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Aposentadoria: concorrência entre beneficiários

Clarice de Azevedo
1
Victor Paulo Kloeckner Pires
2
Resumo: O presente trabalho visa proporcionar uma introdução a um tema que tem
gerado grandes controvérsias no Brasil atualmente na seara do Direito
Previdenciário: o rateio da pensão por morte entre viúva e ex-esposa alimentada.
Para a compreensão da temática se faz necessário a compreensão do que é pensão
por morte, quem são seus beneficiários, em quais casos ela e concedida, quais são
seus requisitos, quem faz jus ao percebimento desses valores e quais os
regramentos aplicáveis à casuística. Para tanto, parte-se de um estudo conceitual
para uma melhor compreensão dos temas que cercam o assunto principal, para que
assim, este possa ser abordado e compreendido. Dessa maneira, é possível,
problematizar a questão, apontando os pontos nevrálgicos, explicitando os
posicionamentos que brotam do Poder Judiciário através de seus órgãos judicantes.
É uma tentativa de trazer uma ampla visão ao tema, sem apresentar a intenção de
esgotar o tema é a proposta desta monografia.
Palavrasc!ave: previdenciário ÷ pensão por morte ÷ ex-esposa ÷ viúva.
1" PR#$%#RA& C'(&#)%RA*+%&
Sabe-se que em pouco se assemelham o Direito de Família e o Direito
Previdenciário, vez que se tratam de ramos do Direito totalmente distintos, sendo
que, vários institutos reconhecidos pelo segundo, são banidos do primeiro, como
podemos citar a união entre pessoas do mesmo sexo ou o reconhecimento do
concubinato para fins de benefício previdenciário.
No entanto, ambos possuem como pedra de toque a família. Ambos
pautam-se nos vínculos familiares desenvolvidos na célula familiar.
Todavia, a proteção decorrente da previdência social, não está restrita
apenas aos vínculos de família, e sim de dependência econômica, um vez que,
mesmo não se verificando mais o vínculo familiar, em persistindo a dependência
econômica para fins de subsistência é garantido o direito à percepção de benefício
previdenciário, como se dá no caso da ex-esposa que percebe pensão alimentícia,
tema que, será o objeto de estudo do presente.
1
Bacharel em Direito pela Universidade da Região da Campanha – campus São Gabriel/RS
2
Doutor em Direito pro!essor da Universidade "ederal do #ampa – campus Santana do $ivramento/RS
Essa condição de dependência decorre da previsão constitucional, uma vez
que, o inciso V, do artigo 201, da Constituição Federal (CF), prevê, o direito à
pensão por morte ao "cônjuge, companheiro ou dependente".
Da mesma forma, o artigo 6º, combinado com o artigo 5º, da CF, garante o
direito à proteção da previdência à pessoa, sem fazer qualquer restrição. Obrigando,
portanto, o legislador a estendê-la aos que mantém vínculo afetivo e de dependência
econômica.
Dessa maneira, cumpre analisar qual é a posição mais acertada no que
tange a determinação das cotas partes cabíveis a ex-esposa alimentada e a viúva.
Os debates mais recentes se concentram no quantum alimentar devido a
ambas, se este deve ser partilhado 50% para cada uma das pensionistas ou se deve
respeitar o valor fixado à título de alimentos.
O tema não é pacífico, quer por seus aspectos, quer pela interpretação da
legislação pertinente ao assunto, suscitando controvérsias entre doutrinadores e
legisladores, pois há quem afirme que a legislação é clara e portanto, deve-se dividir
em cotas parte iguais, ou seja, 50% para cada uma das pensionistas. Todavia, outra
corrente entende que a divisão igualitária de que trata a lei, não significa a divisão
em 50% e sim a divisão consoante já se verificava ao tempo da fixação dos
alimentos e ainda, respeitando os limites da coisa julgada.
Desta feita, estabeleceu-se como objetivo central desenvolver o assunto
propondo como definição do problema a indagação acerca de qual seria o espírito
da lei, ou seja, qual a vontade do legislador.
A metodologia utilizada teve por base a pesquisa teórica e jurisprudencial do
direito previdenciário. Procurou-se esclarecer a questão, para por fim, proporcionar
uma visão ampla do tema, possibilitado estabelecer uma postura diante de tal
problemática.
Antes de qualquer coisa, é necessário conhecer o que é pensão por morte,
quem tem direito à percebê-la, quais os requisitos para sua concessão, a natureza
do benefício, enfim, uma breve análise a legislação aplicável a esta celeuma, para
que seja possível uma estudo acerca do tema.
A partir de então, passa-se a analisar através dos julgados, a interpretação
que pode ser obtida da lei. Dessa maneira, propõe-se uma explanação sobre o
assunto, com base em casos concretos dos quais emanaram decisões judiciais em
2
sentidos diversos acerca da mesma matéria, posto que, não se trata de matéria
ainda pacificada.
Tendo o direito como regulador das relações sociais, tem-se que as
expressões do poder jurisdicional do Estado, manifestadas através das decisões
emanadas dos órgãos judicantes, tendem à uniformização da matéria, como forma
de evitar as injustiças sociais.
Todavia, o que se pode perceber é que não houve uma preocupação nesse
sentido, no que tange a problemática em tela.
Uma conceituação, explanação e revisão sobre o assunto, longe da
intenção de esgotá-lo, é a proposta desta monografia.
2" P%(&,' P'R $'R-%
Para uma análise do tema, há que inicialmente se definir e compreender o
que é pensão por morte, quem são seus beneficiários, os requisitos para a sua
concessão, a questão da prescrição, enfim, algumas questões imprescidíveis para o
entendimento da matéria, com vistas à uma posterior contextualização do assunto,
passando-se a analisar, num segundo momento, a concorrência entre os
beneficiários à pensão por morte do segurado e assim, entender como se dá o rateio
entre a viúva e a ex-esposa alimentada.
A pensão por morte é uma prestação assistencial proporcionada pela
Previdência Social com vistas a manter a subsistência das pessoas necessitadas as
quais dependiam do segurado.
Pode-se ter por definição (MARTÌNEZ,1998, p.102):
A pensão por morte é prestação dos dependentes necessitados
de meios de subsistência, substituidora dos seus salários, de
pagamento continuado, reeditável e acumulável com aposentadoria.
Sua razão de ser é ficar sem condições de existência quem
dependia do segurado. Não deriva de contribuições aportadas, mas
dessa situação de fato, admitida presuntivamente pela lei.
A Constituição Federal, ao trazer disposições acerca do sistema
previdenciário, nos traz que a Previdência Social terá caráter contributivo e, dentre
%
os variados tipos de fatores aos quais oferece proteção, encontra-se o evento
morte
1
.

A pensão por morte é um benefício de prestação continuada, destinada aos
dependentes do segurado, podendo ser estes, seu cônjuge sobrevivo, a
companheira ou companheiro, os filhos inválidos de qualquer idade, desde que a
invalidez tenha ocorrido antes dos 18 (dezoito) anos de idade e, os pais, desde que
não percebam qualquer tipo de aposentadoria ou pensão prevista em lei. A
finalidade é oferecer aos dependentes do falecido os meios para sua subsistência.
