal a
<ei das I44 3ábuas. Doje temos apenas meros "ragmentos da literatura dos "ins da
Rep9blica e do começo do principado.
'on"orme já narrado, os magistrados da época romana julga!am, na assembleia
popular, segundo tradiç2es que apenas eles con-eciam e aplica!am. 'om tais
características, nasce a incerteza na aplicaço do direito, uma !ez que os
magistrados no utiliza!am normas e#pressas como base, e sim, con"orme
narrado, com base nas tradiç2es.
'om isso, le!ou a plebe a requerer a elaboraço de leis escritas, para e!itar e
pre!enir abusos dos magistrados e surpresas nos julgamentos. Gale destacar que
somente os patrícios constituíam o segmento social da sociedade romana, pois
somente eles goza!am de todos os direitos ci!is e políticos, como por e#emplo o
direito de !otar nos comícios, o direito de e#ercer cargo p9blico, o direito de terras
conquistadas, o direito de contrair casamento. >as no tin-am apenas !antagens
positi!as, cabiam a eles a obrigaço de pagar os impostos e de prestar ser!iços
militares.
$
(:(<=>0R, 677?, p. 8&&).
+or solicitaço dos patrícios, surge a ideia da criaço de leis escritas, nascendo
assim a <ei das I44 3ábuas, elaborada por trEs magistrados incumbidos de
pesquisar na lei grega, lei de @/lon, resultando na criaço de um c/digo escrito de
leis romanas. 3ais disposiç2es esta!am distribuídas nas seguintes tábuas,
con"orme narra :ol;merK
- ()&ua I - Re"eria,se ao c-amamento a juízo, a ninguém era lícito "ugir do
c-amamento judicial. 1o -a!ia o"icial de justiça para o desempen-o de tais
"unç2esK o autor da demanda "azia a pr/pria citaço.
- ()&ua II - suspenso da causa por moti!os de moléstiaK estabelecia o prazo
para comparecimento a juízo.
- ()&ua III - e#ecuço no caso de con"isso por dí!idaK ap/s condenado, o
de!edor tin-a &7(trinta) dias para pagar. @e no pagasse, era preso e le!ado A
presença do magistradoC se a dí!ida persistisse o de!edor seria preso por correias
ou com "erro de 8% libras aos pésC se continuasse no pagando podia ser morto,
esquartejado de acordo com o n9mero de escra!os ou alienado como escra!o.
- ()&ua VI - trata!a do poder paterno e de outras matérias de direito de "amília
(in jure pátrio)K o "il-o monstruoso podia ser morto imediatamenteC de"endia a
eugeniaC o pai tin-a sobre o "il-o direito de !ida e morte, ou seja, tin-a direito de
"lagelar, aprisionar, obrigar a trabal-os r9sticos, !ender e matarC com o tempo isto
"oi amenizado e mais tarde esses casos dariam margem a destituiço do pátrio
poder (neste aspecto, gregos e romanos di"eriam de outros po!os da
antiguidade).
- ()&ua V - da tutela -ereditáriaK as mul-eres no podiam gerir os neg/cios ci!is,
permanecendo em tutela perpétua. 1o se podia "azer usucapio de coisas que
esti!essem sob a tutela da mul-er (ela era absolutamente incapaz no início do
período republicano).
- ()&ua VI - da propriedade e da posse (domínio et possessione)K constituiu um
admirá!el base do direito ci!il. Roma era agrária, no possuía e#ploraço de
minériosC os romanos culti!a!am oli!eira, !in-a e trigoC proibiram a compra de
propriedade im/!eis por estrangeiros, para no prejudicar os nacionais (a
propriedade "undiária desempen-a!a papel essencial para os romanos, tanto no
plano econ.mico, como no plano da religio, pelo culto aos ancestrais ali
enterrados).
- ()&ua VII - do direito relati!o aos edi"ícios e As terrasK a ciEncia econ.mica dos
romanos era a de um po!o guerreiro e agrícola. ( reino, e depois a rep9blica,
possuíam terras p9blicas, por isto traduziram o li!ro de agronomia do cartaginEs
>agonC as estradas no podiam ser depredadas, pois eram o local de
deslocamento das legi2esC aquele que de"ecasse nas estradas reais podia ser
se!eramente punido. ( inciso 4I permitia cortar o gal-o das ár!ores, se a sombra
in!adisse o quintal da propriedade !izin-aC pelo inciso I, o proprietário tin-a
direito a col-er os "rutos das ár!ores !izin-as que c-egassem ao seu quintal. 0sse
preceito aparece em nosso c/digo ci!ilK uso noci!o das propriedade, das ár!ores
limítro"es, da passagem "orçada.
