You are on page 1of 10

AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27

AGENTE E ESCRIVÃO DA PF
Disciplina: Direito Penal
Prof.: Silvio Maciel
Aula n° 08



MATERIAL DE APOIO – MONITORIA


Índice

1. Artigo Correlato
1.1 Desmistificando o erro de tipo e erro de proibição
2. Jurisprudências Correlatas
2.1 AgRg no REsp 922954 / MS – MATO GROSSO DO SUL
2.2 HC 85631 / SP – SÃO PAULO
3. Assista!!!
3.1 Diferença entre erro de tipo e delito putativo por erro de tipo
4. Leia!!!
4.1 Concurso do Ministério Público/SP - 2008: erro de tipo
5. Simulados


1. ARTIGO CORRELATO

1.1 DESMISTIFICANDO O ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO

Autor: Eduardo Viana Portela Neves, advogado militante em Vitória da Conquista-BA.

Publicação: março/2004


1. Introdução

O escopo do presente trabalho é tão somente explicar de forma clara e concisa a distinção entre os insti-
tutos: (erro de tipo e erro de proibição). Mostra-se pertinente o estudo, pois não raramente encontramos
na doutrina e jurisprudência confusão no momento de distinguir tais institutos, sendo certo que as conse-
qüências materiais advindas dessa diferenciação são abissais.

Sobre estes institutos muito se escreveu e pouco se concluiu, motivo pelo qual pusemos à disposição do
leitor, neste pequeno ensaio, os pontos mais relevantes sobre o tema.


2. À guisa de introdução

Tecnicamente, faz-se mister distinguirmos erro e ignorância. O saudoso mestre Nelson Pizzoti Mendes nos
dá uma noção exata da distinção dos fenômenos, qual seja: " A ignorância é a ausência total de noção
acerca de determinado objeto. Já o erro é o conhecimento falso do objeto". Portanto, para o mestre, o
erro seria um estado positivo; já a ignorância seria um estado negativo.

Partindo da premissa dada pelo autor acima mencionado, formulamos nosso entendimento, a saber: o
erro é a falsa representação da realidade; enquanto ignorância) é a falta de conhecimento sobre a reali-



AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27
dade; Não obstante a diferenciação conceitual dos institutos aqui analisados, constatamos que o Código
Penal Brasileiro, faz equivocadamente uma equiparação entre ambos.

O erro pode incidir sobre os elementos do tipo, e teremos nesta hipótese o erro de tipo; se recair sobre a
ilicitude da conduta, há o erro de proibição.

É preciso deixar claro que tais denominações não guardam exata correspondência com os antigos "erro de
fato" e "erro de direito". O primeiro instituto, que era previsto no art. 17 do antigo CP, excluía o dolo e,
por via de conseqüência, a culpabilidade, uma vez que naquele momento, coerentemente com a Teoria
Causal-naturalista de Von Liszt e Beling que influenciou o legislador penal da época, o dolo encontrava-se
situado na culpabilidade.

Quanto ao erro de direito, não havia escusa. Baseado no aforismo "error júris nocet" (como observa Nel-
son Hungria ao comentar o Código Penal de 1940), seria eventualmente uma atenuante, conforme previa
o art. 48 nº III do antigo codex. É de suma importância informarmos ao leitor que naquele momento, qual
seja, até o ano de 1984, vigorava a Teoria Unitária do Erro, com todo erro recaindo na culpabilidade.

Com a reforma de 1984, atravésda lei nº 7.209, sob a influência evidente de WEZEL – jurista Tedesco – e
sob o manto de sua Teoria Finalista foi alterado o sistema adotado pelo Código Penal, dando novo regra-
mento ao erro, cuja principal alteração foi o deslocamento do dolo e da culpa para a Tipicidade (nos fur-
tamos a tecer maiores divagações, uma vez que não é este o objeto do presente ensaio).


3. ERRO DE TIPO

Tipo é a descrição legal da norma proibitiva, vale dizer, é a norma que descreve condutas (previstas abs-
tratamente) que são criminosas. Quando o indivíduo pratica um fato e ele se subsume na descrição legal,
tem-se o crime, surgindo ai o "ius puniendi" do Estado. Porém, podem ocorrer circunstâncias que, se ob-
jetivamente constatadas, excepcionarão o poder de punir do Estado e dentre estas exceções encontra-se
o erro de tipo.

