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DECISÃO

MANDADO DE INJUNÇÃO. ALEGADA AUSENCIA DE
NORMA REGULAMENTADORA DO ART. 40, § 4º,
INC. III, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
MANDADO DE INJUNÇÃO CONCEDIDO EM PARTE
PARA ASSEGURAR A APLICAÇÃO DO ART. 57 DA
LEI N. 8.213/91, NO QUE COUBER.
Relatório
1. Mandado de injunção impetrado por Leonardo de Gil Torres, em
16.9.2009, contra pretensa omissão legislativa atriu!da ao "residente da
#ep$lica.
2. % &mpetrante in'orma ser pro'essor da (niversidade )ederal #ural
do #io de *aneiro +admitido em 29.08/1990 sob o regime celetista,
passando para o Regime Jurídico Único em 11.12.1990, -'l. 2..
/'irma 0ue `exerce função em condições insalubres em seu grau máximo,
desde a data de sua admissão até a presente data, razão pela qual recebe
os proventos pertinentes ao exercício da atividade em condições
especiais, que prejudicam a saúde ou a sua integridade física (...) 1e2
declara ainda que percebe adicional de insalubridade" -'l. 3..
/lega 0ue `a Constituição Federal, em seu artigo 40, parágrafo 4º,
não exclui a aposentadoria diferenciada para os servidores caracterizados
nos incisos I, II e III, contudo esta ressalva no artigo depende de norma
regulamentar, cuja competência exclusiva é do Presidente da República,
que até a presente data não regulamentou" -'l. 3..
"ede seja `determin1ada a2 averba1ção2 na ficha funcional do
impetrante (...) a contagem de tempo em regime especial de insalubridade
para o fim de aposentadoria especial a partir de 1990, quando passou ao
regime estatutário, aplicando-se ao caso concreto o art. 57 da Lei
8.213/91" -'l. 4..
3. 5m 20.9.2009, 'i6ei pra7o para o &mpetrante emendar a inicial, o
0ue se deu em 8.10.2009 -'ls. 26931..
4. 5m 3.11.2009, o "residente da #ep$lica, representado pelo
/dvogado9Geral da (nião, mani'estou9se pelo não caimento da presente
ação, ao argumento de 0ue +o Impetrante quer fazer uso do mandado de
injunção como sucedâneo de mandado de segurança, -'l. 44. e 0ue não se
permitiria dilação proat:ria em mandado de injunção.
/rgumentou 0ue `o direito de aposentar é garantido a todos que
preencham os requisitos que dispõe a Constituição Federal e a legislação
correlata de aposentadoria" -'l. 48..
#elatou, ainda, 0ue +estudos esta1riam2 sendo concluídos para o
projeto de lei complementar, a ser encaminhado ao Congresso Nacional,
objetivando regulamentar o § 4º, do art. 40, da Constituição Federal, -'l.
48..
5. % "rocurador9Geral da #ep$lica mani'estou9se `pela procedência
parcial do pedido, de modo que se reconheça o direito do impetrante de
ter a sua situação analisada pela autoridade administrativa competente a
luz da Lei n. 8.213/91, no que se refere especificamente ao pedido de
concessão da aposentadoria especial de que trata o art. 40, § 4º, da
Constituição" -'l. ;4..
/nalisados os elementos <avidos nos autos, DECIDO.
6. 5m preliminar, analiso a alegada inade0uação da via eleita pelo
&mpetrante, em ra7ão do 0ue argumentado pelo "residente da #ep$lica.
=ustenta o &mpetrado 0ue o presente mandado de injunção não seria
ca!vel, pois o e6ame das condiç>es a 0ue estaria sumetido o &mpetrante
demandaria dilação proat:ria.
?i'erentemente do 0ue sugerido pelo &mpetrado, o pedido veiculado no
presente mandado de injunção tem como 'undamento a aus@ncia de norma
regulamentadora do art. 40, A 4B, da Constituição da #ep$lica.
Dão se usca a anElise dos re0uisitos e6igidos para a aposentação
especial, mas sim a integração normativa pela ine6ist@ncia de norma
regulamentadora de tal direito, ra7ão pela 0ual rejeito essa preliminar.