4mportante aqui narramos que a interpretaço do conceito de propriedade no
de!e ser interpretada sob as mesmas luzes da propriedade e#istente no campo e
nas cidades da sociedade capitalista, tendo em !ista que sua signi"icaço era
di"erente em uso e em "inalidade.
Antigamente os po!os se basea!am no direito de propriedade em princípios
di"erentes dos das geraç2es atuais, onde as leis pelas quais garantiam tais
propriedade so sensi!elmente di"erente das nossa. +ode,se assim alegar, com
base na doutrina majoritária, que os romanos "oram os primeiros na "i#aço da
propriedade pri!ada, já que outros po!os do mesmo momento -ist/rico, somente
admitiram a propriedade em relaço aos reban-os e As col-eitas. Gale ressaltar
que o direito de propriedade tem a característica de perpétua e no passí!el de
contestaço por outros de!ido ao seu costume sagrado, como base de propriedade
das "amílias. (s mortos so deuses pertencendo propriamente A "amília, e
somente ela tem o direito de os in!ocar, uma !ez que eles tomaram posse do solo,
!i!em sob ele.
3oda!ia, !ale salientar que mesmo sendo o direito A propriedade o mais "orte
poder que uma pessoa mantin-a sobre um objeto, tal condiço no é absoluta
tampouco de caráter ilimitado, mesmo em Roma. 3ais limitaç2es so decorrentes
do direito de !izin-ança e das ser!id2es surgidas no corpo normati!o, inclusi!e a
reduço segregada dos poderes dos sen-ores sobre seus escra!os, objetos esses
que eram do direito de propriedade.
'om tais di"erentes e a!ançados sistemas de normas e conceitos, o po!o romano
"oi o primeiro a "ornecer a autonomia da ciEncia jurídica, tendo nisso treze séculos
de e#periEncia, dando ensejo assim ao que nos legou atualmente o que
denominamos de Direito Romano. (:(<=>0R, 677?, p. 8&*).
)untamente com o conceito de propriedade trazida pelo direito romano, surgiram
no mesmo prisma os conceitos de coproprietário e as teorias subjeti!istas sobre a
posse, como por e#emplo o poder de "ato e intenço de possuir e dispor de uma
coisa corp/rea.0#istia também o conceito inicial de pessoa jurídica e natural, onde
mais tarde permitiu no!a apropriaço, criando a "icço jurídica do sujeito de
direito.
(s romanos no possuíam uma nomenclatura precisa para e#primir a noço de
personalidade jurídica. @endo assim na era romana, os mesmos e#igiam trEs
requisitosK o nascimento, !ida e#trauterina, "orma -umana. >as para ter a
capacidade jurídica de!eria ser cidado romano, ser li!re e gozar de situaç2es
independente no seio da "amília.
1o que tange ao direito das obrigaç2es, os romanos "aziam a troca da
responsabilidade pessoal e corporal dos de!edores pela responsabilidade
patrimonial, uma indenizaço pecuniária e no constriço da !ida.
Dá de se !eri"icar inicialmente que o !ínculo entre o possí!el credor e o de!edor
era material, uma !ez que o de!edor respondia com o pr/prio corpo,
posteriormente tal !inculo passou a ser imaterial, ou jurídico. 1a es"era jurídica do
direito romano, os mesmos também elaboraram conceitos e#tremamente !alidos,
como e#emplo disto o conceito de ato e "ato jurídico e a questo da
irretroati!idade das leis ci!is. (:(<=>0R, 677?, p. 8H8).
A evolu$"o da magistratura romana
0m Roma, no período da realeza, todos os poderes se concentra!am nas mos do
rei, que era o c-e"e supremo e !italício, o 9nico depositário da potestas p9blica,
reunindo por "orça de seu império.
Além de concentrar os poderes militares e religiosos, poderes ci!is, legitimando,o
a julgar em primeira e 9ltima instBncia, sendo incontestá!el sua posiço "rente ao
caso concreto. 0sse "ato e#plica porque a estrutura jurídica do mais antigo sistema
processual romano , legis actiones , tin-a a característica predominantemente
"ormalista. A casta de sacerdotes, au#iliando o rei, de"inia o comportamento dos
cidados.
Depreendendo,se daí que nesta conjuntura -a!ia um íntimo relacionamento entre
direito (ius) e religio ("as). 'on"orme já !isto, na era da rep9blica, a magistratura
"oi inserida nas mos de dois c.nsules, que e#erciam seus poderes
alternadamenteK um num mEs e o outro, no seguinte. >as em meados de &*$
a.'., os c.nsules se ati!eram a e#ercer a jurisdiço graciosa, passando a jurisdiço
contenciosa a ser e#ercida pelo pretorC e as quest2es de !enda de animais e
escra!os eram julgadas pelos edis curuis.
