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TEXTO PARA ESTUDO

Um Espírito sofredor se apresenta sob o nome de OURAN, anteriormente príncipe russo.
P. Quereis nos dar alguns detalhes sobre a vossa situação?
R. Oh! Bem-aventurados os humildes de coração, o reino do céu lhes pertence! Orai por
mim. Bem-aventurados são aqueles que, humildes de coração, escolhem, para passarem sua
s provas, uma posição modesta! Não sabeis, vós todos que a inveja devora, a qual estado
que está reduzido um daqueles a que chamais os felizes da Terra; não sabeis as brasa
s ardentes que acumulam sobre sua cabeça; não sabeis os sacrifícios que a riqueza impõe
quando se quer aproveitá-la para a salvação eterna! Que o Senhor me permita, a mim, or
gulhoso déspota, vir expiar, entre aqueles que esmaguei com a minha tirania, os cr
imes que o orgulho me fez cometer! Orgulho! Repeti esse nome sem cessar para que
jamais vos esqueçais que ele é a fonte de todos os sofrimentos que nos oprimem! Sim
, abusei do poder e do favor dos quais gozava; fui duro, cruel, para os meus inf
eriores que deveriam curvar-se a todos os meus caprichos, satisfazer todas as mi
nhas depravações. Quis para mim a nobreza, as honras, a fortuna, e sucumbi sob o pes
o que tomei acima de minhas forças.
Os Espíritos que sucumbem, geralmente, são levados a dizerem que tinham uma carga ac
ima de suas forças; é um meio de se excusar aos próprios olhos, e ainda um resto do or
gulho: eles não admitem ter falido por suas faltas. Deus não dá a ninguém acima do que s
e pode carregar; não pede a ninguém mais do que se possa lhe dar; não exige que a arvo
re nascente carregue os frutos daquela que tem todo o seu crescimento. Deus dá aos
Espíritos a liberdade; o que lhes falta é a vontade, e a vontade depende só deles; co
m a vontade, não há inclinações viciosas que não se possam vencer; mas, quando se compraz
numa tendência, é natural que não se façam esforços para superá-la. Não é necessário, portan
não tomar a si as conseqüências que disso resultem.
P. Tendes a consciência de vossas faltas, é um primeiro passo para a melhoria.
R. Esta consciência é ainda um sofrimento. Para muitos Espíritos, o sofrimento é um efei
to quase material, porque, agarrados ainda à humanidade de sua última existência, não pe
rcebem as sensações morais. O meu Espírito está desligado da matéria, e o sentimento moral
aumentou de tudo o que as sensações cruas físicas tinham de horrível.
P. Entrevedes um fim para os vossos sofrimentos?
R. Sei que não serão eternos; o fim não entrevejo ainda; me é necessário antes recomeçar a p
rova.
P. Esperais recomeçar hoje?
R. Não sei ainda.
P. Tendes a lembrança de vossos antecedentes? Eu vos pergunto com um fim instrutiv
o.
R. Sim, teus guias aí estão e sabem o que te é necessário. Vivi sob Marco Aurélio. Ali, po
deroso ainda, já sucumbi pelo orgulho, causa de todas as quedas. Depois de errar p
or séculos, quis experimentar uma vida obscura. Pobre estudante, mendiguei o meu pão
, mas o orgulho aí estava sempre; o Espírito adquirira em ciência, mas não em virtude.
Sábio e ambicioso, vendi a minha alma a quem mais desse, servindo para todas as vi
nganças, todos os ódios. Sentia-me culpado, mas a sede de honrarias, de riquezas, ab
afava os gritos de minha consciência. A expiação ainda foi longa e cruel. Enfim, quis,
na minha ultima encarnação, recomeçar uma vida de luxo e de poder; pensando dominar o
s escolhos, não escutei os avisos: orgulho que ainda me levou a fiar no meu próprio
julgamento, antes que no daqueles amigos protetores que não cessam de velar sobre
nós; sabes o resultado desta última tentativa.
