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Escola Superior Agrária de Elvas

Zoonoses e controlo de doenças no âmbito da
saúde pública





Trabalho realizado:
Ana Beatriz Pereira nº 15194
Elisa Mangas nº 15186
Joana Martins nº 15517
Índice

Introdução ..................................................................................................................................... 3
O que é uma zoonose? .................................................................................................................. 3
Como se transmite? ...................................................................................................................... 4
Classificação de zoonoses ............................................................................................................. 4
Prevenção e Controlo de Zoonoses .............................................................................................. 5
Principais zoonoses ....................................................................................................................... 6
brucelose bovina (BB) ............................................................................................................... 6
Tuberculose bovina (TB) ............................................................................................................ 7
Febre Q ...................................................................................................................................... 7
Leptospirose .............................................................................................................................. 7
Carbúnculo Hemático ................................................................................................................ 8
Campilobacteriose .................................................................................................................... 8
Bibliografia .................................................................................................................................... 9











Introdução
Existem doenças em animais que podem ser transmitidas para o homem
havendo várias vias de transmissão como por exemplo, através de aerossóis,
através do sangue quando há contacto directo entra o sangue do animal e a
pessoa, através por exemplo de uma ferida, e à ainda transmissão para o
homem através do consumo de carne ou vísceras.
Em termos de saúde publica, esta ultima via poderia bem ser a via mais
"utilizada" para transmissão de doenças, se não houvesse um controlo feito
pela autoridade competente para verificar o comprimento da legislação
alimentar e uma inspecção sobre os estabelecimentos, dos animais e
alimentos, e respetiva transformação, das empresas do setor alimentar, da sua
gestão e dos seus sistemas de produção.(1)
Para poderem existir meios de controlo é necessário saber o que se
procura. No que toca às doenças, mais especificamente, é necessário
conhecer cada uma delas, os seus sintomas, nos animais e nos humanos,
como podem ser transmitida e como podem ser prevenidas e controladas.
Neste trabalho falaremos de todo isto, sendo o seu objetivo, e a sua
importância, ter em conta as zoonoses mais comuns em Portugal, os sintomas
a que levam e como controla-las, podendo isto ser-nos útil para o futuro caso
consigamos ou queiramos seguir esta área de segurança alimentar.

O que é uma zoonose?

O homem é susceptível a doenças que afectam também os animais.
Estas doenças chamam-se de zoonoses.
A exigência, por parte do ser humano, cada vez maior por alimentos de
origem animal, obrigou a criação de rebanhos maiores. Isto constitui um fator
decisivo para aumentar os riscos de exposição ás zoonoses. Os meios de
transporte também favorecem a sua disseminação através da condução de
vertebrados (reservatórios ou definitivos) ou invertebrados (vetores) de uma
região endémica para outra não endémica.(2)
Dependendo da gravidade com que afetam o ser humano e o animal,
segundo o Dr. Omar Miguel, pode-se dividir as zoonoses em três categorias(2):
• Graves tanto para o homem como para os animais: Carbúnculo
hemático; Tuberculose bovina;
• Graves para o homem mas raramente para animais: Brucelose;
Febre Q; Hidatidose;
• Raramente afetam o homem mas são graves em animais: Febre
aftosa; Pasteurelose; Pseudo-raiva (Doença de Aujeszky).