7. % mandado de injunção F ação constitucional de nature7a
mandamental, destinada a integrar a regra constitucional ressentida, em
sua e'icEcia, pela aus@ncia de norma 0ue assegure a ela o vigor pleno.
/ respeito da decisão integrativa do mandado de injunção, escreviG
`a ação de mandado de injunção realiza-se como eixo integrador
da relação jurídica formulada pela regra constitucional
estatuidora do direito, liberdade ou prerrogativa e o seu
exercício. Como ordem formal de integração da regra
constitucional, o mandado expedido pela ação torna plenamente
eficaz o que a letra da lei fez dependente de plenificação de
conteúdo por norma, cuja ausência comprometeu a existência
mesma da regra e obstou, inicialmente, o exercício. A
eficiência total do direito faz-se imposição por via da ordem
exarada na ação de injunção e passa a valer a se exercer
direito, a liberdade ou prerrogativa constitucional segundo o
modelo cunhado judicialmente nesse remédio.
O mandado expedido na ação em causa torna definido, certo e
concreto o comando normativo constitucional, inteirando-o em
sua conceituação e possibilitando a plena produção dos seus
efeitos típicos para o impetrante.
O que se busca, pois, no mandado de injunção é que o Poder
Judiciário integre a regra jurídica constitutiva ou
assecuratória do direito ou prerrogativa enfocada na hipótese
concreta com os elementos de que carece para que possa ter
inteira aplicação e com os meios que lhe faltam para que possa
ser plenamente efetivada nos termos constitucionalmente
previstos e que persistem como lacunas por balda de norma
prevista e que não adveio" -% mandado de injunção na ordem
constitucional rasileira. Análise & Conjuntura, v. 3, n. 3, p.
12919, set.Hde7. 19II..
`O sentido especial e inédito desta ação de Mandado de Injunção
é que a sua concessão importa em não mandar que alguém faça a
regulamentação que viabiliza o Direito Constitucional
demonstrado no processo, mas fazer-se esta viabilização na
própria ação. A ação de mandado de injunção realiza a
integração do direito, liberdade ou prerrogativa constitucional
ao fato sobre o qual deve ele se fazer valer, sem que se tenha
que aguardar a superveniência de norma regulamentadora que
realizaria, se tivesse sido positivada, oportuna e celeremente,
o atributo da eficácia normativa constitucional.
O Mandado de Injunção é o instrumento que dá movimento a norma
constitucional mantida em seu estado inercial por ausência de
norma regulamentadora (infraconstitucional) que possibilitasse
eficazmente a sua aplicação.
A aplicação plena do direito faz-se, pois, neste caso, por
ordem judicial exarada na ação de injunção e passa a valer e a
se exercer o direito, a liberdade ou prerrogativa
constitucional segundo o modelo definido na decisão judicial a
que se tenha chegado naquele processo.
A ordem de injunção, expedida na ação em causa, torna definido,
certo e concreto o comando normativo constitucional,
inteirando-o em sua conceituação e possibilitando a plena
produção de seus efeitos típicos para o impetrante.
O que se busca, pois, no Mandado de Injunção é que o Poder
Judiciário integre a norma jurídica constitutiva ou
declaratória de direito, liberdade ou prerrogativa, enfocada
na hipótese concreta, com os elementos de que carece e com os
meios que lhe faltem para que possa ser perfeitamente
efetivada nos termos e com sentido constitucionalmente
previsto e que persistiam, até o advento da decisão judicial,
como inoperantes por baldos de norma prevista que não veio a
tempo certo permitindo a sua eficiente aplicação. -Princípios
Constitucionais dos Servidores Públicos. =ão "auloG =araiva,
1999, p. 3;I9360..
Tem9se, a0ui, portanto, a ade0uação da via eleita pelo &mpetrante
para uscar o 0ue postula ser seu direito J aposentação especial, em 'ace
das peculiaridades do e6erc!cio do cargo p$lico 0ue ocupa.
8. Da espFcie a0ui apreciada, o &mpetrante alega aus@ncia de norma
regulamentadora do art. 40, A 4B, inc. &&&, da Constituição rasileira, a
impossiilitar o e6erc!cio do seu direito J aposentadoria especial.
5sses dispositivos constitucionais estaelecemG
`Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas
suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência
de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do
respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos
pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio
financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
-....
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados
para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de
que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em
leis complementares, os casos de servidores:
(...)