O erro de tipo está no art. 20, "caput", do Código Penal. Ocorre, no caso concreto, quando o indivíduo não
tem plena consciência do que está fazendo; imagina estar praticando uma conduta lícita, quando na ver-
dade, está a praticar uma conduta ilícita, mas que por erro, acredite ser inteiramente lícita.

O erro sobre o fato típico diz respeito ao elemento cognitivo, o dolo, vale dizer, a vontade livre e consci-
ente de praticar o crime, ou assumir o risco de produzi-lo (Dolo Direto e Eventual respectivamente, CP
art. 18, I).

Por isso, de acordo com o que dispõe o art. 20, caput, do CP, o erro de tipo exclui o dolo e, portanto, a
própria tipicidade (como visto, o dolo foi deslocado para Tipicidade de acordo com a Teoria Finalista). Ob-
serve não há qualquer mácula à culpabilidade, por força disso, se o erro for vencível, haverá punição por
crime culposo desde que previsto no tipo penal. Trata-se de um consectário lógico do Princípio da Excep-
cionalidade do crime culposo, art. 20, caput, CP, modalidade examinada mais adiante.

3.1. Formas de Erro de Tipo

O Erro de Tipo pode apresentar-se de duas formas, quais sejam, o erro "essencial" e "acidental". Passa-
remos agora ao exame sucinto, porém, não destituído de caráter dogmático, que é o escopo do ensaio.

3.1.1 Erro Essencial

Ocorre o erro essencial quando ele recai sobre elementares, qualificadoras, causas de aumento de pena e
agravantes, ficando-as excluídas se o erro foi escusável. Portanto, nesta forma, o agente não tem plena
consciência ou nenhuma de que esta praticando um conduta típica.



AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27

O erro essencial por sua vez se desdobra em duas modalidades, a saber :

a) Escusável ou Invencível – está previsto no art. 20, "caput", 1.º parte. Verifica-se quando o resultado
ocorre, mesmo que o agente tenha praticado toda diligencia necessária, em suma, naquela situação todos
agiriam da mesma forma.

Ocorrendo esta modalidade, ter-se-á por excluído o dolo e também a culpa. Logo, se o erro recai sobre
uma elementar, exclui o crime, se recai sobra qualificadora, exclui a qualificadora e assim por diante.

As conseqüências processais são de suma importância pois, havendo inquérito, deve o membro do "par-
quet" pedir seu arquivamento, e se houver ação penal, deve pedir o trancamento.

b) Vencível ou Inescusável – previsto no art.20, 1º parte, CP. Se dá quando o agente, no caso concreto,
em não agindo com a cautela necessária e esperada, acaba atuando abruptamente cometendo o crime
que poderia ter sido evitado.

Ocorrendo essa modalidade de erro de tipo, há a exclusão do dolo, porém subsiste a culpa.Portanto o réu
responde por crime culposo se existir a modalidade culposa, em decorrência do Princípio da Excepcionali-
dade do Crime culposo.

Alguns doutrinadores chamam essa modalidade de "culpa imprópria" e como o próprio nome sugere ela é
excepcional, não seguindo os regramentos da modalidade comum, motivo pelo qual, v.g, admite-se tenta-
tiva.

À guisa de exemplo, para que melhor se entenda o erro vencível, ocorre quando, tio e sobrinho saem para
uma caçada, cansados de esperar pela presa o sobrinho resolve sair para buscar água. Ao retornar, já no
crepúsculo vespertino, seu tio acha que é sua caça e sem tomar as cautelas necessárias, acaba atirando.
Ao se dirigir à suposta presa alveja, percebe que é o sobrinho. Neste caso o tio responde por homicídio
culposo.

3.1.2 Erro de Tipo Acidental

O erro acidental, que recai sobre circunstâncias secundárias do crime. Não impede o conhecimento sobre
o caráter ilícito da conduta, o que por consectário lógico não obsta a responsabilização do agente, deven-
do responder pelo crime.