Como se transmite?
As zoonoses podem ser transmitidas de duas maneiras, direta e
indiretamente.(2)
• Transmissão direta - hospedeiro vertebrado infetado contamina
outro hospedeiro vertebrado por contacto directo. Ex.: Brucelose;
Carbúnculo hemático; Sarnas; Tricofitoses; Microsporidioses;
• Transmissão indireta - este tipo de transmissão pode dar-se por
várias vias:
• através de alimentos (mais importante em termos de
saúde publica, pois a maior parte das pessoas não tem contacto directo com os
animais em vida, não sendo as outras vias tão importantes) Ex.: Leptospirose;
Butulismo; Carbúnculo hemático; Brucelose; Tuberculose; Salmonelose;
Triquinelose;
• através de secreções
Ex.: Brucelose;
• através do vómito
Ex.: Leptospirose; Peste; Brucelose; Sarna;
• através de artrópodes
Ex.: Febre amarela; Encefalomielite equina; Tifo e
Peste.
Classificação de zoonoses
A classificação mais aceite até agora baseia-se no ciclo de vida do agente
etiológico. Esta classificação foi apresentada por SCHWABE em 1984. As
zoonoses têm assim as seguintes classificações(2):
• Zoonoses directas: transmissão de um hospedeiro vertebrado
infetado para um h. vertebrado susceptível por contacto. Ex.: Brucelose
• Ciclozoonoses: com mais de um hospedeiro vertebrado na cadeia
de transmissão. E.: Cisticercose
• Metazoonoses: transmissão através de vetores invertebrados e
dependendo dos hospedeiros que são necessários, são divididos em:
• hospedeiro vertebrado e um invertebrado Ex.: Febre amarela
• hospedeiro vertebrado e dois invertebrados Ex.:
Paraonimíase
• dois hospedeiros vertebrados e um invertebrado Ex.:
Clonorquíase
• transmissão transovárica Ex.: Encefalite do carneiros
• Saprozoonoses: um hospedeiro vertebrado e um meio de
transmissão como o solo, matéria orgânica e plantas. Ex.: Histoplasmose;
Fasciolose.

Prevenção e Controlo de Zoonoses

Em decorrência da importância das zoonoses, tanto do ponto de vista
social quanto do ponto de vista económico, é necessária a adopção de
medidas capazes de minimizar estes transtornos através de aplicação de
métodos adequados para a prevenção, controlo ou erradicação destas
doenças.(2)
Para que a aplicação destes métodos possa ser bem sucedida, é de
grande importância o conhecimento da prevalência de cada uma das
zoonoses. Assim, é necessário proceder-se a minuciosos inquéritos
epidemiológicos, utilizando-se para tanto dos registos dos serviços de saúde
pública e saúde animal, dos dados obtidos nas propriedades rurais das
informações dos médicos veterinários e dos relatórios das indústrias de
lacticínios e matadouros. Conhecida a magnitude de cada um dos problemas,
são estabelecidas as prioridades de acção, adoptando-se programas eficientes
com a finalidade de interromper a cadeia de transmissão destas zoonoses, seja
pela actuação sobre as fontes de infecção ou vias de transmissão.
O combate às zoonoses pode ser realizado ao nível de cooperação
internacional e dentro de uma mesma acção, ao nível central, regional ou local.
(2)
Actualmente, as zoonoses constituem os riscos mais frequentes e mais
temíveis a que a humanidade está exposta, englobando mais de 250 doenças
(SCHWABE, 1984). (3)
Um grande número de doenças decorrentes é transmitido directamente
de animais para os homens. Em alguns casos, os animais actuam como
hospedeiros intermediários ou acidentais, disseminando a enfermidade pelo
contacto directo com humanos, como acontece no caso da raiva humana. Em
outros casos, a transmissão ocorre através de vectores, ou seja, dependem de
um animal invertebrado que transfira, de forma activa, um agente etiológico de
uma fonte de infecção a um novo susceptível. Como exemplo, destaca-se a
dengue, febre amarela, malária, leishmaniose e doença de Chagas (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2002). (3)
Algumas destas doenças podem provocar incapacidade física e/ou
mental em indivíduos que ainda estão em idade produtiva. (3)