III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais
que prejudiquem a saúde ou a integridade física"
/ norma constitucional imp>e, portanto, regulamentação espec!'ica
-lei complementar., por meio da 0ual se de'ina a inteire7a do conte$do
normativo a viaili7ar o e6erc!cio da0uele direito insculpido no sistema
'undamental.
9. 5m 2;.10.2008, o "lenErio do =upremo Triunal )ederal julgou os
Mandados de &njunção 68095=, 80I9?) e 8129"/, os dois primeiros de
relatoria do Ministro Gilmar Mendes e o $ltimo, de relatoria do Ministro
5ros Grau, nos 0uais se pretendia a garantia aos servidores p$licos do
e6erc!cio do direito de greve previsto no art. 38, inc. K&&, da
Constituição da #ep$lica.
Da0ueles julgamentos, ressaltou9se 0ue o =upremo Triunal )ederal
a'astou9se da orientação primeira no sentido de limitar9se J declaração da
mora legislativa e, sem a'ronta ao princ!pio da separação de poderes, por
não l<e competir o e6erc!cio de atividade legislativa, passou a +aceitar
a possibilidade de uma regulação provisória pelo próprio Judiciário.
(...) Assim, tendo em conta que ao legislador não seria dado escolher se
concede ou não o direito de greve, podendo tão-somente dispor sobre a
adequada configuração da sua disciplina, reconheceu-se a necessidade de
uma solução obrigatória da perspectiva constitucional" -&n'ormativo n.
4I;..
?e igual 'orma, mandados de injunção 'oram impetrados no =upremo
Triunal )ederal ao argumento da 'alta de norma regulamentadora do art.
40, A 4B, da Constituição da #ep$lica, o 0ue inviaili7aria o e6erc!cio
dos direitos constitucionais dos servidores p$licos 0ue traal<am so
condiç>es nele especi'icadas de oter a denominada aposentadoria especial.
10. 5m 30.I.2008, no julgamento do Mandado de &njunção 821, #elator o
Ministro Marco /urFlio, o "lenErio do =upremo Triunal )ederal julgou
parcialmente procedente o mandado de injunção impetrado por servidora
p$lica ocupante do cargo de au6iliar de en'ermagem 0ue pleiteava 'osse
integrada a lacuna legislativa para 0ue se pudesse recon<ecer o seu
direito J aposentadoria especial decorrente de traal<o reali7ado <E mais
de 2; anos em amiente insalure, nos termos seguintesG
`MANDADO DE INJUNÇÃO - NATUREZA. Conforme disposto no inciso
LXXI do artigo 5º da Constituição Federal, conceder-se-á
mandado de injunção quando necessário ao exercício dos direitos
e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes a
nacionalidade, a soberania e a cidadania. Há ação mandamental e
não simplesmente declaratória de omissão. A carga de declaração
não é objeto da impetração, mas premissa da ordem a ser
formalizada. MANDADO DE INJUNÇÃO - DECISÃO - BALIZAS. Tratando-
se de processo subjetivo, a decisão possui eficácia considerada
a relação jurídica nele revelada. APOSENTADORIA - TRABALHO EM
CONDIÇÕES ESPECIAIS - PREJUÍZO À SAÚDE DO SERVIDOR -
INEXISTENCIA DE LEI COMPLEMENTAR - ARTIGO 40, § 4º, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Inexistente a disciplina específica da
aposentadoria especial do servidor, impõe-se a adoção, via
pronunciamento judicial, daquela própria aos trabalhadores em
geral - artigo 57, § 1º, da Lei nº 8.213/91" -?* 30.11.2008..
11. 5mora o &mpetrante 0uestione, na presente ação, a aus@ncia de
norma regulamentadora do art. 40, A 4B, da Constituição da #ep$lica,
alterada pela 5menda Constitucional n. 48, de ;.8.200;, em outuro de
200I, a aus@ncia de lei complementar para regulamentar essa matFria
comemorou vinte anos, pois, na norma constitucional originEria, o A 1B do
art. 40 dispun<a 0ue +lei complementar poderá estabelecer exceções ao
disposto no inciso III, LaL e 'cL, no caso de exercício de atividades
consideradas penosas, insalubres ou perigosas".