Consiste numa importância mensal conferida aos beneficiários do segurado quando
do seu falecimento.
Poderá, ainda, ser concedida por morte presumida
2
e ainda nos casos de
desaparecimento do segurado em catástrofe, acidente ou desastre, sendo aceitos
como prova do desaparecimento, o Boletim de Ocorrência da Polícia, o documento
confirmando a presença do segurado no local do desastre, noticiário dos meios de
comunicação e entre outros meios hábeis que comprove o evento.
Enfim, a finalidade do pensionamento é possibilitar que o dependente
supérstite promova sua própria existência, visto que contava com um mantenedor e,
após o falecimento deste, viu-se em situação de excepcionalidade.
Dessa maneira, tem-se a natureza assistencial da pensão por morte, a qual
assegura a sua prestação aos necessitados, independentemente de contribuição.
2"1" A C'(C%P*,' .')#%R(A )% )% /A$01#A
A Constituição, de maneira aberta, admitiu expressamente três tipos de
família: a fundada em matrimônio (art. 266, §1º), a fundada em união estável (art.
266, §3º) e a fundada na monoparentalidade (art. 266, §4º).
Dessa maneira, tem-se que a Lei Maior não estabeleceu de forma taxativa,
um conceito de família, abrindo, assim, margem ao reconhecimento de entidades
1
Constituição Federal, art. 201, inciso Ì: "cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade
avançada".
2
Lei 8.213/91, art. 74: "A pensão por morte será devida ao conjunto dos dependentes do segurado
que falecer, aposentado ou não, a contar da data: Ì ÷ do óbito, quando requerida até trinta dias depois
deste; ÌÌ ÷ do requerimento, quando requerida após o prazo previsto no inciso anterior; ÌÌÌ ÷ da
decisão judicial, no caso de morte presumida". Disponível em: <http://www.planalto.gov.br> Acesso
em: 06 abr 2007.
&
familiares formadas pela união de parentes consangüíneos ou jurídicos, que vivam
em regime de interdependência familiar, por exemplo.
Enfim, a Carta Magna permite que seja dada proteção jurídica aos mais
variados arranjos familiares que possam se estabelecer.
Diante de tal situação, abriu-se ao legislador, a possibilidade de estabelecer
conceituações de família ampliativas, nos mais diversos campos do direito.
Sendo assim, ao legislador previdenciário, atento às peculiaridades de sua
seara jurídica, foi permitido estabelecer um conceito de família, com vistas a definir
os beneficiários de seus planos sociais, atendido o disposto no art. 203 da CF, que
trata da assistência social e de seus objetivos.
Ademais, o atendimento desse conceito à determinação contida no art. 203,
reclama que a política pública ainda atinja os necessitados, posto a natureza do
benefício assistencial.
Cabe expor que não se afasta a possibilidade da análise da legislação sob a
égide da proibição da não-suficiência.
Sobre o assunto, LEÌVAS (2007; p.287-288) colaciona que:
Trata-se de conceito equivalente à proibição de excesso e
deixa-se deduzir logicamente do caráter principiológico das
obrigações estatais.A proibição da não-suficiência exige que o
legislador [e também o administrador], se está obrigado a uma
ação, não deixe de lançar limites mínimos. O Estado, portanto,
é limitado de um lado, por meio dos limites superiores da
proibição do excesso, e de outro, por meio dos limites
inferiores de proibição da não-suficiência. Como afirma
Borowski: "A melhor realização possível do objeto da
otimização dos princípios jus-fundamentais-prestacionais é um
objetivo prescrito na constituição¨.
Portanto, tem-se que o conceito de família não pode ser mais restritivo do
que o disposto pela constituinte de 1988 em razão do princípio da não-suficiência,
uma vez que, não pode enxugar o disposto na CF, sob pena de restringir a entidade
por ela protegida, ferindo, assim, a nossa Lei Maior.
'
2"2" 2%(%/#C#3R#'&

Os beneficiários da pensão por morte são aquelas pessoas amparadas pela
Previdência Social
4
.
A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991
5
, elenca em seu art. 16, quais as
pessoas que fazem jus a proteção previdenciária em razão da morte do segurado:
art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na
condição de dependentes do segurado:
Ì - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não
emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos
ou inválido;
ÌÌ - os pais;
ÌÌÌ - o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21
(vinte e um) anos ou inválido;
ÌV - (Revogada pela Lei nº9.032, de 1995)(
§ 1º A existência de dependente de qualquer das classes deste
artigo exclui do direito às prestações os das classes seguintes.
§ 2º O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante
declaração do segurado e desde que comprovada a dependência
econômica na forma estabelecida no Regulamento. (Redação dada
pela Lei nº 9.528, de 1997).
E ainda, o art. 76 da referida Lei:
art. 76. ...
[omissis]
§2º O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que
recebia pensão de alimentos concorrerá em igualdade de condições
com os dependentes referidos no inciso Ì do art. 16 desta Lei.
Dessa maneira, tem-se que são beneficiários do Regime Geral da
Previdência Social (RGPS), na condição de dependentes do segurado, o cônjuge
sobrevivente, o ex-cônjuge alimentado, o convivente que mantinha união estável
com o segurado na forma do § 3º do art. 226 da CF, o irmão e o filho menor não
emancipado, assim como aquele que estiver sob sua tutela e o enteado, desde que
não receba pensão alimentícia ou benefícios previdenciários de Regimes Próprios
%
PR%V#)6(C#A &'C#A1. conjunto de medidas e de instituições para a proteção ao trabalhador e ao
funcionário (e a seus dependentes ou beneficiários), na doença, na velhice, no desemprego, etc.
&
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br> Acesso em: 06 abr 2007.
)
da Previdência, que vivia sob dependência econômica e sustento do segurado,
solteiro e que não exerça atividade remunerada.
Ainda, são beneficiários o filho inválido e o irmão de mesma condição,
desde que comprovado que a invalidez seja anterior a data do falecimento do de
cujus e, os genitores sob dependência econômica e sustento familiar.
Entende-se que, para qualificação como dependente, é imprescindível que o
cônjuge separado ou divorciado, efetivamente percebesse a pensão alimentícia na
data do fato gerador do benefício, ou seja, do evento morte.
No entanto, a jurisprudência tem se firmado no sentido de que, mesmo o
cônjuge separado judicialmente, que não perceba alimentos fixados por sentença ao
tempo do óbito do segurado, pode requerer a concessão do benefício por morte,
uma vez comprovada a necessidade.
Nesse sentido:
PREVÌDENCÌÁRÌO. PENSÃO POR MORTE. CÔNJUGE
SEPARADO JUDÌCÌALMENTE SEM ALÌMENTOS. PROVA DA
NECESSÌDADE. SÚMULAS 64 - TFR E 379 - STF. O cônjuge
separado judicialmente sem alimentos, uma vez comprovada a
necessidade, faz jus à pensão por morte do ex-marido. Recurso não
conhecido.(REsp. nº 195.919/SP, Relator o Ministro Gilson Dipp, DJ
de 21/02/2000)
PREVÌDENCÌÁRÌO. PENSÃO POR MORTE. CÔNJUGE
SEPARADO JUDÌCÌALMENTE. RENÚNCÌA ANTERÌOR AOS
ALÌMENTOS. ÌRRELEVÂNCÌA. É devida a pensão por morte ao ex-
cônjuge separado judicialmente, que comprove a dependência
econômica superveniente, ainda que tenha dispensado
temporariamente a percepção de alimentos quando da separação
judicial. Recurso não conhecido. (REsp. nº 196.678/SP, Relator o
Ministro Edson Vidigal, DJ de 04/10/1999)
Por outro lado, mesmo a viúva que contrai novo casamento ou vive em
união estável, não perde o direito ao pensionamento recebido em virtude do
falecimento de seu ex-marido, exceto se da nova união sobrevier alteração
econômica para melhoria da situação financeira.