1o começo, a jurisdiço do pretor se estendia a todos os territ/rios submetidos a
Roma.
+osteriormente, em certas ocasi2es, os magistrados locais passaram a e#ercE,laC e
em determinadas regi2es da 4tália o pretor delega!a poderes aos prae"ecti iure
dicundo. Assim, no "im da Rep9blica e seguindo até o principado, a resposta dos
prudentes constituía a opinio cautelar do jurista, do con-ecedor do direito, onde
era procurado para o "im de emitir seu parecer a respeito de determinadas
situaç2es cotidianas. (AU0G0D(, 677%, p. *$).
'om uma !asta a"luEncia de estrangeiros em Roma, -ou!e a necessidade da
criaço do pretor peregrino, incumbido de julgar os litígios entre cidados
estrangeiros ou entre estes e romanos, uma !ez que no contin-am os mesmos
direitos de cidados romanos.
'om o aparecimento das pro!íncias (territ/rios conquistados "ora da 4tália), quem
nelas e#ercia a jurisdiço eram os go!ernadores e seus questores, que aí
desempen-a!am as mesmas "unç2es que, em Roma, eram atribuídas aos edis
curuis. 1o principado, com o início da concesso da cidadania romana a todos os
-abitantes da regio da 4tália, no século 4 a.'., "oi diminuindo os prae"ecti iure
dicundo.
Assim, quando ocorrem os litígios de menor importBncia no territ/rio da 4tália, era
instaurado um processo diante dos magistrados municipais, de sua competEnciaC
ao surgir crimes de maior importBncia social, a competEncia e jurisdiço era do
pretor, de!endo as partes se deslocarem para Roma para serem julgados. Assim,
por grandes e#periEncias no e#ame da matéria e ponderaço no juízo, "orma!a,se
uma !erdadeira "onte doutrinaria de direito, que atendiam aquelas solicitaç2es.
3al responsabilidade dos magistrados, qual seja, de julgar os casos e
consequentemente criando a jurisprudEncia, trou#e consigo uma tare"a ímpar que
por séculos quali"icou a ci!ilizaço romana. A jurisprudEncia di!ersi"ica,se,
desen!ol!e,se, aper"eiçoa,se até os dias atuais, uma grande -erança dei#ada pela
ci!ilizaço romana. (AU0G0D(, 677%, p. *?).
Direito romano e algumas características
O *RI+,-*IO DO ,O+(RADI(.RIO +O *RO,/!!O D/
/0/,123O
'on"orme já narrado, o de!edor de!eria ser comunicado a respeito de todos os
atos que por !entura "osse realizar, e poderia o"erecer o contradit/rio, direito esse
que era inerente a ambas as partes no decorrer do processo, pois qualquer
processo ao se desen!ol!er sem que elas sejam in"ormadas do que nele está a
suceder, bem como pelos atos que possam ser injustos, e#cessi!os, nulos,
irregulares, etc.
sendo assim é concedido a contrariedade do de!edor ou daquele que assim se
encontra colocado na relaço jurídica processual do caso. 'omo no se trata de
matéria de ordem p9blica, a reaço, em tais casos no se condiciona a prazos ou
instBncias, onde pode ocorrer a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdiço,
cabendo,l-e assim estar pronto para atender a tal solicitaço em caso de processo
de ordem p9blica. (AU0G0D(, 677%, p. $Q).
A /0,/23O D/ *R4-/0/,1(IVIDAD/
'omo o princípio do contradit/rio era respeitado, outras "ormas de de"esa do
de!edor contra os atos que se a"astam da regularidade do processo eram
atribuídas a de"esa do acusado ou de!edor.
3oda!ia essa "orma de inter!enço era para e!itar dano irrepará!el ou de di"ícil
reparaço ao seu direito, além da !ia sempre de mandado de segurança. @endo
assim, criaram,se "ormas de de"esa !isando "rear as desabridas atitudes do poder
p9blico em criar, por e#emplo, os seus m9ltiplos impostos lançados para os
cidados sem as costumeiras "ormalidades ou cuidados procedimentais.
DIR/I(O RO5A+O: O I+(/RDI(O
'on"orme demonstrado, !árias "oram as contribuiç2es do direito romano para a
elaboraço de um comple#o de normas até os dias atuais. Gale aqui narrar o
direito ao interdito. 1o processo romano clássico, quando surgiam contro!érsias
em torno da posse de um determinado bem, o pretor tin-a o poder de inter!ir,
antes mesmo da constituiço pré!ia do juízo, para determinar o que de urgEncia
se o"erecia necessário.