/o comentar o art. 40, A 4B, da Constituição da #ep$lica, *osF /'onso
da =ilva e6plica os direitos sociais e previdenciErios do servidor p$lico
e en'ati7a 0ueG
`'Servidor Público' é uma categoria importante de trabalhador;
importante porque a ele incumbem tarefas sempre de interesse
público. (...) Em princípio, é vedada a adoção de requisitos e
critérios 1para a aposentadoria2 diferentes dos [abrangidos
pelo art. 40 e §§, da Constituição da #ep$lica2, ressalvados,
nos termos definidos em lei complementar, os casos de
servidores portadores de deficiência ou que exerçam atividades
de risco e aqueles cujas atividades sejam exercidas sob
condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade
física (15menda Constitucional n. 48H200;2.. Lembre-se que o §
1º do art. 40 na redação original era específico, permitindo a
redução de tempo de serviço para fins de aposentadoria no caso
de atividades consideradas penosas, insalubres ou perigosas. O
texto da Emenda Constitucional n. 20/98 é mais aberto, mas é
razoável pensar que a lei complementar vai incluir as
atividades penosas, insalubres e perigosas, que são as mais
suscetíveis de prejudicar a saúde e a integridade física. Por
isso, manteremos, aqui, a consideração que expendemos de outra
feita a respeito desses termos. `Penosas" são atividades que
exigem desmedido esforço para seu exercício e submetem o
exercente a pressões físicas e morais intensas, e por tudo isso
gera nele profundo desgaste. (...) 'Insalubres' são atividades
que submetem seu exercente a permanente risco de contrair
moléstias profissionais. 'Perigosas', quando o servidor, por
suas atribuições, fica sujeito, no seu exercício, a permanente
situação de risco de vida - como certas atividades policiais. A
lei complementar o dirá." -Comentário Contextual a
Constituição. =ão "auloG Mal<eiros, 200I, p. 3609362 9 gri'os
nossos..
Como categoria de traal<ador, o servidor p$lico tem direitos sociais
'undamentais assegurados constitucionalmente, entre eles, o traal<o
seguro, garantido pela Constituição da #ep$lica em seus arts. 8B, inc.
MM&&, e 39, A 3B, do 0ue se conclui 0ue não pode ser :ice J concessão ou
ao recon<ecimento da aposentadoria especial a ine6ist@ncia de lei
complementar ap:s vinte anos de vig@ncia da norma constitucional 0ue a
assegura, sem 0ue ten<a ainda sorevindo a0uela legislação a tornar viEvel
o e6erc!cio de tal direito.
12. % lapso temporal de car@ncia normativa para regulamentar o direito
J aposentadoria especial dos servidores p$licos, sejam eles portadores de
de'ici@ncia, 0ue e6ercem atividades de risco ou cujas atividades
desenvolvem9se so condiç>es 0ue causam dano ou lesão J sua sa$de ou J sua
integridade '!sica, F causa ensejadora da concessão do mandado de
injunção, nos termos do 0ue autori7a o art. ;B, inc. LMM&, da Constituição
da #ep$licaG
`conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes a
nacionalidade, a soberania e a cidadania"N
Dos termos do 0ue disp>e a Constituição da #ep$lica,
`§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as
leis que: (...)
II - disponham sobre: (...)
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime
jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria;"
-5menda Constitucional n. 1I, de 199I, gri'os nossos..
13. Dão prevalece d$vida 0uanto J mora legislativa na edição de lei
complementar disciplinadora do art. 40, A 4B, da Constituição da
#ep$lica, pelo 0ue etermino a !om"ni!a#$o esta %ra&e omiss$o 's
a"toriaes !ompetentes.
5ntretanto, como anotado antes, o recon<ecimento dessa 'alta não F
astante para dar coro J plena e'icEcia dessa garantia constitucional.
14. Do julgamento do Mandado de &njunção 81;, o #elator, Ministro
Celso de Mello, ressaltou a necessidade de se superar a estagnação do
legislador para não 'rustrar a +eficácia de situações subjetivas de
vantagem reconhecidas pelo texto constitucional (RTJ 131/963 - RTJ 186/20-
21)". 5n'ati7ou a0uele nore Ministro 0ue as omiss>es legislativas +não
podem ser toleradas, eis que o desprestígio da Constituição - resultante
da inércia de órgãos meramente constituídos - representa um dos mais
tormentosos aspectos do processo de desvalorização funcional da Lei
Fundamental da República, ao mesmo tempo em que estimula, gravemente, a
erosão da consciência constitucional, evidenciando, desse modo, o
inaceitável desprezo dos direitos básicos e das liberdades públicas pelos
Poderes do Estado, -decisão monocrEtica, ?* 4.3.200;, gri'os no original..