E, ainda, a Previdência reconhece o relacionamento de pessoas do mesmo
sexo, sendo que, o próprio ÌNSS, regulou, através da Ìnstrução Normativa nº25 de
07 de junho de 2000
5
os procedimentos para a concessão de benefício ao
companheiro ou companheira homossexual.
'
Disponível em: <http://www.fiscosoft.com.br/indexacao/index_previdenciario.html - 48k> Acesso em:
21 abr 2007.
*
Mais uma vez, a tendência da jurisprudência e da lei previdenciária, deixa
bem nítida a natureza econômico-assistencial da Previdência Social e sua
separação dos outros ramos, como ramo do direito autônomo localizado dentro da
seara do Direito Público, posto que a jurisdição previdenciária está nitidamente
ligada ao fim social, assentada nos princípios constitucionais da cidadania e da
dignidade da pessoa humana (artigo 1º, incisos ÌÌ e ÌÌÌ da CF).
2"4" C'(C%&&,' )' 2%(%/0C#'
O benefício pode ser concedido administrativamente através de
requerimento junto ao órgão previdenciário ou mediante o aporte da pretensão no
Poder Judiciário.
A busca da proteção judicial albergada pelo inciso XXXV do artigo 5º da
Carta Magna não exige o prévio esgotamento das vias administrativas para que seja
possível o aporte da lide no Judiciário, uma vez que é garantido a todos o direito ao
acesso à Justiça.
Tem-se que (NERY JUNÌOR, Nelson; NERY, Maria 2006, p.131):
Todos têm acesso à justiça para postular tutela jurisdicional
preventiva ou reparatória de um direito individual, coletivo ou difuso.
Ter direito constitucional de ação significa poder deduzir a pretensão
em juízo e também poder dela defender-se. O princípio
constitucional do direito de ação garante ao jurisdicionado o direito
de obter do Poder Judiciário a tutela jurisdicional adequada. (...) Por
tutela jurisdicional adequada entende-se a que é provida da
efetividade e eficácia que dela se espera. (...) Não pode a lei
infraconstitucional condicionar o acesso ao Poder Judiciário ao
esgotamento das vias administrativas, como ocorria no sitema
revogado (CF/1967 153 §4º). (...) Apenas quanto às ações relativas
à disciplina e às competições desportivas é que o texto
constitucional, exige, na forma da lei, o esgotamento das instânscias
da justiça desportiva (CF 217 §1.º).
Outrossim, o direito de ação não pode ser restringido e, portanto, não se
pode exigir, como condição da ação, que se esgote as vias administrativas.
Ainda, acerca do assunto (MORAES, 2004, p.294):
Ìnexiste a obrigatoriedade de esgotamento da instância
administrativa para que a parte possa acessar o Judiciário. A
+
Constituição Federal de 1988, diferentemente da anterior, afastou a
necessidade da chamada jurisdição condicionada ou instância
administrativa de curso forçado, pois já se decidiu pela
inexigibilidade de exaurimento das vias administrativas para obter o
provimento judicial (RP/60/224), uma vez que excluiu a permissão
que a Emenda Constitucional nº 7 à Constituição anterior
estabelecera, de que a lei a condicionasse o ingresso em juízo à
exaustão das vias administrativas, verdadeiro obstáculo ao princípio
do livre acesso ao Poder Judiciário.
Cumpre citar ainda, a súmula n.º 9 do Tribunal Regional Federal da 3ª
Região que trata: "Em matéria previdenciária, torna-se desnecessário o prévio
exaurimento da via administrativa, como condição do ajuizamento da ação.¨
2"4"1" Re7uisitos para a concess8o do benef9cio
O caput do art. 74 da Lei 8.213/91
6
traz que, para que o dependente tenha
direito ao recebimento da pensão por morte é necessária a existência de
beneficiários na condição de dependentes do falecido e a condição de segurado do
de cujus.

Este benefício prescinde de carência, ou seja, não requer tempo mínimo de
contribuição, nos termos do inciso Ì do art. 26 da referida lei.
Cabe ressaltar que carência é o número mínimo de contribuições para
adquirir a condição de segurado.
Todavia, mesmo não se exigindo este período, é necessário que o falecido
seja segurado da Previdência Social ao tempo da morte. Há divergência
jurisprudencial quanto à essa exigência, todavia, não nos cabe aqui analisar.
Ademais, para fazer jus ao benefício não é necessário ser filiado à
Previdência ou ser contribuinte: basta ser o dependente do falecido.

O dependente do falecido é aquela pessoa incapaz de prover o próprio
sustento e que necessita dos recursos proporcionados pelo segurado. Portanto, tem-
se que o critério de seleção dos dependentes é econômico.
Sob esse aspecto, o Direito Previdenciário, ao relacionar os dependentes
com direito à proteção previdenciária, se desapega dos outros ramos do Direito,
como o de Família, posto que, e.g, se o segurado era casado e vivia em união
)
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br> Acesso em: 10 de abr 2007.
,
estável com uma companheira, mantendo um relacionamento espúrio, isso não
importa para definir a dependência.
Como bem expôs José Leandro Monteiro de Macedo (2006, p. 259) em seu
artigo sobre o assunto, a Previdência Social não tem como fundamento a proteção
da família, mas sim a proteção da pessoa em estado de necessidade. O
fundamental é a vinculação econômica do dependente com o segurado.
In verbis:
A remuneração do trabalhador não garante só a sua
subsistência como a dos seus dependentes. Se a finalidade da
relação jurídica previdenciária é a garantia de subsistência, a
proteção previdenciária deve ser provida não só para o trabalhador,
mas, também, para aquelas pessoas que dele dependem. São os
dependentes do Regime Geral da Previdência Social.
Os dependentes são denominados beneficiários indiretos, em virtude do
modo como adquirem o direito. Todavia, a proteção previdenciária é devida ao
dependente por direito próprio. Nessa esteira, prossegue (MACEDO, 2006, p.259)
em seu magistério:
Os dependentes são denominados beneficiários indiretos do
Regime Geral da Previdência Social no sentido que se vinculam a
esse regime por interposta pessoa. O direito à proteção
previdenciária, no entanto, será exercido sempre em nome próprio.
Diante ao exposto retro, entende-se que os dependentes vinculam-se à
Previdência Social devido ao vínculo que o segurado mantém com estes e com
aquela. Ocorrendo a morte deste segurado, surge o vínculo previdenciário entre o
dependente e a Previdência, o qual se pode dizer, pessoal.