Hoje, enfim, compreendo e espero na misericórdia do Senhor. Deponho aos seus pés o m
eu orgulho vencido, e peço-lhe carregar as minhas espáduas com o mais pesado fardo d
e humildade; com a ajuda de sua graça, o peso parecer-me-á leve. Orai comigo e para
mim; orai também para que este demônio de fogo não devore em vós os instintos que vos el
evam para Deus. Irmãos em sofrimento, que o meu exemplo vos sirva, e nunca olvidei
s que o orgulho é o inimigo da felicidade, porque dele decorrem todos os males que
assaltam a Humanidade e a perseguem até nas regiões celestes.
O guia do médium Tivestes dúvidas sobre este Espírito, porque a sua linguagem não te par
eceu de acordo com o seu estado de sofrimento, que acusa a sua inferioridade. Não
temas: recebeste uma instrução séria; por sofredor que este Espírito seja, ele é bastante
elevado em inteligência, para falar como o fez. Não lhe falta senão a humildade, sem a
qual nenhum Espírito pode chegar a Deus. Essa humildade ela a conquista agora, e
esperamos que, com a perseverança, saíra triunfante de uma nova prova.
Nosso Pai celeste é cheio de justiça em sua sabedoria; leva em conta os esforços que o
homem faz para domar os seua maus instintos. Cada vitória obtida sobre vós mesmos é u
m degrau transposto nessa escala da qual uma extremidade se apóia na vossa Terra,
e da qual a outra se detém aos pés do Juiz supremo. Subi, pois, com ardor; eles são ag
radáveis a vencer para aqueles que têm a vontade forte. Olhai sempre para o alto, pa
ra vos encorajar, porque infeliz daquele que se detém e olha para trás! É então atingido
pelo deslumbramento, o vazio que o cerca o apavora; acha-se sem força e diz: De q
ue serve querer avançar ainda? Tão pouco fiz do caminho! Não, meus amigos, não olheis pa
ra trás. O orgulho está incorporado no homem; pois bem! Empregai esse orgulho para v
os dar a força e a coragem para rematar a vossa ascensão. Empregai-o para dominar as
vossas fraquezas, e subirdes ao cume da montanha eterna.
QUESTÕES PARA ESTUDO
1.Por que os Espíritos que sucumbem nunca aceitam que eram eles mesmos os culpados
, sempre dizendo que carregavam um fardo maior do que agüentavam?
2.Para muitos Espíritos, o que seria o sofrimento?
3.Segundo Ouran, o que seria o orgulho?
4.O guia do médium disse que ele não deveria duvidar desta mensagem. Qual a justific
ativa?
5.Ainda segundo o guia do médium, o que caracteriza a justiça na sabedoria divina?
Conclusão:
CONCLUSÃO
1.Porque é um meio de se desculpar aos seus próprios olhos e, ainda, um resto de org
ulho. Eles não admitem falhar por seus erros. Deus não dá a ninguém acima do que pode ca
rregar; não pede a ninguém mais do que se possa lhe dar; não exigem que a árvore nascent
e carregue os frutos daquela que tem todo o seu crescimento. Deus dá aos Espíritos a
liberdade; o que lhes falta é a vontade, e ela depende só deles. Com a vontade, não há
inclinações viciosas que não se possam vencer. Mas, quando se compraz numa tendência, é na
tural que não se façam esforços para superá-la. Não é necessário tomar senão a si as conseqü
ue disso resultem.
2.Seria um efeito quase material, porque ainda estão agarrados à sua última existência,
não percebendo as sensações morais.
3.O inimigo da felicidade, porque dele decorrem todos os males que assaltam a Hu
manidade e a perseguem até nas regiões celestes.
4.Ele disse que Kardec teria dúvidas devido à linguagem usada pelo Espírito, que não tin
ha lhe parecido de acordo com o seu estado de sofrimento, que acusa sua inferior
idade. Disse que não temesse, pois havia recebido uma instrução séria; por sofredor que
o Espírito seja, ele é bastante elevado em inteligência, para falar como o fez. Não lhe
falta senão a humildade, sem a qual nenhum Espírito pode chegar a Deus. Essa humilda
de ele conquistaria naquele momento e, com perseverança, sairia triunfante de uma
nova prova.
5.Deus é cheio de justiça em sua sabedoria: leva em conta os esforços que o homem faz
para domar os seus maus instintos. Cada vitória obtida sobre vós mesmos é um degrau tr
ansposto nessa escala da qual uma extremidade se apóia na vossa Terra, e da qual a
outra se detém aos pés do Juiz supremo.