O Médico Veterinário há muito tempo é responsável pelo controlo e
profilaxia das doenças dos animais. Este profissional vem tentando erradicar
estas doenças, ao longo dos últimos anos, através da adopção de medidas de
vigilância, bem como do desenvolvimento de vacinas eficazes para os animais.
Embora outras profissões e alguns órgãos públicos responsáveis pela
promoção da saúde das populações, nos países em desenvolvimento, vejam o
Médico Veterinário como um mero técnico, este profissional tem demonstrado
sua competência para estar à frente dos programas de controlo e erradicação
das zoonoses que causam maiores prejuízos à saúde e à economia nos países
desenvolvidos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002). (3)
Dentro deste contexto, o Médico Veterinário actua na realização de
inquéritos epidemiológicos minuciosos, utilizando tanto os registos de Saúde
Pública quanto os de saúde animal, recolhidos nas clínicas veterinárias,
propriedades rurais, indústrias de lacticínios, matadouros públicos e Centros de
Controlo de Zoonoses (BENENSON, 1986). (3)

O Centro de Controlo de Zoonoses é uma unidade de saúde pública tem
como objectivo prevenir e controlar as zoonoses, doenças transmitidas por
vectores e os danos produzidos por animais contaminados. (4)
Dentro das zoonoses de importância para a Saúde Pública e incidentes
em áreas urbanas destacam-se a raiva, leptospirose, tuberculose, brucelose,
toxoplasmose, entre outros. (4)

Principais zoonoses
Brucelose bovina (BB)
É uma doença de declaração obrigatória desde 1953, reforçada pelo
Decreto Lei n.º 244/2000 de 27 de Setembro.(5) Doença infecto-contagiosa,
causada por bactérias do género Brucella.
Os sinais clínicos clássicos observados nos animais infetados estão
relacionados a problemas reprodutivos, como: aborto no terço final da
gestação, nascimentos de bezerros fracos e corrimentos vaginais. É comum
haver retenção de placenta e infertilidade temporária ou permanente. Nos
machos, pode causar orquite (inflamação do testículo), consequentemente,
levando à infertilidade no animal devido à diminuição da qualidade
espermática. Podem ser observadas lesões nas glândulas mamárias e lesões
articulares.
A confirmação é feita com diagnóstico bacteriológico ou sorológico. O
método mais comum de diagnóstico para a brucelose são as provas de
aglutinação de soro sanguíneo, podendo ser usadas para detetar anticorpos no
leite, no soro e no plasma seminal.(6)




Tuberculose bovina (TB)
É uma doença infecto-contagiosa,
causada por uma bactéria, naturalmente
transmissível direta ou indiretamente entre os
animais e o homem, que afeta a maior parte dos
animais (domésticos e selvagens),
caracterizando-se pelo desenvolvimento de
tubérculos em qualquer órgão do animal.
Sinais clínicos no animal podem ser
emaciação, anorexia, aumento dos
retrofaríngeos, dispneia ou taquipneia,
diarreia/obstipação. (7)


Febre Q

A febre Q é causada através da infecção com Coxiella burnetii. A infeção
é resultado da inalação de
partículas contaminadas do ar e de contacto com o muco vaginal, leite, fezes,
urina ou sémen de animais infetados.

É considerada a doença mais infecciosa no mundo, pois um ser humano
pode ser infectado
por uma única bactéria. No homem os sintomas são febres altas (durante 1 a 2
semanas), mal estar geral, cefaleias frontais severas com dores retrorbitais,
sudação intensa, mialgias, náuseas, dores abdominais e diarreias, etc.

A Febre Q é uma causa reconhecida de abortos em ruminantes, induz
também problemas respiratórios e falhas cardiacas (miocardite), cios
irregulares(7), retenção da placenta, baixo peso e debilidade das crias. (10)

Leptospirose

É uma doença bacteriana que afeta seres humanos e animais e pode
ser fatal. É uma zoonose causada por uma bactéria do tipo Leptospira que, é
eliminada principalmente na urina de roedores, permanece em água parada,
como por exemplo, lagos. A bactéria invade por pequenas lesões de pele ou
pelas mucosas em contato com a água (oral, nasal e ocular).