2"5" C'$P%-6(C#A % PR%&CR#*,' )A A*,' PARA P1%#-%AR ' 2%(%/0C#'
Em relação à competência para a obtenção do benefício ou sua revisão,
considerando que o Ìnstituto Nacional do Seguro Social (ÌNSS) é uma autarquia
federal, incide a regra do inciso Ì do art. 109 da CF, atribui à Justiça Federal a
competência.
1-
Outrossim, "compete à Justiça Federal processar justificações judiciais
destinadas a instruir pedidos perante entidades que nela têm exclusividade de foro,
ressalvada a aplicação do art. 15, ÌÌ, da Lei 5.010/66¨ (Súmula 32/STJ).
A referida súmula, trata da jurisdição federal delegada à Justiça Estadual,
prevista no art. 109, § 3º da CF"
Como se sabe, a finalidade da prescrição é gerar maior segurança jurídica e
trazer a paz social, sendo este, o ônus da inércia por parte do titular do direito não
exercido.
Para Marcelo Freire Gonçalves
7
"A prescrição é um instituto jurídico que
fulmina a exigibilidade do direito. Tem como escopo a pacificação das relações
sociais, pois impede que a inércia do titular do direito gere intranqüilidade social¨.
Todavia, a pensão por morte poderá ser requerida a qualquer tempo,
prescrevendo tão somente as prestações exigíveis há mais de 5(cinco) anos.
Quanto à prescrição, trata-se de matéria abarcada pelo art. 103 da Lei
Previdenciária:
art. 103. É de dez anos o prazo de decadência de todo e qualquer
direito ou ação do segurado ou beneficiário para a revisão do ato de
concessão do benefício, a contar do primeiro dia do mês seguinte ao
recebimento da primeira prestação ou, quando for o caso, do dia em
que tomar conhecimento da decisão definitiva no âmbito
administrativo.
Parágrafo Único. Prescreve em cinco anos, a contar da data em que
deveriam ter sido pagas, toda e qualquer ação para haver
prestações vencidas ou quaisquer restituições ou diferenças devidas
pela Previdência Social, salvo o direito dos menores, incapazes e
ausentes, na forma do Código Civil.
É importante salientar que é imprescritível o direito ao benefício de cunho
alimentar. Sendo assim, apenas incide o prazo prescricional em relação às
prestações anteriores ao qüinqüênio precedente à propositura da ação.
4" C'(C'RR6(C#A %(-R% '& 2%(%/#C#3R#'&
*
GONÇALVES, Marcelo Freire. Processo TRT/SP nº 00853.2005.261.02.00-0 (20060103560)Recurso
Ordinário- 1ª Vara do Trabalho de Diadema. Disponível em: <http://trt02.gov.br> Acesso em 06 abr
2007.
11
A pensão será concedida integralmente ao titular da pensão vitalícia, se não
existirem beneficiários da pensão temporária; na existência de vários titulares à
pensão vitalícia, será rateado o seu valor em partes iguais, entre os beneficiários
habilitados.
Ocorrendo habilitação às pensões vitalícia e temporária, metade do valor
caberá ao titular ou titulares da pensão vitalícia, sendo a outra metade rateada em
partes iguais, entre os titulares da pensão temporária; e, ocorrendo habilitação
somente à pensão temporária, o valor integral da pensão será rateado, em partes
iguais, entre os que se habilitarem (art. 77 da Lei 8.213/91).
Quando um dependente perde o direito ao benefício, a sua parte será
dividida entre os demais.
A pensão será devida as dependentes na seguinte ordem: ao cônjuge e ao
companheiro(a); aos filhos não emancipados menores ou inválidos de qualquer
idade; aos pais; e, ao irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de idade
ou inválido de qualquer idade.
A existência de dependente numa classe exclui o direito dos dependentes
da classe seguinte, consoante §1º do art. 16 da referida Lei.
Ademais, do §4º extrai-se que, relativamente ao cônjuge e filho a
dependência econômica que gera o direito ao benefício é presumida, devendo os
dependentes das outras classes comprovar a dependência econômica em relação
ao falecido.
Cabe ressaltar que é admissível a concorrência à pensão por morte entre
esposa e companheira, no caso, concubina, bem como o rateio do benefício entre
ambas: "É legítima a divisão da pensão previdenciária entre a esposa e a
companheira, atendidos os requisitos exigidos¨ (Súmula 159/ex-TFR). Da
jurisprudência:
CONSTÌTUCÌONAL, ADMÌNÌSTRATÌVO E PROCESSUAL CÌVÌL.
SERVÌDOR PÚBLÌCO. PENSÃO POR MORTE. COMPANHEÌRA.
UNÌÃO ESTÁVEL. JUSTÌFÌCAÇÃO JUDÌCÌAL. ÌNCOMPETÊNCÌA
DO JUÍZO ESTADUAL. ÌNTELÌGÊNCÌA DA SÚMULA 32 DO STJ.
PROVA ÌMPRESTÁVEL. PROVA EXCLUSÌVAMENTE
DOCUMENTAL. POSSÌBÌLÌDADE. RATEÌO COM A EX-ESPOSA.
PROCEDÊNCÌA. JUROS DE MORA. REDUÇÃO DA TAXA.
(...)A pensão vitalícia deve ser rateada em cotas iguais entre os
respectivos beneficiários, sendo, no caso concreto, metade para a
companheira e metade para a viúva.
Apelação a que se nega provimento e remessa oficial, tida por
interposta, a que se dá parcial provimento, tão-somente para reduzir
12
a taxa de juros para 0,5% a.m., a partir da vigência da MP nº 2.180-
35/2001. (AC 1999.39.00.008064- Des. Federal Jóse Amilcar
Machado, Primeira Turma 19/03/2007 DJ p.10)
Todavia, controvérsia principal cinge-se a interpretação da norma no que diz
respeito a divisão entre a viúva e a ex-esposa alimentada, posto que, não há ainda
um posicionamento uniformizado a respeito do assunto.
Destarte, esta é a maior discussão na atualidade, no que tange a
concorrência entre os beneficiários à pensão por morte.
4"1" C'RR%(-%& AC%RCA )A )#V%R:6(C#A )' RA-%#' %(-R% V#;VA % %<
%&P'&A A1#$%(-A)A
Quanto a divisão entre ao(a) ex-esposo(a) alimentado(a) e ao(a) viúvo(a)
do beneficiário(a), existem duas correntes jurisprudenciais: uma que afirma que o
valor deve ser fixado em 50% (cinqüenta por cento) para cada uma, consoante
assegura a legislação e outra que, defende que deve ser respeitado o valor fixado
na sentença transitada em julgado que fixou os alimentos, e este deve ser o valor
alcançado a ex-esposa à título de pensão previdenciária.
Os partidários da primeira corrente entendem que, independentemente do
que fora estipulado em razão de separação ou em ação de alimentos, há que ser
respeitada a lei previdenciária, pois, no pós morte do beneficiário, não impera o
vínculo alimentar civil, e sim, o vínculo assistencial derivado da Previdência Social.
Dessa maneira, consideram totalmente infundada as alegações em sentido
contrário, posto que, asseveram que a lei previdenciária é clara ao tratar do assunto,
dispensando qualquer tipo de interpretação da lei diversa da interpretação literal ou
gramatical.