A 6ueda do imprio romano e a emerg7ncia do mundo feudal
Gárias so as a"irmaç2es sobre a queda do império romano, e di!ersos "atores
podem ter contribuído e se associado para sua queda. @o causas supostasK o
colapso da economia escra!agista, a "alEncia dos pequenos agricultores, o
crescimento do e#ército de desocupados urbanos, a obrigaço do estado de arcar
com os gastos dos desabrigados, quando ocorria a distribuiço gratuita de trigo,
grandes espetáculos bancados pelo go!erno no 'oliseu, dentre outros.
(cupaç2es de bárbaros como os "ederati e os colini nas "ronteiras do império,
quando no se tin-a o alcance total do e#ercido, "orçando assim os -abitantes das
cidades a migrarem para o campo em busca de segurança dos grandes
proprietários, que tin-am e#ércitos particulares para sua de"esa pessoal. A troca
do mercado de escra!o "oi substituída por uma economia de subsistEncia agraria,
tendo início o escambo, troca de uma mercadoria por outra, sem que -aja uma
moeda equi!alente de troca. (:(<=>0R, 677?, p. 8H&).
+ara a"irmar tais colocaç2es, qual seja, o declínio do trabal-o escra!o, crescimento
do cristianismo, retorno do campo em busca de segurança, etc., !ejamos a
seguinte citaçoK mesmo no seu auge, nos trEs primeiros séculos depois de cristo,
la!raram no império comercial e militar romano as contradiç2es que "inalmente o
derrubariam.
( trabal-o escra!o solapa!a o trabal-o li!re, lançando no desemparo artes2es e
pequenos agricultores, que passa!am a !aguear pelas cidades e a criar "ocos de
inquietaço.
As doutrinas re!olucionárias da jo!em igreja crist dissemina!am o
descontentamento entre as classes in"eriores e estimula!am as autoridades a uma
represso brutal a seus "iéis. 1as "ronteiras do império, grupos e#pulsos da 0uropa
central pelos Dunos em marc-a agra!aram os problemas administrati!os de uma
burocracia cada !ez mais sobrecarregada e dispendiosa.
As comunicaç2es, a capacidade de de"ender os ricos e a segurança do comércio
começaram a diminuir no século 44 d.' e, com elas, desapareceu a prosperidade
do império. (:(<=>0R, 677?, p. 8HH).
@endo assim, ap/s a LquedaO do império em H$* d.', constituiu apenas o 9ltimo
passo no processo de desintegraço. 1esse momento os imperadores romanos
-a!iam abraçados o catolicismo. 3oda!ia "ator imprescindí!el para tanto "oi o
en"raquecimento do e#ército romano, que até ento era tido como uma "orça
imbatí!el como máquina de guerra. 'em anos antes, o e#ército romano "ora a
mais e"iciente "orça combatente na "ace da 3erra.
1a época de Vtila, era to desprezí!el que podia ser ignorado em combate real.
Apesar do impacto da barbarizaco, as tropas romanas continuaram a lutar de
acordo com a tradicional tática romana, entretanto, essa tática anteriormente to
superior pareceu absurda aos bárbaros do século G.
Assim, surge a duplicidade do domínio, com a bipartiço do domínio 9til e do
eminente, atra!és da di"uso do arrendamento de terras, gerando o germe do
"eudalismo. 1o caso dos grandes lati"undiários situados nas pro#imidades de
Roma, apenas uma soluço parecia !iá!el ao problema trabal-ista, qual seja,
arrendar parte das grandes propriedades a cidados ou escra!os, cobrando aluguel
em espécie sob a "orma da obrigaço de culti!ar a parte da terra reser!ada ao uso
e lucro pessoal do lati"undiário.
3al "unço "oi !iá!el também nas "ronteiras do império, e sua maior "inalidade era
manter a"astados os in!asores. 'idados romanos receberam terras e o status de
coloni, sob a super!iso de um sen-or in!estido de prerrogati!as legais.
(:(<=>0R, 677?, p. 8H%).
@endo assim, com base no en"raquecimento do e#ército romano, a crise
econ.mica, o arrendamento de terras a cidados romanos em troca de alugueis e
de manter sua pr/pria segurança ensejou, sem interesse real, a decadEncia de
uma estrutura centenária, nascendo uma no!a estrutura econ.mica, jurídica,
política e cultura, o "eudalismo.