15. % &mpetrante alega ser +servidor da Universidade Federal Rural do Rio
de Janeiro, no cargo de Professor do magistério superior (...) [e que] exerce função em
condiçes insalu!res em seu grau m"ximo, desde a data de sua admissão [29.8.1980]
até a presente data, ra#ão pela $ual rece!e os proventos pertinentes ao exerc%cio da
atividade em condiçes especiais, $ue pre&udicam a sa'de ou a sua integridade( (fs. 2-
3). Acrescenta que recebe o adicional de insalubridade desde 3.3.1986.
&n'orma ter solicitado +a averbação do tempo de serviço
correspondente ao exercício de trabalho em condições insalubres, -'l. 26.,
o 0ue 'oi negado pela (niversidade )ederal #ural do #io de *aneiro ao
argumento de 0ue `não ha1veria2 fonte (norma) de Direito Administrativo
que permita ao Agente Público a (...) averbação de tempo de serviço
insalubre para contagem de tempo especial, -'l. 31..
/ circunstOncia especial de e6erc!cio de atividade insalure pelo
servidor parece di'erenciar9se de situação em 0ue o desempen<o de 'unç>es
p$licas não estE sujeito a esse 'ator. ?a! a necessidade de serem
adotados critFrios di'erenciados na de'inição de sua aposentadoria,
visando J plena e'icEcia do princ!pio da isonomia.
16. *osF /'onso da =ilva em e6plicou a necessidade de integração das
normas constitucionais, para 0ue estas ten<am e'icEciaG
`Toda constituição é feita para ser aplicada. Nasce com o
destino de reger a vida de uma nação, construir uma nova ordem
jurídica, informar e inspirar um determinado regime político-
social. (...) Mas (...) muitas e muitas normas constitucionais
têm eficácia limitada, ficando sua aplicação efetiva e positiva
dependente da atividade dos órgãos governamentais,
especialmente do Legislativo ordinário. (...)
A Constituição de 1988 aí está. Também ela, como acontece com a
generalidade das constituições contemporâneas, depende, para
adquirir plena eficácia jurídica, de integração normativa,
através de leis que transmitam vida e energia a grande número
de dispositivos, especialmente os de natureza programática, que
dão a tônica dos fins sociais do Estado e revelam aquela área
de compromisso entre o liberalismo e o dirigismo, entre a
democracia política e a democracia social. A não-integração
normativa dessas normas constitui o descumprimento do
compromisso e revela o logro em que caíram as forças políticas
que as defenderam e as fizeram introduzir no sistema
constitucional vigente, naquilo que foi incorporado pelo regime
democrático anterior e permanece., -Aplicabilidade das Normas
Constitucionais. =ão "auloG Mal<eiros, 199I, p. 22;9226..
"ara Meuccio #uini,
`Ho detto altre volte che uma Costituzione non può come Minerva
uscire dal capo di Giove, completa, tutta d'un pezzo e tutta
armata. Il testo costituzionale non può provvedere all'intero
ordinamento giuridico dello Stato. Anche i giuristi puri, come
Santi Romano, hanno adoperata l'immagine che la Costituzione è
il tronco dell'albero ed ha bisogno di rami e di fronde. (...)
Ma anche tale immagine non basta; la Costituzione per le leggi
ordinarie, e queste per i regolamenti, non sono soltanto uma
cornice, sono um tessuto normativo (...).
Purtroppo se è difficile fare uma Costituzione, è più difficile
metterla in movimento e farla funzionare; ma questo è um
imperativo inderogabile a meno che non si riffacia o si
modifichi l'edificio costituzionale. Le difficolta obiettive,
che ho rilevate, rendono più grave ed imperioso il dovere che
hanno Governo, Parlamento, Paese, di procedere ad uno sforzo
coordinato e sistemático per attuare (...) la Costituzione.