Aduzem ainda que não há que se perquirir os institutos da coisa julgada e
da segurança jurídica, posto que, com a morte do segurado extingue-se o vínculo
alimentar e nasce o vínculo previdenciário que é totalmente desvinculado do que
outrora existia.
Mais ainda, defendem a igualdade de direitos entre ambas as beneficiárias
à pensão por morte, posto que se situam na mesma classe.
1%
Por outro lado, os defensores da divisão consoante a segunda corrente, em
uma de suas ponderações aduzem que deve ser respeitado os limites da coisa
julgada, pois a fixação dos alimentos percebidos ao patamar de 50% (cinqüenta por
cento) dos rendimentos, no caso de ter sido estes, fixado em sentença em valor
diferente ao percentual de 50% (cinqüenta por cento), representa uma afronta a
decisão da ação transitada em julgada que fixou os valores, ofendendo assim, a
coisa julgada.
Embora o caput do art. 77 da Lei nº 8.213 de 1991 trate do rateio do
benefício, quando existir mais de um titular da pensão vitalícia, os militantes desta
tese, defendem que o rateio proporcional que a igualdade assegurada não significa
dividir a pensão em partes iguais, mas garantir à continuidade do pensionamento da
ex-esposa, respeitando o direito a pensão alimentícia, que lhe foi assegurada na
sentença.
Assim, o benefício da pensão por morte deve respeitar a mesma
proporção que os alimentos recebidos, pois ao fixar o valor do benefício para a ex-
esposa em valor diferente do estabelecido como pensão alimentícia, consagra-se o
desrespeito a coisa julgada, modificando a sentença proferida pelo juízo de família,
quando da separação do casal.
Aduzem que, se o total dos proventos da alimentada nunca foi objeto de
inconformismo quando ainda vivo o instituidor do benefício, tem-se que, esta sempre
se satisfez com a verba alimentar percebida.
Destarte, rejeitar a proporção da dependência econômica, já estatuída e
homologada judicialmente, subverteria o sistema jurídico-legal pátrio.
Ainda, defendem que a vocação previdenciária também está vinculada
aos aspectos fáticos, bem como ao justo e razoável, assim como, principalmente,
deve ater-se à coisa julgada.
Asseveram que a divisão em cotas partes iguais representa um
enriquecimento ilícito à ex-esposa alimentada, uma vez que a lei que trata do regime
jurídico dos servidores públicos da União tem por objetivo a manutenção da situação
anterior ao óbito e não a premiação da ex-cônjuge pela morte do servidor.
Os que defendem que há que ser mantido o patamar outrora fixado em
razão da sentença que delimitou os alimentos alegam que a interpretação restritiva
1&
da referida lei não é a interpretação correta, uma vez que no caput do art. 77 da Lei
nº 8.213 de 1991 o legislador disse menos do que queria dizer.
Ou seja, aduzem que não se pode se ater à letra fria da lei, sem buscar seu
espírito e analisar o princípio da razoabilidade, tendo em vista, que já se reconheceu
que a parcela devida à ex-esposa, deve guardar proporção com os proventos que
auferia quando este ainda era vivo.
Afirmam que dispositivo legal que menciona a distribuição entre partes
iguais dos vários titulares à pensão vitalícia (art. 77 da Lei nº 8.213 de 1991) aplica-
se quando ausente qualquer indicação concreta em sentido diverso.
Não obstante a legislação mencionar "rateio em partes iguais¨ do benefício,
quando existir mais de um titular da pensão alimentícia, asseveram que a igualdade
assegurada não significa a percepção de quotas partes iguais do benefício para
cada titular, mas sim a garantia à continuidade do pensionamento à ex-esposa, com
direito reconhecido a alimentos.
4"1"1" Primeira corrente =urisprudencial
Atualmente, pode-se perceber que a matéria ainda não está pacificada,
posto que de nossos Tribunais emergem decisões em sentidos antagônicos.
O Tribunal Regional Federal da Quarta Região, através da Quarta Turma,
manifestou-se recentemente no sentido de que o valor do benefício há que ser
distribuído em partes iguais entre a viúva e a ex-esposa ressaltando a diferença
entre a obrigação civil de prestar alimentos e o vinculo previdenciário que se
estabelece entre o particular e a Administração.
Dos repositórios do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nesse
sentido:
EMENTA: SERVÌDOR PÚBLÌCO. PENSÃO POR MORTE.
VÌTALÍCÌA. COTAS ÌGUAÌS ENTRE VÌÚVA E EX-ESPOSA COM
PERCEPÇÃO DE PENSÃO ALÌMENTÍCÌA. POSSÌBÌLÌDADE. O
RJU coloca no rol dos beneficiários das pensões vitalícias, tanto o
cônjuge, quanto a pessoa divorciada, com percepção de pensão
alimentícia, isto em seu art.215. Adiante, em seu art. 218, § 1º, o
RJU prevê a hipótese de vários titulares a se habilitar ao
recebimento da pensão vitalícia, determinando que, nesta hipótese,
o valor do benefício será distribuído em partes iguais. É de ser
ressaltada a diferenciação entre a obrigação civil de prestar
alimentos, que se extingue com a morte do obrigado, e o vínculo
previdenciário que prende a ex-mulher, dependente econômica à
1'
Administração. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que
são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 4ª Turma do
Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar
provimento ao apelo, nos termos do relatório, voto e notas
taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente
julgado. Porto Alegre, 29 de novembro de 2006. (TRF QUARTA
REGÌÃO; AC-APELAÇÃO CÌVEL ÷ 2003.71.06.001682-0; QUARTA
TURMA; Relator Des. Federal VALDEMAR CAPELETTÌ; DJU DATA:
21/02/2007).
4"1"1"1" ' v9nculo previdenciário e a obri>a?8o civil de prestar alimentos
A família, como base da sociedade, merece atenção especial do Estado
(art.226 da CF). Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é a
comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes (art.25).
A CF reconhece como entidades familiares: aquela originária do casamento;
a união estável entre homem e mulher; a comunidade formada por um dos pais e
seus descendentes.
No Direito de Família, a união estável - convivência pública, duradoura e
contínua com objetivo de constituição de família, entre homem e mulher (art. 1723
do CC) ÷ por sua própria definição, impede que sejam estendidos os seus efeitos ao
concubinato (art. 1.727 do CC) ou a uniões de pessoas do mesmo sexo. Todavia, no
Direito Previdenciário não há esta limitação, posto que, o seu interesse maior é
prestar a assistência material a entidade, não a preservação de seus valores.
Os que defendem a divisão em partes iguais, consoante dispõe o art. 77 da
legislação em comento, asseguram que em nada se assemelham a obrigação civil
de prestar alimentos, a qual se extingue com a morte, com o vínculo previdenciário
que surge após a morte do segurado, a qual vincula a ex-esposa alimentada à
Administração.
É de ser ressaltada a diferenciação entre a obrigação civil de prestar
alimentos, que se extingue com a morte do obrigado, e o vínculo previdenciário que
prende a ex-mulher, dependente econômica à Administração. Difere da assistência
previdenciária, a obrigação civil de prestar alimentos
1
.