1- Sinal clinico (aumento dos retrofaríngeos).
2- Lesão em humanos (tuberculose).
Como ocorre em várias outras doenças infecciosas, o quadro clínico da
leptospirose varia muito de pessoa para pessoa. O paciente pode apresentar
desde quase nenhum sintoma, o que é o mais comum, até um quadro grave
com risco de vida. Entre alguns sintomas estão a dor de cabeça e dores
musculares, mais de metade dos pacientes apresentam febre alta, manchas
pelo corpo e aumento dos linfonodos, baço e fígado.(8)

Carbúnculo Hemático
O carbúnculo hemático, também conhecido
como antrax, afeta animais e seres humanos,
sendo geralmente mortal. As espécies de animais
mais sensíveis à esta doença são os bovinos,
ovinos e equinos, no entanto, esta última é menos
afetada do que os ruminantes citados. O agente
etiológico é a bactéria Bacillus anthracis.(5)
Os sinais clínicos apresentados variam, e
em certas ocasiões, podem até passar
despercebidos em casos curtos.
Aparece sintomas de depressão, febres,
debilidade, corrimentos hemorrágicos em diferentes
orifícios do corpo, presença de tumefações
subcutâneas edematosas há o crescimento de
linfonódos cervicais, ou então, leva à uma
gastroenterite hemorrágica ou aguda.
A necrópsia não é muito indicada devido ao
risco de contaminação, sendo realizada apenas
quando se pretende realizar um diagnóstico
laboratorial. (7)

Campilobacteriose
É uma zoonose de distribuição mundial, existindo várias espécies
patogénicas para os seres humanos. O Campylobacter jejuni e o
Campylobacter coli são as espécies mais frequentes. A infeção por esta
bactéria origina gastroenterite em humanos e animais. Se surgir durante a
gestação pode também originar abortos, neonatal ou nascimentos prematuros.
Os humanos infetam-se por contacto direto com animais portadores ou
pela ingestão de carne crua ou mal processada de aves, suínos e bovinos ou,
ainda, pela ingestão de leite não pasteurizado e água. Uma das formas de
transmissão passiva do agente através da carne para outros alimentos poderá
ocorrer durante a descongelação e o processamento desta em locais
comuns.(9)
3- Sinal clinico em bovino (corrimento
hemorrágico e sepsis)
4 - Sinal clinico em humano.
Bibliografia
(1) GOUVEIA, Augusto; Síntese de Actos e Práticas Inspectivas: Segurança
Alimentar na Saúde Pública, p.4, 2013
(2) MIGUEL, Omar, A vigilância sanitária e o controle das principais
zoonoses. Disponível em:
<http://www.bichoonline.com.br/artigos/Xom0001.html>. Consultado a: 23 de
outubro de 2013
(3) MENEZES, Cícero, A importância do Médico Veterinário na Saúde
Pública. Disponível em: <http://sanidaderural.blogspot.pt/2010/11/monografia-
importancia-do-medico.html>. Consultado a: 23 de outubro de 2013
(4) Autor desconhecido, Centro de Controle de Zoonoses. Disponível em:
<http://www.sjc.sp.gov.br/secretarias/saude/centro_controle_zoonoses.aspx>.
Consultado a: 23 de outubro de 2013
(5) FONSECA, António Pina, Programa de erradicação da brucelose bovina
em portugal continental, 2007
(6) MELDAU, Débora Carvalho, Brucelose bovina
(7) MIRA, José, Zoonoses em ambiente rural, 2007
(8) Autor desconhecido, Leptospirose. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Leptospirose>. Consultado a:27 de Novembro de
2013
(9) SÁ, Maria Inácia; FERREIRA, Cristina; Importância das zoonoses na
segurança alimentar; Segurança e qualidade alimentar nº2; 2007
(10) Autor desconhecido, Zoonoses. Disponível em:
<http://saudepublica.wordpress.com/arquivo/zoonoses/>. Consultado a:27 de
Novembro de 2013