Non è ammissible che uma Costituzione resti anche parzialmente
disapplicata e si prolunghi um interrompimento ed uma fase di
non certezza del diritto" -Il Parlamento e La sua riforma; La
Costituzione nella sua applicazione. MilãoG ?ott /. Giu''rP
5ditore, 19;2, p. 1199120..
#ui Qarosa jE preconi7ava a importOncia da e'etividade da
Constituição da #ep$licaG +Não há, numa Constituição, cláusulas a que se
deva atribuir meramente o valor moral de conselhos, avisos ou lições.
Todas têm a força imperativa de regrasR -Comentários a Constituição
Federal Brasileira. =ão "auloG =araiva, Tomo &&, 1933, p. 4I9..
Considerar o contrErio F tra7er um sentimento de 'rustração J
sociedade, ao cidadão 0ue, ao não oter a e'etividade a um seu direito,
passa a descrer não apenas no :rgão encarregado de elaorar a norma, mas
tamFm no "oder *udiciErio e, em escala, na pr:pria Constituição da
#ep$lica.
17. Do caso em e6ame, 'ica caracteri7ado o dever do "oder *udiciErio
dea'astar a inFrcia dos :rgãos responsEveis pela elaoração da norma
regulamentadora de direitos constitucionalmente assegurados, o 0ue no
presente caso, envolve a iniciativa legislativa do "residente da
#ep$lica. Compete, assim, ao =upremo Triunal atuar de 'orma a viaili7ar
a imediata aplicação do direito ao caso concreto, so pena de ter9se,
nesse ponto, uma Constituição ine'ica7, como leciona *osF SorEcio
Meirelles Tei6eiraG
`qualquer Constituição moderna, para adquirir eficácia plena,
tornando-se instrumento capaz de realizar os elevados fins a
que se destina, depende, em larga escala, de regulamentação
adequada, isto é, daquilo que hoje se denomina a 'integração
normativa', através de leis complementares que transmitam vida
e energia a grande número de dispositivos, especialmente os de
natureza programática. (...)
Como se vê, uma 1coisa2 é a Constituição vigente, solenemente
promulgada; outra é a Constituição eficaz, isto é, desde logo
aplicável, exigível, com força obrigatória; outra, afinal, a
Constituição aplicada, efetivamente cumprida, em nossa vida
política, administrativa, econômica e social" -Curso de Direito
Constitucional. %rgani7ado por Maria Garcia. #io de *aneiroG
)orense (niversitEria, 1991, p. 364..
18. 5m 1;.4.2009, no julgamento dos Mandados de &njunção 89;, 898,
I09, I2I, I41, I;0, I;8, I89, 90;, 928, 93I, 962 e 99I, todos de min<a
relatoria, nos 0uais se discutia a aus@ncia de norma regulamentadora do
art. 40, A 4B, a tornar viEvel a aposentadoria especial do servidor
p$lico 0ue ten<a e6ercido atividade de risco ou so condiç>es especiais
0ue prejudi0uem a sua sa$de ou a sua integridade '!sica -art. 40, A 4B, da
Constituição da #ep$lica., o "lenErio, J unanimidade, recon<eceu a mora
legislativa e determinou 'osse aplicada a regra do art. ;8 da Lei n.
I.213, de 24.8.1991, 0ue `dispõe sobre os planos de benefícios da
previdência social,G
+Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez
cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver
trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a
saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte)
ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. -#edação
dada pela Lei n. 9.032, de 199;.
§ 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33
desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem
por cento) do salário-de-benefício. -#edação dada pela Lei n.
9.032, de 199;.
§ 2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma
que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art.
49.
§ 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de
comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do
Seguro Social-INSS, do tempo de trabalho permanente, não
ocasional nem intermitente, em condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período
mínimo fixado. -#edação dada pela Lei n. 9.032, de 199;.
§ 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho,
exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou
associação de agentes prejudiciais a saúde ou a integridade
física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do
benefício. -#edação dada pela Lei n. 9.032, de 199;.
§ 5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que
sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais a saúde ou a
integridade física será somado, após a respectiva conversão ao
tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo
critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e
Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer
benefício. -&nclu!do pela Lei n. 9.032, de 199;.