Englobam os alimentos regidos pelo regramento civilista (DÌAS, 2006, p.
407) "tudo que é necessário para alguém viver com dignidade¨, incluindo as
1
Art. 1694 do CC. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os
alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive
para atender às necessidades de sua educação.
1)
despesas com educação (art. 1694 do CC). Os alimentos podem ser naturais ou
civis, o primeiro, visa assegurar a sobrevivência, o segundo, o padrão de vida do
alimentado.
4"1"2" &e>unda corrente =urisprudencial
A Terceira Turma do Tribunal regional Federal da Quarta Região, acerca do
assunto, anteriormente havia se manifestado no sentido de que a divorciada não
poderia ter sua pensão majorada em razão do falecimento do instituidor.
Senão, vejamos:
EMENTA: PENSÃO MÌLÌTAR DE DÌVORCÌADA- O Ìnstituto do
divórcio, nos termos da Lei n. 6.515/77, desfaz a sociedade
conjugal. Não admite à divorciada ter sua pensão majorada em
razão do falecimento do instituidor, até porque não é viúva. Deve
receber a mesma proporção que recebia, a título de pensão, quando
ainda em vida o alimentante. (TRF QUARTA REGÌÃO; AC-
APELAÇÃO CÍVEL ÷ 1996.0446149-4; TERCEÌRA TURMA; Rel.
Juíza MARÌA DE FÁTÌMA FREÌTAS LABARRÉRE; DJU
DATA:25/11/1998).
Assim como do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, pode-se
extrair posicionamento no sentido de o deferimento de pensão em cotas partes
iguais, diferente do fixado anteriormente por decisão transitada em julgado seria
uma afronta à coisa julgada, ou seja, afastaria a segurança jurídica. In verbis:

PREVÌDENCÌÁRÌO. PENSÃO POR MORTE-RATEÌO ENTRE VÌÚVA
E EX-ESPOSA. A ex-esposa desquitou-se do instituidor da pensão
por sentença homologatória de 17 de outubro de 1969, ficando
acordado que este pagaria, a título de pensão, o valor equivalente a
um salário mínimo. Sobrevindo o óbito do segurado, em 18 de maio
de 1997, no estado civil de casado com ora autora e recorrente,
habilitou-se esta à respectiva pensão previdenciária, regularmente
concedida. Ocorre, no entanto, que em setembro de 1998, a
autarquia-ré passou a ratear o benefício previdenciário na proporção
de 50%, para viúva e para a ex-esposa, forte no art. 77, caput, e §
2º do art.76, ambos da Lei nº 8.213/91. A legislação previdenciária
hodierna, deve ser interpretada de molde a preservar a coisa
julgada, que no caso é sujeita à cláusula rebus sic stantibus, sendo
assim, a referida decisão, passível de revisão judicial, em ação
autônoma, de molde a se aquilatar o binômio necessidade-
possibilidade, conforme pugnava o Decreto nº 89.312/84, art. 4º,
§2º. A atitude da autarquia-ré ao proceder o respectivo rateio, com
desprezo à sentença homologatória, não revisada judicialmente,
1*
implicou em ofensa à coisa julgada, fazendo jus a parte autora ao
recebimento das diferenças, até a concernente regularização
administrativa. Apelação provida. (TRF SEGUNDA REGÌÃO; AC-
APELAÇÃO CÌVEL ÷ 301627; Processo: 1999.51.01.074936-0;
SEXTA TURMA; Relator JUÌZ POUL ERÌK DYRLUND; DJU DATA:
06/05/2005).
ADMÌNÌSTRATÌVO. RATEÌO DE PENSÃO POR MORTE ENTRE A
VÌÚVA E EX-ESPOSA. PENSÃO ALÌMENTÍCÌA DEVÌDA À EX-
ESPOSA FÌXADA POR SENTENÇA DO JUÍZO DE FAMÍLÌA.
RESPEÌTO À COÌSA JULGADA. ÌNTELÌGÊNCÌA DOS ART. § 1º
ART. 128 DA LEÌ 8.112/90 e § 2º ART. 76 DA LEÌ 8.213/91.
Recurso de apelação interposto para reformar a sentença que
manteve a divisão igualitária de pensão por morte de servidor entre
a viúva e a ex-esposa. A interpretação da norma deve ser feita no
sentido de adequá-la à coisa julgada, expressa na sentença
proferida pelo Juízo de Família, que fixou os alimentos devidos à ex-
esposa em observância às necessidades da mesma. Reforma da
sentença para que o rateio respeite os alimentos fixados em ação
própria, devendo a viúva receber a diferença.Recurso parcialmente
provido. (TRF DA SEGUNDA REGÌÃO; APELAÇÃO CÌVEL ÷
PROCESSO N. 1999.51.01.059876-0; OÌTAVA TURMA
ESPECÌALÌZADA; Relatora JUÍZA MARÌA ALÌCE PAÌM LYARD;
26/09/2006).
Do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, é possível mencionar que,
há decisões no sentido de que, com base do benefício ser oriundo da relação
conjugal, há que ser mantido o valor fixado em sede de obrigação alimentar:
ADMÌNÌSTRATÌVO. MÌLÌTAR. PENSÃO. ORDEM DE PRÌORÌDADE.
RATEÌO. EX-ESPOSA, VÌÚVA E FÌLHA. LEÌ 3.765/60. A parcela
deixada à viúva se sujeita à rateio, com a ex-esposa pensionada ou
companheira, eis que o direito de ambas origina-se da relação
conjugal. A cota-parte da pensão devida à ex-esposa deve guardar
proporção com os proventos que auferia quando o de cujus ainda
era vivo, em face de acordo realizado por ocasião do divórcio.
Consoante dispõe a legislação de regência, os filhos oriundos de
outro matrimônio, ou de outro leito, fazem jus à metade da pensão.
Portanto, a metade da filha não pode ser alcançada para fins de
rateio com a mãe. (TRF QUARTA REGÌÃO; APELAÇÃO CÍVEL N.
2001.04.01.078846-7/RS; TERCEÌRA TURMA; RELATORA JUÍZA
TAÍS SCHÌLLÌNG FERRAZ, 30/02/2002).
ADMÌNÌSTRATÌVO. PENSÃO MÌLÌTAR DE DÌVORCÌADA. O Ìnstituto
do divórcio, nos termos da Lei nº 6.515/77, desfaz a sociedade
conjugal. Não se admite à divorciada ter sua pensão majorada em
razão do falecimento do instituidor, até porque não é viúva. Deve
receber a mesma proporção que recebia, a título de pensão, quando
ainda em vida o alimentante. Apelação e remessa oficial improvidos.
(TRF QUARTA REGÌÃO; APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.
96.04.46149-4/RS; TERCEÌRA TURMA; Relatora JUÍZA MARÌA DE
FÁTÌMA FREÌTAS LABARRERE; DJU 25/10/1998).
1+
Diante de tais decisões judiciais, é possível visualizar que não há ainda,
nem mesmo dentro de um mesmo órgão, um posicionamento firmado sobre o
referido assunto.
Dessa maneira, nos resta analisar, pormenorizadamente, os aspectos
constitucionais que envolvem a matéria, uma vez que, estes são a base legal de
todo ordenamento jurídico pátrio e não há como negar a devida relevância que tais
aspectos assumem frente ao direito em tela.