Esse erro possui várias espécies, a saber:

a) Erro sobre o objeto: o agente supõe estar praticando a conduta contra o objeto material que deseja,
mas por erro acaba atingindo outro. Ex: uma pessoa querendo furtar um aparelho de televisão que en-
contra-se em embalagem fechada, entra na loja da vítima, acaba, porém, levando uma máquina de lavar.
Observe que o erro do agente é acidental e irrelevante, consoante mencionado supra, respondendo assim
pelo crime.

b) Erro " in persona": o agente com sua conduta criminosa visa certa pessoa, mas por erro de representa-
ção, acredita ser aquela em que efetivamente deseja atingir. Um exemplo ajuda entender essa espécie:
Júnior, atirador de elite, resolve dar cabo na vida de José, seu pai. Para tanto usa de seus conhecimentos
de atirador, esperando que seu pai passe, como de costume, pelo local onde o aguarda. Então vem um
indivíduo com os mesmos caracteres físicos de seu pai. João prepara sua melhor mira e atira, mas acaba
matando Pedro, irmão gêmeo de José, seu pai.

Observe que não houve falha na execução do delito, apenas ocorreu uma falsa representação da realida-
de, dado a semelhança física entre os irmãos.




AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27
Ocorrendo o erro de pessoa, o agente responde como se tivesse atingindo a pessoa que pretendia e não
as que efetivamente atingiu. No exemplo supra citado o agente responde como se tivesse atingido o pai,
e não o tio. Outra não é exegese do art 20 § 3.º CP.

c) Erro na execução ou "aberratio ictus": ocorre quando o agente por execução imperfeita acaba atingindo
um terceiro que, em regra, não fazia parte do seu "animus". Ex: Júnior, um desastrado, resolve matar
seu irmão. Quando este passa pelo local esperado Júnior atira, mas por erro de pontaria, acaba não por
atingir seu irmão, mas a namorada deste, que estava ao seu lado.

Havendo resultado único o agente responde por um só crime, mas levando-se em conta as condições pes-
soa que queria atingir, nesse sentido art. 73 CP.

Porém, pode ocorrer resultado duplo, vale dizer, atingiu dolosamente a pessoa que queria e culposamente
um terceiro, neste caso há concurso formal perfeito (ou normal ou próprio), uma vez que não existe de-
sígnios autônomos, devendo ser considerada uma só pena aumentando-se de 1/6 a ½. É o Sistema da
Exasperação.

Pode ocorrer também, como afirmamos retro, que esteja no "animus" do agente atingir as duas pessoas,
portanto um resultado duplo doloso. Neste caso afirma-se haver desígnios autônomos, devendo então as
penas serem somadas, é o Sistema do Cúmulo Material. Tem-se na hipótese manejada o concurso formal
impróprio ( ou anormal ou imperfeito).

De notar-se que o erro na execução difere do "erro in persona"porque neste, o agente atinge a vítima
pensando que a desejada. Ou seja, há uma falsa representação da realidade. No erro na execução, o a-
gente quer atingir a vítima desejada e sabe que é ela, só que erra na execução, e atinge outra pessoa
(vítima alvejada).

d) "aberratio causae":neste caso o erro recai sobre o nexo causal, é a hipótese do dolo geral. Um exemplo
nos leva à compreensão da espécie, ex: A dá várias facadas em B e, presumindo que esteja morto, atira-
o de um precipício, mas B vem a morrer com a queda e não em razão das facadas – nesses casos, não
haverá exclusão do dolo, punindo-se o autor por crime doloso.

e) Resultado diverso do Pretendido ou "aberratio delicti"– nesta espécie de erro do tipo, o agente quer
atingir determinado bem jurídico, mas atinge outro. Ex: Júnior quer atingir a vidraça, mas por erro de
pontaria acaba por acertar a cabeça de José. Neste caso o agente só responde por lesões culposas, que
absorve a tentativa de dano.

Porém se ocorrer duplo resultado, ou seja, atinge a vidraça e pessoa, o agente responde por crime de
dano consumado em concurso formal com crime de lesões corporais culposas, aplicando-se o Sistema da
Exasperação, já explicado anteriormente, e para onde remetemos o leitor.

Por fim, não pode-se deixar de mencionar, responde pelo crime o terceiro que determina o erro, na forma
do art. 20, § 2º do CP. Colhamos aqui o exemplo dado pelo professor Mirabete, para melhor compreensão
da hipótese aventada: " suponha-se que o médico, desejando matar o paciente, entrega à enfermeira
uma injeção contendo veneno, afirma que se trata de um anestésico e fez com que ela aplique". Conclui-
se que a enfermeira não agiu dolosamente, mas por um erro que terceiro determinou, neste caso apenas
o médico responde pelo crime de homicídio.