§ 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os
recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II
do art. 22 da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas
alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos
percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a
serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria
especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de
contribuição, respectivamente. -#edação dada pela Lei nB 9.832,
de 11.12.9I.
§ 7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide
exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito as
condições especiais referidas no caput. -&nclu!do pela Lei nB
9.832, de 11.12.9I.
§ 8º Aplica-se o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos
termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou
operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da
relação referida no art. 58 desta Lei., -&nclu!do pela Lei n.
9.832, de 11.12.9I.,.
Da0uela mesma sessão de julgamento e ainda sore a aus@ncia de lei
complementar a disciplinar a mencionada aposentadoria especial do servidor
p$lico, 'oram julgados os Mandados de &njunção 8II, 896, I0I e I2;,
#elator o Ministro Carlos Qritto.
5m 0uestão de ordem, decidiu9se tamFm 0ue os Ministros do =upremo
Triunal )ederal poderiam decidir, monocrEtica e de'initivamente, casos
id@nticos J0ueles e determinar a aplicação da regra do art. ;8 da Lei n.
I.213H1991 aos servidores p$licos, no 0ue couesse.
/ aplicação dessa regra no caso concreto, ap:s e6ame e conclusão sore
o cumprimento, pelo &mpetrante, das condiç>es de 'ato e de direito
autori7adoras da incid@ncia da norma, F da e6clusiva compet@ncia da
autoridade administrativa, a 0uem incumirE a'erir o preenc<imento de
todos os re0uisitos para a aposentação previstos no ordenamento jur!dico
vigente.
% ojeto do mandado de injunção F a aus@ncia de norma regulamentadora
0ue inviaili7a o e6erc!cio do direito. =e o direito estE per'eitamente
con'igurado para ser e6ercido no caso em e6ame somente a anElise e a
conclusão das condiç>es de 'ato, 'uncionais e jur!dicas da situação do
&mpetrante, a serem 'eitas em sede administrativa, podem condu7ir.
% 0ue cumpre ao "oder *udiciErio F veri'icar a omissão da norma
regulamentadora e a possiilidade de o &mpetrante poder se valer de regra
jur!dica aplicEvel J situação por ele descrita, a'astando9se o impedimento
0ue l<e advFm da aus@ncia da regulamentação constitucionalmente prevista,
o 0ue, no caso, F a0ui prestado.
Keri'icada a omissão normativa 0ue estaria a inviaili7ar o e6erc!cio
de um direito constitucionalmente previsto, integra9se o direito
titulari7ado, em tese, pelo &mpetrante. Tanto não se con'unde com a
anElise dos re0uisitos e6igidos para a aposentação especial, tampouco pode
o "oder *udiciErio de'inir, de 'orma e6austiva e 0ue somente pode ser
cumprida, administrativamente, pela autoridade competente, 0uais os
critFrios legais a serem oservados no pedido de aposentadoria sumetido
ao seu e6ame e J sua decisão.
/ssim, a integração normativa operada permite J autoridade competente
reali7ar o e6ame do direito pretensamente titulari7ado pelo servidor
p$lico. Dão compete, entretanto, ao =upremo Triunal analisar o 0uadro
'Etico9'uncional do &mpetrante para concluir pelo direito J sua
aposentação, mas tão somente a'astar o :ice da car@ncia normativa a ser
aplicada J espFcie, se cumpridas as e6ig@ncias da norma aplicEvel.
19. ?essa 'orma, re!on(e!ias a mora le%islati&a e a ne!essiae e se
arem e)i!*!ia 's normas !onstit"!ionais e e)eti&iae ao ale%ao ireito+
!on!eo par!ialmente a orem pleiteaa para+ inte%rano,se a norma
!onstit"!ional e %arantino,se a &ia-iliae o ireito asse%"rao ao
Impetrante e e)eti&iae o ."e isposto no art. 40, A 4/+ a Constit"i#$o
-rasileira+ asse%"rar,l(e a apli!a#$o o art. 57 e par*%ra)os a 0ei n.
8.21311991+ no ."e !o"-er e a partir a !ompro&a#$o os aos o
Impetrante perante a a"toriae aministrati&a !ompetente.
Com"ni."e,se.
2"-li."e,se.
Qras!lia, 1B de 'evereiro de 2010.
Ministra C345E6 07CI8
#elatora