4. A&P%C-'& #(-%RPR%-A-#V'& % C'(&-#-@C#'(A#& )A 1%#
Consoante o já pisado e repisado, o Direito Previdenciário está diretamente
ligado com a finalidade protetiva, social e de caráter alimentar, tanto na interpretação
dos textos que regulam a matéria, quanto no exame do caso concreto, se fazendo,
portanto, necessária uma análise constitucional, assentada nos princípios
norteadores da proteção e garantia dos direitos fundamentais, posto que, tais
benefícios se constituem em Direitos Sociais protegidos pela Carta Magna.
Por outro lado, de igual sorte importante para a aplicação da lei, é a sua
análise e interpretação técnica. Nessa esteira, assenta seu entendimento Moreira
(2004, p. 5):
Os estudiosos do fenômeno processual já há muito se deram
conta de que sua missão não podia resumir-se em conjugar com
engenho e arte peças de textos legais para levantar construções
arquitetonicamente majestosas. A tempo passaram a incluir em seu
campo de observação elementos políticos, sociais, econômicos,
culturais que permitissem o acesso a uma visão global e a uma
perspectiva mais fecunda.
Dessa maneira, se faz mister que se analise a legislação e compreenda seu
significado e sua intenção para que posteriormente possa ser aplicada ao mundo
dos fatos.
Para tanto, dispõe o legislador de algumas técnicas de interpretação, das
quais serão algumas brevemente abordadas posteriormente.
1,
5"1" PR#(C0P#'& )A #:@A1)A)% % )A #&'('$#A
A CF de 1988 elenca, em seu preâmbulo, a igualdade como objetivo
precípuo do Estado Democrático de Direito, estabelecendo no caput do seu art. 5º
que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade¨.
Sendo assim, cabe ressaltar que, assegurar a igualdade não significa
atribuir tratamento igual às pessoas que, sendo desiguais, merecem tratamento
diferenciado, como vistas a assegurar essa isonomia prevista na Carta Magna.
Ou seja, os iguais serão tratados de forma igual e os desiguais, de forma
desigual, na medida de suas desigualdades.
Dessa maneira, tem-se que os direitos não devem ser concedidos em
porções iguais a todos, mas distribuídos de acordo com as necessidades individuais
e peculiaridades do caso concreto, ou seja, tratar desigualmente os desiguais.
Dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e
desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades.
Ìgualdade no sentido de garantia constitucional fundamental quer significar
isonomia real, substancial e não meramente formal (NERY JUNÌOR, Nelson; NERY,
Maria 2006, p.128).
Portanto, conclui-se que a isonomia constitucional abarca desigualações,
não vendando, assim, de forma absoluta a diferenciação de tratamento, sendo
relevante, o caso concreto para que se verifique o tratamento a ser dispensado.
Outrossim (SÌLVA, J. 2005, p.215):
Quando se diz que o legislador não pode distinguir, isso não significa
que a lei deva tratar todos abstratamente iguais, pois o tratamento igual ÷
esclarece Petzold ÷ não se dirige a pessoas integralmente iguais entre si,
mas àquelas que são iguais sob os aspectos tomados em consideração
pela norma, o que implica que os 'iguais' podem diferir totalmente sob
outros aspectos ignorados ou considerados como irrelevantes pelo
legislador.
Assim sendo, o permissivo constitucional do princípio da isonomia, previsto
no art. 5º, caput, da referida legislação, representa o dever jurídico atribuído ao
2-
Estado e a todos os cidadãos de tratar igualmente os iguais e desigualmente os
desiguais, o que, em outras palavras, corresponde à justa distribuição.
Cabe ressaltar que tais princípios não devem apenas ser analisados
isoladamente, e sim devem ser aplicados em toda e qualquer análise à legislação.
Dessa maneira, é de salutar importância a análise dos princípios
supramencionados, uma vez que a Lei Maior não representa apenas um acervo de
boas intenções e sim existe para ser exercitada, ou seja, para que faça valer as
disposições nela contidas, devendo ser estas, observadas pelo julgador na
aplicabilidade do direito no exercício da jurisdição, ao tempo do aporte da lide no
Poder Judiciário.
5"2" C'#&A A@1:A)A
O instituto da coisa julgada fundamenta-se na imperiosa necessidade de se
pôr um termo à apreciação judicial de uma lide através do processo, conduzindo os
destinatários das decisões judiciais a uma situação de segurança jurídica, para que
se torne imutável a decisão (SÌLVA, Ì. 2005).
Do inciso XXXVÌ, do art. 5º do texto constitucional extrai-se:
Art.5º...
omissis!
XXXVÌ- A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito
e a coisa julgada;
Ainda, o artigo 467 do Código de Processo Civil (CPC) define a coisa
julgada material como "a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não
mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário".
Dessa maneira, tem-se que a sentença de mérito que não contenha vícios
ou nulidades, transitada em julgado, não pode ser modificada. Nessa esteira (NERY
JUNÌOR, Nelson; NERY, Maria 2006, p.133):
A norma protege a coisa julgada material (auctoritas rei
iudicatae), entendida como a qualidade que torna imutável e
indiscutível o comando que emerge da parte dispositiva da sentença
de mérito não mais sujeita a recurso ordinário e extraordinário (CPC
21
467; LÌCC 6º, §3º), nem à remessa necessária do CPC 475 (STF
423; Barbosa Moreira, "emas #.$,107).
Dessa forma, tem-se que a coisa julgada, no entendimento do legislador, é a
eficácia da sentença, tornando-a imutável após esgotadas todas as possibilidades
de recurso cabíveis.
Ademais, a coisa julgada material se verifica quando a decisão põe fim a
lide, fazendo com que determinada pretensão oriunda relação jurídica se torne
imutável, de modo que esta não possa ser objeto de reforma em sentido contrário.
Outrossim, a coisa julgada é instituto protegido pela Carta Magna, que,
juntamente com os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, previstos
como direitos fundamentais do ordenamento jurídico brasileiro, consagra os
princípios constitucionais da segurança e da certeza jurídicas.
Cabe ressaltar que essas matérias constituem cláusulas pétreas, não
podendo ser suprimidas por Emenda Constitucional (inciso ÌV, §4º do art. 60 da CF).
A coisa julgada se faz presente em nosso ordenamento jurídico para trazer
maior segurança jurídica e paz social às relações do homem na sociedade.
A segurança jurídica possui um valor instrumental, conquanto da maior
relevância, com relação ao processo, visando a salvaguardar a paz jurídica e a
credibilidade do poder jurisdicional (SÌLVA, Ì. 2005).
A sentença transitada em julgado, forte no artigo 468 do CPC, faz lei entre
as partes, ou seja, uma vez esgotado o prazo para recurso, a disposição contida no
ato decisório, regerá a relação jurídica decidida.
5"4" .%R$%(6@-#CA A@R0)#CA
Antes de aplicar a lei ao caso concreto que se lhe apresenta, cabe ao
julgador observar a hipótese de incidência contida na norma, e, posteriormente
proceder a interpretação da lei, posto que o momento da aplicação da norma
positiva se dá quando a autoridade judicante se manifesta.