4. ERRO DE PROIBIÇÃO

Assim dispõe o art. 21, caput, CP: "O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do
fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuir a pena de um sexto a um terço".




AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27
É de suma importância que neste instante já tenhamos uma idéia exata da distinção entre a ignorância da
lei e ausência de conhecimento da ilicitude, tema que já fora comentado quando da introdução e para
onde remetemos o leitor. Faz-se nodal se ter em mente um premissa, qual seja, o que se exige não é
uma consciência induvidosa da ilicitude, pôs se assim o fosse, somente os sábios operadores do direito a
teriam, o que se exige é uma potencial consciência ( ou como afirmava Mezger: "Violação Paralela do Pro-
fano"), que decorre necessariamente do conjunto de valores éticos e morais de cada individuo.

É preciso que isso fique bem claro já que, nosso parlamento é uma metralhadora legiferante – basta ob-
servar que hoje existem mais de mil tipos penais – o que acarreta inexoravelmente uma multiplicidade de
leis, diga-se de passo, desprovidas de qualquer cunho técnico, isso para dizer o mínimo. Motivo pelo qual
torna-se por vezes impossível, até para nós operadores do direito, saber o que é permitido ou que é proi-
bido.

O nosso CP, na primeira parte do art. 21 foi fiel a regra de que o desconhecimento da lei não é escusável,
ou seja, se o agente desconhece a lei que proíbe abstratamente aquele comportamento, essa ignorância
não o exime de responsabilidade. Regra essa que guarda total compatibilidade com o art. 3º LICC, que
reza: a ninguém é dado descumprir a lei alegando que não à conhece. Até por quê, se se pudesse alegar
o desconhecimento da lei, para alguém excusar-se da responsabilidade, não haveria possibilidade positiva
de aplicação, tantas seriam as desculpas de desconhecimento.

O legislador determinou que o erro de proibição exclui a culpabilidade, por inexistência de potencial co-
nhecimento de ilicitude.

É mister verificarmos que o agente atua com vontade, ou seja, dolo, portanto o primeiro requisito do fato
típico punível encontra-se superado. A solução da questão se dará na culpabilidade. Esta não há, uma vez
que se pratica o fato por erro quanto a antijuridicidade de sua conduta. Observe que podemos falar em
injusto penal, que é o fato já valorado como típico e antijurídico, mas não punível, por faltar a culpabilida-
de.

O erro de proibição se faceta nas seguintes formas: direto, indireto (erro de permissão), ambos denomi-
nados de discriminantes. Alguns autores falam em erro mandamental, mas não teceremos comentários
sobre eles

O erro de proibição direto recai sobre seu comportamento, o agente acredita sinceramente que sua con-
duta é lícita. Pense, por exemplo, turista que trazia consigo maconha para consumo próprio, pois em seu
país era permitido tal uso.

Por seu turno, o erro de proibição indireto se dá quando o agente supõe que sua ação, ainda que típica, é
amparada por alguma excludente de ilicitude pode ocorrer em duas situações, quais sejam: 1. Quando
aos limites- o agente pratica o fato porém desconhece seus limites, como por exemplo, João ameaça Jo-
sé, este por sua vez vai à sua casa, pega a arma e mata João. Se enganou, pois pensou que a legítima
defesa poderia se dar em relação a mal futuro. Desconhecia José que a referida excludente de ilicitude se
refere à agressão atual e iminente. 2. Quanto à existência: o agente supõe presente uma causa que está
ausente, à guisa de exemplo pode-se citar o caso de alguém que, sendo credor de outrem, entende que
pode ir à casa deste pegar o dinheiro devido, sendo certo que tal atitude configura crime de Exercício Ar-
bitrário das Próprias Razões (art.º 345 CP)

Não se deve olvidar que, apesar de o desconhecimento da lei ser inescusável, é previsto como circunstân-
cia atenuante pelo art. 65, II, CP.


5. AS DESCRIMINANTES PUTATIVAS FÁTICAS

As Descriminantes Putativa Fáticas é um dos temas do nosso direito material onde não há, nem se espera



AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27
que haja, consenso entre os doutrinadores. Trata-se de modalidade de erro que recai sobre os pressupos-
tos fáticos de uma causa de justificação.