Nessa esteira (DÌNÌZ, 1995, p.274):
Deveras, a norma jurídica só se movimenta ante um fato
concreto, pela ação do magistrado, que é o intermediário entre a
norma e a vida ou o instrumento pelo qual a norma abstrata se
22
transforma numa disposição concreta, regendo uma determinada
situação individual.
Na aplicabilidade da lei ao caso concreto, se dá a subsunção do fato à
norma. Para que haja essa subsunção (DÌNÌZ, 1995, p.275) "é necessária uma
interpretação para saber qual a norma incide sobre o caso sub judice¨, ou seja, se
faz necessária a interpretação, uma vez que, por mais clara que a norma se faça, é
imprescindível a sua interpretação contextualizada. Uma vez que (DEGNÌ apud
DÌNÌZ, 1995, p.381):
A clareza de um texto legal é coisa relativa. Uma mesma
disposição pode ser clara em sua aplicação aos casos mais
imediatos e pode ser duvidosa quando se a aplica a outras relações
que nela possam enquadrar e às quais não se refere diretamente, e
a outras questões que, na prática, em sua atuação, podem sempre
surgir. Uma disposição poderá parecer clara a quem examinar
superficialmente, ao passo que se revelará tal a quem a considerar
nos seus fins, nos seus precedentes históricos, nas suas conexões
com todos os elementos sociais que agem sobre a vida do direito na
sua aplicação a relações que, como produto de novas exigências e
condições, não poderiam ser consideradas, ao tempo da formação
da lei, na sua conexão com o sistema geral do direito positivo
vigente.
Diante ao exposto, depreende-se que, ao interpretar a norma, deve-se
procurar compreendê-la, englobando seus fins e valores que pretende atingir. Sendo
assim, o ato interpretativo não se resume em mera leitura a letra fria da lei.
Dessa maneira, tem-se que a hermenêutica contém as regras que fixam os
critérios e princípios que deverão nortear a interpretação, ou seja, é o seu
instrumento de realização.
5"4"1" -BC(#CA& #(-%RPR%-A-#VA&
Com vistas à orientar a tarefa do intérprete há várias técnicas, também
chamados processos interpretativos para auxiliá-lo na sua atividade. Quais sejam:
gramatical ou literal, lógico, sistemático, histórico e sociológico ou teleológico.
Embora devam ser aplicados em seu conjunto, os métodos mais apurados
são a interpretação sistemática e a interpretação teleológica, os quais são
abordados adiante.
2%
Dessa maneira, tem-se que não pode o juiz, ao analisar o caso concreto,
ater-se somente ao sentido literal ou gramatical da lei, ou seja, a sua letra fria, deve,
sim, buscar a razão da lei, seu espírito, qual o seu fundamento, com vistas a
proporcionar a subsunção do fato à norma. Uma vez que,
a melhor exegese não é a que se apega à restrita letra fria da lei,
mas a que seja fiel ao espírito da norma a ser aplicada, dando-lhe
sentido construtivo, que venha a atender aos verdadeiros interesses
e reclames sociais, assim como corresponda às necessidades da
realidade presente
1
.
Pela técnica gramatical (DÌNÌZ, 1995, p.388),
também chamada literal, semântica ou filosófica, o hermeneuta busca
o sentido literal do texto normativo, tendo por tarefa estabelecer uma
definição, ante uma indeterminação semântica dos vocábulos
normativos, (...). Então, o primeiro passo na interpretação seria
verificar o sentido dos vocábulos do texto, ou seja, sua
correspondência com a realidade que eles designam.
Dessa maneira, tem-se que a técnica gramatical é o primeiro passo para a
boa interpretação da lei posta em estudo, pois a compreensão desta não se resume
apenas a isso, vai além. Justamente por esse motivo é que se verifica a importância
da interpretação sistemática para que seja atingido o fim almejado pelo Direito
Previdenciário.
Portanto, na análise interpretativa se faz mister a inserção da norma dentro
de um universo legal para que possa ser alcançado o seu fim, ou seja, inseri-la num
contexto com vistas a atingir a ratio do preceito normativo.
Diante ao exposto, mostra-se de grande importância, que o julgador, ao
analisar as normas previdenciárias atinentes a um caso concreto, assim o faça à luz
das situações que surgirem no seio das relações sociais, as quais devem ser
tuteladas pelo direito, posto que, não podem ser desprezadas a realidade fática e o
contexto jurídico nas quais estão inseridas.
C" C'(C1@&+%&
1
Garcia Ferreira. Manifestou-se nesse sentido no REsp 380.506/RS, 1ª Turma, unanimidade, DJ
08/04/2002, pág.152. Disponível em <http://www.stj.gov.br/webstj/PublicidadeDocumentos/Temporari-
os/20051010/580265/FPÌ_200400655948_51_1986306.pdf> Acesso em: 15 maio 2007
2&
No Direito Previdenciário, há que ser levado em consideração, na
interpretação da legislação pertinente, o seu objetivo, qual seja, a garantia dos
meios indispensáveis a manutenção da vida de seus beneficiários, consoante dispõe
o art. 1º da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991.
Como se pode perceber, até o presente momento não houve uma unificação
no que tange ao entendimento aplicável ao rateio da pensão por morte entre a viúva
e a ex-esposa alimentada.
O que se extrai através do estudo da legislação previdenciária é seu caráter
assistencial, presente em todo o ordenamento que rege a matéria.
Devido à este caráter predominantemente assistencial, tem-se que o Direito
Previdenciário afasta-se do Direito de Família, o qual centra-se na preservação da
célula familiar e de seus valores. Todavia, cada qual na sua esfera, possuem um
objeto em comum: as relações em família.
Portanto, após compreendermos, num aspecto geral, o que é pensão por
morte e o vínculo previdenciário, é possível entender a dicotomia existente entre as
duas correntes jurisprudenciais que tratam sobre o rateio entre viúva e ex-esposa.
Dessa maneira, tem-se que não existe um posicionamento incorreto a
respeito do assunto, pois ambos lastreiam seus entendimentos na lei.
O que pode, porventura ocorrer, é que se perceba que um deles não é o
mais acertado, posto que, a história demonstra que a vida em sociedade e os
sistemas jurídicos vêm sofrendo, dia após dia, inúmeras transformações e dessas
transformações, nascem outras concepções jurídicas, devido às exigências do
dinamismo das relações humanas, o que certamente, é sinônimo da evolução do
pensamento.
Dessa maneira, tem-se que a paz social é fruto da aplicação da lei. Tendo o
Estado avocado para si o poder-dever de dizer o direito, ou seja, a função
jurisdicional, esta deve ser exercida através dos seus julgadores, da melhor maneira
possível.
Sendo assim, deve o Estado, através de seus representantes, proporcionar
aos jurisdicionados através de seus julgados a manutenção da harmonia e paz
social indispensáveis à vida em sociedade.
2'
Diante ao exposto, apenas nos resta, ressaltar a importância de uma análise
mais atenta da lei, posto que estas, muitas vezes, abre margem para interpretações
diversas, sob o mesmo prisma, como ocorre no caso que foi posto em discussão.
D" R%/%R6(C#A& 2#21#':R3/#CA&
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