Quanto à sua conceituação problemas não há, a grande celeuma que se instala sobre o instituto se refere
à sua natureza jurídica. Desse modo, seria, as descriminantes putativas, erro de tipo ou erro de proibi-
ção?

Algumas teorias tentam solucionar o problema, vejamos algumas:

1- Teoria limitada da culpabilidade: seria erro de tipo permissivo e, por analogia, teria o mesmo trata-
mento do erro de tipo ( se escusável, há atipicidade; se inescusável, pena do crime culposo);

2- Teoria dos elementos negativos do tipo: seria erro de tipo ( se invencível, atipicidade; se vencível, pe-
na do crime culposo;

3- Teoria extremada da culpabilidade: trata-se de erro de proibição ( se invencível, isenção de pena; se
vencível, culpabilidade dolosa atenuada;

4- Teoria do erro orientada às conseqüências: o agente comete um crime doloso quando atua com essa
espécie de erro, mas deve sofrer as conseqüências de um crime culposo se evitável o erro porque o des-
valor da ação é menor; se inevitável, há isenção de pena.

O CP, em seu art. 20, §1º, preceitua: "é isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas cir-
cunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena
quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo".

Da leitura do dispositivo conclui-se que a teoria adotada pelo nosso CP foi a Teoria Limitada da Culpabili-
dade, sendo o erro que incide sobra as Discriminantes Putativas Fáticas verdadeiro erro de tipo, que ex-
clui o dolo, por conseguinte a tipicidade se for invencível, ou permite a punição por crime culposo se o
erro for vencível.

É, pois, um erro sui generis na concepção de Luiz Flávio Gomes e de Cezar Bitencourt, pois para os mes-
tres seria um misto de erro de proibição para com erro de tipo. Assim sendo, deveria ser tratado em dis-
positivo autônomo.

A noção de culpa imprópria vem com a teoria causalista (Teoria esta que vigorava no CP de 1940) em
explicar este erro. Vejamos: se o pai atira no próprio filho pensando tratar-se de um ladrão, atua imagi-
nando que se encontra albergado pela legítima defesa. Para Hungria "o pai" havia atuado com culpa, pois
o dolo era a vontade de praticar um crime e, in casu,o pai evidentemente não queria matar o próprio fi-
lho; porém, como não se admite tentativa de crime culposo, seria uma culpa "sui generis", denominada
de imprópria. Não obstante, com o finalismo, e já afirmamos por diversas vezes neste ensaio, o dolo dei-
xou de ser normativo e passou a ser natural, não mais se exigindo a consciência da ilicitude, mas tão so-
mente a consciência e vontade de realização do comportamento típico, o que se amolda perfeitamente ao
exemplo retrotraido. No caso dado em exemplo, o agente aprecia mal as circunstâncias, atua finalistica-
mente para a pratica do ato, portanto, é um crime doloso, mas a lei, talvez por questões de política crimi-
nal, pune como crime culposo(chamada culpa imprópria ou por equiparação), modalidade tão excepcional,
que fugindo de toda regra, admite até a tentativa.

Não obstante todas as afirmações tecidas acima, acreditamos que, em verdade, não há nas Discriminan-
tes Putativas Fáticas um verdadeiro crime doloso, isso por força da Teoria da Congruência, porém por não
ser o escopo do presente trabalho, nos reportamos à opinião supra descrita. Porém desenvolveremos um
trabalho exclusivo sobre a natureza do erro que recai sobre as Discriminantes Putativas Fáticas.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:



AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27

GOMES, Luiz Flávio. Erro de tipo e erro de Proibição. 2º ed. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1994.

BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal, Parte Geral 8º ed, São Paulo, Saraiva, 2003.

HUNGRIA, Nelson. Comentários ao Código Penal. Rio de Janeiro Forense, 1978, v. 2.

MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de Direito Penal, São Paulo, Atlas 1999. v.1

__________ Código Penal Interpretado, São Paulo, Atlas, 2001

DELMANTO, Celso. Código Penal Comentado, Rio de Janeiro, Renovar, 2001

MENDES, Nelson Pizzoti. Direito Penal, Parte Geral, São paulo ed. Leud, 3º ed. 1974.

Fonte: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5098


2. JURISPRUDÊNCIAS CORRELATAS

2.1 AgRg no REsp 922954 / MS – MATO GROSSO DO SUL

Relator: Ministro JORGE MUSSI
Órgão Julgador: QUINTA TURMA - STJ
Julgamento: 21/10/2008

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. ERRO DE TIPO. ABSOLVIÇÃO FUNDA-
MENTADA NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO NO APELO
EXCEPCIONAL. SÚMULA 7/STJ. 1. O Tribunal a quo, com fundamento nas provas dos autos, absolveu os
réus por considerar que estes incorreram em erro de tipo provocado por terceiro, nos termos do art. 20, §
2º, do CP, razão pela qual não cabe a revisão do julgado em sede de recurso especial, ante o óbice pre-
visto na Súmula 7/STJ, que dispõe, in verbis: a pretensão de simples reexame de prova não enseja recur-
so especial" 2. Agravo improvido.

2.2 HC 85631 / SP – SÃO PAULO

Relator: Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA
Órgão Julgador: SEXTA TURMA
Julgamento: 05/11/2009

Ementa: PENAL. HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. EMPREGO DE ARMA DE FOGO. APREEN-
SÃO E PERÍCIA. NECESSIDADE. CONCURSO DE AGENTES. CORROBORADO POR DEPOIMENTOS COLHI-
DOS EM JUÍZO. CONTRADIÇÃO SOBRE A QUANTIDADE E NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS DEMAIS COMPAR-
SAS. IRRELEVÂNCIA. PENA-BASE. MÍNIMO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO. GRAVIDADE ABSTRATA. CIRCUNS-
TÂNCIAS JUDICIAIS FAVORÁVEIS. DIREITO AO REGIME MENOS GRAVOSO. SÚMULAS 718 E 719 DO STF.
ORDEM CONCEDIDA EM PARTE. 1. A necessidade de apreensão da arma de fogo para a implementação da
causa de aumento de pena do inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal, tem a mesma raiz exegética
presente na revogação da Súmula n.º 174, deste Sodalício. 2. Sem a apreensão e perícia na arma, não há
como se apurar a sua lesividade e o maior risco para o bem jurídico integridade física, não devendo, por-
tanto, incidir a causa de aumento. 3. A majorante relativa ao concurso de pessoas restou caracterizada
por depoimentos colhidos em juízo, visto que tanto os policiais quanto à vítima foram uníssonos em afir-
mar que havia outros agentes integrantes da conduta delitiva. 4. Suposta contradição entre a quantidade
dos agentes ativos do delito não enseja o afastamento do aumento, pois mesmo que fossem, ao invés de
duas, três ou quatro pessoas, basta que se verifique a concorrência de, no mínimo, uma dupla para carac-
terizar a majoração. De igual modo, a não identificação dos demais agentes não obsta a aplica-



AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27
ção dita causa de aumento. Precedentes. 5. Não é possível a imposição de regime mais severo que aquele
fixado em lei com base apenas na gravidade abstrata do delito. 6. Para exasperação do regime fixado em
lei é necessária motivação idônea. Súmulas 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal. 7. Ordem parcial-
mente concedida para afastar a causa de aumento de pena prevista no inciso I do § 2º do art. 157 do
Código Penal, mantendo, porém, a pena cominada no acórdão, e fixar o regime inicial semiaberto.


3. ASSISTA!!!

3.1 Diferença entre erro de tipo e delito putativo por erro de tipo

Fonte: http://www.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20080613162905889




4. LEIA!!!

4.1 CONCURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO/SP - 2008: ERRO DE TIPO

Autor: Áurea Maria Ferraz de Sousa;
Publicação: 15/01/2010


Resolução da questão 06 de direito penal – versão 1

06. Assinale a alternativa correta.

(A) O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, determina a redução da pena de um sexto a um terço.

(B) O erro sobre elemento constitutivo do tipo penal não exclui o dolo.

(C) O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado determina que se considerem as condições
ou qualidades da vítima da infração.

(D) Nas descriminantes putativas, se o erro deriva de culpa, responde o agente por crime culposo, se pre-
visto em lei.

(E) Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite com consciência da ilicitude do fato, quando
não lhe era possível, nas circunstâncias, agir de forma diversa.

NOTAS DA REDAÇÃO

Nas lições de Rogério Sanches, considera-se erro de tipo a falsa percepção da realidade, sendo aquele que
recai sobre elementares (causa de atipicidade absoluta ou relativa), circunstâncias do crime (podendo
excluir causas de aumento, agravantes ou presunções legais), justificantes ou qualquer dado que se agre-
gue a determinada figura típica.

É possível afirmar, de forma simples, que a diferença entre o erro de tipo e o erro de proibição reside no
fato de que no erro de tipo o agente não sabe o que faz (falsa percepção da realidade), enquanto que no
erro de proibição o agente sabe o que faz, mas desconhece a proibição (falsa percepção da ilicitude do
comportamento).

A matéria é regulada pelo Código Penal, pelos artigos 20 e 21, in verbis:



AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27


Erro sobre elementos do tipo

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição
por crime culposo, se previsto em lei.


Descriminantes putativas

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o
fato é punível como crime culposo.


Erro determinado por terceiro

§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Erro sobre a pessoa

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram,
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria prati-
car o crime.


Erro sobre a ilicitude do fato

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de
pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude
do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.
Alternativa A

O erro sobre a ilicitude do fato se inevitável, de acordo com a redação do caput do artigo 21, isenta de
pena.

Alternativa B

O erro sobre elemento constitutivo do tipo penal exclui o dolo, sendo possível a punição por crime culpo-
so, se previsto em lei (art. 20, caput).

Alternativa C

O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado determina que não se considere as condições ou
qualidades da vítima, mas sim as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime (§3º, do artigo
20).

Alternativa D

É a conclusão do §1º, do artigo 20 que isenta de pena quando o erro é plenamente justificado pelas cir-
cunstâncias, mas se o erro derivar de culpa e houver previsão legal, o agente responderá nesta modalida-
de. Alternativa indicada como correta pelo gabarito oficial.




AGENTE E ESCRIVÃO DA PF – Direito Penal – Silvio Maciel – Aula 08 de 27
Alternativa E

Evitável, para o Código Penal, é o erro se o agente atua ou se omite sem consciência da ilicitude do fato,
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. Nada tendo com a exigibilida-
de de conduta diversa.


Fonte: http://www.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20100114194558475


5. SIMULADOS

5.1. O agente que deixa de agir, desconhecendo a sua qualidade de garantidor, incorre em:

a) erro de tipo;
b) erro de proibição;
c) delito putativo por erro de tipo;
d) delito putativo por erro de proibição;
e) crime impossível.
Resp.: A

5.2 Assinale a alternativa correta.

a) Não há crime pela ausência de dolo pelo fato de este ser um elemento da antijuridicidade.
b) Em virtude da teoria da presunção do dolo, adotada pelo ordenamento penal, o erro sobre elemento
constitutivo do tipo somente excluirá a culpa.
c) Considere a seguinte situação hipotética: João foi contratado para tirar a vida de Fernando. Quando vai
executar o homicídio, não encontra Fernando e, como o irmão deste estava no local e era seu desafeto,
tira- lhe a vida. Nessa situação, João praticou um homicídio com erro sobre a pessoa, não se devendo
considerar as condições ou qualidades da vítima, mas as de Fernando.
d) Tratando-se de crime complexo, a ausência de objetos de valores com a vítima de roubo descaracteriza
a figura típica do crime de roubo, face o erro sobre o elemento constitutivo do tipo.
e) É isento de pena quem imagina verdadeiramente estar agindo em legítima defesa, já que toda situação
fática assim indica, apesar de tal não ocorrer, estar-se-á diante de uma discriminante putativa.
Resp.: E


5.3 Além do erro sobre elementos do tipo (ou erro de tipo) previsto no art. 20, o Código Penal também
trata do erro sobre a ilicitude do fato (ou erro de proibição) no art. 21. Quanto à distinção entre ambos,
assinale a alternativa correta.

a) O erro de tipo essencial vencível exclui o dolo e a culpa.
b) O erro sobre a ilicitude do fato, quando inevitável, poderá diminuir a pena.
c) O erro de tipo inescusável exclui a culpa, mas não o dolo.
d) O erro de tipo vencível exclui o dolo, mas não a culpa, quando previsto em lei.
e) O erro de proibição inescusável exclui a culpa.
Resp.: D